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agosto 7, 2012

Marchand Larry Gagosian trará as maiores estrelas de sua galeria à ArtRio por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Marchand Larry Gagosian trará as maiores estrelas de sua galeria à ArtRio

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 3 de agosto de 2012.

Quando Larry Gagosian, 67, se mudou de Los Angeles para Nova York no fim dos anos 1970, abriu sua primeira galeria de frente para a Leo Castelli, casa que havia descoberto nomes como Roy Lichtenstein, Jasper Johns e, mais tarde, Andy Warhol.

Hoje, Gagosian --que começou com uma loja de pôsteres na Califórnia-- tem três galerias em Manhattan e outras nove ao redor do mundo, de Londres a Hong Kong.

No elenco, além de Lichtenstein, Johns e Warhol, Gagosian passou a vender Joseph Beuys, Pablo Picasso e estrelas da arte contemporânea, como Damien Hirst, Jeff Koons, Takashi Murakami, Cindy Sherman, Richard Serra e todo e qualquer artista com cifras que passam da casa dos milhões de dólares.

É ele quem alavanca as obras a tamanhos valores.

No mercado da arte, Gagosian é o homem mais poderoso do mundo, capaz de elevar preços a patamares inimagináveis. Também foi ele quem produziu exposições em galeria como as dos grandes museus --custe o que custar.

Desde que a Europa e Estados Unidos vêm desmoronando com a crise que se arrasta há quatro anos, Gagosian tem buscado outras frentes de negócios, primeiro com um espaço em Hong Kong e, agora, com sua visita ao Brasil.

Sua galeria terá presença massiva na próxima ArtRio, feira que acontece em setembro na capital fluminense.

Será um teste de mercado para o marchand avaliar se abrirá um espaço no país.

Um primeiro passo desse movimento foi a mostra de concretos e neoconcretos que a filial de Paris da galeria fez há um ano.

"Mesmo que estejamos num momento econômico ruim, há tremendas concentrações de dinheiro em outras partes do mundo", diz Gagosian em entrevista exclusiva à Folha.

"A América Latina se tornou um mercado importante, em que o Brasil lidera."

Para a ArtRio, Gagosian aposta nas obras de Alexander Calder, Lucio Fontana, Jeff Koons, Takashi Murakami, Robert Rauschenberg, Roy Lichtenstein e Andy Warhol, alguns dos artistas que levará a seus dois espaços na ArtRio.

"É mais fácil vender uma pintura de US$ 50 milhões do que uma de US$ 500 mil", diz.

"Tem tanta competição pelas obras-primas no mercado que pessoas com muito dinheiro se sentem mais seguras se estão comprando algo muito caro. Elas sabem que arte nunca perde o valor. Elas acreditam em arte."

Leia a entrevista de Gagosian à Folha:

*

Folha - Mesmo com a crise econômica, vendas de arte vêm batendo recordes. Como explicar o mercado hoje?
Larry Gagosian - Com ou sem crise, há tremendas concentrações de dinheiro nas mãos de poucas pessoas, e elas querem fazer algo com esse dinheiro. Colecionar arte se tornou algo em que as pessoas acreditam. Elas acreditam em arte e no valor da arte. Sabem que arte com importância histórica, boa arte, nunca perde o seu valor.

Colecionadores se tornaram mais importantes do que os museus na legitimação da obra de um artista?
Todo o ritmo hoje é ditado pelos colecionadores. Se você quiser vender algo para um museu, é preciso ficar quieto, porque um colecionador pode entrar na galeria e fazer um cheque a qualquer momento. Eles é quem ditam o ritmo do mercado, e isso é algo recente. Também o volume de dinheiro que eles gastam não tem precedentes.
Essas pessoas têm tanto dinheiro que eles não só podem comprar qualquer obra como também podem construir um prédio incrível para abrigar essa coleção e conseguir recursos para financiar esse novo museu para sempre.

Feiras de arte se multiplicam pelo mundo. Estar em todas elas é importante para sobreviver no mercado global?
Esse é o motivo pelo qual estamos fazendo essa feira [ArtRio] no Brasil, porque é difícil entrar em mercados emergentes. Percebi isso lá atrás, quando comecei em Los Angeles, mas todos os colecionadores estavam em Nova York. Hoje nem Nova York concentra todos eles, as pessoas já não vão lá como iam no passado. Os Estados Unidos ainda são o maior mercado de arte, mas você sai perdendo se não tenta atingir museus e colecionadores em outros mercados.

A geografia do mercado de arte mudou? De onde vem a maior parte do dinheiro hoje?
Eu diria que o dinheiro está na Ásia. China, Coreia e até o Japão são mercados substanciais. Na Rússia, o colecionismo sofreu com a queda no preço do petróleo e a crise.
A América Latina está se tornando cada vez mais importante. O Brasil parece liderar isso pelas feiras que tem, e o México também se inseriu no mercado internacional. Isso tudo é muito recente.

Qual é sua estratégia na representação de um artista? Como escolhe os nomes que entram para o elenco da Gagosian?
Não sei se tenho uma estratégia, acho que sou mais instintivo. Também, se tivesse uma estratégia, não contaria para ninguém qual é. Não há segredo, é só fazer exposições de artistas importantes de um jeito sério. Nem sempre isso rende bons resultados financeiros, mas torna o meu trabalho mais interessante.

Posted by Cecília Bedê at 10:07 AM