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dezembro 19, 2019

11ª edição do Salão dos Artistas Sem Galeria na Lona e Zipper, São Paulo

O mais tradicional salão de arte de São Paulo abre o calendário anual de exposições da cidade com mostras simultâneas nas galerias Lona e Zipper. Depois, a mostra segue para a Galeria Murilo de Castro, em Belo Horizonte (MG).

A 11ª edição do Salão dos Artistas Sem Galeria, promovido pelo impresso e portal Mapa das Artes (www.mapadasartes.com.br), realiza duas exposições simultâneas com obras dos 10 artistas selecionados. As aberturas acorrem em 16 de janeiro, das 19h às 22h, na Lona Galeria de Arte; e em 18 de janeiro, das 10h às 17h, na Zipper Galeria.

Participam da 11a edição do Salão os artistas em ordem alfabética: Adriano Escanhuela (SP), Aline Chaves (RS); Avilmar Maia (MG); Diego Castro (SP); Fernando Soares (SP); Gustavo Lourenção (SP); Myriam Glatt (RJ); Nilda Neves (BA/SP); Rafael Pajé (SP) e Rosa Hollmann (SP/RJ). Os artistas foram selecionados pelo júri formado por Jairo Goldenberg (galerista do J. B. Goldenberg Escritório de Arte); Marlise Corsato (diretora da Galeria Kogan Amaro) e Renato De Cara (curador independente).

A mostra dos artistas selecionados reúne obras em diferentes técnicas e formatos, como pinturas, esculturas, assemblages, colagens e fotografias, que são exibidas nas duas galerias simultaneamente até 20 de fevereiro de 2020. Em seguida, a mostra segue para a Galeria Murilo Castro, em Belo Horizonte (MG), entre 14 de março e 09 de abril de 2020.

O 11º Salão dos Artistas Sem Galeria recebeu 279 inscrições de 11 Estados mais Distrito Federal. São Paulo compareceu com 172 artistas, sendo 137 da capital, 28 do interior, cinco da Grande São Paulo e dois do litoral. Rio de Janeiro enviou 42 inscrições (39 da capital e três de outras cidades). Em seguida, vieram Minas Gerais (20 inscrições, 13 de Belo Horizonte e sete do interior), Paraná (13, sendo 12 de Curitiba e uma do interior), Rio Grande do Sul (oito, sendo quatro de Porto Alegre e quatro do interior), Santa Catarina (seis, sendo quatro de Florianópolis), Bahia (cinco de Salvador), Espírito Santo (quatro, mas apenas uma de Vitória), Distrito Federal (três), Goiás (três, sendo duas de Goiânia), Pernambuco (duas, uma de Recife e uma de Olinda) e Ceará (uma de Fortaleza).

O Salão dos Artistas Sem Galeria tem como objetivo avaliar, exibir, documentar e divulgar a produção de artistas plásticos que não tenham contratos verbais ou formais (representação) com qualquer galeria de arte na cidade de São Paulo. O Salão tradicionalmente abre o calendário de artes em São Paulo e é uma porta de entrada para os artistas selecionados no mundo das artes.

HISTÓRICO DO SALÃO DOS ARTISTAS

A 1ª edição do Salão dos Artistas Sem Galeria selecionou os artistas Affonso Abrahão (SP), Amanda Mei (SP), Bartolomeo Gelpi (SP), Bettina Vaz Guimarães (SP), Christina Meirelles (SP), João Maciel (MG), Luiz Martins (SP), Rodrigo Mogiz (MG), Pedro Wirz (brasileiro radicado na Suíça) e Sandra Lopes (SP). O júri de seleção foi composto pelo curador Cauê Alves e pelos galeristas Mônica Filgueiras e Daniel Roesler. As mostras aconteceram na Casa da Xiclet e na Matilha Cultural. Os premiados desta edição foram Amanda Mei, Bartolomeo Gelpi e Bettina Vaz Guimarães.

A 2ª edição do Salão selecionou os artistas Maria Luisa Editore, Anne Cartault d´Olive, Adriano Amaral, Camila Alvite e Tatewaki Nio (São Paulo/SP); Sidney Amaral (Mairiporã/SP); Roma Drumond (Rio de Janeiro/RJ); Osvaldo Carvalho (Niterói/RJ); Luiz Rodolfo Annes (Curitiba/PR); e Tatiana Cavinato (Belo Horizonte/MG). O júri de seleção foi formado por três galeristas de São Paulo: Fábio Cimino (Zipper), Juliana Freire (Emma Thomas) e Wagner Lungov (Central Galeria de Arte Contemporânea). A premiada desta edição foi Camila Alvite.

A 3ª edição do Salão selecionou os artistas Cris Faria (baiano radicado em Zurique, Suíça), Danielle Carcav (RJ), Diego de los Campos (SC), Edney Antunes (GO), Julio Meiron (SP), Maria Isabel Palmeiro (RJ), Pedro di Pietro (SP), Roberta Segura (SP), Rodrigo Sassi (SP) e Victor Lorenzetto Monteiro (ES). Os artistas foram selecionados pelos galeristas Jaqueline Martins, Henrique Miziara (Pilar) e Marcelo Secaf (Logo). O premiado desta edição foi Rodrigo Sassi.

A 4ª edição do Salão selecionou os artistas Fábio Leão (AL/SP), Layla Motta (SP), Paula Scavazzini (SP), Viviane Teixeira (RJ), Elizabeth Dorazio (MG/SP), Roberto Muller (RJ), Betelhem Makonnen (Etiópia/RJ), Fabíola Chiminazzo (PR/SP), Michelly Sugui (ES) e AoLeo (RJ). O júri de seleção foi formado pelo galerista Ricardo Trevisan (Casa Triângulo), pelo curador e professor da FAAP Fernando Oliva e pelo curador do MAM de Goiás Gilmar Camilo (GO). Três artistas empataram e foram premiados: Fábio Leão, Fabíola Chiminazzo e Layla Motta.

A 5ª edição do Salão selecionou os artistas Clara Benfatti (França/SP), Flora Rebollo (SP), Zed Nesti (RJ/SP), Guilherme Callegari (SP), Sheila Ortega (SP), Marcos Akasaki (SP), Heleno Bernardi (MG/RJ), Daniel Duda (PR), Regina Cabral de Mello (EUA/RJ) e Tchelo (SP). O júri de seleção foi formado pelos curadores João Spinelli e Paula Braga e pelo galerista Elísio Yamada (Galeria Pilar) O premiado foi Daniel Duda.

A 6ª edição do Salão selecionou os artistas Andrey Zignnatto (SP), Charly Techio (SC/PR), Cida Junqueira (SP), Evandro Soares (BA/GO), Fernanda Valadares (SP/RS), Lucas Dupin (MG), Marcos Fioravante (PR/RS), Myriam Zini (Marrocos/SP), Piti Tomé (RJ) e Thais Graciotti (ES/SP). O júri foi formado pelos curadores Adriano Casanova, Enock Sacramento e Mário Gioia. O premiado foi Andrey Zignnatto.

A 7ª edição do Salão selecionou os artistas Bruno Bernardi (GO/SP; natural de Goiânia, mas radicado em São Paulo), Daniel Antônio (MG/SP), Daniel Jablonski (RJ), Felipe Seixas (SP), Giulia Bianchi (SP), Marcelo Oliveira (RJ), Mariana Teixeira (SP), Renan Marcondes (SP), Renato Castanhari (SP) e Sergio Pinzón (Colômbia/SP). O júri foi formado pelos curadores Jacopo Crivelli Visconti, Marta Ramos-Yzquierdo e Douglas de Freitas. O premiado foi Daniel Jablonski (RJ).

A 8a edição do Salão selecionou os artistas Lula Ricardi (SP), Maura Grimaldi (SP), Jefferson Lourenço (MG), Marcelo Barros (SP), Gunga Guerra (Moçambique/RJ), Marcelo Pacheco (SP), Luciana Kater (SP), Cesare Pergola (Itália/SP), Juliano Moraes (GO) e Cristiani Papini (MG). O júri foi formado por Adriana Duarte (galerista capixaba da paulistana Casa da Xiclet), Paula Alzugaray (jornalista e editora da revista “Select”) e Rodrigo Editore (galerista e sócio da também paulistana galeria Casa Triângulo). O premiado foi o mineiro Jefferson Lourenço.

A 9ª edição do Salão selecionou os artistas Angela Od (RJ), Caio Pacela (SP/RJ), Renata Pelegrini (SP), Mercedes Lachmann (RJ), João GG (RS/SP), João Galera (PR/SP), David Almeida (DF/SP), Élcio Miazaki (SP), Sonia Dias (SP) e Yoko Nishio (RJ). O júri foi formado por Fernanda Resstom (Galeria Central), Nathalia Lavigne (curadora independente) e Renata Castro e Silva (Galeria Carbono). A artista premiada foi a carioca Angela Od.

A 10a edição do Salão selecionou os artistas Adriana Amaral (SP), Aline Moreno (SP), André Souza (BA), Carol Peso (MG), Coletivo Lâmina (Gabriela De Laurentiis e João Mascaro; SP), Edu Silva (SP), Fernanda Zgouridi (PR/SP), Iago Gouvêa (MG), Stella Margarita (Uruguai/RJ) e Xikão Xikão (MG). O júri foi formado por Andrés Inocente Martín Hernández (curador e diretor do espaço Subsolo - Laboratório de Arte, em Campinas), José Armando Pereira da Silva (jornalista, escritor, pesquisador e membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte) e Luciana Nemes (educadora, produtora e coordenadora do Museu da Energia de São Paulo). Foram premiados os artistas Stella Margarita (1º lugar), Edu Silva e André Souza, que empataram e dividiram o 2º e o 3º prêmio.

MAPA DAS ARTES

Criado em 2002 pelo jornalista Celso Fioravante, o Mapa das Artes é o guia impresso de artes visuais mais completo de São Paulo. O encarte dobrável oferece gratuitamente a cada dois meses toda a programação de museus, galerias e espaços dedicado às artes visuais, além de serviços. O site do Mapa das Artes (www.mapadasartes.com.br) é um portal que cobre todo o Brasil, com programação e serviço de museus de todos os Estados do Brasil. O site dispõe de seções diversas, como a dedicada aos salões de arte, com datas e editais; a seção Curtas, com matérias e serviço sobre acontecimentos, eventos e assuntos de interesse do público de artes visuais; além das colunas Supernova, com notas quentes; e seções dedicadas a eventos, mercado de arte, prêmios, personalidades, política cultural, arquitetura, web, patrimônio, polêmicas, críticas e notícias diversas de artes plásticas editadas nos principais veículos jornalísticos do mundo. Sua cobertura abrangente faz do Mapa das Artes uma peça fundamental para o desenvolvimento do circuito brasileiro de arte.

Posted by Patricia Canetti at 8:04 PM

dezembro 16, 2019

Recesso de final de ano 2019/2020

As seguintes galerias e instituições informam os seus períodos de fechamento neste final de ano:

Carbono Galeria: 22/12 a 05/01
Carpintaria*: 29/12 a 12/01
Casa Roberto Marinho: 24, 25 e 31/12 e 01/01
Casa Triângulo: 22/12 a 06/01
EAV Parque Lage - ver link
Fortes D’Aloia & Gabriel - galeria e galpão*: 22/12 a 12/01
Fundação Iberê Camargo: 25/12 e 01/01
Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea: 28/12 a 12/01
Galeria de Arte dotArt: 25/12 a 09/01
Galeria de Arte Mamute: 23/12 a 10/01
Galeria Jaqueline Martins: 22/12 a 06/01
Galeria Leme/AD: 21/12 a 13/01
Galeria Luisa Strina: 21/12 a 07/01
Galeria Marcelo Guarnieri, RP e SP: 21/12 a 05/01
Galeria Marilia Razuk: 21/12 a 06/01
Galeria Murilo Castro: 20/12 a 20/01
Galeria Nara Roesler: 22/12 a 05/01  
Galeria Vermelho: 21/12 a 12/01
Luciana Caravello Arte Contemporânea 21/12 a 05/01  
Lurixs Arte Contemporânea: 21/12 a 05/01
MAC Niterói: 24, 25 e 31/12 e 01/01
MASP: 24, 25 e 31/12 e 01/01
Mercedes Viegas Arte Contemporânea: 21/12 a 05/01
Museu da República RJ: 24 e 31/12 até às 14h e 25/12 e 01/01 fechado
Pinacoteca de São Paulo: 24, 25 e 31/12 e 01/01
Pivô: 16/12 a 15/01
Silvia Cintra + Box4: 22/12 a 05/01
Zipper Galeria: 22/12 a 06/01

* Carpintaria e  Fortes D’Aloia & Gabriel - galeria e galpão: a partir dessa data até o carnaval (13/01 a 21/02), estarão em horário de verão - abertos de segunda a sexta.

Posted by Patricia Canetti at 1:39 PM

dezembro 15, 2019

Gostem ou não - Artistas mulheres no acervo do MARGS, Porto Alegre

Coletiva tem curadoria das autoras do projeto de pesquisa Mulheres nos Acervos, que investiga a produção artística feminina nas coleções públicas de arte de Porto Alegre

Intitulada “Gostem ou ano”, exposição apresenta obras de artistas mulheres que consolidaram suas carreiras através de instâncias de legitimação ou autolegitimação em diferentes períodos da história da arte

Com a temática do projeto, procura-se criar um ambiente preparatório para a 12ª Bienal do Mercosul, que em 2020 ocupará todo o museu com uma edição sobre arte e feminismo

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) apresenta a exposição Gostem ou não — artistas mulheres no acervo do MARGS, que tem inauguração na quinta-feira, 19 de dezembro de 2019, às 18h, na galeria Iberê Camargo e na sala Oscar Boeira.

Com o objetivo de trazer a público uma exposição sobre artistas mulheres no acervo do MARGS, as autoras do projeto Mulheres nos Acervos — que pesquisam a produção artística feminina nas coleções públicas de arte de Porto Alegre — foram convidadas a desenvolver uma proposição curatorial-expositiva para o museu. Integram o grupo Cristina Barros, Marina Roncatto, Mel Ferrari e Nina Sanmartin, que em comum são alunas ou egressas do curso de graduação em História da Arte do Instituto de Artes da UFRGS.

Em interlocução com a Direção, as pesquisadoras organizaram uma mostra a partir de suas investigações e reflexões. Intitulada “Gostem ou não — artistas mulheres no acervo do MARGS”, a coletiva apresenta, em formato expositivo, uma investigação recente sobre a presença e a representatividade das artistas mulheres no acervo do MARGS, ao mesmo tempo integrando o contexto mais amplo do projeto de pesquisa, que tem resultado em mostras também organizadas pelas pesquisadoras nas outras instituições cujos acervos são também objeto do estudo.

O título da mostra no MARGS é baseado em uma afirmação feita pela pintora Alice Brueggemann (1917-2001) ao jornal Correio do Povo em 1964: “Se gostam ou não do que faço não me interessa”. Nesta ocasião, Brueggemann já era uma artista de trajetória consolidada, mas mesmo assim era frequentemente indagada sobre as escolhas de sua pesquisa artística.

A partir da análise feita sobre o acervo do MARGS, o grupo de pesquisadoras apresenta em sua curadoria artistas e obras, de valor artístico e histórico, que consolidaram suas carreiras através de instâncias de legitimação ou autolegitimação em diferentes períodos da história da arte.

Além do levantamento de dados efetuado pela pesquisa, “Gostem ou não” traz a público obras do acervo artístico do MARGS nunca expostas, como “Projectio I” (1984), de Regina Silveira, e “Atlas do céu azul” (2008), de Marina Camargo, e também aquisições recentes de artistas como Christina Balbão, Alice Brueggemann e Maria Lídia Magliani.

Além disso, o Núcleo Educativo e o Núcleo de Documentação e Pesquisa tornam-se grandes colaboradores no processo de pesquisa da mostra, na medida em que as discussões levantadas pelo projeto já vêm sendo trabalhadas e discutidas dentro do museu por esses setores.

Mulheres nos Acervos é uma pesquisa colaborativa proposta pelas pesquisadoras de história da arte Cristina Barros, Marina Roncatto, Mel Ferrari e Nina Sanmartin, que consiste na coleta e análise de dados sobre a presença de trabalhos artísticos de autoria feminina nas coleções públicas de arte da cidade de Porto Alegre. Em 2019, o projeto já apresentou os resultados da pesquisa e exposições na Pinacoteca Aldo Locatelli e na Pinacoteca Ruben Berta, ambas pertencentes à Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

No MARGS, a simultaneidade da exposição do projeto Mulheres no Acervo e da individual de Mariza Carpes, que tomarão todas as salas expositivas do segundo pavimento do MARGS, foi concebida propositadamente. A intenção é criar um contexto preliminar para a chegada da 12ª Bienal do Mercosul, que a seguir, entre abril e julho de 2020, ocupará todo o MARGS com uma edição voltada às relações entre arte e feminismo.

Assim, em sintonia e afinidade com a temática da próxima Bienal, o MARGS procura oferecer, por meio de sua programação artística, um ambiente preparatório para momento em que o museu prosseguirá sendo palco de debates e experiências sobre a produção de artistas mulheres.

Biografias resumidas

Cristina Barros

Graduanda do Bacharelado em História da Arte na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Estagiária do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS). Possui experiência em mediação cultural e curadoria. Desde 2018 faz parte do corpo editorial da revista acadêmica ÍCONE: Revista Brasileira de História da Arte, vinculada ao Departamento de Artes Visuais e ao Bacharelado em História da Arte da UFRGS. Na pesquisa acadêmica, dedica-se aos estudos de legitimação de práticas artísticas contemporâneas e é bolsista PROBIC/FAPERGS.

Marina Roncatto

Marina M. Roncatto é graduanda do Bacharelado em História da Arte na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Bolsista de Extensão do Setor de Acervo Artístico da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo (IA – DAV/UFRGS), onde contribuiu no processo de catalogação e produção de textos para o catálogo geral lançado em 2015. Em 2017 trabalhou como auxiliar de curadoria da exposição “Aã” na Fundação Vera Chaves Barcellos e em 2018 fez a curadoria da exposição “O Silêncio, o Tempo e a Voz” para o saguão da Reitoria da UFRGS. Neste mesmo ano atuou na performance e instalação “Capa canal” de Héctor Zamora e na instalação performática “Departamento de recursos não revelados” de Mark Dion, ambas presentes na 11º Bienal do Mercosul.

Mel Ferrari

Mélodi Ferrari é historiadora da arte, produtora cultural, pesquisadora e curadora independente. Graduada em História da Arte (2018/2) e Comunicação Social (2012/1), possui especialização em Economia da Cultura (2015/1), todas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tem pesquisa publicada sobre Políticas Culturais em Museus e agora dedica-se ao estudo da arte do Rio Grande do Sul através do projeto sobre gênero e acervos Mulheres Nos Acervos. Já atuou como mediadora em instituições culturais da cidade e trabalhou no núcleo de curadoria do MARGS. Foi curadora de exposições no MARGS, Instituto de Artes Visuais do RS, Instituto de Artes da UFRGS e Pinacotecas da Prefeitura de Porto Alegre. Coordena o projeto educativo da exposição Estratégias do Feminino no Farol Santander Porto Alegre. Integra o conselho curatorial do Linha, espaço de ateliês compartilhados. É sócia e produtora da Papelera – Feira de Artes Gráficas. É coordenadora do colegiado setorial de artes visuais do Estado do Rio Grande do Sul.

Nina Sanmartin

Nina Sanmartin Moreira Alves é graduanda do Bacharelado em História da Arte na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Bolsista de Extensão do Setor de Acervo Artístico da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo (IA – DAV/UFRGS). Em 2018, atuou como co-curadora da exposição Sinfonia da Alvorada, coletiva com artistas do acervo do MARGS e convidado (Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre). Possui experiência em produção cultural e catalogação de acervos de artes visuais.

Posted by Patricia Canetti at 2:22 PM

Opavivará! no Mac, Niterói

Coletivo de artistas comemora 15 anos com uma retrospectiva no Museu de Niterói

O Museu de Arte Contemporânea de Niterói abre no dia 22 de dezembro, domingo, às 14h, a exposição “O prazer é nosso”, que conta com obras realizadas durante os 15 anos de existência do OPAVIVARÁ!, um dos coletivos de artistas visuais baseados no Rio de Janeiro com mais tempo de existência. Quem assina a curadoria é Pablo León de la Barra e Raphael Fonseca.

O corpo é o elemento central da mostra e capaz de ativar trabalhos que lidam com os diversos sentidos.

“O MAC Niterói traz com ‘O prazer é nosso’ um pouco da produção desses 15 anos do Opavivará!. Uma exposição que provoca interação, reflexão e alegria. Uma exposição com a cara do verão.”, comenta Marcelo Velloso, diretor do museu.

No MAC Niterói serão apresentados trabalhos como: ‘Carrossel breique’ - objeto feito a partir da união de diversas cadeiras de escritório com rodinhas, fazendo com que o todo se movimente quando uma pessoa gira uma delas; ‘Cangaço’– cangas com diferentes frases entre o protesto e a poesia. O público pode se utilizar delas e sentar em diversas áreas do museu; ‘Transnômades’ – série de trabalhos exposta na Bienal de São Paulo (2016). A partir do modelo dos carros usados por trabalhadores para coletar objetos nas ruas de diferentes capitais do Brasil, o coletivo propõe uma nova utilização dos mesmos para diversas funções vitais, como dormir, comer e se divertir; entre outros. No pátio do MAC, dois dos trabalhos mais conhecidos do Opavivará! convidarão o público à interação: em ‘Chuvaverão’ (2014), como o próprio nome indica, chuveiros estarão disponíveis aos visitantes para se refrescarem nos quentes dias de verão; e ‘Remotupy’ (2016), uma canoa adaptada com rodas e motor, que levará o público em uma navegação pela grande praça de concreto do museu projetada por Niemeyer.

Na abertura da exposição, dia 22, a partir das 14h, o público será recebido com música e churrasco: ‘Brasa ilha’, trabalho de 2018 é um automóvel modelo Brasília adaptado com forno para assar comida, onde os artistas farão um churrasco para os visitantes que forem ao museu. Para completar, DJs vão embalar os visitantes ao som de suas seleções musicais durante a tarde.

Atualmente, o grupo conta com a participação de Daniel Toledo, Julio Callado – ambos desde o começo de sua trajetória –, Domingos Guimarãens e Ynaiê Dawson. Desde o seu início, o Opavivará! se caracteriza pela experimentação coletiva em espaços públicos – primeiramente com ações que envolviam a poesia e, na sequência, realização coletiva de atividades como cozinhar, andar de bicicleta ou tomar banho. Nas suas diversas composições e presenças de diferentes membros, tudo é feito conjuntamente e é defendida uma prática artística em que o grupo fala mais do que a unidade; na verdade, se torna uma nova unidade.

Em claro diálogo com tradições da coletividade artística propostas desde as vanguardas do século XX, o OPA! enfoca sua pesquisa em atos banais cotidianos e essenciais que muitas vezes envolvem a ideia de prazer: banhar-se, comer, ir à praia, pedalar ou fazer música, por exemplo. O público, portanto, é convidado a realizar esses atos e encará-los como uma atividade artística - seja junto a pessoas conhecidas ou a anônimos que estão no mesmo espaço expositivo.

“Acreditamos que essa exposição pode se configurar como uma reflexão para a história dos coletivos de arte no Brasil dos últimos e, mais do que isso, sobre a equação entre lazer, prazer e artes visuais - direção essa que a curadoria do museu tem apontado desde a exposição ‘Riposatevi’, de Lucio Costa, ou ‘Tempo aberto’, de Federico Herrero, recentemente”, explica Raphael Fonseca – um dos curadores.

Posted by Patricia Canetti at 1:22 PM

Lançamento de livro com mesa redonda na Galeria André, São Paulo

Coquetel de lançamento do livro comemorativo de 60 anos da Galeria de Arte André, com mesa redonda com as coautoras Maria Alice Milliet e Taisa Palhares e mediação do curador e coautor da publicação Mario Gioia.

17 de dezembro de 2019, terça-feira, 18h + 19h

Galeria de Arte André
Rua Estados Unidos 2.280, Jardim Paulistano, São Paulo, SP
Exposição Da Academia ao Virtual até 20 de dezembro de 2019

Galeria de Arte André lança livro comemorativo de 60 Anos

No dia 17 de dezembro, a Galeria de Arte André encerra o ano com o lançamento de um livro histórico. A publicação, em homenagem aos 60 anos da galeria, traz textos da historiadora de arte, crítica e curadora Maria Alice Milliet, da crítica de arte e professora Taisa Palhares, do crítico de arte e curador Mario Gioia, que participam de mesa redonda durante o lançamento, a partir de 19h, para discutir temas relacionados à publicação. O livro traz ainda texto da diretora da galeria, Juliana Blau.

O livro busca perfazer a trajetória da galeria, aliada a uma análise histórica do período em que aconteceu sua abertura, nos anos 1950, no centro de São Paulo. Após esse período, a galeria ainda passou pela Alameda Jaú, até firmar-se no quadrilátero entre as avenidas Rebouças, Avenida Estados Unidos e Gabriel Monteiro da Silva, e se estabelecer entre uma das mais icônicas de São Paulo, contabilizando mais de 150 exposições ao longo desse período.

O livro é composto de texto de Apresentação, de Juliana Blau; e dos textos “Galeria de Arte André: crescendo com a cidade”, de Maria Alice Milliet; “Sessenta anos de colecionismo na capital paulista”, de Taisa Palhares; “Linha do tempo”, de Mario Gioia, além dos textos históricos assinados por Jorge Amado, Carybé, Ivo Zanini, Marcus Lontra, Pietro Maria Bardi, Rubem Braga, entre outros. Também há muitas fotos, tanto de obras de arte, quando de diversos artistas ao lado do Sr. André, fundador da galeria e seu diretor até 2018, ano de sua morte.

Exposições históricas, inovações e lançamentos

A galeria fez exposições históricas que ficaram marcadas no percurso das artes visuais da cidade. Como por exemplo, a exposição de despedida de Darcy Penteado, em 1986, já sabendo de seu diagnóstico de HIV positivo, promoveu um concerto da cantora lírica Majú de Carvalho, fazendo uma performance intitulada Dama Negra, figura presente em diversas pinturas do artista.

Ainda entre as iniciativas inovadoras da galeria, em 1976, foi precursora ao realizar um primeiro catálogo para uma exposição, escrito por Pietro Maria Bardi, figura central na arte brasileira e que escreveu sobre a exposição do artista britânico Hallawell. O escritor Jorge Amado fez textos de apresentação nos catálogos de exposições individuais de artistas como Carybé e Aldemir Martins e também para Inos Corradin, em 1982, em que afirma: “A pintura de Inos Corradin é uma dádiva, feita de infância e de magia, com uma luz e uma sombra que nos envolvem e nos fazem sonhar. São telas diante das quais ficamos com vontade de nos deter, presos à beleza obtida pelo conhecimento e pela experiência da vida”.

De Carybé ainda houve uma iniciativa inovadora para a época de sua mostra individual. A galeria fez uma itinerância com suas serigrafias por 13 cidades brasileiras, para tornar a sua arte acessível para além do eixo Rio –São Paulo.

São muitos os artistas que estiveram próximos da Galeria André ao longo desses 60 anos. Carlos Scliar, Cássio Lázaro, Calabrone, Fulvio Pennacchi, Francisco Rebolo, Jorge Mori, Manabu Mabe, Sônia Menna Barreto, Sônia Ebling, Tikashi Fukushima, e inclusive Di Cavalcanti, tendo morado perto e visitado a galeria algumas vezes para oferecer seus quadros.

Em 2019, promoveu quatro exposições históricas, duas individuais e duas coletivas. Em abril, houve a coletiva Entre artes e ofícios, centros e arrabaldes, com cerca de 50 obras, dividida entre os artistas do chamado Grupo Santa Helena e Nipo-brasileiros, com curadoria de Mario Gioia. Em junho, a artista Sônia Menna Barreto, após 12 anos sem expor na cidade, abre Realidade imaginada, com 91 obras em diversos suportes, muitas inéditas, com curadoria de Octávio Guastini. A exposição Segmentos, de Cássio Lázaro, abriu em setembro, com cerca de 50 obras inéditas do escultor, com curadoria de Octávio Guastini. Para finalizar o ano, está em cartaz até 20 de dezembro a exposição André, 60 - Da Academia ao virtual, com 80 obras de 60 artistas, com curadoria de Mario Gioia.

Sobre Juliana Blau

É graduada em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), cursou Alternative Investments na London School of Economics e Art Marketing no Sotheby´s Art Institute (Nova York). Foi proprietária da Blau Projects, espaço com foco na arte contemporânea, de 2013 a 2018 e trabalha na Galeria de Arte André desde 2010, onde é diretora.

Sobre Maria Alice Milliet

É hitoriadora de arte, crítica e curadora. Doutora pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), foi diretora da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do Museu de Arte Moderna de São Paulo, e da Fundação José e Paulina Nemirovsky. Autora de inúmeros livros e ensaios, tais como Lygia Clark: obra trajeto (1992) e Tarsila, os melhores anos (2011). Curadora da Casa do Pinhal em São Carlos (SP).

Sobre Mario Gioia

É curador independente e crítico de arte graduado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Na Galeria de Arte André, fez a curadoria de duas exposições coletivas em comemoração aos 60 anos do espaço, em 2019 – André, 60 – Da Academia ao virtual (novembro), e Entre artes e ofícios, centros e arrabaldes (abril), além da curadoria da coletiva Cotitiano, em 2012. Fez parte do grupo de crítica do Centro Cultural São Paulo e do Paço das Artes. Desde 2016, realiza projetos de exposições em países como Colômbia, Peru e EUA.

Sobre Taisa Palhares

É professora de Estética no Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (IFCH-Unicamp). De 2003 a 2015, foi pesquisadora e curadora na Pinacoteca do Estado de São Paulo, sendo responsável pela organização de diversas exposições, como dos artistas Antonio Lizarraga, Paulo Monteiro, Elizabeth Jobim, Nelson Felix, Rodrigo Andrade e Mira Schendel. Também atua como crítica de arte e curadora independente.

Sobre a Galeria de Arte André

Uma das galerias de arte mais tradicionais da cidade de São Paulo, a Galeria de Arte André completa 60 anos em 2019 como a maior galeria de arte da América Latina e anuncia a fusão de suas sedes e acervos. Atualmente dirigida por Juliana Blau, a casa fundada em 1959 pelo romeno André Blau (1930-2018) ajudou a forjar o mercado de arte no Brasil e passou por diversos endereços até se consolidar na Rua Estados Unidos, entre a Avenida Rebouças e a Alameda Gabriel Monteiro da Silva.

Referência no mercado de arte brasileira, há décadas a Galeria de Arte André acolhe gerações de artistas e incentiva o surgimento de colecionadores e amantes das artes. Conhecida pelo seu acervo de esculturas e obras de artistas como Di Cavalcanti, Candido Portinari, Alfredo Volpi, Aldemir Martins, Manabu Mabe, Hector Carybé, Roberto Burle Marx, entre muitos outros, a casa oferece ao público exposições periódicas e projetos educacionais e culturais.

Posted by Patricia Canetti at 12:02 PM

Mariza Carpes no MARGS, Porto Alegre

“Digo de onde venho” celebra os 45 anos de produção da artista, concentrando-se na sua produção mais recente — desenhos, assemblages e vídeos produzidos entre 2015 e 2019 —, além de contemplar objetos e trabalhos anteriores

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) recebe a exposição Digo de onde venho, de Mariza Carpes (Santa Maria, RS, 1948), que traz a público a poética da artista visual gaúcha, concentrando-se na sua produção mais recente – desenhos, assemblages e vídeos produzidos entre 2015 e 2019 –, além de exibir objetos e guardados afetivos, bem como alguns trabalhos anteriores. Ocupando a galeria João Fahrion, e salas Angelo Guido e Pedro Weingärtner, com a reunião de cerca de 60 obras, a mostra individual tem curadoria da historiadora da arte, crítica de arte e professora do Instituto de Artes da UFRGS, Paula Ramos (ler texto). A abertura será na terça-feira, 17 de dezembro de 2019, às 18h.

A mostra segue em exposição até 15 de março de 2020. O MARGS funciona de terças a domingos, das 10h às 19h, sempre com entrada gratuita. Visitas mediadas podem ser agendadas pelo e-mail educativo@margs.rs.gov.br.

No primeiro semestre de 2020, após o término da exposição, será lançado livro homônimo, em edição bilíngue (português – inglês), contemplando obra e trajetória da artista.

Sobre a exposição

Digo de onde venho: o pessoal, o particular já na primeira palavra; o “eu” no início e no fim da sentença: digo / venho. Afirmação e movimento, com a segurança conquistada ao longo de décadas de continuada e sólida trajetória. O título da exposição assevera, portanto, a consciência e a maturidade da artista e aponta um eixo fundamental de sua pesquisa plástica: o mergulho em sua própria história, nas lembranças e nos materiais que constituem seus afetos, recolhidos e decantados ao longo de anos, alguns ao longo de décadas. Ao mesmo tempo, o feminino, representado pela figura da mãe, dos netos e dela mesma.

Memória. Assim como seu mestre e grande amigo Iberê Camargo (1914–1994) tantas vezes sublinhou em seus escritos, “a memória é a gaveta dos guardados”. É a partir dela que Mariza alinhava os fragmentos, os objetos, as texturas e as formas, construindo figuras, paisagens, narrativas visuais, metáforas, pontes para compartilhar suas vivências que também nos tocam, que também nos falam.

As cerca de 60 obras a serem apresentadas são provenientes, majoritariamente, da coleção da própria artista, além de acervos públicos, a exemplo do MARGS, do MAC RS, do Museu de Arte de Santa Maria e da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo da UFRGS.

Sobre a artista

Nascida em Santa Maria, em 1948, Mariza Carpes fez sua formação na UFSM, Universidade Federal de Santa Maria, diplomando-se em 1973, em Desenho e Plástica. Na mesma instituição foi, durante anos (1975–1987), professora das disciplinas de “Interiores e Paisagismo”. Dedicando-se ao Desenho, conquistou diversos prêmios regionais, nacionais e internacionais, em salões organizados ao longo dos anos 1970 e 1990. No final da década de 1980, transferindo-se para Porto Alegre, passou a trabalhar no Instituto de Artes da UFRGS, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1987–1997), dedicando-se integralmente ao Desenho e ajudando a formar, pelo menos, uma geração de artistas; também dirigiu, na instituição, a Galeria da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo. Em 1995, concluiu o Mestrado em Artes pela Ball State University, em Muncie, Indiana, Estados Unidos.

A memória, os afetos e a própria história da artista são terreno constante de sua obra, assinalada pelo investimento no desenho, em trânsito com a pintura, assim como pela apropriação de fotografias, desenhos, impressos, objetos e fragmentos antigos, plenos de histórias e tempos.

A obra de Mariza Carpes está representada em várias instituições e coleções públicas, com destaque para: Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) (Porto Alegre, RS), Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC RS) (Porto Alegre, RS), Museu de Arte de Santa Maria (MASM) (Santa Maria, RS), Museu de Arte do Paraná (Curitiba, PR), Pinacoteca Aldo Locatelli da Prefeitura Municipal (Porto Alegre, RS), Pinacoteca Barão de Santo Angelo do Instituto de Artes da UFRGS (Porto Alegre, RS), entre outras.

Sobre a curadora

Paula Ramos (Caxias do Sul, RS, 1974) é historiadora da arte, crítica de arte e curadora. Bacharel em Comunicação Social/Jornalismo (1996) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com Mestrado (2002) e Doutorado (2007) em Artes Visuais, ênfase em História, Teoria e Crítica de Arte, pela mesma IFES, ambos subsidiados com bolsa CNPq. Em 2005, realizou doutorado-sanduíche junto à Kassel Universität, na Alemanha, com bolsa CNPq/DAAD. No mesmo país, realiza seu Estágio Sênior (2018–2019; 2020–2021) na Hochschule Hannover, com bolsa da Fundação Alexander von Humboldt.

É Professora Associada do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da UFRGS, onde implantou o Bacharelado em História da Arte, coordenando-o nos seus cinco primeiros anos (2010–2015). Atua nos cursos de História da Arte e Artes Visuais, bem como no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGAV/UFRGS).

Assina diversas curadorias em arte moderna e contemporânea, muitas das quais agraciadas com prêmios. É autora e organizadora de várias publicações no segmento de cultura e artes visuais, com destaque para A madrugada da modernidade (1926) (Porto Alegre: UniRitter, 2006), A fotografia de Luiz Carlos Felizardo (Porto Alegre: Brasil Imagem, 2011), Walmor Corrêa – O estranho assimilado (Porto Alegre: Dux; São Paulo: Livre, 2015) e Lenir de Miranda – Pintura périplo (Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2019). Também integrou a Comissão Editorial que organizou a publicação Pinacoteca Barão de Santo Ângelo – Catálogo Geral (1910–2014), nas comemorações dos 80 anos da UFRGS (Porto Alegre: UFRGS, 2015), um trabalho de ensino, pesquisa e extensão, que envolveu dezenas de estudantes e professores do Bacharelado em História da Arte da UFRGS. Em 2016, publicou A modernidade impressa – Artistas ilustradores da Livraria do Globo – Porto Alegre (Porto Alegre: UFRGS, 2016), reunindo as pesquisas desenvolvidas no âmbito do Mestrado e do Doutorado. Contemplado pelo edital Petrobras Cultural – Memória das Artes 2012, o livro foi lançado com exposição homônima, realizada no MARGS. Como um todo, o projeto A modernidade impresa recebeu oito prêmios em âmbito regional e nacional, com destaque para o Prêmio Açorianos de Literatura 2016 – Livro do Ano, o Prêmio ABEU 2017 – Ciências Sociais e da Expressão, e o Prêmio Jabuti 2017, 1º lugar na categoria Arquitetura, Urbanismo, Artes e Fotografia.

Posted by Patricia Canetti at 10:56 AM

dezembro 14, 2019

I-D - exposição comemorativa dos 45 anos da Luisa Strina, São Paulo

No dia de seu aniversário, a Galeria Luisa Strina inaugura I-D, coletiva que conta a história do período da consolidação de identidade do espaço

Os anos 1990 são marcados, na arte brasileira, por uma operação de desconstrução e reconstrução das noções de concreto e construtivismo, notadamente por meio das obras “pop-popular” – para usar a expressão de um crítico do período – de nomes como Marepe, Alexandre da Cunha e Emmanuel Nassar. Sobre este, afirmou-se que “faz literalmente uma gambiarra do concreto para o popular ou vice-versa”. Dessa mesma matriz desconcretista e desconstrutivista, nascem também as poéticas mais minimalistas de Marcius Galan, Renata Lucas e Fernanda Gomes naquela década e nos anos 2000.

Os anos 90 também são um momento de reconciliação com o belo, com a cor sendo reabilitada por artistas que não se identificam com a geração 1980, mas que praticam uma espécie de pintura conceitual, como é o caso de Caetano de Almeida, Monica Nador e Marina Saleme. Acerca de Saleme, se escreveu: “A alusão figurativa está firmemente ancorada pelo título; é uma paisagem, e, no entanto, é já uma pintura pós-conceito, pintura da pintura, figura que examina a viabilidade da pintura agora”. Finalmente, outra marca desse período histórico na arte é a emergência de uma subjetividade conflituosa em obras mais existenciais, como as de Leonilson, Dora Longo Bahia, Edgard de Souza e Cabelo.

A exposição I-D reúne obras desses e outros artistas para contar a história da Galeria Luisa Strina dos anos 1990 até meados dos anos 2000. Os nomes elencados acima eram todos representados pela galeria, foram artistas em que Luisa apostou quando iniciavam suas trajetórias, sendo, portanto, responsável por “lançar” suas carreiras, que viriam a se consolidar nos anos 2000 e 2010. Hoje, Marepe, Alexandre da Cunha, Marcius Galan, Fernanda Gomes, Caetano de Almeida, Renata Lucas e Marina Saleme continuam no time da galeria, configurando parcerias duradouras, de 20 ou 30 anos de trabalho conjunto e cumplicidade.

I-D trata da consolidação da identidade da galeria, incluindo também obras dos artistas estrangeiros que Luisa apresentou e/ou começou a representar no período coberto pela exposição, e que seguem integrando o núcleo de artistas que definem esta identidade: Muntadas, Jorge Macchi, Carlos Garaicoa e Alfredo Jaar. Os outros nomes internacionais, sobretudo latino-americanos, que hoje são parte fundamental do programa da galeria, assim como os jovens artistas brasileiros que passaram a ser representados nos anos 2010, serão objeto da terceira exposição deste ciclo comemorativo dos 45 anos, a ser inaugurada em março de 2020.

Além da geração 1990, I-D apresenta obras dos artistas que seguem participando ativamente da vida da galeria no período, como Cildo Meireles, Antonio Dias e Artur Barrio. E traz uma pequena seleção de obras de grandes nomes da história da arte contemporânea internacional que expuseram nas décadas contempladas pelo recorte curatorial: Peter Halley, Jenny Holzer e Wim Delvoye. A história de todas essas exposições também será contada em dois painéis com documentação (convites, clippings, fotografias), como ocorreu em Chão de Giz.

Posted by Patricia Canetti at 8:41 PM

dezembro 12, 2019

Patrizia D"Angello no Museu da República, Rio de Janeiro

Exposição “Jardim do Éden” apresenta obras recentes e inéditas inspiradas nos banquetes realizados no Palácio do Catete

No dia 14 de dezembro, a Galeria do Lago, no Museu da República, inaugura a exposição “Jardim do Éden”, da artista Patrizia D’Angello, com curadoria de Isabel Portella. A exposição apresenta 25 pinturas recentes e inéditas e o conceito foi pensado a partir dos muitos banquetes realizados no Palácio do Catete, sede do Governo Federal entre 1896 e 1960 e que hoje abriga o Museu da República.

“Numa narrativa bem humorada, mas repleta de sutis paralelos, a artista se debruça sobre os grandes temas da pintura figurativa, o retrato, a paisagem e a natureza morta. Em seus trabalhos, Patrizia procura discutir os limites do real, da mímesis e as implicações no mundo contemporâneo”, afirma a curadora Isabel Portella.

Para realizar a exposição, a artista mergulhou no acervo do Museu, em documentos relacionados ao tema, como uma bela coleção de convites e menus das muitas recepções ocorridas ali, bem como fotos, vasos, pratarias, sancas e mobiliário pertencentes ao Palácio do Catete, que aparecem nas obras mesclados a seu repertório poético.

De família italiana, Patrizia D’Angello cresceu rodeada por encontros em volta da mesa, com comida farta. Para ela, “comer junto é uma maneira de se compartilhar afeto”. Desta forma, seu trabalho sempre esteve atravessado pela comida, que, em suas naturezas mortas, ganham outras camadas de sentido. Movida por um humor dionisíaco e tendo como norte a Pop Art e a Tropicália, os trabalhos de Patrizia D’Angello estão sempre reverberando questões do feminino/feminismo. Em uma operação ambivalente de afirmação e crítica, a artista desloca sentidos e, com humor, joga luz sobre a pretensa “normalidade” do patriarcado e suas práticas predatórias. “A abordagem desse espaço tão representativo do poder, do patriarcado, da ordem vigente, se dá através do campo relegado desde sempre ao domínio das mulheres, a cozinha, a mesa, a decoração, o enfeite, o bordado, o doce, o belo... Um universo, segundo essa lógica dominante, menor, secundário, fútil e frívolo, por isso mesmo entregue de bom grado às mãos que vieram pra servir”, ressalta a artista.

A grande pintura “Jardim do Éden”, que dá nome à exposição, retrata um piquenique realizado sobre uma canga com a imagem da famosa pintura do renascimento, “O nascimento da Vênus”, de Sandro Botticelli (Itália, 1445 - 1510). “Também queria falar da área externa do museu, do lindo parque e dos convescotes que ali aconteceram no passado de forma reservada e que seguem acontecendo hoje com o espaço convertido em museu, de forma pública e democrática”, explica a artista, que em suas pesquisas encontrou imagens da família de Pereira Passos (1836-1913), prefeito do então Distrito Federal entre 1902 e 1906, nos jardins do Palácio do Catete.

A imagem da Vênus de Botticelli, uma das tantas idealizações da mulher presentes na História da Arte, serve de leito para um piquenique, onde, junto ao seu peito, repousa uma faca e sobre seu corpo é servida a comida. O trabalho se chama Jardim do Éden e, a um só tempo, a artista relaciona a idealização, a objetificação, a exploração e toda uma narrativa milenar escrita por homens sobre o que foi e qual deve ser o papel da mulher.

O pensamento crítico aparece sempre de forma sutil, quando a sobreposição do título à imagem produz um ruído desconsertante. “O título dos trabalhos é parte indissociável da obra, pois é através do deslocamento de sentido engendrado nessa operação de nomear que desenvolvo a narrativa que me interessa explorar”, conta Patrizia D’Angello. Muitas vezes, os nomes das obras remetem a questões que não estão retratadas diretamente na pintura. Um exemplo disso é a obra “Canavial”, com a imagem de um açucareiro de prata. A figura bonita, que remete à riqueza, é quebrada com a lembrança do título, que imediatamente remete à exploração e à escravidão. No entanto, tudo é feito de forma leve, quase imperceptível e, a um primeiro olhar, o que se vê são belas e sedutoras imagens. “Se o feminismo, a sensualidade erótico-sensorial, o patriarcado, a exploração são questões que interessam à artista explorar, ela o faz com humor, numa crítica que expõe engrenagens perversas e desnuda atitudes machistas, sem perder a doçura”, afirma a curadora Isabel Portella.

“Retrato mulheres insurgentes e empoderadas a debochar desse mundo constituído sob valores alheios e desfavoráveis, piqueniques, mesas, comidas, doces, vasos e ornamentos onde tudo parece estar onde deveria estar exceto pelo fato de que essa afirmação resvala numa bem humorada crítica”, diz a artista.

SOBRE A ARTISTA

Patrizia D’Angello nasceu em São Paulo, mas vive e trabalha no Rio de Janeiro. Formada em Artes Cênicas pela Uni-Rio e em Moda pela Candido Mendes, a partir de 2008, cessou todas as atividades em outras áreas pra se dedicar exclusivamente à arte. Desde então, desenvolve uma poética que, através de artifícios da narrativa do cotidiano, incorpora e comenta a vida em suas grandezas e pequenesas, em seus potenciais de estranhamento e em suas banalidades, espelhando e refletindo aquilo que diz respeito à vida. Transita pela produção de objetos, performance, fotografia, video e, mais assiduamente, pela pintura. Frequentou a Escola de Artes Visuais no Parque Lage, onde cursou diversos cursos. De setembro de 2014 a Março de 2015 esteve no programa de bolsa residência-intercâmbio com a École Nationale Superieure des Beaux Arts de Paris. Foi indicada ao prêmio PIPA em 2012.

Dentre suas principais exposições individuais estão: “Lush” (2018), no Centro Cultural Municipal Sergio Porto, no Rio de Janeiro; “Assim é se lhe parece - Casa, Comida e Roupa Lavada” (2016), no Centro Cultural da Justiça Federal, no Rio de Janeiro; “Kitinete” (2016), no Ateliê da Imagem, no Rio de Janeiro; “No Embalo das Minhas Paixões”, na Galeria de Arte IBEU, no Rio de Janeiro, entre outras.

Dentre suas últimas exposições coletivas estão: “Primeiro salão de Arte Degenerada”, no Ateliê Sanitário, “Rios do Rio”, no Museu Histórico Nacional, “Passeata”, na Galeria Simone Cadinelli, “My Way”, na Casa França-Brasil, todas este ano, no Rio de Janeiro; “Futebol Meta Linguagem” (2018), no Centro de Artes Calouste Gulbenkian, no Rio de Janeiro; “Poesia do Dia a Dia” (2017), no Centro Cultural Sergio Porto, no Rio de Janeiro; “Quero que Você me Aqueça nesse Inverno” (2016), no Centro Cultural Elefente, em Brasília; “Attentif Ensemble” (2015), no Jour et Nuit Culture, em Paris; “Portage” (2014), no ENSBA, em Paris; “Como Se Não Houvesse Espera” (2014), no Centro Cultural da Justiça Federal, no Rio de Janeiro, entre outras.

SOBRE A GALERIA DO LAGO

A Galeria do Lago apresenta programas contínuos de exposições de arte contemporânea, que visam a discutir aspectos da produção da arte atual, com obras que de alguma maneira se relacionem com o Museu da República.

Posted by Patricia Canetti at 8:34 PM

Programação Encerramento 2019 na EAV Parque Lage, Rio de Janeiro

No domingo, acontece a celebração de fim de ano letivo da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. O encerramento conta com a Mostra EAV Parque Lage 2019 – apresentação dos trabalhos de mais de 500 alunos da EAV expostos por todo o palacete –, abertura das duas exposições dos programas gratuitos de formação, performances, feira gráfica, atividade infantil do parquinho lage e shows musicais.

15 de dezembro de 2019, domingo, das 11h às 22h

Escola de Artes Visuais do Parque Lage
Rua Jardim Botânico 414, Jardim Botânico, Rio de Janeiro

PROGRAMAÇÃO

11h – 20h. Mostra EAV Parque Lage 2019 – Mostra dos alunos da Escola de Artes Visuais do Parque Lage
11h – 19h. Abertura das Exposições ESTOPIM e SEGREDO e Como nos movemos, como queremos nos mover?
11h – 19h. Feira Gráfica dos Alunos da Escola de Artes Visuais do Parque Lage
11h – 18h. Livro Xaxará por Camilla Rocha Campos na Biblioteca | Centro de Documentação e Pesquisa
11h – 13h. Atividade Poesia e Corpo do Parquinho Lage no espaço da piscina com Pedro Rocha e Regina Neves

PROGRAMAÇÃO MUSICAL

19h. Bicuru – acu
19h. Lou Pipa em VernisLage participação: Nathanne Rodrigues, Pitter Rocha, Marta Supernova e Vinicius Monte
20h. Marta Supernova
21h. DJ Ursinho também conhecido como Herbert de Paz

Sobre as exposições

Como nos movemos, como queremos nos mover?
de 15 de dezembro até 8 de março
Galeria 1 e Capela da EAV Parque Lage
Gratuito | Aberto ao público

Como nos movemos, como queremos nos mover? é uma exposição coletiva proposta pela turma de 25 bolsistas do Programa de Formação Gratuito – Exercício Experimental da Liberdade e pensada como desdobramento das provocações e diálogos não só com os quatro professores presentes no programa (Camilla Rocha Campos, Fernanda Lopes, Fernando Cocchiarale e Keyna Eleison), mas pelas negociações com a própria Escola de Artes Visuais do Parque Lage e seus espaços. Fora pensada sobretudo a partir da heterogeneidade de um grupo de estudantes em suas muitas narrativas desenvolvidas ao longo de uma caminhada conjunta durante o ano de 2019.

Estopim e Segredo
de 15 de dezembro até 8 de março
uma exposição | cinco cortes
Cavalariças da EAV Parque Lage
Gratuito | Aberto ao público

Estopim e Segredo é uma exposição coletiva proposta pela turma de 25 bolsistas do Programa de "Formação e Deformação" Gratuito – Emergência e Resistência.

Sobre a atividade infantil

11h às 13h, Poesia e corpo [arte em família - especial Escola livre]
Professores: Regina Neves e Pedro Rocha
Idade: crianças a partir de 6 anos e suas famílias
Local: pátio da piscina
A programação (gratuita) é destinada a crianças acompanhadas de seus familiares, incentivando a imaginação coletiva e a participação da família nas escolas.

Reservas por email (até sexta-feira, às 16h):
Caso o participante não esteja presente 30 minutos antes do início da aula, a reserva será liberada para lista de espera.
No dia da atividade: inscrições na secretaria da EAV Parque Lage. Sujeito a lotação.

Posted by Patricia Canetti at 8:16 PM

Túlio Pinto no MARGS, Porto Alegre

Túlio Pinto apresenta exposição com esculturas, objetos e instalações de grande porte e dimensões

Produção do artista é marcada pelo uso de materiais como metal, pedra e vidro; os quais são mobilizados e articulados em mecanismos e sistemas que exploram os equilíbrios, os pesos e as tensões das formas, dos arranjos e das composições que os configuram

Para receber a exposição do artista, as Pinacotecas passarão por uma grande e impactante transformação visual: o piso das 3 galerias será totalmente revestido por uma cobertura acarpetada, com o objetivo de anular as cores e os motivos decorativos dos ladrilhos

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) apresenta a exposição Túlio Pinto — Momentum, que tem inauguração no sábado 14 de dezembro, às 16h, nas Pinacotecas, juntamente a outra individual, Bruno Borne — Ponto vernal (Salas Negras), e a nova fase da coletiva Acervo em movimento — Um experimento de curadoria compartilhada entre as equipes do MARGS (Sala Aldo Locatelli).

Às 15h, antecedendo a inauguração da mostra, haverá uma conversa com Túlio Pinto no auditório do museu, com a presença da curadora e crítica de arte Angélica de Moraes, integrando o programa público da exposição (as atividades da programação serão divulgadas durante o período expositivo).

Já durante a abertura, das 16h às 19h, o artista Diego Passos estará realizando uma performance ao vivo diante do público, colaborando com um trabalho concebido por Túlio Pinto a partir dos materiais e da linguagem de suas próprias esculturas e objetos.

O artista e sua pesquisa

Com formação pelo Instituto de Artes da UFRGS e pelo Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre, cidade onde vive e desde onde atua, Túlio Pinto (1974) foi um dos criadores e integrantes do Atelier Subterrânea (ativo entre 2006 e 2015).

Sua produção é marcada pelo uso de materiais como metal, pedra e vidro; os quais são mobilizados e articulados pelo artista em arranjos, mecanismos, composições e sistemas matérico-objetuais que lidam com pesos, forças, equilíbrios, tensões e os seus limites. São pedras, vigas de aço, lâminas e bolhas de vidro, cubos e estruturas de metal; os quais se sustentam e se acoplam por cabos, roldanas, barras, vigas, pedras pendulares e porções de areia, entre outros.

Desse procedimento, resultam esculturas, objetos e instalações que exploram as potencialidades físicas e visuais dos materiais e das formas que assumem.

A exposição

“Túlio Pinto — Momentum” traz a público um conjunto de esculturas, objetos e instalações realizadas nesta década, incluindo alguns trabalhos inéditos. A curadoria é do diretor-curador do MARGS, Francisco Dalcol, que desenvolveu com o artista uma exposição concebida para proporcionar ao público uma profunda e intensa experiência a partir de uma ampla exposição de caráter escultórico e instalativo, destacando um conjunto de obras de grande porte e dimensões.

Para receber a proposição do artista, pensada especialmente para o espaço expositivo mais amplo e nobre do museu, as Pinacotecas passarão por uma grande e impactante transformação visual: o piso das 3 galerias será totalmente revestido por uma cobertura acarpetada, com o objetivo de anular as cores e os motivos decorativos dos ladrilhos, transformando o espaço em um grande “cubo branco” que privilegiará a visualidade e a presença dos objetos escultóricos que ali estarão instalados.

Tendo nos últimos anos cruzado continentes, circulando por diversos países com exposições em instituições, museus, galerias, feiras, eventos e programas de residência — em 2019, o ponto alto foi uma mostra sua em Veneza durante a Bienal —, Túlio Pinto não apresentava uma individual em Porto Alegre desde 2013.

Nesse sentido, a mostra "Momentum" chega justamente para pontuar e celebrar o momento de adensamento da produção e de maturidade da trajetória do artista, sobretudo pelo alcance de sua atuação nos últimos anos, ao mesmo tempo marcando sua primeira exposição individual no MARGS.

Em sequência à mostra apresentada nas mesmas Pinacotecas em homenagem ao centenário de Francisco Stockinger, um artista notadamente vinculado ao ideário da arte moderna, “Túlio Pinto — Momentum” oferecerá agora uma circunstância para se pensar e experenciar os desdobramentos operados pelas pesquisas contemporâneas das linguagens escultóricas, em um campo já expandido de possibilidades, e no qual a abordagem da tridimensionalidade e da espacialidade se aprofunda pelo pensamento e práticas do artista, que exploram uma intensificada fundamentação conceitual, visual e poética.

Biografia resumida

Túlio Pinto (Brasília, 1974) é formado em Artes Visuais (2009, ênfase em escultura) pelo Instituto de Artes (IA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Foi um dos criadores e integrantes do Atelier Subterrânea (ativo entre 2006 e 2015).

Em suas esculturas, objetos e instalações, explora os equilíbrios, os pesos e as tensões dos materiais, das formas e dos sistemas que os configuram.

Iniciou sua produção e trajetória em pintura, a partir de 2004, no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre, tendo estudado a seguir no Parque Lage do Rio de Janeiro.

Recebeu diversos prêmios no Brasil e no Exterior e, nos últimos anos, realizou residências artísticas em países como Ucrânia, Canadá, Portugal, Estados Unidos, Inglaterra, Uruguai , Holanda e Espanha.

Tem apresentado exposições individuais e participado de coletivas no Brasil e no exterior. Um dos destaques mais recentes é a individual “Land Line”, em Veneza, na Itália, apresentada pela Galeria Piero Atchugarry durante a 58ª Exposição Internacional de Arte - La Biennale di Venezia.

Em Porto Alegre, sua última mostra individual havia sido “De territórios, abismos e intenções”, em 2013, no Santander Cultural, pelo Projeto RS Contemporâneo.

Seus trabalhos integram acervos de instituições e coleções particulares no Brasil e no exterior.

Vive e trabalha desde Porto Alegre.

Posted by Patricia Canetti at 6:27 PM

Bruno Borne no MARGS, Porto Alegre

Composto por duas obras que operam com vídeo, som e computação gráfica, “Ponto vernal” convida o público a uma experiência visual, espacial e sensorial

Em sua pesquisa e prática, artista trata de conceitos como o tempo e o espaço, utilizando luz, som, reflexos, espelhamentos e multiplicação de espaços e formas arquitetônicas

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) apresenta a exposição Bruno Borne — Ponto vernal, que tem inauguração no sábado 14 de dezembro, às 16h, nas Salas Negras, juntamente a outra individual, Túlio Pinto — Momentum (Pinacotecas), e a nova fase da coletiva Acervo em movimento — Um experimento de curadoria compartilhada entre as equipes do MARGS (Sala Aldo Locatelli).

“Bruno Borne — Ponto vernal” consiste em uma videoinstalação concebida especialmente para este espaço. A curadoria é do do duo Ío, formado pelos artistas e pesquisadores Laura Cattani e Munir Klamt, este também integrante do Comitê de Curadoria do MARGS.

O artista e sua pesquisa

Graduado em Artes Visuais e Arquitetura e Urbanismo, e atualmente doutorando em Poéticas Visuais (PPGAV-UFRGS), Bruno Borne (1979) produz obras relacionando o ambiente de exposição, a arquitetura, a obra e o espectador através de projeções e imagens em computação gráfica.

Em sua pesquisa, trata de conceitos como o tempo e o espaço, utilizando luz, som, reflexos, espelhamentos e multiplicação de espaços e formas arquitetônicas.

Assim, procura discutir questões relativas ao espaço e à virtualidade, utilizando meios tecnológicos e digitais para propor a criação de ambientes virtuais através da articulação entre arquitetura, registro fotográfico e as especificidades do local. Como técnica, desenvolve imagens por meio de simulações de computação gráfica apresentadas em videoinstalações ou impressões digitais. Utiliza como suporte espelhos, objetos escultóricos em marcenaria, acrílicos e tecidos.

Videoinstalação nas Salas Negras

Para as Salas Negras, o artista concebeu um projeto especialmente para as características e especificidades deste espaço, composto por duas obras que operam com vídeo, som e computação gráfica. Assim, o ambiente expositivo será ocupado por uma videoinstalação que lida com luz, imagens e sons, convidando o público a uma experiência visual, espacial e sensorial.

Tomado como título da exposição e como fundamentação conceitual dos trabalhos, "Ponto vernal" se relaciona ao período da exposição, que se dará entre o solstício e o equinócio. Em astronomia, o ponto vernal é o ponto da esfera celeste determinado pela posição do sol quando este, movendo-se pela eclíptica, cruza o equador celeste, determinando o equinócio de primavera para o hemisfério norte e o de outono para o hemisfério sul.

Desse modo, entre dezembro e março, o artista executará alterações no trabalho, que resultarão em novas e distintas experiências visuais, espaciais e sensoriais.

Um dos trabalhos, “Perihelion #1”, parte da ideia do movimento de transição entre o solstício e o equinócio terrestre. Um feixe de luz em forma de elipse se expande e se contrai em ciclos de 1 minuto marcados pelo soar de um sino. Ao longo dos 90 dias de exposição (período de transição entre o solstício e equinócio), essa forma luminosa projetada irá se transformar de uma elipse para um círculo. Para sua realização, foi desenvolvido um sistema de computação gráfica que transforma uma imagem captada em tempo real do céu. Esta luz é processada e projetada dentro do ambiente de exposição em um espelho metálico convexo que reflete e ilumina a sala negra, alternando momentos de escuridão e claridade.

O outro trabalho, “Aurora #2”, consiste em uma linha de metal espelhado, colocada na altura média do observador (165 cm) sobre a parede de projeção. O vídeo tem 2 minutos de duração e é composto de uma animação digital em que uma forma cilíndrica gira lentamente sobre esta linha metálica horizontal, registrando uma porção de céu limpo de nuvens e objetos captando as variações de cor e luminosidade desde o nascer do sol (a aurora) até o poente por meio de um registro em time-lapse processado digitalmente. Durante este ciclo, o som do ambiente apresenta ruídos naturais como o vento, movimentos de folhas e árvores e o cantar de pássaros.

Posted by Patricia Canetti at 6:08 PM

Acervo em Movimento no MARGS, Porto Alegre

“Acervo em movimento” entra em nova fase trazendo obras de artistas acadêmicos e modernos

Nova fase da exposição traz obras de Pedro Alexandrino, Henry Geoffroy, Lucien Simon, Pedro Weingärtner, LibindoFerrás, Alfredo Volpi, Tarsila do Amaral, Bustamante Sá e Vasco Prado


O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) apresenta a mais nova fase da exposição “Acervo em movimento — Um experimento de curadoria compartilhada entre as equipes do MARGS”, que tem inauguração no sábado 14 de dezembro, às 16h, na Sala Aldo Locatelli, juntamente às individuais Túlio Pinto — Momentum (Pinacotcas) e Bruno Borne — Ponto vernal (Salas Negras).

As exposições seguem em exibição até 22 de março de 2020, quando os espaços expositivos do MARGS darão lugar aos preparativos para a 12ª Bienal do Mercosul, cuja abertura está prevista para o mês de abril.

O MARGS funciona de terças a domingos, das 10h às 19h, sempre com entrada gratuita. Visitas mediadas podem ser agendadas pelo e-mail educativo@margs.rs.gov.br.

A exposição

Projeto de caráter permanente da atual gestão, "Acervo em movimento — um experimento de curadoria compartilhada entre as equipes do MARGS" é uma exposição viva e dinâmica, uma vez que opera com um modelo de rotatividade de obras da coleção do MARGS, com substituições que se alternam marcando distintos períodos expositivos.

A estreia se deu em março deste ano, nas Pinacotecas do museu, marcando a chegada da nova gestão do museu. A exposição se desenvolve como um experimento de curadoria compartilhada entre as equipes do museu (Núcleos de Curadoria, Acervo, Educativo, Documentação e Pesquisa, Restauro e Conservação), que conjuntamente e em revezamento exercitam uma mesma estratégia de organização de uma mostra dedicada ao acervo. Assim, coloca-se em operação um modelo de exposição recombinante, em que obras entram e saem durante o período expositivo.

À primeira seleção, proposta em março pelo diretor-curador, seguiram-se nos meses seguintes alterações no conjunto em intervalos quase mensais, sendo uma resposta à outra, cada qual implementada por uma equipe do MARGS.

Em agosto, a exposição entrou em sua segunda fase, passando a ocupar a Sala Aldo Locatelli. Desde então, foram realizadas duas "viradas" com entradas e saídas de obras do acervo do museu.

Agora, a mostra passará por uma substituição total, a cargo do Núcleo de Acervo (Daniela S. Tyburski, Eneida Michel da Silva e Raul César Holtz Silva) do museu, que foi designado para ser responsável pelas escolhas e decisões curatoriais quanto às obras que entram na exposição e a disposição que assumirão no espaço expositivo.

A equipe do Núcleo de Acervo privilegiou obras acadêmicas e modernas, cumprindo assim o objetivo da direção artística de contrabalançar a maior presença que a arte contemporânea terá com as demais exposições em exibição no mesmo período.

A nova seleção de obras apresenta a produção de artistas cujo estilo se caracteriza pelo academicismo, ocorrido em fins do séc. 19 e início do séc. 20, e pelo modernismo, que se caracteriza por romper com os padrões acadêmicos, traçando um novo ponto de vista estético e conceitual ao longo do século 20. Representando os acadêmicos, serão apresentadas obras de Pedro Alexandrino (1884-1942), Henry Geoffroy (1853-1924), Lucien Simon (1861-1945), Pedro Weingärtner (1853-1929) e LibindoFerrás (1877-1951), dentre outros. Já entre os modernos haverá obras de Alfredo Volpi (1896-1988), Tarsila do Amaral (1886-1973), Bustamante Sá (1907-1988) e Vasco Prado (1914-1998), dentre outros.

Ao lançar mão da estratégia de substituições dos trabalhos de arte enquanto metodologia crítica, "Acervo em movimento" busca oferecer uma exposição que aposta na experiência mais do que nos discursos, e na descoberta mais do que nas verdades.

O projeto integra uma política institucional de exibição dedicado a explorar estratégias de abordagem do acervo do museu por meio de exercícios curatoriais voltados à experimentação de modelos expositivos. Leia a declaração do diretor-curador Francisco Dalcol.

Posted by Patricia Canetti at 6:00 PM

Iran do Espírito Santo no Oi Futuro, Rio de Janeiro

O Centro Cultural Oi Futuro inaugura Reflexivos, a primeira exposição individual em um espaço institucional no Rio de Janeiro do paulista Iran do Espírito Santo, no dia 14 de dezembro de 2019, sábado, às 15h.

Com curadoria de Alberto Saraiva e Flavia Corpas, a mostra é um recorte do últimos 20 anos da produção do artista. Além de desenhos inéditos, datados de 2019, há uma pintura site specific, feita sobre a parede de 69 metros quadrados, que dialoga com a arquitetura da sala.

Iran do Espírito Santo é conhecido por esculturas de itens do cotidiano, abstraídos em formas geométricas simplificadas. Seus objetos sóbrios revisam princípios de ortodoxos do minimalismo. O artista cria um jogo sutil entre percepção e realidade, forma idealizada e objetos e materiais cotidianos.

Reflexivos tem abrangência de temas, de ideias e dos materiais preferenciais do Iran: esculturas sempre sólidas de pequenos formatos, em pedra, cristal e aço inoxidável, a representação pelo uso de material e a reinterpretação com alteração do material, mas ainda como extrações do real.

Para o curador Alberto Saraiva, “Iran ultrapassa o limite dos objetos cotidianos recriando sua carnalidade, cuja aparência revela antes a matéria que a forma, para se consolidar como uma tipologia nova de ser e de estar”.

Na primeira sala, está a obra mais antiga da mostra, Castiçal e vela [1998], como peça única, em aço inoxidável, a qual Iran avalia como uma “quebra de ilusão”: o castiçal contamina a vela. E mais, Buraco da fechadura, escultura de parede, em aço inoxidável polido, de 1999, impenetrável, mas que incorpora a cena da galeria; Tigela [2015], de cristal sem concavidade; Lâmpada vermelha [2009], de cristal transparente, colocada perpendicular à parede; Caixa de fósforos [2018] em aço inoxidável, em dimensões reais, a representação é de uma caixa entreaberta – a escultura é executada em um bloco único de aço, sem partes ; Porca e rosca [2016], de 70 cm de altura, são duas partes roscáveis apresentadas como peça única em aço inoxidável; Cúpula negra [2015], em granito preto polido, que o torna reflexivo, representado na forma e nas medidas uma cúpula de relógio.

Ainda neste primeiro espaço, colocados lado a lado sobre uma prateleira, estão catorze Globos [2011|2012] de mármore branco, sólidos, esculpidos a partir da coleção que o artista tem há anos e que evidencia a passagem do tempo pelo estilo.

Na segunda galeria, reina sobre a parede a pintura que ocupa de ponta a ponta os 19 x 3,60 m, com 56 tons de cinza, resultantes da mistura de preto e branco, combinando rígida matemática e empiricismo. A gradação das linhas verticais é suave porém nítida, como registro de cada tom, visível ao visitante. Elas partem do claro para o escuro, reproduzindo o que seria a sombra das três colunas da arquitetura da sala.

Iran começou o desafio com três tons, em um trabalho no Museu de Arte Moderna de San Francisco em 1997, onde pintou 110 m2 de parede com retângulos perfeitos, em um padrão de tijolos, em alusão à fachada do prédio. Dez anos depois, na Bienal de Veneza de 2007, chegou a pouco mais de 30 tons em um desenho sem referência à uma parede. A possibilidade de nuances é infinita, teoricamente. Na prática, pode não ser viável.

Na terceira galeria, estão os desenhos inéditos, de 2019, e o Espelho dobrado [2011], peça de chão e parede, feito de vidro espelhado, totalmente reflexivo, que incorpora o ambiente.

Os desenhos inéditos verticais, de 152 x 104 cm, são elipses feitas uma a uma, formando volumes cilíndricos descorporificados. São volumes que estão na base da corporificação dos objetos, o que há de mais próximo de uma representação mental.

O artista comenta que “um dos aspectos do meu trabalho é o que lida com a luz, o reflexo, com a participação do espectador: ele se vê no trabalho e faz o processo mental da reflexão.”

“O título Reflexivos busca abordar a ambiguidade que tal palavra pode encontrar na obra de Iran: uma dimensão de espelhamento – facultada pelos materiais usados, e que apontaria para o que é igual a si mesmo, mas que, paradoxalmente, ao colocar o espectador na cena, já o desloca – que é atravessada por uma outra, a da reflexão – que para se dar precisa operar a partir de uma abertura à diferença, posta em curso pela opção de trabalhar com as formas de objetos ordinários, escolha que os retira de seus contextos habituais, dando-lhes novos e diferentes lugares. Nesta tensão, promovida por espelhos que não refletem mais o mesmo, já vemos localizadas, justamente, as problemáticas correlatas da representação e da relação entre sujeito e objeto nas artes visuais”, avalia Flavia Corpas, psicanalista e curadora independente de artes visuais. Professora do curso Arte e Psicanálise no MAM SP.

No térreo, o público será recebido pelo vídeo da instalação Playground, que Iran apresentou em Manhattan, na face leste do Central Park, por cinco meses, entre 2013 e 2014. Este trabalho foi comissionado por Nicholas Baume, curador do Public Art Fund da cidade de Nova York. É um cubo de cimento de quatro metros de lado, com alguns segmentos ausentes nas quinas da peça. O que parece argamassa, unindo os blocos, é, sim, um desenho perfeito sobre as placas de concreto, imitando esses elementos.

Reflexivos, em cartaz até 1 de março de 2020, vem acompanhada de um catálogo-livro que fará parte da coleção Arte e Tecnologia do Oi Futuro, a ser lançado no decorrer da mostra.

Iran do Espírito Santo nasceu em Mococa (SP) em 1963. Vive e trabalha na capital paulista. Entre suas exposições individuais em museus fora do Brasil, destacam-se Playground, Public Art Fund, Nova York (EUA, 2013); IMMA, Dublin (Irlanda, 2006); MAXXI, Roma (Itália, 2006); Museo de Arte Carrillo Gil, Cidade do México (México, 2004). Ele participou da Bienal do Mercosul (2009 e 2005), Bienal de São Paulo (2008 e 1987), Bienal de Veneza (2007 e 1999), Bienal de Montreal (2007) e Bienal de Istambul (2000). Iran integra o elenco da Fortes D’Aloia&Gabriel e da Carpintaria no Brasil, da Sean Kelly Gallery de Nova York e da Ingleby Gallery de Edimburgo, Escócia.

Seu trabalho está em diversas coleções institucionais como a do MoMA (Nova York), SFMOMA (San Francisco), Cifo (Miami), MACBA (Barcelona), TBA21 (Viena), The Israel Museum (Jerusalém), Inhotim (Brumadinho), MAM SP, MAM Rio, Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAC-USP, entre outras.

Posted by Patricia Canetti at 5:12 PM

Leonor Antunes no Masp, São Paulo

Exposição encerra ciclo Histórias das mulheres, histórias feministas e dialoga com outras artistas, como a arquiteta Lina Bo Bardi

Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, e Amanda Carneiro, curadora assistente do museu, a exposição leonor antunes: vazios, intervalos e juntas abre no dia 13 de dezembro, sexta-feira, no MASP e no dia 14, sábado, na Casa de Vidro. A mostra, que ocorrerá simultaneamente em dois edifícios icônicos da arquiteta Lina Bo Bardi, apresenta trabalhos inéditos, feitos especialmente para os espaços.

Leonor Antunes: vazios, intervalos e juntas acontece simultaneamente à exibição dos trabalhos das artistas Gego e Anna Bella Geiger no MASP, que encerram o eixo temático Histórias das mulheres, histórias feministas, programa que se dedicou a artistas mulheres ao longo de 2019 e teve exposições de Djanira da Motta e Silva, Tarsila do Amaral, Lina Bo Bardi e outros nomes.

Nascida em Lisboa, em 1972, Leonor Antunes mora desde 2005 em Berlim, na Alemanha. Considerada uma das mais importantes artistas portuguesas da atualidade, ela representou seu país na Bienal de Veneza de 2019 com a exposição a seam, a surface, a hinge or a knot. Definidas pela própria artista como “esculturas criadas no espaço”, suas obras estabelecem relações entre a escultura, a arquitetura, o design, a luz, e o corpo — que pode ser o do espectador que trafega pela galeria ou do ambiente que a artista ocupa. Antunes dedica atenção especial aos materiais que emprega, frequentemente naturais ou orgânicos, bem como à ação do tempo e o uso sobre eles, sublinhando traços e tramas, técnicas e texturas.

Uma das características mais marcantes de sua prática é o interesse por produções de algumas artistas, arquitetas e designers do século 20, sobre as quais ela investiga e nas quais se inspira. Ela constrói assim um verdadeiro arquivo de referências, composto sobretudo por pioneiras mulheres modernistas que muitas vezes foram deixadas de lado nas grandes narrativas da história da arte, e que surgem como personagens de sua obra: Anni Albers, Charlotte Perriand, Clara Porset, Egle Trincanato, Eileen Grey, Eva Hesse, Franca Helg, Gego, Lina Bo Bardi, Lygia Clark e Ruth Asawa, entre outras.

O título da exposição é uma alusão aos espaços criados por Lina Bo Bardi —no caso, MASP e Casa de Vidro— e à atenção da arquiteta para os “vazios, intervalos e juntas” presentes nessas arquiteturas. Verticalidade e transparência também aparecem como fios condutores da mostra. Em villa neufer, por exemplo, uma escultura é feita a partir de uma escada de Albini. Já Caipiras, capiau, pau a pique remete a elementos usados na famosa mostra de mesmo nome organizada por Bo Bardi no Sesc Pompeia em 1980.

No piso da galeria do MASP, um trabalho toma emprestada a composição geométrica de uma pintura de Lygia Clark (Superfície modulada, 1952), ampliada numa escala arquitetônica que permite uma participação ativa do espectador sobre a obra, antecipando um caminho que Clark trilharia na década seguinte, com a participação do espectador em seus famosos Bichos. Já a grelha de madeira no teto, inspirada em um detalhe da casa de Clara Porset na Cidade do México, ocupa dois nichos de concreto da galeria, mesclando dois personagens: Porset e Bo Bardi. O jogo de transparências é articulado através da rede que cobre a galeria, bem como o vidro que divide o exterior do interior do edifício.

Catálogo

A publicação, que terá versões em português e inglês, é organizada pelos curadores Adriano Pedrosa e Amanda Carneiro. Ela será lançada em janeiro de 2020 e inclui textos de Carneiro, Clara Kim, Grant Watson, Caoimhin Mae Giolla Léith, María Inés Rodríguez, Briony Fer, além de uma entrevista com artista feita por Adriano Pedrosa.

Posted by Patricia Canetti at 2:48 PM

Gego - Gertrud Goldschmidt no Masp, São Paulo

Mostra é coorganizada com o Museo Jumex (Cidade do México), o Museu d’Art Contemporani (Barcelona) e o Tate Modern (Londres)

A partir de sexta-feira, 13 de dezembro, Gertrud Goldschmidt (1912-1994), mais conhecida como Gego, recebe sua primeira exposição individual no Brasil no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand. Batizada de Gego: a linha emancipada, a mostra fica em cartaz até o dia 1º de março de 2020.

A exposição é coorganizada pelo MASP com o Museo Jumex, da Cidade do México, o Museu d'Art Contemporani de Barcelona (MACBA), e o Tate Modern, de Londres. Organizada por Pablo León de la Barra com Tanya Barson e Julieta González, terá sua estreia em São Paulo e depois seguirá para Cidade do México (30 de abril a 20 de agosto de 2020), Barcelona (29 de abril a 28 de agosto de 2021) e Londres (29 de setembro a 9 de janeiro de 2022). A Fundación Gego, de Caracas, auxiliou na pesquisa curatorial, assim como na entrega de materiais de arquivo para o catálogo e a exposição, além de emprestar as principais obras exibidas.

Gego: a linha emancipada acontece simultaneamente à exibição dos trabalhos das artistas Leonor Antunes e Anna Bella Geiger no MASP, que encerram o eixo temático Histórias das mulheres, histórias feministas.

Gertrud Goldschmidt nasceu em Hamburgo, Alemanha, em 1912 (Gego, seu nome artístico, é a junção das primeiras sílabas de seu nome e sobrenome). Ela estudou arquitetura e engenharia na Technische Hochschule Stuttgart (hoje Universität Stuttgart). Diante do crescimento do antissemitismo, migrou para a Venezuela, onde passou a trabalhar com designers e arquitetos.

Foi apenas no início dos anos 1950 que Gego começou a carreira como artista, primeiro com aquarelas, monotipos e xilogravuras e depois com estruturas de metal tridimensionais. Ao lado de Carlos Cruz-Diez, Alejandro Otero e Jesús Rafael Soto, tornou-se um dos principais nomes da abstração geométrica e da arte cinética.

Durante sua trajetória, a artista se preocupou em investigar três formas de sistemas: linhas paralelas, nós lineares e o efeito parallax – no qual o formato de um objeto estático muda de acordo com a posição do observador. Gego explorou a relação entre linha, espaço e volume em uma série de esculturas tridimensionais feitas a partir de fios.

A exposição apresenta uma pesquisa cronológica e temática do trabalho da artista do início da década de 1950 até 1990, e inclui aproximadamente 150 obras entre esculturas, desenhos, gravuras e tecidos. A mostra traça ainda a evolução da abordagem distinta de Gego em relação à abstração e destaca sua prática no desenho e na gravura em diálogo com as séries tridimensionais, incluindo as esculturas vibracionais e cinéticas dos anos 1950 e 1960 como, por exemplo, Chorros (1970-71), Reticuláreas cuadradas (1970-73), Columnas (1971), Columnas (Reticuláreas cuadradas) (1972), Troncos (1974-77), Dibujos sin papel (1976-88), Esferas (1976-77), e Bichitos / Bichos (1987-91).

Para Pablo León de la Barra: “O trabalho interdisciplinar de Gego desconstrói não apenas a divisão entre imaginário e racional – visto que seu conhecimento em construção civil é combinado com sua prática artística – mas também seu papel social como uma mulher em um ambiente majoritariamente masculino, tanto na engenharia quanto na arte. Os dilemas que Gego enfrentou na vida, se pensarmos que a artista chegou na América Latina como uma refugiada judia, ainda são dilemas de muitas mulheres, tanto no campo profissional quanto pessoal”.

Catálogo

A publicação, organizada por Adriano Pedrosa e Pablo León de la Barra, inclui textos dos curadores e também artigos inéditos de Mari Carmen Ramírez, Geaninne Gutiérrez-Guimarães, Monica Ámor, Luis Pérez-Oramas, Vered Engelhard e Sean Nesselrode Moncada.

Posted by Patricia Canetti at 1:48 PM

UERJ apresenta Esquele70 no Paço Imperial, Rio de Janeiro

UERJ inicia as comemorações de 70 anos com inauguração da exposição Esquele70 no Paço Imperial

Ao comemorar 70 anos entranhando sua idade ao seu momento originário, a UERJ envia uma mensagem para o futuro, ao mesmo tempo em que guarda com coragem o seu passado, nos dizem os curadores da exposição Esquele70, Marcelo Campos, Analu Cunha e Maurício Barros de Castro.

Esquele70 é um presente da UERJ para a sociedade fluminense no início das comemorações de seus 70 anos que se completam em 2020. Referência no ensino público, pesquisa e extensão, a Universidade amplia cada vez mais sua relação com a sociedade a partir de conhecimentos artísticos, científicos e culturais.

A mostra foi concebida a partir das pesquisas do professor Luís Reznik e equipe, que levantaram extenso material sobre a história da Universidade desde sua criação, onde antes havia a Favela do Esqueleto, chegando aos dias atuais, revelando como a UERJ amplia seu trabalho desde o Campus Maracanã em conexão ao seu entorno, assim como a produção dos demais campi. Parte da pesquisa histórica levantada pela equipe de Reznik será apresentada em telas interativas localizadas em três núcleos temáticos: 1) Núcleo histórico; 2) Campi e entornos; 3) Movimentos docentes e discentes / Produção científica e Políticas públicas.

O histórico encontra o artístico em Esquele70, desenhando uma exposição de arte contemporânea, em que artistas de reconhecimento internacional, como Carlos Vergara e Helio Oiticica, se juntam a trabalhos de alunas e alunos da graduação e da Pós-Graduação da UERJ, como Andréa Hygino, Elian Almeida, Matheusa Passarelli, além professores, como Cristina Salgado e Ricardo Basbaum, e técnicos, como Rafa Éis e Marcelo Oliveira. Há, com isso, uma costura afetiva e metafórica, tratando de distintas poéticas em torno da Universidade.

Entre as obras da exposição, frases e títulos, contidos em pinturas, fotografias, esculturas e vídeos, pontuam temas urgentes, locais esquecidos, palavras de ordem e aquelas, necessárias, cujos sentidos não se entregam de imediato em uma história construída pelas vozes que resistem numa instituição marcada pelo pioneirismo, como nas ações de reservas de vagas, e, constantemente ameaçada como lugar de produção do conhecimento, da ciência, cultura e arte.

A UERJ é a Universidade que se constrói e reconstrói a cada dia para servir ao Estado do Rio de Janeiro, sendo a arte parte crucial nessa construção.

Assim, no dia 12 de dezembro, às 18h30, abriremos as portas do Paço Imperial para que o público conheça a história da UERJ e confira a arte e a cultura incrustadas nessa história. Participe! Faça parte dessa história!

Posted by Patricia Canetti at 12:06 PM

Pablo Accinelli no Lasar Segall, São Paulo

O Museu Lasar Segall tem o prazer de anunciar a abertura da exposição Intervenções – Pablo Accinelli. A inauguração vai acontecer no dia 14 de dezembro (sábado), às 15h.

Parte do programa de exposições temporárias da casa, o "Intervenções" tem como objetivo apresentar artistas contemporâneos nas áreas de convívio do Museu Lasar Segall, propiciando uma reflexão sobre as relações entre espaço arquitetônico, espaço público e artes visuais a partir do referencial dos acervos do museu, sua história e sua arquitetura, além da vida e obra de Lasar Segall. Em 9 anos de existência, o projeto já contemplou artistas como Lygia Reinach, Regina Silveira, José Manuel Ballester, Mônica Nador, Edith Derdyk, Marilá Dardot, Marcelo Moscheta, Ana Maria Tavares, Macaparana, Gabriela Albergária e Maurício Ianês.

Para o Intervenções XII, que ficará em cartaz até março de 2020, Pablo Accinelli apresentará Núcleo, um conjunto de obras que ocuparão diversos espaços do Museu Lasar Segall – corredores, ateliê de gravura, biblioteca e jardins. A proposta é que o visitante, por meio de um roteiro de obras, seja convidado a explorar e habitar o museu. Como descreve o artista: “Sob a proposta de intervir no museu, pensei a exposição como um guia para atravessá-lo e habitá-lo. Entre vários títulos, escolhi Núcleo. Dizer núcleo é como dizer célula, algo que tudo o que vive tem”.

Integram a intervenção de Accinelli a peça 10 cm (2018), que cai do teto e mede diferentes alturas com cadeados, chaves e clipes; o vídeo Duración interna (2015); e diversos objetos espalhados em prateleiras, paredes, salas e vãos internos do museu, datados em sua maioria de 2019. Estes últimos misturam momentos de espera, observação e uso prático e guardam, segundo o artista, referência aos registros feitos em 1959 por Lygia Pape nos quais vemos formas de seu Livro da criação interagindo com a vida pública.

Pablo Accinelli (Buenos Aires, 1983)

Exposições recentes: “Inminencia das poéticas” (Bienal de Sao Paulo, 2012); “When Attitudes Became Form Become Attitudes” (CCA Wattis, São Francisco, 2013); “No importa mi nombre” (Universidad Torcuato Di Tella, Buenos Aires, 2013); “Fleeting Imaginaries” (CIFO, Miami, 2014); “United States of Latin America” (Museum of Contemporary Art Detroit, 2015); “Future Light – Escaping Transparency” (Bienal de Viena, MAK, 2015); “Extension du domaine du jeu” (Nouveau festival, Centre Pompidou, Paris, 2015); “Técnicas Pasivas” (Gregor Podnar Gallery, Berlin, 2016); “Glory hole” (Jaqueline Martins Gallery, 2016); “Por aqui tudo é novo” (Instituto Inhotim, Minas Gerais, 2016); “Cae la tarde” (Luisa Strina Gallery, Sao Paulo, 2016); “Lontano” (The Goma Gallery, Madrid, 2017), "Unanime noite" (Museu Iberé Camargo, Porto Alegre, 2018), "Nubes de paso" (MALBA, Buenos Aires, 2018), "Duraciones" (Bruno Murias Gallery, 2018) e "There´ll never be a door. You´re inside" (Fundación Santander, Madrid, 2019).

Posted by Patricia Canetti at 11:22 AM

dezembro 8, 2019

MASP anuncia ciclos curatoriais dos próximos seis anos

Desde 2016, o MASP, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateuabriand, desenvolve seus programas a partir de diferentes Histórias: Histórias da infância em 2016, Histórias da sexualidade em 2017, Histórias afro-atlânticas em 2018 e Histórias das mulheres, histórias feministas em 2019 - esta última inteiramente dedicada a artistas mulheres.

Histórias em português (bem parecido com o histoires do francês e o historias do espanhol) pode abranger narrativas ficcionais e não ficcionais, factuais ou míticas, micro e macro, podem ser escritas ou orais e ter caráter político, econômico, cultural ou pessoal. O calendário anual dedicado às diferentes Histórias orienta toda a programação de exposições, publicações, oficinas, exibições de filmes ou vídeos, cursos e palestras. Seminários internacionais também são realizados na preparação para esses programas em anos anteriores.

Os próximos anos serão dedicados às seguintes Histórias: Histórias da dança em 2020, Histórias indígenas em 2021, Histórias do Brasil em 2022, Histórias da ecologia em 2023, Histórias da diversidade em 2024 e Histórias da loucura e do delírio em 2025.

“Como museu localizado no Sul Global e possuidor do que é considerada a mais importante coleção de arte europeia no hemisfério sul, o MASP se encontra numa posição privilegiada para questionar a primazia do cânone, desafiando cronologias, tipologias e hierarquias na história da arte tradicional. A principal ferramenta que temos desenvolvido nesse sentido são as nossas exposições dedicadas às diferentes Histórias ao longo dos anos”, disse Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP.

Posted by Patricia Canetti at 2:45 PM

O MASP dedicará o tema de 2020 às histórias da dança

Eixo curatorial vai pautar toda a programação do museu no ano que vem, dos eventos de mediação e programas públicos, como oficinas e palestras, às exposições monográficas de Hélio Oiticica, Trisha Brown, Senga Nengudi, Mathilde Rosier, Edgar Degas e Beatriz Milhazes e uma coletiva internacional

Todos os anos, o MASP organiza a sua programação em torno de "histórias", noção que abarca histórias reais, fictícias, relatos pessoais e históricos —de maneira aberta e plural. Entre os eixos e exposições passadas, estão Histórias da infância (2016), Histórias da sexualidade (2017), Histórias afro-atlânticas (2018) e Histórias das mulheres, histórias feministas (2019). Em 2020, o museu terá como ciclo temático Histórias da dança, que servirá de base às atividades de mediação e programas públicos, como palestras, cursos e oficinas, e às monográficas de Hélio Oiticica, Trisha Brown, Senga Nengudi, Mathilde Rosier, Edgar Degas e Beatriz Milhazes, além de uma coletiva internacional homônima ao eixo curatorial.

O ciclo Histórias da dança se insere no debate atual sobre a presença de corpos em movimento em instituições de arte. A discussão deu forma aos seminários preparatórios para o eixo, realizados pelo MASP neste ano e no ano passado. Um terceiro será realizado em fevereiro de 2020, com curadores, artistas e acadêmicos. O ciclo temático, como o debate que o alimenta, evidencia as estreitas relações, cruzamentos e diálogos entre artes visuais e dança.

A representação do corpo em movimento, suas posturas, ritmos e pulsações, tem sido de grande interesse para artistas plásticos ao longo da história. São muitos os momentos em que dançarinos e artistas colaboraram estreitamente, como no caso dos experimentos feitos na Judson Church, em Nova York, onde se formou um coletivo de dançarinos, compositores e artistas visuais, de 1962 a 64. Com Histórias da dança, o MASP propõe a sua contribuição à reflexão sobre as possíveis trocas e influências entre os dois campos.

A exposição coletiva que levará o título do eixo curatorial foi concebida a partir de questões de base dentro desse diálogo. “O projeto busca, a partir das artes visuais, propor uma reflexão sobre o que é dança e quais corpos dançam. Que corpos são esses e o que os move?”, diz Olivia Ardui, curadora assistente e uma das responsáveis pela curadoria da mostra, ao lado de Adriano Pedrosa, diretor artístico do museu, e de Julia Bryan-Wilson, curadora-adjunta de arte de moderna e contemporânea. A exposição trará pistas para pensar as diferentes implicações do que é dançar: dançar para ser, dançar para lembrar, dançar para resistir e (r-)existir.

OS DESTAQUES DE 2020

Já em março, o MASP abre as monográficas de Hélio Oiticica, artista que trabalhou o movimento em obras como seus famosos Parangolés, que estarão presentes à mostra, e da coreógrafa e bailarina estadunidense Trisha Brown. Em maio, será a vez da a artista visual afro-americana Sega Nengudi, conhecida por esculturas abstratas que combinam objetos encontrados e performances coreografadas. A exposição coletiva Histórias da dança tem início no mês seguinte, ocupando todo o subsolo do museu. Os franceses Mathilde Rosier e Edgar Degas, em agosto e outubro, e a brasileira Beatriz Milhazes, em dezembro, completam a programação de mostras individuais.

Em paralelo às monográficas, o museu exibe, em sua exposição de longa duração Acervo em transformação, cerca de vinte obras do Museo Jumex entre os cavaletes de cristal de Lina Bo Bardi. A parceria faz parte do programa de intercâmbios que o MASP tem realizado com instituições internacionais desde 2018, quando recebeu obras da Tate. Em 2019, o museu exibe até dezembro dezoito trabalhos do Museum of Contemporary Art Chicago.

PROGRAMAÇÃO MASP 2020

HÉLIO OITICICA: A DANÇA NA MINHA EXPERIÊNCIA
20.3 - 7.6.2020 no MASP
4.7 - 4.10.2020 no MAM Rio
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, e Tomás Toledo, curador chefe do MASP

O trabalho pioneiro de Hélio Oiticica destaca-se por seu caráter radical e experimental. Inicialmente, suas obras dialogavam com as experiências concretistas da época e o artista participou do Grupo Frente, em 1955-56, e do Grupo Neoconcreto, em 1959. Em 1957, iniciou a série de guaches sobre papel denominada Metaesquemas. Segundo Oiticica, esses trabalhos geométricos são importantes por já apresentarem o conflito entre o espaço pictórico e o espaço extra-pictórico, muitos deles com composições marcadamente rítmicas e dinâmicas, prenunciando a posterior superação do suporte do quadro e da abertura de sua obra para o contexto da rua e do cotidiano, apontando para uma relação entre arte e vida.

Em 1964, Oiticica passou a frequentar a Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira, no Rio de Janeiro, e ali se tornou passista. Essa experiência transformadora foi um divisor de águas na vida e na obra do artista. A partir da Mangueira, Oiticica aprofundou suas reflexões sobre experiências estéticas para além das artes visuais, bem como das artes plásticas tradicionais, incorporando relações corporais e sensíveis ao seu trabalho através da dança e do ritmo. Neste momento, Oiticica começa a produzir os Parangolés, que, segundo o artista, são anti-obras de arte. Os Parangolés são capas, faixas e bandeiras construídas com tecidos coloridos, às vezes com sentenças de natureza política ou poética, para serem usados, transportados ou dançados pelo espectador que se torna participante, suporte e também intérprete do trabalho.

Hélio Oiticica: a dança na minha experiência, organizada pelo MASP e pelo MAM Rio, apresentará uma ampla seleção de Parangolés, incluindo cópias de exposições que podem ser usadas pelo público. Além disso, outros trabalhos serão reunidos sob a perspectiva da dança e do ritmo, apresentando uma trajetória que culminará no Parangolé, compondo uma espécie de genealogia deste trabalho radical: Metaesquemas, Relevos espaciais, Núcleos e Bólides. A exposição também contará com extenso material documental, incluindo fotografias e escritos do artista.

A mostra contará com um catálogo ilustrado, editado pelos curadores, com ensaios inéditos de Adrian Anagnost, Cristina Ricupero, Evan Moffitt, Fernanda Lopes, Fernando Cocchiarale, Sergio Delgado Moya, Tania Rivera e Vivian Crockett, incluindo material de arquivo e textos do artista.

TRISHA BROWN: COREOGRAFAR A VIDA
20.3 - 7.6.2020
Curadoria: André Mesquita, curador do MASP

Primeira exposição brasileira dedicada integralmente à obra de Trisha Brown (1936-2017), a mostra vai apresentar desenhos, diagramas, fotografias, filmes e vídeos que evidenciam os aspectos transformadores de sua obra. Organizada a partir de recortes específicos de algumas coreografias que incorporam movimentos cumulativos e gestos cotidianos, desenhos e notações que enfatizam os modos como Brown mudou radicalmente os protocolos estabelecidos da dança, a exposição pretende abordar as relações complexas entre dança, espaço e visualidade.

JUMEX NO MASP
1.4 - 30.12.2020
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, Laura Cosendey, assistente curatorial do MASP

No terceiro ano de intercâmbio com instituições estrangeiras, o MASP recebe cerca de 20 obras do Museo Jumex, da Cidade do México. As obras, de artistas como Andy Warhol, Jeff Koons, Laura Owens e Rosemarie Trockel, serão exibidas no Acervo em transformação, exposição da coleção do museu nos cavaletes de vidro de Lina Bo Bardi, no segundo andar do museu. Estão ali nomes como Rafael, Gauguin, Renoir, Van Gogh, Toulouse-Lautrec, Bosch, Teresinha Soares, Claudio Tozzi, Anna Maria Maiolino, Anita Malfatti e Sonia Gomes. A seleção das obras, que podem ser localizadas por mapas impressos, passa por alterações periódicas, que permitem identificar características comuns aos trabalhos e propiciam diálogos entre os diversos artistas, assim como propor novos percursos para o visitante redescobrir a arte.

SENGA NENGUDI
1.5 - 2.8.2020
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, Isabella Rjeille, curadora assistente, do MASP, Stephanie Weber, curadora do Lenbachhaus, e Anna Straetmans, curadora assistente do Lenbachhaus

A primeira monográfica da artista estadunidense Senga Nengudi (Chicago, 1943) na América Latina vai reunir cerca de 50 trabalhos, entre instalação, escultura, fotografia e desenhos, feitos entre os anos 1970 e 2010. Nengudi foi uma figura central na cena afro-americana de Los Angeles nos anos 1970 e se tornou conhecida por envolver escultura e performance em suas instalações. Nas décadas de 1960 e 1970, além de se dedicar às artes visuais e à dança, a artista se engajou nas lutas contra a segregação racial e pela igualdade de gênero, numa época de efervescência dos movimentos por direitos civis nos EUA. A mostra é resultado da parceria com o Lenbachhaus Museum, em Munique, que co-organiza a exposição e a promove, em sua sede, ainda em 2019. A exposição contará com um catálogo que documenta de maneira aprofundada a obra da artista e que incluirá ensaios comissionados de autores dos Estados Unidos, Alemanha e Brasil, assim como re-impressões de textos históricos, entrevistas e imagens.

HISTÓRIAS DA DANÇA
26.6 - 4.10.2020 – primeiro subsolo
26.6 - 5.11.2020 – segundo subsolo
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, Julia Bryan-Wilson, curadora-adjunta de arte moderna e contemporânea, e Olivia Ardui, curadora assistente

Mais do que propor uma narrativa cronológica sobre a história da dança, ou um percurso exaustivo sobre as relações entre dança e artes visuais, a coletiva Histórias da dança propõe uma reflexão sobre políticas de corpos em movimento. Essa perspectiva expandida permite questionar o que é dança e coreografia, quais corpos dançam, o que os move, e como eles se movem.

Estruturada em torno de um pensamento e vocabulário próprios da dança -- os eixos de pesquisa da mostra incluem gravidade e suspensão, rastos e memória, composição e improviso --, a mostra contará com trabalhos de diferentes períodos, geografias e suportes.

Em uma proposta inédita no MASP, a seção da exposição situada no segundo subsolo terá uma extensa programação de apresentações, ensaios e workshops de dançarinos, coreógrafos, artistas e intérpretes. O projeto procura colocar corpos ativos no centro da mostra e questionar criticamente as possibilidades, diálogos e rupturas que podem surgir da apresentação de corpos em movimento dentro do museu.

MATHILDE ROSIER
21.8 - 5.11.2020
Curadoria: Maria Inés Rodríguez, curadora adjunta de arte moderna e contemporânea

Mathilde Rosier (Paris, França, 1973) constrói, através de sua obra, narrativas que evocam a presença de corpos dançantes e de situações oníricas e metafísicas, e que levam o espectador a confrontar a perda de sentido do espaço e do tempo. Para a exposição no MASP, ela investiga os bailes coletivos em sociedades rurais de épocas e áreas geográficas diversas. A artista tem interesse nos ritos e rituais em que os participantes utilizam a dança para perder a noção de si mesmos, em busca de momentos de transe e da leveza do ser.

DEGAS: DANÇA, POLÍTICA E SOCIEDADE
30.10.20 - 16.2.21
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, e Fernando Oliva, curador do MASP

A mostra vai reunir no MASP cerca de 150 obras de Edgar Degas (Paris, 1834-1917), explorando a relação de seu trabalho com o universo da dança e chamando atenção para o fato de que quase metade das suas duas mil obras, incluindo óleos, pastéis, desenhos, gravuras e esculturas, constituem explicitamente um registro com relação às realidades sociais da dança em sua época, e consequentemente à presença do feminino e ao papel da mulher nesse contexto. Nesse sentido, a mostra se distancia de abordagens estritamente formais ou estilísticas. A seleção de obras parte do acervo do próprio museu, que conta com 76 obras do artista, incluindo 3 pinturas e o conjunto de 73 esculturas em bronze, do qual faz parte a célebre série de bailarinas (38 esculturas), incluindo a icônica Bailarina de catorze anos (1880). Apenas outros três museus no mundo possuem essa coleção (Glyptotek Ny Carlsberg de Copenhague; Metropolitan de Nova York; e Musée d’Orsay, Paris). Todos esses trabalhos farão parte da mostra.

BEATRIZ MILHAZES: AVENIDA PAULISTA
11.12.2020 - 23.3.2021 no MASP
12.12.2020 – 28.2.2021 no Itaú Cultural
Datas a confirmar na Casa de Vidro
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, Amanda Carneiro, curadora assistente do MASP, e Ivo Mesquita, curador independente

Beatriz Milhazes (Rio de Janeiro, 1960) é uma artista brasileira reconhecida por sua singular produção de um complexo repertório de imagens, formas e cores associadas ao barroco, ao modernismo e a motivos populares brasileiros, como o Carnaval, e também à fauna e à flora tropicais. Sua exposição no MASP – realizada no contexto de um ano inteiro dedicado às “Histórias da dança” – vai apresentar uma ampla seleção de pinturas e colagens produzidas a partir da década de 1990, além de trabalhos inéditos realizados em parceria com a coreógrafa Marcia Milhazes. Realizada em parceria com o Itaú Cultural e com o Instituto Bardi, a mostra contará com três locais de exibição – no MASP, na Casa de Vidro e no Itaú Cultural, onde será curada por Ivo Mesquita. Como as demais, essa exposição será acompanhada por um amplo catálogo com reproduções dos trabalhos expostos e ensaios sobre a produção da artista.

Posted by Patricia Canetti at 2:38 PM

Almandrade no Museu da República, Brasília

Esta exposição antológica, Pensar o jogo, reúne 45 anos de produção, com quase uma centena de obras criteriosamente selecionadas. Entre a geometria e o conceito, entre a forma e a palavra, entre o rigor espacial e a poesia. Assim caminha a obra de Almandrade, expoente baiano da arte conceitual e, hoje, um dos grandes nomes das artes visuais brasileiras, com produção respeitada nos principais circuitos de arte do país e reconhecida internacionalmente.

Seu trabalho, iniciado em meio ao vigor criativo que marcou o movimento artístico na década de 1970, tem um traço muito particular: representa a própria universalidade da arte, alternando-se entre a estética construtivista e a arte conceitual e experimental. Na Bahia, foi solitário no seu engajamento à arte concreta e conceitual. Ainda assim, teve o mérito reconhecido pelos próprios expoentes do movimento no Rio de Janeiro e São Paulo – Décio Pignatari, Wlademir Dias Pino, Lygia Pape e Helio Oiticica, por exemplo – e conquistou o respeito crítico. Teve mais de 40 exposições individuais, já participou de várias edições da Bienal de São Paulo e tem obras em importantes coleções particulares e de museus como Museu de Arte Moderna da Bahia, Museu Nacional de Belas Artes (RJ), Pinacoteca Municipal de São Paulo, Museu de Arte do Rio de Janeiro, Museu de Arte do Rio Grande do Sul e Museu Nacional da República (DF).

Como artista inquieto e experimentalista, muitos de seus desenhos, pinturas ou esculturas, resultam como novidades na medida em que acabam sendo desdobramentos de projetos idealizados no campo da arte conceitual, em busca de novas concepções e reflexões ao longo do tempo. Sua estratégia é o uso do objeto da arte para estimular o pensamento e provocar a reflexão a partir de critérios fundamentados na racionalidade, na materialidade e, não por acaso, na economia de elementos visuais, sem deixar que conceitos sobreponham ao fazer artístico. Procedimento que sempre se diferenciou da arte produzida na Bahia.

Arquiteto de formação, mestre em Desenho Urbano, Almandrade identifica um momento internacional de reconhecimento e valorização da produção desenvolvida em dois eixos a arte conceitual e a vertente construtiva.

Tudo o que produziu, e ainda produz, em arte postal, poema visual e objeto / poema parece estar sendo visto com outros olhares. Na diversidade de seus suportes, existe a marca forte de uma produção que se reinventa flertando com o contemporâneo, com o pensamento e com a estética universal.

Curadoria e expografia: Karla Osorio Netto e Almandrade.

Agradecimentos: Charles Cosac, Galeria Baró, Galeria Karla Osorio, Gravuras do Brasil e Roberto Alban.

Posted by Patricia Canetti at 1:13 PM

Projeção de Curupira, bicho do mato, de Félix Blume na Vermelho, São Paulo

A Vermelho (R. Minas Gerais 350, Higienópolis, São Paulo) apresenta na próxima terça-feira, dia 10 de dezembro, às 20h15, ‘Curupira, bicho do mato’ do artista sonoro francês Félix Blume.

A obra de Blume é focada na escuta e nos convida a viver experiências sonoras que permitem uma percepção diferente do ambiente. Ele usa o som como material básico em seus vídeos, ações e instalações. Seu processo é frequentemente colaborativo, trabalhando junto a comunidades e usando o espaço público para a elaboração de seus trabalhos. Um de seus principais interesses são os mitos e suas interpretações contemporâneas.

Em Curupira, bicho do mato, os habitantes da Comunidade Tauari nos convidam a ouvir os sons da selva, dos pássaros e dos animais. No entanto, alguns sons estranhos aparecem: uma criatura rondando em torno das árvores. Alguns deles a ouviram, muito poucos a viram, e aqueles que a encontraram nunca voltaram. A criatura encanta, seduz - ela leva as pessoas a se perderem: cada habitante conta uma história à sua maneira e tenta decifrar os sons a sua volta.

Curupira, bicho do mato ... nos leva à procura desse ser: uma reflexão sobre os mitos e seu lugar no mundo contemporâneo. É um thriller de som no meio da selva.

O filme foi exibido em festivais como Berlinale (De, 2019) e Festival Internacional de Cine de Medellín (Co, 2019) e chega agora a São Paulo para apresentação única e gratuita na Sala Antonio da Vermelho.

Um filme de: Félix Blume
Correção de cor: Samanta Do Amaral
Assessoria de montagem: Julien Devaux
Versão francesa: Marie-Christine Cabanas
Versão espanhola: Ana Cecilia Medina
Versão inglesa: Julie Morse
Estúdio de mixagem de som: Arte Sonico
Pôster original: Diego Aguirre
Com a preciosa ajuda de: Sara Lana

Com: Alexia Samara Celestino Gomes, Antonio José Parente Nogueira, Antonio Francisco Sevalho Celestino, David Lucas Da Silva Fabricio, Diogo Da Silva Gomes, Edinaldo Barbosa Gomes, Edirce Cauper Firmo, Emerson Navarro Firmo, Francisco De Jesus Silva Dias, Janilson Da Cruz Carvalho, José Leocadio Lira, Josue Silva Firmo, Maida Leocadio Lira, Maria De Fatima Servalho Celestino, Maria Ana Vitor, Maria Celane Barbosa Carvalho, Maria Da Conceiçao Ventura Navarro, Maria Eduarda Celestino Gomes, Marineide Leocadio Da Silva, Paulo Roberto Leocadio Lira, Raimundo Ventura Navarro, Vitor Ventura Da Silva and Wellington Navarro Firmo

Posted by Patricia Canetti at 1:06 PM

Antonio Bandeira no MAM, São Paulo

Pioneiro do abstracionismo no Brasil, o pintor ganha exposição que abrange diversos períodos de sua produção, com curadoria de Regina Teixeira de Barros e Giancarlo Hannud

Um conjunto de cerca de 60 trabalhos pouco conhecidos do artista Antonio Bandeira (1922--1967) poderá ser visto no MAM São Paulo a partir de 10 de dezembro de 2019. Com curadoria de Regina Teixeira de Barros e Giancarlo Hannud, a exposição Antonio Bandeira reúne obras de diferentes fases da produção do artista, desde as primeiras pinturas figurativas até as grandes telas de tramas, criadas nos últimos anos de sua carreira.

A mostra conta com patrocínio máster do Bradesco, patrocínio da Havaianas e apoio do Instituto Antonio Bandeira. A realização é do MAM e da Base7 Projetos Culturais.

Expoente do abstracionismo no Brasil, Bandeira ocupa lugar de destaque na arte brasileira. Nascido em Fortaleza, em 1922, transferiu-se em 1945 para o Rio de Janeiro. Aos 24 anos, viajou para Paris com bolsa de estudos concedida pelo governo francês e por lá se aproximou de artistas como Camille Bryen e Georges Mathieu, além do alemão Wols, que exerceu forte influência sobre seu trabalho.

Ainda que, em sua trajetória de feitos artísticos nacionais e internacionais, tenha se tornado um dos artistas brasileiros mais valorizados em termos comerciais, Bandeira ainda é pouco conhecido pelo grande público. Para Giancarlo Hannud, um dos curadores da exposição, isso se deve à independência cultivada pelo pintor, que sempre foi exigente, metódico e extremamente disciplinado, mas nunca se filiou a nenhum grupo.

“Na arte brasileira, Bandeira ocupa um lugar bastante particular, pois ao contrário da maior parte dos artistas de sua geração, especialmente nas décadas de 1950 e 1960, ele nunca se filiou a grupos ou movimentos artísticos, sempre se mantendo independente de coletividades estéticas. É por isso um dos poucos ‘independentes’ de seu tempo no Brasil, sempre travando um trabalho de depuração formal interno. Também foi um dos primeiros artistas brasileiros a cultivar sua própria imagem de forma bastante ativa, desenvolvendo uma persona e alimentando as narrativas que se construíam em torno de sua pessoa. Além disso, integrou tanto o ambiente artístico brasileiro quanto internacional, participando de mostras no Brasil e no exterior em igual parte, e tendo interlocutores tanto na Europa quanto no Brasil", comenta Hannud.

A apresentação da exposição em uma instituição como o MAM São Paulo ganha ainda mais relevância em função disso, uma vez que permite ao público conhecer o trabalho -- e a discussão em torno da obra -- de Bandeira. Por trás do abstracionismo, o pintor sugere emoções concretas guiadas por títulos que se relacionam com uma paisagem urbana e cenas do cotidiano, a exemplo de Flora agreste (1958), Ascensão das favelas em azul (1951) e Cais noturno (1962-63). A mostra também apresenta a multiplicidade das produções de Bandeira, das aquarelas e guaches da década de 1940 aos trabalhos mais experimentais, realizados na década de 1960, com fitas adesivas ou sobre flãs de jornal.

A exposição chega a São Paulo após ser apresentada, em 2017, no Espaço Cultural Unifor, na Universidade de Fortaleza, trazendo pequenas diferenciações em relação à sua primeira versão. "Os curadores foram convidados pelo MAM devido à ampla pesquisa que já haviam desenvolvido sobre o artista e que resultara na mostra Antonio Bandeira: um abstracionista amigo da vida. Assim, será possível apresentar ao público do MAM uma visão atual sobre a obra desse artista de forma didática e abrangente em relação ao conjunto de sua produção", explica Felipe Chaimovich, curador do museu.

Bandeira e o MAM

A relação de Antonio Bandeira com o Museu de Arte Moderna de São Paulo começa nos primeiros anos de existência do museu: já em 1951, quando o MAM organizava a sua primeira Bienal, Bandeira ganhava uma exposição individual no museu; em 1953 novamente expôs no MAM e foi o autor do cartaz da II Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Em 1955, novamente participa do calendário do museu com mais uma individual composta por desenhos enviados da Europa ao Brasil e, em 1959, Bandeira novamente participa da Bienal do museu -- antes de ser criada a Fundação Bienal de São Paulo, a partir da sétima edição do evento.

Sobre o Bradesco Cultura

Com centenas de projetos patrocinados anualmente, o Bradesco acredita que a cultura é um agente transformador da sociedade. O Banco apoia iniciativas que contribuem para a sustentabilidade de manifestações culturais que acontecem de norte a sul do país, reforçando o seu compromisso com a democratização da arte. São eventos regionais, feiras, exposições, centros culturais, orquestras, musicais e muitos outros, além do Teatro Bradesco em São Paulo. Fazem parte do calendário 2019 atrações como o Festival Amazonas de Ópera, o musical O Fantasma da Ópera e o Natal do Bradesco, em Curitiba.

Posted by Patricia Canetti at 12:39 PM

Bob Wolfenson no Tomie Ohtake, São Paulo

Em parceria com o Facebook, o Instituto Tomie Ohtake exibe a exposição Somos, com uma série de fotos assinada por Bob Wolfenson, fotógrafo convidado a desenvolver no Brasil a campanha global “Somos Mais Juntos”. Entre as oito obras reunidas, duas são inéditas, concebidas especialmente para a exposição. Em grandes formatos numa escala que remete ao outdoor e aos estímulos visuais de uma cidade, o conjunto reunido em um espaço expositivo permite que as obras sejam contempladas fora do ritmo acelerado do dia-a-dia das pessoas. Além disso, a potência das fotos de Wolfenson é acompanhada de vídeos inéditos que aprofundam as diferentes narrativas condensadas em sua lente.

A missão do Facebook é ajudar as pessoas a criar comunidades e a campanha “Somos Mais Juntos” celebra histórias reais de pessoas que se unem a partir de interesses e experiências em Grupos na plataforma. O gerente de Marketing do Facebook, Bernnardo Bonnard, acompanhou as fotografias e detalha "Todas as pessoas nas fotos são membro de Grupos e alguns não se conheciam pessoalmente, embora conversem e se apoiem com frequência pelo Facebook. Essas imagens são muito fortes pois celebram a força da união seja para debater paternidade, beleza ou carinho por animais de estimação". Como grande parte do trabalho de Wolfenson, a dimensão ficcional que perpassa os trabalhos corrobora a nossa compreensão dos elementos que os agrupam. Há no todo uma espécie de mitologia que perpassa esses personagens e nos remetem às locações cuidadosamente escolhidas para os cliques. Da caracterização da cena à criteriosa elaboração do figurino, as imagens aludem a um contexto muito mais calcado no imagético que temos desses grupos do que em uma veracidade do registro fotojornalístico e seus ditames do real.

Esta proposta do Facebook dialoga com outro trabalho de Wolfenson, “Nosoutros”, realizado entre 2012 e 2017. O fotógrafo lançou-se a um percurso por vários países e populações na ambição de criar painéis representativos de identidades humanas diversas. As fotografias capturadas explicitam a diversidade dessas culturas, etnias e procedências e nos coloca na condição de completar a narrativa sobre o cotidiano e costumes desses indivíduos. Mais que um panorama sobre como promover grupos no mundo digital, esta exposição é um depoimento e uma apologia ao encontro. Afinal, nada mais potente do que a possibilidade de articulação do ser em sua pluralidade. Somos é uma aposta na casualidade e na potência de se ver parte de algo muito maior.

Posted by Patricia Canetti at 12:23 PM

Laura Vinci e Marcius Galan em Múltiplos Inhotim na Carbono, São Paulo

O Instituto Inhotim apresenta o projeto Múltiplos Inhotim, criado para fomentar o colecionismo e incentivar a produção artística. Além de estarem a venda na loja de Inhotim (em frente à Recepção do Instituto, em Brumadinho), a Carbono Galeria apoia o projeto disponibilizando a venda dos múltiplos em São Paulo.

A primeira edição conta com obras de Laura Vinci e Marcius Galan, artistas convidados pela curadoria do Instituto a desenvolver edições inéditas, especialmente para o projeto. As obras são numeradas e acompanhadas por um certificado de autenticidade assinado pelos artistas.

O lançamento em São Paulo acontecerá no dia 12 de dezembro, das 19h às 21h, na Carbono Galeria (Rua Joaquim Antunes 59, Jardim Paulistano, Sao Paulo). Contará com a presença dos artistas, o curador Douglas de Freitas e Renata Bittencourt, Diretora Executiva do Instituto.

“A primeira vez que o X vermelho surgiu em meus trabalhos foi como uma projeção luminosa para a peça Na Selva das Cidades, desenvolvida com Alessandra Domingues, a designer de luz daquela montagem. Depois disso, o X vermelho tem feito parte de vários trabalhos meus. Para o Inhotim, produzi especialmente uma versão em litogravura no tamanho A3 com o X impregnado de um vermelho sanguíneo no papel 100% algodão. Quando me perguntam o que significa esse X, respondo me devolvendo a pergunta: um aviso? Um risco? Uma mira? Um sinal preciso? Uma marca de urgência?...”
Laura Vinci

“Eu sugeri aos funcionários do Jardim Botânico Inhotim que encontrassem boas forquilhas, de galhos caídos ou de podas que estavam previstas nas árvores. A ação resgata, de alguma maneira, uma lembrança muito comum nas crianças das cidades do interior, que iam para o mato encontrar material para fazer estilingue. Um objeto ambíguo entre a arma e o brinquedo. As peças recebem uma fita metálica rígida que adquire uma visualidade elástica pela relação que estabelece com o objeto de madeira. Além disso, a forquilha é usada como objeto estruturante para edificações provisórias, como objeto de demarcação em algumas culturas indígenas e para encontrar água segundo os adeptos da radiestesia – funcionando como ferramenta sensível na mediação entre o corpo e o campo eletromagnético da água subterrânea. Em sua forma, a forquilha sugere novamente a ambiguidade das possibilidades de direção em um caminho bifurcado.”
Marcius Galan

Posted by Patricia Canetti at 12:06 PM

Man Ray em Paris no CCBB, Belo Horizonte

Expoente do surrealismo, Man Ray ganha exposição inédita no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte

Fotógrafo, pintor, escultor, cineasta... são vários os atributos de Man Ray, um dos maiores artistas visuais do início do século XX e expoente do movimento surrealista. E é parte de sua história criativa - um recorte significativo de seu trabalho - que os belorizontinos poderão conhecer a partir de dezembro na exposição “Man Ray em Paris” apresentada pelo Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte. Quase 130 anos após seu nascimento o público brasileiro poderá conferir 255 obras do artista ainda inéditas no país, entre objetos, vídeos, fotografias e serigrafias de tamanhos variados – de 40 x 30 a 130 x 90 cm – desenvolvidas durante os anos que viveu em Paris, entre 1921 e 1940, seu período de maior efervescência criativa. A mostra chega a Belo Horizonte depois de passar pela unidade do CCBB em São Paulo, e ficará em cartaz entre 11 de dezembro de 2019 e 17 de fevereiro de 2020. A realização é da Artepadilla e o projeto conta com patrocínio do Banco do Brasil e do Ministério da Cidadania.

Com curadoria de Emmanuelle de l’Ecotais, especialista no trabalho do artista e responsável por seu Catálogo Raisoneé, a mostra que poderá ser vista no CCBB BH será dividida em duas categorias. A primeira trata da fotografia como um instrumento de reprodução da realidade, focando-se em seus famosos retratos - seu ateliê era uma referência entre a vanguarda intelectual que circulava pela Paris da década de 1920 - nos ensaios para a grife de Paul Poiret e em fotos para reportagens. Já na segunda, outro lado se revela: o da manipulação da fotografia em laboratório com o intuito de criar superposições, solarizações e “rayografias”, um termo criado por Man Ray (do inglês “rayographs”), em alusão a si mesmo. Assim, portanto, ele inventa a fotografia surrealista.

O projeto da exposição prevê, ainda, reproduzir imagens da vida parisiense de Man Ray acompanhado pelos artistas que lhe foram contemporâneos e por sua musa, Kiki de Montparnasse. Além de uma programação de filmes assinados por ele, intervenções como um laboratório fotográfico, com elucidações sobre as técnicas utilizadas em sua obra, marcam a interatividade com o visitante. A produção executiva é da Artepadilla.

Para a curadora Emmanuelle de l’Ecotais, esta retrospectiva, pela primeira vez no Brasil, procura abranger a imensa e multiforme obra de Man Ray e apresenta a lenta maturação de sua obra e um panorama completo de sua criatividade. Ela ressalta que apesar de ser conhecido principalmente por sua fotografia, é também criador de objetos, realizador de filmes e um faz-tudo genial. “Após tornar-se rapidamente fotógrafo profissional, sua obra oscila, de maneira contínua, entre o trabalho de encomenda - o retrato, a moda -, de um lado, e o desejo de realizar uma ‘obra artística’, do outro. Em suas palavras, ‘o artista é um ser privilegiado capaz de livrar-se de todas as restrições sociais, cujo objetivo deveria ser alcançar a liberdade e o prazer’”.

O ARTISTA

Emmanuel Radnitzky, mais conhecido pelo pseudônimo Man Ray, foi pintor, fotógrafo, object-maker, escultor e cineasta, tornando-se um dos mais destacados artistas vanguardistas do século XX. Nasce na Filadélfia, Estados Unidos, em 1890, e na juventude, muda-se para Nova York. Lá, inicia seus estudos no The Social Center Academy of Art. Ainda na década de 1910, conhece Marcel Duchamp e outros artistas que compunham o movimento dadaísta nova-iorquino. Em 1921, parte para Paris, cidade que o acolhe por quase 20 anos, até o cerco nazista em 1940. O período em que viveu na capital francesa foi de imensa ebulição cultural, não só para ele, mas para diversos outros artistas que consolidaram o local como um dos maiores centros culturais do mundo, num contexto em que diversas formas de arte floresciam, sobretudo nos anos 1920. Por lá, Man Ray se insere no movimento surrealista e concilia seu trabalho como fotógrafo de renome entre a intelectualidade francesa com seu lado artístico, que manipula fotos em laboratório para a produção de obras de arte. Durante a Segunda Guerra Mundial, volta para os Estados Unidos, onde fotografa celebridades do cinema e da moda. Regressa à Europa com o fim da guerra e, nos anos seguintes, obtém reconhecimento pela excelência de seu trabalho, conquistando prêmios como a Medalha de Ouro da Bienal de Fotografia de Veneza, em 1961, publicando suas fotos e exibindo sua obra ao grande público. May Ray falece em Paris, em novembro de 1976.

A CURADORA

Emmanuelle de l´Ecotais foi por 17 anos curadora de fotografia no Musée d´Art Moderne de la Ville de Paris desde 2001. Com PhD em História da Arte, é especialista na obra de Man Ray, tendo organizado diversas exposições sobre o artista, entre elas, “Man Ray, la photographie à lenvers”, no Centre Pompidou/Grand Palais, em 1999. Outras mostras com sua curadoria foram “Alexandre Rodtchenko, la photographie dans lil” (2007), “Bernhard et Anna Blume”e “Polaroïd”, na Maison Européenne de la Photographie (2010); “Linder: Femme-Objet”, no Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris (2013); “Jean-Philippe Charbonnier, lil de Paris”, no CMP, Paris (2014); “Objectivités, la photographie à Düsseldorf” (2008), “Henri Cartier-Bresson et l’imaginaire d’après nature”(2009), ambas no Musée d´Art Moderne de la Ville de Paris. É autora de diversos ensaios e livros, entre estes “L´esprit Dada” (Editions Assouline, 1999), “Man Ray” (Taschen, 2000) e “Man Ray Rayographies” (Editions Léo Scheer, 2002). Foi membro permanente dos comitês de aquisição do Fonds National d´Art Contemporain (2004-2007) e da Maison Européenne de la Photographie (2007-2010). É também parte do júri em artes visuais para jovens talentos de Paris do Prêmio de Fotografia do Royal Monceau Hotel.

A PRODUTORA

A Artepadilla é empresa cultural atuante há 30 anos na área de elaboração, organização, produção, coordenação e administração de projetos culturais. Realizou ciclos de exposições no Centro Cultural Light no Rio de Janeiro; nas unidades de Brasília, Recife e Rio de Janeiro do Centro Cultural dos Correios; nas unidades de Brasília, Curitiba, Fortaleza, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo da Caixa Cultural, entre outros. Tem grande experiência na área de eventos internacionais, tendo realizado a exposição “Roy Lichtenstein: Vida Animada” (em parceria com a Roy Lichtenstein Foundation/ New York City) no Instituto Tomie Ohtake/SP, entre outras. Na área de edição de livros de Arte, realizou “Manfredo de Souzanetto: Paisagem da Obra”, “Margaret Mee”, “Jardim Botânico do Rio de Janeiro 1808/2008”, “Jorge Hue”, entre outros, alguns dos projetos através da Lei de Incentivo à Cultura/Lei Rouanet e da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

Posted by Patricia Canetti at 11:44 AM

Miguel Rio Branco e Isidora Gajic no Sesc Quitandinha, Petrópolis

Sesc RJ apresenta nova edição do Projeto Diálogos reunindo Miguel Rio Branco e Isidora Gajic e suas percepções sobre a Capital Cubana

O Sesc Quitandinha inaugura, no próximo sábado, dia 7 de dezembro, às 17 horas a exposição Diálogos Miguel Rio Branco e Isidora Gajic – Habaneras. A mostra apresenta um conjunto harmônico entre fotografias, vídeos, e instalações dos artistas Miguel Rio Branco e Isidora Gajic, remetendo às concepções poéticas e filosóficas que ambos tiveram em Cuba nos anos de 1994 e 2016.

Havana representou sonhos de liberdade, antes disso se desmanchar como várias outras ilusões e mudanças sociais na história da humanidade. E esse meu primeiro contato foi em 1994, onde acabei indo até lá para criar uma instalação chamada 'Out of Nowhere' (Fora de Lugar Nenhum) na Bienal de Havana. Não imaginei que chegaria tão perto desse “Fora de Lugar nenhum”. Nessa cidade castigada pelo mar e pela carência, entre ruínas de uma arquitetura outrora gloriosa, como se tudo estivesse parado nos anos cinquenta – relata Miguel.

O artista ainda conta que ao retornar em 2016, dessa vez com sua companheira Isidora Gajic, nesse lugar parado no tempo, percebeu que, na realidade, não estava tão parado assim: "celulares e roupas mostravam mudanças, sem muito consumo, mas a carência ainda estava presente. Nos carros-lotação, readaptados com motores diesel, via-se claramente o espírito de criação de um povo ainda cheio de dignidade”.

Rio Branco ressalta ainda as diversas formas que os dois artistas utilizaram para retratar e sentir a cidade: “na nossa mostra, o vídeo de Isidora, Habana Taxi, utiliza esses carros adaptados como pano de fundo, como estúdios fotográficos para retratos de uma população miscigenada, que lembram Salvador, na Bahia. Uma construção audiovisual que emociona pelos olhares e rostos mestiços latino americanos.

Esta é a terceira edição do Projeto Diálogos, vencedor do prêmio Guerra-Peixe em 2017, com Vitor Lemos e Paulo Mendes Faria e indicado ao mesmo prêmio, em 2018, pela edição com Marcelo Lago e Grupo Açúcar.

Vale ressaltar que esta é a primeira exposição institucional de Miguel Rio Branco em Petrópolis , que além de já ter exposto os quadros que pintara em Berna, enquanto morava na Suíça, alguns trabalhos no MoMA (Museum of Modern Art), e em diversos outros lugares pelo mundo, ele também é o autor de algumas criações como o curta-metragem denominado "Nada levarei quando morrer, aqueles que mim deve cobrarei no inferno", e alguns livros como Nakta (1996), Silent Book (1997), Plaisir a Doleur (2005), entre outros.

O artista nasceu em Las Palmas no ano de 1946, e em 1966, estudou no Instituto de Fotografia de Nova York. Já no ano de 1968, ingressou na Escola Superior de Desenho Industrial no Rio de Janeiro. Contudo, suas colaborações estendem-se à diversas linguagens artísticas.

Isidora Gajic busca transformar sentimentos e relacionamentos em fotografias, utilizando imagens como uma forma de poesia visual que mistura ficção e realidade. Ela explora temas como: a energia feminina, nascimento da natureza, cultura, temperamentos diários e contos de fadas.

Isidora já expôs no Brasil, Holanda, Sérvia e Letônia. Entre os prêmios recebidos está o “Dutch Talent 2012” (Talento Holandês 2012). Além disso, participou de residências como a ISSP, na Letônia, em 2012 e com Miguel Rio Branco, no Brasil (2014).

Atualmente os dois artistas residem em Petrópolis. A exposição tem curadoria dos próprios artistas e pode ser visitada até 29 de março de 2020.

Posted by Patricia Canetti at 10:55 AM

Adalberto Mecarelli na Mercedes Viegas, Rio de Janeiro

O artista ítalo-francês que se notabilizou por seu trabalho com luz e sombra, e as intervenções públicas se valendo dos raios solares, faz sua primeira mostra no Brasil

Mercedes Viegas Arte Contemporânea inaugura no próximo dia 12 de dezembro de 2019, às 19h, para convidados, e no dia seguinte para o público, a exposição Adalberto Mecarelli – Luz +, com obras do artista nascido em Terni, Itália, em 1946, e radicado há 50 anos em Paris. Esta é a primeira exposição no Brasil do escultor de matriz construtiva abstrata que se notabilizou por seu trabalho de pesquisa de luz e sombra, registros da luz solar, e está presente em vários espaços públicos em diversos países europeus, como França, Itália e Alemanha. “A exposição traz sobretudo esculturas de luz que dialogam com o espaço da galeria, formas geométricas esculpidas pela sombra”, observa a curadora Elisa Byington, que selecionou obras do artista em diferentes técnicas e materiais.

Além das esculturas de luz, – que ocuparão grande espaço na galeria – estarão na mostra a obra “Jai Prakash, cr2075”, (2000), conjunto de cinco trabalhos em nitrato de prata sobre papel de algodão, feitas em Jaipur, na Índia, cidade muito frequentada por Mecarelli, desde a residência artística que fez entre 1992 e 1993, para pesquisar os notáveis observatórios solares do país; e a série “Hamlet” (1985), conjunto de nove impressões em água-tinta sobre papel de algodão, baseadas na cenografia que criou para a montagem de “Hamlet”, em 1985, no Théâtre des Quartiers d'Ivry, em Paris, com direção de Catherine Dasté, e excursionou por vários teatros franceses e europeus. A exposição terá ainda obras de 2010, em nitrato de prata sobre papel de arrozde registros solares feitos no Templo Haeinsa, na Coreia do Sul, e as obras inéditas “Demoiselles de Malakoff” (2019), desdobramentos da imagem de poliedros, impressas em nitrato de prata sobre tela crua. Malakoff é o bairro parisiense onde está o ateliê do artista, e as imagens surpreendentes que surgem do “embrulho” diferente de um mesmo poliedro, que, de modo não proposital e aleatório, remetem a imagens cubistas-futuristas, suprematistas, da abstração geométrica do início do século.

Elisa Byington explica que as obras em nitrato de prata são "fotografias no sentido etimológico do termo”. “É uma impressão de manchas de sol fixadas com nitrato de prata, formas resultantes de angulações diferentes da luz solar, escolhidas de forma aleatória – cada série obedece a um determinado princípio –, em diferentes momentos do dia”. “A parte pincelada de nitrato de prata – sobre tela, tecido ou papel – equivalente àquele volume desenhado pela luz solar, é imediatamente protegida da luz, mantida no escuro. Uma vez exposto à luz, o nitrato de prata escurece e adquire várias tonalidades, do marrom ao cinza chumbo, e consome lentamente aquela marca, a memória da presença, a marca deixada pelo sol naquele instante”, diz.

O título das cinco obras em nitrato de prata sobre papel de algodão, “Jai Prakash, cr7520” (2000), se refere a um dos instrumentos astronômicos arquitetônicos em Jaipur, na Índia.

CONTRASTES LUZ E SOMBRA

“Desde o início, a obra de escultor de Adalberto Mecarelli se constrói sobre questionamentos da visibilidade e a conceituação do não-visível. A experiência com o núcleo primordial da escultura na Escola de Belas Artes de Terni, o fogo, a transformação da matéria, e a ideia do vazio que se cria no processo da fundição com a técnica de cera perdida, um vazio perfeito, é decisiva para sua trajetória, distante da figuração. Ele vai trabalhar os opostos vazio/cheio, as relações entre o dentro e o fora, interior e exterior, contrastes entre luz /sombra, visível e invisível, os extremos luminosos do preto e do branco, recolocando-os como partes de um todo, no espaço”, comenta Elisa Byington.

INTERVENÇÕES EM ESPAÇOS PÚBLICOS

Uma característica presente em grandes esculturas de Adalberto Mecarelli é que se realizam plenamente em um único dia do ano, de acordo com cálculos precisos da inclinação do sol. Dentre as muitas intervenções em espaços públicos realizadas por Adalberto Mecarelli, está “Stomachion Solis”(harmonia infinita do sol), uma grande estrutura em aço cortén, que inicia o percurso no Parque das Esculturas, em Siracusa, Itália. Instalada no topo de uma falésia, em frente à Ilha de Ortígia, centro histórico da cidade, a obra é uma composição de quatorze peças que remetem ao Stomachion de Arquimedes (Siracusa, 287 a.C. – 212 a.C.), um dos mais antigos e fascinantes quebra-cabeças na história da humanidade. A partir de cálculos precisos, a escultura de Mecarelli, às 11h de cada dia 13 de dezembro, reflete os raios solares, que cruzam o mar e iluminam a Capela de Santa Luzia, em Ortígia, onde há a célebre tela do Caravaggio com o “Sepultamento de Santa Luzia” (1608). Uma hora mais tarde, às 12h, a mesma estrutura projeta a sua frente a sombra de um quadrado perfeito. No dia 13 de dezembro se festeja Santa Luzia (c.283 – c. 304), padroeira de Siracusa,e considerada protetora dos olhos. É o dia de seu martírio, quando arranca os olhos e os entrega ao carrasco para não renegar a própria fé, data próxima ao solstício de inverno. A obra faz alusão à luz (Lucia, em italiano), e a falta dela, a cegueira, uma passagem do caos ao cosmo. “Luz e sombra, caos e cosmo serão os quatro elementos em suspensão”, observa o artista.

Outras intervenções notáveis de Adalberto Mecarelli são “Eppur si muove” (1999), frase de Galileu, iluminada na fachada no Instituto Galileu, no campus da Universidade de Viltaneuse, em Paris, por meio de um complexo mecanismo de espelhos pela luz do sol no dia da sua condenação, 20 de junho;“Lux umbrae” (2011), nos Cryptoportiques, em Arles, França, e a escultura de luz, espécie de lua que surgia na fachada da Igreja de Sant'Eustache, durante a Nuitblanche, em Paris, em 2012. Em 2015, ele fez uma intervenção na abadia cisterciense de Sylvacane, na Provença, França. Em 2018, realizou “O Sol ao Sol”, uma grande escultura em pedra, de quase cinco metros de altura, instalada em um espelho d’agua junto a um poliedro irregular em aço, em Ibiúna, São Paulo. A cada dia 22 de setembro, data do equinócio de primavera, o sol, que passa no centro da fenda que divide em dois o “totem” de pedra, reflete na água sob o poliedro em aço, que devolve os raios refletidos na direção do sol.

SOBRE ADALBERTO MECARELLI

Adalberto Mecarelli nasceu em 1946, em Terni, região da Umbria, na Itália, e desde 1968 vive e trabalha em Paris.

Mecarelli se formou em fundição aos 19 anos na Escola de Belas Artes de Terni, onde aprendeu a técnica da cera perdida e se aproximou do núcleo primordial da escultura, o fogo, a energia, o vazio que se cria no processo. A experiência da técnica da cera perdida, o fogo, o molde, o vazio – que se cria depois de formada a “pele de bronze” da escultura –, abre um espaço mental insuspeitado que o fez abandonar muito cedo a figuração.

Nos anos seguintes – de 1966 a 1968 – cursou pintura na Escola de Belas Artes de Roma, período em que frequentou a vanguarda romana onde eram ativos artistas da Arte Povera como Jannis Kounellis (1936-2017), Pino Pascali (1935-1968), Eliseo Mattiacci (1940-2019), e outros que experimentavam a linguagem minimalista e conceitual como Maurizio Mochetti (1940) e Sergio Lombardo (1939). Alguns deles trabalhavam com a geometria analítica ou com leis da ótica para produzir obras de extrema pureza formal, outros assumiam a linguagem alegórica e a função provocatória de seus gestos e invenções, contra qualquer possibilidade abstrata.

Entre 1968 e 1970 cursa Sociologia da Arte na École Pratique des Hautes Études, em Paris. Realiza obras em ferro e aço, gesso e cera, madeira e cera. Volumes que quando seccionados revelavam outros dispositivos volumétricos que continha. É a série chamada “Volume réel” (volume real), que indaga as ambiguidades da representação, possibilidades do nome e a coisa coincidirem. Uma pesquisa que em 1969 o leva à realização dos “vide-noir” (vazio-negro), caixas brancas, negras na parte interna, que o recorte geométrico na superfície branca tornava visível, como se esta tivesse sido escavada, “criando a cor preta com o vazio”, diz.

Em 1973, realiza suas primeiras esculturas de luz. “Procurava um meio de mostrar um volume, um espaço, através da matéria que fosse a mais exemplar, a mais discreta. Encontrei somente a luz como resposta à minha busca. A claridade e o mistério que lhes são próprios me fascinavam. Me lembro do momento extraordinário quando comecei a decupar o espaço com formas reproduzidas nos slides que eu projetava. Eu esculpia a luz com a sombra que é também um estado da luz. Uma matéria cujo equilíbrio se situa entre a cegueira e o ofuscamento (‘enceguecimento’)”.

No final dos anos 1970, volta parcialmente a “materiais primitivos”. “Minha prática se articulava em torno do que eu chamo de “os limites de um tema plástico”. Noções que eram “reveladas por esculturas, relevos, onde o espaço, o signo, a escala, a transparência, a luz, postas no mesmo caldeirão, exprimiam um modo de ser da matéria no qual a imagem tinha sido excluída”. Este trabalho prossegue no período entre 1981/1982 em que vive e trabalha em Nova York.

Em 1984/1985, com bolsa do governo francês, trabalha no New York Institute of Technology e outros centros de pesquisa nos EUA e no Japão, para investigar a criação auxiliada por computador. Experimenta imagens sintéticas, mas os resultados não o satisfazem.

Inicia os trabalhos com a luz solar e as impressões de volumes de luz com a utilização do nitrato de prata, realizados principalmente na ilha de Stromboli, uma ilha vulcânica próxima à Sicília, onde costuma permanecer alguns meses durante o ano.

Em 1992/1993, a partir de uma bolsa de estudos, se dedica aos estudos dos observatórios solares na Índia. “Alguns dos observatórios mais antigos se encontram na Índia. O de Jaipur é o mais bem conservado. Trabalho durante um mês, das oito da manhã às quatro da tarde, em um espaço onde tudo indica a posição do sol em relação à Terra e às constelações. Você chega fisicamente a uma melhor apreensão da sua trajetória espacial”.

Realiza os trabalhos com projeções luminosas na França, Itália, Alemanha, em diferentes contextos arquitetônicos e urbanos como o Museu Arqueológico de Siena, ou o do antigo pórtico romano subterrâneo de Arles, o interior de abadias, antigas torres, fachadas de igrejas. São esculturas de luz que desenham formas geométricas, estabelecem volumes que ecoam, comentam, transformam ou atuam criticamente no lugar onde se instalam.

LINKS

Infos sobre o artista
Nuit Blanche 2012
Lugares Exquisitos - Nuit Blanche Paris
Lux Umbrae - Adalberto Mecarelli

Posted by Patricia Canetti at 10:14 AM

dezembro 5, 2019

Canção Enigmática: performances sonoras no MAM, Rio de Janeiro

Performances sonoras com entrada gratuita dentro da exposição Canção Enigmática: relações entre arte e som nas coleções MAM Rio, com curadoria de Chico Dub. As ações integram o Festival Nova Frequência no MAM Rio

8 de dezembro de 2019, domingo, às 11h às 18h

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
Av. Infante Dom Henrique 85, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro

15h às15h30
Tim Shaw(Inglaterra)– Pilotis do MAM
https://tim-shaw.net
A pesquisa do inglês Tim Shaw aborda as várias maneiras pelas quais as pessoas ouvem, especificamente em como os ambientes de audição podem ser construídos ou explorados utilizando uma ampla variedade de técnicas e tecnologias. Professor de Mídia Digital na Universidade de Newcastle, Shaw está interessado nas relações entre espaço, som e tecnologia; se apropriando de tecnologias de comunicação para explorar como esses dispositivos mudam a maneira como experimentamos o mundo. Apresentando trabalhos através de performances musicais, instalações, caminhadas sonoras e intervenções responsivas ao local, sua prática busca expor a mecânica dos sistemas através do som para revelar os aspectos ocultos dos ambientes e das tecnologias. Para o NF, Tim Shaw irá desenvolver uma performance sonora que envolve um conjunto de dispositivos explorados e desenvolvidos durante uma residência de 20 dias na Serrinha do Alambari, pequena cidade localizada próximo à Serra de Itatiaia. O trabalho irá incorporar matérias-primas (água, rochas, objetos encontrados e plantas), tecnologias de escuta DIY, transceptores e alto-falantes esculturais. O evento oferecerá algum tipo de recriação da Serrinha do Alambari como sensor-paisagem, enfatizando a interação, a interferência e as camadas de suas múltiplas materialidades.

15h40 às 16h20
O Yama O – Keiko Yamamoto e Rie Nakajima (Mana Records/ Londres/Japão) – Lago na frente à Cinemateca do MAM
https://manarecs.bandcamp.com/album/o-yama-o
O Yama O é um projeto musical formado pelas artistas japonesas radicadas em Londres, Keiko Yamamoto e Rie Nakajima. Utilizando uma combinação de dispositivos cinéticos e objetos encontrados – como brinquedos, tigelas de arroz, motores microscópicos, tambores, nozes, relógios e ruídos de vento –, as artistas criam paisagens sonoras inspiradas em rituais, antropologia, mitos e mundos sonoros do cotidiano. Seus trabalhos são muitas vezes compostos por canções de Yamamoto enquanto as construções de Nakajima escalam micro-orquestras em resposta direta a espaços arquitetônicos únicos. Keiko Yamamoto trabalha com desenhos, papéis, música, vozes e dança. É fundadora, junto com HamishDunbar, do lendário Café OTO, o mais conhecido espaço para música e arte sonora da Europa. Rie Nakajima trabalha com instalações e performances que produzem som. Seus trabalhos são, na maioria das vezes, site specific, usando uma combinação de pequenos autômatos e objetos do dia a dia.

16h30 às 17h10
Joaquim Pedro dos Santos & Aleta Valente – “Tudo nosso nadadeles” – Pilotis
Joaquim Pedro dos Santos é multi-instrumentista que atualmente toca baixo na banda JonnataDoll& Os Garotos Solventes. Também colabora com produção musical nos grupos Pscina e Rádio Lixo em discos, performances e instalações sonoras, além de ser produtor de artes visuais e manter uma galeria independente no centro de São Paulo, o Escritório Técnico.
Aleta Valente vive e trabalha no Rio de Janeiro, e é também conhecida por sua persona online @ex_miss_febem, em que se utiliza do smartphone como ateliê onde pesquisa, edita e dispara conteúdos – tanto de produção autoral como apropriados – que tensionam a barreira entre a realidade e a ficção e trazem à tona questões sociais através de humor ácido.
“Tudo nosso nada deles” propõe a utilização de áudios de WhatsApp com intervenções sonoras e mixagem ao vivo. O projeto inédito busca remontar o impacto do áudio sobre nossa história recente, questionando limites entre fato e ficção, autoria e responsabilidade, e suas subsequentes implicações na sociedade contemporânea.

17h20 às 18h20
LoïcKoutana x NSDOS x ZorkaWollny– “SoundCycles&MigratoryFlows”(França, Brasil/Polônia, Alemanha/ França) – Jardim de pedras do MAM
https://www.facebook.com/tetopretolive/
http://www.zorkawollny.net/
https://www.facebook.com/nsdoslazerconnect/
“SoundCycles&MigratoryFlows” é uma ação performática que reúne a artista polonesa baseada em Berlim ZorkaWollny e os franceses NSDOS e LoïcKoutana (da banda Teto Preto). Desenvolvido em colaboração com os festivais CTM (Berlim, Alemanha) e Maintenant (Rennes, França) com o apoio do Instituto Goethe e do Instituto Francês, o projeto apresentará ideias sobre imigração, identidade e especificidades do espaço através da performance coletiva.
Há quatro anos, o modelo LoïcKoutana trocou Paris, sua cidade natal, por São Paulo. E foi no Brasil que o francês de origem africana desenvolveu não apenas sua carreira de modelo, como a de performer de dança contemporânea, atuando com alguns dos principais nomes da noite underground paulistana, como o grupo Teto Preto, de Laura Diaz, uma das idealizadoras da Mamba Negra. Multiartista, curador e também youtuber, LoïcKoutana em breve lançará seu primeiro disco, “Ser”, com produção de Zopelar.
Depois de estudar dança, NSDOS, também conhecido como Kirikoo Des, sentiu a necessidade de criar seu próprio som para explorar o movimento. Foi assim que começou a imaginar, por meio da abstração, toda uma nova ordem sonora, uma abordagem alternativa à música. Em algum momento chamado de "hacker do techno", NSDOS distorce as ferramentas tecnológicas, criando um elo entre máquina e matéria. O artista coleta dados em tempo real, usando sensores ou dispositivos interativos, e os injeta no esqueleto retilíneo da música eletrônica para criar uma matriz orgânica, convidando o público a, junto com ele, empurrar os limites do corpo, dos objetos e do som.
ZorkaWollny cria composições acústicas para instituições, fábricas e edifícios vazios. Suas obras habitam o espaço entre arte, teatro e música contemporânea e estão sempre intimamente ligadas ao contexto histórico e funcional de espaços arquitetônicos específicos. Suas obras foram exibidas nas mais prestigiadas instituições de arte contemporânea e festivais de música em todo o mundo.

FOYER DO MAM

Luigi Archetti– NULL (Itália/Suíça)
http://www.luigiarchetti.com

Luigi Archetti é compositor e artista sonoro cujo trabalho gira em torno da interface entre a arte e a música. Em suas instalações, utiliza desenho, pintura, vídeo e som para criar sistemas de referência complexos e espaços tensos e altamente estéticos. Seu vocabulário musical se manifesta não apenas nas ideias e no modo como as obras são realizadas, mas também no uso de objetos e conceitos desse gênero. Archetti encena o espaço como um portador de imagens em que vários impulsos – visuais e tonais – se encontram. Para o Novas Frequências, este italiano radicado na Suíça irá apresentar no Foyer do MAM Rio “NULL”, peça para guitarra processada com sete horas de duração que se caracteriza por sons estáticos, drones e sobreposições de camadas. Desenvolvido ao longo de cinco anos, Archetti NULL serve de metáfora a sensação de espera, de antecipação, de pausa. Com seus drones em escala cinzenta e som estático, NULL nos convida a observar os mundos das salas de espera em que passamos nossos dias e a viajar em regiões desconhecidas, uma jornada hipnoticamente cativante através de eventos acústicos atemporais e minimalistas.

Martina Lussi(Suíça) – Composition For A Circle + performance ao vivo
https://martinalussi.ch

Original de Lucerne, na Suíça, Martina Lussi trabalha na interseção entre as artes plásticas, a música e a performance. Em sua obra, desafia dicotomias como consciente/inconsciente, poder/impotência e dentro/fora. Em essencial, o corpo do espectador sempre desempenha um papel essencial em suas peças. Detentora de um Mestrado de Artes em ContemporaryArtsPractice pela Universidade de Berna, Lussi já apresentou seu trabalho em vários espaços de arte e em clubes em toda a Europa. Seu segundo álbum, “Diffusionis a Force”, se utiliza de fontes sonoras com uma certa qualidade desnorteadora – gravações de campo, instrumentação processada, elementos sintetizados e trechos de expressão humana – com o intuito de refletir sobre o clima de dispersão e distração em que vivemos. Em “Composition For A Circle”, instalação que Martina Lussimostra no Foyer do MAM Rio, gravações da guitarra fornecem a base para uma composição esférica e meditativa que, por meio de repetições deslocadas, constantemente geram novas estruturas sônicas.

Posted by Patricia Canetti at 12:44 PM

Canção Enigmática: relações entre arte e som nas coleções MAM Rio

A exposição reúne 47 obras de 31 artistas, como Hélio Oiticica, Carlos Vergara, Waltercio Caldas, Daniela Dalcorso, Claudio Tozzi, Carlos Scliar, José Damasceno, Chelpa Ferro, Cildo Meireles, Cinthia Marcelle, Manata Laudares, MarciusGalan, Paulo Nenflidio, Paulo Vivacqua, entre outros. São pinturas, fotografias, desenhos, vídeo, objetos sonoros, instrumentos musicais, partituras gráficas, esculturas, instalações e discos de artista presentes na coleção do Museu. Estão programadas ações performáticas para janeiro de 2020.

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro apresenta de 1º de dezembro de 2019 a 1º de março de 2020 a exposição Canção Enigmática: relações entre arte e som nas coleções MAM Rio, que reúne pinturas, fotografias, desenhos, vídeo, objetos sonoros,instrumentos musicais, partituras visuais, esculturas, instalações e discos de vinil, em um total de 47 obras de 31 artistas. Com curadoria de Chico Dub, a exposição se insere no programa Curador Convidado, criado em 2018 pelo Museu, e se relaciona com a 9ª edição do Festival Novas Frequências, que ocupou várias instituições na cidade, incluindo o MAM Rio, entre 1º e 8 de dezembro de 2019. O título da exposição é retirado do nome da obra de José Damasceno (Rio de Janeiro, 1968), feita em 1997.Ao lado de cada obra haverá um QR Code, que permitirá ao público acessar pelo seu celular mais informações sobre o artista no site do MAM Rio.

"Canção Enigmática” irá ocupar dois espaços no terceiro andar do Museu, destinado a mostras do acervo, e tem uma complementação com mais duas obras no Foyer dos artistas suíços Martina Lussie Luigi Archetti, pertencentes aos próprios artistas.

A exposição procura inserir o MAM Rio na chamada "virada sônica"("sonicturn"), termo cunhado para designar a mudança gradual de focodo visual para o auditivo, que vem ocorrendo nas práticas artísticas e nosestudos acadêmicos nos últimos anos, graças a implementos tecnológicos. “E também pela busca em estabelecer novos parâmetros artísticos, o som passou a ser reconhecido e exibido como uma forma de arte em si mesmo”, explica o curador Chico Dub. “Ainda que não seja uma mostra exclusiva de arte sonora — prática surgida na obscura zona entre música composta, instalação, performance e arte conceitual, e que tem o áudio como componente principal ou que silenciosamente reflete sobre o som —, abraça todo o acervo dessa disciplina artística no Museu, reunindo trabalhos de Chelpa Ferro, Cildo Meireles, Cinthia Marcelle, Manata Laudares, MarciusGalan, Paulo Nenflidio, Paulo Vivacquae Siri”.

Chico Dub diz que “as obras reunidas mostram basicamente cenas musicais tiradas do cotidiano, como nas pinturas modernistas de Di Cavalcanti e Djanira, manifestações folclóricas nas quais a música possui caráter essencial, como nas fotografias de Bárbara Wagner inspiradas no maracatu, rituais religiosos afro-brasileiros tal qual em Pierre Verger e no candomblé, e associações diretas com gêneros musicais, como nos retratos de Daniela Dacorso em bailes funk, na influência do samba nos “Parangolés” de Hélio Oiticica e nas fotografias de Carlos Vergara no desfile do Cacique de Ramos, ou em ícones do porte de Tom Jobim (Cabelo e Márcia X) e Beethoven (Waltercio Caldas). Trabalhos realizados durante a ditadura militar no Brasil, como os de Cláudio Tozzi e Waltercio Caldas, gritam contra a situação opressiva que se instalava naquele momento no país e, infelizmente, soam mais atuais do que nunca”. Ele complementa dizendo que “há ainda um destaque especial para as chamadas partituras gráficas, trabalhos com origem no contexto da música e apreciados por artistas visuais em função de sua característica libertária que vai além da notação musical convencional. Paulo Garcez, Carlos Scliar, Chiara Banfi e, de certa forma, José Damasceno possuem trabalhos nesse contexto”.

Está programa para os domingos de janeiro de 2020 uma série de ações performáticas quebuscam se relacionar com procedimentos da música experimental, da arte sonora e de outras linguagens, como as artes visuais, a dança e performance. Essa programação complementar reafirma a ideia da ocupação do espaço público como ato estético e político, questão presente nos encontros realizados por Frederico Morais no início dos anos 1970, quando a área externa do MAM e o Aterro do Flamengo foram incorporados como extensão natural do Museu.

“É notório pensar hoje em dia que 4'33” não é simplesmente uma ‘peça silenciosa’, mas, sim, uma obra cujo objetivo é a escuta do mundo. Em outras palavras, o trabalho mais famoso de John Cage, ao emoldurar sons ambientes e não intencionais, nosrevela através de uma escuta profunda que a música está em todos os lugares; que todos os sons são música”, observa Chico Dub.

“Partindo de Cage, os sons que ecoam pelo MAM são música. Uma canção enigmática formada por todos os sons ao redor combinados, dentre outros, com batidas do coração, berimbaus high tech, gadgets eletrônicos, sons artificiais, bandas fora de ritmo, orquestras tocando músicas diferentes ao mesmo tempo, o som da chuva e uma ordem em italiano para se fazer um café”.

Posted by Patricia Canetti at 12:16 PM

Le Salon des Refusés da Luz 2019 na Casa da Luz, São Paulo

Celebração foi a primeira intenção ao convidarmos os artistas a participar de uma exposição “guerrilha”, onde cada um recebeu como restrição: o tamanho da obra - até 50 cm X 50 cm.

Num momento em que restrição pode soar de mau tom, no nosso caso, teve somente o objetivo de acomodar o maior número de obras, de pensamentos, de expressões possíveis, e celebrar a amizade, a união e a diversidade da nossa sociedade, ideais estes prezados pela iniciativa independente da Casa da Luz de promover a cultura livre e plural.

O Salon des Refusés foi uma série de exposições dos artistas, que se reuniram em revolta, ao serem sistematicamente recusados no salão oficial do governo francês no século XIX, criando um forte concorrente à arte oficial, servindo de berço para a arte moderna e aos movimentos de arte independentes, considerados, mais tarde, como degenerados pelo regime nazista... Alguma semelhança?

Artistas convidados

Adriana Coppio, Adriel Martins Visoto, Ale Loch, Amaury Santos, Anna Costa e Silva, Ana Mazzei, André Niemeyer, André Luis Scient, André Luiz S. Souza, Anna Costa e Silva, Arthur Scovino, Aslan Cabral, Brisa Noronha, Bruno Mendonça, Bruno Novais, Camila Alvite, Carla Chaim, Carlos Emilio, Carolina Cordeiro, Cassio Leitão, CK Martinelli, Dan Coopey, Deco Adjaman, Douglas de Souza, Dudu Tsuda, Elisabete Sousa, Emídio Contente, Fabiana Preti, Felipe Abdala, Fernanda Costa, Fernando Davis, FKawallis, Gabriel Pessoto, Gabriel Nehemy, Guilherme Gafi, Gustavo Aragoni, Gustavo Junqueira, Heway Verçosa, Isis Gasparini, João di Souza, José Damasceno, JP Accacio, Karola Braga, Leandra Espirito Santo, Leandro Eiki, Leandro Muniz, Lele Pereira, Lígia Aguiar, Lourival Cuquinha, Lucas Abelama, Lucas Lander, Luis 83, Luiz Queiroz, Malka Borenstein, Maneco Magnesio, Mano Penalva, Marcia Ribeiro, Maria Livman, Maya Weishof, Orion Lalli, Paula Scavazzini, Pedro Ursini, Rafael Assef, Renato Dib, Ricardo Castro, Rodrigo Kupfer, Rose Klabin, Shaffer, Thany Sanchez, Tomaz Klotzel, Valdirley Dias Nunes, Veridiana Leite, Yuri Godoy

Posted by Patricia Canetti at 11:54 AM

Galeria Oto Reifschneider ocupa a Galeria Casa no CasaPark, Brasília

A Galeria Oto Reifschneider traz para a Galeria Casa uma exposição que apresenta a história da gravura brasileira através das obras de 25 gravadoras que produzem desde os anos 1950 com uma seção dedicada às artistas de Brasília

No próximo dia 5 de dezembro, quinta-feira, às 17h, a Galeria Oto Reifschneider faz a Ocupação 10 da Galeria Casa com a mostra Gravura Brasileira: 25 artistas que traz obras de gravadoras que ajudaram a construir a história da arte no Brasil a partir dos anos 1950, período em que o Brasil começou a mostrar ao mundo sua pujante produção artística. A exposição fica em cartaz na até o dia 29 de dezembro, com entrada gratuita e livre para todos os públicos. Visitação, de terça a sábado, das 14h às 22h, e domingo, das 14h às 20h.

Para a mostra que abre na Galeria Casa, o galerista e historiador Oto Reifschneider apresenta 50 obras de 25 gravadoras brasileiras. O público poderá conhecer as gravuras de Alicia Rossi, Anna Letycia, Betty Bettiol, Cristina Carvalheira, Dineia Dutra, Djanira, Edith Behring, Fayga Ostrower, Hannah Brandt, Helena Lopes, Isabel Pons, Leda Watson, Maria Bonomi, Maria Leontina, Marilia Rodrigues, Regina Silveira, Renina Katz, Ruth Bess, Sandra Santos, Thereza Miranda, Tomie Ohtake, Vera Bocayuva Mindlin, Vera Chaves Barcellos, Vitória Barreiros e Zoravia Bettiol.

“Foi pela gravura que a arte brasileira ganhou o mundo, nas bienais internacionais e salões de arte moderna.nossa arte pode ser não apenas apreciada, mas criticamente reconhecida”, afirma Oto. “Se alguns desses nomes são ainda hoje reverenciados, como os de Fayga Ostrower, Maria Bonomi e Renina Katz, outros igualmente importantes, como o de Isabel Pons, que tiveram na gravura sua arte maior, ficaram na história – e merecem um resgate”, ressalta o galerista.

São representantes das mais diversas correntes e períodos artísticos, de técnicas tradicionais e inovadoras. São litografias, gravuras em metal, serigrafias e xilogravuras, integradas a técnicas de relevo, fotografia e até computacionais, inovadoras a seu tempo. São abstrações e figurações, peças contemplativas e questionadoras – questões de cores, de linhas, de formas, estéticas e sociais.

A mostra apresenta um capítulo especial é o da gravura brasiliense, desenvolvida ao longo das décadas não apenas no núcleo da Universidade de Brasília, mas em ateliês independentes, responsáveis por gerações de amantes da gravura e de gravadores amadores. Suas principais representantes são Leda Watson, Betty Bettiol, Helena Lopes e Cristina Carvalheira, que formaram e enriquecem a tradição artística da cidade com suas atuações múltiplas pela arte.

Sobre as gravadoras

Alicia Rossi (1928), natural de Buenos Aires, cursou a Academia de Belas Artes de sua cidade natal. Ao se mudar para o Brasil, estudou gravura em metal com Evandro Carlos Jardim. Atuou em pintura, gravura e ilustração. Participou de dezenas de exposições, especialmente na capital paulista, entre elas diversos Salões de Arte Moderna, Panoramas de Arte Contemporânea e Bienais. Suas obras podem ser encontradas em importantes acervos públicos, como os do MAM-SP e da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Anna Letycia (1929-2018) se destaca por suas gravuras em metal, que têm como característica marcante a forma de caracol, além da geometrização e utilização de cores fortes e poucos traços. Anna Letycia estudou com grandes nomes da gravura brasileira, como Oswaldo Goeldi (1895-1961), Darel Valença Lins (1924-2017), Iberê Camargo (1914-1994), Edith Bering (1916-1996) entre outros. Leciona no MAM do Rio de Janeiro, na Pontifícia Universidade Católica de Santiago, no Chile, e em Niterói, onde instala a Oficina de Gravura no Museu do Ingá. Participou de mais de 150 exposições, entre individuais e coletivas, nacionais e internacionais. A artista tem obras em inúmeras coleções e museus, tendo sido premiada e consagrada com participações em bienais como as de Tóquio, Paris, México, São Paulo, Veneza e Liubliana.

Betty Bettiol (1941), natural de São Paulo, pintora e gravadora, reside em Brasília desde 1962. Foi aluna de gravura em metal de Lêda Watson. As obras da artista são caracterizadas pela presença de formas geométricas, cores densas e repetições que dão ritmo às composições. A artista foi pioneira no uso de computadores para a elaboração de gravuras em metal e integra o primeiro grupo de artistas a se formar na cidade. Além de artista, Betty desenvolveu ao longo dos anos com o marido uma das principais coleções de arte da capital.

Cristina Carvalheira (1948), artista gravadora e professora, é natural de Recife-PE. Cursou a Escola de Belas Artes de Pernambuco, se formando como arte-educadora pela UnB. Antes de retornar ao Brasil, em 1979, morou não apenas na França, mas também em Moçambique. Em Brasília se formou como arte-educadora pela UnB, participou do Clube de Gravura de Brasília e teve como mestres a gravadora Marilia Rodrigues e o pintor, escultor e gravador, Milan Dusek. Participou de mais de cinquenta exposições no Brasil e no exterior, com individuais em Brasília, João Pessoa, Recife, Paris e Montpellier. Suas obras são caracterizadas pela relação da natureza com o humano.

Dinéia Dutra (1954-1988) era uma das grandes promessas da gravura de sua geração. Trabalhou com Cléber Gouvea e DJ Oliveira, dois destaques da arte goiana, tendo participado de mais de 20 exposições, recebido prêmios e editado dezenas de gravuras que retratam o cotidiano de forma poética e melancólica.

Djanira da Motta e Silva (1914-1979) nasceu em São Paulo, mas passou sua infância na lavoura em Santa Catarina, vivência essa que marcou sua preferência por temáticas populares. Em 1939, muda-se para o Rio de Janeiro, onde convive com artistas como Milton Dacosta (1915 – 1988), Carlos Scliar (1920 -2001) e Emeric Marcier (1916 – 1990). Realizou exposições na Royal Academy of Arts [Londres], na New School for Social Research [Nova York], no Museu Nacional de Arte Moderna[Paris], entre tantos outros.

Nascida no Rio de Janeiro, Edith Bering (1916-1996) foi gravadora, pintora, desenhista e professora. Começou estudando desenho com Candido Portinari (1903-1962) e, anos mais tarde, toma interesse pela gravura, aprendendo xilogravura com Axl Leskoschek (1889-1975) e gravura em metal com Carlos Oswald (1882-1971) em sua cidade natal, e com Johnny Fiedlaender (1912-1992) em Paris. Realiza exposições internacionais e participa da Bienal de São Paulo por 10 anos. Suas obras são marcadas pelo abstracionismo, mas com certo movimento, produzindo principalmente em água-tinta e água-forte.

Fayga Ostrower (1920-2001) foi gravadora, pintora, desenhista, ilustradora, ceramista escritora, teórica da arte e professora. Nascida na Polônia, mudou-se aos 14 anos para o Brasil com sua família. Formou-se em Artes Gráficas na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e foi aluna de renomados artistas como Carlos Oswald (1882-1971) e Axl Leskoscheck (1889-1975). Lecionou no Museu de Artes Modernas do Rio de Janeiro (MAM) e em universidades do exterior. Realizou diversas exposições no Brasil, Estados Unidos e Europa, além de receber vários prêmios em bienais nacionais e internacionais por suas gravuras de traço delicado e sintético.

Hannah Brandt (1923) nasceu na Alemanha e se mudou para São Paulo em 1935. Na década de 1950, começa os estudos artísticos e, anos mais tarde, tem aulas de gravura com Lívio Abramo e Maria Bonomi. Funda o Núcleo de Gravadores de são Paulo (Nugrasp) e realiza várias exposições no Brasil e no exterior, obtendo, entre outros, o Prêmio Itamaraty na 12ª. Bienal Internacional de São Paulo. Representa em suas obras desde temas de cunho social a abstrações, do universo espiritual a paisagens de cores ricas.

Helena Lopes (1941) é uma das mais atuantes artistas de Brasília, trabalhando com gravura, pintura e técnicas mistas. Foi responsável pela criação do Ateliê de gravura do Instituto de Artes da Universidade de Brasília junto com a Professora Stella Maris, que resultou no Núcleo de Gravura do Instituto de Artes. Ganhou uma bolsa do CNPq para o desenvolvimento do projeto “Cerrado: fonte geradora de imagens em gravura em metal”. Participou de diversas exposições nacionais e internacionais. Suas obras podem ser encontradas em coleções nacionais e internacionais, como a Casa da Cultura da América Latina (Brasília, Brasil) e a Essex Collection of Art from Latin America (Essex, Ingraterra).

Mestre na gravura em metal, Isabel Pons (1912-2002) teve seu interesse despertado por essa técnica ao frequentar a oficina ministrada por Friedlaender no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1959. Pela Bienal de São Paulo, recebeu o prêmio de melhor gravadora em 1961 e foi homenageada com uma sala especial em 1963. Foi também premiada pelas bienais de Veneza, do México e Cracóvia. Foi, entre outras coisas, responsável pelo cenário e figurinos do filme Orfeu Negro, ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1956. Suas obras compõem acervos particulares e museus nacionais e estrangeiros, como o MoMA (Nova Iorque), Museu de Arte Moderna (Praga), Museu de Belas Artes (Bilbao), Museu Albertina (Viena) e o Royal College of Art (Londres).

Leda Watson (1933) frequentou a Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, a École Nationale de Beaux Arts – Sorbonne, Paris e a Universidade de Brasília. Estudou gravura com Friedlaender em Paris e se especializou em gravura em metal na Escolinha de Arte do Brasil. São mais de 50 anos dedicados à gravura e 30 anos ao ensino. Participou de inúmeras exposições, no Brasil e no exterior, entre elas a Bienal de São Paulo. Atuou na criação do Museu de Arte de Brasília (MAB), inaugurado em 1985, e foi coordenadora de museus da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. Suas gravuras são marcadas pelas formas orgânicas e cores terrosas.

Gravadora, pintora, escultora, muralista, professora, cenógrafa e figurinista, nascida na Itália, Maria Bonomi (1935) se fixa em São Paulo em 1944. Passa, então, a ter aulas de pintura com Yolanda Mohalyi e Karl Plattner. Com Lívio Abramo, estuda gravura na década de 50 – com ele fundaria também em 1960 o Estúdio Gravura. Em 1956 estuda design em Nova York, na Universidade Columbia. Ao voltar para o Brasil, volta a estudar gravura com Johny Friedlaender no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ). Participou de diversas exposições individuais e coletivas nacionais e internacionais, ganhando importantes premiações em bienais internacionais. Bonomi é uma das mais atuantes, premiadas e reconhecidas artistas brasileiras.

Maria Leontina (1917-1984) foi pintora, desenhista e gravadora, tendo frequentado o estúdio de Bruno Giorgi (1905-1993) e estudado com Waldemar da Costa (1904-1982), que exerce influência na sua aproximação com o Modernismo. Maria Leontina frequentou também, o ateliê do artista Johnny Friedlaender (1912-1992), junto com seu marido e também artista, Milton DaCosta (1915-1988). Participou da exposição 19 pintores, realizou painéis em importantes edifícios na cidade de São Paulo, recebeu o prêmio nacional da Fundação Guggenheim em Nova York e o prêmio pintura da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA).

Marília Rodrigues (1937-2009), natural de Belo Horizonte, estudou na Escola de Belas Artes de Minas Gerais, época em que o aprendizado de desenho com Haroldo Matos foi marcante para a artista. Foi bolsista no curso de gravura do Museu de Arte Moderna (MAM) no Rio de Janeiro, onde passou a ter aulas com Edith Behring, Rossini Perez e Anna Letycia. Também foi aceita no grupo para aprender xilogravura com Osvaldo Goeldi. Lecionou gravura em metal na Escolinha de Arte do Brasil, Sesc Tijuca, no Rio de Janeiro, na Escola Guignard, em Belo Horizonte e na Universidade de Brasília (UnB). Suas obras podem ser encontradas nas coleções do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC-USP) e Museu de Arte de Belo Horizonte.

Regina Silveira (1939) inicia seus estudos na Escola de Artes da Universidade do Rio Grande do Sul. Na década de 60, estuda pintura, xilogravura e litografia com Iberê Camargo, Francisco Stockinger e Marcelo Grassmann. A convite de Walter Zanini, leciona na Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), onde coordenou o setor de gravura até 1985. Lecionou em faculdades no Brasil e no exterior, incluindo na Escola de Comunicações de Artes da USP (ECA/USP). Participou de exposições nacionais e internacionais, como na Bienal de São Paulo (1981, 1983 e 1998), Bienal do Mercosul (2001 e 2011), Setouchi Triennale, no Japão (2016). Tem importante atuação como artista multimídia, lidando com vídeo-arte, arte postal, realidade virtual, instalações e arte pública. Recebeu o Prêmio Fundação Bunge em 2009, Prêmio APCA em 2011 e Prêmio MASP em 2013.

Uma das mais atuantes e reconhecidas gravadoras brasileira, Renina Katz (1925) formou-se pela Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, mas cedo se transferiu para São Paulo, onde continuou seus estudos, tornando-se também professora da USP. Premiada pelo Salão Nacional de Belas Artes [1951], pelo Salão Paulista de Arte Moderna [1955, 1959] e pelo Panorama de Arte Atual Brasileira [1984], suas obras mereceram mais de 50 exposições individuais no país e no exterior, assim como a participação em centenas de exposições coletivas, incluindo a participação em bienais de São Paulo e Veneza, assim como importantes coletivas em mais de quinze países. Sua obra, de início figurativa, com preocupações sociais, foi se tornando abstrata, mesmo que mantendo algum lastro em paisagens e topografias.

Ruth Bessoudo Courvoisier, Ruth Bess (1914-2015), com uma formação múltipla na conturbada Europa do entreguerras, veio para o Brasil em 1964. Frequentou o ateliê de gravura do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), onde foi aluna de Roberto de Lamonica e Anna Letycia. Gravadora e desenhista, sua formação artística anterior se deu na Academia de Belas Artes de Hamburgo, Academia de Artes Artesanais de Copenhagem e Escola Paul Colin, em Paris. Desenvolveu em técnicas diferentes, como de água-forte, água tinta e relevo a temática de animais da fauna brasileira, como o tapires, tatus e bichos-preguiças. Suas gravuras são encontradas em acervos de instituições internacionais, como no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA).

Sandra Santos (1944), natural de Recife, foi aluna de Isa Aderne e Orlando Silva. Viveu durante 10 anos no exterior, e ao voltar para o Brasil se fixou no Rio de Janeiro. Ganhou destaque pelas suas obras em xilogravura, influenciadas pela gravura nordestina. Trabalhou também com outras técnicas, como serigrafia, gravura em metal, desenho e fotografia - lecionou por 4 anos no MAM-RJ. Suas obras foram utilizadas para capas de LP’s, como o “Rosa de Ouro” e “Choros do Brasil”.

Thereza Miranda (1928) é gravadora, pintora, desenhista e professora. Nasceu no Rio de Janeiro e começou a estudar pintura em 1947, no estúdio de Carlos Chabelland (1884-1950). Na década de 1960, Thereza Miranda inicia-se na gravura em metal no Ateliê de Gravura do Museu de Arte Moderna do Rio. É precursora da fotogravura no Brasil, técnica em que utiliza a fotografia como base da gravura. Representa em suas obras cidades, portas, fachadas da arquitetura brasileira. Participou de diversas bienais no exterior, lecionou aulas de gravura e ilustração na PUC e no MAM do Rio.

Nascida em Tóquio, Tomie Ohtake (1913-2015) chega ao Brasil em 1936 e, ao se encontrar nas artes, integra um dos mais importantes grupos de artistas nipo-brasileiros, junto com Kazuo Wakabayashi, Fukushima e Manabu Mabe. Gravadora, pintora e escultora, a artista só começou a produzir aos 40 anos, influenciada pelo artista japonês Keiya Sugano. Integrou o grupo Seibi, com um breve passagem pela arte figurativa, passando logo para o abstracionismo. Na década de 1970, passa a trabalhar com gravuras em metal, serigrafia e litogravura – incursão que renovou sua obra e foi aclamada criticamente.

Pintora e gravadora nascida no Rio de Janeiro em 1920, Vera Bocayuva Mindlin (1920-1985) tem como mentores, na pintura, Alberto da Veiga Guignard, Pedro Correia de Araújo, Fernand Léger e André Lhote, e, na gravura, Oswaldo Goeldi e Iberê Camargo. Trabalhou principalmente com gravura em metal e litografia, passando pelo figurativismo e abstracionismo. Lançou um álbum de gravuras acompanhado por um poema de João Cabral de Melo Neto. Suas obras fazem parte de importantes acervos, como os do Museum of Modern Art (MoMA-NY) e do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ).

Vera Chaves Barcellos (1938) é gravadora, artista multimídia e professora. Nascida em Porto Alegre-RS, Vera dedicou-se à gravura após sua primeira viagem à Europa, onde frequentou a Central School of Arts and Crafts e a St. Martin's School, ambas em Londres; a Academie van Beeldende Kunsten, em Roterdã, Holanda; e a Académie de la Grande Chaumière, em Paris. Em 1975, volta seu aprendizado à fotografia e técnicas gráficas. Participou de inúmeras exposições no Brasil e no exterior. Atua na cena cultural de Porto Alegre com o Nervo Óptico (176-1978), Espaço N.O (1979- 1982), com a Galeria Obra Aberta (1999-2002) e, desde 2003 com a Fundação Vera Chaves Barcellos, que estimula a pesquisa no campo das Artes.

Vitória Barreiros (1997) é natural de Brasília, bacharel em Artes Visuais na Universidade de Brasília, se dedica ao estudo da cartografia e paisagem por meio de catalogação, observação, coleta e registro. Trabalha com pintura, desenho, instalação e gravura. Durante a graduação se dedicou especialmente ao ateliê de gravura em metal. Participou da residência artística Epecuen na Argentina. Suas obras são o registro de uma cartografia cotidiana do efêmero, a natureza no espaço urbano.

Zoravia Bettiol (1935) frequentou a Escola de Belas Artes de Porto Alegre e teve aulas de desenho e gravura no ateliê de Vasco Prado, com quem foi casada e manteve um ateliê-exposição. Em 1968 estagiou no ateliê de tapeçaria de Maria Laskiewicz, em Varsóvia. No mesmo ano participou II Bienal de Gravura de Crocávia e da III Bienal Americana de Gravura de Santiago do Chile. Participou da IV Bienal Internacional de Tapeçaria de Lausanne em 1969, mesmo ano em que produziu uma exposição individual dos seus trabalhos de tapeçaria em seu próprio ateliê. Ao longo de sua carreira, produziu além de tapeçaria e gravuras, desenhos, murais, joias, instalações e performance. Hoje, o Instituto Zoravia Bettiol, em Porto Alegre, tem como missão preservar e difundir o acervo documental e artístico da artista, além de apoiar manifestações de arte contemporânea.

Sobre a Galeria Oto Reifschneider

Oto Reifschneider é pesquisador, colecionador, curador e marchand - especializado em formação de coleções. Participou de exposições e projetos nacionais e internacionais. Tem artigos publicados pela USP, Academia Brasileira de Letras e Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, entre outros. Idealizou projetos como “Milan Dusek: obra gravada” e "Index DF", ambos disponíveis para consulta on-line. Fez a curadoria e produção de exposições em Brasília [Caixa Cultural, Museu da República, Universidade de Brasília] e em Doha/Qatar [Katara]. As mais recentes foram mostras individuais de Sergio Rizo, em 2018, e de Luis Matuto e Fernando Lopes, em 2019. Dedica-se a gravuras, artes gráficas e obras raras - tema de seu doutorado - há mais de quinze anos. Nesse período, foi formado um amplo acervo de arte moderna e contemporânea na galeria, que representa também artistas nacionais e internacionais, consagrados e novos talentos. A Galeria Oto Reifschneider fica na SCLN 302 Bloco E Loja 41, Asa Norte, Brasília-DF.

Posted by Patricia Canetti at 11:37 AM

Fundação Athos Bulcão lança Calendário Ilustrado que celebra os 60 anos de Brasília

A Fundação lança o Calendário Ilustrado Athos Bulcão 2020. Neste dia, todos terão direito a 1 exemplar gratuito. Quem desejar levar mais exemplares para presentear amigos e familiares, poderá adquiri-los pelo valor unitário de R$ 30,00.

7 de dezembro de 2019, sábado, a partir das 10h

Fundação Athos Bulcão
CLS 404 Bloco D loja 01, Brasília, DF
61-3322-7801

Nesta edição, a Fundação selecionou obras que Athos desenhou para edifícios de Brasília do final da década de 1950 e começo da década de 1960, no momento de criação da nova capital e da mudança do artista para a cidade. “Essa é, para nós, uma maneira de comemorar os 60 anos de Brasília, oferecendo ao público mais algumas das grandes criações de Athos Bulcão que embelezam essa cidade, patrimônio cultural da humanidade,” destaca Valéria Cabral, secretária executiva da Fundação Athos Bulcão.

Para a capa, a pintura mural do Brasília Palace Hotel, de 1958, foi a imagem escolhida, por meio da votação no Instagram. Para cada um dos meses, foram selecionadas fotos de obras como o painel de azulejos da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, o painel de azulejos da Torre de TV e o relevo da fachada do Teatro Nacional, imagens fortemente relacionadas ao imaginário da capital modernista.

O Calendário está sendo produzido graças ao apoio de admiradores de todo o Brasil, por meio de financiamento coletivo. As contribuições para a campanha podem ser feitas na plataforma Catarse até o dia 3 de dezembro. Até o momento, mais de 500 pessoas, de 20 estados, já contribuíram com a realização do Calendário e 66% da meta já foi alcançada. Ainda dá tempo de colaborar e garantir exemplares da publicação. A partir do dia 9 de dezembro, o Calendário será vendido pelo valor unitário de R$30,00.

A loja estará aberta até 19h com as melhores opções de presentes para quem ama Brasília e é apaixonado pela obra de nosso artista. Entre as opções de produtos, nossas molduras com azulejos estarão com 10% de desconto.

Sobre o artista

Athos Bulcão é um artista múltiplo. Nascido no Rio de Janeiro, mudou-se para Brasília em 1958, para colaborar na construção da cidade, onde permaneceu até sua morte em 2008. Na capital do país, torna-se um dos principais artistas a desenvolver uma obra integrada à arquitetura. Em Brasília, seus trabalhos podem ser apreciados nos painéis e relevos para os edifícios do Congresso Nacional, Teatro Nacional Claudio Santoro, Palácio do Itamaraty, Palácio do Jaburu, Memorial JK, Capela do Palácio da Alvorada, Hospital Sarah Kubitschek e outros.

Em 1971, trabalha com Oscar Niemeyer em projetos na França, Itália e Argélia. Sua arte vai da pintura em tela, da qual nunca abriu mão, às fotomontagens, da gravura aos desenhos, máscaras, objetos, cenários e figurinos para teatro e ópera e artes gráficas. Em seus painéis em azulejo destacam-se a modulação e o grafismo habilmente criados com base nas formas geométricas.

Sobre a Fundação Athos Bulcão

A Fundação Athos Bulcão é uma instituição sem fins lucrativos, de direito privado e de utilidade pública distrital, que conserva, pesquisa, comunica, documenta, investiga e expõe o acervo de Athos Bulcão para fins de estudo, apreciação e educação. Investir e preservar o patrimônio cultural é trabalho permanente da instituição, que desenvolve projetos e ações que utilizam os bens culturais deixados por Athos Bulcão como recursos educacionais, turísticos e de entretenimento, estimulando em seu público uma percepção crítica da realidade, valorização da arte brasileira e de seu patrimônio. Possui um acervo de obras, estudos e projetos do artista, que exibe em exposições em sua galeria.

Posted by Patricia Canetti at 11:22 AM

Da Academia ao Virtual na Galeria André, São Paulo

Com curadoria de Mario Gioia, a mostra comemora os 60 anos da galeria, trazendo 80 obras de 60 artistas de diversos períodos e correntes estéticas, de modernistas, surrealistas, abstratos, aristas imigrantes, paisagistas e artistas de vanguarda a artistas contemporâneos

A Galeria de Arte André abre, dia 12 de novembro (terça-feira) a exposição Da Academia ao virtual, com curadoria do crítico de arte Mario Gioia. A mostra traz cerca de 80 obras de 60 artistas que foram icônicos na trajetória da galeria, tendo participado de exposições coletivas ou individuais ao longo dos 60 anos de existência, comemorados em 2019 com uma série de eventos celebrando a data. A exposição terá uma abertura prévia durante o Art Weekend, dias 9 e 10 de novembro, sábado e domingo, das 10h às 18h, com visita guiada do curador Mario Gioia, às 12h, nos dois dias. Como parte das comemorações de 60 anos, também será lançado um livro comemorativo, contando toda a trajetória da galeria, em data a ser definida.

A mostra reúne obras de diversos períodos e correntes estéticas, como os cânones do modernismo Di Cavalcanti, Portinari, Vicente do Rego Monteiro, Cicero Dias, Guignard, Pancetti e Antonio Bandeira, os surrealistas Inos Corradin, Vito Campanella, Djanira e Sônia Menna Barreto, os abstratos Manabu Mabe, Tikashi Fukushima e Arcangelo Ianelli, obras de aristas imigrantes como os do Grupo Santa Helena Clóvis Graciano e Fúlvio Pennacchi e os orientais Jorge Mori e Tomie Ohtake, paisagens de Francisco Rebolo, naturezas-mortas de Burle Marx, Carlos Scliar e Aldo Bonadei e pintura de Darcy Penteado, um dos precursores do movimento LGBT. Um dos núcleos da exposição traz esculturas e objetos de artistas contemporâneos como Alina Fonteneau e Cássio Lázaro, eao lado de artistas renomados como Victor Brecheret, Bruno Giorgi, Sonia Ebling, Calabrone, entre outros.

O curador Mario Gioia fez uma imersão profunda no histórico da galeria, nas suas seis décadas, centenas de catálogos de mostras individuais e coletivas, entrevistas e conversas para chegar a esta mostra. Além da exposição, haverá o lançamento de um livro histórico da galeria, até o fim do ano, com a fortuna de textos críticos e o trabalho de um grupo de especialistas que se debruçou sobre o potente legado do espaço, que começou na Avenida Vieira de Carvalho, centro de São Paulo, passou pela Alameda Jaú, teve um prédio dedicado somente ao tridimensional na Gabriel Monteiro da Silva e hoje é localizada numa tríade de avenidas bem paulistanas, entre a Rebouças, Avenida Estados Unidos e Gabriel Monteiro da Silva.

Dividida em 12 núcleos temáticos, a exposição traz artistas que traçam o percurso histórico da galeria. Fora do lugar traz os artistas surrealistas e fantásticos como Inos Corradin, Vito Campanella, Iracema Arditi, Djanira, Philip Hallawell e Sônia Menna Barreto, que recentemente expôs na galeria a individual Realidade Imaginada. Aqui, cabe o aporte histórico a respeito do artista de origem britânica Hallawell. A individual do artista na galeria, feita em 1976, foi uma revolução em termos editoriais na cidade. A galeria foi precursora ao realizar um primeiro catálogo para uma exposição, tendo sido pioneira nessa produção gráfica, em texto escrito por Pietro Maria Bardi, figura central na arte brasileira e muito próximo da galeria.

Em O triunfo da beleza, o espanhol Augustin Salinas y Teruel traz três raras pinturas paisagísticas de escala intimista, e o campineiro Aldo Cardarelli apresenta um quadro com uma típica paisagem do interior de São Paulo. No núcleo Desterros, a origem imigrante é a tônica, com artistas oriundos do Grupo Santa Helena como Clóvis Graciano e Fúlvio Pennacchi, artista que inaugurou a atual sede da galeria, em 1982, além dos orientais Michinori Inagaki, Jorge Mori e Tomie Ohtake.

O pintor e arquiteto Antonio Augusto Marx, além de Raquel Taraborelli, Jenner Augusto, Francisco Rebolo e Darcy Penteado estão no núcleo Panoramas do sensível, dedicado à paisagem. Em sua última exposição ainda vivo, em 1986, Darcy Penteado, já sabendo seu diagnóstico HIV positivo, promoveu na galeria um concerto da cantora lírica Majú de Carvalho, fazendo uma performance como a Dama Negra, presente em diversas pinturas do artista. Foi sua despedida como artista. De Raquel Taraborelli, a mostra também exibe uma aquarela que retrata o prédio da galeria, com suas conhecidas colunas vermelhas.

Na natureza posada, artistas como Burle Marx, Sérgio Ferro, José Moraes, Carlos Scliar, artista muito próximo da galeria, que teve cinco individuais durante sua trajetória, e Aldo Bonadei, mostram, cada um com sua poética, suas naturezas mortas. Essas obras estarão ladeadas, no projeto expográfico, com as obras tridimensionais, do núcleo Em meio a. Nele, esculturas e objetos de artistas contemporâneos como Alina Fonteneau e Cássio Lázaro, estarão ao lado de artistas renomados como Victor Brecheret, Bruno Giorgi, Sonia Ebling, Calabrone, entre outros.

Domenico Calabrone abriu a filial da galeria na Gabriel Monteiro da Silva, totalmente dedicada ao tridimensional -uma ousadia à época-, que funcionou durante 30 anos mostrando esculturas modernas e contemporâneas. O artista viajou para a Itália para escolher e preparar peças em mármore de Carrara. Outro destaque desse núcleo é Sonia Ebling, uma artista com formação europeia e vasta produção, e que teve suas esculturas trabalhadas com exclusividade pela galeria. Ainda nesse núcleo, está Sonia Menna Barreto, artista com uma trajetória com a galeria, já que foi André Blau quem a estimulou a aperfeiçoar sua técnica com Jorge Mori, lhe propôs sua primeira exposição e um contrato de exclusividade.

No embate de formas e cores demonstra o apreço da galeria pela abstração, com nomes como Manabu Mabe, Tikashi Fukushima, Arcangelo Ianelli e Walmir Teixeira. Modernistas e modernidades traz cânones atuais como Di Cavancanti, Portinari, Vicente do Rego Monteiro, Cicero Dias, Guignard, Pancetti e Antonio Bandeira estão nesse núcleo. Di Cavalcanti, por exemplo, sempre esteve presente na galeria, tendo inclusive morado perto e visitado a galeria algumas vezes para oferecer seus quadros.

No núcleo Por sobre as superfícies estão desenhos e pinturas de artistas como Carlos Scliar, Aldo Bonadei, Sônia Menna Barreto, Philip Hallawell, Carybé e Aldemir Martins. Os dois últimos foram apresentados pelo escritor Jorge Amado em suas individuais na galeria. De Carybé ainda houve uma iniciativa inovadora para a época de sua mostra individual. A galeria fez uma itinerância com suas serigrafias por 13 cidades brasileiras, para tornar a sua arte acessível para além do eixo Rio –São Paulo. Entre os fios traz um importante eixo da história da galeria, que são os tapetes de origem asiática, que por décadas foram muito valorizados e contaram com um mercado bastante ávido.

Por fim, Aqui, agora, os contemporâneos Fernando Cardoso, Herton Roitman, Rodrigo Cunha e João César de Melo mostram suas produções ativas e experimentos em diversas linguagens e aponta novos desdobramentos e continuidade da história da galeria. O hiper-realismo não fica de fora: Armando Sendin, Rafael Resaffi e Marco Stellato, representam a corrente artística no núcleo Em condições normais.

Sobre o curador Mario Gioia

Nascido em São Paulo, em 1974, é graduado pela ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo). Integrou o grupo de críticos do Paço das Artes desde 2011, instituição na qual fez o acompanhamento crítico de Luz Vermelha (2015), de Fabio Flaks, Black Market (2012), de Paulo Almeida, e A Riscar (2011), de Daniela Seixas. Foi crítico convidado de 2013 a 2015 do Programa de Exposições do CCSP (Centro Cultural São Paulo) e fez, na mesma instituição, parte do grupo de críticos do Programa de Fotografia 2012. Em 2016, a mostra Topofilias, com sua curadoria, no Margs (Museu de Arte do Rio Grande do Sul), em Porto Alegre, foi contemplada com o 10º Prêmio Açorianos, categoria desenho. É colaborador de periódicos de artes como Select e foi repórter de artes visuais e arquitetura da Folha de S.Paulo de 2005 a 2009. De 2011 a 2016, coordenou o projeto Zip'Up, na Zipper Galeria, destinado à exibição de novos artistas e projetos inéditos. Na ArtLima 2017 (Peru), assinou a curadoria da seção especial CAP Brasil, intitulada Sul-Sur, e fez o texto de Territórios Forjados (Sketch Galería, 2016), em Bogotá (Colômbia). Em 2018, assinou a seção dedicada ao Brasil na Pinta (Miami, EUA) e a curadoria de Esquinas que me atravessam, de Rodrigo Sassi (CCBB-SP).

Sobre a Galeria de Arte André

Uma das galerias de arte mais tradicionais da cidade de São Paulo, a Galeria de Arte André completa 60 anos em 2019 como a maior galeria de arte da América Latina e anuncia a fusão de suas sedes e acervos. Atualmente dirigida por Juliana Blau, a casa fundada em 1959 pelo romeno André Blau (1930-2018) ajudou a forjar o mercado de arte no Brasil e passou por diversos endereços até se consolidar na Rua Estados Unidos, entre a Avenida Rebouças e a Alameda Gabriel Monteiro da Silva.

Referência no mercado de arte brasileira, há décadas a Galeria de Arte André acolhe gerações de artistas e incentiva o surgimento de colecionadores e amantes das artes. Conhecida pelo seu acervo de esculturas e obras de artistas como Di Cavalcanti, Candido Portinari, Alfredo Volpi, Aldemir Martins, Manabu Mabe, Hector Carybé, Roberto Burle Marx, entre muitos outros, a casa oferece ao público exposições periódicas e projetos educacionais e culturais.

Posted by Patricia Canetti at 10:45 AM

MAR lança podcast e websérie inspirados na exposição “O Rio dos Navegantes” e em obras de sua Coleção

Os lançamentos fazem parte do Projeto Cultural de Fortalecimento do Museu, realizado com patrocínio do BNDES

No dia da Consciência Negra, 20 de novembro, o Museu de Arte de Rio, sob a gestão do Instituto Odeon, lança em seu site e nas plataformas de streaming os dois primeiros produtos de seu MediaLab: um podcast inspirado na exposição “O Rio dos Navegantes” e uma websérie que relaciona peças do acervo a lugares e personagens da Pequena África. Os lançamentos fazem parte do Projeto Cultural de Fortalecimento do MAR, realizado com o patrocínio do BNDES.

Para o podcast, dez autores negros foram convidados a escreverem histórias inéditas e inspiradas no conteúdo da exposição “O Rio dos Navegantes”, principal mostra do museu em 2019. Participam da série Conceição Evaristo, André Capilé, Bernardo Oliveira, Vilma Piedade, Tatiana Pequeno, Renato Noguera, Ana Paula Lisboa, Gabe Passareli, Valeska Torres e Elisa Lucinda, que além de escrever um episódio também é responsável por dar voz a essas narrativas, que enaltecem a trajetória de personagens negros e a vinda de imigrantes para o Brasil.

No episódio de abertura e que dá nome ao podcast, “Águas de Kalunga”, a escritora mineira Conceição Evaristo apresenta um texto que aborda poeticamente a preservação da memória, suas dores e prazeres. Em “Até onde vai o mar”, inspirado no núcleo “Usos das Águas”, a jornalista Ana Paula Lisboa narra a trajetória de Marina, uma menina que nasceu em Minas e mudou-se para o Rio para viver perto do mar. Os episódios do podcast “Águas de Kalunga” serão lançados sempre às quartas e sextas-feiras, no site e nas plataformas digitais - Spotify e Deezer.

No dia 21, estreia no canal do museu no Youtube a websérie “MAR na Rua”, que se debruçou sobre a relação de obras da Coleção com a história contada por pessoas de seu entorno, por meio de diversos lugares, como o Cais do Valongo, o Morro da Conceição e o Morro da Providência. A seleção das obras, locais e personagens foi feita pela historiadora Raquel Barreto, da UERJ. Participam da série de cinco episódios o fotógrafo Maurício Hora, o artista Mulambö, a educadora Pâmela Carvalho, a diretora do Instituto dos Pretos Novos, Merced Guimarães, e a Mãe Celina de Xangô.

No primeiro episódio, a educadora, historiadora e ativista Pamela Carvalho fala sobre os pontos de interseção entre a sua vida e a história do Rio a partir da obra “Vista de Botafogo e Pão de Açúcar” (1910), de Augusto Malta, presente na exposição “O Rio dos Navegantes”. O artista visual Mulambö, inspirado na obra “Cena de ateliê” (1908), de Artur Timóteo da Costa (1882 - 1922), aborda sua relação com o território carioca, a ancestralidade das cores utilizadas em seus trabalhos, além da herança dos povos originários do Brasil. O artista atualmente está em cartaz no MAR com a mostra individual “Tudo Nosso”. Os episódios da websérie “MAR na Rua” serão lançados sempre às quintas-feiras.

Grade de programação podcast “Águas de Kalunga”

20 nov – “Águas de Kalunga”, por Conceição Evaristo #1
22 nov – “Demuda”, por André Capilé #2
27 nov – “O Elemento Acendrado”, por Bernardo Oliveira #3
29 nov – “Maria e o Mar”, por Vilma Piedade #4
04 dez – “Sanzala-Motins”, por Tatiana Pequeno #5
06 dez – “Uma Criança Na Multidão”, por Renato Noguera #6
11 dez – “Até Onde Vai o Mar”, por Ana Paula Lisboa #7
13 dez – “A Cada Passo”, por Gabe Passareli #8
18 dez – “Conceição”, por Valeska Torres #9
20 dez – “Pela Limpeza dos Mares”, por Elisa Lucinda #10

Ficha Técnica
MediaLab MAR
Proposição e direção do projeto: Eleonora Santa Rosa
Coordenação: Amanda Bonan
Podcast Águas de Kalunga
Criação Amanda Bonan, Juliana Pereira, Marcelo Campos e Rubia Mazzini
Direção Artística: Mariana Kaufman
Produção: Lisa Eiras
Narração dos textos: Elisa Lucinda
Trilha Sonora: Ricardo Cotrim
Edição finalização de som: Guilherme Farkas
Realização: Fagulha Filmes

Grade de programação websérie “MAR na Rua”

21 de nov – “O MAR olha para o Rio”, com Pamela Carvalho #1
28 de nov – “Representação de si – Representação do outro”, com Mauricio Hora #2
05 de dez – “Esqueletos no subsolo”, com Merced Guimarães #3
12 de dez – “O que é preciso para fazer arte”, com Mulambö #4
19 de dez – “Cosmovisões Negras”, com Mãe Celina de Xangô #5

Ficha técnica
Vídeos: Escada Amarela

Posted by Patricia Canetti at 9:47 AM

MASP lança aplicativo de áudios

MASP lança aplicativo de áudios: Patrocinado pela Ericsson, app será oferecido em versões iOS e Android a partir de dezembro

O MASP Áudios, aplicativo que será lançado em 3 de dezembro pelo Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), funcionará como um áudio guia, mas sem estabelecer ao visitante a necessidade de um roteiro pré-definido. O app tem patrocínio da Ericsson e será oferecido em versões iOS e Android. Vale lembrar que o MASP disponibiliza Wi-Fi para os visitantes e o app será gratuito.

Por meio da realidade aumentada, o aplicativo irá expandir a experiência dos visitantes proporcionando uma imersão no acervo. O funcionamento é simples: basta apontar o celular para a obra escolhida, a câmera fará o reconhecimento de imagem e o áudio começará automaticamente. Também é possível pesquisar pelo título da obra ou pelo nome do artista para ter acesso aos áudios em qualquer lugar. Ao final da navegação, o usuário terá registrado um roteiro com as obras pelas quais passou. E ele também poderá criar uma coleção própria com base no acervo do MASP, escolhendo seus trabalhos favoritos.

Os áudios não são apenas explicações técnicas, formais ou áudio descrições, e sim leituras abrangentes e plurais que contextualizam a obra, o artista e o período artístico ao qual pertencem.

O aplicativo estreia com 160 áudios de historiadores, curadores (de dentro e fora do MASP), artistas, professores, pesquisadores, ativistas e até de algumas crianças. Neles, são exploradas principalmente as obras da coleção que estão expostas nos cavaletes de cristal projetados por Lina Bo Bardi no segundo andar do prédio, na exposição Acervo em transformação. Também será possível ouvir impressões de obras de algumas exposições temporárias.

Os áudios variam de um a três minutos e algumas obras têm mais de uma leitura.

A maioria das faixas já integrava um projeto do núcleo de Mediação e Programas Públicos do museu que começou em 2015. Esse conteúdo continuará disponível no Soundcloud (soundcloud.com/maspmuseu) e no site do MASP (masp.org.br).

A curadoria dos participantes e das obras preza pela diversidade, inclusão e pluralidade, missão da instituição. A aplicativo também é um passo importante rumo a um museu mais acessível, já que poderá ser usado por pessoas cegas e/ou com mobilidade reduzida.

Outras premissas da instituição continuam sendo respeitadas, como a autonomia do visitante ao escolher o trajeto que poderá fazer no Acervo em Transformação ---privilegiando sempre as obras, e não as legendas (que continuam atrás dos cavaletes).

A seleção de vozes inclui nomes da curadoria do MASP, como Amanda Carneiro e Lilia Schwarcz, profissionais que passaram pelos ciclos temáticos de “histórias”, como Hélio Menezes, artistas como Anna Maria Maiolino, Erika Verzutti, Leda Catunda e Thiago Honório, além de Aracy Amaral, historiadora da arte, Regina Teixeira de Barros, curadora e professora, Valeria Piccoli, curadora da Pinacoteca, Ivo Mesquita, curador independente, alunos que tinham, na época da gravação, entre 8 e 10 anos da Escola Municipal Desembargador Amorim Lima e Colégio São Domingos, entre outros.

Posted by Patricia Canetti at 9:42 AM

Obra de Renoir será próximo restauro do MASP a partir da campanha de IR 2019

‘Rosa e azul’, de Renoir, será próximo restauro do Masp a partir da campanha de Imposto de Renda 2019

Em 2018, obra escolhida foi ‘Retirantes’, de Portinari, que está em fase de finalização e deve voltar ao Acervo em Transformação até o final do ano

Feita em 1881 por Pierre-Auguste Renoir, a pintura “Rosa e azul - As meninas Cahen d’Anvers”, uma das mais icônicas do acervo do MASP, foi indicada para ser restaurada a partir da campanha “Adote uma Obra” em 2019. O projeto, que existe desde 2017, possibilita que recursos arrecadados por meio de doações de imposto de renda sejam utilizados na preservação do acervo do museu.

Segundo Sofia Hennen, responsável pelo núcleo de conservação e restauro do MASP: “O quadro de Renoir foi escolhido por apresentar algumas zonas de pintura frágeis, além de alguns problemas estéticos, tais como irregularidades no verniz”.

Em um primeiro momento, será feito um estudo aprofundado da técnica e do estado da obra para que depois seja escolhido o tratamento adequado. Um especialista em pintura francesa do século 19, ainda em definição, ficará responsável pelo processo.

A primeira edição da ação, há dois anos, custeou o restauro de “O Escolar”, de Van Gogh, feito no Museu Van Gogh, em Amsterdã. Em 2018, a obra “adotada” foi “Retirantes”, de Candido Portinari. A pintura do modernista brasileiro passa pela última etapa de tratamento e deve retornar aos cavaletes de cristal de Lina Bo Bardi ainda neste ano.

Ao lado de “Retirantes”, a equipe de conservação e restauro do MASP estudou e tratou duas outras obras de Portinari: “Criança morta” e “Enterro na rede”, também de 1944. O trabalho em conjunto nas três telas permitiu ganhos e sinergias, já que as obras têm diversos pontos de contato e parecem ter sido criadas como uma série.

Juntos, os três quadros foram submetidos em abril a diferentes exames científicos, realizados por uma equipe do Instituto de Física da USP (IFUSP). Em seguida, as obras receberam diagnóstico e prescrição por uma equipe formada por restauradores do MASP e externos, do ateliê De Vera Artes, escolhidos pela experiência com obras de Portinari.

De modo geral, as três obras, que passaram por intervenções e restauros ao longo dos anos, apresentavam bom estado de conservação, mas mostravam problemas pontuais como falta de tensão nas telas, craquelês (fissuras), pequenas perdas na camada pictórica e irregularidade no verniz. O tratamento, por isso, incluiu limpeza, reintegração cromática e aplicação de verniz, entre outras medidas.

“Nosso trabalho visa conservar a pintura no futuro e melhorar sua leitura e apreciação pelo público”, diz Sofia.

Para doar, basta acessar o site do MASP (masp.org.br/doe), clicar no botão “Quero doar” e preencher o cadastro com seus dados e o valor da doação. Na sequência, o museu enviará um e-mail com os dados bancários e, após identificado o pagamento, o museu enviará o recibo de mecenato, que deverá ser anexado à declaração do imposto de renda. O valor mínimo da doação é de R$ 300. Caso o contribuinte tenha imposto a ser restituído, a doação aumenta o valor da restituição. Pessoas jurídicas também podem adotar uma obra do MASP, como garante a Lei Federal de Incentivo à Cultura, porém com alíquotas de dedução diferenciadas.

Qualquer pessoa pode doar, desde que seja optante pela declaração “modelo completo” e não ultrapasse o limite global de 6% do IR devido.

Neste mesmo link (masp.org.br/doe), o interessado também encontra as respostas para as dúvidas mais frequentes. A data limite para doação é 27/12/2019.

Posted by Patricia Canetti at 9:36 AM

Jorge Pardo na Pinacoteca, São Paulo

Artista Jorge Pardo instala ambiente interativo no Octógono da Pinacoteca

Primeira exposição no Brasil de um dos mais importantes artistas da atualidade convida o público a experimentar o que significa viver com a arte

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, apresenta, de 7 de dezembro de 2019 a 2 de março de 2020, a exposição Jorge Pardo: Flamboyant, que ocupa o Octógono do edifício Pina Luz. Com curadoria de Jochen Volz, diretor-geral do museu, a mostra apresenta uma instalação interativa inédita composta de 14 peças que convida o público a experimentar um momento de fruição e de contemplação. Considerado um dos mais importantes artistas da atualidade, o cubano vem utilizando-se das linguagens do desenho e da escultura a fim de explorar os limites entre a arte, o design e os espaços de convivência.

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A tática de Pardo tem sido a de inverter a desmaterialização conceitualista inicial do objeto de arte para homenagear as coisas imaginadas no plano material. Assim, sua trajetória criativa, que ganhou grande destaque nos anos 1990 como parte do movimento de estética relacional – termo cunhado pelo crítico francês Nicolas Bourriaud –, inclui tanto mostras individuais em instituições renomadas internacionalmente e participações nas grandes exposições coletivas, como a 57ª Bienal de Veneza, como a decoração de hotéis, a exemplo do recém-inaugurado L´Arlatan, residência artística e hotel situado em Arles (França), e a ambientação de restaurantes, como o do Hammer Museum, em Los Angeles, e o do parlamento do governo federal alemão, em Berlim.

“Estou interessado em perguntar: onde a arte supostamente deve parar? É quase impossível controlar onde o movimento começa e onde termina”, afirmou o artista em abril de 2019, em entrevista a uma revista norte-americana. Para o Octógono da Pinacoteca, Pardo desenvolve um “espaço de estar” composto de um tapete redondo listrado de amarelo, de cobre e de laranja, treze luminárias e de sete cadeiras de balanço, todos desenhados e fabricados por ele. O conjunto propõe evocar uma experiência familiar à do descanso sob o pé de uma árvore, convidando o visitante a desfrutar das frondosas peças que, assim como o flamboyant, exalam uma beleza transitória.

A obra dialoga ainda com a arquitetura e a história do edifício da Pinacoteca que, até 1911, sediou o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. “A relação entre as belas-artes e as artes aplicadas foi fundamental na origem da Pinacoteca. É interessante que Pardo retome a discussão um século depois. A instalação de luminárias faz claramente uma referência ao grande chandelier instalado no Belvedere, antiga entrada principal do museu, cujo acesso era realizado pela Avenida Tiradentes” explica Jochen Volz.

Concebidas digitalmente, compostas de centenas de pedaços de plástico reciclado, de aço e de alumínio, cortadas a laser e finalizadas à mão pelo estúdio do artista, as luminárias estão penduradas em uma malha de cabos de aço rebaixada no espaço do Octógono. Seus efeitos serão revelados somente no espaço. "Gosto de trabalhar dessa maneira", comenta Pardo a respeito da técnica digital que permite criar arranjos complexos. "Você não sabe como será até acender a luz."

A composição do ambiente homenageia a pintura The Painter´s Studio [O ateliê do pintor], 1855, de Gustave Courbet. Tal como o artista francês concebeu aquela obra como espécie de alegoria de seu tempo e em referência a diversos signos de seu universo de influências (figuras da sociedade, a modelo nua como referência à academia, entre outras), o cubano presta sua própria homenagem ao celebrado pintor realista, transformando algumas das figuras de sua obra em ornamentos para as cadeiras. “Essa imagem de Courbet me chamou atenção porque evidencia uma negligência organizacional na qual a profundidade de campo é inexistente, revelando um ar de inacabado. O que me inspira a criar uma atmosfera na qual há um balançar em uma boa cadeira sob uma bela luz”, reflete o artista.

A exposição tem patrocínio da Tiffany&Co e Alexandre Birman e sua realização só foi possível graças ao apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e ao PROAC ICMS.

SOBRE JORGE PARDO

Jorge Pardo nasceu em Havana, Cuba, em 1963, e vive e trabalha em Mérida, México. O artista estudou na Universidade de Illinois, Chicago, e recebeu seu BFA (sigla em inglês para bacharelado em belas-artes) pelo Art Center College of Design, em Pasadena, Califórnia. Vem sendo contemplado por vários prêmios ao longo de sua carreira, incluindo o MacArthur Fellowship Award (2010); o Smithsonian American Art Museum Lucelia Artist Award (2001) e o Louis Comfort Tiffany Foundation Award (1995). Tem realizado diversas exposições individuais em galerias e em instituições consagradas, incluindo David Gill Gallery, Londres (2015); neugerriemschneider, Berlin (2014); Petzel Gallery, Nova York (2014); Gagosian Gallery, Nova York (2010); Galeria Gisela Capitain, Colônia (2012); Irish Museum of Modern Art, Dublin (2010); K21 Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen, Düsseldorf (2009); Los Angeles County Museum of Art (2008); e Museum of Contemporary Art, Miami (2007). Participou de importantes mostras coletivas como a 57ª Bienal de Veneza (2017). Suas obras integram uma série de importantes coleções públicas, incluindo o Museum of Contemporary Art, em Los Angeles; Museum of Modern Art, em Nova York e a Tate Modern, em Londres.

PROJETO OCTÓGONO

Criado em 2003, o projeto Octógono Arte Contemporânea ocupa um espaço importante da Pina, apresentando produções de arte contemporânea comissionadas pelo museu. Ao longo desses 15 anos, o projeto apresentou cerca de 40 sites-specifics de artistas brasileiros e estrangeiros, entre eles Ana Maria Tavares, Artur Lescher, Carla Zaccagnini, Carlito Carvalhosa, Joana Vasconcelos, João Loureiro, José Spaniol, Laura Vinci, Laura Lima, Regina Silveira, Rubens Mano, entre outros.


Artist Jorge Pardo sets up an interactive installation at Pinacoteca’s Octagon

The first Brazilian exhibition of one of the most important artists of our time invites the public to experience the meaning of living with art

The Pinacoteca de São Paulo museum, managed by the State of São Paulo Culture and Creative Economy Department, presents from December 7, 2019, to March 2, 2020, the show Jorge Pardo: Flamboyant, held at the Octagon in Pina Luz building. Curated by Jochen Volz, the museum’s general director, the exhibition showcases an original interactive installation comprised of 14 pieces, which invites the public to experience a moment of enjoyment and contemplation. Cuban Jorge Pardo, regarded as one of the most important artists or our time, has been making use of the languages of drawing and sculpture to explore the boundaries between art, design and shared living spaces.

Pardo’s tactics has consisted in reversing the conceptualist dematerialization of the art object in order to pay homage to imagined things on the material plane. His creative trajectory, which came into focus in the 1990s inside the relational aesthetics movement – a term coined by French critic Nicolas Bourriaud –, includes not only solo shows at renowned international institutions and participation in large group exhibitions, such as the 57th Venice Biennale, but also the interior design of hotels such as the recently-opened L´Arlatan, a hotel and artistic residence in Arles (France), and the creation of décor for restaurants such as those at the Hammer Museum, in Los Angeles, and the German federal parliament, in Berlin.

“I’m interested in asking: where is art supposed to stop? It’s almost impossible to control where that motion starts and stops,” said the artist in an interview given to an American magazine in April 2019. For Pinacoteca’s Octagon, Pardo has created a ‘living space’ which comprises a round carpet with yellow, copper and orange stripes, thirteen light fixtures and seven rocking chairs, all of which were designed and manufactured by Pardo himself. The set intends to evoke the familiar experience of resting under a tree, inviting the visitor to enjoy the lush pieces which, like the flamboyant tree (Delonix regia), exude a transient beauty.

The work also strikes a dialogue with the architecture and history of Pinacoteca’s headquarters, which housed the São Paulo Arts and Crafts Lyceum until 1911. “The relationship between fine art and applied art was very important when the Pinacoteca came into being. It is interesting to see Pardo taking up the same discussion one century later. The light fixtures installation is a clear reference to the great chandelier positioned at the Belvedere, the museum’s old main entrance, which was accessed from Tiradentes Avenue”, explains Jochen Volz.

The digitally-designed light fixtures are made of hundreds of laser-cut recycled plastic, steel and aluminum pieces put together and finished by hand at the artist’s studio. They hang from a mesh of steel cables that hovers over the Octagon. Their effects can only be revealed in space. “I like to work in this way”, says Pardo about the digital technique that allows the creation of complex layouts. “You don’t know what it will look like until you turn the lights on”.

The environmental layout is an homage to The Painter´s Studio, a 1855 painting by Gustave Courbet. Just as the French artist conceived his work as a sort of allegory of his times and made reference to several signs drawn from his universe of influences (society characters, the nude model as a reference to the academy, and others), Pardo pays his own homage to the celebrated Realist painter, using some figures from his work as ornaments for his chairs. “Courbet’s image has attracted my attention because it displays an organizational negligence in which there is no depth of field at all, revealing a feeling of lack of finish. This inspires me to create an atmosphere in which one can rock on a good chair under some beautiful lighting”, reflects the artist.

This show is sponsored by Tiffany&Co and Alexandre Birman and was only made possible by the support of the Federal Culture Incentives Law and PROAC ICMS.

ABOUT JORGE PARDO

Jorge Pardo was born in Havana, Cuba, in 1963, and lives and works in Merida, Mexico. He studied at the University of Illinois, Chicago, and got his BFA from the Art Center College of Design in Pasadena, California. Pardo has won several awards throughout his career, including the MacArthur Fellowship Award (2010); the Smithsonian American Art Museum Lucelia Artist Award (2001); and the Louis Comfort Tiffany Foundation Award (1995). He has held several solo shows at well-known galleries and institutions, such as the David Gill Gallery, London (2015); the neugerriemschneider, Berlin (2014); the Petzel Gallery, New York (2014); the Gagosian Gallery, New York (2010); the Galeria Gisela Capitain, Köln (2012); the Irish Museum of Modern Art, Dublin (2010); the K21 Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen, Düsseldorf (2009); the Los Angeles County Museum of Art (2008); and the Museum of Contemporary Art, Miami (2007). Pardo has taken part in large collective exhibitions, such as the 57th Venice Biennale (2017). His works are present at several important public collections, including the Museum of Contemporary Art, Los Angeles; the Museum of Modern Art, New York; and Tate Modern, London.

OCTAGON PROJECT

The Octagon Contemporary Arts Project was launched in 2003 and occupies an important space at Pina, showcasing contemporary art productions commissioned by the museum. Over these 15 years, the Project has presented about 40 site-specific works by Brazilian and foreign artists such as Ana Maria Tavares, Artur Lescher, Carla Zaccagnini, Carlito Carvalhosa, Joana Vasconcelos, João Loureiro, José Spaniol, Laura Vinci, Laura Lima, Regina Silveira and Rubens Mano, among others.

Posted by Patricia Canetti at 8:58 AM

dezembro 4, 2019

Triangular: arte deste século - Aquisições recentes para o acervo da Casa da Cultura da América Latina da Universidade de Brasília

Exposição em Brasília reunirá obras de mais de 100 artistas brasileiros contemporâneos

Em dezembro a Casa Niemeyer receberá a exposição Triangular: arte deste século - Aquisições recentes para o acervo da Casa da Cultura da América Latina da Universidade de Brasília. A exposição celebrará as novas aquisições de arte contemporânea da Universidade de Brasília - UnB e contará com obras de cerca de 100 artistas de todo o Brasil. Entre eles: Ana Teixeira (MG), Aline Motta (RJ), Bárbara Wagner (DF), Dalton Paula (GO), Danielle Fonseca (PA), Denilson Baniwa (AM), Gê Orthof (DF), Grupo Contrafilé (SP), Guerreiro do Divino Amor (RJ), Helô Sanvoy (GO), João Castilho (MG), Juliana Notari (PE), Laercio Redondo (RJ), Lenora de Barros (SP), Lyz Parayzo (SP), Marcelo Silveira (PE) e Sérgio Sister (SP).

Os artistas presentes na mostra estão entre os mais reconhecidos pelo cenário artístico nos últimos anos. Bárbara Wagner ocupou o pavilhão brasileiro da 58ª Bienal de Veneza, este ano; Denilson Baniwa será o representante brasileiro na 22ª Bienal de Sidney, Austrália, em 2020; Guerreiro do Divino Amor foi premiado com a Bolsa Pampulha (MG) e vencedor do Prêmio Pipa 2019; Lyz Parayzo participou de importantes mostras nacionais como ‘Histórias da sexualidade’ (Masp/SP) e ‘Mulheres na coleção do MAR; e Dalton Paula foi integrante do 36º Panorama da Arte Brasileira e vencedor do 7º Prêmio Marcantonio Vilaça, entre outros.

A mostra, com entrada gratuita, abre dia 6 de dezembro, às 19h. A visitação segue até agosto de 2020. Durante esse período, serão realizadas diversas ativações com artistas, palestrantes e outros agentes culturais.

A Casa Niemeyer foi projetada pelo próprio Oscar Niemeyer para lhe servir de morada durante a construção de Brasília. Hoje pertence ao patrimônio da UnB e é associada à Casa da Cultura da América Latina – CAL, formando a Diretoria de Difusão Cultural da Universidade de Brasília.

Triangular - arte, educação e esforço coletivo

O título da exposição é inspirado na ‘Abordagem Triangular’ da professora Ana Mae Barbosa, aposentada pela Universidade de São Paulo e que também deu aulas na Universidade de Brasília. Referência na área de arte-educação, Ana Mae foi a primeira pesquisadora no Brasil a ter doutorado na área e a preocupar-se com a sistematização do ensino de Arte em museus do país. A abordagem teorizada por Ana Mae visa levar aluno e professor a refletirem de forma crítica sobre arte, assegurando uma aprendizagem que se baseia em três pilares: contextualização, apreciação e prática.

Aplicada à curadoria, que é assinada por Ana Avelar, curadora da Casa Niemeyer e professora de Teoria, Crítica e História da Arte na UnB, e Gisele Lima, curadora independente e ex-aluna do mesmo curso, o método de Ana Mae tem por objetivo ressaltar a importância do museu universitário dentro da sociedade contemporânea. “Os museus universitários oferecem – e são local privilegiado para isso – um espaço de formação oficial de curadores, críticos, museólogos, pesquisadores e outros agentes do meio artístico. São instituições fundamentais para a formação de qualquer estudante voltado às artes visuais, oferecendo uma experiência profissionalizante. Os alunos e alunas têm a oportunidade de discutir arte in loco, algo insubstituível para a formação deles e delas”, explicou Avelar, que já foi responsável pela curadoria de importantes exposições em Brasília como ‘Brasília Extemporânea’, ‘Quando formas se tornam relatos’ e ‘Detrito Federal’.

Para a curadora Gisele Lima, formada na UnB, a aquisição de acervos, a aberturas de exposições e a existência de um espaço museal da Universidade aprimoram a formação de profissionais e pesquisadores. “Encerrei minha graduação em Teoria, Crítica e História da Arte na UnB em 2016, naquela época não existiam projetos como esse, de pesquisa, montagem de acervo e curadoria. Senti falta desse tipo de estudo, pois ele possibilita a redescoberta de obras, a construção de novas leituras e contextos para a produção artística. Além da comunidade, que ganha uma exposição muito rica, pesquisadores e acadêmicos terão agora mais um espaço para ampliar suas pesquisas”, afirma Lima.

As curadoras também destacaram o caráter colaborativo da Triangular. “Conseguimos a adesão de mais de 100 artistas nacionais em seis meses de trabalho. Dado o caráter educativo da ação -- as obras farão parte do acervo de uma universidade federal --, os artistas se dispuseram a realizar doações e colaborar para construção deste acervo de arte contemporânea brasileira recente que certamente estará entre os mais representativos do país”, destacou Ana Avelar. A coleção estará disponível no site acervocal.unb.br em breve e poderá ser consultado gratuitamente.

Com a exposição e aquisição das obras que farão parte da mostra, a Casa da Cultura da América Latina e a Casa Niemeyer constituirão o principal braço de arte contemporânea da Universidade de Brasília, possibilitando que toda a comunidade tenha acesso às obras e fomentando a pesquisa acadêmica no campo da produção artística brasileira realizada neste século. A exposição contará com uma grande variedade de suportes como vídeos, intervenções, performances, tridimensionais, histórias em quadrinhos, desenhos e pinturas. Todas as obras apresentadas integrarão a coleção Triangular: arte deste século.

Posted by Patricia Canetti at 5:08 PM

dezembro 2, 2019

Bate-papo com artistas lança Hans Ulrich Obrist - Entrevistas brasileiras no IMS, Rio e São Paulo

Lançamento de Hans Ulrich Obrist – Entrevistas brasileiras vol. 1, Hans Ulrich Obrist, com bate-papo entre artistas. Em São Paulo, Anna Bella Geiger e Antonio Manuel, com mediação de João Fernandes, e, no Rio de Janeiro, Iole de Freitas e o Waltercio de Caldas, com mediação de Marcelo Campos.

3 de dezembro de 2019, terça-feira, às 19h

Instituto Moreira Salles - IMS Paulista
Av. Paulista 2424, Consolação, São Paulo
Retirada de senha a partir das 18h

5 de dezembro de 2019, quinta-feira, às 20h

Instituto Moreira Salles - IMS Rio
R. Marquês de São Vicente 476, Gávea, Rio de Janeiro
Retirada de senha a partir das 19h15

O curador e diretor da Serpentine Gallery, em Londres, Hans Ulrich Obrist viaja pelo mundo há 30 anos gravando suas conversas com artistas e pensadores sobre temas que extrapolam as artes visuais e alimentam discussões sobre a criatividade, a inventividade e a construção do futuro, da cultura e da sociedade. Em Hans Ulrich Obrist – Entrevistas brasileiras vol. 1, publicado pela Editora Cobogó, Obrist apresenta uma seleção de 36 entrevistas com artistas e intelectuais pioneiros de diferentes áreas do conhecimento que nasceram no Brasil ou adotaram o país como lugar de produção de seu trabalho. “É um livro que pode ser interpretado como um protesto contra o esquecimento”, afirma o curador. Para celebrar a publicação, serão reunidos alguns dos entrevistados do livro para dois bate-papos. O primeiro será no dia 3 de dezembro, terça, no Instituto Moreira Salles de São Paulo, com a presença dos artistas Anna Bella Geiger e Antonio Manuel, com mediação do curador João Fernandes. E o outro na sede carioca do Instituto, no dia 5 de dezembro, quinta, com a presença dos artistas Iole de Freitas e Waltercio Caldas e mediação do curador Marcelo Campos.

Neste primeiro volume de entrevistas, foram compiladas reflexões de artistas, filósofos, antropólogos, músicos e outros pensadores que nasceram até 1959, ano que precede a inauguração de Brasília, momento que consolidou a revolução estética do Modernismo brasileiro e estimulou mudanças radicais em diversas áreas. Um segundo volume, com os artistas e pensadores nascidos a partir de 1960, vems e desenhando. Entre os entrevistados do volume 1 estão os artistas Anna Bella Geiger, Miguel Rio Branco e Waltercio Caldas, além de Tunga, Wlademir Dias-Pino e Lygia Pape. O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, o músico Caetano Veloso e o arquiteto Oscar Niemeyer são alguns dos nomes que vão além das artes visuais. “Neste livro, as conversas individuais se conectam e, conforme as páginas vão sendo viradas, os artistas dialogam uns com os outros, em uma espécie de polifonia bakhtiniana. (...) Não sou eu apenas entrevistando uma pessoa. Somos todos conversando juntos”, escreve Obrist.

Nas conversas, feitas em ateliês, espaços de exposição, salas de espera, aviões ou por e-mail, os entrevistados falam do processo criativo ao longo do século XX e narram suas experiências em meio a relatos de fatos que se tornaram história. Estão no livro temas que seguem em pauta, como o reconhecimento de terras indígenas, a partir do relato da fotógrafa Claudia Andujar, que dedicou seu trabalho ao registro dos Yanomamis; o alerta de que o planeta está em perigo feito pelo artista Frans Krajcberg, que foi considerado expoente ativista em favor da ecologia; e a reflexão sobre o que é o domingo numa sociedade capitalista, proposta pelo curador Frederico Morais nos anos 1970.

Obrist também pergunta aos entrevistados quais seriam seus conselhos para jovens artistas. “Ser corajoso”, aconselha a artista Iole de Freitas, “trabalhar, trabalhar e trabalhar... E ver muita arte”, afirma o artista Antonio Manuel.

Em um segundo volume a ser publicado, o projeto se completará com as entrevistas dos artistas e intelectuais nascidos a partir de 1960, ampliando as discussões sobre arte e cultura nos séculos XX e XXI.

Entrevistados

Abraham Palatnik, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Antonio Manuel, Arrigo Barnabé, Arto Lindsay, Artur Barrio, Augusto de Campos, Caetano Veloso, Cildo Meireles, Claudia Andujar, Eduardo Viveiros de Castro, Emanoel Araujo, Ferreira Gullar, Frans Krajcberg, Frederico Morais e Wilma Martins, Iole de Freitas, José Celso Martinez Corrêa, Judith Lauand, Lorenzo Mammì, Lygia Pape, Miguel Rio Branco, Nelson Leirner, Oscar Niemeyer, Paulo Bruscky, Paulo Herkenhoff, Paulo Mendes da Rocha, Peter Pál Pelbart, Ruy Guerra, Sonia Andrade, Tom Zé, Tunga, Walter Zanini, Waltercio Caldas, Wanda Pimentel, Wlademir Dias-Pino.

Sobre o autor

Hans Ulrich Obrist é curador e historiador da arte. Nasceu em Zurique, na Suíça, em 1968. Atualmente, é diretor artístico da Serpentine Gallery, em Londres. Nos últimos trinta anos, atuou como curador independente, além de ter sido curador do Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris. Organizou mais de cem mostras internacionais, como Utopia Station, na 50a Bienal de Veneza (2003), e Cities on the Move (1999), uma exposição multidisciplinar e itinerante que teve origem em Bangkok, na Tailândia. É autor de The Interview Project, em que faz o registro de entrevistas com artistas e intelectuais de vários países sobre diferentes áreas do conhecimento. Uma vasta seleção dessas conversas com pensadores do mundo todo encontra-se na coleção Hans Ulrich Obrist – Entrevistas, publicada pela Editora Cobogó em seis volumes, entre 2009 e 2012.

A Editora Cobogó

Criada em 2008, a Editora Cobogó vem acompanhando as transformações do mercado editorial nesses últimos dez anos, com vendas através da internet, presença em redes sociais para interagir com leitores, a participação em feiras literárias em diferentes cidades do país e a organização de debates sobre temas relacionados aos movimentos artísticos. Com uma equipe enxuta desde o início, a editora produz livros de artes, dramaturgia, música e infantis, e ainda planeja investir em novos segmentos de cultura contemporânea.

O primeiro livro publicado pela Cobogó foi Saga Lusa: o relato de uma viagem, de Adriana Calcanhotto, “Uma experiência comovente de autorreflexão que foi da maior importância para entendermos o papel da escrita e da arte, e que fortaleceu nossas convicções, já no nosso primeiro livro, do recorte que a editora teria nas suas publicações.”, explica Isabel Diegues. A partir dali, a editora construiu um catálogo de 226 títulos variados, que inclui a filosofia do artista norte-americano Andy Warhol sobre uma sociedade de consumo em busca da eterna juventude, as entrevistas do curador suíço Hans Ulrich Obrist com pensadores em várias áreas do conhecimento, os caminhos de construção das obras da artista Adriana Varejão, a coletânea de artigos do cineasta Cacá Diegues sobre a sociedade brasileira, as reflexões acerca da globalização e do pertencimento do pesquisador Moacir dos Anjos, além da reedição do primeiro e único livro de John Cage publicado no Brasil, com tradução do poeta Augusto de Campos.

Posted by Patricia Canetti at 7:04 PM

Evandro Carlos Jardim: lançamento de livro e bate-papo no Sesc Pompeia, São Paulo

Edições Sesc São Paulo lançam o primeiro volume da coleção Arte, trabalho e ideal, com o livro Evandro Carlos Jardim que aborda obra do gravador, desenhista e pintor Evandro Carlos Jardim. O lançamento terá bate-papo entre os organizadores, com a presença de Evandro Carlos Jardim, seguido de sessão de autógrafos.

4 de dezembro de 2019, quarta-feira, às 20h

Sesc Pompeia - Espaço Cênico
Rua Clélia 93, Pompeia, São Paulo - SP

“[...] cada imagem é um objeto poético, uma memória, um retorno, uma reflexão, o domínio completo da técnica a serviço de uma postura diante de si próprio, da vida, que para ele é da arte, na preservação de um universo singular.”
Aracy Amaral, crítica de arte

Gravador, desenhista e pintor, Evandro Carlos Jardim (São Paulo/SP, 1935) ocupa um lugar significativo na história da arte brasileira. Estudou pintura, modelagem e escultura na Escola de Belas-Artes de São Paulo, especializando-se em gravura em metal, na técnica da água-forte, cujos processos reinventa há mais de quarenta anos. Paralelamente à carreira artística, desenvolve intensa atividade docente em várias instituições, como a Escola de Belas Artes, a Fundação Armando Álvares Penteado e a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. O artista, que revela extremo cuidado técnico na execução de suas obras, reelabora recorrentemente certos temas e imagens, como o cenário urbano de São Paulo e o Pico do Jaraguá, além de representações de pássaros, frutos, janelas.

O livro contém uma minuciosa entrevista com o artista realizada por Fabiana de Barros, Michel Favre, no ateliê onde são produzidas suas obras. Nela, os organizadores se preocupam em demonstrar a vivência e cuidado do fazer artístico, conectando o ambiente de trabalho com a construção da obra, além de explorar a motivação, o pensamento, a inspiração, o percurso de vida e detalhes que formam a complexidade da criação artística.

O ensaio crítico deste volume é de Aracy Amaral, que discorre sobre a vida pessoal e o reflexo nas obras, e traz uma visão a respeito da evolução de Evandro Carlos Jardim em seu trabalho e pesquisa.

Sobre a Coleção Arte, trabalho e ideal

A coleção Arte, trabalho e ideal, organizada por Fabiana de Barros, Michel Favre e Marcia Zoladz, propõe uma série de livros de pequeno porte, cada um contemplando a entrevista de um artista renomado em seu campo de atuação, um ensaio crítico de notório conhecedor de sua produção, uma breve biografia, fotos de suas obras mais representativas para o contexto da coleção e de seu trabalho, e uma versão integral do texto em inglês.

Sobre os organizadores

Fabiana de Barros – É artista plástica formada pela Fundação Armando Alvares Penteado de São Paulo (FAAP). Possui pós-graduação em multimídia na École Supérieure d’Art Visuel (Head) de Genebra, Suíça. Sua obra é principalmente voltada à arte pública e contextual desde 1987. Participou de quatro Bienal Internacional de São Paulo e do Mercosul, onde foi laureada com o prêmio “Projetáveis”. Recebeu também o prêmio na Interactivos?’10: Ciencia de barrio, MediaLab Prado, Madri, 2010. Organizou os livros Sobras e fotoformas (Cosac Naify, 2006) e Geraldo de Barros: isso (Edições Sesc, 2013) e é autora do livro Aberto [Open]: fiteiro cultural (Edições Sesc, 2017).

Marcia Zoladz – É jornalista, escritora, designer gráfica, editora de imagens . Trabalhou em diversas áreas no portal de internet UOL e como diretora de arte na Editora Abril. Graduada na Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), no Rio de Janeiro, estudou projeto gráfico no California College of Arts, em Oakland, nos Estados Unidos, e fez estudos de pós-graduação em Comunicação na Ruhr Universität Bochum, Alemanha. No momento, trabalha como autora e editora de livros, publica regularmente artigos sobre design e história na Europa e nos Estados Unidos.

Michel Favre – Cineasta suíço trabalhando entre Genebra e São Paulo. Formado na École des Beaux-Arts, em Genebra, dirigiu vários documentários de longa-metragem. Desde 1996, Michel Favre desenvolve uma atividade artística conjunta com Fabiana de Barros sob o nome FABMIC, que resulta em instalações de vídeo, performances multimídia e séries fotográficas. Atuou por mais de dez anos na televisão suíça como diretor de reportagem. De 2006 a 2014, lecionou cinema na Haute École d'Art et de Design de Genebra (Head). Sua última realização, Viagem ao vazio, narra a obra Fiteiro Cultural, de Fabiana de Barros, e estreou no CineSesc em 2018.

Posted by Patricia Canetti at 4:21 PM

Murakami no Tomie Ohtake, São Paulo

A primeira mostra do consagrado artista japonês no Brasil contará com a sua presença na inauguração

O Instituto Tomie Ohtake traz pela primeira vez ao Brasil a individual do mítico artista japonês Takashi Murakami (1962, Tóquio, Japão). Com curadoria de Gunnar B. Kvaran – o mesmo curador da mostra de Yoko Ono realizada no Instituto em 2017 –, Murakami por Murakami deriva originalmente da realizada no Astrup Fearnley Museet, em Oslo. A exposição reúne 35 trabalhos, com pinturas que chegam a medir 3 por 10 metros. O conjunto, apresentado como uma constelação de fragmentos do universo Murakami, evidencia uma produção consagrada, entre tantas qualidades, pela excelência no campo pictórico.

Um grande fã de anime, Murakami entrou na Universidade Nacional de Belas Artes e Música de Tóquio (agora Universidade das Artes de Tóquio) (1982 – 1993) para estudar Nihon-ga, um estilo de pintura japonesa tradicional. Daí a sua obra até hoje revelar habilidades técnicas excepcionais. Depois da formação, o artista desenvolve uma produção que transita entre o Japão e o Ocidente. Como autor do Superflat – termo que sintetiza toda a sua produção ao mesmo tempo que descreve a cultura e a sociedade japonesa do pós-guerra –, o movimento funde arte tradicional de seu país e cultura pop contemporânea.

Contudo esta exposição destaca a presença eminentemente japonesa em sua produção. “Essa fusão [Oriente e Ocidente] é claramente presente na arte de Murakami, mas esta exposição enfatiza sua identidade profundamente japonesa, que foi ofuscada por sua associação com grandes artistas do mundo da arte ocidental, como [Andy] Warhol, [Jeff] Koons e [Damien] Hirst, não apenas pela ênfase no aspecto comercial, mas também por causa de sua linguagem artística”, explica o curador, Kvaran.

Murakami tornou-se um fenômeno no cenário internacional pela forma singular que entende o universo da arte, uma noção que abrange não apenas a sua criação preocupada com a sociedade e história, mas também a coleção, ao ter se tornado um apurado colecionador, e a comercialização, ao introduzir outros artistas em sua galeria em Tóquio. As obras da exposição revelam o resultado de um prolongado processo de criação, do desenvolvimento conceitual até a pesquisa formal e implementação laboriosa de suas obras, com incontáveis camadas de tinta. Em seu estúdio conta com a competência e capacidade de muitos outros artistas, onde trabalham cerca de 100 pessoas - um galpão nos arredores de Tóquio, endereço considerado pelo circuito um dos ateliês mais inovadores do mundo.

O fenômeno Murakami será explorado na mostra por meio de obras de quatro de seus conjuntos mais extraordinários: aquele que traz a figura de Mr. DOB, as recentes pinturas concentradas no Zen-budismo, a apropriação e interpretação dos trabalhos de Francis Bacon e sua noção de autorretrato, além de uma seleção de vídeos. “Murakami certamente desfrutou de mais reconhecimento fora do Japão do que dentro, e cultivou uma relação abertamente combativa com o mundo da arte japonesa, mas seu envolvimento com pinturas Nihon-ga, mangá e anime, a cultura otaku e o Zen Budismo ancora firmemente seu trabalho com as tradições japonesas”, enfatiza Kvaran.

Sobre as obras

Na década de 1990 Murakami inventou a personagem de Mr. DOB (derivada da gíria japonesa “dobojite”- por quê?), com o qual faz crítica à sociedade de consumo, sem vida e vazia. No início, DOB era uma figura que evocava o robô com forma de gato do mangá Doraemon ou Mickey Mouse, evidenciado em But, Ru, RuRuRu... (1994). Porém, ao ser revisitado pelo artista, o personagem evoluiu para muitos perfis diferentes: DOB Genesis: Reboot (1993-2017) e Tan Tan Bo (2001), inspirado no personagem monstro do folclore japonês (yōkai) que cospe saliva paralisante em suas vítimas.

As obras de Murakami estão intimamente conectadas à subcultura japonesa. Obras como Superflat DOB: DNA (2015) e 772772 (2015) estão ligadas à cultura japonesa de caracteres, e estatuetas como Miss Ko2 (1996) e My Lonesome Cowboy (1998) dão forma às fantasias otaku de sexualidade e erotismo, centradas em anime, mangá e videogames. “Desde os primeiros esboços de DOB desenhados a mão, até uma multidão de desenhos computadorizados e as obras finalizadas em tela, vemos a metamorfose e expansão de uma figura influenciada tanto pelo interesse de Murakami pela biologia, botânica e pelo mundo dos insetos quanto por sua fascinação pelo mangá”, explica o curador.

Segundo Kvaran ainda, há uma clara correlação entre as formas orgânicas e fundidas e as histórias que contam, geralmente relacionadas com o perigo ambiental ou mesmo as ameaças ou desastres nucleares. “Em seu olhar violento que proclama uma hostilidade crua em relação a tudo no mundo, nota-se uma tensão alarmante, como se a saturação da energia acumulada internamente tivesse causado uma distorção nas dimensões da superfície”, afirma o curador. Com o passar dos anos, surgiu um planeta de DOB, geralmente associado com outras populações híbridas criadas pelo artista, executadas em telas de grande formato e contando histórias muito complexas, com diferentes camadas de narrativas e estruturas pictóricas.

Em 2007, Murakami faz os retratos de Daruma (o sacerdote indiano que fundou Zen Budismo chinês) e pinturas parte inspiradas em mestres como Hakuin Ekaku (muito influente no Zen Budismo 1686-1769), e Soga Shōhaku (pintor do período Edo, 1730-1781), homeangedo com a tela Transcendent Attacking a Whirlwind (2017), a maior da exposição (3 x 10m), cuja pintura é iluminada por folhas de ouro e prata. São trabalhos que demonstram uma reorientação do artista para a pintura tradicional presente também em Amitābha Buddha descends, Looking over his shoulder (2016), Shennong: Inspiration (2016) e Ensō: Zazen (2015).

O artista faz uso crescente de motivos tradicionais, símbolos e imagens incluindo demônios, monstros, feras mitológicas como dragões e fênix, bem como cabras e tigres, tal como em Lion Occupying the Throne in My Heart (2018). São esses elementos que aparecem com recorrência ainda na sérei de Arhats, termo sânscrito para designar um ser de elevada estatura espiritual. Obras como Isle of the Dead (2014) e Arhats: The Four Heavenly Kings (2016) são inspiradas nos 500 Rakan ou Arhats, de Kanō Kazunobu, uma série de 100 pergaminhos budistas. Murakami ficou interessado nestes motivos em relação ao tsunami de Tohoku seguido de terremoto e vazamento nuclear em março de 2011.

Apropriando-se da obra de Francis Bacon, Murakami concebe desde 2002 uma série de pinturas, como o tríptico Homage to Francis Bacon (2018). São densas composições com recorrentes características de sua iconografia – olhos, cogumelos e personagens — acentuados por múltiplas camadas de cores sobre folha de platina. A metamorfose dos rostos retoma as transformações de Mr. DOB, traço extravagante, as vezes carinhoso, às vezes monstruoso, com que Murakami tematiza as muitas variações em sua obra. Já em sua série de autorretratos foram selecionadas para a exposição a escultura de tamanho natural feita de silicone e com dispositivos robóticos, animatronics (sem título, 2016) e duas em que utiliza folhas de ouro e aparece ao lado do cão Pom: Pom & Me (2009-2010) e Naked Self-Portrait with POM (2013).

As figuras dos quadros de Murakami acabaram transformadas em vídeos e animações e até em um longa-mentragem. Para esta exposição, Murakami fez a curadoria e editou, em uma sessão, uma seleção de nove destes vídeo-filmes.

Sobre Murakami

O artista notabilizou-se por sua linguagem contemporânea singular, construída a partir de uma revisão profunda das próprias raízes. Em seu texto sobre a trajetória de Murakami, Nobuo Tsuji observa: “a insistência de que a planicidade geral da arte japonesa, anteriormente vista como ponto fraco, era um mérito digno de perpetuação, tornou-se a sustentação teórica de seu conceito de ‘Superflat’. Por outro lado, como artista pop japonês, Murakami também procura mostrar a validade das culturas infantil e otaku”.

Murakami Versailles, exibida na França em 2010 com grande projeção internacional, é uma das mostras que ilustram bem esse conceito, além de indicar a cadeia de produção desenvolvida pelo artista, ao ter mobilizado a empresa que havia criado, Kaikai Kiki Co.Ltd., para realizar a instalação no Palácio e Jardins de Versailles. Segundo Tsuji, os aristocratas que antigamente se reuniam no Palácio foram substituídos por tsukurimono (literalmente, ‘coisas feitas’ ou ‘figuras’) exclusivamente criadas para o evento - figuras infantilizadas monumentais, brilhantes e coloridas.

A mostra em Versailles foi inaugurada em setembro de 2010, um ano depois da grande individual de Murakami no Guggenheim Museum, Bilbao, Espanha, e da Pop Life: Art in a Material World, na Tate Modern, em Londres, da qual participou ao lado de Andy Warhol, Jeff Koons, Damien Hirst, entre outros. Essa coletiva examinava como os artistas desde a década 1980 cultivavam a sua imagem pública (persona) como produto, combinando uma mistura deslumbrante de mídia, comércio e glamour para criar suas próprias marcas. Para entender o universo Murakami é preciso conjugar essa faceta marcante do artista e sua condição de PhD em arte tradicional japonesa.

Takashi Murakami contabiliza mais de cem individuais realizadas em países como Japão, Estados Unidos, Alemanha, França, Inglaterra, Itália, China, Canadá, Coréia, Qatar, e outras centenas de participações em coletivas, além de suas obras figurarem nos acervos mais importantes do mundo. Entre as exposições recentes destacam-se, além de Murakami por Murakami, em Oslo (2017), In Tune with the World, na Fundação Louis Vuitton, Paris (2018), Takashi Murakami: The Octopus Eats Its Own Leg, no Museum of Contemporary Art Chicago, Chicago (2017), Takashi Murakami: Murakami vs Murakami, no Tai Kwun Contemporary, Hong Kong (2019) e Takashi Murakami: Baka, na Galeria Perrotin, Paris (2019).

Posted by Patricia Canetti at 3:13 PM

O Jardim na Casa Roberto Marinho, Rio de Janeiro

Poéticas diferentes se encontram na coletiva ‘O Jardim’, a ser inaugurada na Casa Roberto Marinho em 5 de dezembro de 2019, às 19h. Com projeto original de Roberto Burle Marx (1909-1994), os jardins da propriedade inspiram a temática que norteia a exposição. À convite do diretor do instituto, Lauro Cavalcanti, 11 artistas contemporâneos criaram múltiplos alinhados pela diversidade de suas linguagens: Angelo Venosa, Beatriz Milhazes, Carlito Carvalhosa, Hilal Sami Hilal, Iole de Freitas, Luciano Figueiredo, Maria Bonomi, Paulo Climachauska, Regina Silveira, Suzana Queiroga e Vania Mignone.

O projeto definitivo do jardim do Cosme Velho é de Roberto Burle Marx, numa das primeiras obras em terrenos particulares de sua autoria. A área verde, situada em franja da Floresta da Tijuca, funciona como transição da mata, sem pretensão de submetê-la a um ordenamento rígido. “É um jardim para ser vivenciado e não apenas olhado como ornamento. O paisagista usou ali espécies nativas que, até então, eram relegadas aos quintais nos fundos das residências. A casa do Cosme Velho é, nesse sentido, um exemplo precoce e bem sucedido do paisagismo tropical”, avalia Cavalcanti.

Em “O Jardim”, o público encontrará xilogravuras, objetos e serigrafias individualmente interferidas. A curadoria optou por incluir também as matrizes e registros dos processos de cada artista, revelando suas práticas no ateliê. “É um mergulho nos jardins concretos e imaginários de cada um”, comenta o diretor da Casa Roberto Marinho.

Os múltiplos, além de qualidade artística intrínseca, trazem o interesse das concepções específicas de cada artista sobre o tema jardim: lugar de memória, afirmação do homem sobre a natureza, referências literárias, local da infância, de afetos ou das representações da arte ao longo dos tempos.

A coletiva ficará em cartaz até 26 de abril de 2020, com visitação de terça a domingo, sempre das 12h às 18h.

Sobre os múltiplos

Angelo Venosa
Sem Título (impressão UV sobre compósito de alumínio e impressão 3D)
A Casa Roberto Marinho me rendeu recentemente a prazerosa experiência de rever um trabalho muito antigo (a escultura sem título, de 1986, em bandagem, gesso e piche/madeira, que integrou a exposição ‘Oito décadas de abstração informal’, em cartaz no instituto carioca de dezembro de 2018 a junho deste ano). Mais de três décadas depois, reencontrei naquele espaço um trabalho já adulto.

A convite do Lauro, retorno à Casa para a mostra “O Jardim”. Adotei uma solução simples, a partir de um trabalho que eu já vinha desenvolvendo com mapas de vegetação, e criei um objeto. Uma placa de compósito de alumínio, com imagem vegetal impressa em 3D. Não nomeei o trabalho, aliás, raramente dou título. Nomear é enquadrar e, em alguma medida, o verbo conduz o espectador. É tão mais interessante deixar em aberto...

Beatriz Milhazes
Flor de Margarida em vermelho, pink e lilás’ (serigrafia, 33,5 x 29,5 cm)
Me encantam os elementos que encontramos na natureza. E, como referência, as muitas maneiras de representação dela, seja na arte decorativa, arte popular, arte indígena – na intimidade imaginária. ‘Flor de Margarida em Vermelho, Pink e Lilás’ vive no jardim maravilhoso do universo cromático.

Carlito Carvalhosa
Sem Título (gravura em metal, 70 x 50 cm)
Um jardim é algo que se experimenta através do tempo. Não há uma visão única, infinitas configurações são possíveis para um jardim. Tenho muitos cadernos de desenhos de observação e lembranças, com incontáveis registros, que uso regularmente na minha prática. Foi a partir de uma seleção desses desenhos - com pequenos momentos distintos que compõem o todo - que criei a gravura para a mostra da Casa Roberto Marinho. É como uma história, uma narrativa que ganha um leve toque de humor no final. São pequenas imagens abstratas, que estão entre a representação e a própria ideia de traço: me interessa essa ambiguidade. Sobre os desenhos, há uma espécie de marcação que conduz o olhar, uma interferência em vermelho que convida ao “passeio” pelas subjetividades do jardim.

Hilal Sami Hilal
Viveiro (laminado de cobre corroído com ácido percloreto de ferro, 70 X 50 cm)
Acho a temática supergenerosa em diversos sentidos e, sem literalidades, muitas referências me vieram à cabeça. Pensei em Manoel de Barros, mas acabar em Burle Marx era inevitável. Sou capixaba e descobri que o paisagista brasileiro passou inúmeras vezes pelo Espírito Santo em busca de espécies da Mata Atlântica, nas quais o estado era riquíssimo. Muitas bromélias recorrentes em seus projetos eram originais do Espírito Santo. A partir deste dado histórico, me interessou relacionar as espécies com que Burle Marx trabalhava. Num gesto de subversão, incluí também algumas que eu gosto, sobretudo flores, como a margarida e as rosas. Fiz plaquinhas de identificação, dessas que encontramos em hortas e viveiros, que foram impressas (em UV) em laminados de cobre. Usei uma técnica que se aproxima da gravura em metal, sendo que faço da matriz o próprio trabalho. O percloreto de ferro, um ácido, resulta em corrosão delicadíssima agindo sobre o metal em que foram “plantados” filodendros, bromélias, palmeiras, bougainvilles, antúrios, lírios da paz...

Iole de Freitas
Fonte (policarbonato e metal, 33cm alt x 1.00m larg x 38cm prof)
Como trabalhar a ideia de ‘jardim’? Decidi partir de um repuxo d’água, uma fonte (termo que dá que título à obra) em que eu pudesse explorar a questão do movimento. Me lembrei de uma estrutura que sustenta barras rosqueadas, que desenvolvi no início dos anos 2000. Para os múltiplos da Casa Roberto Marinho - um trabalho de mesa - utilizei espessuras diversas de policarbonato, em busca de preservar a translucidez, criando lâminas que dialogam entre si, tendo a barra como elemento estruturador. Resultaram desta investigação duas peças distintas (com 20 múltiplos, cada), em que três curvas evocam o fluxo constante da água, que sobe em direção ao espaço e cai, num gesto leve.

Luciano Figueiredo
Jardim Goncharova (serigrafia, 76 x 56 cm)
Tomei a temática "jardim" como algo poético, e não como inspiração do mundo "natural", e pensei em evocar as criações brutalistas da artista russa Natalia Goncharova (1881-1962), que utilizou técnicas variadas nas capas de livros futuristas, na vanguarda russa, entre 1910 e 1934. Como costumo utilizar colagem com papel jornal e transparências, achei que seriam os elementos principais da minha criação, já que nunca pratiquei gravura fosse em qualquer técnica. Tive a importante contribuição do grande impressor Agustinho Coradello, que trouxe-me soluções exatas para o meu projeto, realizado em sofisticada técnica de serigrafia.

Maria Bonomi
‘O Jardim’ (xilografia impressa à mão em papel japonês, 3 matrizes e 4 cores, 50 x 70 cm)
A temática jardim bateu forte na minha imaginação: local para viver e para sonhar. Tudo escolhido, nada ao acaso, mas “deve parecer imprevisto”! Plantas e arbustos roubados do seu habitat e reordenados. Mato pasteurizado em oposição à invenção de um entorno mágico (Burle Marx). Escadas e passeios, degraus e calçadas. A cor fantasia de jardim para recordar, caminhando.

O processo xilográfico foi “plantado” em três matrizes, duas de madeira canjarana maciça e uma de cedrinho compensado. Gravei com goivas e burís, na placa em verde, o significado vegetal; e na outra, os caminhos dominados pelo andar entre “flores” em laranja-rosa (vermelho). Numa terceira matriz geometrizada, entalhei com faca e formão para somar transparências referentes às memórias estruturais, preparando um jardim. Tudo em conluio, pois também os perfumes do jardim estão presentes, na soma das transparências impressas a mão em papel japonês, com colher de bamboo.

Paulo Climachauska
Natureza Intocada (desenho pintado à mão com impressão das digitais do polegar do artista e de assistentes, 70 x 50 cm)
Parti de um trabalho antigo, uma série de desenhos improvisados criada há 10 anos para o MAM de São Paulo. Em Natureza Intocada, trabalhei a digital como matriz de impressão e criei as 40 gravuras, uma a uma. Todas são singulares e penso que, se não fossem assim, perderiam um certo erro que confere alma. Trabalhei com duas assistentes, que têm dedos menores, e a variação de tamanho das digitais sugere profundidade.

Sempre considerei Burle Marx um arquiteto das paisagens. Temos um sonho de natureza intocada, quase mítica, do Éden... Mas Burle Marx nos revela uma natureza construída, pensada racionalmente, que até parece algo tropical e nativo, no entanto, o Abricó de Macaco vem da Índia! Antes dos portugueses chegarem, as tribos nômades já realocavam mudas e transportavam plantas. A Mata Atlântica não é in natura, nunca foi original: são milênios de construção erguida pelas mãos do homem.

Regina Silveira
Insectarium (serigrafia impressa em duas cores, 70 x 50cm)
Integrar projetos sob a tutela de Lauro Cavalcanti para mim é um prazer – eles são sempre inteligentes, bem fundamentados e realizados. Entre os projetos com a Casa Roberto Marinho, este promete ser muito especial, dada a maravilha do jardim real, proposto como disparador da imaginação dos artistas. Escolhi o mundo dos insetos que se escondem nas árvores ou entre as folhas. Não o mundo dos insetos reais, mas o daqueles desenhados e registrados cuidadosamente em enciclopédias de História Natural. Para a impressão em serigrafia, foram realizadas duas matrizes: uma para o fundo preto esverdeado, em degradê, e outra para as figuras mais lineares dos insetos, em cor prateada.

Suzana Queiroga
Jardim Infinito (serigrafia)
Pensei em trabalhar de maneira mais abstrata, evocando minha experiência subjetiva com aquele jardim em especial, que considero uma pérola, de escala delicadíssima. Fez sentido valorizar aspectos que me marcam naquele espaço, em conexão direta com meu trabalho, que desenvolve tudo que se refere a organicidade, fluxos e ao infinito. Me interessam sempre as grades e sistemas urbanos, com seus mapeamentos.

Partindo do espaço proposto, me relacionei com o lago, que tem formas orgânicas e curvas contínuas, e contém água, fluido essencial que circula não só na cidade, mas nos corpos. A escala pequenina da ponte japonesa (instalada nos jardins da casa), quase cenográfica, também me encantou: é muito expressiva! Usei a cor da água, o verde da ponte e da natureza e, bem sutilmente, o tom dos flamingos, que antes habitavam aquela área. Me agradou essa solução abstrata que fala do jardim infinito, foi meu intuito criar uma imagem que sugerisse continuidade, um circuito. É quase uma meditação infinita, muito minimalista, inspirada na sensação extremamente agradável que tenho naquele jardim.

Vânia Mignone
Momentos (momento I, momento II, momento III e momento IV)
(Xilogravuras divididas em 4 grupos, 50 X 70 cm)
Fiquei muito contente com o convite do Lauro. Tanto por estar ao lado de artistas que admiro, como pela temática que dialoga com meu trabalho. Vi aqui, também, a cara possibilidade de retornar à prática da xilogravura, que aprendi ainda na faculdade, quando me foi apresentada a obra de Oswaldo Goeldi. Posso dizer que já fui apresentada a esta técnica pela via da subversão, com a interferência direta da mão do artista.

Montei a base do papel utilizando folhas impressas: tenho horror à superfície branca. Nunca compro papel, prefiro sempre produzir os meus artesanalmente, testando cor, espessuras, ondulações e deixando vazar registros anteriores. O papel é um agente do meu processo, que durou mais de dois meses, nesse caso. O resultado final se propõe a quase monotipias, com aspectos muito singulares. São quatro momentos palatáveis de alguém que poderia estar passeando num jardim.

Posted by Patricia Canetti at 2:37 PM

Duplo olhar na Casa Roberto Marinho, Rio de Janeiro

Um encontro entre Jose Pancetti e Geraldo de Barros. Outro, entre Di Cavalcanti e Marcel Gautherot ou Tomie Ohtake e Jose Oiticica Filho. Pintura e fotografia modernas brasileiras, lado a lado. Assim é a coletiva Duplo olhar: pintura e fotografia modernas brasileiras, que será aberta no dia 5 de dezembro, na Casa Roberto Marinho, e ficará em cartaz até 26 de abril de 2020. Com curadoria de Marcia Mello e Paulo Venancio Filho, a mostra explora as possibilidades visuais deste encontro e a unidade que dele resulta. Uma seleção de 60 pinturas da Coleção Roberto Marinho em diálogo com aproximadamente 160 fotografias compõem um importante documento ou visão poética da realidade do país.

Dividida em sete recortes curatoriais (‘eu e minha imagem’, ‘eu e o outro’, ‘natureza-morta’, ‘cenas brasileiras’, ‘a presença do mar’, ‘a linguagem da natureza’ e ‘abstrações’), a exposição apresenta pinturas de 15 expoentes da arte brasileira: Alberto Guignard, Alfredo Volpi, Antonio Bandeira, Candido Portinari, Cláudio Tozzi, Di Cavalcanti, Frans Krajcberg, Hélio Oiticica, Iberê Camargo, Ismael Nery, Jose Pancetti, Lasar Segall, Milton Dacosta, Roberto Burle Marx e Tarsila do Amaral.

A curadoria reuniu também alguns dos nomes mais relevantes da fotografia moderna, como Cristiano Mascaro, Fernando Lemos, Flávio Damm, Gaspar Gasparian, Geraldo de Barros, German Lorca, Hermínia Nogueira Borges, João Nogueira Borges, José Oiticica, José Oiticica Filho, Marc Ferrez, Marcel Gautherot, Miguel Rio Branco, Pierre Verger e Thomaz Farkas.

“Ver nos principais fotógrafos brasileiros a mesma busca visual dos nossos grandes pintores certamente despertará o interesse de aprofundamento em diversas questões, pra que sigamos contando a história da fotografia”, afirma Marcia Mello.

De acordo com os curadores, fotografia e pintura modernas surgem ao mesmo tempo na França do século XIX. O impressionismo, que nascia naquele período, buscava se desvincular da perspectiva naturalista renascentista e se deixar permear por uma nova concepção da realidade, mais fluída e instável, para a qual também se voltava a técnica de reprodução fotográfica. Desde então, ambas sempre mantiveram relações de maior ou menor proximidade, durante as diversas tendências artísticas modernas.

Durante o século XX, a fotografia tanto explorou a sua versão dos gêneros pictóricos tradicionais, como também serviu de instrumento das práticas artísticas experimentais das vanguardas do século XX, como o construtivismo e o surrealismo. Inúmeros artistas já não diferenciavam a fotografia de suas outras práticas, como é o caso de Man Ray, Rodchenko e, entre nós, Geraldo de Barros.

“Duplo Olhar coloca pintura e fotografia no mesmo plano, sem estabelecer qualquer tipo de hierarquia entre as duas. Com uma seleção de obras importantes, a mostra é um merecido reconhecimento da fotografia moderna brasileira”, avalia o professor Venancio Filho.

Posted by Patricia Canetti at 1:39 PM

Claudio Alvarez na Lume, São Paulo

Exposição reúne produção recente do artista, fruto de sua pesquisa em torno da percepção

A visão, um dos sentidos essenciais da existência humana, é carregada de ideias pré-estabelecidas sobre os fenômenos que fazem parte do cotidiano. A percepção torna-se tão automatizada que só é possível constatar que se está enxergando quando o objeto de observação desafia o olhar com alguma característica que foge do comum. Aqui, é preciso suspender os pré-julgamentos e enxergar o novo objeto de forma pura. É o que propõe o artista Claudio Alvarez na exposição Quando Vemos, em cartaz na Galeria Lume, de 3 de dezembro a 6 de fevereiro.

A mostra reúne 12 obras, produção recente do artista, nas quais ele explora figuras reais e virtuais, fazendo uso de materiais como aço inox, madeira, vidro e acrílico, lentes, refletores, imãs e espelhos. “Apesar dos elementos óticos e tecnológicos, o trabalho não visa apresentar algo virtuoso em termos científicos. Interessa-me a questão poética e filosófica das obras. Esses elementos servem apenas como ferramenta para construir uma narrativa”, explica o artista.

Para Alvarez, mais do que os fenômenos físicos, que estão presentes no cotidiano, interessa investigar a percepção humana e descobrir como as pessoas funcionam em relação a convivência com o mundo externo. O artista cria mecanismos em que aquilo que se vê entra em contradição com aquilo que se sabe.

“Algumas obras exploram, de maneira mais direta, ilusões de ótica, mas quando observadas, parecem reais e de fato o são enquanto aparência. Este estranhamento diante do objeto pretende ser uma provocação e que, acredito, deve levar o espectador a algumas possíveis indagações”, ele afirma.

Em Janelas Invisíveis (2019) Claudio cria, através de espelhos, duas figuras que parecem ser janelas, preenchidas por círculos iluminados que se avolumam repetidamente. Neste trabalho, o artista faz referência àquilo que é visível através destas supostas janelas e, como em outras obras, remete à possibilidade de coexistência de diversos espaços simultaneamente. A multiplicação infinita de elementos de luz e sombras sugere um percurso virtual onde os limites deixam de existir.

Já na obra Odisseia (2019) ele apresenta uma espécie de transformação material. O artista criou a partir de movimentos gerados por motores elétricos e materiais que provocam interações entre luz e sombra uma mudança de estado sólido para o líquido. A obra simula a partir dessas ferramentas a movimentação da água em um aquário. Alvarez propõe jogos visuais que transitam entre o real e o virtual e instigam o visitante a refletir sobre sua própria percepção.

Sobre o artista

Claudio Alvarez (1955) nasceu em Rosário, na Argentina, e desde 1977 vive e trabalha em Curitiba. A emblemática coletiva Como vai você geração 80?, realizada em 1984 no Parque Lage, no Rio de Janeiro, marcou sua entrada no cenário artístico no Brasil e abriu precedentes para uma série de exposições nacionais e internacionais. O artista investiga a ordem conceitual e histórica sobre o papel da arte no mundo tecnológico, e convida o público a experienciar vivências lúdicas por meio de suas obras.

Já expôs individualmente em instituições como Sesc Paço da Liberdade (Curitiba), Museu PUC (Curitiba) e Museu de Arte Contemporânea (Curitiba) e em coletivas como Bienal de Curitiba, Museu Histórico Nacional (Rio de Janeiro), Museu Oscar Niemeyer (Curitiba), Casa da América Latina (Portugal), Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (São Paulo) e Museu da Casa Brasileira (São Paulo). Sua obra integra coleções públicas do Museu Nacional do Rio de Janeiro, Museu da água (Lisboa), Museu Oscar Niemeyer, entre outras.

Posted by Patricia Canetti at 10:45 AM

Guto Lacaz na Chácara Lane / Gabinete do Desenho, São Paulo

Mostra ocupa a Chácara Lane / Gabinete do Desenho em diálogo com as propostas curatoriais do espaço

No sábado, dia 30 de novembro de 2019, a Chácara Lane/Gabinete do Desenho, unidade vinculada ao Museu da Cidade de São Paulo e à Secretaria Municipal de Cultura, abre a exposição “Allegro”, mostra de Guto Lacaz com curadoria de Douglas de Freitas, que traz um panorama do trabalho do artista plástico e arquiteto em seus mais de 40 anos de atividades.

“A exposição apresenta uma intersecção entre as diversas linguagens que o artista transita. São cinco instalações inéditas expostas entre poesias visuais, desenhos, gravuras, publicações e objetos, obras que pontuam um arco de quase 40 anos da produção do artista. Soma-se a esse material vídeos que documentam intervenções urbanas, performances e entrevistas com o artista, a fim de ampliar a reflexão em torno de sua produção”, diz o curador.

“Esta exposição, no ano em que completei meus 71 anos, é uma consagração. São coisas que venho pensando nos últimos 30 anos e não tinha ainda conseguido realizar. Agora chegou a oportunidade”, diz Guto, que inaugura na mesma ocasião seu canal no YouTube, com vídeos que documentam sua trajetória – e que poderão ser vistos na exposição.

Recepcionando o público, um pórtico traz a reedição da intervenção urbana “ALEX ALEX”, uma homenagem ao pioneiro do grafite paulista Alex Valauri, instalada na fachada do CCSP em 2015, e a versão digital de seu “RG enigmático”, realizado para a exposição “Viagens de identidades”, na Casa das Rosas em 1999, originalmente uma impressora movida a pedal com carimbos.

Guto apresenta a série de serigrafias “Pequenas Grandes Ações”, com 12 serigrafias e 2 vitrines que mostram seu processo de criação. Outra sala recebe 30 cartuns, publicados na revista Caros Amigos nos últimos 25 anos, exibidos em novas impressões e em uma vitrine com os originais. Suas poesias visuais, lançadas no livro “Inveja” e algumas inéditas, também fazem sua estreia em uma exposição.

Explorador das possibilidades tecnológicas na arte, Guto traz instalações inéditas, como “La Luna”, uma esfera de 1,80 m que gira o tempo todo, idealizada anteriormente para o CCBB e só agora executada, o espaço cinético “ETs” – grandes T’s elétricos pintados nas cores primárias, que giram cada um na sua posição –, e ainda duas colunas de 2,70 m, do chão ao teto, uma fixa, a outra móvel que se desloca suavemente no espaço.

Outra face da múltipla produção do artista é a transformação de objetos do cotidiano em arte. Uma vitrine chamada “Coincidências Industriais” traz peças elaboradas com materiais que se encaixam perfeitamente, como um transferidor e um embalagem de CDs, por exemplo.

“Guarda-chuva delivery” é outra novidade: uma caixa com um guarda-chuva aberto dentro, como se para transportá-lo ele precisasse ir aberto. “Mais um projeto de cinco anos, meio surreal, que agora consigo materializar”, conta Lacaz.

Filhote da emblemática instalação “Eletro Esfero Espaços”, selecionada pela curadora Aracy Amaral para a mostra Modernidade - Arte Brasileira no Século 20, no Museu de Arte Moderna de Paris, em 1988, é revisitada e agora será apresentada como um plano de esferas com 64 bolinhas de pingue-pongue flutuantes, com a ajuda de um compressor.

Muitas outras surpresas compõem “Allegro” – nome inspirado no movimento musical de andamento leve e ligeiro –, o que inclui vários presentes para os visitantes, como “O fantasma”, um múltiplo em papel cartão, e a reedição do fanzine “O roubo do Monumento às Bandeiras”.

“O Museu da Cidade de São Paulo ao trazer a mostra Allegro, também reinaugura na Chácara Lane o Gabinete do Desenho. Recupera-se assim a ideia de uma instituição voltada a explorar o desenho como meio de registro e de expressão situado na intersecção entre o pensamento e a percepção – o que tem tudo a ver com o múltiplo e instigante universo do trabalho de Guto Lacaz. A retrospectiva (que conta também com trabalhos novos), ao misturar desenhos e gravuras a instalações, esculturas e objetos, constrói um forte diálogo com as propostas curatoriais desse espaço único na cidade”, diz Marcos Cartum, Diretor do Departamento de Museus Municipais / Museu da Cidade de São Paulo.

“Imagino que ainda possa surpreender as pessoas. É uma exposição muito viva, tudo com energia, movimento”, finaliza Guto Lacaz.

Posted by Patricia Canetti at 10:17 AM

Experimentações Dimensionais na Funarte, Brasília

Novos artistas da UnB exploram a tridimensionalidade em mostra na Funarte Brasília

Em 'Experimentações Dimensionais', alunos do curso de Teoria, Crítica e História da Arte da universidade apresentam resultado de suas pesquisas, na Galeria Fayga Ostrower

No dia 3 de dezembro, terça-feira, às 19 horas, será inaugurada a mostra de artes visuais Experimentações Dimensionais, na Galeria Fayga Ostrower do Complexo Cultural Funarte de Brasília. O público poderá visitar a exposição de terça-feira a domingo, das 10h às 19h30. A entrada é franca.

O conjunto é composto pelos trabalhos finais dos alunos da disciplina Teoria e História da Arte e Imagem no Espaço/Tempo 2 (Thaiet 2) do curso de Bacharelado em Teoria, Crítica e História da Arte do Instituto de Artes (IdA) – Universidade de Brasília (UnB). As obras são resultados das pesquisas individuais realizadas pelos alunos durante o segundo semestre de 2019, orientados pela professora e artista Cecília Mori. Essas pesquisas estão a todo vapor e resultarão em cerca de 20 obras inéditas, desenvolvidas nos mais variados suportes. São instalações, vídeos, fotos, objetos e performances que exploram os limites entre o bidimensional e tridimensional – foco da disciplina ministrada por Mori.

Experimentações Dimensionais traz à tona teorias dos alunos, estudiosos, críticos e historiadores da arte, proporcionando a eles a experiência (alguns, pela primeira vez) de exercitar o fazer artístico, explorando as “possibilidades dimensionais do espaço”. A mostra foi realizada integralmente pelos estudantes, que foram responsáveis desde a produção até a confecção das obras, passando pelos aspectos educativo e de comunicação (até pelo material gráfico). A exposição se apresenta “como um jogo expansivo, sensorial e pulsante entre o bidimensional e o tridimensional, que transita entre memória, tensionamento, deslocamento, aprisionamento, fragmentação, suspensão, fluidez e aridez”, dizem os artistas. “Mais do que materialização, temos materialidades que ecoam, até mesmo, na ausência”, concluem.

Os jovens expositores são: Andressa Valenti, Anna Gabriela Souza, Araguim, Eduardo Melo, Eliot Boy, Helio Barreto, Irene Lira, Juliana Garcia, Kelly França, Laíse Frasão, Larissa Cruz, Leticia Braga, Luana Oliveira, Ludmylla Barbosa, Marcelo Santiago, Maria Celeste, Martianno Bispo, Orpheu, Priscila Coser e Pedro Miranda, Samara Correia e Stefanie Rodrigues.

Sobre os trabalhos

Andressa Valenti – Apresenta a obra O Vento Ainda Sopra Calmo e Silencioso. A experiência da obra é baseada numa metáfora dos vôos noturnos de avião – quando é possível ver as luzes da cidade brilhando abaixo, bem como em experiências musicais que remetem ao escuro e ao brilho.

Anna Menezes – Partindo de inquietações a respeito do que poderia ser o “movimento no objeto estático”, a artista produziu resultados a partir da transferência de película fotográfica para o concreto, numa transformação de fotografia bidimensional em objeto tridimensional, intitulada Rastros Edificados.

Araguim – Araguim realizará uma performance, que consiste em moldar partes do corpo do público da vernissage. A proposta é explorar o conceito de ”intimidade” e seus limites. Em uma maca, os interessados poderão escolher qual parte de seus corpos servirá de molde, sendo aplicado um material metálico sobre a pele. Os objetos resultantes serão reunidos e posicionados pelo chão, “como parte da efemeridade do processo”, chamado de Coloca Tua Mão em Mim Que Eu Deixo.

Eduardo Melo – Utilizando materiais descartados, vidro e arame, o artista busca na obra Portais Difusos gerar experiências “a partir do olhar para o plano”. No trabalho, uma “construção do espaço” é realizada pela configuração da luz. O artista considera que o resultado desperta o conceito de “inacabado”.

Eliot Boy – O participante expõe a obra Lixo.

Hélio Barreto – A foto-performance Projeto Para o Equilíbrio parte da ideia do repouso de um corpo humano sob ou sobre um copo de vidro. A obra contará com um manual, por meio do qual o público poderá saber como aconteceu o processo de criação.

Irene Lira – Apresenta a obra Minha Arte. O trabalho dialoga com questões da arte conceitual, ao tirar da arte seu valor mercadológico e sua aura. Nele Lira pretende ainda incitar um questionamento: “o que torna alguém artista?”.

Juliana Garcia – Partindo de uma noção de “ruína como matéria em desconstrução”, Garcia apresenta um trabalho que se chama Obra, no qual propõe-se a investigar formas de construção de um espaço de abandono.

Kelly França – Por meio da fotografia, ao registrar uma narrativa a partir de uma cadeira, a obra, intitulada Memória em Repouso, revela uma busca de diálogo com reminiscências e com a construção de memórias, por meio “do caminhar diante de um objeto inanimado”.

Laíse Frasão – Tribial é uma obra que estabelece um movimento pendular entre o tridimensional e bidimensional, por meio de “atravessamentos” e reconfigurações de elementos consagrados (triviais) nessas espacialidades (tri e bi), a saber: volume e base escultórica; linearidade e substrato pictórico, respectivamente. A artista apresenta ainda o trabalho Paranoá.

Larissa Cruz – Exibe a peça Política se Põe a Mesa

Leticia Braga – O trabalho Recuerdos – O Desaparecimento Através da Lembrança, fala sobre momentos marcantes que ficam escondidos no nosso subconsciente – memórias que podem voltar a qualquer instante. “Elas podem ser despertadas por meio de um objeto, um lugar, um filme, entre outras coisas que te façam voltar àquele momento vivido”, diz a artista.

Luanna Oliveira – “A Tropa, remete a algumas regiões do país em que os pregadores de roupa são chamados de prendedores, lembrando policiais e batalhões”, comenta Luana. Cada um desses mini objetos foi pensado esteticamente nas posições dos corpos humanos em pares, no qual a parte da pólvora seria a cabeça, e algumas vezes as pontas dos pés. A artista apresenta ainda duas obras: Delírio, feita com bonecos de plástico e tela de alvenaria – que enfoca “os aprisionamentos” – e a peça Ausência.

Ludmylla Barbosa – Em Recorrência Imprecisa, por meio da repetição de maquetes em madeira, em que os erros de execução são patentes, evidencia-se a distância entre o que é idealizado, a partir de um projeto bidimensional, e o que se consolida como objeto tridimensional – destacando-se a impossibilidade da perfeição; além da beleza e da delicadeza presentes na inexatidão das coisas.

Marcelo Santiago – O trabalho Limites do Amarelo surgiu de uma inquietude quanto à proibição do toque nas obras artísticas. O trabalho é o resultado de diversas observações acerca do distanciamento do público em relação às peças de arte, simbolizado pelas linhas amarelas.

Maria Celeste – Através dos materiais e do espaço de ocupação, a obra Nos Atalhos da Pele, Ouvido Não Tem Parede propõe ao visitante “uma peregrinação poética entre os elementos que, por remeterem ao cotidiano, conferem ruídos e presença”, explica a artista.

Martianno Bispo – A performance Unum Diem Durantia “Efêmero”, desenvolvida por Bispo, “consiste em um corte em um intervalo qualquer” – comenta o expositor. A partir de movimentos espontâneos, ele busca “dialogar com o efêmero; e deixar a finitude atravessar o corpo e os elementos, suscitando a ideia de que não somos eternos”.

Orpheu – A obra Aduana – Percurso 554/110 parte da vivência do percurso que o artista faz entre sua casa, em Ceilândia, e o campus da UnB. A partir do trabalho, Orpheu pretende levantar reflexões sobre o acesso à cidade; sobre como a periferia é desprovida de diversas formas de acesso aos espaços mais elitizados; e sobre como uma cidade planejada, tal qual Brasília, não é democrática.

Priscila Coser e Pedro Miranda – Utilizando ferro fluído e maquinário eletrônico (motor, arduino, sensor de movimento), os autores trazem a obra Hipnose, que, segundo a artista, “conversa sobre a planaridade do fluido que se torna objeto tridimensional quando acionada (sistema de imãs)”. No trabalho, a criadora deseja mostrar “um ballet do fluido, que é bidimensional e tridimensional ao mesmo tempo”.

Samara Correia – O objetivo da instalação Memórias: Formas de Indexar – afixada na parede – é, por meio da materialidade dos negativos fotográficos de que é composta, abordar a dimensão da memória e as possíveis formas de fugir, guardar e esconder as recordações “que desejam ser esquecidas”.

Stefanie Rodrigues – A obra Tocadela pretende explorar a textura de uma geleca/slime, um objeto muito banal no cotidiano. A princípio, os vídeos consistem na experimentação desse material em contato com o corpo, podendo também ser explorado em outras superfícies e objetos com diferentes tipos de experiências.

Posted by Patricia Canetti at 9:36 AM

dezembro 1, 2019

Artistas GLC na Luciana Caravello, Rio de Janeiro

Luciana Caravello Arte Contemporânea apresenta, a partir do dia 2 de dezembro, a exposição “Artistas GLC”, que reúne cerca de 50 obras, recentes e inéditas, dos 29 artistas representados pela galeria: Adrianna Eu, Afonso Tostes, Alan Fontes, Alexandre Mazza, Alexandre Serqueira, Almandrade, Armando Queiroz, Bruno Miguel, Daniel Escobar, Daniel Lannes, Delson Uchôa, Eduardo Kac, Élle de Bernardini, Fernando Lindote, Gê Orthof, Gisele Camargo, Güler Ates, Igor Vidor, Ivan Grilo, Jeanete Musatti, João Louro, Lucas Simões, Marcelo Macedo, Marcelo Solá, Marina Camargo, Nazareno, Pedro Varela, Ricardo Villa e Sergio Allevato.

A exposição reúne trabalhos em diversos suportes, como pintura, colagem, desenho, fotografia, vídeo, escultura e instalação. Muitas obras são inéditas e estão sendo apresentadas pela primeira vez na mostra, como é o caso da pintura “Sundae Ilusões”, de Daniel Lannes, que, de acordo com o artista, mostra que “o amor colado às costas da musa garante ou não a ilusão da promessa afetiva”.

Outras obras nunca vista antes são “Todos os nossos desejos”, de Daniel Escobar, uma série de colagens onde confetes recortados de cartazes publicitários proporcionam uma paisagem pictórica de ilusórios fogos de artificio, e uma nova obra da série “Pseudônimo”, de Bruno Miguel, uma pintura onde o artista questiona os dogmas da linguagem a partir da substituição dos elementos tradicionais e históricos da pintura por processos, materiais e ferramentas de um mundo pós-industrializado, globalizado e conectado.

O principal objetivo da Luciana Caravello Arte Contemporânea, fundada em 2011, é reunir artistas com trajetórias, conceitos e poéticas variadas, refletindo assim o poder da diversidade na Arte Contemporânea. Evidenciando tanto artistas emergentes quanto estabelecidos desde seu período como marchand, Luciana Caravello procura agregar experimentações e técnicas em suportes diversos, sempre em busca do talento, sem discriminações de idade, nacionalidade ou gênero.

Posted by Patricia Canetti at 12:48 PM