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maio 11, 2012

Feiras são o fast-food do sistema, viciam e são eletrizantes por Marcia Fortes, Folha de S. Paulo

Feiras são o fast-food do sistema, viciam e são eletrizantes

Matéria de Marcia Fortes originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 9 de maio de 2012.

A Frieze Art Fair New York, nova feira de arte subsidiária da renomada Frieze de Londres, foi inaugurada na semana passada com a participação de 180 galerias.

A cidade de Nova York é anfitriã de 12 feiras de arte contemporânea. Ainda assim, a Frieze rendeu primeira página no "The New York Times", capa da "New York" e um inteligente artigo na "New Yorker".

Deixei a Frieze e retornei anteontem diretamente para a montagem do estande na SP-Arte, que abre hoje.

Em 2012 ainda faremos a ArtRio, a Frieze de Londres e a Art Basel Miami Beach. Uma feira engoliu a outra e só nos resta fazer escolhas.

Minha primeira feira de arte foi a Unfair, a irmã caçula da Art Cologne. Ali, presenciei a performance do então jovem artista Damien Hirst, que "expôs" no estande da emergente galeria White Cube um par de gêmeas univitelinas, sentadas lado a lado trajando vestidos gêmeos de "spot paintings" e tricotando juntas, encarnando uma "obra" anticomercial.

Hoje, 19 anos depois, Hirst se tornou o artista mais rico da atualidade, e a White Cube é um sucesso com sedes em Londres e em Hong Kong.

As feiras de arte se proliferam embaladas pela autoconfiança do mercado nos últimos 20 anos, apesar de alguns soluços já superados como a crise mundial de 2008.

Hoje, a inauguração da oitava SP-Arte tem a participação da imperiosa White Cube, que fechará as vendas em São Paulo três dias antes de abrir novo estande em Hong Kong.

Essa intensidade é assustadora e fascinante. Feiras são confusas, de ar insalubre e mau design, mas com um infinito de informação e uma corrente eletrizante que vicia.

Elas são o fast-food do sistema, festivais fragmentados concentrando, em pouco espaço e em poucos dias histéricos, toda a experiência do mundo da arte. Há arte muito boa e muito ruim.

Nessa lama, encontram-se um diamante, algumas joias, e produtos da Tok & Stok.

MARCIA FORTES é sócia da Galeria Fortes Vilaça e integra o comitê de seleção da Frieze Art Fair

Posted by Cecília Bedê at 2:00 PM