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o exemplo do FILE

 
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Juliana Monachesi



Registrado em: Domingo, 5 de Dezembro de 2004
Mensagens: 33
Localização: são paulo
MensagemEnviada: Seg Dez 06, 2004 4:57 am    Assunto: o exemplo do FILE Responder com Citação

Twisted Evil pra colocar lenha na fogueira:

o FILE (festival internacional de linguagens eletrônicas) deveria servir de modelo aos salões de arte do brasil. são mais de 300 trabalhos expostos. não existe seleção, não existe curadoria. é um corte temporal, a la deleuze. e é a exposição brasileira mais representativa da produção artística digital no mundo inteiro. por que os salões não se comportam da mesma maneira? por que não se especializam? por que não adotam um determinado perfil (que vários já têm, mas não assumem)? por que não apostam em produções que não se adequam ao espaço museológico tradicional (assim os artistas podem parar de mandar os trabalhos mais easy going)? e por que, a partir desta nova demanda, os salões não se reinventam? Shocked
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João Domingues
Site Admin


Registrado em: Quarta-Feira, 24 de Novembro de 2004
Mensagens: 4

MensagemEnviada: Seg Dez 06, 2004 10:50 am    Assunto: re:file Responder com Citação

Juliana,

Talvez seja a idéia de um espaço museológico tradicional que deva se repensar e o exemplo do FILE reforça isso. Em alguns casos não há estrutura física, nem organizacional para suportar exposições de grande porte, e um recorte, neste caso, quiçá seja mesmo apropriado... mas precisamos pensar mais densamente a diferença entre recortar e talhar.

Iniciativas como as do FILE, e especialmente as que operam no contexto da arte e tecnologia, lidam com modelos que funcionam e foram gerados por ações em “espaços não-museológicos”, livres de certas convenções que as instituições culturais precisam aprender a transformar. Lógicas diferenciadas, mas experiências que pedem urgência nessa desconstrução.

As questões são muitas, mas parece que um ponto levantado no texto inicial “o sistema de salões abrange e reproduz o próprio sistema de arte” é inconteste.
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Giselle Beiguelman



Registrado em: Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969
Mensagens: 0

MensagemEnviada: Ter Dez 07, 2004 12:51 pm    Assunto: Ecologia Midiática Responder com Citação

João,

O que me intriga nessa frase inconteste é que ela é um tiro na história da cultura, especialmente quando a repensamos pela perspectiva da ecologia midiática.
De acordo com essa modalidade teórica, toda a criação cultural, quando emergente, provoca alterações na que lhe é precedente, assim como é alterada pelas modificações que provoca.
Exemplo clássico: A invenção da fotografia e a pintura impressionista.
A fotografia permitiu que a pintura fosse liberada de sua função tradicional de retratar -- poder e paisagens -- e pudesse ser reinventada pelo impressionismo e outras formas de composição. Esse saber tecnológico, inicialmente pictórico, redefiniu não só o olhar fotográfico como também foi relido pelo cinema, cujos primórdios dialogam o tempo todo com a animação da imagem pelo deslocamento.
Isto posto, fica difícil entender a calcificação de modelos e a maneira pela qual tendemos a reproduzi-los, inclusive, no campo das mídias digitais.
Concordo com a Juliana que o FILE é uma alternativa de repensar essas questões, especialmente nos procedimentos de montagem. Aquele sofá gostoso no meio do espaço expositivo e o mouse largado na mesinha como um controle remoto à disposição do público é uma das soluções mais simples e interessantes que já vi na nossa intensa busca de alternativas para não trocar o cubo branco pela caixa-preta.
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Ding



Registrado em: Terça-Feira, 7 de Dezembro de 2004
Mensagens: 1
Localização: SP
MensagemEnviada: Ter Dez 07, 2004 2:04 pm    Assunto: Responder com Citação

Essa é uma questão bem complicada, pois ela toca na questão de como o estado participa desse sistema da Arte.
Eu acabei de ver dois exemplos, na França e no Reino Unido, que são opostos ao sistema dos salões.
Lá, pelo que os artistas com quem eu convivi me explicaram, o sistema de distribuição de "fundings" é feito através de projetos, como esses que nós fazemos aqui para lei Rouanet, mas quem distribui a grana é um órgão do governo.

No reino Unido, eles possuem um órgão especializado em "incomingarts" , outro que cuida somente de "funding" para artistas britânicos que expõe fora da Grã Bretanha e outro para projetos de artistas britânicos dentro do Reino Unido, não impedindo que o mesmo projeto receba "funding" de diferentes órgãos.

Os salões, ou exposições abertas para inscrições são geralmente iniciativas de organizações de artistas que pedem "funding" enviando projeto para esses órgãos. Ou seja, são projetos de alguma organização que já tem um objetivo para tal projeto.

Eu fiquei meio assustado com isso pois me pareceu muito bom de início, mas quando fui percebendo, com o tempo, como eles vivem e produzem....
Tudo gira em torno desses projetos a produção deles é importante mas muito mais importante é escrever projetos bem e saber como pedir funding para viabilizar a produção de trabalhos.

A produção de trabalhos fica vinculada ao projeto e consequentemente a maneira de executá-lo. E senti que esse sistema deixa pouco espaço para pesquisa aberta.
O que deveria servir para libertar os artistas de enviar trabalhos "easy going" , como foi mencionado à cima, acaba deixando eles presos à forma de aprsentar projetos e dos mesmos serem aprovados para receberem GRANA.
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Patricia Canetti



Registrado em: Terça-Feira, 9 de Novembro de 2004
Mensagens: 28

MensagemEnviada: Ter Dez 07, 2004 2:14 pm    Assunto: focar para abrir ou abrir para focar Responder com Citação

Juliana, João e Giselle,

Acho que o maior problema prático em fazer o formato FILE contaminar os salões está no número de inscrições, que, nos salões, são até 5 vezes superiores, mas acho que a Juliana encaminha uma boa solução, quando diz que os salões têm que se especializar.

O formato desse salão de Pernambuco me fez imaginar que a curadoria da exposição poderia nortear os conceitos para o edital, que foi lançado ao mesmo tempo. Assim, mais do que imprimir um único perfil ao salão, este poderia flutuar a cada edição, juntamente com a produção artística. Claro que tudo dependeria das escolhas... Esse é sempre o problema.

Existe uma defasagem entre a criação cultural e o sistema de arte e, infelizmente, os salões estão muito mais sintonizados ao sistema do que a produção, que eles pretendem analisar, julgar e premiar. Eles partem muito mais das questões institucionais do que de nossa demanda. Para pegar o exemplo histórico da Giselle, podemos nos lembrar da defasagem dos salões daquela época e veremos que são espaços realmente distintos.

O FILE escapa disso no momento em que fugindo da premiação, foge também dos editais e de toda a burocracia existente nesse processo. O interessante nisso é que ele ganha a liberdade de mimetizar a produção e toma para si a capacidade de (re)criar o próprio evento. O fato de lidar com um maior número de trabalhos também força essa situação. O peso da criação se sobrepõe a burocracia institucional.

Trata-se de uma briga feroz...
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Lucas Bambozzi



Registrado em: Terça-Feira, 7 de Dezembro de 2004
Mensagens: 1

MensagemEnviada: Ter Dez 07, 2004 6:09 pm    Assunto: Re: o exemplo do FILE Responder com Citação

penso um pouco diferente disso. como tenho sido um tanto critico com relacao ao FILE acho melhor explicitar aqui alguns dos eventuais porquês. nao vejo muito sentido em listar 300 trabalhos num catalogo, sem a devida contextualização. a nao ser que se pretenda uma espécie de anuário da produção de uma categoria que cada vez mais se expande para fora de suas supostas especificidades e nao cabem nem mesmo no catálogo. há que se encontrar um motivo de enlace para essa comunhão. há que se ter a coragem de direcionar a atenção, de se identificar sensibilidades que interessam, em meio ao universo de invisibilidades (pela anulação, pela saturação) que se forma na rede. mas estou em pleno acordo, Juliana, que temos todos a obrigação de reinventarmos os curto-circuitos nos quais estamos inseridos, de proporcionar exercícios para além das lógicas operantes. mas às vezes, a lógica desgastada de um formato pode ser necessária num determinado contexto. por exemplo, nesse 46º Salão de Pernambuco [o tema é excelente: Tudo Aquilo Que Escapa], que alimenta o presente Forum, houveram soluções que podem não parecer inovadoras, mas constituem enfrentamentos pertinentes para o contexto local. a existência de bolsas de criação, o diálogo criado a partir da introdução de artistas convidados, com obras bastante díspares que a princípio jamais seriam selecionadas pela lógica de um salão [como as intervenções do Marcelo Cidade, meu documentário de longa-metragem sobre a fronteira do Brasil com a Guyana ou o próprio Canal Contemporâneo, mais como disparador de questões do que como ‘objeto artístico’], são opções que revelam menos uma fórmula e mais um embate efetivo. nesse sentido o FILE, especialmente a partir da vertente Hipersônica dessa ultima edição, vem tateando caminhos que refletem mais a pulsação de uma produção do que um modelo específico.


jul escreveu:
Twisted Evil pra colocar lenha na fogueira:

o FILE (festival internacional de linguagens eletrônicas) deveria servir de modelo aos salões de arte do brasil. são mais de 300 trabalhos expostos. não existe seleção, não existe curadoria. é um corte temporal, a la deleuze. e é a exposição brasileira mais representativa da produção artística digital no mundo inteiro. por que os salões não se comportam da mesma maneira? por que não se especializam? por que não adotam um determinado perfil (que vários já têm, mas não assumem)? por que não apostam em produções que não se adequam ao espaço museológico tradicional (assim os artistas podem parar de mandar os trabalhos mais easy going)? e por que, a partir desta nova demanda, os salões não se reinventam? Shocked
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Juliana Monachesi



Registrado em: Domingo, 5 de Dezembro de 2004
Mensagens: 33
Localização: são paulo
MensagemEnviada: Qua Dez 08, 2004 7:11 pm    Assunto: salada de modelos Responder com Citação

em princípio acho muuuuito saudável a gente (artistas, produtores, curadores, pesquisadores etc.) saber escrever e formatar bonitinho um projeto para descolar patrocínio; mas de fato parece uma distorção isso que você descreve de os trabalhos começarem a se moldar ao formato "projetos para fundings", assim como é uma distorção os trabalhos chegarem nas instituições brasileiras "formatados para salão". parece que o ideal é fazer uma salada de modelos: várias modalidades convivendo. e quanto mais, melhor. Rolling Eyes

Ding escreveu:
Essa é uma questão bem complicada, pois ela toca na questão de como o estado participa desse sistema da Arte.
Eu acabei de ver dois exemplos, na França e no Reino Unido, que são opostos ao sistema dos salões.

Lá, pelo que os artistas com quem eu convivi me explicaram, o sistema de distribuição de "fundings" é feito através de projetos, como esses que nós fazemos aqui para lei Rouanet, mas quem distribui a grana é um órgão do governo.

No reino Unido, eles possuem um órgão especializado em "incomingarts" , outro que cuida somente de "funding" para artistas britânicos que expõe fora da Grã Bretanha e outro para projetos de artistas britânicos dentro do Reino Unido, não impedindo que o mesmo projeto receba "funding" de diferentes órgãos.

Os salões, ou exposições abertas para inscrições são geralmente iniciativas de organizações de artistas que pedem "funding" enviando projeto para esses órgãos. Ou seja, são projetos de alguma organização que já tem um objetivo para tal projeto.

Eu fiquei meio assustado com isso pois me pareceu muito bom de início, mas quando fui percebendo, com o tempo, como eles vivem e produzem....

Tudo gira em torno desses projetos a produção deles é importante mas muito mais importante é escrever projetos bem e saber como pedir funding para viabilizar a produção de trabalhos.

A produção de trabalhos fica vinculada ao projeto e consequentemente a maneira de executá-lo. E senti que esse sistema deixa pouco espaço para pesquisa aberta.

O que deveria servir para libertar os artistas de enviar trabalhos "easy going" , como foi mencionado à cima, acaba deixando eles presos à forma de apresentar projetos e dos mesmos serem aprovados para receberem GRANA.
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Juliana Monachesi



Registrado em: Domingo, 5 de Dezembro de 2004
Mensagens: 33
Localização: são paulo
MensagemEnviada: Qua Dez 08, 2004 9:55 pm    Assunto: exposição VS catálogo Responder com Citação

o que me agrada no file é a generosidade do recorte arbitrário, que poderia ser um parâmetro para os salões no seguinte sentido: contemplar todos os inscritos de alguma forma, mesmo que de formas diferentes. não haverá espaço (físico) para tudo nunca, nem uma comissão pode se furtar a fazer escolhas (apesar de que em vários salões o que a gente vê é uma aposta no mesmo e não esta "coragem de direcionar a atenção, de se identificar sensibilidades que interessam, em meio ao universo de invisibilidades" de que você fala), mas existem outras maneiras de dar visibilidade à produção, como por exemplo deixando disponíveis alguns trabalhos on-line ou então tornando públicas as discussões sobre o material analisado (não estou falando de abrir a seleção ao público, mas de se promoverem debates ou então material impresso sobre o universo de que se partiu para realizar aquela exposição com aqueles artistas e aquelas obras);

mas também me agrada no file essa coisa de a mostra não caber no catálogo. talvez exista um problema na própria concepção do catálogo, concordo: aquelas imagens super descontextualizadas que são apenas um detalhe do trabalho realmente não dão conta. mas em termos de exposição, acho bárbaro a gente ir à galeria do sesi e ver cada dia uma mostra completamente distinta da outra. um dia eu fiquei horas ali no mark amerika, outro eu fiquei passeando pelos projetos que estão ali naqueles computadores (e tem uns 20 em cada um!!!), enfim, a exposição não acaba nunca. aí fica a pergunta: o catálogo precisa esmiuçar cada trabalho? ou uma série de ensaios sobre o tema mais amplo das novas mídias hoje funciona melhor como um norteador para se pensar a tal produção?

estes dias esteve em sp o diretor artístico (vulgo curador) da próxima documenta de kassel para um workshop e uma palestra. ele disse que está tentando organizar uma rede de publicações _revistas de arte e de política (potencialmente) no mundo inteiro_ em que vai acontecer muito da discussão em torno da documenta (ou das questões de que a documenta vai tratar). ok, não dá para chamar isso de um outro "modelo" de exposição etc., mas não deixa de ser uma outra estratégia de circulação e visibilidade para a produção artística... enfim, é uma idéia. Idea

[quote="lbambozzi"]penso um pouco diferente disso. como tenho sido um tanto critico com relacao ao FILE acho melhor explicitar aqui alguns dos eventuais porquês. nao vejo muito sentido em listar 300 trabalhos num catálogo, sem a devida contextualização. a não ser que se pretenda uma espécie de anuário da produção de uma categoria que cada vez mais se expande para fora de suas supostas especificidades e não cabem nem mesmo no catálogo. há que se encontrar um motivo de enlace para essa comunhão. há que se ter a coragem de direcionar a atenção, de se identificar sensibilidades que interessam, em meio ao universo de invisibilidades (pela anulação, pela saturação) que se forma na rede. mas estou em pleno acordo, Juliana, que temos todos a obrigação de reinventarmos os curto-circuitos nos quais estamos inseridos, de proporcionar exercícios para além das lógicas operantes. mas às vezes, a lógica desgastada de um formato pode ser necessária num determinado contexto. por exemplo, nesse 46º Salão de Pernambuco [o tema é excelente: Tudo Aquilo Que Escapa], que alimenta o presente Forum, houveram soluções que podem não parecer inovadoras, mas constituem enfrentamentos pertinentes para o contexto local. a existência de bolsas de criação, o diálogo criado a partir da introdução de artistas convidados, com obras bastante díspares que a princípio jamais seriam selecionadas pela lógica de um salão [como as intervenções do Marcelo Cidade, meu documentário de longa-metragem sobre a fronteira do Brasil com a Guyana ou o próprio Canal Contemporâneo, mais como disparador de questões do que como ‘objeto artístico’], são opções que revelam menos uma fórmula e mais um embate efetivo. nesse sentido o FILE, especialmente a partir da vertente Hipersônica dessa ultima edição, vem tateando caminhos que refletem mais a pulsação de uma produção do que um modelo específico.
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Roger



Registrado em: Quarta-Feira, 8 de Dezembro de 2004
Mensagens: 1
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MensagemEnviada: Qui Dez 09, 2004 6:00 am    Assunto: Cansei... Não servem... Responder com Citação

Arrow Observe os nossos salões. Minha pequena compreensão sobre o tema é de que não há política clara na área cultural.
Claro que saúde, educação, segurança, alimentação são essenciais e mais que uma necessidade, são um direito do cidadão, mas como diz a canção: "A gente não quer só comida" e sem trabalho, como os artistas irão comer?

Porque sempre os mesmos artistas? Porque sempre os mesmos projetos? Como foram elaborados e executados tais projetos? São fruto de uma política cultural abrangente? democrática? com participação popular? Não. Não. Não e Não!

Todos esses projetos tinham "donos". Participei de alguns grupos que tiveram projetos apresentados, mas não selecionados. E sabemos que apenas projetos “adequados” é que tinham veias de financiamento do Estado através desta ou daquela instituição. Cansei.

Pergunto: Se um salão também serve para ampliar o incentivo para novos artistas, porque os novos artistas não estão tendo essa oportunidade? Será que todo projeto que visa popularizar a arte tem que ter um renomado artista divulgando uma MARCA? Será que essa nossa sociedade consumida pelas marcas não tem oportunidade de ter conhecimento sobre o que realmente é arte? Será que teremos que aguentar esses mediocres curadores e seus artistas publicitários?

Mais uma vez : NÃO! Aos críticos e curadores que compõe esse grupo sem sensibilidade interessa APENAS (e o apenas é o detalhe complicador) popularizar uma proposta comercial tida como estética cultural (como se fosse fácil caracterizar isso) e que parece ser fruto da retribuição de uma organização empresarial à sociedade, e o faz unicamente através de meios de fácil circulação através da mídia. Isso é a política cultural?

Você ainda pergunta o que os artistas vão comer? comam cultura....!!! a música citada continua com: "a gente quer comida, diversão, balé, a gente não quer só comer, a gente quer comer e fazer amor". Digo eu, digiram cultura! mendiguem! Mas não percam a dignidade que os faz artistas. Estou cansado, mas não derrotado. Vou continuar lutando para produzir, pagar inscrições e arcar com todos os demais custos, para quem sabe um dia não precisarmos mais de seleções feitas por c...omissões que não identificam o verdadeiro artista.

No caso dos salões, não quero é interferência do poder público sobre o que o artista deve ou não deve fazer... Isso é imposição oficial de gosto, e interferência de um programa de governo na estética. Arte é território livre, arte é política e subversiva por natureza. Liberte-se!
Libertando-se e liberando-se poderemos construir uma proposta séria do objetivo de um salão, como foi muito bem exposto pela Juliana.
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Patricia Canetti



Registrado em: Terça-Feira, 9 de Novembro de 2004
Mensagens: 28

MensagemEnviada: Sex Dez 10, 2004 10:34 am    Assunto: Re: exposição VS catálogo Responder com Citação

universo de invisibilidades (pela anulação, pela saturação), diz o Lucas, de uma certa maneira caímos numa mesma armadilha. Acho que a falta de coragem é um ingrediente importante nesse caldeirão, tanto na falta de transparência em relação aos critérios, quanto nas apostas viciadas, ou na falta total de recortes, como também na postura dos artistas de sempre se inscrever passivamente. Reclamamos muito, sempre, mas não conseguimos transformar nossas reclamações em reivindicações justas e objetivas.

“mas existem outras maneiras de dar visibilidade à produção, como por exemplo deixando disponíveis alguns trabalhos on-line ou então tornando públicas as discussões sobre o material analisado”. Sim, concordo com a Juliana. Sempre fiquei pensando em relação ao processo de seleção dos salões no sentido de dar transparência às suas etapas. Sabemos que existe uma primeira triagem que elimina a maioria dos trabalhos. Nesse ponto, poderia haver um texto dando conta do posicionamento da instituição e corpo de jurados que explicasse a metodologia e os critérios utilizados. Isso é o mínimo que centenas de artistas, que gastam seu tempo e dinheiro, deveriam receber em troca. Os trabalhos restantes poderiam aparecer on line, juntamente com os selecionados e um novo texto, ou até melhor, a transcrição de um debate da comissão sobre o assunto. Se o debate fosse aberto ao público, melhor ainda.

Se partíssemos de uma especialização, dos perfis dos salões, que, como diz a Juliana, já existem, mas não são assumidos, para depois trabalhar as várias etapas da seleção com transparência de critérios e dando visibilidade a um maior número de trabalhos, certamente estaríamos revigorando essa velha pratica, infelizmente tão necessária ao nosso frágil mercado de trabalho.

Criar contextos, e dar corpo a eles, parece uma dificuldade que as instituições não querem enfrentar ou simplesmente não precisam enfrentar... Mesmo os novos formatos de programa de bolsas, como o do Salão de Pernambuco, não trazem nenhuma modificação em relação a criação desse contexto. O entendimento das instituições e das comissões julgadores é de que o resultado da seleção já seria suficiente para demonstrar esses critérios. Na prática, sabemos que isso não é verdade.


[quote="jul"]o que me agrada no file é a generosidade do recorte arbitrário, que poderia ser um parâmetro para os salões no seguinte sentido: contemplar todos os inscritos de alguma forma, mesmo que de formas diferentes. não haverá espaço (físico) para tudo nunca, nem uma comissão pode se furtar a fazer escolhas (apesar de que em vários salões o que a gente vê é uma aposta no mesmo e não esta "coragem de direcionar a atenção, de se identificar sensibilidades que interessam, em meio ao universo de invisibilidades" de que você fala), mas existem outras maneiras de dar visibilidade à produção, como por exemplo deixando disponíveis alguns trabalhos on-line ou então tornando públicas as discussões sobre o material analisado (não estou falando de abrir a seleção ao público, mas de se promoverem debates ou então material impresso sobre o universo de que se partiu para realizar aquela exposição com aqueles artistas e aquelas obras);

mas também me agrada no file essa coisa de a mostra não caber no catálogo. talvez exista um problema na própria concepção do catálogo, concordo: aquelas imagens super descontextualizadas que são apenas um detalhe do trabalho realmente não dão conta. mas em termos de exposição, acho bárbaro a gente ir à galeria do sesi e ver cada dia uma mostra completamente distinta da outra. um dia eu fiquei horas ali no mark amerika, outro eu fiquei passeando pelos projetos que estão ali naqueles computadores (e tem uns 20 em cada um!!!), enfim, a exposição não acaba nunca. aí fica a pergunta: o catálogo precisa esmiuçar cada trabalho? ou uma série de ensaios sobre o tema mais amplo das novas mídias hoje funciona melhor como um norteador para se pensar a tal produção?

estes dias esteve em sp o diretor artístico (vulgo curador) da próxima documenta de kassel para um workshop e uma palestra. ele disse que está tentando organizar uma rede de publicações _revistas de arte e de política (potencialmente) no mundo inteiro_ em que vai acontecer muito da discussão em torno da documenta (ou das questões de que a documenta vai tratar). ok, não dá para chamar isso de um outro "modelo" de exposição etc., mas não deixa de ser uma outra estratégia de circulação e visibilidade para a produção artística... enfim, é uma idéia. Idea

lbambozzi escreveu:
penso um pouco diferente disso. como tenho sido um tanto critico com relacao ao FILE acho melhor explicitar aqui alguns dos eventuais porquês. nao vejo muito sentido em listar 300 trabalhos num catálogo, sem a devida contextualização. a não ser que se pretenda uma espécie de anuário da produção de uma categoria que cada vez mais se expande para fora de suas supostas especificidades e não cabem nem mesmo no catálogo. há que se encontrar um motivo de enlace para essa comunhão. há que se ter a coragem de direcionar a atenção, de se identificar sensibilidades que interessam, em meio ao universo de invisibilidades (pela anulação, pela saturação) que se forma na rede. mas estou em pleno acordo, Juliana, que temos todos a obrigação de reinventarmos os curto-circuitos nos quais estamos inseridos, de proporcionar exercícios para além das lógicas operantes. mas às vezes, a lógica desgastada de um formato pode ser necessária num determinado contexto. por exemplo, nesse 46º Salão de Pernambuco [o tema é excelente: Tudo Aquilo Que Escapa], que alimenta o presente Forum, houveram soluções que podem não parecer inovadoras, mas constituem enfrentamentos pertinentes para o contexto local. a existência de bolsas de criação, o diálogo criado a partir da introdução de artistas convidados, com obras bastante díspares que a princípio jamais seriam selecionadas pela lógica de um salão [como as intervenções do Marcelo Cidade, meu documentário de longa-metragem sobre a fronteira do Brasil com a Guyana ou o próprio Canal Contemporâneo, mais como disparador de questões do que como ‘objeto artístico’], são opções que revelam menos uma fórmula e mais um embate efetivo. nesse sentido o FILE, especialmente a partir da vertente Hipersônica dessa ultima edição, vem tateando caminhos que refletem mais a pulsação de uma produção do que um modelo específico.
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nicolecosh



Registrado em: Domingo, 9 de Janeiro de 2005
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MensagemEnviada: Seg Jan 24, 2005 4:18 pm    Assunto: Responder com Citação

Acho bastante pertinente a existência de um fórum questionando a estrutura dos salões EM UM SALÃO, o que nos mostra que há uma luz no fim do túnel...
Gostaria de sugerir que estas questões discutidas aqui se transformem em um documento, que poderia ser divulgado em outras publicações, eletrônicas ou não, ampliando desta maneira o alcance de nosso debate.
Para finalizar, acredito que esse debate está longe de terminar, e nem poderia, pois se por um lado temos iniciativas como esta do fórum, presente neste 46o. Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, por outro lado muitos salões brasileiros ainda se fiam em estruturas de seleção defasadas, que não conseguem abranger qualitativamente a produção de determinado local/artista... Então, para que servem os salões, se não são efetivamente um lugar para artistas exibirem sua produção?
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Patricia Canetti



Registrado em: Terça-Feira, 9 de Novembro de 2004
Mensagens: 28

MensagemEnviada: Qua Jan 26, 2005 12:03 pm    Assunto: Isso é apenas o começo! Responder com Citação

Sim, estamos apenas começando.

Acabo de responder ao tópico “Quais salões servem?” com trechos de outro tópico “o exemplo do FILE” para cruzar as opiniões já colocadas sobre um mesmo assunto.

Já temos algumas boas colocações, mas ainda falta uma maior participação dos profissionais envolvidos nesse sistema - dos artistas aos coordenadores de salões, para podermos avançar e aprofundar o debate.

Estou pensando em já resumir alguns pontos e mandar para todos os inscritos, e também colocar no e-nforme do Canal, para insuflar o debate.

Ainda estamos longe de ter a representação necessária para a formulação de um documento e, portanto, vamos ao trabalho...
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