Acesso a todos os e-nformes publicados desde a criação do Canal Contemporâneo em dezembro de 2000.
Para acessar os e-nformes anteriores é necessário ser associado ao Canal Contemporâneo.
Se você já se cadastrou, conecte-se na primeira página para acessar sua área pessoal e pedir o boleto na aba associação do editar conta. Se você nunca se cadastrou, preencha o formulário e, no final, escolha a opção associação paga. Conheça os planos de acesso do Canal e seus benefícios.
Modos de recebimento dos e-nformes
O Canal Contemporâneo publica 2 e-nformes semanais contendo informações sobre o circuito de arte contemporânea e políticas culturais relacionadas.
- Para receber a edição COMPLETA, com textos e imagens, torne-se um associado pagante e contribua para a manutenção da iniciativa.
- Para receber a edição SIMPLIFICADA, apenas com os linques para os conteúdos, basta ser um usuário cadastrado.
DF/RJ/SP Pipilotti Rist no Paço das Artes e MIS / Lançamento de Hans Ulrich Obrist Entrevistas no Galpão Fortes Vilaça ANO 9 - N. 103 / 1º DE OUTUBRO DE 2009
31º Panorama da Arte Brasileira Mamõyguara opá mamõ pupé
Adrián Villar Rojas, Alessandro Balteo Yazbeck com Eugenio Espinoza, Armando Andrade Tudela, Carlos Garaicoa, Cerith Wyn Evans, Claire Fontaine, Damián Ortega, Dominique Gonzalez-Foerster, Franz Ackermann, Gabriel Sierra, Jennifer Allora com Guillermo Calzadilla, Jorge Macchi, Jose Dávila, Juan Araujo, Juan Pérez Aguirregoikoa, Julião Sarmento, Luisa Lambri, Mateo López, Marjetica Potrc, Mauricio Lupini, Nicolás Guagnini com Carla Zaccagnini, Nicolás Robbio, Pablo Siquier e Valdirlei Dias Nunes, Pedro Reyes, Runo Lagomarsino, Sandra Gamarra, Sean Snyder, Simon Evans, Superflex, Tamar Guimarães, Tove Storch
Curadoria de Adriano Pedrosa
3 de outubro, sábado, 18h
Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM-SP
Av. Pedro Álvares Cabral s/nº, Portão 3, Parque do Ibirapuera, São Paulo - SP
11-5085-1300 / 2342 www.mam.org.br Terça a domingo e feriado, 10-17h30
Exposição até 20 de dezembro de 2009
Patrocínio Credit Suisse; Apoio cultural da Pricewaterhouse Coopers, Banco Bradesco, Banco Itaú, Gerdau e Grupo Santander; Incentivos: Lei Mendonça, Lei Roaunet, Fundo Nacional de Cultura e Ministério da Cultura. A FAAP é parceira da mostra nas nove residências artísticas no edifício Lutetia.
Lançamento de livro Hans Ulrich Obrist
Entrevistas (volumes 1 e 2)
4 de outubro, domingo, 17h
Galpão Fortes Vilaça
Rua James Holland 71, Barra Funda, São Paulo – SP
11-3392-3942 ou curatorial@fortesvilaca.com.br www.fortesvilaca.com.br Terça a sexta, 10-19h, sábado, 10-17h
Editora Cobogó | Instituto Inhotim
Abertura acontece no Paço das Artes: 5 de outubro, segunda-feira, 20h
Paço das Artes
Avenida da Universidade n° 1, Cidade Universitária, São Paulo - SP
11-3814-4832 ou pacodasartes@pacodasartes.org.br www.pacodasartes.org.br Terça a sexta, 11h30-19h; sábado, domingo e feriado, 12h30-17h30
Exposição até 6 de dezembro de 2009
Museu da Imagem e do Som - Espaço Redondo
Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo - SP
11-2117-4777 ou mis@mis-sp.org.br www.mis-sp.org.br Terça a sábado, 12-19h; domingo e feriado, 11-18h
Exposição até 3 de janeiro de 2010
CURSOS E SEMINÁRIOS Burle Marx, Um artista total na Casa do Saber, Rio de Janeiro
Professores: Lauro Cavalcanti, Fernando Chacel, Luiz Aquila, Sylvio Fraga Neto; com coordenação de Lauro Cavalcanti
Burle Marx criou, a um só tempo, o paisagismo tropical e uma linguagem internacional e moderna de jardins – um trabalho feito a partir da valorização estética da flora nativa, resgatando-a da triste condição de mato e revelando-a para o mundo e para os próprios brasileiros. O talento como pintor, desenhista, gravador, escultor, ceramista, cenógrafo, músico, designer de jóias e, claro, paisagista, faz dele um dos artistas totais, cada vez mais raros em nossos tempos de grande especialização. Em todas as suas facetas, nele prevaleciam, indissociáveis, as de pintor e de paisagista. A relação com a pintura ajudou Burle Marx a transplantar lógicas e formas da vanguarda artística para os jardins, criando, assim, uma estética singular e moderna de organização plástica da natureza. No centenário do artista, o curso presta uma homenagem a essa grande expressão da cultura e da História do país.
COMO ATIÇAR A BRASA Pazé brinca com ícones da pintura
Matéria de Maria Hirszman originalmente publicada no Caderno 2, do jornal O Estado de S. Paulo em 28 de setembro de 2009.
O artista exibe sua obra impactante sobre arte ocidental na Casa Triângulo
Quem entrar na Casa Triângulo para ver as novas obras de Pazé se surpreenderá com um cenário inusitado. O artista transformou 500 anos da arte ocidental num gigantesco e impactante jogo, criando um desafiante quebra-cabeças composto por grandes ícones da pintura, desde o renascimento até a modernidade, organizados segundo critérios bastante precisos e de efeito potente. Tirando o visitante de sua confortável posição de espectador para colocá-lo no centro de uma lógica de apropriação e acúmulo, o artista subverte uma série de regras, transgride todos os critérios de organização, exibição e valoração das obras de arte. Ao utilizar um processo barato, usado normalmente para decorar caminhões, e criar um bricabraque de períodos e estilos distintos, ele retira o caráter único e individual de cada tela - ou melhor, explicita sua ausência num mundo tão ávido e saturado por imagens - para compor a sua coleção, a partir de regras próprias, muito particulares.
COMO ATIÇAR A BRASA Exposição conta com programa de residências
Matéria originalmente publicada no Caderno 2 do Estado de S.Paulo, em 3 de setembro de 2009.
O mexicano Jose Dávila e o argentino Adrián Villar Rojas já criaram suas obras
Andando pelo bairro de Higienópolis, o mexicano Jose Dávila deu de encontro com alguns edifícios projetados pelo arquiteto Vilanova Artigas que ele não conhecia. "Minha ideia era viver a cidade, encontrar coisas evitando o olhar de turista", diz o artista, um dos nove estrangeiros convidados a participar do programa de residências do Panorama da Arte Brasileira deste ano do MAM. Dávila, que vive em Guadalajara, sempre se interessou por arquitetura, gostaria de tê-la em sua formação - e por isso, além de naturalmente ir aos museus da cidade, foi atrás do Copan e das obras de Niemeyer.
COMO ATIÇAR A BRASA Doug Aitken capta os sons da terra em Inhotim
Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo, em 26 de agosto de 2009.
Norte-americano premiado na Bienal de Veneza faz sua primeira obra no Brasil, que será inaugurada no fim de setembro no museu Inhotim
Artista cava buraco de 200 m e põe microfones para transmitir ruídos terrestres
Uma fratura exposta na terra abriu outra fenda em Doug Aitken. Quando o artista viu a mina aberta do outro lado da montanha em Brumadinho, decidiu que nenhuma imagem expressaria a mesma sensação, a não ser a própria paisagem de terra vermelha, mata verde e montanhas azul profundo.
Em Inhotim, Aitken desistiu de fabricar imagens e buscou só a trilha sonora para o "efeito alucinógeno" de toda a terra.
Cavou um buraco de 200 metros no alto de uma montanha e instalou oito microfones ao longo do trajeto. O som, do gotejar de lençóis freáticos ao estrepitar de rochas desconhecidas, reverbera numa construção de vidro em volta do rasgo.
Esse pavilhão, primeira obra do americano no país, será aberto em setembro, com mais oito trabalhos no museu mineiro de arte contemporânea.
Aitken já mostrou o sono de algumas celebridades na fachada do Museu de Arte Moderna de Nova York. Eram curtas projetados no prédio em Manhattan: Cat Power e Seu Jorge percorriam sonâmbulos cenários escancarados à metrópole.
Anônimos também deram vida a paragens elétricas e desertos e minas surgem auscultados, fundidos, refeitos nas investigações visuais de Aitken.
Agora é só o som e a paisagem que já existe. "Aqui é menos ficção e mais a qualidade física, tátil da paisagem", descreve Aitken. "É imaterial, esse volume deslocado de terra se transforma em volume literal de som."
ARTE EM CIRCULAÇÃO Diário de bordo: Inhotim, 29/09/2009
Marília Sales, Especial para o Canal Contemporâneo
Definir São Paulo seria um excesso, lugar ícone de complexidade de informações e relações. Sair deste ambiente e se deparar com o espaço Inhotim, em primeiro instante é desconcertante. São situações completamente opostas. Precisa-se de um tempo para acomodar os contrates, de uma pausa para sentir a experiência. A reflexão de Jorge Larrosa (2004 p.160) se repetia em mim a todo instante: "A experiência, a possibilidade de que algo nos passe ou nos aconteça ou nos toque, requer um gesto de interrupção, um gesto que é quase impossível nos tempos que ocorrem: requer parar para pensar, para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar e escutar mais devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demorar - se nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar os outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço."
Sexta-livre: Projeto Portifólios com Daniel Lannes
Depois de duas edições no MAC, o projeto Portifólio volta ao Ateliê e traz em outubro Daniel Lannes como artista convidado e Felipe Scovino, Marcelo Campos e Pedro França como debatedores/dialogadores.
O projeto Portifólio nasceu da necessidade de uma troca constante entre crítica, artista e público das artes visuais. Portifólio possui um caráter experimental em sua concepção, visando envolver artistas e críticos emergentes numa espécie de fogo-cruzado produtivo. É, portanto, um exercício de confronto com trabalhos e suas questões. Neste sentido, os objetivos do formato são: 1) tomar como ponto de partida para o debate obras e trajetórias artísticas específicas, em vez de conceitos generalizantes e 2) evidenciar o pensamento crítico em construção, isto é, colocar em pauta também as próprias formas de se pensar a arte, trazendo – além da própria obra em sua formação – estes processos para perto do público.
O projeto pretende convidar artistas cujas produções tenham sido iniciadas ou amadurecidas no decorrer dos anos 2000. Os críticos participantes de Portifólio também estarão submetidos ao caráter experimental do projeto: não será exigido destes um profundo conhecimento prévio dos trabalhos em questão, de modo a pôr em evidência as dúvidas e tensões inerentes à crítica em seu embate vivo com o trabalho do artista. O projeto visa instituir um ambiente de risco, no melhor sentido da palavra.
Sobre os participantes
Daniel Lannes é artista plástico, formado em Comunicação Social pela PUC-RIO. Estudou pintura na State University of New York e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Participou de exposições individuais no Centro Cultural Cândido Mendes, em 2006, no Centro Cultural São Paulo, em 2007, e na Galeria Choque Cultural, em 2008. Também em 2008, ganhou bolsa residência no The Idyllwild Arts Painting’s Edge program, California, EUA. Em 2009, participou da coletiva Nouvelle vague, na Galeria Laura Marsiaj.
Felipe Scovino é professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (EBA/UFRJ), onde também realiza o seu pós-doutorado com bolsa da Faperj. É autor do livro Arquivo Contemporâneo (7Letras, 2009) e está organizando Cildo Meireles (Azougue Editorial). Escreveu artigos para as revistas Third Text, Arte & Ensaios, Tatuí, Concinnitas e jornais O Globo e Jornal do Brasil. Foi ganhador da bolsa estímulo à produção crítica em artes pela região sudeste (Funarte/MINC, 2008).
Marcelo Campos é professor Adjunto do Departamento de Teoria e História da Arte e Coordenador da graduação em artes do Instituto de Artes da UERJ. Doutor em Artes Visuais pelo PPGAV da Escola de Belas Artes/ UFRJ. Desenvolveu tese de doutorado sobre o conceito de brasilidade na arte contemporânea. Possui textos publicados em periódicos, livros e catálogos nacionais e internacionais. Curador de diversas exposições, tais como: Alcova, RJ; Sertão Contemporâneo RJ/BA; Desenho em todos os sentidos, RJ.
Pedro França é artista plástico e professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. É formado em desenho industrial e mestrando pelo Programa de História Social da Cultura (PUC-Rio). Tem publicados textos sobre as obras de Bob N e Orlando Mollica.
Na Renascença italiana, a ideia de uma História da Arte começou a tomar forma a partirde Giorgio Vasari, com o livro A vida dos Artistas. O trabalho monumental de Vasari — viajando pela Itália dos seiscentos, entrevistando, conversando, observando os maiores pintores, escultores e arquitetos da época — deu início a tomada de consciência de uma possível História da Arte, enquanto disciplina. De lá para cá, a técnica da entrevista se expandiu não apenas no jornalismo, mas tornando-se método acadêmico usado pelas ciências sociais, pela história, pelos estudos culturais e até mesmo como forma de tratamento, pela psicanálise. Por muitos séculos, as conversas em torno da arte eram conduzidas por filósofos, historiadores e connoisseurs, enquanto os artistas — com raríssimas exceções — permaneciam excluídos dessa troca. Em tempos mais recentes, com mais força ao longo do século XX, o historiador da arte concentrou-se na interpretação dos trabalhos e das obras e nos seus significados, ou seja, a conversa com os artistas era
mediada pelo objeto de arte.
Quando o curador Hans Ulrich Obrist iniciou sua carreira, no final dos anos 1980, tinha um objetivo: utilizar as experiências dos artistas dos anos 1960 e 1970, que haviam ampliado o campo das artes plásticas, para criar um campo expandido pelo qual a arte transitasse – um novo espaço de exposição, um novo espaço de troca, um novo processo de criação. Seu primeiro problema era, como ele mesmo diz, definir as “regras do jogo”. E Obrist logo percebeu que se suas regras não se ajustassem à arte, a arte inevitavelmente se tornaria apenas ilustração para a imposição do curador. Assim, propôs-se a começar o jogo pelos próprios artistas, por meio de conversas. Incluindo ainda em seu projeto, arquitetos, cientistas, escritores, filósofos, músicos, passou a ouvir a todos, numa espécie de curadoria geral ou flânerie, que passeia, anota, sugere e interage. E que, de alguma forma, nos remete ao projeto de Giorgio Vasari.
Ao longo dos mais de vinte anos de carreira, Hans Ulrich Obrist tem desenvolvido trabalhos dentro e fora de instituições. Atualmente, é codiretor de exposições e programas da Serpentine Gallery em Londres. Em 2006, organizou com Rem Koolhaas a primeira Marathon [Maratona], no pavilhão temporário desenhado especialmente para o programa de pavilhões da Serpentine Gallery, no Hyde Park. Essa maratona consistia em 24 horas ininterruptas de conversas com mais de sessenta convidados, entre os quais Brian Eno, Gilbert & George e Doris Lessing.
Hans Ulrich Obrist não limita as fronteiras do encontro com a arte. Os campos físico (expositivo), geográfico e o de atuação estão abertos. Seu projeto curatorial propõe uma experiência utópica: reduzir a distância da memória – individual ou coletiva – presentificando-a no embate com um passado sempre em expansão. Assim, o imaterial também se coloca como substância concreta do projeto artístico e passível de curadoria. As conversas, as trocas e os encontros reunidos nesta coleção são a materialização de um espaço expositivo reinventado e, portanto, um novo ponto de encontro com a arte.
Dentro de um universo de centenas de entrevistas, coube-nos selecionar algumas para apresentadar o trabalho de Obrist ao público brasileiro. São mais de 1.400 horas de conversas gravadas, com pessoas das mais diversas áreas de atuação e, igualmente, das mais diversas nacionalidades, registradas em todos os continentes, em encontros pessoais, em restaurantes, quartos de hotel, táxis ou aeroportos, ou mesmo durante uma viagem de avião cruzando algum ponto do globo. Assim, num processo caoticamente organizado, Obrist incita à discussão dos limites que separam, ou unem, as pesquisas no meio das artes e das ciências.
Nesse variadíssimo acervo, no entanto, encontram-se pontos de contato – às vezes mais evidentes, outras vezes mais sutis – entre as inquietações, as buscas, as opiniões dos diversos interlocutores. Foi a partir desses pontos de convergência que pensamos esta seleção, de modo que as entrevistas reunidas em cada um dos livros pudessem criar um diálogo também entre si. No entanto, o diálogo estabelecido entre as entrevistas em cada volume aponta para além dos limites de cada livro. Certos temas anunciados neste primeiros volumes serão abordados nas próximas entrevistas desta coleção.
Nestes dois volumes, o leitor encontrará entrevistas com gente das artes visuais, da música, da poesia, da dança, da sociologia, do cinema, da química, da HQ e da engenharia.
Sinopse e fichas técnicas
As entrevistas realizadas pelo curador de arte suíço Hans Ulrich Obrist, organizadas em volumes multidisciplinares, representam de forma contundente seu trabalho, que extrapola o universo das artes visuais para invadir outras áreas do conhecimento, como as ciências naturais e as ciências humanas. São discussões com artistas, cineastas, músicos, cientistas, arquitetos e filósofos, que exploram os diversos caminhos trilhados por seus interlocutores para realizar suas descobertas científicas ou inovar sua expressão artística. As conversas, as trocas e os encontros reunidos nesta coleção são a materialização de um espaço expositivo reinventado e, portanto, um novo lugar para a reflexão sobre a criatividade, a inventividade e a arte.
Hans Ulrich Obrist Entrevistas – Vol. 1
Autor: Hans Ulrich Obrist
Entrevistas: Merce Cunningham, Yoko Ono, Walter
Zanini, Albert Hofmann, Robert Crumb, Gerhard
Richter, Manoel de Oliveira, Ilya Prigogine.
Editora Cobogó | Instituto Inhotim
ISBN: 978-85-60965-05-2
200 págs.
R$ 32,00
Hans Ulrich Obrist Entrevistas – Vol. 2
Autor: Hans Ulrich Obrist
Entrevistas: Augusto de Campos, Esquivel!, Billy Klüver,
Brian Eno, Dara Birnbaum, Lee Bul, Jeff Koons,
Roberto Matta, Christian e Luc Boltanski.
Editora Cobogó | Instituto Inhotim
ISBN: 978-85-60965-06-9
184 págs.
R$ 32,00
Paço das Artes e MIS trazem pela primeira vez ao Brasil mostra da artista suíça Pipilotti Rist
Exposição de um dos mais importantes nomes da arte contemporânea internacional exibe obras expressivas de sua produção nas últimas duas décadas.
A artista vem ao Brasil para participar de encontros no MIS.
O Paço das Artes e o Museu da Imagem e do Som (MIS) inauguram dia 05 de outubro, segunda-feira, às 20 horas, no Paço das Artes, mostra da suíça Pipilotti Rist, uma das principais representantes da videoarte mundial. Com curadoria de Daniela Bousso, Diretora Executiva do MIS e do Paço das Artes, a exposição Pipilotti Rist, uma retrospectiva do trabalho da artista, explora temas que permeiam sua produção, como fantasia, sonho, prazer e erotismo.
Organizada em dois núcleos, um no Paço das Artes e outro no MIS, a mostra traz a São Paulo os trabalhos mais representativos da artista, obras com elementos alentadores em contraposição ao duro e melancólico cotidiano, em ensaios marcados por humor, ironia e, muitas vezes, anarquia. Enquanto a videoinstalação A Liberty Statue for London (2005) foi especialmente adaptada para o Espaço Redondo do MIS, o Paço das Artes abrigará 10 peças de diferentes períodos.
Para a curadora Daniela Bousso, “a ideia desta exposição é apresentar um panorama da produção de Pipilotti Rist, tendo em vista a temática recorrente de sua produção em vídeo, videoinstalação e ambientes imersivos: a sexualidade, a visualidade lisérgica, o cromatismo acentuado, a ironia cultural. Estes e outros elementos permeiam as quase duas décadas de trajetória que esta retrospectiva abrange”.
Além da exposição, foram programados dois encontros com Pipilotti Rist, gratuitos e abertos ao público. O primeiro acontece no dia 1º de outubro, quinta-feira, e o segundo no dia 2, sexta. Ambos no auditório do MIS, às 19h30. Os encontros, com presença de artistas e curadores convidados, serão abertos com exibição de vídeos da artista, seguidos por mesa-redonda e perguntas do público. A artista também estará presente na abertura da exposição.
Institucionalmente, “a obra de Pipilotti Rist vem ao encontro da programação tanto do Paço, que sempre se abre a manifestações inovadoras, instigantes, quanto do MIS, que, reposicionado, recebe obras que levam a produção audiovisual a novos limites e questionamentos artísticos”, complementa Bousso.
No Paço das Artes
Dez obras, criadas entre 1993 e 2009, poderão ser vistas no Paço das Artes entre 05 de outubro e 06 de dezembro de 2009: Ever is Over All, Apple Tree Innocent on Diamond Hill, Gina’s Mobile, Super Subjective, The Room, Laplamp, Blood Room, Selfless in the Bath of Lava, I Couldn’t Agree with You More e Small Suburb Brain.
O ambiente imersivo The Room (1994/2007) ganha destaque devido à concepção retrospectiva da exposição. Nele, um quarto com sofá, poltrona, abajur, foto e controle remoto em proporções muito maiores que seu tamanho natural convida o visitante a experimentar proporções invertidas. Uma compilação de 15 vídeos de diferentes períodos da artista é veiculada pela TV.
“Pipilotti tem uma importante pesquisa artística que, além de questões estéticas, propõe reflexões socioculturais de maneira sutil e muito bem-humorada”, explica Bousso. São questões que vão do papel da mulher, com uma reconfiguração do feminismo, a questionamentos políticos. “Mas ela introduz o tema político, por exemplo, sempre de maneira transversal, de um ponto de vista libertário e não panfletário”, complementa.
Sua posição libertária e o questionamento político-social também estão presentes na videoinstalação Ever is Over All (1997), apresentada na 47ª Bienal de Veneza e integrante do acervo do Museu de Arte Contemporânea de Nova York (MoMA). Composta por duas projeções em paredes adjacentes, a obra exibe, à direita, um campo de flores vermelhas vibrantes, enquanto, à esquerda, a própria artista utiliza o talo de uma dessas flores para quebrar algumas janelas de carros enfileirados na rua de uma cidade. Irreverente, há mesmo a inserção de uma oficial de polícia, que se aproxima e sorri de forma aquiescente para a jovem anárquica.
Outra característica de Rist, a criação de proximidade física e intimidade do público com a artista através da obra de arte, torna-se evidente na instalação audiovisual Blood Room, em que ela desafia o tabu do sangue menstural. Para Pipilotti, “temos que trazer o sangue à luz e nos acostumarmos ao fato de que o sangue é o símbolo de nossos saudáveis relógios naturais e da energia criativa – e não representá-lo apenas como um emblema da dor e da morte”.
No MIS
A videoinstalação A Liberty Statue for London (2005) foi especialmente adaptada para o Espaço Redondo do MIS, área expositiva destinada a receber projetos de cinema expandido, cinema interativo e outras abordagens recentes do cinema. A obra, aberta para visitação de 06 de outubro de 2009 a 03 de janeiro de 2010, apresenta a viagem da pré-histórica personagem Pepperminta desde sua saída do Éden por meio de um corredor/túnel (uma espécie de canal de parto artificial) até uma cidade europeia contemporânea.
Contrariando a tradição judaico-cristã, Pipilotti Rist não apresenta a transição do paraíso para a civilização como uma queda: Pepperminta simplesmente testemunha excitação e alucinação. Aparentemente, essa aceitação é o que a torna, como afirma Rist, “um símbolo para o ser humano filosófico”. A instalação foi exibida pela primeira vez em Londres em 2005.
Sobre a artista
Pipilotti Rist nasceu em Grabs, Suíça, em 1962. Uma das principais representantes da videoarte mundial, ganhou projeção na década de 1980 e gradativamente passou do formato da tela de vídeo para instalações audiovisuais monumentais ou imersivas. Em sua produção, a sonoridade e a plasticidade de coloridas imagens oníricas rompem a lógica comum e instigam o público de maneira pré-racional.
Ao longo de sua carreira, apresentou seu trabalho em espaços como o Centro Georges Pompidou, em Paris, e o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA). No Brasil, já expôs na 22ª Bienal de Arte de São Paulo, em 1994. Em 1997, ganhou o Prêmio 2000 da Bienal de Veneza, onde também foi destaque, em 2005, com a obra Homo sapiens sapiens. A videoinstalação, projetada na Igreja San Stae, mostrava imagens de duas voluptuosas Evas no Jardim do Éden conectadas à iconografia clássica italiana.
Os motivos que levam alguém a colecionar são tão numerosos quanto os são os colecionadores. Há, porém, um motivo comum a todos: o desejo de possuir, ordenar e preservar bens. Esse desejo se realiza com a contemplação da coleção, que é tanto mais admirável quanto mais completa. Se a completude é causa de admiração, o que pode motivar alguém a formar uma coleção que não se pode completar?
Nesta mostra, Pazé traz uma coleção, não de obras de arte, mas de imagens de pinturas célebres que, destituídas da qualidade de serem bens raros e únicos, ganham a efemeridade do adesivo vinílico em que são impressas e vistas no breve lapso de tempo desta exposição. A efemeridade dessas imagens têm algo de virtual, apresentando-se ao olhar em evidente alusão à imagem especular. Nenhum espelho real reflete a imagem desta coleção, no entanto, ela se mostra duplicada em paredes opostas da galeria, e, em sua duplicidade, esvai-se o sentido do que deveria ser observado diretamente, em correspondência com o visto nas pinturas reais, e do que se mostra revertido em relação a elas.
Na Coleção de Pazé, a duplicidade não provém somente da oposição entre real e virtual, mas também da existente entre original e cópia. Das imagens vistas na Coleção, a do Arquiduque Leopoldo Guilherme em sua galeria de pinturas em Bruxelas (1647) de David Teniers o Moço, é eleita como princípio de ordenação espacial, deixando suas modestas dimensões de pintura de cavalete para dominar as superfícies mais extensas do espaço expositivo. A galeria do arquiduque é ampliada e multiplicada em imagens de salas formadas por paredes, portas e corredores irreais que se sucedem ao infinito. Imagens escolhidas por Pazé substituem as que figuram no original de Teniers, elas próprias cópias de pinturas célebres. O naturalismo preciosista dessas imagens intensifica a sensação de vertigem, exatamente como se dá na descrição da galeria imaginária de Georges Perec em A coleção particular (1979).
Outro jogo duplo se forma em torno de um ponto comum a todas as imagens escolhidas por Pazé: há nelas pelo menos uma figura que mira fixamente o observador. Vê-se a Coleção, a Coleção olha o espectador. A duplicidade lança a incerteza: é o colecionador que possui, ordena e preserva ou seria ele uma presa vigiada ao contemplar a Coleção?
Os
e-nformes são publicados duas vezes por semana: às segundas e quintas-feiras.
Para receber as edições simplificadas, cadastre-se
online, e, para receber as edições integrais e ter acesso
ao histórico de oito anos de e-nformes, entre em contato
para se tornar um associado.