NESTA EDIÇÃO:
CIRCUITO José Patrício na Mariana Moura, Recife
Laura Erber na Novembro, Rio de Janeiro
CIRCUITO osgemeos na Fortes Vilaça, São Paulo
Paulo Pasta na Estação Pinacoteca, São Paulo
Marcelo Dias e Ubirajara Júnior no MARP, Ribeirão Preto
Carmela Gross no SESC, Ribeirão Preto
CURSOS E SEMINÁRIOS
Curso Expansão do Campo de Atuação da Arte Contemporânea, com Glória Ferreira, na Estácio de Sá, Rio de Janeiro
Curso Arte Brasileira Contemporânea, com Paulo Sergio Duarte, no Maria Antonia, São Paulo
SALÕES&PRÊMIOS Selecionados Semanadas SPA 2006, Recife
REDE Notícias Idança.net: Mostra Taanteatro 2006; Cia. Khoros do Rio de Janeiro; Companhia de Dança de Almada na Espanha
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CIRCUITO
José Patrício
Vuco-Vuco
27 de julho, quinta-feira, 20h
Galeria Mariana Moura
Av Rui Barbosa 735, Graças, Recife - PE
81-3421-3725 ou mariana@marianamoura.com.br
www.marianamoura.com.br
Segunda a sexta, 10-19h; sábados, 10-13h
Exposição até 16 de setembro de 2006
Sobre a exposição
Leia o texto Vuco-vuco: estudo para um céu taoísta, de Raul Córdula
Enviado por Jam Comunicação jam_comunicacao@terra.com.br
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Laura Erber
Fora do papel
17 de agosto, quinta-feira, 19h
Novembro Arte Contemporânea
Rua Siqueira Campos 143 sobreloja 118, Copacabana, Rio de Janeiro - RJ
21-2235-8347 ou novembroarte@uol.com.br
Terça a domingo, 12-19h30; sábados, 12-19h
Exposição até 30 de setembro 2006
Sobre a exposição
Sobre a artista
Enviado por Meise Halabi meisehal@terra.com.br
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CIRCUITO
osgemeos
O peixe que comia estrelas cadentes
28 de julho a 16 de setembro de 2006
Galeria Fortes Vilaça
Rua Fradique Coutinho 1500, São Paulo - SP
11-3032-7066 ou galeria@fortesvilaca.com.br
www.fortesvilaca.com.br
Terça a sexta, 10-19h, sábados, 10-17h
Sobre a exposição
Enviado por Juliana Monachesi - Fortes Vilaça juliana@fortesvilaca.com.br
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Paulo Pasta
Fortuna
Curadoria de Tadeu Chiarelli
17 de agosto, quinta-feira, 19h30-22h
Estação Pinacoteca
Largo General Osório 66, Luz, São Paulo - SP
11-3337-0185 ou estacaopinacoteca@pinacoteca.sp.gov.br
Terça a domingo, 10-18h
Entrada: R$ 4,00 e R$ 2,00 (meia); grátis aos sábados
Exposição até 10 de setembro de 2006
Enviado por Marcio Junji Sono msono@pinacoteca.org.br
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Marcelo Dias
Ubirajara Júnior
Curadoria de Janete Polo Melo e Nilton Campos
17 de agosto, quinta-feira, 20h30
Museu de Arte de Ribeirão Preto Pedro Manuel-Gismondi - MARP
Unidade Centro de Convenções Ribeirão Preto
Rua Bernardino de Campos 999, Ribeirão Preto - SP
16-3635-2421 ou marp@cultura.pmrp.com.br
www.marp.ribeiraopreto.sp.gov.br
Segunda a sexta, 8h30-18h
Exposição até 15 de setembro de 2006
Enviado por Museu de Arte de Ribeirão Preto marp@cultura.pmrp.com.br
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Carmela Gross
O Fotógrafo
Curadoria de Janete Polo Melo
18 de agosto, sexta-feira, 20h30
SESC Ribeirão Preto
Rua Tibiriçá 50, Ribeirão Preto - SP
16-3977-4477
www.sescsp.org.br
Terça a sexta, 13h30-21h30; sábados e domingos, 9h30-17h30
Exposição até 10 de setembro de 2006
Enviado por Museu de Arte de Ribeirão Preto marp@cultura.pmrp.com.br
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CURSOS E SEMINÁRIOS
Universidarte Idéias
Curso Expansão do Campo de Atuação da Arte Contemporânea, com Glória Ferreira
Inscrições abertas
Universidade Estácio de Sá - Campus Copacabana
Rua Raul Pompéia 231, Copacabana, Rio de Janeiro - RJ
21-3202-9400/ 9416
Informações: 21-2503-7055 / 7052 ou universidarte@estacio.br
Horário: segundas-feiras, 19-21h
Período: 11 de setembro de 2006 a 27 de novembro de 2006
Preço: 3 parcelas de R$ 150
Saiba mais sobre e curso e publique seu comentário no Cursos e Seminários
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CURSOS E SEMINÁRIOS
Ciclo Fontes da Arte Contemporânea
Curso Arte Brasileira Contemporânea, com Paulo Sergio Duarte
Inscrições abertas
Centro Universitário Maria Antonia - 2° andar - sala de cursos
Rua Maria Antonia 294, São Paulo - SP
11-3255-7182 - r: 32 e 33 ou cursosma@usp.br
www.usp.br/mariantonia
Período e horário: 22 a 24 de agosto, 20-22h30
Preço: R$ 150
Veja a programação e publique seu comentário no Cursos e Seminários
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SALÕES&PRÊMIOS
Semana de Artes Visuais do Recife - SPA 2006
Selecionados Semanadas SPA 2006, Recife
Comissão de seleção: Maurício Castro, Maria do Carmo Nino, Luiz Camillo Osório
Inscrições:
Museu de Arte Moderna Aloísio
Rua da União, 88, Boa Vista, Recife - PE
Museu Murillo La Greca
Rua Leonardo Bezerra Cavalcante, 366, Parnamirim, Recife - PE
www.recife.pe.gov.br/spa2006
Semana de Artes Visuais do Recife: 10 a 16 de setembro de 2006
Veja todos os selecionados e publique seu comentário no Salões & Prêmios
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REDE
Notícias Idança.net
Criar a possibilidade do intercâmbio nacional e internacional sobre dança contemporânea é um passo fundamental para o crescimento. É também uma atitude política de juntar pessoas, habilidades e conhecimentos para tornar possível a troca de idéias. É essa convicção na democratização da informação e na profissionalização que surgiu o www.idanca.net, um projeto sem fins lucrativos, mantido pelo patrocínio da Petrobras - via Lei Rouanet - e por apoios no Brasil e no exterior. Clique aqui para receber nosso informe semanal e saber tudo que rola e anda sendo escrito sobre dança contemporânea e performance no Brasil e no mundo.
Mostra Taanteatro 2006 comemora os 15 anos da companhia de dança-teatro
Em 2006, a Taanteatro comemora 15 anos de existência dedicados à pesquisa e criação teatral e coreográfica. A programação da Mostra Taanteatro 15 Anos engloba diferentes mídias em simbiose: espetáculo, exibição de vídeo e fotografia.
Os espetáculos concebidos e dirigidos por Maura Baiocchi - 2 inéditos e 1 do repertório - transitam pelo teatro de ator, teatro-dança e teatro de formas animadas - fornecendo uma noção do espectro de recursos cênicos investigados e utilizados pela companhia.
O carro chefe será o espetáculo Máquina Zaratustra, obra que sintetiza os últimos sete anos da Taanteatro dedicados à integração de linguagens artísticas e à relação entre arte cênica e filosofia.
A Mostra acontece de 11 de agosto a 29 de outubro, no Teatro João Caetano - Rua Borges Lagoa, 650 (Metrô Sta. Cruz) - São Paulo. A programação completa está disponível no site da companhia.
texto no sítio Idança.net
Os cenários e costumes cariocas dançados pela Cia. Khoros do Rio de Janeiro
A Cia Khoros de Dança Contemporânea apresenta seu espetáculo Radiografia Carioca, de 24 a 27 de Agosto, no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, às 20hs.
Radiografia Carioca, numa viagem tão atemporal quanto bem humorada, faz alusões a lugares, histórias, costumes, tradições desse Rio que escorre em samba, religião e cultura. Como de costume, o repertório musical é genuinamente composto de composições brasileiras, onde o eletrônico se mescla à música popular em alguns momentos, trazendo para o palco uma combinação ousada, criando um paralelo musical entre o tradicional e as novas influências. A montagem ainda é permeada por vídeos que remetem a essência da diversidade cultural da cidade do Rio de Janeiro.
texto no sítio Idança.net
Coreógrafas de Portugal apresentam trabalhos em festival na Espanha
No mês de setembro, dias 9 e 10, a Companhia de Dança de Almada leva a Tárrega, na Espanha, duas produções das temporadas 2005 e 2006: O Desejo Veste um Corpo, de Alexandrina Nogueira e Submersão do Meu Ser, de Rita Galo.
Submersão do Meu Ser é um trabalho coreográfico inspirado na pintura a óleo sobre madeira de Hieronymus Bosch (1450-1516). Já O Desejo Veste um Corpo é baseado na violência doméstica e no sofrimento das mulheres. Relações de amor, obsessão e ódio.
As jovens coreógrafas portuguesas verão os seus trabalhos apresentados no Festival Fira De Teatre Al Carrer, evento internacional de artes cênicas organizado no sul da Europa.
A Companhia de Dança de Almada, de Portugal, dá assim continuidade a objetivos maiores de divulgação e projeção dos criadores e intérpretes da dança contemporânea nacional. Para mais informações, consulte o site oficial do festival ou contacte a companhia.
texto no sítio Idança.net
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TEXTOS DO E-NFORME
José Patrício na Mariana Moura
No espaço, serão expostos 56 múltiplos feitos com 56 jogos de dominós diferentes, além das obras compostas por diversos tipos de botões de roupa, pintados com esmalte sintético, tendo como suportes quadrados em madeira. O conceito da exposição é utilizar materiais simples e baratos, normalmente encontrados no comércio popular das grandes cidades, que no Recife ganha o nome de “vuco-vuco”.
Não é de hoje que José Patrício flerta sua arte com os jogos, criando um sistema concebido para gerar sempre novas situações visuais. Através de pesquisas e trabalhos com dominós, o artista investiga as possibilidades poéticas da apropriação de objetos cotidianos em substituição à invenção formal (conceito introduzido pelo artista Marcel Duchamp através do readymade). No entanto, José Patrício não se apropria dos objetos industrialmente produzidos tal qual o conceito do readymade; a partir desses objetos, no caso os dominós, o artista cria situações formais e cromáticas, investigando novas possibilidades de invenção formal.
A regra do dominó é numérica. Cada uma de suas 28 pedras está dividida em dois campos iguais. Sobre eles estão pintados de zero a seis pontos que correspondem aos sete primeiros algarismos. As peças são divididas entre jogadores que devem baixá-las, uma por vez, de modo a colocá-las junto a uma das metades das pedras já arriadas cujo número de pontos seja idêntico a um dos lados da nova peça. Ganha quem terminar primeiro. Nos seus múltiplos, José Patrício abandona o padrão aritmético do jogo de dominó e passa a combiná-las para produzir situações gráficas e cromáticas destinadas somente ao olhar. Daí a idéia da contemplação.
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Vuco-vuco: estudo para um céu taoísta
RAUL CÓRDULA
“Sem sair de casa,
Conhece-se o mundo.
Sem olhar pela janela,
Vê-se o Tao do Céu.
Quanto mais longe se vai,
Menos se sabe.”
Lao-tsé – Tao-Te King XLVII*
O homem nosso contemporâneo não se contenta mais em conceber a realidade como a paisagem vista da janela. Temos (e vemos) diversas realidades, podemos mesmo escolher a realidade a que queremos pertencer ou na qual queremos estar. Nessa questão, sabemos que qualquer objeto, por mais simples que seja, dependendo do contexto em que se coloque, pode significar diferentes coisas. Compostos em conjuntos, os objetos se transformam em coisas absolutamente diversas de suas formas e aparências primárias: pedras em castelo, tijolos em casas, folhas de papel em livros.
A obra de alguns artistas, entre eles José Patrício, desenvolve-se assim, a partir de um princípio arquetípico. Na década de 1990, quando os papéis que ele fabricava significavam não apenas o suporte de seu trabalho, mas sua própria expressão, ele já tinha como sua base composicional uma malha quadrada, estrutura que suportava suas variações de textura, cores, pesos, símbolos. Dessa malha, suporte da azulejaria árabe, sobrevive a tessitura que mantém sua obra recente. Lembremos que a malha, em sua seqüência modular, sobreviveu dos espaços arquitetônicos coloniais até o espaço virtual, pois faz parte da estrutura da linguagem binária. Arcaica, permanece, por isso, como elemento atemporal. Essa é uma das causas de a arte de Patrício, embora centrada em questões formais, parecer sempre nova, contemporânea na sua essência, pois Lao-tsé anuncia: “O antes e o depois se seguem mutuamente” e também: “Quem sabe estabelecer limites não corre perigo e dura eternamente”.
Um de seus trabalhos, composto dos algarismos “um” e “zero”, os sinais da linguagem digital, dispostos na sua malha-suporte, parece ser o paradigma do conjunto desta exposição, onde os papéis dos anos 1990 e os dominós dos 2000 já não são a principal matéria, embora os dominós permaneçam exatamente no múltiplo vuco-vuco, título da mostra que apresentamos, sendo o único aspecto de todo conjunto que foge da base modulada.
Vuco-vuco é o nome popular de qualquer loja, bazar, lugar onde se compra qualquer coisa, onde se encontra e se negocia tudo, espaço de aspecto caótico que abriga multidões. Patrício se refere ao Bairro de São José, aos mercados de Casa Amarela, da Madalena, da Boa Vista ou a lojas dispersas pela cidade por onde ele peregrinou em busca dos materiais utilizados em sua arte, principalmente os dominós e os botões. De uma instalação que apresentou no Salão MAM-Bahia de Artes Plásticas, que constava de centenas de dominós “desarrumados” sobre uma mesa (quem conhece sua obra se recorda de milhares de dominós arrumados compulsivamente em vários jogos no chão ou em suportes de parede, em composições exatas), ele desenvolveu a série de múltiplos que nomeia esta mostra: vuco-vuco, pequenas composições realizadas com as mesmas peças de dominó, que variam em tamanho, cor, material e na textura do esmalte sintético, elemento-surpresa que, de acordo com a secagem, resulta em diferentes aspectos.
O Vuco-vuco exprime a abundância e a generosidade do artista quando aproveita (recicla) uma criação anterior, transformando-a em objetos múltiplos, democráticos, re-arrumando o caos para e, assim, comungar com o outro, o público. Os vuco-vucos do mundo, os mercados persas, as medinas, os bazares, os armarinhos, as mercearias, as feiras de Campina Grande e de Caruaru, o Sahara do Rio, e tantos outros territórios de trocas, intercâmbios, misturas, mestiçagens, são modelos de universos com os mais diferentes princípios e procedências, caracteres e procedimentos, usos, costumes e culturas, assim como também são modelos de universos (realidades) as composições de Patrício, as espirais quadradas, os labirintos, as seqüências numéricas de pequenas peças, dados (bozós), contas de colar, cabeças de alfinetes de costura e de marcação de gráficos, pequenas tampas e recipientes, mínimos adornos como guizos, broches e botões.
Misteriosamente, Lao-tsé nos diz: “O Tao gera o Um. O Um gera o Dois. O Dois gera o Três. O Três gera todas as coisas”. “Todas as coisas” parece ser a meta de Patrício quando reúne mais de 6 mil botões, diferentes entre eles, numa única peça. Algo notável como a visão da Via-Láctea, um estudo (projeto) para um Céu, um Céu taoísta, perfeito objeto para a contemplação e a meditação. Esse objeto não significa apenas seu titânico limite numérico, mas a jornada sem limite do artista em busca de cada pequena peça que a compõe, procurando, nos armarinhos do Recife, seus tesouros ocultos em pequenas caixas que mais escondem do que mostram. É o resultado de uma Odisséia onde o Ulisses também tece sua trama, incorporando no herói o saber do artista.
O cosmólogo Martin Rees, no seu notável Apenas Seis Números (Rocco, 1999), cita o seguinte trecho de Santo Agostinho: “O universo foi trazido à existência em um estado incompleto, porém agraciado com a capacidade de se transformar, de matéria disforme, em um arranjo verdadeiramente maravilhoso de estrutura e formas de vida”. Os artistas que constroem sua obra como Patrício fazem parte do universo - pelo menos deste universo onde achamos que estamos - como agentes dessa transformação do caos em ordem.
*Todas as citações do Tao-Te King de Lao-tsé neste texto são tiradas da edição da editora Pensamento, traduzida do chinês para o alemão por Richard Wilhelkm e do alemão para o português por Margit Martincic.
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Laura Erber na Novembro
A artista visual e poeta Laura Erber inaugura sua primeira exposição individual no Brasil na Novembro Arte Contemporânea, com vídeo-instalações inéditas, projetadas sobre as paredes da galeria. O texto de apresentação é da crítica Ligia Canongia.
Depois de individuais na França e na Espanha, a carioca Laura, 26 anos, apresenta no Rio desenhos vivos - silhuetas e linhas - que se transformam fora do papel, em projeções de grandes formatos: o dípitico "O livro das silhuetas" (dupla vídeo-projeção sonora em looping) e "O livro das linhas" (vídeo-projeção sonora).
A produção de Laura Erber se caracteriza pelo constante trânsito entre linguagens, especialmente nas relações entre matéria verbal e matéria visual. Os trabalhos aproximam o vídeo de questões do desenho, entendido como modulação da escrita, e da literatura, no sentido de um conjunto de práticas da escrita.
Diz a artista: "Os trabalhos mostram estados transitórios, formações no tempo, sintaxes embrionárias, que parecem querer apontar para os limites do corpo e da linguagem. Tento tornar visíveis as relações e os intervalos entre corpo e palavra, entre sujeito e linguagem. É na linguagem e através dela que o homem toma posse e ganha consciência de seu corpo, de seus limites, torna-se humano. O que interessa aqui é o modo como os signos mediam e interferem nos modos de estar no mundo. A linguagem é tomada como uma força intensamente física que atravessa e excita o corpo, e vice-versa."
Em "O livro das silhuetas", de 2004, produzido durante bolsa de residência no Le Fresnoy - Centro Nacional de Arte Contemporânea (França), silhuetas humanas carregam palavras soltas, que dançam e movimentam o texto que contêm. Essas palavras podem escapar da silhueta dos corpos. O vídeo é projetado em escala humana sobre duas paredes, em ângulo de 90º, simutaneamente. É uma vídeo-instalação, mas pode ser entendida como um desenho vivo.
Esta obra, exposta uma única vez na Bienal do Mercosul 2006, em Porto Alegre, é sonorizada com ruídos de páginas virando e vozes em português, inglês, galês, francês, espanhol/castelhano, italiano e sardo, russo, cantonês e japonês. A coreografia das silhuetas é assinada pela dançarina galesa Sioned Huws.
"O livro das linhas", de 2006, se compõe de imagens de linhas em constante metamorfose, sem chegar a formas definidas, reconhecíveis, como se seu sentido nunca pudesse ser fixado. Os fios em mutação são imagens inacabadas que convidam o espectador a projetar seu imaginário naquilo que vê. O som desta obra é a da língua dos bebês, que os lingüistas chamam de arrulho ou balbucio.
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Sobre a artista
Nascida em 1979, no Rio de Janeiro, Laura Erber já fez individuais na Ilha Vassivière, França, em 2005, e na Fundação Miró, Barcelona, este ano. É formada em Literaturas de Língua Portuguesa (UERJ). Em 2002, publicou seu primeiro livro de poemas, "Insones" (7 Letras - Rio de Janeiro). Em setembro, lança, na Alemanha, "Os corpos e os dias", seu segundo livro, também de poemas, ainda sem previsão de uma edição brasileira.
Entre 2002 e 2004, ela foi artista residente no Le Fresnoy - Centro Nacional de Arte Contemporânea (França), onde realizou o filme "Diário do Sertão" e o vídeo "O Livro das Silhuetas", este último, apresentado no Monaco Dance Forum 2004.
Desde 2003, participou de coletivas em Paris (Jeu de Paume, Maison Europeène de la Photographie, Museu de Arte Moderna), Stuttgart, Monte Carlo, Bolonha, Barcelona, Moscou (Museu de Arte Contemporânea), Bienal do Mercosul, entre outros.
A artista tem obras na coleção de arte contemporânea da Maison Européene de la Photographie - MEP (Paris, França). Seu curta "Diário do sertão" esteve em festivais e mostras no Rio, em SP, Fortaleza, Havana, Cornell (EUA), Montreal, Paris, Genebra, Bergamo, Lodz e Zielona Gora (Polônia) e Moscou.
Entre seus prêmios e bolsas, estão:
- FAPERJ - bolsa de Iniciação Científica para a pesquisa "A questão da traduzibilidade em Guimarães Rosa" (Rio de Janeiro);
- Le Fresnoy - Studio National des Arts Contemporains (França);
- Bolsa VITAE de Artes (São Paulo);
- Akademie Schloss Solitude (Alemanha);
- Vlaanderen Pen Center (Bélgica);
- Prêmio Nova Fronteira de melhor adaptação livre da obra de João Guimarães Rosa (Belo Horizonte).
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osgemeos na Fortes Vilaça
A galeria Fortes Vilaça apresenta ao público brasileiro a primeira mostra individual da dupla paulistana osgemeos no país, depois de sete anos de reconhecimento internacional. Além da mudança radical na paisagem urbana da Vila Madalena com a pintura que fizeram na fachada da galeria, transformando-a em uma enorme cabeça, a exposição é composta de uma pintura mural também no espaço interno, uma grande instalação e uma série inédita de pinturas-objeto.
A visão transformadora que osgemeos têm do mundo perpassa todas as obras, que têm em comum as referências à cultura popular brasileira, ao contexto urbano e ao universo onírico criado por eles. No andar térreo, a pintura que recobre as paredes do chão ao teto segue a tradição do muralismo latino-americano, explorando a narratividade, a figuração arquetípica e a paisagem imaginária. Já a instalação, de escala monumental, contém uma escultura mecânica, som e elementos interativos.
Os personagens de rosto amarelo vivo, marca registrada da dupla, que parecem fazer parte de uma multidão anônima nas intervenções e pinturas dos artistas, sob um olhar mais atento, são – na verdade – personagens cuidadosamente diferenciados por meio de roupas e adereços que os individualizam. osgemeos são desenhistas virtuosos e conseguem forjar uma riqueza de padronagens e cores pouco vista na arte contemporânea. Segundo os artistas, cada detalhe conta um pouco da vivência deles nas ruas da cidade e em seu “mundo paralelo” e também da história da família. O irmão Arnaldo Pandolfo inclusive colaborou na construção da instalação.
A cabeça amarela pintada na fachada da galeria sugere que o visitante vai percorrer o universo fantástico que habita a mente dos artistas. Entre as pinturas, O banho do pavão é a que melhor exprime esse mundo onírico e marcado por hibridações culturais: urbano, regional, pintura e assemblage convivem na obra. Com ênfase no fazer artístico, a mostra revela um lado menos conhecido da produção d’osgemeos, que estrearam no circuito de arte contemporânea em 2005, no Deitch Project (NY).
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