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Patricia Canetti



Registrado em: Terça-Feira, 9 de Novembro de 2004
Mensagens: 28

MensagemEnviada: Seg Nov 29, 2004 2:01 pm    Assunto: Texto inicial Responder com Citação

Para que servem os salões?

Trabalho coletivo do Canal Contemporâneo para a exposição “Tudo aquilo que escapa” inaugura a nossa plataforma de fórum: www.canalcontemporaneo.art.br/forum.


Essa tradição do século XIX (ou seria XVIII?) ainda é mantida em formatos diversos como forma de dar visibilidade à produção artística emergente. A partir desse ponto de vista, poderíamos nos perguntar o porquê de usarmos salões para esse fim e se de fato eles cumprem bem esse objetivo...

Dar visibilidade à produção artística é apenas o primeiro ponto de vista. Para respondermos à pergunta título, precisamos passear e analisar vários deles. Temos os artistas que se inscrevem numa ponta e as instituições que promovem os salões na outra. Entre uma ponta e outra, estão críticos e curadores, colecionadores e galeristas, que são chamados a formar as comissões de seleção e premiação. Enfim, o sistema de salões abrange e reproduz o próprio sistema de arte, ou seja, ele não dá apenas visibilidade à produção artística isoladamente, mas também ao contexto aonde esta se insere. Mas qual seria a opinião dos integrantes desses diferentes pontos do sistema sobre o objetivo dos salões e sua eficácia?

Sistema de salões, sistema de arte e cadeia produtiva

Debater o funcionamento dos salões é principalmente debater sobre o sistema de arte: sobre o que está dentro, fora e envolta dele. Ao inaugurarmos a plataforma de fórum do Canal Contemporâneo com esse tema, coincidentemente estamos também adentrando o debate sobre as Câmaras Setoriais de Cultura, propostas recentemente pelo MinC, e as questões que a formação de uma Câmara de Artes Visuais suscita.

O contexto da produção das Artes Visuais traz a complexidade de um mercado que se desenvolve junto às instituições. Públicas ou privadas - não importa, museus e universidades desempenham um papel fundamental na construção dos critérios que regem esse mercado de trabalho.

Podemos olhar para fora do país para analisar outros sistemas e formatos internacionais. Encontraremos diferenças marcantes como resultado de outras economias e outras culturas (quanto maior a potência do mercado comercial de um país ou de uma área artística, menor a necessidade de salões), mas também encontraremos os salões ou competições do gênero, que incluem festivais, prêmios e bolsas, dando continuidade a essa tradição, que consiste em arrecadar inscrições para julgá-las a partir de determinados critérios e depois mostrá-las e premiá-las, incentivando a produção escolhida.

Se navegarmos pelos comentários publicados no blog Salões&Prêmios do Canal Contemporâneo, acharemos críticas e reclamações por parte dos artistas, que vão desde os critérios para as inscrições, que por vezes contém restrições regionais ou etárias, além da abominável cobrança, até os critérios de julgamento, que nunca são explicitados, passando finalmente pela dificuldade de encontrar as fichas de inscrição on line.

A questão aqui não é apenas criticar o outro, mas olharmos a situação de dentro, como integrantes que somos, para sermos capazes de analisar os prós e contras que os salões nos colocam e podermos transformá-los de acordo com as nossas necessidades.

Temos então essa primeira questão que é poder olhar os salões de dentro, mas muitos artistas responderão que se sentem de fora por não serem selecionados. De fora de determinado salão, sim, mas não de fora do sistema, já que a inscrição foi realizada. Talvez esteja aí o grande erro que dá início a toda a nossa dificuldade de leitura e análise desse contexto.

Descobri na minha ida ao Ars Electronica que o www.canalcontemporaneo.art.br estava presente no catálogo do festival na lista de participantes. Sim, o nome e contato de todos os artistas e comunidades que enviaram seus projetos são publicados. Depois fiquei sabendo que isso é uma prática comum em competições de vídeo-arte e arte tecnológica. (Sem falar no uso que eles fazem da internet, que para as nossas instituições, quando conseguem estar on line, se resume a utilizar a rede como um impresso luminoso.) Afinal, trata-se de um reconhecimento um tanto óbvio, se não existirem inscrições, não existem eventos.

Essa é uma constatação importante que nos leva ao reconhecimento de uma verdade esquecida: o combustível desse sistema é o artista e sua produção, que irá alimentar desde pesquisas teóricas e publicações a exposições em instituições e vendas em galerias.

O fato dos salões brasileiros ignorarem a importância da participação dos artistas, com a inscrição de seus projetos, é um reflexo bastante coerente com a falta de reflexão que dispensamos ao contexto de nossa produção artística – trabalhamos sempre muito focados em nossas questões e olhamos o todo muito raramente. Sistema e mercado são formados por elementos dependentes entre si. Cada investimento e mudança realizados numa parte também afetam as outras.

Nesse ponto, vale a pena comentar que o grande erro cometido com as nossas Leis de Incentivo a Cultura se relaciona justamente com a total falta de análise e percepção dos objetos que elas pretendem incentivar. Todo e qualquer efeito por elas propagado foi por mero acaso, pois elas serviram, e servem até hoje, apenas ao incentivo pontual de uma determinada ação e não ao mercado de trabalho que elas deveriam incentivar.

As Câmaras Setoriais de Cultura pretendem servir como canal de comunicação entre esses contextos de produção artística e o Ministério da Cultura para que seja possível conhecer a cadeia produtiva dos diversos segmentos, seus principais agentes econômicos, para com isso, ser possível determinar as ações de maior potência.

Novos formatos

De volta aos salões de arte, percebemos recentemente uma mudança importante na premiação, que se apresenta com o novo formato de programa de bolsas, como é o caso do próprio Salão Pernambucano. Essa nova fórmula é resultado de um novo interesse e demanda da produção artística, que se desloca do resultado final para o processo de trabalho. Ela investe numa maior relação entre os artistas, teóricos e instituições, que antes era restrito ao momento da seleção e da exposição.

Esse novo formato permite um maior aprofundamento da produção selecionada em virtude do acompanhamento crítico e das exposições que são geradas. É uma mistura do formato tradicional de bolsas de pesquisa com os editais que alimentam a programação e os acervos das instituições. Mas se nos aprofundamos em relação à produção selecionada, continuamos tratando a Seleção de maneira superficial e pouco transparente, e ainda passamos a um número menor de artistas agraciados, o que afeta consistentemente as funções de visibilidade e de distribuição de recursos promovidas pelos editais de arte em nosso país.

Visibilidade (os salões de arte pontuam e sinalizam a carreira de um artista, é o início do circuito) e recursos (são a única fonte institucional de recursos para a produção) vão atuar diretamente em nosso mercado de trabalho.

Os novos formatos escolhem dar maior visibilidade ao processo de uma pequena produção escolhida e ampliam a troca entre um grupo de artistas e críticos, sendo que, é importante lembrar, o primeiro grupo é sempre escolhido pelo segundo e nunca ao contrário. Será a partir desse processo compartilhado que surgirão exposições e publicações que, a partir do trabalho de formação e informação, amplificarão ainda mais a visibilidade.

Do ponto de vista das instituições, que alimentam suas programações e seus acervos a partir das escolhas realizadas nesses salões, esse novo processo vai proporcionar um melhor embasamento para o trabalho a ser realizado com o público e com seus próprios funcionários. Tudo isso é bastante positivo, tanto para os profissionais envolvidos no sistema de arte, quanto para o público, mas o retorno aos artistas, que são a base da existência de todo o sistema, ainda vai se dar muito indiretamente. É preciso analisar com atenção o quanto é exigido dos artistas nos editais de salão e o quanto eles recebem em troca, pois esse equilíbrio atinge muito mais a formação e transformação de nosso mercado do que estamos acostumados a pensar.

Aberrações sistêmicas

Nos editais, é muito comum o artista ser responsável pelo pagamento de transporte, por equipamentos especiais (que vão de um projetor banal a um simples computador), por sua manutenção, pelo seguro de seu trabalho. Além de arcar com essas despesas, ainda se vê obrigado a se encaixar nas categorias anacrônicas exigidas e, às vezes, ainda paga para se inscrever. E qual é o retorno que as instituições dão por essa maneira compartilhada de montar as suas programações e acervos?

Relações e transformações

No início do texto, falávamos dos diversos pontos de vista que compõem esse sistema – artistas, teóricos, colecionadores, galeristas, e nos perguntávamos qual seria a opinião de cada um deles sobre o objetivo e eficácia dos salões. Como poderíamos atualizar os salões a partir das necessidades dos vários agentes envolvidos? As instituições o estão fazendo a partir de suas próprias demandas e carências, mas isso não é suficiente para provocar transformações reais e potentes em nosso sistema.

O Canal Contemporâneo nos reúne e nos possibilita ver, acompanhar e analisar os nossos vários contextos. Questões são levantadas e algumas posturas são transformadas a partir dessa rede de relações conectadas pelo interesse na arte contemporânea brasileira. Esse espaço, que formamos a partir dessas relações, nos permite ver de dentro e de fora, em alternância constante, o sistema de arte sendo construído, atingido, destruído, reformado, modificado, incessantemente.

A plataforma de fórum do Canal Contemporâneo, que estamos inaugurando com o trabalho “Para que servem os salões?”, participa da exposição “Tudo aquilo que escapa” – com curadoria de Cristiana Tejo, que integra o 46° Salão de Artes Plásticas de Pernambuco – nos permite avançar ainda mais na experiência de nossa comunidade digital.

Patricia Canetti
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carlos alberto campelo de



Registrado em: Quinta-Feira, 2 de Dezembro de 2004
Mensagens: 1

MensagemEnviada: Qui Dez 02, 2004 10:16 pm    Assunto: Texto inicial Responder com Citação

Inicio meu contato manifestando interesse em discutir a atual Política Cultural sobre Museus ( Sistema Nacional de museus), recentemente criada, e que terá fórum de discurssão próxima semana em Salvador.

O foco da questão se centra em que possibilidade essa nova proposta vem a favor da equiparação da desigualdae entre regiões, quanto ao provimento cultural que praticamente se restringe às Leis de Incentivo (Rouanet e do Audiovisual), ou seja sujeitas às leis de mercado.

Atualmente o eixo Rio-São Paulo dtém 64% dos aportes de recursos das LIC e do Orçamento enquanto ao Nordeste se limita à 6,4%

Não vejo alteração desse ciclo que repete o Sistema Nacional de Museu de 1986!
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Juliana Monachesi



Registrado em: Domingo, 5 de Dezembro de 2004
Mensagens: 33
Localização: são paulo
MensagemEnviada: Dom Dez 05, 2004 1:48 am    Assunto: boas-vindas Responder com Citação

eu gostaria, antes de mais nada, de parabenizar o canal contemporâneo pela criação de um fórum. e a discussão sobre os salões não poderia ser mais oportuna, principalmente por ela surgir no momento em que o canal, entendido e "categorizado", digamos assim, como comunidade digital, é convidado para integrar um salão de arte. este fato, por si só, é já bastante emblemático. considero esta uma oportunidade para discutir não apenas os salões e o sistema de arte, mas também o próprio canal contemporâneo. acredito que no âmbito deste fórum poderemos entender melhor o que é esta comunidade, quem faz parte dela e quais as conseqüências do desenvolvimento de capital social ("as relações são o espaço") dentro do desarticulado circuito de artes visuais no brasil. mas isto é assunto para um outro tópico. por agora, parabéns pela iniciativa! Smile
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Ricardo Ruiz



Registrado em: Terça-Feira, 9 de Novembro de 2004
Mensagens: 2

MensagemEnviada: Seg Jan 03, 2005 10:18 am    Assunto: Re: boas-vindas Responder com Citação

jul escreveu:
principalmente por ela surgir no momento em que o canal, entendido e "categorizado", digamos assim, como comunidade digital, é convidado para integrar um salão de arte. este fato, por si só, é já bastante emblemático.

l
Pode crer. Isso eh real. Gostaria de ver algumas fotos de como ficou "exposto" o trabalho do canal em pernambuco.
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||| paz
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Augusto Japiá



Registrado em: Sexta-Feira, 25 de Março de 2005
Mensagens: 3
Localização: Recife
MensagemEnviada: Sex Mar 25, 2005 2:43 am    Assunto: Aberrações sistêmicas Responder com Citação

Peço licença para verbalizar sobre um assunto levantado pela sua pessoa.
No parágrafo sobre "aberrações sitêmicas", achei bem pertinente a sua crítica quanto ao tratamento dado aos artistas em alguns salões, pautas de galerias e afins. É absurdo como ainda recai sobre o artista, responsabilidades que devem ser das instituições que promovem os eventos, pois os artistas são os elementos mais importantes desse processo, são a alma daquele corpo institutivo. Sem nós artistas, de que valem os museus, galerias e salões. Quero reforçar o tema sobre cobrança de taxa de inscrição para salões de arte...isso envergonha a instituição que tem esse procedimento. Na verdade deveriam pagar obrigatoriamente a postagem para a devolução dos dossiês não selecionados,. Como alguns eventos culturais fazem com tanta competência, um dos exemplos foi o Prêmio Marcantônio Vilaça.
Um grande abraço.
Augusto Japiá
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