Página inicial

Livraria do Canal

 

A Livraria on line:

- como comprar

- como vender

Pesquise na livraria:

Arquivos:
As últimas:
 

maio 4, 2006

Pintura em Distensão, de Zalinda Cartaxo

zalinda.jpg

Pintura em Distensão

Zalinda Cartaxo

Preço: R$ 30 + correio
Como comprar: clique aqui para se informar

Formato fechado: 25.5 cm x 19,5 cm
Nº páginas: 168
Peso: 547g
Editora: Centro Cultural Telemar / Secretaria de Estado de Cultura / Governo. do Estado do Rio de Janeiro

Prefácio:
Complexa distensão

Paulo Venancio Filho

A tentativa de compreender a atualidade da pintura é também um necessário exercício de esclarecimento; é que esta se tornou matéria excessivamente complexa. Aquilo que na famosa definição era antes de tudo apenas tinta sobre tela não pode mais ser definido com tanta simplicidade. Seja mantendo seu prestígio tradicional ou experimentando novas possibilidades, a categoria 'pintura' vem hoje saturada de um prolongado discurso teórico. Nem todos, hoje, diante de um quadro, percebem que naquele momento se concentram muito mais questões que um simples olhar pode dar conta.

O duplo, porém inverso, sentido do verbo 'distender', com muita propriedade vem aqui se aplicar à trajetória contemporânea da pintura que este conciso e preciso ensaio pretende tratar. Se não, este sentido serve mais ainda para enfatizar o ambíguo estatuto da pintura nos últimos 40 anos, pois 'distensão' tanto pode significar aumento como diminuição da tensão.

Assim é definido o movimento da pintura na contemporaneidade, a distensão continuamente amplia e volatiza o sentido do que é definido. Trata-se de uma expansão que problematiza sua definição; quanto mais a pintura dispensa aqueles termos tradicionais, mais difícil e ambíguo é defini-la. E ela os tem dispensado de maneira sistemática nestes tempos recentes. Por outro lado, podemos entender o estado de tensão como aquele estabelecido pela manutenção dos elementos pictóricos tradicionais, os quais a modernidade procurou ainda com mais precisão determinar: a planaridade e a bidimensionalidade da tela, a recusa da figuração e a exclusão de qualquer recurso ilusionista.

Se assim for, a contemporaneidade, o período histórico que se inicia em torno dos anos 1960, é marcada pelo afrouxamento desta tensão, não só pela suspensão da categoria tradicional da pintura como também pela relativização daquela estrita autodeterminação moderna. Então, a pintura ingressa irremediavelmente num processo de distensão, extravasando para além dos tensos limites determinados pela teoria greenberghiana, indo para além da moldura, da superfície bidimensional da tela, da materialidade da tinta. Confunde-se com o objeto, com a escultura e com a arquitetura. E ainda, dispensando tela e tinta, desmonta, examina e expõe criteriosamente todos os seus elementos componentes - chassi, tela, tinta.

Acompanhando este processo, o jargão especializado vai produzir toda uma variada terminologia para diferenciar os diversos procedimentos: color-field, hard-edge, support/surface, bad painting, entre outras. Procedimentos que não se instauram mais como aquelas 'estruturas de experimentar o mundo', como foram o impressionismo, o cubismo, o expressionismo, mas como uma voraz inteligência que procede a um implacável auto-exame. E isto desde que as constatações de Donald Judd indicaram um momento da expansão do suporte, não da indefinição entre tri ou bidimensionalidade, mas da híbrida tri e bidimensionalidade. E, assim, mais e mais a acelerada análise sistemática de seus meios leva à tão famosa e insolúvel discussão sobre a "morte da pintura" a um impasse sem fim.

Este ensaio é, por assim dizer, um "sintoma" da complexidade do assunto, ainda em questão. A linha de força aqui assinalada vai se definindo ao longo do texto, e, creio, isto se deve à fronteira da prática artística e teórica da autora e à orientação de seu trabalho. Evitando infrutíferas controvérsias pós-modernas, o ensaio pretende acompanhar com bastante clareza certa trajetória recente do que poderíamos denominar "campo ampliado da pintura". Mais especificamente aquela que, neste novo contexto, por paradoxal, carrega, ainda que transformados, elementos da problemática experiência da visualidade abstrata moderna. Daí a menor atenção - creio, deliberada - a toda uma linhagem pictórica que surge a partir dos anos 1980 e que vai de David Salle, Julian Schnabel, Basquiat, a transvanguarda, Anselm Kieffer, Gerhard Richter até figuras mais recentes como Luc Tuysmans, Peter Doig, Marlene Dumas, entre outras. Entendido aí, de modo geral através destes artistas, todo o retorno à figura e à figuração, ao comentário da vida e do cotidiano. E, também, o uso constante e indiscriminado da paródia, da citação, da alegoria, numa regressão rebelde e conservadora, acima de tudo, pela manutenção do prestígio cultural da pintura de cavalete, do tradicional objeto pictural a que chamamos 'quadro'.

Muito distinta é a tentativa de dar seqüência ao sublime abstrato da pintura de Barnett Newman e Mark Rothko, conferir contemporaneidade àquela aspiração de uma experiência autônoma, auto-referente, contemplativa e extática, em que a escala de Newman e o impressionismo abstrato de Rothko reduzidos ainda pela minimal a uma essencialidade radical que, anulando a subjetividade invasiva do artista, sugeria que uma grandiosidade autentica, coletiva e pública é plausível e possível.

Assim, uma outra seqüência é perseguida neste ensaio e encontra como um dos indícios iniciais, entre outros, a pintura analítico-experimental, monocromática de Robert Rymann e sua oscilação entre plano e objeto, a presença insistente de Cézanne, e ainda sua dualidade subjétil, para usar um dos termos chave deste ensaio. Ou a pura e simples aplicação estritamente planar e instrumental no elemento arquitetônico 'parede' de Sol Le Witt; ou a intransigente escolha de um padrão único por Daniel Buren; até se chegar aos dois artistas que ampliaram para a escala da arquitetura e até da natureza a trajetória de espacialização e desmaterialização da pintura ou (nos termos ali propostos) da sua distensão espacial e material talvez mais essencialista: James Turrel e Robert Irwin.

Resumindo, esta é a muito especial seqüência que este ensaio privilegia e acompanha, e que corresponde, creio, a uma pressão ainda vigente dos impulsos modernos. De certa forma, estaríamos diante de uma continuidade em expansão e não de uma ruptura divergente no modo como se prolonga a insistência em uma reivindicação do estritamente pictural.

É afinal à relação contemporânea entre pintura e arquitetura a que se vai chegar - uma das relações decisivas da contemporaneidade. Fato que não deixa de ser curioso, quase irônico, considerando que a inextrincabilidade da pintura e arquitetura modernas vêm desde o cubismo. Nesta redução da arquitetura cubista ao estritamente planar, do espaço ao plano, da tridimensionalidade à bidimensionalidade, do material ao espiritual, inescapáveis são os nomes de Malevich e Mondrian. Pois será que agora não estariam se realizando aspectos daquela utopia que estes artistas pretendiam?

Se a pintura moderna é tributária da arquitetura, por que então agora a pintura não se desdobraria para o próprio espaço arquitetônico? Se o cubismo deve sua formulação do espaço às proposições arquitetônicas modernas, por que não a pintura se desdobrar no próprio espaço arquitetônico? De modo que, como diz Zalinda Cartaxo, "a característica fundamental desta nova etapa esteja na distensão da obra no espaço, endossando de forma marcada a sua presença no mundo". Ou seja, a própria construção do espaço como experiência pictórica.

A permanente crise e o estado de iminente "morte" da pintura que este ensaio tão bem resumiu em sua complexidade não parecem ter invalidado para a contemporaneidade aquilo que Mondrian afirmou para a modernidade da pintura: "a crescente profundidade da vida moderna em sua totalidade pode ser puramente refletida na pintura."


Sumário:
Tecnocromo - Alberto Saraiva

Complexa distensão - Paulo Venacio Filho

Pintura em distensão - Zalinda Cartaxo

Introdução

Pintura

Pintura e arqutetura

Pintura e tecnologia

Posted by João Domingues at 11:14 AM | Comentários(1)
Comments

Salve, os dispensionistas da pintura e da arte sensivel e sem os valores da estetica tridimensional e/ou digital. Mas o certo que depois que aquele rapazinho francês chamado Duchamp começou a usar objetos para não mais reproduzi-lo ou psicografar sobre frames (chassis) e óleo a Arte não é mais a mesma... se a pintura morreu, a poesia, também padeceu e a música acabou... Ainda não li esta preciosidade de livro mas hei de adquiri-lo muito em breve. Hoje o meu incoformismo é com os artistas e com o que dizem de "arte comtemporanea ", esta coisa fria e enexpressivel, sem retórica e sem poder, apenas um mero ornamento da artificialidade da artezania no qual foi sepultada a Arte.

Atenciosamente,

Claudio silva ( fortaleza-Ce )

Posted by: Claudio silva at maio 27, 2006 1:55 PM
Post a comment









Remember personal info?