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outubro 31, 2007

Exposição demonstra que MuBE mantém incoerência, por Fabio Cypriano, Folha de São Paulo

Exposição demonstra que MuBE mantém incoerência

Matéria de Fabio Cypriano, originalmente publicada na Folha de São Paulo, no dia 25 de setembro de 2007

Com "Deuses", nova curadoria desrespeita vocação do espaço para esculturas

Há anos, o Museu Brasileiro de Escultura (MuBE) passou a ser conhecido como "museu de aluguel", sem um programa de exposições coerente, mas alocando seu espaço a todo tipo de produção, independentemente de sua qualidade.

Desacreditada e em disputa jurídica com a prefeitura, que revogou a cessão do espaço, a direção do MuBE decidiu mostrar sinais de mudança: cassou o mandato de sua então presidente, Marilisa Rathsam, que por 12 anos esteve à frente da instituição, colocando em seu lugar Jorge Landmann.

A primeira ação do novo presidente foi indicar um curador para o espaço, o crítico Jacob Klintowitz, sinalizando que o MuBE passaria a buscar um pouco mais de coerência na programação artística.

"Deuses", mostra com obras de Sérgio Lucena, em cartaz até o próximo domingo, é a primeira ação visível da curadoria e deveria funcionar como o sinal de mudança que se esperava do museu. Não é o que acontece.

Para começar, o curador desrespeita a vocação do espaço, um museu para escultura, e escolhe um artista cujo suporte principal é a pintura, o que demandou a construção de paredes onde Paulo Mendes da Rocha criou amplos espaços para obras tridimensionais.

Reformas
A nova arquitetura, a cargo de Danielle Klintowitz, filha do curador, ocupa apenas parte do espaço expositivo, fazendo com que as obras estejam amontoadas e até mesmo dispostas abaixo de um corrimão, área que dificilmente Mendes da Rocha teria previsto como espaço expositivo.

Assim, a mesma desconsideração que a gestão anterior vinha imprimindo ao caráter do museu continua sendo praticada na nova gestão. Já quanto à seleção artística propriamente dita, Klintowitz apresenta trabalhos que estão pouco inseridos na produção contemporânea que costuma ser exibida em instituições museológicas. Mesmo em meio a uma crise que se arrasta há anos, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) jamais chegou a uma situação parecida.

Aliás, ambas as instituições passam por momentos parecidos, buscando reverter situações de crise. No Masp, também foi escolhido um novo curador, Teixeira Coelho, o que tem dado nova cara ao museu, com duas boas mostras atualmente em cartaz -mesmo que nenhuma delas seja iniciativa própria da instituição.

No MuBE, contudo, a situação de crise não parece contornada e nem dá sinais de reversão a curto prazo. O discurso de mudança da nova presidência não condiz com a mostra atualmente em cartaz, de onde se deduz que o movimento que se viu por enquanto é de mudar para não mudar.

Posted by João Domingues at 11:01 AM | Comentários(1)
Comments

Há uma discussão cada vez mais presente e urgente com relação à capacitação de profissionais na área de museologia, poucas são as universidades que tem curso especifico de graduação nessa área no Brasil. Talvez, dentre outras coisas, seja esse um dos problemas crônicos que comprometem as instituições culturais de nosso país sejam elas publicas ou privadas. O exemplo se configura no MuBE, temos uma diretoria empresarial e não museológica, não há capacitação e nem tão pouco profissionalização. É um espaço que perdeu a sua característica de museu especifico de escultura, que deveria ter a responsabilidade e o objetivo de guardar a memória, arquivar a história do pouco acervo que tem em seus jardins. Não há ali, que eu saiba, um departamento especifico e técnico de preservação. Tornou-se uma vitrine de aluguel, aluga-se paredes para artistas que não tem representatividade contemporânea. Vou ainda mais longe, qualquer artista que tenha verba e a sua frente um "curador" contratado, tem agenda reservada. Isso é fato, já acontecia muito antes da crise.
No II Simpósio Internacional de Arte Contemporânea, realizado nos dias 28, 29 e 30/10 no Paço das Artes USP, com o tema: "ESPAÇO, ACELERAÇÃO E AMNÉSIA" além de muitos outros pontos, foram discutidos e colocados apontamentos para o museu do futuro, quais as preocupações de como guardar e manter os arquivos das produções contemporâneas que hoje se produz, a adequação tecnológica, a capacitação profissional...Etc. Enfim, o upgrade que nossos museus deverão fazer nos próximos 10 anos. Marcelo Matto Araujo ( museólogo e diretor da Pinacoteca SP, convidado para mesa de debates do II simpósio) destacou a importância dos museus terem na direção, gestores profissionais da área de museolgia, que isso seria um dos primeiros passos fundamentais para as mudanças no contexto presente. O MuBE está muito distante dessas transformações, acho que o processo é irreversível, o TJ terá que tomar uma decisão consciente, pois não estamos tratando de interesses empresariais de um grupo e sim da vida e manutenção de um museu de escultura que tem como objetivo irradiar o conhecimento, guardar e conservar a memória...ta dado o recado. Roberto Silva/ artista plástico.

Posted by: Roberto Silva at outubro 31, 2007 6:10 PM
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