NESTA EDIÇÃO:
Tamara Espírito Santo na Baró Cruz, São Paulo
Geração Transterritorial e Ana Holck, Mabe Bethônico, Nydia Negromonte, Roberto Bethônico e Tatiana Ferraz no Paço das Artes, São Paulo
31° Salão de Arte de Ribeirão Preto no MARP, Ribeirão Preto HOJE
Geraldo de Barros na Lurixs, Rio de Janeiro
Roma Drumond no CCCM, Rio de Janeiro
REDE Relatos e video-streamings do seminário Reconstrução da Bienal de São Paulo
Funcionamento do Canal / Canal functioning
Envio de conteúdo / Content submission
Contato / Contact
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Mabe Bethônico - Vagalume (capas de livro)
Geração Transterritorial
Aline Gambin, André Figueiredo, André Oliveira, Bruno Abner, Mariana Alves, Pedro Friedman, Renata Pedrosa, Sheila Chang, Thais Gouveia
Curadoria de Maria Teresa Santoro e Tereza de Arruda
Temporada de Projetos 2006
Ana Holck
Canteiro de Obras
Mabe Bethônico, Nydia Negromonte e Roberto Bethônico
Identificador
Tatiana Ferraz
Miolo de Quadra
7 de agosto a 17 de setembro de 2006
Paço das Artes
Av da Universidade 1, Cidade Universitária, São Paulo - SP
11-3813-3627 / 3031-0682 ou pacodasartes@pacodasartes.sp.gov.br
www.pacodasartes.sp.gov.br
Terça a sexta, 11h30-19h; sábados e domingos, 12h30-17h30
Sobre a exposição Geração Transterritorial
Leia o texto Em obras, de Cauê Alves sobre a exposição de Ana Holck
Leia o Relatório de intenções para a construção de uma exposição documental (ou glossário de termos relativos ao projeto “Identificador”), de Paula Alzugaray sobre a exposição de Mabe Bethônico, Nydia Negromonte e Roberto Bethônico
Leia o texto Imagem-ação, de Juliana Monachesi sobre a exposição de Tatiana Ferraz
Enviado por Assessoria de Imprensa mjassessoria@yahoo.com.br
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31° SARP - Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional-Contemporâneo
Adriana Palma Franco do Amaral, Alexandre Mascarenhas, Aline Van Langendonck, Anníbal e Branca, Bettina Vaz Guimarães, Caio Moraes, Caio Formiga, Cândida Coelho, Carlos Ribeiro, Christina Meirelles, Cláudio Boczon, Coletivo Soco na Pomba / Denise Alves de Oliveria, Renan Araújo e Taygoara Schiavinoto, Diogo de Moraes, Estevão Machado, Fernanda Gassen, Fernanda Magalhães, Fernando Velázquez, Flávia Yue, José Roberto Shwafaty, Júlio Meiron, Karen Kabbani, Liene Bosque, Luciana Ohira e Sérgio Bonilha, Mariane Abakerli, Maurício Trindade, Mayra Azzi, Osvaldo Carvalho, Rafael Campos Rocha, Raphael Franco, Roberto Barbi, Rosilene Fontes, Sarah Mafud, Vera Barbieri
Comissão de Seleção e Premiação: Carlos Fajardo, Carmela Gross e Dudi Maia Rosa
4 de agosto a 17 de setembro de 2006
Museu de Arte de Ribeirão Preto Pedro Manuel-Gismondi - MARP
Rua Barão do Amazonas 323, Ribeirão Preto - SP
16-3635-2421 ou marp@cultura.pmrp.com.br
www.marp.ribeiraopreto.sp.gov.br
Terça a sexta, 9-12h e 14-18h
Realização: Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, Secretaria Municipal da Cultura, Coordenadoria de Artes Visuais, MARP - Museu de Arte de Ribeirão Preto Pedro Manuel-Gismondi
Enviado por Luiza Rocha Imprensa imprensa@bureaudemoda.com.br
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C-22 e C-21
Geraldo de Barros
7 de agosto a 16 de setembro de 2006
Lurixs Arte Contemporânea
Rua Paulo Barreto 77, Botafogo, Rio de Janeiro - RJ
21-2541-4935 ou info@lurixs.com
www.lurixs.com
Segunda a sexta, 14-19h; sábados, 16h30-20h
Sobre a exposição
Enviado por Tainá Xavier tainax@lurixs.com
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Roma Drumond
Jogos Geométricos
7 de agosto, segunda-feira, 20h
Galeria de Arte do Centro Cultural Candido Mendes - CCCM
Rua Joana Angélica 63, Ipanema, Rio de Janeiro - RJ
21-2523-4141 R: 206 ou arteipanema@candidomendes.edu.br
Segunda a sexta, 15-21h; sábados, 16-20h
Exposição até 26 de agosto de 2006
Enviado por Paula Ferreira Andrade pandrade@candidomendes.edu.br
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REDE
Relatos e video-streamings do seminário Reconstrução da Bienal de São Paulo
Já estão publicados no site do Fórum Permanente os video-streamings e os relatos das palestras do último seminário "reconstrução" da 27a Bienal Internacional de São Paulo:
http://forumpermanente.incubadora.fapesp.br/portal/.event_pres/simp_sem/semin-bienal/bienal-reconstr/reconstrucao-doc/index.html
Material referente aos outros seminários da 27a Bienal estão home-page da cobertura de todos os seminários da Bienal no Fórum Permanente organizada pelo Fórum Permanente:
http://forumpermanente.incubadora.fapesp.br/portal/.event_pres/simp_sem/semin-bienal/index.html
Webcasting da próxima edição dos seminários da Bienal, dessa vez organizado pela curadora-chefe, Lisette Lagnado "Vida Coletiva" que acontece nos dias 4 & 5 de agosto:
http://forumpermanente.incubadora.fapesp.br/portal/.event_pres/simp_sem/semin-bienal/bienal-vida/index.html
Além do webcasting e da disponibilização de video-streamings de cada seminário o Fórum Permanente convida jovens curadores e críticos de arte a registrarem suas impressões de cada evento por meio de textos críticos.
Enviado por Martin Grossmann mg@usp.br
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TEXTOS DO E-NFORME
Tamara Espírito Santo na Baró Cruz
Contiguitās (em português: contigüidade) é o título da exposição de 14 desenhos costurados à máquina em que figura a preocupação com o espaço vazio – ou “em branco” – do courvim (couro sintético) sobre o qual a linha preta borda cadeiras, mesas e cantos de paredes.
Trata-se de desenhos com dimensões superiores aos dos trabalhos vistos anteriormente na galeria e em outros espaços expositivos da capital.
Tecnicamente, estas dimensões obrigaram os desenhos a dividir-se em partes para que eles fossem executados a máquina de maneira apropriada.
As divisões, a que os trabalhos foram obrigados, reforçam-lhes uma característica intrínseca: a capacidade de agregar espaços contíguos. Os espaços desabitados que eles suscitam, podem mesmo abarcar o espaço a sua volta, como se tratasse de uma necessidade de avizinhar-se do “vazio do mundo”.
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Na Savana - Sobre os objetos-espaços de Tamara Espírito Santo
MAURÍCIO PINTO ADINOLFI
Há alguns anos observo a obra da Tamara, e nestes trabalhos recentes sinto um caráter narrativo afirmativo, de qualidades próprias aos objetos, de atributos e personalidade; o que seria talvez negativo para outros artistas, nela é positivo, já que é uma contadora de estórias, construtora de cisternas de sentimento. A preocupação ou a capacidade do trabalho aqui não é de ontologia, não há propriamente uma investigação da coisa em si, do ‘ente’. Não é a cadeira enquanto cadeira, o ente único - como uma cadeira de Van Gogh, uma garrafa de Morandi - mas várias cadeiras, como seres próprios a se olhar. O movimento criado nestes desenhos é de predicação, é dar vida calorosa nestes brancos insolúveis, prender quase esmagando o ser contra a parede; levantando – como um urso, patas em riste – os braços e o corpo da mesa num movimento misterioso. Muitas vezes é incômodo ao animal sentar-se organizadamente à mesa, estouram-se os espaços em branco, seu tempo meditativo é estorvado, é necessário preparar-se para novas relações.
Essa exploração das dimensões, vistas, enquadramentos, pertencem ao desenho, ao seu conteúdo, potencializam o traçado, massa muscular ao desenho-forma-espaço, alinhavando uma verdade, possibilitando e prevendo um futuro de maior risco, lentamente se cortando... Se fortalecendo para um caminho virgem, inexplorado.
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Contiguitās - Exposição De Tamara Espírito Santo
RUBENS ESPÍRITO SANTO
“La mia squallida / vita si estende / più spaventata di sé // In un / infinito / Che mi calca e mi / preme col suo / fievole tatto” * (Giusseppe Ungaretti)
São bordados macilentos. Inscritos numa fantasia movediça (motricidade costurada: domesticidade indomada). O couro sintético é o lugar designado pela artista, Tamara Espírito Santo, para sofrer o influxo de sua ação sintética.
Os trabalhos têm uma justa dimensão. Cabem no seu tamanho. Possuem o seu próprio lugar. Brancura desafiando a vontade em frente: abismos gravados sobre a luz. Máquina colada ao descomunal. Extraindo a distensão. Produzindo o improdutivo: um trabalho que se realiza desfazendo uma racionalidade própria da vida comezinha. Há um espezinhamento do dia-a-dia ou um desabitar das coisas dadas. Comunica um estranhamento. Por isto mesmo, ele é pedra-de-toque de uma operação que continua desdobrando-se no olhar.
A artista aproveita-se da ação natural para atingir o desumano das coisas. Operação inversa à desejada e aprendida: viagem da linha sobre a imensidão do vazio de todos nós (da desumanidade do capital). Recosturando a própria sutura das coisas prontas (onde elas mais doem). Da máquina à galeria, a linha descreve uma trajetória incerta e o tesouro achado é um desconhecido. O fio encrenqueiro, imerso no interior da engrenagem do desenho, torna-se fio-ético inconsútil. Tamara, construtora de um eixo-poético-corrosivo, manipulando formas ancestrais, de uma alegria nervosa.
* “Minha desolada / vida se estende / cada vez mais assustada // Em um / infinito / que me pisa / oprime com seu / leve tato”. (Tradução: Geraldo Holanda Cavalcanti).
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Geração Transterritorial no Paço das Artes
Dando continuidade à iniciativa do Paço das Artes em promover intercâmbios artísticos internacionais, o projeto envolve jovens artistas brasileiros e alemães cujos trabalhos se caracterizam pela inovação do uso de mídias contemporâneas para traçarem novas possibilidades nos territórios da arte e tecnologia. Com curadoria de Maria Teresa Santoro e Tereza de Arruda, artistas recém-formados do departamento de Tecnologia e Mídias Digitais da PUC-SP e do KHM, em Colônia na Alemanha, propõem novos discursos e estéticas, extrapolando as fronteiras da arte contemporânea atual. São trabalhos artísticos transdisciplinares que mesclam o pensamento artístico com o científico, o tecnológico com o educacional, o midiático com o social. Instalações tele-presenciais, vídeos e videoinstalações, fotos e robôs apresentam novas possibilidades de interação e acesso a múltiplas realidades. Através de seus projetos, esses jovens artistas expõem ao receptor uma realidade onde se misturam percepções, vivências e a concepção dos fluxos descontínuos e polifônicos que engendram novas possibilidades de comunicação artística.
A curadoria foi concebida em três etapas: artistas de São Paulo no Paço, artistas de Colônia no Paço e artistas de São Paulo no KHM. A primeira etapa consiste na exposição dos trabalhos dos artistas brasileiros Pedro Friedman (Poéticas Diárias, instalação multimídia); o grupo formado por Aline Gambin, André Oliveira, Bruno Abner, Thais Gouveia, Mariana Alves e Sheila Chang (Calix Meus Inebrians, cinema-vídeo); Renata Pedrosa (Pequenos Artistas Tecnológicos, 4 videoinstalações) e André Figueiredo Veneza (instalação multimídia). Todos os projetos foram realizados em 2004, e são resultados dos trabalhos de conclusão do curso de Tecnologia e Mídias Digitais, com habilitação em Arte e Tecnologia, da PUC-SP.
Esta abertura ocorrerá ainda durante sua montagem. A idéia é de abrir a exposição no momento em que se realizam os conceitos que foram trabalhados pelos artistas durante meses de pesquisa estética, tecnológica e educacional. Contará ainda com uma palestra, às 16h00, de Márcia Vaitsman (Professora Assistente do Departamento de Media Design do KHM, Colônia), Rejane Cantoni (Diretora e Professora do Departamento de Tecnologia e Mídias Digitais da PUC-SP), com mediação de Joachim Bernauer (Instituto Goethe) e Daniela Bousso (Paço das Artes).
A segunda etapa acontecerá no Paço das Artes em janeiro de 2007, quando a instituição receberá os artistas-estudantes do Departamento de Artes e Estudos da Mídia do KHM Ralf Baecker (Nowhere, instalação, 2005), Kerstin Ergenzinger (Construction Kit for Mobile Places, esculturas, 2004) e Nook-Gerriet K. Sharma, Dirk Specht and Carsten Goertz (Aubaine, composição audiovisual e performance, 2005). O evento contará também com a participação, entre palestras e oficinas, de seus professores Martin Rumori (Música, Som, Acústica), Susanna Schönberg (Multimídia e Performance) e Siegfried Zielinski (Arqueologia da Mídia).
Finalmente, na terceira etapa, o KHM abrigará os trabalhos dos artistas brasileiros em conjunto com os projetos dos artistas alemães que compõem esta curadoria. Prevista para o segundo semestre de 2007, esse deslocamento fará com que os artistas usufruam das instalações dessa renomada instituição de ensino para uma efetiva troca de conhecimento técnico e conceitual, traçando um mapa de intenções estético-tecnológicas que traduzem sua condição transterritorial.
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Em obras
CAUÊ ALVES
Na metade da década de 1970, o governo federal iniciou as obras do que seria a maior usina hidrelétrica inteiramente brasileira: a Usina de Tucuruí, instalada no rio Tocantins, no Pará. Concebida em meio à retórica de um país que afirmava sua auto-imagem como se ainda estivesse na iminência de integrar o seleto clube das nações desenvolvidas, sob a égide de um Estado endividado, mas que investia em grandes projetos que sustentariam o crescimento econômico para a região norte e, assim, propiciaria a modernização definitiva do Brasil, a Usina de Tucuruí, depois de sucessivos adiamentos causados pela crise econômica em que o país mergulhou, só pode ser inaugurada nove anos depois, em 1984.
A série Canteiro de Obras, de Ana Holck, realizada com base nas fotos tiradas por volta da virada da década por seu pai, um engenheiro calculista que trabalhou intensamente no projeto da Usina, revela aspectos de nosso contraditório e retardatário processo de modernização. As fotografias não dissimulam a monumentalidade da construção, metáfora do próprio gigantismo do “país do futuro”, um país com proporções continentais. Mas, se por um lado há nas imagens vestígios de uma utopia moderna e de crença no progresso tecnológico e na racionalidade como caminhos infalíveis para a superação do atraso de uma nação que estaria ainda na infância, há também, no trabalho de Ana Holck (e talvez o aspecto envelhecido e a predominância de tons sépia na imagem reforcem isso), uma explícita justaposição de linhas e de estruturas não tão rígidas e que dão uma aparência menos sólida e um tanto instável à construção.
A despeito de todo otimismo que nos anos de 1970 já havia sido praticamente abandonado, a não ser pelo discurso ufanista do governo ditatorial brasileiro, é mais do que sabido que o projeto moderno não chegou a se realizar completamente no Brasil. E o trabalho de Ana Holck, concebido com certo recuo histórico, talvez nos forneça elementos que nos permitam compreender a dificuldade de sua efetivação. O próprio fato de a Usina estar em obras, e essas obras terem sido mais longas do que o planejado, reforça a compreensão do inacabamento do projeto moderno. Por mais que alguns ângulos e enquadramentos sejam vertiginosos e não completamente convencionais, o trabalho da artista aponta para ambigüidades entre projeto e realização, entre construção e desconstrução ou entre o permanente e o provisório, que são bastante reveladoras. As conexões que a artista estabelece entre a malha de ferro da construção e que posteriormente é coberta pelo concreto, e a grade sobreposta feita por ela, nos permitem repensar a relação entre o aparente e o escondido ou, a partir da sobreposição de novas camadas, entre imagem e realidade.
Além de uma resignificação de um arquivo pessoal e de uma nova atribuição de valores, Canteiro de Obras recoloca nossas contradições formadoras: a engenharia, o projeto e a dureza do ferro são justapostas à irregularidade, à fragilidade e à falta de apoio das linhas que a artista desenha diretamente sobre as ampliações e que depois são refotografadas. Nesse processo, desenho e fotografia se fundem e ocorre um entrelaçamento entre o primeiro plano com a grade e o espaço fotografado. A montagem em caixas de luz, backlights, muito usadas em anúncios e propagandas pela cidade, dialoga tanto com a imagem que o país fazia e divulgava de si mesmo, como com a realidade vivida nas ruas, que já não tinha nada da limpeza formal dos grandes projetos urbanísticos modernos.
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Relatório de intenções para a construção de uma exposição documental (ou glossário de termos relativos ao projeto “Identificador”)
PAULA ALZUGARAY
Identificador
1. Código presente nas contas de luz.
2. Exposição que aconteceu em resultado à estreita convivência entre os artistas Mabe Bethônico, Nydia Negromonte e Roberto Bethônico com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), onde eles buscaram subsídios para o desenvolvimento de suas pesquisas individuais, dialogando com as especificidades daquele contexto.
Pluralidade
1. Trabalho em grupo onde cada um explora um terreno distinto.
2. Exploração de campos distintos dentro do mesmo espaço determinado: a Cemig.
3. Entrada na empresa feita em forma de diagrama, onde cada artista elegeu seus campos de interesse, desenvolvendo outros setores dentro desse grande sistema, envolvendo e interligando os vários nichos.
Institucionalização
1. Convivência do grupo com rotina da empresa e experiência institucional ao longo de seis meses.
2. “Paisagem institucional”: denominação de trabalho de Roberto Bethônico, que tomou emprestadas de funcionários todas as plantas do prédio da empresa e as colocou lado a lado com uma coleção de plantas artificiais.
Participação
1. Desdobramento de questões do dia-a-dia da companhia (no plano empresarial e institucional ou no plano da rotina dos seus funcionários e usuários).
2. Convívio: “Copinha”, trabalho de Nydia Negromonte, que reproduziu as copas instaladas em todos os andares do edifício da Cemig e funcionou como espaço múltiplo de convívio durante a exposição.
3. Revista “Luciana”: livro de artista de Mabe Bethônico, com tiragem de cinco exemplares, que reuniu textos de colaboradores reais e fictícios.
4. “Feliz aniversário”: ação que consistiu na comemoração de aniversário de sete funcionários da Cemig e da artista Nydia Negromonte, todos nascidos no dia 18 de setembro. Nenhum deles se conhecia previamente, mas houve troca de presentes.
Sinalização
1. “Café doce, café amargo, água quente”: tríptico composto por garrafas térmicas devidamente sinalizadas e dispostas em prateleira da “Copinha”.
2. “Topônimo”: intervenção de Nydia Negromonte no teto do hall de entrada da Cemig, com hiperconcentração de placas de sinalização, com nomes de cidades que foram inundadas após a construção de usinas hidrelétricas.
3. Confecção de etiquetas de identificação por Roberto Bethônico, informando sobre relações entre pessoas e plantas.
Documentação
1. Levantamento de três instâncias de documento: imagens do arquivo da empresa, imagens-registro da exposição e resíduos dos trabalhos.
2. Mapeamento: ou rastreamento das referências etimológicas referentes aos sentidos da luz, realizado por Mabe Bethônico, na biblioteca da empresa.
3. Registro em vídeo das palestras proferidas sobre luz e iluminação por cabeleireiro, pediatra e consultor de desenvolvimento empresarial.
4. “Gabinete de fotos”: banco de imagens dos ensaios fotográficos de Nydia Negromonte nas dependências internas do prédio da Cemig.
5. Catálogo realizado sobre o projeto “Identificador”, onde imagens se sobrepõem sem nenhuma área de respiro ou página em branco que anuncie os trabalhos dos artistas.
Transposição/Identificador no Paço
1. Deslocamento para outro entorno, o que possibilita um novo olhar sobre o diagrama da exposição.
2. Desafio: transportar a exposição de maneira ‘portátil’, ou seja, através do registro das ações e dos trabalhos realizados na Cemig.
3. Posfácio.
4. História da experiência.
5. Trabalhar sobre os resíduos.
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Imagem-ação
JULIANA MONACHESI
Com Miolo de Quadra (2004), Tatiana Ferraz instaurou uma visão privilegiada da paisagem urbana em um quintal sombrio no coração da Vila Madalena: um belvedere que virava do avesso o espaço expositivo do Ateliê 397 e punha o espectador no ponto de observação de alguém que caminhasse pelos telhados das casas do bairro. Pedestres retificados são um foco de atenção e imaginação permanentes da artista. O vigia de lojas de comércio popular, sentado em seu “belvedere” para fiscalizar a circulação dos produtos que avançam sobre a calçada, é deslocado, nas colagens recentes de Tatiana, para diante do mar. Uma esquina da Rua Teodoro Sampaio surge com seus pedestres a tiracolo sobre a areia da praia, com vazios na imagem a evidenciar a fratura na utopia de alguma paisagem possível nas grandes metrópoles. Uma fratura no projeto urbanístico moderno vem a reboque na série de colagens em que a artista constrói um horizonte montanhoso sobre diversas fotografias de São Paulo, aquela São Paulo melancolicamente emparedada. A montanha é sempre a mesma, qualquer que seja a vista da cidade, e feita de papel de parede descaradamente decorativo, descaradamente pertencente à intimidade. Tem também algo de disruptivo na opção pela imagem em uma artista até então conhecida pela potência instaladora, projetista, de uma linhagem estética engajada na materialidade das coisas.
Mas esta é apenas uma forma de ver as obras recentes de Tatiana Ferraz. Há uma série de outros trabalhos em que ela vem hibridando espaço público e privado, trazendo o público também para dentro de espaços virtuais minúsculos, em paralelo mesmo ao projeto em que lhe oferecia o céu da Vila Madalena. O papel de parede decorado é por si só uma imagem narradora e onírica. Aplicado à fotografia, ele retém algo de material que não deixa a imagem ser pura simulação. Transformado em paisagem, sugerindo uma escala em tudo oposta à da domesticidade que ele carrega em sua gênese (de decoração do cômodo mais íntimo da casa, receptáculo dos sonhos), este material prosaico é investido de uma potência urbanística (em escala micro, escala pedestre, escala subjetiva de imagem tornada ação): torna-se um respiro enfim possível em plena São Paulo.
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Geraldo de Barros na Lurixs
A mostra busca lançar um olhar sobre o conjunto da produção do artista, estabelecendo uma conexão entre os diversos meios e disciplinas através dos quais Geraldo expressou sua poética, com especial ênfase na sua última produção em pintura, nas décadas de 80 e 90.
A exposição apresentada na Lurixs estará dividida em duas partes. No espaço expositivo principal da galeria, encontra-se um conjunto de obras da série produzida entre 1983 e 1990, intitulada Jogos de Dados. Os trabalhos, executados em laminado plástico sobre madeira, apresentam o retorno do artista à fase concreta. Essa série, da qual 10 obras participaram da Bienal de Veneza, em 1986, foi objeto de exposições individuais em 1990 no MAM – SP, em 1991 na Galleria Mercato Del Sale em Milão, Itália, e participou também da 21ª Bienal de São Paulo. Quem for conferir a exposição na LURIXS Arte Contemporânea, terá a oportunidade de ver um dos trabalhos apresentados nessa edição da Bienal.
No espaço LURIXS 2, há um núcleo histórico, composto de peças representativas das diversas fases da obra de Geraldo, o que permite ao visitante conhecer exemplares da diversificada produção do artista que antecedeu a série de trabalhos exibida no espaço principal da galeria. Gravuras, serigrafias, fotografias e um móvel projetado por Geraldo e executado pela Unilabor, comunidade de trabalho fundada pelo artista, ao lado do dominicano Frei João Batista, em 1954, transportam o visitante à rica e mutifacetada poética de GERALDO DE BARROS.
Sobre o artista
Geraldo de Barros teve destacada atuação como pintor, fotógrafo, designer, tendo sido um dos precursores da arte concreta e pioneiro da fotografia abstrata brasileira.
Foi responsável, com Thomas Farkas, pela criação do laboratório e dos cursos de fotografia do Museu de Arte de São Paulo, em 1949. No ano seguinte, realizou a inovadora exposição Fotoformas, no MASP, firmando seu nome na linha de frente da fotografia experimental no Brasil. Em 1951, com bolsa do governo francês, estudou litografia na École National Supérieure des Beaux-Arts e gravura no ateliê de Stanley W. Hayter, em Paris. Em 1952, em São Paulo, participou da fundação do Grupo Ruptura, ao lado, entre outros, de Waldemar Cordeiro, Luiz Sacilotto e Lothar Charoux. A partir de 1954, começou também a se dedicar ao desenho industrial e à comunicação visual, tendo fundado a Cooperativa Unilabor e em 1964 a Hobjeto Móveis, voltadas à produção de mobiliário. Trabalhou com Alexandre Wollner e Rubens Martins na Forminform, no desenvolvimento de diversas marcas e projetos gráficos. Em 1966, participou da criação do Grupo Rex, ao lado entre outros de Wesley Duke Lee, Nelson Leirner e José Resende. Na década de 80 retornou ao universo do concretismo com a série Jogos de Dados. Sua obra já foi objeto de exposições individuais em diversos países, museus e galerias tais como Tschüdi Galerie na Suíça (1987), Musée de l'Elysée de Lausane (1993), Sicardi & Sander Gallery em Houston (1998), Ludwig Museum de Colônia (1999), Ulm Museum na Alemanha (2000) entre outras, e importantes exposições coletivas internacionais tais como a Bienal de Veneza (1986), “Heterotopias“ no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía Madrid (2000), “Body & Soul – Brasil 500 Anos Artes Visuais“, no Guggenheim Museum New-York (2001), “Forma Brazil“ no The Americas Society New-York (2002), e da exposição coletiva itinerante “Geometric Abstraction - Latin American Art from the Patricia Phelps de Cisneros Collection”, entre outras. Faz parte de algumas das mais importantes coleções nacionais e internacionais de arte, tais como Moma The Museum of Modern Art, Ludwig Museum de Colônia e MAM de São Paulo.
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