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Como atiçar a brasa

 


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outubro 31, 2012

Marta Suplicy defende como prioridade no Congresso aprovação do Procultura por Eduardo Bresciani, O Estado de S. Paulo

Marta Suplicy defende como prioridade no Congresso aprovação do Procultura

Matéria de Eduardo Bresciani originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 31 de outubro de 2012.

Ministra também reclamou do orçamento baixo do Ministério da Cultura e pediu aos senadores a apresentação de emendas para reforçar o caixa da pasta

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, defendeu como prioridade no Congresso a aprovação do projeto que institui o Programa Nacional de Fomento à Cultura (Procultura), que irá substituir a Lei Rouanet aumentando os recursos de isenção fiscal para o financiamento de projetos na área. Para reforçar o lobby pelo projeto, a ministra defendeu na Comissão de Educação e Cultura do Senado a entrega da relatoria da proposta ao atual presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), por ter sido ele o responsável pela lei inicial, há mais de 20 anos, quando chefiava o Executivo.

O pedido por mais recursos não se restringiu à nova Lei Rouanet. Ela reclamou do orçamento baixo do ministério e pediu aos senadores a apresentação de emendas ao Orçamento para reforçar o caixa da pasta. Afirmou ainda que formou um grupo técnico para ajudar os municípios na elaboração de projetos para a liberação de recursos previstos.

Marta afirmou que a Lei Rouanet permitiu neste ano de 2012 a captação de R$ 1,6 bilhão. A intenção, segundo ela, é fazer com que no Procultura seja possível captar até 50% a mais aumentando a possibilidade de isenção fiscal para empresas que patrocinam atividades culturais de 4% para 6% do Imposto de Renda devido. Ela ressaltou o fato de a proposta ainda tramitar na Câmara, mas disse esperar a aprovação pelos deputados até o final deste ano. Na tentativa de aumentar o apoio foi que sugeriu a entrega da relatoria a Sarney, no Senado.

“Gostaria que os colegas propusessem em fevereiro que o atual presidente José Sarney seja o relator. Acho justo isso porque essa lei foi proposta quando ele era presidente da República. Pediria que os senadores pudessem conversar com ele. Seria uma homenagem a quem fez a lei”, disse a ministra.

Ainda no âmbito do Legislativo, a ministra pediu que seja abandonada a proposta em andamento no Congresso sobre a criação do Vale-Cultura por ter sido profundamente alterada no Congresso. Ela destacou ser o objetivo inicial permitir que as empresas pudessem oferecer, em troca de benefício fiscal, um vale de R$ 50,00 para os trabalhadores aplicarem em bens e serviços culturais. O projeto, porém, recebeu emendas incluindo aposentados e funcionários públicos entre os beneficiários, o que, segundo Marta, levaria a presidente Dilma Rousseff a ter de vetar a proposta. Ela pediu aos parlamentares a apresentação de um novo projeto retomando a proposta original.

Marta disse ainda estar em fase final de elaboração dentro do ministério o projeto que altera a legislação de direito autoral. Disse, porém, não querer se comprometer com data do envio da proposta ao Congresso. Em outro momento, ao falar sobre direito autoral, afirmou ser preciso uma legislação mais moderna para ampliar o acesso a obras culturais, sobretudo no mundo virtual. Destacou que a Biblioteca Nacional está digitalizando o acervo, mas está proibida de publicar as obras na internet.

“Temos esse grande desafio de como compensar autor na internet para que obra não seja explorada vilipendiada. Sou a favor do autor, mas percebo que estamos no século 21 e ele não tem volta. Ou a gente se adapta a internet ou não tem como ser”, afirmou.

Ela observou também serem a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 oportunidades para a promoção da cultura nacional para os turistas brasileiros e estrangeiros. Ressaltou a liberação de recursos pelo governo federal para a reforma de patrimônios históricos visando atender a este objetivo e disse que a pasta apresentará outras propostas para tentar aproveitar os eventos esportivos para ampliar a divulgação da cultura brasileira.

Posted by Cecília Bedê at 5:31 PM

Nove ex-gestores de museus de SP têm bens bloqueados por Mario Cesar Carvalho, Folha de S. Paulo

Nove ex-gestores de museus de SP têm bens bloqueados

Matéria de Mario Cesar Carvalho originalmente publicada no caderno Cotidiano do jornal Folha de S. Paulo em 31 de outubro de 2012.

A Justiça determinou o bloqueio de bens de nove antigos gestores do MIS (Museu da Imagem e do Som) e do MCB (Museu da Casa Brasileira). Eles são acusados de desvios de verbas públicas que somam R$ 2,16 milhões.

Foram atingidos pelo bloqueio de bens o ex-secretário de Cultura Ricardo Ohtake (1993-1994), o arquiteto Carlos Bratke, que dirigiu o Museu da Casa Brasileira, a curadora Adélia Borges e o crítico de cinema Amir Labaki, organizador da mostra de documentários É Tudo Verdade.

O pedido do bloqueio, conforme revelado ontem pelo jornal "O Estado de S. Paulo", foi feito pelo promotor Silvio Marques, o mesmo que investigou contas no exterior de Paulo Maluf (PP-SP). Na petição, a Promotoria acusa os museus de usarem caixa dois, notas frias e empresas fantasmas para o suposto desfalque.

O MIS teria sofrido desvio de R$ 1,04 milhão; o MCB, de R$ 1,12 milhão. Os envolvidos negam ter praticado irregularidades ou desvios. Labaki disse que nunca provocou prejuízos ao erário (leia ao lado).

A Promotoria afirma que os dois museus alugavam seus espaços para eventos privados, mas o recurso não ia para um fundo do Estado, como determina a lei. Revertia para o caixa da associação de amigos da entidade.

As associações de amigos foram usadas pelos museus entre 1991 e 2006 sem ter qualquer amparo legal, de acordo com a Promotoria. Na visão da Promotoria, as associações só se tornaram entidades legais quando foi aprovada a lei das OSs (organizações sociais), que estabelece regras para parcerias entre o Estado e entidades privadas.

Entre outros eventos privados, são citados um festival de filmes de surfe promovido pela Osklen no MIS e um encontro da Microsoft no Museu da Casa Brasileira.

Num e-mail de abril de 2004, reproduzido no pedido de bloqueio à Justiça, Adélia Borges, então diretora do MCB, escreve: "Veja com a Cecília que tipo de nota precisamos para providenciar isso. Se pode ser uma nota só ou precisa de duas notas".

A investigação do Ministério Público aponta que o Museu da Casa Brasileira obtinha as notas frias com um funcionário de uma gráfica, chamado Marcelo Muszkat. Ele ficava com 6% do valor da nota fiscal, de acordo com a apuração da Promotoria.

A investigação sobre as supostas irregularidades começou em 2006, a partir de informações de uma funcionária do MIS. Em 2008, a Justiça autorizou a quebra de sigilo bancário dos suspeitos.

A Promotoria fez auditorias nas contas dos museus e usou dados do Tribunal de Contas do Estado, a primeira instituição que apontou problemas nas parcerias dos museus com as associações.

O Tribunal de Contas concluiu que o MIS apresentou 136 notas fiscais frias entre 2004 e 2006. No mesmo período, o MCB é acusado de usar 99 notas inidôneas para justificar gastos.

Posted by Cecília Bedê at 2:34 PM

outubro 30, 2012

Espírito neoclassicista em vídeo por Mayara de Araújo, Diário do Nordeste

Espírito neoclassicista em vídeo

Matéria de Mayara de Araújo originalmente publicada no Caderno 3 do jornal Diário do Nordeste em 30 de outubro de 2012.

Centro Cultural Banco do Nordeste traz a Fortaleza a vídeoinsta- lação "O Legado da Coruja" de Chris Marker

Chris Marker - O Legado da Coruja, Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza, CE - 01/11/2012 a 01/12/2012

Entre seis décadas de audiovisual, "O Legado da Coruja", do cineasta francês Chris Marker, foi um dos seus mais instigantes e menos conhecidos trabalhos. Originalmente exibido nas televisões francesa e inglesa, em 1989, como uma série de 13 episódios, os vídeos, que totalizam 5 horas e 30 minutos, foram filmados em cinco cidades em um período de dois anos e contam com 49 convidados.

A obra do francês Chris Marker é marcada pelo diálogo do cinema com as artes visuais

A proposta do vídeo é discutir conceitos e questões surgidas na Grécia Antiga que persistem como elementos organizadores do pensamento corrente no mundo ocidental. A coruja, animal que simboliza a busca por conhecimento, aparece como guia nessa jornada. Os temas abordados na série são: Simpósio, Olimpíadas, Democracia, Nostalgia, História, Matemática, Logomarca, Música, Cosmogonia, Mitologia, Misoginia, Tragédia e Filosofia.

A apresentação de "O Legado da Coruja" dá seguimento ao projeto Política da Arte, promovido em parceria com a Fundação Joaquim Nabuco. Para o projeto, a arte não é só a difusão de imagens, ideias e textos, mas o desafio a consensos e a construção de relações políticas.

Cada episódio é conduzido pelas falas de reconhecidos pensadores e artistas, permeadas por imagens que Chris Marker filma ou seleciona das mais variadas fontes e edita de modo original.

Conjuntura

Ao contrário, no entanto, de uma apresentação linear das opiniões, o que se vê na produção é um campo de disputa de posições e de conceitos, onde há lugar para o contraditório.

Com curadoria do pesquisador Moacir dos Anjos, a apresentação da obra se justifica não apenas por seu ineditismo no Brasil, mas serve de subsídio para se pensar a situação econômica e política da Europa contemporânea. "Exibi-lo em um momento de grave crise financeira, social e política na Europa o reveste de interesse particular. E é justamente na articulação entre o trabalho do artista feito em 1989 e a situação corrente do mundo que ele buscava entender a partir do legado cultural grego que se ancora a presente exposição", explica Moacir em seu texto curatorial. E acrescenta, não sem perspicácia: "É irônico, senão paradoxal, que justamente o país cuja cultura mais contribuiu para a ideia de um mundo que se quer proteger do colapso esteja sendo culpabilizado pela crise que se abate sobre ele hoje. E que seja por meio da adoção de políticas que levam à redução do crescimento, ao desemprego e ao desmonte de políticas de amparo social que se busque preservar uma ideia de coesão econômica, social e política na Europa inteira".

Montagem

No Centro Cultural Banco do Nordeste, a exposição é dividida em duas partes. Na primeira, as mais de cinco horas de vídeo, dos 13 episódios, são exibidas em sequência. Na segunda, um ambiente de pesquisa e debate é criado para dispor ao público informações sobre o artista e a crise atual na Europa. O espaço é composto por jornais, revistas, livros e outros vídeos.

Além disso, profissionais de áreas diversas do conhecimento serão convidados a fazer parte desse ambiente refletindo sobre a obra. "A exposição possui, assim, duas camadas distintas que se articulam: o trabalho de Chris Marker e o contexto específico em que ele é aqui oferecido ao público. Sem pretender criar uma ligação imediata entre um e outro, o que a mostra quer é ativar a importância de (re)visitar ´O Legado da Coruja´ a partir do sentimento de urgência que a crise europeia desperta", completa dos Anjos.

Posted by Cecília Bedê at 11:34 AM

Bolsa artista prevê benefício mensal a criadores escolhidos por comissão por Plínio Fraga. O Globo

Bolsa artista prevê benefício mensal a criadores escolhidos por comissão

Materia de Plínio Fraga originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal O Globo em 30 de outubro de 2012.

Aprovado sem alarde pelo Senado em agosto, projeto polêmico será votado em novembro pela Câmara dos Deputados

RIO — Sem equacionar os problemas orçamentários de uma cultura em xeque, o Congresso Nacional está prestes a assinar um cheque em branco para o governo federal bancar criadores artísticos profissionais e amadores. Passada a eleição, entrará na pauta de votação da Câmara dos Deputados, em novembro, o programa Bolsa Artista.

Com valor de remuneração a ser regulamentado e previsão de desembolso mensal por até um ano, os beneficiados pelo Bolsa Artista serão escolhidos por uma comissão, sem composição clara, com integrantes indicados pela União e pela comunidade artística.

De acordo com o projeto, já aprovado no Senado, o programa Bolsa Artista é “destinado a proporcionar formação e aprimoramento de artistas amadores e profissionais” e “garantirá benefício financeiro conforme critérios e valores a serem fixados em regulamento”, no campo das “artes literárias, musicais, cênicas, visuais e audiovisuais, em suas variedades eruditas e populares”.

O senador Inácio Arruda (PC do B - CE), na proposição que originou o Bolsa Artista, lista como princípios do programa a “valorização da diversidade”, a “ênfase no pluralismo de ideias” e a “prioridade para o desenvolvimento das habilidades dos artistas, e não para projetos culturais específicos”.

O senador limita-se a dizer que “a seleção dos artistas a serem agraciados ficará a cargo de uma comissão cuja composição será definida em regulamento”, com a participação de representantes do governo federal e de “entidades vinculadas à comunidade artística nacional”. Os escolhidos podem ser amadores ou profissionais, bastando ter idade mínima de 14 anos e não serem beneficiários de qualquer outra iniciativa governamental de concessão de auxílio financeiro associado à formação cultural ou esportiva.

O Bolsa Artista foi aprovado pelo Senado, sem alarde, em agosto, e entrará agora na pauta de votação da Câmara. Nas duas casas, o projeto tramita em caráter terminativo. Ou seja, quando comissões técnicas, no caso a de Educação, Cultura e Esporte, com três dezenas de parlamentares, aprovam projetos sem necessidade de que sejam votados pela totalidade dos integrantes no plenário. Como o Bolsa Artista já passou no Senado, se aprovado na Câmara, vai à sanção da presidente Dilma Rousseff, que tem o poder de vetá-lo.

Classe dividida

O presidente da Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro, Eduardo Barata, esteve recentemente em reunião com a ministra Marta Suplicy, discutindo financiamento cultural, em especial o Procultura, projeto no Congresso para substituir a Lei Rouanet, que disciplina a concessão de incentivos fiscais para as artes. Barata apresentou a Marta, semana passada em Brasília, a posição do setor teatral, para o qual seria melhor corrigir distorções da Lei Rouanet, sem que ela fosse simplesmente substituída pelo projeto em discussão no Congresso. Ao ser informado do Bolsa Artista, da forma como foi aprovado pelos senadores, Barata foi crítico:

— Acho um descalabro. É uma maneira pouco republicana de ver as coisas. Ao deixar para regulamentar os detalhes depois, permite que se faça tudo.

A artista plástica Kátia de Marco, presidente da Associação Brasileira de Gestão Cultural, da Universidade Candido Mendes, vê um caráter “holístico” no programa:

— A produção cultural tem de ser integrada. Há a necessidade da formação da audiência e da formação do artista. É uma medida complementar à discussão dos incentivos para formação da audiência. Acho uma medida positiva, sim. Cabe ao governo desenhar políticas públicas nesses dois sentidos.

Às vésperas de sua demissão, a então ministra da Cultura, Ana de Hollanda, escreveu uma carta ao Ministério do Planejamento expondo as dificuldades orçamentárias de seu setor. Dizia que “as instituições culturais estavam em risco” por falta de recursos. A carta de Ana foi entregue em agosto e, no mês seguinte, a presidente Dilma Rousseff decidiu substituí-la pela senadora Marta Suplicy (PT-SP), em meio a uma ruidosa negociação para que se empenhasse na campanha do petista Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo.

Marta assumiu o ministério com a missão de usar seu bom relacionamento com líderes no Congresso Nacional para desemperrar projetos tidos como prioritários para o setor cultural. Entre eles estão a aprovação do Vale Cultura (benefício de R$ 50 para gastos culturais a ser pago a quem ganha até cinco salários mínimos) e a reforma da Lei Rouanet por meio do Procultura, com objetivo forçar patrocinadores a aumentar sua contrapartida à renúncia fiscal da qual se beneficiam.

Na semana passada, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT - RS), encontrou-se com Marta e prometeu colocar em votação o Vale Cultura neste ano, o que permitiria sua apreciação no Senado ano que vem. “Vai ser muito bom contar com o Vale Cultura na Copa. É o momento do Brasil, da Cultura e de a gente se expor”, disse Marta, após o encontro com Maia.

O problema hoje do Vale Cultura é seu custo de financiamento. O antropólogo Frederico Barbosa, coordenador da área de Políticas Culturais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), elaborou um estudo sobre o financiamento público da cultura, publicado no último Boletim de Políticas Sociais do órgão, vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

Barbosa diz não ter opinião formada sobre o Bolsa Artista, por desconhecer detalhes, mas acha a ideia “interessante”. No seu estudo, ele demonstra que os gastos globais no financiamento do setor cultural têm aumentado. Em 1995, o orçamento do Ministério da Cultura era responsável por 92% dos recursos da área. Em 2010, 53,5% dos recursos vinham de incentivos fiscais, demonstrando mudança de padrão da origem do dinheiro. Naquele ano, o orçamento do ministério atingiu 1,427 bilhão.

O problema é que apenas cerca de R$ 100 milhões, o equivalente a 8,9% do dinheiro que as empresas colocaram no setor cultural, eram recursos próprios delas; 91,1% vinham de incentivos fiscais, ou seja, gastos públicos indiretos, porque foram impostos que deixaram de ser arrecadados. Essa é a equação em discussão no Congresso no Procultura: qual a medida dos incentivos, como regulá-los e a quem beneficiar.

Dez projetos prioritários

No caso do Vale Cultura, o projeto original estabelecia que seria fornecido somente ao trabalhador que recebe até cinco salários mínimos. Uma emenda na Câmara incluiu aposentados, servidores públicos federais e estagiários entre os beneficiários, tornando o custo insustentável, na visão do governo. O ministério estabeleceu teto de R$ 2,5 bilhões nos gastos do Vale Cultura.

Nos cálculos do antropólogo Frederico Barbosa, esses recursos permitiriam o acesso ao benefício por 4 milhões de trabalhadores, mas seriam elegíveis ao sistema quase 18 milhões de empregados formais que estão na faixa de renda determinada pela lei. Outros 30 milhões de aposentados também teriam direito ao Vale Cultura, se mantida a lei como está, o que a tornaria inaplicável, pois o custo passaria de R$ 18 bilhões, só nessa categoria.

Em termos comparativos, o governo gastou, em 2011, R$ 17 bilhões com o Bolsa Família, beneficiando 13,4 milhões de famílias. Todos os gastos da chamada área social somam, por ano, R$ 640 bilhões. Como retirar aposentados, servidores e estagiários do projeto de lei em período eleitoral era tido como medida impopular, a votação foi postergada.

O Bolsa Artista foi uma iniciativa que cresceu no Congresso, após ser abraçada pela chamada Frente Parlamentar da Cultura. Está entre uma dezena de projetos que os parlamentares se comprometeram a votar, assim como o Vale Cultura e o Procultura. Da forma como foi aprovado, o projeto não tem nem sequer uma estimativa de custo. Diz apenas: “As despesas decorrentes decorrerão à conta dos recursos orçamentários da União.”

Posted by Cecília Bedê at 10:50 AM

Pinacoteca do Estado traça planos para os próximos anos por Camila Molina, O Estado de S. Paulo

Pinacoteca do Estado traça planos para os próximos anos

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 29 de outubro de 2012.

Instituição prepara dois espaços e investe em parcerias para criar cronograma com atividades previstas até 2016

Desde os anos 1970, os museus se tornaram populares e, com seu sucesso, são hoje parte da indústria cultural, como diz o diretor técnico da Pinacoteca do Estado, Ivo Mesquita. “É extremamente positiva essa popularidade que trouxe recursos para as instituições museológicas”, continua Mesquita, que em abril deste ano deixou o cargo de curador-chefe da Pinacoteca para dirigir o museu, considerado um dos principais do País. Com um orçamento de R$ 26 milhões previstos para 2012 e um cronograma de exposições e projetos em parceria com a Tate de Londres e MoMA de Nova York, entre outros, já definidos para até 2016, a instituição se prepara para aumentar ainda mais suas ações.

São muitos os desafios para o futuro da Pinacoteca do Estado, mesmo que seja um museu com estrutura estável, com programa de aquisições e que sempre “aparece bem na fotografia”, como brinca Ivo Mesquita. Mantendo três espaços - o prédio central na Praça da Luz e a Estação Pinacoteca no Largo General Osório, que também abriga o Memorial da Resistência de São Paulo -; a instituição está trabalhando na criação de uma filial em Botucatu, no interior do Estado paulista. Há três anos a prefeitura da cidade teve a iniciativa de fazer uma parceria com a Pinacoteca e criar um espaço museológico em um de seus prédios, criado pelo arquiteto Ramos de Azevedo (1851-1928). O local será reformado e vai abrigar exposições de longa duração com obras do acervo do museu de São Paulo. “A Pinacoteca viu com bons olhos a possibilidade de mostrar sua coleção lá”, afirma Mesquita.

A instituição, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura e administrada pela organização social Associação Pinacoteca Arte e Cultura (Apac), terá também como “prioridade para os próximos cinco anos” construir outro edifício, na cidade de São Paulo, para exibir apenas suas obras de arte contemporânea (desde 2007, foram adquiridos cerca de 2 mil trabalhos). É um projeto que vem se arrastando há tempos - o museu apresenta, como um todo, menos de 10% de sua coleção. “Ainda não está definido um lugar, mas sem dúvida não queremos sair desta região (da Luz), que tem potencial e espaço”, diz Ivo Mesquita. “Existe a história de que o novo prédio possa ser no espaço da escola (Prudente de Moraes), que pertence à Prefeitura, mas é necessário que ocorra a transferência dela para um outro edifício a ser reformado. É uma coisa complexa, a ser feita com a Secretaria de Educação da cidade, e você conhece o país em que vive, não é?”, continua.

Mudanças. A Pinacoteca vem reestruturando sua diretoria e corpo administrativo desde abril, quando Marcelo Araujo, que dirigia o museu desde 2002, deixou o cargo para se tornar secretário de Estado da Cultura. Optando por um modelo de continuidade, a Apac transformou Ivo Mesquita, de 61 anos, de curador-chefe da instituição (desde 2007) em seu diretor técnico; manteve Miguel Gutierrez, de 60 anos, como responsável pela área financeira, e nomeou, no dia 15, Paulo Vicelli, de 32 anos, que trabalhava no Itaú Cultural, para o cargo de diretor de relações institucionais e captação de patrocínio. “As coisas foram crescendo de tal forma na Pinacoteca que minha vinda vem para fortalecer as relações com os patrocinadores e comecem a ser perenes”, afirma Vicelli. Valéria Piccoli tornou-se curadora-chefe do museu.

A Pinacoteca realiza 33 exposições por ano, mas Mesquita quer desacelerar essa produção e incrementar parcerias com instituições estrangeiras “numa parte mais complexa”, a de “troca de técnicos”, como a que foi firmada com a Tate, há dois meses. “Eles estavam interessados no nosso setor educativo e nós na sua área de conservação”, lembra. “A Tate mesmo, supermuseu, faz 12 exposições anuais; o MoMA, 16 mostras; e a gente faz 33. É muita loucura, quero fazer pelo menos 20 por ano”, compara o diretor. “O William Kentridge (artista) veio ver o espaço onde será sua exposição e quando olhou o trabalho do Artur Lescher (no octógono), perguntou se a obra ficaria ali por um ano. Disse que não, que ficaria exposta por 92 dias”, conta Mesquita.

Em 2013, ainda não será possível diminuir o número de exposições e aumentar a duração das exibições, mas a Pinacoteca se prepara para fazer isso em 2014. “O desafio é sustentar todas essas estratégias, entre elas, ampliar o programa de patronos do museu. Para você ter ideia, soube que o MoMA tem 566 brasileiros como sócios. Desculpa, e na Pinacoteca?”, pergunta Mesquita.

Posted by Cecília Bedê at 9:18 AM

outubro 29, 2012

Pinacoteca prepara dois espaços e investe em parcerias, O Estado de S. Paulo

Pinacoteca prepara dois espaços e investe em parcerias

Matéria originalmente publicada no jornal O Estado de S. Paulo em 29 de outubro de 2012.

Desde os anos 1970, os museus se tornaram populares e, com seu sucesso, são hoje parte da indústria cultural, como diz o diretor técnico da Pinacoteca do Estado, Ivo Mesquita. "É extremamente positiva essa popularidade que trouxe recursos para as instituições museológicas", continua Mesquita, que em abril deste ano deixou o cargo de curador-chefe da Pinacoteca para dirigir o museu, considerado um dos principais do País. Com um orçamento de R$ 26 milhões previstos para 2012 e um cronograma de exposições e projetos em parceria com a Tate de Londres e MoMA de Nova York, entre outros, já definidos para até 2016, a instituição se prepara para aumentar ainda mais suas ações.

São muitos os desafios para o futuro da Pinacoteca do Estado, mesmo que seja um museu com estrutura estável, com programa de aquisições e que sempre "aparece bem na fotografia", como brinca Ivo Mesquita. Mantendo três espaços - o prédio central na Praça da Luz e a Estação Pinacoteca no Largo General Osório, que também abriga o Memorial da Resistência de São Paulo -; a instituição está trabalhando na criação de uma filial em Botucatu, no interior do Estado paulista. Há três anos a prefeitura da cidade teve a iniciativa de fazer uma parceria com a Pinacoteca e criar um espaço museológico em um de seus prédios, criado pelo arquiteto Ramos de Azevedo (1851-1928). O local será reformado e vai abrigar exposições de longa duração com obras do acervo do museu de São Paulo. "A Pinacoteca viu com bons olhos a possibilidade de mostrar sua coleção lá", afirma Mesquita.

A instituição, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura e administrada pela organização social Associação Pinacoteca Arte e Cultura (Apac), terá também como "prioridade para os próximos cinco anos" construir outro edifício, na cidade de São Paulo, para exibir apenas suas obras de arte contemporânea (desde 2007, foram adquiridos cerca de 2 mil trabalhos). É um projeto que vem se arrastando há tempos - o museu apresenta, como um todo, menos de 10% de sua coleção. "Ainda não está definido um lugar, mas sem dúvida não queremos sair desta região (da Luz), que tem potencial e espaço", diz Ivo Mesquita. "Existe a história de que o novo prédio possa ser no espaço da escola (Prudente de Moraes), que pertence à Prefeitura, mas é necessário que ocorra a transferência dela para um outro edifício a ser reformado. É uma coisa complexa, a ser feita com a Secretaria de Educação da cidade, e você conhece o país em que vive, não é?", continua.

A Pinacoteca vem reestruturando sua diretoria e corpo administrativo desde abril, quando Marcelo Araujo, que dirigia o museu desde 2002, deixou o cargo para se tornar secretário de Estado da Cultura. Optando por um modelo de continuidade, a Apac transformou Ivo Mesquita, de 61 anos, de curador-chefe da instituição (desde 2007) em seu diretor técnico; manteve Miguel Gutierrez, de 60 anos, como responsável pela área financeira, e nomeou, no dia 15, Paulo Vicelli, de 32 anos, que trabalhava no Itaú Cultural, para o cargo de diretor de relações institucionais e captação de patrocínio. "As coisas foram crescendo de tal forma na Pinacoteca que minha vinda vem para fortalecer as relações com os patrocinadores e comecem a ser perenes", afirma Vicelli. Valéria Piccoli tornou-se curadora-chefe do museu. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Posted by Cecília Bedê at 11:53 AM

Mudança turbulenta por Iracema Sales, Diário do Nordeste

Mudança turbulenta

Matéria de Iracema Sales originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal Diário do Nordeste em 29 de outubro de 2012.

Saída do CCBNB-Fortaleza do Edifício Raul Barbosa, no Centro, gera incertezas em artistas e frequentadores

Durante este mês, o processo de transferência do Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBNB (que vem se arrastando há pelo menos um ano e permanece indefinido), começou a tomar corpo. No último dia 4 de outubro, artistas participantes da exposição "Perambular, experimentar e correr perigo", em cartaz no térreo do Edifício Raul Barbosa, desde o dia 14 do último mês de setembro, foram chamados pela gerência do centro cultural para antecipar sua desmontagem.

O terceiro andar do prédio, que por muitos anos abrigou a biblioteca do equipamento, foi requisitado pela Justiça Federal do Ceará, que, desde 2001, ocupa a maioria dos 15 andares do prédio. Assim, o espaço de exposições foi desativado para dar lugar ao acervo.

"Nossa exposição ficaria até o dia 20 de outubro, mas acabou sendo desmontada na segunda semana. É uma interrupção no processo de construção não só da arte, mas da cidade", destaca Júlia Lopes, uma das participantes do curso de 10 meses do Programa de Pesquisa do Centro de Artes Visuais de Fortaleza, que resultou na exposição. A insatisfação levou o grupo a organizar um debate em torno da situação do CCBNB-Fortaleza, que acontece na terça-feira (leia matéria abaixo).

Ruptura

Para alguns artistas, a falta de informações sobre a mudança é uma demonstração de descaso. "O pior é não saber do andamento das coisas. A sensação é de que não querem resolver. Não falta dinheiro, mas prioridade", opina o músico Amaudson Ximenes, presidente da Associação Cearense de Rock, que organiza há seis anos, em parceria com o CCBNB, o Rock Cordel.

Para ele, não se deve perder a dimensão do centro cultural como uma conquista importante para os fortalezenses. "É mais um equipamento que se perde. Não um lugar qualquer. Vários programas foram conquistados com o apoio do CCBNB, o próprio Rock Cordel, que dá espaço para bandas veteranas e novatas, os festivais de Música Instrumental, o Ponto.CE, o Forcaos, a Feira da Música.", avalia.

"Pensando sobre os equipamentos e as políticas culturais de Fortaleza hoje, que são tão precárias, dá pra ver que a perda desse espaço é, sim, significativa, e gera insegurança em todos", concorda Júlia.

De fato, no diálogo com os artistas, fica latente esta dúvida: até que ponto a mudança da estrutura pode significar o fim do centro enquanto instituição apoiadora de projetos? De todo modo, a expectativa entre eles é de que o equipamento não apenas continue existindo, mas que permaneça no Centro de Fortaleza.

Local

Mário Nogueira, 70 anos, é um frequentador assíduo do centro cultural. Ele se diz bastante preocupado com os rumos do projeto. "Ali no CCBNB, sou um dos usuários mais recentes da biblioteca, porque tenho amigos, também aposentados, que a frequentam há cinco ou seis anos. O local é praticamente um refúgio para essas pessoas, já que nós sabemos que Fortaleza não dá muitas opções de entretenimento para quem tem mais idade. Se ele for para um local no Centro, é uma boa. Mas depois da Praça do Ferreira, já não dá mais. Ali depois das 18h e nas imediações do Museu do Ceará é muito perigoso, embaixo do Cine São Luiz já virou uma favela", opina o aposentado.

Amaudson reforça o ponto de vista de Mário: "Se fosse confirmada a ida do CCBNB para o entorno do Dragão, entendo que o espaço ia ficar mais forte, criaria um circuito, dialogando com o outro equipamento, mas acho que ele devia ficar no Centro da cidade mesmo. O CCBNB é a cultura do pessoal que trabalha no Centro, que estuda por ali. Na hora do almoço ou depois do trabalho, sempre tem um show, uma exposição, um espetáculo, ali ao lado. Essas pessoas não vão poder se deslocar se for longe". E acrescenta: "O Centro de Fortaleza já está ficando mais pobre de cultura".

Outro incômodo que o processo tem causado aos usuários é a forma brusca como a mudança tem ocorrido. Ainda que o contrato de compra assinado pela Justiça Federal e pelo banco tenha estabelecido uma mudança gradual da estrutura, artistas e usuários do espaço afirmam o contrário.

"Foi, de certa forma, do dia pra noite mesmo, porque nos comunicaram na quinta-feira e, de sexta para sábado, tivemos que desmontar a mostra", revela Júlia Lopes.

Mário Nogueira concorda. "Está sendo muito rápido e aquele espaço de exposição é muito precário para abrigar a biblioteca, que, aliás, já merecia um lugar melhor do que o que tinha no terceiro andar. Aquele acervo tem raridades que não existem nem na Biblioteca Nacional. Como é que pode transferir tudo aquilo em 10 ou 15 dias? E se perdem alguma coisa numa mudança dessas?", questiona.

Artistas debatem indefinição do centro cultural

Na próxima terça-feira, dia 30 de outubro, os integrantes do Programa de Pesquisa do Centro de Artes Visuais de Fortaleza, autores da exposição "Perambular, experimentar e correr perigo", convidam a classe artística para um debate sobre a situação do CCBNB-Fortaleza.

Mostra "Perambular, experimentar e correr perigo": desmontagem antecipada no CCBNB

Segundo o coordenador do Programa de Pesquisa, Enrico Rocha, o debate tem como tema central a relação das produções artísticas com as instituições. "Não queremos fazer esta conversa apenas para avaliar a desmontagem da nossa exposição. Pelo contrário: queremos estender o debate para a sociedade, para pensarmos sobre o lugar da arte na construção da cidade e onde e como ela tem sido difundida", explica o coordenador. Para ele, as instituições culturais e escolas de formação que assim se intitulam possuem uma responsabilidade muito maior com o produto cultural do que simplesmente ceder um espaço. "Não se trata apenas de espaço físico ou de recurso financeiro. É lógico que sem essas coisas não há produto artístico, mas o que se espera das instituições é muito mais do que o físico, é o comprometimento. Então, o que vamos debater é esse grau de compromisso", ressalta Enrico.

Convidados

Entre os convidados para a conversa estão Silvia Bessa, coordenadora da Vila das Artes; Jacqueline Medeiros, coordenadora de artes visuais e gerente interina do Centro Cultural Banco do Nordeste; o cineasta Alexandre Veras, do Alpendre; Beatriz Furtado, professora da Graduação em Cinema e Audiovisual da UFC e ex-titular da Secultfor; e o artista Moacir dos Anjos, ligado à Fundação Joaquim Nabuco.

Posted by Cecília Bedê at 11:39 AM

BNB garante continuar com centro cultural por Fábio Marques, Diário do Nordeste

BNB garante continuar com centro cultural

Matéria de Fábio Marques originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal Diário do Nordeste em 29 de outubro de 2012.

Após a venda de sua sede, o destino do equipamento continua incerto. Parte do prédio já foi desocupada

Exatamente um ano após a venda da parte do Edifício Raul Barbosa que (ainda) abriga o Centro Cultural Banco do Nordeste do Brasil (CCBNB) em Fortaleza, o destino do equipamento continua incerto. Adquirido por R$10 milhões pela Justiça Federal, os quatro andares pertencentes ao Centro Cultural já começaram a ser entregues, tendo sido desocupado no início do mês o terceiro andar, onde funcionava sua biblioteca.

O insucesso das negociações que até hoje foram divulgadas e a falta de informações mais concretas por parte da diretoria sobre novas soluções vem fomentando boatos e especulações, que chegam a apontar prédios que estariam sendo negociados, sugerir possíveis destinos e até mesmo cogitar o encerramento das atividades. A diretoria do banco respondeu perguntas do Diário do Nordeste, por e-mail, e foi taxativo em afirmar: "Não há possibilidade do Centro Cultural Banco do Nordeste deixar de funcionar. O Banco do Nordeste vai continuar apoiando a cultura, por entender que cultura também é um fator de desenvolvimento".

O prazo para desocupação total encerra-se em março de 2013. Cinco meses são, portanto, o prazo que o Centro Cultural tem para negociar, adquirir, preparar e mudar-se para a nova sede sem que suas atividades sejam interrompidas. O banco garante que as negociações estão em andamento, mas opta por não revelar detalhes nem dos possíveis locais, nem do valor estipulado para a compra da nova sede.

O presidente do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Paulo Linhares, defende a mudança do Centro Cultural BNB para o entorno da instituição, na Praia de Iracema. Para ele, uma ação que fortaleceria o potencial cultural e criativo da área.

Rumores

Entre os possíveis endereços cogitados, está o de um prédio situado no cruzamento das ruas São Paulo com Major Facundo, que já está sendo reformado. Segundo foi apurado, o prédio na realidade receberá apenas a agência do banco, que hoje funciona no quarto andar no Edifício Raul Barbosa. As obras no local não têm prazo de conclusão.

O andar onde hoje funciona a agência deveria ter sido entregue à Justiça Federal no início deste mês. Como o novo endereço não está pronto, para não descumprir o acordo, o banco cedeu à Justiça o terceiro andar, onde funcionava sua biblioteca, que foi transferida para o térreo.

Uma outra opção de mudança foi cogitada pelo presidente do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Paulo Linhares. O sociólogo defende que o entorno do Dragão do Mar dispõe de prédios aptos a receber o equipamento e destaca os ganhos para a área com uma possível instalação do CCBNB.

"Eu acho que essa região tende a se tornar um distrito criativo e a gente vai trabalhá-la neste sentido, com a criação da Escola Porto Iracema, a recém-inaugurada Caixa Cultural, o Sesc-Senac. A vinda do CCBNB, essa energia dos equipamentos juntos, criaria uma energia comum muito importante do ponto de vista urbanístico", argumenta. Segundo Linhares, a sugestão não foi passada oficialmente ao banco, mas já chegou a sondar um possível endereço, cujo prédio teria capacidade para abrigar o CCBNB. "Não vou revelar onde é, para evitar especulação imobiliária", despista.

Realidade

Por meio da assessoria de comunicação, o BNB confirma que não há nenhuma negociação em curso quanto a ocupação de prédio no entorno do Dragão do Mar. O banco se furta a comentar a possibilidade de, caso não apronte a nova sede até março, sua programação ser mantida em parceria com outros equipamentos. Sobre o assunto, responde apenas que "faz parte da tradição do Centro Cultural Banco do Nordeste realizar ou apoiar atividades fora de sua sede. Temos projetos desenvolvidos em diversos outros espaços culturais da cidade".

Sobre o recente episódio de desocupação do segundo andar, que levou a suspensão, por falta de espaço, da exposição "Perambular, Experimentar e Correr Perigo" - produzida pela primeira turma do Programa de Pesquisa do Centro de Artes Visuais de Fortaleza e que estava em cartaz no térreo, onde foi instalada a biblioteca - o banco afirma que, até o prazo final, em março, nenhuma outra área será desocupada. Apesar da indefinição de quando e onde, a assessoria garante que uma nova sede será adquirida e que todo o equipamento técnico disponível atualmente no Centro Cultural será utilizado no novo espaço. O planejamento orçamentário para 2013, também não ainda está definido.

"A agência deveria estar saindo ainda em outubro"

Antônio Carlos Marques
Diretor da Secretaria Administrativa da Justiça Federal do Ceará

Desde quando vinha sendo negociada a compra do prédio?

As tratativas iniciais foram realizadas entre 2005 e 2007, mas foi em meados de 2010 que foram retomadas as negociações. Em 2011, finalizou-se o processo de compra com assinatura de contrato entre as partes envolvidas, bem como um contrato de concessão de uso entre a União Federal - através da Justiça Federal - e o Banco do Nordeste.

No início do mês, o segundo pavimento já foi desocupado pelo Centro Cultural. Qual o calendário de mudança?

Até o presente momento, a JFCE já ocupou o subsolo, onde fez uma reforma, e a metade do 2º andar, onde fez algumas adaptações. Entre 6 e 7 de novembro, será iniciada a reforma.

A mudança está sendo cumprida de acordo com o planejado?

A agência bancária deveria estar saindo ainda em outubro de 2012, mas está sendo assinado um aditivo prorrogando a concessão até março de 2013, quando sairá do prédio, juntamente com o CCBNB-Fortaleza.

Posted by Cecília Bedê at 11:33 AM

outubro 26, 2012

CCBB abre a mostra 'Planos de Fuga' por Camila Molina, O Estado de S. Paulo

CCBB abre a mostra 'Planos de Fuga'

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no caderno de cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 26 de outubro de 2012.

Exposição utiliza o prédio do Centro Cultural Banco do Brasil como suporte para obras

O interior do edifício do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de São Paulo parece ser outro com as obras da exposição Planos de Fuga, que será inaugurada neste sábado, 27. O visitante que chegar ao subsolo da instituição, onde fica o cofre, vai surpreender-se com a intervenção da artista Sara Ramo, Geografia do Lastro ou A Riqueza dos Outros, que transformou o local em um labirinto. O público ainda encontrará a sala do terceiro andar toda clara e com suas janelas abertas, dando vista para as ruas do centro de São Paulo, o que é inesperado, na instalação de Rivane Neuenschwander.

"Quisemos abraçar o prédio, potencializar a experiência do espectador", diz Jochen Volz, convidado pela instituição paulistana, junto do curador Rodrigo Moura (ambos do Instituto Inhotim), a conceber uma mostra que teria o edifício do CCBB como próprio suporte de instalações de artistas.

O local é muitas vezes considerado problemático por sua área exígua e seu percurso entrecortado, mas a mostra Planos de Fuga coloca os espaços da bela edificação, projetada por Hippólito Gustavo Pujol Júnior, a serviço da criação de trabalhos inéditos e específicos para o local, por Cristiano Rennó, Gabriel Sierra, Marcius Galan, Carla Zaccagnini e Sara Ramo; para a instalações de Cildo Meireles, Rivane Neuenschwander e Renata Lucas; e para a presença de obras históricas de Claudia Andujar, Gordon Matta-Clark e Robert Kinmont, que tratam do "interesse" deles por paisagem, cidade e arquitetura. O fotógrafo Mauro Restiffe também integra o projeto com a realização de fotografias em preto e branco que documentam o processo da exposição e o entorno do CCBB e depois serão publicadas em livro.

Após uma exposição de caráter histórico, que atraiu milhares de visitantes para ver as pinturas impressionistas vindas do Museu D'Orsay de Paris, o Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo agora se lança a uma mostra extremamente contemporânea. O visitante tem de percorrer o prédio da instituição para descobrir as obras de Planos de Fuga - e por meio dessa experiência, ainda, o espectador terá de lidar com a própria memória do local. O título da exposição, como afirma Jochen Volz, tem como fundo poético o livro Plan de Evasión (1945), de Adolfo Bioy Casares, que coloca o embate entre espaço físico e espaço mental (imaginação) de prisioneiros confinados em uma ilha.

Um dos grandes destaques da exposição é a recriação da obra Ocasião, de Cildo Meireles, cujo projeto original é de 1974, mas a instalação foi apenas exibida, desde 2004, na Alemanha e na Inglaterra. Abrigado no quarto andar do CCBB, o trabalho coloca uma bacia cheia de dinheiro no centro de uma sala de espelhos. Também a Cortina, de Cristiano Rennó, é uma presença de impacto na mostra, colocando faixas de plástico em amarelo e vermelho (ou quase rosa) cobrindo o hall do CCBB - espaço emblemático do prédio. É uma obra sobre esconder e aparecer, que "fecha a experiência visual" do vão central do edifício para os visitantes que transitam os andares superiores do local.

Importante também destacar o site specific (obra criada especialmente para um lugar) do colombiano Gabriel Sierra, que transformou a sala expositiva nobre do segundo piso do CCBB em um espaço no qual dois cenários com portas e janelas vazadas possibilitam uma experiência imaginária, virtual.

Posted by Cecília Bedê at 12:20 PM

Curador sintetiza pontos centrais da arte brasileira por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo

Curador sintetiza pontos centrais da arte brasileira

Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 26 de outubro de 2012.

Livros e caixas são suportes usados e recriados por muitos artistas contemporâneos. Marcel Duchamp foi um dos primeiros a se utilizar dessa prática, com sua "Caixa-valise" (1938-1942), na qual apresentava miniaturas de 61 obras suas.

"Aberto Fechado: Caixa e Livro na Arte Brasileira", com curadoria de Guy Brett, apresenta um amplo panorama sobre esse tema a partir de uma ótica local. Brett, crítico e curador inglês, há cinco décadas envolvido com a produção brasileira, selecionou 90 obras de 23 artistas.

É preciso reconhecer: trata-se de uma das melhores exposições sobre arte brasileira. Por meio de uma questão original, Brett sintetiza alguns dos pontos centrais da produção nacional com obras absolutamente precisas.

"Ninhos" (1969), de Hélio Oiticica, é um bom exemplo. Penetrável criado para a galeria Whitechapel, em Londres, é composta por seis caixas recheadas de materiais distintos, que permitem a interação com o espectador. Assim, ao contrário das caixas de artistas europeus ou americanos até então produzidas, confirma-se que, no Brasil, o rompimento da relação formal com o objeto artístico através da participação do espectador é um eixo central.

Nesse caso estão ainda obras icônicas como "O Ovo" (1968), cubo de papel que pode ser rompido pelo visitante, ou "Caixa Brasil" (1968), estojo que contém mechas de cabelo de índios, europeus e africanos, ambos de Lygia Pape.

Nesse último trabalho, com os cabelos dispostos de acordo com sua ocupação no país, a começar pelos índios, percebe-se um novo viés. Obras como "Caixa Brasil" dizem respeito à política de uma forma global, no caso o significado da cultura brasileira. Esse viés também é percebido com "Livro de Carne"(1978-1979), registros de um livro feito de carne, por Artur Barrio, num momento em que havia tortura em prisões brasileiras.

Assim, a mostra desdobra-se em múltiplas dimensões, da político à formal, como a influência construtiva nas obras de Raymundo Collares, caso de "Gibi de Bolso"(1971).

Outro mérito é que os textos que acompanham as obras não são divagações generalistas, como tem ocorrido com frequência, mas explicações dos próprios artistas sobre seus trabalhos.

A exposição ainda é acompanhada por um catálogo exemplar, com ensaios de fôlego, imagens de todos os trabalhos expostos e depoimentos dos artistas. Contudo, acima de tudo, "Aberto Fechado" é uma reunião de excelentes trabalhos.

Posted by Cecília Bedê at 11:31 AM | Comentários (1)

Pinacoteca traz obras em forma de caixa por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Pinacoteca traz obras em forma de caixa

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 26 de outubro de 2012.

Exposição organizada por Guy Brett, nome que lançou brasileiros no exterior, tem clássicos dos anos 50 até hoje

Mostra reúne trabalhos de Lygia Pape, Hélio Oiticica, Cildo Meireles, Jac Leirner, Antônio Dias e Sérgio

Caixas encerram universos inteiros, céus e nuvens mais ou menos abstratos. Em alguns casos, guardam resquícios das contradições de um país. Em outros, viram microcosmos cheios de cor.

Uma mostra agora em cartaz na Pinacoteca do Estado volta aos anos 50 e recolhe até os dias de hoje obras que abrem e fecham, trabalhos em forma de caixa, que vão desde abstrações geométricas a comentários críticos sobre o contexto político da época em que foram criadas.

No alto de uma sala, estão caixas brancas que Lygia Pape equipara a nuvens no céu, objetos ortogonais que imprimem lógica matemática à visão de devaneio.

Waltercio Caldas reproduz constelações e galáxias em branco no interior de uma caixa preta, como se tentasse fazer caber entre as faces de um cubo toda a percepção, uma possível alusão à tentativa de enquadrar na alvura das galerias de arte a potência do pensamento estético.

Nos caixotes e vasilhames de Hélio Oiticica, pigmento cru e paredes coloridas se articulam na expressão de um estado de cor em potencial, a tensão de uma obra que parece se conservar em estado perpétuo de gênese, uma espécie de embrião de formas.

Quem articula todas as peças nesse armazém de caixas é o crítico britânico Guy Brett, responsável pela exposição e um dos maiores nomes por trás do reconhecimento da arte brasileira no exterior.

Brett trabalhou com Sérgio Camargo, Lygia Clark, Cildo Meireles, Lygia Pape, Waltercio Caldas e Oiticica, ajudando a posicionar esses artistas no plano global antes que virassem as grifes que são hoje.

"Todos esses trabalhos têm uma relação", afirma Brett em entrevista à Folha. "Mas há um paradoxo. Enquanto muitos desses artistas tentavam levar arte às ruas, eles se isolam nessas peças introspectivas, calmas, criando uma biblioteca de formas."

Nessa biblioteca, para além das caixas, há livros de desenhos de Mira Schendel, em que a artista cria quase uma animação página a página, ou mesmo exercícios geométricos de Lygia Pape e Ferreira Gullar, desdobrando o pensamento da poesia concreta que surgia nos anos 50.

Mais adiante, com a eclosão do regime militar, o "clima muda", como diz Brett, ao analisar obras críticas de Artur Barrio e Antônio Dias.

Enquanto Barrio alude às mortes do período num livro com páginas feitas de carne, Dias ataca o fim do voto democrático na ditadura com sua série de urnas lacradas, caixas que guardam objetos secretos e nunca podem ser abertas.

Em performances ao longo da carreira, Dias chegou a abrir algumas dessas urnas, mas a que está agora na Pinacoteca permanece lacrada desde 1975 e assim deve ficar.

CABELOS E LÂMINAS

No ano crítico de 1968, em que foi baixado o Ato Institucional nº 5, recrudescendo a repressão, Lygia Pape fez uma das obras mais contundentes da mostra, uma caixa com três tipos de cabelo, alusão à miscigenação que está na origem do povo brasileiro.

Materiais nocivos perdem o perigo em obras de Jac Leirner e Cildo Meireles. Enquanto ela transforma maços de cigarro em esculturas que chama de pulmões, ele anula o potencial de corte de facas ao fechar várias delas juntas numa caixa, lâmina colada em lâmina, inofensivas.

Posted by Cecília Bedê at 11:25 AM

outubro 25, 2012

Recife recebe exposição com 19 artistas da nova arte contemporânea nacional, Diario de Pernambuco

Recife recebe exposição com 19 artistas da nova arte contemporânea nacional

Matéria originalmente publicada no jornal Diario de Pernambuco em 24 de outubro de 2012.

Obras estão em cartaz no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (Mamam), na Rua da Aurora

Parte do projeto Convite à viagem: Rumos Artes Visuais 2011/2013, a exposição Intuição et Cetera toma espaço no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam) até o dia 9 de dezembro. A mostra apresentada em Recife é um recorte do conjunto selecionado pelo edital do Itaú Cultural, que foi inteiramente exibido em São Paulo.

De um total de 100 trabalhos de 45 artistas de todo o país, Pernambuco recebe 31 obras, de 19 contemplados. A curadoria, aqui, foi feita por Paulo Miyada, Matias Monteiro e Vânia Leal, que se basearam em referências pessoais para selecionar as peças escolhidas, prezando por elementos intuitivos, o que justifica o título do recorte. Os visitantes poderão distinguir pelo menos três grupos de trabalhos. A primeira parte foca em desenhos, enquanto a segunda é mais analítica, onde se destaca a série Retratos, do paraense Berna Reale, que busca trazer um entendimento pessoal. A terceira abordagem, por sua vez, explora o espaço e a paisagem como temas.

O programa Rumos Artes Visuais é uma iniciativa nacional e tem curadoria-geral de Agnaldo Farias, com a proposta de diagnosticar e fomentar a criação visual no Brasil. Somente este ano, o programa teve 1.770 inscritos e, entre os 100 selecionados, apenas um é de Pernambuco (Cristiano Lenhardt, que na verdade é gaúcho, mas vive e trabalha aqui). O Mamam fica à Rua da Aurora, 265. A entrada é gratuita. Horário de funcionamento: terça a sexta das 12h às 18h,
sábado e domingo das 13h às 17h. Informações: (81) 3355-6871.

Confira a lista de artistas que participam da mostra:
Allan de Lana (DF)
Berna Reale (PA)
Cristiano Lenhardt (PE)
Dalton Paula (GO)
Guilherme Teixeira (SP)
Jimson Vilela (RJ)
Luciana Paiva (DF)
Luiz Roque (SP)
Luiza Baldan (RJ)
Maria Laet (RJ)
Marilia Furman (SP)
Michel Zózimo (RS)
Naia (AM)
PirarucuDuo (SP)
Rafael Pagatini (RS)
Thiago Honório (SP)
Ueliton Santana (AC)
Vinicius Guimarães (ES)
Virgilio Neto (DF)

Posted by Cecília Bedê at 1:31 PM

Artistas usam intuição para criar obras em exposição no Recife, G1

Artistas usam intuição para criar obras em exposição no Recife

Matéria originalmente publicada no site G1 em 24 de outubro de 2012.

Rumos Artes Visuais: Intuição et Cetera, MAMAM, Recife, PE - 25/10/2012 a 09/12/2012

O Museu de Arte Aloísio Magalhães (Mamam), no Recife, recebe a exposição "Intuição et cetera", que reúne 31 obras de 19 artistas selecionados em todo o Brasil pelo programa Rumos Artes Visuais, do Instituto Itaú Cultural. A mostra segue para visitação até o dia 9 de dezembro, com entrada franca.

A exposição é um recorte da mostra "Convite à Viagem", exibida em São Paulo. No Recife, a curadoria coube a Paulo Miyada, Matias Monteiro e Vânia Leal, que usaram referências pessoais para escolher as obras diante de tamanha indefinição entre os limites da arte contemporânea. Foi assim que surgiu o tema "intuição", aquilo que vem antes do pensamento racional para se chegar a uma conclusão.

Com esta linha curatorial, foram selecionados artistas que usaram elementos intuitivos em suas criações, gerando obras que precisam ser decifradas. Algumas focam-se no desenho, onde o artista utiliza a intuição para iniciar o projeto, com um detalhamento feito na ponta do lápis, como ocorre em "Cerração", "Neblina" e "Névoa Subindo a Serra", do gaúcho Rafael Pagatini.

Há também os desenhos feitos em grafite, aquarela, guache e lápis de cor do brasiliense Virgílio Neto e as pinturas em caneta hidrográfica de Vinicius Guimarães, do Espírito Santo. A impressão em pigmento sobre papel algodão da série "Polaroids", da carioca Maria Laet, complementa essa área.

Outras obras expressam o controle e a premeditação - analíticas, elas mantêm o mistério e têm a intenção de despertar algo no público. Essa é a proposta de "A Morte", "O Mito", "O Homem e A Mulher", da série "Retratos", da paraense Berna Reale.

"Imagem", do artista paulista Thiago Honório, é formada por um cubo espelhado até a altura do pescoço e uma cabeça de roca do século 18, na parte de cima - o visitante vê seu próprio corpo, mas uma cabeça diferente, provocando distintas reações. A instalação "Resistência", de Marília Furman, também de São Paulo, é composta por um holofote e uma chapa de vidro: dispostos de maneira que provocam uma tensão - que pode acabar passando para o espectador -, dão a impressão de que o vidro pode se partir a qualquer momento.

Na terceira abordagem, os focos são o espaço e a paisagem, com destaque para a projeção de vídeo do paulista Guilherme Teixeira, "Parede Suprematista". As videoinstalações "Projeção 0 e 1", do paulista Luís Roque, e "Petricor", da carioca Luiza Baldan, também se encaixam no contexto.

Algumas criações passeiam por mais de uma área, como as fotografias "Corpo em Segredo P" e "Corpo em Segredo B", do goiano Dalton Paula. Elas abordam o controle e o mistério e, ao mesmo tempo, ocupam um lugar no espaço. Assim como a instalação "Passagem Secreta", de Luciana Paiva, do Distrito Federal, que fica entre o desenho e o ambiente. É feita de páginas de livros atravessadas por uma fita invisível, desenhando um caminho e impondo a ocupação do espaço.

Serviço
Exposição "Intuição et Cetera"
De quinta-feira (25) até 9 de dezembro
De terça a sexta, das 12h às 18h, e sábados e domingos, das 13h às 17h
Museu de Arte Aloísio Magalhães (Mamam) - Rua da Aurora, 265, Boa Vista

Posted by Cecília Bedê at 12:39 PM

Eduardo Kac é destaque em mostra no Museu Reina Sofia por Mariel Zasso, Select

Eduardo Kac é destaque em mostra no Museu Reina Sofia

Matéria de Mariel Zasso originalmente publicada na seção Da hora da revista Select em 16 de outubro de 2012.

Eduardo Kac é destaque em mostra no Museu Reina Sofia

A exposição Perder a Forma Humana fica em cartaz até março de 2013

De 25 de outubro até março de 2013, a Rede Conceitualismos do Sul apresenta a mostra Perder a Forma Humana no Museu Reina Sofia em Madrid.

O brasileiro Eduardo Kac, artista pioneiro em interações e cruzamentos da arte com ciências – sejam elas robóticas, digitais, biotecnológicas - e um dos dinamizadores da cena underground brasileira nos anos 1980, exibe dentro da mostra sua série radical de fotoperformances Pornograms, criada entre 1981 e 1982.

Sob ditadura militar, Kac liderou o Movimento de Arte Pornô e fez apresentações públicas semanalmente nas ruas do Rio de Janeiro. Vestindo sua icônica minissaia rosa, o Bufão do Escracho – personagem de Kac na Gang, braço performático do movimento – poetava com o corpo e a cidade, executando performances que eram experiências físicas de suas poesias pornográficas, textos escritos para serem gritados, literalmente incorporados.

Os registros desses espetáculos que marcaram o Rio de Janeiro serão exibidos pela primeira vez em um museu – não só as publicações originais e fotografias, mas também um vídeo raro do memorável evento vivido pela Gang de Kac na praia de Ipanema.

Com a exposição Perder a Forma Humana, o grupo de pesquisa Conceitualismos do Sul - atuante desde 2007 no Museo Reina Sofia - reativa práticas artísticas e políticas que ocorreram durante a década de 1980 em diferentes contextos internacionais. A imagem do título da mostra remete à transformação física do humano, imposta ou voluntária, como processo com um epicentro de coordenadas geográficas e cronológicas bem determinadas: a América Latina durante a década de oitenta.

Aqui, a perda da forma humana diz respeito tanto à violência física exercida pelas ditaduras militares, estados de sítio e guerrilhas revolucionárias quanto às experiências de liberdade fruto da subversão ou insubordinação a essas imposições. O corpo é objeto de mutação, de questionamentos, é suporte e elemento que encarna as circunstâncias históricas mas também é capaz de transformá-las. A exposição mostra como simultaneamente, táticas de subversão e ativismo artísticos apareceram em diferentes países que sofriam com os sufocamentos provocados pelos regimes ditatoriais.

Além da exposição, o grupo organiza um seminário nos dias 26 e 27 de outubro, com entrada gratuita (para quem estiver em Madrid!), e transmissão ao vivo pela internet.

Confira abaixo a programação completa do seminário (horário de Brasília):

Dia 26/10

13h - Apresentação do Projeto - Jesús Carrillo e Jaime Vindel (Red Conceptualismos del Sur)

13:30h - Fazer política com nada. Materialidade marginal e ativismo artístico - Guillermo Giampietro, Eduardo Kac, Marta Cocco e Mauricio Guerrero. Mediação de Fernanda Nogueira e Ana Longoni

15:30h - Corpos desobedientes. A irrupção de sexualidades rebeldes - Pedro Lemebel e Francisco Casas (Yeguas del Apocalipsis), Sergio Zevallos e Maris Bustamante. Mediação de Fernanda Carvajal e Fernando Davis

Dia 27/10

06:30h - Cenas under. A festa e a ocupação urbana como nova política - Alfredo Márquez, Sarah Minter, Ral Veroni, Gonzalo Rabanal (Los Ángeles Negros). Mediação de Miguel López e Daniela Lucena

12:30h - O que nos dizem hoje os anos oitenta? - Rachel Weiss, Suely Rolnik, Ana Alvarado e Roberto Amigo. Mediadores: Sol Henaro e André Mesquita

Saiba mais:
Perder la forma humana. Una imagen sísmica de los años ochenta en América Latina

De 25 de outubro de 2012 a 11 de março de 2013

Museo Reina Sofia - Madrid
Curadoria: Red Conceptualismos del Sur

Posted by Cecília Bedê at 11:09 AM

Novo capítulo da história por Paula Alzugaray, Istoé

Novo capítulo da história

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na seção de Artes Visuais da Istoé em 19 de outubro de 2012.

Exposição tira do esquecimento a arte construtivista inglesa, colocando-a em paralelo com a arte concreta e neoconcreta brasileira

Concretos paralelos/Cultura Inglesa – Centro Brasileiro Britânico, SP/ até 2/12/ Dan Galeria, SP/ até 4/12

Faz parte da história da arte brasileira. Desde que o escultor suíço Max Bill ganhou o prêmio na primeira edição da Bienal de São Paulo, em 1951, com sua escultura “Unidade Tripartida”, o concretismo ganhou definitivamente terreno entre os artistas brasileiros. Conhecíamos a nossa filiação para a objetividade do design e da arquitetura alemã, e para o concretismo suíço. O que não suspeitávamos era nosso parentesco com os ingleses. A exposição “Concretos Paralelos”, organizada em parceria entre a Cultura Inglesa e a Dan Galeria, em São Paulo, vem oportunamente contar esse capítulo esquecido da história. As duas exposições colocam lado a lado a produção de 19 artistas brasileiros e 14 britânicos, realizada entre 1955 e 1975, apresentando correspondências insuspeitas e surpreendentes.

As grandes inspirações para esses 20 anos em que o mundo foi concreto foram a Escola Superior da Forma, de Ulm, na Alemanha, e a escola Bauhaus que, mesmo dissolvida pelo nazismo, em 1933, teve seus artistas, alunos e diretrizes espalhados por toda a Europa e boa parte da América Latina, especialmente Brasil e Argentina. A Bienal de São Paulo nasceu no início dos anos 1950 sob signo da abstração geométrica fomentada pela Bauhaus. Foi determinante para contribuir com sua institucionalização e divulgação, influenciando artistas como Waldemar Cordeiro, Luiz Sacilotto, Lygia Pape e Milton Dacosta, que ganhou o prêmio nacional de pintura na terceira Bienal. Os ingleses também participavam desse circuito e muitos vieram para as bienais, como Graham Sutherland, que ganhou o prêmio de aquisição em 1955. Na bienal seguinte, o britânico Ben Nicholson esteve entre os premiados brasileiros Lygia Clark e Abraham Palatnik. E assim sucedeu até os anos 1970, com brasileiros e ingleses dividindo os pódios das bienais de São Paulo.

orém, os artistas concretos britânicos nunca alcançaram a representatividade local e internacional que os brasileiros tiveram e foram relegados a um segundo plano. Hoje, seu papel está sendo revisto e a exposição em São Paulo marca esse movimento de resgate de um período que ficou obscurecido na história da arte britânica. A mostra chamou a atenção de Nicholas Serota, diretor do Tate de Londres, que esteve em São Paulo na ocasião da abertura da 30ª Bienal, em setembro. A publicação que será editada também ajudará a marcar esse momento decisivo em que a arte brasileira serve de farol para iluminar o resto do mundo.

Posted by Cecília Bedê at 10:53 AM

Renascimento gráfico por Nina Gazire, Istoé

Renascimento gráfico

Matéria de NIna Gazire originalmente publicada na seção de Artes Visuais da Istoé em 19 de outubro de 2012.

No século XV, as luzes da razão se acenderam por toda a Europa e o continente vislumbrou o florescimento de uma nova arte como há muito não se via

LUZES DO NORTE/Desenhos e Gravuras do Renascimento Alemão/Museu de Arte de São Paulo (MASP), SP/ até 13/1/2013

No século XV, as luzes da razão se acenderam por toda a Europa e o continente vislumbrou o florescimento de uma nova arte como há muito não se via. O Renascimento, nome dado a esse período de resgate dos valores clássicos, foi um fenômeno que teve desdobramentos em diferentes países europeus, por meio das mais variadas formas de manifestações artísticas. Enquanto na Itália e nos países flamengos a pintura se tornou o carro-chefe, na Alemanha a especialidade foi a gravura. Segundo inúmeros especialistas em história da arte, o gravador Albrecht Dürer, que realizou diversas viagens à Itália para estudar a arte dos mestres florentinos, transformou sua cidade natal, Nuremberg, em um centro de referência artística, assim como Leonardo da Vinci fez com Florença. Além disso, como Da Vinci, Dürer compartilhava a qualidade de polímata: sabia um pouco de tudo. Era arquiteto e matemático nas horas vagas e aperfeiçoou a técnica da gravura em metal, criando um gênero que ganhou inúmeros seguidores.

A mostra “Luzes do Norte” reúne no Masp 61 gravuras que fazem uma genealogia desse período prolífico da arte teutônica, partindo de alguns mestres que precederam Dürer em um século até a produção maneirista que o seguiu durante o século XVI. As gravuras vieram diretamente do acervo do Museu do Louvre e pertenceram ao barão Edmond Rothschild, um dos maiores colecionadores de arte gráfica na Europa. Entre os destaques, está o “O Rinoceronte” (foto), xilogravura de 1515, a primeira de uma série dedicada aos animais, realizada por Dürer ao longo de sua vida.

Além das 61 obras, estão expostas duas telas do acervo do Masp que também pertencem ao período do Renascimento alemão – o retrato a óleo “O Poeta Henry Howard”, de 1542, de Hans Holbein, o Jovem, e “Retrato de Jovem Aristocrata”, de 1539, de Lucas Cranach, o Antigo. Ambos os artistas, apesar de usarem a técnica a óleo, dão continuidade à tradição do retrato, iniciada por Albrecht Dürer no início do século XVI.

Posted by Cecília Bedê at 10:49 AM

outubro 23, 2012

Abraham Palatnik ganha mostra panorâmica em São Paulo por Camila Molina, O Estado de S. Paulo

Abraham Palatnik ganha mostra panorâmica em São Paulo

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 23 de outubro de 2012.

Abraham Palatnik, Galeria Nara Roesler, São Paulo, SP - 19/10/2012 a 24/11/2012

Abraham Palatnik, de 84 anos, diz que sua memória já está ficando mais rala, mas ele lembra a importância que o curso de mecânica de motores que realizou em Tel- Aviv, nos anos 1940, teve na formação desse artista considerado um pioneiro da arte tecnológica no Brasil. Palatnik sempre teve destreza única para máquinas, característica primordial para um revolucionário inventor de obras em diálogo com o pensamento pictórico.

"Lá (em Tel-Aviv), me deixaram em uma bancada, ao ar livre, onde tinha que desmontar e limpar carburadores e outras peças. Meus colegas se embaralhavam, era uma catástrofe, mas eu fazia aquilo com tanta velocidade, que um oficial percebeu e me chamou para almoçar com os oficiais ", rememora o artista. "Sei que foi muito bom eu ter ido para essa ocupação, porque comecei a desenvolver e ver que eu tinha uma habilidade potencial para fazer coisas com precisão."

Não apenas o crítico Mário Pedrosa identificou desde muito cedo, nos anos 1950, que as obras de Palatnik tinham uma vertente revolucionária. A mostra que a Galeria Nara Roesler acaba de inaugurar com suas criações e invenções é, agora, uma oportunidade de se ter uma panorâmica de toda a trajetória do artista. Com curadoria de Frederico Morais, a exposição também apresenta obras inéditas de Palatnik, criadas em 2012. Mais "quieto", como o próprio artista se define, ele se dedica em seu ateliê-casa, no Rio, à realização de pinturas feitas pela projeção de ondas de cores em composição com ripas de madeira enfileiradas e pintadas.

Filho de judeus, Palatnik nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, mas sua formação foi realizada em Israel, que naquela época era considerada Palestina. Seu pai, que trouxe a família da Ucrânia, foi um homem emprendedor no Nordeste e Palatnik lembra com muito afeto de sua história.

O artista mesmo sempre foi inventor único e já na 1.ª Bienal de São Paulo, em 1951, exibiu Azul e Roxo em Primeiro Movimento, obra de uma das séries mais emblemáticas de sua carreira, a dos Aparelhos Cinecromáticos, máquinas criadas com centenas de metros de fios elétricos, lâmpadas e cilindros que fazem as cores se movimentar de uma maneira leve à nossa frente. Frederico Morais afirma que mesmo que as pessoas não entendessem aquela invenção, eram tomados por seu caráter "sedutor".

A mostra na Galeria Nara Roesler exibe um Aparelho Cinecromático - até 1983, como escreve o crítico e curador da exposição, Palatnik criou 33 dessas máquinas, expostas em sete edições da Bienal de São Paulo e nas Bienais de Veneza e de Córdoba. O artista até mesmo conta uma história engraçada sobre seu invento: certa vez, no Rio, vizinhos chamaram a polícia porque Palatnik ficava enfurnado numa garagem criando sabe-se lá o quê. O artista criou um Aparelho Cinecromático tão gigantesco, que foi necessário destruir as paredes do local para que a obra pudesse sair. Palatnik ri, mas sempre conta passagens de sua carreira com naturalidade. "Em algum texto, Mário Pedrosa escreveu: 'Os artistas revolucionários de nossos dias serão inventores, ou não o serão, mas inventores como os arcaicos, que, locados da ingenuidade das crianças, criam, destruindo seus brinquedos, e nutridos de pura imaginação, de si mesmos se esquecem, à eterna procura da pedra filosofal, nos equívocos alambiques onde ciência e magia hoje se confundem", afirma Frederico Morais.

É verdade que, hoje, as pinturas ou relevos progressivos, que Palatnik cria com ripas de madeira ou papel cartonado, têm sido uma recorrência maior nas exposições do artista e expressam uma questão fundamental para Palatnik, a da ordenação. "Minha função como artista é disciplinar o caos em nível da informação. As informações no universo estão geralmente ocultas, disfarçadas em meio à desordem. É necessário um mecanismo de percepção e da intuição para que estas se manifestem", afirmou o artista, em 1981, em entrevista a Morais.

Entretanto, seus Objetos Cinéticos, feitos com fórmica, ímãs e motores que giram pequenas peças coloridas, são tão emblemáticos de sua arte que não poderiam faltar em uma mostra panorâmica. Eles também, estão na galeria, dialogam com as criações pictóricas bidimensionais.

Posted by Cecília Bedê at 12:03 PM

Poder público não consegue perceber grandeza do Masp por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo

Poder público não consegue perceber grandeza do Masp

Materia de Fabio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 23 de outubro de 2012.

CURADOR DIZ QUE MUSEU ESTÁ ABANDONADO PELO EXECUTIVO FEDERAL; GOVERNO DO ESTADO ESTUDA AGORA PARCERIA COM A INSTITUIÇÃO

O Museu de Arte de São Paulo (Masp) está abandonado pelos poderes públicos, especialmente o federal, afirma Teixeira Coelho, curador da instituição. "Não há no poder público uma disposição para perceber a grandeza do Masp", diz ele.

Com o mais importante acervo do hemisfério sul, o museu saiu da crise institucional, que culminou com o corte de eletricidade, em 2006, mas não tem fôlego para implementar exposições de artistas brasileiros contemporâneos que considera fundamentais.

Com a bilheteria e o apoio de R$ 1,2 milhão do governo municipal, o Masp obtém verba para se manter apenas por quatro dos 12 meses do ano -seu orçamento é de R$ 12 milhões. Os outros oito meses do ano dependem de doações e patrocínios.

Isso, para Coelho, representa a falta de política dos governos para instituições culturais.

Ele crítica também que, a dois anos da Copa, o governo federal não tenha dado início a um projeto cultural, nos moldes do que Londres organizou durante a Olimpíada.

"O Masp continua blindado. Como seu acervo é tombado, nós pedimos assento em seu conselho, junto com os governos estadual e municipal, mas eles não respondem. É preciso abrir sua administração e não ficar apenas pedindo dinheiro", disse à Folha José do Nascimento Júnior, diretor do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), vinculado ao Ministério da Cultura.

Quanto à Copa, Nascimento Júnior diz que o governo elaborou um projeto de R$ 250 milhões, mas está buscando verba.

"A ministra Marta Suplicy encontrou-se com o ministro do Esporte [Aldo Rebelo] nessa semana para tratar disso."

Em suas críticas aos governos, Teixeira Coelho poupa Marcelo Araujo, o secretário de Cultura do Estado de São Paulo: "Tenho boas expectativas sobre sua gestão. Ele é uma pessoa da área, que sabe o que é necessário".

Araujo concorda que o Estado precisa dar apoio ao Masp. "Estamos realizando um processo de aproximação com o Masp para compor parcerias", afirma o secretário.

Para Coelho, parte das dificuldades enfrentadas pelo museu tem a ver com o preconceito em relação ao centralismo da gestão Júlio Neves (1994-2008), que extinguiu a figura do curador.

"Existe uma coisa chamada hábito cultural, que faz com que não se mude o modo de pensar uma coisa", diz.

Leia abaixo trechos da entrevista que o curador concedeu à Folha.

Folha - Estamos a dois anos de um megaevento na cidade, que é a Copa do Mundo. Em Londres, por conta da Olimpíada, a Tate inaugurou uma nova ala. O Masp pretende fazer algo?

Teixeira Coelho - Um dos primeiros eventos da Olimpíada de Londres de que tive conhecimento foi um concerto de música clássica que eu ouvi pelo rádio, meses antes de ela começar.
E foi um evento anunciado como parte da Olimpíada. Os ingleses cuidaram disso.
As pessoas vêm para as cidades ver dois ou três jogos de futebol, mas fazem também turismo. E buscam cultura.

Quais são os planos do governo brasileiro para a Copa?

Estamos a dois anos e nada foi programado.
Sozinho, o Masp não pode fazer mais do que já faz.

O Masp não foi procurado?

Nada. E eu não sou de ficar aqui sentado esperando. Quando busquei o governo para discutir caminhos de cooperação, me disseram: "Na semana que vem, agora não posso, agora vou viajar...". Se existe um Ministério da Cultura, são eles que deveriam nos procurar.

Então não existe uma política federal para as instituições culturais?

Não. Claro que se você falar com o Ibram, eles vão dizer que possuem uma política e o Masp precisa aderir ao sistema nacional de museus. Mas, se você trocar em miúdos, nós nunca fomos capazes de ver nada de concreto.

Mas e os editais que eles promovem?

São editais de valores baixos, que pouco representam para o Masp. Eu aprendi que é preciso tratar desigualmente os desiguais.
Isso não é tão antidemocrático como parece, pois significa tratar com mais intensidade os desprotegidos e com menos intensidade os mais favorecidos.
Isso significa também que determinadas instituições, por sua importância, precisam ser tratadas de forma adequada. Não se trata o Masp como um pequeno museu de memória do interior.

O atual governo tem priorizado o apoio a projetos do Norte e Nordeste. Você concorda com essa política?

Essa é uma questão importante de política cultural. Se você vai na rua Florêncio de Abreu, em São Paulo, lá existe ferragem. Na rua da Consolação, produtos de iluminação. O que quero dizer com isso?
Existe em cultura algo que diz respeito à concentração. Na universidade isso é chamado massa crítica.
Concentrando, você pode irradiar. No Brasil, antes de haver concentração, chega um monte de apressadinhos que querem descentralizar.
Isso foi um efeito perverso da Lei Rouanet. Desconcentrou, pulverizou, e as instituições foram rebaixadas a um nível de tábula rasa. Algumas privadas se fortaleceram, mas as públicas não.
Não foi só o Masp quem sofreu. O MAC também. O pensamento tem sido "o Masp que se vire sozinho, ele é elitista, tem boas obras". Mas ele não se vira sozinho. O Louvre ainda recebe 30% de verbas do Estado, se não me engano.

Quanto o Masp consegue de bilheteria?

É um grande tema. Da bilheteria, 66% não pagam nada: idosos e crianças. Em qualquer lugar avançado do mundo, idoso às vezes tem redução de 10%.
Assim, 33% dos que entram no Masp pagam alguma coisa, e o preço do ingresso está congelado há seis anos. Então, é quase nada.

O que isso representa de fato?

Com 800 mil visitantes por ano, a bilheteria paga cerca de dois meses de manutenção do museu.
Assim, a Prefeitura de São Paulo, que repassa por ano, por conta de um decreto, cerca de R$ 1,2 milhão, paga um mês e meio, dois meses de manutenção do museu.
E os quase oito meses, já que o orçamento do Masp está em R$ 12 milhões? Quem paga essa soma? A verba vem de doações e patrocínios.

Com as questões do passado recente do museu, como a centralização do ex-presidente Júlio Neves, você acha que o Masp sofre preconceito?

Sim. Existe uma coisa chamada hábito cultural, que faz com que não se mude o modo de pensar uma coisa.
Certas coisas grudam e vão ficar. Se todo mundo tivesse mente aberta, seria possível mudar de opinião a respeito das coisas. Eu sabia de tudo isso quando entrei no Masp.
Por que aceitei?
Ou você fica na arquibancada xingando o juiz, e eu cansei de xingar, ou pega a camisa e vai jogar.
Eu escrevi em vários lugares, inclusive na Folha, que o problema do Masp era que ele não tinha curador.
Possivelmente por isso fui convidado. E o que eu podia responder? Seria muito acadêmico não aceitar, eu não sou acadêmico a esse ponto.

Mas, se a elite intelectual ainda descrê do Masp, a população o torna ainda um dos museus mais visitados. É meio esquizofrênico, não?

Parafraseando um político famoso, o público do museu quer ver arte e não está interessando em questões que interessam a outros.

NA INTERNET
Leia a íntegra da entrevista com Teixeira Coelho
folha.com/no1173114

Posted by Cecília Bedê at 11:18 AM

outubro 22, 2012

Mostra de Cinema exibe 'Hélio Oiticica' por Camila Molina, O Estado de S. Paulo

Mostra de Cinema exibe 'Hélio Oiticica'

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 22 de outubro de 2012.

Premiado documentário sobre o artista carioca, realizado por seu sobrinho, recupera imagens históricas e inéditas

A velocidade frenética das imagens de Hélio Oiticica, dirigido por César Oiticica Filho, é proposital. Premiado no último Festival do Rio como melhor documentário, o filme, que integra agora a programação da 36.ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, apresenta vida e obra intensa do artista. "Hélio viveu pouco tempo, promoveu várias revoluções em 30 anos de trajetória", diz o diretor. Hélio Oiticica (1937-1980) é retratado, assim, como em "delírio" - ou em "Delirium Ambulatorium", para usar uma expressão que o próprio artista cunhou.

O criador referencial do neoconcretismo brasileiro é retratado no documentário por meio de sua voz, com destaque para seus depoimentos registrados em cerca de 12 filmes super-8 que Hélio mesmo realizou. Grande parte desse material é inédito, resgatado do acervo particular do artista, em posse de sua família. Como conta César Oiticica Filho, de 44 anos, seu tio já fazia "quase cinema" com seus super-8 e fotografias - o mais conhecido é Agrippina É Roma-Manhattan, de 1972, sem dizer as projeções da série Cosmococa, criadas com o cineasta Neville D'Almeida.

Mas é importante ressaltar que mais do que usar os super-8 de Hélio, o documentário recupera filmes importantes dos anos 1960-70 - como Mangue Bangue, de Neville D'Almeida, Câncer, de Glauber Rocha, o achado "sobrenatural" de Mitos Vadios, e Uma Vez Flamengo, que tem a participação de Hélio; traz imagens de arquivos - de Carlos Vergara, Jards Macalé e Jean Manzon, por exemplo -, apresentando o criador brasileiro e sua época por meio de uma cuidadosa e premiada pesquisa realizada pelo carioca Antônio Venâncio. O filme também utiliza imagens aceleradas feitas pelo diretor, fotógrafo e sobrinho do artista retratado; e coloca uma trilha sonora que tem como auge a gravação especial da música You Don't Know Me, de Caetano Veloso, por Jards Macalé.

Curador da obra de Hélio Oiticica e artista da "quarta geração" em sua família - geração artística que tem também como destaques o poeta e anarquista José Oiticica e o fotógrafo José Oiticica Filho -, César Oiticica Filho, prefere dizer que o filme que realizou é mais uma obra experimental do que um documentário sobre criador dos parangolés e das instalações penetráveis que visava a "uma vivência total do espectador" em sua obra. "Queria apresentá-lo no Brasil de uma maneira íntima, por meio de um discurso próximo. Ele fala da desintelectualização de sua obra", afirma o diretor do filme. Como vemos no documentário, Hélio Oiticica queria que "tudo fosse reduzido ao mais banal" - e no trajeto de sua "desmistificação", há passagens, até polêmicas, que se referem à relação natural do artista com as drogas e o sexo. "Toda cultura brasileira é underground", diz Hélio em um depoimento espontâneo captado em super-8.

O conhecido curta-metragem H.O. (1979), de Ivan Cardoso, é fonte recorrente do novo documentário sobre Oiticica, mas o filme quer com sua edição frenética - feita com o montador Vinicius Nascimento - e pela própria criação de César Oiticica Filho "colocar o espectador no olho do artista" e transformar "a câmera" em "ator", diz o diretor. "Hélio é sol, é o fogo de Hendricks, que ele sempre cita, é explosivo", completa César. "O documentário tem uma lógica cronológica", afirma o diretor, mas é de certa forma fragmentado, concebido por blocos - infância e rua; neoconcretismo; samba; Londres; Nova York (com sexo e drogas e Cosmococa); a volta ao Rio; mitificação e desmistificação; e final. Até o incêndio ocorrido em 2009 na casa de César Oiticica (pai do diretor do documentário), no Rio, residência que abrigava obras do artista plástico, é mencionado de uma maneira "positiva", como define o documentarista, ou discreta, poder-se-ia dizer - imagens deterioradas são colocadas no filme, entre elas, o registro de um homem que usa um parangolé no metrô de Nova York. Por enquanto, o premiado documentário não tem um distribuidor comercial, mas César Oiticica Filho está bem otimista quanto à participação de sua obra no próximo Festival de Cinema de Berlim.

HÉLIO OITICICA
Cinesesc – Nesta segunda-feira, 22, às 14 h
Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca – Dia 29, às 13 h

Posted by Cecília Bedê at 5:20 PM

outubro 19, 2012

ArtReview anuncia os mais poderosos da arte contemporânea, Jornal Público

ArtReview anuncia os mais poderosos da arte contemporânea

Matéria originalmente publicada no caderdo Cultura do jornal Público em 18 de outubro de 2012.

Carolyn Christov-Bakargiev está no topo da lista dos mais influentes da arte contemporânea, divulgada pela revista britânica, nesta quinta-feira.

Carolyn Christov-Bakargiev é a primeira curadora (pessoa que administra os bens de outra) a ser eleita a pessoa mais poderosa da arte contemporânea. Foi escolhida, sobretudo, pela exposição Documenta 13, que organizou no verão passado em Kassel, na Alemanha. A exposição reuniu novos trabalhos de vários artistas, como Tacita Dean e Ryan Gander, mas também relíquias como os budas Bamiyan ou tapeçarias antinazis dos anos 30. Documenta 13 foi considerada por alguns críticos como a exposição mais importante do séc. XXI até à data.

Em segundo lugar, na lista da ArtReview aparece Larry Gagosian, negociador de arte americano. O detentor de doze galerias, espalhadas por todo o mundo, foi escolhido, segundo a organização, pela sua forte participação e destaque no ArtRio.

Ai Wei Wei, artista plástico que tem sido polémico pelas suas declarações acerca do governo chinês e, mais recentemente, acerca do Prémio Nobel da Literatura, ocupa o 3º lugar dos mais poderosos da arte contemporânea. O editor da ArtReview, Mark Rappolt, justificou ao The Guardian que Ai Wei Wei merecia o prémio pelo seu activismo e luta pela liberdade de expressão.

As Pussy Riot, grupo de rock alternativo e feminista que recentemente foi preso por uma campanha contra o presidente russo, Vladimir Puttin, figuram no 57º lugar desta listagem que conta com Gregor Podnar, curador, no 100º e último lugar. Nas entradas deste ano estão dois brasileiros: a negociadora de arte Luisa Strina, no 71º lugar e o curador Adriano Pedrosa, que ocupa o 98ºlugar.

A lista das 100 personalidades mais poderosas da arte contemporânea é elaborada anualmente pela revista ArtReview e conta com artistas, negociadores de arte, curadores, galeristas e coleccionadores.

Posted by Marília Sales at 11:30 AM

Êxtase da forma por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Êxtase da forma

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 19 de outubro de 2012.

Mostra de gravuras do Louvre reúne obras-primas de Dürer e do renascimento alemão

No meio do caminho estava Albrecht Dürer. Mestre da gravura, o artista alemão que viveu na passagem do século 15 para o 16 liderou uma revolução na arte do norte europeu na mesma proporção que o Renascimento italiano.

Sua obra, que aliava o traço apolíneo da figura humana a certa ourivesaria dos detalhes e perspectivas, serviu de ponte entre a arte medieval e os primórdios do romantismo na Europa, fincando sua posição na história como o pivô dessa transição.

Esse momento de diluição dos arquétipos góticos rumo a uma arte menos realista e mais nervosa é foco de uma mostra que o Masp abre hoje, com 61 obras do Louvre.

Vindas do museu parisiense, as gravuras de Dürer e de seus mestres e seguidores ilustram uma revisão de estilos num momento em que a Europa também passava por convulsões sociais, das descobertas da ciência à Reforma Protestante que abalou o poder da Igreja Católica.

"Dürer foi um gênio superior que renovou tudo", diz Pascal Torres, curador do Louvre que organiza a mostra paulistana. "Ele fez uma síntese de tudo que veio antes disso e abriu caminho para um sentido renovado de tudo o que veio mais tarde."

Depois de viagens a Veneza, onde aprendeu noções de perspectiva e anatomia, Dürer injetou um classicismo único na arte nórdica, então dominada pela adesão sistemática a figuras e arquétipos caricatos e por uma dureza dos traços e da expressão.

Em "Adão e Eva" ou em "A Santíssima Trindade", Dürer mostra como foi capaz de priorizar a figura humana em meio a cenários que não perdem a exuberância dos detalhes -da fauna e flora transbordantes às asas dos anjos que rodeiam figuras divinas no centro da composição.

"É um equilíbrio absoluto", diz Torres. "Não há nada que pareça estar sobrando."

Posted by Marília Sales at 11:24 AM

Mostra no Masp retrata a arte antes e depois de Dürer por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Mostra no Masp retrata a arte antes e depois de Dürer

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 19 de outubro de 2012.

Artista é revisto como elo entre período medieval e o início do romantismo

Escola de Danúbio, como ficou conhecido movimento pós-Dürer, trouxe representações fantásticas da morte

Embora Albrecht Dürer tenha apontado o caminho de uma representação humana sublime, a expressão pautada pela beleza da razão, a arte nórdica agora no Masp deixa claro que antes e depois do mestre a vida representada nessas gravuras passava bem ao largo da perfeição.

Na obra de artistas pré-Dürer, como Martin Schongauer e Mair von Landhust, prevalece a herança da arte medieval e os temas mais profanos do que sagrados.

Schongauer, um dos mestres de Dürer, está por trás de uma das gravuras mais célebres do período. Sua "Virgem Transtornada" é a representação exagerada do que se entendia por histeria feminina.

"Ela está despenteada, deixa ver o seio, está tocando algo fálico, como um pênis, e seu vestido está aberto na forma de um sexo feminino", descreve o curador Pascal Torres. "São todos acenos à histeria e à sensualidade."

Da mesma forma, Von Landhust retrata cortesãs à espera de clientes num bordel. São expressões que vão do tédio à malícia, humanas e ao mesmo tempo exageradas.

Em "O Bufão e a Cozinheira", o fundo e os ornamentos da gravura ganham uma coloração escarlate, mas os personagens, de expressão exagerada e grotesca, permanecem em preto e branco -o olhar monocromático como símbolo da humanidade intocada pelo êxtase divino.

Na outra ponta dessa evolução, o pós-Dürer, é esse êxtase que parece dominar as composições, que já não seguem a escala clássica nem noções de perspectiva e preferem a exaltação nervosa dos traços e das formas, um estilo que ficou conhecido como a escola de Danúbio.

"Todo esse classicismo alcançado por Dürer se transmite como uma infecção estilística que vai buscar mais efeitos de cores e luzes", diz Torres. "É um expressionismo medieval que se renova."

Nessa renovação, estão nomes como Lucas Cranach, Hans Baldung e Hans Wechtlin. Deste último, o Masp exibe "A Caveira", um crânio com as órbitas oculares mergulhadas num negro profundo que ilustra a morte, uma das peças mais célebres do renascimento alemão.

Baldung retoma a figura da bruxa, tema caro ao período medieval, numa composição de altíssimo contraste, fazendo reverberar contradições da condição humana sob roupagem fantástica.

Posted by Marília Sales at 10:51 AM

outubro 17, 2012

Diálogo entre o velho e o novo por Luís Felipe Soares, Diário do Grande ABC

Diálogo entre o velho e o novo

Matéria de Luís Felipe Soares originalmente publicada no caderno Cultura e Laser do Diario do Grande ABC em 17 de outubro de 2012

Não importa a qual corrente artística, movimento cultural ou época distinta pertença uma obra. A atemporalidade da arte faz com que produções antigas e contemporâneas dialoguem de alguma forma. É com esse pensamento que a Fundação Pró-Memória inaugura amanhã a exposição 'Pinacoteca 10 anos - Artes Visuais em São Caetano do Sul', que encerra os eventos comemorativos da primeira década do centro cultural do município. A abertura especial ocorre a partir das 19h30 e a visitação gratuita segue até 8 de fevereiro.

Entre diferentes tipos de produção, como pinturas, fotografias e esculturas, a mostra mescla itens de diferentes momentos, com destaque para obras que marcaram presença nos salões de arte contemporânea realizados na cidade entre as décadas de 1960 a 1980. Itens recentemente adquiridos pelo acervo, casos de uma litogravura de Gregório Gruber e dos três primeiros colocados do 1º Salão de Artes Visuais de São Caetano (ocorrido entre julho e setembro), completam as atrações. Nomes como Antonio Lucio Pegoraro, Hans Suliman Grudzinski, Aldemir Martins, João Suzuki e Marcia Kikuchi estão representados.

"Estamos propondo uma nova leitura da arte ao longo do tempo. A ideia inicial era dividir o acervo em núcleos, mas reparamos que há diálogo entre as obras, seja quanto à técnica, expressão ou cores. São itens de tempos diferentes que proporcionam uma leitura contínua", explica a curadora da exposição e coordenadora da Pinacoteca, Monica Iafrate.

Atualmente contando com cerca de 400 trabalhos listados - o dobro desde sua abertura -, o centro cultural chama a atenção por seu forte acervo de gravuras. O objetivo é que essa ligação com o estilo se fortaleça, principalmente por meio de oficinas comandadas pelo mestre impressor Roberto Gyarfi, o Alemão.

Segundo Monica, o grande desafio do projeto é fazer-se presente no cotidiano da comunidade. "Divulgar nosso trabalho é uma luta diária. Tentamos um processo de formação de público, que acaba sendo um projeto a longo prazo. Acho que estamos ganhando força aos poucos. Pode parecer que já estamos abertos há muito tempo, mas, na verdade, são só dez anos de atividade", afirmou a coordenadora. "A Pinacoteca é mais do que um espaço expositivo, trata-se de uma troca de experiência. É um lugar para artistas e para a população ver arte."

Pinacoteca 10 anos - Artes Visuais em São Caetano do Sul - Exposição. A partir de amanhã, às 19h30. Na Pinacoteca de São Caetano - Rua Dr. Augusto de Toledo, 255. Tel.: 4221-9008. Seg. a sex. das 9h às 17h; sáb., das 9h às 13h. Grátis. Até 8 de fevereiro.

Posted by Marília Sales at 3:17 PM

Projeto Figura 12 leva arte contemporânea para ruas de Santa Teresa, Revista Fator

Projeto Figura 12 leva arte contemporânea para ruas de Santa Teresa

Matéria originalmente publicada na revista Fator Brasil em 17 de outubro de 2012

Claudia Tavares, Monica Mansur, Flávia Vianna, José Diniz, Patricia Gouvêa e o Coletivo Imaginário ocupam, dia 20 (sábado), o bairro carioca.

Apartamentos, casas, galpões e os mais diversos lugares não destinados à exposição de trabalhos de arte, tampouco à visitação pública, utilizados como alternativa ao circuito das artes plásticas. Essa é a proposta do Projeto Figura 12, que desembarca agora no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, no dia 20 de outubro.

Sob o tema Oriente-se, esta edição fica a cargo do Ateliê Oriente e traz os trabalhos dos artistas Claudia Tavares, Monica Mansur, Flávia Vianna, José Diniz, Patricia Gouvea e o Coletivo Imaginário, convidados a intervir especificamente no bairro.

Em “Migração”, de Claudia Tavares, a obra apresentada durante a ArtRio – a representação contemporânea do fluxo migratório de aves que cruzam os ares ao longo do tempo tirada de um muro branco grafitado em Londres -, ganha sequência em fotografias fotocopiadas e coladas no melhor estilo “lambe-lambe” em muros espalhados pela cidade, na Urca, no Cais do Porto, em Paraty.

“A ocupação da cidade tem a intenção de devolver os pássaros à sua origem: os muros de uma grande cidade”, diz Claudia, idealizadora do Projeto Figura, ao lado de Dani Soter e Monica Mansur.

Nos demais trabalhos, Patrícia Gouvêa mostra um vídeo produzido na Índia sugerindo um diálogo entre o tema desta edição e a ideia de orientalizar-se; enquanto José Diniz captura imagens subaquáticas, refletindo sobre a desorientação ao emergir; e o Coletivo Imaginário trata desse mesmo estado a partir de um sonho, usando cor e lente de forma poética.

Completando esta edição, Monica Mansur trabalha em “Sobrevôo” a ausência de horizonte e a duplicidade do reflexo, no momento em que o olhar do espectador se perde dentro da imagem.

Posted by Marília Sales at 2:44 PM

Sebastião Pedrosa mostra seu lado de pintor por Tatiana Meira, Diario de Pernambuco

Sebastião Pedrosa mostra seu lado de pintor

Matéria de Tatiana Meira originalmente publicada no caderno Cultura do jornal O Globo.com em 17 de outubro de 2012

Mais conhecido como gravurista e professor universitário, artista abre exposição na Dumaresq

Uma nova fase em sua trajetória artística começa para Sebastião Pedrosa com a exposição Babel, que inaugura nesta quarta-feira, recebendo convidados das 18h às 22h, na Dumaresq Galeria de Arte, em Boa Viagem (Setúbal).

No vídeo, faça um passeio pela galeria e confira também depoimento do artista sobre suas criações

O artista, mais conhecido por sua produção de gravuras e atuação como professor do Departamento de Teoria da Arte da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde lecionou por quase três décadas, muda o foco e amplia suas criações na pintura. Ainda sssim, não deixa de flertar com outras técnicas, como a colagem e até mesmo a escrita, mesmo que de palavras que não precisam fazer sentido para integrar o contexto das obras.

Com texto de apresentação de Renata Wilner, a mostra fica em cartaz por um mês na Dumaresq, mostrando as pinturas em diferentes formatos e apresentações. Sebastião Pedrosa criou desde séries com mini-quadros, até dois totens de alturas distintas, únicos exemplares tridimensionais entre os trabalhos. Boa parte deles é marcado com linhas que mais escondem que revelam, ora tracejadas à mão, noutras ocasiões, marcadas por fita crepe pintada em tons contrastantes com o fundo das telas.

Posted by Marília Sales at 11:17 AM

Luiz Zerbini, Raul Mourão e Cabelo mostram ‘geometrias e turbulências’ em exposições individuais, globo.com

Luiz Zerbini, Raul Mourão e Cabelo mostram ‘geometrias e turbulências’ em exposições individuais

Matéria originalmente publicada no caderno Cultura do jornal O Globo.com em 17 de outubro de 2012

Inauguração das três será ao mesmo tempo, nesta quarta, no MAM

Cabelo + Luiz Zerbini + Raul Mourão no MAM, Rio de Janeiro, RJ - 18/10/2012 a 12/2012

RIO - De um lado, uma floresta em delírio, com árvores e flores que parecem saltar, coloridas, de formas geométricas. Anda-se um tanto para o lado oposto, e a geometria parece reinar. As formas surgem equilibradas, ritmadas por um movimento suave. Caminha-se um pouco mais e, enfim, chega-se ao delírio completo que já não obedece às formas e surge ora em espelhos, ora em tecidos brilhantes, ora em néons azuis e vermelhos.

O percurso poético — do delírio da forma ao delírio puro — poderá ser percorrido no Museu de Arte Moderna (MAM), que abre nesta quarta às 19h para convidados três mostras de artistas diferentes e, ao mesmo tempo, próximos: Luiz Zerbini, Raul Mourão e Cabelo.

De Zerbini, a exposição “Amor”, a maior das três que o MAM inaugura hoje, reúne 60 obras da última década — entre elas, as telas (de até seis metros) em que natureza e formas geométricas convivem e deliram no plano bidimensional. Trata-se da maior individual da carreira do artista que nasceu em São Paulo e construiu sua trajetória no Rio, desde os anos 1980, quando trabalhou como cenógrafo do grupo de teatro Adrúbal Trouxe o Trombone.

Um dos grandes nomes da arte contemporânea no país, Zerbini leva de quatro a oito meses para produzir uma pintura. Duas telas que estarão no MAM, entre elas um tríptico de 3 metros por 6 metros, foram feitas especialmente para a mostra. O artista também expõe uma série com slides, telas sem chassis e uma grande mesa em que reproduz as referências que carrega para o ateliê durante o longo e meticuloso processo de criação.

Vizinha à mostra de Zerbini, a exposição “Tração animal” traz oito grandes esculturas de Raul Mourão. São os “balanços” que aparecem na obra do artista desde 2009. Neles, formas em metal se equilibram e têm o movimento alterado pelo toque do espectador. Raul ocupa ainda outras duas salas: numa, balanços menores têm suas sombras projetadas nas paredes; na outra, está o vídeo “Plano/acaso”, em que a câmera, num elevador, percorre os andares de um edifício-garagem no Rio.

Por fim, há “Humúsica”, de Cabelo. E então há terra, floreiras carregadas por imagens de Buda, minhocas, carrinhos, espelhos em bases de skate... Na abertura, o artista irá “incorporar” o MC Minhoca. Fará uma performance com o DJ Esterco (na vida “real”, o DJ XXT) e os meninos Cebolinha e Yuri, do Bonde do Passinho.

Para o curador do MAM, Luiz Camillo Osorio, “pelo contraste, percebe-se a singularidade” dos artistas:

— A apropriação surge como um elemento vital que é potencializado pela obra de cada um. Raul se apropria dos andaimes de forma lúdica, Cabelo tem um universo inteiro. Zerbini vai dos galhos secos às caixas de som, aos slides, aos postes. Ele combina a exuberância de uma obra do Renascimento com a vibração potente de uma banda como Sonic Youth.

Na parede principal do Espaço Monumental do MAM, Zerbini mostra o que define como “conversa entre objetos, cores, formas e composições”. Ele ocupa quase toda a parede com telas que flertam com a figuração, a abstração e a geometria.

A figuração, por exemplo, surge em plantas, convivendo com caixas de som, postes da cidade ou micos que percorrem cabos de energia. Tudo é reflexo da observação da cidade pelo artista, que fotografa postes ou carrega plantas para o ateliê a fim de contemplá-las e recriá-las na pintura.

Zerbini ocupa a parte mais alta da parede, perto do teto, com as formas geométricas puras, em pinturas com incontáveis quadrados do cinza ao preto. Tudo em “Amor” é grandioso e, como diz o curador do museu, “potente e exuberante”.

— É como se fosse um espaço fantástico, mas numa escala real, uma continuação do espaço real — afirma Zerbini.

Na parede oposta, há vitrines de acrílico com slides coletados pelo artista há alguns anos. Ele os organiza, criando padrões, ou faz intervenções, substituindo as imagens por gelatinas coloridas. Já nas laterais do espaço, ficam telas presas por cordas, como “páginas de um livro gigante”.

Reunir todos os trabalhos sob o título “Amor”, diz Zerbini, pareceu-lhe uma “tradução muito precisa do trabalho”:

— Dentro dele está a memória emocional do que se viveu, estão a família, as amizades, a loucura. Tudo isso está incluído na ideia de amor.

Já a expressão “Tração animal”, título da mostra de Raul Mourão, é definida em dicionários como “qualquer veículo deslocado por animal”. No MAM, o espectador é quem “desloca” a obra. Com um toque, as esculturas entram em um “equilíbrio instável”, como diz o artista, que pode ser alterado continuamente.

Para ele, a mostra deve despertar a “vertigem do olhar”.

— A principal função da arte é essa. Uma função social, aliás. Trata-se de impregnar o homem de poesia — diz Raul.

Já em “Humúsica”, de Cabelo, a natureza torna-se ainda mais lúdica — um viveiro de minhocas está no centro de tudo. A ideia que parece dar base à mostra é que o resíduo torna-se fertilizante (no caso, de novas ideias, de obras pouco óbvias que flertam com Arthur Bispo do Rosário e a arte pop).

Além da sala principal, onde há de telas a minhocas, Cabelo criou outra, onde estão vídeos e “objetos de vários tempos, obras feitas e a fazer”.

— O Cabelo é um artista que sai da música, da performance, dessa vibração da cultura pop do Rio e vai para o desenho, o objeto — diz Luiz Camillo Osorio, para, em seguida, retormar a relação entre os três artistas:

— Zerbini tem um pouco da geometria do Raul e da turbulência do Cabelo. Com a geometria do Raul, você vê a turbulência do Cabelo. E, com ela, a geometria do Raul fica mais poética.


Posted by Marília Sales at 10:03 AM

outubro 15, 2012

Artistas plásticos cobram mudanças do novo prefeito, JC on-line

Artistas plásticos cobram mudanças do novo prefeito

Matéria originalmente publicada na seção de Artes Plásticas em 14 de outubro de 2012

Entre os problemas listados estão o corte abrupto de verbas para manter os equipamentos culturais e a falta de preocupação em preservar a arte brasileira por aqui

O campo das artes visuais no Recife é um dos que vão merecer atenção especial do novo prefeito. Nas últimas administrações, a cidade atravessou um sucateamento que ficou evidente nas artes visuais com os cortes orçamentários. Com redução de verba abrupta sofrida, o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), considerado na primeira década do século 20 como um dos mais importantes do Brasil, hoje luta para funcionar com uma verba 80% menor do que em 2007.

Para a também curadora Clarissa Diniz, antes de tudo deve-se garantir a manutenção física e de pessoal das instituições, incluindo formação e circulação de ações e profissionais, constituição e atualização de acervo, pesquisa e publicações. “O que se vê são instituições funcionando com o mínimo possível, sem condições de produzir ações e pensamento próprios, o que muitas vezes as torna somente hospedeiras de exposições e projetos que já vêm pagos, seja com verba municipal (do SIC), estadual ou federal”, critica.

A também curadora Cristiana Tejo aponta para o fato de museus de fora estarem adquirindo a arte brasileira, uma vez que ainda não há uma preocupação efetiva em conservar este material por aqui. “É muito importante que nossos museus assumam seu papel de colecionar sua própria arte, mas esta tarefa é fragilizada pelas verbas exíguas direcionadas para as coleções e a descontinuidade das gestões nos museus”, afirma.

Posted by Marília Sales at 5:48 PM

Museu Nacional recebe mostra com panorama da arte contemporânea por Jamila Tavares, globo. com

Museu Nacional recebe mostra com panorama da arte contemporânea

Matéria de Jamila tavares originalmente publicada na seção de G1 da no globo.com em 15 de outubro de 2012

Situações Brasília' traz obras de 25 artistas de sete estados diferentes. Dos 20 selecionados, apenas dois são de Brasília; São Paulo tem oito.

O Museu Nacional da República exibe a partir desta segunda-feira (15) a exposição “Situações Brasília”, que reúne trabalhos de 25 artistas de sete estados do país. Com foco na produção artística contemporânea, a mostra é fruto de uma seleção que recebeu mais de 500 inscrições.

“O critério foi a qualidade das obras. E quando você fala em qualidade você tem uma séries de questões, como o fato das obras tratarem de temas de interesse atual. São obras que discutem o momento em que a gente vive”, afirma o coordenador da mostra, Evandro Salles.

A seleção foi feita por um comitê formado por Salles, Cristiana Tejo e o diretor do Museu Nacional, Wagner Barja. A mostra traz fotografias, esculturas, pinturas, desenhos, instalações e vídeoarte. De acordo com Salles, apesar da diversidade dos meios usados, uma reflexão sobre a vivência em grandes cidades permeia toda a exposição.

“A produção de arte hoje usa de muitos meios diferentes. A técnica não é mais uma questão fundamental na arte contemporânea, mas, sim, a diversidade de poéticas. E não foi uma busca do comitê de seleção, mas o conjunto traz uma discussão forte sobre o espaço urbano e sobre o drama do indivíduo nesse espaço.”

Um dos objetivos da mostra é reforçar o acervo do Museu Nacional. Dos 20 artistas selecionados, três terão as obras compradas pelo museu, por R$ 10 mil. Os outro cinco artistas que foram convidados para a mostra também serão premiados com o mesmo valor. “Uma das grandes dificuldades dos museus e centros culturais hoje é ter dinheiro para montar seus acervos”, explica Salles.

Do total de trabalhos selecionados, oito são de São Paulo. Rio de Janeiro e Minas Gerais empatam na segunda colocação, com quatro obras cada. Apenas dois artistas de Brasília estão entre os selecionados, Yana Tamayo e Carol de Góes. Milton Marques está entre os convidados.

“É claro que nos grandes centros você tem uma quantidade de artistas muito maior. As cidades que fornecem mais possibilidades de formação e informação com certeza têm uma quantidade maior de artistas e com isso você tem uma chance maior de ter artistas bons. Além disso, São Paulo tem, por exemplo, muitas escolas de arte e isso influencia. Em Brasília não há uma escola aberta de artes, só tem a UnB, onde os interessados têm que prestar vestibular”, opina Salles.

A exposição fica em cartaz no Museu Nacional até 11 de novembro. A visitação é gratuita e pode ser feita entre terça-feira e domingo, das 9h às 18h30.

Posted by Marília Sales at 3:05 PM

Lapa iluminada por Nina Gazire, Isto é

Lapa iluminada

Matéria de Nina Gazire originalmente publicada na seção de Artes Visuais da Revista Istoé em 11 de outubro de 2012

O músico e artista multimídia Brian Eno concebe composição sonora e visual para espaço público no Rio de Janeiro

Quando você está em um elevador ou na sala do dentista, talvez não saiba, mas aquele som perene, que escuta e associa ao gênero “música ambiente”, foi praticamente inventado pelo compositor Brian Eno nos anos 1970, após passar meses em uma cama, por causa de um acidente de carro. A ambient music, termo em inglês, surgiu quando Eno começou a criar um tipo de música que preenchesse os espaços, mas com a proposta de ser muito mais sentida do que escutada.

Desde o lançamento do álbum “Ambient 1: Music for Airports” – que cunhou o termo –, passaram-se 34 anos. Nesse tempo, Eno fez de tudo um pouco. Produziu álbuns de bandas como U2, Devo e Coldplay e também pesquisou continuamente sobre a relação entre som e luz, criando instalações multimídia que sempre tiveram como sustentação a ambient music e arte generativa – processo de criação cujo resultado final tende a ser imprevisível, randômico e que é sempre feito por meio de um sistema autônomo, como, por exemplo, um programa de computador.

De sexta-feira 19 a sábado 21, Brian Eno participa do Festival “OiR-Outras Ideias para o Rio”, realizado na capital fluminense, apresentando um exemplo recente de sua arte generativa. A obra “77 Milhões de Pinturas” é um software capaz de gerar 77 milhões de composições aleatórias a partir de imagens e músicas projetadas, e que dão a ideia “de uma espécie de pintura ligeiramente móvel devida ao ritmo lento com o qual as imagens e os sons são gerados”, como disse em entrevista, por telefone, à IstoÉ.

O trabalho, que até então havia sido apresentado apenas em ambientes fechados, ganhou uma nova adaptação ao ser transformado em intervenção urbana, já que será projetado durante as noites nos Arcos da Lapa. O artista também está lançando um novo álbum denominado “LUX” – seu primeiro disco solo desde 2005 – em continuação a “Ambient 1: Music for Airports” e “Discreet Music”,
de 1975. Nina Gazire

Posted by Marília Sales at 11:36 AM

Preparativos para a PARTE, photos.uol

Preparativos para a PARTE

Matéria originalmente publicada no Blog Photos do uol em 11 de outubro de 2012.

Feira de Arte Contemporânea de São Paulo recebe diversos fotógrafos

Começa na quarta-feira (17) a PARTE, Feira de Arte Contemporânea, de São Paulo. Esta é a segunda edição do evento, e tem como objetivo a ampliação do mercado de arte contemporânea. Entre as galerias que participarão da feira, diversas são especializadas em fotografia.

Segundo a organizadora da feira, Tamara Brandt Perlman, a segunda edição da PARTE reúne artistas em ascensão e acesso amplo a informação. Ela afirma que 42 galerias participarão do evento, além de 5 projetos especiais de grupos e ateliês e programação cultural para adultos e crianças.

A Galeria Lume Photos, que participa pela primeira vez da PARTE, é uma das que receberá cerca de 20 obras de 8 artistas diferentes. Entre eles estará Diego Kuffer, que trabalha com uma técnica própria, e apresentará duas séries, “Transitórias” e “Cromonauta”.

lberto Ferreira também terá algumas imagens inéditas, assim como Gabriel Wickbold, capa da última Photo Magazine, que expõe duas fotografias inéditas. Outros dois destaques da Lume são José Dias Herrera, que registrou os três primeiros anos de Pelé, e Quan O’neill, retratista de celebridades como Amy Winehouse.

Segundo Felipe Ross Hegg, um dos sócios da Galeria Lume, a expectativa para o evento é das melhores, já que os comentários do último ano são positivos. Ele afirma que as obras expostas em sua galeria ficaram em uma media de R$2 mil e R$15 mil.

Vale lembrar que a feira vai até domingo (21) e a entrada é gratuita. Mais informações, e endereços das galerias no site da PARTE.

Posted by Marília Sales at 10:13 AM

outubro 10, 2012

Impasses e possibilidades da arte contemporânea por Marisa Flórido, O Globo

Impasses e possibilidades da arte contemporânea

Artigo de Marisa Flórido originalmente publicado no Segundo Caderno, do jornal O Globo, em 8 de outubro de 2012.

Celebramos um culto vazio, o da própria exposição. Isso coloca as artes visuais em um lugar muito sensível e ambíguo

Em 1851, abria-se em Londres a primeira Exposição Universal (sob o título “Grande exposição dos trabalhos da indústria de todas as nações”), abrigada em um grande edifício de vidro e ferro, projeto de John Paxton, jardineiro construtor de estufas. O Palácio de Cristal, como ficou conhecido, geraria furor no público e contendas na crítica especializada. Como é possível uma arquitetura sem sombras? Interrogava-se então.

Giorgio Agamben especula se Marx não teria pensado no Palácio de Cristal ao escrever “O fetichismo da mercadoria e seu segredo”. Mas o fato é que o palácio não só colocava a mercadoria mas também seus visitantes expostos em uma redoma. É sintomático que um dos primeiros templos da mercadoria traga implícita a fase extrema do capitalismo: o espetáculo. Guy Debord constataria que o capital chegaria a tal grau de acumulação que se tornaria imagem, invadindo a vida social. “O espetáculo não é o conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens.” Na sociedade do espetáculo, não apenas o valor de troca separou-se do valor de uso, falsificando a produção social, como encobriu e submeteu toda a existência. O que definia o homem, como a política, a religião, a linguagem e a sexualidade, foi se retirando para essa dimensão separada, virtual e em permanente exposição. Basta pensarmos no julgamento do mensalão ao vivo em rede nacional, a vida íntima exposta nos reality shows, a disputa pelas almas (e por seus centavos) entre as igrejas em suas tele-evangelizações. As potências da vida em comum foram se abrigando no Palácio de Cristal e seu invólucro de vidro. Inclusive a arte e a cidade.

Nas novas geografias globais, as cidades competem para atrair os fluxos de capital e imagem, concentrá-los e de algum modo materializá-los em símbolos. Competem tanto pelo famoso museu e sua arquitetura extraordinária como para sediar grandes eventos esportivos. O Rio não permaneceria insensível a esse redesenho de forças. Nas últimas décadas, empenharia-se em atrair um grande museu internacional (na área portuária, onde ocorreu a ArtRio), concorreria para sediar grandes eventos esportivos, como as Olimpíadas de 2016. A cidade do espetáculo, tornando-se um grande evento, vive sua extrema exposição e insere-se na era do turismo cultural, uma das indústrias que mais crescem no mundo.

Curioso é como arte e cidade vêm se cruzando nesse redesenho. Arte e cultura vêm sendo usadas para alavancar reformas arquitetônicas e urbanas em áreas degradadas: tanto com a implantação de grandes equipamentos (museus e centros culturais) como com a ocupação de usos afins (ateliês, galerias). A contrapartida perversa desse processo de recuperação é a expulsão de seus moradores, principalmente dos mais pobres, conhecida como gentrificação. Equilibrar a recuperação do patrimônio histórico e urbano com a permanência da população tem sido um dos desafios das políticas urbanas. (Ler Alucinações produtivas. Produção cultural na Zona Portuária? por Cristina Ribas)

A VITRINE DE PAXTON

Faço eco às preocupações de minha colega de coluna, Luisa Duarte, em sua pertinente crítica, de termos o acesso à arte mediado principalmente pelo mercado e sua feira, em que “a experiência para o leigo acaba sendo a de um shopping”. A multidão frenética e ruidosa, a saturação do olhar na confusão das obras, o encontro com pessoas que raramente vão a uma exposição geravam mal-estar. Estávamos todos na vitrine de Paxton, em exposição como as obras, atraídos pelo evento social, pela paisagem, pela vista do mar, com que esta cidade tem laços afetivos e históricos.

Mas o fato é que 70 mil visitantes é um número considerável, e é preciso refletir sobre esse fenômeno. Isso não vem acontecendo apenas na ArtRio, o Rio teve três exposições no ano passado entre as dez mais vistas no mundo, todas no CCBB. Podemos até entender o apelo lúdico da mostra que ocupou o topo do ranking, “O mundo mágico de Escher”, mas isso não se aplica a outra que também esteve entre as dez mais: a de Laurie Anderson. Podemos deduzir suas causas de muitos fatores: a gratuidade, a propaganda intensiva, a atração do espetáculo, o investimento em educação dos centros culturais e das escolas públicas cariocas etc.

Por outro lado, percebemos também outro processo em curso na cidade, o de descentralização das ofertas culturais, a exemplo de iniciativas como o Bela Maré, o Museu da Maré, as Bibliotecas Públicas de Manguinhos e da Rocinha, os pontos de cultura, assim como os espaços independentes de artistas e de coletivos.

O que talvez possamos vislumbrar nisso é uma demanda reprimida, que se manifesta de diversas formas. O poder, hoje, não é mais fundado apenas sobre o uso da violência e o controle da opinião, mas, sobretudo, sobre a manipulação da emoção (com a qual o terrorismo joga) e sobre o monopólio das visibilidades. A exposição em si tornou-se um valor. Celebramos um culto vazio, o da própria exposição. Isso coloca as artes visuais em um lugar muito sensível e ambíguo, tanto de servidão como de resistência. Mas é exatamente por isso que talvez seja, pela arte, que se possa refletir de modo consistente (ainda que problemático) o mundo contemporâneo.

Posted by Patricia Canetti at 9:48 AM

Marta resgata diretor de direito autoral das gestões de Gil e Juca por Matheus magenta, Folha de S. Paulo

Marta resgata diretor de direito autoral das gestões de Gil e Juca

Matéria de Matheus Magenta originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 9 de outubro de 2012.

Marcos Souza retoma cargo que perdeu no Ministério da Cultura sob Ana de Hollanda

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, decidiu trazer de volta à pasta o responsável pela formulação da política de direitos autorais durante as gestões de Gilberto Gil (2003-08) e Juca Ferreira (2008-10). É a primeira medida após o retorno ao MinC do anteprojeto de reforma da Lei de Direitos Autorais.

O texto, que estava na Casa Civil, voltou à Cultura após a chegada de Marta ao ministério, no mês passado.

Marcos Souza, que ocupou a Diretoria de Direitos Intelectuais do MinC nas gestões Gil/Juca, retorna ao cargo após ser demitido pela ex-ministra Ana de Hollanda, em 2010.

No lugar de Souza, Ana nomeara a advogada Marcia Barbosa, indicada por Hildebrando Pontes, um dos advogados do Ecad (entidade que arrecada e distribui os direitos autorais advindos da execução pública de músicas).

Após a nomeação, a ministra passou a ser acusada de proteger a entidade na condução da reforma da lei, ao reduzir a fiscalização de entidades como o Ecad.

Para setores da indústria cultural do país, o anteprojeto criado ao longo das gestões Gil/Juca era muito flexível em relação aos direitos do autor.

Por outro lado, os críticos de Ana de Hollanda dizem que seu anteprojeto dificultou iniciativas como o Creative Commons, licença que libera a divulgação de conteúdos sem a cobrança de direitos por parte de autores.

"Não tenho dúvida de que o retorno dele representa exatamente a retomada dos pressupostos das gestões Gil e Juca", afirmou Pontes.

Apesar do aspecto simbólico da mudança e da desconfiança de Pontes, a Folha apurou que o MinC não pretende que a medida seja vista como reafirmação de bandeiras de Gil e Juca.

Marta Suplicy espera que Souza leve em conta as propostas feitas pela gestão Ana de Hollanda e as some à sua experiência à frente das discussões da reforma da lei durante as gestões Gil/Juca.

Posted by Marília Sales at 9:47 AM

Obra é furtada da Bienal de São Paulo por Paula Carvalho, Estadão.com.br

Obra é furtada da Bienal de São Paulo

Matéria de Paula Carvalho originalmente publicada no caderno Cultura do jornal estadão.com.br em 9 de outubro de 2012.

Sumiço da aquarela 'homes (homenols)', de Daniel Steegmann Mangrané, foi percebido no dia 27 de setembro

A aquarela homes (homenols) (2004), do artista espanhol Daniel Steegmann Mangrané foi furtada da Bienal de São Paulo. De acordo com a nota oficial divulgada nesta terça-feira, 9, pela organização do evento, o roubo da obra foi percebido no dia 27 de setembro e "imediatamente comunicado ao artista e à seguradora". A pintura, uma aquarela em papel de dimensões 15,5 X 21,5 cm, era exibida na série Lichtzwang, junto a outros 221 trabalhos.

As obras de Mangrané foram instaladas na Bienal apenas com fita adesiva e sem molduras, por exigência sua. Após o roubo, o artista aceitou que fossem instalados vidros de proteção nos trabalhos. A segurança ao espaço reservado à Lichtzwang também foi reforçada, de acordo com a Bienal.

Mangrané nasceu em Barcelona em 1977 e vive no Brasil desde 2004. Suas obras já foram expostas em Berlim, Teerã e no Chile, além de Brasil e Espanha.

A 30ª edição da Bienal de São Paulo foi inagurada no dia 7 de setembro e reúne 1900 trabalhos feitos por 111 artistas. O curador venezuelano Luis Pérez-Oramas investiu na divulgação de artistas pouco conhecidos do público: cerca de 75% deles nunca tiveram suas obras exibidas. Orçada em R$ 22,4 milhões, a mostra tem recursos públicos e privados. Só no primeiro final de semana, 23 mil pessoas visitaram o Pavilhão do Ibirapuera. A exposição seguirá até o dia 9 de dezembro.

Posted by Marília Sales at 9:36 AM

outubro 9, 2012

Marta nomeia nova secretária-executiva do Ministério da Cultura, estadão.com.br

Marta nomeia nova secretária-executiva do Ministério da Cultura

Matéria originalmente publicada no caderno Cultura do jornal estadão.com.br em 9 de outubro de 2012.

Jeanine Pires ocupa cargo deixado por Victor Ortiz, levado ao posto pela ex-ministra Ana de Hollanda

A ministra Marta Suplicy nomeou nesta segunda-feira, 08, Jeanine Pires como nova secretária-executiva do Ministério da Cultura. Ela substitui Victor Ortiz, levado ao posto pela ex-ministra Ana de Hollanda, de quem era o principal homem de confiança no ministério.

Formada em História e especializada em Economia do Turismo, Jeanine Pires foi presidente da Embratur entre 2006 e 2010 e não tem experiência em cargos ligados à gestão cultural. Antes de aceitar o convite de Marta, ela presidia o Conselho de Turismo e Negócios da Fecomercio de São Paulo.

Em comunicado oficial, a ministra ressaltou seu “perfil técnico” e disse que ela trabalhará articulando a produção cultural e a imagem do Brasil no exterior, apostando na “importância da cultura para a identidade e a imagem de um país”. Dentro de casa, no entanto, ela terá ao menos dois desafios imediatos: a aprovação pelo Congresso do Vale Cultura - que tanto Juca Ferreira quanto Ana de Hollanda não conseguiram concretizar - e do aumento no orçamento do ministério.

Posted by Marília Sales at 3:06 PM

Para comer com os olhos por Nina Gazire, Isto é

Para comer com os olhos

Matéria de Nina gazire originalmente publicada na seção de Artes Visuais da Revista Istoé em 5 de outubro de 2012

Encontros de Arte e Gastronomia, Museu de Arte Moderna, São Paulo, SP - 04/09/2012 a 16/12/2012

Desde as naturezas-mortas até as mais banais representações da Santa Ceia ao longo da história da arte, a comida sempre foi o símbolo da ostentação ou fartura. O que pouco se discutiu durante esse percurso foi como a maneira de representar artisticamente a mesa e a culinária acabou por reproduzir séculos de tradição gastronômica, quando o ato da refeição passou a ser vigiado por regras de etiqueta. Aquilo que antes se dava em um ambiente de comensalidade vem se tornando, cada vez mais, um ritual solitário e individualizado. Constatações e reflexões como essas regem os “Encontros de Arte e Gastronomia”, projeto pioneiro no Brasil a propor uma ponte entre o mundo da gastronomia e o da arte.

A sala Paulo Figueiredo do MAM-SP foi transformada em um híbrido de cozinha e espaço expositivo que, desde o dia 3 de setembro, vem recebendo chefs e artistas plásticos para o trabalho em duplas arranjadas pelos idealizadores do projeto, o curador Felipe Chaimovich e o professor de culinária Laurent Suaudeau. Mas se engana quem pensa que o museu foi adaptado para um restaurante, apesar de algumas duplas – que trabalham de terça-feira a domingo e são trocadas a cada semana – terem servido refeições para o público. Esse foi o caso da parceria entre o coletivo carioca Opavivará e o chef Leo Filho, que distribuiu marmitas feitas a partir de receitas de sua família. “Essa é uma oportunidade para que as pessoas venham ao MAM e vivam a experiência sem a expectativa de serem servidas como em um restaurante”, esclarece Chaimovich.

O questionamento sobre a redução da culinária ao ato de consumo esteve presente no trabalho da dupla formada pela artista Laura Lima e pelo chef José Barattino, do Hotel Emiliano, de São Paulo. Entre os dias 18 e 22 de setembro, Laura Lima e Barattino produziram uma refeição vegetariana cujos ingredientes passaram por um processo de desidratação, sendo posteriormente embalados a vácuo. A proposta é que a refeição seja doada ao museu, como uma obra museológica, para ser consumida em um jantar marcado para acontecer daqui a 30 anos. Já Caetano Dias, que, no Panorama da Arte Brasileira de 2005, apresentou um Cristo feito com rapadura, realizou, entre 25 e 29 de setembro, uma comemoração ao dia de São Cosme e São Damião. Ao trabalhar ao lado da chef e doceira do restaurante Girarrosto, Amanda Lopes, em uma ação denominada “Jardim das Delícias”, ambos criaram um cordeiro feito de chocolate, rodeado por doces que se estendiam para além da mesa. “O trabalho é uma referência à figura do corpo de Cristo e a outros atos antropofágicos”, explica Dias.

A série de “Encontros” vai durar dez semanas e é também uma oportunidade para o público conhecer o que há de ponta na área da tecnologia gastronômica. Para a ocasião, foram importados dois fogões com sistema de depuradores de fumaça que devolvem o ar limpo ao ambiente, impedindo a fumaça de se espalhar pelo museu (também abrigando atualmente uma mostra de Adriana Varejão). “A gastronomia é uma cultura que tem de ser entendida como criação livre de regras. Nesses termos, criamos essa situação vivencial, sendo meio “Big Brother”, com todos os focos no sentido da cozinha”, explica Chaimovich.

Entre 9 e 13 de outubro, o artista Rodrigo Bueno e a chef Ana Luiza Trajano, do restaurante Brasil a Gosto, realizarão uma ação inspirada nas comidas de santo oferecidas aos orixás. Nina Gazire

Posted by Marília Sales at 1:06 PM

Artista mineiro Pablo Lobato é destaque no Brasil e no exterior por Gracie Santos, divirta-se.uai.com.br

Artista mineiro Pablo Lobato é destaque no Brasil e no exterior

Matéria de Gracie Santos originalmente publicada no caderno Cinema do divirta-se.uai.com.br em 7 de outubro de 2012.

Obra do cineasta e artista plástico está espalhada por diversas galerias pelo mundo

Tudo ao mesmo tempo agora. Não é exagero dizer que 2012 é o ano em que a obra do cineasta e artista plástico Pablo Lobato está pipocando pelo Brasil e o mundo. Diretor de pérolas como o curta Cerrar a porta (2002) e o longa Acidente (2006 – em parceria com Cao Guimarães), este ano, ele já fez mostras no Brasil, França, Bolívia e Uruguai e, no momento, contabiliza nada menos que seis exposições em cartaz no país e exterior. Apresenta videoinstalações, mostras fotográficas e site specific.

Pablo Lobato atribui o bom momento ao fato de ter se dedicado, nos últimos anos, aos trabalhos que trafegam entre o cinema e as artes plásticas. “Foi tudo natural, chega uma hora em que a obra começa a reverberar. Este está sendo um ano importante, em que tenho podido mostrar minha obra dentro e fora do país. Nunca pude mostrar minhas pesquisas em artes visuais em tantos lugares ao mesmo tempo, e é bom poder partilhar tudo isso”, comemora.

A videoinstalação Acidente integra a coletiva The storytellers: Narratives in international contemporary art, no Sternersen Museum, em Oslo, Noruega. Na mostra Via Brasil, no Wexner Center for The Arts, de Ohio, EUA, a videoinstalação Bronze revirado está no projeto específico de cinema e artes visuais e é apresentada, como conta Pablo, na sala Box, ao lado do filme O som ao redor, do pernambucano Cléber Mendonça. Na ShanghArt Gallery, em Xangai (China), o mineiro participa de coletiva com oito artistas brasileiros e chineses, também com Bronze revirado. Já na Colômbia, em El Paraqueadero, a mesma peça está sendo mostrada na exposição Poetas en tiempo de escasez.

No Museu de Arte de Joinville, em Santa Catarina, Pablo Lobato participa da mostra À deriva, com instalação que mostrou em BH no Museu Inimá de Paula. Criou uma máquina que define o tempo de vida para trechos de arquivos seus. “Diante da obra Expiração, você vê imagens que vão deixar de existir. É um convite à memória”, afirma. Também no museu brasileiro está a videoinstalação Bronze revirado. Quem quiser conhecer a obra em viagem um pouco mais curta pode dar um pulo a São Paulo e conferir a mostra Do corte, individual de Pablo Lobato na Luciana Brito Galeria. Lá, até o dia 27, além de Bronze revirado ele apresenta a videoinstalação Castell; duas séries de fotografia (Um a zero e Front light), além do site specific Escada, que criou especialmente para o espaço. “São móbiles de madeira parafusados em direção a uma janela onde são exibidas imagens de torres e igrejas do interior, frutos de pesquisas”, conta.

Atualmente, o cineasta se dedica à finalização do filme Ventos de Valls, que deriva de ação realizada na Espanha, em 2009, financiada pela Fundação John Simon Guggenheim (Nova York). Seu trabalho integra as coleções do Museu de Arte da Pampulha (BH), do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Porto Alegre) e do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (Curitiba).

Posted by Marília Sales at 12:41 PM

Vale quanto pesa? por Matheus Magenta, Folha de S. Paulo

Vale quanto pesa?

Matéria de Matheus Magenta originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 9 de outubro de 2012.

Para destravar o Vale Cultura na Câmara, ministra articula a retirada dos aposentados do projeto

Para evitar o desgaste político de um veto da presidente Dilma Rousseff, a ministra da Cultura, Marta Suplicy (PT), articula com a base aliada a exclusão, ainda na Câmara, de aposentados e servidores públicos dentre os beneficiários do Vale Cultura.

A ministra avalia que a retirada de parte dos beneficiários causaria menos dano do que deixar o projeto parado na Câmara, como está hoje.

O Vale Cultura propõe benefício de R$ 50 mensais a ser utilizado no consumo de bens culturais, como livros e discos -no caso dos aposentados, seriam R$ 30.

Lançado com pompa em 2009 pelo então presidente Lula, o projeto é pretende incentivar o consumo cultural e é a principal proposta de política pública para este fim.

Para o professor Pablo Ortellado, do grupo de pesquisa em Políticas Públicas da USP, o objetivo do Vale Cultura não é incentivar projetos sem sustentação financeira (questão a ser sanada por políticas de financiamento e subsídio da produção).

"O que Vale Cultura visa é dar ao consumidor, principalmente ao mais pobre, o direito de ter acesso à cultura de acordo com seu próprio gosto e interesse", disse.

Segundo pesquisa de amostragem nacional feita em 2010 pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 71% dos brasileiros dizem que o preço alto é um obstáculo ao acesso à cultura e 80,4% dos que vivem na região Sudeste vão raramente ou nunca foram ao cinema.

BENEFÍCIO

Inicialmente, o vale só beneficiaria, por exemplo, trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos (R$ 3.110, no valor atual), via a renúncia do Imposto de Renda dos empregadores. Ao todo, cerca de 12 milhões de trabalhadores seriam beneficiados (veja quadro ao lado).

Assim, o governo deixaria de arrecadar cerca de R$ 7 bilhões anuais -valor que seria injetado no setor cultural.

Para se ter uma ideia do impacto potencial do Vale Cultura, foram investidos, via renúncia fiscal, R$ 9,1 bilhões ao longo de 20 anos de vigência da Lei Rouanet, o maior mecanismo de fomento à cultura do país.

O impasse na aprovação do projeto surgiu durante tramitação na Câmara, em 2009, quando aposentados e servidores federais foram incluídos no projeto. Só com os aposentados, a União desembolsaria R$ 9 bilhões anuais (o MinC não calculou o impacto do funcionalismo).

"Foi uma armadilha porque inviabilizou o projeto mais importante de cultura para a população carente. Foi uma perversidade", disse Marta Suplicy à Folha.

Procurado, o Sindicato Nacional dos Aposentados não se manifestou até o fechamento desta edição.

ESTRATÉGIA

Na semana retrasada, a ministra se reuniu com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT), para acertar os detalhes da estratégia governista de pulverizar o ônus político entre os deputados federais.

O projeto já foi aprovado no Senado, mas voltou à Câmara porque sofreu mudanças, como a inclusão da possibilidade de usar o vale para comprar jornais e revistas.

Os ex-ministros da Cultura Juca Ferreira (2008-10) e Ana de Hollanda (2011-12) não tiveram força política para convencer a base aliada a mudar o projeto e levá-lo a votação. Agora, caso seja aprovado, segue para sanção de Dilma.

Há ainda uma preocupação com as eleições presidenciais de 2014, quando Dilma deve concorrer à reeleição.

O governo corre contra o relógio porque projetos com renúncia fiscal só passam a valer no exercício seguinte. Ou seja, se for aprovado neste ano, só vigorará em 2013. Somam-se a isso os seis meses necessários para a implementação do vale, que estaria a pleno vapor no ano eleitoral.

Posted by Marília Sales at 11:26 AM

Edital para negros divide meio cultural por Lucas Nobile e Matheus Magenta, Folha de S. Paulo

Edital para negros divide meio cultural

Matéria de Lucas Nobile e Matheus Magenta originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 2 de outubro de 2012.

Medida anunciada anteontem pela ministra da Cultura deve criar seleções públicas para criadores afro-descendentes

Marta Suplicy pediu propostas para Funarte, Biblioteca Nacional e Ancine até o Dia da Consciência Negra

O anúncio do lançamento de editais exclusivos para criadores e produtores negros, feito anteontem pelo Ministério da Cultura, dividiu opiniões entre acadêmicos e artistas brasileiros.

Enquanto parte defende os editais, que devem ser lançados no Dia da Consciência Negra (20/11), outros os consideram preconceituosos.

"É um absurdo. Se eu fosse negro, ficaria muito puto. É uma coisa de demência, ligada à culpa cristã de classe média branca. É só um passo a mais pelo ódio racial que está sendo potencializado desde que o PT entrou no poder", disse o cantor Lobão.

Para o autor de "Cidade de Deus", Paulo Lins, a medida anunciada pela ministra Marta Suplicy é boa e necessária.

"O negro tem que ter privilégio e inclusão em tudo. Ele foi sacrificado durante 400 anos de escravidão no país."

KL Jay, do Racionais MC's, concorda com Lins sobre a dívida que o Brasil tem com os descendentes de escravos. "O país me deve muito mais."

Já o cineasta Zelito Viana, que produziu "Terra em Transe" (1967) e "Cabra Marcado Para Morrer" (1985), considera a medida "racista". "Agora haverá editais também para anão e para mulher?"

Para o professor de ciência política da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) João Feres Júnior, a medida é importante porque a cultura brasileira é "extremamente branco-cêntrica".

"Os produtores de narrativas são quase que exclusivamente brancos ou falam de uma perspectiva da qual a questão do racismo e da discriminação é invisível."

O compositor, pesquisador e escritor Nei Lopes concorda com Feres Júnior.

"Há uma grande 'invisibilização' da produção do povo negro nos circuitos da ação cultural", afirmou Lopes.

Danilo Miranda, diretor do Sesc-SP, disse ter inicialmente se assustado com o anúncio. "Achei que seria inadequado para um país que respeita a igualdade. Mas, depois, achei que se tratava de algo adequado para tornar o Brasil um país mais justo."

LEGALIDADE

Para o sociólogo Demétrio Magnoli, a medida é discriminatória porque viola a igualdade constitucional entre os cidadãos, mas hoje "infelizmente" é legal graças à decisão do Supremo Tribunal Federal a favor das cotas raciais no vestibular da universidade de Brasília (UnB).

Em agosto, a presidente Dilma Rousseff aprovou um sistema cotas sociais, mas não raciais, na rede federal de ensino superior.

Sobre o edital anunciado pelo MinC, o advogado Sebastião Ventura da Paixão Jr disse que a medida pode ser "inconstitucional" caso o critério de seleção seja racial.

"O governo deve ter muito cuidado para que, na ânsia de resolver um problema social, não faça um ato despido do necessário equilíbrio constitucional", afirmou.

Gisele Jordão, responsável por um estudo sobre a produção cultural no Brasil, diz que o debate é anterior ao de raça: 63% dos produtores do país não conseguem viver da profissão. Segundo ela, projetos com tema afro-brasileiro têm mais dificuldade em captar recursos via Lei Rouanet que a média do país.

Posted by Marília Sales at 10:54 AM | Comentários (2)

Processo criativo de Maíra Ortins ocupa Mamam no Pátio, no Recife por G1, globo.com

Processo criativo de Maíra Ortins ocupa Mamam no Pátio, no Recife

Matéria do G1 originalmente publicada no globo.com em 8 de outubro de 2012.

Visita à residência artística começa na segunda-feira (8) e é de graça. Artista e curadora Mariana Ratts vão conversar com o público dia 27

A partir da segunda-feira (8), no Recife, o Mamam no Pátio recebe "Al revés", projeto de pintura-processo idealizado pela artista cearense Maíra Ortins. Durante a residência, que terá duração de 23 dias, a artista pintará sobre as paredes do Mamam no Pátio a história de uma ilha imaginária.

Todo o processo de composição do trabalho será registrado diariamente e pode ser visto pelo público no blog ou visitando o Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (Mamam) de graça. O horário de funcionamento é de terça à sexta, das 13h às 18h, e aos sábados, das 12h às 17h.

No dia 27 de outubro, Maíra Ortins e a curadora da mostra, Mariana Ratts, vão conversar com o público, a partir das 15h. O resultado do processo será apresentado no dia 30, a partir das 19h.

"Al revés" significa esquerdo, às avessas, que ocorre de maneira contrária. No projeto, as paredes do Mamam no Pátio serão povoadas por pinturas de criaturas míticas, que habitam a Ilha de Pasárgada, e cenas cotidianas. As imagens serão gradativamente sobrepostas pelo desenho do mar em um movimento de maré, que logo cobrirá a imagem anterior.

A maré desordenada, por fim, engolirá simbolicamente as imagens, a parede, o espaço. O projeto se materializa através do transcorrer do tempo, utilizando-se deste como elemento fundamental para a sua ação.

Posted by Marília Sales at 9:53 AM

outubro 5, 2012

Mudanças no CCBNB afetam exposições por Pedro Rocha, O Povo

Mudanças no CCBNB afetam exposições

Matéria de Pedro Rocha originalmente publicada no caderno Vida & Arte do jornal O Povo em 4 de outubro de 2012.

Centro Cultural do Banco do Nordeste entregou o terceiro andar do prédio que ocupa no Centro. Prazo para a saída completa se encerra em março de 2013

Aberta no último dia 14 de setembro, a exposição Perambular, Experimentar e Correr Perigo já foi desmontada, ao menos por enquanto. Resultado da primeira turma do Programa de Pesquisa do Centro de Artes Visuais de Fortaleza, a exposição foi a mais afetada pelas recentes mudanças no Centro Cultural do Banco do Nordeste (CCBNB), depois deste ser obrigado a entregar na semana passada o terceiro dos quatro andares que ocupa no edifício Raul Barbosa, no Centro.

O espaço agora será ocupado pela Justiça Federal do Ceará, instituição que funciona desde 2001 na maior parte do prédio e que em outubro do ano passado comprou por R$ 10 milhões o restante dos 15 andares.

No lugar da exposição dos alunos do curso – uma parceria entre a Vila das Artes e o próprio CCBNB –, será instalada a biblioteca do centro cultural, que por anos funcionou no terceiro andar e é hoje um dos serviços mais procurados do equipamento. As obras artísticas devem ser deslocadas para outro local no próprio térreo, que antes servia de espaço de convivência. Tanto a exposição quanto a biblioteca devem ser reinauguradas no próximo dia 9, afirma Jacqueline Medeiros, coordenadora de artes visuais e gerente interina do centro cultural.

Uma reforma no térreo do prédio foi feita em três dias para se adequar à nova disposição. “Nessa data não estava programado, porque estávamos esperando pra novembro”, fala Jacqueline. De fato, o aviso sobre a desmontagem da exposição foi feito aos participantes apenas dias antes, como confirma Enrico Rocha, coordenador do Programa de Pesquisa em Artes Visuais, que criticou a decisão.

“O banco trabalha com uma grade de programação fechada com muita antecedência, então era previsível fazer essa alteração, adequar a programação, mas a gente foi surpreendido.”, afirma Enrico. “O novo lugar destinado é muito menor do que o anterior, a gente ainda está estudando a possibilidade de adequar, mas sabe que não vai poder montar a exposição como estava”.

Para ele, a redução do espaço do CCBNB preocupa por representar a visão da diretoria do banco sobre a cultura. A avaliação é semelhante a feita pelo artista plástico Eduardo Frota, que estava programado para abrir a exposição Diagramas em Monocromias no segundo e terceiro andares e também foi afetado pela mudança de última hora – apesar da exposição ter sido aberta e permanecer em cartaz, agora com obras no primeiro andar também.

“É inverter o papel. A burocracia do banco tem que entender exatamente o contrário, que o que dá aval ao banco é um projeto sociocultural, é o que dá aval pra essa instituição merecer um status”, opina Eduardo.

Planejamento
Por trás dos comentários dos artistas, está a razão da mudança repentina. O contrato de compra pela Justiça Federal dos quatro andares do prédio, onde hoje funcionam o centro cultural e uma agência do BNB, estabeleceu prazos para a desocupação gradual do espaço.

De acordo com o juiz federal Leonardo Resende, ficou previsto que a agência sairia do local em um ano após a compra, ou seja, em outubro agora; e o centro cultural, em março de 2013. Todavia, o banco não conseguiu concluir a tempo a transferência da agência e sacrificou o terceiro andar do CCBNB para cumprir o acordo.

“Recentemente, diante da dificuldade do BNB, negociamos a liberação de um outro espaço - no caso, o 3º andar do edifício -, a fim de que a Justiça Federal pudesse seguir com a reforma. É que dispomos de recursos orçamentários para esse fim que devem ser necessariamente gastos no decorrer do ano de 2012.”, explica Leonardo.

Os prazos são confirmadas pela gerente em exercício do Ambiente de Gestão da Cultura do BNB, Tessi Letícia, que nega que a instituição foi surpreendida. “Não pegou de surpresa, já que a negociação vinha sendo realizada há algum tempo”, afirma.

Quanto à desocupação total, que deve ser realizada até março de 2013, ela afirma que a nova sede do CCBNB está sendo viabilizada: “As negociações para a mudança de local estão em andamento, mas ainda não podemos adiantar nenhum detalhe”.

Posted by Cecília Bedê at 2:27 PM

Monalisa, o eterno retorno por Paula Alzugaray, Istoé

Monalisa, o eterno retorno

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na seção de artes visuais da revista Istoé em 28 de setembro de 2012.

Com série de 100 Monalisas manipuladas artesanalmente, Nelson Leirner revolve a própria memória e volta ao cinema

Quadro a Quadro: Cem Monas – Nelson Leirner/ Silvia Cintra + Box 4, RJ/ até 20/10

O primeiro a corromper o maior ícone de todos os tempos foi Marcel Duchamp. Em 1919, o artista francês riscou bigode e cavanhaque sobre um cartão-postal da “Monalisa” e intitulou a intervenção “L.H.O.O.Q.” (letras que pronunciadas em francês conformam a frase “Elle a chaud au cul” e que, em tradução coloquial, quer dizer algo do gênero “Ela tem fogo no rabo”). Esta foi apenas uma das provocações do artista que mudou para sempre o estatuto da arte moderna. Depois de Duchamp, outros artistas trabalharam com a popularização da pintura de Da Vinci. Warhol nos EUA, nos anos 1970; e Nelson Leirner, em obra que representou o Brasil na Bienal de Veneza de 1999. Hoje, quase um século depois da crítica de Duchamp, a “Monalisa” tem aproximadamente 23 milhões de manipulações digitais na internet. Além de bigode, ela hoje usa óculos, fita no cabelo, gravata-borboleta, colar de pérolas, cabelo crespo, orelhas de coelha e por aí afora. Como observador arguto da cultura de massa, Leirner não poderia passar incólume por esse fenômeno que caiu na rede. Resolveu, então, “banalizar o banalizado”.

Fazer uma instalação que remete ao cinema, sem o uso da câmera. Esse foi o desafio autoimposto pelo artista ao realizar a obra “Quadro a Quadro: Cem Monas”, exposta na Silvia Cintra + Box 4, no Rio. Em seu trabalho mais recente, Leirner retorna à figura mais pop e enigmática da história da arte para revolver e reprocessar as diversas fases do próprio trabalho. A começar pelo cinema, que experimentou nos anos 1960 e 70, fazendo uso do super-8. “Pensei muito em super-8 enquanto fazia essas Monas. Eu pegava filminhos que vendiam para festas de aniversário e fazia montagens. Numa cena que a Lady Godiva estava nua no cavalo, eu cortava para o Chaplin, depois passava para o Mickey. Ia grudando com durex. Ficava muito divertido. A “Monalisa” teve para mim o efeito desses filmes, de colagem”, conta Leirner.

Assim, quadro a quadro, Leirner passeia pelos mercados populares e camelôs onde foi buscar as matérias de tantos trabalhos memoráveis.

Cem Monas e cinco livros
Essas colagens são como eternos retornos? Personagens periodicamente vão e voltam, entram e saem de cena?

Essas colagens são como eternos retornos? Personagens periodicamente vão e voltam, entram e saem de cena?

Retornos de memória, sim. Hoje eu não trabalho mais com o conceito, só com a memória. O artista está sempre colocando o conceito antes. Eu antes faço o trabalho para depois conceituar.

Então essa relação das Monalisas com o cinema apareceu depois?
Apareceu durante, no fazer. Mas antes havia o livro do Tarkovsky, que eu já tinha lido. Quando dei aula para vocês, eu só falava de Duchamp. Hoje eu tenho cinco livros de cabeceira. Esculpir o tempo, Tarkovsky. Porque o tempo é o principal mote do cinema. Depois, peguei o Pirandello, porque todo teatro do Pirandello é um jogo, e a questão do jogo me atrai muito. Depois, peguei “A Poética do Espaço”, do Bachelard, porque ele tem uma visão psicológica e antropológica do espaço. Ele fala de um outro espaço. Do espaço que está no canto, no cofre, na gaveta, no armário, naquela tua bolsa. Gosto dessa ideia de me relacionar com um espaço que não é o meu.

O espaço que não é o seu é o desconhecido. Esse também não é o espaço da arte?

Com a arte, você abre o cofre. Enquanto que, se o cofre está fechado, você sempre poderá imaginar tudo o que está lá dentro. Não é só dinheiro. Posso guardar a própria arte dentro do cofre. Pelo valor. Então, você pode pensar a arte como dinheiro, dentro do cofre. Veja bem, você roda muito mais não lendo sobre arte. Depois vem a fotografia, que eu acho que tem muita importância, hoje. Daí eu pego o Barthes, “A Câmara Clara”. Por quê? Porque acho muito bacana a percepção dele da fotografia como não fotógrafo. E no fim o Duchamp, né? O livro do Octavio Paz sobre Duchamp, “O Castelo da Pureza”. Octavio Paz escreve sobre dois gênios: Duchamp e Picasso. Picasso pelo que fez, Duchamp pelo que não fez. E eu estou no meio! Não chego nem a fazer, nem a deixar de fazer, como Duchamp. Por isso é que eu me sinto, de certa maneira, frustrado. Porque eu não atingi nem o fazer – por mais que eu faça, não sinto que a arte para mim é essa compulsão do Picasso. E Duchamp pelo que não fez: 35 anos jogando xadrez. E o xadrez que ele joga vira arte! E a vida dele se torna arte! Isso eu também não consigo fazer.

Posted by Cecília Bedê at 1:30 PM

outubro 3, 2012

MinC é "só confusão", diz Marta Suplicy por Matheus Magenta (Folhapress), O Povo

MinC é "só confusão", diz Marta Suplicy

Matéria de Matheus Magenta originalmente publicada no caderno Vida e Arte do jornal O Povo em 3 de outubro de 2012.

Após ouvir um depoimento sobre a falta de recursos para Pontos de Cultura no Tocantins, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, afirmou na tarde de segunda passada que a pasta é “só confusão”. Ela assumiu o cargo no último dia 13.

“Esse ministério é só confusão”, disse Marta durante encontro na sede da Coletivo Digital, em São Paulo, organização não governamental que atua na área de inclusão digital.

A declaração da ministra arrancou risos da plateia, formada por cerca de 100 pessoas - a maioria ligada a ONGs que têm convênios com o Ministério da Cultura (MinC).

Marta disse ainda que o programa Cultura Viva, que inclui os Pontos de Cultura, foi “desidratado” no MinC, mas deve ser retomado agora durante sua gestão.

Os Pontos de Cultura são iniciativas independentes espalhadas pelo País e financiadas diretamente pelo ministério para impulsionar a produção e a difusão cultural, como oficinas de vídeo.

No encontro, a ministra ouviu diversas sugestões sobre a reforma da Lei de Direitos Autorais, discussão que está em curso no MinC, e reclamações sobre a falta de recursos para Pontos de Cultura durante a gestão da ex-ministra Ana de Hollanda (2011-12).

“Gente, vamos esquecer minha antecessora. Precisamos olhar pra frente”, disse Marta. Ela arrancou novamente risos da plateia ao ser questionada sobre a perenidade das políticas públicas implementadas durante sua gestão.

Críticas
Para Pedro Markun, do grupo Transparência Hacker, Marta deixará o MinC em algum momento por causa de seu perfil político. Ela deixou o cargo de ministra do Turismo em 2008 para disputar a Prefeitura de São Paulo.

“Você já está me mandando embora?”, brincou a ministra. Em seguida, o mesmo Markun cobrou dela mais transparência no site oficial do Ministério da Cultura em relação aos gastos públicos da pasta.

“Eu nunca vi um site tão ruim”, concordou Marta. Depois, ela sugeriu que a página deve passar por uma reformulação.

Após o evento, que durou quase uma hora, ela seguiu para participar de um evento da agenda do candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. (Matheus Magenta, da Folhapress)

Posted by Cecília Bedê at 4:08 PM

Verbo reúne performances com ar teatral por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Verbo reúne performances com ar teatral

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 2 de outubro de 2012.

Festival da galeria Vermelho traz ações que usam roteiro, cenografia e iluminação

De efêmero e visceral para algo estruturado e teatral. Performances já não são mais o que eram quando o gênero estourou nas artes visuais nas décadas de 1960 e 1970.

Na atual etapa de ações do Verbo, festival dedicado a esse suporte na galeria Vermelho, em São Paulo, o foco se volta para um híbrido de performance e elementos tradicionalmente ligados ao teatro, como cenografia, roteiro, direção, figurino, trilha sonora e iluminação.

"Há um controle que foi retomado no campo da performance", analisa Julia Rodrigues, que montou o programa de seis performances encenadas hoje na galeria. "É quase artificial: a ação é construída, tem roteiro, regras, toda uma estrutura teatral."

Essa é uma mudança que extrapola o festival. Museus de peso no mundo todo, como o MoMA, em Nova York, a Tate, em Londres, e instituições brasileiras, como o Museu de Arte Moderna do Rio e o Instituto Inhotim, em Minas Gerais, vêm repensando a forma de encaixar performances em exposições e preservar essas ações em seus acervos.

Na última Documenta, em Kassel, na Alemanha, o artista Tino Sehgal ocupou um galpão escuro com músicos e dançarinos que provocavam quem entrasse na sala. Embora parecesse improviso, ali também havia um roteiro.

É o caso igualmente das performances que podem ser vistas agora em São Paulo. Vivian Caccuri, a única brasileira do time de artistas, encena uma espécie de leitura dramática arrastada.

Junto de outros atores, ela lê um texto em que as palavras foram decantadas em sílabas e cada fonema é pronunciado de forma isolada. Cada ator aguarda o término da sílaba pronunciada pelo antecessor para então recitar a sua parte do verso, alongando o texto por uma hora.

Lilibeth Cuenca Rasmussen, artista dinamarquesa que já participou do Verbo, encena agora uma performance em que se veste de homem e encarna alguns estereótipos masculinos -uma reflexão sobre o território perdido pelos homens numa sociedade que já reconheceu a importância da mulher.

Rasmussen troca de figurino várias vezes e tem também músicos e atores em ação no palco. "Esses artistas pensam em como expandir a performance para o espaço", diz Rodrigues. "São personagens surreais, improváveis, e tudo é construído, roteirizado."

Tanto que outras ações, como a do grupo A Kassen, em que uma goteira de vinho foi instalada na galeria, a do francês Julien Bismuth, em que o artista lê um texto com projeções, e a da dinamarquesa Hannah Heilmann, em que a artista cria uma representação do mundo virtual, também respeitam a ideia de mise-en-scène e construção.

Posted by Cecília Bedê at 3:45 PM

Cotidiano repagina galeria tradicional por Juliana Monachesi, Revista Select

Cotidiano repagina galeria tradicional

Matéria de Juliana Monachesi originalmente publicada na Revista Select em 1 de outubro de 2012.

Aproximações entre modernos e contemporâneos instigam o olhar e o pensamento sobre arte

Curadoria de Mario Gioia coloca a Galeria de Arte André de volta no mapa da arte contemporânea

Caso a vista do cruzamento entre as ruas Estados Unidos e Gabriel Monteiro da Silva, retratada acima, seja novidade para você, então chegou o dia de você deixar seus preconceitos do lado de fora e entrar na tradicionalíssima Galeria de Arte André. A maior parte dos frequentadores do circuito de galerias de arte contemporânea só conhece a fachada da galeria André, de passar a pé ou de carro por ali a caminho da Zipper, da Logo ou da Vila Madalena. São da opinião de que ali só há arte moderna ou obras decorativas para ver. Certo?

Errado. A exposição coletiva Cotidiano, com curadoria de Mario Gioia, que fica em cartaz até o próximo sábado, dia 6, marca um redirecionamento da galeria e apresenta, lado a lado, obras do acervo da André, entre as quais estão pinturas de Aldo Bonadei, Alfredo Volpi, Cícero Dias e Eliseu Visconti, e obras de artistas atuantes na cena paulistana, como Angela Santos, Cecilia Walton, Ivan Grilo e Rodrigo Cunha.

O ponto alto da curadoria está no feliz encontro entre Aldeia a Beiramar (1984), de Fulvio Pennacchi, e Ateliezinho (2012), de Rodrigo da Cunha. A tela de Pennacchi representa uma vila de pescadores em que os moradores protagonizam serenamente seus labores diários. A pintura de Cunha mostra o interior de seu ateliê, onde elementos prosaicos do cotidiano do artista revelam características íntimas de seu processo de trabalho. E há muitos outros encontros surpreendentes, como na abertura da exposição, nos retratos criados por Eliseu Visconti em 1921 e por Clarice Gonçalves em 2003.

Ou na tríade formada por telas de Marco Stellato, Carlos Scliar e um vídeo de Angela Santos. "Se a pintura de tons terrosos de Teruz, a retratar melancólicas cenas das bordas urbanas, parece prenunciar o desordenado crescimento da urbe brasileira, Cotidiano exibe trabalhos de outros artistas que atestam o status conflitante da cidade contemporânea. Sob certa perspectiva, Angela Santos, Marco Stellato e Rafael Resaffi lidam com uma metrópole lacerada, cindida", analisa o curador no ensaio do catálogo, afirmando ainda adiante que na tríade Stellato, Scliar e Santos existe uma coincidência temática de criar passagens para outros lugares por meio do superenquadramento.

O romeno André Blau fundou a Galeria de Arte André em 1959. A sede na rua Estados Unidos passou por expansões ao longo dos anos e hoje possui mais de mil metros quadrados. Blau trabalhou diretamente com muitos dos artistas que hoje são os mais representativos de seu acervo. Recentemente, a filha do galerista, Juliana Blau, após retornar de alguns anos de formação no exterior, assumiu a diretoria do espaço, com o objetivo de criar um novo programa de exposições acolhendo artistas em início de carreira e também dando espaço a nomes já estabelecidos. Para acompanhar de perto!

Posted by Cecília Bedê at 3:33 PM

Orgia por Fernanda Torres, Folha de S. Paulo

Orgia

Coluna de Fernanda Torres originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 28 de setembro de 2012.

A travessia africana de Carl G. Jung, narrada no livro "Memórias, Sonhos, Reflexões", termina com um exótico embate diplomático no Sudão profundo. Partindo de Mombaça, no Quênia, em direção à nascente do Nilo, a expedição cruza as terras altas dos Massais até atingir o território "dos pretos mais pretos que já conheci", segundo as palavras do psicanalista.

Cansados, os viajantes se preparam para dormir, quando são surpreendidos por uma dezena de guerreiros armados de lanças. Com medo de um ataque, Jung e os outros trocam oferendas e veem o grupo se retirar. Já na vigília, o suíço escuta uma violenta algazarra do lado de fora da barraca.

São os guerreiros que retornam acompanhados do restante da tribo. Animados, erguem uma imensa fogueira e se dividem em dois círculos, o das mulheres por dentro e o dos homens por fora, e se põem a dançar freneticamente em torno do fogo.

Aliviados com a recepção amigável, os europeus assistem pasmos à cerimônia imemorial que se estende pela madrugada. Jung comunga do transe nativo, grita, rebola, bebe e roda o chicote, até que, vencido pelo cansaço, sugere, com tato, uma retirada ao chefe. Mas o cacique responde que não, que eles querem dançar mais, e manda acelerar o batuque. Outra hora de catarse e nada do suado festejo ter fim.

Desesperado de sono, Jung, entre o sério e o jocoso, ordena com voz de lobo mau que a balbúrdia termine. E arrisca estalar o chicote, em uma exibição de força digna de um babuíno enraivecido. Surpresos com a atitude do estranho, os africanos estancam. Jung receia tê-los ofendido, mas uma gargalhada geral reverbera na selva e os faz retomar o incontrolável rito. Já sem humor, o branco repete enfático a sua pantomima de insatisfação. O líder, finalmente, entende o recado e comanda a debandada.

O som longínquo da orgia ressoa até a tarde do dia seguinte.

Lembrei-me do causo ao adentrar a Art Rio, feira de arte contemporânea que aconteceu no Rio de Janeiro em meados de setembro.

Sempre gostei de passar as tardes em museus, de ir aos ateliês dos amigos, às galerias e bienais, mas jamais havia estado em uma feira de arte. Ao contrário dos exemplos anteriores, todos filtrados por um olhar, seja o do curador, do galerista ou do próprio artista, na feira, cabe a você separar o que é arte do que é excesso.

O domingão de sol com as crianças, somado ao calor abafado e à extensão da mostra, proporcionaram uma visão distorcida do evento. Os estandes, com divisórias repletas de desenhos, esculturas, pinturas, instalações e vídeos, todos à venda, pareciam uma feira de adoção de animais em surto coletivo semelhante ao dos sudaneses de Jung.

As sessões privadas para colecionadores, razão primeira da iniciativa, devem ter causado outra impressão. O real forte e a falta de dinheiro no Primeiro Mundo merecem ser capitalizados, temos que compensar o exílio do "Abaporu", mas em meio a tanto de tudo: tanta gente, tanta obra, tanta expressão por metro quadrado, Di Cavalcanti, Mourão, Koons e Barrão se equivaliam pelos cantos.

A instalação do Ernesto Neto na Estação da Leopoldina, onde passei com a família antes de me dirigir ao mercado --um intestino rugoso que digere visitantes a dez metros de altura-- essa sim, me trouxe contemplação. A feira, não, a feira me deu angústia.

Dentre todas as manifestações artísticas, as artes plásticas são as que melhor se adaptaram aos valores atuais, tão ligados à economia e às massas. O teatro, a literatura, o cinema e a música ainda permanecem órfãos do século 20.

Com vantajosa liquidez, as artes plásticas se transformaram em um fenômeno popular comparável à culinária, à moda e à decoração. O luxo para todos. E fez isso sem perder o caráter íntimo de seus artistas. Mesmo amontoados, Moore, Hirst, Tarsila e Varejão resistiam sendo Moore, Hirst, Tarsila e Varejão.

Apesar da voracidade e do cheiro de bolha inflacionária da quermesse dominical, comemorei a boa fase da arte no Brasil. Mas tive vontade de rodar o chicote e gritar: "Comprem tudo de uma vez e, pelo amor de Deus, levem essas pobres obras para casa!".

Posted by Cecília Bedê at 3:00 PM | Comentários (1)

Causa preocupação o acesso à arte por intermédio da feira por Luisa Duarte, O Globo

Causa preocupação o acesso à arte por intermédio da feira

Matéria de Luisa Duarte originalmente publicada no caderno de cultura do jornal O Globo em 1 de outubro de 2012.

A experiência, para o leigo que busca educação, acaba sendo, naturalmente, a de um shopping

Na última sexta-feira, Fernanda Torres publicou em sua coluna na “Folha de S.Paulo” um ótimo texto intitulado “Orgia”, no qual relatava sua primeira experiência numa feira de arte, ocorrida em uma visita à ArtRio no domingo, dia 16 de setembro. A atriz se dizia assídua frequentadora de exposições em museus e galerias, mas uma feira ainda era algo inédito até então. O título da coluna já nos faz imaginar o que ficou como impressão desta vivência primeira. Algo angustiante pela quantidade, pela pressa, pela impossibilidade de discernir os trabalhos, os artistas, os valores. Tudo em meio a um ambiente cheio e ruidoso.

Eu estive na feira no dia de abertura, destinado a convidados, sendo colecionadores, curadores e diretores de instituições aqueles que mais interessam de fato aos galeristas, que por sua vez são o motivo de a feira existir e seus principais clientes. Voltei ao mesmo local no domingo ensolarado para rever trabalhos e fotografar alguns para uma pesquisa. Ou seja, pude testemunhar as duas situações distintas, mesmo que na abertura bares e pista de dança com música alta já dessem ao local um ar de festa incomum em feiras de arte.

Indo um pouco além e pensando com o olhar de quem trabalha dentro deste universo, divido aqui algumas preocupações. O fato de a feira alcançar um público de mais de 70 mil pessoas não é ruim em si, ao contrário, mas chama mais uma vez a atenção para a forma como se cristaliza hoje no Brasil uma conjuntura na qual o mercado se torna o grande paradigma da experiência da arte. Instituições e museus seguem, na sua maioria, esvaziados de atenção e público, bem como o espaço para a crítica e o debate permanece rarefeito, destituído de valor. Uma feira de arte não é, definitivamente, o lugar para uma experiência primeira com a arte. Tudo ali realmente incorre para o fragmentado, para a velocidade que distorce a visão, para a quantidade que nos deixa sem memória do que vimos. Trata-se de um lugar para especialistas, que pode vir a ser um bom passeio para um público leigo mas interessado, entretanto não pode e não deve se tornar a baliza para o contato com a arte e o paradigma solitário que dita os todos os valores.

Antes de começar as duas semanas dedicadas à arte no país, com a abertura da Bienal de São Paulo, de dezenas de mostras e terminando com a ArtRio, escrevi um texto breve para este caderno no qual falava sobre a necessidade de contermos a ansiedade que estava por vir, buscando escolher ver menos para ver melhor. Ou seja, ir a uma mostra de arte não é como ir ver vitrines de um shopping. E a experiência da feira, para o leigo que busca educação, acaba sendo, naturalmente, a de um shopping, não porque tudo ali está à venda — são poucos os que podem comprar —, mas por que a quantidade e a falta de critérios é imensa e não é papel da feira educar o olhar do público. Este papel, vou repisar, está destinado às instituições, aos museus, às escolas em geral, ou seja, há uma ligação da arte e da cultura, com a educação e a formação de um país.

Um outro dado que chamou a atenção nesta segunda edição da ArtRio foi o imenso espaço destinando a uma mostra da Galeria Gagosian. Tudo ali soava como um gesto neocolonizado, de uma subserviência de nossa parte chocante diante dos que vêm de “fora”.

Fez parte ainda dos lances protagonizados pela feira uma coluna paga, publicada nesta mesma página do Segundo Caderno nas semanas que antecederam o evento e na semana seguinte ao mesmo. Colocar na mesma página de conteúdos editoriais, de críticas feitas por especialistas anúncios travestidos de textos assinados (todos de qualidade duvidosa, quando não prosaicos mesmo) é uma ação que finda por embaralhar o leitor, que corre o risco de não discernir o que é propaganda do que é conteúdo editorial de fato.

Se orgia foi o termo usado por Fernanda Torres para definir o que viu, e angústia a palavra para definir o que sentiu lá dentro, considerando pertinentes tais colocações, e enxergando a proporção desmesurada que o mercado alcança no nosso circuito de arte, eclipsando outras instâncias fundamentais, nota-se que algo está fora do lugar.

A via de acesso à arte pela qual todos temos a responsabilidade de trabalhar não deve ser esta em voga, qual seja a do boom, da euforia, da grife. Desejo que o mercado faça o seu trabalho bem feito, que a ArtRio tenha vida longa, aperfeiçoe-se ano após ano e tenha a humildade de aprender com os erros e as críticas. Mas cabe a nós parar, analisar e pensar quando o paradigma maior da experiência da arte se torna a feira de arte. Volto a frisar o que escrevi nesta mesma época do ano em 2011: a tarefa de construir um maior equilíbrio de forças dentro dos vários eixos que compõem o circuito da arte do Brasil se torna a cada ano mais premente, e o ano de 2012 deixa isso ainda mais evidente. Arte é para proporcionar uma segunda pele para o mundo, deixá-lo menos opaco. De situações eufóricas que findam por promover angústia, ansiedade e, quiçá, depressão, já estamos fartos.

Posted by Cecília Bedê at 2:50 PM | Comentários (1)

outubro 2, 2012

Candidatos à Prefeitura de São Paulo divergem sobre ação das OS por Anna Virginia Balloussier e Matheus Magenta, Folha de S. Paulo

Candidatos à Prefeitura de São Paulo divergem sobre ação das OS

Matéria de Anna Virginia Balloussier e Matheus Magenta originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 1 de outubro de 2012.

O modelo de gestão cultural via organizações sociais (OS), no qual o poder público seleciona um ente privado sem fins lucrativos para gerir teatros, museus e orquestras, por exemplo, é uma das maiores divergências entre os cinco principais candidatos à Prefeitura de São Paulo.

Essa é uma das conclusões de um questionário com 24 itens enviado aos candidatos Haddad (PT), Chalita (PMDB), Serra (PSDB), Russomanno (PRB) e Soninha (PPS) por integrantes da Rede Paulista de Pesquisadores da Cultura.

A entidade reúne professores e pesquisadores universitários e produtores culturais, como Pablo Ortellado, professor da pós-graduação em Estudos Culturais da USP, e o pesquisador Valmir de Souza, do Instituto Pólis (ONG da área de políticas públicas).

Para o secretário municipal da Cultura de São Paulo, Carlos Augusto Calil, a análise da gestão via organizações sociais, hoje em fase de implantação para o Theatro Municipal, "não pode ser vista pelo lado ideológico".

Criado em 1998 no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o modelo de OS dá maior flexibilidade administrativa, já que o repasse de verbas e a gestão de equipamentos culturais como teatros e museus não precisam se submeter à Lei de Licitações.

Para o PT, o modelo privatiza uma gestão que deveria ser responsabilidade do Estado. Hoje, alguns dos principais museus de São Paulo, como a Pinacoteca e o Museu do Futebol, são geridos por organizações sociais.

POLARIZAÇÃO

A maioria das divergências se dá entre as posições defendidas pelos candidatos adversários do PSDB (partido governa o Estado de São Paulo e é aliado da gestão do pessedista Gilberto Kassab) e do PT (sigla no comando do governo federal desde 2003).

"A polarização PSDB versus PT ficou patente em pelo menos quatro pontos, como o papel atribuído à cultura nos processos de revitalização urbana e as políticas voltadas para a cultura comunitária e periférica", disse o professor da USP Pablo Ortellado, um dos responsáveis pelo questionário aplicado.

Já quando a pergunta aborda o Sistema Nacional de Cultura (modelo inspirado no Sistema Único de Saúde que integra federação, Estados e municípios e prevê o aumento progressivo de recursos para o setor), elaborado no governo do ex-presidente Lula (PT), as posições se invertem.

Serra tem restrições à adesão de São Paulo ao sistema.

"Ele embute o risco de ignorar particularidades locais e a autonomia dos entes federados. Não se pode comparar a complexidade de atuação de uma secretaria de uma cidade como São Paulo com a de uma cidade pequena do interior do país", afirmou.

Diante da pouca importância dada pelos candidatos à cultura durante a campanha eleitoral, o questionário tem dois objetivos centrais: apresentar a agenda da política cultural para a cidade e criar uma espécie de compromisso público dos candidatos.

Serra só enviou suas respostas após ser informado pela Folha de que o questionário seria abordado em uma reportagem.

Criticado por adversários por não apresentar propostas claras de governo ao longo da campanha eleitoral (a votação será no próximo domingo), Russomanno não foi além das respostas "sim", "não" ou "em termos", sem justificar suas posições.

Ainda assim, só ele, que lidera as pesquisas, e Chalita se comprometeram a investir na área 1,8% do orçamento municipal (cerca de R$ 700 milhões dos R$ 38,8 bilhões previstos para este ano).

O índice de 1,8% foi proposto pelos pesquisadores por ser o maior valor desde 1992. Atualmente, a fatia para a cultura oscila em torno de 1% (R$ 400 milhões).

"Não adianta colocar orçamento muito grande. Você recebe, mas não consegue executar, não tem instrumentos para isso", argumenta Calil.

ECONOMIA

Para os pesquisadores, a atual gestão da Secretaria Municipal de Cultura foi marcada pela criação e reforma de grandes equipamentos culturais (como museu ou teatro), a fim de revitalização urbana do centro da cidade.

Segundo eles, essa política levou, ao mesmo tempo, a um maior dinamismo econômico de uma região degradada e à gentrificação (a chegada de moradores mais abastados e o encarecimento do metro quadrado da região).

Para Haddad, esse tipo de política cultural é "um mecanismo de exclusão social".

Sobre as economias criativa e da cultura, apenas Chalita e Serra responderam.

"Parece-me coerente com o que Serra defende, como a proposta de construção de um centro de referência da moda, na zona leste", avalia a especialista em economia criativa Ana Carla Fonseca.

Posted by Cecília Bedê at 5:43 PM