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fevereiro 22, 2018

3a edição de Olho - mostra de vídeo arte: programação

OLHO, em sua terceira edição: Tentacular, apresenta 30 obras de artes em vídeo de artistas brasileiros e internacionais.

Com entrada gratuita, o III Encontro de Imagem Contemporânea, Cinema São Luiz (Fortaleza), e a Cinemateca do MAM (RJ) recebem mostra de artistas contemporâneos brasileiros e intenacionais.

A terceira edição da mostra, OLHO _ Tentacular, acontece no Cineteatro São Luiz em Fortaleza (nos dias 27, 28 de fevereiro e 1 de março) e na Cinemateca do MAM (RJ) (nos dias 2, 3 e 4 de março) trazendo uma seleção de filmes de artistas hoje relevantes para a Arte Contemporânea.

São eles: Ali Cherri, Agnieszka Polska, Cao Guimarães, Carlos Motta, Clément Cogitore, Gabriel Mascaro, Jonathas de Andrade, Júlio Cavani, Luiz Roque, Marc Johnson, Mika Taanila, Naïmé Perrette, The Otolith Group, Regina Parra, Rivane Neuenschwander, Sebastian Díaz Morales, Tanya Busse, Tuomas Aleksander Laitinen e Yuri Firmeza.

A mostra, que apresenta 30 títulos, tem curadoria de Alessandra Bergamaschi (graduada em Comunicação pela Universitá di Bolonha, doutoranda em História da Arte pela Puc-Rio) e Vanina Saracino (MFA em Estética e Teoria da Arte Contemporânea na Universidade Autônoma de Barcelona, UAB, curadora do canal de arte IkonoTV, Berlim, Alemanha), criadoras, em 2013, de OLHO, projeto que pretende tornar-se uma plataforma criativa e crítica para os profissionais que estão refletindo sobre o estatuto da obra de arte a partir da imagem em movimento.

‘OLHO_Tentacular’ busca apresentar ao público uma mostra internacional que explora as possibilidades oferecidas pelo cinema como espaço de recepção para a videoarte.

APRESENTAÇÃO

A terceira edição de OLHO explora o pensamento, a percepção e o conhecimento de forma tentacular através de uma seleção de obras em vídeo brasileiras e internacionais que pertencem aos campos cada vez mais entrelaçados do filme experimental, da vídeo-arte e do cinema expandido. Tentacular propõe indagar a influência mútua entre as formas humanas e para além do humano e refletir sobre os resultados multifacetados que esse encontro pode gerar em resposta à atual crise ambiental e sociopolítica.

Com suas raízes nas reflexões pós-antropocêntricas de Donna Haraway, o pensamento tentacular é levantado em oposição ao nosso sistema de percepção e compreensão binário, binaural, binocular, provido de duas pernas e dois braços. Figurativamente inspirado em seres e tecnologias dotados de articulações múltiplas, representa um esforço para alcançar um certo grau de equidade entre as espécies que habitam a Terra. Tentaculares são o polvo e a aranha, mas também o modo de propagação das plantas e de redes inorgânicas como a Internet, sistemas que procedem por tentativas tentaculares ao invés que de maneira linear (da etimologia latina: tentare = tentar; -culum = instrumento).

Através de seu terceiro capítulo, tentacular, OLHO visa pesquisar, invadir, copiar e inspirar-se nas formas em que os animais não humanos, as plantas e as tecnologias de rede pensam e sentem, considerando a perspectiva de outros seres e sistemas como uma dádiva para a expansão da percepção e as possibilidades de conhecimento do ser humano.

PROGRAMAÇÃO

Fortaleza
Cineteatro São Luiz
III Encontro Internacional de Imagem Contemporânea

27 de fevereiro, terça-feira
19.00: programa 1 _ Elos inter-espécie
20.30: programa 2 _ Visões expandidas

28 de fevereiro, quarta-feira
19.00: programa 3 _ Terrápolis
20.30: programa 4 _ Viver as Ruínas

1 de março, quinta-feira
17.00: programa 5 _ Fabulações especulativas
(18.30: Nicole Brenez _ palestra de encerramento do III EIIC)
20.30: programa 6: Ensaios do outro mundo / Acervo Histórico Videobrasil

Rio de Janeiro
Cinemateca do MAM

2 de março, sexta-feira
18.30: programa 1 _ Elos inter-espécie
20.00: programa 2 _ Visões expandidas

3 de março, sábado
17.00: programa 3 _ Terrápolis
18.30: programa 4 _ Viver as ruínas

4 de março, domingo
17.00: programa 5 _ Fabulações especulativas
18.30: programa 6 _ Ensaios do outro mundo / Acervo Histórico Videobrasil

* As sessões serão introduzidas pelas curadoras Alessandra Bergamaschi e Vanina Saracino

Veja as fichas técnicas dos vídeos

Atualizações do evento no Facebook

PROGRAMA 1
ELOS INTER-ESPÉCIE _ duração: 1h07’

Júlio Cavani, História Natural
Vídeo digital HD | 11’ | 2014
Regina Parra, Capitão do mato
Vídeo digital HD | 5’ | 2016
Cao Guimarães e Rivane Neuenschwander, Quarta-feira de cinzas
Vídeo digital | 6’ |, 2006
Jonathas de Andrade, O Peixe
16 mm convertido em Vídeo Digital HD | 23’ | 2016
Marc Johnson, Ultraviolet
Vídeo digital HD (4K) | 9’ | 2018
Tuomas Aleksander Laitinen, Dossier of Tentacular
Vídeo digital HD | 11’ | 2018

PROGRAMA 2
VISOES EXPANDIDAS _ duração: 1h

Luiz Roque, Projeção
Vídeo digital HD| 6 | 2011
Sebastian Díaz Morales, The lost Object
Vídeo em 2K | 13’ | 2016
Mika Taanila, Optical Sound
Filme 35 mm convertido em vídeo digital HD | 6’| 2005
Clement Cogitore, The Resonant Interval
Vídeo digital HD | 24’| 2016
Cao Guimarães e Rivane Neuenschwander, O inquilino
Vídeo digital HD| 10’ | 2010

PROGRAMA 3
TERRAPOLIS _ duração: 59’

Cao Guimarães, Concerto para clorofila
Filme 16 mm convertido em vídeo digital HD | 7’25’’ | 2005
Sebastian Díaz Morales, Insight
Vídeo digital HD | 12’ | 2012
Luiz Roque, Ancestral
Vídeo digital HD | 5’| 2016
Clement Cogitore, Elegies
Vídeo digital HD | 6’ | 2014
Agnieszka Polska, What the Sun Has Seen
Animação | 10’ | 2017
Gabriel Mascaro, As aventuras de Paulo Bruscky
Animação 3D | 20’| 2010

PROGRAMA 4
VIVER AS RUINAS _ duração: 1h03’

Regina Parra, Sobre la marcha
Vídeo digital | 5’| 2011
Clement Cogitore, An Archipelago
Vídeo digital, PAL 16/9 | 11’| 2011
Yuri Firmeza e Frederico Benevides, Entretempos
Vídeo digital | 7’| 2015
Tuomas Aleksander Laitinen, The Powder of Sympathy
Vídeo digital | 9’| 2015
Tanya Busse, Robo-she
Vídeo digital HD | 10’ | 2015
Luiz Roque, S
Vídeo digital HD | 5’ | 2017
Clément Cogitore, Les Indes Galantes
Vídeo digital HD | 6’| 2017

PROGRAMA 5
FABULAÇOES ESPECULATIVAS _ duração: 1h10’

Yuri Firmeza, Nada é
Vídeo digital HD | 34’ | 2014
Mika Taanila, The world
Vídeo digital | 8’ | 2017
Naïmé Perrette, I wanna be blind
Vídeo digital | 29’ | 2016

PROGRAMA 6
ENSAIOS DO OUTRO MUNDO _ duração: 56’
Acervo Histórico Videobrasil

The Otolith Group, Otolith
Vídeo digital | 23’ | 2003
Ali Cherri, The Disquiet
Vídeo digital HD | 20’ | 2013
Carlos Motta, Letter to my father (Standing by the fence)
Vídeo digital | 14’ | 2005

Veja as fichas técnicas dos vídeos

Posted by Patricia Canetti at 10:01 AM

3a edição de Olho - mostra de vídeo arte: fichas técnicas

OLHO III _ Tentacular / Fichas técnicas e sinopses das obras

Classificação indicativa: As Aventuras de Paulo Bruscky: 16 anos / todos os outros filmes são apropriados para um público de maiores de 12 anos

Gênero: vídeo arte

• Ali Cherri (LIB)


The Disquiet
Vídeo digital HD, 20’, 2013
Inglês, legendas em português
Produção: Líbano/França _ Ginger Beirut Productions, Galerie Imane Farê / Participação: Arab Fund for Arts and Culture.


As quatro falhas geológicas que atravessam o território do Líbano geram instabilidade só comparável, em tempos modernos, aos intermitentes reveses bélicos e políticos experimentados pelo povo do país – que, de resto, fica no Oriente Médio, uma das regiões mais conturbadas por conflitos do globo. O artista usa uma poderosa analogia para comentar situações cujo impacto sobre o tecido social só se compara à incomensurável (e incontrolável) sanha destruidora da natureza.


• Agnieszka Polska (PL)


What the Sun has Seen
Animação HD, 7 ', 2017
Inglês, legendas em português
Trabalho comissionado pela curadora Nadja Argyropoulou para a Polyeco Contemporary Art Initiative (PCAI), Grécia

O filme empresta seu título de um poema da poetisa polonês Maria Konopnicka (1842-1910), que relata de forma infantil as atividades cotidianas, pacíficas e rurais do campo, observadas pelo sol em sua jornada diária através do céu. Polska oferece sua própria versão, sombria e irônica do poema, introduzindo a contaminação pela informação (devido ao excesso de informações inúteis) e o papel do "observador indefeso" que, como o "Anjo da História" no bem conhecido adágio de Walter Benjamin, pode apenas olhar ao amontoado de escombros sem poder intervir.

• Cao Guimarães (BR)


Concerto para Clorofila
Filme 16 mm convertido em vídeo digital HD, 7'25'', 2005

Conjunção de luz e sombra, formas, cores e texturas que denunciam a interrelação necessária de tudo que é vivo e vibra.


• Cao Guimarães e Rivane Neuenschwander (BR)


Quarta-feira de Cinzas, Cao Guimarães e Rivane Neuenschwander
Vídeo digital, 6', 2006

Após o carnaval, no ocaso melancólico de uma Quarta-feira de Cinzas, as formigas começam sua festa profana, multicolorida, ao ritmo de samba em caixa de fósforo.

O inquilino, Cao Guimarães e Rivane Neuenschwander
Vídeo digital HD, 10', 2010

O filme descreve a trajetória de uma bolha de sabão que examina as salas vazias de uma casa em reforma. Em suspensão permanente, sem nunca estourar, a bolha flutua de uma sala a outra, investigando cantos vazios e paredes destruídas. Todas as janelas estão fechadas, não há saída. A trilha sonora, composta pelo duo O Grivo, traz sons de casa vazia, presença humana e sintetizadores, imprimindo um aspecto psicológico à narrativa.


• Carlos Motta (COL)


Carlos Motta, Letter to My Father (Standing by the Fence)
Vídeo digital, 14', 2005
Inglês, legendas em português
Produção: EUA

Imagens quase genéricas, imprecisas, contrastam com palavras e informações concretas e específicas que nos trazem o suposto tema da obra: o 11 de setembro de 2001. O artista não se propõe tanto a refletir sobre o acontecimento no passado ou em um futuro possível, quanto a sublinhar, de forma emocional – como em uma carta ao pai – sua genealogia afetiva, seus efeitos, suas estatísticas e as experiências pessoais dos participantes diante do vazio que substitui as torres gêmeas do World Trade Center. A única referência clara e específica que se repete no decorrer do vídeo é a imagem de uma grade de contenção, que sublinha aquilo que carece de representação: o imigrante, o estrangeiro.



• Clément Cogitore (FR)


An Archipelago
Vídeo digital, PAL 16/9, 11', 2011
Sem falas, legendas em inglês
Produção: Groupe de recherches et d’essais cinématographiques – France Télévisions. Com o apoio da Villa La Brugère e do Palais de Tokyo.

22 de outubro de 2010: o submarino nuclear H.M.S Astute deixa a base naval de Edimburgo em uma missão de transferência da equipe de bordo. A missão virá a ser considerada um dos episódios mais desastrosos da história naval britânica. Constituído principalmente a partir de imagens da Internet e de agências de imprensa, e pontuadas por várias cartelas de texto, um arquipélago se aventura na encruzilhada do filme mudo, do cinema experimental e das narrações de Hollywood.


Les Indes Galantes
Vídeo digital HD, 6', 2017

Les Indes Galantes (As Indias Galantes), é um balé para ópera criado por Jean Philippe Rameau em 1735. Ele se inspirou nas danças tribais indianas da Louisiana realizadas pelos chefes Metchigaema em Paris, em 1723. Clément Cogitore adapta uma pequena parte do balé mobilizando um grupo de dançarinas Krump, uma forma de arte nascida no gueto preto de Los Angeles na década de 1990. Seu nascimento ocorreu após a morte de Rodney King e fora originado pelos tumultos e a repressão policial que desencadearam. No meio dessa atmosfera coerciva, jovens dançarinas começaram a encarnar as violentas tensões do corpo físico, social e político. Tanto a dança tribal realizada em Paris em 1723 como os bailarinos rebeldes de Krump da década de 1990 moldaram uma reconstituição do livreto original de Rameau, encenando jovens que dançavam na beira de um vulcão.


The Resonant Interval
Video digital HD, 24’, 2016
Inglês, legendas em português
Produção: Palais de Tokyo / Futur antérieur productions, com o apoio de SAM Art Projects, SCAM, CNC-Dicréam, DRAC Alsace.

O ponto de partida do vídeo de Cogitore é baseado em dois fenômenos não explicáveis mas que possuem origens físicas: a suposta percepção de sons emitidos pelas auroras do norte e a aparência de um misterioso objeto luminoso no Alasca. Em ambos os casos, as superstições e os sistemas de crenças Inuit e Saami contaminam a busca por explicações científicas. Através das imagens e das histórias produzidas por esses fenômenos, se define um conto "entre uma mitologia pessoal e coletiva, entre o protocolo científico e a celebração ritual, entre a ficção e o documentário".

As imagens do céu, refletidas no chão, se fundem com a dispersão, na penumbra, de uma voz poliglota e da música celestial composta por Francesco Filidei e Lorenzo Bianchi Hoesch, levando a uma perda dos marcadores espaciais e a uma perturbação dos sentidos.


Elegies
Video digital HDCAM, 6’, 2014 (legendado)

Centenas de pequenas telas luminosas flutuam sobre uma maré humana: o público de um concerto fotografa e filma a cena com telefones celulares.
Como as legendas de uma música ausente ou a voz interior de um narrador invisível, os versos das "Elegies of Duino" de R.M Rilke pontuam esse gigantesco impulso coletivo na atmosfera de uma liturgia digital.

• Gabriel Mascaro (BR)


As Aventuras de Paulo Brusky
Animação 3D, Formato: DVCAM, 20’, 2010

O artista Paulo Bruscky entra na plataforma de relacionamento virtual “Second Life” e conhece um ex-diretor de cinema, Gabriel Mascaro, que hoje vive, se diverte e trabalha fazendo filmes na rede virtual. Paulo encomenda a Gabriel um registro machinima em formato de documentário de suas aventuras no “Second Life”.

Paulo Bruscky foi um pioneiro na gravação eletrônica, projeção de diapositivos, fac-símile, filme super-8, vídeo, xerox, off-set e mimeógrafo. Possui importante acervo documental das vanguardas artísticas do pós-guerra, incluindo trabalhos originais do Grupo Fluxus e Gutai (Japão), tendo mantido correspondência regular com alguns de seus membros. No período de 1979 a 1982 realizou 30 videoartes. Em 1980, inventou os “xerofilmes”, que são filmes feitos a partir de imagens xerográficas, abrindo um novo campo para o desenho animado e o cinema experimental.


• Jonathas de Andrade (BR)


O Peixe
16mm convertido em vídeo digital HD, Som 5.1, 22', 2016
Versão para cinema

Uma vila de pescadores tem ritual de abraçar os peixes na hora de pescar / logo após a pesca. O gesto afetuoso que acompanha a passagem para a morte atesta uma relação entre espécies pautada na força, violência e dominação.


• Júlio Cavani (BR)

História Natural
Vídeo digital HD, 11’, 2014

A travessia de um personagem em uma floresta torna-se uma jornada através das tensas relações entre plantas, bichos e homens. A trilha sonora, realizada por Henrique Vaz e Marcelo Campello e inspirada por suas pesquisas nas bandas Bestiarum, Uiu, Pooru e Embuás, busca sugerir uma tensão crescente, um espiral alucinatório semelhante à tontura, a um processo de desmaio ou aos efeitos de substâncias (como o clorofórmio ou o éter) quando inaladas pelo corpo, em um resultado que reforça o crescimento do caos sugerido pela narrativa. Os sons que surgem quando o personagem encontra um misterioso objeto orgânico foram elaborados junto com o artista sonoro Guga Rocha com a intenção de sugerir que há uma vida pulsante naquela estranha forma. Para alcançar essa sugestão biológica, foram pesquisados sons de líquidos de diferentes consistências, combinados com a sonoridade de um djeridoo (instrumento musical feito com um grosso caule de bambu). O cineasta paraguaio Pablo Lamar fez a captação de som direto durante as filmagens, trabalho importante por causa do ambiente imersivo da floresta de mata atlântica onde o curta foi filmado.


• Luiz Roque (BR)


S
Vídeo digital HD, 5’, 2017

S é adaptação livre do texto “Rumo a uma redistribuição desobediente de gênero e anticolonial da violência!”, de Jota Mombaça. No filme, Roque trabalha a partir da comunicação não verbal - dança e movimentos coreografados - em uma linguagem corporal que mistura os estilos musicais break e vogue, ambos com raízes na cultura negra, relacionados a grupos sociais distanciados do mainstream, porém dissonantes entre si.


Ancestral
Vídeo digital HD, 5’, 2016

Raios e trovões anunciam a aurora de um mundo ancestral, ainda não humano ou, talvez, e mais certeiramente, pós humano, onde a natureza não é idílio nem projeção romântica de um sujeito deslocado, mas tudo o que existe antes e depois da vida, do homem, do antropoceno. Nesse ambiente, em uma cadência estranha, própria, desloca-se um majestoso tamanduá bandeira; esse bicho enigmático, cuja morfologia peculiar mobilizou inúmeras mitologias indígenas e fascinou o imaginário ocidental – praticamente extinto hoje, foi um dos animais mais capturados pelo colonizador espanhol para ser mostrado na Europa.

Projeção
Vídeo digital HD, 6’, 2011

O artista trabalha de forma explícita a noção de limite, limiar e ruptura das coisas. Por intermédio de uma paisagem idílica, entre o real e o fantasioso, o vídeo apresenta um movimento cíclico de quebra de uma peça de vidro quadrangular por um objeto esférico e, em seguida, de união de seus estilhaços em um só plano. Questionando os limites da representação, o vídeo oferece, através de uma gradação de intensidade, a ideia de um pleno retorno. Situando-se além do passado e do futuro, sugere um presente em suspensão.


• Marc Johnson (FR/BJ)


Ultraviolet
Vídeo digital HD (4K), som 5.1, 2018
Sem falas, legendas em português

"Uma noite, sonhei que eu era um escorpião. Um escorpião feliz consigo mesmo e que fazia o que quisesse, sem saber que eu era eu mesmo. Logo despertei e lá estava eu, inconfundivelmente real. Não sei se eu estava sozinho quando estava sonhando que eu era escorpião, ou se agora sou um escorpião, sonhando ser humano. No entanto, entre um humano e um escorpião deve haver alguma diferença, não acha? ".

Uma mulher chamada Kanchana e vários escorpiões exploram abordagens colaborativas de sobrevivência em um futuro pós-humano em que todos os seres vivos são considerados iguais. "Ultraviolet" nos convida a um encontro com outras formas de vida e experiências que envolvem o temas da sociabilidade inter-espécies, o Antropoceno, o Capitaloceno e as Fabulações especulativas. Inspirado por um poema chinês do século III a.c. - escrito por Zhuangzi - "The Butterfly's Dream", "Ultraviolet" traz uma narrativa alegórica onde a parábola e a fábula se desenvolvem em um mundo futurista e encantado.

• Mika Taanila (FI)


Optical Sound
Filme em 35mm convertido em vídeo digital HD, 6', 2005

Vivemos em uma realidade sobrecarregada de tecnologia. No filme, ferramentas de escritório obsoletas transformam-se em instrumentos musicais do futuro. O filme é baseado na Symphony # 2 for Dot Matrix Printers for [The User]. Usando imagens noturnas em stop motion, câmeras de vigilância em miniatura e fotocopiando a partitura diretamente em celuloide transparente, Optical Sound explora a estética sonora e visual do barulho das impressoras. A música foi feita usando apenas sons de impressoras matriciais; sem sampling, sem outras fontes sonoras e com um processamento eletrônico mínimo.


The World
Vídeo digital, 8’, 2017

O homem que caiu na Terra fora desalojado e segregado. Nas paisagens abandonadas, animais de estimação, móveis e veículos são abandonados a seu destino, espera do fim. “Tínhamos que ter morrido sozinhos, muito tempo atrás” (David Bowie). “The World é a minha segunda tentativa de desmantelar a narrativa cinematográfica trazendo um filme bem conhecido da história do cinema e excluindo o essencial. Os seres humanos são retirados de todas as cenas, a gravidade permanece. Outro ‘filme sem filme’ e meu tributo Bowie” (Mika Taanila).

• Naïmé Perrette (FR)


I Wanna Be Blind
Vídeo digital HD, 29’, 2016
Inglês, legendas em português

I Wanna Be Blind retrata um jovem pintor ativo como músico na cena do punk de Melbourne. Ele trabalha turnos noturnos como agente funerário, removendo cadáveres e entregando-os ao Mortuário Forense. O filme analisa a forma como os diferentes aspectos de sua vida se afetam, questionando o equilíbrio entre controle e vulnerabilidade. A presença constante da câmera em sua casa revela sua identidade, envolvendo-o na tensão entre uma atitude performativa e momentos auto-reflexivos. Suas observações sensíveis sobre os cadáveres despidos que ele manipula ecoam seus próprios sentimentos ao ser examinado pelo cineasta.


• The Otolith Group (GBR)


Otolith
Vídeo digital, 23’, 2003
Inglês, legendas em português

No ano de 2103, o planeta Terra não é mais habitável. Incapazes de lidar com a força da gravidade, os seres humanos passaram a viver numa estação internacional espacial. Não mais suportando o contato direto com o ambiente terrestre, têm nos arquivos fílmicos, fotográficos, escritos e digitais a única fonte de conhecimento sobre seu próprio passado. O personagem Usha Adebaran Sagar, descendente de Anjalika Sagar, membro do Otolith Group, explora o diário e o arquivo de sua antepassada. A documentação explorada revela, por sua vez, a pesquisa de Anjalika sobre sua própria avó, membro da Federação Nacional de Mulheres Indianas durante os anos de 1970. Estruturada como uma mise em abyme — expediente pelo qual enredos são concatenados no interior de outros —, a narrativa cria uma imagem de tempo circular na qual pontos distintos da história acabam por se sobrepor. Ainda que produza um efeito distópico, o procedimento também revela virtualidades históricas não efetivadas, dando espessura ao tempo. O vídeo recebeu uma continuação, Otolith II, de 2007, no qual Usha segue lendo o diário de Anjalika. É um dos primeiros trabalhos do grupo, que iniciava sua investigação do chamado afrofuturismo. Ao se utilizar dos artifícios da ficção científica, as obras do grupo não perdem de vista os processos históricos e os conflitos políticos neles engendrados. A visão pós-apocalíptica dissocia-se de uma leitura caricata, até então muito comum no cinema.


• Regina Parra (BR)

Capitão do Mato
Vídeo digital HD, 5', 2016

O vídeo “Capitão do Mato” tem o título tomado do pássaro que habita muitas das florestas da América Latina e que no passado ganhou tal alcunha por anunciar, com seu canto agudo, qualquer movimentação estranha na mata, delatando escravos fugitivos que nela se embrenhavam e se escondiam. Em paisagem tão exuberante quanto claustrofóbica, a artista faz confluir canto de pássaro e som saído da boca de homem, em rememoração encenada dessa improvável e mortífera aliança.

Sobre la marcha
Vídeo digital, 5', 2010-11
Cartelas em português

No vídeo "Sobre la marcha" (2010-2011), Regina Parra usa imagens de câmeras de vigilância localizadas perto de uma das fronteiras mais contestadas e protegidas do mundo (a que une e divide os territórios dos Estados Unidos e do México), onde nós veja filas de homens vagando por um lugar de desejo sem qualquer certeza de que haverá uma chegada.

Como as legendas desta cena borrada que ela exibe, a artista usa trechos de um texto de Maurice Blanchot sobre a alteridade e a condição de ser estrangeiro. [Texto de Moacir dos Anjos].


• Sebastian Díaz Morales (AR)

The Lost Object
Vídeo digital HD, 14’, 2016
Produzido com apoio do Mondriaan Fund, Sonsbeek16 e do Museum for Gegenwartskunst, Siegen.

A realidade ultrapassa a ficção. Em um set de cinema, os elementos e a linguagem da ficção estão sendo desarticulados. Isso se traduz em um ritual onde a câmera, as luzes do set e o conjunto dos objetos alcançam um lugar onde a ficção e a realidade se fundem em um único elemento. Onde a parafernália para articular a ficção desaparece, pois não há mais necessidade disso. A matriz que gera a ficção torna-se autônoma. Através do mesmo princípio, o da simulação, o universo pode ser controlado.


Insight
Vídeo digital, HD, 12' min, 2012
Produzido com apoio do Fonds voor Beeldende Kunsten, The Netherlands e Premio MAMBA / Fundación Telefónica.

Insight representa a abstração total. Uma equipe de filmagem cuidadosamente disposta aparece como um tableau vivant na frente do espectador. Então, de repente, essa imagem se desfaz - uma analogia entre romper a superfície e expor a simulação - e o espelho que a continha explode lentamente em mil pedaços. Filmado em alta definição, Insight é uma homenagem à câmera obscura mas reflete um espírito crítico direcionado aos meios de comunicação de massa contemporâneos. Diaz Morales empresta táticas da indústria midiática para expor e minar os fenômenos provocados por um mundo em que não existe mais distinção entre real e simulacro. Revelar em vez de ocultar seus métodos permite alcançar alguma epifania . À medida que os pedaços de vidro se desintegram em minúsculas galáxias, o contexto é desconstruído, retratando a tendência generalizadora da prática de Diaz Morales. Com uma graça atemporal, o artista contempla a natureza da existência. (Texto de Nathalie Levi)


• Tanya Busse (CA/NO)

Robo She
Vídeo digital HD, 10'05, 2015

ROBO SHE é um trabalho em vídeo que nos conduz através do funcionamento interno da planta de separação de materiais de Bjørnevatn da Noruega ártica, um espaço para a veneração de verbos de ação: rodar, moer, peneirar, misturar, penetrar. O equipamento tem uma semelhança inquietante com as partes do corpo: uma massa de bobinas e de cabos atados em um grande nó flutuam suspensos no meio de uma sala, lembrando um aparato cardíaco humano, enquanto os pulmões do separador de ferro inspiram e expiram. Outra tomada mostra uma máquina para lavar os materiais - uma roda escura e enorme domina o quadro, como um olho preto empoeirado. O desejo irônico de ver algo humano em tudo isso ressalta a desumanidade desses ambientes criados pelo homem, que, tendo movimentos e ritmos próprios, parecem ganhar autonomia.


• Tuomas Aleksander Laitinen (FI)


The Powder of Sympathy
Vídeo digital HD, 8 ', 2015
Inglês, legendas em português

O vídeo rastreia as características míticas e químicas do cobre. Começando por suas propriedades terapêuticas e, em seguida, passando a seu papel de condutor no desenvolvimento das sociedades modernas, dependentes da eletricidade. As imagens do filme, ocasionalmente interrompidas, se dissolvem entropicamente.


Dossier of Tentacular
Vídeo digital HD, 10’, 2018
Inglês, legendas em português

Dossier of Tentacular é um organismo nodoso e tragicômico que explora as técnicas de produção e disseminação da informação, além de mudanças ecológicas e questões relacionadas à linguagem neoliberal. A forma visual do trabalho é uma reminiscência de um caderno cujas páginas são preenchidas com imagens, diagramas e notas. Os textos exploram diferentes maneiras de usar o idioma: como uma palestra expositiva, ou através de expressões poéticas criadas por uma inteligência artificial, cujo material de origem são as obras coletadas de Samuel Beckett. Com base em palavras-chave desencadeadas por associações ao tema do vídeo, o algoritmo gera uma poesia absurda e laboriosa. Esses elementos se combinam de forma caótica no vídeo, criando camadas sobrepostas de meta-ficção.

• Yuri Firmeza (BR)

Nada é
Vídeo digital HD, 32', 2014

Em Aqui Nada É, tudo foi ou será.


Entretempos, Yuri Firmeza e Frederico Benevides (BR)
Vídeo digital HD, 7’, 2015

Um canto que evoca. Uma cidade que desmorona. Um prédio que se ergue. Um povo que embranquece. Uma família que convulsiona. Um silêncio que corta.

Posted by Patricia Canetti at 9:58 AM

fevereiro 20, 2018

III Encontro Internacional de Imagem Contemporânea, Fortaleza

Fortaleza reunirá, de 26 a 28 de fevereiro e 1º de março, pesquisadores do Brasil, França, Itália e Argentina no III Encontro Internacional de Imagem Contemporânea. Serão 18 conferências, performances, mostras de artes visuais e de cinema, numa programação intensa atravessada pelo tema “Imagem e Liberdade”, ocupando diferentes espaços da cidade, a nos dizer da urgência dos nossos tempos. São trabalhos que refletem sobre o estado e o estatuto das imagens contemporâneas, com especial atenção às novas formas e práticas do cinema e da fotografia com as tecnologias digitais.

O EIIC chega à terceira edição como um espaço privilegiado de reunião de pesquisadores fundamentais para o pensamento no campo expandido das imagens contemporâneas, em suas mais diversas vertentes estéticas, políticas e sociais. O Encontro se propõe, partindo de novas perspectivas de compreensão e produção de imagens e de diversas linhas de pensamento, a refletir sobre questões que visam diferentes apostas estéticas, éticas, de produções tecnológicas e políticas da imagem na contemporaneidade.

O crítico e historiador das artes e da cultura Mário Pedrosa, um dos pensadores latino-americano mais importantes do séc. XX, para quem o afeto vem antes que a razão, define a arte como o exercício experimental da liberdade. Pedrosa afirmou a vontade criadora da arte como aspiração à liberdade através da revolução das sensibilidades.

Ao exercício da liberdade da arte se contrapõe uma lógica que é insensível aos apelos do direito à vida. Ao desejo de liberdade que atravessa as artes que se dirigem ao mundo é contraposto uma série impositiva de enquadramentos que repercutem e ganham adesão entre os setores mais fragilizados da sociedade. Tomados pelo medo da liberdade, tema dos mais recorrentes na literatura e nos grandes escritos dos dois últimos séculos – Tolstoi, Kafka, Thomas Mann, Camus e, sobretudo, em Dostoievski – a produção artística é o alvo das sociedades em estado de fragilidade.

Pautados pelo desejo de inscrever sensibilidades em regimes que passem pelo crivo da vida (Nietzsche) é que propomos como eixo mobilizador do III Encontro Internacional de Imagem Contemporânea o tema da “Imagem e Liberdade”.

Que as imagens, o cinema, as obras artísticas sejam objetos e a um só tempo atravessados pelo ímpeto da liberdade, colocando-se em relação direta com a vida dos negros, das mulheres, dos indígenas, das sexualidades não-normatizadas, com as diversidades religiosas, com a formação de sensibilidades estéticas livres.

O III Encontro Internacional de Imagem Contemporânea homenageia o artista Francisco de Almeida. Toda a identidade visual do encontro, desenvolvida por Tobias Gaede, toma como referência a obra de Francisco.

Inscrições abertas: http://www.eiic.ufc.br/2018/inscricoes

PROGRAMAÇÃO

26 de fevereiro, segunda-feira

Abertura
18 às 20 horas
Performance “merci beaucoup, blanco!”, com Michelle Mattiuzzi

20 horas
Abertura da exposição individual do artista Francisco de Almeida

Local: Sem Título Arte (Rua João Carvalho, 66 – Aldeota)

27 de fevereiro, terça-feira

16h30min - 18h30min
Conferência I
A Bela e a Fera, ou uma ferida grande demais - André Parente
Liberdade dos instrumentos, liberdade das formas, liberdade do pensamento: o exemplo do artista experimental italiano Paolo Gioli – Philippe Dubois

Local: Cinema do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura – sala 2
(Rua Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema)

20h30min
Mostra Olho (Programas 1 e 2)
Local: Cineteatro São Luiz (rua Major Facundo, 500 – Praça do Ferreira)

28 de fevereiro, quarta-feira

9h - 11h
Conferência II
Diante do desejo de liberdade do outro: imagens de emancipação, experiência histórica e racialização da crítica - Amaranta César
Cinema, educação e processos subjetivos - Cezar Migliorin

11h -13h
Conferência III
Poéticas da Liberdade na Diáspora – o cinema de John Akomfrah - Angela Prysthon
Entre a vida e a morte: uma visita ao cinema de Apichatpong Weerasethakul - Henrique Codato

Local: Cinema do Dragão do Mar

14h30min às 16h30min
Conferência IV
As faces de Belting – Notas sobre a contribuição de Hans Belting sobre o estudo do rosto - Gabriela Reinaldo
Os golpes das imagens como arte de incitar a irritação pública - Márcio Seligmann
Vivemos em uma nova Idade Média? Por uma ecologia da imagem - Norval Baitello

16h30min às 18h30min
Conferência V
Gestos, repetições e esvaziamentos - Beatriz Furtado
Laboratório de Intervenção Social - Gabriela Golder
Nunca estive tão longe - Yuri Firmeza

Local: Cinema do Dragão do Mar

19h30min
Mostra Olho (Programas 3 e 4)
Local: Cineteatro São Luiz

1º de março, quinta-feira

9h - 11h
Conferência VI
Fotografia Brasileira Contemporânea - Antonio Fatorelli
Limites e passagens entre performance e fotografia - Eduardo de Jesus
Adeus ao gesto - Mauricio Lissovsky

14h30min às 16h30min
Conferência VII
“Filmar com”: perspectivas e mediação em Martírio e Ava Yvy Vera - André Brasil
Coabitação e hospitalidade na cena documentária - César Guimarães
Local: Porto Iracema das Artes (rua Dragão do Mar, 160)

19 horas
Conferência VIII
À conquista de uma autonomia visual: marcos históricos e iniciativas fílmicas contemporâneas - Nicole Brenez

Mostra Olho (Programa 5)
Local: Cineteatro São Luiz
22 horas

Encerramento
Mostra dos alunos da Vila das Artes + Festa
Vila das Artes (Rua 24 de Maio, 1221 – Centro)

* O resumo de todas as conferências, o perfil dos palestrantes e a programação artística podem ser acessados no site do encontro.

PROGRAMAÇÃO ARTÍSTICA

PERFORMANCE “MERCI BEAUCOUP, BLANCO!”, COM MICHELLE MATTIUZZI

A performance "merci beaucoup, blanco!" consiste na ação da artista Michelle Mattiuzzi pintar seu corpo preto com tinta branca. Ao nomear o processo com uma saudação, ela propõe uma reflexão direta sobre a linguagem formal como uma ferramenta racista. A expressão "merci beaucoup, blanc!" tem uma origem latina e, na França, é usada para designar gratidão. Além disso, ao criar uma inflexão na palavra "blanc" (que significa branco em francês) adicionando a letra "O", pretende aproximá-la da pronúncia portuguesa da palavra branco (branco). Esta pesquisa artística visa criar experiências estéticas que se movem dentro da ficcão da fotografia, do cinema e da ação ao vivo. E, ao mesmo tempo, afirma uma estratégia poética de elaboração das lutas políticas negras na vida cotidiana de comunidades racializadas. Michelle Mattiuzzi é ex-bancária, ex-recepcionista, ex-operadora de telemarketing, ex-auxiliar de serviços gerais, ex-cuidadora de crianças, ex-dançarina, ex-mulher, ex-atendente de corretora de seguros, ex-esposa, ex-aluna. Foi jubilada pela Universidade Federal da Bahia, por racismo institucional. Negra, escritora, performer, move-se com arte de modo indisciplinar.

MOSTRA OLHO

A monumentalidade do Cineteatro São Luiz recebe pela primeira vez a Mostra OLHO, que chega à terceira edição com uma proposta curatorial que desloca 16 obras de arte em vídeo para a sala de cinema, propondo uma experiência imersiva com trabalhos de artistas de vários países.

A Mostra OLHO integra a programação artística do III Encontro Internacional de Imagem Contemporânea. A curadoria é de Alessandra Bergamaschi (graduada em Comunicação pela Universitá di Bolonha e doutoranda em História da Arte pela PUC-Rio) e Vanina Saracino (MFA em Estética e Teoria da Arte Contemporânea na Universidade Autônoma de Barcelona, UAB e curadora do canal de arte IkonoTV, Berlim, Alemanha). O projeto de exibição explora as relações existentes entre a produção contemporânea de obras de arte em vídeo e o cinema. A questão que se coloca é como a arquitetura de um espaço imersivo pode contextualizar, influenciar e até mesmo redefinir a experiência do espectador com uma obra de arte, especialmente no que se refere a percepção de obras baseadas no tempo.

OLHO reúne, em sequências cuidadosamente pensadas, obras de arte em vídeo que repensam a linguagem do cinema para que sejam exibidas em suas telas e em outros contextos específicos. A mostra já percorreu espaços como a Cinemateca do MAM, RJ; Cinemateca Brasileira, SP; Teatrino de Palazzo Grassi, Veneza e Cine-104, Belo Horizonte.

Programa por sessão: http://www.eiic.ufc.br/2018/mostra-olho

EXPOSIÇÃO FRANCISCO DE ALMEIDA

O III Encontro Internacional de Imagem Contemporânea homenageia o artista Francisco de Almeida. Toda a identidade visual do encontro, desenvolvida por Tobias Gaede, toma como referência a obra de Francisco. O EIIC abre a programação com o lançamento da exposição Francisco de Almeida, no dia 26 de fevereiro, na Sem Título Arte.

Francisco é filho de pai ourives e mãe bordadeira e neto de avó rendeira, começou a desenhar cedo observando o pai. Mudou-se para Fortaleza aos 15 anos e estudou xilogravura com Sebastião de Paula. Posteriormente, frequentou cursos de pintura na UFC e Unifor. Participou de exposições em Fortaleza, Sobral, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Argentina e Espanha, com destaque para sua participação no Panorama da Arte Brasileira do MAM, em São Paulo (2005), na Bienal de Valência, em 2007, e na VII Bienal do Mercosul, em Porto Alegre (2009). Com a xilogravura, Francisco realiza várias experimentações, como aquelas orientadas para a produção de obras de grandes dimensões e para a elaboração de xilogravuras fragmentadas, permitindo a realização de inúmeras obras usando variações de uma mesma matriz.

Saiba mais: http://www.eiic.ufc.br/2018/francisco

Posted by Patricia Canetti at 10:30 AM

fevereiro 19, 2018

Laura Belém e Paula Alzugaray discutem questões de gênero na arte na FAAP, São Paulo

Diálogos sobre a arte contemporânea e a moda: Encontros na FAAP vão reunir a crítica de arte Paula Alzugaray, a artista plástica Laura Belém, o consultor Luiz de Maio e a empresária Mariana Ribeiro. A Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) inicia a programação de 2018 com dois encontros gratuitos e abertos ao público, que têm o objetivo de debater importantes temas das áreas de Artes Visuais e Moda.

21 e 22 de fevereiro de 2018, quarta e quinta-feira, 19h30

Fundação Armando Alvares Penteado - FAAP
Rua Alagoas 903, Higienópolis, São Paulo, SP
Informações: 11-3662-7449
Inscrições online

O primeiro evento tem como tema as "Questões de Gênero na Arte Contemporânea" e ocorrerá no dia 21/02 (quarta-feira). No dia seguinte (22/02), será a vez do encontro sobre "Comportamento do Consumidor e os Impactos no Varejo de Moda".

"É importante abrir um diálogo em torno de temas que envolvem o mundo contemporâneo com pessoas atuantes e representativas nesse universo", observa a coordenadora da pós-graduação em Artes Plásticas da FAAP, a professora Clemara Bidarra, destacando que os encontros pretendem promover uma ampla reflexão sobre gênero e pertencimento, bem como avaliar a drástica mudança no processo atual de consumo.

Questões contemporâneas

O primeiro encontro - "Questões de Gênero na Arte Contemporânea" - contará com a participação de dois grandes nomes na área de produção artística: a crítica de arte da revista Select, Paula Alzugaray, e a artista plástica, Laura Belém. A expectativa é que elas apresentem suas experiências e façam relatos sobre o lugar da mulher e do feminino na produção artística contemporânea brasileira, além de destacar como enfrentaram os rótulos que as envolveram no decorrer de suas trajetórias.

O segundo evento - "Comportamento do Consumidor e os Impactos no Varejo de Moda" - já tem a confirmação do consultor Luiz de Maio e da CEO da plataforma iLovee, Mariana Ribeiro. Eles debaterão a experiência de compra - que pode e deve continuar sendo emocional - e identificarão quais apelos, sugestões e motivos definem os atos de consumo na atualidade.

Os eventos destacam a importância dos temas que integram as grades curriculares da pós-graduação da Faculdade de Artes Plásticas da FAAP para 2018: Design de Interiores - Repertório Projetual; Design Gráfico - Conceito e Aplicação; Gestão Estratégica em Negócios e Varejo de Moda; História da Arte; e Práticas Artísticas Contemporâneas. Os cursos estão com as inscrições abertas e as aulas começam em março.

Sobre os palestrantes

Laura Belém
Mestre em Artes Plásticas pela Central Saint Martins College of Art, Londres, recebeu o ?CIFO Grants and Commissions Program" da Cisneros Fontanals Art Foundation (Miami, EUA) e foi selecionada para o Prêmio CNI SESI Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas. Recebeu ainda a Bolsa Pampulha, do Museu de Arte da Pampulha (Belo Horizonte), e participa de exposições no Brasil e no exterior. É especialista na investigação dos campos da instalação, da escultura contemporânea e do desenho.

Luiz De Maio
Com experiência de mais de 30 anos em varejo, atua como executivo de grandes empresas e em consultoria própria, onde atende mais de 50 clientes nos mais diferentes formatos e segmentos de mercado. Tem sólida experiência em desenvolvimento de coleções (estilo, planejamento e compras), revisão de processos, análise de resultados e monitoramento do mercado nacional e internacional.

Mariana Vilela Ribeiro
A especialista em Marketing, Mariana Ribeiro fundou a plataforma iLovee em 2012, aos 26 anos, após trabalhar com moda, branding e planejamento estratégico com Ana Lúcia Zambon, da Tastemakers. Hoje, o modelo de negócios é composto pelo site agregador de mais de 40 e-commerces e a agência multimídia focada em serviços para marcas e lojas voltadas para o público feminino.

Paula Alzugaray
É curadora independente, critica de arte, editora e jornalista especializada em artes visuais. É diretora de redação da revista cultural Select, editora da seção quinzenal de artes visuais da revista IstoÉ e autora do livro "Regina Vater: Quatro Ecologias". Entre seus projetos curatoriais recentes incluem-se as exposições "A invenção da Praia: Cassino" e "Circuitos Cruzados - Centre Pompidou Encontra o MAM".

Encontros abertos ao público - Faculdade de Artes Plásticas

Questões de Gênero na Arte Contemporânea
Data: 21/02/2018
Horário: 19h30
Inscrições: http://bit.ly/FAAP-PÓS-21FEV

Comportamento do Consumidor e os Impactos no Varejo de Moda
Data: 22/02/2018
Horário: 19h30
Inscrições: http://bit.ly/FAAP-PÓS-22FEV

Posted by Patricia Canetti at 8:43 AM

fevereiro 4, 2018

3º Ciclo de Palestras Ready Made in Brasil: projeção e palestra no Fiesp, São Paulo

O 3º Ciclo de Palestras Ready Made in Brasil: Entre Trópicos irá abordar a relação de Duchamp com a artista brasileira Maria Martins e a fronteira de seu trabalho com outras linguagens, como o cinema e a literatura. A programação contará com a exibição do filme Maria – Não Esqueça que Eu Venho dos Trópicos (2017), com direção de Francisco C. Martins, seguida de palestra proferida pelo professor e escritor argentino Raúl Antelo, autor do livro Marcel com Maria: Duchamp nos Trópicos, que abordará o período que Duchamp esteve na América do Sul. Nessa ocasião, também será lançado o catálogo da exposição.

7 de fevereiro de 2018, quarta-feira, das 15h30 às 18h30

Centro Cultural Fiesp - Teatro do SESI-SP
Av. Paulista 1313, São Paulo, SP
(em frente à estação Trianon-Masp do metrô)

PROGRAMAÇÃO

15h30
Exibição do documentário Maria - Não Esqueça que Eu Venho dos Trópicos

17h
Palestra com Raúl Antelo

18h30
Lançamento do catálogo da exposição (Livraria)

Curadoria do ciclo de palestras
Daniel Rangel e Martin Grossmann do Grupo de Pesquisa Fórum Permanente entre o público e o privado do IEA – USP.

Reserva de ingresso para entrada franca; ingressos remanescentes distribuídos no dia do evento a partir das 13h, no balcão da chapelaria. (465 lugares)

TRANSMISSÃO

O evento será transmitido AO VIVO pelo Fórum Permanente AQUI.

Além da transmissão o Fórum Permanente fará os relatos críticos das mesas de debates.

Posted by Patricia Canetti at 12:28 PM