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junho 10, 2004

A tonalidade do gesto

Conheça a obra de Jurandir Muller e Kiko Goifman na mostra

Clique para assistir a pequenos trechos da entrevista com Muller e Goifman

Caso você não consiga ver o vídeo, acesse a página www.realplayer.com, faça o download da versão gratuita e instale-a no seu computador.

JULIANA MONACHESI

Uma cobertura de exposição que pode se estender no tempo três meses -o tempo de duração da mostra- ou mais -o tempo de permanência das questões trazidas pela mostra- levanta desafios inéditos para o jornalismo cultural: em vez de compactar muitas informações em um único texto, em que inevitavelmente precisam ser feitas escolhas drásticas (comentar três trabalhos no máximo, incluir aspas de não mais do que quatro pessoas e assim por diante), incontáveis camadas de informação/reflexão podem ser distribuídas ao longo de uma impensável centimetragem de texto publicada de acordo com a periodicidade que se desejar (ou se impuser).

Diante da vontade de discutir os trabalhos de 40 artistas, além de outros elementos constitutivos da exposição (montagem, curadoria, ação educativa, contextos regional, político e ideológico, entre outros), por onde começar? Na ausência de critérios, inventa-se um: pelo começo, pela entrada principal do Santander Cultural, na praça da Alfândega. Quem passa por ali, antes mesmo de entrar, entrevê um totem com cinco telas de plasma grandes o suficiente para as distinguir da rua. Trata-se do trabalho de Jurandir Muller e Kiko Goifman, "Geografia do Gesto".

Convidados a desenvolver um projeto a partir do conceito de "hiPer" como personagem fictício que encarna a subjetividade dos nossos tempos (hiper-subjetividade?), Jurandir e Kiko se propuseram mapear a gestualidade dos habitantes de Porto Alegre. São 38 pessoas os protagonistas do trabalho. As mesmas 38 pessoas que a dupla de artistas entrevistou e incluiu na exposição -inclusão com duas facetas: a da participação no trabalho e a da presença no coquetel de abertura, a maneira que encontraram de estabelecer uma ponte real entre o dentro e o fora da instituição. Ninguém foi excluído na edição e todos receberam o sofisticado convite que, de resto, deve ter sido endereçado apenas ao reduzido círculo de "convidados de vernissage".

O procedimento foi simples: os artistas passaram dois dias (a quarta e a quinta da semana anterior a da abertura) entrevistando transeuntes de Porto Alegre e, a certa altura do bate-papo, pedindo a cada um que desse algumas respostas por meio de gestos. "Geograficamente o centro da cidade já era diversificado o suficiente", contam, explicando porque não fizeram locações em muitos lugares da cidade. "A gente queria o gesto, eventualmente se interessava por vestuário, mas isso era um elemento residual", diz Goifman, explicando o resultado final: cinco monitores dispostos verticalmente em que cada pessoa aparece durante sete segundos, com o rosto no monitor central e detalhes de expressão facial e gestualidade nos demais.

A imagem do centro é sempre a mais naturalista. As outras têm filtros ou efeitos de slow motion etc. Tudo em prol de uma composição poética, que sempre favorece o retratado. "Quando se está trabalhando com anônimos -e esta nem é uma palavra muito boa porque anônimos somos todos-, não nos interessa pegar o pior da pessoa. Existe um sentido de dignidade. A gente por exemplo, nunca 'rouba' imagens: seria perfeitamente possível fazer este mesmo trabalho com a câmera escondida, mas isso não nos interessa", explica Goifman.

Diante da possibilidade de se manifestar por meio de gestos, as pessoas não se intimidaram, nem quiseram expressar indignação -sentimento que mais se vê diante das câmeras no contexto social brasileiro. Segundo a dupla, houve menos caretas do que imaginavam encontrar e também ouviram poucos "nãos". Ao longo da exposição, uma equipe contratada pela produção vai continuar fazendo o mapeamento do gesto em Porto Alegre. Para isso, os artistas estão criando um método, para que a seqüência da videoinstalação mantenha seus pressupostos éticos e estéticos.

Durante a edição, Jurandir e Kiko descobriram que os gestos têm tonalidades e criaram uma curiosa classificação tonal. Vermelho, laranja, azul e PB se intercalam na gramática visual de "Geografia do Gesto". O trabalho não tem som e as cores entram como um comentário a mais, outra camada de informação, explicam. Os critérios de classificação tonal deixam à imaginação do público: foi algo subjetivo, discutido caso a caso, uma pitada de "mão forte" autoral de quem prefere se apagar um pouco para dar voz e lugar ao outro.

Posted by Juliana Monachesi at 10:42 AM | Comentários(2)
Comments

Estamos começando a ensinar as pessoas a verem o trabalho da câmera fotográfica sem a câmera. Excelente gramática visual que deixa a "nitidez" à cargo de cada um.

Posted by: Rogerio Gonçalves at junho 14, 2004 4:11 AM

Os gestos das pessoas sào INCRÍVEIS!!!!!!!!
Experimente observa-los atravez das SOMBRAS.

Posted by: sandra schechtman at junho 14, 2004 6:11 PM
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