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dezembro 13, 2004
Secretaria de Cultura de BH deve ser extinta este ano, por Sílvio Crespo
Matéria de Sílvio Crespo, originalmente publicada no sítio Cultura e Mercado, no dia 10 de dezembro de 2004.
Secretaria de Cultura de BH deve ser extinta este ano
Câmara de Vereadores marcou para a próxima segunda-feira a substituição do órgão por fundação subordinada diretamente ao prefeito; classe artística já se conforma com a decisão
Sílvio Crespo
Está marcada para a próxima segunda-feira, 13, a votação, na Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, do projeto de lei que elimina a Secretaria Municipal de Cultura e cria, em substituição, uma fundação ligada diretamente ao Gabinete do Prefeito. O projeto faz parte de uma reforma geral que a Prefeitura realizará no secretariado.
Por reivindicação do Fórum Permanente de Cultura de Belo Horizonte, que é contra a extinção da Secretaria, será criado um Conselho Municipal de Cultura com caráter deliberativo, para dar à futura fundação alguma autonomia em relação ao prefeito. A Prefeitura não abriu mão da substituição da Secretaria pela fundação, mas acabou acatando, em reunião na noite desta sexta-feira 11, ao menos a criação do Conselho.
Após a reunião, o clima entre representantes da classe artística é de que haverá perda, mas não será tão grande quanto se cogitou algumas semanas atrás. O Fórum marcou para este sábado, às 13h, uma assembléia aberta à classe artística em que será deliberado se o setor aprova ou não as mudanças. De qualquer modo, a votação na Câmara está prevista para segunda.
Surpresa
A proposta original do Executivo, apresentada a público a menos de um mês, era a subordinação da área cultural da prefeitura a uma nova secretaria, encarregada do setor de políticas sociais. "Nós fomos surpreendidos. Quando eles [representantes da prefeitura] marcaram uma reunião [com entidades culturais] foi só para nos comunicar", diz Magdalena Rodrigues, presidente do Sated-MG (Sindicato dos Artistas e Técnicos de Minas Gerais).
Entidades que representam artistas e produtores culturais não gostaram nem um pouco da idéia. "Da forma como está sendo criada, a fundação será uma captadora de recursos para projetos culturais da prefeitura, e vai concorrer com os produtores independentes" diz Pedro Paulo Cava, do Sinparc-MG (Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas de Minas Gerais).
O Fórum de Cultura, que reúne o Sinparc, o Sated, o Fórum das Casas de Espetáculos e o Movimento dos Teatros de Grupo, entre outras organizações, temia ainda que a área cultural perdesse importância na prefeitura, com a subordinação da área cultural a uma outra secretaria. Esta resolveu, então, que a futura fundação de cultura será ligada diretamente ao Gabinete do Prefeito. O receio, a partir daí, passou a ser a perda de autonomia do novo órgão. O Fórum, em resposta, reivindicou a criação do Conselho Municipal de Cultura, acatado na reunião desta sexta.
Agilidade
Segundo o vereador Arnaldo Godoy, explicitamente favorável à proposta da Prefeitura, com a criação da prefeitura serão abertos concursos públicos para 135 cargos de nível superior e 140 de nível médio. "Isso é uma reivindicação do movimento cultural da cidade", diz. Ele, que é cotado para assumir o novo órgão, garante que a Fundação não terá menos recursos orçamentários que a atual Secretaria de Cultura. "O objetivo é conseguir chegar a 2% do orçamento", o triplo do que é hoje, diz Godoy.
Como ponto positivo da criação da Fundação, Godoy aponta a agilidade. "Ela vai ter mais mobilidade para estabelecer convênios nacionais, internacionais e captação de recursos. A fundação foge da burocracia". A Prefeitura de Belo Horizonte, procurada por Cultura e Mercado, afirmou que só dará declarações sobre a proposta depois o projeto for aprovado na Câmara.
Gostaria de me inserir junto ao abaixo assinado contra esse descalabro da extinção da Secretaria Municipal de Cultura de Belo Horizonte.
Espero que o novo Conselho a ser criado funcione como um anteparo às barbaries cometidas contra às artes de uma forma geral.
Sugiro tambem que se faça uma verificação para saber se legalmente uma Secretaria pode ser simplesmente extinta sem um programa que dê continuidade ao que tem sido feito.
