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março 19, 2020
CANAL NO TUBO Entrevista de Alexandre da Cunha para Artload
Alexandre da Cunha, artista cuja exposição Portal está em cartaz atualmente na Galeria Luisa Strina (visitas apenas com agendamento) em entrevista ao Artload, concedida em 2017.
SOBRE O ARTISTA
“Meu processo de trabalho é baseado na observação de objetos. Eu sempre fiquei intrigado com a enorme quantidade de coisas que precisamos para viver e os papéis dos objetos ao nosso redor. Estou interessado nos processos de design, fabricação e distribuição deles entre nós. Grande parte do meu trabalho consiste em me forçar a aprender sobre as estruturas dos objetos comuns e as narrativas por trás deles, seus usos culturais e suas implicações na sociedade. O método de transformação ou brincadeira com sua aparência geralmente ocorre por meio de alterações muito sutis; Acredito que esse processo tenha mais a ver com o tempo do que com a intervenção física. Trata-se de criar uma plataforma e permitir que o espectador veja algo familiar de um ponto de vista privilegiado.” [Alexandre da Cunha, em entrevista à Jochen Volz para Mousse, 2017]
Exposições individuais recentes incluem: Thomas Dane, Nápoles (programada, 2020); Duologue – colaboração com Phillip King, The Royal Society of Sculptors, Londres (2018); Boom, Pivô, São Paulo (2017); Mornings, Office Baroque, Bruxelas (2017); Free Fall, Thomas Dane Gallery, Londres (2016); Amazons, CRG Gallery, Nova York (2015); Real, Galeria Luisa Strina, São Paulo (2015).
Entre os trabalhos de intervenção urbana, destacam-se as obras comissionadas pelo Art on the Underground para a estação de metrô Battersea, Northern Line Extension, Londres (2021); para a Berkley Square, Londres (programada, 2020); por Samuels & Associates, Pierce Boston Collection, Boston (2017); pelo MCA Chicago, parte do Plaza Project (2015), e pelo Rochaverá Corporate Towers, São Paulo (2015).
Exposições coletivas incluem: Mostra de inauguração do museu The Box, Plymouth, Inglaterra (programada, 2020); Contemporary Sculpture Fulmer, Buckinghamshire village of Fulmer, UK (2019); Abstracción Textil, Galería Casas Riegner, Bogotá (2018); Everyday Poetics, Seattle Art Museum, Seattle (2017); Histórias da Sexualidade, MASP, São Paulo (2017); Soft Power, The Institute of Contemporary Art, Boston (2016); Brazil, Beleza?! Contemporary Brazilian Sculpture, Museum Beelden aan Zee, Haia (2016); British Art Show 8, Leeds Art Gallery, Leeds (2015); Cruzamentos Contemporary Art in Brazil, Wexner Center for the Arts, Columbus (2014); When Attitudes Became Form Become Attitudes, Museum of Contemporary Art Detroit (2013); Decorum: Tapis et tapisseres d’artistes, Musée d’art Moderne de la Ville de Paris (2013); 30ª Bienal de São Paulo (2012).
Possui trabalhos nas coleções Tate Modern, Inglaterra; Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Brasil; Instituto Inhotim, Brumadinho, Brasil; CIFO Coleção Cisneros, Miami, EUA; Coleção Zabludowicz, Inglaterra; Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil; FAMA, Itu, Brasil.
ARTE SEMPRE: Daniel Lie compartilha o registro de Os Anos Negativos
O que posso falar sobre esse momento talvez possa se relacionar com as protagonistas desta exposição - seres além de humanos e com o título da exposição, Os anos negativos.
Sobre seres além de humanos, a necessidade de entendermos que não somos a consciência soberana neste mundo está se apresentando com muita força. Neste momento há um ser além do humano, um vírus afetando todo o sistema coletivo das pessoas e precisamos lidar e aprender com este outro ser.
Sobre o título penso em uma possibilidade de leitura como uma pergunta. A partir disso pensar se isso esta no passado, no futuro ou no presente? Ou até mesmo olhar de uma maneira anacrónica.
Porém também gosto de pensar na possibilidade de subverter a idéia de negativo. Anos antes da contagem hegemônica atual são frequentemente acompanhados pelo sinal (-) ou pelo termo, negativo.
Acredito que o momento atual está nos forçando a analisar profundamente o nosso viver e precisamos ver o quanto necessitamos constantemente pensar no futuro e coloca em cheque toda a estrutura capitalista. Talvez possamos ter vislumbres das possibilidades desta situação atual com essas perguntas e poder olhar situações por outros ângulos.
Daniel Lie
Março de 2020
Os Anos Negativos, realizado em 2019, na instituição Jupiter Art Land na Escócia, Reino Unido.
As intervenções em Jupiter Artland aconteceram nos espaços internos e externos, usando matérias-primas originárias da paisagem da instituição para criar cinco instalações imersivas de lugar-específico: "Quing"; "Velar a Vida"; "Incapaz de destruir"; "Solitude Conjunta"; "A privacidade Alheia”.
Ao longo do período da exposição, seres além-de-humanos (fungos, bactérias, insetos, plantas, espíritos, divindades ...) tornaram-se protagonistas da trabalha, mudando e transformando enquanto presentes, criando o que este artista descreve como uma “Geografia de Emoções”.
Este projeto se materializou como resultado de pesquisas de diferentes áreas do conhecimento, como arqueologia, micologia, história, agriculturas, fontes alternativas de energia e arte.
Com um esforço conjunto, Os Anos Negativos conseguiu criar um Bio-Aquecedor feito com matéria orgânica em decomposição - resultado de 4 anos de pesquisa artística de Daniel Lie.
No final do projeto, os materiais completaram um ciclo, retornando à terra da região.
The Negative Years, that occurred in 2019 at Jupiter Artland, Scotland, U.K.
The interventions at Jupiter Artland unfolded across both indoor and outdoor spaces using raw materials sourced from the institution landscape to create five immersive site-specific installations: "Quing"; "To Mourn the Living"; "Unable to Destroy"; "Being Alone ,Together"; "The Others Privacy”.
Over the course of the exhibition, the featured other-than-human entities (fungi, bacteria, insects, plants, spirits, deity...) became protagonists of the work, shifting and transforming over their lifespan, creating what the artist describes as a ‘Geography of Emotion’.
This project materialised as a result of research from different fields of knowledge such as archeology, mycology, history, farming, energy alternative sourcing and art.
With a conjoined effort, The Negative Years was able to create a Bio-Heater made from organic matter decaying - a result of 4 years artistic research from Daniel Lie.
At the end of the project, materials completed a cycle, returning to the landscape of region.
No trabalho de Daniel Lie o tempo é o pilar central de sua reflexão. Desde a memória mais antiga e afetiva - trazendo histórias familiares e pessoais - até o tempo das coisas no mundo; o período de uma vida, e a duração dos estados dos elementos.
Por meio de instalações, objetos e hibridização de linguagens de arte, utiliza as coisas como elas são e baseia o trabalho em conceitos relacionados à arte da performance - uma arte baseada no tempo, efemeridade e presença. Para evidenciar essas três instâncias, elementos que possuem o tempo contido em si são utilizados como a matéria em decomposição, crescimento de plantas, fungos e o corpo.
Em sua pesquisa, o olhar é voltado para tensões e tentativas de quebrar binaridades entre ciência e religião, ancestralidade e presente, morte e vida.
Artista indonésiane-pernambucane, transgênere, nasceu em São Paulo e atualmente vive um processo nômade.
Biografia do site de Daniel Lie, conheça também o perfil na Casa Triângulo.
ARTE SEMPRE: Camille Kachani compartilha a série Remédios
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Camille Kachani compartilha a série Remédios, de 2008, em técnica mista, com citações de Albert Camus, Baruch Espinosa, Clarice Lispector, Jorge Luis Borges e Marcel Proust.
Camille Kachani (Beirute, Líbano, 1963) desenvolve um processo inventivo de possibilidades relacionadas ao processo de transformação da natureza. Suas obras são objetos híbridos, que investigam as condições originais e primitivas dos elementos naturais. Seu trabalho utiliza materiais e objetos cotidianos, conferindo-lhes novas leituras, redimensionando suas escalas e funções originais.
Principais exposições individuais: FUNARTE (São Paulo, 2008); Temporada de Projetos, Paço das Artes (São Paulo, 2007); TRAJETÓRIAS, Fundação Joaquim Nabuco, (Recife, 2007); Instituto de Arte Contemporânea (Recife, 2005), Museu de Arte Contemporânea do Paraná (Curitiba, 2004).
Principais exposições coletivas: “Doações recentes (2012-2015)”, MAR (Rio de Janeiro, 2016); Bienal Internacional de Curitiba, MAC/PR (Curitiba, 2015); “A Casa”, MAC/USP (São Paulo, 2015), “Esculturas Monumentais”, Praça Paris (Rio de Janeiro, 2014), XIV Biennale Internationale del’Image (Nancy, França, 2006).
Principais coleções institucionais: MAC-USP/SP, MAC-Niterói, MAM-RJ, MAM-SP, MAR (Museu de Arte do Rio), MAC-PR,Museu de Arte de Ribeirão Preto, Museum of Latin-American Art (Los Angeles), Colección Metropolitana Contemporanea (Buenos Aires), Centro de Arte Contemporáneo Wilfredo Lam (Havana), Fundação Joaquim Nabuco (Recife), Instituto de Arte Contemporânea (UFP, Recife).
Biografia do perfil do artista na Zipper Galeria, conheça também o perfil do Canal e o site do artista.
