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fevereiro 15, 2007

Quando os museus viram mercadoria, por Philippe Pataud Célérier

Quando os museus viram mercadoria

Artigo de Philippe Pataud Célérier, originalmente publicado no Le monde diplomatique e replicado no Portal UOL

Em busca de novas fontes de dinheiro e prestígio, grandes museus do mundo partem para o aluguel de acervos, relações submissas com o mecenato, atração obsessiva de público. Que isso significa para a preservação das obras e das próprias idéias de arte e cultura?

Desde meados de outubro de 2006, os visitantes de Atlanta, nos Estados Unidos, podem ver no High Museum of Art, renovado por Renzo Piano, uma parte das coleções do museu do Louvre. Ao longo de três anos, estão previstas nove exposições. Um total de 142 obras atravessará o Atlântico. Entre elas, numerosas obras-primas assinadas pelos maiores mestres da arte: Rafael, Poussin, Murillo, Rembrandt. "Dos 14,9 milhões de euros desembolsados pela operação, inteiramente financiada por mecenas norte-americanos, o Louvre receberá 5,4 milhões de euros. Um valor que será usado para a renovação das salas do mobiliário francês do século 18 do departamento de Objetos de Arte do museu", especificou Henri Loyrette, presidente e diretor-geral do maior museu do mundo. Mesmo inédita, a medida se insere na política de trocas entre museus.

Em Atlanta, "cada dia é um dia de festa". O slogan foi lançado, segundo os responsáveis do Atlanta Convention & Visitors Bureau, "enquanto dávamos o toque final nas atrações mais interessantes: a expansão do High Museum e o maior aquário do mundo". Criada nessa cidade em 1886, a Coca-Cola, que fundou no mesmo lugar o The World of Coca-Cola e está entre os mecenas do projeto Louvre-Atlanta, "revelará no início de 2007 sua nova empreitada". Se considerarmos também o museu dos Jogos Olímpicos de Atlanta, estamos diante de um imenso complexo de entretenimento cujos promotores esperam que "fará de Atlanta um dos principais mercados e destinos turísticos internacionais" 1. Os objetivos são claros. Mas são tão claros assim também para o Louvre, que não hesita em abrir mão da ciência, da cultura e da pedagogia para defender sua parceria?

"Podemos duvidar", dizem vários especialistas que preferem manter o anonimato. "Na parceria com Atlanta, tomamos conhecimento do projeto quando tudo já estava decidido. Não são nossos trabalhos científicos que estão na origem do projeto, mas uma vontade política com conseqüências diplomáticas e econômicas, pelas quais nos pediram que fabricássemos idéias que possam justificar alguns conceitos e obras-primas com apelo midiático. Os especialistas se transformam em legitimadores de projetos feitos sem sua participação, mas que eles têm de defender diante da imprensa!" A parceria, aliás, foi anunciada pelo Consulado Geral da França em Nova York antes mesmo de ser apresentada ao conselho administrativo do Louvre.
Quando a arrecadação torna-se o grande critério

"É um tipo de tendência que vem se repetindo cada vez mais nos últimos tempos", constata Didier Rykner, fundador do site na Internet "La Tribune de l'Art" [2], uma espécie de central de monitoramento do setor cultural. "Na ocasião do quinto centenário do nascimento de Rafael, em 1983, cada país organizou sua exposição, já que não era o caso de transportar suas telas, muito frágeis, mesmo se tratando de uma oportunidade única! Vinte anos mais tarde, a obra-prima de Rafael, O Retrato de Baltazar Castiglione (1514-1515) voa para Atlanta. Tivemos que ler os jornais norte-americanos para saber quais obras seriam enviadas para os Estados Unidos 3. Será que teremos de ler amanhã os jornais dos países do Golfo para saber dos projetos em andamento em Abu Dhabi, riquíssimo Estado exportador de petróleo de 700 mil habitantes?"

De fato, o The Art Newspaper de 31 de agosto de 2006 noticia que o príncipe sultão Al Nahyan, presidente do conselho administrativo da Abu Dhabi Tourism Authority recebera o presidente do Louvre. Um encontro de chefes de Estado havia precedido essa visita 4. "Abu Dhabi, depois de Dubai, quer se preparar para o período pós-petróleo", dizem membros da entourage de Renaud Donnedieu de Vabres, ministro da Cultura. "Os Emirados Árabes Unidos querem se transformar em plataforma cultural incontestável. Pretendem quintuplicar o número de turistas daqui a 2015 graças a um projeto urbanístico ambicioso que prevê, além de hotéis, campos de golfe e marinas, cinco espaços culturais, sendo quatro deles museus construídos pelos maiores arquitetos internacionais", dizem fontes próximas ao ministro. Ao lado de um novo museu Guggenheim, construído por Frank Gehry, será erguido "um grande museu francês, um museu universal do século 21 que possa tratar tanto de arte clássica quanto contemporânea e que mobilizará recursos do Louvre, mas também do conjunto de museus da França. A imagem da França é hoje essencialmente cultural; queremos jogar o mesmo jogo para nos singularizarmos e devemos nos aproveitar ao máximo da globalização".

É algo semelhante ao que ocorreu no caso de Atlanta e do último museu Guggenheim, inaugurado no fim de 2001 em Bilbao pelo mesmo Frank Gehry. Dois anos depois da abertura, sua atividade econômica no País Basco passou a somar 775 milhões de euros, quase dez vezes o custo do investimento inicial, responsável por cerca de 4.100 postos de trabalho. O fato ganhou a atenção da imprensa mundial. Nas mãos de dirigentes políticos, o patrimônio cultural torna-se uma ferramenta essencial para o desenvolvimento econômico. Como 75 milhões de estrangeiros visitaram a França (principalmente Paris) em 2005, a idéia de descentralizar uma parte das grandes coleções parisienses está na ordem do dia. As antenas do Louvre e do Centre Georges-Pompidou lançaram-se respectivamente para Lens (117 milhões de euros de investimentos) e Metz (40 milhões de euros). "Por que Lens (a apenas 200 km de Paris) enquanto Arras, Lille, o Nord-Pas-de-Calais são bem equipados artisticamente? Por que não reforçar as coleções de museus em dificuldade? E, acima de tudo, por quais tipos de conteúdo?", perguntam alguns responsáveis pelo setor cultural. Trata-se de revitalizar uma antiga área de exploração mineral com um museu "cujo projeto arquitetônico será o primeiro manifesto" 5. Todo mundo conhece o Guggenheim de Bilbao, sua arquitetura emplumada sob uma pele de titânio. Quem sabe o que está lá dentro? O que importa? Para poder mostrar, é preciso antes ser visto e se tornar notável.
A Opera Royal é a casa do Mickey?

Nos novos conceitos de marketing cultural urbano, o museu torna-se o timão de projetos urbanísticos para atrair turistas e exposições. Ninguém ignora que "o consumo dos turistas dirige-se para onde há grandes iniciativas culturais" 6. Cerca de 800 milhões de pessoas se dirigiram de um país a outro em 2005 7. Cada território quer seu próprio museu, cada museu seu anexo: de Atlanta a Cingapura; dos países do Golfo a Hong Kong; amanhã, a China. A fundação privada Guggenheim é a mais agressiva. Sua rede estende-se de Veneza a Berlim, de Bilbao a um hotel-cassino em Las Vegas, ao qual o Museu Hermitage de São Petersburgo aluga suas coleções para compensar o parco incentivo do Estado russo. Na França, os grandes museus se internacionalizam. "Não tenhamos medo das palavras. Eles comercializam seu patrimônio para ampliar as fontes de renda", especifica Françoise Cachin, ex-diretora do Musées de France, comentando a parceria com Atlanta.

Descaso do Estado? "É um fantasma", antecipa o ministro da Cultura em sua apresentação do orçamento para 2007. Mas ninguém foi preterido. Se os museus se multiplicam, os recursos públicos se diluem. Cada um deve aumentar seus próprios recursos. Os fundos para o Louvre passaram de 39,4 milhões de euros para 69,4 milhões de euros, entre 2000 e 2005. No Pompidou, as receitas da bilheteria aumentaram 41%, enquanto o lucro comercial aumentou mais de 64,4% (concessões, locação de espaços, trocas e permutas) 8. Essa busca por autofinanciamento pode perturbar a missão primária dos museus - a pesquisa, a preservação e a comunicação entre suas coleções para "fins de estudo, educação e fruição" como lembra o Conselho Internacional de Museus da Unesco.

"Hoje o complexo de Versalhes é visto como um bem de consumo do qual é preciso extrair o máximo de dinheiro, sem considerar que se trata de um recurso não renovável e que, ao acolher cada vez mais visitantes em lugares não concebidos para tal fim, condenamos o patrimônio a uma degradação irreversível", observa Claude Rozier 9, sócio da Associação dos Amigos de Versalhes. Desde julho de 2006, o acesso à Capela do Palácio e à Ópera foi liberado. Estudam agora deixar nas mesmas condições os apartamentos privados de Luís 14.

É o conceito do "ingresso-passaporte com visita guiada em áudio", que dá acesso ao conjunto dos circuitos abertos à visitação pública (25 euros por pessoa durante o verão, fins de semana e feriados). É um sucesso, segundo o relatório público de Versalhes - 402.290 passaportes foram vendidos em 2005 em comparação às 37.969 vendas em 2000 -, o que "deve levar Versalhes a generalizar os ingressos para toda a estação, simplificando a gestão e facilitando a geração de recursos". "Pretende-se abrir o maior número de salas", dizem os críticos: "Mas a Opéra Royal não é a casa do Mickey e o mármore de três séculos da Capela não resistirá por muito tempo sob os sapatos dos visitantes!"
A morte do patrimônio para as gerações futuras

Roland Recht, professor de história da arte no Collège de France, por sua vez, diz: "O fluxo cada vez mais intenso de turistas corresponde matematicamente a uma degradação acelerada das obras. Estamos preparando a morte do patrimônio para as gerações futuras. Sem contar a instrumentalização desse patrimônio. Montamos operações e eventos que justicamos com uma suposta lógica de enriquecimento do patrimônio, enquanto que o motor por trás delas é geralmente comercial e econômico" 10.

Incontestavelmente, as obras apresentadas pela administração de Versalhes como "a operação mais espetacular já realizada em Versalhes", que deve "transformar completamente a imagem do castelo" figura nessa categoria. A idéia é reconstruir o portão do castelo, destruído na Revolução, e que terá agora o papel de "regular o fluxo de visitantes". Alguns observadores alertam que a medida relega a um segundo plano "a restauração urgente de uma das obras-primas dos jardins e patrimônio mundial da humanidade, a fonte de Leto, obra de André Le Nôtre e Jules Hardouin-Mansart!"

Segundo Rozier, "a comparação dos valores postos em jogo pode levar a dúvidas sobre a pertinência da escolha entre um investimento com fundos públicos e privados por medidas não urgentes e historicamente sujeitas a muita precaução [8 milhões de euros no total, sendo 3,5 milhões de euros para o portão apenas - financiado por um mecenas] e uma operação necessária e urgente, ligada a um monumento histórico já existente, que depende de investimentos privados (estudo feito em 2001 avaliou em 5 milhões de euros a restauração da fonte). Será necessário recorrer à Unesco, na ausência de mecenas?" O castelo de Versalhes diz que "100% do orçamento para o funcionamento do complexo [35 milhões de euros em 2005] e 20% dos investimentos [entre 10 e 20 milhões de euros anuais] dependem exclusivamente de recursos próprios (bilheteria, locação de espaços, concessões comerciais e mecenato)".
Os museus concorrem para agradar aos mecenas

"É o problema da atual política do mecenato" — explica um dos responsáveis pela conservação do palácio — "mas isso deve-se à própria natureza do envolvimento dos mecenas, que é financiar projetos espetaculares". Mas as necessidades de um museu não são todas midiáticas. Se cabe ao Estado financiar o seguro e plano contra incêndios do Louvre (no valor de 22 milhões de euros), o patrocinador prefere "melhorar sua imagem apoiando uma grande causa que responde ao interesse crescente pela cultura", explica um representante do Crédit Lyonnais, que acaba de investir, em parceria com outras instituições, 7 milhões de euros para reforçar o site na Internet do Louvre. Um valor que teria permitido a restauração de bens do museu ou qualquer estátua dos jardins de Versalhes, cujo estado de degradação é hoje irreversível.

"Mas como convencer os mecenas se você dirige um museu menos prestigioso, enquanto todos têm os olhos fixados no número de ingressos vendidos? Nada menos que 19 pessoas foram contratadas no Louvre exclusivamente para procurar patrocinadores e possíveis colaboradores", diz um dos diretores. "A concorrência não existe apenas entre os museus, mas o preparo de dossiês destinados aos patrocinadores toma hoje em dia um quarto do tempo que podíamos dedicar à pesquisa", diz outro funcionário.

As cifras estão lá e são lembradas regularmente. Quatro mil visitantes por dia no Quai Branly em 2005. Quatro milhões a cada ano em Versalhes, em 2006, 8,3 milhões no Louvre (5,1 milhões em 2001), "3 milhões no Musée d'Orsay, que chega ao ponto de saturação", diz seu diretor Serge Lemoine, mesmo falando hoje em dia de arrasa-quarteirões, exposições organizadas para chamar atenção. Mas que realidade escondem esses números? Dos 10 milhões de ingressos vendidos pelos museus franceses em 2004, 9 milhões eram de visitantes do Louvre, Versalhes e Musée d'Orsay, enquanto o Museu Delacroix, instituição nacional sob administração do Louvre desde 2004, perdeu 4% de seus visitantes em 2005 11.

Os projetos beneficiam majoritariamente os grandes museus, cujas vitrines são reforçadas. O Louvre receberá 6,9 milhões de euros para o projeto "Pirâmide" de renovação dos espaços de entrada; o museu deve receber 10 milhões de visitas anuais. O número crescente de visitantes é um indício da democratização da cultura ou, principalmente, de sua internacionalização? Enquanto 0,6% dos desempregados visitaram o Louvre em 2004, dois terços dos visitantes são turistas estrangeiros (que representam metade das visitas a outros grandes museus da França). Trata-se de descobrir, então, que tipo de política cultural é favorecida. A maioria dos visitantes passa a maior parte do tempo de costas para as obras tirando fotografias.
Ao invés de lugar de aprendizado, chamariz de turistas

"Todos os visitantes são desejáveis", responde o diretor do Louvre. Ninguém os rejeita. Mas por isso é válido incentivar a falta de curiosidade? A última campanha publicitária do Louvre faz a pergunta, ao mostrar uma jovem que posa de perfil diante de telas, cercada por dezenas de telefones celulares. A mesma discussão foi suscitada pela permissão de filmagem concedida aos produtores do filme "O Código Da Vinci". Foi uma decisão dos dirigentes políticos para valorizar a imagem da França no exterior. Cerca de 300 milhões de espectadores viram o filme. Quantos deles não virão fotografar o local onde ele foi filmado? Entre outras, a "salle des États" recebe muito mais visitantes que poderia, por abrigar a Monalisa. Em vez de considerar medidas para aliviar o fluxo de visitantes e melhorar condições de observação, o museu favorece o ícone, que passa a valer mais que a história das obras.

"Não enxergamos nada lá", escreveu Daniel Arasse 12, brilhante historiador da arte. É preciso encontrar uma maneira de observar as obras com tranqüilidade. O museu não seria exatamente um lugar privilegiado para o aprendizado e o treinamento do olhar? A questão poderia surpreender se a direção do Louvre não tivesse suprimido, no fim de 2004, a gratuidade da entrada a artistas e professores de artes visuais, os mais ativos na difusão dos conhecimentos da área 13. "O turismo tem sido um importante fator na renovação das instituições, sua organização e seus critérios para reavaliar o escopo de sua atuação", observou Claude Fourteau, ex-responsável por políticas públicas do Pompidou e do Louvre 14. E acrescentou: "Faz sentido pensar então que, com o advento do turismo de massa, que alimenta cada vez mais os museus com um número crescente de visitantes, as políticas nacionais se sentiram livres de responsabilidade educativa, impulsionando a passagem do gratuito para o pago?"

O consumidor responsável pela geração de recursos, agora já indispensáveis, parece ter se tornado o alvo privilegiado dos museus. E um maior poder aquisitivo garante a venda de produtos relacionados ao acervo (cartões postais, jóias, perfumes, livros). São mercadorias que também servem para valorizar a imagem do consumidor, pelo menos por enquanto. Mas e quando for extinta a aura dos museus? Não será preciso pôr em marcha novas engrenagens? A história da arte não ameaça desaparecer diante de histórias mais divertidas?

Hoje é possível seguir os passos dos heróis do Código Da Vinci no Louvre. "Uma medida controversa [custa 10 euros a locação do aparelho com explicações em áudio], que torna mais consumível o museu, mais digerível e menos estático, enquanto ajuda a ampliar o circuito externo de visitas", constata Roland Recht. No Quai Branly, a cenografia torna reféns as obras e objetos apresentados. Um relicário Kota não pode apenas ser admirado. O designer acaba se sobrepondo ao historiador, para apresentar a obra de forma mais palatável. O desejo de abrir em Versalhes espaços mais íntimos não corresponde a certa "maquiagem" da história da França para vender mais? "De fato, reforçamos o sentimentalismo do visitante em detrimento do verdadeiro conhecimento do patrimônio. É verdade que os museus são cada vez mais dirigidos por homens de negócios", acrescentou o professor Recht.
Lembrar a imagem poética de Malraux

Os responsáveis pelos museus não poderiam então apenas vender as obras de arte? O relatório da Comissão sobre a Economia do Imaterial, formada pelos ministérios da economia, das finanças e da indústria, avança entre numerosas propostas a seguinte: "Autorizar os museus a alugar e vender certas obras de seus acervos, respeitando, porém, os interesses nacionais e a preservação dos tesouros nacionais, mas encorajando a renovação das obras e a liberdade de gestão das instituições culturais" 15.

No site do Ministério da Cultura na Internet, é possível ler num dos relatórios que "a exportação de obras de arte gera recursos equivalentes à vinda de turistas à França para consumir in loco os produtos e serviços culturais" 16. A equação é sedutora: a França é um patrimônio difícil de administrar. Outros países têm os meios, mas não o patrimônio suficientemente sedutor, a seus olhos, para captar recursos da indústria internacional do turismo. A lógica não está isenta de perigos. A mobilidade das obras põe em risco seus possíveis rendimentos. E se substituirmos Atlanta por Bouzonville, no interior da França, Abu Dhabi por Libreville? Poderia um museu periférico receber grandes obras? E por quais motivos, já que o conteúdo museográfico está sujeito antes de tudo a anseios econômicos e diplomáticos?

Quanto à importação de turistas, este setor econômico pode se revelar muito frágil. Uma crise internacional, um atentado, um vírus podem espantar dois terços dos visitantes, deixando desertas as máquinas culturais do país. "As obras que surgem do amor de um artista e acabam perdidas num sótão também podem surgir do amor de um artista e terminar num museu, mas isso não quer dizer que são mais valiosas. Toda obra morre quando o amor se retira", escreveu André Malraux, antes de acrescentar certa vez, quando ministro para assuntos culturais, que a cultura "é a resposta do homem à pergunta sobre o que ele faz na Terra, não o uso do lazer" 17, cujo primeiro objetivo é nos distrair para ganhar dinheiro.

Tradução: Silas Martí
silas.marti@revistaflan.com

Ver site
http://diplo.uol.com.br/ww.atlanta.net/pressroom/media/docs/ACVB_Annual_05_06.pdf
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www.latribunedelart.com
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Catherine Fox, "Louvre unveils treasures to adorn halls of High", The Atlanta Journal-Constitution, 19 de janeiro de 2006.
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Jason Edward Kaufman, "Will the Louvre follow the Guggenheim to Abu Dhabi?", The Art Newspaper, Londres, 31 de agosto de 2006; Jacques Follorou e Emmanuel de Roux, "Le Louvre s'exporte dans le Golfe", Le Monde, 8 de setembro de 2006.
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Declaração de Donnedieu de Vabres sobre a assinatura da convenção sobre a criação do Louvre-Lens, 12 de maio de 2005.
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Cf. La Culture et le Développement local, Organizção de Cooperação e Desenvolvimento Econômico-OCDE), Paris, 2005. Ler também François Ruffin, "Penser la ville pour que les riches y vivent heureux", Le Monde Diplomatique, edição francesa, janeiro de 2007.
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Ver site.
http://www.world-tourism.org
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"Les grands musées, multinationales du tourisme", Enjeux - Les Echos, Paris, novembro de 2005.
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Jean Erceau et Claude Rozier, Les Jardins initiatiques de Versailles, Thalia, Paris, 2006.
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Roland Recht, A quoi sert l'histoire de l'art?, Textuel, col. "Conversations pour demain", Paris, 2006.
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Cf. o relatório de atividades do Louvre em Chiffres clés 2005. Statistiques de la culture, La Documentation française, Paris, 2005.
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Daniel Arasse, On n'y voit rien, Gallimard, col. "Folio Essais", Paris, 2003.
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Uma decisão que a reação de um coletivo permitiu anular em parte.
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Claude Fourteau, "Le tourisme et les institutions culturelles", conferência na Université de tous les savoirs, Paris, 13 de janeiro de 2006.
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Ler o site, novembro de 2006.
http://www.finances.gouv.fr/directions_services
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Xavier Greffe, "La mobilisation des actifs culturels de la France", département des études, de la prospective et des statisfiques (DEPS), Paris, maio de 2006.
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André Malraux, La Politique, la Culture, Gallimard, col. "Folio Essais", Paris, 1996.
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Posted by João Domingues at 1:02 PM