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outubro 27, 2019

O DNA digital da Zipper Galeria por Yasmin Abdalla, SP-Arte

O DNA digital da Zipper Galeria

Matéria de Yasmin Abdalla originalmente publicada no website da SP-Arte em 21 de outubro de 2019.

A aquisição de uma obra de arte não pode ser tratada como a compra de um produto qualquer. A percepção de materiais e texturas e uma certa empatia presencial com a pesquisa do artista são essenciais nesse processo. No entanto, apesar da necessidade do contato físico, cada vez mais o ambiente digital vem se inserindo no movimento de aquisição, seja na simples busca por referências, ou na conclusão de um negócio que se iniciou presencialmente.

De acordo com o Hiscox Online Art Trade Report 2019, mais Millennials (nascidos entre os anos 1980 e 1990) compraram arte no último ano por plataformas digitais, e 79% deles compraram mais de uma vez. Novos compradores do mercado de arte também estão mais engajados: 36% compraram online em 2018, um crescimento em relação ao ano anterior, quando esse número girava em torno de 31%.

MAIS ALCANCE

É pensando nesse público que o galerista Lucas Cimino, da Zipper Galeria, investe em estratégias digitais. “Acredito que uma das maneiras que tenho de expandir meu público é permitindo que a galeria deixe de atuar apenas localmente, em bairros próximos à nossa sede nos Jardins (SP), para atuar no Brasil inteiro, com um público mais amplo”, afirma. “É por isso que meu objetivo com as redes sociais não é ganhar dinheiro, é ganhar alcance. E, a partir daí, tentar trazer fluxo para a galeria”, completa.

Atualmente, a Zipper Galeria possui um dos maiores perfis do Instagram nesse segmento: são mais de 85 mil seguidores consumindo informações a respeito dos cerca de trinta artistas representados. “É um processo de sedução. Primeiro você impacta, depois o cliente adquire o trabalho”, conta. Os dados do Hiscox Online Art Trade Report 2019 corroboram com isso: cerca de 80% dos compradores de arte usam o Instagram para descobrir novos artistas, enquanto 34% de todos os entrevistados disseram que as redes sociais influenciaram diretamente suas decisões de compra de obras de arte. Primeiro, a sedução. Depois, a compra.

Alcançar mais e novas pessoas também está entre os objetivos do site da galeria, que abarca desde uma apresentação mais institucional dos artistas até um catálogo de obras disponíveis para aquisição. Para promover isso, a Zipper não poupa investimentos em funcionalidades diferentes, como previews de exposições em 3D e prévias de feiras de arte das quais participa.

“Nosso objetivo é permitir que uma pessoa que não teria como ir à galeria ou à feira possa vivenciar a exposição de alguma maneira. Do nosso ponto de vista, estamos otimizando aquele investimento, aumentando nosso potencial de alcance”, conta o galerista.

DNA DIGITAL

O posicionamento digital da galeria, que completa dez anos em 2020, veio de Lucas, o mais novo da família Cimino. Fábio, seu pai, já era galerista experiente quando decidiu abrir a Zipper, um ambiente focado na promoção de jovens artistas em ascensão e direcionada a um público amplo: desde colecionadores estabelecidos até pessoas que nunca compraram uma obra de arte. Ao lado desse conceito, veio a contribuição de Lucas, com apenas 22 anos na época: um olhar digital para um segmento que até então se mantinha apenas no físico. “A Zipper abriu em setembro de 2010, e mesmo antes de ter galeria física, a gente já havia criado perfis em todas as redes sociais”, afirma Lucas.

Aos poucos, essa veia digital foi se tornando parte importante do conceito da galeria, impactando inclusive o elenco de artistas com quem trabalham. “Nós somos conhecidos pela parte digital. Os artistas que concordam que isso é importante para a promoção e representação de seus trabalhos acabam se aproximando da galeria. Temos mais sinergia.”

Com investimentos digitais – além da aposta em funcionalidades, a galeria possui um funcionário dedicado às redes sociais e ao site –, o potencial de alcance gera mais um ambiente de negócio para a Zipper. “Ainda não está em nossos planos abrir uma segunda unidade da galeria, mas eu posso emular isso no ambiente digital, alcançando um público maior.”

AÇÃO COMBINADA

Apesar do digital ser constitutivo na galeria, Cimino não acredita em um mercado de arte totalmente digitalizado. “É muito difícil uma pessoa adquirir uma obra de arte sem conversar com o galerista, sem observar a peça presencialmente. Não consigo acreditar que oito centímetros de tela substituam a experiência de olhar para um quadro de um metro e sessenta. Principalmente quando estamos falando de grandes valores”, afirma.

Entre os principais desafios que o Hiscox Report aponta para que colecionadores não efetuem a compra diretamente pela internet está a impossibilidade de inspeção física: 72% dos entrevistados mencionaram essa condição como fator limitante. É por isso que Cimino aposta em uma ação combinada: “Você impacta a pessoa digitalmente, e quando ela vai à galeria ou a uma feira, e vê presencialmente aquele trabalho, a chance de aquisição é maior. Eu não posso viver sem o digital, mas entendo que ele é um meio e não um fim em si mesmo”, conclui.

Posted by Patricia Canetti at 11:59 AM