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junho 7, 2013

Artes visuais: Giselle Beiguelman, no rumo dos passos (re)encontrados por Pedro Alexandre Sanches, Virada Cultural

Artes visuais: Giselle Beiguelman, no rumo dos passos (re)encontrados

Matéria de Pedro Alexandre Sanches originalmente publicada no site da Virada Cultural da cidade de São Paulo em 11 de maio de 2013.

Giselle Beiguelman é a mulher das artes visuais na Virada Cultural 2013. Professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, midartista e editora da revista seLecT, essa paulistana de 50 anos foi crucial da curadoria das intervenções – ou infiltração como ela, classifica – urbanas que modificarão a cara do centro de São Paulo durante o evento, no próximo final de semana.

Em entrevista por e-mail para o Blog da Virada, Giselle dá um gostinho de como estará vestido para a Virada Cultural o vale do Anhangabaú e convida todos os participantes a entrar livremente, talvez pela primeira vez na vida, no misterioso Palácio da Justiça (foto à dir.). Projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo (1851-1928) e erguido entre a praça da Sé, a praça João Mendes Jr. e a praça Clóvis Bevilácqua, o palácio sedia o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e não raro passa despercebido pelos cidadãos em meio à paisagem caótica do centro. “Na prática é sua abertura total à cidade, já que as pessoas evitam o prédio, por pensar que de lá sairão presas”, brinca a sério Giselle.

Pedro Alexandre Sanches: Por que você foi chamada para participar da curadoria da Virada Cultural 2013?

Giselle Beiguelman: Porque estive envolvida, como curadora, diretora artística e artista, em inúmeros projetos e exposições relacionadas à ocupação do espaço urbano e à artemídia, de perfis muito distintos, que vão do Arte/Cidade ao Nokia Trends, do Instituto Sergio Motta ao Ars Electronica, do museu de arte mídia ZKM à Fundacion Telefonica, do ISEA à Mostra 3M de Arte Digital – Tecnofagias, entre vários outros projetos. Como diz meu amigo Ronaldo Bressane, somos jovens há muito tempo… Além disso, minhas pesquisas mais recentes, desenvolvidas na FAU, onde sou professora, analisam particularmente a produção em arte digital brasileira dos anos 2000 no contexto da arte contemporânea, como um todo, e das especificidades das transformações socioculturais do país. Os resultados parciais dessas pesquisas, apresentados como curadorias, artigos, conferências, obras artísticas, no Brasil e em diversos outros países, estão criando um repertório, uma estratégia de infiltração que, pelo visto, está começando a surtir efeito.

PAS: Por que aceitou a tarefa? Qual é o tamanho desse desafio?

GB: Aceitei porque acho fundamental esse processo de inflitração da arte contemporânea em todos os circuitos que estão além do museu e especialmente das galerias. A cidade é o território a ser tomado, interrogado, ressignificado, problematizado. Tão fundamental quanto isso é a batalha pela desguetificação da artemídia, dos redutos protegidos laboratoriais, por um lado, e do exílio que as instituições condenam esse tipo de produção. Esse é um dos desafios e é enorme, compatível com a escala espacial e de público esperado. Pensar obras para serem visitadas por uma multidão de 4 milhões de pessoas e combiná-las com projetos submetidos em chamada pública foi uma empreitada e tanto. Mas imaginar que teremos um vale do Anhangabaú inundado de obras e intervenções de grande porte, como a ponte reativa do Bijari, as projeções do Lucas Bambozzi e do VJ Alexis Anastasiou, e combinadas a ações muito delicadas, como o gigante de tsurus do Daniel Seda, ou muito sutis e processuais, como o mapemaneto Conjunto Vazio, do CoLaboratório Urbano, e o genial Pimp my Carroça; e que até o Tribunal de Justiça será ocupado, transformando-se em uma piscina de água artificial, com a intervenção Água, indica que estamos no caminho certo, que as infiltrações vão começar a abalar as estrutras, e isso é ótimo. O outro desafio é justamente esse: como infiltrar sem demolir? Como fazer da infiltração uma estratégia para repensar? Como transformar a infiltração em processo de e para agenciar as dissidências e não para construção de sistemas monotomamente estáveis?

PAS: Você pode detalhar um pouco como desenvolveu seu trabalho de curadoria para a Virada? Poderia sugerir uma espécie de roteiro para que um espectador apaixonado por artes visuais pudesse passear por tudo que estará lá e resumir brevemente o que ele encontrará quando topar de frente com cada uma dessas obras?

GB: As obras e intervenções, de convidados e de selecionados na chamada pública, foram escolhidas por seu potencial de multidão, não apenas na acepção quantitativa do termo, mas também qualitativa, no sentido dado por Negri & Hardt, que implica redes interligadas, agenciamento de novas alternativas e de outras percepções do espaço, da cidade e de suas formas de uso e fruição.

Pensando improvisadamente um roteiro, eu sugiro, antes de tudo, dar uma passada no Museu da Imagem e do Som (MIS), no I Festival Games Brasil, para esquentar. Ir para o centro e começar pelo Palácio da Justiça, na Sé, que pela primeira vez será aberto ao público em horário noturno. Na prática é sua abertura total à cidade, haja vista que as pessoas evitam o prédio, por pensar que de lá sairão presas. O edifício é do Ramos de Azevedo e belíssimo. Mas ninguém vê… Lá, na sala dos Passos Perdidos, onde se esperam as sentenças judiciais, Rejane Cantoni, Raquel Kogan e Leonardo Crescenti apresentam, a nosso convite, Água (foto à dir.), uma interveção que transforma o lugar numa grande piscina de água artificial, dentro da qual nos sentimos em meio líquido.

Depois desse “banho”, sugiro, continuar pelo viaduto do Chá, prestar atenção no prédio da Prefeitura, onde Alexis Anastasiou projetará seu Agigantador de Pessoas, um projeto com realidade aumentada que envolve o público como participante. Descendo para o vale do Anhangabaú, o bicho pega. Recomendo prestar atenção em tudo, começando pela parte debaixo do viaduto do Chá, onde Lucas Bambozzi apresenta o projeto Multidão, Brava Gente, com imagens captadas em tempo real. Carroças tunadas do Pimp my Carroça vão estar por todo espaço do vale, colorindo, alegrando e ajudando tbm na coleta seletiva de lixo.

Caminhando, vai sr inevitável dar de cara com a ponte do coletivo Bijari (imagem em maquete abaixo), um dos projetos mais decisivos da nova cara da Virada. Trata-se de uma ponte que nos faz lembrar a presença subterrânea do rio Anhangabaú e a confluência do vale com a avenida São João. A ponte vai ficando mais vermelha, respondendo ao número de traseuntes sobre ela. Ao mesmo tempo, reflete uma mancha azul que “alaga” o terreno, em correspondência a esse movimento de trânsito.

Tem ainda Conjunto Vazio, projeto que não termina com Virada, de mapeamento dos espaços vazios e desocupados, com projeções, site, impressos etc. Não paramos por aí. Facebuilding, uma rede social que será feita nas fachadas dos prédios, e remixes coletivos, como Atari Sound Performance, Jogos de Guerra e Socket Screen, de Rafael Marchetti e Rachel Rosalen, ações interativas e participativas, como Voando pelo Centro, de Marcio Ambrósio, e Conte-Nos um Segredo, do Radamés Ajna.

Urban Trash Art (esculturas feitas com resíduos, lixo e material reciclado) por todo lado, videomapping e projeções em grandes dimensões vão “atropelar” o público e engajá-lo. E assim vamos até o viaduto Santa Ifigênia, com Pixel Reflection, um projeto de interação com o público que vai surpreender e encantar. No domingo, (re)comece pelo Augusta Lab, projeto da Escola São Paulo, que vai ocupar duas quadras com shows, workshops e bate-papos. Tem que ver tudo, passar por tudo, experimentar tudo. São artistas geniais, generosos, absolutamente cúmplices de uma perspectiva de virada geral na vida da cidade.

PAS: Faço minha a sua pergunta-desafio: como infiltrar sem demolir?

GB: Com continuidade. Não dá para ser ingênuo e achar que uma noite muda tudo. As demolições são abruptadas e não semeiam. Esterilizam, fazem tábua rasa. Isso também é importante em alguns casos. A demolição, aqui, é da ideia de que Virada Cultural é só show e blockbuster, de que o lugar da artemídia é o ambiente asséptico dos centros especializados e escuros, de que o que importa na arte contemporânea brasileira é que o mercado está bombando. Vamos apontar outras direções. Mas o mais importante são as infiltrações, e esse processo é lento, silencioso, calndestino e persistente. Como diz a sabedoria popular: água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Estamos só começando.

PAS: Só para terminar, me passou pela cabeça enquanto lia suas respostas e fiquei com vontade de compartilhar com você: o nome Sala dos Passos Perdidos, apesar de algo sinistro, é por si uma bela imagem, não?

GB: É lindo. E apesar de sinistro, fico imaginando as pessoas andando de um lado para o outro, aguardando a sentença…

Posted by Patricia Canetti at 5:57 PM