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Como atiçar a brasa

 


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fevereiro 3, 2010

Em mostra, videoartista questiona o tempo por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo

Matéria de Fábio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo, em 1 de fevereiro de 2010

Uma das modalidades recorrentes da videoarte é a desaceleração do tempo, evitando edições ágeis, o que, de certa forma, representou uma reação ao ilusionismo do cinema e da televisão. Assim, quanto mais devagar se observa uma cena, mais obviamente se percebe que ela é uma construção.

O coreano Nam June Paik (1932-2006) é um dos mais importantes precursores dessa perspectiva, que tem nos norte-americanos Bill Viola e Gary Hill a segunda geração que discute essa questão.

Hill está em cartaz em São Paulo em "Circumstances/Circunstâncias", com curadoria de Marcelo Dantas, criada para a Oi Futuro, no Rio, e aqui exibida no MIS (Museu da Imagem e do Som), onde estão duas de suas obras-primas que também discutem o tempo: "Viewers" (1996) e "Wall Piece" (2000).

Em "Viewers" (observadores), 17 operários vestidos com roupas do cotidiano são projetados numa parede em tamanho real. A maioria é composta por imigrantes ilegais de Seattle -onde Hill tem estúdio- e todos, silenciosamente, confrontam os visitantes.

Figuras invisíveis da sociedade norte-americana, se tornam cúmplices dos visitantes numa reunião irônica e praticamente impossível. A obra, contudo, está longe de ser agressiva, e é pelo forte apelo estético que o sarcasmo do vídeo ganha contornos mais fortes. Como não há ação, o silêncio passa a ser quase constrangedor.

Já em "Wall Piece" (peça do muro), vê-se um homem-artista atirar-se repetidamente contra uma parede, sendo iluminado apenas nos momentos em que a toca de fato. Cada vez que a atinge, fala o trecho de um texto que começa com "uma palavra, um milésimo de uma imagem". Como num ritual, a obra provoca uma espécie de transe e a experiência, um tanto violenta pela pulsão da luz e do corte entre as falas, faz com que, de fato, o texto fique em segundo plano.

Essas duas obras, complexas e intrigantes, no entanto, destoam um tanto das demais obras expostas, especialmente de "Unconditional Surrender (Circunstance)", que está disposta na monumental sala circular do MIS. Totalmente virtual, o trabalho apresenta rodas que surgem num horizonte distante, até que se chocam ao ganhar maior volume quando se aproximam do observador.
Mais cerebral, "Unconditional Surrender" parece se submeter à tecnologia, sem que a experiência do corpo seja tão primordial quanto é nas demais obras.

Gary Hill - Circumstances/Circunstâncias

Curadoria de Marcello Dantas

Museu da Imagem e do Som - MIS
Av. Europa 158, Jardim Europa, São Paulo - SP
11-3062-9197 ou mis@mis-sp.org.br
www.mis-sp.org.br
Terça a sábado, 12-19h; domingo e feriado, 11-18h
Exposição até 21 de março de 2010

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 3:36 PM | Comentários(0)
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