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setembro 28, 2020

Mostra online de Aldo Tambellini na Casanova

Casanova abre a primeira mostra online do artista Aldo Tambellini: Depois de uma sala solo na Tate Modern, em Londres, o artista experimental mostra um conjunto de obras exclusivas e inéditas

Aldo Tambellini é um artista americano-italiano, reconhecido internacionalmente por um trabalho pioneiro que explorou as novas tecnologias da década de 1960, combinando slides, fotografias, filmes e também pintura, áudio, arte cinética e performance.

Conversa ao vivo com a curadora Jane de Almeida e o galerista Adriano Casanova, no sábado, 3 de outubro de 2020, às 11h, no online.casanovaarte.com/live.

A exposição “No princípio era tudo negro”, realizada online, apresenta obras inéditas de Tambellini no Brasil, com grande variedade de mídias e elementos a serem explorados por uma audiência que vê pela primeira vez o conjunto pulsante da uma obra singular. Juntamente com esse acervo, proveniente da Harvard Filme Archive, mostra também cartões postais e cartas, apresentando internacionalmente uma relação pouco conhecida de Tambellini com São Paulo.

Nos últimos anos, Aldo Tambellini tem exibido seus trabalhos em importantes centros como a Tate Modern (2012 e 2020), MoMA (2013), ZKM (2020), Centre Georges Pompidou (2012) e a Bienal de Veneza (2015). Este reconhecimento recente reflete suas obras pioneiras no cenário artístico de Nova York durante 1950 e 1960, com peças dedicadas ao ativismo político e preocupações filosóficas sobre a comunidade artística.

Nesta exposição, produzida em parceria com a Fundação Tambellini e A galeria CASANOVA, estão sendo exibidos os filmes da série Black (1965-1969), bem como um conjunto de obras fotográficas e áudio-poemas, agrupados online para uma visão geral do trabalho prolífico do artista.

Tambellini interveio nos filmes em sua fisicalidade, para discutir a materialidade do meio, raspando a película e usando química e tinta para repintar os quadros. Partindo de questões filosóficas sobre a matéria negra, sua produção artística encontra um forte ativismo político do movimento negro com as vozes de manifestações dos anos 60 nos Estados Unidos. Seus filmes combinam sons variados como uma bateria africana e comentários sobre o assassinato de Bobby Kennedy, além de imagens abstratas de rostos de políticos e negros, além de imagens de televisão. O espectador se surpreenderá com a atualidade temática e visual de seus métodos na década de 1960, como o racismo, protestos, telas divididas, projeções com múltiplas telas. No entanto, as composições inquietantes de abstrações imagéticas e sonoras conferem à sua obra uma potência que transpõe a curiosidade histórica.

Acima de tudo, há uma referência importante nas obras de Tambellini: a junção do conceito de preto em diferentes nuances – o preto do racismo, o preto como um princípio da física atômica e o preto como o início da civilização humana. Os negativos e as imagens do filme articulam diferentes formas de abstração obsessiva do preto, evidenciando aquilo que Tambellini afirma a respeito de seus filmes como “pinturas em movimento”.

Além dos filmes, serão exibidas duas séries de fotografias abstratas, chamadas Videogramas e Lumagramas, trabalhos feitos com impressão direta da tela de vídeo sem uso de câmera. A exposição terá ainda o privilégio de apresentar as cartas e cartões postais do período em que Tambellini viveu em São Paulo, com vívida introspecção sobre a cultura de seus antepassados brasileiros. Seu avô paterno italiano, Paul, foi um plantador de café em São Paulo, local onde nasceu seu pai John. Em 1983, após a sua apresentação na Bienal de São Paulo, como representante do MIT (Massachusetts Institute of Technology), Aldo Tambellini explorou a região e escreveu cartas para sua companheira da época relatando as cores, os sons, as sensações que vivenciou nessa ocasião, assim como seus encontros artísticos com os pioneiros da arte “eletrônica” da época no Brasil.

A mostra estará disponível online de setembro até o final de dezembro de 2020. Durante este período, será atualizada com uma série de entrevistas em vídeo com curadores, e uma conversa especial ao vivo com a curadora Jane de Almeida e o galerista Adriano Casanova, no sábado, 3 de outubro de 2020, às 11h, no online.casanovaarte.com/live.

Posted by Patricia Canetti at 5:45 PM

Até logo, até já na Casa do Pontal - Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro

Fechada desde o início da pandemia, instituição que é referência em arte popular brasileira ficará aberta de 3 de outubro até 28 de novembro, quando o público poderá ver obras emblemáticas da coleção. A inauguração da nova sede está prevista para o segundo trimestre de 2021.

O Museu Casa do Pontal (Estrada do Pontal, 3.295, Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro), referência em arte popular brasileira, com mais de nove mil obras de 300 artistas brasileiros – o maior e mais significativo acervo deste segmento no país –, estará aberto ao público de 3 de outubro a 28 de novembro de 2020. O motivo é o momento de despedida e de celebração, pois após dez anos de lutas constantes contra as inundações que passaram a assolar o raro acervo a instituição começa a transferir suas obras para a nova sede, na Barra da Tijuca, próximo à Cidade das Artes e do Barra Shopping, onde estarão em segurança. O Museu estava fechado desde março, por causa da pandemia do Covid-19.

Na exposição “Até logo, até já”, conhecida pelo público como “permanente”, pois contém destaques do acervo, estarão cerca de duas mil obras, que só serão transferidas para a nova sede na Barra da Tijuca em novembro, após o encerramento da mostra. As demais sete mil peças, guardadas na reserva técnica, ou em itinerância, já começam a seguir para o novo espaço em outubro.

Graças a campanhas de financiamento coletivo, a que aderiram entusiastas do Museu, foram retomadas as obras da construção da nova sede, que ficaram paralisadas por mais de dois anos. Lucas Van de Beuque, diretor-executivo do Museu diz que “este é um momento de agradecimento e de boas notícias”. A diretora-curadora do Museu, Angela Mascelani, destaca: “Estamos dedicando esta reabertura na sede histórica, que durará um mês, aos afetos e aos corações. Aos que aqui se apaixonaram, aos que seguiram as trilhas da cultura popular, aos que dançaram em nossos jardins e terreiros. Aos que querem continuar nessa aventura multicultural”.

Durante a pandemia, o Museu Casa do Pontal promoveu lives em seus canais digitais, fazendo viagens temáticas pelas Festas Juninas de Pernambuco; pelo Bumba-meu-Boi, do Maranhão; pelos territórios culturais do Vale do Jequitinhonha, em Minas, e do Cariri, região que abrange Ceará, Pernambuco, Piauí e Paraíba. Um “terreiro virtual” com arte e manifestações de todo o Brasil.

Ao longo de seus 44 anos de história, o Museu coleciona fãs por toda parte. Entre os vários depoimentos que já recebeu, de artistas, pensadores, colecionadores, dirigentes de instituições culturais, empresários, entre outros, estão os de José Saramago, Gilberto Gil, Edgar Morin, Marieta Severo, Bia Lessa, Paulo de Barros, Otto, Osgêmeos, Emanoel Araújo e Danilo Miranda. Em texto anexo estão alguns trechos desses depoimentos.

Leia alguns depoimentos e saiba mais sobre a mudança do Museu Casa do Pontal para a nova sede.

PERCURSO COM OITO TEMAS

O percurso da exposição está dividido em oito temas: Profissões, Mestre Vitalino, Vida Rural, Ciclo da Vida, Circo, Arte Incomum, Religião e Ex-voto, e Escolas de Samba.

As obras ocupam os dois andares da casa, e são acompanhadas por textos explicativos em português, inglês e francês, ampliações fotográficas com imagens dos artistas e de festas populares. Produzidas desde meados de 1940 até hoje, as obras são representativas do universo cultural brasileiro, com suas variadas culturas rurais e urbanas.

As galerias mais atingidas pelas inundações fazem parte do circuito, mas sem acesso ao público. Próximo a sua entrada, estará o vídeo/instalação “Retirantes” (2019), de Martha Niklaus. O vídeo de 9'4"criado pela artista carioca, para a exposição de arte contemporânea “Inundação”, realizada no museu e curada por Marcelo Campos, faz referência às muitas inundações sofridas pela instituição entre 2010 e 2019. Inspirado nas obras de Mestre Vitalino e Zé Caboclo, presentes na exposição, o trabalho fala do “desmoronamento das figuras de barro que cria uma atmosfera apocalíptica e germinal, como as experiências limítrofes vividas nas grandes catástrofes, guerras, enchentes e pandemias", explica Martha.

Obras que ficavam no mobiliário mais baixo foram retiradas para a reserva técnica, para não sofrerem riscos em eventuais enchentes.

MEDIDAS CONTRA O COVID

O Museu Casa do Pontal receberá em segurança o público. Não será necessário agendamento prévio, mas o uso de máscaras será obrigatório. Haverá aferição de temperatura, tótens com álcool gel espalhados pelo circuito expositivo, e controle de quantidade de visitantes na área interna. Os visitantes poderão usufruir da área externa, agrupados por núcleo familiar. A equipe de funcionários usará além de máscaras o protetor de rosto (face shield). Grupos prioritários terão atendimento especial.

MUSEU CASA DO PONTAL

Fundado em 1976 pelo artista e colecionador francês Jacques Van de Beuque (1922-2000), o Museu Casa do Pontal, instalado em um terreno de cinco mil metros no Recreio dos Bandeirantes, no Rio, é referência em arte popular brasileira, e considerado o maior e mais significativo acervo do gênero no país, com mais de nove mil obras de 300 artistas. As peças reunidas são resultado de pesquisas e viagens feitas por Jacques Van de Beuque pelo Brasil desde a década de 1950 até 1990. Novas pesquisas e aquisições foram realizadas nas últimas décadas sendo conduzidas por Angela Mascelani, diretora e curadora do Museu do Pontal. Coleções de outros pesquisadores e apaixonados pela arte popular foram também doadas à instituição, ampliando a abrangência e relevância desse importante acervo.

Em seus mais de 40 anos de atividades, o Museu Casa do Pontal se empenhou em construir alicerces que permitem que o seu acervo seja socialmente protegido e amplamente usufruído. Mais de 2 milhões de pessoas estiveram ou participaram de algumas das múltiplas ações realizadas. Foram exibidas 70 exposições parciais do acervo no Brasil e em mais 15 países. No programa social e educacional, mais de 500 mil estudantes, desde 1996, fizeram visitas musicadas e teatralizadas ao acervo, vendo e ouvindo as histórias que formam essa grande colcha de retalhos culturais que é o Brasil. O setor de pesquisa, produziu conteúdos sobre os artistas e mestres da cultura popular, foram filmes, livros, catálogos, seminários e um amplo material disponibilizado no site da instituição e nas redes sociais. Fazendo do Museu do Pontal uma instituição que vibra e se aprofunda nas variadas expressões culturais do Brasil.

Para o sucesso de todos estes esforços, estão sendo essenciais as parcerias. Hoje os patronos do Museu do Pontal são BNDES, VALE e ITAÚ, além da parceria do IBRAM e Secretaria Especial de Cultura.

ARTISTAS E OBRAS

Antonio de Oliveira (1912 - 1996)
Antonio de Oliveira é um artista que valoriza a memória. Sua obra nos permite viajar no tempo. E nos recorda das mudanças havidas tanto nos meios de transporte, nos estilos de vida, como nas práticas sociais e nas relações de gênero. Se, por um lado, ele acentua as diferenças entre meninos e meninas em suas brincadeiras, por outro, não é normativo. Seu olhar apenas registra a realidade vivida.

Antônio de Oliveira nasceu em 1912, em Belmiro Braga, no interior de Minas Gerais. Aos 6 anos, começa a esculpir carrinhos de bois e outras peças com as quais brinca. Na adolescência, trabalha consertando móveis durante o dia e esculpindo "bonecos" à noite. Empreendedor, realiza inúmeras atividades antes de dedicar-se prioritariamente à escultura em madeira, tendo inclusive fundado o primeiro cinema de sua cidade natal. Seduzido pela possibilidade de contar histórias com seus conjuntos de esculturas miniaturizadas, Antônio de Oliveira entregou-se com paixão à recriação de cenas reais ou imaginárias, que compunham o que chamava de "meu mundo encantado". Refletiu sobre seu processo de criação, deixando muitas observações escritas e gravadas. Morreu em 1996, na terra natal, sem conseguir realizar o sonho de ver sua produção reunida num museu, na cidade em que viveu e que pretendeu imortalizar nas obras. Atualmente, a maior parte de seu acervo integra a coleção do Museu Casa do Pontal.

Adalton Fernandes Lopes (1938-2005)
Nascido em Niterói, Adalton fez grandes obras, articuladas, nas quais os personagens se movimentam por acionamento elétrico. São suas criações: a vida de Cristo, a Folia de Reis no morro do Buraco do Boi, em Barreto, Niterói, o carnaval no sambódromo. Todas essas obras poderão ser vistas na exposição que se despede do público. E não apenas. Também criou um vasto repertório sobre a vida nas ruas e praças, com jogos e brincadeiras de adultos. Suas modelagens mostram que os moradores das áreas centrais e das periferias fazem das ruas a extensão de suas casas. E nos provoca a pensar: o que se transforma? O que permanece desse ethos, dessa forma de sociabilidade? São marcas importantes, que apresentam diferentes visões da cidade e destacam o perfil social da vida urbana carioca. Também poderá ser vista do artista a instalação “Escola de Samba”, de Adalton, com seus mais de 300 personagens articulados que se movimentam ao ritmo do samba.

Em 1938, nasce Adalton Fernandes Lopes, em Niterói, no Rio de Janeiro. Antes de se dedicar inteiramente aos trabalhos na cerâmica, foi pescador, soldado da Polícia Militar, motorista e funcionário da Companhia Costeira do Ministério dos Transportes. Dotado de rica imaginação, em suas obras evidenciam-se a observação perspicaz do cotidiano e das alegrias da vida mundana. Trabalha com extenso e variado leque temático: da arte erótica à vida de Cristo, passando por vendedores ambulantes, cenas de namoro, casamento e parto. Obcecado pelo desejo de "dar vida" a seus personagens, criou engenhocas imensas, onde centenas de figuras articuladas movimentam-se animadamente. Seus "bonecos" são inconfundíveis e apresentam uma visão especial da vida urbana. Ele faleceu em novembro de 2005.

Zé Caboclo (1921-1973)
Acima, a obra “Bom dia”, que inspirou o escritor e Prêmio Nobel de Literatura José Saramago a escrever o livro “A Caverna”. Neste livro, lançado em 2001, pela Cia das Letras, o argumento central discute a relação entre o mundo artesanal da olaria e suas relações com as questões contemporâneas, sobretudo as questões ligadas aos controles sociais, e ao novo mundo das relações não pessoalizadas.

Em 1921, nasce José Antônio da Silva, no Alto do Moura, PE. Aprende a trabalhar o barro nas brincadeiras infantis, observando a mãe e uma irmã que se dedicavam ao artesanato utilitário. Casou-se com Celestina Rodrigues de Oliveira, com quem teve oito filhos, vindo a constituir uma verdadeira oficina de cerâmica familiar, que deu origem a uma produção rica e diversificada. Conhecido pelo apelido Zé Caboclo, tornou-se um dos mais conceituados artistas de Caruaru. Contribuiu de maneira decisiva, junto com Vitalino e Manuel Eudócio, seu cunhado, para marcar um estilo na arte dos bonecos de barro daquela região. Em parceria com esse último, inovou técnicas e formas, adotando o uso do arame na estrutura das esculturas e a feitura do olho em alto relevo, ao invés de fazê-los furadinhos. São de sua autoria as alegres moringas antropomorfas de grandes dimensões, como "Lampião e Maria Bonita", as esculturas da Virgem Maria e as impactantes figuras do Bumba-meu-boi e do Maracatu. Também criou temas originais, oferecendo uma leitura singela e irônica dos profissionais liberais: dentistas, advogados etc. Na pintura de suas obras, utiliza cores vibrantes e decoração floral. Seus filhos, Antônio, Zé Antônio, Paulo, Horácio, Marliete, Socorro, Carmélia e Helena são artistas reconhecidos. Faleceu precocemente, em 1973, vítima de esquistossomose.

Noemisa Batista (1947)
Embora tivesse fascinação pela escola, pelos rituais festivos ligados ao catolicismo, como o casamento e os batizados, seu contato com a cidade era ocasional. Sua obra fala desse mundo admirado e desejado. E também do dia a dia, com a feitura de pães e bolos, no forno a lenha. Provavelmente foi a primeira artista do Vale do Jequitinhonha a criar com regularidade as noivas no dia de suas bodas. Suas criações, leves, bonitas e ousadas, nos contam sobre a riqueza de seu mundo interior, no qual as fronteiras do vivido são expandidas pelo imaginado.

Noemisa Batista dos Santos nasce nas cercanias de Caraí, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, em 1947. Muito jovem, aprende a modelar o barro com a mãe, que era paneleira. Criou estilo e temática próprios, com cenas de batizado e casamento de impactante beleza. Utilizando apenas a tabatinga branca, obtém efeitos contrastados sobre o tom do barro cozido. Em suas obras, as flores e outros detalhes disputam a atenção do olhar com o tema principal, o que particulariza seu trabalho. Apesar de muito conhecida, reputada como uma das mais criativas artistas de sua região, vive isolada e em condições econômicas difíceis.

Mestre Vitalino (1909-1963)
Vitalino criou uma narrativa visual expressiva sobre a vida no campo e nas vilas do interior pernambucano. Fez esculturas antológicas, que poderão ser vistas no Museu do Pontal como “Casal no boi”, “Noivos a cavalo”, “Caçador de onça”, “Encontro na feira”, entre outras. “Eu, além de analfabeto, criei-me trancado vivo”, contou um dia ao pesquisador René Ribeiro, um de seus mais abalizados biógrafos. Essa difícil realidade, compartilhada com a maioria dos lavradores/artesãos de sua região, não impediu que o trabalho nascido nas cercanias de Caruaru desse origem a um dos maiores polos produtores de artesanato figurativo popular no país, que tem revelado importantes artistas ao longo dos anos.

Em 1909, nasce Vitalino Pereira dos Santos, na pequena vila de Ribeira dos Santos, próximo a Caruaru (PE). Criado em ambiente oleiro, cedo começa a modelar boizinhos, louças em miniatura e outros brinquedos, para serem vendidos na feira local. Dotado de forte senso estético, produz obras que, na maturidade, atraem a atenção de críticos e colecionadores de arte. Em 1947, por iniciativa do pintor Augusto Rodrigues, de quem se torna amigo, tem algumas esculturas expostas no Rio de Janeiro, com sucesso. Esta exposição é hoje considerada um marco na história do interesse pela arte popular, não só por revelar ao grande público a obra de Vitalino, como também por chamar a atenção sobre a existência desse gênero de criação em diferentes regiões do país. É reconhecido como Mestre por sua virtuose e pela liderança que exerceu entre os ceramistas do Alto do Moura. Entre 1960 e a data de sua morte, em 1963, viajou por todo o Brasil, participando de exposições e mostrando sua técnica. Apesar de ter se tornado famoso, faleceu aos 53 anos, muito pobre, vítima de doença contagiosa. Sua memória continuou a ser cultivada depois da morte, não só pelo público em geral como pela família e os amigos, muitos dos quais ajudou a formar.

Vitalino virou lenda e personagem da cultura de massa, numa atualização do interesse que a temática sertaneja despertava no imaginário nacional desde o século XIX. De padre Cícero e Antonio Conselheiro ao fim do cangaço, com a morte de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, em 1938, os símbolos da cultura popular nordestina corriam o país e ganhavam as artes. Em 1953, o filme “O Cangaceiro”, de Lima Barreto, recebeu no Festival de Cannes, na França, o Prêmio Especial do Júri na categoria de melhor filme de aventuras. Até aquele momento, o filme foi a produção nacional de maior sucesso de bilheteria no Brasil e no exterior. Na literatura – que punha em xeque a erudição acadêmica, revelando a sofisticação presente na linguagem popular –, o exemplo paradigmático foi Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa (1956). A temática regional voltou a ter destaque no cinema em 1962, com a vitória em Cannes do filme “O pagador de promessas”, de Anselmo Duarte.

Manuel Galdino (1929-1996)
Suas criações formam um repertório de obras delirantes e originais, consagrando os monstros autofágicos, e outros personagens de forte conteúdo onírico, como Lampião-Sereia e São Francisco Cangaceiro.
Manuel Galdino de Freitas nasceu em 1929, na cidade pernambucana de São Caetano, próximo ao Alto do Moura. Em 1940, se muda para Caruaru (PE), onde passa a trabalhar em olaria, fazendo telhas e tijolos. Casa-se com Maria Rendeira e tem três filhos. Torna-se funcionário municipal, trabalhando na construção civil. Nas horas vagas, se distrai modelando figuras de barro, entre elas a de Judas, para as brincadeiras de malhação da Semana Santa. Sua trajetória como artista tem início a partir de 1974, quando é destacado pela prefeitura para executar serviços no Alto do Moura, onde faz amigos que o introduzem na arte de "bonecos", principal atividade local. Apaixona-se de tal maneira pela modelagem em cerâmica, que se despede do trabalho público, vende a casa que possuía em Caruaru e se muda com a família, definitivamente, para o Alto do Moura. Tenta vários negócios alternativos, ao mesmo tempo em que se dedica febrilmente à produção de novos bonecos. Logo passa a ser reconhecido como um dos mais fecundos ceramistas do Alto Moura. Manuel Galdino morre no Alto do Moura, em 1996.

Maria Assunção (1940-2002)
Maria Assunção Ribeiro se dedicou à produção de esculturas em barro cru. Em suas obras, a artista criou um universo imagético inédito, documentando a vida cotidiana da população afrodescendente, pretos e pretas que viviam nas roças e pequenas vilas de sua região (Vale do Jequitinhonha, MG). Suas modelagens nos revelam a riqueza da vida cotidiana, com ênfase na em aspectos da vida familiar, a relação com as crianças, o trabalho e a religiosidade. Depois que ela faleceu, o artista João Alves deu continuidade ao seu trabalho e hoje, além dele, outros artesãos também se dedicam à mesma temática.

Maria Assunção Ribeiro nasceu em 08 de agosto de 1940, em Taiobeiras, Minas Gerais. Dedicou-se à produção de esculturas em barro cru, tendo aprendido a trabalhar a argila com a mãe, Anália de Oliveira. Em suas obras criou uma etnografia da vida rural. Suas esculturas de pequenos formatos, nas quais todos os personagens são negros, contemplou as atividades cotidianas: os afazeres domésticos, o trabalho na roça, as atividades espirituais e outras. Por meio do trabalho de outros artesãos em sua região, o estilo que a tornou famosa teve prosseguimento. Faleceu em 2002.

João Alves (1964)
Ceramista, produz peças coloridas, nas quais privilegia a representação do cotidiano de pessoas negras, que vivem no campo.

Em 1964, nasce João Alves na pequena Taiobeiras, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Chama a atenção a sensibilidade com que reconstrói a realidade, traduzida por cenas em que aparecem homens e mulheres flagrados no diaa dia: cuidando dos filhos, em família, no trabalho e na casa.

Celestino (1952)
Cena de forró, em Juazeiro do Norte, Ceará, foi um dos temas tratados nas lives produzidas pelo Museu do Pontal que abordaram o universo cultural e mágico do Cariri. O Cariri é uma região geográfica que, no dizer de Alemberg Quindins, fundador da Fundação Casa Grande, é uma espécie de síntese ou resumo do nordeste. Engloba quatro estados: Ceará, Pernambuco, Piauí e Paraíba.

José Celestino da Silva nasceu em 1952 na cidade de Juazeiro do Norte (CE). Cresceu vendo o trabalho de seu pai e de seu avô na produção de arapucas e apitos de pio. Embora mantivesse contato com a madeira desde a infância, seu primeiro trabalho foi como auxiliar de ourives. Só após sair da ourivesaria iniciou seu aprendizado com madeira produzindo artefatos junto ao avô materno. Mas foi sob a influência de um pernambucano, José Ferreira da Silva, que também trabalhava na oficina de seu avô, que Celestino começou a fabricar apitos em forma de mulheres. A partir desse novo estilo, no qual a figura humana ganha relevância, o artista amplia seu repertório de obras e passa a produzir também santos, mamulengos, cenas de reisado, detalhes das festas e obras de conteúdo social, como greves e reivindicações populares.

Dadinho (1931-2006)
Dadinho, com suas obras de grande porte, “Cidades Tentaculares”, chama a atenção para a arquitetura orgânica, não planejada, que marca a vida no Rio de Janeiro, sobrepondo arranha-céus, ruas e viadutos, com ênfase para o território montanhoso e a ocupação das encostas e morros. Espaços urbanos, que se tornam espaços afetivos e referenciais aos que os habitam ou os visitam. Que dão origem a cartografias marcadas pelas experiências comuns, pelos valores cultivados coletivamente, pelas alegrias vividas, pelas lutas e dificuldades, pelas relações que estabelecem com seus espaços públicos.

Em 1931, nasce Geraldo Marçal dos Reis na cidade de Diamantina, em Minas Gerais. Seus primeiros contatos com a madeira se dão por iniciativa do pai, Pedro, que o introduz no ofício de carpinteiro. Entretanto, a habilidade para a escultura inventiva é descoberta por acaso, ao entalhar pequenas figuras numa casca de laranja que atraiu a atenção de quantos a viram, encontrando inesperado comprador. Extremamente habilidoso, esculpe em pedra-sabão e em cera (ex-voto) antes de iniciar sua trajetória artística, que ganha impulso a partir de 1977, no Rio de Janeiro. Fascinado pelas formas de raízes e troncos, passa a esculpir cidades em conjuntos altamente sofisticados, inspirados em Nova Iguaçu, onde reside, na Baixada Fluminense, zona metropolitana do Rio de Janeiro. Sua criação é impactante e, na Casa do Pontal (RJ) podem ser vistas suas imponentes cidades tentaculares. Faleceu em 2006.

Nino (1920-2002)
Nino faz parte dos grandes escultores cearenses, cujas produções se deram ou se dão estimuladas pela grande circulação de pessoas que participam de romarias e peregrinações a lugares sagrados, como os estabelecidos em Juazeiro do Norte em torno da figura Padre Cícero.

João Cosmo Félix nasce em 1920, em Juazeiro do Norte, interior do estado do Ceará. Antes de talhar figuras em madeira, trabalhou nos engenhos de cana-de-açúcar e foi ferreiro. Voltando-se para o trabalho de escultura, desenvolve estilo original, cujo impacto reside na interpretação personalíssima do cotidiano e do imaginário ligado às festas e mitos populares. Em imburana e timbaúba, inicia-se produzindo brinquedos: macacos com rabo de corda, dos quais passa para a construção de grandes "bonecos", representando figuras humanas ligadas à história do cangaço. Depois passou a abordar temas diversificados, e em suas esculturas, feitas em troncos vigorosos, se destacam como formas recorrentes os animais (pássaros, peixes, cavalos, cabras etc.) assim como personagens e cenas do reisado. Pinta detalhes, ou a peça inteira, utilizando cores contrastantes em tinta a óleo. Faleceu em agosto de 2002.

Luiz Antonio (1935)
Suas obras são facilmente identificadas, pois inventou cenas e tipos até então inexistentes, entre os quais destacam-se: o fotógrafo, eletricistas consertando transformadores, automóveis, trem de ferro, fábrica de telha de canal etc.

Em 1935, nasce Luiz Antônio da Silva no vilarejo Alto do Moura, na cidade pernambucana de Caruaru. Com a mãe louceira, aprende a modelar o barro, mas atribui sua iniciação profissional a Mestre Vitalino, com quem aprimora a técnica. Casa-se com Odete, com quem tem nove filhos. Além de criar tipos regionais, especializou-se na representação de temas urbanos, especialmente ligados ao progresso e ao uso das máquinas.

Material de imprensa realizado por CWeA Comunicação

Posted by Patricia Canetti at 4:44 PM

Museu Casa do Pontal anuncia transferência de seu acervo para a nova sede na Barra da Tijuca

Museu Casa do Pontal, referência em arte popular no país, se prepara para transferir seu acervo para a nova sede, na Barra da Tijuca

Após dez anos de lutas contínuas para manter em segurança suas quase nove mil obras, de 300 artistas populares brasileiros, serão levadas a partir de outubro para o novo espaço as sete mil obras guardadas atualmente na reserva técnica da instituição. As demais duas mil peças, reunidas na exposição permanente na sede histórica do Pontal, no Recreio, poderão ser vistas pelo público, gratuitamente, a partir de 3 de outubro até 8 de novembro, na exposição Até logo, até já, antes de também seguirem para a nova sede.

O Museu Casa do Pontal, referência em arte popular, com o maior acervo deste segmento no país, com cerca de nove mil obras de 300 artistas brasileiros, anuncia a transferência de seu acervo para a nova sede, na Barra da Tijuca. A mudança se dará em dois momentos: em outubro, começarão a seguir para o novo espaço cerca de sete mil obras que estão atualmente na reserva técnica do Museu ou em itinerância fora (SESC Santos). Enquanto isso, o público poderá ver na sede histórica do Pontal, dentro de todos os protocolos exigidos no combate ao Covid-19, as obras reunidas na exposição permanente. Em novembro, seguirão para a nova sede na Barra também essas obras do acervo que ficavam em exposição para o público, com cerca de duas mil peças. Na nova sede, as obras ficarão acondicionadas em um espaço seguro.

A nova sede do Museu Casa do Pontal será inaugurada no segundo trimestre de 2021, com uma grande exposição de longa duração, com os destaques de seu raro acervo. A finalização da obra, bem como todo o processo de mudança do delicado e histórico acervo são possíveis graças aos recursos do BNDES, do Itaú, da Vale e das pessoas que entenderam a importância de preservar este importante patrimônio brasileiro. Em um edifício projetado pelos premiados Arquitetos Associados, responsáveis pelas galerias de Inhotim, em Minas, com paisagismo assinado pelo escritório Burle Marx, a nova sede do Museu Casa do Pontal está localizada em terreno já consolidado, cercado de parques e reservas naturais, como o Bosque da Barra, próximo a três importantes escolas, e vizinho ao condomínio Alphaville, em local acessível, que concentra cerca de um milhão de habitantes.

Distante apenas quatro quilômetros do Barra Shopping e da Cidade das Artes, o novo espaço tem 14 mil metros quadrados de terreno, e 2.600 metros quadrados de área construída. Com brisa constante, e voltado para uma área verde, a nova sede do Museu possui ainda vista privilegiada para a Pedra da Gávea e para um trecho do Gigante Adormecido (o mitológico conjunto de montanhas que se estende por 20 quilômetros, da Barra ao Pão de Açúcar).

“Até chegar neste sonhado momento, já se somam mais de dez anos de lutas contínuas emuitas apreensões, desde que em 2010 o Museu sofreu a primeira das muitas inundações que colocaram em risco seu precioso acervo”, diz Lucas Van de Beuque, diretor-executivo da instituição. Fundado em 1976 pelo artista e colecionador francês Jacques Van de Beuque (1922-2000), o Museu Casa do Pontal até então nunca havia sofrido nenhum alagamento.

RITUAL DE PASSAGEM PARA O FUTURO

Angela Mascelani, diretora-curadora do Museu, comenta que “a sede construída por Jacques e animada por Guy (Van de Beuque) com tantos amigos, foi espaço de lutas, trabalho e de muitas alegrias. Inspirados pelos artistas populares, levaremos para a nova sede a tradição, transformada e viva”. “Estamos dedicando esta reabertura na sede histórica, que durará um mês, aos afetos e aos corações. Aos que aqui se apaixonaram, aos que seguiram as trilhas da cultura popular, aos que dançaram em nossos jardins e terreiros. É o axé das festas, é a energia dos artistas, é a farra das crianças e jovens que levaremos para o novo espaço. Com o principal acervo brasileiro de arte popular a salvo, tempos bons se avizinham! Vemos esta despedida como um ritual de passagem para o futuro. Um futuro que sonhamos: respeitoso ao meio ambiente, solidário e sustentado por muitas mãos!”, destaca.

Lucas Van de Beuque observa que “este é um momento de agradecimento, o que parecia ser o fim, com as constantes inundações, acabou virando uma grande campanha dos apaixonados pela arte e cultura popular do Brasil pela permanência do Museu do Pontal, demonstrando que nós, brasileiros, nos importamos com nosso patrimônio”.“Agora um novo futuro se desenha, e pretendemos antes do fim do ano ter a maior parte do acervojá na nova sede, para que esta e as próximas gerações continuem a ter um espaço importante de valorização da diversidade cultural brasileira”, afirma.

O estabelecimento da nova sede foi fruto de cinco anos de negociações com a Prefeitura. Um estudo realizado pela Coppe/UFRJ determinou como causa das inundações constantes os aterros para a construção de grandes condomínios na região. A Prefeitura reconheceu sua responsabilidade na questão, e cedeu, em 2015, um terreno na Barra da Tijuca por um período de 50 anos renováveis, e garantiu R$ 7,5 milhões – parte dos recursos de R$ 11 milhões necessários para a construção da nova sede – enquanto o Museu do Pontal arcaria com os R$3,5 milhões restantes. A empresa construtora Calper, que estava em dívida com a Prefeitura, seria responsável por destinar para a obra o valor referente à parte da administração municipal.

As obras começaram em junho de 2016 e estavam previstas para terminarem em julho de 2017, mas em maio daquele ano a construtora Calper quebrou o contrato, quando faltava destinar cerca de R$ 2 milhões de sua responsabilidade, e interrompeu o trabalho, sem finalizar a parte já construída, e sem edificar um terço do projeto.

NOVAS ESTRATÉGIAS: FINANCIAMENTO COLETIVO

A paralisação da construção da nova sede interrompeu todos os projetos do Museu. A direção do Museu então reduziu ao mínimo operacional os gastos e a equipe, e para seguir adiante lançou mão da reserva própria de R$1,5 milhão, usada criteriosamente desde 2016 para a manutenção do Museu, em seus constantes alagamentos.

Em abril de 2019, ocorreu a sexta e mais grave inundação, e um grande volume de água barrenta tomou os corredores do Museu, só não pondo fim ao acervo por conta da rapidez de funcionários e ex-funcionários que conseguiram retirar 300 obras que estavam prestes a serem atingidas pelo alagamento. O fato chocou cariocas e amantes do Museu e da arte em geral.

A direção do Museu Casa do Pontal decidiu desenhar novas estratégias, entre elas a de assumir a finalização da obra, lançando a campanha de financiamento coletivo, que criou uma rede de mais de 500 apoiadores e entusiastas.

Depois de quatro meses fechado, o Museu Casa do Pontal realizou no final de julho de 2019um lindo arraial, em agradecimento às pessoas que possibilitaram sua reabertura parcial da sede histórica.

No mês seguinte, a campanha de financiamento coletivo teve como foco os recursos para dar continuidade às obras da nova sede, e deste modo salvar definitivamente o maior acervo de arte popular do Brasil.

Em dezembro de 2019, a campanha já reunia apoio não só de pessoas, que contribuíram com um total de R$ 200 mil, como de empresas como o Itaú, que doou R$ 700 mil, e a Vale, que aportou R$ 800 mil. O Museu também entrou diretamente com R$ 850 mil de outras fontes.

Com esta verba, a direção está finalizando a parte já edificada – 2.600 metros quadrados –com previsão de que em outubro já estejam concluídas as instalações dos telhados, sistema elétrico e hidráulico, de segurança, dados e voz, esquadrias metálicas para portas e janelas, além do piso. Ações essas que já garantem as condições necessárias para levar o acervo para lá em segurança.

Os recursos do BNDES, de R$ 2 milhões, são destinados à transposição do acervo e na elaboração e realização da nova exposição de longa duração do Museu do Pontal, prevista para 2021. Colaboraram para o sucesso de todos estes esforços, as parcerias do IBRAM [Instituto Brasileiro de Museus] e da Secretaria Especial de Cultura.

DEPOIMENTOS

Ao longo de seus 44 anos de história, o Museu coleciona fãs por toda parte. Entre os vários depoimentos que já recebeu, de artistas, pensadores, colecionadores, dirigentes de instituições culturais, empresários, entre outros, estão a seguir alguns trechos desses depoimentos.

Gilberto Gil, compositor – “Todos os que fazem esse trabalho, que participaram dessa história extraordinária, reunida com carinho especial por Jacques van de Beuque e seu filho Guy, produziram ao longo do tempo, camada por camada, essa obra que é um orgulho para o país. A Casa do Pontal é hoje uma realidade que pertence a todos nós e nós todos temos que cuidar dela”.

José Saramago (1922-2010), escritor– “O Brasil deveria considerar este lugar um tesouro, mais importante que o Corcovado ou o Pão de Açúcar. Porque é realmente um assombro. Porque arte popular está em toda parte, o povo está lá, portanto cria, tem sua própria expressão artística. Eu venho aqui há bastantes anos e conheço razoavelmente. Alguns exemplares de arte popular brasileira tenho em minha casa. Mas como se reuniu na Casa do Pontal é inimaginável”.

Marieta Severo, atriz – “Quando fui lá pela primeira vez, não tinha nenhum prédio, nada em volta. Era só a casa original. Sinto uma identificação com esta arte, como se eu fizesse parte disso, com seus personagens. Olho cada rosto e vejo as diferentes expressões: ali tem um ser humano, tem uma pessoa, um personagem vivo que me diz alguma coisa. O Museu traz um painel da vida brasileira, das camadas mais populares. Ali tem tudo: as profissões, as festas, o cotidiano, a história, está tudo ali, está retratado. Sempre me comoveu essa necessidade da beleza, da arte no cotidiano. Então, além do valor estético, além de olhar e falar: "Nossa! Que peça linda", o fato das peças trazerem o cotidiano da vida das pessoas me encanta. O acervo que tem o Museu do Pontal é essa expressão da vida cotidiana ligada ao social, ao que estava acontecendo no momento no país, retratando isso tudo. Jacques van de Beuque foi um dos primeiros a olhar, a enxergar, a valorizar de uma forma sistemática, intensa! Pois foi capaz de ver o que aquilo significava dentro da nossa cultura, o valor artístico daquilo”.

Bia Lessa, diretora teatral – “O que acontece dentro do Museu do Pontal é que é um espaço sagrado; quando você entra é como entrasse numa igreja, no Teatro Municipal. Outro dia eu estava conversando com Paulo Mendes da Rocha, arquiteto que eu amo, e ele falou que a melhor definição para um museu é que ele ‘contém todas aquelas coisas que tinham que ser vistas por todos os homens’. Esta é a melhor definição de um museu, aquilo que tem que ser visto por todos, aquilo tem que fazer parte de nós todos”.

Otto, músico – “Aprendi muito e o mais importante: eu me vi e me identifiquei como brasileiro, como ser humano. Um sonho! Acredito que, das coisas que vi no Rio de Janeiro, uma das mais relevantes é o acervo desse Museu. Que o Museu do Pontal se fortifique e que todos os que têm espaços para opinar, para influir, conceber, saibam que a existência do museu é primordial, é essencial e divina”.

Edgar Morin, filósofo francês – “Estou encantado com a visita a este museu de arte popular, cuja ingenuidade e o refinamento fazem dele um tesouro artístico inestimável. É por isso que desejo que este Museu seja protegido. Soube que ele está ameaçado pela especulação imobiliária, como frequentemente as mais belas coisas são ameaçadas. Penso que é necessário fazer todo esforço para protegê-lo e permitir sua continuação, porque se trata da memória viva da arte popular do povo brasileiro e suas diferentes regiões. Parabéns para esse Museu! Vamos fazer tudo o que for possível para salvá-lo!”

OSGÊMEOS (irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo), artistas – “Aqui é uma escola! Ver as crianças chegando todo dia de ônibus, curtindo, participando, isso não tem preço! Isso é parte da cultura da história da arte do Brasil. Precisa ser preservado. E isso é história do Brasil, é história da arte brasileira, das gerações brasileiras. Tem coisas que se uma criança entrar lá, hoje em dia, não vai entender o que é. ‘Que tipo de câmera aquele bonequinho tá segurando? Eu nunca vi uma câmera dessas. Eu conheço a câmera do iPhone’. Tem até peças que reproduzem só brincadeiras de criança, inclusive brincadeiras que não se veem mais por aí. Cada pecinha, cada escultura que você vê ali... Tudo tem uma energia incrível. Até o fato de uma obra dialogar com a outra, meio assim, sem querer, já é um espanto. Nos chama atenção como vocês acreditaram nesse espaço, nesse Museu, na preservação disso, na continuidade disso. Não é qualquer um que acredita num negócio desse não! Vocês estão brigando com dragões. Isso não é para qualquer um! Reconhecemos o quanto é difícil fazer o que vocês fazem. O quanto é difícil manter isso, defender isso”.

Paulo Barros, carnavalesco – “Tive a felicidade de conhecer o Museu do Pontal através de um enredo que fiz na Unidos da Tijuca em 2012, sobre Luiz Gonzaga. Precisava me inspirar em alguma coisa e já tinha programado até uma viagem para Recife, mas, antes disso, algumas amigas me convenceram a ir ao Museu do Pontal. Chegando lá, tive a surpresa de encontrar aquele universo, de cuja existência não tinha a menor ideia. Ali tinha tudo: e foi o pontapé inicial para a gente falar do enredo, que tratava da cultura popular. Posso dizer que esse enredo nasceu ali, a partir da visita ao Museu, que trazia elementos de estética, de forma, de arte. Eu preciso das imagens para contar uma história. Então a visita ao Museu do Pontal foi exatamente isso; foi a primeira referência que tive do visual da arte popular, para poder falar de um tema que já tinha sido muito batido nas escolas de samba. Com o advento da internet, a gente tem uma proximidade das coisas muito rápida, a internet traz o mundo para a nossa casa. Mas é diferente de você estar de frente às coisas. Então eu acho que a minha obrigação de ter saído de casa para ir ao Museu do Pontal, ela foi extremamente necessária para eu realmente sentir, vivenciar a arte popular de perto”.

Danilo Miranda, diretor do SESC São Paulo– “Abriga-se atrás de uma proposta como essa do Pontal uma perspectiva utópica de uma sociedade melhor, de algo que possa ser mais importante, mais vital, que possa trazer elementos que tornem a sociedade mais capaz, digamos assim, de enfrentar os problemas que tem que enfrentar; de igualdade, respeito, valorização de todos; essa luta pela democratização permanente, essa possibilidade de termos realmente um país melhor para todos”.

João Maurício Pinho, colecionador de arte popular – “A grande qualidade do Pontal é ser um museu extremamente didático. Ele foi concebido para funcionar como uma escola. Não adianta eu chegar em um museu, vir aqui e ficar com a sensação de ‘não entendi nada, mas é bonito...’ Não, ao contrário! Ali é didático, ali é feito para ensinar. Aquilo tudo coloca sua cabeça no lugar. Muita gente não imagina o grau de dificuldade para fazer o museu se manter e funcionar. Parece fácil! O sujeito chega aqui, tá bonito, formidável! Ninguém sabe o que está para trás. O backstage ninguém vê. Eu acho que trabalhar com essas pessoas e situações foi uma sorte na minha vida. Foi o que me deu uma sobrevida. E espero que continue muito tempo!”

George E. M. Kornis, colecionador – “A coleção consolidada transcende a vida do seu criador. Ela torna rara uma coleção de arte transgeracional quando Guy (Van de Beuque) e sua mulher Ângela (Mascelani) assumem-na como projeto de vida. A vida do Guy foi, infelizmente, muito breve. No entanto a sua atuação foi ampla e consistente. Hoje, Ângela e o neto de Jacques, Lucas, conduzem esse percurso e protegem esse legado. Um desafio considerável”.

Emanuel Araújo, diretor do Museu Afro Brasil – “A primeira vez que estive com o Jacques van de Beuque foi em 1976. Ele estava fazendo a cenografia da exposição do Festac na Nigéria, e por conta disso tivemos uma convivência muito próxima”.

Alexandre Pimentel, criador do Museu Vivo do Fandango – “Como dizia Milton Santos, uma globalização que se apresenta como um rolo compressor visa a eliminação da diferença, ou vê a diferença de uma forma conservadora, em vez de a ver como possibilidade de outro mundo possível. Por isso a importância de termos a arte popular como referência, pois ela não perde a capacidade de refletir, de indicar, por meio do olhar de seus artistas, a complexidade da contemporaneidade”.

Paulo Knauss, ex-diretor do Museu Histórico Nacional – “O colecionador não é apenas um apaixonado que junta muita coisa, mas é sobretudo alguém que faz da prática de colecionar um motivo de estudo e pesquisa”.

Cafi (1950-2019), fotógrafo – “Quis fazer um trabalho fotográfico com Vitalino. Falei com um tio, o pintor Augusto Rodrigues (1913-1993), que tinha feito uma matéria com o Vitalino para a revista ‘Cruzeiro’, e ele me disse: ‘Procura o Jacques van de Beuque lá no Rio. Ele é um grande colecionador e pode te orientar’. Fui até o escritório dele na Rua São João Batista, em Botafogo. Ali já vi muita coisa. E, aos poucos, por causa da arte popular, fui ficando amigo do Jacques. Logo depois ele vendeu a casa da São João Batista e comprou a chácara no Pontal. Na época era no fim do mundo... muito longe, mas ir até lá era um passeio maravilhoso. Ele tinha uma relação de total amorosidade com a coleção, de uma total vontade de fazer um museu e saber que isso era a coisa mais importante que podia acontecer no Brasil. Era uma expressão do povo brasileiro. Assim Jacques formou um grande acervo nacional, pois não era uma coleção só de Pernambuco, nem só da Bahia, nem só do Rio de Janeiro. Era o Brasil inteiro”.

Luiza Trajano, empresária – “Imagine ver, em um só lugar, toda a história e desenrolar do Brasil através da arte popular. Mais de oito mil peças apresentadas de uma forma tão didática. É maravilhoso! Tenho falado para todas as pessoas: quero levar meus netos, porque conta a história do Brasil, de tudo o que aconteceu, de todos os segmentos, na área industrial, comercial, diversão... Fiquei muito feliz ao saber da mudança do Pontal para a Barra. Tenho certeza que no novo espaço vai ser possível mostrar essa maravilha toda para muito mais gente, especialmente para as crianças”.

Material de imprensa realizado por CWeA Comunicação

Posted by Patricia Canetti at 1:14 PM

Livros e Arte na CRM, Rio de Janeiro

Mergulho gráfico: exposição reúne trabalhos de nove artistas contemporâneos em diálogo com obras gráficas artesanais de raro preciosismo, na Casa Roberto Marinho

A exposição Livros e Arte, que será inaugurada no dia 3 de outubro de 2020, na Casa Roberto Marinho, reúne 149 trabalhos de nove artistas, no andar superior do instituto. A curadoria de Leonel Kaz parte de livros de artista organizados pela UQ! Editions - parceria editorial entre Kaz e a designer Lucia Bertazzo - em publicações plásticas e/ou conceituais, acerca das obras de Antonio Dias, Ferreira Gullar, Frans Krajcberg, Leo Battistelli, Luiz Zerbini, Paulo Climachauska, Pedro Cabrita Reis, Roberto Magalhães e Wanda Pimentel. A mostra propõe um diálogo entre as obras gráficas e pinturas (sobre diferentes suportes), esculturas, desenhos, monotipias, fotografias, vídeos, instalação e outras linguagens. Sula Danowski assina o projeto cenográfico e o design.

De acordo com o curador, a exposição se desdobra em nove individuais: “Cada sala é consagrada a um artista e os livros exibidos evidenciam o envolvimento físico de todos eles, num processo extremamente artesanal. A mostra revela a reinvenção destes grandes criadores através da arte gráfica. Aliás, esta exposição celebra as mais diversas expressões da arte gráfica no Brasil”, afirma Kaz.

Lucia Bertazzo explica que os projetos da UQ! são adaptações da linguagem de cada artista em formato editorial: “O processo parte sempre de uma conversa, em que nada está pré-estabelecido, e os exemplares resultam dessa concepção parceira. É quase uma forma de pintar livros com os pincéis dos artistas”.

Livro-gaveta, livro-janela, livro-objeto, livro-escultura: os exemplares apresentados na mostra são, em si mesmos, peças de arte. O experimentalismo das publicações revela um percurso de linguagens artísticas muito variado, com técnicas múltiplas de impressão, encadernações artesanais primorosas e materiais que vão do bambu ao aço, passando pela cerâmica e pelo acrílico.

Extraídos da bananeira, vindos da China, de Nova York ou da Guatemala, os papeis são um capítulo à parte, de sofisticada artesania, que exalta a singularidade de cada edição. Os híbridos de livros e obras de arte desafiam a forma e se materializam em versões surpreendentes: são peças únicas, que se aproximam da obra original, com tiragem numerada.

Objetos de experimentação, com poéticas e discursos múltiplos, alguns livros poderão ser manuseados pelos leitores-espectadores em visita à exposição (a Casa Roberto Marinho vai oferecer luvas descartáveis). “Essa arte ao alcance das mãos permitirá ao público uma relação tátil e sensorial”, comenta Leonel.

Diretor da Casa Roberto Marinho, Lauro Cavalcanti observa que o instituto reabre seus espaços com a mostra alicerçada em duas grandes paixões de seu patrono: livros e arte. “Esta relação está no DNA da Casa”, revela.

VISITA GUIADA

Sala Luiz Zerbini

A sala de abertura de Livros e Arte, dedicada a Luiz Zerbini, ocupa o espaço que abrigava a antiga biblioteca de Roberto Marinho. Ao fundo, está o grande painel “Primeira Missa”, pintado em 2014, ladeado por 16 monotipias da série “Minhas Impressões” (56cm x 79cm), que originou o monumental livro de mesmo título. Com capa em bambu e uma profusão de intervenções e colagens manuais, o livro inclui pinturas originais do artista em tinta acrílica sobre papel.
O resultado da estreita colaboração entre o artista, os editores e o impressor João Sanchez, do Estúdio Baren, fez Zerbini mergulhar por cerca de dois anos no universo da arte gráfica. As técnicas vão da gravura em metal, xilogravura e monotipia ao recorte a laser impresso em papel marmorizado, passando pelo au pochoir (folhas pintadas manualmente e coladas no papel). O resultado é uma fusão entre natureza e artes gráficas. A sala inclui as matrizes originais de impressão.

Sala Antonio Dias (1944–2018)

Esta sala sintetiza as diversas faces de Antonio Dias, um artista múltiplo e inquieto: duas pinturas de galáxias, três guaches de sua “fase política” dos anos 1960, uma obra sobre papel do Nepal e um díptico sanguíneo, criado quase ao final de sua vida. É o mesmo artista multifacetado que emerge no vídeo de Antonio Carlos da Fontoura, também em exibição na mostra.
O múltiplo “galáxias” (50cm x 70cm), assinado por Haroldo de Campos e Dias, e idealizado pela dupla ainda nos anos 1970, é tema do livro realizado pela UQ! Editions, a partir de 100 protótipos. Trata-se de um sofisticado estojo em fibra de vidro revestida em tecido pintado pelo artista, contendo dez caixas menores, de onde saem 32 peças gráficas criadas simultaneamente com o famoso poema concretista ‘Galáxias’, escrito por Campos no início dos anos 1970.
A produção do livro envolveu uma série de artesãos que ajudaram a confeccionar os objetos que compõem o múltiplo concebido por Dias, como poemas em leque, jogos de espelho, plásticos com algodão e talco dentro, entre outros.

Sala Ferreira Gullar (1930–2016)

As delicadas peças plásticas de papel feitas pelo poeta Gullar eram por ele chamadas de “relevos”. Elas encenam o momento em que o papel, até então bidimensional, salta no espaço, tornando-se tridimensional. A sala expõe parte dos 60 originais em papel e os 17 relevos a que deram origem, em finíssimas chapas de aço com tinta automotiva, tão finas e bem acabadas que lembram o próprio papel em que foram produzidas.
Cada relevo de “A revelação do avesso - Colagens em relevo de Ferreira Gullar”, da UQ! Editions, vem numa bela caixa de madeira, acompanhado por um livro com as obras interpretadas pelo olhar da fotógrafa Nana Moraes. Uma vitrine exibe os “Poemas Espaciais”, da década de 1960, e, no texto de parede, o poema “Pintura”, presente no livro, sintetiza o ardor com o qual Gullar exprimia sua estética e sua poética.

Sala Pedro Cabrita Reis

Em visita ao ateliê de Pedro Cabrita Reis, numa antiga fábrica no bairro de Marvila, em Lisboa, os editores da UQ! propuseram ao artista português um desafio: interpretar o poema “Cântico Negro” (63 x 50 cm), de José Régio. Exultante, Cabrita aceitou: “Este sou eu; esta é a minha obra”. Artista de gestos grandiloquentes, entregou aos editores a missão de encontrar um papel para obras imensas que coubessem em livro. Um papel produzido a partir de fibra de bambu permitiu que 70 pinturas originais em acetona e pigmentos atingissem 2m de altura. Como o bambu dobra mas não quebra, as pinturas foram dobradas e acomodadas num estojo feito em Paris, pelo Atelier Dreieck, com tecido de linho e algodão em tom laranja (paixão do artista) e, no Rio, pela Palmarium. Ao lado das pinturas no estojo, o poema de Régio surge impresso em tipografia manual por João Sanchez, do Estúdio Baren, com relevo a frio e serigrafia. Nas paredes, há quatro cânticos emoldurados e duas pinturas a óleo sobre tela, características do artista.

Sala Wanda Pimentel (1943–2019)

A sala com obras de Wanda Pimentel foi montada na casa da artista, a partir de sua coleção pessoal. As telas foram colocadas lado a lado por ela mesma, poucos meses antes de partir. A ideia era recriar, na exposição, o ambiente de suas pinturas, borrando as fronteiras entre o espaço dentro e fora dos quadros.
Quatro esculturas da série Bueiros, de 1970, ocupam o centro da sala. Nas paredes, 17 trabalhos da série Envolvimento se relacionam com uma pintura da série Portas (1978). Bem em frente, outro conjunto, também da série Bueiros, forma um imenso painel dos chamados “anos de chumbo”.
Wanda realizou os nanquins da celebrada série Envolvimento na década de 1960, ano em que despontou na Nova Figuração brasileira. São desenhos que retratam ambientes domésticos, em estilo pop, com fragmentos de pernas e braços que nos sugerem a intimidade do corpo feminino com as coisas ao seu redor. Paredes, janelas, móveis e os objetos industriais que se tornaram parte desse idílio particular, indicam o aprofundamento da sociedade de consumo nos anos 1960: maços de cigarro, copos, chaleiras, chinelos, ventiladores… quase podemos ouvir o som da vitrola tocando.
Cada livro-objeto da UQ! traz um desenho desta série impresso sobre tela, com uma intervenção única realizada pela artista, em tinta acrílica colorida. O livro “Coleção Wanda Pimentel” (60m x 68cm) vem em caixa de acrílico que pode ser pendurada na parede, como um quadro. Abre-se a caixa como se abre uma janela…

Sala Frans Krajcberg (1921–2017)

Além de esculturas, a sala consagrada a Frans Krajcberg exibe obras que atestam a variedade de suas intervenções. Pinturas a óleo dos anos 1950 dialogam com a série Ibiza e seus magníficos papéis japoneses entrecortados. Uma “pintura” realizada com pedras de Minas Gerais ressalta a convivência do artista entre a tridimensionalidade da escultura e o universo plano de uma pintura, sempre plena de relevos. A mostra expõe também um raro conjunto de 12 fotos coloridas, feitas pelo artista em seus últimos anos de vida. As mesmas fotos estão no livro “Outra Natureza” (50cm x 60 cm), da UQ!, apresentado em caixa de bambu que tem a função de moldura ou estojo, cada uma trazendo uma foto diferente. Além das imagens feitas por Krajcberg, há outras seis que o fotógrafo Walter Carvalho fez do artista, nos anos 1980. Nelas, Frans aparece pleno de vitalidade, correndo com seus cães nas areias de Nova Viçosa, sul da Bahia, onde vivia recluso, próximo daquilo que mais amava: a natureza. O conjunto se completa com a foto feita por Nana Moraes, na qual Krajcberg surge assinando um exemplar do livro (as fotos emolduradas são assinadas com seu FK a fogo).

Sala Leo Battistelli

Um fio de contas desce do teto até quase tocar o chão, como uma chuva. Formas maiores e menores de cerâmica esmaltada, lembrando plantas de barro com gotículas de água, esparramam-se pelas paredes como se tivessem sido arremessadas nelas, respingando no espaço ao redor. O arranjo é orgânico e as cores são vivas, brilhando pela luz refletida que atravessa o esmalte. Mesmo estáticas, as peças nos transmitem a impressão de movimento e elasticidade. São tão visuais quanto táteis. Parecem úmidas e viscosas, estão grudadas na parede da mesma forma que as rãs grudam nas folhas. Assim é o site specific criado pelo ceramista e escultor argentino Leo Battistelli, para a exposição Livros e Arte.
“As esferas da percepção” (50 x 70 cm), editado pela UQ, é composto de uma base de acrílico que sustenta esferas em cerâmica colorida. Cada objeto é parte da estrutura molecular de plantas alucinógenas que, segundo o artista, expõem a similitude de estruturas químicas de plantas e humanos. Indo além, Battistelli imaginou, baseando-se no espectro de luz, quais seriam as cores de cada átomo — algo que nem os cientistas sabem. Completa o conjunto um livro com fotos de Nana Moraes e um fragmento de texto do físico Marcelo Gleiser.

Sala Roberto Magalhães

É preciso ativar a imaginação para ouvir o que as cabeças retratadas por Roberto Magalhães, nas mais diversas técnicas (guache, aquarela, grafite, lápis de cor, aguada de nanquim, ecoline ou pastel oleoso), têm a nos dizer. A sala reúne 34 trabalhos do artista carioca que, em março, completou 80 anos.
A edição da UQ! foi concebida com base em alguns desenhos. Para contemplar o universo de Magalhães foram criados objetos lúdicos e manipuláveis, como um convite à curiosidade: caixas de acrílico colorido que se abrem como gavetas e remetem a pinturas de Mondrian, em seu design geométrico. Em cada moldura de “Sem pé nem cabeça” (50cm x 70cm), um original e dois estojos: um deles abriga o livro; o outro, um “pergaminho” místico, escrito numa língua inventada pelo artista, sublinhando a proximidade de Roberto Magalhães com o esoterismo. Não há uma moldura igual à outra na combinação de cores. A sala se completa com uma vitrine que exibe os manuscritos imaginosos do artista e, ainda, um vídeo de Antonio Carlos da Fontoura.

Sala Paulo Climachauska

Encerrando o percurso, a sala do paulistano exibe o conjunto de objetos que saíram do livro “Galpão Gaveta” (40cm x 50cm), realizado por Climachauska e pela UQ!, com a colaboração de Anastacia Hatziefstratiou. São esculturas e pinturas em pequeno formato, fac-símiles, rascunhos gráficos, gravuras e desenhos de galpões em perspectiva. Todos os objetos são ligados por um fio comum, em que a ideia do “galpão”, que dá nome à peça, remete ao mundo da fábrica, da produção e da mercadoria.
O livro foi criado a partir de uma caixa laranja em aço inox, que o artista decidiu habitar com “uma compilação de trabalhos ligados ao universo da economia”, em suas palavras. As perspectivas maiores baseiam-se na série de desenhos feitos sobre galpões industriais de estocagem e na ideia de construção por subtração. Já as pinturas coloridas (cada livro-galpão inclui uma) são baseadas em gráficos econômicos. Completa o conjunto o ‘Livro de Areia’, revestido em tecido, com rascunhos gráficos do artista, que tem a obra do argentino Jorge Luis Borges como fonte de inspiração; e o ‘Livro dos espelhos’, que se entreabre num firmamento de números, com espelhos evocando a ideia da multiplicação vertiginosa das coisas e revelando o fascínio de Climachauska pelas relações entre arte, economia e sociedade. Na sala, há também pinturas, um vídeo do próprio artista e uma escultura: um ovo em mármore.

VISITAÇÃO

Link para ingressos (o agendamento prévio é obrigatório): www.casarobertomarinho.org.br

Visitação: terça a domingo, das 12h às 18h (entrada até às 17h15)
(Aos sábados, domingos e feriados, a Casa Roberto Marinho abre a área verde e a cafeteria a partir das 9h.)

Ingressos: R$ 10 (inteira) / R$ 5 (meia entrada)
Às quartas-feiras, a entrada é franca.
Aos domingos, “ingresso família” a R$ 10 para grupos de quatro pessoas. A CRM respeita todas as gratuidades previstas por lei.

Material de imprensa realizado por Mônica Villela Companhia de Imprensa

Posted by Patricia Canetti at 10:40 AM

Carlos Vergara, Luiz Aquila e Roberto Magalhães na CRM, Rio de Janeiro

Com curadoria de Lauro Cavalcanti, mostra reúne obras produzidas por Carlos Vergara, Luiz Aquila e Roberto Magalhães durante a quarentena

No dia 3 de outubro de 2020, sábado, a partir do meio-dia, a Casa Roberto Marinho vai inaugurar a exposição “Enquanto”, que reúne a produção inédita de três artistas consagrados realizada durante o período de quarentena: Carlos Vergara, Luiz Aquila e Roberto Magalhães. Com curadoria de Lauro Cavalcanti, a mostra exibirá 50 obras de vertentes variadas (pintura, desenho, fotografia, colagem e livro) no térreo do instituto.

O espaço expositivo inclui vídeos curtos, editados pela equipe da Casa, acerca da produção de cada artista e do dia a dia no ateliê, durante o isolamento social. As imagens surgem da série “Conversas da Casa”, um acervo de 27 entrevistas com artistas, críticos, curadores, galeristas e historiadores realizadas por Lauro Cavalcanti. O conjunto de depoimentos de nomes como Beatriz Milhazes, Angelo Venosa, Anna Bella Geiger, Regina Silveira, Paulo Sergio Duarte e Felipe Chaimovich, entre outros, integra o catálogo da “Enquanto”. A mostra oferece um espaço interativo dedicado a estas entrevistas, com tecnologia QR Code (o conteúdo também pode ser acessado através do site do instituto).

Cavalcanti comenta que organizar um acervo de entrevistas esteve sempre entre os projetos da Casa Roberto Marinho: “A memória oral constitui um precioso documento que revela trajetórias e afinidades entre artistas. Esses relatos, colhidos entre março e junho de 2020, permitem-nos entrever o processo criativo de cada um que, de outro modo, teriam sido deixados no abrigo dos ateliês. Inevitavelmente, em algum ponto das conversas, surgia o assunto da tragédia pandêmica. Os depoimentos registram essa época ainda vivida, infelizmente, e mostram como a arte nos ajuda a sobreviver melhor”.

“Enquanto” celebra a reabertura da Casa, ocorrida no último dia 5 de setembro, após cinco meses de fechamento em decorrência da pandemia de Covid-19. Este período inicial de retomada das atividades serviu como um teste do protocolo sanitário adotado pelo instituto. Aprovados por funcionários e visitantes, os procedimentos incluem uso obrigatório de máscara, totens de álcool 70%, distanciamento orientado e acesso restrito de público à área expositiva.

De acordo com as Regras de Ouro da Prefeitura do Rio, a bilheteria do instituto segue fechada. Para visitá-lo é necessário fazer o agendamento on-line através do site (http://www.casarobertomarinho.org.br).

Carlos Vergara - Prospectiva e Quarentena

Viajante convicto, Vergara busca mundo afora vestígios de diferentes tempos e espaços. Em 2019, visitou a gruta mística de Sainte-Baume, no sul da França, onde morreu Maria Madalena, a apóstola de Cristo. Diante da recente impossibilidade de sair de casa, o artista gaúcho conta que cumpre serenamente a quarentena, mas tem roteiros na gaveta à espera de serem percorridos: “Quero visitar o Oráculo de Delfos, na Grécia”.

Durante o período de isolamento, Vergara montou um pequeno ateliê em seu quarto onde criou a série Quarentena, presente na mostra “Enquanto”. São envelopes com colagens, aquarelas e desenhos iniciados por ele, que convida outros artistas a completarem a obra: “Foi a forma poética que encontrei de conversar à distância com amigos, estabelecendo um contato produtivo”, comenta. Entre os convidados estão Adriana Varejão, Waltercio Caldas, Iole de Freitas, Leda Catunda, Jose Bechara, Raul Mourão, Daisy Xavier, Barrão, Jac Leirner, Cabelo e Jose Resende.

Também integram a exposição as monotipias e pinturas da série Prospectiva (que teve início em 2019), criadas esse ano, a partir de pigmentos naturais trazidos de lugares tão díspares, que vão de Minas Gerais à Turquia. “Uso um pigmento púrpura vindo do Marrocos, extraído de um caramujo, muito usado no século XVII para tingir as roupas dos nobres”, revela. As obras, de notável força plástica, registram o entorno do ateliê em Santa Teresa, que o artista segue frequentando três vezes por semana.

Luiz Aquila – Pasteis, trabalhos sobre tela e sanfona

Aquila conta que não alterou tanto a rotina: seu ateliê fica em casa, no centro histórico de Petrópolis, com todos os materiais ao alcance das mãos. Passado o choque inicial da pandemia, o artista tirou partido do ócio propiciado pela quarentena e, sem as dispersões de um cotidiano externo, tornou-se mais concentrado. “Diante do limite psicológico imposto pelo isolamento, senti vontade de hibernar. Experimentei um tempo mais lento, mas logo depois comecei a desenhar e segui bastante produtivo”, relata.

Foi um incidente cotidiano, durante um café da manhã, que imprimiu ritmo à quarentena do artista. Sua caneca preferida – “muito bonita, meio bojuda e maternal” – quebrou. Num gesto de lamento, Aquila pôs-se a olhá-la e viu beleza nos cacos de cerâmica. Reuniu todos sobre um papel, jogou café por cima, fotografou e imprimiu. A experimentação resultou em 16 trabalhos interferidos com pastel colorido. “Terminando essa série, que funcionou como um aquecimento pra mim, voltei a pintar sobre telas grandes”, comenta.

A curadoria reúne também três pinturas, pasteis com colagens, desenhos sobre páginas do livro Luiz Aquila: Quase Tudo - A Never Ending Tour e um curioso caderno sanfonado com pastel, bico de pena e colagem. “Apesar da tragédia sanitária e política que vivemos, consegui estabelecer um ambiente muito favorável à criação e a imaginação voou alto”, conclui o artista carioca.

Roberto Magalhães – Guaches e universo onírico

Roberto Magalhães, pioneiro da Nova Figuração brasileira, celebrou seus 80 anos no último dia 29 de março, início do período de quarentena no país. Em Visconde de Mauá, onde vive e trabalha, o artista realizou uma série inédita de guaches que exploram elementos emblemáticos de sua obra, atravessada pelo humor, com aproximações surrealistas.

Vê-se que o mergulho propiciado pelo período de isolamento acentuou as pesquisas de cor e forma, reforçando o imaginário deste artista carioca habituado a friccionar os limites da razão. O universo onírico, o despojamento infantil e o realismo fantástico, marcas da poética de Magalhães, estão presentes em trabalhos como ‘Formas Flutuantes’ e ‘Sonho’. Além de 13 guaches, a mostra “Enquanto” inclui o desenho a nanquim ‘Introspecção na Quarentena’.

Lauro Cavalcanti comenta que selecionou os três grandes artistas “como exemplos da transcendência, da necessidade básica e importância da arte para nos ajudar a entender e superar tempos tão difíceis”. E completa: “A leitura, o fazer artístico e a solidariedade reencontram-se mais fortes nesta mostra de reabertura da Casa Roberto Marinho”.

VISITAÇÃO

Link para ingressos (o agendamento prévio é obrigatório): www.casarobertomarinho.org.br

Visitação: terça a domingo, das 12h às 18h (entrada até às 17h15)
(Aos sábados, domingos e feriados, a Casa Roberto Marinho abre a área verde e a cafeteria a partir das 9h.)

Ingressos: R$ 10 (inteira) / R$ 5 (meia entrada)
Às quartas-feiras, a entrada é franca.
Aos domingos, “ingresso família” a R$ 10 para grupos de quatro pessoas. A CRM respeita todas as gratuidades previstas por lei.

Material de imprensa realizado por Mônica Villela Companhia de Imprensa

Posted by Patricia Canetti at 10:00 AM

setembro 22, 2020

Nuno Ramos Online Viewing na Fortes D’Aloia & Gabriel

A Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar a exposição virtual Nuno Ramos com obras inéditas, trabalhos recentes e uma importante seleção histórica do artista. O projeto não se propõe a substituir a experiência sensorial, mas usar da perspectiva extensiva que o ambiente digital proporciona para investigar a diversidade de sua prática — pintura, escultura, instalação, desenho, performance e literatura.

No intuito de apresentar um olhar panorâmico de sua obra, a escolha dos trabalhos foi feita em conjunto com o artista. Estão contemplados desenhos da série I AM, produção deste ano ainda inédita, Marcha à Ré, performance comissionada pela 11ª Bienal de Berlim realizada em parceria com o Teatro da Vertigem, 2020, sua individual HOUYHNHNMS, na Estação Pinacoteca, 2015, além da exposição Morte das Casas, no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, 2004, entre outros. Trechos dos livros O Pão do Corvo, 2001, e Cujo, 1993, permeiam o Online Viewing que é também entrecortado por ensaios críticos de Lorenzo Mammi e Alberto Tassinari.

Nuno Ramos nasceu em 1960, em São Paulo, onde vive e trabalha. Suas exposições individuais recentes incluem: Sol a pino, Fortes D'Aloia & Gabriel | Galeria (São Paulo, 2019); O Direito à Preguiça, CCBB (Belo Horizonte, 2016); O Globo da Morte de Tudo, em parceria com Eduardo Climachauska, SESC Pompeia (São Paulo, 2016); HOUYHNHNMS, Estação Pinacoteca (São Paulo, 2015); Ensaio Sobre a Dádiva, Fundação Iberê Camargo (Porto Alegre, 2014); Anjo e Boneco, Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, 2013); Fruto Estranho, MAM Rio (Rio de Janeiro, 2010). Destacam-se ainda suas participações na Bienal de São Paulo (2010, 1994, 1989 e 1985) e na Bienal de Veneza (1995). Sua obra está presente em renomadas coleções institucionais como: Tate Modern (Londres), Walker Art Center (Minneapolis), Inhotim (Brumadinho), MAC-USP (São Paulo), MAM-SP (São Paulo), entre outras.


Fortes D’Aloia & Gabriel is pleased to present a virtual solo exhibition of Nuno Ramos with unpublished and recent works, as well as an important historical selection by the artist. The project does not attempt to replace the richness of sensory experience, but to employ the digital platform in investigating and better understanding the diversity of Ramos's practice - painting, sculpture, installation, drawing, performance and literature.

In order to present a panoramic overview of the whole, the choice of works was made with the artist. Among the featured pieces is the brand new drawing series I AM, and Marcha à Ré, a performance commissioned by the 11th Berlin Biennial (2020) held in collaboration with Teatro da Vertigem. Other notable moments include his solo show HOUYHNHNMS, Estação Pinacoteca (2015), and the exhibition Morte das Casas, at Banco do Brasil Cultural Center (2004). Excerpts from the artist's literary output, particularly O Pão do Corvo (2001), and Cujo (1993), permeate the Online Viewing.

Nuno Ramos was born in 1960, in São Paulo, where he lives and works. Recent solo exhibitions include Sol a pino, Fortes D'Aloia & Gabriel | Gallery (São Paulo, 2019); The Right to Laziness, CCBB (Belo Horizonte, 2016); O Globo da Morte de Tudo, a two-person project with Eduardo Climachauska, SESC Pompéia (São Paulo, 2016); HOUYHNHNMS, Estação Pinacoteca (São Paulo, 2015); Essay on the Gift, Iberê Camargo Foundation (Porto Alegre, 2014); Anjo e Boneco, Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, 2013); Strange Fruit, MAM Rio (Rio de Janeiro, 2010). Ramos has taken part in the following noteworthy group shows: Bienal de São Paulo (2010, 1994, 1989 and 1985) and in the Venice Biennal (1995). The artist's work is present in renowned institutional collections such as Tate Modern (London), Walker Art Center (Minneapolis), Inhotim (Brumadinho), MAC-USP (São Paulo), MAM-SP (São Paulo), among others.

Posted by Patricia Canetti at 10:50 AM

OVR: Luisa Strina em Basel e Latitude Art Fair 2020

Basel viewing room online: It’s easy to tell the depth of a well

Preview
23 a 24 de setembro

Aberto ao público
24 a 25 de setembro

A Galeria Luisa Strina tem o prazer de reunir no viewing room de Basel obras recentes de Anna Maria Maiolino, Clarissa Tossin, Laura Lima e Leonor Antunes, entre outros. Em sua maioria produzidos durante o período de isolamento social, os trabalhos aludem ao momento presente, mas guardam cada um a marca autoral do pensamento destes artistas, com um predomínio, no conjunto, de uma manualidade delicada e materialidade etérea. Uma frase geralmente conhecida apenas por cientistas e engenheiros de áudio, nosso título faz referência às tecnologias que tornam exposições como esta possível e sua subjacente poesia constitutiva. Art|Basel inaugura em breve sua segunda feira de arte exclusivamente virtual, dedicada a obras produzidas em 2020.

A galeria participa do evento online, e também disponibiliza o preview da feira em um viewing room próprio, que você já pode acessar neste link.

Anna Maria Maiolino
Clarissa Tossin
Laura Lima
Leonor Antunes
Marcius Galan
Matias Duville
Pedro Reyes

Latitude Art Fair 2020: Do telex à vertigem

Preview
23 de setembro

Aberto ao público
24 a 27 de setembro

A seleção de trabalhos da Galeria Luisa Strina para a feira de arte on-line promovida pelo Latitude na plataforma do Artsy conta a história dos momentos mais marcantes da arte brasileira por meio de obras dos artistas que são ou foram representados pela galeria ao longo de sua trajetória de 45 anos de aposta na experimentação de ponta e no conceitualismo dos criadores brasileiros.

Trata-se, aqui, de uma história dinâmica, em que o sistema de comunicação popular nos anos 1980 (o telex) dá título a uma obra de 2019, de Caetano de Almeida, enquanto a vertigem que caracteriza nossos dias comparece em uma pintura gestual característica dos anos 1980, de Artur Barrio. Neste vaivém das narrativas constantemente reescritas da arte e da história do Brasil, incluímos uma reflexão sobre a sociedade brasileira nos anos 1950 e 1960, proposta em obra recente de Beto Shwafaty, ao lado de um desenho processual de Laura Lima que só estará finalizado em 2064.

No arco histórico sintetizado nesta seleção de obras, não podíamos deixar de incluir características fundamentais da arte dos anos 1990 e 2000, presentes na participação de Edgard de Souza e Emmanuel Nassar nesta mostra on-line, que foram representados pela galeria justamente durante esse período, marcado pela tematização da intimidade, dos afetos, assim como pela intersecção de arte popular e erudita, implodindo de vez esta dicotomia.

Finalmente, para destacar o mais importante da produção dos anos 2010, escolhemos obras de Thiago Honório, emblemáticas do que se convencionou chamar “arte relacional”, conceito que o artista leva às últimas consequências confundindo ateliê e corpo, a performatividade do operário com a do artista, espaço público e privado. As novas vertigens escancaradas pela delicadeza de Honório completam o loop que reencontra Barrio no início desta história.

O preview pode ser acessado em nosso viewing room neste link a partir de segunda-feira, 21 de setembro.

Posted by Patricia Canetti at 10:43 AM

setembro 15, 2020

Tudo vem do nosso pátio na FIC, Porto Alegre

“Tudo vem do nosso pátio, da nossa infância… Sempre fui ligado à terra, ao meu pátio. No Rio Grande do Sul, estou no colo da mãe…” (Iberê Camargo)

A exposição apresenta um recorte de obras do acervo e da coleção Ateliê de Gravura da Fundação Iberê a partir da ideia de “lugar de origem”.

Nas obras em exibição, gravuras de 34 artistas gaúchos de diferentes trajetórias, matizes e gerações, realizadas no ateliê dentro do projeto Artista Convidado, em forma de residência. Muitos deles experimentam, pela primeira vez, a técnica da gravura em metal na tradução de suas poéticas.

Alguns dos artistas selecionados voltam ao seu lugar de origem para essa residência. Outros, mesmo vivendo aqui, deslocam-se de seus ateliês até a Fundação.

A partir da experiência no ateliê e da vivência com a arquitetura da Fundação, podemos observar obras com referências ao edifício e seu entorno, ao Iberê e ao ofício da gravura, como nas imagens de Marilice Corona, Rafael Pagatini, Maria Lucia Cattani, Walmor Corrêa, Luiz Eduardo Achutti, Daniel Escobar, Jander Rama e Cristiano Lenhardt.

Para dialogar com esses artistas, foram selecionadas gravuras e pinturas de Iberê Camargo realizadas simultaneamente entre os anos 1989 e 1992.

Na pintura No tempo (1992) reaparece outro elemento icônico do artista, o carretel. O quadro torna-se memória.

Em tempos de distanciamento social decorrentes da atual pandemia a matéria da memória também se faz presente.

A exposição Tudo vem do nosso pátio, aberta a novas e livres associações a partir do recorte proposto, oferece ao público uma diversidade de obras gráficas e pictóricas agora expostas no Átrio da Fundação Iberê, lugar de origem dessas práticas artísticas.

Artistas que participam da exposição

Iberê Camargo, Ariberto Filho, Carlos Pasquetti, Carlos Vergara, Cláudia Hamerski, Cristiano Lenhardt, Daniel Acosta, Daniel Escobar, Danúbio Gonçalves, Eduardo Haesbaert, Elaine Tedesco, Élida Tessler, Flávio Gonçalves, Gisela Waetge, Karin Lambrecht, Jander Rama, Jorge Menna Barreto, Lia Menna Barreto, Lucia Koch, Luiz Carlos Felizardo, Luiz Eduardo Achutti, Maria Lucia Cattani, Marilice Corona, Mauro Fuke, Michel Zózimo, Nathalia García, Nico Rocha, Rafael Pagatini, Regina Silveira, Rochelle Costi, Saint Clair Cemin, Teresa Poester, Vera Chaves Barcellos, Walmor Corrêa, Xadalu.

Neste momento de retomada parcial, as visitas ocorrerão de sexta a domingo, das 14h às 18h. Mais informações pelo telefone 51-3247-8000 ou agendamento@iberecamargo.org.br.

Nesta fase, em função dos altos custos para operacionalizar os cuidados sanitários, será necessária uma modalidade de contribuição à Fundação pelo Sympla:

- Visita mediada individual: R$ 20,00;
- Visita mediada dupla: R$ 30,00;
- Visita mediada em dupla + catálogo: R$ 40,00;
- Visita mediada em dupla + catálogo + estacionamento: R$ 70,00;
- Profissionais da saúde em geral terão acesso gratuito.

Serão cinco grupos com até 15 pessoas que poderão conhecer as mostras instaladas no átrio e segundo andar, sempre acompanhados por um mediador. Para entrar na Fundação, será obrigatório o uso de máscaras, higienização das mãos e medição de temperatura. O Café Iberê funcionará em formato delivery e o estacionamento ficará aberto das 13h às 19h.

Posted by Patricia Canetti at 1:48 PM

Iberê Camargo - O Fio de Ariadne na FIC, Porto Alegre

Live do dia 11/04 com Denise Mattar e Gustavo Possamai, curadores da exposição

Durante as décadas de 1960 e 1980, além de sua intensa produção em pintura, desenho e gravura, Iberê Camargo realizou trabalhos em cerâmica e tapeçaria. Eles respondiam a uma demanda do circuito de arte, herdada da utopia modernista, que preconizava o conceito de síntese das artes; uma colaboração estreita entre arte, arquitetura e artesanato. Pelas mãos das ceramistas Luiza Prado e Marianita Linck Iberê realizou, nos anos 1960, um conjunto de pinturas em porcelana, com resultados surpreendentes. Na década seguinte selecionou um conjunto de cartões, que foram transformados por Maria Angela Magalhães em impactantes tapeçarias. Muito presentes na arquitetura da época essas grandes tapeçarias eram chamadas por Le Corbusier de “murais nômades”.

Há algum tempo a Fundação Iberê vinha estudando essa faceta da produção do artista e a oportunidade de apresentá-la surgiu paralelamente à realização, pela primeira vez nas dependências da instituição, da Bienal do Mercosul. A conjuntura feminina que permeou a produção dessas tapeçarias e cerâmicas revelou grande afinidade com o conceito da 12a Bienal, que abordará o tema “feminino(s), visualidades, ações e afetos”. Convidada pela Fundação a desenvolver esse projeto a curadora Denise Mattar, juntamente com Gustavo Possamai, da equipe do Acervo, expandiu essa percepção inicial, revelando o fio de Ariadne: a urdidura feminina que apoiou o trabalho de Iberê Camargo ao longo de sua história.

Segundo a lenda grega, Teseu foi desafiado a matar o Minotauro, que vivia no Labirinto de Creta do qual era impossível escapar. Ariadne, filha do Rei Minos, resolve ajudar o herói e lhe entrega um novelo de lã, tecido por ela, instruindo-o a desenrolá-lo à medida que adentrasse o labirinto. Assim, depois de matar o monstro, o fio de Ariadne foi o guia que levou Teseu à saída. O mito de Ariadne, que tem inúmeras interpretações filosóficas e psicológicas, mostra também como o apoio de uma mulher pode levar o herói à vitória.

A exposição Iberê Camargo - O Fio de Ariadne reunirá 37 cerâmicas, 7 tapeçarias de grandes dimensões e seus cartões pintados por Iberê, além de gravuras. Será complementada por uma cronologia ilustrada reunindo fotos e depoimentos de algumas das mulheres que marcaram presença na vida de Iberê. Entre elas: sua esposa Maria Coussirat Camargo, a artista Djanira, as ceramistas Luiza Prado e Marianita Linck, as artistas Maria Tomaselli e Regina Silveira, a tapeceira Maria Angela Magalhães, a gravadora Anna Letycia, a escritora Clarice Lispector, as gravadoras Anico Herskovits e Marta Loguercio, a galerista Tina Zappoli, a produtora cultural Evelyn Ioschpe, a cantora Adriana Calcanhotto e a atriz Fernanda Montenegro.

Horários e orientações para visitação, no link.

Veja um preview das obras da exposição clicando aqui.

Neste momento de retomada parcial, as visitas ocorrerão de sexta a domingo, das 14h às 18h. Mais informações pelo telefone 51-3247-8000 ou agendamento@iberecamargo.org.br.

Nesta fase, em função dos altos custos para operacionalizar os cuidados sanitários, será necessária uma modalidade de contribuição à Fundação pelo Sympla:

- Visita mediada individual: R$ 20,00;
- Visita mediada dupla: R$ 30,00;
- Visita mediada em dupla + catálogo: R$ 40,00;
- Visita mediada em dupla + catálogo + estacionamento: R$ 70,00;
- Profissionais da saúde em geral terão acesso gratuito.

Serão cinco grupos com até 15 pessoas que poderão conhecer as mostras instaladas no átrio e segundo andar, sempre acompanhados por um mediador. Para entrar na Fundação, será obrigatório o uso de máscaras, higienização das mãos e medição de temperatura. O Café Iberê funcionará em formato delivery e o estacionamento ficará aberto das 13h às 19h.

Posted by Patricia Canetti at 1:09 PM

Dobra - Festival Internacional de Cinema Experimental no MAM, Rio de Janeiro

Festival da experimentação artística no cinema acontece até 27 de setembro no canal online da Cinemateca do MAM
 
Em 2020, o DOBRA – Festival Internacional de Cinema Experimental chega à sua 6ª edição consecutiva reafirmando a potência de invenção de novos mundos que move o cinema experimental, em correalização com o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, instituição que tem atualmente a Petrobras, o Itaú e a Ternium como mantenedores por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e o Grupo PetraGold como patrocinador.
 
Entre 8 e 27 de setembro, o DOBRA será hospedado pelo canal do MAM Rio na plataforma Vimeo e exibido no site www.festivaldobra.com.br, como parte das celebrações dos 65 anos da Cinemateca do MAM. A programação navega pela produção contemporânea brasileira e internacional em busca de uma imaginação radical, e apresenta novas formas e proposições para o enfrentamento dos desafios atuais. Todas as sessões do DOBRA são gratuitas. Além das exibições de 10 programas de filmes, também será realizado um curso e bate-papos online.
 
A chamada para a edição 2020 do festival, aberta em plena pandemia e a quarentena por ela imposta, resultou em 1.094 inscrições de filmes provenientes de 71 países, de cinco continentes. Esses números demonstram o fôlego dos artistas em se manterem vivos e ativos em um mundo que adoece por asfixia.
 
A partir das inscrições, o DOBRA selecionou 45 filmes que foram divididos em oito programas temáticos. A curadoria formada por Cristiana Miranda, Lucas Murari e Luiz Garcia identificou, além de temas recorrentes em edições anteriores, como memória, pesquisa de linguagem, ecologia e política, dois novos grupos de filmes que dialogam com a ficção especulativa e a estética doméstica. Os programas traçam um vasto panorama da produção experimental contemporânea e contam com representantes da África do Sul, Alemanha, Anguila, Argentina, Brasil, China, Espanha, Estados Unidos, França, Irlanda, Japão, Kosovo, México, Países Baixos, Palestina, Portugal, Reino Unido, Ruanda e Taiwan. A produção nacional se destaca com uma expressiva representatividade: 14 selecionados.

Para reforçar os laços de solidariedade internacional, o DOBRA traz em 2020 dois programas convidados que presenteiam o público com curadorias que ampliam a cartografia do cinema experimental.

Um desses programas foi proposto por Nicole Brenez, teórica e curadora de cinema experimental, cuja obra crítica é hoje uma das maiores referências francesas e que participa  do DOBRA desde a primeira edição. Cada um à sua maneira, os filmes do programa “Ninguém É Cidadão”, proposto por Nicole, exploram as energias dos sentimentos - raiva, ironia, razão, beleza, alegria - para responder aos tempos conturbados em que vivemos.

Da América Latina, Mónica Delgado e José Sarmiento, críticos e curadores peruanos criadores da plataforma Desistfilm.com, propõem o programa “Políticas para enfrentar outra América Latina”. Os filmes desse programa demonstram a vontade de contribuir para uma nova cartografia do político, destacando as vozes de cineastas e artistas de várias  partes da América Latina que, por suas sensibilidades, abordam as diversas essências da região, uma categoria em constante movimento e tensão, entre o novo e o velho, entre o puro e o contaminado.

Todos os dez programas estarão disponíveis a partir do site do DOBRA (www.festivaldobra.com.br) durante todo o período de realização do festival, de 8 a 27 de setembro. A programação do festival também incluirá bate-papos online entre os curadores, os cineastas e o público.

O DOBRA também realizará um curso sobre cinema experimental, ministrado por seus curadores, Cristiana Miranda, Lucas Murari e Luiz Garcia, cujas inscrições serão abertas em meados de agosto.

Nas palavras da diretora e curadora Cristiana Miranda: “Reafirmando-se como um espaço de resistência através de uma produção experimental de qualidade, que compreende o Rio de Janeiro como uma cidade integrada no circuito internacional, o Festival DOBRA convida o público a fazer da experimentação cinematográfica uma linha de combate. Queremos outro mundo e afirmamos que um cinema experimental revolucionário, livre das convenções industriais e prolixo de invenções formais pode nos ajudar a construí-lo. Permaneceremos dobrando as margens e atravessando os limites. Afirmamos uma vez mais que os filmes  importam, os encontros importam e o cinema é uma potência que imagina e constrói incessantes formas de viver.”

Material de imprensa realizado por Mônica Villela Companhia de Imprensa

Posted by Patricia Canetti at 10:34 AM

setembro 10, 2020

Reabertura do MAM Rio com seis exposições em cartaz

Museu aberto a todos: reserva on-line e entrada gratuita, com contribuição sugerida

Após mais de cinco meses com as portas fechadas, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) reabre para o público no dia 12 de setembro, de quinta a domingo, trazendo uma série de novidades: um cuidadoso protocolo de segurança para os visitantes, novas exposições, novos horários e uma nova forma de ingressar e interagir com o museu: sem cobrança obrigatória de ingresso.

"Estamos comprometidos em servir a comunidade, abrindo nossas portas para a visitação de todos. Por isso, o ingresso ao museu passa a ser gratuito com contribuição sugerida", avisa Fabio Szwarcwald, diretor executivo do MAM Rio. "Os visitantes podem optar por pagar o valor sugerido, contribuir com outra quantia ou entrar de graça", conclui. Com a iniciativa, o MAM Rio se posiciona como um espaço inclusivo, que entende a conexão com a arte e a cultura como vitais para a nossa saúde.

Uma experiência segura ao público

A arquitetura do MAM Rio oferece aos visitantes um espaço amplo de circulação tanto nas áreas expositivas, quanto nas áreas externas. Com isso, o museu consegue controlar o fluxo de visitantes, à capacidade máxima de 200 visitantes/hora, e gerenciar as medidas de distanciamento mínimo de 1,5 metro - oferecendo ao carioca um dos espaços culturais mais seguros na cidade.

“Um grupo de trabalho multidisciplinar, envolvendo a produção, educação, design e museologia, foi montado para desenvolver os protocolos do MAM, incorporando recomendações do Conselho Internacional de Museus – ICOM e também outras medidas desenvolvidas em redes no Rio com a participação do MAM, tanto para assegurar a volta dos públicos, quanto dos funcionários”, explica Lucimara Letelier, Diretora Adjunta Institucional.

Além da implantação de uma rigorosa rotina de sanitização pela equipe de limpeza, disponibilização de álcool em gel ao público e da possibilidade de fazer a reserva on-line, o MAM Rio realizou uma limpeza completa dos dutos de ar condicionados e troca de filtros. “Essa limpeza era algo muito complexo, pois leva meses para ser executada com qualidade. Agora, estamos entregando um ambiente mais adequado para todos os nossos visitantes, para a equipe do museu e para as obras, já que uma filtragem apropriada traz enormes benefícios na conservação dos acervos”, explica Fabio Szwarcwald.

E também, de acordo com os melhores procedimentos adotados em outros museus, durante esta primeira fase da reabertura, o MAM Rio passa a funcionar em horário reduzido, aberto ao público de quinta a domingo. Nas quintas e sextas, a partir das 13h, e aos sábados e domingos, a partir das 10h. Por outro lado, passou a fechar uma hora mais tarde, às 18h, ampliando o acesso para quem trabalha no Centro.

Visitas agendadas

Será possível visitar as exposições e dialogar sobre a história e os acervos do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, através da realização de dois tipos de visitas previamente agendadas.

A Visita Percursos no MAM é uma experiência especial para grupos fechados, que abre uma possibilidade de encontros no museu de forma segura e atrativa durante a pandemia. As pessoas poderão montar um grupo específico de seu relacionamento que terá acesso exclusivo às exposições do museu, antes do horário da abertura, mediante agendamento prévio e ingresso de valor diferenciado. O grupo terá direito a reserva no estacionamento e acompanhamento da equipe de educadores, que irá propor circuitos de visitação a partir de um percurso previamente escolhido. Serão apenas duas sessões diárias, nas quintas e sextas, para grupos de uma até oito pessoas, a cada hora, seguindo todos os protocolos de segurança sanitária.

“É uma visita sob medida para quem deseja ter uma experiência única com foco em conversas sobre as exposições, a arquitetura do MAM e outros temas de interesse dos visitantes. Pretendemos com isso proporcionar um ambiente de trocas, onde as pessoas possam compartilhar, dialogar e vivenciar o museu, neste momento de retomada progressiva das práticas sociais, que sucede o isolamento”, diz Gleyce Heitor, gerente de Educação e Participação.

Já aos domingos teremos o programa Visitas Petrobras, com visitas mediadas oferecidas gratuitamente, com agendamento prévio no site do museu. A experiência é oferecida pela Petrobras, mantenedora do MAM Rio, para até 8 pessoas em cada uma das três sessões: 10h30, 13h30, 15h. Essas visitas mediadas são realizadas por educadores que junto aos públicos irão dialogar, compartilhar e trocar olhares, leituras e produções de significados em torno das produções, práticas e trajetórias artísticas das exposições do MAM.

Arte e reflexões sobre a pandemia: Campos Interpostos, Thiago Rocha Pitta e Irmãos Campana

No dia 2 de setembro, antes mesmo do museu reabrir as suas portas ao público, o artista visual Thiago Rocha Pitta inaugura o Programa Intervenções, em que os curadores do museu convidam artistas para desenvolver projetos para a área externa.

O projeto de Thiago Rocha Pitta chama-se Noite de Abertura. Consiste em uma escultura instalada no vão livre do museu, que poderá ser vista por quem passar de carro, de bicicleta ou a pé. Diariamente, das 17h até às 22h, haverá projeção de um filme do artista que poderá ser vista pelas paredes de vidro do MAM, por quem estiver do lado de fora.

E no dia 12, o museu reabre com as exposições Irmãos Campana - 35 Revoluções, Poça/Possa de Ana Paula Oliveira, Wanda Pimentel e a nova Campos Interpostos, as três últimas com a curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes. Reunindo cerca de 70 obras do acervo do museu carioca, de vertentes variadas, Campos Interpostos investiga artistas que se interessaram pela representação de fachadas, espaços ou áreas arquitetônicas frontais. “Esta exposição, que começou a ser pensada antes do contexto da pandemia, ganha nova camada de leitura agora. A coletiva tem como um dos motes as fachadas, que em certo sentido se sobrepõem à superfície da tela, seja da pintura ou do vídeo, mas também remetem à nossa relação com o mundo externo. Nos últimos meses, lidamos com a relação entre ‘dentro’ e ‘fora’, na tentativa de conter o avanço da pandemia”, analisa a curadora-assistente do MAM, Fernanda Lopes.

Museu para todos: gratuidade e engajamento com a cultura

O MAM Rio é o primeiro museu no estado a adotar o modelo de doação voluntária, prática comum em instituições norte-americanas como o American Museum of Natural History e Brooklyn Museum. Segundo o relatório “Art Museums by the Numbers”, publicado em 2018 pela Associação de Diretores de Museus de Arte (AAMD), com dados de 212 museus dos Estados Unidos, Canadá e México, quase um terço das instituições oferece entrada gratuita, enquanto 7% dos museus solicita uma doação e 61% cobram ingressos. No Brasil, apenas 30 museus, entre os mais de 3 mil catalogados pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), praticam a contribuição sugerida.

“Acreditamos na democratização do acesso como um dos principais pilares para a construção de um museu mais humano e solidário. O MAM Rio já contava com um dia de visitação gratuita. Agora ele está aberto a todos, todo o tempo. Esta ação traz, ao mesmo tempo, inovação e consciência social, uma vez que pode estimular os visitantes a fazerem contribuições como forma de em apoio à causa e aos trabalhos do museu e engajamento com a cultura nesse momento tão difícil”, afirma Fabio Szwarcwald.

A iniciativa da gratuidade é viabilizada por meio do apoio do Grupo PetraGold. A receita gerada pelas contribuições na visitação do Bloco de Exposições será investida no programa de Educação e demais frentes prioritárias do museu.

Cinemateca, agora on-line

A pandemia tem deixado os cinéfilos com saudades das salas de exibição. Enquanto a sala da Cinemateca (Auditório Cosme Alves Netto) permanece fechada, o MAM Rio segue on-line com a sua programação em sala de exibição virtual (vimeo.com/mamrio) , destacando em setembro o festival DOBRA – Festival Internacional de Cinema Experimental chega à sua 6ª edição consecutiva reafirmando a potência de invenção de novos mundos que move o cinema experimental, em correalização com o MAM Rio.

A partir das inscrições, o DOBRA selecionou 45 filmes que foram divididos em oito programas temáticos. A curadoria formada por Cristiana Miranda, Lucas Murari e Luiz Garcia identificou, além de temas recorrentes em edições anteriores, como memória, pesquisa de linguagem, ecologia e política, dois novos grupos de filmes que dialogam com a ficção especulativa e a estética doméstica. Todos os dez programas estarão disponíveis a partir do site do DOBRA (www.festivaldobra.com.br) durante todo o período de realização do festival, de 8 a 27 de setembro. A programação do festival também incluirá bate-papos on-line entre os curadores, os cineastas e o público.

Principais medidas de segurança
 
● Venda de ingressos online e limitação da capacidade máxima de visitantes simultâneos por sala de exposição; 
● Medição de temperatura dos colaboradores e do público na entrada; 
● Sinalização de distanciamento; 
● Uso de tapetes sanitizantes; 
● Uso obrigatório de máscaras; 
● Disposição de totens e dispersers de álcool gel 70% em todos os espaços do museu. 
 
A equipe de limpeza está atenta para garantir que dispensers de álcool gel 70% estejam sempre abastecidos. Não é permitida a entrada de pessoas que apresentam um ou mais dos seguintes sintomas: tosse, coriza, febre acima de 37,5⁰ ou falta de ar.

Material de imprensa realizado por Mônica Villela Companhia de Imprensa

Posted by Patricia Canetti at 10:29 AM

setembro 9, 2020

Abdoulaye Konaté estreia plataforma Videobrasil Online

O lançamento do documentário Cores e composições, uma incursão ao universo do artista malinês Abdoulaye Konaté, inaugura o Videobrasil Online, canal de streaming com conteúdos do acervo de obras e documentos audiovisuais da Associação Cultural Videobrasil.

Konaté é um dos nomes mais representativos da produção contemporânea da África ocidental e seu trabalho reinventa a rica tradição têxtil do Mali, formando uma obra que trata de questões africanas e universais. Cores e composições acompanha o artista por seu país – onde Konaté apresenta seu ateliê e a escola de arte que dirige em Bamako –, em visita aos Guarani Mbyá da Aldeia Boa Vista, e em exposições na Dinamarca e em São Paulo, como convidado da décima nona edição da Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil (2018).

Com direção de Juliano Ribeiro Salgado, indicado ao Oscar pelo documentário O sal da terra (2015), o filme amplia a série Videobrasil Coleção de Autores, de documentários sobre artistas visuais, e pode ser visto até o dia 4 de outubro no Videobrasil Online. Pensada por Solange Farkas para ampliar o acesso à produção artística contemporânea do Sul global – em tempos de mobilidade reduzida e revisão de paradigmas em todas as frentes –, a nova plataforma oferece novos programas a cada mês, alternando-se entre Artistas (obras que desenham o percurso de um artista de destaque no acervo), Curadorias (seleções criadas por curadores convidados) e Docs (documentários sobre arte contemporânea), todos acompanhados por conexões que levam a uma teia de conteúdos adicionais em texto e vídeo.

ABDOULAYE KONATÉ: CORES E COMPOSIÇÕES
2017 | 29'17"
Direção: Juliano Ribeiro Salgado
Concepção e produção: Associação Cultural Videobrasil

VIDEOBRASIL ONLINE
Realização e curadoria: Equipe Videobrasil
Design: Nina Farkas
Animação: Deco Farkas
Navegação: Edu Haddad
Textos: Teté Martinho

Posted by Patricia Canetti at 5:07 PM

setembro 7, 2020

Vídeo_MAC (digital) no MAC USP, São Paulo

O MAC USP foi pioneiro ao criar em 1977 um núcleo de criação experimental de vídeo

A exposição

A exposição Vídeo_MAC, com curadoria de Roberto Moreira S. Cruz, resgata um acervo e um momento muito especiais da história do MAC USP. Ela traz vídeos de artistas que atuaram na instituição, entre 1977 e 1978, num projeto pioneiro para um museu de arte no Brasil: um setor de vídeo que funcionou como uma espécie de laboratório no qual os artistas aqui presentes puderam experimentar e criar proposições a partir desse novo meio. Além de apresentá-los em conjunto pela primeira vez ao público, essa curadoria é resultado de um projeto de pós-doutorado desenvolvido no Programa de Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte, sob supervisão de Cristina Freire. O projeto beneficiou-se, não só da pesquisa consolidada por Freire com o acervo de arte conceitual ao longo de décadas, como também da doação da Biblioteca de Walter Zanini ao Museu.

Sua realização é duplamente bem-vinda para um museu universitário como o MAC USP: em primeiro lugar, porque a exposição revê a formação do acervo, focando um momento privilegiado de sua história, na qual Walter Zanini (como primeiro diretor) implantou um programa prospectivo com a criação do Setor de Vídeo e do Espaço B, estimulando a contribuição e a colaboração dos artistas. Zanini pensou o MAC USP como um laboratório de experimentações artísticas e para tanto, lançou mão de suas estratégias de pesquisador para estabelecê-lo. Em segundo, sendo a exposição resultado de pesquisa acadêmica, ela reforça este como espaço de estudo, formação e disseminação do conhecimento produzido dentro da Universidade.

Curadoria

O MAC USP foi a instituição pioneira no país em formular um projeto de fomento e divulgação de obras audiovisuais experimentais na segunda metade da década de 1970. O então diretor, Walter Zanini, colocou em prática em 1977 o Setor de Vídeo, que funcionava como um laboratório de criação e difusão da videoarte. A aquisição do equipamento no formato portapak, modelo AV3400 da Sony, de 1⁄2 polegada, em preto-e-branco, inaugurou as atividades desse Setor, que contou com a coordenação de Cacilda Teixeira da Costa, Marília Saboya e Fátima Berch, com o apoio técnico de Hironie Ciafreis. No curto período de aproximadamente um ano, foi criado um conjunto de obras audiovisuais consideradas pioneiras no contexto da arte contemporânea brasileira. Como parte dessas ações foram também realizadas mostras informativas no Espaço B – sala dedicada à programação periódica de videoarte.

Os vídeos ali produzidos, de artistas, tais como, Regina Silveira, Julio Plaza, Carmela Gross, Gabriel Borba, Roberto Sandoval, Gastão de Magalhães, Donato Ferrari, entre outros, e a série Videopost organizada por Jonier Marin, desaparecidos por mais de 35 anos, são praticamente inéditos para o grande público e muito pouco conhecidos pelos pesquisadores.

A exposição Vídeo_MAC é uma oportunidade de lançar luz sobre esses trabalhos e reelaborar a história da videoarte brasileira em seus primeiros anos.

Roberto Moreira S. Cruz
Curador

Obras

Após um longo período de desaparecimento, o conteúdo audiovisual produzido pelos artistas no Setor de Vídeo, em 1977 e 1978, é exibido publicamente nesta exposição pela primeira vez. As dez fitas de vídeo remanescentes foram encontradas em 2013 por Regina Silveira e Cristina Freire, no MIS, após insistentes buscas, pois o material não estava indexado corretamente no acervo daquele museu. Esse material foi digitalizado com a contribuição do artista Antoni Muntadas, que efetuou a remasterização num laboratório na Espanha. O aparelho portapak original que pertencia ao Setor de Vídeo se encontra atualmente no Museu, mas está inoperante.

Aqui nesse web site, o espectador poderá conferir uma seleção de 18 trabalhos produzidos naquela época, momento em que de forma embrionária e intuitiva se esboçavam os primeiros traços da videoarte no Brasil.

Sem título
Carmela Gross
1977 // 03:03 min. P/B com som

As Ilusões
Flavio Pons e Cláudio Goulart
1977 // 4:39 min. P/B com som

Typology of my body
Gastão de Magalhães
1977 // 4:58 min. P/B com som

O Circo
José Roberto Aguilar
1977 // 04:55 min. P/B com som

Liliane a sós – solitude
Liliane Soffer
1977 // 3:51 min. P/B com som

Imitação: para fitas magnéticas
Roberto Sandoval
1978 // 3:33 min. P/B com som

“Impulsos” da esquerda para direita
Roberto Sandoval
1978 // 1:48 min. P/B com som

Reviver
Donato Ferrari
1978 // 2:53 min. P/B com som

Videologia
Regina Silveira
1978 // 2:26 min. P/B sem som

Campo
Regina Silveira
1977 // 2:34 min. P/B sem som

Artifício
Regina Silveira
1977 // 1:22 min. P/B sem som

Objetoculto
Regina Silveira
1977 // 00:59 min. P/B sem som

Me
Gabriel Borba
1977 // 4:09 min. P/B com som

Nós (versão II)
Gabriel Borba
1977 // 1:41 min. P/B com som

O gato acorrentado a um só traçado
Gabriel Borba
1977 // 1:43 min / P/B com som

[4 fragmentos de vídeo]
Julio Plaza
c. 1978 // 0:50 min. P/B com som

Descanso 3’
Julio Plaza
1978 // 2:58 min. P/B sem som

Câmara Obscura
Julio Plaza
1977 // 4:06 min. P/B com som

São vídeos que expressam as possibilidades de elaborar uma estética audiovisual em diálogo com as formas de criação dos artistas brasileiros na década de 1970

Videopost

O artista colombiano Jonier Marin realizou no segundo semestre de 1977, nas atividades do Setor de Vídeo, um projeto de arte coletiva, aglutinando vários artistas internacionais em torno da ideia de produção de obras videográficas. Tendo como ponto de partida a prática da arte postal, Marin estabeleceu correspondência com 19 artistas de países diversos, recebendo orientações de como realizar um vídeo experimental. Esses argumentos enviados pelo correio serviram como uma espécie de roteiro descritivo, a partir do qual Jonier Marin, com a colaboração da equipe do Setor de Vídeo e utilizando o equipamento portapak do museu, realizava os trabalhos sugeridos, compondo a série Videopost com 17 vídeos de curta duração, apresentando temas e propostas estéticas diversas.

Abaixo são exibidos sucessivamente todos os vídeos produzidos para a série Videopost.

Aspectos conceituais e técnicos da produção audiovisual eram praticados em busca de uma linguagem que ainda estava por amadurecer

Linha do Tempo

Esta linha do tempo destaca algumas das iniciativas pioneiras em torno do vídeo, como forma de expressão artística, promovidas pelo MAC USP nas décadas de 1970 e 1980.

1988
Idealizada por Rejane Cintrão e Aracy Amaral, a mostra Espaço Vídeo MAC Panasonic exibiu, entre agosto e dezembro de 1988, uma programação diária de vídeos de artistas brasileiros e estrangeiros. Uma iniciativa com o intuito de aproximar a reflexão e a difusão da produção de videoarte ao contexto da arte contemporânea e das atividades do MAC USP.

1974
Anualmente, Walter Zanini, diretor do MAC USP entre os anos de 1963 e 1978, realizava no museu uma exposição de arte contemporânea internacional. A edição de 1974 apresentou pela primeira vez os trabalhos de videoarte brasileiros.

A Prospectiva 74 foi uma exposição curada por Walter Zanini para o MAC USP, focando essencialmente a produção contemporânea de novas mídias. No texto de introdução, Zanini afirmava: “Esta exposição do MAC, pensada desde meados de 1973, procura trazer ao nosso público uma ampla visão da linguagem resultante das novas mídias (…)”.

1975
Video Art foi a primeira grande mostra internacional de videoarte produzida nos EUA. A convite de Suzanne Delehanty e com a colaboração direta de Walter Zanini, participaram da mostra, realizada no Institute of Contemporary Art da University of Pennsylvania, Sonia Andrade, Antonio Dias, Fernando Cocchiarale, Anna Bella Geiger e Ivens Machado.

1976-1977
Criado por Walter Zanini e coordenado por Cacilda Teixeira da Costa, o Setor de Vídeo do MAC USP foi pioneiro no Brasil por estabelecer uma proposta de trabalho específica para a produção de videoarte em um museu. Organizando mostras, cursos de formação técnica para utilização de equipamentos e auxiliando os artistas na criação de seus trabalhos, suas atividades efetivamente transcorreram de abril de 1977 ao início de 1978.

O Espaço B era uma sala dedicada à programação periódica de vídeos. Nesse lugar, foram exibidas obras realizadas pelos artistas no próprio ambiente de criação do MAC USP e mostras informativas. Entre os trabalhos estão as obras de: Gabriel Borba, José Roberto Aguilar, Sonia Andrade, Rita Moreira, Norma Bahia, Carmela Gross, Julio Plaza, Letícia Parente, Marcelo Nietsche, entre outros.

1976 _Novembro
Aquisição de equipamento portapak modelo AV 3400 da Sony.

1977 _Junho
O curso de iniciação ao vídeo, promovido pelo Setor de Vídeo, serviu como aprendizado para utilização do portapak. Nessa mesma ocasião, Gabriel Borba e José Roberto Aguilar exibem no Espaço B seus mais recentes trabalhos em vídeo: Me e Nós, de Borba, e Lucila, filme policial, de Aguilar.

1977 _Agosto
Gabriel Borba produz a obra O gato acorrentado a um só traço no Setor de Vídeo.

1977 _Setembro–Dezembro
Julio Plaza, Regina Silveira, Carmela Gross, Donato Ferrai, Roberto Sandoval, Gastão de Magalhães, Liliane Soffer, Flávio Pons e Cláudio Goulart realizam suas primeiras experiências com o vídeo, utilizando o equipamento do Setor. Alguns desses trabalhos são exibidos na mostra Vídeo MAC que aconteceu, no Espaço B, em dezembro desse mesmo ano. Outros trabalhos em vídeo são exibidos na mostra, não realizados propriamente no Setor de Vídeo. Alguns destes permanecem desaparecidos, como “Gente” (1977) de Marcelo Nitsche.

1978
Organizado por Walter Zanini e José Roberto Aguilar, o 1º Encontro Internacional de Vídeo Arte exibiu uma série de mostras em torno da produção brasileira e internacional de videoarte, no MIS. Participaram da programação os trabalhos produzidos no Setor de Vídeo do MAC USP.

1986
A exposição Vídeo de Artista e Televisão, organizada por Aracy Amaral e Cacilda Teixeira da Costa, apresentou um conjunto de trabalhos em vídeo sobre a relação entre a produção experimental independente e a televisão comercial.

1988
Idealizada por Rejane Cintrão e Aracy Amaral, a mostra Espaço Vídeo MAC Panasonic exibiu, entre agosto e dezembro de 1988, uma programação diária de vídeos de artistas brasileiros e estrangeiros. Uma iniciativa com o intuito de aproximar a reflexão e a difusão da produção de videoarte ao contexto da arte contemporânea e das atividades do MAC USP.

1974
Anualmente, Walter Zanini, diretor do MAC USP entre os anos de 1963 e 1978, realizava no museu uma exposição de arte contemporânea internacional. A edição de 1974 apresentou pela primeira vez os trabalhos de videoarte brasileiros.

A Prospectiva 74 foi uma exposição curada por Walter Zanini para o MAC USP, focando essencialmente a produção contemporânea de novas mídias. No texto de introdução, Zanini afirmava: “Esta exposição do MAC, pensada desde meados de 1973, procura trazer ao nosso público uma ampla visão da linguagem resultante das novas mídias (…)”.

Arquivo

Apresenta alguns documentos pertencentes ao arquivo MAC USP relativos ao Setor de Vídeo. São cartas e boletins informativos publicados periodicamente que tratam sobre as mostras e eventos promovidos no Setor de Vídeo e no Espaço B, em especial registram as atividades relacionadas à produção e a difusão da videoarte no museu, em 1977. As cartas, storyboards enviados pelos artistas com orientações de como realizar os vídeos experimentais da série Videopost também estão nessa seleção de documentos.

Ficha Técnica

EXPOSIÇÃO Vídeo_MAC (DIGITAL)/ Video_MAC EXHIBITION (DIGITAL)
Curador/Curator: Roberto Moreira S. Cruz
Criação webdesign/Webdesign creation: Julio Dui (Mono Artes Gráficas)
Programação/Programming: Lucas Cancela (Estúdio Grampo)
Apoio/Support: Serviço audiovisual, informática e telefonia (MAC USP)/Computer and telephony service (MAC USP)

Nota da Pesquisa: Todos os esforços foram empreendidos para localizar os artistas e/ou detentores dos direitos autorais dos vídeos. Caso você tenha alguma informação entre em contato com o MAC USP (docmac@usp.br).

Posted by Patricia Canetti at 2:51 PM

Mateu Velasco na Movimento, Rio de Janeiro

Exposição de Mateu Velasco explora as diversas dimensões do tempo em exposição que celebra novo espaço da Galeria Movimento

“A narrativa através da imagem é a semente do meu trabalho.” A afirmação é do artista visual Mateu Velasco, que encerra a individual Infinitivo no dia 12 de setembro, na Galeria Movimento, em Copacabana. Mas o que pauta a curadoria de Sonia Salcedo del Castillo é, na verdade, um questionamento existencial do artista, que exige desacelerar o pensamento e as mãos, rumo ao infinito das coisas, dos acontecimentos, da criação: “De que imagens consigo me lembrar?”.

A exposição reúne cerca de 15 trabalhos produzidos desde o ano passado, a partir de diferentes meios e suportes, como pintura, desenho, fotografia e bordado sobre madeira, tecido ou cerâmica, além de recortes manipuláveis. A mostra celebra o novo espaço ocupado pela galeria de Ricardo Kimaid, no Shopping Cassino Atlântico. A visitação pode ser presencial, sob agendamento prévio, ou através de tour virtual 360º, que permite interatividade e gera informações detalhadas sobre as obras.

A pesquisa artística recente de Velasco gira em torno da retratação do tempo. Não o passado, nem o futuro, mas o mais inconstante dos tempos: o presente. Como retratar o que escapa? Obras como Transitório, Certezas efêmeras, Tempo em trânsito e A espera de um dia que não chega, produzidas em 2020, deixam clara a tensão entre as diversas camadas que permeiam um tempo composto por rupturas e impermanências.

A partir da pandemia, Velasco expandiu seu campo de investigação para a questão da memória. E na escavação de suas lembranças mais primárias, descobriu que são todas essencialmente imprecisas: “é sempre uma narrativa construída, relativa aos afetos despertados”, analisa. O artista encontrou arrimo valioso na obra do poeta Manoel de Barros, que diz que “quem descreve não é dono do assunto, quem inventa é”. A partir desta chancela libertadora, Mateu passou a inventar suas memórias.

Mas um paradoxo científico também o mobilizou: “descobri que o campo onde a memória é armazenada em nosso cérebro é o mesmo que projeta o futuro. Essa capacidade humana de imaginar coisas que ainda não aconteceram, de planejar, criar objetivos e ir em direção a eles é o que nos move. Se você não consegue projetar um futuro, perde expectativa de vida. É interessante pensar que o mecanismo de imprecisão - que pode trair o passado - é o mesmo que nos impulsiona na criação de um por vir”, reflete.

Para Sonia Salcedo, que assina a curadoria com a assistência de Rafael Peixoto, na produção recente de Mateu há uma vontade poética tão intensa, que parece almejar o infinitivo. “À maneira de quem reflete sobre questões filosóficas fundamentais, como a de ser e de estar no mundo, seus trabalhos sugerem driblar a duração sequencial peculiar a Chronos, em favor da indeterminação temporal de Kairós. Em lugar da finitude do tempo entrópico e linear, Velasco indica desejar, portanto, a infinita experiência do momento oportuno”, comenta.

Desenhista nato, Mateu arriscou seus primeiros traços ainda na infância e, desde então, o desenho permeia sua obra. Aliás, é da infância que surgem as memórias das situações mais banais - como ele define - que hoje habitam seu acervo imagético íntimo. Os almoços de sábado na casa dos avós, no Leme, zona sul do Rio, são um disparador frequente da memória de um Mateu menino, que preferia estar na praia. As telas “Sábado em família” (2020) e “Para ver com os olhos” (2020) evocam essa arquitetura afetiva em que a matéria poética é tentativa de elaboração de um tempo passado.

Colecionador de imagens cotidianas, Velasco transforma seu mapa mental em mapa visual e registra quase tudo que vê. Seus desenhos podem partir das curvas do rio que margeia seu ateliê, na Gávea, onde objetos descartados (como bolas de futebol, garrafas vazias e até um volante de fusca) se acumulam aleatoriamente. Sob a perspectiva do artista, até o lixo dos vizinhos é fonte de inspiração: compactado, para caber num saco, cria formas escultóricas e conta histórias sobre consumos, avessos e humanidades.

Na série “Pequenos Achados” (2020), ao adotar a cerâmica como suporte, o artista revela os diferentes estratos do tempo que compõem a matéria. Já na série “Gavetas” (2020), que articula recortes de papel, fotografias, fios de algodão e gelatina, Mateu mistura e reaproveita objetos acumulados pelo exercício coletor que é base de sua poética, para criar uma obra autoral. As “gavetas” manipuláveis lidam com o imprevisível e, a qualquer movimento do espectador, revelam composições infinitas e imprecisas. Assim como as memórias. São as múltiplas camadas e permanências de passados que conferem espessura ao presente do artista.

Velasco iniciou a trajetória artística como ilustrador e muralista, em 1999. Já expôs seus trabalhos em São Paulo, Rio de Janeiro, Los Angeles, Nova York, Seattle, Paris, Milão e Budapeste, entre outras cidades do mundo.

Mais sobre o artista

Mateu Velasco nasceu em Nova York, em 1980, e mudou-se para o Rio com apenas um ano de idade. Formou-se em Desenho Industrial pela PUC-Rio em 2003 e é mestre em Design Gráfico pela mesma universidade. Começou a trabalhar profissionalmente como ilustrador em 1999. Expandiu sua atuação pintando murais públicos no início dos anos 2000, desenvolvendo uma linguagem própria como artista visual, que pode ser encontrada em muros e galerias de São Paulo, Rio, Los Angeles, Nova York, Paris e Milão. É professor no departamento de Artes e Design da PUC-Rio e representado pela Galeria Movimento Arte Contemporânea desde 2008.

Os murais pintados pelo artista tiveram importância fundamental para evolução da arte urbana carioca, pois traziam um estilo próprio de ilustração que incluía uma boa dose de design gráfico, - em cores, estilo e acabamento - evidenciando seu trabalho como um diálogo aberto entre rua e academia.

Artista em deslocamento, Mateu passou nos últimos anos por diferentes cidades e países, incorporando a cada viagem novos elementos ao seu universo imagético. Ao longo dessa jornada vem colecionando imagens do seu cotidiano, transformando-as em desenhos, rabiscos, esboços e grafismos diversos. A junção de cada fragmento constitui o fio condutor do seu processo criativo, convidando o espectador para novas possibilidades de narrativas visuais e poéticas.

Material de imprensa realizado por Mônica Villela Companhia de Imprensa

Posted by Patricia Canetti at 12:56 PM

Latitude fecha parceria com Artsy para inserção de galerias nacionais na plataforma

17 galerias nacionais já possuem páginas dedicadas no maior mercado de arte na internet do mundo

Na atual realidade que vivemos, com todos os impactos causados pela pandemia da Covid-19, a inserção digital de atuantes do setor de arte contemporânea é uma necessidade para que seus trabalhos cheguem ao público. Por isso, o Latitude - Platform for Brazilian Art Galleries Abroad, um dos projetos da Associação Brasileira de Arte Contemporânea (ABACT) em parceria com a e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), tem apoiado as galerias de arte associadas nesta readaptação, trazendo um novo olhar aos seus modelos de negócios.

O apoio do Latitude foca na construção dos acervos das galerias digitalmente, e consiste na facilitação do processo junto a fornecedores para a realização de Exposições 3D, fotografia especializada e vídeos, além também do ingresso em plataformas de venda online, como a internacional Artsy. Com a inserção na plataforma, as galerias podem manter contato com seu público e atingir novas audiências, já que a internet é o maior facilitador do rompimento de fronteiras.

“Este ano tem sido e continua sendo muito desafiador para muitas galerias, e acreditamos que uma presença online é mais crucial do que nunca. ABACT escolheu a Artsy como parceira para dar visibilidade e vendas aos artistas e galerias brasileiras no maior mercado de arte na internet do mundo. Esperamos que a parceria possibilite às galerias tirarem o melhor proveito do que a Artsy tem a oferecer”, afirma Gabriela Brown, Gerente de Parcerias com Galerias LATAM, da Artsy.

A novidade é bastante animadora para as galerias. “A possibilidade de continuar expondo nossos artistas está sendo de vital importância no atual momento. A plataforma Artsy, além de ter um tráfego relevante de colecionadores e interessados no mercado da arte, possibilita uma visibilidade internacional para a Galeria Lume em um momento em que nosso espaço físico está fechado”, afirma Victoria Zuffo, da Galeria Lume.

A parceria entre Latitude e Artsy possibilitou a inserção de 17 galerias brasileiras na plataforma. Na página de cada galeria no site é possível ter acesso às exposições, ao que foi apresentado nas últimas feiras/eventos que a galeria participou, aos artistas são representados pela galeria, e claro, aos valores de cada obra e facilitação no processo de compra. “O câmbio também é uma variável relevante, tanto na assinatura do portal, cujo apoio foi determinante para que a participação da galeria fosse concretizada, quanto pela ótica dos colecionadores internacionais, que podem achar boas oportunidades de investimento em obras que são indexadas em reais”, completa Victoria Zuffo.

“Estamos muito entusiasmados em ver nossas galerias em plataformas internacionais com credibilidade de mercado, como o Artsy. Poder experimentar novos caminhos com as infinitas ferramentas digitais que existem hoje tem sido revigorante para nosso setor. E este novo formato possibilita ainda o acesso a um maior número de pessoas para conhecerem e desfrutarem da arte de galerias de pequeno e grande porte. E isso é incrível!”, afirma Luciana Brito, presidente da ABACT.

Confira as páginas das galerias de arte associadas ao Latitude no Artsy

Bergamin e Gomide
Casa Triângulo
Galeria Nara Roesler
Fortes D’aloia & Gabriel
Galeria Raquel Arnaud
Galeria Marilia Razuk
Galeria Estação
Central Galeria
Zipper Galeria
Galeria Kogan Amaro
Portas Vilaseca Galeria
Galeria Jaqueline Martins
Simões de Assis Galeria de Arte
Galeria Lume
Galeria Luciana Brito
Karla Osorio Galeria
Janaina Torres

Sobre o Latitude - Platform for Brazilian Art Galleries Abroad

O Latitude é um programa desenvolvido por meio de uma parceria firmada entre a Associação Brasileira de Arte Contemporânea - ABACT e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos - Apex-Brasil, para promover a internacionalização do mercado brasileiro de arte contemporânea. Criado em 2007, conta hoje com 51 galerias de arte do mercado primário, localizadas em sete estados brasileiros e Distrito Federal, que representam mais de 1000 artistas contemporâneos. Seu objetivo é criar oportunidades de negócios de arte no exterior, fundamentalmente através de ações de capacitação, apoio à inserção internacional e promoção comercial e cultural. O volume das exportações definitivas e temporárias das galerias do projeto Latitude vem crescendo significativamente. Em 2007, foram exportados US$ 6 milhões e, de acordo com a última Pesquisa Setorial Latitude publicada, em 2017 atingiu-se mais de US$ 65 milhões. As galerias Latitude foram responsáveis por 42% do volume total das exportações do setor no ano. Desde abril de 2011, quando a ABACT assume o convênio com a Apex-Brasil, foram realizadas 48 ações em mais de 26 diferentes feiras internacionais, com aproximadamente 300 apoios concedidos a galerias Latitude. Neste mesmo período, foram trazidos ao Brasil aproximadamente 250 convidados internacionais, entre curadores, colecionadores e profissionais do mercado, em 23 edições de Art Immersion Trips. Além dessas ações, o Latitude realizou cinco edições de sua Pesquisa Setorial, com dados anuais sobre o mercado primário de arte contemporânea brasileira.

Material de imprensa realizado por Fernanda Guarda

Posted by Patricia Canetti at 11:46 AM

setembro 3, 2020

Wisnik e Kaz conversam sobre Burle Marx na Almeida e Dale, São Paulo

O curador da mostra Guilherme Wisnik conversa com Leonel Kaz sobre Roberto Burle Marx. A transmissão acontece no instagram @almeidaedale e será disponibilizada posteriormente no canal da galeria no youtube.

3 de setembro de 2020, quinta-feira, às 17h

Sobre a mostra que fica em cartaz até 31 de outubro de 2020

A exposição Burle Marx: paraísos inventados, na Galeria Almeida e Dale, em São Paulo, apresenta um recorte da produção pictórica, gráfica, escultórica, objetual e paisagística de Roberto Burle Marx (1909-1994). Reconhecido mundialmente como um dos paisagistas mais importantes do século XX, Burle Marx não concebia diferença entre seus projetos de jardins, suas pinturas e seus desenhos. Influenciado pelo Cubismo, combinou o geometrismo e o organicismo de modo ímpar, criando uma poética identificada ao hedonismo lírico da cultura tropical, hoje associada ao termo “Sul Global”. Sua adoração pelas potências da natureza, numa época dominada pelo racionalismo cientificista, faz de Burle Marx um artista pioneiro, muito importante no contexto de um mundo que revê criticamente a ideia cartesiana e iluminista de separação estanque entre natureza e cultura, à luz do conceito de Antropoceno.

Respeitando a cronologia de uma obra que se desenvolve dos anos 1930 aos 1990, a exposição não separará de forma estanque seus trabalhos conforme o medium. Ao contrário, buscará uma aproximação entre as linguagens, relacionando, por exemplo, projetos de jardins, desenhos e pinturas, de modo a explicitar a unidade do seu pensamento.

O título da exposição alude à liberdade com que o artista trabalhava, formulando mundos edênicos em suas obras. Mundos transbordantes de potência criativa, nos quais a lógica geométrica da composição não se opõe à curva orgânica da natureza, muito ao contrário.

Sobre os palestrantes

Leonel Kaz é curador e editor de UQ! Editions e foi Secretário de Cultura e Esportes do Estado do Rio. Foi o editor do livro “Debret Flowers and Fruits” com texto de Burle Marx e escreveu a introdução do livro “Burle Marx”, de Renato Kemp. Curador de várias exposições, entre as quais VIK MUNIZ, no MAM-Rio, MASP, MON-Curitiba; Provocando o olhar, no MASP; O Colecionador – Arte Brasileira e Internacional na Coleção Boghici, no MAR-Museu de Arte do Rio; A Inusitada Coleção de Sylvio Perlstein, no MAM-Rio e no MASP, Arte e Ousadia - O Brasil na Coleção Sattamini no MASP. Como profissional de comunicação foi diretor de publicações em Bloch Editores e Editora Abril, assim como editor em O Globo e é co-autor do livro Museus do Brasil (editora Atlântica).

Guilherme Wisnik é professor da FAU-USP e autor de livros como Lucio Costa (Cosac Naify, 2001), Oscar Niemeyer (Folha de S. Paulo, 2013), Espaço em obra: cidade, arte, arquitetura (Edições Sesc SP, 2018, com Julio Mariutti), publicou ensaios em diversos livros e revistas, tais como Artforum, Architectural Design, Domus, Arch +, Baumeister, Urban China, Plot e Monolito.
É membro da APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte e foi Curador Geral da 10ª Bienal de Arquitetura de São Paulo (Instituto de Arquitetos do Brasil, 2013).

Posted by Patricia Canetti at 2:14 PM

Fortes D’Aloia & Gabriel lança a plataforma digital Transe

A Fortes D’Aloia & Gabriel lançou em 4 de agosto, às 19h, a plataforma digital Transe - transe.art.br - que promove e interconecta vários agentes das artes visuais no Brasil. 0101 Art Platform, auroras, Casa do Povo, Galeria Estação, Galeria Superfície, Olhão, Pivô, Projeto Vênus e Sé Galeria inauguram essa rede de colaboração que tem como objetivo se expandir e se transformar com novas rodadas de participantes, a cada três meses. A iteração inaugural foi delineada a partir do circuito paulistano, mas a plataforma receberá também instituições de outras cidades do País.

Abrigada no site da Fortes D’Aloia & Gabriel, Transe surge do desejo de contribuir para a motricidade do circuito das artes visuais, da vontade de coexisitr na interação e no diálogo com diversas entidades atuantes hoje no País. Transe é um campo aberto de troca e exposição, uma iniciativa que propõe união na experiência comum ao mesmo tempo que reafirma a crença na multiplicidade de modelos e linguagens.

Uma série de conversas entre dirigentes das entidades integrantes, curadores e artistas convidados serão incorporados ao longo de cada ciclo, estimulando escuta e reflexão. As atualizações serão constantes, criando um conteúdo dinâmico. Para celebrar a inauguração de Transe, o site da galeria será dedicado por 24h exclusivamente para o projeto.

0101 Art Platform
O 01.01 é uma plataforma de arte que oferece uma maneira mais consciente e sustentável de adquirir arte contemporânea, com foco na produção de artistas africanos e afro-diaspóricos. Criados por artistas e curadores africanos / brasileiros, são apoiados por instituições no Reino Unido (Bockantaj - Inglaterra), Portugal (Galeria ILHA DO GRILO - Lisboa) e Gana (Fundação Ganesa de Arte Contemporânea). O objetivo é reverter antigas rotas de comércio de escravidão em um circuito de intercâmbio cultural, promovendo maneiras justas de coletar e consumir arte.
Transe: 01.01 apresenta a residência internacional Death & Life, uma comunidade temporária criada entre mestres da arte contemporânea, artistas emergentes, colecionadores e outros agentes. O objetivo deste encontro é repensar ética e estética não-hegemônicas com produtores inseridos no mercado de arte e exteriores a ele.

Auroras
auroras é um espaço de arte independente voltado a ideias e projetos de artistas. Baseado em uma casa modernista na cidade de São Paulo, o espaço realiza exposições, itinerâncias institucionais, projetos, editais, publicações, atividades educativas e conversas abertas ao público, incentivando o diálogo entre artistas, críticos, curadores, estudantes e o público em geral e conversas abertas ao público, incentivando o diálogo entre artistas, críticos, curadores, estudantes e o público em geral.
Transe: o auroras tem o prazer de apresentar a exposição Acauã e o Fantasma, um diálogo entre a obra de Rivane Neuenschwander e do escultor José Bezerra, com curadoria de Gisela Domschke.

Galeria Estação
Com um acervo entre os mais importantes do país, a Galeria Estação, inaugurada no final de 2004, consagrou-se por revelar e promover a produção de arte brasileira não erudita. A galeria foi responsável pela inclusão desta linguagem na cena artística contemporânea, ao editar publicações e realizar exposições individuais e coletivas dentro e fora do País. Partindo desta rara competência, o espaço consegue oferecer um panorama histórico e atual de uma produção que ultrapassou os limites da arte popular, ao mesmo tempo em que investiga nomes que, independentemente da formação, trabalham com elementos da mesma fonte.
Transe: a Galeria Estação compartilha um panorama da primeira individual de Santídio Pereira, apresentada em 2016. “Dedicado, sério e focado, Santídio interage com naturalidade no chamado mundo cultural, o que nos leva a pensar que nasceu artista. Constantemente faz novos cursos e mostra interesse em outras linguagens artísticas.”

A Casa do Povo
A Casa do Povo é um centro cultural que revisita e reinventa as noções de cultura, comunidade e memória. Habitada por uma dezena de grupos, movimentos e coletivos, alguns há décadas e outros mais recentes, a Casa do Povo atua no campo expandido da cultura. Criada em 1946 por parte da comunidade judaica progressista, o espaço nasceu de um desejo duplo: homenagear os que morreram nos campos de concentração nazistas e criar um espaço que reunisse as mais variadas associações na luta internacional contra o fascismo. Seus eixos de trabalho - memória, práticas coletivas e engajadas, diálogo e envolvimento com o seu entorno - são pensados a partir do contexto contemporâneo em relação direta com suas premissas históricas, judaicas e humanistas.
Transe: Os trabalhos apresentados coexistem no espaço em temporalidades diferentes, de modos distintos: chegaram ao edifício em comissionamentos específicos ao longo dos últimos sete anos, alguns efêmeros, outros mais permanentes, alguns como plataformas a serem usadas no dia a dia, outros como instalações a serem visitadas. Estes trabalhos ativam de formas diferentes o passado da instituição, sempre numa relação estreita com as questões do presente. Reunimos aqui uma seleção que pudesse dar conta do caráter híbrido e um tanto experimental que caracteriza os trabalhos comissionados para um centro cultural, espaço comunitário e lugar de memória, como é a Casa do Povo.

Galeria Superfície
Inaugurada em maio de 2014, a Galeria Superfície desenvolve um seleto programa de exposições, em paralelo ao desenvolvimento da carreira de artistas contemporâneos e artistas de vanguarda cuja produção centra-se em torno dos anos 70. Dirigida por Gustavo Nóbrega a galeria desenvolve não apenas um trabalho comercial, de inserção de artistas em importantes coleções, como também mantém estreita relação com instituições e museus. Entre suas atividades, destaca-se a dedicação da galeria à produção de publicações voltadas à disseminação de grupos de vanguarda histórica, bem como artistas em meio de carreira.
Transe: a Galeria Superfície apresenta o trabalho de Lotus Lobo. Sua prática artística identifica-se profundamente com o repertório técnico, mas também experimental da Litografia. Sua pesquisa caracteriza-se pelo uso diversificado de suportes e procedimentos extraídos do processo litográfico, sua capacidade técnico-expressiva, que se manifesta como importante aporte material e conceitual para a sedimentação da linguagem autoral. Tal investigação inaugura-se com a apropriação e ressignificação de marcas litográficas industriais, perpassa a experimentação de diferentes bases (pedra, papel, plástico, acrílico e folha de flandres), culminando na intervenção e releitura das marcas (as anotações).

Olhão
O Olhão é um espaço cultural independente, sem fins lucrativos, na Barra Funda (SP - Brasil) gerido pela artista Cléo Döbberthin. É um território experimental que procura refletir e atuar sobre práticas contemporâneas no campo das artes. Além de um ponto de encontro entre participantes da comunidade artística e o público em geral.
Transe: o Olhão apresenta Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, de Tiago Mestre e Dudi Maia Rosa. A exposição pode ser entendida como uma narrativa que se debruça especificamente sobre a relação do individuo com a paisagem, remetendo para a ligação profunda e ancestral entre a forma construída e a forma natural. Como parte dos esforços em manter uma programação durante o período de quarentena, o OLHÃO anuncia também o Programa de Web Residência. Toda semana um artista convidado ocupa o Instagram do Olhão e, ao final do período, apresenta um video. Em Transe, Wisrah Villefort, Sony Gelo, 2020.

Pivô
Sediado no icônico edifício Copan, o Pivô é um espaço de arte autônomo fundado em 2012, que atua como uma plataforma para a experimentação e pensamento crítico de artistas, curadores, pesquisadores e público em geral. O programa da instituição é composto por exposições, residências, palestras e publicações de artistas brasileiros e estrangeiros.
Transe: Com a pandemia, o Pivô suspendeu suas atividades públicas e desenvolveu uma programação voltada para os meios digitais que compartilha em Transe. Em julho, foi lançada a nova plataforma de projetos em ambiente virtual, o Pivô Satélite, com projeto desenvolvido pela curadora Diane Lima e participação de Rebeca Carapiá, biarritzzz, Diego Araúja e Raylander Mártis dos Anjos. O Pivô Pesquisa, programa de residências artísticas da instituição, articula dinâmicas de criação e interlocução coletivas e individuais, e é atualmente apoiado em diversas atividades online - encontros, grupos de trabalho, aulas, palestras - algumas delas abertas ao público. O Ciclo II de 2020 acontece entre os dias 30 de junho e 21 de setembro, sob condução da curadora, crítica de arte e pesquisadora convidada Clarissa Diniz, e conta com a participação de Ana Almeida, Bruna Kury, Christian Salablanca Díaz, Érica Storer de Araújo, Iagor Peres, Pepi Lemes, Vita Evangelista e Yhuri Cruz.

Projeto Vênus
Projeto Vênus é o escritório lira do delírio do curador Ricardo Sardenberg acoplado a um espaço expositivo: uma plataforma dedicada a interagir com a arte contemporânea brasileira e em particular com a sua versão paulistana.
Transe: o Projeto Vênus apresenta sua primeira exposição virtual: Nine out of Ten. Reunindo seis artistas representados pelo escritório e mais três convidados: Adriana Coppio, Camile Sproesser, Flora Rebollo, Janina McQuoid, Luiz Queiroz e Paula Scavazzini, acompanhados dos notáveis Giulia Puntel, Olga Carolina e Yan Copelli. Nine out of Ten é uma referência explícita à música homônima de Caetano Veloso, onde ele relata a beleza e a delícia de estar vivo caminhando pela Portobello Road, em Londres, e encontrar o som do Reggae no início dos anos 1970.

Sé Galeria
A Sé atua em colaboração e parceria com os artistas representados, privilegiando o acompanhamento crítico e a realização de projetos institucionais. Busca também formar novos públicos para artistas e obras que expressem uma visão conceitual e processual de arte contemporânea. A Sé representa 19 artistas brasileiros, todos com sólida trajetória institucional ou acadêmica. A maioria deles inaugurou seu diálogo com o mercado por meio da galeria.
Transe: A Sé Galeria apresenta a individual de Edu de Barros. "Marcel Duchamp, Hélio Oiticica e Hebe Camargo voltarão. Assim o artista Edu de Barros profecia um nem tão longe 2070 pós-apocalíptico. Por isso, sua primeira individual em São Paulo é uma contraproposta ao caos que se anuncia como o fim do mundo. Longe de resignar-se com a hipotética contagem regressiva até o apocalipse, Edu provocativamente engrossa o coro dos que esperam o regresso dos mitos e dos messias do passado, celebrando a criação em meio à convulsão em curso”, trecho do texto curatorial de Clarissa Diniz.

Posted by Patricia Canetti at 12:44 PM

Alair Gomes e Robert Mapplethorpe na Fortes D’Aloia & Gabriel - Artsy OVR

Alair Gomes e Robert Mapplethorpe revisita a exposição que aconteceu na galeria em 2017 e propôs uma justaposição inédita entre a obra de Alair Gomes (1921-1992) e Robert Mapplethorpe (1946-1989). Agora, temos o prazer de apresentar a mostra online, até 18 de outubro de 2020, em que a obra do consagrado fotógrafo americano é mais uma vez vista lado a lado com um artista brasileiro.

Acessar o Online Viewing Room

O ponto de partida deste diálogo é o desejo – compartilhado por ambos os artistas em textos e entrevistas – de fazer presente em suas obras a experiência de transcendência do sexo. A exposição explora essa relação através do olhar que busca no corpo a perfeição da escultura clássica; na noção de teatralidade presente em Mapplethorpe em oposição ao corpo natural de Gomes; e finalmente na praia como um lugar idealizado do prazer, retratada por ambos os artistas. Dessa forma, os trabalhos são intercalados formando grupos temáticos, sem uma ordem cronológica. Embora as fotografias apresentadas partam de um período próximo, do final da década de 1970 ao início dos anos 1980, essa aproximação é também capaz de marcar algumas diferenças fundamentais entre a produção dos dois. É curioso notar, por exemplo, que enquanto Mapplethorpe nomeia seus personagens, não apenas mostrando seus rostos, mas emprestando-lhes status de celebridade, Gomes opta pelo anonimato total.

Ao longo da maior parede da Galeria, um grupo heterogêneo de imagens de Mapplethorpe trata a praia como um lugar de hedonismo e prazer. O corpo parece integrar-se à paisagem em poses que imitam relevos, fotografados à luz do sol. Outras fotos menos conhecidas revelam o olhar do artista sobre a paisagem crua. Essas imagens são intercaladas com as Sonatinas, Four Feet (1970–1980) de Alair Gomes, realizadas com uma teleobjetiva da janela de seu apartamento em Ipanema. Embora conceda um alcance maior, o uso dessa lente reduz a nitidez das imagens, de modo que as Sonatinas privilegiam a composição geométrica dos corpos em relação à textura contrastada da areia e aos instrumentos de ginástica. O olhar distante procura na ação espontânea uma estrutura geométrica rígida, ao mesmo tempo em que explicita códigos não falados da masculinidade, da interação e da intimidade entre dois homens em público.

Ao fundo da Galeria, fotos de estúdio de Mapplethorpe retratam partes do corpo em recortes precisos, cuidadosamente posados e iluminados com objetivo de realçar suas qualidades escultóricas – volume, peso e superfície estão em evidência. O corpo da fisiculturista Lisa Lyon se mistura aos nus masculinos dessa sequência, denotando a preocupação do artista nas questões de representação de gênero. Ao lado dessas imagens, aparecem os Beach Triptychs (c. 1980) de Gomes que, apesar de sua natureza espontânea, do momento captado sem pose, traduzem a mesma preocupação com a representação clássica de um corpo-escultura.

Um terceiro grupo une imagens de S&M de Mapplethorpe (como Leather Crotch e Frank Diaz, ambas de 1980) com outras onde papéis masculinos e questões de raça são evidenciados por vestimentas. Hooded Man (1980), por exemplo, mostra um homem negro totalmente pelado usando apenas um capuz. Esse grupo aparece lado a lado da obra Sonatinas, Four Feet no 32, talvez a mais explicitamente homoerótica da série.

Robert Mapplethorpe (Nova York, EUA, 1946 – Boston, EUA, 1989) é um dos artistas americanos mais importantes do século XX. Sua produção, catalogada e organizada ainda durante sua vida, continua sendo vista e reexaminada à luz das discussões contemporâneas de gênero. Com o apoio da Robert Mapplethorpe Foundation, criada em 1988, sua obra tem sido tema de retrospectivas em diversas instituições. Destacam-se suas exposições recentes em: Kunsthal Rotterdam (Roterdã̃, 2017), The Getty Museum of Art (Los Angeles, 2016), LACMA (Los Angeles, 2016), Montreal Museum of Fine Arts (Montreal, 2016), Kiasma Museum (Helsinki, Finlândia, 2015), Bowes Museum (Durham, Reino Unido, 2015), Tate Modern (Londres, 2014), Grand Palais (Paris, 2014), Musée Rodin (Paris, 2014). Mapplethorpe está presente em diversas coleções importantes ao redor do mundo, entre as quais: MoMA (Nova York), Solomon R. Guggenheim Museum (Nova York), Metropolitan Museum of Art (Nova York), Whitney Museum of Modern Art (Nova York), SFMOMA (San Francisco), Tate (Londres), National Portrait Gallery (Londres), Centre Georges Pompidou (Paris), Stedelijk Museum (Amsterdã̃), Museum of Contemporary Art (Tóquio).

Alair Gomes (Valença, Brasil, 1921 – Rio de Janeiro, Brasil, 1992), apesar de celebrado por um público seleto, permanece pouco conhecido e estudado, tanto no Brasil quanto fora. Sua obra tem sido resgatada aos poucos, especialmente desde o sucesso de sua exposição na Fondation Cartier, Paris, em 2001. Suas exposições recentes incluem: Young Male, Casa Triângulo (São Paulo, 2016), Muito Prazer, Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro, 2016), Percursos, Caixa Cultural (São Paulo, 2015), 30. Bienal de São Paulo (2012), A New Sentimental Journey, Maison Européenne de la Photographie (Paris, 2009).

Posted by Patricia Canetti at 12:22 PM

Casa Roberto Marinho reabre ao público

Instituto será reaberto no dia 5 de setembro, sem cobrança de ingresso e com protocolo reforçado de segurança sanitária

No dia 5 de setembro de 2020 (sábado), a Casa Roberto Marinho será reaberta ao público, cumprindo a determinação do decreto municipal que estabelece a retomada dos centros culturais. Com o objetivo de zelar pela segurança de funcionários e visitantes, a direção do instituto elaborou um protocolo sanitário reforçado com base nas orientações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre outras medidas, o protocolo prevê aferição de temperatura na entrada e distanciamento orientado entre o público. Segue em cartaz até 13 setembro a exposição O Jardim, com curadoria de Lauro Cavalcanti.

Nesta reabertura, a Casa não terá cobrança de ingresso, mas há exigência de reserva prévia no site da instituição (http://www.casarobertomarinho.org.br/), como forma de controle de fluxo. O visitante efetua a reserva e recebe um código de acesso ao instituto através do e-mail cadastrado. O serviço de bilheteria está temporariamente suspenso. A gratuidade vai vigorar até 4 de outubro.

Pontos de álcool em gel estrategicamente distribuídos pelos espaços, distanciamento de 2m orientado por meio de marcações no piso e uso obrigatório de máscara durante a permanência no instituto são algumas das medidas a serem adotadas. O acesso à exposição O Jardim será permitido somente em quatro horários pré-determinados: 12h, 13h30, 15h e 16h30, com circulação simultânea de apenas 80 pessoas (sendo o total máximo diário de 320 visitantes).

A cafeteria igualmente terá capacidade reduzida (com maior distanciamento entre as mesas), cardápio digital, uso de descartáveis quando possível e intensificação da limpeza de mesas e cadeiras com álcool 70%. A livraria do espaço também estará aberta ao público.

Fechada em 16 de março, em virtude da pandemia de Covid-19 e após a publicação do Decreto Estadual nº46966, do Governador do Estado do Rio de Janeiro, a Casa Roberto Marinho se manteve ativa digitalmente, reafirmando seu compromisso com a difusão da arte brasileira. Durante o incontornável período de isolamento social, o instituto idealizou a série “Conversas da Casa”, que apresentou bate-papos gravados entre artistas, curadores, críticos e personalidades de destaque do meio artístico. Entre eles, Beatriz Milhazes, Angelo Venosa, Carlos Vergara, Luiz Aquila, José Bechara, Paulo Sergio Duarte e Frederico Morais. Palestras, vídeos, atividades artísticas para as famílias e outros conteúdos digitais foram regularmente disponibilizados através das redes da instituição, mantendo a conexão entre a Casa e seus públicos.

“A Casa Roberto Marinho será reaberta com todos os cuidados devidos, para que o público se sinta seguro e resgate a sensação de prazer oferecida pelos diversos espaços da Casa, que funciona como um oásis em meio à cidade. A possibilidade de retomar o contato presencial com a natureza e com a arte, através de duas belíssimas exposições, é o convite desta reabertura”, informa Lauro Cavalcanti, diretor do instituto no Cosme Velho.

Sobre a coletiva O Jardim

Os jardins da Casa Roberto Marinho inspiram a temática da exposição, que reúne xilogravuras, objetos e serigrafias individualmente interferidas. A convite do diretor do instituto, Lauro Cavalcanti, 11 artistas contemporâneos criaram múltiplos alinhados pela diversidade de suas linguagens: Angelo Venosa, Beatriz Milhazes, Carlito Carvalhosa, Hilal Sami Hilal, Iole de Freitas, Luciano Figueiredo, Maria Bonomi, Paulo Climachauska, Regina Silveira, Suzana Queiroga e Vânia Mignone. A curadoria optou por incluir também as matrizes e registros dos processos de cada artista, revelando suas práticas no ateliê.

Confira o protocolo de proteção sanitária de reabertura:

Visitantes
Reserva de ingressos on-line, através do site da instituição, evitando aglomeração na bilheteria;
Distanciamento de 2m entre os visitantes orientado pelos funcionários e por meio de marcações no piso dos espaços;
Redução do número de visitantes simultâneos na Casa Roberto Marinho (respeitando o distanciamento);
Aferição de temperatura de todos os visitantes na chegada à Casa (pessoas com temperaturas acima de 37ºC deverão reagendar a visita);
Distribuição de máscaras descartáveis para os visitantes que estiverem sem (a utilização de máscara será obrigatória em todo o período de permanência no Instituto);
Utilização de tapete sanitizante na entrada da bilheteria;
Pontos de álcool em gel distribuídos estrategicamente pelos espaços;
Lixeiras específicas para o descarte das máscaras;
Cinema com somente 1/3 da capacidade. Todas as poltronas serão recobertas por capas de marcação/proteção, que simultaneamente indicarão as posições disponíveis e serão trocadas a cada sessão;
Intensificação da limpeza do cinema, corrimãos das escadas, elevadores, maçanetas das portas e banheiros;
As cadeiras de rodas contarão com capas protetoras de plástico, utilizadas e posteriormente descartadas a cada uso.

Funcionários
Aferição de temperatura de todos os funcionários diretos, indiretos, terceirizados e parceiros (funcionários com temperaturas maiores do que 37ªC não poderão trabalhar);
Uso de máscaras obrigatório, devendo ser trocadas a cada duas horas.
Uso de face shield por todos os funcionários diretos, indiretos, terceirizados e parceiros;

Cafeteria
Capacidade reduzida com maior distanciamento entre as mesas;
Cardápio digital;
Uso de descartáveis quando for apropriado;
Intensificação da limpeza das mesas e cadeiras com álcool 70.

Serviço:

Instituto Casa Roberto Marinho
Rua Cosme Velho, 1105 - Rio de Janeiro
Tel: (21) 3298-9449

Reabertura: sábado, 5 de setembro de 2020, ao meio-dia (área verde e cafeteria a partir das 9h)

Reserva de ingressos pelo site

Horários de visita às exposições:
12, 13h30, 15h e 16h30

Horários de funcionamento regular:
Terça a domingo, das 12h às 18h
Aos sábados e domingos, a área verde e a cafeteria abrem a partir das 9h.

Estacionamento gratuito para visitantes, em frente ao local, com capacidade para 30 carros.

A Casa Roberto Marinho é acessível a portadores de deficiências físicas.

Material de imprensa realizado por Mônica Villela Companhia de Imprensa

Posted by Patricia Canetti at 11:11 AM

Projeto Latitude apoia sete galerias brasileiras na BAphoto Live

Serão sete galerias de arte brasileiras que vão participar da BAphoto Live, a versão digital da feira de arte de Buenos Aires, que acontece de 1 a 15 de setembro de 2020. Através do Latitude - Platform for Brazilian Art Galleries Abroad, uma parceria entre a Associação Brasileira de Arte Contemporânea – ABACT e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos – Apex-Brasil, as galerias Aura, Janaina Torres, Karla Osorio, Luciana Brito, Luisa Strina, Mamute e Múltiplo Espaço Arte, estão entre os 60 expositores que terão suas obras disponíveis na plataforma do evento.

Algumas exposições estarão na seção principal da feira e outras poderão ser encontradas na Gallery Show. Abaixo mais detalhes do que cada galeria preparou para seu estande.

Galeria Aura: Os trabalhos dos artistas Júlia Milward, Paula Scamparini e Renato Custódio compõem o estande da Aura na BAphoto deste ano, que estará localizado na seção Geral da feira. Enquanto Júlia explora em suas obras o passado, as memórias e as lembranças, Paula foca nas paisagens como elemento central de sua arte. As fotografias de Renato Custódio se voltam a elementos arquitetônicos, projetando esculturas geométricas em lugares propícios à prática do skate, esporte que ele exercita desde sua infância.

Janaina Torres Galeria: O tema do estande na BAphoto, que estará na seção principal do evento, é ‘Paisagens Alteradas’ e as obras expostas são de Pedro David e Kitty Paranaguá.

Karla Osorio Galeria: O estande que leva o tema ‘Desafios – Fotografia engajada, foto performance em gênero e raça’ apresenta dois artistas, Élle de Bernardini e Moisés Patrício, em série de obras, que são resultado de foto performance de cada um. As obras refletem o engajamento e dedicação de cada um dos artistas a causas de forte cunho social e político. A galeria participa da seção principal da feira.

Luciana Brito Galeria: Presente na seção Gallery Show, a galeria traz obras de Caio Reisewitz, Geraldo de Barros, Rochelle Costi, Thomas Farkas e Gaspar Gasparian. Este último artista terá também um trabalho expositivo na seção Artista Convidado, com curadoria de Francisco Medail.

Galeria Luisa Strina: No estande da galeria na BAphoto estarão expostas obras dos artistas Carlos Garaicoa, Alfredo Jaar, Miguel Rio Branco e Pedro Motta.

Mamute: A proposta da exposição, que estará na Gallery Show, é cruzar dois artistas cujo lema de pesquisa é a reconfiguração da arquitetura: Bruno Borne e Letícia Lampert.

Múl.ti.plo Espaço Arte: Os artistas Walter Carvalho e Murilo Salles terão seus trabalhos expostos no estande da galeria na BAphoto deste ano.

Sobre o Latitude - Platform for Brazilian Art Galleries Abroad

O Latitude é um programa desenvolvido por meio de uma parceria firmada entre a Associação Brasileira de Arte Contemporânea - ABACT, e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos - Apex-Brasil, para promover a internacionalização do mercado brasileiro de arte contemporânea. Criado em 2007, conta hoje com 51 galerias de arte do mercado primário, localizadas em sete estados brasileiros e Distrito Federal, que representam mais de 1000 artistas contemporâneos. Seu objetivo é criar oportunidades de negócios de arte no exterior, fundamentalmente através de ações de capacitação, apoio à inserção internacional e promoção comercial e cultural.

O volume das exportações definitivas e temporárias das galerias do projeto Latitude vem crescendo significativamente. Em 2007, foram exportados US$ 6 milhões e, de acordo com a última Pesquisa Setorial Latitude publicada, em 2017 atingiu-se mais de US$ 65 milhões. As galerias Latitude foram responsáveis por 42% do volume total das exportações do setor no ano.

Desde abril de 2011, quando a ABACT assume o convênio com a Apex-Brasil, foram realizadas 48 ações em mais de 26 diferentes feiras internacionais, com aproximadamente 300 apoios concedidos a galerias Latitude. Neste mesmo período, foram trazidos ao Brasil aproximadamente 250 convidados internacionais, entre curadores, colecionadores e profissionais do mercado, em 23 edições de Art Immersion Trips. Além dessas ações, o Latitude realizou cinco edições de sua Pesquisa Setorial, com dados anuais sobre o mercado primário de arte contemporânea brasileira.

Posted by Patricia Canetti at 10:04 AM

O Real Resiste nas ruas, becos, avenidas e vielas do Rio de Janeiro

Saulo Nicolai O Real Resiste

Saulo Nicolai (Favelagrafia, Morro do Fogueteiro)

A partir de 29 de agosto, mais de cem lambe-lambes vão pousar nas paredes e muros do Rio de Janeiro. O Real Resiste, título de uma canção de Arnaldo Antunes, é uma ocupação urbana concebida por Manuela Muller e Maneco Muller, com cartazes de 2 X 3 metros que despejarão ideias, desejos, gritos — seja lá o que for — em fotografias, poesias, desenhos, grafias e pinturas.

O gesto nasce em contraponto a um processo de demolição da cultura, de amplificação dos negacionismos, do poder punitivo e sua escalada sem fim, da mediocridade, do preconceito, do desrespeito a República, da banalização de tantas mortes que poderiam ser evitadas.

Artistas participantes: Ana Calzavara, Cabelo, Carlito Carvalhosa, Carlos Vergara, Casa Voa com Bernardo Vilhena, Antonio Bokel, Carolina Kasting, Clarice Rosadas, Maria Flexa, Marcelo Macedo e Mateo Velasco, Chelpa Ferro (Luiz Zerbini, Barrão e Sergio Mekler), Criola, Elvis Almeida, João Sánchez, Marcos Chaves, Pedro Sánchez e Raul Mourão. Entre os poetas, Catarina Lins, Gabriela Marcondes e Marina Wisnik. Entre os fotógrafos, Anderson Valentim (Favelagrafia, Morro do Borel), Elana Paulino (Favelagrafia, Morro Santa Marta), Josiane Santana (Favelagrafia, Complexo do Alemão), Joyce Piñeiro (Favelagrafia, Morro da Providência), Omar Britto (Favelagrafia, Morro da Babilônia), Rafael Gomes (Favelagrafia, Rocinha), Saulo Nicolai (Favelagrafia, Morro do Fogueteiro) e Walter Carvalho. Entre os músicos, Arnaldo Antunes e Leo Gandelman.

Posted by Patricia Canetti at 9:38 AM

Caminhos/Ways na Jaqueline Martins, São Paulo

Estamos de volta com a exposição Caminhos/Ways!

Caminhos/Ways, obra do coletivo Arte/Ação, é o ponto de partida para nossa nova exposição de acervo. Multidisciplinar, a seleção sobrepõe trabalhos que, apesar de se construírem a partir de diferentes linguagens, inquietações conceituais e estratégias de pesquisa, reafirmam o compromisso da Galeria Jaqueline Martins em apresentar artistas que elaboram obras como zona de contato para o exercício de reflexões estéticas, sociais e políticas.

Acessar o Online Viewing Room

Para garantir a segurança de nossos visitantes e equipe, implementamos medidas de saúde pública, como a exigência de que todos usem máscaras e mantenham uma distância segura. Para agendar uma visita à galeria, entre em contato por email. Estamos funcionando de segunda à sexta-feira, das 10 às 16h30.

Posted by Patricia Canetti at 9:11 AM

Carlos "Marilyn" Monroy apresenta serviços performáticos experimentais no Fonte

A partir de 3 de setembro – e por um mês – Monroy irá habitar o espaço de ateliês coletivos Fonte, com câmeras ligadas ininterruptamente em tempo real: A ação se inicia com sugestões do público para a pergunta “Quer que eu faça o quê?”, frase usada por Bolsonaro para responder à imprensa sobre medidas para a Covid-19

A live inaugural acontece quinta-feira, 3 de setembro, às 19h, em www.youtube.com/watch?v=5OIQ87-oUWo

Diante dos desafios impostos pela pandemia o Fonte, espaço de ateliês coletivos e residências artísticas, lança o programa “Sala de acontecimentos” em que ações serão irradiadas através de plataformas digitais.

O primeiro artista a ocupar a “Sala de Acontecimentos” será o colombiano Carlos "Marilyn" Monroy. O título 1MONTH-ROY faz referência ao período de um mês que o artista irá habitar o espaço expositivo do Fonte com câmeras ligadas ininterruptamente em tempo real.

A cada dia ele fará posts sobre seu processo criativo e transmissões ao vivo criando circunstâncias de diálogo com o público, experimentando com o corpo e as plataformas de redes sociais, procurando repensar o formato já habitual das lives.

O artista que pesquisa ideia de re-formance, isto é a possibilidade de refazer performances à luz do contexto atual, repete o gesto de artistas já clássicos que também se dispuseram a habitar o cubo branco, adicionando camadas de ironia e trazendo novos pontos de vista Latino-americanos ao, entre outras ações, re-transmitir aulas de danças e ritmos populares.

A ação de Monroy se inicia buscando sugestões do público com a pergunta “Quer que eu faça o quê?” uma das frases com que o presidente Jair Bolsonaro respondeu a imprensa que questionava sobre medidas para o controle da pandemia. Estar a disposição dos comentários e sugestões do público das redes sociais em 2020 é contar com um risco de violência em potencial.

Curadoria: Marcelo Amorim (ler texto)
Produção e operação de vídeo: Pedro Gallego
Assistência de produção: Niki Nomura
Realização: Fonte e Monroy's Performance Services

Acompanhe pelas redes sociais: instagram.com/carlos_monroy_visual_arts e instagram.com/residenciafonte.

Posted by Patricia Canetti at 8:33 AM

setembro 2, 2020

Como habitar o presente? Ato 2 na Simone Cadinelli, Rio de Janeiro

“Como habitar o presente? Ato 2 – Estamos aqui”

Dando sequência ao Ato 1, a galeria vai expor em sua vitrine, voltada para a rua Aníbal de Mendonça, em Ipanema, trabalhos em vídeo feitos a partir de várias linguagens multimídia, como videomapping e GIFs, de 15 artistas, nascidos ou radicados no Rio, São Paulo, Belém, Salvador e Porto Alegre. Os trabalhos poderão ser vistos 24 horas por dia. A exposição será espelhada no site da galeria. Os trabalhos selecionados pela curadora Érika Nascimento são dos artistas Ana Clara Tito, Batman Zavareze, Ivar Rocha, Jonas Arrabal, Leandra Espírito Santo, Gabriela Noujaim, Martha Niklaus, Nathan Braga, Panmela Castro, Roberta Carvalho, Simone Cupello, Talitha Rossi, Ursula Tautz, Virgínia di Lauro e VJ Gabiru.

Simone Cadinelli Arte Contemporânea, dá sequência à exposição Como habitar o presente? com o Ato 2 – Estamos Aqui em sua vitrine e seu site, a partir de 24 de agosto de 2020. Os trabalhos em vídeo feitos em várias linguagens multimídia, como videomapping e GIFs, ficarão ligados 24 horas por dia, e poderão ser vistos por quem estiver passando no local, na Rua Aníbal Mendonça, em Ipanema. A exposição será replicada no site da galeria, com informações completas das obras e dos artistas [https://www.simonecadinelli.com].

Este novo momento da mostra reúne obras de 15 artistas nascidos ou radicados no Rio, São Paulo, Belém, Salvador e Porto Alegre: Ana Clara Tito (Bom Jardim, Rio de Janeiro, 1993), Batman Zavareze (Rio de Janeiro, 1972), Gabriela Noujaim (Rio de Janeiro, 1983), Ivar Rocha (Niterói, 1986), Jonas Arrabal (Cabo Frio, Rio de Janeiro, 1984, radicado em São Paulo), Leandra Espírito Santo (1983, Volta Redonda, Rio de Janeiro, e trabalha entre São Paulo e Rio), Martha Niklaus (1960, Rio de Janeiro), Nathan Braga (Rio de Janeiro, 1994), Panmela Castro (Rio de Janeiro, 1981), Roberta Carvalho (Belém do Pará, 1980), Simone Cupello (1962, Niterói), Talitha Rossi (Resende, Rio de Janeiro, 1987), Ursula Tautz (Rio de Janeiro, 1968), Virgínia di Lauro (Barra da Choça, Bahia, 1989, radicada em Porto Alegre), VJ Gabiru (São Paulo, 1977, vive em Salvador, Bahia).

A curadora Érika Nascimento comenta que “neste tempo cronometrado, em que a vida humana na Terra aparenta ter dias contados, apresentamos ‘Estamos aqui’ – o segundo ato da exposição Como habitar o presente? – e ansiando por dias melhores”. “Em um lugar de fragilidades e dor pelos nossos corpos sociais e físicos, onde a experiência de vivenciar a cidade está afetada, percebemos o mundo – e os códigos para nele existir – sendo recriado a todo tempo. Um lugar de estranhamento, dor e vulnerabilidade, um estado de tensão e atenção para uma sociedade doente”, afirma. “Estamos aqui, em uma dinâmica temporal atropelada, quase um loop, e continuamos sem respostas para as provocações lançadas no primeiro ato. Como podemos imaginar um horizonte, um mundo possível, o nosso lugar como habitante neste tempo presente-futuro? Como manter um estado de esperança e antecipar o presente?”, indaga a curadora.

Os vídeos, em diferentes conceitos, abordam questões pertinentes ao nosso momento atual, como a ideia de infinitos realizados através de códigos gerados a partir do bater das asas de borboleta, no trabalho do criador multimídia de projetos multidisciplinares Batman Zavareze; ideias de “apagamento”, da artista Leandra Espírito Santo, que transita em vários meios, como a performance; a alertas como o feito por Martha Niklaus, do risco permanente sofrido pelo acervo do Museu Casa de Pontal; a transitoriedade da vida na ótica de Nathan Braga; a denúncia da violência contra a mulher, biológica ou não, feita por Panmela Castro, que já expôs no Stedelijk Museum, em Amsterdã, e está na coleção da ONU; a pesquisa sobre o corpo feminino e suas transfigurações diante do “messianismo digital”, com seus símbolos e cancelamentos, de Talitha Rossi; a reconstrução do percurso de seus ancestrais, de Ursula Tautz; a memória, em pequenos fragmentos filmados e GIFs, de Virgínia di Lauro; e, em época de uma pandemia até o momento incurável, o silêncio da noite da cidade vazia, em imagens drone, do artista multimídia VJ Gabiru (Davi Cavalcanti).

Érika Nascimento observa que “Como habitar o presente?”, em seus Atos 1 e 2, “é uma exposição-projeto no sentido de projeção para novos mundos possíveis, um lugar para criar estranhamentos e preenchimentos desta lacuna que estamos atravessando, em uma época em que um vírus afasta nossos corpos e impõe novos códigos sociais e barreiras no cotidiano, nos colocando em um estado de angústia e impotência, e evidenciando grandes abismos sociais já existentes”. Ela complementa, observando que a exposição pode ser vista “através da janela de nossos celulares, computadores ou, em um universo possível, na vitrine da galeria”.

UMA BREVE DESCRIÇÃO DOS TRABALHOS

ANA CLARA TITO
“Os usos da raiva – momento 5” (2019), 1/5 (2 PA)
O trabalho é uma pesquisa que, a partir de ideias de permissão e de possibilidade, explora o registro e a potência do momento e a intelectualidade dos sentimentos. Numa coreografia calma e calculada, o metal é moldado e transformado em escultura durante as performances. Num processo de constante feitura, funcionando para além das definições de uma obra de arte pronta e congelada, as peças geradas seguem seu processo de mudança a cada nova instalação no espaço. A pesquisa é dividida em momentos, sendo cada momento realizado com uma quantidade de material necessariamente maior que a anterior.

BATMAN ZAVAREZE
“Infinito 01, 02 e 03” (2019), animação Full HD [1920x1080 pixels], 3’36”
A partir do desenho vetorial de uma borboleta, transformou o bater de suas asas em códigos e gerou os vídeos “Infinitos”. Ao todo são 47 vídeos livremente criados, sem determinações de um ponto final. Podem ser contemplados isoladamente ou combinados simultaneamente. Na última vez vivenciada, 47 projetores foram direcionados aleatoriamente numa caixa preta, onde chão, teto, e quatro paredes eram sobrepostos de vídeos em "loopings" com movimentos cíclicos, em diferentes perspectivas, oferecendo novos pontos de fuga e a interação do público, no meio de um cenário imersivo. Elas nascem como peças videográficas e constantemente são investigadas para uma vivência 4D. A imagem, o áudio, o espaço e a imaginação se complementam para compreensão dessa experiência em constante processo. “Infinitos” fazem parte das permanentes incompletudes, da inquietação em ver, sentir, escutar uma nova dimensão.

GABRIELA NOUJAIM
“Mulheres Latinamerica 2020” (2020), vídeo, 3' 33"
Produzido durante o período de quarentena devido à Covid-19, o vídeo é marcado pelo som da batida de um coração. A uma certa altura, a silhueta da artista aparece de forma fantasmagórica sobre a região da América Latina no mapa-múndi, seguindo com a projeção de uma radiografia de pulmão sobre seu corpo e o áudio de sua respiração. O som da música funde-se ao batimento cardíaco, apresentando os rostos das mulheres que estão lutando pela sobrevivência, trazendo suas marcas de “alma” estampadas nas máscaras cirúrgicas, formando um só corpo. Uma maneira de chamar a atenção para um vírus silencioso, que ninguém vê, e que é negligenciado por muitos chefes de Estado, o que agrava a situação da pandemia, principalmente em países marcados por desiguais sociais, como o Brasil.

IVAR ROCHA
“O Mundo Locomotiva Se Esfacela” (2013), vídeo, 58’
Baseado na ideia de arte como informação, este filme aborda aspectos críticos do tema, criando tensão entre a informação como tal e os processos de silenciamento presentes nas mais diversas instâncias da sociedade. Partindo de dois dispositivos potentes, sendo o primeiro uma pergunta extraída da cultura pop do anos 1980 – “Todo mundo tá feliz?” – da música de Xuxa Meneghel (1989), e da intervenção “Arte/Pare”, realizada no Recife (1973) pelo artista Paulo Bruscky, onde uma ponte é interrompida por uma fita, desafiando os motoristas a atravessá-la. “O Mundo Locomotiva se Esfacela” é a princípio o registro de uma ação onde repito o gesto de Bruscky, 40 anos depois, somando a isso a pergunta da música. Após instalada, a faixa é abandonada, numa abordagem crítica aos aspectos materiais e simbólicos da violência, investigando a importância das imagens na manutenção de imaginários e ações brutais.

JONAS ARRABAL
“Roteiro para um filme sem imagens” (2019), 14’44
A Ilha do Japonês, localizada no interior do estado do Rio de Janeiro, é uma ilha artificial, criada na década de 1960 para servir de base para os barcos pesqueiros. Aterraram uma área no meio do canal, e plantaram casuarinas – uma árvore resistente a salinidade – para servirem de quebra-vento. O artista se utiliza de elementos que compõem este território para pensar numa parábola sobre os processos de imigrações, memória, deslocamentos, desaparecimentos contínuos e identidade. O texto é escrito e narrado pelo próprio artista e teve participação (em voz) de Shinpei Takeda, artista mexicano, de origem japonesa que vive e trabalha entre Kagoshima (local de origem da família de Jonas Arrabal) e Berlim.

LEANDRA ESPÍRITO SANTO
“Clarão” (2017), vídeo, 2’ em loop
"Clarão"(2017) é um vídeo da série "Apagamento" (2017/2018), que aborda a representação da própria artista, fazendo analogia às ideias de revelar, esconder e apagar. No vídeo, feito em stop motion, uma sequência de imagens simula movimentos fictícios de iluminação e escuridão.

MARTHA NIKLAUS
“Retirantes” (2019), vídeo, 9'4"
Luz e câmera: Francisco Moreira da Costa. Edição: Carlos Fernando Macedo e Martha Niklaus. Cor: Catarina Carvalho.
O trabalho foi motivado pela grande inundação que atingiu o Museu Casa do Pontal, no Rio de Janeiro, em 2019. A peça de barro utilizada no vídeo foi modelada pela artista a partir da observação das obras de Mestre Vitalino e Zé Caboclo, presentes no acervo do Museu. “Retirantes” usa efeitos visuais de fortes contrastes, desde a escolha da peça, cujo tema é o êxodo da seca, que é mergulhada em um recipiente de vidro cheio de água. O desmoronamento das figuras de barro cria uma atmosfera apocalíptica e germinal, como as experiências limítrofes vividas nas grandes catástrofes, guerras, enchentes e pandemia. São situações em que se perde o controle e formam feridas, abalando a estrutura do ser em um desmantelamento existencial, numa sensação de suspensão e expectativa.

NATHAN BRAGA
“Deriva” (2014), vídeo, 2”52’.
No vídeo, os refinados movimentos do artista estão em contraponto com os vazios arquitetônicos, e funcionam como golpes no que ainda existe de estável, de fixo, de duradouro em nós. Ao mesmo tempo, invoca devires inesperados de sonhos, nos suspendendo em uma dialética irreparável e inalienável de sentidos, se apropriando de um conceito bastante difundido, mas sugerindo derivas em nós mesmos.

PANMELA CASTRO
"Caminhar" (2017), vídeo, 4'50", HD 720p.
Integrante do acervo do Museu de Arte Brasileira da FAAP, o vídeo mostra um vestido de noiva como um símbolo imponente, um grande fardo. Caminhar arrastando uma longa cauda pintando o chão da cidade de vermelho sangue é mapear metaforicamente a morte diária de milhares de mulheres, causada pelo simples fato de serem mulheres, biológicas ou não. Em 2016, uma mulher foi assassinada a cada duas horas (Anuário Brasileiro de Segurança Pública), totalizando 4.657 mortes. O risco de uma mulher negra ser assassinada no Brasil é duas vezes maior do que uma mulher branca.

ROBERTA CARVALHO
“INdiGesTo” (2020), vídeo, 3’15”.
O trabalho é uma performance audiovisual orientada para vídeo, que traz o ato de comer como um gesto de engolir e digerir uma realidade caótica. Na performance, temos uma projeção mapeada no prato que apresenta um vídeo com palavras tiradas dos noticiários atuais em tempos de pandemia. As palavras trazem as contrariedades e as desigualdades sociais que o momento de crise global torna ainda mais visível. O ato de comer denota nossa condição de indivíduo aprisionado em um cenário indigesto onde somos consumidos por esta condição.

SIMONE CUPELLO
“Sub” (2007), vídeo, 4’16”, cor, sem áudio
Uma das primeiras obras da artista, “Sub” possui o cerne de sua investigação sobre materialidade nas imagens. Naquele momento, Cupello utilizava o próprio corpo em experimentações que relacionam as superfícies de vídeos e fotografias com as de paredes e materiais de revestimento. A obra “Sub”, em que Cupello é vista nua movendo-se sobre os tacos de seu apartamento, foi originalmente concebida como videoinstalação e projetada em escala real no chão da capela excomungada do Solar do Unhão, Salvador, durante o 14o Salão da Bahia, em 2007.

TALITHA ROSSI
“CAPS LOCK” (A mãe natureza e a filha da internet, 2016), vídeo, 45”
Na era do messianismo digital em que vivemos uma nova linguagem escrita por símbolos e cancelamentos, o convívio corporal deu lugar para o convívio por telas. “A filha da internet” foi registrada durante uma performance da artista em Berlim em 2016. Quatro anos se passaram, a atrofia digital continua no enxame das vaidades e delírios virtuais. Só que desta vez nossos corpos e nossos aparatos digitais estão quarentenados. Confinados. Fugindo de microvírus para tentarmos não morrer. Mas o que seria um ser vivo neste tempo de mortos-vivos? Quem está vivo? O ser humano? A mãe natureza? Ou a internet?

URSULA TAUTZ
“Sem Título” (série “Estranhamentos”), vídeo em full HD em loop, 1’09”
Na cidade de Ołdrzychowice Kłodzkie, Polônia, lugar dos ancestrais da artista, Ursula refaz o caminho percorrido por sua família durante a guerra. Uma tentativa de criar laços afetivos e reconstruir a memória de forma não-linear, em um lugar de estranhamento, não pertencimento, de reencontro e entrega, o corpo da artista é amalgamado neste “lugar de origem”.

VIRGÍNIA DI LAURO
“Do gesto – ainda tatear as fissuras” (2019), 4’36, edição digital, feita a partir de pequenos fragmentos filmados e GIFs
Vídeo experimental, desdobrado a partir de fragmentos e GIFs atravessado por ruídos, falas, batidas e palavras soltas, onde através das janelas, tanto das telas, quanto nas janelas maquinadas, criam-se espaços de gestos e limites. No lugar de observador e observado, quase um delírio de se perder nos acontecimentos externos e se desconectar de si mesmo.

VJ GABIRU (Davi Cavalcanti)
“Urbe et orbi” (2020), vídeo, 3'21". Videomapping, imagens, edição e audioremix: @vjgabiru. Imagens via drone: Gabriel Teixeira. Trilha sonora: Nego Mozambique.
Para a cidade e para o mundo, no silêncio da noite da cidade vazia, pequenos versos de luz efêmera no espaço urbano demarcam nossa esperança de humanos, para uma pandemia, até então, incurável. Vale o que nos faz únicos como espécie, a linguagem, a capacidade infinita de atribuir sentido e significado a tudo o que nos rodeia, para cidade e para o mundo, nesse século em rede, digital e plural.

MINIBIOS DOS ARTISTAS

Ana Clara Tito (Bom Jardim, Rio de Janeiro, 1993) é graduada em Desenho Industrial pela ESDi/UERJ, com parte dos estudos na York University, em Toronto, Canadá, 2014/2015. Participou do Programa Formação e Deformação 2019, "Emergência e Resistência", e do curso "Cenas para outras linguagens", ministrado pela Camilla Rocha, ambos na EAV Parque Lage. Participou de exposições coletivas no Valongo Festival Internacional da Imagem, Bela Maré, Ateliê da Imagem, Espaço Breu e Solar dos Abacaxis. Realizou exposições individuais da Fundação de Artes de Niterói e no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica. É também fundadora-integrante do movimento nacional Trovoa. Em sua pesquisa, utiliza seu corpo e seus estados emocionais/mentais como ponto de partida e de chegada. Seus trabalhos cruzam fotografia, performance e instalação, integrando a matéria como corpo-agente e explorando as relações entre material e imaterial. Pensa sua prática artística como desenvolvimento de um modus e de um universo baseado em permissão e possibilidade.

Batman Zavareze (Rio de Janeiro, 1972). Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Bacharel em Comunicação Visual, trabalha com projetos multidisciplinares ligados a exposições, shows, peças de teatro e programas broadcasting para canais televisivos brasileiros e internacionais. Suas produções dialogam com arte e tecnologia, utilizando como suporte principal o vídeo e a videoinstalação. Idealizador, diretor-geral e curador do Festival Multiplicidade no Rio de Janeiro desde 2005. Como diretor artístico, dirigiu: as lives das artistas AnaVitoria e do artista Carlinhos Brown (2020); Festival Ultrasonidos, também como curador (2019); o projeto autoral Macro, em parceria com o músico Pedro Luís (2019); turnê do show da banda Los Hermanos (2019); turnê internacional dos Tribalistas (2019/2018); show de final de Ano do artista Roberto Carlos, na TV Globo (2018); show da banda Kronos Quartet, no teatro Royal Albert Hall, em Londres (2019); as projeções do encerramento das Olimpíadas Rio (2016). Em 2015, foi o diretor de criação da instalação de realidade virtual sobre Kandinsky nas unidades do CCBB em todo o país. Em 2014, fez a concepção e a direção de arte da exposição “100 Anos Vinicius de Moraes”, da Biblioteca Parque do Estado, no Centro do Rio de Janeiro. Entre 2010 e 2015, na Casa França-Brasil, concebeu e fez a curadoria do projeto Happenings. Iniciou sua carreira na MTV Brasil (1991) e trabalhou com Oliviero Toscani na Fabrica/ Itália (1998/99). Possui trabalhos publicados em revistas e expostos em museus do Brasil e do exterior.

Gabriela Noujaim (Rio de Janeiro, 1983). Tem estruturado sua poética com interesse pela imagem técnica construída a partir de vídeos, fotografias, gravuras e instalação, tensionando as possibilidades em imaginar outros mundos e futuros, onde as noções de permanência e risco são questionadas. Participou da exposição "Prêmio Jovens Mestres Rupert Cavendish" (Londres, 2011). Recebeu a Menção Honrosa no festival de videoarte "Lumen EX" (Badajoz, Espanha) e o Prêmio de Aquisição da 39a Exposição de Arte Contemporânea de Santo André, SP (2011). Participou de várias coletivas, como "Se Liga" (CCBB RJ) e projeto "Technô" (Oi Futuro Flamengo RJ), em 2015. Foi finalista do 3m Love Songs Festival (Instituto Tomie Ohtake, SP, 2014), e integrou o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE), em 2013. Possui obras na coleção do Museu de Arte do Rio; Instituto Ibero-Americano, Berlim; Centro Cultural São Paulo, Escola de Artes Visuais Parque Lage; Museu de Arte Digital, Valência; Galeria Cândido Mendes, Rio de Janeiro; SESC, Copacabana; Palácio de Las Artes Belgrano, Buenos Aires; Espaço Culturais dos Correios, Rio de Janeiro.

Ivar Rocha
Artista visual, gravador e docente, vive e trabalha entre São Paulo e Bogotá. Tem no colecionismo de fragmentos arquitetônicos e detritos encontrados no passeio público as ferramentas básicas para articular problemas fundamentais do dia a dia. Erige sua poética questionando temas como a memória, a violência urbana, as relações entre o indivíduo a história e a cidade. Parte desta pesquisa foi apresentada recentemente durante a XIII Bienal de La Habana, na ocasião do evento Indagar lo Propio do Instituto Superior de las Artes – ISA - Universidad de las Artes, Havana (2019), na exposição “Que as coisas permaneçam” na Galeria Desvio, Rio de Janeiro (2019), “Simbólica” no Memorial Getúlio Vargas, Rio de Janeiro (2018) e na ocasião da oficina de gravura “A invenção do desuso ou o enigma do objeto fragmentado”, na Corporación Universitária Escuela de Artes y Letras – EAL, Bogotá (2017). Nos últimos anos foi artista integrante do Atelier Sanitário, no Rio de Janeiro, participou da exposição “Tudo fora de ordem” no Espaço Saracura, Rio de Janeiro; “Des-Gastáre” Galeria Casa del Parque, Bogotá; e “Outras matrizes, novas poéticas” no Centro de Artes UFF, Niterói. Entre outros trabalhos, foi artista residente no Taller de Serigrafia René Portocarrero, Havana 2015 e apresentou a exposição individual “Grave” no Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, Niterói 2013, entre outras exposições. Seu trabalho faz parte da coleção do MAR - Museu de Arte do Rio e de coleções particulares.

Jonas Arrabal
Jonas Arrabal é natural de Cabo Frio (1984), vive e trabalha em São Paulo. É mestre em Artes Visuais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Realizou exposições individuais no Rio e em Curitiba, entre elas: os vivos e os mortos (Paço Imperial, Rio de Janeiro - 2019), Mar Baldio (Marques456, Rio de Janeiro - 2019), Volume Morto (SESI, Curitiba/PR - 2015), Sinfonia tempo (Galeria Ibeu, Rio de Janeiro -2014), Fundação (CCJF, Rio de Janeiro - 2014), Hipotética (Largo das Artes, em parceria com Felippe Moraes, Rio de Janeiro - 2013) e As Horas não passam para as pessoas felizes (Casamata, Rio de Janeiro – 2013) Entre as exposições coletivas,destacam-se: Inundação (Museu Casa do Pontal, Rio de Janeiro - 2019), Acervo (Galeria Luciana Caravello, Rio de Janeiro - 2019), A Vida não é só a praticidade das coisas ( Galeria Silvia Cintra, Rio de Janeiro - 2019), É tudo Provisório #1 (Caixa Preta, Rio de Janeiro - 2019) Juannio (Museo Ixchel del traje indigena, Cidade de Guatemala - 2018), The Sun teaches us that history is not everthing (Osage Art Foundation, Hong Kong - 2018), Responder a Tod_s (Despina, Rio de Janeiro - 2017),Reply All (Grosvenor Gallery, Manchester, Inglaterra - 2016), Permanências e Destruições (Projeto patrocinado pelo OI Futuro, série de intervenções artísticas na Ilha do Sol, na Baía de Guanabara -2016), X Bienal do Mercosul (Porto Alegre - 2015), Transição e Queda (Fundação Ecarta, Porto Alegre, e Largo das Artes,Rio de Janeiro - 2015), Abre Alas (A Gentil Carioca, Rio de Janeiro-2015), Quinta Mostra (Parque Lage, Rio de Janeiro - 2015), Salão de Abril(Fortaleza/PE - 2015), Frestas - Trienal de Artes (SESC Sorocaba/SP - 2014 ), A Casa do Pai (Casa Contemporânea, São Paulo - 2014), Deslize (Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro - 2014), XII Salão de Itajaí (Itajaí/SC - 2013), Novíssimos (Galeria Ibeu, Rio de Janeiro - 2012), entre outras. Em 2015 publicou Transição e Queda, pela Pingado Prés (em parceria com Eduardo Montelli e Mayra Martins Redin) e em 2016 publicou Derivadores, pela editora Automatica (em parceria com Luiza Baldan). Possui obras na coleção do Museu de Arte do Rio, da Galeria Ibeu e da Osage Art Foundation

Leandra Espírito Santo
Doutora e mestre em Artes Visuais pela ECA/USP. Graduou-se em Comunicação Social pela UFF/Niterói.
Seu trabalho artístico transcorre por diversas mídias, como performance, fotografia, vídeo, escultura, intervenção urbana. Por meio de linguagem cômica e irônica, a artista faz reflexões sobre nossos procedimentos cotidianos, dos mais complexos aos mais comuns, investigando a relação entre a arte e as diversas técnicas e tecnologias, relativizando seus usos e pensando na relação que mantemos com elas em nível de corpo e comportamento. Em 2017, iniciou pesquisa focada nas relações entre identidade, corpo e máquina, série de trabalhos em que pensa a auto representação dentro das redes sociais. Em 2016, foi indicada ao Prêmio Pipa MAM-RJ, tendo sido finalista do Pipa Online. Em 2014, recebeu o Prêmio Estímulo no 42º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto e ganhou a Chamada Artes Visuais da Secretaria de Cultura de Niterói. Entre suas principais exposições, prêmios e eventos estão: “Instauração”- Sesc Belenzinho (SP, 2017); “Agora somos mais de mil” - EAV Parque Lage (RJ, 2016); “Quando o tempo aperta” – Palácio das Artes (BH, 2016) e Museu Histórico Nacional (RJ, 2016); “Novíssimos” - Galeria Ibeu (RJ); 37° Salão de Artes de Ribeirão Preto (SP, 2013); 2º Prêmio EDP nas Artes (SP, 2010). Possui obra na Coleção do Museu de Arte de Rio.

Martha Niklaus é uma artista visual que tem a videoarte e a videoperformance como linguagens marcantes em seus projetos. De Bandeira de Farrapos (1993) até Retirantes (2019), suas ações e performances são registradas e finalizadas em vídeos. Com destaque para Horizonte Negro (2015), Flutuar (2014), Nau-Now (2014), Livro (2013) e Sombras (1997), já exibidos em muitas exposições e mostra de vídeos, ao longo de sua carreira. Em sua última exposição individual, Histórias de Peixes, Iscas e Anzóis, em 2018, no Centro Cultural Paço Imperial (RJ), foram reunidos vídeos feitos no decorrer de 25 anos de trabalho. Desde 2016, faz parte do grupo A Perplexa, de desenvolvimento de projetos e crítica de videoarte, sob orientação da artista Analu Cunha. Atualmente participa do Curso de Documentário Contemporâneo, ministrado pelo documentarista Bebeto Abrantes e desenvolve projeto fílmico a partir das suas obras em videoarte. O Museu de Arte do Rio (RJ), Museu Histórico Nacional (RJ) e Museu Casa do Pontal (RJ) e Museu da Maré (RJ) têm em suas coleções cópias de obras videográficas da artista. Mais informações no site www.marthaniklaus.com

Nathan Braga
Nathan Braga, 25 anos, Rio de Janeiro.
Artista visual e pesquisador. Mestrando em Arte e Cultura Contemporânea pela UERJ, graduado em Artes visuais pela mesma instituição e técnico em química pelo IFRJ, instituição na qual cursa atualmente a especialização em Linguagens Artísticas, Cultura e Educação. Nos últimos anos, Nathan tem se dedicado a investigar e atualizar plasticamente a Vanitas e seus motivos (como Ars Moriendi, Memento Mori, Danse Macabre, etc.), produzindo e revisitando narrativas fúnebres e cristãs, a partir de sua história pessoal, que se aprofunda com a morte de sua mãe quando tinha apenas 7 anos, mas tendo como pano de fundo a construção ocidental da História da Arte. Realizou exposições individuais no Museu de Arte de Blumenau, BR (2019) e no Centro de Artes UFF, BR (2019). Participou de exposições coletivas na Bortolami Gallery, USA (2020), Centro Cultural Justiça Federal, BR (2019), C.Galeria, BR (2019), Paço Imperial do Rio de Janeiro, BR (2018), Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, BR (2018), entre outras. Recebeu menção honrosa por sua participação na XIII Bienal de Arte Joven Argentina, AR (2018) e foi segundo lugar na categoria escultura do 15 Salão de Artes Visuais de Ubatuba, BR (2018). Foi artista residente na Residência Artística FAAP, BR (2019) e Fundação ECARTA, BR (2020).

Panmela Castro
Originalmente pichadora do subúrbio do Rio, Panmela Castro interessou-se pelo diálogo que seu corpo feminino marginalizado estabelecia com a urbe, dedicando-se a construir performances a partir de experiências pessoais, em busca de uma afetividade recíproca com o outro de experiência similar. É Mestre em artes pela UERJ; realizou projetos em mais de 15 países; teve seu trabalho exposto em instituições como o Stedelijk Museum; e está em coleções como das Nações Unidas. Recebeu inúmeras nomeações por seu ativismo pelos direitos humanos.

Roberta Carvalho (Belém do Pará, 1980) é mestranda em Artes da UNESP (PPGARTES). Seus trabalhos inserem a imagem digital fotográfica ou em vídeo no espaço público, seja urbano ou rural. Várias imagens construídas e projetadas são de personagens comuns e muitas vezes às margens da sociedade, refletindo uma relação simbólica com o entorno onde a ação artística acontece, suscitando questões identitárias e sociais, como em “Symbiosis, série iniciada em 2007, onde faces de ribeirinhos amazônicos são projetadas em áreas verdes nestas próprias comunidades. Foi vencedora de diversos prêmios, entre eles, o Prêmio FUNARTE Mulheres nas Artes Visuais (2014), Prêmio Diário Contemporâneo (2011) e Prêmio FUNARTE Microprojetos da Amazônia Legal (2010). Foi bolsista de pesquisa e criação artística do Instituto de Artes do Pará (2006 e 2015). Dentre as exposições, mostras e festivais que participou, destacam-se: “Amazon Connection” (Brulexas, 2018), Arte Pará 2017, 7ª Mostra SP de Fotografia (São Paulo, 2016), “Visualismo – Arte, Tecnologia, Cidade” (Rio de Janeiro, 2015), SP ARTE/FOTO (2014), Grande Área Funarte (São Paulo 2014), “Pigments” (Martinica, 2013), Festival Paraty em Foco (Paraty, 2012), “Tierra Prometida” (Barcelona, 2012), e “Vivo Art.Mov” (Belém, 2011). É idealizadora do Festival Amazônia Mapping, iniciado em 2013. Suas obras integram os acervos do Museu de Arte do Rio (primeira obra em realidade aumentada do Museu), Museu de Arte Contemporânea Casa das 11 Janelas (PA) e Museu da Universidade Federal do Pará.

Simone Cupello vive e trabalha no Rio de Janeiro.
Investiga imagens em campo ampliado adotando fotografias apropriadas como principal elemento de trabalho. O uso pouco convencional das fotografias, aponta para onde sua pesquisa se desenvolve: a materialidade da imagem e, junto a ela, às questões antagônicas, inerentes ao histórico das fotos, como tecnologia e afetos, presença e virtualidade, exibição e privacidade, memória e esquecimento. Através de seu acervo cria instalações/esculturas que ao serem esculpidas assumem formas orgânicas semelhantes às da natureza que, ao mesmo tempo que remetem ao que é palpável e físico, trazem à tona o alegórico, a forma forjada da paisagem. Nos últimos anos, realizou as individuais Jardim de Yeda (Central Galeria), Entornos (Centro Cultural Cândido Mendes), Olhares Privados (Centro Cultural Justiça Federal) e Extracampos (Projeto “Mesmo Lugar”, Hermes Artes Visuais). Participou das exposições Arte Londrina 7 (Universidade de Londrina), 43°SARP (Museu de Arte Ribeirão Preto), 2ª edição Frestas Trienal de Artes (Sesc Sorocaba), The Role of Image (One Paved Court, Richmond, UK), MONU – A Arte Delas (Marina da Glória), Fotos Contam Fatos (Galeria Vermelho), Abre Alas 12 (Galeria A Gentil Carioca), Contraprova (Paço das Artes), Mostra Bienal Caixa de Novos Artistas (Caixas Culturais do país), Díptico – Simone Cupello e Victor Haim (Ateliê da Imagem), entre outras. Teve mostras individuais na ArtRio 2019 e SP-Arte 2018 representando a Central Galeria de São Paulo. Consta do acervo do Museu de Arte do Rio.

Talitha Rossi
Desenvolve sua obra a partir do posicionamento de sua geração perante questões femininas e midiáticas. Performance, fotografia, vídeo, instalações, poesia e objetos, são seus suportes de escolha, que abrigam este universo, por meio de um olhar delicado. Exerce sua prática na experimentação, e aprende a lidar com a materialidade em seu próprio fazer artístico. Começou fazendo intervenções de pintura, lã e colagem em suportes urbanos pelas ruas do Rio de Janeiro. Já pintou a sua personagem em cidades como Berlim, Londres, Paris e Nova Iorque. Dedica-se à pesquisa sobre o corpo e suas transfigurações. Já participou de performances na Polônia, Alemanha, Portugal e Brasil. Atualmente, ocupa um ateliê em São Conrado, mesmo local onde é diretora criativa do NACASA.CO, um co-working de criativos no Rio de Janeiro.

Ursula Tautz
Rio de Janeiro, RJ, 1968. Vive e trabalha em Rio de Janeiro, RJ
Desenvolve sua pesquisa a partir de proposições multimídia: instalações, fotografias, desenhos, vídeos, objetos. Cursou a ESPM, além de ter frequentado oficinas da “School of Visual Arts /NY”, e a partir de 2005 a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Participou Da Siart Bienal 2018 - Bienal Internacional de Arte da Bolívia em La Paz, e de várias exposições coletivas, como “Monumental Arte na Marina da Glória” (RJ, 2016); “Intervenções Urbanas Bradesco ArtRio 2015”. Além das individuais “Frestas por onde Muros escoam” (2017) reinaugurando o Jardim da Reitoria da Universidade Federal Fluminense/RJ; “Lugar familiar” (Zipper Galeria/SP, 2016) e “Fluidostática” na Galeria do Lago - Museu da República (RJ, 2015). Foi selecionada para o “Programa Olheiro da Arte” (2010) e finalista do Prêmio Mercosul das Artes Visuais Fundação Nacional de Arte – FUNARTE (2016). Suas obras integram o acervo do MAR.

Virgínia di Lauro
Barra da Choça, BA, 1989. Vive e trabalha em Porto Alegre, RS
Desde 2011 reside em Porto Alegre, onde cursa o bacharel em Artes Visuais, pela UFRGS, tendo transitado pelo curso de Design de Moda e História da Arte. A partir do corpo, incluindo o próprio, a poesia, a memória, os sonhos, processos internos, desenvolve suas produções nos mais diversos suportes como vídeos, fotografias, gifs e pinturas. Em 2018 realizou a exposição individual “Tramas no Vazio” no Instituto Estadual de Artes Visuais. Em 2019 participou da exposição coletiva, Artistas Mulheres Tensões e Reminiscências, na Pinacoteca Rubem Berta, Porto Alegre, RS, com curadoria das Mulheres no Acervo. Em 2020 participou da residência artística “Caminhos para uma Imagem”, no Rio de Janeiro, com o artista Frederico Arêde, e frequentou o curso Creativity Master Class com Charles Watson na Escola de Artes Visuais (EAV), Parque Lage

VJ Gabiru, Davi Cavalcanti (São Paulo, 1977, vive em Salvador, Bahia).
é um artista multimídia, DJ, VJ, fotógrafo e videomaker. Desde 2001 vem participando de exposições coletivas na cidade de Salvador e em outras capitais, realizando trabalhos em pintura, instalação e sobretudo videoarte. Entre seus trabalhos estão Singue in de Rein (2005), Important Garbage (2003), Urbe et Orbi (2005), Sampa-Soterópolis (2002) e o Polêmico O Fim do Homem Cordial (direção de Daniel Lisboa) onde co-assina direção de arte, roteiro, produção e assistência de direção. Como VJ Gabiru explora a natureza anamórfica das imagens desconstruindo-as num universo de cores e gráficos, relacionando o universo de imagens da cultura de massa com o caldeirão étnico cultural do Brasil, estabelecendo conexões entre fluxos de imagens, ritmo musical e espaço a partir da tridimensionalidade do vídeo mapping. Como VJ e DJ, participou dos festivais: Festival Universo Paralello (entre 2005 e 2011), Festival Trancendence(2008), Festival Fora do Tempo (2008/2009), Montemapu Festival (Chile -2008), Psycholand (DF), Trance Vibrations (DF), After Dreams (PE), UV (BA), Aurora (BA), Pulsar (BA), Transfusion (BA), em clubs coom a Fiction (Goiania), Zauber (Salvador), Label Club (Belo Horizonte) Festival Eletronika (Salvador 2012) , Zona Mundi (Salvador 2011/2012), Futurama (Salvador 2011) entre outros eventos de música eletrônica. Além dos eventos musicais: como o projeto Afrobossanova com Paulo Moura e Armandinho, apresentações no Phoenix jazz Festival (praia do forte 2008), Show Canto Geral (Salvador 2008), Concertos Populares da Orquestra da UFBA (BA 2009/2010), concerto Mãe D’água (aniversário da fundação Palmares) apresentado em Brasília e Salvador, e vêm desenvolvendo trabalhos em videomapping com Carlinhos Brown (museu do ritmo verão 2011/2012, carnaval 2012), no Brasil e em outros países. Atualmente tem se dedicado a projetos de videomapping em intervenções urbanas e eventos, dialogando com a música instrumental e ancestral da Bahia ao lado da orquestra Rumpilezz.

Material de imprensa realizado por CWeA Comunicação

Posted by Patricia Canetti at 8:55 AM

setembro 1, 2020

Adelina Gomes e Carlos Pertuis na 11ª Bienal de Berlim, Alemanha

Museu de Imagens do Inconsciente – Bienal de Berlim, Parque Nise da Silveira, inventário de 22 mil obras e site bilíngue com 400 obras

Criado em 1952 por Nise da Silveira (1905-1999), o Museu de Imagens do Inconsciente estará representado na 11ª Bienal de Berlim, a partir do próximo dia 5 de setembro, com curadoria de María Berríos, Renata Cervetto, Lisette Lagnado e Agustín Pérez Rubio. Os curadores selecionaram 22 obras dos artistas Adelina Gomes (1916-1984) e Carlos Pertuis (1910-1977).

Lisette Lagnado destaca: “A luta antimanicomial da Dra. Nise da Silveira, que se traduziu na prática do afeto e do calor humano reinante nos ateliês de atividades expressivas, permitiu amenizar a dor psíquica do esquizofrênico, e nos revela a extraordinária potência da criação a despeito de pertencer a vidas danificadas”.

Filha de camponeses, Adelina Gomes nasceu em Campos, estado do Rio de Janeiro, fez o antigo curso primário e aprendeu variados trabalhos manuais em uma escola profissional. Aos 18 anos se apaixonou por um homem que não foi aceito pela família. Tornou-se cada vez mais retraída, sendo internada em 1937, aos 21 anos. Começou a frequentar o ateliê de pintura criado por Nise da Silveira em 1946. Produziu com intensa força de expressão cerca de 17.500 obras, e faleceu em 1984. Sua produção plástica e as pesquisas daí desenvolvidas por Nise da Silveira ao longo dos anos se tornaram objeto de exposições, filmes, documentários e publicações.

Carlos Pertuis nasceu no Rio de Janeiro. De natureza sensível e religiosa, com a morte do pai deixou de estudar e foi trabalhar em uma fábrica de sapatos. Em uma manhã, raios de sol incidiram sobre um pequeno espelho de seu quarto, e ele ficou deslumbrando com o brilho extraordinário, seguido de uma cósmica – “O Planetário de Deus”. Ele gritou e chamou a família, para que todos também vissem o deslumbramento ali diante dele. Foi internado no mesmo dia no Hospital da Praia Vermelha, em setembro de 1939. Em 1946, começou a frequentar o ateliê da Seção de Terapêutica Ocupacional, onde pintou sua visão “O Planetário de Deus”, imagem que traz no centro uma flor de ouro, símbolo do sol e da divindade. Carlos mergulhou vertiginosamente à esfera das imagens arquetípicas, dos deuses e dos demônios, produzindo com intensidade cerca de 21.500 trabalhos – desenhos, pinturas, modelagens, xilogravuras e escritos – até sua morte em 1977.

Instalado no bairro Engenho de Dentro, zona norte do Rio, o Museu de Imagens do Inconsciente tem dois projetos em curso. Um deles, de arquitetura e urbanismo, cria o Parque Nise da Silveira, uma grande área verde integrando ainda um prédio anexo, que estava em desuso e foi incorporado ao Museu em setembro de 2018. O estudo deste projeto arquitetônico, que há dois anos recebeu o apoio do IBRAM e do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, está nas mãos do Prefeito Crivella, aguardando sua assinatura.

Está em processo final para liberação de recursos uma Emenda Parlamentar do Dep. Marcelo Calero, que prevê: a construção de um site bilíngue com 400 obras e textos informativos; um inventário de 22 mil obras do lote das 128 mil tombadas pelo IPHAN. Do universo de 400 mil obras do acervo, apenas 16 mil estão inventariadas.

E em breve o Museu vai iniciar a terceira fase do matchfunding com o BNDES – que coloca dois reais para cada real doado – para uma obra no prédio recentemente anexado, que irá abranger a reforma do telhado, parte elétrica e de banheiros, poda das árvores, além de aumentar a área expositiva do Museu. A primeira fase deste projeto foi iniciada em janeiro, e uma bem-sucedida campanha se bateu a meta de R$ 244 mil, e em seguida uma segunda meta de R$ 278 mil. Entre os apoiadores, estiveram a artistas Maria Bethânia e Glória Pires.

ADELINA GOMES

Adelina era filha de camponeses, nasceu em 1916 na cidade de Campos, estado do Rio de Janeiro. Fez o curso primário e aprendeu variados trabalhos manuais numa escola profissional. Aos 18 anos apaixonou-se por um homem que não foi aceito pela família. Tornou-se cada vez mais retraída, sendo internada em 1937, aos 21 anos.

Começou a frequentar o ateliê de pintura em 1946. Inicialmente dedicou-se ao trabalho em barro, modelando figuras que impressionam pela sua semelhança com imagens datadas do período neolítico. Na sua pintura pode-se acompanhar passo a passo as incríveis metamorfoses que ela vivenciou.

Tornou-se uma pessoa dócil e simpática, produzindo com intensa força de expressão cerca de 17.500 obras. Adelina faleceu em 1984. Sua produção plástica e as pesquisas daí desenvolvidas por Nise da Silveira ao longo de muitos anos tornaram-se objeto de exposições, filmes, documentários e publicações.

CARLOS PERTUIS

Nasceu no Rio de Janeiro, em 1910. Tinha uma natureza sensível e religiosa. Com a morte do pai, deixou de estudar e foi trabalhar numa fábrica de sapatos.

Certa manhã, raios de sol incidiram sobre um pequeno espelho de seu quarto: um brilho extraordinário deslumbrou-o, e surgiu diante de seus olhos, numa visão cósmica, "O Planetário de Deus", em suas palavras. Gritou, chamou a família, queria que todos vissem também aquela maravilha que ele estava vendo. Foi internado no mesmo dia no Hospital da Praia Vermelha, em setembro de 1939.

Nove anos depois dessa experiência, veio frequentar o ateliê da Seção de Terapêutica Ocupacional, onde pintou a visão que teve do “Planetário de Deus": uma imagem cujo centro é uma flor de ouro, símbolo do Sol e da divindade. Carlos desceu vertiginosamente à esfera das imagens arquetípicas, dos deuses e dos demônios. Produziu com intensidade cerca de 21.500 trabalhos – desenhos, pinturas, modelagens, xilogravuras e escritos – até sua morte em 1977.

LANÇAMENTO DE LIVROS, EXPOSIÇÕES E SOCIEDADE DE AMIGOS

A diretoria da Sociedade de Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente, presidida por Marcos Lucchesi, grande amigo da dra Nise, tomou posse em 2018, e tem como vice-presidente o compositor e museólogo Eurípedes Júnior, que trabalhou com ela, e acabou de escrever o livro "Do asilo ao Museu – Nise da Silveira e as coleções da loucura", sua tese de doutorado, ainda sem data de lançamento.

Outro livro, recém-editado, é "Cartas a Spinoza", com textos de Nise da Silveira, em uma terceira edição revista, com dois mil exemplares impressos graças ao apoio de Max Perlingeiro, do Conselho Deliberativo da Sociedade de Amigos do Museu. O livro foi escrito por Nise da Silveira por incentivo de Marcos Lucchesi. Ela começou a estudar Spinoza quando esteve presa em Alagoas, em 1937/38.

Outros dois livros – “O Mundo das Imagens” e “Imagens do Inconsciente” – têm novas edições previstas pela editora Vozes, pois estão esgotados e são muito solicitados por estudiosos, pesquisadores e interessados pelo assunto.

Está ainda prevista a exposição “Imaginária e Arquitetura”, no Museu, durante o Congresso Mundial de Arquitetura UIA Rio, que será realizado no Rio de Janeiro em julho de 2021.

ACESSO

Museu de Imagens do Inconsciente na 11ª Bienal de Berlim: Os ingressos podem ser comprados por agendamentos, de meia em meia hora, das 10h às 19h, com preços de 7 euros, a inteira, e 5 euros, "ingresso reduzido". Abaixo de 18 anos e portadores do BerlimPass ou membros do ICOM é gratuito.

Gropius Baus

Auguststraße 69, 10117, Berlin
Access
S-Bahn S1/S2/S25/S26, Tram M1/M5: Oranienburger Straße
U-Bahn U6: Oranienburger Tor
U-Bahn U8: Weinmeisterstraße
Directions
Gropius Bau
Exterior view, Martin-Gropius-Bau, photo: Christian Riis Ruggaber

Niederkirchnerstraße 7, 10963, Berlin
Access
S-Bahn S1/S2/S25/S26, Bus M29: Anhalter Bahnhof
U-Bahn U2: Potsdamer Platz
U-Bahn U6: Kochstraße
Bus M41: Abgeordnetenhaus
Directions
Wheelchair accessible

Material de imprensa realizado por CWeA Comunicação

Posted by Patricia Canetti at 8:31 AM