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Como atiçar a brasa

 


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julho 30, 2010

Estátua "dispara" obra de McQueen por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Matéria por Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de São Paulo em 30 de julho de 2010

Artista diz que visão do monumento em Nova York o inspirou a realizar uma "investigação física da liberdade" 



Tailandês Apichatpong Weerasethakul retorna ao seu país para documentar memórias "de segunda mão" 


Na balsa para Manhattan, Steve McQueen foi fisgado pelo olhar da estátua da Liberdade e sua tocha de cobre fincada no céu de Nova York.


"Foi um disparo na minha cabeça, acendeu uma luz", conta o artista britânico à Folha. "Naquela hora, já tinha umas dúvidas sobre o que quer dizer a ideia de liberdade nesses nossos tempos."


Tempos atrás, a greve de fome de Bobby Sands, ativista do Exército Republicano Irlandês que definhou em protesto contra o governo Thatcher nos anos 1980, foi mote de "Hunger", filme do artista premiado em Cannes.


"Queen and Country" (a rainha e o país), sua série de selos postais em que estampou rostos de soldados britânicos mortos em combate no Iraque, também está impedida de circular até hoje por censura do Royal Mail.


Não estranha que a liberdade tenha virado uma espécie de obsessão visual para o artista, como se tentasse vencer amarras do sistema, transpor o limiar entre a poesia da arte e a prosa do cinema, na obra que leva à próxima Bienal de São Paulo.


"É uma investigação física da liberdade e do monumento erguido em homenagem a essa ideia", diz ele sobre "Static". "Estático porque não se move, é a tentativa de entender como esse objeto se traduz para a realidade."


Nos rodopios de sua câmera em torno da estátua, McQueen funde dois tempos -a crueza morta de um monumento que treme como símbolo vazio e as associações históricas à América que recebeu os "pobres, cansados, as massas amontoadas desejosas de respirar".


Querendo ou não, McQueen lembra as consequências históricas desse chamado. Espécie de fantasma extraquadro, o ataque às Torres Gêmeas sublinha o momento em que a América deixou de querer esses povos e virou uma terra violentada.



CALOR E DESTRUIÇÃO


Tem a mesma pegada o filme "Fantasmas de Nabua", do tailandês Apichatpong Weerasethakul. Num retorno ao nordeste do país onde cresceu, o artista lida com a memória de segunda mão. São jovens que querem esquecer o passado violento da vila num jogo de futebol com uma bola pegando fogo.


Em pouco mais de dez minutos, Weerasethakul estoura os limites de suas lembranças sem situar no tempo e no espaço os lances flamejantes da ação que acaba na própria tela em chamas.


"É a ideia de dor e prazer juntos", resume. "Esses personagens passam a ideia de calor, mas ao mesmo tempo representam a destruição, numa tensão perpétua."


Nos aspectos formais tanto desse filme quanto de "Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives", seu filme que venceu o último Festival de Cannes, ensaia uma ode aos mecanismos do cinema.


"É um tributo a essa terra e também aos filmes, gibis e televisão que acompanho desde criança", conta. "Sinto uma necessidade urgente de documentar minhas lembranças, mas, ao mesmpo tempo, de atualizar isso ao contexto contemporâneo."



ROSTOS NO ABISMO


Mas nessa atualização, Weerasethakul passa por Jean-Luc Godard e alguns truques da nouvelle vague.


É a mesma rota e cartilha formal que segue Chantal Akerman em "D'Est", a instalação que mostra na Bienal.
"Quando vi o primeiro filme de Godard, mudei toda minha visão de mundo", lembra Akerman. "Aquilo mudou meu olhar, era a ideia de modernidade em si."


Filha de judeus fugidos da Polônia, ela volta ao Leste Europeu numa investigação de povos e paisagens sem rumo. Busca um coro de vozes dissonantes numa espécie de "música estrangeira" e descobre, no fim, que já tinha na cabeça desde sempre as imagens que encontrou.

Posted by Paula Dalgalarrondo at 4:35 PM

julho 29, 2010

Navegação quadro a quadro por Paula Alzugaray, Istoé

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na Istoé em 23 de julho de 2010

SANDRA CINTO - Imitação da Água / Instituto Tomie Ohtake / até 1º/8

Um poema, segundo João Cabral de Melo Neto, é um corpo completo, indivisível, dinâmico. Quando a artista Sandra Cinto se refere a um poema de João Cabral, ela assume seu dinamismo para justamente dividi-lo, desdobrá-lo em planos, sequências, capítulos, espaços segmentados. Distribuída em três salas do Instituto Tomie Ohtake, a exposição “Imitação da Água” parafraseia o título de um poema do autor pernambucano e conta uma história em três tempos.

O ciclo das águas se iniciou no trabalho de Sandra em 2008, na série “Travessia Difícil”, que citava a pintura “A Difícil Jornada”, do pintor romântico Théodore Géricault. Os mesmos elementos estão dispostos aqui: barquinhos de papel que enfrentam desenhos de mares revoltos, chuvas, tempestades. A repetição é um elemento importante dessa história e chama a atenção para os ciclos de crises e enchentes vividos pela sociedade brasileira.

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O desenho que preenche a totalidade da parede redonda da primeira sala é um trabalho para ser visto em movimento e, dessa forma, entrar no embalo das ondas, até chegar à vertigem. Na segunda sala, as águas se intensificam, e começa a chover. Quadro a quadro, a tempestade aumenta, culminando na derrocada de barcos que despencam de uma mesa de escritório. A literatura e o escritor estão subitamente revelados aí, nessa mesa. Nesse momento, dá-se conta de que cada sala funciona como a página de um poema ou o capítulo de um livro.

Na terceira sala, numa espécie de anunciação de final feliz, os elementos são organizados de forma a sugerir que a ordem volta a reinar. Mais um ciclo foi cumprido. Depois de tanto movimento, o público é convidado a descansar em um banco de madeira a contemplar o mar e o horizonte. Nesse epílogo da obra de Sandra, o espectador tem tempo para refletir sobre uma questão rara à arte contemporânea: a narrativa. Mas, absorto na placidez da paisagem que se lhe descortina à frente, não suspeita que seu banco se apoia sobre livros que contam histórias de naufrágios, trombas e ciclones. Outras tempestades se anunciam.

Posted by Paula Dalgalarrondo at 4:25 PM

Um patrimônio invisível por Paula Alzugaray e Nina Gazire, Istoé

Matéria de Paula Alzugaray e Nina Gazire originalmente publicada na Istoé em 16 de julho de 2010.

Exclusão de obra de Lygia Clark da 29ª Bienal de São Paulo e proibição o uso do nome da artista em mostra em Fortaleza reacendem polêmica sobre necessidade de regulação de direitos autorais

A arte brasileira nunca esteve tão em alta no contexto internacional. Do jeito que as coisas vão, logo o brasileiro terá que viajar se quiser ver 
a arte feita em seu país. Especialmente se essa arte for produzida por artistas já falecidos, já que aqueles que detêm os direitos de espólios nem sempre facilitam sua difusão. A retirada da obra “Caminhando”, de Lygia Clark (1920-1988), do conjunto de obras que a partir de 25 de setembro irão integrar a 29ª Bienal de São Paulo, ilustra bem a problemática.

“Lygia Clark para nós é um emblema, é uma inventora”, diz Agnaldo Farias, curador da 29ª Bienal. “Ela inventou algo chamado ‘Caminhando’, que é um exercício democrático, acessível a qualquer pessoa.” A obra é uma fita de Moebius e acontece na medida em que o público recorta o papel. Foi criada em 1963, quando Lygia dizia que a arte não deveria só ser contemplada com olhos, mas traduzida em experiências. Mas um pacote de condições impostas pelos responsáveis por seu espólio – a proibição de que determinados críticos escrevessem sobre sua obra no catálogo, a garantia de que as bobinas de papel seriam repostas exclusivamente por courriers enviados do Rio de Janeiro e a cobrança de R$ 45 mil – levou a curadoria da Bienal a desistir da obra. “Tínhamos o dinheiro, mas decidimos que não poderíamos chegar a esse nível de concessão. Isso era trair a memória da Lygia Clark”, afirma Farias. “O interesse argentário sobrepõe-se a um interesse cultural e familiares estão contribuindo para a desaparição dessas obras. Comenta-se menos Lygia Clark.”

A atual Lei de Direitos Autorais, em vigor desde 1998, prevê que os direitos se estendam à família por 70 anos após a morte do artista. Cabe aos herdeiros o zelo pela integridade física da obra, além de sua difusão. Na falta de uma política cultural de preservação da arte brasileira, a atuação dos familiares torna-se fundamental. “O herdeiro tem o direito de fazer o que quiser com a verba arrecadada através dos direitos autorais. É um direito constitucional. A família de Lygia achou por bem ceder a uma associação cultural que preserva todo o acervo documental da artista para dar acesso a quaisquer pessoas que tenham interesse em sua arte”, afirma Alessandra Clark, neta da artista.

“De fato, o Estado está desmoralizado, os nossos museus não colecionam nada, ou pouquíssimo, e as artes visuais deste país são mantidas invisíveis. Temos que agradecer a essas famílias, e seu direito é legítimo. Mas estamos discutindo os excessos”, continua Farias. A associação O Mundo de Lygia Clark inclui entre suas missões a propagação das ideias da artista. Mas algo deve estar errado, já que sobram relatos de exposições e publicações impedidas de realização, por intervenção da associação. O caso mais drástico e recente envolve a curadora Suely Rolnik, pesquisadora reconhecida internacionalmente como uma das maiores expertises na obra de Lygia. Paradoxalmente, ela é uma das críticas impedidas de escrever sobre a obra de Lygia no catálogo da Bienal.

Suely concebeu um arquivo de 65 entrevistas com pessoas que vivenciaram as sessões com objetos relacionais, na fase em que a artista se voltou para experiências terapêuticas. Com depoimentos de músicos como Caetano Veloso e Jards Macalé, o arquivo ganhou reconhecimento e diversas exposições na Europa. Mas, quando a exposição foi montada no Centro Cultural BNB, em Fortaleza, em maio, Suely recebeu uma notificação de O Mundo de Lygia Clark para a retirada do nome da artista do título da exposição, de textos e catálogos. Para que o nome constasse do material gráfico, a associação cobrava R$ 40 mil.

“Sem consulta prévia, o banco decidiu retirar todos os textos. Meu trabalho foi mutilado e os filmes não têm sequer um frame de imagem de Lygia”, afirma Suely, que apresentará a exposição dos arquivos, em agosto próximo, no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), no Recife. Sem a exclusão do nome, a mostra “Lygia Clark: do Objeto ao Acontecimento” será inaugurada com um simpósio sobre direitos autorais, promovido pelo Ministério da Cultura.

“Estamos propondo uma reforma da Lei de Direitos Autorais para garantir o direito do autor e harmonizá-lo com o direito de acesso por parte da população”, afirma Juca Ferreira, ministro da Cultura. “Essa harmonização no Brasil é complicada, porque os direitos vão para a família do autor e ela pode fazer o que quiser.” Segundo as novas regras, em consulta pública no site do MinC até 30 de julho, passa a ser permitida a reprodução gratuita de obras de artes visuais para fins de publicidade relacionada à exposição pública, sem a necessidade da autorização dos titulares dos direitos das imagens das obras, desde que liberada pelos proprietários dos suportes em que a obra se materializa.

“É muito fácil dizer que se está realizando um projeto em homenagem a um artista”, argumenta Alessandra Clark. “Pensamos que será difícil o governo detectar o que é realmente didático ou tem fins comerciais.” Mas, se a nova lei tivesse instrumentos que facilitassem a percepção de fins educativos, isso certamente teria favorecido a mostra em Fortaleza e a inclusão de Lygia na Bienal de São Paulo. “A Bienal está atingindo 40 mil professores da rede pública, seu efeito multiplicador é enorme. O patrimônio de um país é isto: é absolutamente ridículo que o Brasil continue, nessa altura do campeonato, sendo exportador de petróleo e minério. Temos que exportar nossa inteligência”, diz Farias.

A nova lei será bem-vinda se vier a estimular a produção de conhecimento, gerada em casos como
a parceria entre a editora Cosac Naify e a Fundação Iberê Camargo, que desde 2003 publicou cinco livros que mapeiam a obra do artista gaúcho. “É preciso criar uma indústria cultural forte. O mundo inteiro está interessado em nossa cultura e não podemos cometer o mesmo erro do futebol. Temos os melhores jogadores, mas não temos competência para mantê-los. Se não formos capazes de regulamentar um direito, a produção brasileira se tornará inviável”, afirma o ministro Juca Ferreira.

Posted by Paula Dalgalarrondo at 3:35 PM

Morre aos 78 anos o artista concreto Rubem Ludolf por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de São Paulo em 28 de julho de 2010.

Vítima de um aneurisma na aorta, ele estava internado havia dez dias e concluiu mostra pouco antes da morte



Pintor foi um dos nomes fortes do concretismo e integrou o grupo Frente com Ivan Serpa, Lygia Clark, entre outros



Morreu na tarde de anteontem, no Rio, o artista Rubem Ludolf, 78. Vítima de um aneurisma na aorta, ele estava internado havia dez dias no Hospital Samaritano.
Seu corpo foi velado na manhã de ontem no cemitério São João Batista, na zona sul, onde seria enterrado.


Ludolf nasceu em 1932, em Maceió, e se radicou depois no Rio. Estudou com o concretista Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna e depois integrou o grupo Frente ao lado de artistas como Lygia Pape, Lygia Clark e Aluísio Carvão.


Ele trabalhou até pouco antes da morte e concluiu uma exposição ainda em cartaz no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo.


Sua obra ficou marcada pela exploração de formas geométricas e tramas de intenso cromatismo. Críticos também ressaltam a vibração luminosa dessas cores e seus jogos de profundidade.
Ludolf descreveu o próprio processo como ato de "pintar a tela em branco como quem escrevesse com a cor, formando frases em pinceladas ordenadas até que as tramas, os signos tomem forma e comecem a respirar".


Ele participou cinco vezes da Bienal de São Paulo e foi homenageado com uma aquisição em 1967. Ludolf não se casou nem teve filhos.

Posted by Paula Dalgalarrondo at 2:44 PM

julho 27, 2010

De Picasso a Garry Hill por Ana Cecília Soares, Diário do Nordeste

Matéria de Ana Cecília Soares originalmente publicada no Caderno 3 Cultura do jornal Diário do Nordeste 11 de julho de 2010.

O Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar inaugura amanhã a exposição "De Picasso a Gary Hill". Reunindo trabalhos de nomes referenciais para a história da arte, como Picasso, Matisse e Dalí, a mostra integra o rol dos maiores eventos do tipo já realizados em Fortaleza. O Caderno 3 deste domingo destaca as principais obras da nova exposição. E debate os prós e contras dos grandes eventos destinados à formação de público em artes

O projeto da exposição "De Picasso a Gary Hill" foi fundamentado na produção artística desenvolvida no século XX, num recorte amplo, que vai do cubismo picassiano à interação das artes visuais com as linguagens eletrônicas. A coletiva, com abertura marcada para amanhã, às 20h, no Museu de Arte Contemporânea (MAC), do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, reunirá obras de 35 nomes consagrados da arte mundial, dentre os quais se destacam artistas como Pablo Picasso, Henri Matisse, Paul Klee, Marc Chagall, Antoni Tapies, Salvador Dalí, Christian Boltanski, Bruce Nauman e Gary Hill.

A arte brasileira também ganha espaço, com os trabalhos de Letícia Parente e dos pintores cearenses Antônio Bandeira e Aldemir Martins.

Com curadoria de José Guedes, diretor do museu, e Roberto Galvão, a exposição apresenta obras da coleção da Pinacoteca do Estado do Ceará (um trabalho de Bandeira e outro de Aldemir Martins); do acervo do próprio MAC (o vídeo "Marca Registrada" de Letícia Parente) e do Instituto Valenciano de Arte Moderna (IVAM), da Espanha, de onde vem a maior parte dos trabalhos da mostra.

A princípio, conforme divulgado na entrevista coletiva convocada em 19 de maio pelo MAC sobre o projeto, a mostra contaria com a presença de obras do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP) e do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (Mauc/UFC). Por motivos diferentes, elas não estarão na exposição a ser aberta amanhã.

A ausência das obras de São Paulo, argumenta José Guedes, se deve à construção do novo prédio do MAC da USP. "Eles vão inaugurar um outro espaço, e essas obras terão de ficar na instituição. Inclusive elas nem poderiam ficar durante todo o período de execução da mostra, teriam de voltar logo", afirma.

Quanto aos dois trabalhos do Mauc da UFC, uma tela de Antonio Bandeira e um nanquim de Aldemir Martins, o curador explica que resolveu não as levar para a coletiva, por já dispor de outras obras desses dois artistas, advindas do acervo da Pinacoteca do Estado do Ceará.

Investimento

"De Picasso a Gary Hill" tem um orçamento em torno de R$ 400 mil. Valor considerado baixo para uma exposição de grande porte. A realização do projeto só foi possível, sustenta Guedes, devido ao diálogo que vem sendo construído entre o MAC-Dragão e o Instituto Valenciano de Arte Moderna (IVAM).

"O IVAM é o museu mais importante da Espanha. Há mais de dez anos que conheço o pessoal dessa instituição, sobretudo a Consuelo Ciscar, que está na direção há uns dois anos, acho. Quando assumi o museu, trouxe algumas exposições valencianas para cá, iniciando a parceria com o MAC".

Nessa relação, ele explica que a instituição apenas empresta as obras, e o Estado não tem que pagar nada por isso. "É importante para essas instituições que seus acervos circulem mundo a fora, façam-se conhecidos. Assim como é interessante, para nós, receber esses trabalhos e ampliar os nossos horizontes artísticos", diz.

Blocos temáticos

Conforme José Guedes, a atual exposição foi formatada especialmente para Fortaleza. "Daqui a coletiva vai para Sobral, onde ficará exposta na Casa de Cultura, e, em seguida, ficará em cartaz no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba".

A curadoria recorreu à formação de grupos de tendências, sem, contudo, seguir as categorias tradicionais da história da arte. A mostra está dividida em sete grupos temáticos, sem limites de fronteira nem preocupação com a cronologia: "Figurativismo expressivo", "Caminhos fantásticos", "Lirismo lúdico", "Ideias construtivas", "O valor da matéria", "Conceitos e formas" e "Laços com a tecnologia". Essa estruturação permite aos visitantes ter uma noção do que foi a Arte Moderna. Momento em que os artistas passam a experimentar novas visões, através de ideias inéditas sobre a natureza, os materiais e as funções da arte.

Posted by Marília Sales at 5:11 PM

MinC pede apoio para aprovar Nova Rouanet por Ana Paula Sousa, Folha de S. Paulo

Matéria de Ana Paula Sousa originalmente publicada na Ilustrada em 27 de julho de 2010.

MinC tenta controlar poder da entidade arrecadadora de direito autoral

Enquanto o projeto de reforma da lei do direito autoral segue em consulta pública, o Ministério da Cultura prepara um edital que financiará entidades arrecadadoras de direitos.

A ideia do governo é distribuir recursos do orçamento federal para que grupos ligados às mais variadas áreas artísticas desenvolvam sistemas capazes de recolher direitos autorais.

Serão distribuídos, por meio de concurso público, pelo menos R$ 600 mil. O dinheiro pode beneficiar entidades já existentes ou bancar a criação de novos grupos.

"Queremos que as entidades possam investir no aprimoramento de seus sistemas de transparência", diz José Luiz Herência, secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura (MinC).

Por trás do edital, está a tentativa do MinC de controlar o poder do Ecad (Escritório Central de Arrecadação de Direitos), criado na época da ditadura e representante de cerca de 240 mil músicos.
Para Roberto Mello, presidente da Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus), a iniciativa do governo é equivocada e arriscada.

"Você vai estimular a inadimplência", crava Mello. "Vai acontecer o que acontecia antes da criação do Ecad. O usuário passa a depositar em juízo por não saber a quem deve pagar."

José Vaz, da Diretoria de Direitos Intelectuais do MinC, coordenador do edital, diz, por outro lado, que o projeto vem apenas atender a uma demanda do setor cultural. "Com a internet, a gestão coletiva se tornou uma necessidade. Grupos de todo o país têm nos procurado", diz.

CONSULTA

Para tentar aplacar a fúria de grupos de artistas que dizem que o projeto do governo põe em risco os direitos dos artistas, o MinC apresenta hoje os resultados da consulta pública aberta há 45 dias.
Foram apresentadas, até agora, 1.040 sugestões. O prazo de consulta do projeto foi estendido até 31/8.

Posted by Marília Sales at 4:53 PM | Comentários (1)

Herdeiros X artistas por Ana Cecília Soares, Diário do Nordeste

Matéria de Ana Cecília Soares originalmente publicada no Caderno 3 Cultura do jornal Diário do Nordeste 25 de julho de 2010.

Não é de hoje que impasses envolvendo leis e contratos conferem aos herdeiros de artistas falecidos um poder desmedido sobre bens que possuem evidente dimensão pública. A ausência da obra de Lygia Clark da Bienal é um dos episódios mais recentes envolvendo essa questão

A retirada da obra "Caminhando", de Lygia Clark (1920-1988), do conjunto de trabalhos que a partir de 25 de setembro irão compor a 29ª Bienal de São Paulo reacende a polêmica sobre a urgência de revisão da lei de direitos autorais no País. Segundo Agnaldo Farias, um dos curadores do evento, em entrevista publicada pela Revista Isto É, no dia 16 de julho, a exclusão foi ocasionada por imposições da "Associação Cultural O Mundo de Lygia Clark", dirigida pelos herdeiros da artista.

"Lygia Clark para nós é um emblema, é uma inventora. Ela criou algo chamado ´Caminhando´, que é um exercício democrático, acessível a qualquer pessoa. A obra é uma fita de Moebius e acontece na medida em que o público recorta o papel. Foi criada em 1963, quando Lygia dizia que a arte não deveria só ser contemplada com olhos, mas traduzida em experiências. Mas um pacote de condições impostas pelos responsáveis por seu espólio - a proibição de que determinados críticos escrevessem sobre sua obra no catálogo, a garantia de que as bobinas de papel seriam repostas exclusivamente por ´courriers´ enviados do Rio de Janeiro e a cobrança de R$ 45 mil, levou a curadoria da Bienal a desistir da obra", declarou.

O curador revelou que a Fundação Bienal de São Paulo até poderia pagar o valor estipulado pelos familiares, mas, em consideração à artista e ao seu trabalho, resolveu não aceitar. "Tínhamos o dinheiro, mas decidimos que não poderíamos chegar a esse nível de concessão. Isso era trair a memória da Lygia Clark. O interesse argentário sobrepõe-se a um interesse cultural. E familiares estão contribuindo para a desaparição dessas produções".

Agnaldo Farias também destacou em seu depoimento a Isto É o efeito multiplicador da Bienal sobre o público não especializado, uma vez que o evento chega a atingir 40 mil professores de escolas públicas. "O patrimônio de um País é isto. É absolutamente ridículo que o Brasil continue, nessa altura do campeonato, sendo exportador de petróleo e minério. Temos que exportar nossa inteligência", disse.

A polêmica gerada pela retirada da obra da Bienal repercutiu em vários meios de comunicação. No início de junho, a Folha de São Paulo, por exemplo, publicou uma declaração polêmica de Álvaro Clark, filho da artista, responsável pela direção da "Associação Cultural O Mundo de Lygia Clark". "Minha mãe nasceu rica, casou com homem rico e, na separação, recebeu 86 apartamentos, que ela foi vendendo um a um, para fazer a obra dela. Só não morreu pobre porque eu ajudei. Muitas vezes não comemos goiabada com queijo porque ela não tinha dinheiro para a feira. A gente cobra porque é preciso, para manter a obra dela".

Exposição em Fortaleza

Não apenas na 29ª Bienal de São Paulo a participação da obra e o uso da imagem de Lygia Clark foram impedidos por desacordo com familiares. Recentemente, em Fortaleza, assistimos a um episódio como esse, envolvendo os herdeiros da artista.

De 17 de abril a 7 de maio, o Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB) manteve em cartaz a mostra "Do objeto ao acontecimento", em que foram exibidos 17 filmes sobre o Neoconcretismo e a Nova Objetividade Brasileira, a partir das últimas proposições artísticas desenvolvidas por Lygia Clark.

Com curadoria de Suely Rolnik, uma das maiores especialistas na obra de Lygia, a exposição trazia depoimentos de artistas, intelectuais, amigos e pessoas que passaram por seu set terapêutico - entre elas os cantores Jards Macalé, Caetano Veloso, e o poeta Ferreira Gullar.

A pesquisa de Rolnik ganhou reconhecimento internacional e algumas exposições na Europa. Mas, quando foi montada em Fortaleza, a curadora recebeu uma notificação de "O Mundo de Lygia Clark" para a retirada do nome da artista do título da exposição, de textos e catálogos. Para que o nome constasse do material gráfico, a associação cobrava R$ 40 mil.

A coordenadora do Núcleo de Artes Visuais do CCBNB, Jacqueline Medeiros, recorda que a intimação foi motivo de surpresa e, também, de frustração. "Ficamos perplexos porque na exposição não tinha nenhuma obra de Lygia Clark, imagem da artista ou de alguma obra sua. Na verdade foi uma mostra de vídeos com depoimentos de pessoas da arte que vivenciaram de alguma forma as experiências da última fase da artista. São 17 vídeos cujo título é ´Lygia Clark, do Objeto ao Acontecimento´. Foi patrocinado pelo Minc/Ancine, mas os vídeos não puderam ser mostrados com o título".

Medeiros explica que, depois da exposição montada, receberam uma carta da "Associação Cultural O Mundo de Lygia Clark" informando que teriam que pagar para colocar o título dos vídeos e textos da curadora em que constasse o nome da artista.

"O não pagamento nos obrigou a retirar o nome de todos os impressos. Apesar da exposição acontecer, não pudemos colocar as informações mínimas de contextualização nas paredes e no folder. Só pudemos fazer isso por meio da pessoa do educativo que interagia com os visitantes. Hoje, os vídeos estão disponíveis na nossa biblioteca para serem assistidos por qualquer pessoa. A formação pelo acesso à arte é um dos objetivos do CCBNB. Assim, já fizemos exposições relevantes para o entendimento da arte contemporânea, como a ´Tropicália´ com a obra de Hélio Oiticica, aliada a seminários e filmes".

Medeiros defende que as discussões sigam a direção da efetividade da atuação dessas fundações ou associações a respeito do cumprimento de seus objetivos, considerando as questões sobre a apresentação da obra dos artistas em exposições, abertura do acervo para pesquisa e edição de publicações. "Se preservam a vida e a obra do artista, como essas obras estão sendo mostradas no Brasil ou no exterior? O conceito dessas obras está mantido? Quantos pesquisadores estão estudando suas obras? Qual o estímulo que essas famílias estão dando para que esses acervos sejam estudados e publicados no Brasil? Pelo menos em dois mestrados em que frequento aulas no Rio, só tenho conhecimento de pesquisa sobre Hélio Oiticica".

Posted by Marília Sales at 3:52 PM | Comentários (5)

julho 20, 2010

Arte em movimento por Camila Molina, Estadão.com.br

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no caderno Cultura do Estadão.com.br em 20 de julho de 2010.

A relação com o cinema é forte vertente da 29.ª Bienal de São Paulo, que exibirá obras de Harun Farocki e Apichatpong Weerasethakul

SÃO PAULO - Alemão com ascendência checa, o artista e diretor de filmes Harun Farocki é celebrado como um dos criadores principais em atividade no cenário contemporâneo. Estava desde o início do ano na primeira lista de participantes da 29.ª Bienal de São Paulo, que será inaugurada em 25 de setembro para o público no Ibirapuera, integrando, assim, o forte time de criadores da mostra que trabalham na linha do audiovisual e as artes visuais de raiz cinematográfica - ao lado de outros como o português Pedro Costa, o tailandês Apichatpong Weerasethakul (leia mais na pág. 3) ou o inglês Steve McQueen, que transitam em suas obras sempre impactantes entre a grande tela e o cubo branco em instalações.

Sendo assim, é a imagem - a produção de filmes como "forma de pensamento", numa expressão do próprio Farocki - a grande questão de sua arte. Como ele diz na entrevista que concedeu ao Estado enquanto participava de programa cultural na África do Sul, sua preocupação maior é a discussão sobre "o status da arte digital". Na Bienal, nessa que será de fato sua primeira mostra no Brasil, Farocki vai exibir uma obra nova, a videoinstalação Serious Games, deste ano e ainda em produção. Ele traz mais uma vez a questão da guerra, propondo uma relação entre experiência e memória e utilizando animação computadorizada.

No ano passado, em uma palestra em São Paulo, a crítica de arte americana Rosalind Krauss o elogiou e afirmou que o sr. é um dos rebeldes da arte contemporânea ao lado de criadores como Ed Ruscha, William Kentridge, James Coleman, Sophie Calle e Marcel Broodthaers. Concorda com Rosalind Krauss?

Uma vez eu sonhei em ser um rebelde - hoje sou feliz de apenas fazer um trabalho que tem uma atualidade, de certa maneira. Uma obra que contribui para se refletir sobre questões urgentes, como: O que abastece as pessoas em nossas sociedades?

Considerando a ideia anterior, o sr. acredita que haja espaço na arte para continuar a ser radical hoje em dia?

Talvez esse rótulo não seja tão importante. Um artista pode ser radical apenas sendo um criador preciso. Ou abrindo um novo acesso para uma questão ou questionamento.

O que está planejando apresentar na 29ª Bienal de São Paulo? Considerou realizar um trabalho especial tendo como referência alguma questão relacionada ao Brasil ou a um tema especial?

Uma parte do trabalho que vou exibir na Bienal de São Paulo utiliza imagens digitais que preparam soldados para o "teatro da guerra". E há outra parte que se faz quase das mesmas imagens, só que interativas, criadas com animações computadorizadas, para propostas terapêuticas. De um lado se mostra para veteranos de guerra cenas do Afeganistão ou do Iraque com o objetivo de lembrá-los da experiência traumática que eles vivenciaram nos conflitos. Já produzi a obra e exibi uma parte desse projeto. Mas só mais tarde conseguirei completar as três faces da obra.

O que o sr. pensa do tema desta 29.ª Bienal de São Paulo, que propõe uma discussão sobre a relação entre arte e política?

Não posso julgar antes de ver a exposição. Por exemplo, não posso falar de um livro lendo apenas o seu título. Um título é o menos importante do que o conteúdo. Neste caso, o importante são os trabalhos e a maneira como eles comentam uns ao outros.

Qual seria então sua opinião sobre Bienais de Arte?

Nunca participei da Bienal de São Paulo. De uma maneira geral, as bienais podem ser comparadas a festivais de filmes. Elas atraem um público que geralmente não iria ao cinema num dia de semana.

O sr. tem algum interesse particular e especial hoje em dia que o motiva a trabalhar em suas obras? Há alguma questão que considera urgente dizer?

Quero discutir o status da imagem digital. Parece que a animação computadorizada logo será o padrão e substituirá a imagem fotográfica e cinematográfica.

O sr. faz uma separação de suas obras como diretor de cinema e como artista? Como lida com as duas formas de expressão? Acredita, enfim, ser mais experimental como artista ou como cineasta?

Tento não fazer diferença. Mas não posso negar que haja uma diferença. Para cinema ou televisão os códigos já são fixos. Os gêneros, definidos. No campo da arte as pessoas sabem que têm de encontrar um código. Então acredito que posso ser mais experimental no espaço da arte.

O sr. tem algum tipo de relação com o Brasil ou com a cultura brasileira? Está planejando vir a São Paulo?

Não há tempo! Irei apenas por dois dias. Adoraria fazer um projeto no Brasil onde nunca estive antes. Uma vergonha!

Posted by Cecília Bedê at 2:19 PM

Certezas abaladas por Erlon José Paschoal, Cultura e Mercado

Texto de Erlon José Paschoal originalmente publicada na revista blog Cultura e Mercado em 25 de junho de 2010.

Por vezes faz bem reler autores que questionam as estruturas tidas como inabaláveis e perenes, tanto na arte quanto na vida. Como sabemos é intrínseca à criação artística uma certa insubordinação e crítica da ordem vigente. Muitos artistas e filósofos reformularam conceitos, elaboraram ideais utópicos e propuseram novas linguagens para se abordar e compreender a realidade. Entre eles, o teatrólogo francês Antonin Artaud. Sua principal obra “O Teatro e Seu Duplo” pode ser encontrada em qualquer livraria.

Artaud exalta a entrega às forças naturais primitivas, o rompimento das amarras sociais e almeja atingir as dimensões mais profundas do espírito, provocando o encanto e o fascínio. Faz uso de termos abstratos e ambíguos, tais como Guerreiro, Duplo, Peste, Crueldade, colocando no palco não mais temas psicológicos ou sociais, mas míticos e cósmicos.

Suas descrições do teatro ideal são virulentas, poéticas e pulsivamente emotivas, por vezes bombásticas e concludentes. A sua premência de se expressar e a sua rejeição do abuso predominante e excessivo das palavras, leva-o à impossibilidade de compartilhar suas ideias com seus contemporâneos, e ao vazio: “Todo verdadeiro sentimento é na verdade intraduzível. Expressá-lo é traí-lo. Mas traduzi-lo é dissimulá-lo. A expressão verdadeira oculta aquilo que manifesta”. Desse modo, em sua não definição, a linguagem concreta, espacial e física do teatro, “faz surgir a idéia de uma certa poesia no espaço que se confunde com a bruxaria”.

Artaud foi um vate, um visionário, que dialogava com as forças inconscientes e pretendia resgatar o poder primitivo e transformador do teatro. Ao mesmo tempo em que rejeitava as formas teatrais então convencionais, ele almejava revolucionar o convívio social, retomando tradições ocidentais instigadoras e sendo fortemente influenciados pelo teatro oriental.

Recorrendo às imagens presentes nas pinturas de Grünewald, Brueguel, Goya e Bosch, Artaud vislumbra um espetáculo ideal, composto por verdadeiras tentações, capaz de extrair as forças primitivas presentes nos mitos e no inconsciente das massas, denominando-o Teatro da Crueldade. Nele, tal como nos ritos e na magia, o público deve ser levado ao delírio e ao êxtase, vivenciando a totalidade física e espiritual do Ser. Os seus ingredientes básicos são a ruptura, a criação de uma linguagem gestual comunicativa e a primazia da encenação em detrimento do uso estático da palavra.

Em sua busca de um teatro que despertasse os nervos e o coração dos homens, Artaud chega à formulação de uma concepção teatral que insufle miticamente as massas, levando-as a acreditar nos sonhos apresentados no palco – mas como sonhos de fato e não como “decalque da realidade” – estimulando no público a “liberdade mágica do sonho”. Artaud é categórico: “farei aquilo com que sonhei, ou não farei nada”.

É preciso sem dúvida coragem para ler e cultivar autores, cujas ideias abalam nossas certezas e insuflam vida em nossas atitudes e gestos automáticos. Ainda bem que eles existem.

Posted by Cecília Bedê at 1:37 PM

julho 19, 2010

As inquietações de Wesley, Estadão.com.br

Matéria originalmente publicada no Estadão.com.br em 19 de julho de 2010.

Mostra feita como tributo ao controverso artista promove seu reencontro com o público carioca

RIO - É uma frase mentirosa, reconhece, mas a usa mesmo assim o marchand e diretor da Pinakotheke Cultural, Max Perlingeiro: "Wesley Duke Lee nunca expôs no Rio de Janeiro." É que, apesar de terem sim ocorrido na cidade carioca, desde 1964, mostras do artista paulistano, há uma sensação de que ele tenha sempre feito mais ‘barulho’ em São Paulo.

Como em outubro de 1963, quando Wesley criou, literalmente, estardalhaço com o happening Grande Espetáculo das Artes no João Sebastião Bar, na Rua Major Sertório, na capital paulista - nele apresentava para uma multidão desenhos eróticos da Série das Ligas vistos com lanternas em meio a um strip-tease. Ou ainda, quando fundou em São Paulo, em 1966, com outros artistas, a Rex Gallery (leia mais no texto abaixo), espaço alternativo em que se propunha nova relação de mercado de arte.

"Estava sempre cheio de ideias. Para ele, tudo se resumia em festa", diz agora Max Perlingeiro, que conheceu o artista, "um personagem de terno e chapéu, um dândi, mas um homem sempre à frente de seu tempo", como diz, em 1968, na Petite Galerie do Rio. Desde então, muitos anos se passaram e apenas em 2006 o marchand, curador e editor veio a São Paulo encontrar Wesley novamente e lhe propor a realização de uma grande mostra com suas obras para o público carioca.

O projeto rendeu frutos e amanhã será inaugurada na sede da Pinakotheke Cultural, um casarão da década de 1910 no bairro de Botafogo, no Rio, a exposição Wesley Duke Lee, que reúne 65 obras do controverso e irreverente artista, tão amado por uns - e mestre de criadores como Carlos Fajardo, Frederico Nasser, José Resende e Luiz Paulo Baravelli - e tão criticado por outros (durante a ditadura, por ser deliberadamente ligado aos EUA - seu avô era americano - e considerado um ‘alienado’ de direita). Tanto que em 1964, como define a historiadora Cacilda Teixeira da Costa, Wesley se sentiu "hostilizado" no Rio, "sobretudo por motivos ideológicos", pelo grupo de criadores que propunha novas formas de criação - entre eles, por Lygia Clark, Lygia Pape e Ivan Serpa, "mas não por Oiticica". Entretanto, diz Cacilda, os integrantes da geração seguinte, de Antonio Dias, Gerchman e Vergara, o receberam bem e foram influenciados por sua obra.

A mostra atual, é assim, mais um reencontro do "salmão na corrente taciturna", como definiu o historiador Walter Zanini, ou seja, de Wesley, nome essencial em se tratando das décadas de 1960 e 1970 no Brasil, com o Rio.

Total

Tributo, a mostra organizada por Perlingeiro, que entrevistou diversas pessoas ligadas ao artista em sua pesquisa, é uma boa oportunidade de se acompanhar toda a carreira de Wesley Duke Lee - hoje com 78 anos e enfermo, com o mal de Alzheimer -, passando por criações como desenhos, pinturas, "obras ambientais" e objetos realizados entre 1952 e 1999, algumas delas pontuais como o tríptico O Nome do Cadeado É: As Circunstâncias e Seus Guardiães (66); A Zona: Considerações. Retrato de Assis Chateaubriand (68); os desenhos da Série das Ligas (63), os da Zona (65) e os da Caligrafia (1977), as criações de sua "fase lisérgica", de 64.

Uma das passagens especiais da mostra na Pinakotheke - que, curiosamente, por ter como espaço expositivo os cômodos do casarão antigo tombado, se torna uma exposição intimista - é a sala dedicada ao emblemático happening Grande Espetáculo da Arte, de 1963. No João Sebastião Bar, além dos desenhos das Ligas e de um strip-tease às avessas, era exibido um filme em que a pintora Maria Cecília Gismondi andava pelas ruas de São Paulo vestida de gala, numa performance registrada em película pelo fotógrafo Otto Stupakoff (os dois eram companheiros de Wesley no "movimento do realismo mágico"). O filme se perdeu, mas Perlingeiro encontrou fotografias inéditas (uma delas no destaque) que um assistente de Stupakoff realizou como making of da performance. A sequência de imagens se transformou em um filme que possibilita uma recriação do espírito do happening.

É uma exposição completa, levando-se em conta que em 1992 houve retrospectiva do artista no Masp, apresentada também no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio. Mostra feita agora quase em sua totalidade com obras de coleções particulares brasileiras e estrangeiras, coloca também a biografia de Wesley, o "realista mágico" como inúmeras vezes ele próprio se define, e criador de alter egos - por meio de fotos, documentos, vídeos com depoimentos de entrevista do artista concedida à TV, cartas de amor que trocou com Lydia Chamis, a máscara de Noh que ganhou como prêmio na Bienal de Tóquio, em 1965. Acompanha, ainda, a mostra o livro Wesley Duke Lee (Edições Pinakotheke, 164 págs., R$ 110), com textos de Perlingeiro, Thomaz Souto Corrêa, dos artistas Nelson Leirner, Antonio Dias e Carlos Vergara e cuidadosa cronologia feita por Cacilda Teixeira da Costa, especialista na obra de Wesley.

Polêmico, sedutor, inquieto, bem-humorado, crítico e atualmente "muito cobiçado" no mercado, como diz Perlingeiro, exemplificando que um desenho do artista da Série das Ligas está avaliado em US$ 20 mil, Wesley Duke Lee teve sua formação em publicidade e propaganda nos EUA. A mostra ressalta toda a gênese de sua arte, destacando as reverberações do pop americano em suas criações, os conceitos de Duchamp e ainda um fascínio pelas artes clássica e oriental.

Wesley Lee Duke

Desenhista, pintor, gravador, artista gráfico e professor, nasceu em dezembro de 1931 em São Paulo, onde vive. Teve ainda como formação a publicidade nos EUA.

Posted by Cecília Bedê at 2:37 PM

Missão impossível por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada em 19 de julho de 2010.

Agente secreto do FBI lança livro em que narra bastidores dos maiores crimes de arte que investigou em 20 anos de carreira

Estocolmo, Natal de 2000. Bandidos explodem dois carros perto do Museu Nacional da Suécia e bloqueiam acessos ao prédio. Roubam um Renoir e um autorretrato de Rembrandt, de US$ 36 milhões, e fogem numa lancha atracada atrás do museu.

Cinco anos depois, porta-vozes do FBI, a polícia dos Estados Unidos, chamam a imprensa e anunciam o resgate do Rembrandt. Alguém tentava vender a tela por US$ 250 mil em Copenhague.

Atrás da cortina, durante a entrevista coletiva, estava Robert Wittman, agente secreto do FBI que passou 20 anos no rastro de obras de arte roubadas no mundo todo.

"Sempre ficava escondido enquanto os chefes se gabavam diante das câmeras", lembra Wittman em entrevista à Folha. "Só fazia meu trabalho: recuperar as obras."

Ele foi o primeiro agente do FBI destacado para a função, depois fundou e liderou um time especializado em crimes de arte na agência, hoje com 13 homens.

Em "Priceless" (sem preço), livro que ele acaba de lançar nos EUA e que deve sair no Brasil pela Zahar, Wittman narra os bastidores de suas investigações. Tem como fio condutor o maior roubo de todos os tempos, até hoje sem solução.

Em 1990, ladrões vestidos de policiais invadiram um museu em Boston e roubaram US$ 500 milhões em obras, entre elas um Vermeer, dois trabalhos de Rembrandt e quatro de Degas. "Nenhuma delas foi encontrada", conta Wittman.

"Mas acredito que estão por aí, não foram destruídas." Wittman chegou a viver anos na França e em Miami tentando recuperar as telas.

Fingindo ser um comprador, estava bem próximo de fechar negócio com mafiosos na ilha de Córsega quando o plano todo fracassou. Segundo ele, havia gente demais envolvida na investigação.

DISFARCES E MENTIRAS
Mesmo sendo bom farsante, não conseguiu resolver o maior caso de sua carreira. "Já encarnei todo tipo de personagem, professor, colecionador, marchand", conta.

"É como ser um ator, com a diferença que não podemos refazer um take ruim e as consequências são bem mais severas quando erramos."

Ladrões de arte são muitas vezes os mesmos por trás de assaltos a banco ou líderes do tráfico internacional de drogas e Wittman tinha noção do perigo das operações. "Temos só uma chance para resolver o caso", conta.

"Por isso, sempre mantive os disfarces bem próximos da realidade, já que era difícil demais decorar as mentiras."

Também os cifrões. Wittman diz não prestar atenção no valor da obra que procurava. Conta que seu caso preferido foi recuperar uma bandeira usada na Guerra Civil.

"Ela valia só US$ 30 mil, mas cinco pessoas morreram carregando aquela bandeira", lembra. "Dinheiro é muito fluido, não significa nada. É mais importante resgatar um pedaço de cultura."

Posted by Cecília Bedê at 2:29 PM

Do fazer ao exibir-se por Ferreira Gullar, Folha de S. Paulo

Matéria de Ferreira Gullar originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo em 18 de julho de 2010.

Questionei o fundamento do vanguardismo nas artes plásticas. Qual fator o fez manter-se só neste campo?

POR QUE o radicalismo de vanguarda, que surgiu com o movimento "dada", por volta de 1915, atravessou o século 20 e até hoje se mantém como tendência predominante nas artes plásticas?

Formulei essa pergunta há alguns anos sem conseguir respondê-la satisfatoriamente. Como se sabe, o movimento "dada", que teve como figuras principais Marcel Duchamp e Tristan Tzara -sem falar em Kurt Schwitters, Hans Arp e muitos outros-, caracterizou-se por um radicalismo que se voltava contra toda e qualquer busca de coerência ou princípios no processo de criação artística.

Se é verdade que o cubismo pôs fim à linguagem pictórica que nascera no Renascimento, o dadaísmo, ao contrário dos movimentos derivados daquele, tinha por lema a liberdade sem limites e a negação de tudo o que se considerasse arte. Era a antiarte, cujo ícone maior foi o urinol que Duchamp expôs em 1917. Se, paralelamente, surgiram outros movimentos artísticos, alguns, aliás, de caráter construtivo, foi o cadaísmo, em sua expressão mais irreverente, que se impôs no curso do século 20.

Minha pergunta implicava outra questão: se os movimentos de vanguarda se manifestaram não apenas nas artes plásticas, mas também na poesia, no romance, na música, no teatro, por que só naquelas se manteve dominante até hoje, enquanto as outras artes, depois de absorverem inovações vanguardistas, retornaram, enriquecidas, a seu leito natural?

Por exemplo, a poesia dadaísta chegou, após a "Ursonate", de Schwitters, a poemas que, em lugar de palavras, usavam traços, sinais abstratos. O caso extremo do experimentalismo na literatura foi o "Finnegans Wake", de James Joyce.

Felizmente, a literatura de ficção não o tomou como exemplo a seguir, como as artes plásticas o fizeram com o urinol de Marcel Duchamp. Se isso houvesse ocorrido, não teríamos hoje as obras de Borges, Faulkner, Clarice Lispector etc. Sem exagero, a literatura ter-se-ia tornado indecifrável e ilegível.

Diante disso, questionei o fundamento desse vanguardismo que só se manteve nas artes plásticas. Qual fator o fez manter-se apenas neste campo, e não nos outros? Deduzi eu que, se fosse uma necessidade da época, teria se mantido em todas as outras artes. Esse me parecia um argumento lógico, mas não me satisfazia, mesmo porque a vanguarda, em qualquer campo que se manifestou, nascera de fatores históricos identificáveis. A pergunta permaneceu, portanto, sem resposta, até que, quase por acaso, julgo tê-la encontrado.

Não pensava nesse problema, quando observei que, no passado, não havia exposições de arte, mesmo porque ainda não se inventara o quadro de cavalete: o artista pintava afrescos nos muros dos mosteiros e igrejas e, depois, nas paredes dos palácios dos nobres e das mansões dos burgueses.

Como o número de paredes era limitado, foi preciso surgir o quadro de cavalete para nascer o colecionador de arte, que passou a ir ao ateliê do artista e ali comprava a tela que lhe agradasse. O artista não expunha suas obras. Só no século 19 criaram-se os salões de arte, onde passou a expor.

Distribuíam-se prêmios que, por consequência, determinavam o valor das obras no incipiente mercado de arte. E aí surgiram as galerias e os marchands.

Expor obras é um fenômeno relativamente recente na história da arte. Da Vinci, Rafael, Ticiano não expunham suas obras e isso influía no resultado do que criavam. No século 20, surgiram as grandes mostras internacionais, como a Bienal de Veneza, a de São Paulo e outros certames que se tornaram o espaço onde a arte acontece: um depende do outro. Essas exposições internacionais é que garantiram a sobrevida da vanguarda, estimulando o artista a produzir obras que "aconteceriam" ali. Ele trabalha para grandes mostras e necessita impactar o espectador, ao contrário do pintor do passado, preocupado em criar obras permanentes, que dele exigiam dedicação e apuro técnico.

Creio ser essa uma das razões por que a chamada arte contemporânea não elabora uma linguagem, não requer domínio técnico, já que o artista não busca a permanência e, sim, antes de tudo, expor e expor-se. Daí o improviso: as instalações, os "happenings", as performances.

Posted by Cecília Bedê at 2:21 PM

Francês ensina como fechar o Louvre por Ana Paula Sousa, Folha de S. Paulo

Matéria de Ana Paula Sousa originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo em 17 de julho de 2010.

Sindicalista líder de greves que fizeram parar os museus nacionais de seu país fala em fórum do setor no Brasil

Arquiteto afirma que a França está regredindo em políticas culturais e aponta "guerra" com o presidente Sarkozy

Se algum dia você chegar ao Museu do Louvre ou ao Pompidou, na França, e der com o nariz na porta, é possível que você encontre, ao lado de uma faixa com um anúncio de greve, Nicolas Monquaut.
O sorriso levemente maroto faz com que Monquaut, 41, guarde no semblante certo idealismo juvenil. Mas, na prática, ele joga duro.

Arquiteto contratado pelo ministério da Cultura da França, ele preside, há dez anos, o sindicato dos trabalhadores do setor.

No final de 2009, organizou o movimento que deixou os museus nacionais fechados por quase dois meses. Em 1999, liderou a greve que parou os essas instituições por 21 dias.
No ano passado, não ganharam nada. Em 1999, conseguiram a regularização dos funcionários que tinham contratos informais.

"Conseguindo ou não o que queremos, as greves são importantes porque mobilizam o país", diz, lembrando que só o Louvre recebe 10 milhões de pessoas por ano.

Foi para falar sobre o significado do trabalho nos museus que Monquaut veio ao Brasil. Sua palestra no 4º Fórum Nacional de Museus, em Brasília, era sobre "memória e trabalho". Mas a política laçou sua fala.
É que a França vive dias tumultuados. O presidente Nicolas Sarkozy anunciou cortes nas subvenções para a cultura e redução no quadro do funcionalismo.

"É A GUERRA"
Há duas semanas, os presidentes dos museus do Louvre, d'Orsay e Pompidou escreveram um artigo no diário "Le Monde" posicionando-se contra tais decisões.

"É a guerra", diz Monquaut, de olhos arregalados. "A França está regredindo. Estudos mostram que cada euro investido em museus dá, de retorno, 20. Mas eles não querem saber disso."
Segundo o sindicato, a cada ano aumenta o número de frequentadores dos museus e cai o de funcionários. Há, além disso, corte nos orçamentos. "Algumas exposições estão sendo canceladas", conta.

"NÃO CUSTO CARO"
Monquaut entrou no Museu de Versalhes em 1985, quando fazia faculdade de arquitetura, para pagar os estudos. Mas eis que veio a convivência com os funcionários e, com ela, a descoberta: "São todos orgulhosos do que fazem e são mais conscientes de que os museus são um bem público do que o Estado".
Moldava-se assim a fala que Monquaut difunde pela França e em viagens pelo mundo. "Sou pago pelo ministério para fazer greves", ri. "Mas não custo caro."

Posted by Cecília Bedê at 2:08 PM

Brasil usa museu como "geladeira", afirma governo, Folha de S. Paulo

Matéria originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo em 17 de julho de 2010.

O Brasil possui, segundo o Ministério Cultura (MinC), 2,8 mil museus que empregam 27 mil pessoas.
"Mas boa parte desses funcionários foram parar nos museus por acaso", diz José Nascimento Junior, presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).

"Muitas vezes, principalmente em cidades pequenas, o museu é uma geladeira política para quem não apoiou o prefeito", diz.

"Mas a pessoa toma gosto e se envolve. Quase todos os funcionários têm uma relação afetiva com o lugar onde trabalham."

Para tentar apoiar esses funcionários que, à diferença da França, têm pouca chance de mobilizar a atenção do país, o Ibram criou a Unimuseus, universidade que terá sede em Brasília e dará cursos via internet.

A formação e a capacitação de funcionários deve integrar o Plano Nacional de Museus, que será votado hoje em Brasília, no encerramento do 4º Fórum.

Posted by Cecília Bedê at 10:35 AM

Janelas do cinema por Paula Alzugaray e Nina Gazire, Istoé

Matéria de Paula Alzugaray e Nina Gazire originalmente publicada na Istoé em 16 de julho de 2010.

Artistas derrubam fronteiras entre cinema, vídeo e artes plásticas em três exposições

CINEMA – Eder Santos/ Luciana Brito Galeria, SP/ até 31/7
Quando o cinema se desfaz em fotograma – Solon Ribeiro/Galeria Virgilio, SP/ até 30/7
A grande ilusão – Sara Ramo e Cinthia Marcelle/ Galpão Fortes Vilaça, SP/ até 21/8

Em “Histoire(s) du Cinéma” (série para televisão francesa produzida entre 1988 e 1998), Jean-Luc Godard cantou a bola: “O cinema sempre quis ser mais real do que o real.” Mas se o cinema é uma máquina de ilusão que quer criar um mundo à imagem e semelhança do real, o artista que faz cinema insiste em desvendar os dispositivos dessa máquina e mostrar que um filme de guerra não é a própria guerra. Esse é o argumento de “A Grande Ilusão”, no Galpão Fortes ­Vilaça. Além da instalação de Sara Ramo e Cinthia Marcelle, duas outras exposições em cartaz em São Paulo flertam com estruturas narrativas do cinema clássico, tensionando seus limites e explodindo as fronteiras imaginárias que sustentam a distinção entre arte e cinema.

Embora não tenha começado sua trajetória como cineasta, mas sim como realizador de vídeo, nos anos 80, Eder Santos sempre teve o ­cinema como um horizonte a ser contemplado. Ele introduz em seus vídeos ruídos e interferências bastante similares aos do cinema antigo e, como Godard, constrói uma linguagem híbrida, resultante da soma entre as duas gramáticas. No início, produzia esses ruídos manualmente. Hoje, utiliza softwares que simulam os efeitos da celulose no vídeo. Em “Cinema”, na Luciana Brito Galeria, Santos apresenta quatro trabalhos que operam no registro de um casamento – às vezes perfeito, outras vezes conflituoso – entre imagem digital e analógica.

“Enredando Pessoas” (2004) é o ponto de partida da mostra. “Esse é o último vídeo de uma série em que brinco com os suportes do cinema, falsificando sua imagem e incluindo o barulho de um projetor”, comenta Santos, para quem o vídeo ainda não alcançou a maturidade. Consequência dessa reflexão sobre o desenvolvimento dos suportes cinemáticos é a instalação “Distorções Contidas II” (2010), que resgata o mecanismo da lanterna mágica e faz uma homenagem à tela de Duchamp “Nu Descendo a Escada”, um desdobramento da imagem em movimento, em forma de pintura. Mas o destaque é a videoinstalação “Cinema” (2009), que, embora projetada em formato cinemascope, não é passível de ser classificada dentro das categorias “vídeo” ou “cinema”. O esgarçamento dos limites faz-se particularmente presente na imagem da cerca de arame farpado, uma citação do clássico experimental “Limite”, de Mário Peixoto.

Outra exposição que importa acervos analógicos para os termos da cultura digital é “Quando o Cinema se Desfaz em Fotograma”, de Solon Ribeiro. O trabalho se dá a partir de um duplo procedimento de corte efetuado sobre filmes hollywoodianos, que eram projetados pelo avô do artista, dono de sala de cinema no interior do Ceará. Em um primeiro corte, estrelas como Rodolfo Valentino, Lauren Bacall e Liz Taylor eram recortadas de seus filmes pelo projetista do cinema, para logo serem organizadas em álbuns. Na segunda operação de corte, Ribeiro se debruça sobre esses acervos e inicia novos procedimentos de edição e aproveitamento das imagens. O resultado é um cinema que se desfaz não só em fotogramas, mas em performance, projeção, colagem, videoinstalação.

Solon Ribeiro se apropria de fotogramas hollywoodianos para construir novas narrativas

Os arquivos de Ribeiro ganham uma dimensão performática que altera a aura glamourosa das estrelas de cinema. Semelhante desconstrução pode ser experimentada na instalação “A Grande Ilusão”, em que Sara Ramo e Cinthia Marcelle fazem uma releitura do filme de Jean Renoir. O trabalho é uma videoinstalação atípica, que descarta o recurso da projeção em loop, mas se apoia num recurso básico da narrativa cinematográfica: a estrutura linear de começo, meio e fim. A presença de um projetista – figura tradicional da sala de cinema –, responsável por acionar o filme, é outro elemento importante, que demarca a identidade desse território como cinema. Todos esses elementos corroboram para criar uma ilusão que será colocada em suspensão. A revelação do dispositivo, oculto durante toda a projeção, acaba com a ilusão de que o cinema seja, afinal, imitação da vida.

Posted by Cecília Bedê at 10:27 AM

julho 16, 2010

Prêmio Pipa de artes plásticas anuncia finalistas por Suzana Velasco, O Globo

Matéria de Suzana Velasco originalmente publicada no caderono Cultura do jornal O Globo 15 de julho de 2010.

Os artistas Cinthia Marcelle, Renata Lucas, Marcelo Moscheta e Marcius Galan foram anunciados como os finalistas do primeiro Prêmio Pipa, criado numa parceria da empresa Investidor Profissional com o Museu de Arte Moderna do Rio (MAM). Os quatro vão concorrer a um prêmio de R$ 100 mil, dos quais R$ 25 mil serão destinados a uma residência artística na instituição Gasworth, em Londres. A escolha será de um júri de cinco nomes, ainda não definidos. Os artistas também vão disputar um prêmio de R$ 20 mil, numa escolha do público que visitar o MAM, onde os quatro farão uma exposição, de 25 de setembro a 14 de novembro.

Os finalistas têm entre 33 e 38 anos, e trabalham com meios variados, num retrato da diversidade da arte contemporânea. Da primeira exposição numa galeria independente, em 2001, a paulista de Ribeirão Preto Renata Lucas já participou da Bienal de São Paulo de 2006 e da Bienal de Veneza de 2009, e fez uma intervenção na Tate Modern, em Londres. Seu trabalho tem um forte vínculo com a arquitetura e o espaço urbano, e ela agora faz uma residência em Estocolmo. A metade feminina dos finalistas se completa com Cinthia Marcelle, que também já participou de exposições e residências no exterior. Sua obra explora de forma poética uma série de meios, como o vídeo, a instalação e a fotografia. A artista mineira acha que contou com um tanto de sorte.

- É uma responsabilidade, de certa forma estamos representando uma geração de artistas. No MAM, meu interesse é conseguir criar uma mostra que fale um pouco de qual é meu universo - diz Cinthia.

Renata, Cinthia e outro finalista, Marcius Galan, participaram da mostra "Nova arte nova", no Centro Cultural Banco do Brasil, em 2008, e ambos estarão na Bienal de São Paulo deste ano. Galan, que nasceu em Indianópolis, nos Estados Unidos, e mora em São Paulo, trabalha com esculturas, instalações e desenhos. Já Marcelo Moscheta tem mestrado em gravura, mas também usa desenhos, fotografias e objetos para tratar da paisagem e sua relação com o homem.

- Recebi a notícia com empolgação e nervosismo. A ficha demora a cair - diz Moscheta, que nasceu em São José do Rio Preto e mora em Campinas. - Gostaria de criar um ou dois trabalhos especialmente para a exposição no MAM e fazer uma conversa com obras anteriores.

Os finalistas foram os mais indicados por um júri de 32 pessoas, entre artistas, curadores, críticos de arte, colecionadores e galeristas. Todos tiveram liberdade para indicar qualquer artista que considerassem promissor, sem limite de idade. A lista final foi composta de 101 nomes. O vencedor será anunciado numa cerimônia no MAM, no dia 28 de outubro.

Posted by Fábio Tremonte at 5:02 PM

julho 14, 2010

Da luz ao verbo por Nina Gazire, Istoé

Matéria de Nina Gazire originalmente publicada na Istoé em 14 de julho de 2010.

Quando projetou a palavra luz pela primeira vez, na clarabóia do MAC USP, em 2000, Regina Silveira resolveu assumir em um gesto metalinguístico uma série de reflexões sobre seu principal material de trabalho: a luz e a sombra. Seu gesto foi também tautológico porque, desde então, mesmo com diferentes releituras e nomes, suas intervenções luminosas projetaram a palavra luz de diferentes maneiras. Essas projeções correram o mundo e foram realizadas em lugares como São Paulo, Bogotá e Nova Délhi. Mas a repetição aqui não dá espaço a exaustão ou redundância. Repensar a luz e sua ausência, a sombra, é um ato incubador de possibilidades estéticas infinitas e é isso o que Regina faz em “Glossário”, obra inédita que inaugura o espaço cultural do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, em São Paulo.

Parte de um projeto de exposições, com curadoria de Paula Amaral e Rejane Cintrão, e que posteriormente terá os trabalhos de Sonia Guggisberg e de Sandra Cinto, Regina ocupa o espaço proposto, assumindo a luz e a palavra como elementos centrais. Essa instalação site specific é realizada a partir do revestimento dos vidros da área de convivência do hospital com adesivos translúcidos em diferentes tons de azul, com a palavra ‘luz’ vazada e escrita em diferentes tipologias. Ao invés de usar a luz artificial em ambientes noturnos ou escuros como costuma fazer, a artista utiliza aqui a luz do sol, que se projeta através dos adesivos. “Glossário é como um vitral, onde trabalho com uma possibilidade diáfana da luz adequada ao ambiente, ao mesmo tempo em que proponho a polaridade entre luz e sombra como forma de poesia visual”, comenta Regina, que também declarou ser a obra uma espécie de resumo da série surgida em 2000. Porém, “Glossário” não será o último trabalho da artista a trabalhar a palavra luz. “O epílogo da série é uma surpresa em grande escala que ainda está em desenvolvimento e só deve acontecer no ano que vem”, finaliza.

Posted by Fábio Tremonte at 4:55 PM

MAM-SP comemora 62 anos amanhã com entrada grátis, Estadão.com.br

Matéria originalmente publicada na seção Cultura do Estadão.com.br em 14 de julho de 2010.

Fundado em 15 de julho de 1948 por Ciccillo Matarazzo, o Museu de Arte Moderna de São Paulo comemora amanhã seu 62º aniversário com entrada gratuita. O público poderá visitar as duas exposições em cartaz - "Ecológica" e "Dez anos do Clube de Colecionadores de Fotografia".

Com curadoria de Felipe Chaimovich e obras de Gabriela Albergaria, Haruka Kojin, Nelson Leirner, Paulo Bruscky e Rivane Neuenschwander, a mostra "Ecológica" promove uma crítica à sociedade de consumo mostrando como a ideia de ecologia em moda atualmente pasteuriza a natureza de fato.

Na Sala Paulo Figueiredo, a exposição "Dez anos do Clube de Colecionadores de Fotografia", com curadoria de Eder Chiodetto, evidencia linhas de pesquisa da fotografia nacional em 55 imagens. A iniciativa traça um panorama da produção brasileira desde os pioneiros, como Thomaz Farkas e German Lorca, até os mais recentes, caso de Bárbara Wagner e Edu Marin.

Posted by Fábio Tremonte at 4:47 PM

Scanner abre hoje mostra de arte eletrônica em SP, Estadão.com.br

Matéria originalmente publicada na seção Cultura do Estadão.com.br em 14 de julho de 2010.

De hoje até domingo, cinco artistas dos Estados Unidos, Inglaterra, França e Brasil irão fazer performances dentro do Itaú Cultural, em São Paulo, na sexta edição mostra On_Off. Serão vários formatos, dentre eles live image, video-dança, paisagens sonoras e projetores de película. Os principais destaques, segundo o curador Renato Cruz, serão o inglês Robin Ribaud, conhecido como Scanner, a exibição de filmes do americano Charles Atlas e a performance dos amigos mineiros Leandro Araújo e Daniel Nunes, do projeto Lise + L_ar. "O evento traz para o Itaú Cultural performances feitas ao vivo, misturando elementos de VJ, cinema e música eletrônica, tendo como contexto sempre a concepção artística", diz o curador.

A mostra abre hoje, às 20h, com a apresentação de Scanner. Ele exibirá a peça "Borders, Unto The Edges", que numa tradução livre significa "Fronteiras, até as margens". O espetáculo consiste em o artista manipular um equipamento produzindo uma paisagem sonora, projetando linhas e barras de luz mescladas com batidas eletrônicas. "São imagens emocionais, com muito ritmo. O espectador não percebe, mas as linhas projetadas foram retiradas de frames de filmes de Hollywood", explica o artista. Ontem, ele fez a abertura do evento apenas para convidados. Nessa apresentação, usou sons captados nas ruas de Roma e Nova York, misturando com trechos de diálogos dos filmes de Antonioni. "Cada cidade tem seu som. A buzina do táxi de Nova York não é a mesma em Londres", completa.

A participação brasileira ficará a cargo da dupla Leandro Araújo e Daniel Nunes, amanhã, às 20h. Na obra Reações Visuais, Leandro desenvolveu um software que interpretará os sons criados por Daniel e projetará imagens aleatórias. "Terá sons que gravei nas cidades por onde passei, inclusive a Avenida Paulista", destaca ele. "As imagens serão geradas por computador a partir de formas geométricas pré estabelecidas por mim no software".

Amanhã, também será realizada a Mostra Charles Atlas, que exibirá quatro curta-metragens de vídeo-dança do artista, a partir das 18h. Os filmes exibidos serão "Secret Of The Waterfall", "From An Island Summer", "Jump" e "Ex-Romance". No sábado, o próprio Atlas apresentará uma performance inédita, em parceria com o músico e compositor William Basinski.

Posted by Fábio Tremonte at 4:36 PM

julho 13, 2010

Artista plástico José Bechara revê carreira em livro e mostra por Luiz Fernando Vianna, Folha de S. Paulo

Matéria de Luiz Fernando Vianna originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo em 13 de julho de 2010.

Publicação lançada esta semana reúne desenhos do carioca

Além de mostrar um lado pouco conhecido do artista, o lançamento do livro "Desenhos: Como Piscada de Vaga-lume" flagra o carioca José Bechara, 53, num momento de, como diz, "colisão" de tudo o que produziu em duas décadas de carreira.

"Não introduzo uma experiência no meu trabalho apagando a anterior. Elas se somam. Uma abre fissuras para outras", diz ele, que lançou o livro em Lisboa no mês passado e faz o mesmo na Livraria da Travessa, no Rio, na próxima quinta-feira.

Seu foco hoje é "Fendas", exposição que fará em novembro no Museu de Arte Moderna do Rio. Em 3.000 m2, ele mostrará pinturas, esculturas e desenhos em diversos suportes, tamanhos e estilos, sendo 90% inéditos.

Não é, portanto, uma retrospectiva, mas serve como um grande panorama. A reunião de desenhos está afinada com essa fase. Depois da incursão pelas esculturas monumentais com "A Casa" -iniciada em 2002 e exposta em 2004-, Bechara reduziu a escala para poder prosseguir no segmento.

Daí veio a ideia das esculturas gráficas, peças pintadas que parecem desenhos tridimensionais. Em seguida, surgiu o desejo de organizar num volume todos os desenhos, inclusive os livres, com traços sinuosos e figurativos.

"Eu sinto necessidade de amolecer a linha, que é sempre reta no meu trabalho, ainda que seja uma geometria hesitante", explica ele, que em setembro também exporá em São Paulo, na galeria Marilia Razuk.

Posted by Fábio Tremonte at 1:22 PM

Durham aceita vir a SP depois de boicotar a Bienal em 2006 por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo em 13 de julho de 2010.

Jimmie Durham mudou de ideia. Ele se recusou a participar da Bienal de São Paulo em 2006 e boicotou a mostra em carta pública, assunto que detonou um dos grandes debates antes do evento.

Disse à época que no Brasil havia "uma situação intolerável no século 21". "Na lei brasileira, índios não são tratados como seres humanos", afirmou em discurso no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre.

"Estou aqui para dizer que precisam mudar."

Chegou a comparar a realização da Bienal de São Paulo ao absurdo de se fazer uma mostra do tipo em Johannesburgo na era do apartheid.

Sem ter certeza de nenhum avanço concreto, Durham agora disse sim. "As coisas estão mudando na América do Sul", diz Durham. "Não sei se isso será positivo no final, mas me parece que muito já começou a mudar."

Faz parte de uma mudança de postura. No lugar do silêncio, Durham agora quer uma vitrine para expor suas ideias, dizendo sentir "mais vontade de participar do que vontade de não participar".

"Não é que os índios no Brasil sejam mais maltratados do que em outros lugares", admite. "Mas vi que isso é um assunto chato e que eu não sou um artista bom o suficiente para fazer arte boa a partir dessa situação."

Agora Durham quer ser subversivo. Segundo ele, tão subversivo quanto o escritor Jean Genet e artistas melhores do que ele, como Goya e os pintores flamengos.

Posted by Fábio Tremonte at 1:18 PM

Casal de artistas faz defesa dos índios por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo em 13 de julho de 2010.

Jimmie Durham e Maria Thereza Alves misturam militância e discurso estético em suas obras para a Bienal

Americano ironiza a colonização, buscando artefatos da elite de SP, e brasileira vai traduzir dicionário dos krenak

Listados numa única página, os atos políticos de Jimmie Durham e Maria Thereza Alves talvez ocupassem mais espaço do que o número de obras e mostras que fizeram.

Engrossam as linhas anos de trabalho representando tribos indígenas nas Nações Unidas, armando congressos, passeatas e manifestos.

Ele é índio cherokee norte-americano radicado na Europa desde os anos 90. Ela é brasileira, casada com ele. São artistas que mantiveram o ativismo político no centro de seus trabalhos sem cair num panfletarismo forçado.

Também fizeram do próprio casamento uma espécie de união em defesa de populações dizimadas, línguas e costumes em extinção.

Juntos, com trabalhos diferentes, Durham e Alves estão escalados para a Bienal de São Paulo, em setembro.

Enquanto ela faz um dicionário da língua dos krenak, tribo quase extinta, ele vai encarnar um antropólogo, analisando a elite paulistana e juntando seus artefatos de valor para expor em vitrines.

É uma espécie de inversão contemporânea das expedições dos grandes navegadores, que davam quinquilharias em troca de ouro.

No caso dela, a única tradução do krenak para um idioma ocidental era para o alemão, feito no século 19 por um farmacêutico. Reduzidos a cerca de 500, a tribo agora terá o primeiro registro de sua língua em português.

De certa forma, a obra desses artistas traduz para o campo estético séculos de exploração, mas com humor no lugar da retórica política.

Espião em Nova York
Durham conheceu a mulher nos anos 70 em Nova York. Depois dos conflitos de Wounded Knee, em que policiais cercaram a reserva de Pine Ridge, na Dakota do Sul, o artista virou representante dos índios na ONU.

Foi quando Alves ofereceu sua ajuda. "Pensei que ela fosse uma espiã, então disse que não queríamos nada", lembra Durham. "Mas acabei indo atrás dela na rua e estamos juntos desde então."

Na época, Alves fazia lobby nos Estados Unidos contra o tratamento que o governo brasileiro dava aos índios. De volta ao país, ela trocou o PT (Partido dos Trabalhadores) para ser uma das fundadoras do Partido Verde e esteve nos debates em torno da Constituição de 1988.

Passada a era da política mais forte do que a arte, deram um tempo na militância.

"Antes não achava que minha obra de artista pudesse alcançar resultados", diz Alves. "Agora acredito que esse trabalho acaba provocando mais mudanças positivas."

Deslocaram a subversão da política para a arte. "Ativismo e arte andam juntos, mas não vou pregar para as pessoas", resume Durham. "Este é um momento belo para a arte: pode ser tudo que o artista for capaz de fazer."

Posted by Fábio Tremonte at 1:13 PM

julho 12, 2010

Recortes do século por Júlia Lopes, O Povo

Matéria de Júlia Lopes originalmente publicada no caderno Vida&Arte do jornal O Povo em 12 de julho de 2010.

Trazendo obras de diversos artistas conceituados do século XX, a exposição De Picasso a Gary Hill tem início hoje no Museu de Arte Contemporânea do Dragão.

Num dos endereços mais importantes para as artes visuais na cidade, aportam obras de artistas midiáticos, como Picasso, Henri Matisse, Salvador Dali e Paul Klee, e de outros nem tão conhecidos assim do grande público, como José Sanleón, Magdalena Abakanowicz e Bruce Nauman. Com 13 dias de atraso (a exposição foi inicialmente anunciada para dia 30 de junho) abre hoje, às 20 horas, a mostra De Picasso a Gary Hill, no Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar. Ao todo são 33 artistas, três deles cearenses. A exposição conta com curadoria de José Guedes e Roberto Galvão.

“O contato com as obras que estão na exposição se deu ao longo de muitos anos. São obras e artistas relevantes, que indiscutivelmente fazem parte do repertório dos curadores”, conta Guedes sobre o processo curatorial. Entre pinturas, desenhos, esculturas, gravuras, vídeos e instalações, as 112 obras procuram ser um apurado geral do que consistiu o projeto moderno e como ele caminhou para a dita arte contemporânea. “Eu diria que o público vai se deparar com obras relevantes, de artistas relevantes”, continua o curador.

A maior parte dessas peças veio do Instituto Valenciano de Arte Moderna (Ivam), dirigido por Consuelo Císcar – que estará na vernissage para convidados hoje. Guedes havia conhecido Consuelo anteriormente, quando a exposição começava a ser formatada, em janeiro deste ano. Na ocasião, ele abria uma individual, e solicitou à diretora “o empréstimo de algumas obras no que fui prontamente atendido. Importante que se diga que o Ivam não cobrou nada”. Por isso o custo de toda a mostra ficou em R$ 440 mil, oriundos do Governo – que não mudaram em virtude do atraso.

Posted by Fábio Tremonte at 4:40 PM

Tecnologia que cria autonomia por Nina Gazire, Istoé

Matéria de Nina Gazire originalmente publicada na Istoé em 12 de julho de 2010.

“Ear on arm”, uma orelha artificial implantada no braço, feita de cartilagem humana, é o mais recente e polêmico trabalho do artista greco-australiano Sterlac, que leva às últimas consequências a interação entre organismo, máquina e arte. Como um profeta tecnocrático, ele chegou a pregar a obsolescência do corpo humano em razão de suas possibilidades de fusão com a robótica e a engenharia genética. O artista está no Brasil pela segunda vez (a primeira foi durante a 18ª Bienal de São Paulo), para participar do Emoção Art.ficial 5.0 - Bienal Internacional de Arte e Tecnologia, organizada pelo Itaulab. Sterlac apresenta a instalação “Prosthetic Head” (foto), uma projeção em larga escala da cabeça do artista que conversa com o público por meio de um software de inteligência artificial. No sábado 3, ele participa de um debate sobre arte e cibernética.

Com o título “Autonomia Cibernética”, a Bienal apresenta 11 trabalhos de artistas alemães, australianos, americanos, canadenses e portugueses e também obras inéditas de brasileiros que orientam seus trabalhos para as conexões entre arte, cibernética e interfaces tecnológicas. Um exemplo é o grupo Poéticas Digitais, fundado por Gilbertto Prado e Silvia Laurentiz, em 2002, que desenvolve projetos experimentais sobre o impacto das novas tecnologias no campo das artes. “Amoreiras”, sua obra mais recente, desperta a curiosidade dos transeuntes da avenida Paulista e expande as possibilidades interdisciplinares entre arte e ecologia. Trata-se de cinco amoreiras reais, dispostas em frente à sede do Itaú Cultural, que ‘‘aprendem’’, por meio de um dispositivo de medição de poluição sonora, a vibrar quando captam um ruído. “Ao chacoalharem, as árvores estão se defendendo da poluição que é depositada em suas folhas e caules, dando a ideia de autonomia que está dentro do tema proposto pela exposição”, afirma Gilbertto Prado. O projeto tem o objetivo de aumentar as chances de sobrevivência das árvores, agora capazes de produzir alertas em possíveis situações de risco.

Posted by Fábio Tremonte at 3:19 PM

Arroz, feijão e açafrão por Paula Alzugaray, Istoé

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na Istoé em 12 de julho de 2010.

Incensados pela imprensa internacional como expoentes da arte brasileira, Rivane Neuenschwander e Ernesto Neto inauguram individuais em Nova York e Londres,

Inspirada no filme homônimo de Francis Ford Coppola, a obra “The Conversation” foi realizada por Rivane Neuens­chwander especialmente para a exposição individual que ocupa todo o New Museum, em Nova York. No longa-metragem de 1974, o protagonista – um detetive especialista em gravações sonoras interpretado por Gene Hackman – toma conhecimento de que está sendo auscultado por microfones possivelmente instalados em seu apartamento. Para a obra de Rivane, foram contratados profissionais para instalar dez dispositivos de vigilância em pontos estratégicos do museu. “Menos que o conteúdo das gravações, me interessa questionar a falta de privacidade e suas implicações, tanto no âmbito coletivo quanto privado”, disse Rivane, durante a montagem da exposição que pontuará dez anos de sua carreira.

Entre as dez obras expostas – majoritariamente vídeos e instalações –, chama a atenção o uso que a artista faz de materiais do cotidiano: baldes, adesivos, relógios, mapas de Nova York, bolhas de sabão, retratos falados. Em seus mais de dez anos de carreira internacional, que começou na Stephen Friedman Gallery, em Londres, em 1997, quando ainda cursava mestrado em artes visuais no Royal College of Arts, e se consolidou em duas Bienais de Veneza (em 2003 e 2005), a artista ficou conhecida pelo manejo de materiais efêmeros e corriqueiros. “A Day Like Any Other”, ou “Um Dia Como Outro Qualquer” em português, é o título da mostra que se apoia exatamente nos trabalhos que trazem o “materialismo etéreo”, termo que a artista costuma usar ao referenciar o cotidiano.

Mas, talvez, mais que a “poética do cotidiano” que lhe é frequentemente atribuída, Rivane se destaque por uma “estética do comportamento”. Mais do que com objetos domésticos, ela trabalha com costumes e hábitos. Isso fica claro na instalação “Eu Desejo o Seu Desejo” (2003), que certamente será um dos grandes destaques da mostra, já que convida o público a participar e será instalada no lobby do museu, área de acesso gratuito. A instalação é composta por centenas de fitinhas coloridas, que à moda das fitinhas do Bonfim, têm impressos os desejos dos visitantes de exposições passadas. O turista ou o morador do Lower East Side que passar por ali, a caminho da deli ou da lavanderia, será convidado a tirar uma fitinha da parede, amarrá-la no pulso e deixar em troca um desejo anotado em um caderno. Os desejos nova-iorquinos estarão estampados nas próximas fases do projeto. Talvez em Miami ou em Dublin, cidades para onde a mesma exposição viajará.

Se Rivane fica com o sal e a pimenta, temperos habituais das mesas brasileiras, Ernesto Neto viaja para mais longe e escolhe o açafrão e o cravo-da-índia em pó. As especiarias exóticas e os pigmentos coloridos entraram nas estruturas do artista carioca na instalação que apresentou na Bienal de Veneza em 2001. Alusivas ao corpo humano e a suas paisagens internas, as instalações, chamadas “naves”, são fabricadas com tecidos leves, como lycra, algodão e poliamida, e assumem formas diversas e penetráveis. Para a individual na Hayward Gallery, em Londres, o artista prepara uma sequência de espaços interligados e esculturas ao ar livre.

Em comum, Neto e Rivane já têm um consolidado reconhecimento internacional. No ano passado, a exposição de Neto na Armory Show, tradicional mostra de arte nova-iorquina, rendeu duas matérias de capa no “The New York Times”. Ambos os artistas são também representados pelas mesmas galerias em São Paulo – Fortes Vilaça – e em Nova York – Tanya Bonakdar Gallery. Além disso, anote-se que, invariavelmente, são comparados a Lygia Clark (1920-1988). Imerso em uma poética sensorial e penetrável, Neto assume a filiação. Já Rivane sairia ganhando com outras referências históricas mais precisas. “Acredito que correlações como estas possam ser necessárias para contextualizar um artista de maneira simplificada, ou seja, para que as pessoas possam apreender um lugar, um tempo, uma cultura e até mesmo um modo de fazer”, interpreta Rivane.

Posted by Fábio Tremonte at 3:08 PM

Esquemas urbanos por Nina Gazire, Istoé

Matéria de Nina Gazire originalmente publicada na Istoé em 12 de julho de 2010.

Durante a década de 1970, após abandonar a fase neoconstrutivista, Hélio Oiticica reelaborou sua produção artística, de modo que ela se tornasse uma interferência política na separação entre alta cultura e cultura popular. Para isso, criou projetos que fazem a interseção entre arte, cotidiano e a realidade urbana brasileira. Além dos trabalhos artísticos, Oiticica realizou uma série de registros em cartas, anotações e artigos que esquematizavam suas ideias em torno desta nova arte. Inspirada na produção textual deste artista, a mostra “Para Ser Construidos”, em Castilla y León, na Espanha, apresenta os trabalhos de cinco artistas latino-americanos residentes em São Paulo. Se para Oiticica o importante era a criação de uma experiência conjunta entre obra e público, Marcelo Cidade, Marcius Galán, André Komatsu, Nicolás Robbio e Carla Zaccagnini criam trabalhos que expandem essa ideia tanto para a esfera das relações urbanas quanto para a construção de identidades na contemporaneidade.

Um exemplo são os trabalhos dos brasileiros Marcelo Cidade e André Komatsu. Ambos os artistas têm como fonte materiais de construção, resíduos de concreto, sucata e a relação entre as estruturas arquitetônicas e os espaços da cidade. Em “Suspensão”, Komatsu transforma o martelo em um objeto artístico ao estilo dos ready-mades. Já “Metaesquema Punk” (foto), de Marcelo Cidade, é uma releitura de uma das séries mais conhecidas de Oiticica. A novidade está na substituição dos materiais usados nos “Metaesquemas” originais. Em um gesto irônico, o artista troca os papelões e cartolinas coloridas, por cobertores de feltro, de uso comum por moradores de rua. Muito mais que a construção de identidades urbanas, a mostra “Para Ser Construidos” também nos lembra do principal objetivo da arte de Oiticica: a construção de novas realidades.

Posted by Fábio Tremonte at 3:01 PM

Esculturas performáticas por Nina Gazire, Istoé

Matéria de Nina Gazire originalmente publicada na Istoé em 12 de julho de 2010.

No texto curatorial da retrospectiva dedicada ao artista francês Étienne Martin (1913-1995), aberta ao público em 23 de junho, em Paris, está a afirmação de que sua obra “O Manto”, de 1962, seria a primeira escultura feita de tecidos na história da arte. Exceção dentro do conjunto de esculturas do artista, que utilizava a madeira como material de trabalho, a vestimenta é feita com cordas e panos, como uma espécie de mortalha carnavalesca, e é possivelmente contemporânea ao “Manto da Apresentação”, obra mais famosa do brasileiro Arthur Bispo do Rosário (1911-1989), sem registro de data de realização. Suas semelhanças são incríveis tanto na aparência quanto nos materiais usados. Mas há diferenças fundamentais nas origens conceituais das obras. Bispo do Rosário produziu o seu manto dentro do contexto de anunciações religiosas creditadas ao seu estado mental de insanidade, causa de seu reconhecimento tardio pela comunidade artística. Ele provavelmente desconhecia a ideia de “escultura performática”, proposta por Étienne Martin e outros pivôs de revoluções estéticas na década de 1960. Seu “Manto da Apresentação” deveria ser usado no dia do juízo final.

Com ele, Bispo do Rosário pretendia marcar a passagem de Deus na Terra. Como o trabalho de Bispo do Rosário, o manto de Martin, mais que a noção de um suporte escultórico, traz em si o caráter de estandarte – aspecto compartilhado também pela tapeçaria contemporânea do brasileiro Norberto Nicola (1930-2007). Martin não era negro, pobre ou louco, como Bispo do Rosário, apesar de ser conhecido por seu comportamento arredio. Grande parte de suas esculturas anteriores ao seu manto vem de uma linhagem tradicional da escultura moderna, semelhante aos trabalhos de Constantin Brancusi, com quem mantinha amizade. Além do “Manto”, são apresentados trabalhos importantes e inéditos de Martin, pertencentes ao acervo do Centre Pompidou. Esta é a segunda retrospectiva dedicada à sua obra.

A primeira foi em 1996, um ano depois de seu falecimento. Bispo do Rosário, apesar de hoje ser reconhecido pela crítica brasileira, passou boa parte de sua vida em sanatórios para degenerados e pouco crédito recebe por sua arte na história “oficial” dos grandes circuitos das artes.

Posted by Fábio Tremonte at 2:53 PM

Consumo e selvageria por Paula Alzugaray, Istoé

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na Istoé em 12 de julho de 2010.

Mostra traz à tona caráter predatório do capitalismo e credita desequilíbrio ambiental ao consumismo.

Com alta concentração de cores vivas e profusão de quinquilharias por metro quadrado, a exposição “Ecológica” anuncia, já à primeira vista, seu tema de abordagem: o poder de sedução do objeto de consumo. As composições com flores artificiais do japonês Haruka Kojin; os painéis de fotografias de praias paradisíacas da instalação “Cortina de Vento”, de Rodrigo Matheus; ou a prateleira de santos de gesso e de bonequinhos de plástico do “Armazém”, de Nelson Leirner, tomam partido de uma estética da inutilidade e da artificialidade. Mas em nenhuma dessas obras o discurso se esgota na beleza do artifício. O observador atento haverá de notar que a maioria dos santinhos de Leirner lhe dá as costas. E que as flores do “Jardim Fotográfico”, de Jardineiro André Feliciano, assumem a forma de pequenas câmeras que “olham” para os visitantes, invertendo a lógica da fotografia turística. Essas obras, de grande apelo visual, abrem a mostra e preparam terreno para a crítica que o conjunto de trabalhos selecionados pelo curador Felipe Chamovich assume contra a irracionalidade do consumo fácil.

A moda, o turismo, a publicidade, a tecnologia e a arte contemporânea não escapam à crítica da exposição. Até mesmo “o frágil mobiliário popular torna-se objeto de desejo, ao ser transformado em obra de arte”, aponta o texto de parede explicativo da obra de Rivane Neuenschwander, composta por reproduções de banquinhos de madeira. Outro grupo de trabalhos incorpora essa crítica de forma ainda mais dramática. É o caso do vídeo “Flooded McDonald’s”, do coletivo dinamarquês Superflex, uma paródia do cinema-catástrofe, em que a réplica em tamanho natural de uma loja da rede de fast-food é inundada até o teto. Em “Arquipélago”, de Marcius Galan, um pequeno canteiro de grama é sitiado por um sistema complexo de equipamentos urbanos aparentemente inúteis.

“Ecologia não é a manutenção de um jardim privado”, argumenta o curador. Os efeitos resultantes de uma natureza sitiada pela civilização consumista são visíveis na montanha de entulho com que Marcelo Cidade esculpe uma fonte ornamental ou na forma como o artista amazonense Rodrigo Braga busca desesperadamente reencontrar sua natureza selvagem, se equiparando a um bode, em uma série de fotografias. A obsolescência da tecnologia também é vilã dessa história, no vídeo “Lançamentos”, em que Marcelo Zocchio passa 55 minutos descartando objetos eletrônicos ultrapassados.

Mas a curadoria não é tão catastrofista quanto o vídeo do Superflex e propõe novos modelos de sociabilidade como alternativa à sociedade de consumo. Começa por criar ao longo do percurso da exposição vários nichos para descanso, contemplação e convivência. A instalação de madeiras e plantas de Rodrigo Bueno é um desses espaços. Muitos outros são criados pela distribuição dos banquinhos populares de Rivane e dos “sofás de praia” do coletivo carioca Opavivará, que fazem de “Ecológica” uma grande praia para usufruto coletivo.

Posted by Fábio Tremonte at 2:48 PM

Uma exposição em processo por Camila Molina, Estadão.com.br

Matéria de Camila Molina originalmente publicada na seção Cultura do Estadão.com.br em 12 de julho de 2010.

Artistas do Ateliê Fidalga apresentam o resultado de uma experiência de criação coletiva no Paço das Artes.

Durante uma semana, o Paço das Artes esteve tomado por 60 artistas montando, eles próprios, a exposição que hoje inauguram. "Aqui não há a figura do curador e as relações entre as obras vão se dando de uma maneira automática, como numa rede de afinidades de quem convive junto", diz Albano Afonso, coordenador, ao lado de Sandra Cinto, do Ateliê Fidalga, criado pelos dois consagrados artistas em 2000, na Vila Madalena, como espaço para grupos de estudo debaterem todas as semanas os seus processos de criação e temas amplos da arte. Desta vez, o quesito de aprendizado e experiência foi "montagem de mostra em instituição", com seus percursos burocráticos, negociações e a oportunidade de apresentação de destaque de suas obras. Outra lição ainda: "numa exposição muito cheia, você aprende com os problemas do outro", diz Albano.

Afinal, é uma mostra em processo a exposição que o Ateliê Fidalga inaugura hoje no Paço com a realização, também, às 20h, do debate Ateliê em Foco que contará com a presença dos artistas Albano Afonso, Sandra Cinto e Marco Giannotti e mediação do crítico e jornalista Mario Gioia, responsável pela criação do texto sobre essa experiência.

Desde fevereiro, os participantes do Fidalga - da faixa dos 20 aos 60 anos - começaram os debates sobre a mostra e a fazer a escolha das obras que queriam apresentar, muitas delas criadas especialmente para a ocasião. O que se vê agora como resultado é uma exibição eclética, colorida e com o frescor de trabalhos em diversas linguagens - pintura, escultura, fotografia, desenho, áudio, instalação, objeto, etc..

Temporada. Como o Paço ainda é grande, ele também abriga as individuais dos artistas Ana Elisa Egreja, Rafael Campos Rocha e Pedro Varela, entre os selecionados do edital Temporada de Projetos 2010 da instituição.

A pintora Ana Elisa apresenta telas da série Interiores, criadas entre 2009 e 2010. Dentro de sua vibrante vertente estética de excessos, a jovem artista explora relações entre o bidimensional e o tridimensional na pintura, promovendo o "choque" de elementos como estampas, bichos, cenas de ambientes e referências à história da arte. "O excesso para mim é conforto", diz Ana Elisa.

Já Rafael Campos Rocha exibe Futebol, Deus e Outras Mumunhas, uma alquimia conceitual e irônica de vídeos, quadrinhos e "desenhos". "Arte é produto da razão", ele diz. E Pedro Varela expõe Cidade Flutuante, uma paisagem imaginária feita em colagem colorida.

Posted by Fábio Tremonte at 2:04 PM

julho 9, 2010

Aos dez anos, museu Tate Modern quer se globalizar por Carol Nogueira, Folha de S. Paulo

Matéria de Carol Nogueira originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 9 de julho de 2010.

Após comemorar dez anos de existência, a Tate Modern, um dos maiores museus de arte moderna do mundo, quer investir na arte global.

A Tate abriu as portas em 2000 e hoje gera 100 milhões de libras (cerca de R$ 268 milhões) para a cidade.

É também o museu de arte moderna mais visitado no mundo, com 4,5 milhões de visitantes anualmente.

Desde que entrou para a equipe, em 1998, a principal responsabilidade da curadora-chefe Frances Morris é encontrar soluções para o acervo do museu.

"Nós queríamos um conceito novo e diferente para o acervo e novos artistas ingleses", disse Morris à Folha. A Tate recebeu um investimento de 137 milhões de libras (R$ 366 milhões), parte de um plano de Londres para a virada do milênio.

Uma estação de energia desativada há 20 anos, em Bankside, foi escolhida para sediar o museu. "Aqui podíamos ser baratos e grandes."

Hoje, a Tate tem um dos maiores acervos de arte moderna do mundo, com mais de 880 trabalhos e 52 grandes exposições no currículo.

Em 2007, a exposição do brasileiro Hélio Oiticica atraiu 47 mil visitantes.

Para Frances, a arte latino-americana tem forte compromisso social e político.

"Esse tipo de arte dialoga com um público muito amplo. A arte não é sobre saber as respostas, mas sim fazer perguntas", diz.

"Queremos daqui para a frente encontrar o melhor da arte mundial e remodelar a reflexão da arte local."

Posted by Marília Sales at 1:32 PM

julho 8, 2010

Artista teve ascensão "rápida e merecida", diz curador da Bienal por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Matéria por Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de São Paulo em 8 de julho de 2010.

Moacir dos Anjos não desgrudou os olhos da obra de Jonathas de Andrade desde que viu seu trabalho pela primeira vez, na Fundação Joaquim Nabuco, em Recife.

"Sempre me impressionou muito a capacidade de finalização e apresentação no trabalho dele", conta o curador da próxima Bienal de São Paulo. "São ideias muito simples, econômicas, precisas."

Foi Dos Anjos que comentou seu trabalho com Victoria Noorthoorn, curadora da última Bienal do Mercosul, que levou uma obra de Andrade para Porto Alegre.

Depois, ele escalou o artista para sua mostra. Segundo Dos Anjos, houve uma ascensão "rápida e merecida".
"Eu me interesso pela capacidade que ele tem de olhar para o passado, identificar nele projetos utópicos de diversas ordens e tentar entender por que falharam", diz. "Ele atualiza e devolve esses projetos com olhar do mundo de hoje."

Posted by Marília Sales at 6:41 PM

Jonathas de Andrade olha para utopias fracassadas por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Matéria por Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de São Paulo em 8 de julho de 2010.

Revelado na Bienal do Mercosul, artista de 28 anos estará na Bienal de SP

Alagoano radicado em Recife tem exposição em que intercala ruínas e trechos de diário encontrado no lixo

Quando a especulação imobiliária passou a varrer do mapa as construções modernistas de Recife, Jonathas de Andrade enxergou nas frestas da destruição uma chave de leitura do tempo.

"Hoje e ontem se colavam, achatando esses tempos históricos", resume o artista alagoano radicado em Pernambuco. "Estou tentando tatear a história que me precede."

Nascido em 1982, quando o modernismo já estava dado como fracassado e o país vivia os anos derradeiros da ditadura, Andrade faz de seu trabalho uma interpretação de um tempo que não viveu.
Essa análise da falha de projetos grandiosos, à sombra da presença humana, passional e afetiva, é o mote central da obra desse artista.

É um discurso sedutor num momento em que a arte começa a rever o legado dos anos de chumbo. Não como protesto, mas como análise das falências estéticas de uma era, a dissecação do que sobrou de tudo aquilo que poderia ter sido e que não foi.

Depois de duas mostras em Recife, Andrade já estava escalado para a Bienal do Mercosul do ano passado. Agora, expõe na galeria Vermelho e em setembro estará na Bienal de São Paulo.

Em todas elas, ele mostra, no fundo, uma denúncia da volatilidade da memória. Alia um tempo concreto a uma temporalidade abstrata, lastreada em pulsões humanas, como se injetasse carnalidade nos traços e contornos mais estéreis da arquitetura.

"Ressaca Tropical", instalação agora na Vermelho, intercala imagens de ruínas modernas em Recife e trechos de um diário encontrado no lixo. Idas ao cinema, bebedeiras e um tanto de sexo sublinham construções vazias, elefantes brancos.

"É uma espécie de baú que eu abro", resume. "Foi um jeito pessoal de resolver o que tendia para a nostalgia."

NOSTALGIA MADURA
Em seu primeiro trabalho, Andrade chegou a mofar fotografias digitais, com pão e batata, para descolorir e manchar os "saltos tecnológicos que tiram a expressividade de uma época". Também gravou a obra "4.000 Disparos" em filme super-8.

Mas seu olhar passa ao largo de qualquer tipo de fetiche por essa era perdida.

Não exalta o passado num vazio vintage, tenta, pelo contrário, emprestar desse passado só as marcas de expressão. "Não é como se quisesse só um sabor do perigo daquela época", diz Andrade. "É um amadurecimento dessa visão nostálgica."

Nessa rota madura, sua obra para a Bienal de São Paulo vai atualizar cartazes para a alfabetização de adultos inventados nos anos 60.

Eram desenhos que ensinavam palavras a partir de imagens. Disso, Andrade pretende extrair uma dimensão política e crítica em relação à época e consciente de seus recursos estéticos.
"É uma forma de dimensionar a vida dessas pessoas, como o que mostra a palavra "barriga" e um menino chorando", conta. "Começa a haver um atrito entre o que está dito e a ideia de realidade."

Posted by Marília Sales at 6:33 PM

julho 7, 2010

Entrevista de Moacir dos Anjos àTeresa Pearce de Azevedo, Artecapital

Entrevista originalmente publicada no site Artecapital em 1 de julho de 2010.

Moacir dos Anjos é um dos curadores da 29ª Bienal de São Paulo. Em conversa com a ARTECAPITAL explica os fundamentos do evento; da ausência – ou talvez não – do trabalho de Lygia Clark; as relações entre arte e política e muitos outros pontos de interesse.

Moacir dos Anjos (n. 1963, Recife) foi director geral do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM) no Recife, entre 2001 e 2006, e fez parte da equipa de coordenação curatorial do programa Itaú Cultural Artes Visuais, de 2001 a 2003. Também desenvolveu co-curadoria em 2007 na Bienal do Mercosul, em Porto Alegre. Foi curador da Bienal “Panorama da Arte Brasileira” que decorreu em 2007 no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Entre vários projectos de curadoria realizados destacam-se também mostras individuais de Rosângela Rennó e Cildo Meireles ou ainda uma colectiva de Ernesto Neto e Rivane Neuenschwander. Publica regularmente artigos de teoria e história da arte e textos críticos sobre artistas em livros, catálogos e revistas. É autor da obra “Local/Global: Arte em Trânsito” (2005). Desde 1990 é investigador da Fundação Joaquim Nabuco, no Recife.


P: Porquê aquele verso de Jorge de Lima, “Há sempre um copo de mar para o homem navegar”, para mote desta edição da Bienal de São Paulo?

R: É quase um absurdo, mas a arte é justamente isso, é aquilo que faz caber um oceano num copo de mar, ou seja, dentro de tão pouco é capaz de inventar um espaço gigantesco. O mote da Bienal é uma metáfora sobre essa utopia. Apesar de todas as adversidades, a arte é capaz de nos fazer ver outras possibilidades na vida.


P: Relativamente à imagem escolhida/logótipo para representar esta Bienal, o que nos poderia adiantar sobre a sua simbologia? Qual a sua leitura?

R: Existe um vídeo [no Youtube] em que a equipe de design, coordenada por André Stolarski, explica a escolha da identidade visual da Bienal de uma maneira muito clara. Eu não teria competência para reproduzir as suas palavras, mas posso interpretar da seguinte maneira: a bússola artesanal era algo que se fazia muito nas escolas brasileiras. Neste caso, remete para uma experiência próxima a uma busca de orientação, a procura de um caminho. A bússola que nos orienta é também uma metáfora do que acreditamos que a arte seja: a capacidade de mudar o entendimento do mundo, de formar o caminho que fazemos na vida, com escolhas feitas por nós.


P: Daí advém que não se pode separar a arte da política?

R: Exactamente. Estamos menos interessados na arte que comenta a política e os conflitos e mais interessados na arte que, por ela mesma, pelo efeito que ela produz em nós, nos move e transforma. Todos já tivemos experiências dessas na vida: ouvir uma música, ver uma coreografia, ver um filme ou um quadro, pode marcar-nos de uma maneira irremediável porque algo muda e algo se quebra. É nesse sentido que a arte é política. É menos uma arte sobre política e mais a ideia de uma política da arte.


P: E a ideia/conceito de que a arte é um exercício experimental de liberdade?

R: A arte é justamente aquele campo onde se inventa o que ainda não está dado como adquirido. Onde se fala daquilo que é conhecido para afirmar ou para criticar mas, como dizia o Mário Pedrosa, a arte é um exercício experimental: “é o exercício de fazer aquilo que não foi feito, de inventar aquilo que não é dado”. Na Bienal de São Paulo há esse espaço de experimentação e há uma ideia muito forte que, para mim, exemplifica isso: como quando Jean-Luc Godard diz que “a cultura é o âmbito da regra, onde somos moldados a agir e a comportar-nos de determinada maneira, onde aprendemos como nos vestir, comportar, comer, participar, a como se relacionar com o outro”.

A arte é o campo da excepção, é o domínio que se contrapõe ao espaço da cultura, da regra. A arte é a excepção à regra, abre fissuras nas convenções culturais. Pela experimentação transforma aquilo que não cabia no campo da cultura e incorpora-o. Abrindo fissuras no campo fechado da cultura, amplia-o e transforma-o. A arte enquanto exercício experimental é a capacidade de fazer caber coisas no mundo que antes não cabiam, ampliando o que já existe e fazendo-nos ver coisas que não conseguíamos ver.


P: Foi importante para a Bienal de São Paulo “enfatizar o lugar e o tempo a partir dos quais ela é organizada, desde o Brasil e desde o momento de rápida reorganização geopolítica do mundo”?

R: Existem várias bienais no mundo e, cada vez mais, é importante, não só no caso da Bienal de São Paulo, que cada uma delas enfatize o lugar onde são organizadas. Fazer uma bienal no Brasil é diferente de a fazer em Itália, no Japão ou nos Estados Unidos e isso implica necessariamente reconhecer que, por um lado, o Brasil está a ocupar um lugar de maior protagonismo no mundo, com grande importância no espaço geopolítico de hoje, estando sempre a ser reorganizado em termos de importâncias relativas.
Uma forma de reflectir isso na Bienal é afirmar a radicalidade da arte feita no Brasil e em outros países da América Latina nas últimas décadas, mostrando que há nesses países uma certa experimentação que inclusivamente já impressionava muito o filósofo alemão Max Bense nos anos 60 referindo-se à arte brasileira. É importante enfatizar que a forma de entendimento da arte nestes países da América do Sul, desde os anos 60 e 70, pressuponha um tipo de compreensão do mundo: experimentação e criação, o que agora está a ser afirmado de um modo um pouco mais económico. O tipo de arte que era feito naquele momento, que ainda hoje é reconhecido como mais vital e importante – Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape – é um tipo de trabalho que muitas vezes nem comentava directamente questões da repressão. Era um trabalho de invenção de linguagem que mostrava outras possibilidades de presença física. Eram trabalhos radicais do ponto de vista da linguagem plástica e, fazer uma bienal que tem a presença dessa tradição experimental, é fundamental para uma bienal como a de São Paulo.


P: Como explica a ausência de obras de Lygia Clark?

R: Nem sequer vou falar da questão que é recorrente em muitas famílias: a ganância. Lygia Clark é uma artista que nos interessa muitíssimo, cuja obra exemplifica toda essa capacidade de experimentação e criação. Queríamos mostrar um trabalho da artista relativamente simples que é o “Caminhando”. Basta uma tesoura, um papel e cola para ele passar a existir. É mais um processo e um gesto, é quase uma ilustração do verso da Bienal. Aquele gesto pareceu tão grande para ela que, a partir daí, a sua obra mudou radicalmente. Por conta das imposições da família, um trabalho tão simples como esse já custava uns 30 mil euros. Também queriam o controle de quem escreveria sobre o trabalho e, no caso de o papel acabar, só eles é que o poderiam repor. Mas mesmo não estando a sua obra na Bienal, a sua presença não é menos forte. Retirar Lygia Clark por essas razões é honrar a sua obra. Em trabalhos como “Bichos”, o seu grande desejo era fazer a obra em papel e colocá-la disponível em bancas de revistas para que cada pessoa pudesse fazer o seu próprio bicho. Prescindir de Lygia Clark por esses motivos, não cedendo à ganância da família, é honrar a própria memória da artista. É a ausência mais presente da Bienal.


P: Sobre os artistas escolhidos, 161 de várias partes do mundo, não se teve em conta a origem territorial como valor de selecção. Quais foram os critérios?

R: Dentro dos limites do conhecimento da equipe curatorial, cada um conhece aquilo que a sua história permite conhecer. Eu sou brasileiro e acabo por não conhecer tão bem a arte indiana ou da Tailândia. Dada essa limitação de cada um dos membros da equipe curatorial, lançámos o nosso olhar, fizemos pesquisas e procurámos, independentemente de ser português, alemão ou nigeriano, escolher os artistas que mais nos interessavam. Os artistas que participarão na Bienal têm em comum o facto de terem trabalhos com essa dimensão política que estávamos à procura. São trabalhos que nos fazem ver o mundo de uma maneira diferente, mesmo quando não comentam conflitos. Alguns fazem-no e são experimentalistas, há outros que comentam conflitos e são absolutamente convencionais. E são os últimos que não nos interessam porque só fazem trabalho de propaganda. A nós interessem-nos trabalhos que dizem coisas que só podem ser ditas através da arte, os que reafirmam coisas já ditas de outra maneira não queremos, são dispensáveis.


P: Afirmou: “Não sou ingénuo ou arrogante para achar que vou inventar a roda. A Documenta 11, a última Bienal de Sydney e a 24ª e 27ª Bienais de São Paulo, são as mostras que tive em mente para elaborar o projecto”. Quer desenvolver essa ideia?

R: Todas essas mostras têm em comum o facto de levar a arte a sério, o que não quer dizer que sejam exposições sisudas. E levar a arte a sério é justamente levar em conta a capacidade da arte de ser mais do que um adendo ou um adereço da vida, pertencendo ao campo da cultura, ao campo do estabelecido. Levar a arte a sério é acreditar na capacidade transformadora da arte e foi a essas mostras que fui buscar esse entendimento. São exemplos de eventos que me formaram. E não me vejo como um curador profissional, permanente, em full-time. A minha formação é em Economia. Nunca procurei a curadoria, foi sempre um transbordamento de um processo de pesquisa. Estava a terminar um pós-doutoramento sobre essa relação entre arte e política em Inglaterra, na universidade TrAIN – Research Centre for Transnational Art, Identity, Nation –, quando fui convidado para organizar a Bienal, com o Agnaldo Farias. A única maneira coerente de fazer esta Bienal é torná-la num campo de experimentação de questões que estou a pesquisar há três, quatro anos, e que me interessam. A arte e a política são portanto temas que estava a investigar e apareceu a oportunidade de os colocar em análise. As bienais de que falámos tocaram-me por diferentes razões e ajudaram-me a formar as minhas próprias convicções do que é arte. Espero vir a honrar essa tradição.


P: Também disse:”O facto de que a arte não se pode traduzir completamente em outras formas de expressão é algo que me interessa e que influi na minha aproximação à curadoria”. Porquê?

R: Não estou fascinado com a curadoria. A arte interessa-me quando fala de algo que não pode ser dito de outra maneira, quando uma produção artística fala de um aspecto relevante que não pode ser dito de outra maneira. A curadoria justifica-se quando temos de falar de uma coisa que só pode ser dita através da própria exposição.


P: Sobre a missão a nível internacional desta bienal, o que me pode dizer? Quais as metas que pretende atingir?

R: A Bienal de São Paulo faz 60 anos e é a segunda mais antiga do mundo, depois da de Veneza. Qualquer pessoa que assuma a curadoria da Bienal de São Paulo tem que honrar essa história e saber que é uma instituição de uma certa importância, no Brasil e em todo o mundo. A Bienal foi importante ou mesmo essencial para o percurso de muitos artistas e, no Brasil, muitas gerações foram aqui formadas. Espectadores, artistas, curadores, educadores, tiveram na Bienal a sua escola.

O lugar da Bienal é muito ambíguo e não pode ser o do museu. Também não se pode confundir com aquela ansiedade pelo novo que é característica da feira de arte. O que aqui realmente nos interessa é explorar a arte experimental, que nos desorienta, que até nos faz ter incertezas sobre se aquilo é ou não arte. E nesse aspecto não nos interessa se o artista é jovem ou se é um veterano, se a obra foi feita hoje ou há sessenta anos atrás. A obra de sessenta anos atrás pode ser contemporânea na medida em que nos ajuda a entender o mundo de hoje. A Bienal não tem essa preocupação em termos de compromisso com os emergentes, queremos trazer aquilo que é importante para entender o mundo de hoje. O compromisso da Bienal não é com o objecto novo, esse é o da feira de arte.


P: E relativamente à presença brasileira na bienal?

R: Não haverá um gueto porque não haverá uma exposição da arte brasileira dentro da Bienal, ela estará totalmente entrelaçada e mesclada com artistas de outros países. Não houve essa preocupação de segmentar em termos de origem geográfica, nem geracional. Teremos artistas como Flávio de Carvalho e artistas com 26 anos de idade. A presença brasileira de artistas de várias gerações vai sugerir sub-repticiamente uma outra narrativa. Até agora no Brasil, na maior parte das análises críticas sobre a arte política do país, focaram a arte que comentava a Ditadura e as questões daquele momento de uma forma muito directa. Essas obras representavam pessoas a serem torturadas e lutas políticas, e isso é o que menos nos interessa. Fizemos questão de não colocar nenhum desses artistas. Interessa-nos mais Oiticica, Lygia Pape, Flávio de Carvalho, Cildo Meireles... Queremos tornar essa leitura da arte política no Brasil mais ambígua permitindo ver obras anteriores ao período da Ditadura. Numa exposição grande como a Bienal isso não vai ficar absolutamente claro para quem não tiver esse conhecimento, mas é mais uma sugestão, uma abertura, uma outra possibilidade de leitura que estamos a colocar na mesa. A Bienal é mais um lugar para lançar questões do que para buscar respostas.


P: Disse que “não queria criar uma exposição meramente contemplativa, e sim tentar recuperar o debate e celebrar o encontro entre a arte e a política”. A que se deve a ideia dos subtemas, ou terreiros, que surgem nesta edição da Bienal de São Paulo?

R: A ideia dos terreiros parte da reflexão de que uma bienal sobre arte e política não poderia ser somente contemplativa, teria que ter um certo grau de engajamento do espectador em relação às obras de arte. Na edição anterior havia um aspecto interessante: uma discussão muito focada sobre o próprio meio da arte e sobre as próprias bienais. Com esses terreiros queremos criar lugares da cultura brasileira que são a expressão do religioso e do samba. Pretende-se reforçar um pouco o lugar de onde a exposição é criada e pensada: o Brasil. Por outro lado, esses 30 mil metros quadrados de exposição num edifício, que é quase um grande percurso, precisam de um certo ritmo para não exaurir totalmente o visitante. Criámos seis terreiros que são espaços produzidos por arquitectos e por artistas que vão dar um certo ritmo a essa mostra. Em cada um desses terreiros vai haver uma programação de debates, performances, projecções de filmes, dança. É fundamentalmente criar um lugar onde se pode parar para descansar ou para assistir a algum evento e seguir adiante.

Posted by Marília Sales at 2:47 PM

Festa de aniversário por Paula Alzugaray, Istoé

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na Istoé em 02 de julho de 2010

Em projeto de vocação pop e experimental, MIS grafita fachada e convoca 100 artistas para comemorar 40 anos

Não é festival, não é exposição, não é ocupação. O evento comemorativo dos 40 anos do Museu da Imagem e do Som de São Paulo pode ser entendido como uma “mostra multidimensional de cultura contemporânea”, que será criada e elaborada ao vivo, em cores e em tempo real, durante 55 dias de visitação pública. Megaexposição colaborativa é outra forma passível de definir o projeto que reúne mais de 100 artistas internacionais. “Trabalhamos com imagem e som, sob o conceito da colaboração”, explica o curador David Quiles Guilló. “Não serão construídas obras individuais. A ideia é tirar as pessoas de seus lugares confortáveis e fazê-las trabalhar juntas.”

Os concertos do auditório serão jam sessions com dois ou mais conjuntos dividindo o palco. A cada semana, grupos de sete artistas irão compartilhar os mesmos espaços expositivos para compor instalações, pinturas, performances, live video e live music. Ao final da sétima semana, o objetivo é ter no museu uma grande obra coletiva. “Vamos gerenciar ao vivo essa troca de ideias e essa criação conjunta. Não coloquei no mesmo espaço ninguém que se conhece para trabalhar junto”, diz o curador.

As exceções são os autores de obras audiovisuais, que já chegam com trabalhos “fechados”, e a fachada do museu, que terá um mural “solo” do grafiteiro nova-iorquino Krink e deve funcionar como um convite para a “festa de aniversário” do MIS. “O projeto tem uma vocação tentacular de chamar o público à participação”, afirma Daniela Bousso, diretora do MIS. “É um projeto que se articula com outras redes e comunidades e mostra que o sistema das artes é muito mais amplo que o mundo dos museus, galerias e bienais. Para nós, interessa abrir espaço para que esses diferentes sistemas se mostrem.”

As redes em questão foram tecidas pela Rojo®, organização cultural criada em 2001 pelo espanhol David Quiles Guilló. A Rojo® edita uma revista que é distribuída em 40 países, tem um website que recebe dois milhões de visitas mensais e tem mais mil artistas brasileiros e estrangeiros associados de forma independente, sem contratos e termos de exclusividade. São artistas multidisciplinares, designers, músicos, cineastas, produtores eletrônicos, grafiteiros, ilustradores, estilistas e toda espécie de expoente da chamada arte urbana. Todos com repertórios diversos e currículos que trazem passagens pela cena eletrônica underground, páginas de revistas comerciais e independentes, fanzines, tênis Nike, MTVs, museus como a Tate Modern e o Museu de Arte Moderna de Paris ou pelos principais festivais de arte eletrônica do mundo, como o Ars Electronica, o Transmediale e o Sonar.

Ou mesmo pelas galerias subterrâneas de São Paulo, caso do grafiteiro Zezão. Entre os participantes do Rojo® Arte Nova figuram o cineasta Spike Jonze, que apresenta um curta-metragem patrocinado pela vodca Absolut, o grafiteiro Highgraff, que faz digital spray, e o artista visual japonês Ryoichi Kurokawa. “Sem crises nem crítica. Queremos um evento participativo e autorreflexivo”, diz o curador espanhol residente em São Paulo, que está popularizando o conceito de arte e aprendeu a falar português assistindo às novelas brasileiras.

Posted by Marília Sales at 2:31 PM

julho 2, 2010

Confira programação de mostras paralelas à Bienal de SP deste ano, Folha de S. Paulo

Museus e centros culturais de São Paulo estão preparando suas mostras mais ambiciosas para o período de setembro a dezembro, em que acontece a Bienal de São Paulo. Juntos numa parceria que levou o nome de São Paulo Polo de Arte Contemporânea, instituições como a Pinacoteca do Estado, o Instituto Tomie Ohtake e o Museu de Arte Moderna, entre outras, devem estender o recorte desta Bienal, que aproxima arte e política, para suas próprias exposições.

Anunciada ontem, a agenda turbinada para o circuito paralelo à Bienal terá individuais de artistas como Antonio Manuel, na Pinacoteca do Estado, Mira Schendel, no Instituto de Arte Contemporânea, Carmela Gross, na Estação Pinacoteca, Ernesto Neto, no MAM, Regina Silveira, no Itaú Cultural, Rebecca Horn, no Centro Cultural Banco do Brasil, Joseph Beuys, no Sesc Pompeia, e Miguel Rio Branco, no Museu da Imagem e do Som.

Entre as mostras coletivas, o Centro Brasileiro Britânico fará um recorte do melhor da arte contemporânea do Reino Unido, com Antony Gormley, Anish Kapoor, Damien Hirst, Rachel Whiteread e Tracey Emin. Com foco na Alemanha, o Masp terá uma seleção de arte contemporânea do país, como nomes Martin Kippenberger e Jonathan Meese. No Paço das Artes, mostra sobre a memória e o poder terá trabalhos da cubana Ana Mendieta, do mexicano Yoshua Okón e dos brasileiros Lucas Bambozzi e Tatiana Blass, esta última também na Bienal.

Artistas plásticos que são também cineastas, como Pedro Costa e Harun Farocki, já escalados para a Bienal, terão seus filmes exibidos em ciclos e debatidos em seminários na Cinemateca.

Veja a lista completa de exposições

Antonio Dias: Anywhere is my Land


Onde: Pinacoteca do Estado (pça. da Luz, 2, tel. 0/xx/11/3324-1000)

Quando: de 11/9 a 7/11

Quanto: R$ 6
Retrospectiva com fases importantes da carreira de Dias, da década de 1960, quando começou sua produção com influência da pop art, ao momento em que passou a viver na Europa, enfocando questões como a natureza da arte e a territorialidade.

Arte Postal

Onde: Centro Cultural São Paulo (r. Vergueiro, 1.000, tel. 0/xx/11/3397-4002)

Quando: de 18/9 a 31/10

Quanto: grátis
Mostra com obras de arte postal de artistas como Paulo Bruscky, Regina Silveira, Artur Barrio, Gabriel Borba e Hudinilson Junior.

Avesso do Avesso - Mira Schendel


Onde: Instituto de Arte Contemporânea (r. Maria Antonia, 242, tel. 0/xx/11/3255-2009)

Quando: de 30/10 a 30/1

Quanto: grátis
Recorte das obras em papel da artista Mira Schendel, agora com retrospectiva na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, com foco nas noções de transparência, linhas e vazios, interior e exterior em sua obra.

"Back-Forward" - De Trás para Frente

Onde: Centro Brasileiro Britânico (r. Ferreira de Araújo, 741, tel. 0/xx/11/3095-4466)

Quando: de 20/9 a 31/12

Quanto: grátis
Exposição com os maiores nomes da arte contemporânea britânica com obras de Antony Gormley, Anish Kapoor, Damien Hirst, Rachel Whiteread, Tracey Emin, entre outros.

Bienal Internacional - "Graffiti Fine Art"
Onde: Museu Brasileiro da Escultura (av. Europa, 218, tel. 0/xx/11/2594-2601)

Quando: de 3/9 a 3/10

Quanto: grátis
Mostra reúne 50 grafiteiros do Brasil e do mundo.

Carmela Gross

Onde: Estação Pinacoteca (lgo. General Osório, 66, tel. 0/xx/11/3335-4990)

Quando: de 4/9 a 7/11

Quanto: R$ 6
Retrospectiva da artista brasileira Carmela Gross, tendo como eixo central suas ideias sobre o corpo e a paisagem.

Carlito Carvalhosa e Philip Glass

Onde: Pinacoteca do Estado (pça. da Luz, 2, tel. 0/xx/11/3324-1000)

Quando: de 31/7 a 7/11

Quanto: R$ 6
Instalação sonora feita pelo artista brasileiro em parceria com o compositor norte-americano. Haverá um labirinto de tecidos no espaço central do museu e uma trilha sonora que será irradiada por todo o espaço

Cinema e Arte Contemporânea

Onde: Cinemateca Brasileira (lgo. Sen. Raul Cardoso, 207, tel. 0/xx/11/3512-6111)

Quando: previsto para novembro e dezembro

Quanto: preço não informado
Seminário vai discutir as relações entre artes visuais e cinema

O Cinema de Pedro Costa: O Cinema por Pedro Costa


Onde: Cinemateca Brasileira (lgo. Sen. Raul Cardoso, 207, tel. 0/xx/11/3512-6111)

Quando: 17/9 e 18/9

Quanto: preço não informado
Seminários sobre obra e formação do cineasta português Pedro Costa, que estará na 29ª Bienal de São Paulo. Haverá uma mesa sobre seus filmes e outra em que o artista debate a cinefilia, a memória e preservação do cinema

As Construções de Brasília


Onde: Centro Cultural Fiesp - Ruth Cardoso (av. Paulista, 1.313, tel. 0/xx/11/3146-7405)

Quando: setembro a 25/1

Quanto: preço não informado
Mostra sobre Brasília com fotografias de Marcel Gautherot, Peter Scheier e Thomaz Farkas no acervo do Instituto Moreira Salles. Haverá também obras relacionadas ao tema de artistas como Cildo Meireles, Jac Leirner e Regina Silveira

*Crossing [Travessias]*


Onde: Paço das Artes (av. da Universidade, 1, tel. 0/xx/11/3814-4832)

Quando: 12/9 a 7/11

Quanto: grátis
Exposição que discute os temas memória e poder, com obras de artistas como Yoshua Okón, Ana Mendieta, Alice Micelli, Lucas Bambozzi e Tatiana Blass

Ernesto Neto

Onde: Museu de Arte Moderna (pq. Ibirapuera, portão 3, tel. 0/xx/11/5085-1300)

Quando: 18/9 a 19/12

Quanto: R$ 5,50
Megainstalação do artista Ernesto Neto, um dos nomes mais fortes da arte contemporânea brasileira. Neto ocupará toda a grande sala do museu com uma única obra que pede a participação do público

The Exotic West

Onde: Centro da Cultura Judaica (r. Oscar Freire, 2.500, tel. 0/xx/11/3065-4333)

Quando: setembro a dezembro

Quanto: grátis
Seleção de obras de artistas do Oriente Médio, com trabalhos relacionados a política e cultura. Estão escalados trabalhos do iraquiano Wafaa Bilal, dos palestinos Scandar Copti Reem Da'as, dos israelenses Yosef Dadoune, Neta Shoshani e Nurit Sharett, do iraniano Solmaz Shahabazi, entre outros

Harun Farocki e a Política do Olhar


Onde: Cinemateca Brasileira (lgo. Sen. Raul Cardoso, 207, tel. 0/xx/11/3512-6111)

Quando: 17/9 e 18/9 (seminário) / 11/9 a 2/10 (mostra)

Quanto: preço não informado
Mostra com os filmes mais importantes da vasta produção do artista alemão Harun Farocki, que já fez mais de 90 filmes. Farocki também dará palestras na ocasião e participará de duas mesas redondas

Inconsciente Mecânico - Otavio Schipper


Onde: Centro Universitário Maria Antonia (r. Maria Antonia, 294, tel. 0/xx/11/3255-7182)

Quando: 17/6 a 10/10

Quanto: grátis
Instalação sonora do artista Otavio Schipper, que articula telefones, telégrafos, diapasões e um software de leitura para cegos que causam uma cacofonia melódica

"I in U" ("Eu em Tu") - Laurie Anderson

Onde: Centro Cultural Banco do Brasil (r. Álvares Penteado, 112, tel. 0/xx/11/3113-3651)

Quando: 18/10 a 26/12

Quanto: grátis
Obras sonoras da artista visual e compositora norte-americana Laurie Anderson. Uma das instalações faz os ossos do espectador vibrar com o som emitido

Manchuria Visión Periférica

Onde: Pinacoteca do Estado (pça. da Luz, 2, tel. 0/xx/11/3324-1000)

Quando: 14/9 a 31/10

Quanto: grátis
Retrospectiva do artista mexicano Felipe Ehrenberg, único artista latino-americano a integrar o grupo Fluxus

Ocupação Regina Silveira

Onde: Itaú Cultural (av. Paulista, 149, tel. 0/xx/11/2168-1700)

Quando: 11/8 a 3/10

Quanto: grátis
Individual da artista brasielira Regina Silveira, uma das mais importantes no cenário artístico atual

Pintura Alemã Contemporânea

Onde: Masp (av. Paulista, 1.578, tel. 0/xx/11/3251-5644)

Quando: setembro a dezembro

Quanto: R$ 15
Seleção do melhor da arte alemã surgida nos últimos 20 anos, com obras de Franz Ackerman, Georg Baselitz, Andreas Hofer, Martin Kippenberger, Jonathan Meese, entre outros

Por Aqui, Formas Tornaram-se Atitudes

Onde: Sesc São Paulo

Quando: setembro a outubro

Quanto: preço não informado
Exposição com obras históricas da estética relacional, de artistas como Albano Afonso, Lygia Clark, Sandra Cinto, Rochelle Costi, Lenora de Barros, Caetano Dias, Maurício Dias e Walter Riedweg, Anna Bella Geiger, Carmela Gross, Laura Lima, Hélio Oiticica e Lygia Pape

Raymundo Collares

Onde: Museu de Arte Moderna (pq. Ibirapuera, portão 3, tel. 0/xx/11/5085-1300)

Quando: 18/9 a 19/12

Quanto: R$ 5,50
Retrospectiva do artista carioca, que despontou nos anos 60 e 70, com obras de estética pop e concreta

A Rebelião do Silêncio - Rebecca Horn


Onde: Centro Cultural Banco do Brasil (r. Álvares Penteado, 112, tel. 0/xx/11/3113-3651)

Quando: 2/8 a 3/10

Quanto: grátis
Retrospectiva da artista alemã Rebecca Horn, com performances, instalações, filmes, óperas e esculturas

Restraint: Práticas de Novas Mídias no Brasil e no Peru

Onde: Sesc São Paulo

Quando: setembro a outubro

Quanto: preço não informado
Obras de artistas brasileiros e peruanos com obras sobre mecanismos de controle social. Estão escalados aritstas como Amilcar Packer, Eder Santos, Gisela Motta e Leandro Lima, Lucas Bambozzi, Gabriel Acevedo Velarde e José Carlos Martinat

A Revolução Somos Nós - Joseph Beuys


Onde: Sesc Pompeia (r. Clélia, 93, tel. 0/xx/11/3865-0324)

Quando: 14/9 a 28/11

Quanto: grátis
Amplo recorte da produção do artista alemão com cerca de 300 obras, entre pôsteres, múltiplos, vídeos documentais e registros de ações

Sob as Estrelas, as Cinzas - Miguel Rio Branco

Onde: Museu da Imagem e do Som (av. Europa, 158, tel. 0/xx/11/2117-4777)

Quando: 31/8 a 31/10

Quanto: grátis
Seleção de fotografias dos anos 70 e 80 sobre violência urbana. Uma instalação multimídia, que dá nome à exposição, também fará um contraponto entre modos de vida indígena e urbano

A Sombra do Futuro: Especulações por Fazer

Onde: Espaço Cultural Instituto Cervantes (av. Paulista, 2.439, tel. 0/xx/11/3897-9600)

Quando: 16/9 a 23/10

Quanto: grátis
Exposição baseada em conceitos do escritor argentino Jorge Luis Borges, sobre como especulações, projetos e expectativas atuam sobre o futuro, o presente e o passado

Tékne - Dos Multimeios à Arte Digital

Onde: Museu de Arte Brasileira da Faap (r. Alagoas, 903, tel. 0/xx/11/3662-7198)

Quando: 21/8 a 28/11

Quanto: grátis
Mostra sobre histórico das relações entre arte e tecnologia a partir de obras de artistas como Julio Le Parc, Waldemar Cordeiro, Nelson Leirner, Luis Paulo Baravelli, Tomoshige Kusuno, Wesley Duke Lee, Anna Maria Maiolino, Hélio Oiticica, Abraham Palatnik, Lygia Pape, José Resende, Claudio Tozzi, José Roberto Aguilar, Paulo Bruscky, Anna Bella Geiger, Cildo Meireles, Letícia Parente, Antoni Muntadas, Julio Plaza, León Ferrari, Amélia Toledo, Regina Silveira, entre outros

TRANSfronteiras Contemporâneas - Bicentenário da Independência da América Latina


Onde: Memorial da América Latina (av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, tel. 0/xx/11/3823-4600)

Quando: 17/9 a 17/10

Quanto: grátis
Mostra com obras de artistas contemporâneos de Argentina, Chile, Colômbia, México e Venezuela, que homenageiams os 200 anos de idenpendência desses países. Haverá também trabalhos de brasileiros, como Edith Derdyk

As Trilhas Bifurcadas da Arte Brasileira Recente 1950-2010

Onde: Instituto Tomie Ohtake (av. Brig. Faria Lima, 201, tel. 0/xx/11/2245-1900)

Quando: 20/9

Quanto: grátis
Serão obras de 16 artistas, oito deles já consagrados em contraste com outros oito nomes ainda em ascensão

Veiled Threats - Izhar Patkin


Onde: Centro da Cultura Judaica (r. Oscar Freire, 2.500, tel. 0/xx/11/3065-4333)

Quando: setembro a dezembro

Quanto: preço não informado
Exposição individual do artista israelense radicado em Nova York Izhar Patkin, com instalações, vídeos e poemas

Verdade - Fraternidade - Arte


Onde: Museu Lasar Segall (r. Berta, 111, tel. 0/xx/11/5574-7322)

Quando: 13/11 a 20/2

Quanto: preço não informado
Exposição com gravuras, desenhos e pinturas a óleo de Otto Lange, Otto Dix, Lasar Segall e outros artistas que participaram da Secessão de Dresden, movimento artístico alemão surgido em 1919

Posted by Paula Dalgalarrondo at 1:46 PM

julho 1, 2010

Ricardo Resende vai dirigir o Centro Cultural São Paulo por Camila Molina, Estadão.com.br

Matéria de Camila Molina originalmente publicada na seção Cultura do Estadão.com.br em 1 de julho de 2010.

Curador deixa cargo na Funarte para dirigir o CCSP, espaço da Prefeitura que vai fazer 30 anos

Crítico e curador, Ricardo Resende já pediu demissão da diretoria do centro de artes visuais da Fundação Nacional das Artes (Funarte), do Ministério da Cultura, para assumir a direção-geral do Centro Cultural São Paulo (CCSP), órgão da Prefeitura. No início de maio, Martin Grossmann anunciou sua saída espontânea do cargo de diretor do CCSP (estava desde 2006). Resende, que anteriormente à Funarte dirigiu, entre 2005 e 2007, o Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, pretende começar sua gestão no CCSP a partir da segunda quinzena de julho.

"Precisava de alguém com experiência institucional e o Ricardo ainda tem a vantagem de ter trabalhado no governo. Trabalhar no governo não é muito simples. As pessoas vêm com as melhores das intenções e esbarram em todo o tipo de dificuldade, porque o serviço público é muito controlado, para dizer o mínimo", afirmou o secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil, que convidou Resende para assumir o CCSP. O novo diretor da instituição pretende se reunir com Calil e com Grossmann amanhã para se inteirar da situação do CCSP. "Me parece que vai tudo muito bem e sua programação é sintonizada com a arte contemporânea", diz Resende, que, a princípio, tem como ideia dar continuidade ao programa de Grossmann.

Análises. O CCSP tem como orçamento para 2010 a ordem de R$ 10.677.373,00, segundo a Secretaria Municipal de Cultura. Resende, mesmo ainda achando ser prematura qualquer avaliação, acredita que o montante "é pouco" para a estrutura de um espaço com 48 mil m² com atividades gratuitas e grande circulação de público - em 2009, a instituição contabiliza ter recebido 819.503 pessoas em suas atrações e frequência em 2010, até maio, 308.862. "O que me preocupa como secretário não são as coisas que estão bem encaminhadas, como a programação e a sinergia das áreas culturais propostas por Grossmann, mas as ligadas à preservação do acervo, que nós não conseguimos fazer", afirma Calil, que, ele próprio, dirigiu o CCSP antes de assumir a Secretaria Municipal de Cultura, em 2005.

"Não consegui realizar ainda a reserva técnica e estou muito preocupado com a melhoria das salas de espetáculos, que estão quase que na lona, algumas delas. Construídas em 1982, elas não foram modernizadas e isso tem que ficar pronto até 2012, porque não só é fim da minha gestão na Secretaria, como o Centro Cultural vai fazer 30 anos." Calil afirma que está buscando recursos para essas empreitadas e, inclusive, aporte do Ministério da Cultura para a obra da reserva técnica, que já tem projeto arquitetônico.

As bibliotecas do CCSP - "gostaria que voltassem a ter atitude ativa", diz Calil - necessitam de cuidado, mas a questão dos acervos também é prioritária. Por exemplo, está aos cuidados da instituição a Coleção de Arte da Cidade, de cerca de 2.800 obras e coleções de arte postal. Calil tinha como projeto usar a Galeria Prestes Maia, na Praça do Patriarca (retomada do Masp pelo município), para abrigar e expor a Coleção de Arte da Cidade, entretanto, ele diz que, por decisão do prefeito Gilberto Kassab, o espaço não será mais cultural, vai tornar-se um anexo da Prefeitura. Resende cogitou que se criasse dentro do CCSP espaço museológico.

Resende é mestre em História da Arte pela USP, nasceu em 1962 em Minas, mas foi criado em Mococa (SP). Tem carreira na área museológica, com passagens pelo MAC/USP, MAM-SP e direção do museu do Centro Dragão do Mar em Fortaleza. Assumiu em janeiro de 2009 cargo na Funarte e desde 1996 coordena o Projeto Leonilson.

Posted by Fábio Tremonte at 3:06 PM | Comentários (3)