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fevereiro 27, 2020

Lucia Laguna na Fortes D’Aloia & Gabriel - Galeria, São Paulo

A Fortes D'Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar a nova exposição de Lucia Laguna. Esta é a segunda individual da artista na Galeria, e sua primeira exposição após Vizinhança, mostra panorâmica dedicada à sua obra no MASP em 2018. Neste novo conjunto de pinturas, Lucia dá continuidade à divisão entre as séries de Jardins, Paisagens e Estúdios que norteia sua produção desde o início. Tal divisão aponta para a indissociabilidade que há entre o processo artístico de Laguna e o espaço de seu ateliê, situado na Zona Norte do Rio de Janeiro. É a partir dele – e da observação de seu entorno, que vai de seu jardim até o Morro da Mangueira – que a artista compõe paisagens híbridas, mesclando arquitetura e vegetação, planos geométricos e elementos figurativos.

[scroll down for English version]

Paisagem n. 121 evidencia bem o método da artista. De início, Lucia permite que seus assistentes comecem o processo, delimitando linhas sobre a superfície da tela e inserindo desenhos e outros sinais gráficos. Quando a artista assume o comando da obra, dá-se início a desconstrução do que ali já estava, para que então se construam novos cenários por cima de sobreposições que acumulam dezenas de camadas até o resultado final.

Um peculiar cruzamento entre abstração e figuração, em jogo em sua produção, torna-se evidente no díptico Paisagem n. 118. Ao passo em que a pintura à esquerda revela uma paisagem dissolvida, quase líquida – portanto, mais abstrata –, à direita vemos uma composição mais fincada na figuração, com a presença de elementos como pássaros e um semáforo de trânsito. Este convívio entre registros pictóricos de naturezas distintas também está em Paisagem n. 120 , obra em que a artista experimenta com o formato vertical, pouco usual em sua produção.

Já em Jardim n. 44, destaca-se uma outra característica da metodologia de Laguna: a tela, em formato quadrado, que é virada de ponta-cabeça diversas vezes durante sua feitura. Assim, a profusão de cores e figuras que desabrocham do centro da pintura pode assumir aparências ambíguas, ora evocando um buquê de flores, ora um galo, dependendo da direção em que é vista. Completa a exposição sua série Desenhos, em que Lucia cria composições sobre papel a partir dos pedaços remanescentes de fita crepe do início da produção das obras. Vestígios iniciais – e também póstumos – da engenhosa arquitetura de suas pinturas.

Visite nosso online viewing

Lucia Laguna nasceu em Campo dos Goytacazes (RJ) em 1941. Formou-se em Letras em 1971, passando a lecionar Língua Portuguesa. Em meados dos anos 1990, começou a frequentar cursos de Pintura e História da Arte na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, e realizou sua primeira individual em 1998. Ganhou em 2006 o Prêmio Marcantônio Vilaça do CNI SESI. Entre suas exposições individuais recentes, destacam-se: Vizinhança, MASP (São Paulo, 2018); e Enquanto bebo a água, a água me bebe, MAR (Rio de Janeiro, 2016). Suas principais coletivas incluem participações em: 30ª Bienal de São Paulo (2012), 32º Panorama da Arte Brasileira, MAM-SP (2011), Programa Rumos Artes Visuais do Itaú Cultural (São Paulo, 2005–2006). Em abril deste ano, a artista estará na 12ª Bienal do Mercosul em Porto Alegre. Sua obra está presente em importantes coleções públicas, como MASP, MAM-SP, MAM-RJ, MAR, entre outras.


Fortes D'Aloia & Gabriel is pleased to announce an exhibition of new work by Lucia Laguna. This is the artist’s second solo at the gallery and her first after the comprehensive overview show held at MASP in 2018. In this new set of paintings Lucia follows up on the three series – Jardins [Gardens], Paisagens [Landscapes] and Estúdios [Studios] – that have been directing her production from the start. Such tripartite division points towards an indivisibility between her working process and the space of her studio in the north zone of Rio de Janeiro. It's from that place – and from the observation of its surroundings stretching from her backyard to Morro da Mangueira – that the artist creates hybrid landscapes merging architecture and vegetation, geometric planes and figurative elements.

Paisagem n. 121 [Landscape no. 121] demonstrates the artist’s method. Lucia begins by allowing her assistants to create outlines and add drawings, as well as other graphic elements to the surface of the canvas. When the artist takes over the deconstruction of what has been there starts, so that new backgrounds are constructed over juxtapositions that add layers to the final outcome.

The peculiar crossing between abstraction and figuration, which is at stake in her painting, becomes evident in the diptych Paisagem n. 118 [Landscape no. 118]. While the picture on the left reveals a dissolved, almost liquid – therefore more abstract – landscape, on the right we see a more figurative composition, with elements such as birds and traffic lights. Such coexistence of pictorial insertions from disparate origins is also present in Paisagem n. 120 [Landscape no. 120], where she experiments with vertical formats – unusual in her body of work.

Another aspect of Laguna’s modus operandi stands-out in Jardim n. 44 [Garden no. 44]: the square canvas is turned upside-down many times during the painting process. Therefore, the profusion of colors and figures that blossom from the center of the painting can take on ambiguous features depending on how it is looked at, evoking either a flower bouquet, or a rooster. Completing the exhibition is the series Desenhos [Drawings], in which Lucia creates compositions on paper from leftovers of duct-tape from the initial steps of her paintings. Primary and yet posthumous remains of the inventive architecture of her paintings.

Check out our online viewing

Lucia Laguna was born in Campo dos Goytacazes (Rio de Janeiro state, Brazil), in 1941. In 1971, she received a Bachelor of Arts in Language and Literature degree, having started to teach Portuguese. In the mid 1990’s, she attended Painting and Art History programs at Parque Lage, in Rio de Janeiro, and had her first solo show in 1998. In 2006, she was awarded the Marcantônio Vilaça Prize from CNI SESI. Among her most recent solo shows stand-out: Vizinhança, MASP (São Paulo, 2018); and Enquanto bebo a água, a água me bebe, MAR (Rio de Janeiro, 2016). The main group shows in which she has participated include: 30th Bienal de São Paulo (2012), 32nd Panorama da Arte Brasileira, MAM-SP (2011), Programa Rumos Artes Visuais Itaú Cultural (São Paulo, 2005–2006). Next April, the artist will take part on the 12th Bienal do Mercosul in Porto Alegre. Her work is featured in many important public museum collections, such as MASP, MAM-SP, MAM-RJ, MAR, among others.

Posted by Patricia Canetti at 12:34 PM

Cássio Vasconcellos na Nara Roesler, Rio de Janeiro

A Galeria Nara Roesler | Rio de Janeiro tem o prazer de inaugurar seu calendário de 2020 com Dríades e Faunos, individual do fotógrafo paulista Cássio Vasconcellos. Essa é a primeira mostra do artista na galeria, que o representa desde 2019. Em sua estreia, o fotógrafo apresenta sua mais recente série de trabalhos, que versa tanto sobre a potência expressiva da natureza quanto sobre a relação entre pintura e fotografia.

[scroll down for English version]

Dríades e Faunos (2019-2020), série cujo nome também dá título à exposição, é um desdobramento da pesquisa iniciada em 2015 com Viagem pitoresca pelo Brasil (2015 – atual), baseada nas expedições artísticas e científicas que ocorreram no Brasil durante o século XIX. Esses empreendimentos reuniam artistas e cientistas de diferentes especialidades com o objetivo de percorrer e se embrenhar em nosso território, ainda pouco conhecido na época, a fim de explorá-lo e mapeá-lo.

A expedição Langsdorff, de 1825, por exemplo, trazia em sua comitiva o botânico Ludwig Riedel, tataravô de Vasconcellos. Esse elo pode nos sugerir um fascinío, herdado no âmbito familiar, pelo mistério da natureza como motivo, o que talvez tenha levado o fotógrafo a se interrogar sobre a impressão que a vastidão das nossas matas produziu nos artistas e cientistas daquela época. Mais do que alcançar o mesmo resultado das imagens do período, ele busca um efeito similar. Para isso, ele altera a sensibilidade e o intervalo de exposição da câmera para produzir uma fotografia que também será editada digitalmente.

Nas imagens capturadas, pode-se observar a exuberância das florestas brasileiras, em especial da Mata Atlântica, que permeia a costa leste brasileira e, principalmente, a região sudeste. O público irá se deparar com paisagens que compõem o cenário da cidade do Rio de Janeiro e seus arredores, tais como a Floresta da Tijuca, a Serra dos Órgãos e o Parque Nacional do Itatiaia, assim como de outros lugares do país. Muitas das viagens realizadas por Vasconcellos para capturar as imagens foram feitas em companhia do seu amigo, o botânico Ricardo Cardim. Inclusive, foi o pesquisador que sugeriu o nome Dryads para a série que começou a surgir no ano passado.

O nome tem origem na mitologia grega, em que as Dryads, ou Dríades, em português, são divindades que nascem junto a uma árvore, passando a viver nela, ou em seus arredores. A vida de ambas estaria entrelaçada de tal modo que, se a árvore morresse, o mesmo acontecia com a entidade. Cardim, ao observar que nas paisagens de Vasconcellos também habitavam figuras de nus femininos em harmonia, logo se lembrou da lenda. Quando passou a acrescentar também figuras masculinas, o fotógrafo recorreu a outra referência proveniente do mesmo imaginário, os Faunos.

As figuras humanas que habitam as composições de cenas idílicas de Vasconcellos foram retiradas de pinturas acadêmicas do século XIX de autoria de mestres como Jacques Louis David, William Adolphe Bouguereau e Jean-Baptiste Camille Corot. Essa é a primeira vez que o fotógrafo se apropria de imagens de outros artistas para criar seu trabalho. Reitera-se, com esse gesto, a relação entre pintura e fotografia, ali aproximadas: não é só a fotografia que se assemelha à pintura, pelo seu tratamento, mas também as figuras retiradas dos quadros se parecem com fotos.

Os nus foram eleitos enquanto forma atemporal de representação do corpo, pois não apresentam roupas que possam marcar uma época ou classe social. Vasconcellos busca instaurar um tempo em suspensão em que possa se sobressair a relação do indivíduo com a natureza, a procura por um certo equilíbrio harmônico entre ambos. A atmosfera romântica das imagens não deixa de nos remeter, ainda que indiretamente, as discussões sobre o impacto ecológico humano, tendo em vista a série de catástrofes com as quais nos deparamos atualmente.

Cássio Vasconcellos nasceu em São Paulo, Brasil, em 1965, onde vive e trabalha, e iniciou sua carreira de fotógrafo no começo dos anos 1980. Apesar de ter vasta experiência como fotojornalista, sua produção artística se destaca pela criação de espaços imaginários e de ficções a partir de elementos da realidade. Seu trabalho ultrapassa os métodos tradicionais da fotografia documental, criando uma linguagem experimental voltada à crítica da sociedade contemporânea. A predileção pela fotografia aérea auxilia na criação de imagens impactantes, que jogam, a partir da escala, com a nossa percepção do mundo. Vasconcellos publicou diversos livros reunindo essa produção, como Brasil visto do céu (Editora Brasileira, 2017), Panorâmicas (DBA, 2012) e Noturnos São Paulo (2002), entre outros.

Nas suas fotos, podemos nos encontrar diante do excesso de produtos disseminados no nosso cotidiano, assim como da regularidade das formas arquitetônicas que parece se expandir infinitamente, figurações que aparecem como emblemas de nossa cultura. Ou nos deparamo com a exuberância incomensurável da natureza, traduzida em paisagens, tal como na série Viagem pitoresca pelo Brasil (2015), em que o artista se baseia e se inscreve na longa tradição de artistas que buscaram capturar o interior de nossas florestas. Percebe-se, então, que subjaz algo de sublime ao trabalho de Vasconcellos, tendo em vista que suas fotografias nos colocam em contato com aquilo que é demasiadamente vasto.

seleção de coleções permanentes
• Museu de Arte de São Paulo (MASP), São Paulo, Brasil
• Museo Nacional de Bellas Artes, Buenos Aires, Argentina
• Bibliothèque Nationale, Paris, França
• Museum of Fine Arts Houston (MFAH), Houston, EUA

seleção de exposições individuais recentes
• Collectives, St Georges’s Gate (Castle of Ioannina), Ioannina, Grécia, 2019
• Viagem pitoresca pelo Brasil, Pequena Galeria 18, São Paulo, Brasil, 2015
• Aéreas do Brasil, Paço das Artes, São Paulo, Brasil, 2014
• Coletivos, Today Art Museum (TAM), Beijing, China, 2019; Art + Shanghai Gallery, Shanghai, China, 2013

seleção de exposições coletivas recentes
• Trees, Fondation Cartier pour l’art contemporain, Paris, França, 2019
• Civilization: The Way We Live Now, National Museum of Modern and Contemporary Art (MMCA), Seul, Coréia do Sul, 2018
• Past/Future/Present: Contemporary Brazilian Art from the Museum of Modern Art of São Paulo, Phoenix Art Museum, Phoenix, EUA, 2017
• Aquí nos vemos - Fotografía en América Latina 2000-2015, Centro Cultural Kirchner, Buenos Aires, Argentina, 2015


Galeria Nara Roesler | Rio de Janeiro is pleased to inaugurate its 2020 program with Dryads and Fauns, a solo show by photographer Cássio Vasconcellos from São Paulo. The exhibition will be the artist’s first presentation at the gallery since it started representing him in 2019. The photographer will be showcasing his most recent work, addressing both the expressive potency of nature, as well as the relationship between painting and photography.

Dryads and Fauns (2019-2020), is both the title of the exhibition and that of the series, which the artist derived from research he began undertaking in 2015 for the project Viagem pitoresca pelo Brasil [Picturesque Voyage through Brazil] (2015-present). The research is based on a series of artistic and scientific expeditions that took place in Brazil during the nineteenth-century. These ventures brought together artists and scientists with a variety of specialties, to wander through and take in the country’s still then very much unknown territories, in order to explore, record and map them.

Interestingly, the 1825 Langsdorff expedition included in its committee, the Botanist Ludwig Riedel who also happens to have been Vasconcellos’ great-great-grandfather. One can therefore trace the fascination for the mystery of nature back several generations. The family history may have therefore triggered the photographer to become intrigued by the possible impressions and awes that the scientists and artists of the time must have felt before the country’s immensely vast forests. Rather than attempting to create the same type of images produced at that time, the artist seeks a similar effect in his photography by altering the camera’s sensitivity and exposition, as well as editing the images digitally.

Cássio Vasconcellos’ works captures the exuberance of Brazilian forests, especially that of the Atlantic Forest, which spreads across the Brazilian east coast and the southeast region. The exhibition will present landscapes and sceneries from the city of Rio de Janeiro and its surroundings, including that of the Floresta da Tijuca, the Serra dos Órgãos and the Parque Nacional do Itatiaia amongst others. Many of the artist’s trips were done along with his friend and botanist, Ricardo Cardim who in fact, was the one to suggest the term Dryads as the series began to emerge last year.

The title originates from Greek mythology, where Dryadsdesignate divinities that are born with trees, and then live in or around them. The life of both entities is said to be intertwined so that if the tree were to die, so would the Dryad. When looking at Vasconcellos’ landscapes, Cardim discovered the artist had included nude female figures also living in harmony with nature and soon recalled the Greek myth. As he began to include male figures as well, Vasconcellos chose to add another term from the same imaginary lexicon, Fauns.

The human figures that feature in Vasconcellos’ idyllic sceneries were taken from paintings from the nineteenth century created by masters such as Jacques Louis David, William Adolphe Bouguereau and Jean-Baptiste Camille Corot. It is the first time that the photographer has re-appropriated imagery from other artists as a means of creating his own. Through this act, Vasconcellos re-emphasizes the intertwinement between painting and photography: it is not only the photograph that resembles the painting, with its edits, but also the figures taken from the paintings that come to bear resemblance with photographs.

The nudes were selected for their timeless representation of the body, lacking clothes that could indicate a certain time or social class. Vasconcellos seeks to create a space suspended in time where the individuals’ relationship to nature and the search for harmonious equilibrium between both could become the focus point. Though his images evoke romantic atmospheres, they simultaneously and indirectly raise questions about the human ecological footprint, considering the series of natural catastrophes which we are currently facing.

Cássio Vasconcellos was born in 1965 in São Paulo, Brazil, where he lives and works. He began his career as a photographer at the beginning of the 1980s. Though he previously gathered extensive experience as a photojournalist, his artistic work is characterized by fictional imagery, which he derives from elements of reality. His work blurs the boundaries of photography as a genre, creating, instead, an imaginary iconographic vocabulary geared towards a critique of contemporary society. Notably, the artist’s use of aerial photography allows for the manipulation of scale and image, which he uses to challenge the viewer’s perception of reality. Vasconcellos has published several monographs of his work, including Brasil visto do céu [Brazil seen from the sky], Editora Brasileira, 2017; Panorâmicas, DBA, 2012 and Noturnos São Paulo [Nocturnes São Paulo], 2002.

Cássio Vasconcellos’ photography highlights our society’s excessive consumerism, the abundance of products that flood our everyday-life, the uniformity of architectural structures that surround us and the elements that have become emblematic of our culture. Alternatively, his work also explores the magnificence of nature with landscape images like those from the series Viagem pitoresca pelo Brasil (2015), with which he joins the long-standing tradition of artists who have attempted to capture the grandiosity of Brazilian flora. His works embody the mysticism of the country’s sublime, untamed jungles, creating images that confront the spectator with a reality that is too large for us to comprehend.

selected collections
• Museu de Arte de São Paulo (MASP), São Paulo, Brazil
• Museo Nacional de Bellas Artes, Buenos Aires, Argentina
• Bibliothèque Nationale, Paris, France
• Museum of Fine Arts Houston (MFAH), Houston, USA

selected solo exhibitions and projects
• Collectives, St Georges’s Gate (Castle of Ioannina), Ioannina, Greece, 2019
• Viagem pitoresca pelo Brasil, Pequena Galeria 18, São Paulo, Brazil, 2015
• Aéreas do Brasil, Paço das Artes, São Paulo, Brazil, 2014
• Coletivos, Today Art Museum (TAM), Beijing, China, 2019; Art + Shanghai Gallery, Shanghai, China, 2013

selected recent group exhibitions
• Trees, Fondation Cartier pour l’art contemporain, Paris, France, 2019
• Civilization: The Way We Live Now, National Museum of Modern and Contemporary Art (MMCA), Seoul, South Korea, 2018
• Past/Future/Present: Contemporary Brazilian Art from the Museum of Modern Art of São Paulo, Phoenix Art Museum, Phoenix, USA, 2017
• Aquí nos vemos - Fotografía en América Latina 2000-2015, Centro Cultural Kirchner, Buenos Aires, Argentina, 2015

Posted by Patricia Canetti at 11:29 AM

Zip’Up: Vitor Mizael na Zipper, São Paulo

Ainda que em transição, o trabalho de Vítor Mizael não abandona o olhar em torno da memória. Em séries passadas, o artista refletia sobre a noção de patrimônio e conservação, priorizando suportes que exprimiam a vulnerabilidade e a perecibilidade da matéria. Agora, o interesse do artista migra para outra perspectiva do mesmo objeto: questões como afetividade e ornamento, e como elas se expressam no espaço e se acumulam ao longo do tempo, viram seu foco. Por isso, ao lado do desenho, surgem bordados em linho, pinturas em azulejos das décadas de 1970 e 1980, objetos em metal que remetem a padronagens de portões domésticos tão característicos das casas de São Paulo. Parte desta produção recente de Vítor Mizael está em sua nova exposição individual no programa Zip’Up, aberta a partir de 29 de fevereiro.

Desde o início de sua pesquisa, Vítor aborda as figuras animais e botânicas pela ilustração científica. Ele se apropria de manuais catalográficos para criar novas formas e buscar outras relações entre os trabalhos que se confrontam no espaço expositivo. Nesta individual, os trabalhos revelam a virtuose do desenho e seu poder de rompimento com a representação do real. Em estandartes de linho bordado e portões soldados, convivem o que antes eram opostos: serpentes e o pássaros — duas figuras frequentes no trabalho do artista — deixam os meros status de “predador” e “presa” e assumem novas simbologias.

Segunda individual do artista na Zipper, a mostra fica em cartaz até 28 de março.

Idealizado em 2011, um ano após a criação da Zipper, o programa Zip’Up é um projeto experimental voltado para receber novos artistas, nomes emergentes não representados por galerias paulistanas. O objetivo é manter a abertura a va-riadas investigações e abordagens, além de possibilitar a troca de experiência en-tre artistas, curadores independentes e o público, dando visibilidade a talentos em iminência ou amadurecimento. Em um processo permanente, a Zipper recebe, seleciona, orienta e sedia projetos expositivos, que, ao longo dos últimos oito anos, somam mais de cinquenta exposições e cerca de 70 artistas e 30 curado-res que ocuparam a sala superior da galeria.

Posted by Patricia Canetti at 9:27 AM

fevereiro 26, 2020

Edições Sesc São Paulo e MASP lançam livro Anna Bella Geiger: Brasil nativo/Brasil Alienígena

Obra faz um panorama da produção da artista plástica que utiliza diversos suportes para retratar sua visão sobre a cultura brasileira

Brasil nativo, Brasil alienígena é o título de um dos mais importantes trabalhos da escultora, pintora, gravurista, desenhista e artista multimídia Anna Bella Geiger. Lançada originalmente em 1977, a série também dá nome à exposição corealizada pelo MASP e o Sesc Avenida Paulista, que fica em cartaz até 1 de março, e à nova publicação coeditada pelas Edições Sesc.

Ao utilizar métodos inovadores em sua arte e discutir criticamente a história e a realidade social do Brasil, Anna Bella Geiger se estabeleceu como uma artista pioneira no país. Sua trajetória dos anos 1950 a 2000 é contada no livro homônimo da exposição, organizado por Adriano Pedrosa e Tomás Toledo, que reúne imagens de todos os trabalhos da mostra, materiais de arquivo, reproduções de escritos, nota biográfica por Gabriela de Laurentiis, além de ensaios inéditos dos críticos Bernardo Mosqueira, Zanna Gilbert, Estrella de Diego, Philippe Van Cauteren e dos curadores, incluindo uma entrevista com Anna Bella realizada por Pedrosa, diretor artístico do MASP.

Sobre a artista

Anna Bella Geiger (Rio de Janeiro, 1933) é escultora, pintora, gravadora, desenhista, artista intermídias e professora. Com formação em língua e literatura anglo-germânicas, inicia, na década de 1950, seus estudos artísticos no ateliê de Fayga Ostrower (1920-2001). De 1965 a 1968, Geiger produz o que é chamado pela crítica de "fase visceral", sob a influência da nova figuração. Essa fase antecipa a utilização da cartografia em sua produção, cujo eixo central é a problematização da existência de uma cultura comum a todos os habitantes do Brasil. Sua obra é marcada pelo uso de diversas linguagens e a exploração de novos materiais e suportes.

Sobre os organizadores

Adriano Pedrosa é, desde 2014, diretor artístico do Museu de Arte de São Paulo (MASP). Com graduação em Direito pela UERJ e diversas pós-graduações nas áreas de arte, curadoria e museologia, Pedrosa despontou no cenário artístico brasileiro na década de 1990, como co-curador da 24ª Bienal de Arte de São Paulo, que refletiu sobre o movimento antropofágico. Fez curadoria de diversas exposições bem avaliadas pela crítica e, à frente do Masp, promoveu mostras que foram grande sucesso de público e crítica, como “Histórias Afro-Atlânticas” (2018) e a recente “Tarsila Popular” (2019), sobre Tarsila do Amaral.

Tomás Toledo é, desde 2018, o curador-chefe do MASP. Foi um dos curadores da exposição “Histórias Afro-Atlânticas” (2018), grande sucesso de público e crítica, além de “A mão do povo brasileiro”, 1969/2016 (2016), “Miguel Rio Branco: Nada levarei quando morrer” (2017), “Tunga: o corpo em obras” (2017), “Emanoel Araújo, a ancestralidade dos símbolos: África-Brasil” (2018) e “Lina Bo Bardi: Habitat” (2019).

Ficha técnica

Anna Bella Geiger: Brasil nativo/Brasil Alienígena
Organização: Adriano Pedrosa e Tomás Toledo
Masp e Edições Sesc São Paulo
Páginas: 288
ISBN: 978-85-9493-210-5
Formato: 21 x 25,5 cm
Preço: R$ 139,00

Sobre as Edições Sesc São Paulo

Pautadas pelos conceitos de educação permanente e acesso à cultura, as Edições Sesc São Paulo publicam livros em diversas áreas do conhecimento e em diálogo com a programação do Sesc. A editora apresenta um catálogo variado, voltado à preservação e à difusão de conteúdos sobre os múltiplos aspectos da contemporaneidade. Seus títulos estão disponíveis nas Lojas Sesc, na livraria virtual do Portal Sesc São Paulo, nas principais livrarias e em aplicativos como Google Play e Apple Store.

Posted by Patricia Canetti at 11:31 AM

Oito galerias Latitude participam da ARCOmadrid 2020

A feira de arte espanhola recebe Anita Schwartz Galeria de Arte, Casa Triângulo, Fortes D’Aloia & Gabriel, Galeria Jaqueline Martins, Galeria Luisa Strina, Galeria Superfície, Sé Galeria e Vermelho

A arte contemporânea brasileira marca presença na ARCOmadrid 2020, um dos principais eventos do setor no mundo, que acontece entre os dias 26 de fevereiro e 1º de março de 2020. Sua 39ª edição apresenta trabalhos de 209 galerias de 30 países diferentes, com forte presença da América Latina (22% dos participantes internacionais).

Oito galerias contam com o apoio do Projeto Latitude - Platform for Brazilian Art Galleries Abroad, uma parceria estratégica entre a Associação Brasileira de Arte Contemporânea – ABACT e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos – Apex-Brasil que visa fomentar e fortalecer a internacionalização da arte brasileira.

Seções com curadoria

A Galeria Jaqueline Martins exibe trabalhos de Hudnilson Jr. na It´s Just a Matter of Time, seção que observará certas práticas artísticas baseadas no trabalho de Felix Gonzalez-Torres. A Fortes D’Aloia & Gabriel participa da Diálogos, que conta com apenas 10 galerias selecionadas pelos curadores Agustín Pérez Rubio e Lucía Sanromán.

A cena de galerias novas está na Opening, com curadoria de Tiago de Abreu Pinto e Övül Ö. Durmusoglu, na qual participam Superfície (Sonia Andrade e Mira Schendel) e Sé Galeria (Carlos Issa e Rafael RG).

General Programme

Na seção principal, participam Anita Schwartz Galeria de Arte e Casa Triângulo. Ainda na mesma área da feira, mas com estandes dedicados ao diálogo entre dois artistas (projeto SOLO/DUO), estão Galeria Luisa Strina (Laura Lima e Marcius Galan) e Vermelho (Claudia Andujar e Tânia Candiani).

Programações paralelas

A artista Sara Ramo (representada por Fortes D’Aloia & Gabriel) apresenta “lindalocaviejabruja” no Museo Reina Sofia até 02/03. Na Sala Alcalá 31, “Gran Sur: arte contemporáneo Chileno en la Colección Engel”, exposição de uma das maiores coleções privadas da América Latina, estará em cartaz com obras do artista Felipe Mujica (representado por Casa Triângulo) até o dia 26/04.

Sobre as galerias participantes

Anita Schwartz Galeria de Arte
General Programme
Stand 9D14
Artistas: Nuno Ramos, Otavio Schipper, Paulo Vivacqua e Waltercio Caldas

Casa Triângulo
General Programme
Stand 9D10
Artistas: Albano Afonso, Alex Cerveny, Ascânio MMM, Eduardo Berliner, Felipe Mujica, Guillermo Mora, Ivan Grilo, Manuela Ribadeneira, Max Gómez Canle, Paul Setúbal, Rodolpho Parigi, Sandra Cinto e Vânia Mignone.

Fortes D’Aloia & Gabriel
Diálogos
Stand 7A08
Artistas: Mauro Restiffe e Valeska Soares

Galeria Jaqueline Martins
It’s Just a Matter of Time
Stand 7G07L
Artistas: Hudnilson Jr.

Galeria Luisa Strina
General Programme (SOLO/DUO)
Stand 9A07
Artistas: Laura Lima e Marcius Galan

Galeria Superficie
Opening
Stand 9OP19
Artistas: Sonia Andrade e Mira Schendel

Sé Galeria
Opening
Stand 9OP06
Artistas: Carlos Issa e Rafael RG

Vermelho
General Programme (SOLO/DUO)
Stand 9D05
Artistas: Claudia Andujar e Tânia Candiani

Sobre o Latitude - Platform for Brazilian Art Galleries Abroad

O Latitude é um programa desenvolvido por meio de uma parceria firmada entre a Associação Brasileira de Arte Contemporânea - ABACT, e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos - Apex-Brasil, para promover a internacionalização do mercado brasileiro de arte contemporânea. Criado em 2007, conta hoje com 45 galerias de arte do mercado primário, localizadas em sete estados brasileiros e Distrito Federal, que representam mais de 1000 artistas contemporâneos. Seu objetivo é criar oportunidades de negócios de arte no exterior, fundamentalmente através de ações de capacitação, apoio à inserção internacional e promoção comercial e cultural.

O volume das exportações das galerias do projeto Latitude vem crescendo significativamente. Em 2007 foram exportados US$ 6 milhões, e em 2015 atingiu-se um pico de quase US$ 70 milhões, quantia quase duas vezes maior àquela de 2014. As galerias Latitude foram responsáveis por 41% do volume total das exportações do setor em 2016.

Desde abril de 2011, quando a ABACT assume o convênio com a Apex-Brasil, foram realizadas 48 ações em mais de 26 diferentes feiras internacionais, com aproximadamente 300 apoios concedidos a galerias Latitude. Neste mesmo período, foram trazidos ao Brasil aproximadamente 250 convidados internacionais, entre curadores, colecionadores e profissionais do mercado, em 23 edições de Art Immersion Trips. Além dessas ações, o Latitude realizou cinco edições de sua Pesquisa Setorial, com dados anuais sobre o mercado primário de arte contemporânea brasileira.

Posted by Patricia Canetti at 9:29 AM

fevereiro 20, 2020

Marcelo Tinoco na Zipper, São Paulo

Em “Museu de Novidades”, o artista Marcelo Tinoco sai em busca do belo e eterno na história da arte. Com inspiração nos grandes mestres da pintura e no trabalho paisagístico de Roberto Burle Marx, Tinoco inaugura a exposição “Museu de Novidades” no dia 29 de fevereiro, às 12h; Nancy Betts assina o texto crítico da exposição.

Segunda individual de Tinoco na Zipper Galeria, a mostra reúne a série homônima onde o artista realoca personagens emblemáticos das obras de grandes mestres da pintura ocidental — como “O Nascimento de Vênus” de Sandro Botticelli, “Ophelia” de John Everett Millais e “Retrato de Mada Primavesi” de Gustav Klimt — em ambientes originalmente estranhos à composições originais — os personagens icônicos são realocados nos jardins botânicos de Londres, Berlim, São Petersburgo, e principalmente o do Rio de Janeiro.

A proposta do artista é, desta forma, estabelecer deslocamentos temporais e estilísticos entre elementos da história da arte em trabalhos que mesclam registro fotográfico, desenho de observação e pintura digital. É o que Marcelo Tinoco chama de “fotografia multidisciplinar”, ou seja, o resultado de intervenções na imagem fotográfica com o objetivo de deslocar este suporte da função de representação fiel da realidade para outros campos das artes visuais. “Nesta série, selecionei referências que podem ser relidas, revalorizadas e recicladas em novos diálogos contemporâneos. São figuras que sempre me tocaram afetivamente, e continuam me encantando até hoje” diz o artista.

O processo se inicia com o registro documental (de paisagens, obras de arte, museus, monumentos, cidades) e se segue com a edição e a colagem destes “rascunhos fotográficos” para a construção de uma nova cena, uma nova composição. Fotografados em seus museus de origem muitas vezes de maneira simples com o celular, após a edição das imagens os personagens clássicos são recriados em grandes dimensões, através do desenho de observação e inseridos em novos cenários. Marcelo Tinoco faz uso da pintura digital à mão livre para criar áreas inteiras com pincel digital autoral. Por fim, a nova composição é iluminada e finalizada com uso de cores e contrastes. “Posso dizer que se trata de uma reciclagem artística. É como se o nascimento da Vênus tivesse sido, desta vez, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro”, ele comenta.

Marcelo Tinoco (São Paulo, Brasil, 1967) vive e trabalha em São Paulo. O artista intervém na imagem fotográfica com colagens, recortes e pinturas com pinceis digitais, compondo o que ele chama de “fotografia multidisciplinar”. Sua intenção é deslocar este suporte das funções de representação fiel da realidade para outros campos das artes visuais, como a pintura. Premiado no Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia (Brasil, 2013), seu trabalho figura nas coleções institucionais do Consulado-Geral do Brasil em Frankfurt (Alemanha), do Museu da Imagem e do Som e do Museu de Arte do Rio. Principais exposições individuais: "Histórias Naturais", Caixa Cultural, Rio de Janeiro, Brasil (2014), "Timeless". Centro Cultural São Paulo, São Paulo, Brasil (2013), "Nova Fotografia", Museu da Imagem e do Som, São Paulo, Brasil (2012). Principais exposições coletivas: "Ao amor do público". Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Brasil (2016), Foto Bienal MASP/Pirelli, Museu Oscar Niemeyer, Curitiba (2014), Programa de Exposições, Museu de Arte de Ribeirão Preto, Brasil (2013).

Nancy Betts - Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. É professora de Evolução das Artes Visuais (História da Arte) na Faculdade de artes Plásticas – FAAP. Integra o corpo docente dos cursos de Pós-graduação de Audiovisual e Mídias Interativas do SENAC-SP, nas disciplinas de Semiótica da imagem e do som e Comunicação, Linguagem e Sentido respectivamente. Em 2005, professora convidada da UNICHAPECÓ-SC no curso de Pós-graduação lato sensu em Artes Visuais em Culturas Contemporâneas na disciplina de Semiótica do Visual. Pesquisadora CNPq em linguagem da arte e da artemídia. Projetos de curadoria – 2005 - Fidalga ’05, no Paço Municipal de Santo André, SP; 2003 – curadora adjunta na exposição A subversão dos meios, Itaú Cultural, SP; 2002 – Palavra-Figura, Paço das Artes, SP; 2000/1999 - XS/XL (extra small, extra large) MUMA (Museu Metropolitano da Arte), Curitiba-PR; Espaço Cultural dos Correios, RJ; Galeria Nara Roesler, SP; Galeria Marina Potrich, Goiânia-GO; Muna (Museu Universitário da Arte), Universidade Federal de Uberlândia, MG.

Posted by Patricia Canetti at 4:11 PM

Archeologies of The Selfie na Nara Roesler NY, EUA

A Galeria Nara Roesler | Nova York tem o prazer de inaugurar seu programa de exposições de 2020 com a coletiva Arqueologias da selfie, curada por Luis Pérez-Oramas. A mostra tece comentários sobre o fenômeno contemporâneo da produção e disseminação em massa de imagens, cuja síntese se faz evidente no gênero fotográfico da selfie. De saída, Luis Pérez-Oramas contextualiza a selfie a partir de duas ideias convergentes: a teoria de Pierre Bourdieu de Arte média e a autocracia narcísica do indivíduo. Baseando-se na abordagem de Bourdieu, Pérez-Oramas coloca a selfie como sintoma do uso social da fotografia pelo qual todos nos tornamos fotógrafos, justamente em função do acesso ampliado aos dispositivos que produzem imagens cada vez mais perfeitas e com maior facilidade. Simultaneamente, para a autocracia narcísica individual, o uso social da fotografia funciona como meio de autorrepresentação (podendo ser realista ou fantasiosa), ou como marco da existência do eu.

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Por essa perspectiva, pode-se estabelecer uma arqueologia da selfie a partir da primeira delas: o reflexo sedutor e fatal de Narciso. Arqueologias da selfie emerge dessa archè, não como uma exposição de fotografias ou de selfies mas, sim, como comentário curatorial sobre a dialética entre a autorrepresentação e a obliteração da imagem. Nas palavras de Pérez-Oramas, a mostra é um exercício de “desconstrução da selfie pelo reencontro com a lentidão das imagens”.

As peças principais, ou ancoragens históricas, de Arqueologias da selfie são duas pinturas: Sun Photo as Self-Portrait (1968), de Antonio Dias – pois, no fundo, todas as selfies são autorretratos –, e Sem título (1961), de Tomie Ohtake, pintada enquanto a artista usava uma venda e que, mesmo sendo explicitamente autorreferencial em sua feitura, resulta em uma imagem obliterada. Esses marcadores são expostos junto a trabalhos de Milton Machado, Cao Guimarães, Paulo Bruscky, Wesley Duke Lee, Vicente de Mello, André Severo e Vasco Szinetar. Cada um deles explora, a seu modo, seja em sua execução, técnica ou imaginário, os diferentes modos pelos quais o eu foi retratado, referenciado, imaginado, suprimido ou desafiado ao longo do tempo. Arqueologias da selfie apresenta obras provenientes de um tema constante em nossa cultura: a retórica sobre o eu, atualmente revigorado pela natureza da produção contemporânea de imagens, conduzindo a selfie para o interior da narrativa histórica da arte que acompanha esse fenômeno social, antropológico e psicológico.


Galeria Nara Roesler | New York is delighted to inaugurate its 2020 exhibitions program with a group show titled Archaeologies of the Selfie, curated by Luis Pérez-Oramas. The exhibition comments on today’s phenomenon of mass image production and dissemination arguably conflated in the recent genre of the selfie. Luis Pérez-Oramas begins by contextualizing the case of the selfie through two concurrent ideas: Pierre Bourdieu’s theory of Middle-Brow Art and the narcissistic autarchy of the individual. Following Bourdieu's approach, Pérez-Oramas situates the selfie as a symptom of the social use of photography, whereby we can all become photographers by having access to devices that produce easy and increasingly perfect images. Concomitantly, the narcissistic autarchy of the individual addresses the social use of photography as a means of self-representation – either realistic or fantasized – and as a token of one’s existence.

From this perspective, one can establish an archaeology of the selfie beginning with the fantasized image of Narcissus’ luring and ultimately fatal reflection. Archaeologies of the Selfie thus emerges from this archè, not as an exhibition of photographs nor of selfies, but rather as a curatorial commentary on the dialectic of self-representation and image obliteration – in Pérez-Oramas’ words, as an exercise of ‘deconstruction of the selfie and reconciliation with slow imagery.’

The core pieces, or historical anchors, of Archaeologies of the Selfie are two paintings: Sun Photo as Self-Portrait (1969) by Antonio Dias – because ultimately all selfies are self-portraits – and Untitled (1961) by Tomie Ohtake, which she painted wearing a blindfold and while being explicitly self-referential in its making, nonetheless results in an obliterated image. These markers are exhibited with pieces by Milton Machado, Cao Guimarães, Paulo Bruscky, Wesley Duke Lee, Vicente de Mello, André Severo and Vasco Szinetar – each of which inherently explores, in their process of making, medium or in their imagery, the different ways in which the self has been depicted, referenced, imagined, obliterated or defied over time. Archaeologies of the Selfie will present pieces from the enduring matter that is the rhetoric around the self, reinvigorated today by the nature of contemporary image production, positioning the selfie within an art historical trajectory that has accompanied this social, anthropological and psychological phenomenon.

About Luis Pérez-Oramas (b. Caracas, 1960) Writer, poet and art historian. He received a PhD in History of Art, under the direction of Louis Marin and Hubert Damisch, from the École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris (EHESS, 1994). Chief-Curator of the 30th Bienal de São Paulo (2012); Latin American Art Curator at the Museum of Modern Art (MoMA), in New York (2003-2017); Curator of the Patricia Phelps de Cisneros Collection, in Caracas (1995-2002).

Pérez-Oramas was the curator and co-curator of a number of exhibitions, particularly during his role at MoMA, including: Transforming Chronologies: An Atlas of Drawings (2004), a retrospective of the work of Armando Reverón (2007); New Perspectives in Latin American Art: 1930-2006 (2007); O alfabeto enfurecido: León Ferrari e Mira Schendel, at Fundação Iberê Camargo (2009), in Porto Alegre, and at the Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (MNCARS) (2010), in Madrid; Lygia Clark: O Abandono da Arte (2014); Joaquín Torres-García: The Arcadian Modern (2015), at the Museo Picasso, in Barcelona; and Tarsila do Amaral: Inventing Modern Art in Brazil, at The Art Institute of Chicago (2017), in Chicago, and at the Museum of Modern Art (2018), in New York.

He taught Art History at the Université de Haute Bretagne-Rennes 2 and at the École Supérieure de Beaux-Arts de Nantes, in France (1987-1993), and Art History and Theory at the Instituto de Estudios Superiores de Artes Plásticas Armando Reverón and at the Universidade Central da Venezuela, in Caracas, Venezuela (1995-2002). Pérez-Oramas has been invited to lecture at several universities and museums, including, recently, at the INHA and EHESS, in Paris (2013); Barnard College-Columbia University (2016); Princeton University (2017-2018-2019); Museo del Prado (2015- 2017); Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (MNCARS), in Madrid, and the Gainesville University, Florida (2019). Pérez-Oramas is the author of seven collections of poems (of which the most recent is La dulce astilla, 2015, Editorial Pre-textos) and five collections of essays (of which the most recent is Olvidar la Muerte: Pensamiento del toreo desde América, 2016, Editorial Pre-textos), as well as his numerous collaborations in exhibition catalogs and specialized art publications. In 2020, Editorial Pre-textos (Valencia, Spain) will publish a collection of his essays entitled La inactualidad de la pintura y vericuetos de la imagen.

Posted by Patricia Canetti at 3:25 PM

fevereiro 17, 2020

Visitas dialogadas com Bruno Borne, Mariza Carpes + Túlio Pinto no MARGS, Porto Alegre

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) promove um encontro com os artistas que integram a atual programação de exposições do museu apresentando mostras individuais.

18 de fevereiro de 2020, terça-feira, às 16h, 17h e 18h

MARGS
Praça da Alfândega s/n, Centro Histórico, Porto Alegre, RS

No evento, Túlio Pinto (16h), Bruno Borne (17h) e Mariza Carpes (18h) receberão o público para uma sequência de visitas dialogadas nos espaços expositivos.

A ideia é promover um momento de encontro e conversa com os artistas, a partir dos seus processos criativos e dos trabalhos artísticos apresentados nas três exposições: Túlio Pinto - Momentum, Bruno Borne - Ponto vernal e Mariza Carpes - Digo de onde venho.

Inauguradas em dezembro, as três mostras seguem em exibição até março, quando os espaços expositivos do museu darão lugar aos preparativos para a 12ª Bienal do Mercosul, cuja abertura está prevista para o mês de abril.

O MARGS funciona de terças a domingos, das 10h às 19h, sempre com entrada gratuita. Visitas mediadas a grupos podem ser agendadas por e-mail.

Posted by Patricia Canetti at 6:36 PM

Pinacoteca Barão de Santo Ângelo visita Museu Nacional de Belas Artes no MNBA, Rio de Janeiro

Na primeira vez que uma representação do rico acervo da Pinacoteca do Instituto de Artes da UFRGS é exposta fora do Rio Grande do Sul, a exposição Pinacoteca Barão de Santo Ângelo visita Museu Nacional de Belas Artes, será inaugurada dia 18 de fevereiro, terça-feira.

A mostra reúne oitenta e seis obras sobre papel — desenhos, aquarelas, gravuras e livros de artista — cobrindo uma linha do tempo que vai do século XIX até a atualidade, contando com peças de artistas nacionais e internacionais da Pinacoteca, uma das instituições culturais gaúchas mais importantes.

A curadoria da exposição “Pinacoteca Barão de Santo Ângelo visita Museu Nacional de Belas Artes” é dos professores Blanca Brites e Alfredo Nicolaiewsky e o evento integra as comemorações dos 85 Anos da Universidade Federal do RGS.

Para a mostra, os curadores agregaram as obras em quatro módulos, obedecendo basicamente a ordem cronológica, subdivididos em pequenos grupos por afinidades formais. O primeiro conjunto, “Tempo de constituição”, é formado prioritariamente por academias e desenhos de gessos, compreendendo temporalmente de 1866 aos anos 1920, com desenhos de Justina Kerner (1846–1941), Pedro Weingärtner (1853–1929) e Francisco Bellanca (1895–1974). O segundo modulo, “Tempo de afirmação”, concentra trabalhos da década de 1920 a 1940, com temáticas variadas entre figuras humanas, paisagens e naturezas-mortas, apresentando, dentre outros artistas, José Lutzenberger (1882–1951), Oscar Boeira (1883–1943) e Francis Pelichek (1896–1937).

Já o terceiro conjunto, intitulado “Tempo de constância”, exibe gravuras de artistas do Clube de Gravura, como Vasco Prado (1914–1998) e Danúbio Gonçalves (1925–2019) e também desenhos de João Fahrion (1898–1970), Alice Soares (1917–2005) e Paulo Peres (1935–2013) em um recorte que abarca dos anos 1940 ao final da década de 1970. “Tempo de continuidade”, o último segmento, avança até o início do século XXI, reunindo propostas diversificadas, dentre as quais podemos salientar as gravuras de Zoravia Bettiol (1935), Anico Herskovits (1948), Maria Lucia Cattani (1958–2015) Rafael Pagattini (1985), e os desenhos de Carlos Pasquetti (1948) e Mário Röhnelt (1950–2019). Todas as imagens cedidas pelo Setor Acervo da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo do IA/UFRGS.

Posted by Patricia Canetti at 5:58 PM

Kilian Glasner na Lume, São Paulo

Encontros Austrais reúne trabalhos que nasceram após uma expedição solitária, na qual o artista desbravou cinco países sul-americanos

O desejo de desbravar o continente sul-americano, de conhecer as Constelações Austrais, de se aventurar em uma viagem sozinho e de viver uma experiência de autoconhecimento levou o artista pernambucano Kilian Glasner a percorrer uma jornada de 20.000 km de carro, atravessando cinco países da América do Sul. Desta experiência, nasceram obras inéditas, exibidas a partir de 18 de fevereiro na exposição Encontros Austrais, na Galeria Lume.

O título da mostra alude aos encontros que Glasner teve no decorrer da aventura. Mesmo na condição de viajante solitário, ele se deparou com nativos, andarilhos, pessoas que lhe trouxeram inspiração, que apresentaram novas paisagens e modos de vida.

Com um diário de viagem e câmeras fotográficas, o artista passou 100 dias em expedição percorrendo Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Bolívia. “A ideia não era só fotografar, mas viver a experiência. Quando você passa um tempo sozinho, sem falar com ninguém, vê um mundo diferente, é um mergulho no autoconhecimento”, ele explica.

Glasner eternizou as paisagens por quais passou em mais de três mil fotografias. São registros de lugares diversos do continente, do Deserto do Atacama até Mato Grosso do Sul, transformados agora nos 20 desenhos e pinturas que compõem a mostra. Em alguns trabalhos, o artista traz elementos do hiper-realismo, enquanto em outros faz valer técnicas de pinturas mais soltas.

Já no fim da expedição, em Bonito, no Mato Grosso do Sul, Kilian conheceu o Buraco das Araras, uma enorme cratera em arenito, com cerca de 500 metros de circunferência e 100 metros de profundidade, que abriga uma população de mais de 200 araras. A intensa coloração dessas aves, que recebe luz direta do sol em contraponto ao obscurantismo da formação rochosa, trouxe ao artista uma conexão com as características de sua obra e, também, a sensação de liberdade e um desejo de contemplação. E é o que ele propõe aos visitantes com a instalação Voo (2020).

Kilian convida o público a adentrar uma espécie de câmara escura, um ambiente de contemplação, com trilha sonora produzida em parceria com músico e produtor musical Homero Basílio. Lá, estão as araras eternizadas em suas pinturas. “É um espaço que proporciona uma vivência de um ambiente fantástico, como se o visitante estivesse em uma história, um universo onírico”, conclui Glasner.

Sobre o artista

Kilian Glasner é natural de Recife, Pernambuco. Foi premiado no 39º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, em 1999. Tem graduação e mestrado na École Nationale Superieure des Beaux-Arts, em Paris, onde residiu de 2000 a 2007. Do período em que viveu na Europa destacam-se a residência artística na Academia Francesa de Artes em Roma, a Villa Médici, e mostras coletivas na França, Holanda e Itália.

Regressou à Recife em 2007 e, no ano seguinte, apresentou uma mostra individual na Galeria Mariana Moura. Em 2009 foi contemplado pelo edital Rumos Artes Visuais do Instituto Itaú Cultural e participou de exposições em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Branco e Brasília. No ano seguinte foi convidado pelo curador Antonio Pinto Ribeiro a apresentar a exposição O Brilhante Futuro da Cana-de-Açúcar, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Atualmente, Kilian Glasner é representado pela Galeria Lume.

Posted by Patricia Canetti at 5:18 PM

Mariana Palma no Tomie Ohtake, São Paulo

Em 2011 o Instituto Tomie Ohtake realizou a coletiva Os 10 Primeiros Anos, com artistas cujas trajetórias notabilizaram-se a partir do ano 2000. A mostra com curadoria de Agnaldo Farias e Thiago Mesquita pretendia apontar recorrências, sintomas e inquietudes comuns aos artistas de destaque no panorama contemporâneo emergente à época. Entre os cerca de 50 participantes, estava a paulistana Mariana Palma (São Paulo, 1979), que retorna agora ao espaço com a exposição Lumina, sua primeira individual em uma instituição cultural na capital paulista.

A mostra retrospectiva Lumina, com curadoria de Priscyla Gomes, curadora associada do Instituto Tomie Ohtake, reúne cerca de 50 trabalhos que repassam os quase vinte anos de carreira da artista, fundamentada, sobretudo, na pintura e no desenho. Segundo a curadora, o conjunto de obras demonstra a recorrência com que a artista se refere à ideia de integração de partes e de superfícies que se tocam e atritam dando forma a um novo corpo. (ler texto curatorial)

Articulando composições ricas em texturas, quase sempre com cores intensas, a obra de Palma provoca a ilusão de sensações táteis, seduzindo o olho do espectador. Segundo a curadora, Lumina, que dá nome à mostra, se refere ao mito de Orfeu, sintetizado no instante em que ele fica cara a cara com Eurídice e a luz dos seus olhos emite um raio em sua direção. (Orfeu foi buscar a amada no mundo dos mortos e conseguiu libertá-la com a promessa de não olhar para trás, mas sucumbiu).

Na exposição, como uma série de atos, tal qual uma ópera adaptada, o visitante percorre diversos momentos do trabalho de Palma. “Explorando elementos provenientes da botânica, de estampas, organismos marítimos e fragmentos arquitetônicos, Palma aborda a interpenetração de corpos, destaca alternâncias entre instantes de tensão e expansão, e compõe infindáveis universos frutos da exploração de luz e sombra”, pondera Gomes.

O percurso pelo espaço expositivo inicia-se com uma série de aquarelas, pinturas e fotografias que corroboram com a mitologia dos amantes. Aos poucos, a narrativa traz, por intermédio de pinturas em grande formato, as idas e vindas dessa trajetória. Para a curadora, o encontro é materializado por uma instalação em que frutos de palmeiras, tal qual duas cascatas, vertem-se em uma bandeja de líquido viscoso. “Palma constrói por intermédio do jorro das plantas uma metáfora pujante do possível encontro desses corpos fatidicamente cindidos”.

Os demais atos exploram a atmosfera da busca de Orfeu por Eurídice, destaca a curadora. Obscuridade e renascimento são fios condutores da aproximação dos trabalhos. Segundo Gomes, esses dois polos explorados são determinantes à compreensão da multiplicidade do léxico da artista. “Embora a profusão de elementos, aliada à intensidade do uso da cor, salte aos olhos no primeiro fitar das obras de Palma, a sutileza e rigor com que a artista articula cada camada sucessiva de tinta desvela um processo lento e meticuloso somente evidente quando nos debruçamos sobre a superfície planar de suas pinturas”, conclui.

Posted by Patricia Canetti at 4:08 PM

fevereiro 13, 2020

Canção Enigmática e a programação de fevereiro da Cinemateca do MAM, Rio de Janeiro

DOMINGO (16/02) | Canção Enigmática:

- No domingo (16/12), a Cinemateca promoverá sessões ligadas à mostra Canção Enigmática, em cartaz no MAM Rio, com curadoria do Chico Dub.

16h – Canção enigmática – ‘Wavelenght’, de Michael Snow. Estados Unidos e Canada, 1967. Experimental. 45’ + Brazil 84 de Phill Niblock. Estados Unidos e Canada, 1984. 77’. Exibições em Exibição em MP4 (H264). Classificação indicativa 12 anos.

18h15 – Canção enigmática – ‘Blight’, de John Smith. Reino Unido, 1966. Experimental. 16’. + A construção do som de José Carlos Asbeg. Brasil, 1980. Documentário. 28’ + Fiorucci made me hardcore de Mark Leckey. Reino Unido, 1999. 15’. + Abalo de Chiara Banfi. Brasil, 2019. 30’. Exibições em Exibição em MP4 (H264). Classificação indicativa 12 anos.

Mostra “O Mestre de Rimini” | curadoria José Quental:

As comemorações do centenário de nascimento de Federico Fellini seguem durante fevereiro, na Cinemateca do MAM Rio. Em complemento à exposição “O cérebro (e a caminhada) de Guido Anselmi”, apresentamos um pequeno e singular percurso pela filmografia de Fellini. Nesta retrospectiva, para além de obras incontornáveis de sua filmografia, destacamos alguns trabalhos em que Fellini foi roteirista e ator. Propomos algumas aproximações com outros cineastas que inspiram a obra felliniana – como Charles Chaplin – e/ou que se assemelham nas formas e metodologias de trabalho – como Alfred Hitchcock. Por último, buscamos apontar algumas pistas de como o cinema contemporâneo pode ter desenvolvido certas características marcantes do cinema felliniano, como a fantasia, a suspensão do real ou formas de trabalhar a memória. Dessa forma, oferecemos este sobrevoo à obra de um dos cineastas mais singulares do cinema mundial.

quinta (13/02):
14h30 – Fellini: eu sou um grande metiroso (Fellini: je suis um grand menteur), de Damian Pettigrew. França, Itália e Reino Unido, 2002. Documentário. 105’ Legendas em português. Exibição em MP4 (H264). Classificação indicativa livre.

16h – E la nave va, de Federico Fellini. Itália, 1983. Com Freddie Jones, Barbara Jefford e Victor Poletti. 127’. Legendas em português. Exibição em Blu-Ray. Classificação indicativa 16 anos.

18h30 – Um Corpo que Cai (Vertigo), de Alfred Hitchcock. Estados Unidos, 1958. Com James Stewart e Kim Novak. 130’. Legendas em português. Exibição em Blu-Ray. Classificação indicativa 16 anos.

sexta (14/02) | último dia da mostra O Mestre de Rimini:
14h30 – Os Palhaços (Clowns), de Federico Fellini. Itália, França e Alemanha, 1970. 92’. Legendas em português. Exibição em Blu-Ray. Classificação indicativa. Livre.

16h – 2046: Os Segredos do Amor, de Wong Kar-wai. Hong Kong, China, França, Itália e Alemanha, 2006. Com Tony Chiu-Wai Leung, Ziyi Zhang e Faye Wong. 129’. Legendas em português. Exibição em MP4 (H264). Classificação indicativa 16 anos.

18h – 8 ½, de Federico Fellini. França e Itália, 1963. Com Marcello Mastroianni, Anouk Aimée, Claudia Cardinale. 140’. + Terry Giliam on Federico Fellini 8 1/2. Estados Unidos, 2001. Documentário. 8’. Legendas em português. Exibição em MP4 (H264). Classificação Indicativa: Livre

SÁBADO (15/02) | MOSTRA CARNAVAL (último dia):
15h – Lira do delírio, de Walter Lima Jr. Brasil, 1978. Com Anecy Rocha, Paulo César Pereio e Cláudio Marzo. 105’. Exibição em 35mm. Classificação indicativa 14 anos

17h – Amor carnaval e sonhos, de Paulo Cesar Saraceni. Brasil, 1972. Com Arduino Colassanti, Ana Maria Miranda, Leila Diniz, Hugo Carvana e Isabel Ribeiro. 80’. Exibição em MP4 (H264). Classificação indicativa 14 anos

Terça-feira (18/02) | pré-estreia do filme Rosa Vênus:
18h30 – Pré-estreia – Rosa Vênus, de Marcela Morê. Brasil, 2020. Documentário. 75’. Exibição em mov (H264). Classificação indicativa 12 anos. Site da diretora (https://www.marcelamore.com/)

Quarta e quinta (19 e 20/02) | sessões ligadas à Mostra Melhores Filmes do Ano

Em parceria com a Mostra Melhores Filmes do ano, organizada pela Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ), a Cinemateca do MAM Rio apresenta filmes para celebrar a memória de duas importantes mulheres do cinema, que nos deixaram em 2019: a atriz Ruth de Souza (1921 – 2019) e a diretora Agnès Varda (1928-2019).

quarta (19/02)
18h30 – Mostra Melhores filmes do ano – Homenagens – 'Filhas do vento', de Joel Zito Araujo. Brasil, 2004. Com Ruth de Souza, Léa Garcia, Taís Araújo e Maria Ceiça. 85’. Exibição em 35mm. Classificação indicativa 14 anos.

quinta (20/02)
18h30 – Mostra Melhores filmes do ano – Homenagens – 'As Praias de Agnès', Les plages d`Agnes, de Agnès Varda. França, 2008. Documentário. 110’. Legendas em português. Exibição em 35mm. Classificação indicativa 14 anos

Local:
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - Cinemateca MAM Rio
Auditório Cosme Alves Netto (entrada franca)
Av. Infante Dom Henrique 85, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ
21-3883-5600

Posted by Patricia Canetti at 10:40 AM

Domingo tem ensaio técnico da Imperadores do Samba com festa na Fundação Iberê, Porto Alegre

No próximo domingo, 16 de fevereiro de 2020, a bi-campeã Imperadores do Samba realiza um ensaio técnico ao pôr do sol do Guaíba. A concentração ocorre às 16h, na quadra da escola, e, às 17h, começa o desfile até a frente da Fundação Iberê, onde acontece o show de encerramento com a bateria completa. A expectativa da Imperadores é reunir 500 pessoas neste dia. A Avenida Padre Cacique, da quadra da agremiação até o centro cultural, estará fechada das 16h às 19h. A última entrada no estacionamento da Fundação será às 15h30.

Iberê na avenida

Iberê Camargo será o homenageado da Imperadores no carnaval 2020 de Porto Alegre, com o tema “Iberê das águas da arte, o homem que se fez rio". Os carros e alegorias serão inspirados nos traços do artista, com a paleta de cores transcendendo o vermelho e o branco - tradicionais da agremiação -, para transformar o Porto Seco em uma grande exposição de arte. O grande desfile da Vermelho e Branco será no dia 7 de março, às 3h, no Complexo Cultural Porto Seco.

Menos de 750 metros separam a Imperadores da Fundação Iberê. Por muito tempo elas foram classificadas como opostas: a cultura popular representada pelo samba, e a cultura erudita exposta no centro cultural. Hoje podem ser entendidas como complementares.

Ao se unirem na avenida, a escola e o centro cultural encontram uma forma de diminuir a distância social e metafórica entre ambas. Mais do que isso: ao transformar a vida e a obra do artista em samba enredo, a parceria revela os contrastes entre os dois contextos, ao mesmo tempo em que valoriza as diferentes linguagens artísticas e as considera como formas possíveis de manifestação de uma cidade multicultural e plural como Porto Alegre.

Em comum, Iberê e a Imperadores têm sua origem no povo. Apesar dele ter estudado em tradicionais escolas de arte no Brasil e na Europa, a vida cotidiana e as temáticas populares foram as principais inspirações na extensa obra do artista. Já a “escola do povo” se dedica a defender e difundir a cultura popular. Este inusitado encontro tem potência para integrar públicos distintos e ampliar o acesso cultural entre o popular e o erudito, do carnaval à exposição.

Exposições em cartaz até 8 de março de 2020, com entrada franca e classificação indicativa livre

Território Oscilante
Artista: José Bechara
Local: Átrio e 2º andar

Grupo de Bagé – Os Quatro
Artistas: Carlos Scliar, Danúbio Gonçalves, Glauco Rodrigues, Glênio Bianchetti
Local: 3º e 4º andares

A Fundação Iberê tem o patrocínio de Itaú, Grupo GPS, Renner Herrmann S/A e Lojas Renner, OleoPlan, Banco Safra, e apoio de Ventos do Sul, BTG Pactual, Grendene, Unifertil, Nardoni Nasi, DLL Group, Instituto Federal do Rio Grande do Sul, Tecnopuc, Plaza São Rafael e Sheraton Porto Alegre Hotel, com realização e financiamento da Secretaria Especial da Cultura - Ministério da Cidadania / Governo Federal. O Programa Educativo/ Iberê nas Escolas tem o patrocínio de CMPC – Celulose Riograndense e Dufrio, com realização e financiamento da Secretaria Estadual de Cultura/ Pró-Cultura RS, Secretaria da Educação – Prefeitura de Porto Alegre, Secretaria de Educação – Prefeitura de Guaíba e Viação Ouro e Prata.

Endereço: Fundação Iberê Camargo - Avenida Padre Cacique 2000, Porto Alegre, RS

Visitação: De quarta a domingo, das 14h às 19h (último acesso às 18h30min)
A Fundação Iberê Camargo também atende a grupos agendados. Para fazer um agendamento, basta ligar para o Programa Educativo: 51-3247-8000

Posted by Patricia Canetti at 9:02 AM

Maior exposição do Grupo de Bagé é realizada na Fundação Iberê, Porto Alegre

Grupo de Bagé - Os Quatro apresenta 180 obras de Carlos Scliar, Danúbio Gonçalves, Glauco Rodrigues e Glênio Bianchetti, além de ilustrações dos clubes de Gravura de Bagé e Porto Alegre, livros e exemplares raros das revistas Horizonte, Senhor e Globo

Para fechar seu programa de exposições de 2019, a Fundação Iberê inaugura no dia 30 de novembro uma mostra para celebrar o grupo de artistas gaúchos que foi fundamental na popularização da arte no Brasil e exterior: Carlos Scliar, Danúbio Gonçalves, Glauco Rodrigues e Glênio Bichachetti. “Grupo de Bagé - Os Quatro” vai ocupar dois andares da Fundação com 180 obras - 47 de Scliar, 54 de Danúbio, 35 de Glauco e 36 de Glênio -, ilustrações dos clubes de Gravura de Bagé e Porto Alegre, livros e exemplares raros das revistas Horizonte, Senhor e Globo.

Esta é a maior exposição do Grupo de Bagé nos últimos 20 anos, que faz um apanhado de diversas fases da vida e obra dos artistas. A Fundação Iberê e as curadoras Carolina Grippa e Caroline Hädrich iniciaram em março deste ano uma ampla pesquisa de documentação, reportagens de jornais e de cartas e reuniram trabalhos oriundos de 24 instituições e acervos particulares de Bagé, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Porto Alegre), Pinacoteca Aldo Locatelli da Prefeitura de Porto Alegre, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Pinacoteca de São Paulo, Museu Dom Diogo (Bagé) e Instituto Carlos Scliar (Cabo Frio, RJ) são alguns centros culturais que emprestaram obras, além de peças do espólio de Danúbio, Glênio e Glauco.

Ainda no dia 30, às 16h, o jornalista Roger Lerina vai conduzir a visita à exposição com dois convidados que conviveram com os artistas: o ator Sapiran Brito, que interpretou Leonel Brizola no filme Legalidade, do cineasta Zeca Brito, e o escritor Deny Bonorino, que, nas décadas de 40 e 50, fez parte do Grupo de Bagé. A música ficará por conta da violinista Clarissa Ferreira.

Juntos até o fim

Metade da década de 1940, longe do agito dos principais centros urbanos, os amigos Glauco Rodrigues e Glênio Bianchetti descobriram uma atividade diferente para passar o tempo nas férias de verão, em Bagé. Começaram ali seus exercícios de pintura e desenho e, a partir de 1948, junto com o já iniciado nas artes Danúbio Gonçalves, e outros curiosos, como Clóvis Chagas, Deny Bonorino e Julio Meirelles, passaram a aprofundar seus interesses nas técnicas e teorias clássicas.

Na cidade, ainda morava Pedro Wayne, escritor politicamente engajado que se correspondia com Erico Verissimo e Jorge Amado, além de ter relações com o pintor moderno José Moraes e, por conta disso, tornou-se o mentor intelectual daqueles tão interessados meninos. O círculo se fechou com a chegada de Carlos Scliar, que voltava de sua estada na Europa e participação na II Guerra Mundial, com uma recheada bagagem intelectual e contatos de artistas atuantes no conturbado cenário mundial.

O mais importante e profícuo contato de Scliar foi com Leopoldo Mendez, do Taller de Grafica Popular (TGP) do México, cujo trabalho influenciou o grupo de Bagé, especialmente na divulgação de causas políticas a favor da paz, da liberdade, dos direitos dos trabalhadores e da justa distribuição das riquezas. As técnicas de gravura, que facilitam a reprodução em grande escala, possibilitaram que as obras chegassem ao público de maneiras distintas: revista Horizonte e materiais publicitários e panfletos do Partido Comunista.

A produção do grupo também complementava a obra de Wayne, ilustrando as descrições das condições miseráveis nas quais viviam – e as humilhações a que eram submetidos – os trabalhadores da região, nas estâncias, charqueadas e nas minas de carvão.

Na década de 1950, foram criados o Clube de Gravura de Porto Alegre (1950) e o Clube de Gravura de Bagé (1951), os quais mais tarde se uniram e criaram um importante e independente sistema de divulgação dos artistas regionais, tomado como modelo até a atualidade. A participação nos clubes foi essencial para a consolidação da carreira dos quatro artistas, criando oportunidades que acabaram por separá-los.

Em 1956, com o encerramento das atividades dos clubes, cada um seguiu uma trajetória distinta, porém, sempre carregaram características de seus anos de formação, na produção de material gráfico e ilustrações para a Revista Senhor (Carlos Scliar e Glauco Rodrigues) e na constante volta aos temas regionais, em sua maior parte com um viés de crítica social.

E em 1976, os quatro artistas voltaram a produzir juntos em Bagé, em um encontro que resultou na criação do Museu da Gravura Brasileira e em obras que retomaram a temática regional, porém refletindo as mudanças e diferentes caminhos que cada um deles traçara após a separação.

Grupo de Bagé - Os Quatro
Abertura: 30 de novembro, sábado, 14h
Visitação: Até 8 de março de 2020
Local: 3º e 4º andares
Fundação Iberê Camargo
Avenida Padre Cacique 2000, Porto Alegre, RS
Entrada Franca

Posted by Patricia Canetti at 8:55 AM

fevereiro 12, 2020

Shizue Sakamoto na Kogan Amaro, São Paulo

Com curadoria de Ana Carolina Ralston, Partitura em cores firma a entrada da paulista no núcleo de artistas da galeria

O universo criativo de Shizue Sakamoto transita entre o som e um profundo estudo sobre as cores. Ao identificar diferentes tonalidades e sons, o cérebro humano os transforma em sensações e ativa áreas que resguardam emoção, memória, movimento e atenção. Essa fusão impetuosa recebe o nome de sinestesia e é o que move a exposição Partitura em cores, em cartaz a partir de 15 de fevereiro, na Galeria Kogan Amaro.

A música e as artes plásticas sempre estiveram presentes na vida de Shizue. Nascida e crescida em São Paulo, estudou violino durante alguns anos, dos quais grande parte foi também habitado pela pintura. “Às vezes quando pinto, é como se eu estivesse tocando. O violino exige de nós gestos precisos, firmes, porém leves, assim como o ato de pintar", explica a artista.

Bem como no som, Shizue vê nas cores uma forma de expressar emoções e sensações puras, traço que aprimorou em um curso realizado em 2012 e 2014 com o artista Paulo Pasta. “O refinamento de sua obra fez com que ela retornasse à produção ao papel, suporte que lhe deu maior confiança para alcançar tons particulares. Nesse novo patamar, Shizue pôde voltar às telas, exibindo nuances nunca auferidas”, explica Ana Carolina Ralston, curadora da mostra.

A exposição reúne dez telas, oito delas ainda inéditas, em tons de rosa e azulados, orquestradas ao longo do mezanino da galeria. Todas nomeadas sem título, despertam no espectador a visão onírica das cores frias, mesmo que sua inspiração tenha vindo dos alaranjados de 12 Girassóis numa jarra (1888), de Van Gogh.

“O calor que reverbera da obra 12 Girassóis numa Jarra (1888), de Van Gogh, foi o gatilho para a produção desta exposição. Foram as milhares de horas olhando para uma reprodução da pintura que fizeram com que Shizue chegasse à cor precisa da única obra dela que vibra na mesma tonalidade da do mestre”, explica Ralston. “É possível viajar por túneis cromáticos que nos conecta a um universo espiritual de sensações. Harmonia almejada para visualizar e definir, enfim, as cores para compor essa partitura”, conclui.

Nascida em Andradina, no interior de São Paulo, Shizue Sakatomo é conhecida por sua pesquisa em pintura à óleo e seu trabalho de captação de luz. A artista, que teve sua primeira exposição individual, intitulada Dueto transcendental, na Galeria Deco, em 2011, participou também das exposições coletivas Grande Exposição de Artes da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo), em 2010 e do 46° Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba, cidade onde se encontram algumas de suas obras, no acervo da Pinacoteca Municipal Miguel Dutra, auroras e Galeria Tato.

Posted by Patricia Canetti at 5:07 PM

Marcia Pastore na Kogan Amaro, São Paulo

Intitulada Arapuca, mostra reúne três poéticas que sugerem atos da artista para ocupação do espaço arquitetônico

Marcia Pastore investiga a convergência entre as artes plásticas e a arquitetura em sua trajetória. Ela enfatiza as relações poéticas da força e do espaço a partir da interação da matéria com um determinado local e, preenchendo o vazio, a artista evoca a corporalidade de materiais, cria mecanismos e questiona o equilíbrio em uma produção pensada em três atos. É o que ela exibe na exposição Arapuca, em cartaz a partir de 15 de fevereiro, na Galeria Kogan Amaro, com curadoria de Ricardo Resende.

"Não são esculturas como pedras esculpidas, são trabalhos de superfícies, de movimento, de articulações, das engrenagens, dos mecanismos, de organicidade controlada e das relações de corpos no espaço arquitetônico”, explica o curador. “As esculturas, se é que poderíamos chamá-las assim, simulam forças sobre si mesmas”, conclui.

A exposição é dividida em três líricos: memória do gesto, movimento e tensão. Em Arapuca (2020), obra que nomeia a exposição, Pastore tensiona redes de pesca através de cabos de aço, anzóis e lastro de pedra, criando uma arapuca espacial.

Em Experimento 1: bolas sobre gesso (2019), a ação sobre uma superfície de gesso é registrada numa série de sete fotografias que lembram paisagens cósmicas. As fotos foram feitas após a ação ter sido captada em vídeo. Serão mostradas duas imagens da série. Em Arrastão (2020), a junção de blocos grafite, carretilhas, cabo de aço, aço e abraçadeiras resulta numa máquina que imprime na parede, as marcas de sua movimentação.

“Nos trabalhos de Marcia Pastore, é a pessoa que observa quem faz o acesso à obra, revelando a sua natureza e exprimindo a si mesma. A obra mostra-se como modo de pensar”, finaliza Ricardo Resende.

Marcia Pastore nasceu em São Paulo, em 1964. A Pinacoteca de São Paulo mostra até 6 de abril, retrospectiva da obra da artista. Em 2019, a escultura Transposição inaugurou o novo espaço da Fundação Marcos Amaro dedicado a projetos de grande dimensão ao ar livre. Expôs por duas vezes no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (1993/2010) e no Centro Cultural Maria Antônia (2002/2010); uma vez no Museu de Saúde Pública Emílio Ribas (2010), no Centro Cultural São Paulo [2000], no Museu de Arte Contemporânea da USP (1990), na Caixa Cultural de Fortaleza (2012), na Funarte de São Paulo (2012), na Biblioteca Mario de Andrade (2015) e no MuBE (2017). Integrou importantes exposições coletivas no Museu de Arte Contemporânea da USP (1992), no Museu de Arte Moderna de São Paulo [1990] e no Palácio das Artes (BH, 1990). Em 1998 e 2000, participou da Arco Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madrid, e em 2004 da inauguração do Vestfossen Kunst Laboratorium (Oslo, Noruega). Seus trabalhos estão nas principais coleções do país como na Pinacoteca do Estado de São Paulo, Pinacoteca Municipal de São Paulo no Museu de Arte Contemporânea da USP, no Museu de Arte Moderna de São Paulo e no Instituto Figueiredo Ferraz (Ribeirão Preto, SP).

Posted by Patricia Canetti at 4:49 PM

Fábio Carvalho no MM Getúlio Vargas, Rio de Janeiro

A exposição Parada II, do artista carioca Fábio Carvalho, é uma instalação com mais de 750 bandeirinhas de papel de seda com impressão de soldados portando fuzil, com asas de borboleta saindo das costas, que ocupará a área de exposições temporárias do Salão Principal do Memorial Municipal Getúlio Vargas, com curadoria de Shannon Botelho (ler texto curatorial). A impressão das bandeirinhas foi feita uma a uma, com o uso de carimbos de borracha produzidos à mão pelo próprio artista, a partir de um desenho original de sua autoria.

O uso da imagem da borboleta monarca (Danaus plexippus) em vários dos trabalhos de Fábio Carvalho vai muito além do fato de borboletas serem normalmente associadas ao universo feminino, frágil e delicado, que em oposição aos símbolos usualmente aceitos como masculinos, de força e virilidade, como os militares, formam a principal dialética da sua produção artística, que procura levantar uma discussão sobre estereótipos de gênero, e questionar o senso comum de que força e fragilidade, virilidade e poesia, masculinidade e vulnerabilidade não podem coexistir.

Seu uso surge ainda como um contraponto à camuflagem dos uniformes militares. As borboletas monarca são tóxicas, e por isso evitadas pelos predadores. Há outras espécies de borboleta não venenosas que mimetizam o padrão exuberante da monarca, que assim são também evitadas pelos predadores. Camuflagem e mimetismo são estratégias opostas de sobrevivência e proteção, que objetivam confundir e enganar, ao se fingir ser algo que não se é.

As linhas de bandeirinhas são dispostas perpendicularmente às duas paredes, em sequência ordenada, começando do alto, descendo suavemente a cada nova fileira, até ficarem na altura do chão ao final do corredor da galeria. Desta forma, até um certo ponto se poderá entrar na instalação, até que a massa de bandeirinhas te impeça de seguir.

Parada II é sobre ordem, a imposição de uma certa ordem, que padroniza, anula diferenças, ignora a diversidade, dita um ritmo, uma regra arbitrária de ocupação dos espaços, cartesiana, regular, mas que apesar de todo o esforço de padronização, de robotização dos corpos e mentes, a menor e mais singela interferência (a entrada de pessoas do público na exposição) já desestabiliza esta ordem rígida e monótona, insere movimento, poesia, beleza (através do movimento de ar gerado pelo deslocamento das pessoas no interior da instalação).

Pela primeira vez, desde que que os "Monarcas" surgiram em 2014, há algumas bandeirinhas vazias, em branco, em meio aos soldados alados. Seu significado, entretanto, o artista faz questão de manter em segredo - "eu acho muito mais interessante e rico que cada pessoa tente elaborar por si mesma o que seriam estes vazios, estas ausências", afirmou Fábio Carvalho.

Outro detalhe, mais sutil, é que de imediato vemos essa ordem/rigor, mas se olharmos de perto, de dentro, é uma aparência, uma fachada (precária); há defeitos, emendas, rasgos, amassados; a vida real, suja, orgânica, entrópica, sempre se impõem à ordem rígida e artificial, arbitrária, que para ser preservada exige trabalho, esforço, reforço, força (violência).

Fábio Carvalho, em atividade desde 1994, tem em seu curriculum 17 exposições individuais e mais de 150 coletivas, no Brasil e exterior. Integrou importantes projetos de mapeamento da produção emergente no Brasil nos anos 1990, e fez exposições por quase todo o território nacional, e já integrou mostras na Alemanha, Argentina, Cuba, Espanha, Equador, EUA, Inglaterra, Itália, Portugal, República Checa, entre outros. Participou de 7 Residências Artísticas em Portugal e 4 no Brasil.

Posted by Patricia Canetti at 2:25 PM

Caroline Valansi no Hélio Oiticica, Rio de Janeiro

A artista mostra trabalhos de sua pesquisa sobre a iconografia da indústria do cinema pornô, com intervenções em cartazes históricos, cartografias, fotogramas, letreiros, LEDs e serigrafias

O Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica inaugura no próximo dia 15 de fevereiro de 2020, às 12h, a exposição “Cine Desejo”, com obras da artista Caroline Valansi (1979, Rio de Janeiro) que investigam o universo iconográfico da indústria do cinema pornô e a relação do corpo feminino com o sexo. Com curadoria de Pollyana Quintella, a mostra ocupará todo o andar térreo da instituição localizada no Centro do Rio. Dentre as obras inéditas, estão algumas sendo criadas pela artista especialmente para a exposição. Alguns trabalhos emblemáticos desta pesquisa iniciada em 2015 também serão mostrados.

“Cine Desejo” é uma antologia do interesse de Caroline Valansi sobre os cinemas de rua que passaram a exibir filmes pornôs. A subjetividade construída pelas imagens do cinema, que moldaram a imaginação sexual de várias gerações, e ainda o desdobramento desse universo do ponto de vista feminino, integram também sua investigação. As obras reunidas são intervenções da artista em cartazes históricos, cartografias, fotografias, letreiros, LEDs, colagens e serigrafias.

“Cine Desejo” também discute o cinema como espaço de subversão, onde o “escurinho” é situação propícia para “namoricos e intimidades não autorizadas”. Com humor e ironia, a artista constrói espécies de contraimagens para o olhar masculino, também buscando “desierarquizar” o desejo a partir de uma perspectiva feminina e pós-pornô, onde as fronteiras estão esgarçadas.

Caroline Valansi tem obras em importantes coleções públicas e privadas, como a Biblioteca do Instituto Moreira Salles, em São Paulo; Gilberto Chateaubriand / MAM Rio, Museu de Arte do Rio (MAR), Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro; Museu Nacional de Brasília; Bienal de La Havana; Hillel Brasil, no Rio de Janeiro; Mr. and Mrs. Richard Sandor, Chicago, EUA; e Mr. and. Mrs. Simon Biddle, Londres.

OBRAS/PERCURSO DA EXPOSIÇÃO

“Território VII – Mar-Atona/ Mar no Corpo”, da série “Territórios escondidos” (2020)
Objeto escultórico especialmente criado para a exposição, com dimensões e materiais variados, como lycra, espuma e linha, a partir da pergunta “o que é o desejo?”, que a artista fez a várias pessoas. Assim, ela elabora percursos “do/com/para o outro, buscando traçar caminhos de sua singularidade de maneira diagramática, com formas próximas à de uma visualidade infantil”. “Com as cartografias, percebemos que o corpo produz seu próprio léxico e repertório, ora compartilhado, ora particular. Somos obras de nós mesmos, exercitando alguma escrita de si”, explica Pollyana Quintella.

“Cinema Também é Templo” (2016-2020)
Nesta instalação com dimensões variadas, em LED, alumínio e madeira, a artista recria um letreiro de cinema, usando pela primeira vez a frase que dá nome à série, em referência a intervenções que fez em letreiros de cinema desativados no Rio de Janeiro – no Cinema Orly (Cinelândia), e no Cinema Tijuca Palace (Tijuca) – “chamando a atenção para o abandono desses espaços”. Dessa forma, ela “reforça o movimento de resistência, que deseja a reapropriação dos espaços públicos para convivência e encontros”.

“Ruínas”(2015-2020)
São dispostos sobre um tablado de madeira de 2 m x 3 m mais de 50 peças/objetos achados em cinemas fechados, como cartazes e filmes antigos, placas de sinalização e peças de projetor 35 mm.

“Sacanas” (2019)
Como um aviso luminoso de cinema, esta obra de 45 x 60 cm é composta por cartazes antigos, celofane, acetato holográfico, LED e madeira.

Carne Viva (2019)
Conjunto com nove imagens com impressão em papel fotográfico, de 70 x 50 cm cada, este trabalho é fruto de uma residência da artista no Taller Experimental de Grabado, em Havana,em 2019. A partir de uma colagem com papeis coloridos, que depois é digitalizada e recebe intervenções no computador, a imagem final traz palavras escritas sobre formas abstratas de forte contraste, que vão aos poucos revelando partes internas de um corpo.

Corpo Cinético (2018)
A série apresenta 11 colagens com 23,5 x 32,5 cm (cada)que aborda “a energia dos corpos em movimento”. “A imagem do corpo como massa com os cortes contínuos imprimindo velocidade. A força das intervenções que impulsionam a sensação de seqüência em movimento, o disforme, a não-imagem, cinema do olhar. O espectador dita o tempo, a forma final e o que se deseja deles”.

Tratado (2019)
Com 70 x 50 cm, este relevo seco em papel Canson 300g, com LED, a obra alerta: “A sexualidade deve ser tratada com atenção em tempos de grande estresse social”. “Sob muitos esgotamentos, nossos corpos têm respondido com teimosia ao endurecimento do presente. Teimosos são os corpos que não aguentam mais e continuam pra lá e pra cá, incessantes”.

Pornografia Política (2015)
Neste que é um de seus mais emblemáticos trabalhos, série composta por nove serigrafias, com 70 x 50 cm cada, a artista trabalha a partir de cartazes de filmes pornôs feitos a mão, na década de 1980, fazendo alusões à cena política brasileira. A realidade é tratada com humor, e “carrega a vontade de resistir, se despir, mudar uma ordem encravada, e naturalizada, dentro do espírito brasileiro”. “O trabalho quer quebrar a cultura da passividade do ‘sempre foi assim’, estimulando um posicionamento mais ativo, um gesto diferente em nossas próprias ações, que promovam mudanças reais em nossas posições cotidianas. A passividade e a atividade são vistas como jogos de forças que podem a todo momento mudar de lugar”, explica.

Sempre um Bom Filme (2015)
Originalmente uma publicação, esta é a primeira vez que são exibidas as 12 fotografias, de 42 x 60 cm cada, que compõem esta série, feitas a partir de um inventário de fotos de um velho projetor 35 milímetros e alguns dos fotogramas pornográficos que estiveram dentro dele. As fotos mostram mulheres tendo orgasmos, e são acompanhadas por legendas com os nomes técnicos das peças do projetor. Quanto mais se avança no percurso das fotografias, mais as descrições técnicas são misturadas às imagens eróticas, e as peças de metal são derretidas em corpos orgânicos e sensuais.

SOBRE A ARTISTA

Caroline Valansi (1979, Rio de Janeiro) é artista visual, professora e também trabalha com saúde mental na Casa Jangada (@casajangada). Graduada em Cinema na Universidade Estácio de Sá, com pós-graduação em Artes e Filosofia pela PUC-Rio. Completou seus estudos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e Ateliê da Imagem.

Sua produção artística transita entre a palavra, o espaço e a ficção. Suas obras sempre foram enraizadas em seu forte interesse em traços coletivos e histórias íntimas. Caroline utiliza materiais familiares em sua pesquisa: fotos de salas de cinemas, velhos filmes pornográficos, imagens encontradas da internet e suas próprias fotografias e desenhos e, juntos, somam uma ampla exploração de representações da sexualidade feminina contemporânea.

Entre suas exposições individuais se destacam: “Corpo Cinético” (CCSP – Centro Cultural São Paulo, SP, 2019), “Carne Viva” ( Espaço Subsolo, Campinas, SP 2019) e Memórias Inventadas em Costuras Simples (CCJE – Centro Cultural Justiça Eleitoral, RJ, 2009). Participou de exposições coletivas no Brasil, Cuba, Portugal, França, Colômbia e Argentina.Tem duas publicações lançadas: Sempre um bom Filme e o álbum de figurinhas Boa Para ambos de 2015. Organizou os eventos {|}XANADONA{|} (2016, A Galeria Gentil Carioca) e Feminismo e Feijoada (2015, CAPACETE). Faz parte da Cooperativa de Mulheres Artistas (@cooperativademulheresartistas) e participou do coletivo OPAVIVARÁ! de 2007 a 2014. www.carolinevalansi.com.br

Posted by Patricia Canetti at 1:16 PM

Ana Paula Oliveira no MAM, Rio de Janeiro

Ana Paula Oliveira, que pela primeira vez expõe no Rio, apresenta dois trabalhos inéditos criados especialmente para ocupar o Salão Monumental do MAM

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro abrirá, no próximo dia 15 de fevereiro de 2020, sábado, das 15h às 19h, a exposição “Poça/Possa”, de Ana Paula Oliveira, com curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes. Pensada especialmente para ocupar o Salão Monumental do museu, a individual exibirá dois trabalhos inéditos da mineira radicada em São Paulo, que pela primeira vez tem sua obra exposta no Rio.

Ao longo de pouco mais de duas décadas, a artista vem construindo uma produção interessada em discutir questões caras ao pensamento escultórico. Peso, estrutura, equilíbrio, massa, a relação com o espaço e com a arquitetura, além da presença física do espectador, são alguns dos princípios que norteiam o uso de materiais tão comuns quanto inusitados. Graxa, mármore, dormentes, pedras, vidro, chumbo, sacos plásticos, peixes, casulos e borboletas, placas de ferro, borracha e sabão compõem o repertório visual de Ana Paula.

“É a ação da artista que faz com que matérias tão díspares, que parecem não combinar, passem a conviver, mesmo que de maneira forçada, criando uma relação que oscila entre instabilidade e efemeridade”, comenta Fernanda Lopes, curadora assistente do MAM Rio.

No Salão Monumental, com quase oito metros de pé-direito, Ana Paula propõe o improvável: direcionar o olhar do espectador para o sentido contrário. A intervenção que dá nome à exposição se espalha pelo chão do museu, tomando posse do espaço e condicionando a movimentação por ele. Poça/Possa se estrutura a partir de quase 40 dormentes de madeira, desses usados como estacas improvisadas que escoram construções condenadas, prestes a ruir. Apoiados nas paredes e no chão, pressionam placas de vidro (de dois metros de comprimento), umas contra as outras, formando grandes poças de graxa. Materiais e ferramentas como borracha, sargentos, cunhas, argila e cabos de aço oferecem sustentação ao vidro diante da pressão de duas toneladas de material viscoso.

“Meu trabalho discute, entre outros aspectos, a relação com o espaço. Pensar uma intervenção para um local onde a arquitetura é tão presente, como no MAM Rio, foi um desafio em dobro. Projetei a obra para ocupar o chão, o que é surpreendente quando se tem escala monumental. Quero questionar o que nos sustenta, no tempo e no espaço. A possibilidade de criar leveza ou densidade, de explorar o cheio e o vazio são disparadores não excludentes que sempre me provocaram”, afirma Ana Paula que, com frequência, desenvolve sua linguagem a partir de referências cinematográficas.

O segundo trabalho, a escultura Subserviência, que completa a mostra, parte de um desenho de observação em nanquim de uma das palmeiras imperiais do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Feito em escala natural, com 20 metros de extensão (o tamanho original da palmeira retratada), está fixado ao longo de um dos painéis expositivos, estruturado como um pergaminho.

A posição do desenho, exposto na horizontal, nos faz pensar em uma árvore tombada — o que não corresponde à realidade que pauta um desenho de observação: a palmeira se encontra verticalmente imponente no Jardim Botânico. Ainda pensando na lógica de documentação, causa estranhamento que o desenho revele apenas o que cabe no painel. O que sobra se desdobra para o espaço, quase como uma nova escultura de papel, escondendo o restante da imagem.

“Tanto o desenho quanto a instalação revelam uma ressonância específica com o espaço do museu. Se os arquitetos modernos tinham como um de seus princípios o uso de materiais simples em seu estado bruto, a intervenção proposta pela artista para esta grande caixa de concreto, vidro e aço, projetada por Affonso Reidy, também é motivada pelo interesse na matéria crua, que não ‘finge’ ser aquilo que não é. Dessa maneira, o trabalho de Ana Paula Oliveira parece ecoar no edifício do MAM Rio. E vice-versa”, observa Fernando Cocchiarale, curador do museu carioca.

Ao apresentar ao público um projeto desenvolvido especialmente para o museu, o MAM Rio reforça e renova sua vocação histórica, como uma das instituições culturais mais atuantes no Brasil, interessada no estímulo, mapeamento e difusão da arte brasileira contemporânea.

Posted by Patricia Canetti at 12:33 PM

Abre Alas 16 na Gentil Carioca, Rio de Janeiro

Sábado, 15 de fevereiro às 19h, a galeria A Gentil Carioca tem o prazer de apresentar os artistas selecionados para o Abre Alas 16, que nesta edição contou com Keyna Eleison, Pablo Leon de La Barra e Yhuri Cruz na comissão de seleção e curadoria da exposição.

Na décima sexta edição do Abre Alas teremos: André Niemeyer, Andréa Hygino, Darks Miranda, Fátima Aguiar, Gilson Andrade, Juliana dos Santos, Leka Mendes, m. morani, max wíllà moraes, Mulambo, Nathalia Favaro, Reitchel Komch, Val Souza, Yan Copelli.

A Gentil Carioca preparou uma programação baphônica para celebrarmos a primeira exposição de 2020, paralelo ao Abre Alas 16, inauguramos a 35ª edição da Parede Gentil por Ana Linnemann e o lançaremos a Camisa Educação nº 86, de Marcos Abreu.

A trigésima quinta Parede Gentil traz A Porta na Parede, de Ana Linnemann, que nos coloca diante de uma parede intransitável, de grandes proporções, onde se insinua uma ambígua porta, disfuncional e perturbável. A artista, reapresenta o trabalho, considerando a situação política atual que a remete à uma parede impenetrável. “O Trabalho reapareceu resignificado e talvez tenha ganhado, pelo momento que vivemos, a vocação de um trabalho público. Ele pode ser percebido ou não, e esse fato é uma característica e um comentário”.

A octogésima sexta Camisa Educação de Marcos Abreu, estampa uma bandeira geométrica preta com a imagem do livro Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire. Desde 2019, Marcos começou a realizar trabalhos com as camisas do Colégio Pedro II e do Cap Uerj. Desta forma, para o artista, a camisa é uma bandeira de militância política, ainda mais quando o tema é educação.

Ao longo da noite e madrugada a dentro, na rua, na encruzilhada, no nosso lugar de celebração e luta, vai ter música, instalação e performance com:

• Aula de lambada com Darks Miranda
A Aula de lambada estranha (2020) consiste em uma aula de lambada & intervenção artística & política ao ar livre no formato fantasia

• DJ Galo Preto
Dj, produtor e idealizador do projeto Rebola - festa performática carioca que propõe uma dialogia entre arte contemporânea e cultura afro-brasileira-iorubá. Seus sets são como um Afoxé Eletrônico narrando os mitos da cultura nagô do Brasil

• Orquestra Voadora
O bloco vai balançar a Encruzilhada Gentil com uma deliciosa mistura de samba, maracatu, côco, afrobeats e jazz. Essa parceria também celebra o lançamento do videoclipe da música Technocirco, produzido e filmado nos espaços da galeria.

Além das atrações imperdíveis, faremos o nosso famoso Concurso de Fantasias Gentil, com direito a desfile. Caprichem nas fantasias e não deixem de garantir o contatinho, pois o vencedor do concurso ganhará uma cortesia para uma noite e meia de amores no motel Meu Cantinho.

Abram alas que 2020 chega fervendo na A Gentil Carioca!

SOBRE ARTISTAS E OBRAS

André Niemeyer
André Niemeyer, carioca, nascido em 1969, vive em São Paulo. Artista multidisciplinar, estudou desenho industrial, design de moda e pintura. Viveu entre Londres, Paris e Nova Iorque de 1994 a 2011.

Perucas Lady, 2019
óleo sobre tela/ oil on canvas
80cm x 80cm

Sinopse
Seu trabalho mais recente faz referência ao ativismo LGBTQ+, imigração e política social, usando a sátira e o kitsch em suas telas: apropria-se da linguagem de propaganda, ou remete a uma foto de grupo em baile de carnaval ou de coletivos queer, usando a camuflagem como metáfora para indivíduos que tentam, por necessidade, passar despercebidos pela sociedade em reflexão à teoria de C.G. Jung, na qual criamos nossas máscaras para o mundo e ao mesmo tempo dissimulamos nossa verdadeira natureza. Atua como agente cultural organizando as exposições do Centro Cultural Casa da Luz desde 2017.

Andréa Hygino
Andréa Hygino é artista e arte-educadora. Bacharela em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UERJ e Mestra em Linguagens Visuais pelo Programa de Pós-Graduação da Escola de Belas Artes da UFRJ. Sua pesquisa artística explora linguagens diversas: desenho, instalação, fotografia, performance, desenvolvendo interesse especial pela gravura. A artista frequentou os ateliês gráficos do Parque Lage e participa do projeto de extensão universitária Experiências Indiciais no ateliê de gravura da UERJ.

Das vezes que não foi à Lua, 2017-2019 (série/ series)
Frotagens sobre algodão cru / Frottage on cotton paper
Dimensões variáveis / Variable dimensions

Sinopse
A série Das vezes que não foi à Luaé parte de pesquisa iniciada em 2017 e que se desenvolve em estratégias arqueológicas. Quantas histórias inscritas, apagadas, soterradas, esquecidas e, sobretudo, sobreviventes já não foram encontradas por aquelxs que se põe a desvendar o solo? A investigação do chão como documento de memórias não contadas; coleta e inventário de fotografias e gravuras dessa superfície; enquanto reflexão sobre a forma como o arquivo é elaborado. Que interesses balizam o que deve integrar, ou não, o arquivo? O que deve ser lembrado? O que será apagado/esquecido? Quem tem direito à memória? Ou ainda, que tem direito sobre ela?

Darks Miranda
Autoficção e incorporação de forças obscuras e cômicas incontroláveis, Darks Miranda é uma entidade pastelão das trevas que equilibra frutas sobre a cabeça assombrada por suas antepassadas. Brota dos escombros mudos da modernidade, sem ginga, e desliza pelas camadas de lodo acumuladas no concreto através dos tempos. Em 2018 foi bolsista do programa de formação da EAV Parque Lage. Em 2019 teve sua primeira exposição individual, mulher desfruta, na Galeria Cândido Portinari.

Darks Miranda, Mulher desfruta, 2020
pôster de capa de revista fictícia /fictional magazine cover poster, 84 x 59,4 cm

Sinopse
Darks propõe mostrar versões de um imaginário brasileiro e gringo, feminino e drag, fetichista e frutífero, tristeza travestida de alegria e vice-versa. Com referência primeira na mulher fruta inaugural Carmen Miranda, Darks incursiona cultura de massa adentro, passando pelo imaginário já quase esquecido da lambada, pelas mulheres fruta dos anos dois mil e pelo flerte com a póspornografia e o animismo. Para isso, faz uso de diversas mídias e formatos, como vídeos, revistas, fotografias, lambe-lambe, performance, objetos e instalações. Os diferentes trabalhos se contaminam e completam, formando todos um universo próprio.

Fátima Aguiar
-22.938416, -43.248500

Asfaltitos, 2018
instalação com amostras antropomórficas coletadas em diferentes bairros /installation with anthropomorphic samples collected in different neighborhoods
dimensões variáveis / variable dimensions

Sinopse

Asfaltitos são amostras de rochas antropomórficas que cobrem grande parte da superfície terrestre e cujo valor e status são evidenciados nessa apresentação e catalogação. O valor agregado a cada amostra depende da quantidade de asfalto existente na cobertura do bairro em que se localiza, tornando uma amostra mais rara e cara do que outra. Os Asfaltitos são uma tentativa catalogação do presente e previsão de futuro.

Gilson Andrade
Gilson Andrade, Goiânia 1988. Vive e trabalha entre Goiânia e Rio de Janeiro. Artista visual e educador, mestrando em arte no Instituto de Arte da UERJ e aluno do Programa Formação e Deformação da EAV Parque Lage (2019).Tem especialização em Processos e Produtos Criativos realizada na FAV UFG (2016). É historiador pela Universidade Estadual de Goiás (2010).

Seus interesses estão relacionados à elaboração de programas sobre o processo criativo em arte e educação para instituições culturais. Investiga também o imaginário sobre o corpo negro e sua historicidadeem sua produção artística.As obras falam sobre histórias soterradas, escondidas ou que operam de forma subcutânea em nós; as obras falam de uma geografia que sempre atravessou sua pele conforme movia-se pelo mundo; as obras contam como transformamos água parada em água flutuante, mudando o estado do tempo; as obras fazem parte de um arquivo vivo que criam ficções para seu próprio passado; as obras carregam algo que não será visto.

Meridianos, 2019
ferro e couro / iron and leather
160 x 40 cm, cada uma das três partes/ each of the three parts

Juliana dos Santos
Juliana dos Santos, São Paulo, 1987. Artista visual e doutoranda em artes pelo Instituto de Artes da Unesp. Foi premiada em 3º lugarno 16ºSalão de Artes Visuais de Ubatuba e realizou uma exposição individual no Paço das Artes em 2019. Sua primeira individual foi em 2018 como artista/ docente convidada para residência artística na Academia de Belas Artes de Viena. Atualmente é artista residente no Instituto de Artes da Unesp.

Experiência Azul, 2017 -
pintura com flor de Clitoria Ternatea sobre papel algodão / painting with the Clitoria Ternatea flower on cotton paper
dimensões variáveis / variable dimensions
Foto de Hudson Rodrigues

Sinopse
Experiência Azul é um desdobramento da pesquisa Entre o Azul e que não me deixam/deixo esquecer,que vem sendo realizada desde 2017. Um processo de investigação sobre as possibilidades de abstração tendo a cor azul da flor da Clitoria Ternateacomo disparador de experiências sensíveis.Neste trabalho, a artista explora as possibilidades de tintura da flor num processo de aquarela orgânica.

Leka Mendes
Leka Mendes é graduada em Programação Visual na Faculdade de Belas Artes. Dentro do universo de suas pesquisas visuais, Leka está interessada na coleta de vestígios da cidade. Por isso, utiliza entulhos de caçambas, de restos de reformas, peças inteiras descartadas e detritos de variadas ordens produzidos pela construção civil em São Paulo. Com tais matérias-primas realiza trabalhos em diferentes linguagens que se unem com sua poética. Participou de diversas mostras coletivas e sua obra faz das seguintes coleções: Centro Cultural São Paulo, São Paulo, Brasil; The Fine Art Laboratory, FAL - Universidade de Arte de Musashino, Tokyo, Japão; MARGS, Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS / Brasil; Fundacíon Luiz Seoane, La Coruña, Espanha; Museu de Artes de Britânia (MABRI), Britânia, Goiás.

Notas do Antropoceno (estandarte), 2018
detritos de construção carimbados sobre linho com acrílica /
160 x 100 cm

Sinopse
No trabalho Notas do antropoceno (estandarte), os escombros funcionam como suporte para transferir sua forma para um tecido. O fragmento é como uma imagem em si, transferindo para uma composição abstrata a memória de sua forma a fim de reivindicar a importância de cada uma daquelas partes que anteriormente compunham um todo. Visualmente, o resultado lembra a escrita rupestre ou simbólica e é inspirado nas nossas relações políticas, na falta de tolerância, de entendimento, de empatia e de comunicação.

m. morani
m. morani. Nascido em Nilópolis, BXD, RJ, 1997. Participa do Programa de Residência Internacional do Capacete (2019/2020). Graduado em História da Arte pela Escola de Belas Artes – UFRJ. Arte educador do Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Pesquisador do núcleo de Filosofia Africana do Geru Maa/UFRJ. Participação em exposições coletivas no Paço Imperial, EAV - Parque Lage, Caixa Cultural Rio de Janeiro, Atelier Organi.co, entre outros.

o impossível, 2019
impressão digital em papel fotográfico/ digital print on photographic paper
297 x 420 mm (cada) - díptico / 297 x

Sinopse
a visualidade do projeto colonial: premissas agônicas que se desvelam em paisagens fragmentadas, possibilidades violentamente des -configuradas em discursos da distopia. trabalho de transmutação: da dupla consciência >> à simultânea presença. entender-se parte do mistério espiralar da vida, desdobrar-se no tempo entre passado e presente, evocar anseios, ir de encontro ao desejo que escapa à linguagem e se faz impossível por não se reconhecer no discurso de nenhum mestre; somente em si mesmo. traçar outras perspectivas aos pontos de fuga: o futuro. (meu corpo é cais, mar e embarcação.)

max wíllà morais
max wíllà morais (1993) é artista, pessoa pesquisadora, educadora e mestranda do PPGE/UFRJ (2019-2021), com graduação em Artes Visuais /UERJ (2012-2016). Seu trabalho investiga histórias em acervos, situações geográficas e relações materiais/imateriais com pessoas e objetos, sobretudo referindo-se a vida diaspórica, aos encontros estranhos e familiares.

da série Língua dourada / Língua dourada series, 2019
fotografia 35mm/ photography 35mm
10x15cm

Mulambo
Mulambo, 1995, nasceu João e cresceu entre as cidades de Saquarema e São Gonçalo.
Trabalha pensando nas forças que constroem o existir periférico no Rio de Janeiro através de materiais do cotidiano como papelão, tijolo e fotos de redes sociais. Assim, procura encurtar as distâncias porque, antes de ser artista, é neto, filho e padrinho e faz arte para afirmar que não tem museu no mundo como a casa da nossa vó.

São Sebastião do Rio de Janeiro, 2019
pintura sobre pneus / painting on tires
fotografia: João Alves / photography: João Alves
170 cm x 100 cm

Sinopse
Gengiva é uma arcada dentária feita de tijolos. Esse trabalho é sobre o que estrutura uma mordida e o que sustenta a sua força. Se alimentar é construir.

Nathalia Favaro
Nathalia Favaro vive e trabalha em São Paulo, Brasil. É formada em Arquitetura e Urbanismo pelo Mackenzie e pela Universidad de Buenos Aires, Argentina. Foi artista residente no EKWC - European Ceramic Workcentre na Holanda, em 2017, no Gaya Ceramics na Indonésia e no Labverde, no Brasil, em 2018. Seu trabalho transita entre a escultura, o desenho e o vídeo, com temas relacionados ao Antropoceno, ao deslocamento e ao território.

Intervalo, 2018-2019
vídeo, 4’ 12’’

Sinopse
Intervalo é um registro de uma ação de caminhar pela Reserva Florestal Adolfo Ducke, em Manaus, Amazonas, com uma folha de papel em branco nas mãos em busca da luz que entra por entre as árvores nas primeiras horas da manhã. O trabalho também propõe um olhar para o Antropoceno, a era onde o homem é o maior agente transformador da natureza.

Reitchl Komch
Reitchl Komch, artista visual. De tendência neoexpressionista, atua em suportes diversos — com foco em revisões de mitologias ancestrais enquanto dispositivos para visibilidade de grupos historicamente marginalizados. Fez oficinas na EAV-Parque Lage a partir de 2010 e a Escola Sem Sítio desde 2017. Em 2019, fez Acompanhamento & Diálogo para Artistas com Daniela Name. Realizou a mostra individual Dos Gestos e do Tempo: uma Intersecção dos Olhares no Espaço Correios (Niterói, 2019). Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Trilhas para o Iroko (1), 2019
juta, meada, cabaça, ferro / jute, skein, gourd, iron
180 cm x 98 cm
[fotografia / photography: Roberto Bellonia]

Sinopse
Na tradição mitológica africana, o orixá Iroko é o tempo. Misterioso e libertário, agente do destino e dos desvios, ele se transfigura em um das quatro árvores sagradas para os povos iorubás: a milicia excelsa (correspondente no Brasil à gameleira). Mais visão do que revisionismo, antes longevidade e impermanência do que atemporalidade ou dogmatismo, suas pintura e esculturas cogitam desde emblemáticas narrativas da diáspora negra à paradoxais atualizações emocionais por resgate das origens.

Val Souza
Val Souza é uma artista cujo trabalho é desenvolvido predominantemente em performance. Vive entre São Paulo e Salvador.

Can you see it?!, 2018
fotografia [photography]
Série com 6 fotos
100 x 155 cm [39 3/8 x 61 1/8 in]

Sinopse
O que você enxerga ao ver uma mulher negra? É a provocação que a bailarina Val Souza convida ao colocar nas ruas o solo de dança can you see it?, com uma placa onde lê-se ‘piriguete R$ 2 reais’. A artista faz uma mixagem de discursos de direitos das mulheres em uma trilha que mistura ritmos das periferias brasileiras.
Ao passar pelas ruas com seu carrinho luminoso, a artista atua como um sound system ambulante, ou um baile ambulante, trazendo para próximo aquilo que a sociedade prefere esconder. Ao expor seu corpo e sua dança, questiona as lógicas de estereótipos de gênero calcados em modelos masculinos de poder.

Yan Copelli
Yan Copelli é um artista visual nascido no Rio de Janeiro. Vive e trabalha em São Paulo com pintura e escultura. É formado em Design Gráfico.Sua produção artística explora temas relacionados com a ontologia e a natureza dos objetos através de uma perspectiva queer e faz uma análise também do mercado de consumo, das relações de classe e de poder. Nascido em uma cidade de contrastes como o Rio de Janeiro, seu trabalho transfere as suas vivências para uma materialidade em estado de conflito: social, de uso, de permanência e de significado. Aí é onde a sua pesquisa acontece, com o intuito de entrar em sintonia com este universo ao subvertê-lo e dar-lhe novos significados. Realizou sua primeira exposição individual em 2018 e participou de diversas exposições coletivas no Brasil, Paris, Barcelona, Estados Unidos e Peru.

Desire Machine, 2019
focinheira de cachorro, ferro, vidro, espelho, plug anal e display led/ dog muzzle, iron, glass, mirror, anal plug and led display
68 x 20 x 54 cm

Posted by Patricia Canetti at 11:32 AM

fevereiro 10, 2020

Dias & Riedweg na Vermelho, São Paulo

Na Sala Antonio de projeção, a Vermelho exibe Cabeça feita, de Dias & Riedweg. O filme foi comissionado por Roger Buergel para sua última grande exposição “Mundos Móveis - Museu do Nosso Presente Transcultural”, produzida pelo Museu Johann Jakobs de Zurique e pelo Museu de Artes e Ofícios (MKG) de Hamburgo, Alemanha, em colaboração com a Universidade de Viadrina (Frankfurt / Oder) e com a Universidade Johann Wolfgang Goethe (Frankfurt / Main). A exposição teve financiamento do Ministério Federal de Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF). Dias & Riedweg já haviam trabalhado com Buergel na 12ª Documenta de Kassel, na Alemanha, em 2007.

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“Cabeça feita” revela imagens intimistas do trabalho diário de barbeiros em Hamburgo, Alemanha, acompanhadas por citações dos próprios retratados sobre suas vidas. A câmera mostra sua prática profissional, sua técnica e o local de trabalho de cada barbeiro. A totalidade desses barbeiros e boa parte da clientela é de origem estrangeira, notadamente dos mesmos países que originaram as recentes ondas de imigração de massa para a Alemanha e o resto da Europa central ocorridas no fim da década passada. São turcos, iraquianos, afegãos, paquistaneses, árabes e africanos que constituem hoje presença considerável na segunda maior cidade da Alemanha.

Dias & Riedweg se inspiraram em uma das peças da coleção do Museu de Artes e Ofícios de Hamburgo que mostra uma caixa do século XIX com bordados e tranças feitos com cabelo humano para pesquisar como a cultura ligada ao cabelo na região do museu se manifesta nos dias de hoje. Da mesma forma como o trançado de cabelos loiros da coleção do museu é um documento cultural da vida na região durante o século XIX, o vídeo de Dias & Riedweg inscreve-se como um documento da nova realidade multicultural da segunda maior cidade da Alemanha no início do século XXI.


At the Sala Antonio projection room, Vermelho presents Hair Work, a film by Dias & Riedweg. The work was commissioned by Roger Buergel for his latest exhibition Mobile Worlds - Museum of Our Transcultural Gift, produced by the Johann Jakobs Museum in Zurich and the Museum of Arts and Crafts (MKG) in Hamburg, Germany, in collaboration with the University Viadrina (Frankfurt / Oder) and the Johann Wolfgang Goethe University (Frankfurt / Main). The exhibition was funded by the Federal Ministry of Education and Research of Germany (BMBF). Dias & Riedweg had already worked with Buergel at the 12th Documenta in Kassel, Germany, in 2007.

"Head Work" reveals intimate images of the daily work of barbers in Hamburg, Germany, accompanied by quotes from them about their lives. The camera shows their professional practice, their technique and their workplace. All of these barbers and a large part of their clientele are of foreign origin, notably from the same countries that originated the recent waves of mass immigration to Germany and the rest of central Europe that occurred at the end of the past decade. They are Turks, Iraqis, Afghans, Pakistanis, Arabs and Africans who today constitute a considerable presence in Germany's second largest city.

Dias & Riedweg were inspired by one of the pieces in the collection of the Hamburg Museum of Arts and Crafts that shows a 19th century box with embroidery and braids made with human hair to research how the hair-related culture in the museum surroundings manifests itself in the present day. Just as the braided blond hair in the museum's collection is a cultural document of life in the region during the 19th century, the video by Dias & Riedweg is inscribed as a document of the new multicultural reality of Germany's second largest city in the beginning of the 21st century.

Posted by Patricia Canetti at 11:35 AM

Motta & Lima na Vermelho, São Paulo

A Vermelho apresenta Memória coletiva, na Sala 4, instalação de Motta & Lima exibida pela primeira vez no Museu dos Futuros possíveis, em 2018.

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Na instalação de Motta & Lima, o visitante entra em um espaço azul onde há apenas um banquinho e um case com computador. Um recepcionista auxilia o visitante a sentar-se e a vestir um par de óculos VR – feito para a experiência de Realidade Virtual. Ao adentrar o território virtual, o visitante encontra-se na mesma sala. Ele, porém, deixa de ter corpo e torna-se apenas observação. Visitantes começam a entrar no espaço e a observar o visitante, inverte-se a lógica da exposição de arte.

A instalação “Memória coletiva”, foi elaborada por Motta & Lima para o Museu dos Futuros Possíveis, mostra organizada por Paulo Miyada durante a Olimpíada do Conhecimento, em Brasília, em 2018, e chega a São Paulo pela primeira vez. “O público perde seu lugar de espectador ou ativador da obra e assume ele mesmo o lugar da ‘coisa’ a ser vista, estudada, a partir daqueles olhares muito bem direcionados”, escreveu Miyada sobre a instalação.


In Room 4, Vermelho presents, the installation Collective memory by Motta & Lima that was exhibited for the first time at the Museum of Possible Futures, in 2018.

In the installation by Motta & Lima, the visitor enters a blue space where there is only a stool, a computer and a case. A receptionist assists the visitor to sit down and put on a pair of VR glasses - made for the Virtual Reality experience. When entering the virtual territory, the visitor is in the same room. However, he ceases to have a body and becomes just an observed point. Other visitants begin to enter the space and observe the visitor, the logic of the art exhibition is reversed.

The installation “Collective memory”, was created by Motta & Lima for the Museum of Possible Futures, an exhibition organized by Paulo Miyada during the Knowledge Olympics, in Brasília, in 2018, and arrives in São Paulo for the first time. “The public loses its place as a spectator or activator of the work and assumes the place of the ‘thing’ to be seen, studied, from those very well-directed looks,” wrote Miyada about the installation.

Posted by Patricia Canetti at 11:30 AM

Cinthia Marcelle na Vermelho, São Paulo

Representada pela Vermelho desde 2007, Marcelle ocupa a galeria pela terceira vez com uma individual. A artista também já expos na Vermelho outras duas vezes com Tiago Mata Machado, seu parceiro frequente na produção de vídeos. Tendo os processos colaborativos como uma constante em sua carreira, dessa vez a artista expõe uma grande série de desenhos feitos em colaboração com Rodrigo Franco.

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Conhecida por suas grandes instalações, Marcelle reúne na mostra ‘Já visto’ trabalhos que exploram proporções mais intimistas, embora a montagem das obras sonde estratégias de esquadrinhamento e proporção típicas de sua produção. Na exposição, Marcelle investiga pontos de inversão entre trabalhos à primeira vista abstratos e figurativos.

Calendário (2020)

Em “Calendário”, Marcelle propõe uma contagem de tempo a partir de uma seleção de materiais - tecido, tinta, sarrafo e cadarço - e de alguns procedimentos. São 13 módulos com 6 camadas de tecido industrialmente estampado com 124 listras pretas sobre fundo branco. Cada módulo representa um mês do ano. O 13º módulo aponta para as relações de trabalho incutidas no fazer da obra, além de ampliar os sentidos de leitura possíveis sobre o trabalho.

As listras pretas são gradativamente cobertas por tinta branca em cada módulo. A mesma medida linear de listras cobertas é rebatida com o cadarço preto que cobre segmentos de sarrafos que se acumulam gradualmente junto a cada módulo. Cadarço e listras têm a mesma espessura.

O ato de obliteração do branco sobre o preto, e a transferência do preto para os sarrafos, estabelecem sistemas de hierarquização e mecanização que refletem o empenho de trabalho investido na construção das peças. Essa hierarquização, no entanto, fica submetida ao sentido de leitura do trabalho, num jogo de adição e subtração sem começo ou fim. O 13º módulo é matricial e não carrega nenhuma interferência.

Duas cenas ou elogio ao amor (2014 – 2020)
Cinthia Marcelle com Rodrigo Franco

“Duas cenas ou Elogio ao amor” é uma série de desenhos de observação feita por um casal a partir de casais desconhecidos em lugares públicos. A mesma cena é ilustrada duas vezes, de dois pontos de vista, evidenciando mudanças sutis nas situações. A particularidade dos traços e a linguagem de cada desenho, remete à construção de uma vida a dois por meio de suas diferenças de perspectivas e subjetividades.

Os desenhos foram feitos em São Paulo, na Bahia e em diferentes partes da África do Sul, e mapeiam o relacionamento dos artistas desde 2014. Cada desenho traz em si um carimbo que pontua o local dos retratos.

Os desenhos são feitos rapidamente, a fim de não perder o casal observado. Essa velocidade do traço às vezes evidencia mais a estrutura dos corpos do que os sujeitos em si. O sistema dos desenhos e a organização dos quadros também colaboram para destacar sua estrutura.

Déjà vu (2019)

Na série “Déjà vu”, Cinthia Marcelle trabalha com a memória do espectador a partir da ilusão de já ter visto algo, como aponta a expressão francesa que, em tradução livre, quer dizer ‘já visto’. A expressão, porém, além de lidar com a falsa impressão de já se ter vivido ou visto algo, também se refere à possibilidade de nos defrontarmos com uma cópia ou plágio de algo, como aponta sua variação ce qui manque d’originalité (que sofre de falta de originalidade).

Sobre prateleiras, pilhas de moedas e um copo de vidro se alternam em seus posicionamentos em cada uma das três partes do conjunto. Em uma das prateleiras, as moedas estão na frente do copo, em outra, moedas e copo ocupam o mesmo espaço e, na última prateleira, as moedas estão atrás do copo. Além disso, o conjunto de moedas e copo se alterna entre à esquerda, ao centro e à direita da prateleira, como se juntas pudessem ocupar a mesma prateleira. As prateleiras não devem ser vistas juntas. Desse modo, ao se deslocar pela exposição, o espectador pode ter a sensação de já tê-las visto. Questões relativas à originalidade ou aos meios de produção seriada na arte estão lançadas a partir desse jogo.

Verdade ou desafio [Truth or Dare] (2018)

Verdade ou Desafio parte de uma fotografia tirada por Cinthia durante uma viagem à África do Sul. O vídeo mostra um insólito triângulo encontrado incrustado na terra vermelha queimada do interior do país. A forma gira com velocidade variável, às vezes desacelerando, mas nunca parando. Assemelha-se a uma bússola desorientada cuja agulha nunca navega definitivamente em direção à ordem ou desordem. O vídeo foi construído a partir de um software que animou a fotografia, fazendo-a girar sobre seu eixo. Em determinado momento, uma sombra projeta-se sobre a imagem. A sombra é a da artista enquanto fotografa o triângulo, mas pode ser entendida como sendo a do espectador que passa a ser incluído no jogo evocado pelo título aonde o jogador tem que optar entre a verdade ou o desafio. O som do vídeo envolve as salas da exposição e estabelece a circularidade da montagem: da alteração das listras em contagem de tempo, do desenho de figura humana em estrutura e da novidade naquilo que já foi visto.

Marcelle acaba de encerrar uma individual no Wattis Institute, em São Francisco, EUA, onde a colaboração se dava de maneira ampliada, dependendo da participação do público para a ativação da instalação baseada na peça A Morta, de Oswald de Andrade.

Cinthia Marcelle segue em cartaz em Soft Power, maior exposição já apresentada pelo museu norte-americano SFMoMA (São Francisco - EUA), com organização de Eungie Joo. Além disso, a artista tem obras em exposições em cartaz no MAM RJ (Rio de Janeiro), na Fundação Joaquim Nabuco (Recife), na Penn State’s HUB-Robeson Gallery (Pensilvânia – EUA). Em março, Marcelle estará em cartaz na Fundação Merz, em Turim, em exposição curada por Claudia Gioia. Em novembro Cinthia Marcelle inaugurará uma grande individual no Museu MACBA, em Barcelona.


Represented by Vermelho since 2007, Marcelle occupies the gallery for the third time with an individual exhibition. The artist has also exhibited at Vermelho two other times alongside Tiago Mata Machado, her frequent partner in video production. With collaborative processes as a constant in her career, this time the artist exhibits a large series of drawings made in collaboration with Rodrigo Franco.

Recognized for her large-scale installations, Marcelle brings together in the show ‘Already Seen’ works that explore more intimate proportions, although the setup of the works involves charting and gauging strategies typical of her production. In the exhibition, Marcelle investigates points of inversion between works that are, at first glance, abstract or figurative.

Calendar (2020)

In "Calendar", Marcelle proposes a time count system based on a selection of materials - fabric, paint, batten and shoelace - and a few procedures. The work presents 13 modules with 6 layers of industrially printed fabric with 124 black stripes on white background. Each module represents a month of the year. The 13th module points to the work relationships instilled in the making of the work, in addition to expanding the possible meanings of reading about the work (there is reference to the work force law in Brazil which predicts a 13th salary in the end of the year).

The black stripes are gradually covered with white paint in each module. The same linear measurement of covered stripes is transferred to black shoelace that covers segments of battens that gradually accumulates next to each module. Shoelaces and stripes are the same thickness.

The act of obliterating the black with the white, and the transferring of the black to the battens, establishes systems of hierarchy and mechanization that reflect the work effort invested in the construction of the pieces. This hierarchy, however, is subject to the reading direction one chooses to see the work, in a game of addition and subtraction without beginning or end. The 13th module is a matrix and does not carry any interference.

Two scenes or praise of love (2014 - 2020).

“Two scenes or Praise of love” is a series of observation drawings made by a couple from unknown couples in public spaces. The same scene is illustrated twice, from two points of view, showing subtle changes in situations. The particularity of the features and the language of each drawing, refers to the construction of a life in a couple through their differences in perspectives and subjectivities.

The drawings were made in São Paulo, Bahia and in different parts of South Africa, and have mapped the artists' relationship since 2014. Each drawing bears a stamp that punctuates the location of the portraits.

Déjà vu (2019)

In the “Déjà vu” series, Cinthia Marcelle works with the viewer's memory based on the illusion of having already seen something, as the French expression points out – which, in free translation means 'already seen'. The expression, however, in addition to dealing with the false impression of having already lived or seen something, also refers to the possibility of facing a copy or plagiarism of something, as pointed out by its variation ce qui manque d'originalité (which suffers from lack of originality).

On shelves, piles of coins and a glass cups alternate in their positions in each of the three parts of the set. On one shelf, coins are in front of the glass, on another, coins and glass occupy the same space, and on the last shelf coins are behind the glass. In addition, the set of coins and cup alternates between the left, the center and the right of the shelf, as if together they could occupy the same shelf. The shelves must not be seen together. Like that, when moving through the exhibition, the viewer may have the feeling of having already seen them. Questions regarding originality or the means of serial production in art are raised from this game.

Verdade ou desafio [Truth or Dare] (2018)

Truth or Dare starts with a photograph taken by Cinthia Marcelle during a trip to South Africa. The video shows an unusual triangle found embedded in the burnt red earth of the interior of the country. The shape rotates with variable speed, sometimes slowing down, but never stopping. It resembles a disoriented compass whose needle never navigates definitively towards order or disorder. The video was built using a software that animated the photograph, making it rotate on its axis. At a certain moment, a shadow is projected on the image. The shadow is that of the artist while photographing the triangle, but it can be understood as that of the viewer who is included in the game evoked by the title where the player has to choose between the truth or the challenge. The sound of the video surrounds the exhibition rooms and establishes the circularity of the setup: the alteration of the stripes into time, the drawing of a human figure into structure and the novelty in what has already been seen.

Marcelle has just closed a solo exhibition at the Wattis Institute, in San Francisco, USA, where the collaboration took place in an expanded way, depending on the public's participation to activate the installation based on the play A Morta, by Oswald de Andrade.

Cinthia Marcelle is currently on view in Soft Power, the largest exhibition ever presented by North American museum SFMoMA (San Francisco - USA), organized by Eungie Joo. In addition, the artist has works on display at MAM RJ (Rio de Janeiro), at the Joaquim Nabuco Foundation (Recife) and at the Penn State’s HUB-Robeson Gallery (Pennsylvania - USA). In March, Marcelle will show at the Merz Foundation in Turin, in an exhibition curated by Claudia Gioia. In November, Cinthia Marcelle inaugurates a large solo exhibition at the Barcelona Museum of Contemporary Art [MACBA].

Posted by Patricia Canetti at 11:01 AM

Coletiva Omissíssimo na Cavalo, Rio de Janeiro

No próximo dia 13 de fevereiro a galeria Cavalo tem o prazer de apresentar a coletiva ‘omissíssimo’, com os artistas Alan Sierra, Kamilla Langeland, Maria Antelman, Sjur Eide Aas e Tatiana Grinberg. A exposição reúne um conjunto de obras, em sua maior parte inéditas no Brasil, que se relacionam com enigmas, mitos e mistérios. Os trabalhos expostos utilizam-se de jogos de espelho, corpos híbridos, fendas, objetos flutuantes, luas, esferas translúcidas, amuletos e elementos naturais, construindo uma atmosfera sobrenatural.

Maior palíndromo da língua portuguesa, omissíssimo é um superlativo para o sujeito que omite, oculta, deixa de se manifestar. Uma palavra acidentalmente simétrica, pouco alterada de sua origem em latim e com sonoridade semelhante aos encantamentos de contos de fada (um feitiço de desaparecimento, provavelmente). O conceito de ocultação do sujeito é essencial em uma das obras centrais da exposição. Em Cortes, da artista carioca Tatiana Grinberg, orifícios atravessam uma chapa de aço que se estilhaça no piso da galeria. A forma das perfurações indicam serem causadas por extremidades de um corpo humano que não mais habita o objeto. Os fragmentos que pousam no chão atravessam a arquitetura do espaço assim com a chapa foi atravessada. Os objetos refletem o piso, paredes, os visitantes e outras obras.

Os vídeos soturnos de Maria Antelman, artista nascida em Atenas e residente em Nova Iorque, apontam para a ancestralidade dos mitos reimaginando-os em contextos contemporâneos. Com o título foneticamente simétrico, I/Eye (2018) é um vídeo de poucos frames. Uma cena onde dois olhos sempre abertos se encostam de forma anatomicamente impossível, exibida em modo cíclico. A artista condensa em um só signo a história de Narciso mas remete também à nossa atual cultura de constante autovigilância. Em sua vídeo instalação Sentimental Conversations, a artista exibe um diálogo intergeracional entre os bustos de sua mãe e seu filho com lábios e olhos respectivamente substituindo os mamilos.

Alan Sierra, jovem artista mexicano, apresenta uma série de desenhos com estética surrealista e traços precisos. Sua produção costuma ser influenciada por sonhos e exploram as possibilidades alegóricas em situações ordinárias. Unhas cortadas podem virar satélites, conchas abertas se tornam olhos falantes. São cômicos exercícios de representação do corpo e de objetos mundanos. Trabalhando também com a forma simbólica no cotidiano, os artistas noruegueses Kamilla Langeland e Sjur Eide Aas se apropriam de materiais achados em suas andanças em suas produções próprias e trabalhos em dupla. São instalações delicadas usando flores, plantas, utensílios de cozinha e insetos encontrados e modificados. Esferas em resina que se assemelham a bolas de cristais, e pinturas expandidas fazem parte das obras desses artistas.

Em tempos onde ideias obscurantistas assombram o campo sociopolítico, parece contraditório falar na importância da preservação do mistério. Mas uma ideia fundamental para as artes é de que nem tudo deve ser examinado à luz da ciência, e que há diferença entre conhecimento e informação. Um pensamento milenar que convida a um mergulho em superfícies auto reflexivas. Assim como um dos mais conhecidos aforismas de Delfos ‘Conheça a si mesmo’ pode, e deve segundo Sócrates, ser interpretado como ‘Olhe para si mesmo’.

Posted by Patricia Canetti at 10:28 AM

Dani Tranchesi na Estação, São Paulo

O projeto desenvolvido por Dani Tranchesi, com acompanhamento de Diógenes Moura, resultou na exposição Lindo Sonho Delirante e no livro homônimo (Editora Martins Fontes). O escritor, que também assina a curadoria da mostra bem como o texto e a seleção de imagens da publicação, encontrou-se semanalmente com a artista ao longo de um ano.

Se para a sua primeira individual, realizada no ano passado na Galeria Estação, Tranchesi percorreu vários países, agora a sua lente concentra-se no Brasil, nas cidades de São Paulo, Belém e na Ilha do Marajó, em Salvaterra, Joanes, Soure e Cachoeira do Arari.

Segundo o curador, a mostra com cerca de 60 fotografias realizadas em 2018 e 2019 é formada em sua grande maioria por dípticos ou trípticos. “Busquei criar um roteiro em que as possibilidades narrativas entre as imagens ou de cada uma ficam por conta do olhar do espectador”, diz Moura. São fotos que ora miram a crueza de vidas e espaços de cidades metropolitanas, ora o onírico que guarda a Ilha de Marajó, onde ainda contemplar estrelas é um ato cotidiano.

“O semblante de uma cidade (São Paulo) é como um livro aberto, tão fatal como uma onda do mar, tão profundo com a angústia em um dia de domingo. Do lado de lá (Ilha do Marajó) os de dentro colocam o sofá nas portas das ruas para falar com os cometas, ter a certeza de que objetos voadores não identificados não dominarão os búfalos”, escreve Moura.

A fotógrafa paulistana, a partir de 2018, viajou várias vezes para a Ilha do Marajó. Em São Paulo seu núcleo de pesquisa se estabeleceu na região central da cidade. O interesse pelos outros e pelas diversas formas de viver, recorrente em sua produção, permanece expresso nas séries realizadas em Marajó e nas duas capitais. Fotografias de ambientes domésticos, detalhes de objetos, atmosferas de beleza e acolhimento contidas na resistência da simplicidade se contrapõem a destinos de homens e espaços urbanos abandonados na esteira do progresso.

Dani Tranchesi (1968, São Paulo) estudou Comunicação na Escola Superior de Propaganda e Marketing e Fotografia na Escola Panamericana de Arte. Em sua produção autoral, a artista se dedica à diversidade de pessoas e culturas nos cerca de 70 países que percorreu.

Diógenes Moura é escritor, curador de fotografia, roteirista e editor. Em 2019 foi semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura com O Livro dos Monólogos – Recuperação para Ouvir Objetos (Vento Leste Editora). Premiado no Brasil e exterior, foi Curador de Fotografia da Pinacoteca do Estado entre 1998 e 2013. Escreve sobre existência, imagem e abandono.

Posted by Patricia Canetti at 9:38 AM

fevereiro 6, 2020

Tinho lança livro com bate-papo com Xico Chaves na Travessa do Shopping Leblon, Rio de Janeiro

Conversa aberta entre o grafiteiro Tinho e o artista convidado Xico Chaves, no lançamento do livro que celebra sua trajetória. Com uma seleção de textos críticos e curatoriais, a publicação revisita a carreira do artista que, a partir da década de 80, percorre os principais movimentos urbanos no Brasil.

6 de fevereiro de 2020, quinta-feira, às 19h

Livraria da Travessa do Shopping Leblon
Av. Afrânio de Melo Franco 290, Leblon, Rio de Janeiro, RJ

Um dos precursores do grafite no Brasil e um dos principais nomes da arte urbana na América Latina, o paulistano Walter Tada Nomura, o Tinho, que tem obras espalhadas por muros e paredes de diversas cidades do mundo, está em cartaz (até o dia 16/fev) no Paço Imperial, com a individual “Os 7 Mares”. A mostra curada por Saulo Di Tarso reúne 16 trabalhos de duas séries complementares do paulistano.

Lançamento do livro "Tinho"
Realização: Movimento Arte Contemporânea
Direção: Ricardo Kimaid Jr.
Autor: Tinho (Walter Nomura)
Textos críticos: Charberlly Estrella, Isabel Portella, Saulo Di Tarso e Marcus Lontra Costra
Preço: R$ 100
255 páginas
ISBN: 978-65-81032-00-5

Posted by Patricia Canetti at 1:31 PM

Marcha artística Revolta da Lâmpada com falas, músicas e performances coletivas em São Paulo

Coletivo artístico vai às ruas para proclamar o fim do mundo: A Revolta da Lâmpada, grupo ativista que reúne vários movimentos, faz marcha artística com falas, músicas e performances coletivas

A Revolta da Lâmpada é um protesto artístico e político que acontece no dia 8 de fevereiro, sábado, a partir das 15h, com concentração na Praça do Ciclista, na Av. Paulista (Consolação - SP), e será a quinta edição sob o tema: O fervo do fim do mundo.

“Antes a gente lutava era para evitar o fim do mundo, hoje lutamos para sobreviver em meio a ele. Para nós, o fim do mundo já chegou e senta na cadeira presidencial e nos principais gabinetes do país. A precarização do trabalho, da educação e da saúde, a destruição do meio ambiente, a manipulação desonesta da informação, o uso político oportunista da fé, a crescente falta de moradia e infraestrutura básica, a volta da fome, o terrorismo de estado, o genocídio nas periferias e aldeias, a afinidade de nossos governantes e parlamentares com ideais nazi-fascistas, o controle dos corpos, a censura às artes e o incentivo à violência contra a diversidade instauram cenários de fim do mundo para muitas populações”, afirmam membros do coletivo.

O grupo vai se concentrar na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, e segue até o Largo do Arouche, e o objetivo simbólico do protesto festivo é acabar performaticamente com esse mundo para começar outro. "Queremos gerar a seguinte reflexão: quais corpos tem direito a um mundo melhor?", comentam membros do coletivo.

Desde 2014, A Revolta da Lâmpada vai à rua pelo "corpo livre”. A plataforma alia as lutas LGBTI+, negra, feminista, de pessoas vivendo com HIV, das pessoas com deficiência, do povo de santo, de refugiados/as e imigrantes, de trabalhadores/as, de artistas independentes, entre tantos outros corpos que estarão presentes. "Corpos que, em alguma instância, sofrem vários tipos de violências apenas por serem como são", explicam os membros.

O grupo também traz o mote “fervo também é luta”, porque acredita que política também se faz com celebração, performance e arte. "Estão convidadas pra estar com a gente as “corpas” dissidentes e sobreviventes para o ato do fim do mundo simbólico” finalizam.

Programação do apocalipse
O cortejo acontece em três atos: o antigo mundo, um culto de transição e o novo mundo

Concentração a partir das 15h
- oficinas de cartazes;
- rodas de rimas & poesias do apocalipse (com Transarau);
- apresentação da dupla Norma e Cistema (com Magô Tonhon e Gabriel Lodi) e
- Performance: "O que você quer atirar da borda da Terra Plana?", com a drag queen @divinakaskaria.
Às 16h30, começa o Cortejo Rumo ao Novo Mundo com
- Ritual de Lavagem na Avenida Paulista;
- Desfiles das corpas livre;
- Sambada na cara das inimigas;
- Coreografias do Apocalipse dissidente com: chuca ácida, furacão sapatão, terremoto preto, tsunami trans, gordas sísmicas, tornado bixa, explosão bi&pan, incêndio positHIV e buraco na camada d'OZOMI.
Na sequência:
- Culto Travesti, com as artistas Alice Vilas Boas & VENI, que vão decretar o fim deste mundo para o início do novo.
- Arrastão Dionisíaco Rumo ao Novo Mundo.
- Túnel das "7 pregas do apocalipse" (portal para o novo mundo)
-Baile do Novo Mundo, no Largo do Arouche (com os coletivos Animalia e Marsha!)
+ hasteamento de bandeiras
+ projeções com Sladka Jerônimo Jerônimo,
+ performances e intervenções.

A programação completa pode ser vista no evento do Facebook. O Ato acontece através da colaboração coletiva e é possível ajudar o evento monetariamente através do site de doações com recompensas.

Posted by Patricia Canetti at 12:48 PM

Joãosinho e Eu - Encontro com Amir Haddad no CCSP, São Paulo

Idealizador da comissão de frente do desfile de 1989 da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis comenta sua relação com Joãosinho Trinta em bate-papo na exposição “Ratos e Urubus” no CCSP.

8 de fevereiro de 2020, sábado, às 15h

Centro Cultural São Paulo – CCSP
Rua Vergueiro 100, Paraíso, São Paulo, SP
11-3397-4002
Terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h

A exposição “Ratos e Urubus”, em cartaz no Centro Cultural São Paulo, sala Tarsila do Amaral, recebe o diretor de teatro Amir Haddad para uma conversa com o público. O ator e diretor foi responsável pela comissão de frente do enredo icônico da Beija-Flor em 1989, “Ratos e Urubus, larguem a minha fantasia” - mote da mostra. No bate-papo, Amir comenta sua relação com o carnavalesco Joãosinho Trinta e como foi a concepção da ala dos mendigos que abria o desfile daquele ano. “Ele me deu a oportunidade de fazer com 250 pessoas, em uma ala no desfile dele, o teatro que fazia na rua com oito atores”, lembra.

O trabalho marca também a primeira comissão de frente coreografada por Haddad e sua estreia nos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. No bate-papo, o diretor também debate com os participantes por que o desfile de 1989 da Beija-Flor levanta ainda tantas questões e continua vivo na memória das pessoas sem ter ganho o título daquele ano.

Amir Haddad nasceu em Guaxupé, Minas Gerais, veio para São Paulo no final dos anos 1950 para estudar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde conheceu Zé Celso Martinez e ajudou fundar o Teatro Oficina. Durante os anos 1970, no Rio de Janeiro, dirigiu grupos de teatros alternativos, buscando a desconstrução da dramaturgia e do espaço cênico. Em 1980, fundou o grupo Tá na Rua, que dirige até hoje, levando o teatro para praças e espaços públicos. Os espetáculos carregam a ideia do improviso e contam com a participação do público.

Com curadoria de Carlos Eduardo Riccioppo e Thais Rivitti, a exposição “Ratos e Urubus” propõe um novo olhar para o desfile de Joãosinho Trinta em 1989. A seleção das obras de artistas contemporâneos como Nuno Ramos, Márcia X. Bárbara Wagner e Benjamin de Burca traça pontos de contato com o desfile, trazendo para a atualidade as questões e polêmicas suscitadas pelo enredo histórico. A mostra fica em cartaz no Centro Cultural São Paulo até 1º de março.

Posted by Patricia Canetti at 11:50 AM

deCuratores ocupa a Galeria Casa no CasaPark, Brasília

Oito artistas de Brasília apresentam na galeria do casapark instalações criadas especialmente para o espaço

No próximo dia 7 de fevereiro, às 17h, a Galeria Casa inaugura a mostra Curare, projeto curado pela galeria deCuratores, com instalações criadas por oito artistas de Brasília. Participam da coletiva os artistas Gustavo Silvamaral, Lino Valente, Ludmilla Alves, Lis Marina Oliveira, João Trevisan, Mariana Destro, Luciana Ferreira e Thiago Pinheiro. A exposição fica em cartaz até o dia 1º de março, com visitação de terça a sábado, das 14h às 22h, e domingo, das 14h às 20h. A entrada é gratuita e a classificação indicativa é livre para todos os públicos. A Galeria Casa fica no 1º piso do Casa Park, ao lado do Espaço Itaú de Cinema.

A deCurators traz para a Galeria Casa oito instalações criadas para o ciclo Curare, projeto de parcerias entre oito curadores e oito artistas da cidade, que ocupou o espaço em 2018. O ciclo explorou o enfoque, definido por cada curador, ao acompanhamento de artistas em fase de formação, da concepção à realização de uma exposição. Por um período de dois meses, cada duo de curador e artista criou uma instalação para a vitrine do deCurators, acompanhada de uma exposição individual e um pequeno texto curatorial. Todas as instalações originais foram repensadas para se adaptar ao espaço da Galeria Casa, formando um conjunto de oito obras criadas especialmente para o espaço.

Sobre os artistas

Gustavo Silvamaral nasceu em Brasília em 1995. Graduando em Artes Visuais na Universidade de Brasília, participa desde 2015 do grupo de pesquisa Corpos Informáticos, coordenado por Bia Medeiros, e também é assistente da artista Iracema Barbosa. A pesquisa do artista que vem se desdobrando em uma série de ações, objetos, instalações, desenhos e pinturas. A pictorialidade, ou seja, os elementos e formas de representação fundamentais da pintura que a tornam um meio específico de produção e circulação de imagens e imaginários são esmiuçados, tensionados e aprofundados no processo do artista.
Curadoria original: Ralph Gehre

Lino Valente é artista visual residente em Brasília, tem formação livre em Audiovisual e é estudante de artes visuais na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. Atualmente é videomaker, professor de vídeo criação e fundador da 70mm – Escola de Criação em Audiovisual.
Curadoria original: Renata Azambuja

Ludmilla Alves é doutoranda na linha de Métodos e Processos em Arte Contemporânea pelo Programa de Pós-Graduação em Arte da Universidade de Brasília. Mestre em Poéticas Contemporâneas (PPG-Arte/UnB). Bacharel em Comunicação Social (FAC-UnB). Integra o grupo Vaga-Mundo: Poéticas Nômades. Participa regularmente de exposições e projetos culturais desde 2013. Tem interesse em pintura, escrita e suas aproximações com fotografia e vídeo. Atualmente trabalha na pesquisa Versões Selvagens.
Curadoria original: Atila Regiani

Lis Marina Oliveira é artista visual. Vive e trabalha em Brasília. Desenvolve um trabalho que permeia o campo da fotografia, da performance, da instalação e do encontro com objetos. A arquitetura é uma das vertentes de seu trabalho, impulsionado pela monumentalidade brasiliense. Nela, o abrigo das estruturas do poder político brasileiro. Nessa contingência, a artista busca um campo de fala e de emergência de atitudes que possam refletir as contradições sustentadas por esses poderes. Dentro desse campo de projeções surge a possibilidade de uma reorientação ao sentido ontológico que a natureza, em sua virtude e geografia, nos levam a refletir sobre as necessidades que o imaginário humano pressupõe como um lugar de representação.
Curadoria original: Cinara Barbosa

João Trevisan é bacharel em Direito. Seu trabalho consiste em explorar questões relacionadas as características inerentes a matéria, peso, leveza, articulação, equilíbrio e política. Artista plástico, participa de exposições coletivas e individuais desde 2014. Em 2019, abriu a sua terceira individual, Corpo, breve instante, na galeria Karla Osório em Brasília com curadoria Malu Serafim. No ano de 2018 realizou a sua segunda individual com curadoria do artista Bené Fonteles na Galeria deCurators; participou da exposição Brasília Extemporânea com curadoria da Ana Avellar; participou do 43º Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional Contemporâneo; e 46º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, em Santo André/ SP; e 15º salão de artes plásticas de Ubatuba.
Curadoria original: Bené Fonteles

Mariana Destro vive e trabalha em Brasília. Graduada em Artes Visuais pela Universidade de Brasília (UnB), realizou a exposição individual Jardim, com curadoria de Marília Panitz, no deCurators (2018). Participou das mostras coletivas Festivau de C4nn3$, na Lona Galeria (SP), ONDEANDAAONDA, no Espaço Cultural 508 Sul (DF), Fuga Movimento #3, no Atelier Valéria Pena-Costa, entre outras. Faz parte da plataforma de arte Piscina desde 2015. Em novembro de 2018 fez residência na Casa Voa (RJ), onde apresentou a série Monstera deliciosa. Sua produção artística é instigada pela tensão entre os gêneros e seu impacto na constituição de subjetividades femininas. Atualmente investiga a natureza epistemológica da produção de imagens e significados na contemporaneidade, com ênfase na pós-pornografia.
Curadoria original: Marília Panitz

Luciana Ferreira é graduada em artes visuais pela Universidade de Brasília. Atualmente, faz doutorado na linha de pesquisa Deslocamentos e Espacialidades (área de concentração Métodos, Processos e Linguagens), integrante do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Artes, UnB. Seus trabalhos envolvem intervenções em livros, subversões de leituras, ações registradas em vídeos e experiências sonoras com ruídos. Todas essas frentes propõem algum tipo de desconstrução narrativa e/ou subversão discursiva, convidando para novas formas de percepção ou lida com elementos e situações que compõem a nossa experiência cotidiana. Faz exposições de seus trabalhos desde 2011, tendo participado também de ações de ocupação artística, intervenção urbana e residências. Integra o coletivo Espaços da Escrita.
Curadoria original: Graça Ramos

Thiago Pinheiro é natural de Brasília (1984), Bacharel (2013) e Licenciado (2015) em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília. Atualmente, cursa o mestrado em Artes (2017) na linha de pesquisa de Poéticas Contemporâneas oferecida pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da mesma instituição (PPG Arte-UnB). Sua produção está voltada para os campos da pintura, intervenção urbana e escultura. Além disso, dedica-se, também, ao ofício de arte-educador em diversos espaços culturais, museus e escolas do Distrito Federal.
Curadoria original: Wagner Barja

Sobre o deCurators

Criado em março de 2014, deCurators é um espaço de arte contemporânea não comercial gerido por artistas, pensado como uma vitrine para exercícios de curadoria. Partindo da premissa de que existe uma poética expositiva, queremos botar o bloco na rua, numa filosofia do "faça você mesmo". Exposições que durem uma hora, um dia, uma semana, um mês ou um ano, sem as amarras de instituições, patrocínios ou cronogramas muito rígidos.

Nossas exposições são organizadas em ciclos curatoriais pensados a partir de um tema ou proposição, que funciona como um leitmotiv em torno do qual diversas ações culturais são realizadas.

Posted by Patricia Canetti at 11:17 AM

fevereiro 5, 2020

Ximena Garrido-Lecca + Neo Muyanga na Bienal, São Paulo

Primeira individual da 34ª Bienal traz reflexões sobre a colonização na América Latina;

> Mostra leva ao 3º piso do Pavilhão exposição de Ximena Garrido-Lecca, cuja obra reflete sobre a história do Peru;

> Programação em 8 de fevereiro inclui performance musical inédita do sul-africano Neo Muyanga, com coro de 40 vozes e colaboração do coletivo paulistano Legítima Defesa e da artista Bianca Turner;

> A “dinâmica do ensaio”, do experimento, da tentativa e erro, um dos parâmetros que norteia 34ª Bienal, se antevê nesta primeira apresentação pública, revelando etapas da construção do projeto expográfico elaborado pelo escritório Andrade Morettin Arquitetos.

A 34ª Bienal de São Paulo – Faz escuro mas eu canto, abre no sábado, 8 de fevereiro, a partir das 9 horas, a primeira da série de três exposições individuais que introduzem parte dos temas que serão tratados retomados pela mostra principal, em setembro deste ano. A mostra monográfica de Ximena Garrido-Lecca (n. 1980, Lima, Peru) inaugura a série com 9 obras, entre instalações, fotografias e vídeos, que estarão expostas no 3º pavimento do Pavilhão da Bienal até 15 de março. Trata-se da primeira exposição individual no Brasil da artista, que trabalha entre Lima e Cidade do México e pesquisa a história do Peru e os impactos dos processos coloniais e suas consequências contemporâneas. No mesmo dia, às 11 horas, o sul-africano Neo Muyanga (n. 1974, Soweto) apresenta a performance musical inédita A maze in grace, que vai se espalhar por diversos pisos do Pavilhão, ao redor de seu icônico vão central.

Ximena Garrido-Lecca

Em sua obra, Garrido-Lecca parte com frequência de um estudo de técnicas e materiais empregados no artesanato, arte e arquitetura ao longo da história peruana. As instalações apresentadas na 34ª Bienal utilizam técnicas ancestrais de cerâmica e a tecelagem, além de materiais como cobre, barris de petróleo, óleo, madeira, arame, pregos e plantas. Um de seus trabalhos mais emblemáticos, Insurgencias botánicas: Phaseolus Lunatus [Insurgências botânicas: Phaseolus Lunatus], de 2017, é uma instalação com estrutura hidropônica em que são plantadas mudas de favas da espécie Phaseolus lunatus. Como as plantas irão crescer ao longo do ano, o público terá a oportunidade de acompanhar diferentes momentos da transformação da instalação, num movimento que de certa forma simboliza o da própria Bienal, que é inaugurada agora mas irá se ampliando, transformando e problematizando até dezembro. Para Garrido-Lecca, o gesto de cultivar as favas representa uma espécie de re-ativação simbólica do suposto sistema de comunicação da cultura Moche, uma civilização peruana pré-incaica que desenvolveu complexos sistemas hidráulicos de irrigação e que, segundo teorias, valia-se das manchas presentes nessas favas como signos para uma escrita ideogramática.

Outra obra de destaque é a instalação Proyecto país [Projeto país], que integra a série Paredes de progreso [Paredes de progresso], realizada pela artista entre 2008 e 2012, a partir de uma pesquisa sobre anúncios pintados em paredes de adobe na região do Vale Sagrado, no Peru. Erguidos segundo uma técnica construtiva tradicional, frequente pelo território rural do país, esses muros se tornaram suporte para slogans políticos e logotipos partidários, que vão desvanecendo até desbotar por completo, ou até a dissolução das próprias paredes, já que o adobe, quando exposto à intempérie, se desfaz pouco a pouco na paisagem. Proyecto país foi o nome de um pequeno partido político que participou das eleições peruanas em 2006, mas que acabou se retirando do pleito e desaparecendo devido à falta de seguidores.

Para criar a série de fotografias Divergent Lots [Lotes divergentes], Garrido-Lecca fotografou Pucusana, distrito litorâneo da província de Lima, por três anos (2010-2013). A artista documentou uma série de estruturas compostas originalmente por esteiras de bambu e postes de madeira, e que, ao longo dos anos, passaram a incorporar materiais como tijolos e concreto. Tais estruturas temporárias são construídas com o intuito de reivindicar a posse da terra nessas áreas, marcadas, desde a década de 1950, por um grande afluxo migratório de populações que deixam as regiões agrícolas andinas e buscam condições de vida e de trabalho melhores nas áreas de desenvolvimento industrial e urbano. A população migrante ocupa porções de terra e procura formas de sobrevivência frequentemente ligadas a setores informais da economia. O vídeo Líneas de divergencia [Linhas de divergência] documenta um momento recente das ocupações no entorno de Pucusana; as linhas marcadas com giz no deserto dividem terras já registradas em lotes e demarcam novos terrenos.

Carla Zaccagnini, curadora convidada da 34ª Bienal, explica: “começamos a 34a Bienal de São Paulo com esta série de obras de Ximena Garrido-Lecca. Obras que podem nos ajudar a enxergar as relações existentes entre a invenção da eletricidade, a extração do cobre, a demarcação da terra, a depredação do solo e a disseminação de povos. Porque sabemos que a arte pode nos dar ferramentas para lidar com momentos difíceis em que outras linguagens nos faltam ou falham”.

A exposição é realizada em parceria com o CCA Wattis (São Francisco, EUA), que, em 2021, vai receber uma individual da artista como parte das colaborações internacionais da 34ª Bienal de São Paulo.

Neo Muyanga – A maze in grace

No dia 8 de fevereiro, às 11 horas, acontece a performance inédita do compositor, artista sonoro e libretista Neo Muyanga, A Maze in Grace. À ocasião, um coro de 40 vozes vai ocupar os três andares do Pavilhão da Bienal, ao redor de seu vão central, cantando uma nova composição para a melodia da conhecida Amazing Grace [Graça sublime], frequentemente apresentada como um hino de rituais de luto público em diferentes partes da África, e que possui conotação política religiosa para a comunidade afro-americana nos EUA. O trabalho de Muyanga propõe a desconstrução e um novo olhar sobre a canção, composta, em 1772, por John Newton, um traficante de escravos britânico branco que se converteu e tornou-se um pastor anglicano abolicionista no final do século XVIII após uma série de experiências de quase morte. O coletivo teatral paulistano Legítima Defesa, que realiza ações poético-políticas de reflexão e representação da negritude, também participa da performance, assim como a artista Bianca Turner (n. 1984, São Paulo, Brasil), que assina o videomapping utilizado na obra.

Para além de sua realização no dia 8, que dá início ao programa da 34a Bienal de São Paulo, a nova obra de Muyanga se desdobra em outros dois momentos: a performance que, em julho, abrirá a 11a Bienal de Liverpool, instituição parceira na realização deste trabalho; e a instalação audiovisual que integrará a mostra coletiva da 34ª Bienal, em setembro. Composta a partir de seu país, a África do Sul, e com realizações no Brasil e Inglaterra, essa obra religa os vértices do chamado “triângulo do Atlântico”.

Segundo Paulo Miyada, curador adjunto da mostra, “é difícil imaginar uma forma mais propícia de abrir a programação de uma Bienal intitulada ‘Faz escuro mas eu canto’, pois Neo Muyanga relembra o quanto uma canção de esperança está marcada pela violência e pela crueldade e, então, reencanta sua sonoridade com elementos musicais e discursivos da história dos homens e mulheres negros brasileiros e africanos – justamente aqueles que protagonizaram e protagonizam a luta pela emancipação racial que dá sentido a essa canção”.

Poética do ensaio

Um dos aspectos norteadores do trabalho curatorial da 34ª Bienal é a noção de “ensaio”, que permite encarar o projeto como um processo, um espaço onde as coisas se apresentam sem a ambição de ser definitivas, amplificando a importância da ressignificação que surge das relações que se criam ao longo do tempo. É nesse sentido que a expografia da individual de Garrido-Lecca configura a primeira apresentação do projeto arquitetônico desta edição da Bienal, elaborado por Andrade Morettin Arquitetos. Segundo Jacopo Crivelli Visconti, curador geral da edição, “a arquitetura que abriga a primeira exposição é em si mesma um exercício, o gesto inaugural de uma construção que se estratificará e ganhará complexidade ao longo do ano. As obras de Ximena Garrido-Lecca e Neo Muyanga que se apresentam agora irão se carregar de outros significados ao entrar em relação com as de outros artistas, em setembro. Analogamente, o espaço que a arquitetura já delimita, mas que o primeiro movimento da exposição não ocupa, não é um espaço vazio: é um espaço em potência”.

34ª Bienal de São Paulo

Marcada pelo encontro e potencialização mútua entre projeto curatorial e atuação institucional, a 34ª Bienal de São Paulo enfatiza poéticas da “relação”, a partir de pensadores como Edouard Glissant e Eduardo Viveiros de Castro, e adota uma estrutura de funcionamento inovadora, que envolve a realização de mostras e ações apresentadas no Pavilhão da Bienal a partir de fevereiro de 2020 e a articulação com uma rede de 25 instituições paulistas. Quando o pavilhão for inteiramente tomado pela mostra, a partir de setembro de 2020, essas instituições promoverão, em seus próprios espaços, exposições de artistas que também participam da Bienal, enfatizando como a compreensão de uma obra é sempre influenciada pelas “relações” que se criam com as obras que a rodeiam e com o contexto onde é exposta. Com curadoria geral de Jacopo Crivelli Visconti e equipe curatorial composta por Paulo Miyada (curador adjunto), Carla Zaccagnini, Francesco Stocchi e Ruth Estévez (curadores convidados), a 34ª Bienal de São Paulo é intitulada “Faz escuro mas eu canto”, verso do poeta amazonense Thiago de Mello. Para as publicações, Elvira Dyangani Ose atua como editora convidada, e sua participação é uma colaboração com The Showroom, London.

Para José Olympio da Veiga Pereira, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, “a 34ª Bienal acontece como fruto de um feliz encontro. Por um lado, há uma instituição que aposta na importância do diálogo e na potência de sua rica teia de parceiros. Por outro, encontra-se um projeto curatorial que se apropria da vocação e dos pontos fortes da instituição e da cidade de São Paulo ao propor o formato inédito desta edição. Nos tempos e espaços expandidos das mostras, espera-se multiplicar as possibilidades de contato e relacionamento com a arte, pois é em sua capacidade de transformação e abertura para o outro que residem a força e a motivação desta Fundação”.

Para as três exposições individuais, foram convidadas artistas em meio de carreira de diferentes origens e pesquisas, que têm em comum o fato de serem autoras de produções relevantes, complexas e instigantes: além da mostra de Ximena Garrido-Lecca, agora em fevereiro, será realizada em abril a mostra individual da brasileira Clara Ianni (n. 1987, São Paulo, SP) e, em julho, a exposição da fotógrafa estadunidense Deana Lawson (n. 1979, Rochester, NY). A abertura da mostra de abril será simultânea à apresentação de uma performance do argentino León Ferrari (1920-2013, Buenos Aires). Uma terceira performance acontece na abertura da grande mostra coletiva realizada no Pavilhão da Bienal, a partir de setembro: trata-se da obra inédita de Hélio Oiticica (1937-1980, Rio de Janeiro), A Ronda da Morte, concebida pelo artista em 1979.

Faz Escuro Mas Eu Canto

Encarado mais como uma afirmação que como um tema, o título da 34ª Bienal de São Paulo, “Faz escuro mas eu canto”, é um verso do poeta Thiago de Mello, publicado em livro homônimo do autor em 1965. Em sua obra, o poeta amazonense fala de maneira clara dos problemas e das esperanças de milhões de homens e mulheres ao redor do mundo: “A esperança é universal, as desigualdades sociais são universais também (...). Estamos num momento em que o apocalipse está ganhando da utopia. Faz tempo que fiz a opção: entre o apocalipse e a utopia, eu fico com a utopia”, afirma o escritor. Jacopo Crivelli Visconti completa: “por meio de seu título, a 34ª Bienal reconhece o estado de angústia do mundo contemporâneo enquanto realça a possibilidade de existência da arte como um gesto de resiliência, esperança e comunicação”.

Posted by Patricia Canetti at 5:02 PM

Abraham Palatnik na Nara Roesler, São Paulo

A Galeria Nara Roesler | São Paulo tem o prazer de abrir seu calendário de exposições, em 2020, com mostra individual de Abraham Palatnik. Aos 91 anos de idade e com sete décadas de produção, Palatnik é reconhecido internacionalmente por suas experimentações técnicas, que vão da construção de intricados dispositivos maquínicos, como o Aparelho cinecromático e os Objetos Cinéticos, à elaboração de métodos inovadores para a produção de pinturas. Um exemplo desse último caso é a série W, na qual vem trabalhando desde 2004. Esse conjunto de trabalhos marca a primeira inclusão de um procedimento não manual – o corte a laser – em sua prática, o que não exclui o acentuado caráter artesanal envolvido no processo de composição. A mais recente inovação, foco desta exposição, é a combinação da tinta acrílica, usualmente empregada, com a tinta esmalte dourada, misturando qualidades óticas bem diferentes na mesma pintura.

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A Galeria Nara Roesler foi a primeira a expor essa série, ainda em 2004, quando ela começou a ser produzida, e a apresenta novamente, quinze anos depois, junto a uma seleção de trabalhos históricos. Poderão ser vistas desde investigações iniciais, como uma paisagem do princípio de sua carreira, até as abstrações dinâmicas da série W. Essa visão articulada de diferentes fases e técnicas tem como objetivo proporcionar ao público uma perspectiva ampliada e integrada das questões presentes em sua prática, o que possibilita a compreensão do papel central que a pintura possui como fio condutor da trajetória artística de Palatnik.

Os trabalhos da série W são desdobramentos dos Relevos progressivos que o artista desenvolve desde a década de 1960. O aspecto central desses últimos reside na investigação das potencialidades dos materiais utilizados nas composições. Já na série W, o artista começa realizando duas pinturas abstratas sobre placas de madeira que, ao serem finalizadas, são cortadas a laser em tiras regulares. Palatnik, então, reúne as partes de ambas pinturas, intercalando-as e promovendo seus deslocamentos verticais, de modo a construir um terceiro trabalho a partir delas. Desse modo, as cores são reativadas, e o efeito de movimento da composição se amplia e renova, demonstrando grande potência visual e poética. A vibração do trabalho, ainda, convoca o corpo do espectador, ao instar sua movimentação ao seu redor. Dele se aproximando e distanciando, o público vê sua percepção ser continuamente alterada, em um processo que libera os sentidos possíveis da obra.

A produção de Palatnik já esteve em importantes exibições no Brasil e no exterior, entre elas a 32ª Bienal de Veneza (1964), além de oito edições da Bienal de São Paulo, entre 1951 e 1969. A exposição na Galeria Nara Roesler | São Paulo comprova a capacidade do artista de reiventar sua prática, seu compromisso com a experimentação, sem deixar de lado o rigor da execução que, mesmo se valendo de preceitos técnicos e mecânicos, sempre soube dividir espaço com a intuição e criatividade. Com a mostra, comemoram-se também vinte anos desde a realização da primeira individual de Palatnik na Galeria Nara Roesler.

Abraham Palatnik é figura central da arte cinética e óptica no Brasil. Seu interesse pelas possibilidades criativas das máquinas evoca a relação entre arte e tecnologia. O artista formou-se em engenharia, o que contribuiu para que desenvolvesse investigações técnicas focadas na experimentação com o movimento e a luz, realizando proposições baseadas no fenômeno visual que tornaram seu trabalho conhecido ao longo de sete décadas de produção. Destacou-se no cenário artístico a partir da criação de seu primeiro Aparelho Cinecromático (1949), peça em que reinventa a prática da pintura por meio do movimento coreografado de lâmpadas de diferentes voltagens, em distintas velocidades e direções, que criam imagens caleidoscópicas. Exibida na 1ª Bienal de São Paulo (1951), essa instalação de luz recebeu Menção Honrosa do júri internacional por sua originalidade.

As séries de progressões e relevos que iniciou posteriormente, feitas em materiais diversos (como madeira, cartão duplex ou acrílico), apresentam efeitos ópticos e cinéticos criados a partir de um meticuloso processo manual. O resultado são composições abstratas marcadas por um padrão rítmico que remete ao movimento de ondas irregulares. Embora a série W tenha incorporado o corte a laser feito por uma empresa especializada, Palatnik continua construindo e pintando artesanalmente cada peça até hoje, a fim de compor os quadros finais.

Abraham Palatnik nasceu em Natal, Brasil, em 1928, e vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil. Participou de diversas exposições no Brasil e no exterior, incluindo oito edições da Bienal de São Paulo, Brasil (1951-1969), e a 32ª La Biennale di Venezia, Itália (1964). Recentemente, realizou a retrospectiva Abraham Palatnik - A Reinvenção da Pintura, com itinerância por importantes instituições no Brasil como: Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ) (2017), Rio de Janeiro; Fundação Iberê Camargo (FIC) (2015), Porto Alegre; Museu Oscar Niemeyer (MON) (2014), Curitiba; Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) (2014), São Paulo; e Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-DF) (2013), Brasília. Principais coletivas recentes incluem: The Other Trans-Atlantic: Kinetic & Op Art in Central & Eastern Europe and Latin America 1950s - 1970s, no Sesc Pinheiros (2018), em São Paulo, Brasil, no Garage Museum of Contemporary Art (2018), em Moscou, Rússia, e no Museum of Modern Art in Warsaw (2017), em Varsóvia, Polônia; Delirious: Art at the Limits of Reason, 1950 - 1980, no Metropolitan Museum of Art (2018), em Nova York, Estados Unidos; e Kinesthesia: Latin American Kinetic Art 1954-1969, no Palm Springs Art Museum (PSAM) (2017), em Palm Springs, Estados Unidos. Possui obras em importantes coleções institucionais como: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio), Rio de Janeiro, Brasil; Royal Museums of Fine Arts of Belgium, Bruxelas, Bélgica; Adolpho Leirner Collection of Brazilian Constructive Art, Museum of Fine Arts Houston (MFAH), Houston, EUA; e Museum of Modern Art (MoMA), Nova York, EUA.

A Galeria Nara Roesler é uma das principais galerias de arte contemporânea do Brasil. Representa artistas brasileiros e internacionais, estabelecidos e em início de carreira, e conta com sedes em São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York. Fundada em 1989 por Nara Roesler, a Galeria fomenta o desenvolvimento e a difusão dos trabalhos de seus artistas através de um consistente programa de exposições, sólidas parcerias institucionais e diálogo constante com curadores de destaque no cenário artístico contemporâneo.


Galeria Nara Roesler | São Paulo has the pleasure of inaugurating its’ 2020 exhibitions programme with a solo show by Abraham Palatnik, a pioneer and leading figure of kinetic art in Brazil. Over his seventy years-long artistic career, Palatnik has been acclaimed for his innovative approaches to investigating light, colour and movement, which famously include engineering intricately motorized artworks. Since 2004, the artist has dedicated his attention to the series W, which marked the first inclusion of non-manual processes such as laser-cutting within an otherwise labor intensive compositional process.

Galeria Nara Roesler was the first to exhibit this body of work back in its’ time of inception in 2004, and will now, fifteen years later, be showcasing it again along with a selection of other historical pieces. The exhibition will present works from the artist’s initial experimentation, notably including a landscape painting dating back to 1943, to his most recent investigations with dynamic abstraction in the W series. In showing Palatnik’s different phases and techniques, the exhibition hopes to offer an ample and integrated presentation of his career that will enable the public to not only discover his most recent works, but to also understand the questions, progressions and interrelations that unite his oeuvre.

Palatnik’s W series developed from his Progressive Reliefs series, which he had been working on since the sixties to explore the material potential of his compositions. The process begins with the artist making a pair of non-figurative paintings on wooden plates, which are cut into long, thin, equally wide strips with laser. He then assembles them back together, intercepting strips from both paintings, as if to re-build another, yet vertically displacing the strips. These shifts give a sense of motion - the colours seem to undulate through the canvas – re-invigorating the composition with stunning optical potency. The perceived motion captures the viewer’s body, the lines seem to come closer and then to distance themselves again, continuously involving spectators and allowing for the pieces to seemingly take on new forms.

Abraham Palatnik’s works have been shown in many important exhibitions in Brazil and internationally, including a presentation at the 32a Bienal de Veneza, (1964) and at eight editions of the Bienal de São Paulo between 1951 and 1969. The exhibition at Galeria Nara Roesler | São Paulo will testify to the artist’s ability to reinvent his practice, continuously experimenting with the balance between the specificity of mechanics and the spontaneity of creativity. The show will also coincide with the twentieth anniversary of the first solo-exhibition of Abraham Palatnik at Galeria Nara Roesler.

Abraham Palatnik is an iconic figure in the optical and cinetic art movements of Brazil - a pioneer in his long-standing interest for exploring the creative possibilities embedded in crossings of art and technology. Having studied engineering, the artist became interested in investigating mechanic uses of light and movement. In 1949, he rose to prominence with the creation of his first Aparelho Cinecromático [Kinechromatic Device] effectively reinventing the idea of a painting by using different voltage bulbs moving at different speeds and directions to create caleidoscopic images. The piece was shown at the 1st Bienal de São Paulo (1951) and received an Honorable Mention from the International Jury for its’ originality.

Abraham Palatnik subsequently initiated his work with reliefs, coined Progressive reliefs, which he made out of various materials (such as wood, duplex cardboard and acrylic), manually cut and intercalated to create a sense of rhythmic undulation. Apart from the series W, which has come to incorporate the use of laser-cutting, Palatnik continues to construct and paint every piece by hand, making each work a token of his craftmanship.

Posted by Patricia Canetti at 10:57 AM

fevereiro 4, 2020

Projeto Parede recebe Vicente de Mello no MAM, São Paulo

Museu de Arte Moderna de São Paulo apresenta obra de Vicente de Mello no Projeto Parede: Intitulada Pli selon pli, obra é inspirada na peça homônima do compositor e maestro francês Pierre Boulez

O MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo exibe a instalação Pli selon pli, do artista Vicente de Mello no Projeto Parede. Caracterizada por registros que o artista fez dos postes de Varsóvia, na Polônia, a obra ocupa o espaço entre o saguão de entrada do MAM e a Sala Milú Villela.

O título da obra – que em português significa Dobra sobre dobra - foi inspirado na peça homônima do compositor e maestro francês Pierre Boulez, composta entre 1957 e 1962. Inspirado na sonoridade da peça, Mello deu vida a uma sequência fotográfica que dialoga com o movimento de notas musicais sobre uma partitura em meio a um grande móbile. Além da intervenção gráfica, a obra acompanha a reprodução sonora da peça musical na qual foi inspirada.

“Mudando o sentindo e a ordem, uma desconstrução visual com a própria música que ressoa no ambiente do MAM, criando uma insólita e errática interpretação de modulação e ritmo, como de breves flashes marcantes sobre um filme velado”, explica o curador Felipe Chaimovich.

Pli selon pli foi criada na residência artística Open Projects, em Varsóvia, em 2008 e teve sua primeira versão apresentada em 2010 no Projeto Parede do MAM. Em 2016, a instalação foi transformada em impressão lambe-lambe e apresentada na Cidade das Artes e no ano seguinte a obra de desdobrou em um painel de azulejos de 65 m², comissionado pelo Sesc 24 de Maio. “Esta proposição retorna ao Projeto Parede, em 2019, em uma apresentação distinta: agora as imagens dos postes se amalgamaram à textura da parede por uma fina película, destituindo a presença do papel, criando uma única superfície imagética”, completa o curador.

Posted by Patricia Canetti at 11:26 AM

Laura Vinci na Sala de Vidro do MAM, São Paulo

Mostra ocupa a Sala de Vidro com duas obras e evidencia a pesquisa de Vinci sobre a arte e a ecologia

O Museu de Arte Moderna de São Paulo convida o público a refletir sobre arte-ecologia com a mostra de Laura Vinci, em cartaz na Sala de Vidro. Com curadoria de Felipe Chaimovich, a exposição traz Folhas Avulsas (2018), escultura de latão banhada em ouro adquirida durante a 15ª SP-Arte por meio de doação, e Galho (2018), no qual o visitante é convidado a refletir sobre o ciclo transitório da natureza.

Felipe Chaimovich:

Até quando dura a vida? Estas obras de Laura Vinci mostram o ciclo da perda das folhas pelas árvores, em esculturas de metal. O revestimento brilhante das peças refletirá a mudança de luz, conforme a primavera for se tornando verão no parque Ibirapuera; à noite, uma iluminação artificial projeta sombras sobre a parede de fundo, criando um desenho permanente que contrasta com a variação diurna. Ao brilharem dessa maneira, as folhas parecerão sobreviver a seu desprendimento do galho, como se mantivessem em suspensão o estado de decomposição anunciado por sua queda. O uso do banho de ouro transforma esse momento efêmero da vegetação numa relíquia, como se criasse uma lembrança preciosa para as gerações futuras que enfrentarão enormes desafios perante as transformações da natureza. Assim, o MAM apresenta uma nova ocasião de refletir sobre arte-ecologia durante a visita do público ao Ibirapuera, principal parque de nossa cidade.

Posted by Patricia Canetti at 11:17 AM

Livros de artista da Biblioteca do MAM, São Paulo

Mostra reúne cerca de 60 obras da coleção da Biblioteca do Museu, com publicações de artistas como Antonio Dias, Dora Longo Bahia e Paulo Bruscky

Nas décadas de 1960 e 1970, a escrita impressa e o desenho gráfico foram ferramentas importantes para a veiculação das obras de arte. Por meio de livros, artistas passaram a apresentar trabalhos para além das paredes de museus e galerias, fazendo com que, nos últimos 50 anos, houvesse um verdadeiro florescimento dos chamados livros de artista. Foi nesse contexto que se formou a coleção da Biblioteca Paulo Mendes de Almeida do MAM São Paulo. Cerca de 60 obras desta coleção integram a mostra Livros de artista da Biblioteca do MAM, em cartaz até 16 de fevereiro na Sala Paulo Figueiredo do Museu.

A curadoria da exposição, a cargo de Felipe Chaimovich, elegeu obras produzidas de forma artesanal ou que tenham sido publicadas por editoras alternativas. Figuram livros de artistas como Almandrade, Anna Bella Geiger, Antonio Dias, Betty Leirner, Dora Longo Bahia, Julio Plaza, León Ferrari, Marcius Galan, Nuno Ramos, Paulo Bruscky, Regina Silveira e Rosângela Rennó.

Ultrapassando papéis, o uso de tintas, encadernações, carimbos e colagens tornaram-se matéria-prima para experimentações dos artistas. Cada peça poderia ser única, aproximando-se novamente do conceito habitual de obra de arte. O experimentalismo do livro de artista foi descoberto pelas bibliotecas de arte antes mesmo de os museus prestarem atenção a tal inovação. Foi assim que a Biblioteca do MAM formou a coleção de livros, agora exposta ao público.

“Reunimos aqui livros de artista que não foram produtos de editoras comerciais, enfatizando o trabalho singular de certas tiragens. O pioneirismo da Biblioteca do MAM fomentou também importantes doações, levando à constituição de uma das coleções mais relevantes de livros de artista do país”, explica o curador.

Posted by Patricia Canetti at 10:52 AM

fevereiro 3, 2020

Danielle Fonseca na Casa das Artes, Belém

A artista visual Danielle Fonseca abre exposição individual dia 5 de fevereiro, na Casa das Artes em Belém. A exposição faz parte do Prêmio de Produção e Difusão Artística 2019 da Fundação Cultural do Pará.

Inspirada no texto do dramaturgo Henrik Ibsen, a artista visual Danielle Fonseca escreveu em 2016 o texto A Dama do mar não sente ciúmes que hoje apresenta ao público através de esculturas, fotografias e uma instalação sonora, que conta com a leitura especial da cantora e atriz paulista Cida Moreira. “A voz de Cida Moreira veio como uma luva, um brinde a este texto, ela fez uma leitura brilhante, como tudo que faz. O canto mágico da sereia.” conta a artista. “Neste trabalho falo um pouco de memórias, minha relação com a água, o mar e o teatro”, complementa Danielle.

As obras apresentadas nessa exposição têm relação com a artista, mas também pretendem trazer um pouco de poesia e delicadeza ao visitante, expectador. “As duas esculturas que representam os blocos de saída do nadador na piscina contêm os números zero e dez, números onde geralmente nenhum nadador se posiciona nas competições, pois são nas bordas que se formam ondulações, e é nessas ondas-metáforas que a arte está. Nós artistas não nadamos sem ondulações” afirma a artista. Haverá uma obra homenagem ao artista John Baldesari, referência para arte contemporânea mundial.

Para escrever o texto crítico da exposição, Danielle convidou a artista visual Keyla Sobral. A revisão do texto“ A dama do mar não sente ciúmes” de Danielle contou com a escritora Ivana Arruda Leite. Danielle cercou-se de mulheres que são suas referências e completa “venho de uma família onde as mulheres são maioria e mais que isso, são as fortalezas nas quais me inspiro também”. Atualmente Danielle está expondo na exposição VaiVém no Centro Cultural Banco do Brasil; na Exposição Nazanza, na Galeria Aymoré, ambas no Rio de Janeiro e também na exposição “Triangular: arte deste século” na Casa Niemeyer em Brasília.

Danielle Fonseca vive e trabalha em Belém (1975) - Indicada ao Prêmio Pipa 2016; Exposição "VAIVÉM", Centro Cultural Banco do Brasil (SP; Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte), 2019; Exposição “Triangular: arte deste século”, Casa Niemeyer (Brasília-DF); Salão Anapolino de Artes 2019 (Anápolis-GO); Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia 2019 (Belém-PA); Arte Pará 2019 "Malhas afetivas" - Museu do Estado do Pará e Museu da Universidade Federal do Pará, 2019; Exposição “Entre Acervos. Arte Contemporáneo brasileño” no Centro Cultural Rector Ricardo Rojas (Buenos Aires, Argentina, 2018); Exposição Entre Acervos, Palácio das Artes (Belo Horizonte, MG, 2018) "Do Ponto ao Pixel", Galeria de Artes do MABEU (Belém,PA,2018); "Posseidon é cabra, abelha e o movimento dos barcos",(Casa das 11 Janelas e Galeria Kamara Kó, Belém, 2016/2017); participou do Amazonian Video Art no Centre for Contemporary Arts (Glasgow; Escócia, 2016); “Brasil: Ficciones” Espaço Tangente (Burgos,Espanha,2016); “Film and video programme SET TO GO”no Contemporary Art Centre (Vilnius, Lituânia,2015/2016); “Film and video programme SET TO GO” no SINNE (Helsinki, Finlândia, 2015); participou do MIMPI Festival de Filmes (Parque Lage-Rio de Janeiro); “Nossos passos fazem jorrar a sede” selecionado na II Mostra do Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo 2015 (São Paulo, de agosto a outubro de 2015); Exposição coletiva “Outra Natureza” na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (Portugal/2015); Exposição de Videoarte “Brasil: Ficções” no Armazém do Chá (Porto-Portugal); Exposição “Pororoca: A Amazônia no MAR” no Museu de Arte do Rio (MAR/RJ) (2014); Exposição “Triangulações” (CCBEU/PA, Pinacoteca de Alagoas/AL, MAM-BA) (2014); Exposição “Com Licença Poética” no MUFPA (2014); Exposição “Deslize” no Museu de Arte do Rio (MAR/RJ) (2013); Exposição “Amazônia Lugar da Experiência” no Museu da UFPA (2012/13); Exposição “Outra Natureza” no Espaço Cultural do Banco da Amazônia (2013); Exposição “Cromomuseu” no Museu de Artes do Rio Grande do Sul (2012); Exposição “O Triunfo do Contemporâneo" - Santander Cultural (Porto Alegre/2012); "Corpo Incógnito - Água Viva" - Galeria Amarelonegro Arte Contemporânea (RJ/2012); "Coletivo/Individual Kamara Kó" - Galeria de Artes do CCBEU (Belém/2012); “Sobre Ilhas e Pontes” – Galeria Cândido Portinari (RJ/2010); Salão Arte Pará da Fundação Rômulo Maiorana; X Salão de Pequenos Formatos da Unama (2004);Abril Pra Arte, Museu de Arte de Belém (2001); exposição Onze Reflexos de Max Martins no CCBEU (2003); Exposição Faxinal das Artes, com curadoria de Agnaldo Farias - MAC - PR. (2002). 9º Salão de Artes de Itajaí - SC.(2003). 12º Salão da Bahia – BA (2005).Galeria Henfil "Diálogos"- São Bernardo do Campo –SP (2003).Participou do projeto de intercâmbio entre artistas brasileiros e Ingleses denominado ‘Fluxo de Arte Belém Contemporâneo’. Além da exposição "8 solos s/ superfície", na Galeria Theodoro Braga(2005).Realizou a individual "O Tao Caminho", no Laboratório das Artes - Casa das Onze Janelas -PA (2005/2006). Resultado de uma Bolsa de Pesquisa e Experimentação do IAP(Instituto de Artes do Pará).Salão Pequenos Formatos UNAMA-PA (2006).Realizou o vídeo “Rumo ao Farol” (2007), resultado de uma Bolsa de Pesquisa em Artes Visuais pela Fundação Ipiranga (PA).Artista convidada para exposição “Abre- Alas” – (Galeria A Gentil Carioca) (2008) RJ. Exposição “Swimming Pool: Mergulho de olhos abertos” – Galeria Graça Landeira (PA)-(2008). Participação na exposição FOTOINCENA - FOTORIO 2009 - Espaço Oi Futuro-(RJ) 2009; Participou da exposição coletiva “Aluga-se” Galeria Laura Marsiaj (RJ); 2009- Selecionada no Salão de Artes de Jataí (GO); 2009 - Exposição “FOTOATIVA Pará – Cartografias Contemporâneas” (SESC- SP); Participa do Museu Virtual de Artes Plásticas – MUVI. Possui artigos e textos nos seguintes sites e publicações: Revista de Filosofia Lampejo (Fortaleza-CE); Portal Literal (www.portalliteral.com.br); no Livro “Amazônia Lugar da Experiência”; no Catálogo “Pororoca: A Amazônia no MAR” (Museu de Arte do Rio – MAR-RJ); Revista Surfari (http://www.surfari.me/); Revista GOTAZ (Belém-PA); Revista Zunai de Literatura.

Posted by Patricia Canetti at 4:21 PM