Página inicial

Como atiçar a brasa

 


novembro 2013
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
          1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
Pesquise em
Como atiçar a brasa:
Arquivos:
As últimas:
 

julho 31, 2012

Bispo do Rosário lidera time de brasileiros em Londres por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Bispo do Rosário lidera time de brasileiros em Londres

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 30 de julho de 2012.

Quando Arthur Bispo do Rosário foi internado na colônia Juliano Moreira em 1938, ganhou o apelido de Xerife e foi encaminhado à ala dos pacientes mais violentos do hospital psiquiátrico. Isso porque antes de seu diagnóstico de esquizofrenia, o artista fora campeão de boxe.

Esse lado esportista de Bispo do Rosário, artista que morreu em 1989 no manicômio no Rio, onde fez quase toda sua obra, será visto agora em Londres no Victoria & Albert, museu conhecido pelo acervo de design e arte têxtil.

Nos últimos anos, Bispo do Rosário vem perdendo a aura mística de louco e sendo reconhecido cada vez mais como artista singular do século 20, autor de uma poética do improviso que serviu de base para sua obra coerente.

"Temos de parar com essa tese de loucura, que diminui a obra dele", diz Wilson Lázaro, curador da mostra que começa em 13 de agosto. "Ele era um negro, nordestino, não poderia fazer essa obra em outro lugar, então usou a instituição como um ateliê."

No museu londrino, estarão roupas de esportista que ele costurou adaptando o uniforme do hospital, faixas de miss que inventou para hipotéticas mulheres, miniaturas de barcos a vela e outras peças de um conjunto que soma 83 trabalhos do artista.

Nome central da próxima Bienal de São Paulo, onde terá mais de 300 obras em exibição, Bispo do Rosário encabeça agora durante as Olimpíadas em Londres um time do primeiro escalão de artistas contemporâneos do país.

ESTÉTICA DA GAMBIARRA

Suas peças forjadas da transformação de materiais precários, aliás, tem proximidade com uma das discussões centrais da mostra na Somerset House, em Londres, com nomes como Regina Silveira, Nelson Leirner, Adriana Varejão e Laura Lima.

Contrastando a noção britânica de "craftsmanship" e a gambiarra dos brasileiros, Rafael Cardoso, curador da mostra, tenta desfazer estereótipos sobre a arte do país.

"Não estou tentando promover nenhuma 'estética da gambiarra' e muito menos uma visão 'macunaímica' da arte brasileira", diz Cardoso. "Acho necessário confrontar essas questões para tentar entender melhor as tensões profundas da nossa cultura."

Nesse sentido, a obra de Laura Lima que vai a Londres é uma síntese potente desse discurso. Ela transforma cadeiras clássicas do mobiliário moderno, peças de Charles Eames e Marcel Breuer, em cadeiras de roda, injetando um grau de fragilidade e improviso no que se propôs como desenhos utópicos.

Noutra ponta da mostra, obras de Adriana Varejão e Rodrigo Braga levam a reflexões sobre um Brasil entre o civilizado e o selvagem --um barroco redivivo, em Varejão, ou uma natureza avassaladora, como nas peças de Braga.

"Do Limiar à Margem: Arte e Design Brasileiros no Século 21" está em cartaz na Somerset House. Veja detalhes em somersethouse.org.uk.

Posted by Cecília Bedê at 1:36 PM

Sérvia Marina Abramovic busca captação de R$ 15 milhões para abrir instituto por Audrey Furlaneto

Sérvia Marina Abramovic busca captação de R$ 15 milhões para abrir instituto

Matéria de Audrey Furlaneto originalmente publicada no caderno de cultura do jornal O Globo em 31 de julho de 2012.

Aos 65, principal nome da performance mundial vai dedicar um ano para buscar dinheiro

RIO - Marina Abramovic já desenhou no corpo, com uma navalha, a estrela-símbolo do comunismo. Penteou-se até ver sangrar o couro cabeludo, deitou-se numa esfera em chamas, passou 700 horas sentada no MoMA de Nova York olhando nos olhos de 750 mil pessoas. Aos 65 anos, o principal nome da performance mundial parece ter experimentado tudo, testando os limites do corpo e desafiando o público de incontáveis formas. Mas, agora, ela se prepara para algo completamente novo, um projeto que diz ser o maior desafio de sua vida: conseguir US$ 15 milhões em um ano.

— Levantar esse dinheiro é definitivamente um projeto artístico. Nunca fiz algo parecido. Não é o tipo de coisa que artistas fazem, mas é parte do meu sonho criar um legado, e não tenho escolha. Não sei como as pessoas fazem isso, não sou uma mulher de negócios, mas quero ver se, como artista, posso fazê-lo — diz a sérvia ao GLOBO, por telefone, de Amsterdã, onde descansava na última semana à espera do visto para os Estados Unidos (ela é cidadã holandesa, e seu escritório fica em Nova York).

A empreitada para levantar os US$ 15 milhões tem como objetivo erguer o Marina Abramovic Institute for the Preservation of Performance Art, em Hudson, a duas horas de Manhattan. A ideia é que o espaço, projetado pelo escritório do arquiteto Rem Koolhaas, abra em 2014. Para realizar o feito, ela fez uma lista de objetivos.

— Vou cumpri-los como um soldado, um a um. Não me importo com o tempo que vai levar. Para mim, é processo de criação. Vou a um lugar a que nunca fui antes: negócios, dinheiro. Não sei o que isso significa! Não sei sequer o que são US$ 15 milhões (risos). Mas a ideia de fazer algo que vai mudar a forma como a arte é recebida no mundo é muito estimulante — diz, para já emendar uma ressalva: — Não vou me sentar em jantares com pessoas ricas para pedir dinheiro. Não faço isso. Quero um jeito novo.

A artista já bloqueou a agenda de 2013 para dar conta da empreitada e abriu uma única exceção — para o Rio. Marina, que desde o início dos anos 1990 visita o Brasil frequentemente em busca de matérias-primas para suas obras, como cristais e pedras preciosas, diz que só vai interromper a busca pelos US$ 15 milhões para preparar um grande projeto que chegará ao Rio em 2014, em cinco endereços diferentes, ainda não definidos. Em outubro, virá à cidade para a estreia do documentário “The artist is present”, no Festival do Rio, e aproveitará para visitar alguns lugares.

Em maio, ela passou por aqui para encontrar o secretário municipal de Cultura, Emilio Kalil, e conhecer espaços, como o Imperator, no Méier, que poderiam abrigar seu projeto na cidade. Marina quer ensinar no Rio o “Método Abramovic” — segundo ela, “uma forma de obter um estado mental de completa clareza para desenvolver as próprias ideias” —, trazer a exposição homônima, que acaba de ser mostrada pela primeira vez, em Milão, na Itália, e apresentar trabalhos novos — além de montar por aqui a peça “Vida e morte de Marina Abramovic”, em que é dirigida por Robert Wilson ao lado do cantor Antony Hegarty (do Antony and The Johnsons).

— Já é hora de o Brasil ver essas obras que são mostradas no mundo todo, mas nunca aí. Vocês terão uma overdose de mim, aliás — diz, rindo.

Depois de outubro, Marina voltará ao Brasil em dezembro. Ficará dois meses pela Amazônia e por Alto Paraíso, em Goiás, para se encontrar com xamãs ou com “todas as possibilidades de aprender diferentes percepções do mundo”. Quer melhorar os “conhecimentos sobre energia”. Virá acompanhada de cinco pessoas, entre elas um fotógrafo e um diretor de cinema. O plano é criar um diário da viagem e talvez um filme. Quando for embora, em janeiro de 2013, voltará à busca pelos US$ 15 milhões. O principal desafio será fazer isso sem recorrer a patrocinadores milionários (“Pessoas que dão muito dinheiro querem algum retorno. E esse projeto não é sobre obter dinheiro ou fama, é sobre dar dinheiro até mesmo anonimamente porque você acredita nisso”, diz). A saída é seu público “extremamente jovem”.

— Tenho 70 mil pessoas no meu Facebook. Obama levantou o dinheiro para a campanha presidencial apenas com doações em seu site. Vamos ver qual é o poder desses jovens.

Para ela, “o sonho é fazer o que fez Andy Warhol com sua Factory” — “mas sem drogas”, avisa. Ela diz que passou incólume pelos anos 1970, quando criou performances emblemáticas (e arriscadas, como aquela em que se deitou sobre chamas), tudo sem drogas ou álcool.

— Realmente não gosto de drogas. Acho que é tão importante ter a mente limpa. Mas sabe? É tão fácil ser egoísta, ou seja, quem se importa? Eu me importo e realmente acredito que se pode ter uma consciência maior. Eu poderia apenas aproveitar meu sucesso, passar os dias viajando e tendo bons momentos. Mas não acho que isso seja bom. Todo o conhecimento e a experiência que tenho podem ser formalizados e ajudar outra geração a adquirir experiência.

Buscar milhões para o instituto é algo um tanto distante dela, que, nos primeiros trabalhos, fazia tudo sem dinheiro, com o então marido e artista Ullay (“Meu corpo era minha arte. Isso não custa muito”, brinca). Depois da retrospectiva no MoMA, em 2010, passou a vender mais e se animou a investir tudo no instituto.

— Gastei os US$ 170 mil que ganhei nessa prosperidade só para consertar o telhado (do prédio do instituto). Percebi que o projeto está além das minhas possibilidades.

Marina diz não se ressentir com o fato de a arte ter se aproximado tanto dos negócios (“A arte sempre foi ligada a negócios, não é algo novo”) e menos ainda que isso não tenha chegado de forma intensa à performance (“Ninguém tinha dinheiro, especialmente os performers, e isso não mudou muito”). Ela própria vive da arte apenas há 15 anos — foi professora durante 25 anos.

— Hoje, trabalho tanto para fazer da performance uma arte do mainstream que é natural que eu consiga viver disso. Mas também não é que eu viva exatamente de performance, porque vivo da venda das fotos, dos objetos. E ainda assim meus preços são tão mais baixos do que, por exemplo, jovens artistas que fazem pintura. Meu trabalho é 20 vezes mais barato — diz, dando uma longa gargalhada.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/servia-marina-abramovic-busca-captacao-de-15-milhoes-para-abrir-instituto-5634793#ixzz22DYNpvlp
© 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.


Posted by Cecília Bedê at 1:01 PM

Bhering: dois decretos da prefeitura garantem presença de artistas no prédio, O Globo

Bhering: dois decretos da prefeitura garantem presença de artistas no prédio

Matéria originalmente publicada no jornal O Globo em 30 de julho de 2012.

Eduardo Paes assinou documentos determinando tombamento e desapropriação do espaço

RIO - Depois de se manifestar no Twitter em favor dos mais de 50 artistas que ocupam o prédio da antiga fábrica Bhering, no Santo Cristo, o prefeito Eduardo Paes assinou dois decretos nesta segunda-feira que garantirão a presença dos ateliês de arte no edifício.

Com os decretos — um de tombamento e outro de desapropriação —, que serão publicados no Diário Oficial nesta terça-feira, o prédio da Bhering passa a ser patrimônio histórico e cultural, além de agora pertencer à prefeitura. Os empresários que arremataram o espaço em leilão serão indenizados.

— Os artistas permanecem no prédio. Esse era o objetivo da prefeitura desde o início, com a recuperação do porto. Todo o trabalho é para ter mais gente naquela região, e ainda mais quando se trata de força criativa, como é o caso dos artistas — diz Washington Fajardo, secretário municipal do Patrimônio Público. — Seria um contrassenso tirar os artistas dali.

O prédio da Bhering havia sido leiloado e arrematado pela Syn-Brasil Empreendimentos Imobiliários em meados de 2011. Desde então, a dona do imóvel vinha tentando impugnar a venda, sem sucesso.

Posted by Patricia Canetti at 9:45 AM

julho 30, 2012

Mostra de Caravaggio chega ao Masp por Camila Molina, O Estado de S. Paulo

Mostra de Caravaggio chega ao Masp

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 30 de julho de 2012.

O museu abre nesta quinta-feira ao público a maior exposição do pintor italiano no Brasil

Violência, drama, erotismo, genialidade, maestria na técnica do claro-escuro na pintura - Caravaggio “punha em cena a humanidade atormentada, envolvida pelas trevas, junto aos eventos salvadores por onde se libertava a luz”, como define a superintendente do Patrimônio Histórico do Polo de Museus de Roma, Rosella Vodret. Há sempre algo de teatral nas telas de um dos maiores pintores do século 17 - por meio de um estilo revolucionário, Caravaggio colocava as figuras de seus temas em primeiro plano, fazendo com que um fecho de luz “forte e direto” sobre a cena deixasse a composição com uma “realidade vital”.

Na última vez que o Brasil recebeu obras do pintor italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610), em 1998, vieram ao Masp só duas telas do artista, Narciso e Os Trapaceiros. Agora, após mais de uma década, o País abriga novamente suas pinturas, com a mostra Caravaggio e Seus Seguidores, que o mesmo Masp inaugura na quarta-feira para convidados e na quinta-feira para o público. Foram dois anos de negociações para que a exposição pudesse reunir um conjunto expressivo de sete obras do pintor - entre elas, São Jerônimo Que Escreve (da Galeria Borghese de Roma), São Francisco em Meditação (do Palazzo Barberini da capital italiana) e Medusa Murtola (de colecionador privado).

Primeiramente, a exposição foi apresentada em Belo Horizonte, na Casa Fiat de Cultura, onde recebeu quase 90 mil visitantes. Quando inaugurada em Minas, em maio, abrigou seis pinturas de Caravaggio porque a sétima obra do artista, São João Batista Que Alimenta o Cordeiro, de coleção particular, chegou ao Brasil apenas em meados de julho para integrar-se à mostra. “Atravessamos muitas dificuldades”, diz o museólogo Fabio Magalhães, que assina a curadoria da exposição ao lado do italiano Giorgio Leone, do Patrimônio Histórico do Polo de Museus de Roma. Rosella Vodret, superintendente do órgão, foi fundamental também no projeto. “Na verdade, a seleção de obras de Caravaggio foi o que pudemos trazer ao Brasil”, conta Magalhães. Pelas leis de incentivo, foram utilizados R$ 5,5 milhões para realizar a exposição.

Apesar de a mostra ser considerada a primeira grande exibição de Caravaggio no País - em 1954, no 4.º Centenário de São Paulo, a cidade recebeu três pinturas do artista (Sacrifício de Isaac, Cena in Emmaus e Davi com Cabeça de Golias); e em 1998, Narciso e Os Trapaceiros -, há no conjunto duas obras que ainda são apenas atribuídas ao pintor: São Januário Degolado (1610), do Museu Diocesano de Palestrina, e cópia de São Francisco em Meditação (1606- 1618), de coleção particular de Malta. “As revisões de autoria são constantes na história da arte, ainda mais agora, com as possibilidades novas para pesquisa como o uso de raio X e de infravermelhos”, afirma Magalhães.

Nesse sentido, a exposição abriga duas peças recentemente creditadas a Caravaggio, Medusa Murtola (1597), atribuída ao artista no ano passado, em Milão, e agora considerada a primeira versão da famosa obra do pintor, criada sobre um escudo de madeira, e Retrato do Cardeal (1599- 1600), da Galleria degli Uffizi, de Florença. “Há apenas cerca de 70 Caravaggios no mundo”, diz Magalhães. O Masp não possui em seu acervo nenhuma obra de Caravaggio.

De todas as telas reunidas na exposição, São Jerônimo Que Escreve (1605-06) é a que mais encarna as características de Caravaggio. “Representa drama muito tenso, com poucos elementos, naturalismo, jogo de luz sobre o personagem com a caveira e o texto”, analisa Magalhães. “Faltou na exposição o erotismo de Caravaggio, mas há um pouco de carnalidade no dorso nu do santo e seu tema de recondução da morte, como na representação do São João Batista jovem”, continua o curador. Já o “caráter mais violento” da obra do pintor é identificado na Medusa mitológica, representada sobre o elmo em que se viu prestes a ser degolada (há a teoria de que seja autorretrato do artista). “Caravaggio era indignado com o poder. Para ele, não importa que o vitimado seja vilão, herói ou santo”, define Magalhães sobre o pintor de temperamento explosivo, que tem em sua biografia um homicídio, cometido em 1606 (até a sua morte, em Porto Ercole, o artista fugiu de sua condenação à morte).

Como diz seu título, a mostra Caravaggio e Seus Seguidores ainda exibe 15 pinturas realizadas por artistas contemporâneos do pintor, de gerações distintas e de origens italiana, francesa, espanhola e flamenga. Temas e estilo de Caravaggio são reverenciados nesse segmento, que tem como destaque Madalena Desmaiada, de Artemisia Gentileschi, filha do pintor Orazio Gentileschi.

Posted by Cecília Bedê at 1:54 PM

Sem acordo no prédio da Bhering, O Globo

Sem acordo no prédio da Bhering

Matéria originalmente publicada no jornal O Globo em 30 de julho de 2012.

Comprador do edifício ocupado por artistas diz que não vai negociar e exige desocupação

RIO - Não há chance de negociar. O empresário Marcelo Rodrigues, um dos sócios da Syn-Brasil Empreendimentos Imobiliários, que comprou em leilão o prédio da antiga fábrica Bhering, no Santo Cristo, disse ao GLOBO que não aceitará a permanência dos artistas no edifício, ocupado por mais de 50 ateliês e cerca de 20 empresas há 12 anos. Segundo ele, a intenção é criar ali um “centro cultural, com teatro, restaurante e cervejaria”. Sua família é dona de uma fábrica de cerveja em Teresópolis.

— A vocação do prédio é cultural. Vamos explorar uma parte comercialmente, com a cervejaria, e vamos dar espaço a artesãos. Mas eles serão selecionados por nós — afirma.

Atualmente, os artistas que mantêm ateliês no prédio e algumas das empresas lá instaladas organizam mostras, shows e lançamentos de livros. Todos terão 30 dias para deixar o prédio, por determinação da Justiça. O edifício, leiloado para sanar dívidas tributárias dos donos, acabou arrematado por R$ 3,2 milhões pela Syn-Brasil.

A Bhering tenta impugnar o leilão desde o ano passado, mas, segundo Rodrigues, não há mais possibilidade de recorrer da decisão judicial. A Bhering reclama que o valor da venda é abaixo do de mercado. O empresário se defende afirmando que não houve outra empresa interessada na compra, daí o valor abaixo do estimado (segundo a Bhering, de R$ 32 milhões).

De acordo com Rodrigues, quando a reforma for feita, artesãos serão aceitos, mas pagando aluguéis reajustados para as “novas condições”. do prédio.

— Meu interesse é gerar dinheiro, sou um empresário — argumenta Rodrigues.

Posted by Patricia Canetti at 9:56 AM

Justiça determina desocupação da Bhering por Audrey Furlaneto, O Globo

Justiça determina desocupação da Bhering

Matéria de Audrey Furlaneto originalmente publicada no jornal O Globo em 28 de julho de 2012.

Locatários de mais de 50 ateliês na antiga fábrica, artistas têm 30 dias para sair do prédio, leiloado por dívida com a União

RIO — Mais de 50 artistas que têm seus ateliês instalados na antiga fábrica de doces Bhering, no Santo Cristo, podem ser despejados do edifício em 30 dias. O prédio, que ficou conhecido como ponto de encontro e produção artística no Rio, foi levado a leilão e arrematado por R$ 3,2 milhões por uma incorporadora imobiliária, a Syn-Brasil Empreendimentos.

O leilão judicial, em duas etapas, ocorreu no ano passado para sanar um débito tributário de cerca de R$ 150 mil dos donos do edifício com o governo federal — mas o caso só veio à tona nesta semana, quando os artistas receberam os documentos pedindo que desocupassem o edifício.

Tentativas de cancelar a venda

Desde meados do ano passado a Bhering vem tentando cancelar a venda, alegando que já vinha pagando, em parcelas, sua dívida com a União. Em junho, porém, o Tribunal Federal Regional negou o pedido.

Em comunicado oficial enviado ao GLOBO anteontem, a Bhering afirmou que tem extratos para comprovar que, desde 2009, está dentro da lei que autoriza o parcelamento da dívida tributária. Segundo a nota da empresa, ao autorizar a realização do leilão, o tribunal "não intimou a Prefeitura do Rio de Janeiro e os locatários do imóvel, que são partes diretamente interessadas, ignorando formalidades indispensáveis ao processo". Ainda segundo a Bhering, o valor pelo qual o imóvel foi vendido é considerado "vil" — "cerca de dez vezes inferior às avaliações de mercado, ou R$ 32 milhões". No entanto, na ação que negou o pedido de anulação do leilão, a juíza Fernanda Duarte Lopes Lucas da Silva escreve que o preço pelo qual o prédio foi arrematado supera em 50% o valor de sua avaliação.

Para os artistas que há mais de dois anos ocupam o prédio de 20 mil metros quadrados, a notícia causou surpresa — eles não haviam sido informados sequer do leilão, em 2011. Muitos se reuniram anteontem, com advogados da Bhering e da incorporadora que adquiriu o imóvel, para entender a situação. Alguns já haviam recebido a ordem para desocupar o prédio, mas boa parte deve receber o documento nos próximos dias.

— São mais de 50 artistas e 20 outras pequenas empresas, como uma livraria e uma editora, que estão ali tentando entender o que acontece — diz o artista plástico Barrão, que tem ateliê no prédio há dois anos. — É um lugar que se consolidava como centro de produção de arte no Rio. Acho uma pena que isso esteja acontecendo, que não se tenha percebido que na Bhering há um movimento cultural espontâneo.

A fábrica já é incluída nos roteiros de arte propostos pela ArtRio, divulgados para os visitantes da feira, entre 12 e 16 de setembro. Há ainda pequenos eventos no prédio, que reúnem artistas e produtores culturais. A Bolha Editora, por exemplo, vinha realizando encontros aos sábados no terraço do edifício, com apresentações de música e divulgação de livros de arte.

Segundo Barrão, o advogado da Syn-Empreendimentos Imobiliários, George El- Khouri, teria dito no encontro com os artistas que a ideia da incorporadora é reformar o edifício e criar ali um centro cultural, do qual os artistas poderiam participar, pagando aluguéis reajustados. El-Khouri não retornou as ligações da reportagem do GLOBO até o fechamento desta edição.

— Fico preocupado porque em todos os bairros que foram transformados, como é o caso do que ocorre agora nessa região da Bhering, os artistas foram os primeiros a ser expulsos, junto com a comunidade local carente — diz Barrão.

O artista Cadu, que também tem ateliê na fábrica, se preocupa com a especulação imobiliária, já que a área é o "filé da cidade no momento":

— É um bairro extremamente sujeito à especulação. E a memória das pessoas é curta. Daqui a pouco, abrem um shopping ali, com uma praça de alimentação e, pronto, passou. Aquele centro espontâneo de arte e cultura será esquecido.

Posted by Patricia Canetti at 9:45 AM

julho 26, 2012

Carlos Vergara abre individual hoje à noite no Sesc-Senac Iracema, O Povo

Carlos Vergara abre individual hoje à noite no Sesc-Senac Iracema

Matéria originalmente publicada no Caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo em 26 de julho de 2012

Parte do projeto ArteSesc, a mostra individual Carlos Vergara Viajante - Experiências de São Miguel das Missões será aberta hoje no Sesc-Senac Iracema. Nela, suas impressões durante viagem à cidade do sul do País

Reunindo trabalhos em monotipias em tecido e montagem de fotografias em acrílico, o artista plástico Carlos Vergara abre hoje (26), às 20 horas, no Sesc-Senac Iracema, a individual Viajante - Experiências de São Miguel das Missões.

A mostra, cujo lançamento nacional acontece na capital cearense, resulta de suas impressões na cidade do Sul do País, que no século XVIII foi palco das missões jesuítas de civilização aos índios guaranis.

Para além da exposição, o artista - cuja trajetória iniciou em meados da década de 1960 - será o centro de uma conversa no próximo sábado (28), às 9 horas, onde ele explicará os processos de criação das obras. Para se inscrever: culturasescfortaleza@gmail.com

Posted by Marília Sales at 1:30 PM

julho 25, 2012

Em crise, museu Guggenheim estreita laços com Brasil e Ásia por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Em crise, museu Guggenheim estreita laços com Brasil e Ásia

Matéria de Silas Martí originalmente publicada no Caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo em 22 de julho de 2012

Depois de fechar sua sede em Berlim e adiar para 2017 a construção de um espaço monumental em Abu Dhabi, o Guggenheim está de olho nos países emergentes --com foco especial no Brasil.

Num movimento análogo ao de outros grandes museus, como a Tate, de Londres, o Reina Sofía, de Madri, e o Pompidou, de Paris, o Guggenheim agora pretende estabelecer uma rede de curadores associados em países de África, Ásia e América Latina para engordar seu acervo com obras dessas regiões.

"Somos um museu global, e isso implica estarmos conectados com essas partes do mundo", diz Richard Armstrong, diretor do Guggenheim, à Folha. "Respeitamos as instituições do Brasil e queremos estar informados para colecionar obras de artistas mais jovens do país."

Não é a primeira vez que o Guggenheim centra as atenções no Brasil. Em 2001, uma mostra dedicada ao país, "Brazil Body & Soul", levou obras de Aleijadinho, Portinari, Di Cavalcanti e de neoconcretos como Lygia Clark e Hélio Oiticica a Nova York.

Mas agora, a visão é outra. Edward Sullivan, curador daquela mostra, reconhece que esse tipo de recorte panorâmico está um tanto datado.

"Com o reconhecimento de artistas brasileiros no mercado global, o país avança num cenário não mais restrito aos latinos", afirma Sullivan. "A força do Brasil é um dos aspectos mais relevantes da cultura visual do Ocidente."

Talvez por isso, Armstrong chega a dizer hoje que considera museus do país, como a Pinacoteca do Estado, instituições parceiras no mapeamento da cultura contemporânea que quer realizar.

"Só porque eles não têm Kandinsky no acervo, não vamos dizer que não estejam à nossa altura", diz Armstrong. "Não queremos repetir modelos coloniais já usados no passado, buscamos agora um diálogo de igual para igual."

Nessa conversa, a intenção do Guggenheim é descartar grandes mostras panorâmicas, baseadas em recortes geográficos, para pinçar artistas pontuais que terão presença mais forte e aprofundada na coleção do museu.

"Não estamos interessados pelo que o MoMA está fazendo, ou o Museu de Belas Artes de Houston", diz Armstrong. "Vamos levar esse programa do jeito Guggenheim, que tem um olhar mais afiado em busca de menos artistas para trabalhar de forma mais precisa com cada um. Serão menos autores, só que com muito mais presença."

TEMPOS DIFÍCEIS

Abalado pela crise --o Deutsche Bank cortou o patrocínio para o braço alemão do Guggenheim-- e às voltas com o escândalo de denúncias de violações de direitos trabalhistas nas obras de sua sede em Abu Dhabi, o museu de Armstrong parece ver agora uma saída do buraco em laços com os emergentes.

Embora o patrocínio desse programa de expansão global seja da firma suíça UBS, a marca do museu estará presente em cenários onde o campo da arte contemporânea está em franca expansão.

Armstrong nega, no entanto, que esse interesse por mercados em desenvolvimento seja motivado pela crise econômica que abala os países mais ricos há quatro anos.

"Não vejo isso como um sinal da crise", diz Armstrong. "É o oposto disso, é um sinal de que estamos mais confiantes e curiosos, mostrando que o chamado mundo desenvolvido agora se permite olhar de outra maneira para muitas coisas. Isso é positivo."

Ele diz que a ideia é "aprender" com essas regiões. "Não vamos a lugar nenhum procurando riqueza", diz Armstrong. "Também podemos dar algo de nós nessa troca."

Posted by Marília Sales at 12:06 PM

Mostras retomam abstratos geométricos por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Mostras retomam abstratos geométricos

Matéria de Silas Martí originalmente publicada no Caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo em 21 de julho de 2012

Quando a Pinacoteca do Estado abrir neste sábado (21) sua aguardada retrospectiva dedicada a Willys de Castro, artista morto aos 62 em 1988, terá começado um segundo momento de euforia em torno dos concretistas na cena global.

Nos últimos 20 anos, Hélio Oiticica, Lygia Clark e Lygia Pape têm magnetizado o interesse do mercado e de museus do mundo todo, que vêm exaltando a abstração geométrica forjada no Brasil.

Já consagrados no circuito, esses artistas agora dão lugar a outra leva de autores que trabalharam na mesma época, a virada dos anos 50 para os anos 60, e desenvolveram pesquisas análogas.

Willys de Castro, figura híbrida do construtivismo nacional, que flertou tanto com o grupo paulista liderado por Waldemar Cordeiro quanto com os cariocas galvanizados por Ferreira Gullar, é um dos primeiros relembrados.

"Ele era um homem muito meticuloso, rigoroso", descreve Regina Teixeira de Barros, curadora da mostra na Pinacoteca. "Com essa valorização do Willys e dessa geração, começamos uma discussão para separar o joio do trigo na obra dele, criar parâmetros de entendimento."

Também no sábado, a Caixa Cultural, no centro de São Paulo, abre uma exposição com obras de Hércules Barsotti, que morreu aos 96 há dois anos. Ele viveu com Castro, com quem fundou o Estúdio de Projetos Gráficos em 1954.

Será possível comparar a produção racional de Castro ao cromatismo potente de Barsotti. "Eles trabalharam juntos a vida toda, mas o Willys não tem essa investigação com a cor, é mais a percepção", diz Teixeira de Barros. "Já Barsotti se interessa pela relação entre as cores."

BIENAL

Em setembro, a Bienal de São Paulo vai resgatar a figura de Waldemar Cordeiro, artista morto aos 48 em 1973, que fundou o Ruptura -grupo que foi espécie de embrião do concretismo paulista, influenciando Castro e Barsotti num primeiro momento.

"Cordeiro talvez seja uma figura mais política", analisa Luis Pérez-Oramas, curador da Bienal. "A arte de Barsotti é um laboratório de formas; a obra de Castro é aberta ao espaço, em que a percepção ocorre entre os corpos."

Na definição de Pérez-Oramas, Cordeiro "interpela em termos quase antropológicos os acontecimentos culturais de seu momento histórico".

"Ele enxergava para onde ia a sociedade", diz Analívia Cordeiro, filha do artista. "Hoje há uma releitura do que se dizia nessa época, essas pessoas estão sendo revistas, o que elas faziam não era só um tipo de moda."

"poética dos ângulos" Enquanto a Bienal planeja construir uma réplica em tamanho real do parque infantil feito por Cordeiro no clube Esperia, em São Paulo, a Pinacoteca exibe um conjunto poderoso de obras de Castro.

Na mostra, está grande parte de sua série "Objetos Ativos" em que o artista anula o caráter bidimensional e figurativo da pintura ao cobrir sarrafos de madeira com tela, obrigando o espectador a caminhar em torno da peça para ver todos os ângulos.

"É um olhar que não dá conta da totalidade da pintura", diz Teixeira de Barros. "Neste sentido, ele se aproxima dos neoconcretos, porque é a experiência do público que faz a obra acontecer."

Nos anos 80, Castro depurou esses experimentos em formas mais simples, esculturas verticais de metal ou madeira, os "Pluriobjetos", que também trabalham com a lógica do deslocamento do público em torno das peças.

São obras que refletem uma "poética dos ângulos", nas palavras de Cláudia Lopes, curadora da mostra de Barsotti, na Caixa Cultural.

"Willys de Castro e Barsotti eram geômetras e têm uma obra voltada para a matemática", diz Lopes."Mas no caso do Barsotti, embora sejam figuras geométricas, aquilo tem vida, energia, uma emoção que transcende a forma."

Posted by Marília Sales at 11:41 AM

Artes nas ruas, desafios para artistas por Carlos Guimarães Coelho, Correio de Uberlândia

Artes nas ruas, desafios para artistas

Matéria de Carlos Guimarães Coelho originalmente publicada no Transe Cultural do Correio de Uberlândia em 25 de julho de 2012

Quando vai para as ruas, a arte assume uma dimensão que talvez seja a dimensão mesma de seus berços, de origens manifestas no compartilhamento aberto a quem deseje apreciá-la. Em Uberlândia, até há poucos anos, era raridade observar no contexto urbano obras ou cenas que chamassem a atenção dos transeuntes.

Hoje, a cidade abriga alguns grupos de artes cênicas especialistas nessa modalidade e iniciativas tímidas de artes visuais, a maioria sob os viadutos. No fim de semana, o Grupontapé de Teatro expressou-se cenicamente na rua, para os vizinhos de sua sede, por meio do espetáculo “Balaio de mamulengos e cordéis”. Foi curioso ver a receptividade da vizinhança à montagem, de grande singeleza e criatividade. Na tarde de festa cênica, foi perceptível não somente a alegria dos moradores pelo presente, mas também como o artista sente-se livre no espaço ao ar livre, em contato bem mais direto com a plateia.

No mesmo caminho do Grupontapé, seguem os grupos Tamboril, Teatro No Mi, Faz de Conta e Coletivo Teatro da Margem, uma quantidade expressiva de trupes teatrais desejosas de dizer algo por meio do teatro de rua. Expressiva pelo fato de essa presença ser recente e também pelo compromisso que cada um destes grupos assume de realizar um teatro, território por si cheio de adversidades, em um formato ainda mais complicado, seja na montagem, no retorno financeiro ou nas dificuldades de utilização do espaço público.

À exceção do Grupontapé e do Faz de Conta, que se estabeleceram como sólidas empresas teatrais e recorrem a outras linguagens cênicas em seus repertórios, a sobrevivência e manutenção de tais grupos se dão de modo muito conturbado, geralmente por meio das leis de incentivo e dos chapéus que rodam após as apresentações e quase sempre rendem valores bastante distantes do custo real de cada apresentação.

Quem vai para as ruas é por que aposta de fato no seu ofício. No caso das artes visuais, mais raras fora das galerias, imagino que os processos sejam diferentes, que existam verbas públicas para que elas se instalem e sejam pontos de apreciação estética, embelezando e humanizando a cidade. Ainda assim, fica sempre dependente da tal vontade política, neste caso que requer também sensibilidade artística, o que nem sempre acontece.

Soube de um episódio recente, envolvendo um artista visual da cidade que projetou, para uma rotatória, interessante conjunto de esculturas. Embora o projeto, em primeira instância, tenha sido aprovado, esbarrou em questões extremamente burocráticas, que hoje nem é possível dizer se ele vai adiante. Caso isso aconteça, perde a população a chance de ver emergir sobre a paisagem árida um processo criativo que traria novos paradigmas à paisagem.

Posted by Marília Sales at 11:23 AM

julho 24, 2012

Arte digital é posta em xeque com abertura do Festival de Linguagem Eletrônica por Adriana Ferreira da Silva, Folha de S. Paulo

Arte digital é posta em xeque com abertura do Festival de Linguagem Eletrônica

Matéria de Adriana Ferreira da Silva originalmente publicada no Caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo em 17 de julho de 2012

A partir de hoje, com a abertura do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, a avenida Paulista se torna um corredor das artes digitais, com obras construídas a partir de câmeras microscópicas, painéis de LED, computadores e outros suportes eletrônicos.

Enquanto, numa ponta da via elas ocupam o Centro Cultural Fiesp, que abriga uma efervescente edição do File (leia ao lado), na outra, o Instituto Itaú Cultural realiza a última edição de sua bienal de arte e tecnologia "Emoção Art.ficial 6.0".

O anúncio de que este seria o derradeiro ano da mostra, feito há um mês por Marcos Cuzziol, gerente do núcleo de inovações do Itaú, gerou críticas entre artistas e curadores. Principalmente porque, assim como o festival, "Emoção" é um sucesso.

Cada evento registra de 50 a 90 mil visitantes por edição --atraídos pela possibilidade de interagir com as obras, e não apenas contemplá-las.

"Criamos o 'Emoção' para entender este tipo de expressão artística, o que exigia um espaço dedicado a ela", explica Cuzziol. "Agora, queremos inserir essas obras num contexto mais amplo da arte contemporânea", diz ele.

Apesar de concordarem que as novas mídias devem ser integradas ao circuito, curadores e artistas ouvidos pela Folha consideram a perda crucial para uma área que é expressão da contemporaneidade, mas que não está presente em galerias, museus, feiras e bienais.

"Não existe uma absorção desta produção no sistema de arte como um todo", diz Giselle Beiguelman, midiartista e professora da FAU-USP.

"Ainda há incompreensão e desinteresse por essa produção", completa Priscila Arantes, curadora do Paço das Artes. "Eventos como o File são importantes para seu fortalecimento e difusão."

Entre as razões para esta exclusão, há uma aversão de curadores do circuito de arte tradicional, que tratam as peças como meros brinquedos, por seu caráter interativo.

"Como os softwares são acessíveis e baratos, existe uma overdose de produtos banais", aponta Beiguelman. "Mas é uma pobreza pensar que a produção artística que se faz agora se reduz a isso."

Outro motivo apontado é a complexidade das instalações, que necessitam de espaço e manutenção. "Há trabalhos que faço com engenheiros, profissionais de mecatrônica. Qual curador aceita lidar com tantos riscos?", questiona Lucas Bambozzi, artista visual e pesquisador.

Teixeira Coelho, curador do Masp, aceitou esses riscos ao convidar Eder Santos para fazer uma interpretação em 3D de "O Banho de Diana", pintura do século 16 de François Clouet, mas enfrentou a falta de patrocínio.

"É muito mais fácil e simples para o patrocinador reconhecer o valor de um mestre do passado do que investir numa proposta que terá de ser desenvolvida apenas quando os recursos para sua produção aparecerem. Apostar no escuro ainda é algo raro em arte", diz Coelho.

Enquanto o Itaú não chega ao formato de uma mostra que englobe novas mídias, o que, segundo Cuzziol, ocorrerá em 2014, o público tem até o fim do mês para fazer seu percurso digital. E chegar às suas próprias conclusões.

Saiba mais sobre 13ª edição . FILE - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica

Posted by Marília Sales at 2:36 PM

Arte Digital: conheça alguns projetos expostos no FILE 2012, em São Paulo por Joyce Macedo, Canaltech

Arte Digital: conheça alguns projetos expostos no FILE 2012, em São Paulo

Matéria originalmente publicada no Canaltech em 20 de julho de 2012

O Canaltech visitou o FILE 2012 – Festival Internacional da Linguagem Eletrônica, que acontece até o dia 19 de agosto, em São Paulo – para mostrar um pouco do que o festival que une arte e tecnologia trouxe em sua décima terceira edição. Obras de artistas de diversos países foram reunidas neste evento que é um show de sons, luzes e interatividade.

Para dar vida aos projetos os artistas utilizaram diversos recursos, como infravermelho, sensores de movimento, motores, microcontroladores e uma série de outras técnicas.

A exposição é um prato cheio para quem curte a tecnologia utilizada de maneiras surpreendentes. Conheça algumas das principais instalações.
FILE Instalação

Nesta área da exposição, é possível interagir tanto com uma famosa pintura de Van Gogh quanto observar vassouras que "dançam" quando alguém se aproxima. Vestidos cujo tecido se movimenta de acordo com a influência do espectador e até mesmo um cubo gigantesco que simplesmente flutua no ar chamam atenção.

Durante o percurso pela Galeria de Arte do SESI-SP, localizada no prédio da FIESP na Avenida Paulista, é possível até ouvir o som do mar, perfeitamente reproduzido através de uma engenhoca montada com um tambor oceânico, braços mecânicos e pequenas bolinhas metálicas. Esses elementos são captados por um microfone, processados pelo computador e reproduzidos por caixas acústicas. Taí uma maneira "tech" de ouvir o barulho das ondas do mar na Avenida Paulista!

Uma atração muito divertida foi criada por dois espanhóis. Logo na entrada, o espectador pode sentar-se à frente de um espelho que irá gravar sua imagem durante 15 segundos. O vídeo é captado pelo sistema e, em seguida, é possível ver seu próprio rosto estampando retratos célebres, como "Meninas", de Goya, por exemplo.

FILE Games

Os gamers não ficaram de fora dessa. Também existe uma sessão do Festival dedicada a jogos, assim como uma exclusiva para a exibição de animações de diferentes gêneros e com grandes nomes de festivais internacionais.

Um game chamado "Xilo", desenvolvido por brasileiros, marca presença no festival. Xilo é baseado na cultura e folclore do nordeste do nosso país, e até a mula-sem-cabeça entra na jogada! Ele foi vencedor na categoria júri popular como melhor jogo no SBGames 2011 - competição de produções independentes de todo o Brasil - e agora você pode testar sua jogabilidade no FILE Games.

FILE Tablet

Uma bancada repleta de tablets (iPad e Androids) com mais de 35 aplicativos (e-books, games e entretenimento) fica à disposição do público.

Uma combinação interessante entre livro interativo, animações e jogos de computador de vários gêneros se reúnem no aplicativo russo Haab Entertainment - Good Vs. Reason. Outro aplicativo que chama a atenção é o Sprinkle, desenvolvido na Suécia. Ele é um jogo onde temos que desvendar enigmas e vencer obstáculos. Sprinkle também traz efeitos de física aquática muito realistas. Certamente, vale o passatempo.
FILE Mídia e Arte

A web arte também é um tema abordado na FILE Mídia e Arte, com diversos vídeos exibidos em TVs com fones a disposição para quem quiser assisti-los.

Entre os destaques estão os projetos Invasão Bosque, do brasileiro Chico Santos, e os gringos Are you worried, Circle Iteration, Round Buildings e La Niebla.

FILE Hipersônica

Para os amantes da música, o Teatro do SESI-SP é o destino certo. É lá que acontece o FILE Hipersônica, a sessão do festival que enfatiza manifestações musicais, visuais e performáticas da arte eletrônica, contando com a apresentação de diversos artistas no decorrer dos dias.

O destaque fica para a performance musical de GayBird, em Digital Hub, que é uma mistura de intrumentos criados pelo próprio artista com imagens e animações projetadas.
FILE Symposium e FILE Workshop

Para quem quiser aprofundar seus conhecimentos em diversas áreas da "arte tecnológica", o FILE tem uma programação de palestras e workshops até o dia 20/07.

São mesas redondas sobre assuntos como, por exemplo, cultura hacker e suas implicações para a filosofia da arte e workshops sobre programação de Kinect com Processing, entre outros. Confira o calendário completo na agenda oficial.

E na galeria abaixo, você vê mais algumas imagens do FILE 2012, que acontece no prédio da FIESP, em São Paulo, até o dia 19 de agosto.

Saiba mais sobre 13ª edição . FILE - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica

Posted by Marília Sales at 2:23 PM

File exibe games, apps, instalações e animações, Folha de S. Paulo

File exibe games, apps, instalações e animações

Matéria originalmente publicada no Caderno Ilustra da Folha de S. Paulo em 17 de julho de 2012

A despeito das dificuldades para artistas do meio se inserirem no circuito de museus e galerias, a produção de arte digital segue intensa.

"Recebemos mais de mil propostas de projetos. Só de instalações, foram 800. Não posso mostrar todas por falta de espaço, mas tenho o suficiente para montar mais três exposições", conta Paula Perissinotto, cofundadora e organizadora do File.

Entre as tendências da área que aparecem na 13ª edição do evento, Perissinotto destaca trabalhos explorando sonoridade interativa, "mapping" (projeção de vídeo em 3D que dialoga com a arquitetura) e criações utilizando aplicativos para tablets.

Além de instalações como "Paradoxal Sleep", do canadense Nicolas Reeves, um cubo flutuante que reage aos estímulos sonoros da audiência, há mais de 300 animações, mesas-redondas, workshops e performances audiovisuais (o programa está em www.filefestival.org).

Parte das animações será exibida nos dias 21 e 22/7, no Museu da Imagem e do Som, espaço que mantém um laboratório para pesquisa e já teve uma programação dedicada à arte digital na gestão de Daniela Bousso (2008 a 2011) -esvaziada quando André Sturm assumiu a direção.

"O MIS era estritamente dedicado às mídias digitais. Eram boas mostras, mas recebiam pouco público. Era muito dinheiro para pouca repercussão", explica Sturm.

Saiba mais sobre 13ª edição . FILE - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica

Posted by Marília Sales at 2:10 PM

Livro analisa arte brasileira durante o regime militar por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Livro analisa arte brasileira durante o regime militar

Matéria de Silas Martí originalmente publicada no Caderno Ilustra da Folha de S. Paulo em 24 de julho de 2012

Lançado por brasileira radicada nos EUA, volume foca obra de Antonio Manuel, Artur Barrio e Cildo Meireles

Numa manhã de abril de 1970, aqueles que passeavam por um parque de Belo Horizonte encontraram trouxas ensanguentadas, carne e ossos em lençóis à beira do rio.

Chamaram a polícia e as 14 trouxas foram recolhidas para perícia. Eram 20 quilos de carne de vaca em putrefação que o artista Artur Barrio espalhou pelo parque como obra de arte, sem assinatura.

Uma imagem desse trabalho está agora na capa de um livro lançado nos Estados Unidos por Claudia Calirman, historiadora brasileira radicada em Nova York, sobre a arte brasileira produzida durante o regime militar, desde o golpe de 1964 até 1985.

"Esse é o trabalho mais visceral desse período", diz Calirman. "Não sabe se são pessoas ou animais. Tem a coisa dos desaparecidos, dos torturados. É ambíguo, chocante."

Escrito em inglês e com lançamento no país previsto para agosto, "Brazilian Art Under Dictatorship" tem como ponto de inflexão a instituição do AI-5, em 1968, época de recrudescimento da repressão.

Nesse momento, a obra de Artur Barrio, Antonio Manuel e Cildo Meireles é revista como resposta à censura e ao medo instalado pelo regime.

Embora sejam artistas de peso, a escolha desses três pela autora destoa da bibliografia já produzida sobre o período, que escolheu como heróis os neoconcretos Lygia Clark e Hélio Oiticica, artistas que se exilaram.

"Queria sair do Oiticica e da Lygia Clark. Só se fala deles aqui nos Estados Unidos", diz Calirman. "Meu foco é em quem ficou. Há muito interesse nos exilados e pouco se fala dos que ficaram no país."

Ela então centra atenções em atos específicos de Barrio, Manuel e Meireles, começando pelas célebres trouxas ensanguentadas do primeiro.

Antonio Manuel é lembrado pelo momento em que tirou a roupa e desfilou nu pelo Museu de Arte Moderna do Rio quando foi rejeitado pelo Salão da instituição -ele tentara inscrever seu próprio corpo como uma obra de arte.

No caso de Meireles, as garrafas de Coca-Cola e cédulas de dinheiro que fez circular com mensagens políticas são analisados como seus trabalhos mais potentes na época.

Um ponto em comum entre os três seria a tradução de uma linguagem plástica de vanguarda, de trabalhos com o corpo ou inseridos na natureza, ao contexto de exceção então em vigor no Brasil.

BRAZILIAN ART UNDER DICTATORSHIP
AUTOR Claudia Calirman
EDITORA Duke University Press
QUANTO R$ 60 (232 págs.)

Posted by Marília Sales at 9:56 AM

Mostra aproxima arte de Brasil e Argentina por Sylvia Colombo, Folha de S. Paulo

Mostra aproxima arte de Brasil e Argentina

Matéria de Sylvia Colombo originalmente publicada no Caderno Ilustra da Folha de S. Paulo em 24 de julho de 2012

Conjunto de obras em Buenos Aires destaca semelhanças na produção feita nos dois países durante os anos 1960

Exposição, que reúne obras de Hélio Oiticica, Lygia Clark e Luis Felipe Noé, vem ao Brasil no segundo semestre

Engajamento político, influência do pop, questionamento da sociedade de consumo. São muitos os pontos em comum entre as artes plásticas do Brasil e da Argentina nos anos 1960.

Porém, até agora, ninguém tinha tido a iniciativa de juntar as duas produções numa só mostra, permitindo uma reflexão que atravessasse a fronteira dos dois países.

Com essa proposta, a exposição "Pop, Realismos e Política", com curadoria do brasileiro Paulo Herkenhoff e do argentino Rodrigo Alonso, teve início na semana passada na Fundação Proa, em Buenos Aires.

A mostra será exibida no Brasil no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, durante o segundo semestre.

Em entrevista à Folha, Herkenhoff, 63, disse que, apesar de serem expostos de maneira mais direta às novas ideias da pop arte, da nova figuração e do realismo francês, os artistas do Brasil e da Argentina também foram herdeiros de uma tradição própria, como o neoconcretismo, no caso carioca.

Dar ênfase a esse aspecto pluralista foi uma das preocupações da curadoria do evento.

ARTE DE PARALELOS

Entre os pontos de contato das duas produções, ele aponta o fascínio pelas estéticas do hemisfério norte, além de um forte compromisso entre arte e ética diante da violência do terrorismo de Estado, presentes nos dois países. Na Argentina, a partir de 1976. No Brasil, 11 anos antes.

"Há uma consciência de uma história da arte local que rompe com o provincianismo. Trata-se de um cosmopolitismo invertido", explica.

Entre os paralelos que a mostra expõe, Herkenhoff chama a atenção para a influência da psicanálise para artistas argentinos e para a relação entre arte e loucura no Brasil, temas abordados no mesmo período.

O ex-curador do MAM-Rio e ex-diretor artístico da Bienal de São Paulo também percebe um vínculo entre o pensamento crítico da trinca formada pelo argentino Jorge Romero Brest (1905-1989) e pelos brasileiros Mário Pedrosa (1900-1981) e Ferreira Gullar.

Na primeira sala da exposição, há obras de artistas brasileiros e argentinos que tem Che Guevara como tema. Uma delas de Claudio Tozzi, a outra de Roberto Jacoby.

As duas imagens do guerrilheiro Che Guevara -que nasceu na Argentina, vale lembrar- problematizam a figura modelar da luta pelas utopias sociais no contexto da pop arte. O "Che" concebido por Tozzi é uma figura heroica, com o olhar que aponta para o horizonte.

O cartaz de Jacoby, com os dizeres "um guerrilheiro não morre para ser pendurado numa parede", cobra uma posição brechtiana dos artistas sobre a consequência de seus atos."

Leia a entrevista com Herkenhoff abaixo:

Folha - Quais os principais pontos de contato das artes plásticas do Brasil e da Argentina nos anos 1960?
Paulo Herkenhoff
- Na década de 1960, artistas argentinos e brasileiros, ainda que expostos de maneira mais direta às novas ideias da pop art, da nova figuração e do novo realismo francês, também eram herdeiros de uma história recente em seus países, como o neoconcretismo no caso carioca.

O projeto construtivo na América Latina, muitas vezes reduzido à ideia de abstração geométrica, era também o imaginário vinculado à modernização da sociedade e à reivindicação de mudança.

No entanto, a Argentina não superou o peronismo, já o Brasil conseguiu desvencilhar-se do varguismo. No plano crítico, a trinca Jorge Romero Brest, Mário Pedrosa e Ferreira Gullar liderou uma efetiva ruptura do discurso sobre a arte.

Quais os pontos de contato entre as duas produções que podem ser vistos na mostra?
O principal é um compromisso entre arte e ética diante da violência do terrorismo de Estado, um agenciamento da arte para as transformações do modo de ver a sociedade, já não mais marcada pela visão romântica e autoritária de que a arte mudaria a sociedade da arte engajada do partido comunista.

Além do fascínio pelas estéticas do hemisfério Norte, há uma consciência de uma história da arte local que rompe com o provincianismo. Trata-se de um cosmopolitismo invertido.

A psicanálise na Argentina e a relação entre arte e loucura no Brasil são duas perspectivas complementares, que no Brasil se refina com Lygia Clark.

Nos dois países, uma arte dos sistemas de comunicação de massas tem que responder à censura e, no Brasil, ao analfabetismo; uma arte da sociedade de consumo convive com a miséria absoluta, a fome, o consumo marginal e a informalidade.

Você diz que os artistas argentinos da época tinham mais carga teórica que os brasileiros. Por quê?
Alguns argentinos, como Luis Felipe Noé, eram mais velhos, com uma formação universitária que não se resumia às escolas de arte e uma passagem pela Europa.

A antiestética de Noé continua sendo um documento instigante. No Brasil, alguns dos marcos teóricos mais complexos da década de 1960, com Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape e Waldemar Cordeiro, correspondem a projetos iniciados na década anterior e que sofrem radicais transformações teóricas e estéticas com os impasses da abstração diante de uma sociedade em crise profunda.

A obra de Antonio Dias, como no exemplo de "Um Pouco de Prata para Você", apresenta, no entanto, um programa estético complexo montado através da própria empiria do trabalho que denotava uma profunda consciência crítica. No campo das práticas, penso sempre em Geraldo de Barros como um modelo de versatilidade e polissemia.

Por que abrir a mostra com a palavra "Lute", na obra de Rubens Gerchman, e as imagens de Che Guevara?
A palavra-obra "Lute", de Gerchman, é uma espécie de palavra de ordem ao espectador no imperativo. Relaciona-se à poesia neoconcreta, aos movimentos de resistência à ditadura, mas também são um convocação do espectador à reflexão: "Lute pela projeção de significado", "lute por uma arte crítica que conduza o imaginário e o simbólico a modos de emancipatórios do olhar".

As duas imagens do Che Guevara problematizam a figura modelar de luta pelas utopias sociais no contexto da pop arte. O Che do brasileiro Claudio Tozzi é uma figura heroica, com o olhar que aponta para o horizonte. O cartaz de Roberto Jacoby com os dizeres "um guerrilheiro não morre para ser pendurado numa parede" cobra uma posição brechtiana dos artistas sobre a consequência de seus atos.

Por que a exposição de Antonio Berni no Brasil, naquela época, foi tão influente?
Berni foi um artista que atravessou o século 20 argentino, um modernista que elabora uma nova estética de assemblages na década de 1960. Seu personagem Juanito Laguna, o menino dos arrabaldes da cidade, à margem do consumo, é um modelo dos impasses do Terceiro Mundo na cultura e da conversão do limite em potência. Berni foi afiliado ao partido comunista argentino, mas na maturidade. Na mesma época, a adesão de Ferreira Gullar ao partido traz movimentos e resultados colidentes.

Já as duas mostras da Nova Figuração argentina no Rio, em 1964 e 1965, oxigenaram o diálogo com a nova geração de Antonio Dias, Rubens Gerchman, Carlos Zílio ou Anna Maria Maiolino.

Posted by Marília Sales at 9:20 AM

julho 23, 2012

Leitura em entrelinhas por Paula Alzugaray, Istoé

Leitura em entrelinhas

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na seção de artes visuais da Istoé em 20 de julho de 2012

A Trigésima Bienal de São Paulo reúne artistas em constelações. Aqui, alguns nexos possíveis entre as obras de Moyra Davey e de Viola Yesiltaç

Trigésima Bienal de São Paulo – A Iminência das Poéticas/Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque Ibirapuera, SP/ de 7/9 a 9/12

Boa parte dos trabalhos que a artista canadense Moyra Davey apresentará na Trigésima Bienal chegará pelo correio. Cada uma das 50 fotografias das séries “157 (Men)” e “157 (Women)” será dobrada em forma de envelope, postada e enviada para o endereço: Fundação da Bienal de São Paulo. São fotografias tiradas na estação de metrô da rua 157, em Nova York, onde a artista vive há 12 anos. Moyra define o trabalho como uma atualização da “arte postal”, gênero que surgiu nos anos 1960 como forma de troca, comunicação e circulação artística alheia ao mercado e às instituições de arte. Hoje, porém, a arte postal não é a antítese do sistema e o trabalho de Moyra é endereçado diretamente às instituições.

Antes da Bienal de São Paulo, Moyra realizou séries semelhantes para o Museu de Arte Moderna de Nova York (com imagens da biblioteca do MoMA e de um café), exposta na mostra “New Photography 2011”, até janeiro de 2012; e para a Bienal do Whitney de 2012, onde expôs imagens de cartas de amor escritas em 1796 e de um diário de uma jovem escritora. A artista usa o meio fotográfico há 30 anos – além do vídeo e do texto –, mas a fotografia postal começou há cinco anos, quando dobrou fotografias e enviou para amigos, pedindo que mandassem de volta. Depois, expôs as fotos com os vestígios das viagens de ida e de volta. “Estou interessada nessa fotografia que não é apresentada como algo precioso. Para mim, mandar uma fotografia pelo correio é fazer com que ela volte a ser um pedaço de papel”, diz ela.

Se em Moyra Davey, a fotografia almeja ser um papel de carta, suporte para declarações, confidências e outros textos, na obra da alemã Viola Yesiltaç o papel é a mídia predominante – a “liga” que une todos os trabalhos de sua poética. Na Bienal, Viola vai expor nove fotografias, sete desenhos e uma escultura – todos realizados sobre papel. “Meu trabalho é formado por várias mídias, que se encontram no espaço expositivo e discutem entre si”, diz Viola. “Meu intuito é chegar ao ponto em que você não consegue identificar se o trabalho é uma foto, uma escultura, um desenho ou uma performance”, afirma ela.

Esse aspecto de debate, conferência ou simpósio que se dá entre os trabalhos de Viola é reforçado pela performance, realizada pela artista sempre ao vivo, durante a exposição, no meio dos trabalhos expostos. Viola estudou fotografia e performance em Londres. Ao se transferir para Nova York, trouxe essa espécie de fotografia performática, que não se contém em si mesma e quer sempre se disfarçar de outras mídias e interpretar novas personagens.

Durante a performance a ser realizada em São Paulo, Viola lerá um texto em que aparecem personagens realizando leituras críticas sobre o seu trabalho. Aqui, mais uma vez, seu suporte será o papel, em que estarão escritas as ações de suas obras-personagens.

Além de ambas serem estrangeiras vivendo em Nova York e de destinarem um papel protagonista aos diversos usos do papel, Moyra Davey e Viola Yesiltaç compartilham ainda o interesse em registrar o cotidiano e trabalhar com os elementos de seu contexto imediato. Moyra trata a fotografia como forma de mapeamento dos territórios em que vive. No caso de Viola, os objetos do cotidiano são apropriados, modificados e ajustados aos seus roteiros subjetivos.

Posted by Marília Sales at 5:03 PM

Mostra destaca nova produção do Nordeste por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Mostra destaca nova produção do Nordeste

Matéria de Silas Martí originalmente publicada no Caderno Ilustra da Folha de S. Paulo em 23 de julho de 2012

Uma pensão no largo Dois de Julho, em Salvador, abriga os travestis que fazem programa nas redondezas. Virgínia Medeiros mergulhou na história deles e montou um estúdio fotográfico em que retratou esses personagens em troca de suas histórias.

Seus relatos em vídeo e contos que a artista escreveu estão agora numa exposição do Paço das Artes, "Metrô de Superfície", uma coletiva de artistas do Nordeste que despontaram na última década.

Nesse recorte, a indefinição de gêneros surge como um denominador comum. "São artistas que reinventam a sexualidade, que criam grandes ficções", resume Clarissa Diniz, curadora da mostra. "Eles fazem trabalhos emancipadores, de grande fôlego, obras que explodem."

Solange Tô Aberta, banda criada pelo artista Pedro Costa, também exalta a ideia de gêneros híbridos em letras de funk hedonistas e shows catárticos que faz pelo mundo.

"Funk é uma forma livre de trabalhar com a música, falar dessa mulher que goza, não mais submissa", diz Costa num vídeo exibido no Paço. "As pessoas sofrem quando não estão enquadradas como macho ou como fêmea."

Essa inquietação com o corpo também informa outros trabalhos da mostra. Rodrigo Braga simula uma cirurgia em que costura o focinho de um cachorro morto ao próprio rosto, com uma sequência fotográfica da operação.

Noutra peça desconcertante, Solon Ribeiro projeta fotogramas de filmes clássicos sobre carcaças de bichos num matadouro e aparece dançando com pedaços de carne, uma "cena dionisíaca, violenta, que mistura sangue e morte", nas palavras de Diniz.

Dor é outro ponto de partida. Amanda Melo faz uma performance em que cobre todo o corpo com fita isolante e caminha pelas ruas, arrancando depois o plástico num strip-tease às avessas -a imagem de uma sexualidade em construção.

Saiba mais sobre a exposição: Metrô de superfície

Posted by Marília Sales at 12:15 PM

julho 19, 2012

Museu de Curitiba pede atestado para receber mostra de Modigliani por Matheus Magenta e Silas Martí, Folha de S. Paulo

Museu de Curitiba pede atestado para receber mostra de Modigliani

Matéria de Matheus Magenta e Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 18 de julho de 2012.

Folha apontou que há suspeitas sobre autenticidade de uma obra

A diretora do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, que vai abrigar a exposição "Modigliani: Imagens de Uma Vida", se disse "apreensiva" após a Folha publicar reportagem no último sábado sobre uma obra da mostra que teve a autenticidade questionada.

"Estamos fazendo uma série de levantamentos para ver qual posição vamos ter", afirmou Estela Sandrini.

O museu solicitou aos organizadores da exposição os comprovantes de autenticidade das obras. Segundo ela, ainda não há justificativas para suspender a mostra, programada para ocorrer entre 26 de julho e 30 de setembro.

A tela "Grande Figura Nua Deitada - Celine Howard" foi o centro de uma discussão após ser exposta em Bonn, na Alemanha, em 2009.

Os organizadores da mostra no Brasil dizem que a obra é sim do artista italiano Amedeo Modigliani (1884-1920).

"É normal que haja uma preocupação, mas não há nada de errado com a mostra", afirmou Paulo Solano, presidente da Museu a Céu Aberto, que organiza a exposição.

"Algum museu, colecionador ou entidade precisa pedir exames dessa obra, só que ninguém toma essa atitude, porque a pessoa se desgasta, se expõe", disse Jones Bergamin, dono da Bolsa de Arte, casa de leilões com sedes em São Paulo e no Rio.

Segundo Teixeira Coelho, curador do Masp (que recebeu a mostra até o último domingo), não cabe ao museu fazer um laudo técnico sobre a veracidade de obras.

"Algum museu, quando recebe uma exposição, faz análise de tinta ou de frequência de ondas? Não. Esse sistema funciona todo com base em critérios de confiança."

Em 2008, Christian Parisot, um dos curadores da mostra, foi condenado pela Justiça francesa por exibição de falsos desenhos. Ele nega qualquer irregularidade.

Posted by Marília Sales at 2:29 PM

Figuras de costas são tema de exposição por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 18 de julho de 2012.

Lasar Segall tem obras do século 19 até hoje com personagens ambíguos

Mostra reúne trabalhos de Anita Malfatti, Oswaldo Goeldi, Lasar Segall, Giorgio De Chirico, entre outros

Estão todos de costas. Uma mulher nua refestelada na cama, um homem num turbilhão de movimento, pescadores fitando o horizonte, cavalos numa praia estranha.

São personagens de obras do século 19 até hoje, juntas numa mostra em cartaz no Museu Lasar Segall, em São Paulo. O único critério para a seleção era que as figuras estivessem de costas para o espectador, mergulhadas na própria solidão ou alheias ao fato de serem observadas.

Nisso, estilos e escolas se misturam num contraste entre tempos e proposições.

Uma tela clássica de Rodolpho Amoedo, pintor acadêmico que viveu no Rio na virada do século 19 para o 20, mostra uma mulher nua, de curvas lustrosas, deitada sobre uma montanha de lençóis em seu ateliê, segurando na mão um leque japonês.

Essa tela do Museu Nacional de Belas Artes do Rio, pouco vista em São Paulo, serve de síntese da mostra.

Isso por dois motivos. Amoedo sujeita o academicismo da época a arroubos do realismo burguês que aprendeu em Paris, sem contar o aceno ao japonismo dos impressionistas. Também por juntar na figura nua ali deitada uma série de suposições sobre alguém de costas, um ar de mistério, tristeza, vulnerabilidade ou indiferença.

"É um tema muito comum a modelo jogada sobre o sofá, uma coisa exuberante", descreve Aracy Amaral, curadora da mostra. "É de uma sensualidade muito grande."

Menos sensual, Eliseu Visconti, que foi aluno de Amoedo, mostra duas figuras, um adulto e uma criança, olhando estáticos para o jardim de Luxemburgo, em Paris.

"Há um suspense, algo que intriga o observador, que é também voyeur", diz Amaral. "O mistério está sempre subjacente em figuras de costas."

Nesse ponto, uma gravura de Oswaldo Goeldi em que pescadores também fitam o horizonte parece complementar a noção de suspense.

Mais interessado em plasmar uma linguagem de vanguarda, um carvão da melhor fase de Anita Malfatti, entre 1915 e 1917, mostra um homem quase estátua retratado no gestual acelerado, convulsivo dos futuristas italianos.

Depois de seu retorno da Europa, em 1923, Lasar Segall emprestou contornos expressionistas a uma obra que já absorve as cores do Brasil. Seu "Perfil de Zulmira" mostra uma menina negra em vestes e ambiente cálidos.

Posted by Marília Sales at 2:24 PM

Daisy Xavier usa madeira para criar formas de 'quase ficção' por Audrey Furlaneto, yahoo notícias

Daisy Xavier usa madeira para criar formas de 'quase ficção'

Matéria de Audrey Furlaneto originalmente publicada no yahoo notícias em 18 de julho de 2012

Daisy Xavier - Arqueologia da Perda, Anita Schwartz Galeria, Rio de Janeiro, RJ - 19/07/2012 a 18/08/2012

RIO - Na entrada da galeria Anita Schwartz, onze pontiagudas lanças de madeira saem da parede rumo ao chão. Algumas delas, porém, não chegam a tocar o piso e estão equilibradas pelo resto do que um dia foi uma taça de vidro azul. Daisy Xavier chama este primeiro trabalho da exposição "Arqueologia da perda" (que a galeria abre nesta quarta, para convidados, às 19h) de "Batalha", em referência à "A Batalha de São Romano", de Paolo Ucello, do século XV - e talvez a seu próprio trabalho.A batalha de Daisy está em criar na galeria obras que não repitam a bem-sucedida exposição que apresentou recentemente no Museu de Arte Moderna do Rio. Lá, móveis, ora inteiros, ora despedaçados, equilibravam-se sobre copos, taças e vasos de vidro azul.

Destruir para remontar

Da batalha rumo à galeria, restaram a madeira e poucos vidros. Não há mais formas definidas. Há, sim, a memória do que um dia já foi forma, criando o que a artista define como "quase ficção" .

Depois de ver a "Batalha", de 2012 (assim como todos os demais trabalhos da mostra), o espectador adentra o espaço principal da galeria para se deparar com 15 esculturas - a maioria na parede. Três delas são menores e e precedidas por uma delicada lente de aumento pela qual se pode ver um número talhado.

Todas as formas são feitas de madeira antiga, que já era usada na mostra do MAM. Para Daisy, o material antigo, que um dia foi móvel, "dá a sensação de coisa vivida". No museu, diz a artista, ela tentava mostrar "a memória da casa prestes a desmoronar". Na galeria, tudo é "mais abstrato, e o móvel já não surge mais como cadeira, como mesa, mas como quase ficção".

- Foi difícil dar continuidade ao trabalho depois da exposição no MAM. Lá, foi a primeira vez que usei esculturas e, agora, sabia que queria fluidez de linhas e formas, mas já não queria mais a madeira esculpida, talhada, desenhada.

Daisy, então, desmontou móveis e usou, por exemplo, pernas de cadeiras para criar uma escultura no chão, que não chega a sugerir uma forma definida. Na parede, remontadas, as partes dos móveis criam formas sinuosas, curvilíneas que podem passar de três metros de altura.

O título da exposição, "Arqueologia da perda", diz muito da proposta da artista: "Usar coisas destruídas para remontar algo e criar uma ficção", como ela mesma define. Aos 60 anos, Daisy atende pacientes (ela é psicanalista) pelo menos três vezes na semana. Nos demais dias, dedica-sa ao ateliê, no andar de cima do consultório. Não à toa, vê muito de psicanálise no trabalho artístico.

- O processo de análise é também este, o de destruir tudo para remontar e rearticular de outra forma - explica. - Perdas existem o tempo todo. A ideia é sempre aprender a reinventar o sentimento.

No terceiro andar da galeria, ela apresenta algumas telas que usa para a "formalização das esculturas". A sala com pinturas em preto, marrom e azul anil (o mesmo dos vidros que Daisy costuma usar nas obras) funciona como um bloco de anotações da sala principal, de esculturas. Já no contêiner da galeria, na varanda do terceiro andar, ela mostra o vídeo "Mar sem orla", de 2010. Nele, um poema numa folha de papel queima aos poucos, deixando ver, abaixo dele, o mar azul.

Posted by Marília Sales at 12:54 PM

Metrô do Nordeste por Fábio Marques, Diário do Nordeste

Metrô do Nordeste

Matéria de Fábio Marques originalmente publicada no Caderno 3 do Diário do Nordeste em 19 de julho de 2012

Mapear a produção contemporânea da Região Nordeste e colocá-la sob os holofotes do grande público. O desafio foi encampado pelo projeto Metrô de Superfície, que há quase dois anos vêm pesquisando esta produção e adquirindo obras produzidas nestes 12 primeiros anos de século XXI para elaboração de um acervo do Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB). São instalações de vídeos, ensaios fotográficos, fotomontagens, pinturas e outras vias de experimentações, reunindo um total de 30 artistas de estados como Ceará, Pernambuco, Bahia e Maranhão.

Sob curadoria dos críticos Bitu Cassundé, de Fortaleza e Clarissa Diniz, de Recife, o acervo é exposto pela primeira vez ao público na Mostra I do projeto em cartaz desde a última terça- feira, dia 17, no Paço Municipal, em São Paulo, galeria tradicional de artes, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, com foco na produção contemporânea.

Para a mostra, foram selecionados 13 artistas do acervo, sendo eles Marina de Botas, Milena Travassos e Solon Ribeiro, do Ceará, além de Amanda Melo (PE), Bruno Vilela (PE), Carlos Mélo (PE), Cristiano Lenhardt (RS/PE), Juliana Notari (PE), Marcelo Gandhi (RN/SP), Rodrigo Braga (PE), Solange, tô aberta! (RN/Berlim), Thiago Martins de Melo (MA) e Virginia de Medeiros (BA/SP).

"Esta é a primeira vez que mostramos as obras selecionadas ao público. É um panorama da jovem produção do Nordeste que nunca foi mostrado conjuntamente. A intenção é organizarmos outras mostras, com a participação de todos", explica a coordenadora do setor de Artes Visuais do CCBNB, Jacqueline Medeiros. A parceria entre o centro cultural e o Paço Municipal foi intermediada por Priscila Arantes, diretora técnica da instituição, que foi também quem propôs o recorte no acervo.

"Eles optaram por obras que exploram eu do artista em relação ao outro, o corpo. Deram ênfase também em artistas que pensam sua produção atual a partir do Nordeste", detalha Jacqueline. Ela cita exemplos como o de Cristiano Lenhardt, que nasceu no Rio Grande do Sul, mas mora em Recife. "A produção dele é pensada a partir de Recife. Isso é uma coisa interessante entre os artistas selecionados. A maioria está neste trânsito", destaca.

Projeto

Esta mobilidade, ou mesmo, a dificuldade de circulação de artistas que produzem fora dos grandes centros, argumenta Jacqueline, é um dos pontos que justifica a metáfora que dá nome ao projeto. O Metrô de Superfície, argumenta, a medida que cruza cidades, estados, regiões, aponta para essa integração e para a chegada do desenvolvimento.

O projeto, detalha, preenche uma lacuna no acervo do CCBNB, que não dava conta das produções mais recentes. "O centro cultural tem acervo significativo de gravuras, desenho e pintura moderna, em sua maioria do Nordeste. Eu quis dar continuidade, colocando artistas da virada do século até agora", diz.

Para o mapeamento, Bitú Cassundé e Clarissa Diniz utilizaram por base uma pesquisa que já desenvolviam - tendo atuado como assistentes curatoriais do Programa Rumos Artes Visuais 2008/2009 - e realizaram visitas a centros produtores de arte contemporânea como Bahia, Ceará e Paraíba. "A pesquisa durou quase dois anos. Eles conseguiram fazer um panorama desta produção que precisava ser mostrado", reforça.

Fora do eixo

Representando o Ceará, ao lado de Milena Travassos e Solón Ribeiro, a artista paulista (radicada desde criança em Fortaleza) Marina de Botas participa com três vídeo-performances: "Programa para nutrição da pele" (2007), "Entrevista" (2009) e "Centauro" (2010). Graduada em artes visuais pelo Instituto Federal de Educação Tecnológica do Ceará (IFCE), ela aponta a dificuldade que há para artistas que residem e produzem fora dos grandes mercados de arte para divulgar sua produção nestes eixos. "Eu expus pouquíssimo em São Paulo. Para qualquer linguagem artística, a realidade continua muito semelhante a de décadas passadas. Você tem que estar lá para poder se inserir", analisa.

Marina destaca a importância de um projeto como o Metrô de Superfície "pelo menos como movimento de denúncia e resistência", mas pondera que, para que haja um efetivo alcance da produção de artistas de regiões como o Nordeste nestes centros, seria necessário uma política cultural descentralizadora.

"É uma iniciativa bacana no sentido de jogar na cara que a produção nordestina é muito boa. Alguns editais do Governo Federal até ajudaram a melhorar a produção, mas a circulação continua local", argumenta. A exposição segue em cartaz até o dia 13 de setembro. No próximo dia 27, os expositores participam de um debate na galeria.

Mais informações: I Mostra do Projeto Metrô de Superfície

Posted by Marília Sales at 12:38 PM

Miguel Amado vai ser o comissário de Portugal na Bienal de Veneza 2013, www.ionline.pt

Miguel Amado vai ser o comissário de Portugal na Bienal de Veneza 2013

Matéria originalmente publicada na seção Boa Vida em 16 de julho de 2012

O curador e crítico de arte Miguel Amado vai ser o comissário da representação oficial de Portugal na 55.ª exposição internacional de arte da Bienal de Veneza 2013, anunciou hoje fonte oficial.

Num comunicado da Direção-geral das Artes (DGArtes), entidade tutelada pela Secretaria de Estado da Cultura (SEC), responsável pela organização da representação portuguesa naquele certame, a escolha é justificada pelo percurso de Miguel Amado e pelo trabalho já desenvolvido com Joana Vasconcelos.

Em junho, a SEC tinha anunciado que a artista plástica Joana Vasconcelos irá representar Portugal naquela 55ª edição da Bienal de Veneza, uma das mais importantes mostras de arte contemporânea do mundo, que decorrerá em 2013, entre junho e novembro.

Nascido em Coimbra, em 1973, Miguel Amado foi convidado no ano passado para trabalhar como curador na galeria Tate St. Ives, em Londres, um dos quatro museus do grupo Tate Gallery, principal instituição museológica do Reino Unido.

Estudou curadoria de arte contemporânea no Royal College of Art, em Londres, e, no seu percurso, destaca-se o trabalho na Fundação PLMJ (dos advogados A.M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice e Associados), em Lisboa, e no Centro de Artes Visuais, em Coimbra.

Também colaborou com instituições dedicadas à arte contemporânea em Nova Iorque, onde residiu de 2006 a 2011, entre as quais a Rhizome, no New Museum, o Abrons Arts Center e o International Studio & Curatorial Program.

Foi também comissário convidado de instituições como o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, a Apexart, em Nova Iorque, a Frieze Projects da Frieze Art Fair, em Londres, e o Museu Coleção Berardo.

Escreve regularmente para a revista internacional Artforum, dedicada a todas as artes, da qual é correspondente português desde 2006.

Nos últimos 12 anos, Miguel Amado colaborou com Joana Vasconcelos em diversos projetos, entre eles a exposição antológica "Sem Rede", realizada no Museu Coleção Berardo, em 2010.

Outras colaborações incluem exposições coletivas como "Em Jogo", no Centro de Artes Visuais, em Coimbra (2004), "18 Presidentes, Um Palácio e Outras Coisas Mais", no Palácio de Belém, em Lisboa (2008), ou a exposição individual "Bordaliana", realizada na Fundação PLMJ, também em Lisboa (2009).

Na nota da DGartes, Miguel Amado avança que para a representação oficial na Bienal de Veneza "a artista realizará um projeto que cruzará o imaginário português com a simbologia veneziana".

Joana Vasconcelos, 40 anos, tornou-se a primeira mulher, e a mais jovem artista, a expor no Palácio de Versailles, em Paris, uma mostra ainda a decorrer, e tem vindo a expor no Reino Unido, em Itália, Brasil, Dinamarca e Japão.

Para o diretor-geral das Artes, Samuel Rego, com a escolha de Miguel Amado, "fica consolidada a intenção de investir na projeção de Portugal no mundo, através de artistas e profissionais da arte contemporânea com reconhecimento já conquistado e com elevado potencial de afirmação futura a nível internacional".

"A articulação da criatividade e das competências tanto de Joana Vasconcelos como de Miguel Amado garantem uma representação nacional de excelência na próxima Bienal de Veneza", salienta o responsável.

Posted by Marília Sales at 11:05 AM

Paulo Linhares assumirá Dragão, O Povo

Paulo Linhares assumirá Dragão

Matéria originalmente publicada no caderno Vida & Arte do jornal O Povo em 19 de julho de 2012.

O ex-secretário de cultura Paulo Linhares, criador do Dragão do Mar, vai assumir o Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC). A informação foi confirmada ontem à noite por fontes do Governo.

O Instituto, uma Organização Social, é responsável pela administração do Centro Dragão do Mar, do Centro Cultural do Bom Jardim e pela Escola de Artes e Ofícios Tomaz Pompeu Sobrinho.

Paulo foi secretário da Cultura no governo Ciro Gomes, quando idealizou e criou o Instituto e o Centro Dragão do Mar. Atualmente, ele é presidente do Instituto de Estudos e Pesquisas (Inesp), da Assembleia Legislativa.

Paulo mantinha duras críticas às recentes gestões do IACC, especialmente no que se refere à política de formação na área de Cultura.

Em entrevista ao O POVO, em abril deste ano, disse que o Dragão havia adquirido uma importância tão grande que levava o secretário da Cultura a romper com o presidente do IACC. “O presidente do Dragão acaba se tornando mais importante que o secretário. É tão complicada essa relação que eu acho que o Dragão deveria se autonomizar com relação à Secretaria”, disse.

O POVO apurou que a atual presidente do Instituto, Isabel Fernandes, deverá ocupar a Secretária de Formação do IACC, que será criada na estrutura do Dragão. Os demais diretores do IACC deverão ser mantidos em seus cargos.

Posted by Marília Sales at 9:58 AM

julho 16, 2012

FILE chega a sua 13º edição por Mariel Zasso, select

FILE chega a sua 13º edição

Matéria de Mariel Zasso originalmente publicada na seção da hora em 16 de julho de 2012

Música e arte eletrônica, em instalações, animações, games, aplicativos, são as estrelas do maior festival do gênero no país

Festival Internacional de Linguagem Eletrônica se consolida como a mais abrangente mostra de arte e cultura digital do país

FILE - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, Centro Cultural Fiesp - Ruth Cardoso, São Paulo, SP - 17/07/2012 a 19/08/2012

De 17 de julho a 19 de agosto, o SESI-SP realiza a 13ª edição do FILE - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, maior encontro do país sobre arte digital. A programação, com entrada gratuita, vai ocupar quatro espaços do Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso, na avenida Paulista, além do MIS e da Estação Trianon-Masp.

Instalações interativas, games, animações, maquinemas e música eletrônica estarão reunidas em clusters temáticos - FILE Instalações Interativas, FILE Games, FILE Maquinema, FILE Anima+, FILE Tablet, FILE Media Art, FILE Hipersônica e FILE Symposium e Workshop - trazendo mais uma vez a estética das novas linguagens eletrônicas e digitais ao centro do debate.

O Festival tem papel fundamental posicionando o Brasil na agenda internacional da arte eletrônica, e este ano abre seu leque. Além dos tradicionais espaços expositivos interativos, apresenta seu incentivo à discussão sobre a cultura dos bits e bytes e a troca de conhecimento em dois eventos paralelos: Symposium e Wokshops.

Incentivando a troca de conhecimento

O Symposium e os Workshops ampliam a discussão sobre a cultura-digital eletrônica em suas relações internacionais criando um ponto de encontro entre artistas e demais interessados. Um espaço dedicado à reflexão e produção de conteúdos na área de artes e mídias digitais, propõe discussões e oficinas que acontecem paralelamente à exposição, caracterizando a articulação do FILE na troca de conhecimento.

Nas mesas-redondas e encontros do FILE Symposiun, artistas que expõe no evento e outros convidados irão falar sobre seus processos criativos e novas tendências do setor, como a interface da literatura nos tablets e a produção de arte e cultura digital latinoamericana.

Nos Workshops, criadores e criativos se reunirão para compartilhar conhecimentos. Será possível aprender a desenvolver sintetizadores com componentes reciclados, dar os primeiros passos no uso do Processing, linguagem de programação de hardware muito usada em artes eletrônicas, e até mesmo mergulhar na experiência da performance musical corporal.

A agenda de debates e workshops começa amanhã e vai até sexta-feira, dia 20, mas a ideia dos organizadores é que esses encontros se repitam ao longo do ano. Assim como toda a programação do evento, os encontros do Symposium são gratuitos, mas exigem inscrição prévia.

A grande musa

A música sempre foi campo privilegiado de experimentação eletrônica. As propostas Hipersônica e Performances trazem ao Brasil um evento internacional com as principais tendências na área. Produções inovadoras, que exploram o uso das sonoridades eletrônicas e fazem uso das ferramentas digitais contemporâneas, serão apresentadas por importantes nomes da cena internacional da música experimental eletrônica.

O chileno Uwe Schmidt, considerado o pai do electrolatino e do reggaeton ácido, é um dos artistas que estarão presentes, e terão a oportunidade de trocar experiências com artistas brasileiros que também ganham destaque ao participarem do FILE.

Posted by Marília Sales at 1:06 PM

O céu é o limite por Paula Alzugaray, Istoé

O céu é o limite

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na seção de artes visuais da Istoé em 13 de julho de 2012

Astrofísica, engenharia, botânica, arquitetura, arqueologia e arte confluem nas metrópoles maleáveis e flutuantes do argentino Tomás Saraceno

Tomás Saraceno: Air-Port-City/ Cloud Cities/Tanya Bonakdar Gallery, Nova York/ até 27/7
Tomás Saraceno on the Roof: Cloud City/Metropolitan Museum of Art, Nova York/ até 4/11

Imagine se as cidades se descolassem dos mapas geopolíticos e ganhassem os céus, perdendo suas fronteiras físicas e adquirindo a maleabilidade das nuvens. Não, essa não é uma nova versão da música de John Lennon para a era digital (embora pudesse perfeitamente ser). Esse é o mais novo projeto do argentino Tomás Saraceno. Estão em cartaz na galeria Tanya Bonakdar e no telhado do Metropolitan Museum of Art, em Nova York, dois modelos de cidades-nuvens que, segundo o artista, funcionam como territórios coletivos aéreos, projetados para “uma era de engajamento social tridimensional”. Na era da computação em nuvem, Saraceno não está apenas interessado em expandir nossos modos de armazenar dados, mas em ampliar os modos de habitar e experimentar o meio ambiente. O céu é o limite.

No jardim suspenso do Metropolitan, o artista instalou “Cloud City”, uma constelação de 16 módulos interconectados, construídos com molduras de aço e janelas de vidros e espelhos. A obra é inspirada em estruturas orgânicas e biológicas, como bolhas, espuma, bactérias, teias, nuvens, constelações ou até mesmo redes de comunicação neuronal. Embora suas referências tenham escalas micro e macroscópica, sua obra tem escala arquitetônica e é penetrável pelo público. Rampas, escadas, ambientes interiores, amplas janelas, superfícies incongruentes e espelhadas promovem visões invertidas do céu, das árvores do Central Park e do skyline nova-iorquino, desafiando o visitante a reconsiderar suas noções de espaço, gravidade e coordenadas geográficas.

De acordo com o artista, “Cloud City é um convite a perceber simultaneamente uma multiplicidade de realidades, fazendo sobreposições e conexões multirreflexivas entre as coisas, afetando nossa percepção. É um veículo para nossa imaginação, pronto para nos transportar para além dos estados sociais, políticos e geográficos da mente”.

“Cloud City” faz parte de um corpo maior de trabalhos compreendido na série “Cloud Cities/Air-Port-City”, também em exposição na galeria Tanya Bonakdar, no Chelsea, onde Saraceno expõe outras duas obras. Ambas são realizadas com filamentos tensionados e entrelaçados, atados a pontos no teto, piso e nas paredes da galeria, como teias de aranha. Os trabalhos são um desdobramento de “Galaxies Forming Like Water Droplets Along a Spider’s Web” (Galáxias que se formam como gotículas de água ao longo de uma teia de aranha), apresentada na Bienal de Veneza em 2009. No mesmo ano, Saraceno participou da Universidade Espacial Internacional, um programa da Nasa, em que pode aprofundar sua pesquisa de geometrias complexas para a construção de espaços sociais e redes habitáveis.

Nascido em 1973 em Tucumán, na Argentina, e residente em Frankfurt, na Alemanha, há dez anos Saraceno realiza projetos de obras e arquiteturas infláveis, modulares e móveis, nas quais as pessoas podem experimentar novas maneiras de perceber a natureza e se comunicar. São projetos que relacionam arte, arquitetura e ciência, e que começaram a partir do fascínio do artista por teorias utópicas e constelações astronômicas.

Além do Chelsea e do Central Park, em Nova York, as cidades-nuvens de Saraceno se espalharam recentemente por Tóquio, Berlim, Dusseldorf e Estocolmo. O artista não é um desconhecido do público brasileiro. Em 2006, ele participou da 27ª Bienal de São Paulo, onde expôs no grande vão do Pavilhão a instalação “On Air” uma imensa bolha transparente, penetrável pelo público.

Posted by Marília Sales at 12:25 PM

Mostra em São Paulo propõe diálogo entre produção artística contemporânea e tradicional, Olhar Direto

Mostra em São Paulo propõe diálogo entre produção artística contemporânea e tradicional

Matéria originalmente publicada no caderno Cultura do Olhar Direto Paulo em 15 de julho de 2012.

O modo como o passado se apresenta na produção artística contemporânea é o foco da Mostra Sesc de Artes 2012, que começa na próxima quinta-feira (19) em São Paulo. A mostra, que engloba mais de 70 atrações nacionais e internacionais nas áreas de teatro, dança, música, cinema, artes visuais, artemídia e literatura, pretende buscar os elementos do passado que se apresentam na cena contemporânea, seja quando ele está em destaque ou quando surge apenas como pano de fundo de uma produção.

Após dez anos de existência, a mostra deste ano, cujo mote é "Venha Fazer Sentido", quer refletir sobre o passado. Na literatura, a busca principal será pela tradição oral. A base da programação, neste caso, será a poesia falada, principalmente apresentada pelo escritor, poeta e dramaturgo Ariano Suassuna.

No cinema, os temas serão o cinema mudo contemporâneo, com uma mostra de curtas-metragens do cineasta canadense Guy Maddin, e a produção de filmes em 3D, como A Caverna dos Sonhos Esquecidos, de Werner Herzog.

Na música, um dos grandes destaques é a reedição do show Jogos de Armar-Faça Você Mesmo, do cantor e compositor Tom Zé, originalmente apresentado há 20 anos.

Já nas artes visuais, a ponte entre a tradição e a contemporaneidade será manifestada por meio da exposição Desobjetos: a Memória das Coisas, com instalações distribuídas pela cidade.

“A Mostra Sesc de Artes é um recorte especial da programação do Sesc, focado dentro de um tempo e espaço específicos, e que tenta priorizar um recorte conceitual único, um guarda-chuva temático, para discutir como esse tema está sendo pensado em todas as linguagens artísticas em que o Sesc atua”, explicou Nilva Costa Luz, coordenadora da Mostra Sesc de Artes 2012.

Neste ano, a mostra também inova ao propor uma programação voltada também para a formação de seu público. Com isso, serão desenvolvidas oficinas culturais, residências artísticas e ações educativas em todas as unidades do Sesc instaladas na capital paulista. Também estão programadas intervenções em espaços públicos, como estações de metrô.

A Mostra Sesc de Artes acontece entre os dias 19 e 29 de julho. Parte da programação é gratuita. A programação completa está disponível no site do Sesc.

Posted by Marília Sales at 11:25 AM

Organizadores são ligados a empresa de licenciamento por Gabriela Longman e Matheus Magenta, Folha de S. Paulo

Organizadores são ligados a empresa de licenciamento

Matéria de Gabriela Longman e Matheus Magenta originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 14 de julho de 2012.

O período de produção e captação de recursos da exposição de Modigliani no Brasil coincide com o da criação da filial brasileira da empresa Modigliani Brand, com sede na Europa. Data de julho de 2011 o início das atividades da empresa, dedicada ao licenciamento de produtos usando a marca Modigliani ou imagens do pintor.

Para sua chegada ao Brasil, a empresa promoveu em outubro do ano passado a inauguração da Casa Modigliani, uma sala dedicada ao pintor dentro de um espaço de eventos particular -o Espaço Singular, na esquina da rua Estados Unidos com a Peixoto Gomide, nos Jardins.

A criação do local coincidiu com a chegada das pinturas de Modigliani ao Brasil (logo antes da exposição em Vitória) e algumas telas do italiano foram levadas até lá para inauguração do evento, documentada na ocasião pelo programa "Amaury Júnior" (www.youtube.com/watch?v=ag4DVv5CnQk).

Hoje, na sala, estão apenas réplicas de algumas obras, além de reproduções de fotos. Cocurador da exposição de Modigliani no Brasil, Olívio Guedes é um dos procuradores da Modigliani Brand, assim como Paulo Solano.

"Eu sou diretor cultural. Eu cuido do desenvolvimento da cultura de Modigliani no Brasil. Esse é o meu cargo. Nós estávamos tentando desenvolver isso, mas até agora não conseguimos."

Segundo ele, nada foi feito ainda com a marca. "Nós não fizemos nada com essa marca. Infelizmente, porque eu teria ganhado dinheiro."

Questionado sobre a questão, Teixeira Coelho, curador do Masp, disse que desconhecia a participação de Guedes na empresa. "Daqui pra frente o museu vai ter que pedir a ficha corrida de todos os sócios de uma empresa para saber se eles estão envolvidos em alguma iniciativa mercadológica? Eu não vou pedir isso. A gente se resguarda através do conhecimento."

Há pouco mais de dez dias, o empresário Marcelo Felmanas, responsável pela 6F decorações, lançou uma linha de louças da fábrica italiana Richard Ginori com motivos de Modigliani. Segundo Guedes, a parceria não passou pela Modigliani Brand do Brasil, apenas pelo Institut Modigliani europeu

Posted by Marília Sales at 10:36 AM

Obras da mostra são autênticas, afirma francês, Folha de S. Paulo

Obras da mostra são autênticas, afirma francês

Matéria originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 14 de julho de 2012.

O presidente do Institut Modigliani, Christian Parisot, afirmou que todas as obras que fazem parte da mostra sobre o artista possuem certificados de autenticidade.

"Restellini quer destruir a minha reputação para tentar tomar o 'poder' sobre a obra de Modigliani por meio do Instituto Wildenstein", disse.

Sobre as declarações de especialistas de casas de leilão de que sua credibilidade estaria abalada no meio artístico, Parisot diz que essas empresas são estritamente ligadas ao Wildenstein por "razões comerciais".

Questionado acerca da decisão judicial na França, ele afirma que pagou a multa que devia à Justiça francesa pela condenação de 2008.

"Não há processo posterior, apenas uma investigação sem continuidade", diz.

O Ministério da Cultura afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que desconhece as suspeitas sobre Parisot e que a Cnic, órgão responsável pela análise dos projetos, "não tem o papel de conferir autenticidade de obras de arte".

A pasta disse ainda que, se alguma obra da mostra for falsa, sua consultoria jurídica orientará sobre os procedimentos a serem adotados, já que a Lei Roaunet é omissa quanto a essa questão.

"Se o ato do patrocínio for considerado nulo por conta do estelionato, certamente será exigida a recomposição dos recursos ao erário", disse o ministério, em nota.

Paulo Solano, presidente do Museu a Céu Aberto, proponente do projeto, disse poder "garantir que na exposição do Brasil não entrou nenhuma obra falsa".

"No cenário internacional, há duas pessoas com articulação internacional para reunir obras do Modigliani: o professor Parisot e o Restellini. Nós optamos por ficar com quem tem legalmente os direitos sobre o espólio do artista, que é o Parisot".

Segundo ele, os dois têm uma rixa que "não tem nada a ver com a mostra". Sobre a condenação de Parisot na França, Solano disse desconhecer o teor do processo e que foi informado por Parisot de que o caso está resolvido.

CONVINCENTE

O curador do Masp, Teixeira Coelho, diz que há sinais "convincentes" sobre a pertinência da proposta. "Francamente nunca pensamos em desonestidade", afirma. Para ele, a autenticidade de uma obra é irrelevante para sua apreciação estética.

Um dos curadores da mostra, Olivio Guedes, diz que hoje a verificação da autenticidade das obras é fundamental e admite que a rixa e a condenação de Parisot na França suscitam dúvidas sobre a exposição no Brasil.

"O Parisot recebeu o instituto da filha do Modigliani. Então, quem sou eu agora para questionar, como um delegado, essa procedência? Eu não tenho essa capacitação. Nós fomos lá na sede do instituto em Roma. A pessoa existe e tem currículo."

Já o governo do Espírito Santo, que levou a mostra a Vitória, disse que para "todas as exposições internacionais mostradas no Palácio Anchieta são exigidas os certificados de autenticidade das obras, como [foi] apresentado pelo proponente do projeto".

A diretoria do museu Oscar Niemeyer diz não ter conhecimento de "qualquer problema com relação à mostra". Procurada, a Embaixada da Itália no Brasil, que apoiou a mostra, não respondeu ao contato da Folha.

Posted by Marília Sales at 10:28 AM

Exposição de Modigliani tem obra suspeita e curador sob investigação por Gabriela Longman e Matheus Magenta, Folha de S. Paulo

Exposição de Modigliani tem obra suspeita e curador sob investigação

Matéria de Gabriela Longman e Matheus Magenta originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 14 de julho de 2012.

'Grande Figura Nua Deitada' teve sua autenticidade questionada ao ser exposta na Alemanha

Condenado em 2008 por expor obras falsas, Christian Parisot se diz perseguido por rival e por casas de leilão

Um dos eventos mais importantes do Momento ItáliaBrasil, a mostra "Modigliani: Imagens de Uma Vida", em cartaz até amanhã no Masp, exibe uma obra que já teve a autenticidade questionada.

Em 2009, a tela "Grande Figura Nua Deitada - Celine Howard" foi o centro de uma discussão após ser exposta em Bonn, na Alemanha. Analisado, o quadro conteria um pigmento não usado em pinturas da época do artista.

Já a obra "Retrato de Marevna" chegou a ser proposta pelo francês Christian Parisot, um dos curadores da mostra, mas os responsáveis brasileiros a rejeitaram por dúvidas sobre sua autenticidade -em 2011, um colecionador apontou o quadro como falso após exibição no museu Pushkin, na Rússia.

O nome de Parisot está no cerne da polêmica.

Responsável pelo Institut Modigliani Archives Legales - Paris Rome, Parisot foi condenado em 2008 pela Justiça francesa por exibição de falsos desenhos, atribuídos a

Jeanne Hébuterne, mulher do artista italiano Amedeo Modigliani (1884-1920).

Sobre a condenação, Parisot diz que os desenhos passaram por processo errôneo de restauro e que ele pagou a multa estipulada. Atualmente, é investigado em três casos envolvendo falsificação e emissão de certificados indevidos de autenticidade.

"[Parisot] já não tem a confiança do mercado de arte. Se um expert faz exposições, negócios e emite certificados ao mesmo tempo, temos um problema. Isso não é mais aceito", afirmou à Folha Henrik Hanstein, diretor da casa de leilão Lempertz, a mais prestigiada da Alemanha.

"Nenhum grande museu faria uma exposição de Modigliani com Parisot", disse.

Imagens de quatro obras da mostra brasileira foram enviadas à casa de leilões Sotheby's para avaliação.

Em resposta, o vice-presidente de belas-artes, Thomas Denzer, disse com brevidade: "Esses trabalhos não são para a Sotheby's. Espero que isso ajude [sua pesquisa]".

Parisot afirma que as casas de leilão ouvidas pela reportagem são ligadas, por interesse comercial, ao Instituto Wildenstein, que disputa com ele a autoridade sobre a obra de Modigliani.

"Madame, chame a polícia". Assim reagiu Marc Restellini, diretor da Pinacothèque de Paris, importante museu dedicado à arte moderna, ao ser questionado sobre o curador da mostra de Modigliani no Brasil. "Esse homem é um falsário, um criminoso".

Restellini, ligado ao Instituto Wildenstein, e Parisot são inimigos de longa data. A disputa passa pela realização do catálogo "raisonné" (reunião integral das obras que serve a conferir autenticidade a peças) do italiano.

MOSTRA

Com R$ 2,3 milhões captados via Lei Rouanet, a mostra foi trazida ao Brasil pela produtora Museu a Céu Aberto. Já passou pelo Palácio Anchieta, em Vitória, onde foi vista por mais de 36 mil pessoas, pelo Museu de Belas Artes, no Rio, e pelo Masp.

A exposição segue agora para o museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.

A curadoria é assinada por Parisot e por Olivio Guedes, diretor cultural do Museu a Céu Aberto e representante em uma empresa de licenciamento de produtos com imagens do pintor (leia abaixo).

Em 2007, a produtora já tinha tentado trazer obras do pintor ao país, mas teve um pedido de captação negado pelo MinC por causa do alto valor (quase R$ 15 milhões).

Segundo Paulo Solano, sócio da produtora, a mostra traria ao Masp obras do acervo de grandes museus do mundo, como a Tate Gallery.

Como plano B, a produtora procurou Parisot já em 2008. Segundo a assessoria da mostra, as pinturas expostas pertencem a colecionadores particulares de quatro países e ao Institut Modigliani.

Posted by Marília Sales at 10:16 AM

Próxima Bienal consagra fotografia das coincidências por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Próxima Bienal consagra fotografia das coincidências

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 13 de julho de 2012.

Obras de Hans Eijkelboom e Erica Baum constroem significados a partir de acasos da vida dos artistas

No Paraty em Foco, Peter Funch vai exibir série em que tenta anular noção de tempo, a 'mágica' do dia a dia

Ele para num canto da praça do Patriarca, no centro de São Paulo. Parece ter o olhar perdido no horizonte, mas busca algo na multidão -números nas camisetas, nomes de bandas de rock, bolsas de um tipo ou de outro, estampas floridas, óculos escuros.

Hans Eijkelboom anda pelas cidades como um turista exótico, um loiro, alto, meio aparvalhado, às voltas com o disparador escondido no bolso da calça e a câmera fixada com fita adesiva sob a camisa, só com a lente para fora.

Num café perto dali, ele mostra as imagens que fez sem que ninguém notasse. "Passo um tempo olhando e vejo o que mais aparece, o que mais se repete, o tema do dia", conta Eijkelboom à Folha. "É bom sempre ter um sistema, dar um passeio já com regras para o passeio."

Em São Paulo, Eijkelboom notou que os adolescentes adoram camisetas com nomes de bandas, que muitas mulheres deixam a barriga à mostra e que executivos andam de terno e mochila.

"Estou procurando informação pura, não tento interferir na situação", diz o artista. "Tento dizer algo sobre as pessoas de São Paulo, mas também sobre as de Moscou, Paris, Xangai, Amsterdã."

No fundo, nas centenas de séries que fez nos últimos 20 anos, Eijkelboom tenta compor um retrato da sociedade a partir de suas banalidades.

Em contraponto ao trabalho do holandês, a Bienal de São Paulo vai mostrar retratos clássicos do alemão August Sander, que também focou a gente de seu tempo, fazendeiros, trabalhadores e mulheres no começo do século 20 -uma sociedade de personagens arquetípicos, fotografados sempre de frente e de forma um tanto crua.

"Na obra de Sander, existe essa autoridade, as pessoas presas ao trabalho e ao esforço", opina Eijkelboom. "Agora as pessoas tentam encontrar seu próprio lugar no mundo, é a diferença entre dois sistemas de sociedade."

POESIA ENCONTRADA

Outra fotógrafa escalada para a Bienal, a norte-americana Erica Baum, também sai em busca de sistemas e conjuntos de acasos em sua obra.

"Estudei antropologia, então me interesso por esses sistemas", diz Baum. "Busco algo entre a linguagem direta e uma referência externa, um tipo de poesia encontrada."

Baum começou fotografando os traços que ficavam na lousa depois de apagada, no momento entre uma aula e outra, como se tentasse congelar uma memória fugidia.

Depois, quando as bibliotecas começaram a aposentar suas fichas catalográficas, ela fotografou esses cartões, montando frases com palavras soltas datilografadas.

Ela justapõe, por exemplo, os termos "horrível" e "silêncio", mostra lado a lado as locuções "gestos úteis" e "gestos inúteis", ou "machado", "pés" e "figuras nuas".

"É uma nova sensibilidade que parte de algo que você ignora", diz Baum. "Isso dá um caráter documental a essa passagem do tempo, do fim das máquinas de escrever."

Peter Funch, do próximo Paraty em Foco, também vê elementos "belos" e "mágicos" nos acasos do cotidiano. Mas ao contrário de Baum e Eijkelboom, quer anular a noção de tempo em sua obra.

"Fotografia não é mais só uma imagem, quero uma fotografia que não tenha uma linha do tempo, um panorama quase cinematográfico", descreve Funch. "Imagens viraram circunstâncias e precisamos entender como são construídas."

Posted by Marília Sales at 10:06 AM

julho 13, 2012

Pinacoteca exibe retrospectiva do venezuelano Cruz-Diez, O Estado de S. Paulo

Pinacoteca exibe retrospectiva do venezuelano Cruz-Diez

Matéria originalmente publicada no caderno de cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 13 de julho de 2012.

"A pintura do passado sempre tem suas mensagens codificadas, nada nela é ingênuo. Aqui não há código, é fenomenologia, é uma coisa que está acontecendo, uma obra no tempo e no espaço, uma ação. É o conceito de um presente perpétuo", diz o artista venezuelano Carlos Cruz-Diez. Desde a década de 1950, quando iniciou sua experimentação com a cor, movimento e luz, criando, de maneira única, as obras de sua série mais importante, a das "Fisiocromias", iniciada em 1959, ele se tornou um criador referencial. A retrospectiva que a Pinacoteca do Estado inaugura sábado, dedicada a Cruz-Diez, apresenta seu pensamento e sua produção para além do movimento da arte cinética ou da Op Art.

"Numa época em que os artistas pensavam ser a cor algo do passado, Cruz-Diez foi dos poucos que se interessou pelo tema e ainda quis inová-lo", diz Mari Carmen Ramirez, curadora de arte latino-americana do Museum of Fine Arts de Houston e da mostra "Carlos Cruz-Diez: Cor no Espaço e no Tempo", que ocupa as principais salas climatizadas da Pinacoteca, assim como o espaço Octógono do museu. Desde uma pintura figurativa de 1949, "Papagaio Verde", em que o artista representa uma favela de Caracas pelo viés do realismo social, sua motivação de então, até se chegar a uma sala com uma das instalações "Cromosaturação", em que cor e luz tornam-se experiência física, "na pele", a retrospectiva perpassa o caminho de uma experimentação pulsante do artista, que completa 89 anos em agosto.

O espectador é sempre importante na obra de Cruz-Diez. Em 1954, seus "Projetos para Muros Exteriores" já eram a vontade de o venezuelano levar a cor para o espaço e para a dimensão pública, criando trabalhos, depois, em relação com a arquitetura. "O mundo da cor é afetivo, cada pessoa terá uma resposta à obra", afirma Cruz-Diez. "Quando comecei a criar as Fisiocromias, as pessoas se surpreenderam com a matéria, mas o importante era o espetáculo", conta o artista. As primeiras obras da série, que colocavam a "instabilidade do plano". foram feitas a partir de estruturas com ripas de cartões pintados e comprimidos na superfície - depois foram usados filtros e outros materiais.

A maior revolução de Cruz-Diez, que vive em Paris desde 1960, foi, assim, a dedicação a uma pesquisa na qual a cor deixa de ser "elemento fixo" para transformar-se em "acontecimento" a partir da luz, do olho e do movimento do espectador. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

CARLOS CRUZ-DIEZ: COR NO ESPAÇO E NO TEMPO

Pinacoteca (Pça. da Luz, 2). Tel. (011) 3324-1000. 10 h/18 h (fecha 2ª). R$ 6 (sáb., grátis). Até 23/9. Abre sábado, 11 h.

Posted by Cecília Bedê at 3:06 PM

Obras do acaso por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Obras do acaso

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 13 de julho de 2012.

Fotógrafos caçam sincronia nas maiores metrópoles do mundo, em séries criadas para Bienal de SP e festival em Paraty

Numa esquina de Nova York, 14 pessoas vão olhar na mesma direção no que parece ser um mesmo instante. Em São Paulo, 12 passantes vão estar vestindo camisas listradas num mesmo dia numa determinada esquina.

Não são "flash mobs" ou performances combinadas antes da hora. Nas metrópoles do mundo, sincronias desse tipo vêm chamando a atenção de fotógrafos que decidiram transformar essas coincidências banais em testemunhos de seu tempo.

Com uma câmera escondida debaixo da camisa e um disparador acionado de dentro do bolso, o holandês Hans Eijkelboom já foi de Nova York a Xangai registrando esses acasos. Em São Paulo, onde fez algumas séries para a próxima Bienal, que começa em setembro, ele foi a pontos movimentados da cidade atrás dessas coincidências.

Enquanto isso, o dinamarquês Peter Funch, nome central do próximo Paraty em Foco, também em setembro, fez de sua rotina em Nova York, onde vive, uma série de flagras que parecem orquestrados, mas estão longe disso.

Ele vai ao mesmo lugar da cidade nas mesmas condições de luz e tempo e fotografa os passantes. Quando nota um ponto em comum, como as figuras que bocejam na imagem acima, ele monta uma cena artificial reunindo todos esses personagens.

"É um documento das relações humanas e de como nos comportamos nas ruas", diz Funch. "Mas mesmo algo documental pode ter alguns elementos de ficção."

Posted by Cecília Bedê at 1:25 PM

A dois passos do abismo, Diário do Pará

A dois passos do abismo

Matéria originalmente publicada no caderno Você do jornal Diário do Pará em 13 de julho de 2012.

A partir da próxima quarta-feira até o dia 2 de setembro, o público de Belém pode conferir O Fio do Abismo na Casa das Onze Janelas (um dia antes, é realizado um coquetel de abertura para convidados). Trata-se de um recorte da exposição Convite à Viagem – Rumos Artes Visuais 2011/2013, realizada em São Paulo, sob curadoria de Agnaldo Farias, quando foram exibidos os 100 trabalhos feitos pelos 45 selecionados em todo o país no mais recente edital do programa no segmento. Na capital do Pará, a mostra traz 24 obras de 18 desses artistas e a curadora é Gabriela Motta que trabalhou com Farias e assina essa versão em cocuradoria com Luiza Proença e Alejandra Muñoz. Ainda no dia 18, às 19h, elas dão palestra no Auditório do Museu do Estado do Pará sobre os conceitos de sua linha curatorial.

Para definir o tema do recorte em Belém, Gabriela analisou o conjunto dos trabalhos e procurou unificá-los em torno da representação de situações limítrofes. Assim, ela selecionou obras que problematizam circunstâncias antagônicas, porém contíguas, como chão e vão, vida e morte, passado e presente, amor e ódio, belo e feio e as dividiu em três subtemas de leituras complementares.

Em um deles, lida com a ideia de permeabilidade entre opostos exibida, por exemplo, nas obras Tapete e Faqueiro, do paulista Adriano Costa e Expiração 04, do mineiro Pablo Lobato. O primeiro utiliza objetos retirados de meios sociais excluídos que os usam de forma improvisada, como panos de chão e facas, para lançar dúvidas sobre a quem eles pertencem, quais os seus usos e novos significados. O artista joga perguntas institucionais de como expô-los ou como armazená-los. A obra de Lobato representa um ser vivo que passa a morrer a partir do momento em que existe, propondo problemas de ordem estética.

Ainda lidando com o oposto, mas de forma mais delicada, a artista paraibana Iris Helena usa o jogo semântico para indicar paradoxos no trabalho Notas Públicas. A obra é composta por um painel de post-its que formam uma foto de um lugar qualquer. Ela tende a se desmanchar e a perder partes, mas a dissolução é consequência de um rigor e um controle absolutos.

O segundo subtema lida com a noção de vertigem e a mudança radical na passagem de um estado a outro. Cada uma a seu modo, as obras desse segmento são trabalhadas entre a performance e as inutilidades e pertinências do sujeito-imagem. A violência física e psicológica é mostrada pela carioca Gabriela Mureb no vídeo Sem Título (Ânsia), em que o corpo que coordena a cena vivencia um jogo de submissão e controle, onde a cumplicidade é fundamental.

O vídeo Miss Zebra, da amazonense Naia Melo Arruda, apresenta um registro cheio de sensações antagônicas. Ele é composto de 15 esquetes em que a artista protagoniza cenas vestida com um pijama zebrado, com humor, sarcasmo e perspicácia visual, sem encadeamento lógico nem narrativa. O pernambucano Cristiano Lenhardt cria uma neblina de história: Polvorosa faz parte de um projeto chamado Entredécada, em que duas frágeis estruturas de madeira e papel vegetal servem de suporte para projeções de imagens. Nos vídeos, os personagens protagonizam fusões entre sujeito e contexto e a partir do contato entre as figuras, os corpos contaminam-se por chuviscos, aquela quase esquecida imagem de dissintonia de um televisor.

O terceiro conceito da mostra abrange trabalhos autorreferentes, que contêm em si o tema da obra como uma metalinguagem. Fábio Magalhães, da Bahia, se utiliza do tradicional óleo sobre tela na Série Retratos Íntimos para gerar uma experiência sensorial em que técnica e poética são complementares, apresentando a pintura como possibilidade de enfrentar tabus da representação. Ainda assumindo a imagem como problema central, o paulista Luiz Roque coloca o espectador entre duas imagens, como se, em vez de olhar a paisagem, fosse ela que observasse e sufocasse o espectador. Rodado com uma câmera que alcança 2500 frames por segundo, Projeção 0 e 1 versa sobre a força da imagem e o poder de acreditarmos nela.

Eloquente e visceral,a imagem fala

Diante de Morte Súbita, do mineiro João Castilho, há o fator surpresa pelo uso contundente de imagens violentas obtidas na internet. “São três minutos que parecem uma eternidade, em que se vê imagens turvas e distorcidas que antecipam a indesejada violência e a inevitável sincronia da morte. O que choca é o espelhamento que a obra é capaz de refletir e da avidez pelo trágico em nossa sociedade”, completa Gabriela.

SELEÇÃO E DIFUSÃO

A proposta do programa Rumos Artes Visuais é, com base na realidade de cada região, ao mesmo tempo viajar, diagnosticar e fomentar a criação visual do país. Assim, além de investigar o momento atual desta produção, detecta as direções e propicia aos selecionados oportunidades de difusão de seus trabalhos, intercâmbios e aprimoramento profissional por meio de ações de formação, como a concessão de bolsas de estudo.

AGENDE-SE

Exposição ‘O Fio do Abismo’. Abertura com coquetel para convidados na próxima terça (17), às 20h, na Casa das Onze Janelas (Praça Dom Frei Caetano Brandão, s/ n, Cidade Velha). A mostra segue em cartaz de 18 de julho a 2 de setembro, de terça-feira a sexta, das 10h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 9 às 14h. Ingressos: R$ 2. Entrada franca: crianças até 7 anos , adultos a partir dos 60 anos, portadores de necessidades especiais, grupos agendados e turmas da rede de ensino agendadas. Classificação indicativa: livre. Informações: 4009-8825 / 4009-8823.

e pelo email onzejanelas@gmail.com.

Palestra com curadoras e artistas da mostra. 18 de julho (quarta-feira), às 19h. Entrada franca. Ingressos distribuídos por ordem de chegada. Vagas: 80. Auditório do Museu do Estado do Pará [MEP]. Praça Dom Pedro II, s/n, Cidade Velha.

(Diário do Pará)

Posted by Cecília Bedê at 12:38 PM

julho 12, 2012

Ilusionismo da cor por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Ilusionismo da cor

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 12 de julho de 2012.

Cruz-Diez mostra na Pinacoteca suas telas mutantes e diz que arte é como 'bomba no tempo'

De sua desilusão com o realismo, Carlos Cruz-Diez forjou um arsenal de ilusões.

Em vez de denunciar questões sociais em quadros figurativos, como fez no início da carreira, o artista venezuelano decidiu recriar em sua obra toda a potência da cor e da luz, dominando uma espécie de ciência do olhar.

Foi em Paris, depois que viu a primeira mostra de cinéticos da história em 1955, na galeria de Denise René, marchande morta nesta semana, que Cruz-Diez teve o estalo para aplicar uma matriz de movimento a composições que não saem do lugar, mas que se transformam diante dos olhos, parecendo vibrar, flutuar e trocar de cor.

"Fazer com que as pessoas entendessem a cor no espaço me ocupou durante muitos anos", diz Cruz-Diez, 88, em entrevista à Folha, de seu ateliê em Paris. "Estava tentando devolver a vista a uma geração de cegos."

Essa cegueira, ou ilusão de que a cor é algo físico e preso a uma superfície, deve ser diluída em parte agora na megarretrospectiva dedicada a Cruz-Diez que a Pinacoteca do Estado abre neste sábado.

Na mostra, estão telas antigas de Cruz-Diez, exercícios figurativos ainda convencionais, tomando como base naturezas-mortas de Cézanne, além das obras mais ambiciosas, que reinventaram a percepção de cor e movimento.

Mas mesmo na fase inicial, as cores começam a dominar a composição, um cromatismo que se adensa até engolir todas as figuras e virar só cor nas primeiras abstrações que fez com tiras de papelão.

"Sou um artista que esquadrinha como transmitir ao espírito a percepção da cor", afirma Cruz Diez. "Em todas as minhas obras essa cor se faz e se desfaz diante dos olhos, num presente contínuo, sem passado nem futuro, como é sua realidade."

É essa ideia de suspensão, de catarse diante da cor, que Cruz-Diez compara ao impulso de mudança que suas primeiras obras figurativas tentavam expressar. Na visão dele, não são formas puras e vazias as de suas peças, mas abalos físicos e ideológicos.

"Arte é como uma bomba no tempo", resume. "Ela explode quando menos se espera e muda comportamentos que pensávamos imutáveis."

Cruz-Diez libertou a cor de seu plano físico

Artista dominou princípios teóricos para induzir a percepção dos tons

Telas ganham feições diferentes dependendo da luz e da posição em que são observadas pelos espectadores

Carlos Cruz-Diez foi enquadrado a contragosto entre os artistas cinéticos. Sua obra depende do movimento, mas não discute o movimento.

Dependendo do ângulo em que é visto, um quadro pode parecer todo branco, mergulhado em tons quentes ou se resfriar numa paleta glacial.

Isso porque é composto de tiras finíssimas de papelão ou alumínio fixadas na tela, pintadas ou serigrafadas em tons diferentes de cada lado, com maior e menor intensidade em cada uma das pontas.

No fundo, Cruz-Diez passou mais de 60 anos de sua vida tentando libertar as cores de seus suportes físicos.

"Quando criamos a exposição, vimos que sua obra ainda não havia sido entendida", conta Mari Carmen Ramírez, do Museu de Belas Artes de Houston, que organizou a mostra. "Ele não era do grupo cinético, mas se apoiou na matriz cinética para atingir os resultados que queria."

No caso, Cruz-Diez começou alternando dois tons distintos numa superfície de ripas de papelão, criando a ilusão de uma terceira cor. Depois chegou à conclusão de que os efeitos que buscava se resumiam a dois comportamentos básicos das tonalidades diante de olho humano.

ECO NA RETINA

Quase toda a obra de Cruz-Diez toma por base os princípios de cor aditiva e do deslocamento da cor. No primeiro, duas cores justapostas numa composição induzem o olhar a perceber outro tom.

No segundo caso, trechos em branco de um quadro acabam sendo percebidos como coloridos, uma espécie de eco na retina causada pela proximidade das outras cores.

"Essas cores se produzem com o efeito da luz e com o movimento do espectador", diz Ramírez. "Se a cor não existe sobre o suporte, ele a liberta, e ela ganha vida própria. É a passagem da cor de adjetivo a substantivo."

No enorme painel que fez para a Bienal de Veneza em 1970, que está na mostra, Cruz-Diez demonstra esse princípio em larga escala, uma tela que parece inundar a sala num dilúvio de cor.

Depois disso, seus experimentos se tornaram mais radicais. Cruz-Diez se livrou da tela convencional e passou a arquitetar ambientes inteiros mergulhados em cor, situações em que os espectadores caminham por zonas cromáticas intensas, confundindo a ideia de cor na pintura com a realidade da luz no espaço. "É experimentar e absorver a cor na pele", diz Ramírez. "Ele cria experiências quase alucinógenas."

Posted by Cecília Bedê at 4:01 PM

julho 10, 2012

Curador fala sobre novidades do 11º Festival de Arte de Serrinha por Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S. Paulo

Curador fala sobre novidades do 11º Festival de Arte de Serrinha

Matéria de Lauro Lisboa Garcia originalmente publicada no caderno de cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 6 de julho de 2012.

Parque de Instalações a céu aberto é novidade em 2012; evento celebra a 'possibilidade da diferença'

Com o tema Muitos Irmãos, celebrando "a possibilidade da diferença", o cenógrafo e artista plástico Fabio Delduque realiza a partir de amanhã a 11.ª edição do Festival de Arte Serrinha, em Bragança Paulista, que une diversas modalidades artísticas - música, cinema, fotografia, gastronomia, artes visuais - em oficinas, performances, encontros e shows musicais em vários ambientes. Uma das novidades deste ano é a criação do Parque de Instalações a céu aberto. Outra é o Teatro Rural, que será inaugurado no último dia do festival. "São muitas frentes", diz o artista e curador.

A fazenda já tem várias obras de artistas que são resultados de oficinas realizadas nas edições anteriores do festival. Elas estarão juntas no Parque de Instalações. Como será esse parque?

A ideia é que sejam todas peças criadas para o espaço. Existem alguns projetos que já estão até bem desenhados. Dudi Maia Rosa quer fazer duas torres espelhadas. Rochelle Costi quer fazer umas escadas em espiral, Carlos Fajardo quer fazer um trabalho com tijolos. A única obra pronta que a gente levaria para lá seria uma de Frans Krajcberg, mas dependeria de uma doação dele. Estou querendo procurá-lo para mostrar o projeto. Obviamente não temos como adquirir uma obra dele de galeria, mas acredito que ele seja sensível a um projeto como esse.

Por falar em sensibilidade, todo ano é uma batalha conseguir apoio e patrocínio para o festival, que tem procurado unir arte e educação. Este ano você conseguiu maior participação do governo do Estado, por exemplo?

Durante a negociação do festival deste ano tive um monte de reuniões com as Secretarias Estaduais de Cultura e Educação e entendi que tem uma possibilidade incrível de integração. Temos também apoio das secretarias municipais de Bragança. A gente este ano tem um programa de bolsas focado nos professores da rede pública, que são um dos públicos alvos do projeto para o ano que vem. A ideia é ter na Serrinha uma atividade que seja anual, que seja mais concentrada no festival, mas que tenha o ano todo. Existem diversas possibilidades que estamos negociando, dentre elas a Unesp, via Zé Espanhol, Agnus e Sérgio Romagnolo, que são professores artistas. A ideia é que os cursos de extensão universitária possam fazer residência na Serrinha algumas vezes por ano. Vamos fazer uma experiência agora no segundo semestre. Outro ponto é a criação de cursos para formação de professores, que a gente está articulando com as Secretarias de Cultura e Educação. A gente teria um projeto pedagógico criado a partir das obras existentes na Serrinha e outras que virão.

Como é o Teatro Rural? O que está previsto na programação?

O teatro é de madeira e terá um palco que abre para a floresta de eucalipto. Então é tipo um Auditório do Ibirapuera, só que no meio do mato. A inauguração vai ser no último dia do festival. Em dezembro já vamos ter um festival de música instrumental, que terá Yamandú Costa, Trio Curupira e Bocato, entre outros. No ano que vem vai ter uma programação direta de teatro e show mais intimistas e também vai abrir para oficinas durante o festival todo. A capacidade é para 200 pessoas.

A ideia de intercâmbio entre as várias artes é uma das qualidades do festival, como você vê outros festivais pelo Brasil?

Nessa peregrinação anual pelos festivais aprendo muita coisa, mas percebo também que há pouca troca. Participei da última Bienal de São Paulo e conheci no máximo o cara que estava montando a obra do lado da minha. Não existe muito intercâmbio que é o que move o Festival de Arte Serrinha. A ideia também é levar o resultado dos trabalhos na Serrinha para fora. De 30 de agosto a 4 de setembro vai ter uma exposição no Paço das Artes em São Paulo.

Posted by Cecília Bedê at 10:30 AM

Fazenda pretende criar "Inhotim paulista" por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Fazenda pretende criar "Inhotim paulista"

Matéria de Silar Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 10 de julho de 2012.

Como no museu mineiro, Serrinha propõe mistura de arte contemporânea e natureza

Vacas pastam ao longe numa tarde ensolarada de inverno. No meio do mato, está um outdoor com a imagem de uma mula sem cabeça. Perto dali, uma instalação em que o esqueleto de uma casa parece flutuar sobre o campo.

Na fazenda onde acontece agora a 11ª edição do Festival de Arte Serrinha, vem tomando forma uma espécie de Inhotim paulista. Serão obras de 17 artistas espalhadas por um terreno do mesmo tamanho da Disneylândia da arte no interior mineiro, cerca de cem campos de futebol.

"Essa coisa de arte na natureza é a nossa história", conta Fabio Delduque, um dos donos da Serrinha, num passeio pelas terras. "Tem aproximações com Inhotim, mas não temos o capital inicial deles. Lá é mais um museu, aqui as coisas são criadas, são vivas, é um laboratório de experimentação."

De fato, não se compara o orçamento de R$ 1,1 milhão do parque de obras da Serrinha em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, com os R$ 400 milhões despejados no Instituto Inhotim, centro nos arredores de Belo Horizonte, com um dos maiores acervos de arte contemporânea ao ar livre do mundo.

Mas artistas de peso na cena do país, como Laura Vinci, Carlos Fajardo, Rochelle Costi e José Spaniol, já estão desenhando seus projetos para o parque onde já estão instalações de Luiz Hermano, que fez a casa flutuante, Bené Fonteles, que construiu um redemoinho de tijolos, e Eduardo Srur, que pôs um barquinho de papel gigante no lago da fazenda.

Alguns desses e a maioria dos novos trabalhos devem ser feitos com materiais da terra, como tijolos fabricados nas olarias da região, eucaliptos das matas do entorno e formas em taipa de pilão.

OBRAS QUE NASCEM

"Todo mundo está desenhando coisas e me mandando", diz Delduque. "As obras estão nascendo agora."

Rochelle Costi, que esteve na última Bienal de São Paulo, deve construir duas escadas em espiral em algum ponto da fazenda. Spaniol deve fazer outra escada usando barro moldado ali mesmo.

Frans Krajcberg, artista famoso pela militância ecológica e por ter se isolado em um sítio na Bahia, também deve criar para o parque.

Suas peças de madeira recuperada, raízes e galhos retorcidos, farão eco ao mobiliário talhado em troncos de árvore do designer Hugo França, o mesmo de Inhotim, que também está na Serrinha.

Uma vez instaladas, as obras serão tema de um projeto que pretende levar professores de escolas públicas e outros artistas para cursos na fazenda. "A ideia é desdobrar essas obras em conteúdos", diz Delduque.

Posted by Cecília Bedê at 9:58 AM

Na barra da cultura por Fábio Marques, Diário do Nordeste

Na barra da cultura

Matéria de Fábio Marques originalmente publicada no caderno 3 do jornal Diário do Nordeste em 10 de julho de 2012.

Articuladores do "MAR - Movimento Arte e Resistência" reclamam mudanças na política cultural do Governo

Nenhum deles quer ser secretário, não têm nomes a indicar para o posto, nem pleiteiam cargos junto à Secretaria da Cultura (Secult). Quem garante é a coreógrafa Sílvia Moura e o articulador cultural Leandro Guimarães em relação aos participantes do "MAR - Movimento Arte e Resistência", que há 14 dias vêm mobilizando artistas cearenses em protestos (na rua e na internet) e na elaboração de uma pauta de sugestões, em meio à insatisfação declarada com a política cultural do Governo do Estado. A afirmação sobre o caráter não eleitoral e apartidário dos manifestantes vem em resposta à entrevista com o secretário da Cultura, Francisco Pinheiro, publicada com exclusividade na última sexta-feira, dia 6, pelo Caderno 3, onde o secretário alerta para o uso escuso da mobilização.

"O que o movimento questiona é a questão estrutural da Secult. Ser ou não o Pinheiro o secretário da Cultura não é fundamental. Porque pode mudar o gestor e continuar com a mesma estrutura", reitera Leandro, acompanhado por Silvia, que reclama que há bastante tempo as diversas linguagens artísticas vinham insatisfeitas com a política cultural da gestão Cid Gomes e com a atual estrutura de funcionamento da Secult.

"As linguagens já vinham conversando de maneiras diferentes com a secretaria. E já vinham insatisfeitas. Aliás, a gente já vinha insatisfeito desde a gestão anterior, do professor Auto Filho. Nós fomos procurados várias vezes, conversamos várias vezes, mas a gente não sente que há uma resposta concreta às nossas reivindicações", reitera.

As manifestações eclodiram após uma sequência de decisões por parte do Governo que resultaram na segunda saída de Francisco Pinheiro do cargo de secretário em um ano e meio de gestão, seguida pela posse do deputado estadual Antônio Carlos, que também deixou o cargo, dia 12 de junho, apenas seis dias depois de assumir. "Ele (Pinheiro) voltou pela terceira vez sem nos apresentar uma proposta concreta de governo. Isso gerou uma insatisfação muito grande pela falta de compromisso. Então, o compromisso dele é mais político do que o com a pasta que ele está ocupando", questionou Silvia Moura, lembrando ainda que pesou o fato de, nesse entremeio, Antônio Carlos ter assumido a pasta e se desligado via mensagem SMS, como divulgou à imprensa.

Críticas

As demandas do movimento foram organizadas em um abaixoassinado que circula entre os artistas recolhendo assinaturas e que deve ser encaminhado ao governador. Na próxima quarta-feira, às 16 horas, haverá um ato-show na Praça do Ferreira, em frente a sede da Secult, explica Sílvia, para cobrar ações concretas por parte do Governo. Na quinta-feira, dia 12, às 17 horas, está agendada ainda uma reunião com as categorias no Theatro José de Alencar para a organização de uma lista de demandas específicas que serão entregues à Casa Civil em anexo ao abaixoassinado. Hoje, também no TJA, de 14h às 17 horas, representantes da música se reúnem.

"A gente sabe que as soluções vão vir da pasta, mas a gente quer dizer para o governador o que a gente já disse na secretaria", reforça.

Os artistas questionam o fato do próprio governador, Cid Gomes, ter assumido "erros e omissões" em relação à pasta e anunciado, na ocasião da última posse de Pinheiro, uma "virada da cultura", que, no entendimento dos manifestantes, implicaria em grandes mudanças na política desenvolvida no Estado.

Em contraponto à fala do governador, reclamam os articuladores do MAR que, na entrevista publicada com Pinheiro na última sexta-feira, embora o secretário tenha assumido que há deficiências quanto ao trabalho da secretaria, ele sustentava a perspectiva "de continuar normalmente como estávamos anteriormente". "Como tem tanta gente dizendo que não está bem, que as coisas não têm andado como deveria e você está à frente disso e não ouve? Como vai continuar do jeito que está? Apresente uma proposta concreta para a categoria", questiona Sílvia.

Entre as críticas feitas à Secult, estão a falta de uma política cultural clara para o Estado capaz de dar conta das demandas, com ações que vão além da política de editais; a falta de uma equipe técnica especializada capaz de cumprir prazos e procedimentos burocráticos específicos da pasta; mais autonomia de gestão da secretaria, para que o conselho gestor do Fundo Estadual da Cultura possa de fato gerir os recursos e projetos a serem apoiados (decisão hoje atrelada ao gabinete do governador); interlocução especializada entre os profissionais da cultura e a secretaria e investimentos em formação nas diversas linguagens artísticas. Sílvia rebate ainda a reclamação de Pinheiro de que as áreas que mais protestam junto a secretaria - o teatro e a dança - seriam também as que são mais contempladas pelos incentivos da Secult. "Não é questão de orçamento. Embora a gente não esteja satisfeito com o incentivo que existe, a questão não é essa. Isso nem está no documento que a gente está levando para o governador", pontua.

Respostas

Em relação à entrevista dada por Pinheiro ao Caderno 3, Silvia destaca ainda que a necessidade de ações de formação nas diferentes linguagens não é suprida pela recente criação de cursos universitários voltados para linguagens como o audiovisual, a música e o teatro. O secretário havia ponderado que a criação de cursos é uma preocupação de sua gestão, mas que seria avaliada a demanda real de cada linguagem artística.

"Os projetos de formação que a gente solicita nada tem a ver com formação universitária. Embora a gente tenha aumentado o número de cursos de teatro e dança, isso não responde a uma demanda de formação básica. Nós só temos um curso acontecendo com o apoio do governo na dança (Cursos Técnico em Dança) e um do teatro (Curso de Princípios Básicos). Para um estado inteiro", diz.

E continua. "Depois de toda essa manifestação, a gente esperava que o secretário chamasse os artistas, não para uma conversa, que a gente já teve, mas para uma discussão mais ampla. Chamasse o estado para mostrar quais são as mudanças concretas para a secretaria nos próximos dois anos. Porque já foi perdido muito tempo. Manter os editais? A gente não está satisfeito com o edital. O edital é uma ferramenta, uma parte de uma política pública, não deve ser o todo de uma política pública", e encerra, "a gente esperava depois dessa mobilização toda uma reação de ´vamos lá gente, tá complicado? Vamos trabalhar´".

Posted by Cecília Bedê at 9:25 AM

julho 9, 2012

Mitos e Mutações por Nina Gazire, Istoé

Mitos e Mutações

Matéria de Nina Gazire originalmente publicada na seção de artes visuais da Istoé em 6 de julho de 2012.

A fotógrafa americana Francesca Woodman, que criava imagens inspirada na mitologia grega e no surrealismo, ganha a sua primeira exposição no Brasil

Francesca Woodman, Galeria Mendes Wood, São Paulo, SP - 25/06/2012 a 21/07/2012

Embora tenha interrompido sua obra aos 22 anos – e tragicamente, ao se atirar de um prédio em Nova York –, a fotógrafa americana Francesa Woodman deixou um grande acervo, com cerca de dez mil negativos. Filha de pai fotógrafo e mãe escultora, ela deu a largada na sua produção aos 14 anos e em apenas oito anos constituiu um rápido, mas genial conjunto de imagens. Em vida, a artista nunca chegou a ter uma carreira reconhecida e viu apenas 800 fotos de sua autoria serem reveladas. Hoje, contudo, o seu espólio, mantido por seus pais, Betty e George Woodman, em parceria com a Marian Goodman Gallery, uma das mais importantes dos EUA, é um dos mais requisitados. Parte dele pode ser vista na exposição que a galeria Mendes Wood, em São Paulo, exibe até o dia 21, na primeira mostra da artista no País.

Heroínas vitorianas, composições surrealistas e temas retirados da mitologia grega povoam suas imagens, sempre feitas em preto e branco. Modelos nuas ou seminuas dão forma a esse imaginário de modo fugidio e instável, já que a artista constantemente usava uma longa e lenta exposição para fazer suas fotos. Outra de suas obsessões era retratar a si própria. Recentemente, Francesca esteve em cartaz no Museu Guggenheim, em Nova York, em uma das maiores retrospectivas já realizadas em torno de sua obra. Encerrada no dia 13 de junho, uma parte considerável da mostra de Nova York está presente na seleção feita pela galeria Mendes Wood. “É incrível o fato de que somente agora o Brasil tenha recebido o trabalho de Francesca. A sua obra é um divisor de águas e influenciou toda uma geração de fotógrafos, e continua a influenciar até os dias de hoje”, afirma o americano Matthew Wood, dono da galeria e responsável pela curadoria da mostra.

Fascinado pelas imagens de Francesca, Wood foi a New Hampshire, nos EUA, onde os pais dela vivem, para escolher as 30 fotografias que integram a antologia. Ele optou por apresentar a evolução da produção da artista de maneira cronológica, a partir de 1972. As fotos mais recentes são de 1981, ano de sua morte. “Ela teve uma produção rápida e densa e não pôde amadurecer seu trabalho. A cronologia dá uma ideia de como seus temas e experimentalismo evoluíram”, diz Wood.

Além do traço fortemente feminino, as fotos de Francesca impressionam ao registrar a passagem do tempo como metamorfose. Talvez por isso ela tenha se interessado tanto pela mitologia grega, já que grande parte de suas narrativas tratam exatamente da transformação. A imagem “Sem Título – 1979-1980”, que mostra uma mulher acariciando um cisne, é uma referência ao mito de Leda, princesa grega que foi seduzida por Zeus quando ele se metamorfoseou na ave. “A obra de Francesca se dá pela vibração, pela ideia de que uma imagem é algo instável no sentido de que a natureza do ser é sempre o movimento, a transformação”, afirma Wood.

Posted by Cecília Bedê at 3:07 PM

Derivas audiovisuais por Nina Gazire, Istoé

Derivas audiovisuais

Matéria de Nina Gazire originalmente publicada na seção de artes visuais da Istoé em 6 de julho de 2012.

Luiz Duva - Tormentas, Galeria Pilar, São Paulo, SP - 27/06/2012 a 18/08/2012

A experiência que teve ao vivenciar uma terrível tempestade na costa da Inglaterra é o ponto de partida para uma série de trabalhos que o artista Luiz duVa vem desenvolvendo há cerca de quatro anos. Os resultados dessa pesquisa estão agora nas salas da Galeria Pilar, em São Paulo. Sua proposta foi transformar toda a produção resultante em uma espécie de ocupação ensaística sobre as tormentas, em que uma série de trabalhos em diferentes suportes cria uma narrativa sobre a noção de tempestade.

As tormentas dos mares são um dos temas preferidos da pintura do período romântico. Antes de duVa, o pintor britânico William Turner realizou, durante o século XIX, expedições pela costa inglesa registrando em luzes contrastantes e pinceladas convulsionadas as águas agitadas da região. Quase duzentos anos depois, duVa repensa essa iconografia ao utilizar as mídias digitais para transferir sua experiência pessoal para o público, enfatizando o aspecto corpóreo e sensorial.

Na instalação “Tormenta Azul Brilhante” (foto), que abre a mostra, o artista cria um ambiente imersivo em forma de cubo no qual fragmenta suas imagens marítimas, misturando-as aos sons e luzes que dão a sensação de se estar em meio a um estorvo – isso aproxima o significado literal da palavra tormenta ao seu sentido conotativo. “A montagem da exposição foi concebida para transmitir o processo de pesquisa do artista para o espaço da galeria”, diz Christine Mello, crítica de arte e curadora da mostra.

Além da instalação, nove impressões mostram imagens estáticas retiradas das manipulações realizadas na obra “Tormenta Azul Brilhante”. Junto a essas impressões está posicionado um vídeo que apresenta o registro de um mar calmo, tratando-se da primeira imagem captada pelo artista no início do trabalho: fragmentos imperceptíveis e inalcançáveis quando vivenciados na instalação anterior. “Ele faz um percurso poético muito profundo, estabelecendo uma relação corpórea com a imagem e o som. Promove sensações para o outro por meio da imagem”, continua Christine, que, com o artista, criou um ambiente contínuo impossível de ser alcançado apenas com o sentido da visão.

Posted by Cecília Bedê at 2:58 PM

Preços estratosféricos no mercado de arte mascaram realidade por Mike Collett-White, O Estado de S. Paulo

Preços estratosféricos no mercado de arte mascaram realidade

Matéria de Mike Collett-White originalmente publicada no caderno de cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 9 de julho de 2012.

Desconexão entre os 'melhores' e outras peças à venda é contradição nos leilões

LONDRES - Uma publicação de arte comparou as vendas recordes de verão, que acabaram de se encerrar em Londres, a andar sobre a água, embora as casas de leilões digam que não há nenhum milagre por trás dos preços estratosféricos que desafiam o ambiente econômico amplamente pessimista.

Três semanas de vendas nas galerias Christie's e Sotheby's, e em rivais de menor porte, terminaram nesta quinta-feira, 5. Mas enquanto os raros tesouros datando do século 14 até os dias de hoje eram rapidamente levados, uma grande quantidade de lotes bem menos desejados ficaram encalhados.

A Christie's, maior casa de leilões do mundo, vendeu arte no valor total de 385 milhões de libras (600 milhões de dólares) e registrou recordes para obras de John Constable, Yves Klein e Jean-Michel Basquiat.

A Sotheby's, sua rival mais próxima, arrecadou 346 milhões de dólares, valor que sobe para 411 milhões de dólares se for incluída a coleção de Gunter Sachs, vendida em Londres em maio. E também estabeleceu um recorde, para o artista espanhol Joan Miró, cuja obra "Pintura (Estrela Azul)", de 1927, foi vendida por 36,9 milhões de dólares.

No entanto, nesse mesmo leilão, os preços ficaram abaixo das expectativas, evidenciando o que alguns peritos consideram ser uma "desconexão" entre o melhor de tudo e tudo o mais à venda.

"Quando se lê as manchetes, parece que tudo vai bem no mercado de arte. Não é assim", disse Georgina Adam, colaboradora do Art Newspaper, em um artigo no Financial Times.

MILIONÁRIOS ESBANJAM

O apetite pelos tesouros mais preciosos está lá para todos verem. Em maio, a única cópia de “O Grito, de Edvard Munch, que ainda estava em mãos de particulares foi levada à venda pela Sotheby's de Nova York.

Depois de cerca de 15 minutos de intensa disputa, com acréscimos nos lances na casa dos milhões de dólares, foi arrematada por 120 milhões de dólares, incluindo comissão, em um novo recorde para uma obra de arte em leilão.

Os dois recordes anteriores também eram recentes: "Nu, Folhas Verdes e Busto", de Picasso, por 106,5 milhões de dólares, em maio de 2010 (havia sido vendido por 19.800 dólares em 1951; e, em fevereiro de 2010, "O Homem que Caminha", escultura de Alberto Giacometti, por 104,3 milhões de dólares.

O valor de negócios privados é ainda mais estonteante.

Numa troca amplamente noticiada em 2011, mas ainda não confirmada, o Catar levou o famoso "Os Jogadores de Cartas', de Paul Cézanne - a única versão que não está num museu - por 250 milhões de dólares.

Posted by Cecília Bedê at 2:29 PM

Ousadias da Infância nas leituras de três artistas por Fábio Marques, Diário do Nordeste

Ousadias da Infância nas leituras de três artistas

Matéria de Fábio Marques originalmente publicada no caderno 3 do jornal Diário do Nordeste em 9 de julho de 2012.

Infância - Cao Guimarães, Nan Goldin e Paula Trope, Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza, CE - 06/07/2012 a 05/08/2012

Nem regras, nem perigo, nem limites para a realidade e os sonhos. O mundo sob a perspectiva da infância é um lugar onde se permite transgredir essas amarras da vida adulta com a naturalidade de quem as desconhece. Na exposição “Infância”, em cartaz até o dia cinco de agosto no Centro Cultural Banco do Nordeste de Fortaleza, três artistas com obras e origens distintas traçam seu recorte sobre este universo e transportam o público para seus dias de ousadia infantil.

“Eles não impõem essa visão da infância, mas criam a atmosfera que a sugere”, arrisca o curador da mostra, Moacir dos Anjos, que aproximou o trabalho dos três artistas em torno dessa ideia de infância como “um lugar quase utópico, onde os condicionantes da vida adulta ainda não estão marcados”.

A mostra reúne obras da artista norte-americana, Nan Goldin, do mineiro Cao Guimarães e da carioca Paula Trope. Embora os três trabalhem com recursos audiovisuais, possuem trabalhos em linhas e propostas bastante distintas.

“A ideia da exposição surgiu quando vi o trabalho da Nan Goldin em Londres. Fiquei encantado por essa visão da infância que ele induzia. Lembrei do trabalho desses outros dois artistas, que eu já conhecia e resolvi aproximar os trabalhos para levantar estas questões”, remonta o curador. Em exposição, vídeos e projeções fotográficas.

Obras

Inspiradora da exposição, a projeção “Fire Leap” (de 2010), de Nan Goldin, reúne fotografias da família, de amigos da artista e dos filhos destes amigos em momentos diversos de suas intimidades. São dezenas de imagens recolhidas entre 1970 e o ano 2000, divididas por tema e acompanhada de músicas com vocais infantis.

“As imagens projetadas enfatizam sempre um aspecto da infância. Desde mulheres gravidas e nascimentos, passando pela relação dos filhos com os pais, das crianças entre si”, ilustra. As fotos mostram ainda crianças em situações introspectivas, mais melancólicas, contrapondo ideia da infância como algo sempre exuberante.

Moacir chama atenção para a diferença desta série em relação a outros trabalhos da artista, pela ausência de sinais de violência ou angústia, que permeiam as fotografias de Nan quando o universo adulto está em foco.

De Cao Guimarães, cineasta e artista plástico de Belo Horizonte, compõem a exposição os vídeos “Da Janela do Meu Quarto” (2004), com cinco minutos de duração e “ “Peiote” (2007), com quatro, ambos rodados em Super-8. “O Cao traz dois trabalhos que te colocam diante desse universo infantil que rompe essas classificações rígidas sobre as coisas” argumenta. Com cenas filmadas ao acaso pelo autor, o primeiro filme, de 2004, traz a imagem de duas crianças na rua em meio a uma chuva. “Não se sabe se eles estão brincando ou brigando.

Tudo fica ali misturado na lama, se desmanchado na lama”, desvenda. O outro trabalho, “Peiote”, retrata uma criança dançando em meio a um grupo de dança folclórica no México. “A criança que se mete na apresentação.

Ela começa tentando imitar os dançarinos e no final se desliga disso e cria uma dança dela própria, subvertendo espaço dos dançarinos adultos. Ignora as regras que estão sendo seguidas pelos adultos”, reflete o curador.

Fechando o ciclo, Paula Trope apresenta também dois trabalhos. “Contos de Passagem” (2001) e “Traslados” (1996-1998). O primeiro, é um documentário focado entrevistas feitas com crianças que moravam nas ruas do Rio de Janeiro no início do ano 2000. O segundo, traz pares de fotografia projetados na parede, onde de uma lado estão crianças brasileiras, tiradas em poses espontâneas, e do outro crianças cubanas interagindo com as fotos originais. “Ela levou fotos para Havana em 1997 e pediu para as crianças escolherem uma das fotos e posarem de uma forma que dialogassem com as brasileira. Quase como intercambio, uma aproximação entre dois mundos distante”, explica Moacir.

Transgressão

A iniciativa faz parte do projeto Política da Arte, realizada pela Fundação Joaquim Nabuco e trazida a Fortaleza por meio de parceria com o CCBNB. Moacir dos Anjos argumenta que todas estas questões levantadas pelas obras guardam como pano de fundo um caráter político, que é o foco do projeto. “Fazem lembrar que nosso mundo adulto não necessariamente tem que ser o que é. Outros futuros, lá atrás eram possíveis”, diz.

Mesmo a infância sofrida, que é retratada por Paula Trope em “Contos de Passagem”, destrincha o curador, mostra a capacidade destas crianças de imaginar outros futuros para elas. “Futuros que olhando do ponto de vista adulto são difíceis de serem atingidos, mas ali, naquele momento, elas têm essa capacidade de imaginar”, completa. A exposição já passou por Recife e, ainda este ano, deve ir para Salvador e, em seguida,
São Paulo.

Posted by Cecília Bedê at 1:08 PM

julho 6, 2012

Pinheiro de volta por Fábio Marques, Diário do Nordeste

Pinheiro de volta

Matéria de Fábio Marques originalmente publicada no caderno 3 do jornal Diário do Nordeste em 6 de julho de 2012.

Em entrevista exclusiva ao Caderno 3, Francisco Pinheiro aponta rumos da Secretaria, reconhece erros e rebate críticas

Após uma semana de protestos em frente à sede da Secretaria da Cultura, na Praça do Ferreira, e na internet (com a hashtag "#deCIDaPelaCULTURA" viralizada em manifestações nas redes sociais), fruto de mobilização que envolveu artistas de diversas linguagens, pela primeira vez, na última quarta-feira, o Governador Cid Gomes se pronunciou em relação a pasta.

Durante a cerimônia em que empossou pela terceira vez Francisco Pinheiro (PT), na manhã de quarta-feira, Cid reconheceu erros e prometeu mais atenção para a Cultura. No mesmo dia, à tarde, em entrevista exclusiva para o Caderno 3, foi a vez do já secretário Pinheiro reconhecer fragilidades em relação à Secult, respondendo ainda a críticas dos manifestantes e apontando prioridades de sua gestão. Pinheiro garantiu que, desta vez, fica na pasta, pelo menos, até 2014, quando deve precisar se desincompatibilizar para, ai sim, concorrer as eleições. "A perspectiva é de continuar normalmente como estávamos anteriormente. Estou tranquilo", disse o secretário em relação à volta.

Ele classificou como importante as declarações do governador no ato de sua posse, mas falou em tom diferente ao utilizado por Cid Gomes na ocasião, que chegou a falar em um novo projeto de gestão da Cultura. "Conversamos por duas vezes. Basicamente nós tentamos ver como avançar mais ainda o que vínhamos avançando em relação à Cultura", disse Pinheiro.

Críticas

Sobre as críticas que vem recebendo sua gestão, o secretário é político ao reconhecer a legitimidade dos protestos como uma ferramenta de debate democrático, mas denuncia que a intensidade das manifestações cresceu por razões eleitorais. "Normalmente no período eleitoral essas coisas se exacerbam. E coincidentemente exacerbou-se no período eleitoral, no momento da minha saída. Não havia nenhuma discussão antes de eu sair para essa desincompatibilização", questionou. E completa, "há pessoas interessadas em assumir a pasta da cultura. É um direito e o cargo é do Governador. Mas o Governador resolveu nos reconduzir".

Questionado se esse seria o único motivo para as críticas, Pinheiro é direto. "Não. Nós temos dificuldade de gestão. Reconhecemos e sempre dissemos isso. Mas já fizemos boas correções e vamos continuar fazendo".

Entre as críticas que considera injustas, ele aponta reclamações de falta de diálogo por parte da secretaria. "Nós recebemos todas as linguagens por diversas vezes. E, na maioria das vezes, nós encaminhamos as solicitações", rebate.

O secretário questiona ainda que as linguagens que criticam mais duramente a gestão são, segundo ele, também as que mais receberam recursos. "Se você levantar os dados do que nós investimos nestes setores, você vai ver que são os setores mais aquinhoados", diz, citando como exemplo a Dança e o Teatro.

Em números divulgados pela Secult, a execução orçamentária da pasta passou de uma média de R$28,6 milhões anuais de 2003 a 2006, para R$49,3 mi, na média da primeira gestão de Cid Gomes, de 2007 a 2010; e, de janeiro de 2011 a maio deste ano, R$60,9 milhões (um valor que, em projeção anual, representa, na verdade, uma redução em relação ao primeiro mandato de Cid, caindo para R$43 milhões/ano). "Em relação ao governo anterior, do governador Lúcio Alcântara, o nosso governo, da primeira e da segunda gestão, de longe está a frente do anterior", destacou Pinheiro.

O secretário citou como exemplo investimentos que considera significativos nas áreas de Audiovisual, Dança, dos festejos juninos e o próprio Edital de Incentivo as Artes, que engloba diversas linguagens. "Nós temos clareza que tem alguns setores que nós precisamos implementar, por exemplo, a área da Música. Estamos pensando para ela um projeto de grande monta para o Estado do Ceará como um todo, que está no processo de elaboração", adiantou.

Representação

Sobre o sucateamento da estrutura técnica da Secretaria da Cultura, um dos pontos levantados no abaixoassinado que circula entre os artistas, Pinheiro reconhece uma deficiência no quadro funcional, mas descarta a proposta colocada de agregar a este quadro um representante de cada linguagem. "A secretaria tem um quadro de funcionários que estão envelhecendo e estão em um processo de aposentadoria. Nós estamos discutindo com o Governador, já estamos repondo isso", e completa, "a grande discussão é que cada linguagem quer ter um representante dentro da Secretaria. Isso não é possível. A secretaria é um espaço técnico. Nós vamos estabelecer o contato com as linguagens, mas não necessariamente tem que ter um representante aqui". O secretário argumentou que este papel já é exercido pelo Conselho Estadual de Cultura. "É o ente que dialoga, em nome da sociedade civil, com todas as linguagens".

Formação

Durante a ausência de Pinheiro, na última segunda-feira, dia 2, um grupo de artistas foi recebido pela então secretária Maninha Moraes, que hoje está de volta ao cargo de secretaria adjunta. Entre os pontos colocados, estava a falta de investimento na formação nas diversas áreas. Hoje, apenas a dança possui um curso técnico mantido pelo Instituto de Arte e Cultura do Ceará. Na ocasião, chegou-se a cogitar a criação de cursos para as demais linguagens.

Pinheiro reafirmou que este é um ponto que será priorizado, mas ponderou sobre a necessidade de cursos para todas as linguagens. "Não podemos pensar na formação como era na década de 1980. Por quê? Na década de 1980, você não tinha praticamente nenhum curso de nível superior no Ceará ligado à cultura. Hoje você tem várias universidades com vários cursos ligados a área", argumentou, citando como exemplo a área da música, que possui cursos na UFC, UECE e IFCE. Para o secretário, uma das prioridades na área de formação será a capacitação de agentes culturais para a elaboração de projetos e prestação de contas. "Nós temos alguns projetos que eu chamo projetos infraestruturais da cultura", destacou o secretário sobre projetos que considera prioridade.

Dois deles, que pretende deixar como marca de sua gestão: a Pinacoteca do Estado, projeto que se arrasta desde a gestão passada, do Secretário Auto Filho, e investimentos relacionados à memória e documentação. "O governador já nos garantiu recurso nesta área. A cultura não é só feita de eventos. Ela tem que ter algo que seja a base dela. Então ela ter um bom sistema de documentação, arquivo e memória organizado, possibilita que as gerações futuras e mesma as gerações atuais possam planejar melhor as ações na área da cultura", justificou.

SAIBA MAIS

Em reunião realizada no final da tarde de quarta, no Theatro José de Alencar, o grupo "Movimento Arte e Resistência", que vem catalisando as manifestações em relação a política cultural do Estado, decidiu seguir com a mobilização. Cerca de 70 artistas de diversas linguagens estiveram na reunião onde foi acordada a elaboração de um documento detalhado demandas, a ser finalizado na próxima sexta-feira, 13, em outra reunião no TJA. "Os artistas estão se mobilizando para mais manifestações. A intenção é conseguir falar com o governador e conseguir propostas concretas para o Estado. Nos vamos anexar esse documento ao abaixoassinado que estamos circulando e queremos oficializá-lo com Casa Civil", detalhou o realizador Victor Furtado, que participa do movimento. Segundo ele, a ideia é, até lá, agregar o máximo de artistas e colher demandas dos setores culturais.

Posted by Cecília Bedê at 3:23 PM

Cultura depois da praça por Fabiano dos Santos, O Povo

Cultura depois da praça

Texto de Fabiano dos Santos originalmente publicado especial para o caderno Vida & Arte do jornal O Povo em 6 de julho de 2012.

Tínhamos boas notícias de quando o governador Cid Gomes era prefeito de Sobral e Clodoveu Arruda seu secretário de cultura. Uma política cultural se fazia na cidade, sobretudo voltada para a criação e qualificação dos equipamentos públicos. As construções de uma biblioteca e de um museu nas margens do Rio Acaraú viraram símbolo de sua gestão. Talvez, venha daí a expectativa criada pelo setor cultural e as suas mais variadas linguagens e vertentes, quando Cid Gomes assumiu o governo em 2007. Mas até aqui, o resultado em torno da politica cultural para o estado tem ficado muito abaixo das expectativas. Não vou falar da gestão no campo da cultura nos seus primeiros quatro anos. Isso valeria um ensaio à parte. O fato é que desde então, o Estado carece de uma política pública para essa área. Não existe com clareza um plano nem uma agenda estratégica com programas, metas, investimentos, diagnósticos e avaliação de resultados definidos. Afinal, o que esperam o governador e a sociedade cearense como resultados e impactos no campo da cultura depois de oitos anos de governo?

Ao contrário do que aconteceu no primeiro mandato, onde os criadores, produtores e mediadores culturais permaneceram apáticos e sem qualquer coragem de fazer as críticas necessárias à Secult (dentre elas o controle descabido em torno do FEC), dessa vez se mobilizam em torno dessa agenda tão estratégica para o desenvolvimento do estado. Pois cultura é sinônimo de desenvolvimento sim. Cultura é capital social e uma política construída nessa perspectiva implica em impactos diretos nos indicadores de desenvolvimento humano e de inclusão social. Daí a importância da democratização do acesso aos bens e serviços culturais. Cultura é economia e um canal para o desenvolvimento não apenas das indústrias e fazeres criativos, mas da economia como um todo. Cultura é expressão simbólica e implica numa política não só de reconhecimento e valorização de identidades, mas a necessidade de programas sistemáticos para o fomento aos processos de criação, difusão e circulação das expressões simbólicas e de como essa diversidade pode ser vetor para o desenvolvimento sustentável. Afinal não podemos ficar mais prisioneiros de uma visão economicista de desenvolvimento atrelado apenas ao Produto Interno Bruto. A cultura é uma variável vital para o desenvolvimento social, econômico e humano. E grande parte da riqueza do Ceará e dos cearenses está na sua diversidade cultural e na potencialidade de sua economia criativa.

Nesse sentido, quero expressar minha alegria em ver (mesmo de longe) a Praça do Ferreira tomada por artistas, produtores culturais, fazedores e consumidores culturais estampando cartazes, lendo em voz alta e compartilhada seus manifestos, dançando cirandas ou reunidos em grupos para reuniões em torno do tema da cultura. E parece que ninguém está querendo derrubar secretário. O que se apresenta é uma agenda crítica/propositiva e a necessidade de um canal permanente de diálogo e de participação social. E para isso, não precisa inventar a roda, basta fortalecer o Conselho Estadual de Cultura, dando-lhe vitalidade por meio de sua instância maior e aos seus ambientes setoriais. Em termos bem práticos, pode ser convocada uma reunião extraordinária para debater o conteúdo da petição pública assinada por pessoas não apenas do setor, mas por cidadãos cearenses. O fato é que vale uma leitura (também crítica ou autocrítica) e respostas por parte do governo estadual e da sua pasta da cultura.

Outro aspecto importante é a definição da estruturação da equipe técnica para a Secretaria. E nesse aspecto o manifesto é claro no componente da capacidade técnica e de gestão no quadro da Secult. Vale salientar que não há nenhuma linha direta contra o professor Pinheiro. Por outro lado, torna-se fundamental a definição de como ele poderá conduzir a política cultural a partir desse momento e desse movimento. Todos nós reconhecemos a capacidade de diálogo do professor Pinheiro e que sua formação e atuação não estão distantes do campo cultural. Sendo assim, essa é uma decisão que não pode ser protelada por mais nenhum dia, seja por parte do Governador, de Pinheiro ou de seu partido, considerando o quadro político-eleitoral do momento.

O que vale nesse momento é uma posição do Governo do Estado sobre qual é agenda estratégica para a política cultural do Ceará. Como ela está articulada com o Plano Nacional de Cultura e com os programas federativos do Ministério da Cultura? E a nível local, como está integrada com a política de desenvolvimento econômico e social do Estado? Como a cultura está inserida e articulada com as politicas de infraestrutura, de ação social, de saúde, de educação ou de esportes? Aliás, alguém sabe me dizer qual é o programa estruturante de cultura para os temas da Copa do Mundo? Não vale dizer que estão pensando apenas em um show com o Fagner (que seria ótimo) e com Aviões do Forró. Mas antes que me respondam essa última pergunta, avisem-me primeiro sobre os resultados do manifesto e as respostas do Governador para os três pontos de pauta assinalados na petição pública.

Fabiano dos Santos Piúba é poeta do grupo Os internos do Pátio, doutor em Educação e mestre em História. Foi diretor de Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura (MinC) entre 2008 e 2011. Atualmente na direção de Leitura, Escrita e Bibliotecas do Cerlalc-Unesco - Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe, com sede em Bogotá, Colômbia.

Fala, internauta

“Não entendi. Quer dizer que ele reconhece o erro e mesmo assim chama de volta o professor Pinheiro???”
Paulo Cícero

“É, não há coerência em falar que a Cultura está abandonada e ainda manter o mesmo que era secretário...”
Roberto Leite

“Isso já sabemos. O que será feito quanto a isso é o que queremos saber.”
Jeanne Feijão

“Admitir é fácil, o difícil é fazer algo”

Guilherme Dias

“Ainda bem que ele tem essa humildade... realmente antigamente tinha mais incentivo a cultura...”
Joana Alves

As opiniões dos internautas se referem ao reconhecimento do governador Cid Gomes dos problemas na gestão da Secult, admitindo “erros e omissões”, conforme publicado ontem no Vida & Arte.

As falas foram retiradas da página do O POVO On Line no Facebook.

Posted by Cecília Bedê at 3:01 PM

julho 5, 2012

Artistas ainda esperam diálogo por Danilo Castro, O Povo

Artistas ainda esperam diálogo

Matéria de Danilo Castro originalmente publicada no caderno Vida & Arte do jornal O Povo em 5 de julho de 2012.

Após a confirmação do retorno de Pinheiro à Secult, a bailarina e coreógrafa Silvia Moura, não se surpreendeu. “A gente já sabia que ele ia voltar. O problema não é o Pinheiro, é a forma como a secretaria vem sendo lesada pela atual gestão”. Silvia garante que as manifestações vão continuar, e reafirma que o movimento quer uma reunião com o governador, que ainda não sinalizou nada a respeito. “Ele não escutou professores, mal escutou policiais, não sei se vai escutar artistas”, critica.

Com o reconhecimento de Cid às falhas em relação à área e o anúncio de um plano cultural, o realizador em audiovisual Pedro Diógenes disse que “o lado bom disso é que a reivindicação chegou aos ouvidos do governador, mas só acredito no plano quando eu o ver pronto não só no papel, mas na prática”. Sobre Pinheiro, ele diz que a volta do professor só reafirma o quadro atual. “Eu já tive um encontro com o secretário e ele se mostrou despreparado”, conclui.

Segundo a produtora musical Thais Andrade, há dois anos, ela teve um projeto de formação aprovado na Secult, mas até agora não recebeu o valor porque precisa passar pelo veredicto do governador. “O Cid precisa falar menos e fazer mais. Não adianta ter um novo plano, se a secretaria não tiver autonomia”, finaliza.

Posted by Cecília Bedê at 4:33 PM

Então: Pinheiro voltou por Raphaelle Batista, O Povo

Então: Pinheiro voltou

Matéria de Raphaelle Batista originalmente publicada no caderno Vida & Arte do jornal O Povo em 5 de julho de 2012.

Pela terceira vez em um ano e meio, Francisco Pinheiro retoma a gestão da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult). Governador Cid Gomes admite "erros" e "omissões" na pasta e promete plano de virada cultural para o Estado

Como esperado, o Professor Pinheiro (PT) retornou ao cargo de secretário da Cultura do Estado. Anunciada desde a semana passada, a volta só foi oficializada ontem pela manhã em solenidade no Palácio da Abolição. Além dele, outros dois petistas retomaram seus postos à frente de secretarias estaduais: Nelson Martins (Desenvolvimento Agrário) e Camilo Santana (Cidades). A novidade está nas críticas do próprio governador Cid Gomes à pasta da Cultura, que volta a ser comandada por Pinheiro pela terceira vez em um ano e meio.

Diferentemente das outras duas secretarias, cujas gestões foram elogiadas pelo governador, ao anunciar o regresso de Pinheiro à Secult, Cid reconheceu que esta é uma área em que é preciso “ter humildade no sentido de identificar problemas, erros, omissões”.

A partir desse reconhecimento, Cid se comprometeu a formular “um grande plano de virada cultural para o Estado do Ceará”. De acordo com o governador, o plano será anunciado em breve e será feito “a seis mãos”. “Eu quero pessoalmente participar”, enfatizou antes de anunciar Pinheiro como o principal líder desse movimento. As outras duas mãos, porém, Cid não disse de quem seriam. Apesar das críticas, o governador ressaltou a confiança que tem nas “qualidades, nas habilidades e nos pré-requisitos” de Pinheiro.

Artistas e produtores culturais da cidade, organizados no chamado Movimento Arte e Resistência (MAR), organizaram protestos no Twitter e no Facebook, além de uma vigília em frente à sede da Secult (na Praça do Ferreira), desde o dia 27, contra a atual gestão cultural do Governo do Estado.

Esperando a volta de Pinheiro ao trabalho, na última segunda-feira, 2, a classe artística amanheceu em frente à Secult. Como Pinheiro não apareceu, representantes de diferentes linguagens artísticas foram recebidos pela então secretária-executiva da pasta, Maninha Morais, que prometeu intermediar uma audiência da classe artística com o governador. Cid, porém, não mencionou esse encontro.

Sem palavras
Após as assinaturas de posse dos cargos, Cid e os outros secretários eram esperados pela imprensa. No entanto, apenas Nelson Martins atendeu aos jornalistas. Pinheiro saiu à francesa, sem falar com ninguém, por uma porta lateral da sala onde a solenidade ocorreu.

Para tentar ouvir Pinheiro, O POVO esperou o secretário na saída principal, por onde ele teria de passar. Abordado pela reportagem, Pinheiro disse que não se pronunciaria e que Nelson Martins (Desenvolvimento Agrário) falaria por todos os secretários. Por sua vez, Nelson se recusou a falar sobre a pasta da Cultura, por ser uma matéria muito específica, e repetiu o que o governador já havia dito.

A assessoria da Secult informou que, na retomada das atividades, Pinheiro fará reuniões com os responsáveis por cada área da secretaria, mas não soube dizer se os encontros já tratarão do plano prometido por Cid.

Posted by Cecília Bedê at 4:23 PM

julho 4, 2012

9o A Dança se Move: Manifesto de Repúdio e Boicote ao Processo de Eleição para a nova composição dos Colegiados Setoriais

9o A Dança se Move
Manifesto de Repúdio e Boicote ao Processo de Eleição para a nova composição dos Colegiados Setoriais

Os profissionais da Dança Paulistana reunidos no dia 23 de junho de 2012 na FUNARTE/SP por ocasião da 9ª reunião ‘A DANÇA SE MOVE’ * expressam neste MANIFESTO sua posição de REPÚDIO em relação ao Processo de Renovação dos Colegiados Setoriais - através da realização de Fóruns Setoriais Estaduais (virtuais ou presenciais) e de um Fórum Setorial Nacional, para a nova composição do Colegiado Setorial de Dança, conforme publicado pela Portaria nº 51 da Ministra de Estado da Cultura - anunciando sua decisão de BOICOTAR o processo e convidando a todos os profissionais do país que estiverem de acordo a realizar atos semelhantes. Acreditamos que este processo é inócuo na medida em que a atual gestão do MinC não demonstra real disposição de diálogo e de uma construção participativa nas políticas culturais, desconhecendo as decisões expressas pelo CNPC, o que descaracterizaria suas funções. Também em relação ao trabalho realizado anteriormente, o MinC estaria desprezando diversos consensos construídos ao longo de um processo que demandou esforços de articulação e notórios recursos públicos e privados.

* Inicialmente pensados como Seminários para discutir políticas públicas, “A Dança se Move” é um movimento criado pela Cooperativa Paulista de Dança, pelo Mobilização Dança e pela participação espontânea de artistas e profissionais de atuação na Dança no Estado de São Paulo . O 10o encontro ocorrerá em 21 de julho.

Para que seguir falando se não há ouvidos para escutar?

Histórico: o Colegiado Setorial de Dança, inicialmente articulado como Câmara Setorial de Dança, surgiu de um esforço conjunto entre poder público e sociedade civil, desempenhando papel importante na articulação das estruturas participativas de Dança no Brasil.

Este coletivo agregou representantes dos diversos estados da federação e, por meio de reuniões presenciais e virtuais aprofundou-se nas discussões sobre a cadeia produtiva do setor, apontando caminhos para a elaboração de diretrizes e ações para o seu pleno desenvolvimento. Os temas discutidos passaram por formação, difusão, consumo, gestão, articulação e diversidade regional, leis trabalhistas e tributárias, metodologia de elaboração do Plano Nacional de Cultura, mudanças na Lei Federal de Incentivo à Cultura. O resultado desse trabalho intenso foi a sistematização de diretrizes e linhas de ação que constituíram posteriormente o Plano Nacional de Dança.

A instalação do CNPC, em dezembro de 2007, consolidou a transição do modelo das Câmaras, mais focadas nos aspectos econômicos das artes e no aprimoramento das cadeias produtivas das linguagens, para os Colegiados, voltados para a formulação e elaboração de políticas públicas mais amplas para cada setor. A partir de 2008, as Câmaras foram retomadas como Colegiados e passaram a integrar a estrutura do CNPC. No Biênio 2010-2012, o Colegiado discutiu temas importantes para a política setorial e para a política cultural como um todo, tais como: análise das políticas implementadas no biênio anterior; novo formato do FNC: competências do Colegiado Setorial de Dança; eleição do representante do Colegiado no Plenário do CNPC; eleição do representante do Colegiado para o Comitê dos Fundos Setoriais; proposta de estruturação do Fundo de Artes Cênicas; formulação de diretrizes no campo da cultura e educação; deliberações sobre o Plano Setorial de Dança; plano e programas de trabalho do Centro de Artes Cênicas da Funarte; implementação do Plano Nacional de Cultura; Relatório de Atividades 2005-2010 da Câmara e Colegiado Setorial de Dança; metas do Plano Nacional de Cultura; Fundo Nacional e Comitês; Plano Setorial de Dança; Mais Educação; Publicação do Procultura; renovação dos Colegiados Setoriais em 2012.

Assinam este Manifesto:SSINAM ESTE MANIFESTO
9o A Dança se Move
Cooperativa Paulista de Dança
Movimento Mobilização Dança

E os profissionais presentes:
Carlos Freitas, Marina Hohne, João Carlos Ferreira da Silva, José Maria C. Ferreira, Angela Nolf, Fernando Lee, Larissa Miwako, Gabriela Neves, Vera Sala, Lívia Imperio, Sandro Borelli, Isabela Pessotti, Suzana Bayona, Fernanda Perniciotti, Ana Catarina Vieira, Ellen Gonsalez, Natalia Fernandes, Valeska Figueiredo, Shayanny de Sá, Juliana do Nascimento, Djalma Moura, Renato Cruz, Natália Mendonça , Marcos L. Moraes, Fábio Farias, Alex Merino, Solange Borelli

Convidamos os que estiverem de acordo a replicar esta mensagem, assinando-a e dando divulgação à mesma.

Posted by Patricia Canetti at 12:23 PM

Documenta de Kassel reflete sobre o que se vê e o que se sente por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo

Documenta de Kassel reflete sobre o que se vê e o que se sente

Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 4 de julho de 2012.

A 13ª edição da Documenta de Kassel, na Alemanha, aberta ao público no início do mês passado, revela-se uma das mostras mais sofisticadas da história.

Sua diretora artística, Carolyn Christov-Bakargiev, conseguiu reunir obras contundentes, que abordam os dramas contemporâneos, ao mesmo tempo em que produz uma reflexão refinada sobre o significado de expor.

A primeira obra da mostra, no Fridericianum, é apenas uma sensação: o sentimento de uma leve brisa, provocada pelo artista inglês Ryan Gander, com "I Need Some Meaning I Can Memorize [The Invisible Pull]" (eu preciso de algum sentido que possa me lembrar [o puxão invisível]).

Bakargiev aponta, aí, como na arte não interessa apenas o que se vê, mas sim o que se pode sentir quando se está atento.

Isso ocorre ainda, por exemplo, com a performance de Tino Sehgal, realizada nos fundos de uma casa no centro de Kassel.

O ambiente é escurecido, e os visitantes se localizam apenas pelo som das vozes dos vários intérpretes dispostos pelo aposento.

Eles cantam, dançam de forma coreografada, dão depoimentos. A sensação de insegurança, de quando se entra na obra, se transforma, rapidamente, em aconchego, cumplicidade. É justamente essa relação íntima, entre público e obra, que torna essa Documenta tão especial.

ANTIESPETÁCULO

A cumplicidade existe ainda quando Bakargiev expõe artistas que fizeram pesquisas em Cabul (Afeganistão), um dos locais para onde a mostra se expandiu.

Ela aborda o colapso da guerra, um dos eixos da Documenta, mas não apresenta obras que tratam do assunto de forma leviana. A diretora apresenta as obras tanto em Kassel como em Cabul numa sinalização de respeito.

São detalhes como esses que tornam a imensa exposição, espalhada ao menos por 20 locais da cidade, algo que contradiz a noção de espetáculo que normalmente permeia o setor atual.

A 13ª Documenta comprova que é possível fazer arte para o grande público e, ao mesmo tempo, manter o respeito à arte.

DOCUMENTA DE KASSEL
AVALIAÇÃO ótimo

Posted by Cecília Bedê at 10:43 AM

julho 3, 2012

Nome próprio da cultura por Vladimir Safatle, Folha.com

Nome próprio da cultura

Texto de Vladimir Safatle originalmente publicado na seção de colunistas da Folha.com em 3 de julho de 2012.

No Brasil, os debates sobre ação cultural normalmente pecam pelo medo de afirmar as exigências da cultura em voz alta.

De um lado, há aqueles para quem os investimentos em cultura se justificam por permitir o desenvolvimento da "economia criativa". Nessa visão, cultura é bom porque gera empregos, turismo e desenvolvimento econômico.

De outro, há os que veem a cultura como ponta de lança de serviços de assistência e integração social. Mais música e menos violência --é o que alguns gostam de dizer, como se houvesse alguma forma de relação direita possível. O que abre um perigoso flanco: se o índice de violência não baixar, o investimento em música parece perder o sentido.

Por fim, há os que compreendem cultura como um mero complemento para a educação. Todas as ações culturais devem estar integradas em um projeto educacional pedagógico.

Há de lembrar a tais pes- soas que a cultura ocidental construiu seu lugar exatamente por meio da recusa dessas três tutelas. Platão e Rousseau, por mais que enunciassem pensamentos distintos, tinham ao menos a similitude de ver a arte como uma pedagogia para o bem-viver em sociedade. Não por outra razão, um expulsou os artistas de sua cidade ideal e o outro brigava para não abrirem um teatro em Genebra. Afinal, Dostoiévski, Francis Bacon, John Cage e Paul Celan não são exatamente companheiros na arte da descoberta do bem-viver. A arte serve mais para desestabilizar visões de mundo do que para referendá-las.

Já a subsunção das discussões culturais aos imperativos da nova "economia criativa" é só mais uma maneira de justificar a lógica de mercador de certos administradores culturais. Assim, eles podem financiar o que circula mais, já que a alta circulação é o critério fundamental para a avaliação dos processos de produção econômica.

Como Britney Spears sempre circulará mais do que Anton Webern, fica justificada a transformação do Estado em departamento de desenvolvimento de subprodutos culturais para a indústria. Daqui a pouco, teremos baile funk pago pela Secretaria da Cultura (ainda por cima, com a desculpa de que se trata de manifestação popular).

Mas o Brasil mereceria um debate cultural que não precisasse de muletas para se justificar e que não tentasse perpetuar falsos dilemas --como cultura elitista x cultura popular, cultura dos países dominantes x cultura da periferia e outros absurdos do gênero.

Aqueles que acreditam que a cultura serve, sobretudo, para desestabilizar visões de mundo e compreender a força crítica das formas estéticas deveriam parar de falar em voz baixa.

Vladimir Safatle escreve às terças-feiras nesta coluna.

Vladimir Safatle é professor livre-docente do Departamento de filosofia da USP (Universidade de São Paulo). Escreve às terças na Página A2 da versão impressa.

Posted by Cecília Bedê at 2:56 PM | Comentários (1)

Petrobras nega que Graça Foster vai rever patrocínios concedidos, O Globo

Petrobras nega que Graça Foster vai rever patrocínios concedidos

Matéria originalmente publicada no caderno de Economia do jornal O Globo em 3 de julho de 2012.

Decisão atingiria eventos, congressos, publicações, filmes, projetos culturais e conferências

RIO - A Petrobras divulgou nota na tarde deste domingo negando a informação publicada na coluna Panorama Político do jornal O Globo de que a estatal havia decidido segurar e rever todos os patrocínios concedidos pela empresa. De acordo com a nota do jornalista Ilimar Franco, a decisão de Graça Foster, presidente da empresa, atingiria eventos, congressos, publicações, filmes, projetos culturais e conferências setoriais e temáticas promovidas pelo governo federal, e que tinham patrocínio estatal.

A coluna cita ainda que marqueteiros petistas teriam ficado atônitos e irritados com a iniciativa da presidente da Petrobras:

"Quem essa Graça Foster pensa que é? A Dilma da Dilma?".

Leia abaixo a íntegra da nota enviada pela Petrobras:

“Com relação à nota "Fim da farra", a Petrobras esclarece que não é verdadeira a informação de que a presidente da Companhia, Maria das Graças Silva Foster, "decidiu segurar e rever todos os patrocínios concedidos pela empresa". A Petrobras reafirma que, tanto os novos projetos que receberão patrocínio, como aqueles em análise para renovação, seguem os mesmos padrões que sempre foram aplicados pela empresa”.

Posted by Cecília Bedê at 2:25 PM

Terceiro retorno de Francisco Pinheiro deve ser anunciado por Adriana Martins, Diário do Nordeste

Terceiro retorno de Francisco Pinheiro deve ser anunciado

Matéria de Adriana Martins originalmente publicada no Caderno 3 do jornal Diário do Nordeste em 3 de julho de 2012.

Manifestante confeccionando cartaz em protesto da classe artística na última quinta-feira (28): vigília no Centro encerrou-se ontem

O retorno oficial do deputado estadual Francisco Pinheiro (PT) ao cargo de secretário da cultura do Ceará - o terceiro no período de um ano e meio - deve ser anunciado hoje, segundo informações da Secretaria da Cultura do Estado (Secult). Desde o dia 12 de junho, quando o também deputado estadual Antônio Carlos deixou a gestão da pasta, após substituir Pinheiro por seis dias, a Secult encontra-se sob comando da secretária adjunta Maninha Morais.

Ainda de acordo com a Secretaria, Pinheiro não se pronunciará sobre o retorno até o mesmo ser oficializado (publicado no Diário Oficial do Estado do Ceará). Manifestações contra a volta do deputado para a pasta começaram a se multiplicar ontem em redes sociais digitais como o Facebook.

O revezamento de nomes na pasta da cultura gerou desgaste não apenas para a figura de Pinheiro e sua equipe, mas para a do próprio governador Cid Gomes, cuja gestão é avaliada pela classe artística cearense como centralizadora e indiferente às demandas do setor da cultura. É o que consta na carta-manifesto elaborada na semana passada por integrantes e representantes de fóruns de diferentes linguagens artísticas, que formaram o MAR - Movimento Arte e Resistência.

No texto, artistas, produtores e outros profissionais salientam que a Secult "tem sido usada para negociatas político-partidárias, ao invés de cumprir sua função como agenciadora, catalisadora e propulsora de ações que fortaleçam, desenvolvam e instiguem políticas públicas de cultura no Ceará". Acompanha a carta um abaixoassinado, atualmente com mais de 1.200 assinaturas. A carta foi entregue ontem à Maninha Morais, durante nova manifestação em frente à sede da Secult, no prédio do Cine São Luiz. A ação reuniu cerca de 200 pessoas e deu continuidade à vigília empreendida pelos artistas desde a última quarta-feira (27), na Praça do Ferreira.

Na ocasião, trechos da carta foram lidos em voz alta pelos protestantes, em meio aos transeuntes e aos funcionários da Secult que entravam no prédio. "Encerramos a vigília hoje (ontem) no fim da manhã, quando entregamos a carta e procuramos o apoio da Secult para conseguir uma audiência com o governador", explicou, por telefone, Leandro Guimarães, integrante do Fórum Cearense de Circo e do MAR. Ainda segundo o jovem, a carta será protocolada na Casa Civil no início da próxima semana. O abaixoassinado continua disponível na internet. Hoje o Fórum de Linguagens deve se reunir para decidir outras ações do MAR.

Mais informações

Site do abaixo-assinado do MAR: http://peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N26147


Posted by Cecília Bedê at 2:11 PM

Artistas seguem com protestos por Pedro Rocha, O Povo

Artistas seguem com protestos

Matéria de Pedro Rocha originalmente publicada no caderno Vida & Arte do jornal O Povo em 3 de julho de 2012.

Artistas amanheceram ontem em frente à entrada da Secretaria da Cultura do Ceará, no Centro, para recepcionar o deputado estadual Professor Pinheiro (PT) em seu possível retorno ao cargo de titular da pasta, o que não aconteceu até o fim da manhã.

Entre os protestos, os manifestantes pregaram cartazes com críticas à gestão cultural do governo de Cid Gomes na fachada da Secult. Dezenas de artistas também protocolaram no órgão o documento que reúne as críticas e demandas dos manifestantes.

No meio da manhã, representantes das diferentes linguagens artísticas foram recebidos pela secretária-adjunta Maninha Morais. Segundo a diretora de teatro Herê Aquino, a secretária interina ouviu as demandas e se comprometeu em intermediar audiência com o governador.

Uma nova manifestação está marcada para amanhã, no Theatro José de Alencar, quando o movimento deve apresentar documento final com propostas para a política cultural do Estado.

Desde a madrugada da última quinta-feira em vigília em frente ao órgão, o intitulado Movimento Arte e Resistência (MAR) cobra mudanças na gestão da Secult como autonomia política e nomeação de quadros técnicos especializados na área cultural.

Abaixo assinado: Carta de Repúdio ao descaso do Governo do Estado do Ceará com a Cultura

Posted by Cecília Bedê at 2:04 PM

No Rio, Ernesto Neto celebra sua obra com festa em ateliê por Silas Martí, Folha de S. Paulo

No Rio, Ernesto Neto celebra sua obra com festa em ateliê

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 3 de julho de 2012.

De camisa fúcsia, calça alaranjada e microfone na mão, Ernesto Neto sobe numa cadeira no meio de seu ateliê.

"Aí, rapaziada, eu preciso que vocês me ajudem a carregar essas pedras moles", diz o artista, falando de suas esculturas de crochê e bolinhas de plástico. "Vamos levar as pedras lá para cima."

Era o momento de desmontar a maior parte da exposição, cedendo lugar à festa que celebraria sua obra.

Depois que a "alta casta, de salto agulha", nas palavras da sua galerista, Marcia Fortes, havia visto as peças montadas, a ordem era apagar a luz e ligar a música.

Então um enxame de artistas, galeristas, críticos e colunistas sociais lotou o ateliê de Neto na zona portuária do Rio, concentrando boa parte do PIB da arte nacional em dois galpões contíguos cheio de instalações.

As duas salas simulavam, na mesma disposição, a forma como suas obras serão mostradas em São Paulo a partir da semana que vem.

No Rio, porém, as peças serviam de mobiliário -colorido e caro (uma delas, confeccionada por costureiras do bairro, ostentava o valor de US$ 250 mil) e colorido- para convidados que se esbaldavam nas pistas de dança.

"Isso é para o público vivenciar a obra em seu berço original, no seu habitat", observa Marcia Fortes, enquanto três rapazes se agitam dentro de uma estrutura gigante de crochê.

"Olha isso, essa passagem sutil de cores, parece Cézanne", completa a marchande, agachando-se para tirar dali uns tênis esquecidos.

Neto, um dos artistas mais renomados do país, é famoso também pelas festas épicas que faz no Rio. Decidiu então juntar a balada em si ao aspecto festivo da obra.

"Festa é coisa cultural, é uma loucura", diz Neto, entre goles de cerveja.

"Todo mundo quer festa. Quero gente andando no gasoso, na atmosfera, num estado de suspensão, e a festa leva as pessoas a esse lugar grupal. Pode ser rico, pobre, classe média. A festa é onde você pode encontrar e estar feliz com todos os amigos."

No caso, amigos, trabalhadores e funcionários do ateliê e da galeria paulistana.

Na manhã da festa, a Fortes Vilaça lotou um ônibus em São Paulo e levou os funcionários, entre porteiros, seguranças e montadores da galeria, para acompanhar a abertura.

Depois de perder o botão da calça numa das esculturas, Afonso Luz, crítico de arte e ex-assessor do Ministério da Cultura, contemplava o alvoroço dos convidados em torno das esculturas.

"Olha isso, você devia entrar lá", diz Luz à reportagem. "O Rio virou mesmo um paraíso, uma terra da fantasia."

O jornalista SILAS MARTÍ viajou a convite da galeria Fortes Vilaça

Posted by Cecília Bedê at 1:45 PM

Setor cultural vê preocupação com possíveis cortes por Matheus Magenta, Folha de S. Paulo

Setor cultural vê preocupação com possíveis cortes

Matéria de Matheus Magenta originalmente publicada na ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 3 de julho de 2012.

Produtores culturais demonstraram preocupação com a possibilidade de cortes ou revisões nos patrocínios concedidos pela Petrobras para a área.

Em retração no país, o segmento de festivais de cinema teme que a estatal não lance neste ano a edição anual do Programa Petrobras Cultural.

No ano passado, o programa contemplou 16 festivais de cinema com até R$ 300 mil para cada um.

"A gente está muito preocupado com essa situação. Há festivais que estão realizando edições emergenciais com um quinto dos recursos necessários só para não descontinuar o evento", disse Francisco Cesar Filho, presidente do Fórum Nacional dos Organizadores de Festivais Audiovisuais Brasileiros.

Patrocinado pela Petrobras pelo forma direta (sem seleção pública), o grupo teatral mineiro Galpão diz não temer a suspensão do patrocínio atual, de R$ 1,5 milhão.

Mas, disse Beto Franco, coordenador-geral do Galpão, "preocupação sobre o futuro sempre existe". "Nosso patrocínio é renovado a cada ano."

Segundo ele, o grupo não foi comunicado pela Petrobras sobre possíveis mudanças no patrocínio.

Paulo Pederneiras, diretor do grupo de dança contemporânea Corpo, se mostrou confiante na continuidade do patrocínio direto. Foram R$ 3,9 milhões no ano passado.

"Fui pego de surpresa pela notícia, mas não estamos preocupados, nosso contrato com eles vence no final de 2013", afirmou.

Os mais preocupados com as possíveis mudanças não são receptores de patrocínios diretos como o dos grupos Galpão e Corpo. Elas afetariam sobretudo os produtores culturais cujos projetos dependem de aprovação em seleções públicas por edital.

Posted by Cecília Bedê at 1:37 PM

Petrobras vai rever patrocínio cultural por Denise Luna, Pedro Soares e Matheus Magenta, Folha de S. Paulo

Petrobras vai rever patrocínio cultural

Matéria de Denise Luna, Pedro Soares e Matheus Magenta originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 3 de julho de 2012.

Suspensão para a avaliação atinge projetos do Programa Petrobras Cultural, mas poupa outros auxílios financeiros

Gerente que era tida como "ministra paralela da Cultura" saiu em reformulação feita por Graça Foster

A Petrobras suspendeu para avaliação o processo de escolha de projetos culturais do Programa Petrobras Cultural, como vem fazendo com várias de suas outras iniciativas de patrocínio.

Normalmente lançada entre março e abril, a seleção de projetos entrou em compasso de espera enquanto a nova presidente da companhia, Graça Foster, decide os próximos passos do programa.

Em janeiro, um pouco antes de Graça tomar posse, a Folha já havia solicitado à empresa informações sobre o programa em 2012.

Na época, a estatal afirmou que seria lançado "em breve" e que "estava ciente do seu papel e importância no patrocínio à cultura".

Passados seis meses, não há indicação de quando o programa será lançado. Empresas terceirizadas que faziam a seleção dos projetos foram dispensadas e, segundo uma fonte que acompanhou processos anteriores, uma nova licitação estaria sendo preparada para escolher novas empresas, mas sem data definida.

Graça assumiu a Petrobras em fevereiro deste ano, no lugar de José Sergio Gabrielli. E, na dança das cadeiras que promoveu, tirou o cargo da então gerente de patrocínios Eliane Costa, considerada pelo setor uma "ministra paralela da Cultura", graças ao orçamento que comandava.

No seu lugar foi empossado Sérgio Bandeira de Melo, que ocupava a cadeira em 2000, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

FORA DE RISCO

Além do Programa Petrobras Cultural, a estatal tem patrocínios classificados como de continuidade e que não correm risco, como os grupos Corpo e Galpão e parte da programação do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, entre outros.

Já os projetos que dependem de seleções públicas do Programa Petrobras Cultural, que incluem festivais de cinema, permanecem em observação na estatal.

Sem patrocínio, o Cine Fest Petrobras, de Nova York, cancelou em junho a sua décima edição. No Brasil, grupos já temem uma descontinuidade dos eventos com a nova gestão.

SEM TERCEIRIZADAS

Entre os motivos para a suspensão do programa, segundo fontes da companhia, estaria a intenção de Graça de manter a seleção de projetos dentro da Petrobras, sem a participação de empresas terceirizadas, e em tempos de cinto apertado, a vontade de encontrar novas maneiras de financiamento.

O benefício fiscal usado para financiar a cultura, que inclui o programa e os patrocínios de continuidade, despencou de R$ 169 milhões em 2006 para R$ 108 milhões em 2009 e para R$ 63 milhões em 2010. A empresa não soube informar o benefício de 2011.

Em nota, a Petrobras informou "que, tanto os novos projetos que receberão patrocínio, como aqueles em análise para renovação, seguem os mesmos padrões que sempre foram aplicados pela empresa".

Frase

"A gente está muito preocupado com a situação. Há festivais [de cinema] que estão realizando edições com um quinto dos recursos necessários para não descontinuar o evento"

FRANCISCO CESAR FILHO
presidente do Fórum Nacional dos Organizadores de Festivais Audiovisuais Brasileiros

Posted by Cecília Bedê at 1:29 PM

julho 2, 2012

Correspondência artística por Nina Gazire, Istoé

Correspondência artística

Matéria de Nina Gazire originalmente publicada na Istoé em 29 de junho de 2012.

Exposição reúne obras trocadas via correio por artistas da América Latina e Europa Oriental durante os anos de chumbo da ditadura

Redes Alternativas / Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo até 30/09

A arte postal, também conhecida como mail art, surgiu em meados dos anos 1960 movida por um espírito libertário. Suas obras seriam consumidas e trocadas por artistas que usariam os correios para fazer circular a sua produção longe das imposições do mercado de arte e do espaço estanque das galerias e instituições oficiais. Essa prática artística, no entanto, vai muito além da troca de experiências e uma ótima oportunidade de repensar o seu papel acontece com a exposição “Redes Alternativas”, em cartaz no Museu de Arte Contemporânea da USP, em São Paulo.

Se na Europa Ocidental e na América do Norte essa produção visava liberar a própria arte de suas amarras institucionais, nos países latino-americanos, que viviam sob regimes ditatoriais, ela era uma arma contra o sufocamento cultural. Foi por meio dos correios que durante as décadas de 1960 e 1970, período em que os efeitos da Guerra Fria também asfixiavam nações do Leste Europeu, importantes nomes do Brasil, Argentina, Polônia, Alemanha Oriental e Hungria, entre outros, iniciaram uma correspondência prolífica, não só de trabalhos, mas principalmente de ideias. “O correio foi um lugar seguro para essa troca que escapava da censura e acabou por encontrar acolhimento em um lugar neutro, como foi o caso do Museu de Arte Contemporânea da USP”, comenta Cristina Freire, curadora da mostra que reúne o intercâmbio de obras entre a América do Sul e o Leste da Europa.

A exposição é o resultado de uma pesquisa feita dentro do acervo do MAC-USP, que a partir de 1963, sob a direção do professor Walter Zanini, procurou dar abrigo a uma produção de resistência, como é o caso da arte postal. Está centrada, principalmente, no uso da fotografia como registro de performances que depois eram trocadas entre os artistas, acompanhadas de textos descritivos. Tal experiência gerou uma série de proposições que funcionaram como estratégias de sobrevivência. A ironia dá o tom, por exemplo, da obra “Veículo”, do polonês Krysztof Wodiczko. O artista criou uma espécie de esteira rolante móvel que se desloca com o caminhar do usuário. “Na estrada do progresso, na rodovia para um futuro melhor, o intelectual precisa contribuir para o processo racional”, escreveu Wodiczko no texto ao lado das fotografias que foram enviadas ao museu em 1973. Em “Sequela”, de Fernando Cocchiarale, o artista registra as marcas deixadas em seu braço por uma corda apertada. “Representantes de ambas as regiões fizeram amplo uso da fotografia por ser um meio de reprodução acessível que ficava longe de um controle oficial”, explica Cristina, cuja pesquisa teve origem em uma curadoria anterior, realizada em 2009, para uma exposição na Alemanha, denominada “Práticas Subversivas”.

Posted by Cecília Bedê at 5:05 PM

Revolução e arte por Paula Alzugaray

Revolução e arte

Matéira de Paula Alzugaray originalmente publicada na Istoé em 29 de junho de 2012.

Hervé Fischer - Arte Sociológica e Conexões, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo, SP - 09/05/2012 a 30/12/2012

Um dos primeiros grupos que se orientaram pela ideia de coletivo artístico foi criado em 1974 pelo francês Hervé Fischer. Denominado Coletivo de Arte Sociológica, o grupo fundamentava suas ações em torno de manifestos que defendiam uma “arte sociológica”: uma prática que pensasse e refletisse a arte sempre a partir de seu referencial social. No mesmo ano da fundação do coletivo, Fischer enviou um postal ao Museu de Arte Contemporânea da USP que continha uma imagem de uma placa de trânsito com a frase “Arte: o que você tem a declarar?” (foto). Um ano depois, o artista veio ao Brasil a convite do museu e realizou uma intervenção ousada na Praça da República, em São Paulo. Em “Farmácia”, como foi denominada a ação, Fischer escutava as histórias dos transeuntes e distribuía “pílulas” de acordo com o diagnóstico. Entre os medicamentos, havia um comprimido que permitia o voto e a democracia, ato arriscado em pleno regime militar. Na mostra “Hervé Fischer – Arte Sociológica e Conexões”, também em cartaz no MAC, é possível ver os diversos manifestos produzidos pelo Coletivo de Arte Sociológica e os registros de suas ações, além de fotografias e obras doadas pelo artista ao museu. Vale ressaltar que durante as décadas de 1960 e 1970 a instituição foi uma das poucas na América Latina a funcionar como um território neutro para a existência de uma arte politicamente engajada.

Posted by Cecília Bedê at 4:57 PM

Três vezes secretário por Pedro Rocha, O Povo

Três vezes secretário

Matéria de Pedro Rocha originalmente publicada no caderno Vida & Arte do jornal O Povo em 2 de julho de 2012.

Cogitado para reassumir hoje a Secretaria da Cultura, o deputado estadual Professor Pinheiro deve ser recebido na porta por protestos de artistas

A semana promete ser movimentada para a gestão da Cultura no Ceará. Depois de sua segunda saída temporária, o deputado estadual Professor Pinheiro (PT) pode assumir pela terceira vez em um ano e meio a Secretaria da Cultura do Estado (Secult), agora em meio a uma série de protestos da classe artística.

A vigília que teve início na última quarta-feira, na qual vários artistas vararam a noite na Praça do Ferreira, em frente à atual sede da Secult – que se mudou do Palácio da Abolição para o prédio do Cine São Luís –, está prevista para acabar hoje pela manhã, quando os manifestantes pretendem recepcionar Francisco Pinheiro e protocolar o manifesto do movimento.

O documento, que contabiliza mais de 1.200 assinaturas no abaixo-assinado disponível na Internet, critica “o evidente descaso dado à Cultura pela atual gestão do Governo do Estado do Ceará, sob a administração de Cid Gomes”. Para eles, a Secult “tem sido usada para negociatas político-partidárias, ao invés de cumprir sua função como agenciador, catalisadora e propulsora de ações que fortaleçam, desenvolvam e instiguem políticas públicas de cultura no Ceará”.

No texto, os artistas reclamam também da “delegação de cargos e responsabilidades, em toda a hierarquia relativa à gestão da Pasta da Cultura, a gestores/interlocutores que, em sua maioria, desconhecem as problemáticas e contextos artísticos, não tendo histórico que os habilite a ocupar as funções que lhe são delegadas”.

Apesar de ser criticado pelo aparelhamento da Secult com a nomeação de pessoas sem experiência na área para cargos de primeiro escalão, Pinheiro não está no centro das reivindicações. A principal questão apontada pelos documentos e por integrantes do movimento é a gestão centralizadora do governador, que precisa aprovar qualquer projeto antes da liberação dos recursos pela secretaria.

“Tem parte do movimento que não quer que ele (Pinheiro) volte por causa desse vai-e-vem, que pra gente significa uma falta de compromisso com a secretaria. Mas a gente nem quer levantar essa questão agora, o que a gente quer mesmo é mudar o quadro em que a secretaria se encontra”, explica a coreógrafa Sílvia Moura, integrante do Fórum de Dança e uma das líderes do movimento.

Movimento

Desde a manhã de quinta-feira, com o protesto que reuniu cerca de 100 pessoas na Praça do Ferreira, a gestão estadual da cultura passa por uma série de protestos.

Na tarde de quinta ainda, durante audiência pública na Assembleia Legislativa convocada pelo próprio deputado Professor Pinheiro para discutir a “Lei do Mecenato” – forma de financiamento de projeto culturais através de renúncia fiscal –, os artistas intervieram no debate e leram o seu manifesto. O que aconteceu também à noite, em evento no Theatro José de Alencar que contou novamente com a presença de Pinheiro.

Maninha Morais, secretária-adjunta e titular interina da pasta, disse que tinha interesse em ler o documento e pediu aos manifestantes que o encaminhassem à secretaria.

Um dia depois, na sexta, foi a vez da hashtag #deCIDapela cultura chegar ao topo dos trendtopics do Ceará no Twiter. A mobilização ganhou também o Facebook, onde artistas cearenses em várias cidades do Brasil e do mundo publicaram fotos segurando cartazes em solidariedade ao movimento.

“A nossa principal meta é uma audiência com o governador. A nossa questão é um modelo de gestão da secretaria, principalmente a centralização dos projetos que acontecem, os prazos vão sendo estourados e um quadro técnico que não tem o conhecimento específico do campo cultura”, afirma o ator Gyl Giffony.

Abaixo assinado: Carta de Repúdio ao descaso do Governo do Estado do Ceará com a Cultura

Posted by Cecília Bedê at 4:36 PM