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outubro 31, 2019

Feira Miolo(s) 2019 na Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo

A sexta edição da Miolo(s) reúne editoras, coletivos e artistas de diferentes partes do Brasil que trabalham a materialidade dos impressos, o livro enquanto campo expressivo e as possibilidades da arte gráfica. Desta vez, haverá uma área com projetos editoriais que surgiram nos últimos dois anos, então de sábado para domingo os expositores dessa área mudarão.

2 e 3 de novembro de 2019, sábado e domingo, das 12h às 20h

Biblioteca Mário de Andrade
Rua da Consolação 94, República, São Paulo, SP
11-3775-0002

Palavra de quem fez a seleção: a escolha de participantes da Feira Miolo(s) é sempre um pouco demorada e certamente a fase mais difícil da organização do evento. Nos parece importante que essa seleção seja feita com parcimônia. É o momento de ler cada uma das inscrições, sentir a temperatura do que se está publicando no Brasil, de se surpreender com projetos que desconhecíamos e de entender as diferentes propostas de todas as pessoas que dedicaram seu tempo a se inscrever.

Como toda seleção, não é categórica. É só um olhar, um recorte. Para quem está na lista acima, vamos mandar mais detalhes nos próximos dias. E quem não está, saiba que se tivermos desistência vamos fazer uma segunda chamada, como aconteceu nas outras edições.

O recorte é sempre necessário por uma limitação física do lugar onde a feira é realizada. Em cinco edições conseguimos aumentar e manter um número considerável de expositores. A própria Biblioteca Mário de Andrade cede suas mesas e tira de todos os ambientes possíveis para os expositores. Ainda alugamos alguns pranchões para receber mais publicadores.

A seleção contemplou diferentes projetos editoriais, que apresentam diversas visões do que é publicar hoje. Estão as editoras de uma pessoa só e também aquelas que já contam com alguma estrutura. Há artistas que experimentam com a materialidade do livro, os que têm um pé forte na arte gráfica, editoras mais vinculadas à escrita, fotógrafos, quadrinistas, autopublicadores. Estão aqueles que publicam há anos e os que começaram há alguns meses.

Em comum, os expositores selecionados apresentam um trabalho autoral, seja nas publicações em si, seja no jeito que encaram a edição. A lista dos participantes está depois da programação.

>>> PROGRAMAÇÃO FALA MIOLO(S) <<<

Nesta edição, as falas acontecerão no térreo da biblioteca, no Espaço Tula Pilar.

SÁBADO, 2 DE NOVEMBRO

12h Um panorama da produção de arte impressa, com João Varella e Cecilia Arbolave (Lote 42 / Banca Tatuí / Sala Tatuí)

13h Estratégias para amenizar a invisibilidade da produção gráfica-literária fora dos centros, com Larissa Mundim (Nega Lilu Editora / E-cêntrica)

14h Livro objeto na Argentina, com Gustavo Darío López (Proyecto VOX)

15h A tradição reinventada: editar livros hoje, com Paulo Verano (Edições Barbatana)

16h Ateliê de impressão como projeto social, com Luiz Lira (Xilo Ceasa)

17h Um puñado de literatura latino-americana, com Laura Del Rey (Editora Incompleta)

18h Processos, colagens e narrativas, com Ricardo Rodrigues (Experimentos Impressos)

19h Eu nunca leio, só vejo figuras: livro de artista para crianças, com Amir Brito Cadôr (Coleção Livro de Artista / Edições Andante)

DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO

13h Transcriação: da fala pro papel e vice-versa, com Daniel Minchoni (sarau do burro)

14h Publicações de artista como cartografia de territórios possíveis, com Vânia Medeiros (Conspire Edições)

15h Novas vozes na literatura nas suas primeiras publicações, com Eduardo Lacerda (Editora Patuá)

16h Caminhos de livrarias e editoras independentes na Colômbia, com Alejandra Algorta (Cardumen) e Andrea Triana (NADA)

17h Histórias em quadrinhos: gênero e representação, com Gabriela De Sousa Borges (Mina de HQ)

18h As quatro décadas dos Cadernos Negros, com Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa

19h Criação coletiva e experimental de arte gráfica, com Daniel Bu Eno (Chari Vari)

>>> ESQUENTA MIOLO(S) <<<

O Esquenta Miolo(s) 2019 é um ciclo de formação com oficinas, palestras e encontros sobre arte gráfica, edição e circulação. As atividades são gratuitas, mas algumas precisam de inscrição prévia. De segunda a sexta, sempre às 19h. As inscrições são anunciadas pelo evento: http://bit.ly/esquentamiolos2019

>>> PARTICIPANTES <<<

Para conhecer mais sobre as editoras selecionadas, veja os links publicados no evento do Facebook.

Destaque do Canal para a Moinho Edições Limitadas
Em 2014, os artistas visuais Camila Leichter e Mauro Espíndola arrendam uma casa e um antigo moinho em ruínas como espaço de trabalho e pesquisa na cidade de Lindolfo Collor, local de ocupação dos primeiros imigrantes alemães em meados do século XIX, Rio Grande do Sul. Nesta localização inauguram Moinho Edições Limitadas, iniciativa que pretende acionar e compartilhar, em pequenas tiragens, uma produção gráfica, fotográfica e processual, envolvendo uma coleção de pensamentos mnemônicos, fenomênicos e performáticos, das especificidades da ruína que habitam e que os faz confluir subjetivamente.

2 no Telhadoa
A Ponte Gráfica
Ale Kalko
A Zica
Anaiaiá
andorinea
Annima de Mattos
Arte & Letra
Associações Insólitas
Atalho Gráfico
Atelier Daniela Galanti
Atelier Piratininga
AVEC Editora
Avocado Edições / Quadrinhos Perturbados
BabaYaga
Baboon / Loplop
Banca Tatuí / Sala Tatuí
Bebel Books
Revista Beleléu
BESOURA
Biblioteca Terra Livre
Borogodó Editora
Caderno Listrado
Cadernos Negros
Caixa de Areia
Cardumen
Charivari
Conspire Edições
Corrupiola Experiências Manuais
Coticoá
Cultura e Barbárie Editora
Daniloz - Desenho e Ilustração
David Galasse
Desenho Feio Jaca
Devora Editorial
Discórdia
Dublinense
Edições Andante
Edições Barbatana
Edições Breu
Edições de Zaster + Rart Rixers
Edições Jabuticaba
edições literais
Editora Barbante
Editora Carambaia
Editora Caseira
Editora Elefante
Editora Gris
Editora Incompleta
Editora Instante
Editora MINO
Editora Moinhos
Editora Nós
Editora Pulo do Gato
Editora Quelônio
Editora Reformatório
Editora Urutau
Entrecampo
Escape Zines
Estúdio Kamori
Experimentos Impressos
Felipe Parucci
Fotolab Linaibah
Galerianabike
Gabriela Gil
GLAC
Gomes e Maia
Gráficafábrica
Grazi Fonseca
Impressões de Minas Editora
JUJUBA EDITORA
Kamikaze Publicações
Kuanza Produções
La Mandarina
La Tosca
Laboratório Torpe de Malcriações Gráficas
lila botter
Limiar Edições Extraordinárias
Loreley Books
Lote 42
Lovelove6
LTG
Luda Lima
Márcio Sno Produções
Maria Nanquim
MB ㅁㅂ
Membrana
Meteoro Edições
microutopías
Moinho Edições Limitadas
Motta Press
NADA
nano editora
NegaLilu
Neiliane Araujo
Neuber
nosotros, editorial
nunc edições de artista
o miolo frito
Old Boy
oitentaedois
ÔZé Editora
Partes
Patuá
Phonte88
Pipoca Press
Pixel Editora, Colectivo Malisia
Poesia Primata
Pólen Livros
polvilho edições
Poupée Rouge Publicações Independentes
Projeto RUA
Proyecto LUX/VOX
Quadrinhos A2
Quintal Edições
Relicário Edições
REVISTACOMANDO
Risotrip Print Shop Co.
Sala Aberta
samueldegois
Selo do Burro
Selo Patifaria
Sericleta
Stêvz
TEAR
Tempos Fantásticos
Terraço – Rodrigo Terra
Tiago Gualberto
Tipografia do Zé
treme~terra
Ufa Mulufa
UGRA PRESS
Vitorelo
Wagner Mello
Xiloceasa
YOYO

>>> SÁBADO <<<

+UM Coletivo
a margem ; press
Coopoética
Editora AMELÌ
Editora nego preto
Eliete Della Violla
Em Breve Coletivo
Fim do Mundo
Gustavo Nascimento
Havaiana Papers / 643 Collective
Jéssica Groke
Julia Pinto
Keila Okubo
LUME
Mad House Publicações
Marília Marz
Núcleo de Livros de Artista da Casa Contemporânea
Papel do Mato
Portátil Edições
Revista Pé-de-Cabra
Revista Uso
Selo Pólvora
Sismo
Vespa joia

>>> DOMINGO <<<

A4 mãos
Alaska
Alipio
Alquimia pensar agir mudar
Amandita Colagem
Aparelho Produtor de Imagens
Atelier Garabato
Audrey Hojda e Ivy Moreira
Coletivo Balburdia
Creamymarina e Spacebustar
Editora Temporal
Flor Absurda
Fora do Ar
giba gomes
gustavo inafuku
Kaio Mushroom
Kawakeiko
Monique Moon
Mosca Dragônica
Onilírica
Projeto 'A Terra d'Os Sertões'
Quintal
Sika
Silva João

Para conhecer mais sobre as editoras selecionadas, veja os links publicados no evento do Facebook.

Posted by Patricia Canetti at 8:51 AM

Exibição e bate-papo do documentário Danúbio com Henrique de Freitas Lima na Fundação Iberê, Porto Alegre

Exibição do documentário "Danúbio" seguido de bate-papo com o diretor Henrique de Freitas Lima. A atividade integra a programação que antecede a abertura da exposição "Os Quatro - Grupo de Bagé", no dia 30 de novembro.

2 de novembro de 2019, sábado, às 16h

Fundação Iberê Camargo - Auditório
Avenida Padre Cacique 2000, Porto Alegre, RS

O documentário nasceu do desejo do artista de ver sua trajetória documentada na linguagem do cinema. A grande atração do filme é a realização de um sonho antigo: o encontro com uma das maiores influências de sua carreira: o México e seus artistas.

Danúbio, como seus contemporâneos Carlos Scliar, Vasco Prado, Glênio Bianchetti e Glauco Rodrigues, foi influenciado por artistas engajados, como Diego Rivera, José Clemente Orozco e David Siqueiros. Mas quem realmente tocou os gaúchos foi o grupo reunido no Taller de Arte Gráfica Popular, sob a liderança do gravador Leopoldo Mendez, que forneceu a matéria prima para iniciativas coletivas como o Clube de Gravura de Porto Alegre e o Grupo de Bagé .

A equipe partiu para o México, onde Danúbio Gonçalves pode visitar casas, estúdios e museus de Frida Kahlo e Diego Rivera, feiras populares e modernos centros culturais. O ápice da viagem foi a convivência e troca de experiências com o gravador e mestre impressor Mario Reyes, em cujo atelier circulam os mais importantes artistas mexicanos. Também participam do filme grandes nomes das artes do sul, entre eles Alfredo Nicolaievski, Anico Herscovitz, Miriam Tolpolar, Maria Tomaselli, Helena Kanaan, Wilson Cavalcanti e Paulo Chimendes.

A exposição

No dia 30 de novembro, a Fundação Iberê inaugura a exposição Os Quatro - Grupo de Bagé, em homenagem a Carlos Scliar (1920 – 2001), Danúbio Gonçalves (1925 – 2019), Glauco Rodrigues (1929 – 2004) e Glênio Bianchetti (1928 – 2014). Quatro artistas que visavam uma arte com função social e democrática, sempre pronta para denunciar as mazelas políticas e sociais, batendo direto em seu conceito dirigida ao ser humano.

Com curadoria de Carolina Grippa e Caroline Hädrich, a mostra vai ocupar dois andares com cerca de 180 trabalhos oriundos de 24 instituições e acervos particulares de Bagé, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. "Contar a história do Grupo de Bagé é o objetivo principal da exposição, mas com uma nova e ampliada abordagem. Novas leituras e percepções acerca do trabalho dos quatro, frutos de estudos e documentários realizados por diversos pesquisadores estarão refletidos no cenário da exposição. Não apenas trabalhos de Scliar, Danúbio, Glauco e Glênio, mas nomes como Lila Ripoll, Pedro Wayne e Clovis Assumpção aparecerão para contar mais sobre a trajetória e influências desses artistas", diz Caroline.

Posted by Patricia Canetti at 8:18 AM

outubro 30, 2019

Rejane Cantoni & Leonardo Crescenti participam de Wavelength: Made in Illusion no Artron Art Museum, China

Wavelength is a cross-border platform of avant-garde art initiated by Cube, dedicated to promoting cooperation of creative ideas. Different ideas and unique artistic forms converge here, colliding, merging and resonating, and break the boundaries of existing regulations. Wavelength aims to create a phenomenal declaration in the arts and culture.

Since 2016, Wavelength has successfully held seven exhibitions in New York, Beijing, Shanghai and Chengdu, attracting more than 250,000 visitors and uniting more than 200 international artists and designers from over 20 different countries. At the same time, Wavelength has been reported by more than 500 mainstream news media, including TimeOut Beijing, Nylon, Hongxiu, Artnet, Yachang, Sina and so on. It has not only been highly praised by art critics and art enthusiasts, but also generated more than 50 million discussions in social media.

In Novemver 2019, Wavelength will hold another exhibition at Artron Museum, starting a fashion art multimedia group exhibition and various art, design and cultural related activities.

Exhibition Concept

· It is a redefinition of substances, material and scenes of everyday life
· It is a re-exploration of human condition and social ecology in the digital era
· It is also a reestablishment of people’ s attitude towards new aesthetic consumerism

Nowadays, men overly enjoy and rely on the production of manufacture and technology, which not only brings complicated social and environmental issues but also evokes emotionally turbulence and anxiety in our society. The “manufacturing aesthetics” leads to the standardization that neglects human’ s feelings. Excessive admiration towards data, order, laws and assembly lines also causes the “rejection” of social system, ecosystem and emotional system, namely the unbalance between nature and industry and between human emotions and digital world.

How will art get involved in the discussion of consumer culture? In what ways that substances and material control the structure and process of “manufacture”? How to break the behavioral and spiritual chains that “manufacture” brings? Trapped by manufacturing, human condition is being reflected again and again. In this exhibition, artists will try to deconstruct the unknown relationship between “manufacture” and human’ situation and social feeling, thus trigger the imagination of “manufacturing” and men’ active intervention.

Made In Illusion makes full use of the narration from substances and material themselves to reconstruct the ordinary field of living and ecosystem, and further discuss social issues like consumer culture and sustainable development. Through various art forms like paintings, devices, and new media art, nearly thirty artists all over the world are going to construct an immersive experience space and invite the audience to discuss and reflect on the symbiosis between social resources, living conditions and human’s mentality, and talk about the circulation system, the renewable capacity and cultural sense of belonging besides manufacture.

Here, every question demonstrates our wild imagination of the human condition or the living state in the future.

Production Zone

The artists make explanations or joke about the consumer culture, pop culture, art and fashion nowadays. By using abundant material and presenting forms, they construct physical and mental spaces, which provides a bright new insight for the audience. Ordinary scenes burst into some wonderful encounters while common elements in daily life have been given special meaning and become the protagonist; the alienated but fantastic way of display triggers the second introspection of the human condition, and normal, passive life is transformed into active resistance and reflection.

Testing Zone

As the exhibition is continuing, a series of devices of new media reveal the complicated relationship between human and advanced technology. All these invisible mediums like rays, numbers and codes refresh the concept of “substance” and our perception of the world. Are they also testing the role which technology intervenes in our lives? Here, the real space is overlapped with the digital world, and the boundary between virtuality and reality has been redefined. The audience will be participating in and testing of the surreal vision. The exploration of new-tech medium also demonstrates artists’ reflection of the fourth industrial revolution—how would technology promote the sustainable development? And how would the balance be achieved between nature and manufacture and between human emotion and digital world?

Recycling Zone

In the Recycling Zone the artists focus on the characteristics of material itself and processing and create particular field devices by using handwork and technology to deconstruct daily items and spaces. They extend the perception of the function and meaning of substance and reveal their neglected aspects of papers, cloth, plastics, metal and living waste, etc. By recycling and creating upon waste, second-hand items or ordinary products, much urban view that are different from the current ones has been built, which will guide the audience to concern about the value of the items and the issue of waste of resources. Substances have been deconstructed into raw material and reprocessed into new products. Since when and where the difference has been created as the former and new products are made of the same material? And why there is the difference?

Reseting Zone

The artists try to explore the nature of some untouchable material or substances. They combine ordinary items in daily life with pop culture icons and common mechanical devices which expands the original meaning of the items. Contained deep meaning, they reveal the profoundness within the daily life and create various sarcastic or straightforward languages that belonged to the items themselves. In the finished products area, a series of highly finished artworks are exhibited here. Has “manufacture” been finished? Since the original meaning of the items has been largely expanded, is the testing for them eligible? Or the connotation of “largely expansion” means the limitless explanation of the items? All of these remained to be tested.

Posted by Patricia Canetti at 7:44 PM

outubro 28, 2019

Raymundo Colares no Minas Tênis Clube, Belo Horizonte

No próximo dia 4 de novembro, o Centro Cultural Minas Tênis Clube inaugura a exposição Raymundo Colares: de volta à estrada, uma mostra panorâmica do artista, com curadoria da crítica de arte Ligia Canongia.

Raymundo Colares nasceu na cidade de Grão-Mogol, em Minas Gerais, em 1944, e faleceu jovem e tragicamente, em Montes Claros, em 1986. No curto período de sua carreira artística, no entanto, legou ao país uma das mais importantes obras de nossa história da arte.

Sua trajetória se inicia na década de 1960, momento em que a influência da pop art norte-americana começa a atuar no Brasil. Para muitos, inclusive, esse foi o movimento que deflagrou o período contemporâneo nas artes visuais. Muitos artistas, porém, ainda mantiveram laços estreitos com o construtivismo moderno anterior, alternando a produção entre a Nova Figuração, evanescente no país, e as vanguardas geométricas históricas.

A obra de Raymundo Colares se situa justamente nesse embate, ou nessa fusão, mesmo que os princípios construtivos prevaleçam sobre os sintomas pop. Os trabalhos de Mondrian, Delaunay, Duchamp e dos futuristas italianos foram cruciais em sua formação, mas sua obra já proclamava a presença da iconografia urbana e da exuberância cromática da pop art.

O universo urbano e popular em Colares se concentrou na figura do ônibus, para ele um ícone-síntese da vida e do dinamismo nas grandes metrópoles. O ônibus do artista se aplaina na superfície da pintura, dando ênfase à visualidade fragmentada e à dinâmica dos cortes geométricos. Para ele, interessava fragmentar e reconstruir esses estilhaços, de forma pulsante e caótica, quebrando inteiramente a unicidade da imagem. A ideia da multiplicação e da deformação das coisas em movimento trazia à luz uma das questões-chave de sua obra, que é a ideia de tempo e velocidade.

As telas do artista tentam congregar planos disjuntivos, fragmentos de espaço que parecem se colidir, pedaços de imagens captadas ao acaso e em movimento. No entanto, são obras paradoxalmente estruturadas, articuladas, e a complexidade desse jogo é que constitui o grande desafio da obra.

Na exposição do Centro Cultural Minas Tênis Clube, serão exibidas 30 obras, entre pinturas, gravuras, guaches e os famosos livros de artista denominados Gibis. Serão apresentados também o diário pessoal do artista, onde ele anotava pensamentos, poemas e estudos de trabalhos, além de farto material documental sobre sua vida e obra. Um segmento da exposição ainda exibirá três trabalhos realizados por outros artistas brasileiros, em sua homenagem: uma pintura de Wanda Pimentel e vídeos autorais do artista Marcos Chaves e do cineasta Sergio Wladimir Bernardes.

GIBI – 50 anos

Os Gibis constituem um segmento especial na trajetória de Colares, pois são uma extensão de sua prática e pensamento na pintura, mas, dessa vez, tornados tridimensionais. Livros de artista – como se chama o gênero em geral –, os Gibis completam agora 50 anos, pois o primeiro é datado de 1969. E esta exposição será uma oportunidade exclusiva de se comemorar seu aparecimento na arte brasileira.

Feitos com recortes de papel, os Gibis são articuláveis de acordo com o virar das “páginas” pelo espectador, mostrando, a cada virada, outra configuração. Assim, são vários trabalhos em um só, surpreendendo o olhar a cada novo recorte e a cada nova cor.

No local, o público terá três réplicas de Gibis originais para manusear e se encantar com seus desdobramentos.

Posted by Patricia Canetti at 2:32 PM

Tom Burr na EAV Parque Lage, Rio de Janeiro

EAV Parque Lage exibirá, pela primeira vez no Rio, a obra do artista conceitual norte-americano que dialoga com os Metaesquemas, de Hélio Oiticica

No dia 3 de novembro de 2019, a Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV) abrirá nas cavalariças a individual Hélio-Centricidades, do artista conceitual norte-americano Tom Burr, organizada em colaboração com o espaço cultural Auroras, de SP.

Na ocasião de sua primeira exposição no Rio, Burr - que vive e trabalha em Nova York - apresentará um grupo de trabalhos produzidos durante sua estadia em São Paulo, em abril deste ano, além de duas obras criadas exclusivamente para a mostra no Parque Lage.

O artista é conhecido por fundir formas de minimalismo com certas condições da história recente de Nova York, especificamente a guerra contra a sexualidade pública durante a crise da Aids. Suas obras são, em parte, formadas por esculturas, com espaços arquitetônicos fechados como barras, gaiolas e caixas. Estas obras, muitas vezes pintadas com uma paleta preta fosca, evocam espaços de controle e contenção, bem como as “zonas seguras” de culturas alternativas.

Ao longo dos últimos 30 anos, o artista tem investigado a relação de seu próprio corpo com determinados locais, legados de personas históricas e formas de abstração. Baseando-se em dois elementos paralelos – os Metaesquemas, de Hélio Oiticica, e a casa modernista ocupada pelas Auroras, em SP (ambos do ano de 1957) – Tom estabelece relações entre uma “vontade construtiva” das formulações da nova objetividade e algo da experiência minimalista e conceitual estadunidense.

A trajetória do artista é marcada pelo uso de referências a figuras queer. Nesse caso, Burr elegeu Oiticica como personagem central para refletir sua própria subjetividade. “Eu estava curioso para pensar onde Oiticica termina e eu começo, ou onde eu termino e ele começa”, declara.

“Tom Burr vem desenvolvendo uma pesquisa de muita importância, que reinscreve questões canônicas na História da Arte, sobretudo da escultura, do minimalismo e da arte conceitual norte-americana, reinterpretando essas questões à luz de figuras queer e pensando objetos (como roupas, por exemplo), a partir de uma zona de intimidade que cria uma ponte entre o corpo e o mundo. Institucionalmente, este projeto reafirma uma vontade pedagógica da EAV de reler certas questões hegemônicas acerca do que é a arte”, comenta Ulisses Carrilho, curador da EAV Parque Lage.

Tom Burr (New Haven, Connecticut – 1963) estudou na Escola de Artes Visuais, em Nova York, e participou do Whitney Independent Study Program, onde estudou com Craig Owens, Benjamin Buchloh, Yvonne Rainer e Barbara Kruger, entre outros. Durante esse período, mergulhou nos escritos teóricos e práticas conceituais que expandiam seu próprio trabalho e pensamento. Em 1993, Burr foi convidado a participar de grandes exposições na Europa, incluindo a Sonsbeek ’93, com curadoria de Valerie Smith. Foi para a exposição de Sonsbeek, que Burr criou uma de suas obras mais conhecidas “Um jardim americano”, recriação em escala de uma seção da Ramble do Central Park, uma extensão direta dos escritos de Robert Smithson e o culminar de um conjunto de obras sobre parques públicos, paisagem e identidade masculina gay.

Exposições individuais selecionadas incluem Tom Burr/New Haven: Pre-Existing Conditions, Marcel Breuer Armstrong Rubber Building (New Haven, 2017); Surplus of Myself, Westfälischer Kunstverein (Munique, 2017); Gravity Moves Me, FRAC Champagne-Ardenne (Reims, 2011); Addict – Love, Sculpture Center (Nova York, 2008); Moods, Secession (Viena, 2007); Extrospective, Musée Cantonal des Beaux-Arts de Lausanne (Lausana, 2006); Deep Purple, Whitney Museum of American Art (Nova York, 2002). Este ano prepara uma grande exposição Wadsworth Atheneum Museum of Art, em Hartford.

As suas participações em exposições coletivas incluem o Skulptur Projekte 2017 (Munique, 2017); Question the Wall Itself, Walker Art Center (Minneapolis, 2016); Béton, Kunsthalle Wien (Viena, 2016); Ordinary Pictures, Walker Art Center (Minneapolis, 2016); To expose to show, to demonstrate, to inform, to offer, Museum Moderner Kunst Stiftung Ludwig (Viena, 2015); The Present Modernism, MUMOK (Viena, 2014); Take It or Leave It: Institution, Image, Ideology, Hammer Museum (Los Angeles, 2014); Not Yet Titled, Museum Ludwig (Colônia, 2013); 12th Istanbul Biennial (Istanbul, 2011) and the Whitney Biennial 2004 (Nova York, 2004). Seu trabalho está presente em importantes coleções institucionais tais como a do Centre Pompidou (Paris); Hammer Museum (Los Angeles); Ludwig Museum (Colônia); MOCA (Los Angeles); MuMOK (Viena); Walker Art Center (Minneapolis) e do Whitney Museum of American Art (Nova York).
Os escritos de Tom Burr foram incluídos em inúmeras publicações, incluindo Artforum; Texte zür Kunst, October, entre outros. “Tom Burr, Anthology: Writings 1991-2015” foi publicado pela Sternberg Press.

Posted by Patricia Canetti at 1:52 PM

outubro 27, 2019

Sérgio Sister na Nara Roesler NY, EUA

A Galeria Nara Roesler | Nova York tem o prazer de apresentar Sérgio Sister – Then and Now, exposição individual do artista com curadoria de Luis Pérez-Oramas. O evento marca o início de uma colaboração com o historiador e escritor, voltada para a concepção e execução de um programa de exposições especialmente concebidas para a galeria.

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Sérgio Sister –Then and Now reúne um conjunto de pinturas e desenhos produzidos pelo artista entre 1967 e 1971, alguns dos quais foram concebidos durante o período em que ele se encontrava confinado como prisioneiro político durante a ditadura militar no Brasil. Esses trabalhos são apresentados junto a obras de natureza abstrata e monocromática que representam um grupo significativo de sua produção recente.

Sérgio Sister desenvolveu ao longo das últimas décadas um corpo de trabalho que se articula em séries. Hoje, no Brasil, ele é conhecido principalmente por suas pinturas abstratas que lhe garantem uma posição de reconhecimento entre os artistas mais rigorosos e sutis do país. De acordo com Pérez-Oramas, as estruturas de campo de cores produzidas com maestria por SIster “podem ser consideradas um dos exemplos mais significativos da pintura monocromática da modernidade tardia na América Latina”.

Os primeiros trabalhos de Sérgio Sister, no entanto, derivam de um vocabulário diferente, ainda que comum na época. A ampla internacionalização da pop art norte americana informou toda uma década – a de 1960, conhecida por seus eventos políticos transformadores em todo o mundo. No Brasil, durante esse período, vários artistas utilizaram a linguagem da pop art como ferramenta de reflexão sobre as tensões desencadeadas pelo regime militar autoritário. Sister, como muitos de seus colegas artistas, utilizou o potencial da pop art como uma saída para questões sociais e políticas, a partir da ironia e do humor. A produção do artista dentro da prisão pode ser vista como um meio de resistência, uma maneira de recuperar sua própria identidade. Nas palavras do curador, esses trabalhos simbolizam “uma luta pela vida e os eixos fundamentais da esperança: uma forma de sobrevivência”.

A carreira de Sérgio Sister recomeçou, por volta do final dos anos 80, uma década após esses anos sombrios, mudando drasticamente sua prática. Após um período de experimentação com vários meios e técnicas, a fase madura da sua produção teve início com uma série marcante de monocromos escuros, quase pretos. Nesses trabalhos, as superfícies uniformemente coloridas das telas são definidas pela variação sutil da textura das pinceladas, resultando na produção de ricas superfícies “tonais”. Desde então, o artista vem expandindo essa pesquisa ao produzir pinturas sobre tela, sobre papel e ao criar objetos tridimensionais que ecoam suas realizações pictóricas.

As estruturas composicionais observadas em uma análise cuidadosa dos primeiros desenhos e pinturas de Sister antecipam aquilo que se revela essencial nas configurações básicas de enquadramento de seus trabalhos recentes: os jogos entre cores semelhantes, o aterramento monocromático, os arranjos estruturais e repetitivos que constituem a assinatura da produção de Sister. A justaposição desses dois grupos singulares de obras mostra continuidades formais fundamentais em um artista admiravelmente consistente, revelando, em última análise, a verdade de sua pintura, apesar das visíveis variações estilísticas.

Sérgio Sister iniciou sua produção no final da década de 1960, período em que atuou como jornalista e se aproximou da militância política de resistência ao regime militar (1964 – 1985). Em 1970, Sister foi preso pelo Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops-SP) e durante 19 meses esteve encarcerado no Presídio Tiradentes, em São Paulo, participando das oficinas de pintura realizadas na instituição. Como parte da geração 80, ele revisita uma antiga temática pictórica: interação entre a superfície e a tridimensionalidade, na tentativa de liberar a pintura no espaço. O que marcou sua produção, na época, é a superposição de camadas cromáticas, resultando em campos de cor autônomos que coexistem harmoniosamente.

Hoje seu trabalho combina pintura e escultura. Ele utiliza suportes derivados de estruturas encontradas e de sistemas designados a servir nossas necessidades cotidianas como observado nas séries Ripas, produzida desde o final dos anos 1990, e Caixas, desde 1996, cujos nomes se referem aos produtos manufaturados dos quais derivam. São pinturas escultóricas feitas a partir de vigas de madeira encontradas, lembrando engradados, pórticos ou caixilhos de janelas. Sister pinta as vigas de madeira em várias cores e as monta em configurações que fazem surgir variadas profundidades, sombras e experiências de cor.

exposições individuais recentes
• Sérgio Sister: o sorriso da cor e outros engenhos. Instituto Ling, Porto Alegre, Brasil, 2019
• Sérgio Sister. Kupfer Gallery, Londres, Reino Unido, 2017
• Sérgio Sister: Malen Mit Raum, Schatten und Luft, Galerie Lange + Pult, Zurique, Suíça, 2016
• Expanded Fields, Nymphe Projekte, Berlim, Alemanha, 2016

exposições coletivas recentes
• The Pencil is a Key: Art by Incarcerated Artists. The Drawing Center, Nova York, EUA, 2019
• Géométries Américaines, du Mexique à la Terre de Feu. Fondation Cartier pour l’art contemporain, Paris, França, 2018
• AI-5 50 anos – Ainda não terminou de acabar. Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil, 2018
• MAC USP no século XXI – A era dos artistas, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), São Paulo, Brasil, 2017
• 9ª e 25ª edições da Bienal de São Paulo. São Paulo, Brasil, 1967, 2002

seleção de coleções institucionais
• Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo, Brasil
• Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), Rio de Janeiro, Brasil
• Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil
• Centro Cultural São Paulo, São Paulo, Brasil
• Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil


Galeria Nara Roesler | New York is pleased to present Sérgio Sister – Then and Now, a solo show curated by Luis Pérez-Oramas—the first exhibition of an ongoing collaboration, which will initiate a programme of specially curated shows.

Sérgio Sister – Then and Now presents a selection of paintings and drawings produced by the artist between 1967 and 1971, some of which were conceived while the artist was confined as a political prisoner during the military dictatorship in Brazil. This selection will be presented alongside a significant group of recent works, all abstract and monochromatic in nature.

Mostly known as an abstract painter and placed among the most rigorous and subtle artists in Brazil today, Sérgio Sister developed along the past decades a body of work that is characterized by its seriality. According to Pérez-Oramas, Sister’s masterfully achieved color-field structures “can arguably be considered among the most significant examples of late-modern monochromatic painting in Latin America.”

Sérgio Sister’s early works, however, stem from a different vocabulary, which was common at that time. The broad internationalization of American Pop Art informed a decade –the 1960s, known for its transforming political events throughout the globe. In Brazil, several artists utilized Pop Art as a language to reflect on tensions triggered by the authoritarian military regime during that period. Sister, as many of his artistic peers, utilized pop art’s potential in the form of irony or straight-forward humour as an outlet for social and political issues. The artist’s production in prison can be seen as a means of resistance, a way of recovering his own identity. In the curator’s words, these works symbolize “a struggle for life and the grounding axes for hope: a form of survival”.

Sérgio Sister’s career re-started a decade after these dark years, around the end of the 1980’s, drastically changing his practice. After a period of experimentation with various media and techniques, his mature production began with a landmark series of dark, almost black, monochromes. In these works, the evenly colored surfaces of the canvases are defined by a subtle variation of textural brushstrokes, resulting in the production of richly “tonal” surfaces. Since then, the artist has been expanding this research whilst producing paintings on canvas, on paper and creating tri-dimensional objects which echo his pictorial achievements.

A careful look at Sister’s early drawings and paintings surprisingly reveals that their compositional structures anticipate the essential, basic framing configurations of Sister’s recent work: similar color games, comparable monochromatic grounding, structural, repetitive configurations that are the very constituents of Sister’s signature production. The juxtaposition of these two singular groups of works shows foundational formal continuities in an admirably consistent artist ultimately revealing the truth of his painting, in spite of stylistical variations.

Sérgio Sister started painting in the late 1960’s, same time in which he has worked as journalist with a political actuation. In 1970, Sister was arrested for his militancy. While detained for 19 months at the Tiradentes Prison, in São Paulo, Sister attended painting workshops held at the institution. As a part of Geração 80, Sister revisits an ancient theme in painting: the interplay between surface and three-dimensionality, in an attempt to liberate painting in space. What has marked his production in that time was the superimposition of autonomous chromatic layers coexisting harmoniously side by side.

Today, his work combines painting and sculpture. He uses supports derived from found structures and from systems designed to serve our everyday needs as we can see in the Ripas series, produced since the late 1990s (strips), and in Caixas series, produced since 2009, whose names are appropriate of the manufactured products from which they are derived. These are sculptural paintings made from found wooden beams that resemble crates, porticos, or window frames. Sister paints the beams various colors and assembles them into configurations that allow for various depths, shadows, and experiences ofcolor to emerge.

recent solo exhibitions and projects
• Sérgio Sister: o sorriso da cor e outros engenhos. Instituto Ling, Porto Alegre, Brazil, 2019
• Sérgio Sister. Kupfer Gallery, London, United Kingdom, 2017
• Sérgio Sister: Malen Mit Raum, Schatten und Luft, Galerie Lange + Pult, Zurich, Switzerland, 2016
• Expanded Fields, Nymphe Projekte, Berlin, Germany, 2016 recent group exhibitions
• The Pencil is a Key: Art by Incarcerated Artists. The Drawing Center, New York, USA, 2019
• Géométries Américaines, du Mexique à la Terre de Feu. Fondation Cartier pour l’art contemporain, Paris, France, 2018
• AI-5 50 anos – Ainda não terminou de acabar. Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brazil, 2018
• MAC USP no século XXI – A era dos artistas, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), São Paulo, Brazil, 2017
• 9 th and 25 th editions of Bienal de São Paulo. São Paulo, Brasil, 1967, 2002

permanent collections [selected]
• Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo, Brazil
• Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), Rio de Janeiro, Brazil
• Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brazil
• Centro Cultural São Paulo, São Paulo, Brazil
• Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brazil

Posted by Patricia Canetti at 12:12 PM

Lasar Segall no Museu Lasar Segall, São Paulo

No ano em que se comemoram os 130 anos de nascimento do pintor, escultor, gravurista e desenhista lituano naturalizado brasileiro Lasar Segall (1889-1957), o Museu Lasar Segall, em São Paulo (SP), inaugura exposição que vai abordar a relação entre o artista e sua terra natal: a cidade de Vilnius (Lituânia).

Vilnius e eu, que será aberta no dia 26 de outubro, apresentará 28 obras de Segall que retratam a cidade ou expressam memórias do artista sobre ela, além de 21 fotografias cedidas pelo Vilna Gaon State Jewish Museum (Museu Judaico de Vilnius), que somam-se a uma seleção de fotografias e documentos pertencentes ao acervo do próprio Museu Lasar Segall.

Lasar Segall nasceu na atual capital lituana, então sob domínio da Rússia czarista, no dia 21 de julho de 1889. Nascido no seio de uma família judia, Segall vivenciou desde cedo as restrições e perseguições a que os judeus estavam submetidos naquele território, experiência que o marcaria por toda a vida e se refletiria em sua obra. Além de proibidos de possuir propriedades rurais, podendo dedicar-se a algumas poucas atividades urbanas, os judeus eram vítimas de surtos de violência conhecidos como pogroms, estimulados pelo governo russo.

Foi em sua cidade natal que Segall descobriu seu pendor artístico, influenciado pela observação do ofício de seu pai – que além de negociante era escriba da Torá, o texto sagrado judaico, atividade minuciosa e de grande prestígio social. Com apoio paterno, o artista deixaria a Lituânia em 1906 para viver na Alemanha, onde estudou arte em Berlim e Dresden antes de migrar em definitivo para o Brasil em 1923.

Gravuras, desenhos e pinturas como Vilna e eu (1910), Mendigos (1914) e Meu avô (1916), que integram a exposição, fixaram a visão de Segall sobre aquele cenário histórico, geográfico e familiar. As fotografias da época em que Lasar Segall viveu em Vilnius cedidas à exposição pelo Vilna Gaon State Jewish Museum ajudam a recompor o berço daquele que, anos mais tarde, viria a ser um dos principais artistas modernistas brasileiros.

Entre os documentos do Arquivo Lasar Segall exibidos estão carteiras de identidade, passaportes e dois documentos que encerram uma dúvida histórica: uma cópia do registro de nascimento de Lasar Segall e bilhete que atesta o nascimento do artista, ambos datados de 1889. Até bem pouco tempo, acreditava-se que o artista teria nascido em 1891 – informação que o próprio Segall costumava divulgar como verdadeira.

Esta é a primeira exposição brasileira realizada em colaboração com uma instituição sediada na cidade de nascimento de Lasar Segall. Ainda em 2019, também em homenagem aos 130 anos de Segall, o Museu Judaico de Vilnius sediará a exposição Um modernista brasileiro de Vilnius: o retorno de Lasar Segall, que apresentará na Lituânia 57 obras pertencentes ao acervo do Museu Lasar Segall. Vilna, minha Vilna poderá ser visitada no Museu Lasar Segall (Rua Berta, 111 – Vila Mariana) até 3 de fevereiro de 2020.

Posted by Patricia Canetti at 11:39 AM

Cá e lá... Utopos no MACRS - Mario Quintana, Porto Alegre

Exposição apresenta caráter plural da arte contemporânea nas obras de artistas brasileiros e franceses

No dia 25 de outubro de 2019, às 19h, o Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul - MACRS, em parceria com a Aliança Francesa Porto Alegre e o Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRGS - PPGAV, inauguram a exposição Cá e lá... Utopos, com curadoria de Sandra Rey. A mostra acontece no MACRS e pode ser visitada de 26 de outubro a 1º de dezembro de 2019. A entrada é franca.

Utopos aborda a relação com o meio ambiente, seja natural, seja cultural, através de um recorte de artistas e obras de caráter pluricultural. Buscando a raiz da palavra utopia define-se o termo Utopos como não-lugar. O não-lugar — Utopos — indica o impulso de alteridade presente em quem faz da arte um projeto de vida, no contemporâneo, e determina a posição instável e ambígua da arte contemporânea que, no entanto, possibilita atravessar fronteiras físicas e simbólicas, e oportuniza o jogo entre uma realidade que nos desafia, e quimeras que impelem o imaginário a reinventar possibilidades e promover diferenças, instigar singularidades.

A exposição apresenta 10 artistas que desenvolvem seus projetos de arte no contexto de pesquisas acadêmicas de pós-graduação. A relação arte e pesquisa tem-se mostrado produtiva diante dos desafios colocados pelo caráter plural da arte contemporânea. Ao mesmo tempo em que o artista desenvolve uma proposta artística, é impelido pensar condições em que sua produção opera no sistema da arte, e diante dos desafios impostos pela cultura e sociedades atuais. Dessa forma, prática e teoria se entrelaçam na pesquisa em poéticas visuais como um campo aberto a investigações.

A mostra apresenta artistas que vivem e desenvolvem suas carreiras no Brasil — Camila Moreira, Claudia Hamerski, Carlos Donaduzzi, Fernando Bakos, Glaucis de Moraes, Sandra Rey — e na França — Eliane Chiron, Hervé Penhoat, Lina El-Herfi e Susanne Müller.

Experiências multiculturais fazem parte dos currículos e das vivências dos artistas. As obras apresentadas abrangem reverberações dos contextos políticos locais e globais, e projetam-se como um território de experiências mediado por imagens, formas e objetos através das quais circulam ideias e pequenos eventos disruptivos, ancorados em acontecimentos reais com os quais nos defrontamos no mundo atual.

A exposição Cá e Lá... Utopos é uma realização da Aliança Francesa Porto Alegre, MACRS, Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRGS e Ministério da Cidadania por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Timac Agro.

Posted by Patricia Canetti at 11:03 AM

outubro 25, 2019

Sonia Andrade na Athena - Botafogo, Rio de Janeiro

Galeria Athena abre um novo espaço dentro do casarão para receber produções diversas de Sonia Andrade, como trabalhos dos anos 70 e obras recém-produzidas e inéditas

"O lugar a que se volta é sempre outro” ocupará três salas onde estarão dispostas produções de diferentes momentos e percursos da carreira da artista

A partir de 26 de outubro, a Galeria Athena apresenta a exposição individual de Sonia Andrade: O lugar a que se volta é sempre outro, com curadoria de Raphael Fonseca, pesquisador e, no momento, curador do MAC Niterói. A mostra contará com cerca de 30 obras em sua maioria nunca antes mostradas, que ocuparão três espaços expositivos da galeria. Os trabalhos abordam não só as diferentes relações com a noção de tempo, como também criações de diferentes momentos da pesquisa de Sonia Andrade, de 1972 aos dias atuais.

Reconhecida por seu pioneirismo na videoarte no Brasil, Sonia Andrade ganhou renome internacional pelas produções precursoras em um momento ditatorial no país. Suas obras, de diferentes formatos, têm percorrido exposições ao redor do mundo, bem como integram coleções notáveis. Para a exposição na Galeria Athena, a curadoria optou por ressaltar a produção artística que extrapola o suporte audiovisual. O público poderá acessar os diversos meios pelos quais a artista se debruçou, e continua a trabalhar, ao longo de sua carreira, como desenhos, fotografias, objetos e instalação. A mostra não se comporta como uma retrospectiva, mas sim como um panorama heterogêneo de obras da artista, uma vez que muitas das que estarão em exposição foram finalizadas neste ano.

O título da exposição parte de um trecho do poema "Là-bas, je ne sais où…” (em tradução livre significa “Lá, não sei onde”), publicado em 1944, de Alvaro Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa. O poema sugere uma reflexão sobre um futuro próximo para qual se vai e do qual não é possível voltar. “O lugar a que se volta é sempre outro” reflete a exposição de Sonia Andrade: trabalhos revisitados e finalizados neste ano que ganharam novos olhares, significações e entendimentos.

Trabalhos em exposição

Distribuídas em três ambientes, as obras configuram um conjunto heterogêneo das linguagens com as quais Sonia trabalha, havendo alguns pontos de interseção entre elas. A artista concebe seus trabalhos como unidades não fechadas, mas como partes, possíveis de tecer relações e sentidos entre elas, muitas vezes não tão evidentes.

A sala Cubo receberá a instalação Naufrágio. Produzida em 2019, a obra é uma caixa de vidro transparente, semelhante a um aquário, composta por pedaços de vidro, peças inteiras e cacos de um conjunto de porcelana japonesa. Provenientes da coleção da artista, os objetos são típicos do ambiente doméstico como xícaras e louças, que nesta instalação estão como naufragados em vidros quebrados. Nas palavras do curador Raphael Fonseca, “a instalação parece estar em diálogo com a tradição do memento mori: imagens alegóricas que nos lembram da morte. Passa o tempo, ficam os objetos, esvai a água e nos tornamos pó.”

Ocupa as salas da Casa a série “Sob os céus”. A artista recortou fotografias produzidas na Europa entre os anos de 1979 e 1984 com a notável presença do céu. As composições formam um mosaico de céus que pode ser visto como inventário de cores, temperaturas e desenhos. Como sugere o curador, “coladas uma ao lado da outra, essas fotografias parecem compor um calendário e podem se aproximar da noção de um diário: coleções de céus, coleções de dias e noites”. A noção de coleção e de passagem do tempo também está explícita em produções recentes como no trabalho “às contas...” que está em exposição no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro até novembro de 2019. Nesta proposta, contas de serviços básicos pagas e acumuladas entre 1968 e 2018, como luz, gás, telefone, televisão, internet e celular estão presas a correntes e dispostas em uma sala do MAM.

Cerca de 20 desenhos nunca antes mostrados também estarão na exposição "O lugar a que se volta é sempre outro”. Datados da década de 1970, período em que a artista se destaca na produção audiovisual, os desenhos são composição de linhas, manchas e roldanas que estão entre guaches e grafites. Pode-se reconhecer formas mecânicas de um projetor ou frames de um filme, imagens formadas através de traços de luz sobre um objeto. Curiosamente, esses objetos de estudo de alguns dos desenhos reaparecem em seus vídeos, como em Intervalo (1983). Suporte dos rolos de filmes na projeção, as roldanas desenhadas por Andrade correlacionam-se com a sugestão de um movimento fixado no tempo-espaço. Tempo, ação e movimento são temáticas que retornam constantemente nos trabalhos de Sonia Andrade.

Sonia Andrade (Rio de Janeiro, 1935. Vive e trabalha no Rio de Janeiro). Sua trajetória artística começou ao lado de um grupo vanguardista também formado por Anna Bella Geiger, Fernando Cocchiarale, Ivens Machado, Leticia Parente, Paulo Herkenho, Ana Vitória Mussi e Miriam Donowski. Com uma produção pioneira em vídeo nos anos 1970, Sonia Andrade agrega em sua trajetória a arte-correio, o desenho, a fotografia e a instalação. Participou de duas Bienais de São Paulo, 14ª (1977) e 32ª (2016), bem como de exposições de renome nacional e internacional: Elles: Mulheres Artistas na Coleção do Centro Pompidou - Centro Cultural Banco do Brasil, Elles@centrepompidou - Musée National d’Art Moderne/Centre National de Création Industrielle, WACK! Art and the Feminist Revolution (exposição itinerante pelos E.U.A e Canadá), I Concettuali di Rio - Centro d’Arte e Cultura Il, Mostra de Arte Experimental de Filmes Super 8, Audio-Visual e Video-Tape - Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, entre outras. Suas obras fazem parte de importantes coleções no Brasil e no Exterior, como, por exemplo: Centre Pompidou - Paris, França, The Getty Institute - Los Angeles, E.U.A., Sammlung Verbund - Viena, Áustria e Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Posted by Patricia Canetti at 11:07 AM

Em Forma de Família na Roberto Alban, Salvador

Mostra reúne obras do Geraldo, Fabiana e Lenora de Barros, nomes de destaque na arte contemporânea brasileira

Artista múltiplo por excelência, respeitado no Brasil e no exterior por seus trabalhos em fotografia, design, pintura, gravura e desenho industrial, entre outras linguagens, o paulista Geraldo de Barros compôs com suas duas filhas, Lenora e Fabiana, uma família de destaque nacional no âmbito das artes contemporâneas. É essa família que a partir do dia 31 de outubro ocupará a Roberto Alban Galeria, em Ondina, apresentando, pela primeira vez em um mesmo espaço, um conjunto representativo de suas principais obras. A mostra, denominada Em Forma de Família, encerra com relevância a programação deste ano da galeria.

Pioneiro mundialmente reconhecido da fotografia abstrata, fundador do movimento da arte concreta e designer de grande relevância, Geraldo de Barros (1923-1998) transpôs os limites do país e da própria arte produzida no Brasil por sua irreverência conceitual e domínio linguístico em diferentes campos artísticos, notadamente vanguardistas e experimentais. Presentes na exposição em Salvador, suas famosas Fotoformas, fotografias realizadas entre 1946 e 1951, revolucionaram a fotografia brasileira ao apresentar imagens que tanto podiam ser vinculadas ao Construtivismo como ao Cubismo, bem como a poéticas ligadas ao Expressionismo. A partir da reordenação de elementos, o artista criou uma nova composição em que estão sempre presentes as questões sociais e urbanas, além da inquietude diante da relação entre a arte e a sociedade.

Os seus últimos trabalhos, vinculados à série Sobras, com várias fotos inéditas que serão apresentadas na mostra em colaboração com o Instituto Moreira Salles (RJ), revelam um artista que sempre desafiou os limites entre o público e o privado. Isto é atestado no mobiliário Unilabor, com o seu design apurado e modular, produzido de acordo com princípios coletivistas revolucionários. Vale lembrar que alguns trabalhos de Geraldo Barros integram o acervo de diversos museus do mundo, a exemplo do MoMA, de Nova Iorque (EUA).

Interação familiar

A naturalidade com que as obras da exposição Em Forma de Família interagem entre si é um testemunho do poder dos laços familiares e da força da arte como um legado a ser transmitido de geração para geração. A própria Lenora de Barros admite que herdou do pai o seu lado mais performático, que é um traço marcante em sua obra. ”Ele se autofotografava com chapéus, roupas diferentes, era um apaixonado pelo cinema noir”, observa Lenora, artista visual e poeta reconhecida internacionalmente, que constrói uma obra marcada pelo uso de diversas linguagens: vídeo, performance, fotografia, instalação sonora e construção de objetos. No seu trabalho, a artista desenvolve esse lado performático nas chamadas fotos-performance, algumas construídas como sequências fotográficas em que representa diferentes personagens.

As primeiras obras criadas por Lenora podem ser colocadas no campo da “poesia visual” a partir do movimento da poesia concreta da década de 1950. Palavras e imagens foram os seus primeiros materiais. Um de seus trabalhos mais significativos, produzido em 1979 com registro fotográfico da irmã, Fabiana de Barros, é Poema, que estará presente na mostra Em Forma de Família. Nesse trabalho, a artista aparece tocando as teclas de uma máquina de escrever com a própria língua, um tema que reaparecerá em obras como Língua Vertebral (1998) e Linguagem (2008).

Já Fabiana de Barros, que vive em Genebra (Suiça), também identifica em seu trabalho artístico um ponto coincidente com a visão que Geraldo tinha da questão social: “Assim como ele, que sonhava com um mundo igualitário, produzindo uma arte para todos, tenho uma preocupação em estabelecer uma relação direta com o público, privilegiando o contato humano e o contexto social”, justifica, observando que uma de suas obras mais famosas, o Fiteiro Cultural - um quiosque de madeira que se abre nos quatro lados e funciona como um centro cultural itinerante – nasceu para atender às necessidades e desejos da comunidade, tendo sido instalado em diversas cidades do mundo.

Assim como sua irmã Lenora, Fabiana de Barros enveredou pelos caminhos da arte contemporânea, utilizando variados recursos multimídias - fotografias, vídeo, colagem, internet. A interação com o outro coloca-se como um eixo primordial em seu trabalho, que se traduz em instalações, intervenções, arte pública e virtual, web art. No ciberespaço, Fabiana encontrou as melhores condições para aproximar-se do seu público, através de sites de visitas e espaços para manifestações dos visitantes, propondo viagens a outras culturas. No Brasil, obteve seu maior reconhecimento ao participar da 25ª Bienal de São Paulo, em 2002.

Posted by Patricia Canetti at 10:32 AM

outubro 23, 2019

Miguel Bakun na Simões de Assis, São Paulo

A Galeria Simões de Assis traz em sua sede paulistana um recorte da produção de Miguel Bakun. A exposição, assim como as últimas do pintor, especialmente a realizada no Instituto Tomie Ohtake no primeiro semestre de 2019, cumpre a tarefa de não só resgatar uma obra excepcional como de conferir a Bakun o reconhecimento merecido, ainda que tardiamente e muito depois de sua morte.

A mostra reúne cerca de 40 pinturas, entre as quais as suas paisagens praianas que não fizeram parte da última mostra em São Paulo. Assim como Pancettti, Bakun foi marinheiro no Rio de Janeiro até 1930, quando volta para Curitiba. Para Ronaldo Brito, em um dos textos feitos especialmente para exposição, as extraordinárias marinhas ostentam um pronunciado acento mineral enquanto os céus não exalam nada de aéreo, são quase metálicos. “Trata-se sempre, porém, da mesma ânsia tátil que desobedece à vontade a regra acadêmica da textura, a correta imitação visual da sensação tátil. A matéria da pintura é o espírito do pintor”, escreve o crítico.

Já o texto de Paulo Pasta ressalta como as paisagens do artista são quase sempre cenas de seu lugar de origem, tornadas interessantes pela sua capacidade em apreender o que elas têm de distantes e perdidas; ambientes ermos e desamparados que sempre serviram de motor à poesia de pintores e muitas vezes respondem pelo melhor de suas produções. “...a forma com que Bakun construiu e revelou esses sítios à margem, essas paisagens olhadas de maneira comum, acentua esse estado de espírito da, e na, paisagem, dotando-as de uma grandeza humilde”, conclui.

Ronaldo Brito sugere que, de alguma maneira, por meios e modos difusos, Miguel Bakun fez-se contemporâneo de Cézanne e Van Gogh. “Ele não passava os olhos sobre as reproduções de suas telas, a essa altura, já emblemáticas; à sua medida, ele as introjetava, examinava a fundo, até as últimas partículas de seu ser”.

Bakun, afirma ainda Pasta, é um dos artistas que melhor souberam dar potência ao esquecimento e equilibrar verdes, azuis e amarelos, um pouco travosos e sem brilho, cores quase desbotadas, com uma noção muito moderna do não acabado. “As melhores, para mim, parecem fundos de quintal, um lugar comumente caseiro, reservado, escondido e Bakun é um dos melhores intérpretes desse espaço incerto e paradoxalmente cheio de memórias”. Segundo Pasta ainda, essa materialidade precária assumiria e ajudaria a compor a forma magistral de sua lírica. “Forma e conteúdo dando as mãos, identificando-se, para formarem o sentido pleno dessa obra tão peculiar”, completa.

Miguel Bakun (Marechal Mallet, PR 1909 – Curitiba, PR, 1963) é considerado um dos principais artistas modernos do Paraná. Autodidata, sua incursão nas artes plásticas se dá no final dos anos 1920 por influência do pintor José Pancetti, ambos marinheiros no Rio de Janeiro. Em 1930 é desligado da Marinha e volta para Curitiba, onde trabalha em diversas frentes para manter o próprio sustento e inicia uma obra pictórica intensa. No início dos anos 1940 instala ateliê em prédio cedido pela prefeitura a vários artistas, momento em que estabelece maior convívio com o meio cultural da cidade, que nunca o integrou plenamente. É o período mais produtivo do artista: dedica-se à pintura de retratos, naturezas-mortas, marinhas, e, sobretudo, à pintura de paisagem. A liberdade com a qual apreendeu a paisagem fez com que fosse superada sua complexa condição de trabalho, que incluía desde barreiras técnicas à precariedade dos materiais utilizados, como a paleta reduzida de cores e a tela preparada com estopa. A combinação ousada de amarelos, azuis e verdes, bem como as pinceladas energéticas de densas massas de tinta, fizeram de Bakun um pioneiro da arte moderna no Paraná, ainda que tal reconhecimento tenha se dado postumamente. A difícil situação econômica do artista, assim como a pouca penetrabilidade de sua produção no sistema de artes local, levou ao seu suicídio em 1963, aos 54 anos.

Posted by Patricia Canetti at 12:48 PM

Marina Weffort na Sim, São Paulo

A Galeria SIM traz a produção inédita de Marina Weffort, apresentando 13 trabalhos sobre tecido e 12 aquarelas concebidas em 2019 na exposição Tecido. Conforme aponta Maria do Carmo Pontes em seu texto curatorial sobre a exposição, a linha é a matéria-prima preferida de Marina Weffort. Contudo, seu fazer artístico difere com o que se espera em obras com tecido. No lugar de trabalhar com a adição, a artista opera por subtração das linhas. As imagens surgem na ação de pinçar os fios e retirá-los da trama.

Segundo Pontes, pela própria natureza do processo – ação planejada com marcações em cada um dos tecidos – e do material, as formas criadas são geométricas, maioria retângulos. Os erros às vezes são incorporados, levando a imagem a outro lugar, mas geralmente provocam o abandono do trabalho e um outro recomeço. São trabalhos em tom pastel, do branco e cinza ao marrom, eventualmente com discreto desvio para o vermelho.

Ainda que preferido, o tecido não é a matéria-prima exclusiva da artista que, paralelamente, desenvolve outros suportes, como as aquarelas monocromáticas dispostas na mostra, que dialogam com o outro corpo de obras. Como observa Pontes, algumas de fato se parecem com os tecidos, como se fossem projetos, obedecendo ao rigor do retângulo; outras exploram formas circulares, ovais ou híbridas que, quem sabe um dia, irão se formalizar como tecido.

“Há no seu fazer uma regra básica: a artista molha o pincel com tinta uma vez e trabalha o papel em movimentos regulares até exaurir a cor. A espessura cada vez mais tênue do gesto lembra gradativamente o desfiado do tecido. Vê-se também uma correlação do plano, pois, ainda que os tecidos sejam necessariamente esculturais, em sua forma bruta eles são bidimensionais”, completa.

Marina Weffort (São Paulo, 1978) vive e trabalha em São Paulo. Em 2000 gradua-se em desenho e escultura pela Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP, São Paulo. Em 2009 é selecionada para o Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo, sua primeira individual, onde ganhou o prêmio aquisição. Realiza as individuais “Still Life” (2010) “Lugar das Coisas” (2014) e “Tecido” (2016), na Galeria Marilia Razuk, esta última apresentada no ano seguinte na Galeria Cavalo. Entre algumas exposições coletivas de que participou destacam-se “14ª Bienal Internacional de Curitiba” (2019), “Estratégias do feminino” (2019), no Farol Santander, em Porto Alegre, “Mulheres na Coleção do MAR”, Museu de Arte do Rio (2018); “Avesso Viés”, SIM Galeria (2018); “In memorian”, Caixa Cultural Rio de Janeiro (2017); “Geometria Afetiva” SESC Bom Retiro (2016); “Retrospectiva - 25 Anos Programa de exposições CCSP” (2015); “Instável”, no Paço das Artes (2012), “Nova Escultura Brasileira”, na Caixa Cultural do Rio de Janeiro (2011), Programa de Exposições no MARP, Museu de Arte de Ribeirão Preto (2009), entre outros.

Posted by Patricia Canetti at 12:43 PM

Ding Musa + Deborah Engel na Raquel Arnaud, São Paulo

Ding Musa apresenta Parêntesis, sua terceira individual na Galeria Raquel Arnaud. A mostra, com texto crítico assinado pelo curador Josué Mattos, traz não só as reconhecidas fotografias do artista, mas também instalações, objetos e vídeos, consolidando um percurso de investigação por diferentes suportes, conforme o artista vem fazendo ao longo dos últimos 10 anos.

Numa definição formal, os parêntesis no caso funcionam para o olhar. “Isso porque a mirada de quem passar pelas obras deve se lançar a sobrevoos, sem perder de vista pousos detidos em partes, com poucos pontos de fuga”, observa Mattos. Segundo o crítico, o trânsito livre do olhar é interrompido por imagens de muros e chãos que comentam algo central na produção do artista: a condição complexa da unidade de construção e suas negociações com sistemas extrativistas promotores de escassez de trabalho, terra e moradia.

A instalação Unidade de construção espacial, formada por uma caixa de som que amplifica (com o uso de um microfone) o tic tac de um relógio de parede, recebe o visitante. A obra faz parte de uma série em diferentes suportes intitulados “Unidade de construção”, onde o artista utiliza metáforas para discutir sobretudo a construção estética em arte. A aparente formalidade encontrada nas fotografias desta série, que retratam elementos da construção civil, é fruto de uma investigação sobre o espaço da arte ou as formas de conhecer e acessar conhecimento através da estética. Segundo o artista, são uma investigação sobre a autoconstrução do homem em geral. “Trabalho muito esse conceito, uso várias metáforas e, para falar disso, junto materiais de construção, grides, grades, cubos tridimensionais, coisas comuns e recorrentes entre muitos artistas que me influenciam, como os minimalistas americanos. Essa coisa aparentemente mais formal tem uma carga política forte”.

Em paralelo à exposição de Ding Musa, a Galeria Raquel Arnaud, em parceria com a carioca Portas Vilaseca, realiza no segundo andar a exposição “Vertigem”, de Deborah Engel. A artista apresenta relevos fotográficos inéditos. As imagens sobrepostas por colagens são feitas a partir de fotografias das fachadas de edifícios icônicos da cidade de São Paulo, cuja arquitetura se faz presente no cotidiano da metrópole.

Para Diego Matos, que assina o texto da exposição, “Vertigem, termo que titula a exposição, é a tradução plástica e visual de Engel para a experiência do movimento espacial que vivenciamos ou elaboramos cotidianamente na cidade. É mais uma investigação em que a artista repete o uso dos dispositivos fotográficos e do procedimento preciso de colagem para construir imagens que trazem a matéria “espaço” enquanto imperativo de experimentação”, afirma.

Segundo a artista, “a exposição é um convite ao visitante a repensar a sua relação com a cidade ao ter o seu olhar dragado e ao mesmo tempo expelido pelas imagens que o acompanha nas andanças pela cidade de São Paulo”, comenta.

Posted by Patricia Canetti at 12:18 PM

Vicente de Mello na dotART, Belo Horizonte

A fotografia vai além da arte de registrar um momento. Traz o olhar do artista, um recorte da realidade e técnicas específicas. A partir do dia 26 de outubro, o público da capital mineira terá a oportunidade de conferir uma exposição fotográfica de Vicente de Mello, na dotART galeria. Intitulada Op. VT, a mostra traz registros com efeitos de revelação que distorcem a realidade.

Op. VT é a junção de duas séries do artista: Vermelhos Telúrios e Opere, em um total de sete obras. Ambas trazem um registro documental que foi transformado, por meio de técnicas laboratoriais, de modo a alterar a interpretação.

Em determinadas obras foi feita uma solarização, em outras inversão e ação monocromática. Na ocasião da inauguração, haverá visita guiada com o artista e também o lançamento do livro-caixa Cinematógrafo.

Série Vermelhos Telúrios

Será possível conferir três obras da série Vermelho Telúrios, as paisagens “Floresta Temperada - Ilha de Chiloé”, “Mata Atântica I – Paraty” e “Galheta II – Florianópolis”, essas últimas duas também estão expostas na sala Desvio para o Vermelho, instalação de Cildo Meireles, no Inhotim, e são as cópias número 2 de uma série de cinco fotos.

Vicente de Mello explica que a inspiração para as fotografias foram os memoráveis slides dos anos de 1960, com lugares e monumentos pitorescos adquiridos em viagens turísticas. Com o passar do tempo, esses slides sofreram deteriorações químicas e ficavam com aspecto avermelhado. “Trouxe essa ideia para a série. São paisagens que registrei na década de 1990, com uma Rolleiflex, utilizando filme preto e branco, e impressas na cor magenta, quase sanguínea. O resultado foi obtido em um jogo de laboratório de filtragem, onde tirei todos os filtros, mantendo apenas o vermelho”, acrescenta o artista.

Até mesmo as molduras dessas obras trazem as referências às cartelas de slides. São molduras escultóricas, brancas, que transformam as fotografias em gigantes slides de 120X120cm. Os registros trazem uma visão “de fora para dentro” da paisagem e têm sempre algum ângulo subvertido, no intuito de gerar ruídos na imagem.

Série Opere

Já na série Opere, quatro fotografias serão expostas: “A danação de Fausto”, “Ainda”, “Os sinos de Corneville” e “O navio fantasma”. Elas foram registradas quando Vicente de Mello fazia uma residência em Bruxelas, em 2013, e buscou recortes de uma parte moderna da cidade como cenário imaginário de suas óperas favoritas. “Estava no capital da União Europeia, onde os prédios eram novos, metálicos, com muito vidro e aço. Foi o lugar perfeito, uma mistura de drama e dureza ideais para contextualizar grandes óperas”, contextualiza o artista.

Assim como em Vermelhos Telúricos, as imagens foram captadas analogicamente em preto e branco. No momento da revelação, Vicente de Mello fez a inversão de positivo para negativo, transpondo um drama ainda maior para as obras.

Livro-Caixa Cinematógrafo

Além da exposição de fotos, o público poderá ver e adquirir um livro-caixa com obras do autor. Trata-se do Cinematógrafo, uma caixa que funciona como instalação para decoração. Ao todo são 12 fotografias da série Herbário que podem ser trocadas de acordo com o gosto de cada um. As imagens foram registradas ao longo dos anos, desde 2000, com uma Rolleiflex e o artista fez um processo de solarização em cada uma delas.

Sobre Vicente de Mello (1987)

Fotógrafo, curador e ensaísta. Formou-se em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e especializou-se em História da Arte e Arquitetura no Brasil, pela PUC Rio de Janeiro. Trabalhou no Departamento de Fotografia do MAM - RJ, de 1989 à 1998.

Tem sua pesquisa fotográfica desde 1992, com a criação de séries que tratam do condição da imagem como narrativa de própria historia da fotografia e do cinema, como o universo pictórico é fruto de suas próprias referências , entre elas , apresentadas nas exposições: Brasília Utopia Lírica, no Paço Imperial do Rio de Janeiro (2013), Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília (2015) e no SESC Santo André - SP (2017); Silent City, no Espace Photographie Contretype, Bruxelas, Bélgica; Ultramarino CCBB-RJ, pelo Prêmio Centro Cultural Banco do Brasil Contemporâneo (2015) e Pli selon pli , painel de azulejos para o SESC 24 de maio, São Paulo (2017).

Entre suas curadorias destacam-se: Fotograma Invisível, na Galeria Antonio Berni, RJ(2002); Indelével, Villa Aymores, RJ (2016); Magic Square, individual da artista Anastácia Hatziefstratiou, Atelier Fidalga, SP (2019).

Publicou o livro Áspera Imagem (2006) que acompanhava a exposição moiré.galáctica.bestiário / Vicente de Mello – Photographies 1995-2006, apresentada na Oi Futuro, RJ, na Maison Européenne de la Photographie, Paris, França, e na Pinacoteca do Estado de São Paulo, vencedora do Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) de melhor exposição de fotografia do ano de 2007.

Em 2014 publicou Parallaxis, editora Cosac Naify, um compêndio sobre suas séries fotográficas e o livro de artista O Cinematógrafo. Foi apontado no livro Fotografia na arte brasileira século XXI, editora Cobogó (2013).

Posted by Patricia Canetti at 11:46 AM

Eva Castiel, Fanny Feigenson e Fulvia Molina na Oswald de Andrade, São Paulo

Instalação e eventos paralelos recuperam história de mulheres judias sexualmente exploradas nos bairros paulistanos do Bom Retiro e Santa Ifigênia no início do século XX. Abertura em 26 de outubro de 2019, sábado, às 14 horas. Entrada gratuita

A Oficina Cultural Oswald de Andrade, equipamento da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, recebe a exposição [IN]visíveis – Polacas, memória e resistência, das artistas Eva Castiel, Fanny Feigenson e Fulvia Molina e curadoria de Márcio Seligmann-Silva. A realização da instalação inédita, mesa-redonda com especialistas, performances, além de visitas guiadas pelo bairro do Bom Retiro, recupera a história de mulheres judias, trazidas para a América do Sul em um esquema de exploração sexual e tráfico de pessoas.

No espaço expositivo da Oficina, elementos físicos remetem às ideias de sepultamento, ausência e esquecimento dessa trajetória. Os visitantes também têm acesso a áudios e textos inéditos que resgatam as memórias dessas mulheres e apontam como seu esforço pode se relacionar com a atualidade, quando diversos apagamentos estão sendo engendrados pelo governo federal, e servir como exemplo para futuras gerações.

A história das “Polacas” constitui uma marca da resistência feminina, escrita através de vestígios que sobrevivem ao apagamento de suas memórias. Narra o destino de jovens mulheres judias que deixaram seus lares em vilarejos da Europa Oriental e vieram para a América do Sul desde o final do século XIX até meados do século XX, iludidas por promessas de casamento e trabalho, impulsionadas a deixar para trás uma história de miséria e perseguições étnicas. Ao desembarcarem em cidades como Rio de Janeiro, Santos e Buenos Aires, viram-se presas a um ciclo de exploração sexual, comandado por cafetões e traficantes de pessoas ligados à organização criminosa Zvi Migdal.

Devido ao fato da prostituição ser condenada pelo judaísmo, essas mulheres acabaram sendo excluídas pela própria comunidade religiosa, foram impedidas de frequentar as sinagogas e de serem enterradas nos cemitérios judaicos tradicionais. Privando-as de um funeral digno, de extrema importância para sua tradição.

O termo “polacas” tinha um tom depreciativo, tornando-se sinônimo de prostituta judia, ao referir-se a suas origens. Foram estigmatizadas ainda pelas políticas higienistas do então governador Adhemar de Barros, que criou uma zona de meretrício na Rua Itaboca, hoje Rua Césare Lombroso, no Bom Retiro, bairro que, desde aquela época, era habitado predominantemente por imigrantes.

As “Polacas”, no entanto, resistiram, conservando sua identidade cultural, religiosa e étnica, suas próprias associações de ajuda mútua: como escolas, sinagogas, associações culturais e, até mesmo, seus próprios cemitérios como o de Inhaúma, no Rio de Janeiro, Chora Menino, em São Paulo, e o de Cubatão. Fizeram de sua cultura um modo de resistência.

No dia 26 de outubro, a abertura da exposição conta com dois outros eventos: às 15h, a artista Vic Sales realiza uma perfomance poética sobre a mulher contemporânea e, às 15h30, o Coral Tradição do ICIB - Instituto Cultural Israelita Brasileiro faz apresentação de músicas do cancioneiro iídiche.

Eventos paralelos

Mesa-redonda no dia 9 de novembro, das 14 às 17 horas, com as artistas (Eva Castiel, Fanny Feigenson e Fulvia Molina) e os debatedores: Enio Rechtman, Mariana Esteves (pesquisadora), Moisés Rabinovicci (jornalista), Paula Janovitch (antropóloga) e o curador da expo Márcio Seligmann-Silva. No Memorial da Resistência/Estação Pinacoteca, Largo General Osório, 66, Luz;

Passeio com as artistas e a antropóloga Paula Janovitch no dia 30 de novembro, às 10 horas, aos lugares de memória das Polacas no Bom Retiro. Saída: Oficina Cultural Oswald de Andrade. Duração: 2 horas.

Artistas

Eva Castiel vive e trabalha em São Paulo. Artista multimídia transita entre a instalação, a videoarte e arte pública. Iniciou sua carreira nos anos 1980 e faz parte do grupo Casa Blindada desde 2000. Realizou diversas exposições individuais no Brasil e em países como Alemanha, Israel, Hungria, Nova York e China, entre elas: “Infinita”, Valu Oria Galeria, em São Paulo, 2007, “A Oeste, O Muro”, Ruine Der Franziskaner Klosterkircher, Berlim, 2002 e “Kalk”, Galeria Barsikow, em Berlim, 2000. Participou de várias exposições coletivas, entre elas, “Corpoinstalação”, no SESC Pompéia, São Paulo, em 2009, “Paralela Bienal de São Paulo”, em 2006, “Genius Loci”, no Instituto Maria Antônia, em São Paulo, 2002, “São Vito”, no artecidadezonaleste, São Paulo, 2002 e “Nach Westen Die Mauer”, em Lutherkirche, em Colônia, 2000.

Fanny Feigenson, vive e trabalha em São Paulo. É pós-doutoranda em Psicologia Clínica na PUC SP com Peter Pal Pelbart, Doutora em Poéticas Visuais pela Universidade de São Paulo. Trabalha como professora no curso de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie desde 1975. Foca sua produção em diversas mídias, vídeos e instalações. Na área de Artes Visuais, estudou desenho com Yolanda Mohalyi e pintura com Samson Flexor; e instalações, vídeos e intervenções com Carlos Fajardo. Realizou exposições em São Paulo, Colônia, Berlim, Chicago e Eslovênia, onde foi premiada na Bienal, com a criação de um video. Em 2016, realizou a videoinstalação e intervenção sonora “Por Um Triz”, no Museu Judaico e no Centro Cultural Unibes, em São Paulo, onde debateu o momento contemporâneo nas cidades e suas diversidades. Em 2018 realizou exposição “Harpia XXI” no Centro Histórico da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Fulvia Molina tem sua atenção voltada à memória política e social do país, principalmente nos aspectos ligados à violação dos direitos humanos, à condição feminina, à exclusão social e à migração. É Mestre em Artes pela Escola de Comunicações e Artes da USP, fez residência artística na Faculdad de Bellas Artes da Universidad Politécnica de Valencia, Espanha, no Centre de Diffusion Press Papier de Québec, Canadá e no Frauen KunstForum em Hagen, Alemanha. Seus trabalhos em pintura, gravura, objetos, fotografia, áudios e vídeos procuram expressar as diferentes camadas da realidade se fragmentando e se refletindo, sendo percebidas a cada momento como atualização da consciência. Tem participado de exposições internacionais Berlim, Essen, Hagen, Québec e Madrid, entre outras cidades. É coautora e organizadora dos livros “MemoriAntonia – A Alma dois Edifícios” e “Hiatus – Arte, Memória e Direitos Humanos na América Latina”.

Posted by Patricia Canetti at 11:22 AM

Gravura e crítica social: 1925-1956 na Pinacoteca, São Paulo

Engajamento social é tema de exposição de gravuras do acervo da Pinacoteca

67 obras de 18 artistas brasileiros, como Lasar Segall, Oswaldo Goeldi e Renina Katz, evidenciam surgimento do tema na produção artística brasileira durante as décadas de 1930 e 1940

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo apresenta, de 26 de outubro de 2019 a 16 de fevereiro de 2020, a exposição Gravura e crítica social: 1925-1956, uma reunião de gravuras, pertencentes ao acervo da Pinacoteca, em torno do engajamento social. Com curadoria de Valéria Piccoli, curadora-chefe do museu, o conjunto é composto por 67 obras em xilogravura e linoleogravura de autoria de 18 artistas brasileiros como Lívio Abramo, Lasar Segall, Oswaldo Goeldi e Renina Katz.

As décadas de 1930 e 1940 são marcadas, no contexto da arte brasileira, pela emergência das temáticas de cunho social. Isso se manifesta em particular entre os gravadores – e muito particularmente na técnica da xilogravura – que se reúnem em “clubes” e atuam no sentido de representar trabalhadores em suas mais variadas funções. A Pinacoteca possui um acervo significativo de gravuras desse período e pretende agora apresentar uma seleção representativa acerca do tema.

A mostra se inicia com Lasar Segall e Oswaldo Goeldi registrando prostitutas e bordeis, até a generalização de assuntos como os operários, trabalhadores de construção civil, agricultores, a chegada dos retirantes nas cidades e a formação de favelas. Compõe o conjunto um número grande de obras — 18 no total — de autoria de Renina Katz.

Influenciada pelo gravurista Axl Leskoschek, a paulista ficou conhecida por uma produção orientada pela denúncia da condição precária das camadas mais pobres da sociedade brasileira, evidente em obras como Retirantes (1948-1956), que registra o impacto do êxodo nordestino em direção ao sul do país e Favela (1948-1956), que apresenta em tom melancólico a simplicidade e dificuldade do cotidiano dessas comunidades.

“A Pinacoteca é privilegiada no sentido de possuir uma coleção bastante completa que permite retraçar praticamente toda a produção de Renina Katz. O período em que ela volta sua atenção para temas da sociedade é muito interessante, se pensado em contraponto à produção abstrata pela qual ela é mais conhecida”, conta Valéria Piccoli.

Destacam-se também obras produzidas pelos integrantes do Clube de Gravura de Porto Alegre, que se originou a partir de um movimento de renovação das artes no Rio Grande do Sul, na década de 1930. Teve como um dos principais membros o artista Carlos Scliar, que atuou como importante intermediário entre os artistas de São Paulo e do sul do país, além do multiartista e professor Glenio Bianchetti, do gravador Danubio Gonçalvez — que frequentou os ateliês de Candido Portinari e Iberê Camargo —, e Vasco Prado, que desempenhou papel importante na formação do grupo, em 1950, após uma temporada de dois anos em Paris, durante o qual estudou ao lado de Fernand Léger, na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts.

O grupo nutria uma ânsia pela atualização técnica e formal combinada ao entusiasmo pelo realismo social. Defendia também a arte figurativa com temática regional gauchesca, o folclore, o registro da vida do trabalhador rural e urbano, assim como as lutas da classe trabalhadora e a tentativa de levar a arte ao povo contra "as manifestações cosmopolitas e antinacionais do abstracionismo", nos termos de Vasco Prado. Os integrantes do clube editaram ainda a revista Horizonte, cujas provas de impressão que a Pinacoteca conserva poderão ser vistas pelo público pela primeira vez.

A exposição integra a programação de 2019 da Pinacoteca, dedicada à relação entre arte e sociedade. Por meio dela, a instituição propõe examinar as dimensões sociais da prática artística, apresentando exposições que redimensionam a ideia de escultura social, cunhada pelo artista e ativista alemão Joseph Beuys.

ARTISTAS PARTICIPANTES

Abelardo da Hora (São Lourenço da Mata, PE, 1924 - Recife, PE, 2014)
Ailema Bianchetti (Lavras do Sul, RS, 1926)
Carlos Scliar (Santa Maria, RS, 1920 - Rio de Janeiro, RJ, 2001)
Danúbio Gonçalves (Bagé, RS, 1925)
Edgar Koetz (Porto Alegre, RS, Brasil, 1914 - 1965)
Gastão Hofstetter (Porto Alegre, RS 1917 - 1986)
Gilvan Samico (Recife, PE, 1928 - 2013)
Glauco Rodrigues (Bagé, RS, 1929 - Rio de Janeiro, RJ, 2004)
Glênio Bianchetti (Bagé, RS, 1928 - Brasília, DF, 2014)
Ionaldo Cavalcanti (Recife, PE, 1933 - São Paulo, SP, 2002)
Lasar Segall (Vilna, Lituânia, 1889 - São Paulo, SP, 1957)
Lívio Abramo (Araraquara, SP, 1903 - Assunção, Paraguai, 1992)
Manoel Martins (São Paulo, SP, 1911 - 1979)
Maria Laura Radspiller (Rio de Janeiro, RJ, 1925)
Nilo Previdi (Curitiba, PR, 1913 - 1982)
Oswaldo Goeldi (Rio de Janeiro, RJ, 1895 - 1961)
Renina Katz (São Paulo, SP, 1925)
Vasco Prado (Uruguaiana, RS, 1914 - Porto Alegre, RS, 1998)

Posted by Patricia Canetti at 10:18 AM

León Ferrari na Pinacoteca, São Paulo

Pinacoteca apresenta, pela primeira vez, duas séries completas de sua coleção, referentes ao artista argentino León Ferrari

Crítico contumaz da Igreja Católica e da ditadura argentina, falecido em 2013, doou, em vida, 33 das 50 obras que compõem a exposição

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, apresenta, de 26 de outubro de 2019 a 16 de fevereiro de 2020, a exposição León Ferrari: Nós não sabíamos, que reúne cinquenta obras pertencentes ao museu, de autoria do argentino. Organizada pelo Núcleo de Curadoria e Pesquisa da Pinacoteca, a mostra ocupa a sala C, contígua à exposição do acervo da produção artística brasileira do século XIX da Pinacoteca, e enfatiza o aspecto político que marcou a produção de Ferrari, carregada por uma crítica contundente às instituições de arte, aos sistemas políticos e à moral vigente nas décadas de 1960 e 1970. Esta é a primeira vez que o museu exibe duas séries completas de sua coleção, relacionadas ao artista falecido em 2013.

León Ferrari é um dos artistas latino-americanos mais consagrados mundialmente. Foi aclamado na Bienal de Veneza, em 2007, na qual recebeu o Leão de Ouro, em reconhecimento por sua obra. Em sua prática artística, faz uso de distintas linguagens, como a escultura, o desenho, a caligrafia, a colagem, a instalação e o vídeo. Esse conjunto heterogêneo e os temas abordados revelam tanto seu caráter de pesquisador e ativista como a preocupação com a investigação estética da linguagem, questionando o mundo ocidental, o poder e a normatização que ditam os valores da religião, da arte, da justiça e do Estado. A repetição, a ironia e a literalidade também são recursos de sua poética, reconhecidos desde suas obras iniciais.

Na década de 1960, os desenhos e as esculturas de Ferrari são permeados pelo questionamento ético da religião e a denúncia contra o imperialismo. Em 1976, um golpe militar forçou o artista e sua família a deixarem Buenos Aires, mudando-se para São Paulo, onde permaneceram até a década de 1990. Durante sua permanência no Brasil, Ferrari integrou-se ao circuito local de experimentalismos, envolvendo-se com o processo de revitalização da linguagem através da produção de heliografias, fotocópias e arte postal. Ao retornar à Argentina, o artista continuou a produzir obras de arte politicamente engajadas, questionando os desaparecimentos que aconteceram durante a Ditadura Militar.

Para a presente exposição, a Pinacoteca apresenta duas séries doadas pelo artista ao museu, pertencentes a um lote de 33 obras oferecidas por ocasião de sua exposição Poéticas e políticas, 1954-2006, com curadoria de Andrea Giunta, realizada na instituição em 2006. O processo de doação passou à etapa seguinte, em 2008 – quando, então, outras obras foram acrescentadas ao conjunto – e foi totalmente concluído em 2014, através de sua neta Anna Ferrari, um ano após o falecimento do artista. “As séries expostas nunca foram mostradas em sua totalidade. Elas partem de uma mesma operação, que é a intervenção feita pelo artista sobre páginas de veículos de comunicação. Ferrari explora o poder narrativo das imagens, interferindo nelas de modo a potencializar a mensagem que elas transmitem”, comenta a curadora-chefe da Pinacoteca, Valéria Piccoli.

A primeira série, Nosotros no sabíamos [Nós não sabíamos], 2007, faz parte de um conjunto de trabalhos que teve início em 1976, quando o artista começou a recortar artigos jornalísticos que denunciavam o surgimento de corpos de desaparecidos, após o golpe militar argentino, em várias áreas da cidade de Buenos Aires e ao longo da costa do Río de La Plata. Nessas obras, os recortes foram sendo reunidos em forma de livro. O título da série, que dá nome à exposição, surge como enfrentamento à atitude “nós não sabíamos”, argumento usado por parte da população, à época, para justificar sua indiferença acerca do terrorismo praticado pelo Estado, entre 1976 e 1983.

Já a série Nunca Más, 2006, refere-se aos fascículos homônimos, publicados no jornal Página 12 (Buenos Aires, Argentina), entre os anos 1995 e 1996. A obra é resultante das capas desses fascículos produzidas pelo autor. Aos fascículos, era anexado o relatório preparado em 1984 pela Comisión Nacional sobre la Desaparición de las Personas – CONADEP, contendo listas com os nomes de pessoas desaparecidas durante os anos da ditadura no país. As publicações citadas que deram origem ao trabalho ocorreram entre 1995 e 1996, havendo posteriormente uma reedição feita pelo próprio jornal Página 12, com novos trabalhos, em 2006. A data considerada pela Pinacoteca refere-se ao ano de impressão dos atuais suportes.

Integram também a exposição a obra Primera carta al Papa, 2007, e L’Osservatore Romano, 2007, 43 impressões digitais sobre papel, que se refere a um tradicional jornal homônimo elaborado pelo Vaticano, cujo primeiro número remonta ao ano de 1861, tendo como diretriz rebater calúnias contra o Pontificado Romano, recordar os princípios da Igreja Católica e da justiça, entre outros, ideias frequentemente dotadas de viés político. Crítico declarado à Igreja Católica e, especialmente, à Igreja Católica argentina, Ferrari selecionou edições entre 2000 e 2001, associando às manchetes da publicação diversas imagens e ilustrações relacionadas à história da religião católica, retratando, sobretudo, imagens de pecadores e castigos, ou imagens eróticas ou ainda imagens contemporâneas relacionadas ao nazismo e à ditadura argentina.

León Ferrari nasceu em 1920, em Buenos Aires, Argentina, e faleceu naquela mesma cidade, em 2013. Individuais recentes incluem: Prosa política de León Ferrari, Museo Municipal de Bellas Artes Juan B. Castagnino (MJBC), Rosario, Argentina (2019); León Ferrari. Palabras ajenas, Museo Jumex, Cidade do México, México (2018); The Words of Others: León Ferrari and Rhetoric in Times of War, Pérez Art Museum (PAMM), Miami (2018); Roy and Edna Disney/CalArts Theater (REDCAT) e Los Angeles, Estados Unidos (2017).

Participou de diversas mostras coletivas, com destaque para Words/Matter: Latin American Art and Language at the Blanton, Blanton Museum of Art, The University of Texas, Austin, Estados Unidos (2019); Géométries Américaines, du Mexique à la Terre de Feu, Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, Paris, França (2018); Delirious: Art at the Limits of Reason, 1950-1980, The Metropolitan Museum of Art (The Met Breuer), Nova York, Estados Unidos (2017); International Pop, Dallas Museum of Art, Dallas; The Walker Art Center, Minneapolis, Estados Unidos (2015); Encuentros/Tensiones, Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (MALBA), Buenos Aires, Argentina (2013), entre outras.

Suas obras integram coleções como Daros Latinamerica Collection, Zurique, Suíça; Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (MALBA), Buenos Aires, Argentina; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro, Brasil; The Museum of Modern Art (MoMA), Nova York, Estados Unidos; e Tate Modern, Londres, Reino Unido.

Posted by Patricia Canetti at 10:15 AM

Adrià Julià na Pinacoteca, São Paulo

Pinacoteca apresenta primeira exposição individual do artista Adrià Julià no Brasil

Conjunto de obras coloca em questão o modo como dispositivos técnicos modelaram a organização dos fluxos de imagem e de valor econômico no mundo contemporâneo

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo apresenta, de 26 de outubro de 2019 a 16 de fevereiro de 2020, a exposição Adrià Julià: Nem mesmo os mortos sobreviverão, primeira exposição individual no Brasil do artista nascido em Barcelona, em 1974. Com curadoria de Fernanda Pitta, curadora do museu, a mostra apresenta trabalhos que ocupam o pátio e duas salas contíguas à exposição de longa duração do acervo da Pinacoteca, no segundo andar. As obras colocam em questão as implicações das técnicas de reprodução, impressão e autenticação que pautaram a organização do fluxo das imagens nos primórdios da fotografia, a partir das experiências do inventor Hercule Florence que se estabeleceu no Brasil no século 19.

Por meio de instalações, cinema, vídeo, fotografia e publicações, Adrià Julià parte de uma suposta objetividade documental da imagem para construir ficções que desvelam aspectos esquecidos ou ocultados da história. Seu trabalho volta-se para a investigação de uma suposta obsessão, nos dias de hoje, pela precisão da imagem, a documentação e a cópia perfeita, bem como os usos desses elementos como instrumentos de controle dos corpos, das relações e da natureza.

Para a mostra na Pinacoteca — que conta com apoio de Acción Cultural Española (AC/E), através de seu Programa para Internacionalização da Cultura Espanhola (PICE), na modalidade de “Mobilidade”; do Instituto Hercule Florence e da Coleção Cyrillo Hercules Florence —, o artista apresenta desdobramentos do projeto Copy Money Copy, que vem sendo realizado desde 2016, no Brasil, para pesquisar sobre o fotógrafo, desenhista, tipógrafo e inventor Hercule Florence (Nice, 1804 – Campinas, 1879).

O intuito de Adrià tem sido investigar a utopia e o malogro dos experimentos com a imagem reprodutível realizados por um dos mais interessantes e notáveis inventores estrangeiros que se estabeleceram no Brasil no século 19. Menos conhecido dos muitos inventores de processos fotográficos no início da década de 1830, Florence foi o primeiro a cunhar o termo “fotografia” para designar a tecnologia de impressão com luz.

Durante o período em que o francês se estabeleceu no Brasil, entre 1824 e 1879, conseguiu, entre outros feitos, aprimorar o controle do desbotamento gradual causado pelo sol à imagem, ao utilizar o ouro – e não somente a prata como outros inventores – para suas primeiras experimentações. Em função dos recursos escassos, teve de recorrer também ao uso da própria urina como substância fixadora da imagem.

Seguindo procedimentos similares, Julià concebeu, para a sala A, a obra Exercise for an Overexposed Landscape (#2) [Exercício para paisagem superexposta (#2)]. Nela, uma máquina faz girar uma fotografia em grande formato cujo papel – impregnado de ouro e urina humana como substância fixadora, tal como Florence havia executado – foi submetido a uma superexposição à luz ambiente durante três dias. Na peça, um sistema cíclico de engrenagens rotaciona a imagem em um ciclo que se completa em exatamente um dia.

Aludindo aos primórdios da fotografia e da imagem animada, o artista reflete sobre o lugar da repetição, do automatismo e da reprodução na compreensão do universo imagético. “Apresentando a obra na sala adjunta àquela dedicada às obras dos viajantes, o artista rememora o lugar de Florence nas narrativas da construção do imaginário sobre o Brasil, empreendido por estrangeiros durante o século 19, referindo-se também às implicações do olhar colonizador”, explica a curadora Fernanda Pitta.

Na sala B, é apresentada a videoinstalação The Exceeding Image [A imagem excedente], que aborda a história de uma fotografia perdida realizada por Florence. Tomada a partir de sua casa em direção à praça da cidade e à cadeia pública da então Vila de São Carlos (atual Campinas), a imagem – segundo as descrições do inventor – reproduziria a vista da cadeia, cuidada por seu vigilante e ocupada por prisioneiros. A possibilidade de uma das primeiras fotos da história ter capturado a imagem de uma cadeia confere a ela um valor simbólico e acaba por se tornar, para Adrià, ponto de partida para uma ficção em torno desse evento do qual não se tem mais o registro imagético, só podendo ser reconstruída por meio da imaginação.

Entre as duas salas, no pátio, um mecanismo imprime folhas de papel estampadas com a imagem do beija-flor, retirada da extinta nota de 1 Real. A obra comenta a tentativa frustrada de Florence, com seu papel inimitável, de encontrar uma técnica que pudesse prevenir a falsificação de papel-moeda, problema que afligiu todas as economias que, ao longo do século 19, passaram a adotar essa forma de sistema monetário, incluindo o Brasil.

As duas salas, concebidas como o espaço do inventor (a máquina na sala A) e o espaço da imagem (a prisão na sala B), e o acontecimento de “distribuição” do pátio colocam em questão o modo como dispositivos técnicos modelam a organização dos fluxos de imagem e de valor no mundo contemporâneo. “Não por acaso, esses fluxos parecem coincidir com os primeiros desenvolvimentos de uma economia em que o lastro de valor vem se tornando cada vez mais imaterial”, finaliza a curadora.

A realização desta exposição só foi possível graças ao apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Adrià Julià nasceu em 1974, em Barcelona, Espanha, e atualmente vive e trabalha entre Los Angeles, EUA, e Bergen, Noruega, onde é professor da Universidade de Bergen, no KMD. Suas exposições individuais mais recentes aconteceram em instituições como a Fundação Miró, Barcelona; Tabakalera, San Sebastian; Project Art Center, Dublin; Museo Tamayo, Cidade do México; Orange County Museum of Art, Newport Beach; LAXART, Los Angeles; Artists Space, Nova York; Insa Art Space, Seul; e Galeria Soledad Lorenzo, Madri. Integrou mostras coletivas em instituições como Metropolitan Museum, Nova York; Museo Reina Sofía, Madri; Witte de With, Roterdã; Seoul Museum of Art, Seul, Coreia; Lyon Biennale, Lyon; Generali Foundation, Viena; 7ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre; Akademie der Künste, Berlim, além de performances para a 29ª Bienal de São Paulo. O artista também foi agraciado pela American Academy (Berlim), pela Botín Foundation, California Community Foundation Fellowship for Visual Artists, Art Matters, American Center Foundation, “La Caixa” Fellowship Program e, em 2002, foi vencedor do Altadis Prize.

Posted by Patricia Canetti at 10:10 AM

Diego de Santos na C.Galeria, Rio de Janeiro

No dia 26 de Outubro, a partir das 17h, Diego de Santos inaugura Viagem ao Vão sua primeira individual no Rio de Janeiro, na C. Galeria.

A exposição, que tem curadoria de Fernanda Lopes, reúne instalações, objetos, e desenhos realizados entre o ano passado e este ano. O artista, nascido em Caucaia (CE), tomou sua experiência de residir e se deslocar pelo Rio de Janeiro como ponto de partida para concepção dessa exposição. O projeto tem como foco investigativo a paisagem atravessada por trens urbanos, espaço que compreende a faixa de lastro (camada de pedras que serve para dar estabilidade aos trilhos em relação ao solo e aos trens em movimento) e áreas da cidade que margeiam essa faixa de domínio da ferrovia. Materiais, pessoas, imagens e sons encontrados nas inúmeras viagens de trem que fez são matérias das obras que reúne na C. Galeria.

“Em sua produção, Diego de Santos nos chama atenção para fenômenos urbanos, invisibilizados pelo cotidiano, e sua construção não só arquitetônica, mas especialmente histórica, econômica e social. Uma construção que se constitui também, e especialmente, a partir da geografia pessoal do artista, de um olhar e escuta sensíveis, e de sua observação atenta do que está ao redor”, aponta Fernanda Lopes, curadora da exposição.

Posted by Patricia Canetti at 9:31 AM

outubro 21, 2019

Katya Salvani na Kogan Amaro, São Paulo

Em A concha, a espada, o corte e o amor, a artista explora diversos suportes fazendo uso técnicas de gravura e impressão

No sulco aberto pela goiva empunhada por Katia Salvany, corre um rio azul que esculpe vestidos, conchas e gavetas. Em seguida, percorrendo as expressões nos rostos femininos, passa pelos fios de cabelos e chega aos olhos do expectador. Ao mesmo tempo que traça caminhos, essa ruptura conecta os diversos suportes apresentados em A concha, a espada, o corte e o amor, primeira individual da artista, em cartaz na Galeria Kogan Amaro a partir de 26 de outubro.

Em sua pesquisa, Salvany investiga as contaminações entre gravuras, pinturas, performance e vídeo, passando por cada suporte como a fração de um filme. Na exposição, apresenta suas obras ora como objetos de cena, ora como protagonistas. "A multiplicidade de Katia não cabe em gavetas. A fidelidade de sua composição é a alma artística, que ela faz mergulhar em cada gênero, como também vemos nos trabalhos de Joan Jones e Kiki Smith", afirma a curadora da mostra Ana Carolina Ralston.

Transitando seus trabalhos entre os gêneros natureza-morta e autorretrato, investiga o interesse corporal e seus vestígios no tempo/espaço, à exemplo de Mulher e gaveta (2019), pintura feita em esmalte sintético e Concha azul (2019), em que usa uma técnica alternativa baseada nos princípios da litografia chamada mokulito, que toma a madeira como base. "Mulheres e conchas com gavetas, suspensas no branco do papel, pintadas e desenhadas com cortes desferidos sobre a madeira são como metáforas das muitas vidas e histórias femininas que me atravessam o corpo", define a artista.

A escolha de seus processos de impressão faz de suas obras peças de tiragens únicas com perspectivas ilusórias, em que figuras em superfícies planas causam a impressão de tridimensionalidade. Já nas representações pictóricas, a artista distorce as formas orgânicas a fim de trazer movimento aos objetos.

Posted by Patricia Canetti at 5:35 PM

Kimi Nii na Kogan Amaro, São Paulo

A artista nipo-brasileira exibe criações inspiradas em elementos da natureza e revela sua concepção minimalista de paisagem

Luz e elementos da natureza despertam encantamento da artista nipo-brasileira Kimi Nii. Ela encontrou no Brasil uma rica variedade de tons, espécies e cenários naturais que inspiram suas criações, esculturas minimalistas, nas quais convida o espectador a construir paisagens mentais. Essa é a proposta da exposição Montanha das nuvens brancas 白雲山 Hakuunzan, individual que Kimi Nii estreia em 26 de outubro, na Galeria Kogan Amaro, com curadoria de Ricardo Resende.

A intimidade com a cerâmica proporciona à artista a habilidade de fundir elementos da cultura japonesa, guardados em sua memória e bagagem, com referências brasileiras, captadas a partir de sua vivência no País. Autora de uma pesquisa centralizada nas formas e luzes da natureza, as obras de Kimi Nii se assemelham a paisagens e aludem sobre dois lados do mundo.

Nascida em Hiroshima, dois anos após a explosão da bomba atômica, a artista mudou-se aos nove anos de idade para São Paulo, e seu fascínio pela luz e a natureza brasileira a fizeram ficar.

Em Montanhas das nuvens brancas, Kimi Nii apresenta formas cilíndricas que se repetem, mas sem nunca se igualarem, e mimetizam a forma das nuvens brancas sobre a ação do vento. “As nuvens são mágicas para mim e, nessa exposição, quero trazer os extremos opostos: a terra e o céu”, explica a artista.

“É proposto pela artista o silêncio entre as nuvens que estão espalhadas pelas alturas da sala expositiva e as formas cônicas alinhadas no chão, organizadas em uma linha reta que desenha em perspectiva para quem adentra a sala”, explica o curador.

Em contraposição, formas cônicas são alinhadas de modo a remeter às formas montanhosas. Em meio a essas duas estruturas, estão peças que apontam para plantas da família dos Hibiscos, chamadas de fauna pela artista, concebidas a partir de sua investigação sobre as formas dessas espécies e sua dinâmica na natureza.

O minimalismo é um dos traços fundamentais da poética de Nii, que conserva em suas cerâmicas a essência da matéria, da forma e da cor do barro, despindo-as de elementos supérfluos e fazendo delas formas exuberantes. A produção da artista é pautada na organicidade e apenas naquilo que lhe parece fundamental. “A obra de Kimi Nii é sobre a vida transformada em objetos belos e harmoniosamente organizada com a matéria da argila”, sintetiza Resende.

Posted by Patricia Canetti at 5:30 PM

Sessão comentada do filme Xico Stockinger no MARGS, Porto Alegre

Sessão comentada do filme “Xico Stockinger” (2012), do cineasta Frederico Mendina, seguida de debate com o diretor e mediação do diretor-curador do MARGS, Francisco Dalcol. O evento, que integra o projeto “Conversas no museu”, faz parte do programa público da exposição Stockinger 100 anos.

22 de outubro de 2019, terça-feira, às 16h

MARGS - Auditório
Praça da Alfândega s/n, Centro Histórico, Porto Alegre, RS

Documentário “Xico Stockinger”

Através de um olhar cuidadoso e delicado, o filme traz a fala do artista, sua obra, os lugares que fizeram parte de sua formação e seu ambiente de trabalho, além do depoimento de diversas pessoas de sua convivência ao longo de sua trajetória artística. O documentário cruza a carreira do artista com importantes fatos históricos apresentando, também, um pouco de sua vida como cidadão atuante na sua época.

Falecido em 2009, Xico produziu a maior parte de suas esculturas dentro de uma economia de cores e uma profusão de texturas. Muitas vezes utilizou técnicas para introduzir uma única cor em seus trabalhos. Essas características resultam em obras com certa austeridade, unindo força e técnica.

Stockinger foi um artista autodidata, teve sua formação toda baseada em estágios escolhidos dentro das suas necessidades e interesses, não tendo uma formação acadêmica tradicional. Assim, e tomando as palavras do crítico de arte Paulo Herkenhoff, a obra de Xico "está mais vinculada a um humanismo do que a uma ideologia", mesmo porque o artista não se filiou a nenhuma corrente, grupo ou escola específicos, guardando sempre uma independência em sua prática da arte.

O artista migrou para o Brasil após a I Guerra Mundial. Seu sonho era se tornar piloto de avião, mas sua origem austríaca o proíbe de concluir o curso quando o Brasil ingressa na II Guerra Mundial. Inicia como aprendiz do artista Bruno Giorgi, quando abraça um novo sonho: a arte. A inabalável capacidade criativa de Xico ao longo da vida repercutiu entre seus contemporâneos e ainda ecoa na sociedade. O documentário “Xico Stockinger” mostra sua história, entremeada por eventos históricos, suas técnicas e suas obras. Um filme documentário sobre a importância da perseverança, sobre a necessidade de realização pessoal.

Primeira produção da Pironauta e estreia de Frederico Mendina na direção, o documentário foi lançando em 2013, tendo sido aprovado na ANCINE e patrocinado pelas empresas Petrobras e Banrisul e escolhido no Concurso "Rio Grande do Sul – Pólo Audiovisual" de Apoio a Projetos de Finalização de Obra Cinematográfica Brasileira de longa-metragem.

Organizada como celebração do centenário de nascimento de Francisco Stockinger (1919-2009), a exposição Stockinger 100 Anos traz a público mais de cem itens dos acervos documental e artístico do MARGS e de outras instituições parceiras e de colecionadores. Com curadoria de Francisco Dalcol, diretor-curador do MARGS, e da curadora-assistente Fernanda Medeiros, a mostra pode ser visitada até 24 de novembro de 2019, de terças a domingos, das 10h às 19h, com entrada franca.

Sobre o diretor

Frederico Mendina nasceu em Porto Alegre, em 1973. É diretor de cinema autodidata desde 2007. É sócio da Pironauta, produtora focada em projetos audiovisuais de longa-metragem. "Xico Stockinger" é seu filme de estreia.

Sobre a produtora

A Pironauta foi criada para atuar em produção audiovisual, com a missão de adequar as diferentes tecnologias e formatos às necessidades do mundo contemporâneo, ágil e multifacetado. A estratégia de atuação é a formação de parcerias com produtoras e profissionais da área, resultando em projetos como: “Depois de Ser Cinza” (ficção, digital, longa metragem); e “Xico Stockinger” (documentário, digital, longa metragem –patrocinado pela Petrobras, Banrisul e escolhido no Concurso "Rio Grande do Sul – Pólo Audiovisual" de Apoio a Projetos de Finalização de Obra Cinematográfica Brasileira de Longa-Metragem).

Ficha Técnica

Entrevistados – Xico Stockinger, José Francisco Alves, Paulo Herkenhoff
Direção e Roteiro – Frederico Mendina
Assistentes de Direção – Betina Monteiro, Laura Salimen, Cacá Nazario
Produção – Frederico Mendina
Produção executiva – Clarissa Brites, Luciano Koch e Frederico Mendina
Direção de Produção – Luciano Koch e Frederico Mendina
Coordenação de Produção/RJ - Lucas Feitosa
Assistente de Produção – Cassiano Mendina, Alini Hammerschmitt
Direção de Fotografia – Eduardo N. Rosa
Operador de Câmera – Leonardo Maestrelli, Rodrigo Castro, Guilherme Carlin
Assistente de Câmera – Betina Monteiro
Eletricista e Maquinista – Fábio Catalane
Fotografia Still – Jean Schwarz
Produção Animação – Osso Filmes
Arte, Cenários e Direção das Animações - James Zórtea e Rodrigo John
Animação - James Zórtea, Rodrigo John, Adriana Hiller, Marina Kerber e Shir Anabor
Montagem e Finalização – Filipe Barros
Motion Graphics – Pedro Marques
Som Direto – Anderson "Chachá "Amaral Gorga, Benhur Machado, Bruno Carboni,
Philippe Branco, Ernesto Candau e Rodrigo Gandolfi
Estúdio de Som, Edição, Mixagem e efeitos sonoros – Fly Audio
Diretor Geral – Rafael Rhoden
Gravação e Mixagem – Rodrigo Rheinheimer
Foley - Julio Netto, Rodrigo Rheinheimer e DJ Piá
Desenho de Som – Julio Netto
Trilha Sonora Original – New
Músicos:
Violão – Diego Costa
Percussão – Giovanni Berti
Baixo e Guitarra – Rodrigo Rheinheimer
Flauta - Amauri Iablonovski
Pianos e Programação – New

Posted by Patricia Canetti at 2:50 PM

Stockinger 100 anos no MARGS, Porto Alegre

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) inaugura no dia 7 de agosto de 2019 uma ampla e extensa exposição em homenagem ao centenário de nascimento de Francisco Stockinger (1919-2009). Ocupando as três galerias das Pinacotecas, o espaço mais nobre do museu, Stockinger 100 anos reúne mais de 100 obras, procedentes do acervo do MARGS e de coleções públicas e privadas.

A exposição percorre as diferentes fases do artista que, com seus “Guerreiros”, “Gabirus”, esculturas em pedra e figuras femininas, é reconhecido como um dos mais importantes representantes da escultura no Brasil, também aclamado ainda em vida como um dos mais consolidados referenciais da arte produzida no Rio Grande do Sul. A abertura da exposição se dá exatamente no dia de nascimento de Stockinger. Além do centenário de nascimento, o ano de 2019 também registra uma década de sua despedida.

A curadoria de “Stockinger 100 anos” é de Francisco Dalcol, diretor-curador do MARGS, e Fernanda Medeiros, curadora-assistente.

Sobre o artista

Nascido em Traun, na Áustria, em 1919, Francisco Alexandre Stockinger criou-se em São Paulo e iniciou-se na escultura no Rio de Janeiro, com Bruno Giorgi. Conviveu com personagens fundamentais na fixação da arte moderna no Brasil: Di Cavalcanti, Milton Dacosta, Maria Leontina e Iberê Camargo. Transferiu-se para Porto Alegre nos anos 1950, onde seria um dos fundadores do Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre e, duas vezes, diretor do MARGS.

Depois de ter construído obra importante em xilogravura, ganhou projeção nacional com seus guerreiros em ferro e madeira, que costumam ser associados com a resistência à ditadura militar. Xico foi antes aviador, meteorologista e diagramador. Também coleciona cactos (é responsável pela identificação de pelo menos duas novas espécies).

Nas palavras do diretor-curador do MARGS, Francisco Dalcol, a exposição em homenagem a Stockinger é como que um dever do MARGS:

“Por ser Stockinger um dos mais consolidados referenciais da arte produzida no Rio Grande do Sul, e também porque sua arte extrapolou as fronteiras. Além disso, teve um papel institucional decisivo no sistema da arte no Estado, o que faz dele um personagem fundamental na nossa cultura”.

No texto curatorial da exposição, o diretor-curador escreve que, com esta exposição que celebra o centenário de nascimento de Stockinger, o MARGS afirma o compromisso com a nossa história artística:

“E em seu dever de prestar esta importante homenagem, cuja solenidade se torna necessária para que a relevância de um grande artista seja recolocada e não se apague da memória coletiva. Ao assinalar e afirmar a importância de Stockinger, o esforço é tomar o seu centenário de nascimento, e os 10 anos de sua despedida, como um momento oportuno para se difundir o seu legado. O intento é proporcionar um reencontro e um renovado interesse com uma produção tão conhecida e aclamada, mas sobretudo oferecer uma experiência intensa e enriquecedora para um público mais amplo e não totalmente familiarizado com a importância de sua obra e vida, notadamente as novas gerações”.

Sobre a exposição

“Stockinger 100 anos” reúne mais de 100 obras, entre esculturas, gravuras, documentos e outros itens. Na concepção curatorial, optou-se por uma exposição que não segue uma ordem cronológica estrita, preferindo estabelecer aproximações e possíveis relações entre diferentes fases e vertentes da extensa obra de Stockinger, produzida ao longo de seis décadas. Dessa estratégia de organização, resulta uma mostra estruturada em torno de núcleos temáticos, formais e conceituais. No texto curatorial, Francisco Dalcol escreve:

“Reconhecendo se tratar de um artista já legitimado e amplamente abordado, a exposição se assume mais panorâmica do que retrospectiva, tendo sido organizada segundo estratégias que procuram oferecer compreensão e legibilidade frente a uma produção tão extensa quanto diversa em suas etapas. Reforçam a opção por esse viés os diversos textos de mediação apresentados no espaço expositivo, com os quais se procura situar e contextualizar a obra e a trajetória do artista”.

Na galeria central das Pinacotecas, estará reunido um grande conjunto da estirpe dos “Guerreiros”, na qual se incluem figuras como profetas, sentinelas, touros, cavalos e personagens femininas. O diretor-curador escreve:

“Nos começo dos anos 1960, depois de um período dedicado às artes gráficas (desenho de imprensa e gravura), Stockinger retomou a prática e pesquisa em escultura. Começou a fundir em bronze no quintal da casa, de modo caseiro e mesmo rudimentar. Nesse processo artesanal e experimental, desenvolveu formas e texturas que o levariam a elaborar a estirpe em torno da figura mítica do guerreiro. Seguindo em suas experimentações, passou a trabalhar os “Guerreiros” com troncos de árvore e peças metálicas soldadas, desenvolvendo aí um inventivo processo construtivo — colagem e sobreposição, e não mais modelagem ou entalhe —, que configura a sua mais particular e notável contribuição para o campo da escultura”.

Já nas duas galerias laterais, estão contempladas as demais vertentes de sua produção. Em uma delas, estão reunidas dezenas de gravuras realizadas entre os anos 1950 e 1960, juntamente a uma seleção de itens que destaca a sua atuação na imprensa, em especial a gaúcha, onde trabalhou com diagramação, ilustração, caricatura e charge. Sobre a produção em gravura, Francisco Dalcol descreve:

“Ainda no final da década de 1950, Stockinger passou a praticar gravura. Dessa experiência, ficou notabilizado por uma importante produção em xilo (gravura impressa a partir de matriz de madeira), manifestando já aí forte pendor tanto à consciência social como às vertentes expressionistas. Contudo, a produção em gravura de Stockinger não se valeu das intensidades da expressão para uma dramatização documental da vida. Por outra via, abordou o drama social coletivo pela chave do conflito existencial, a partir de personagens excluídos e marginalizados da sociedade, tanto urbana como rural, a exemplo de pobres, boêmios, prostitutas e abigeatários”.

Nesta mesma galeria, outra seção destaca o seu trabalho de escultura em pedra, sobretudo o mámore. Segundo Dalcol:

“São esculturas serenas e silenciosas, que enfatizam o apelo à contemplação. Convidam ao deleite da beleza lírica e poética, mobilizando uma sensibilidade própria à forma e à matéria, e também ao que pode haver de prazer e sensual no resgate desses sentidos. Esculpindo em pedra, Stockinger não mais acrescenta nem molda, apenas subtrai o excesso. Há volume e cor, mas também ausência. A narrativa e o comentário da realidade social dão lugar à opção pelo silêncio, da arte como objeto em si. Aqui, o artista deixou-se guiar pela operação de reconhecer na forma bruta da matéria a sua vocação, encontrando assim a via de uma abstração informal”.

Por fim, na terceira galeria, estão reunidas peças diversas, como os seus conhecidos “Gabirus”, que retratam a miséria do povo do nordeste, e também sua “Magrinhas”, figuras femininas que se destacam pelo aspecto longilíneo. O diretor-curador comenta:

“Nos anos 1990, Stockinger recobrou as cargas de um comentário social mais explícito em sua produção artística. Sensibilizado pelas notícias da fome e miséria que teimavam a chegar do nordeste brasileiro, concebeu as figuras dos “Gabirus”, os seus seres nanicos, expressivos do drama humano que persiste a recair sobre as populações menos favorecidas. Como modo de denúncia, Stockinger procurava intencionalmente chocar com suas impactantes peças fundidas em bronze, que também já apontavam, uma vez mais, para a aproximação com algo do grotesco presente em sua produção”.

Nesta última sala, também estão reunidas diversas esculturas que explicitam o aspectos acnetral e primitivo da produção de Stockinger, a exemplo de grandes mestres da arte moderna. O diretor-curador salienta:

“Nessas esculturas, evidencia-se que a produção de Stockinger sempre apontou para o lastro da tradição artística ocidental. Mais precisamente, para a revalorização da escultura primitiva sugerida por grandes mestres europeus, filtrada por um viés humanista e por uma figuração livre. Entre essas referências figuram como incontornáveis escultores a exemplo de Alberto Giacometti, Aristide Maillol, Auguste Rodin, Constantin Brancusi, Henry Moore, Jean Arp e Marino Marini. Ao se valer a seu modo desse aspecto primitivo, arcaico e ancestral encontrado nos artistas modernos, tornado emblema de sua fidelidade e coerência artísticas, Stockinger alcançou uma obra que continua a significar por sua dimensão tão humanista quanto universal”.

A exposição “Stockinger 100 anos” pode ser visitada até dia 24 de novembro de 2019. O MARGS funciona de terças a domingos, das 10h às 19h, sempre com entrada gratuita. Visitas mediadas podem ser agendadas por e-mail.

Posted by Patricia Canetti at 2:29 PM

Narrativas em Processo: Livros de Artista na Coleção Itaú Cultural no Mamam, Recife

A mostra apresenta no Recife um conjunto de 46 obras, que abarcam mais de 80 anos da história da confecção deste tipo de livro por artistas brasileiros, na transição entre moderno e o contemporâneo, e revelam como a participação e a invenção artística traçam fronteiras com a literatura e o design. Além da exposição, o museu exibe livros de seu acervo e de artistas locais convidados

De 17 de outubro a 19 de janeiro, fica em cartaz no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM) a exposição Narrativas em Processo: Livros de Artista na Coleção Itaú Cultural. Com curadoria de Felipe Scovino e projeto expográfico de Marcus Vinícius Santos, apresenta 46 das 125 obras deste acervo, em um percurso de 84 anos de história da confecção de livros de artista, em diversos formatos.

A mostra já foi apresentada em São Paulo, na sede do Itaú Cultural, em Ribeirão Preto, no Instituto Figueiredo Ferraz, em Curitiba, no Museu Oscar Niemeyer (MON), e em Belo Horizonte, na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard do Palácio das Artes, da Fundação Clóvis Salgado. Assim como nas cidades anteriores, a escolha e recorte das obras e seções sofreu mudanças em Recife. Na capital pernambucana, com exceção da obra do argentino Jorge Macchi, a exposição se concentra nos artistas brasileiros da coleção de livros de artista do Itaú Cultural e na transição entre o moderno e o contemporâneo, especialmente o momento em que o formato do livro cria novas fronteiras no seu formato conceitual, expandindo o lugar da palavra para além da página.

“Acompanhando a criação de novos procedimentos para a concepção de livros de artista, a exposição constitui diversas relações para o leitor”, avalia Scovino. Uma delas, de acordo com o curador, é a da pluralidade de ações não só com a literatura e as artes visuais, como também com o design, a política e, em alguns momentos, com a música. “Também se verifica uma leitura que não se esgota, que se desdobra, redefinindo o papel do livro, do leitor e o do artista”, observa.

Outro acervo que será exibido em diálogo à mostra é o de coleção livros de artistas do MAMAM e de artistas pernambucanos convidados. Esse espaço se faz importante para o fortalecimento do Recife como um polo de referência dentro do contexto nacional das artes.

A MOSTRA

Para Felipe Scovino, Narrativas em Processo: Livros de Artista na Coleção Itaú Cultural “não é uma exposição apenas sobre livros-objetos, como se poderia imaginar quando veem à mente a expressão ‘livro de artista’”. O curador destaca que a mostra amplia essa percepção ao envolver os atributos que cercam este tipo de obra de arte: reflete a produção de uma revista pelo próprio artista, concebendo seu conteúdo e design gráfico; a manufatura de um livro ou a intervenção propondo uma ação conceitual ou física nesse suporte, ambos em caráter de tiragem limitada; a ilustração de uma publicação ou a produção de uma obra especialmente concebida para a sua capa; e a execução de um álbum de gravura.

Em Recife, a mostra se desdobra em cinco núcleos: Rasuras, Paisagens, Álbuns de Gravura, Uma escrita em Branco e Livros-objetos. Rasuras apresenta livros que, ao receber intervenção plástica, têm a sua função semântica ampliada. As obras não respeitam o jogo de uma narrativa linear, a escrita não precisa ser compreendida e o que importa é a mensagem final, que tem até um certo grau de violência e gestualidade. Em Balada (1995), de Nuno Ramos, o livro espesso e de capa dura não contém palavras, mas sim uma perfuração profunda à bala, transpassando-o brutalmente do começo ao fim, servindo como o único signo de leitura.

Mais uma obra representativa neste núcleo é As potências do orgânico (1994/1995), de Fernanda Gomes, Artur Barrio e Adriana Varejão. Nesta mostra, estão apenas as obras de Fernanda Gomes e Adriana Varejão. O surgimento da escrita visceral é o que marca este núcleo, testificado, ainda, por meio de três obras de Artur Barrio – Uma Extensão do Tempo (1996), Caderno Livro (1997) e O Sonho do Arqueólogo.

O núcleo seguinte, Paisagens, exibe trabalhos que transportam o leitor a uma experiência sensorial por meio de efeitos de impressão. Os livros têm uma aspiração ao tátil e à textura na superfície ou nas imagens, dada a fusão de cores e formas utilizadas. Dão um panorama, nesse sentido, obras como Paisagismo, de Roberto Bethônico, que acumula camadas, e sobreposições sobre o estado transitivo da natureza. Cria, assim, uma relação fecunda entre objeto e imagem.

Situação semelhante acontece em Memória Fotográfica, de Lucia Mindlin Loeb, onde o vazio –que também ocorre em Bethônico – incide na construção metafórica da imagem de uma câmara escura, já que o livro é atravessado em seu miolo por um “furo”. Entre outras obras exibidas neste núcleo, também são emblemáticas Páreo (2006), de Tatiana Blass, Partitura, de Sandra Cinto, e Buenos Aires Tour (2003), de Jorge Macchi.

Em Álbum de gravuras encontram-se obras de artistas plásticos que tiveram atuação determinante na passagem do moderno ao contemporâneo no Brasil. Entre elas, Gravuras Gaúchas (1952), em que o icônico Grupo de Bagé, composto por artistas como Carlos Scliar, Glauco Rodrigues e Glênio Bianchetti, defendia a popularização da arte.

Há obras emblemáticas desse período também de Arthur Luiz Piza e Sérvulo Esmeraldo, sendo este último importante artista cearense e um dos pioneiros da arte cinética no Brasil. Em uma de suas obras paradigmáticas, Variations sur une courbe, Esmeraldo apresenta uma poética incomum em seu trabalho. O mesmo acontece em Bernard Palissy, de Piza, cujas sete gravuras originais também estão em exposição.

Sandra Cinto está presente com o livro objeto Partitura, inspirado em antigos cadernos de estudos musicais e reinventados com a técnica da litografia. De Antonio Dias, há um livro com imagens ampliadas de pele humana, Flesh Room with Anima.

Antonio Henrique Amaral e João Câmara, também presentes neste núcleo, exploraram, nos anos 1960, cada um a seu modo, percepções sobre o tema da identidade e, em especial, de uma linguagem popular extremamente vigorosa e crítica. Já a tônica na pesquisa de Regina Silveira é duvidar dos códigos de representação. Em Anamorfas (1980), presente na mostra, nota-se um registro significativo desse estudo que subverte os sistemas de perspectiva.

Uma escrita em branco é um núcleo contemporâneo e apresenta obras que quebram as expectativas de um conceito fechado de livro ou leitura. Eles são oferecidos ao público como matéria, densa, compacta e sensorial. Entre eles, Devaneios – Utopias, livros em pó de tijolo e resina produzidos por Brigida Baltar em 2005, e Blocado: a arte de projetar, obra de Debora Bolsoni, de 2016, composta de ferro, papel e cola.

Desde meados dos anos 1950, no Brasil, os poetas concretos vinham problematizando as noções de livro, palavra e leitor e este é o teor do núcleo Livros-objetos. Nele estão obras como Muda Luz (1970), projeto de Plaza e Augusto de Campos, e Notassons – Notações Musicais e Visuais Aleatórias (1970-1992), de Montez Magno, que demonstram a ideia de escrita expandida e desdobrada em novas poéticas e (des)continuidades.

SALA DE DIÁLOGOS

Os dois acervos, Coleção Itaú e MAMAM, ocuparão o espaço juntos, fomentando a discussão entre artista, público e instituições culturais sobre as relações e alcances geográficos dos artistas contemporâneos das mais diversas poéticas, localidades e gerações. Ana Lira, Bruna Rafaela, Beth da Mata, Fernando Perez, Juliana Notari, Laura Melo, Márcio Almeida, Maurício Souza, Milena Travassos, Oriana Duarte e Paulo Bruscky são os autores locais selecionados pela curadoria do museu.

COLEÇÃO ITAÚ

As peças desta exposição pertencem ao acervo do Banco Itaú, mantido e gerido pelo Itaú Cultural. Formado por recortes artísticos e culturais que abrangem da era pré-colombina à arte contemporânea, cobre a história da arte brasileira e importantes períodos da história de arte mundial. A coleção começou a ser criada na década de 1960, quando Olavo Egydio Setubal adquiriu a obra Povoado numa Planície Arborizada, do pintor holandês Frans Post – agora exposta no Espaço Olavo Setubal, que ocupa o 4º e 5º andares do Itaú Cultural, em São Paulo, na exposição permanente dos recortes Brasiliana e Numismática também pertencentes a este acervo.

Atualmente formada por mais de 13 mil itens, a coleção reúne pinturas, gravuras, esculturas, fotografias, filmes, vídeos, instalações, edições raras de obras literárias, moedas, medalhas e outras peças. Trata-se da oitava maior coleção corporativa do mundo e a primeira da América do Sul, segundo levantamento realizado pela instituição inglesa Wapping Arts Trust, em parceria com a organização Humanities Exchange e participação da International Association of Corporate Collections of Contemporary Art (IACCCA).

As obras ficam instaladas nos prédios administrativos e nas agências no Brasil e em escritórios no exterior. Recortes curatoriais são organizados pelo Itaú Cultural em exposições no instituto e exibidas em itinerâncias com instituições parcerias pelo Brasil e no exterior, de modo a que todo o público tenha acesso a elas.

NÚCLEOS DA EXPOSIÇÃO

RASURAS

Aqui estão obras que se colocam à margem de uma narrativa obediente ao pragmatismo. É o lugar de uma escrita que nasce para não ser compreendida, que é oferecida ao mundo com certo grau de violência e gestualidade. Em Balada (1995), de Nuno Ramos, o rastro da bala que atravessa o volume do livro se transforma em signo de leitura. Em Flesh Room with Anima (1978/96), de Antonio Dias, assistimos a imagens ampliadas de pele: a página do livro se torna um padrão biológico. Nas obras de Artur Barrio, os conceitos de diário, registro, projeto, esquema, sonho e devaneio transportam o leitor para um espaço-tempo que foge a qualquer regra conclusiva sobre a concepção de livro como organizador pleno de ideias. Os livros de Adriana Varejão, Artur Barrio e Fernanda Gomes, que compõem parcialmente a série As Potências do Orgânico (1994/95), são índices de corpos transmutados em livros – estão lá vísceras, sangramentos, machucados. É o surgimento de uma escrita em que os fluidos transparecem, vêm à tona. A palavra transborda para uma relação profana entre imagem, narrativa e sexualidade. Nesse momento, podemos falar em livros-carne, pois neles estão contidos índices do que é visceral.

Em Dossiê Cruzeiro do Sul (2017), Lais Myrrha, ao fazer uso de saberes geopolíticos, astronômicos e históricos, revela que a constelação do Cruzeiro do Sul está invertida na bandeira brasileira. É o estopim para que, historicamente, seja construído um relato contundente sobre as disputas de poder no plano político e a falta de orientação do país expressa em suas disputas ideológicas, assim como, acima de tudo, para que seja registrada a situação de exclusão em vários níveis pela qual passa o Brasil. Em Escravos de Jó (2016), Aline Motta, por sua vez, parte da desconstrução da narrativa da cantiga infantil que dá título à obra para expor criticamente a história do Brasil em conjunto com a constituição de um estado necropolítico. O livro escancara como a cultura e a história oficial do país naturalizaram a violência e, especialmente, como a crueldade com o corpo negro se tornou prática comum e institucionalizada. Rasuras que revelam rasgos na carne.

E, finalmente, rasuras que não apagam as marcas indeléveis do roubo, memórias que retornam como apagamentos na obra de Rosângela Rennó. A pesquisa de 2005-510117385-5 foi criada com reproduções de fotos furtadas e, posteriormente, encontradas e devolvidas à Biblioteca Nacional (RJ), seu lugar de origem. As imagens, que retornaram em péssimo estado de conservação e sem o número de identificação, levaram a artista a outra criação poética, que ressalta a destruição ao reproduzir o verso das fotos, com suas margens rasgadas e outros estragos provocados no furto, realizados de modo “a apagar as marcas de registro de patrimônio da biblioteca”, segundo afirma a artista. A01 [cod.19.1.1.43] — A27 [s|cod.23] é resultado de pesquisa realizada no acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro em 2012 e trata do furto, detectado em junho de 2006, de mais da metade da coleção de álbuns de fotografias realizadas por Augusto Malta e seus dois filhos ao longo de mais de 40 anos. “O livro contém as reproduções do interior e do conteúdo de cada caixa, tal como foram encontrados após a constatação do furto.” E o que não pôde ser reproduzido convida o leitor a construir a sua própria história.

PAISAGENS

Livros que podem guardar não só uma relação explícita com esse tema, mas que o apresentam, sobretudo, em sua superfície ou nas imagens que revelam uma aspiração ao tátil. Transmitem a ideia de uma textura que equivaleria, guardadas as diferenças, à pesquisa pictórica, pois está ali uma superfície vibrátil criada numa fusão entre cores, formas e imagens. É como se, simbolicamente, a paisagem impressa nesses livros pudesse ser experienciada de forma sensível e direta pelo leitor.

Não temos, portanto, apenas uma reprodução visual da paisagem, mas artifícios ou dispositivos criados pelos artistas que manifestam uma capacidade de tornar visíveis o espaço e a atmosfera dessa imagem, em suas mais distintas referências e aparições. Uma paisagem em constante mudança, nunca estabilizada, mas permeada com inflexões do artista e suscetível à imaginação criadora do espectador. Ao serem viradas as folhas em Paisagismo (2005), de Roberto Bethônico, acumulam-se camadas, sobreposições e novas visadas sobre o estado transitivo da natureza. Cria-se, portanto, uma relação fecunda entre objeto e imagem. Situação semelhante acontece em Memória Fotográfica (2013), de Lucia Mindlin Loeb, em que o vazio – experimento/forma que também ocorre em Bethônico – incide na construção metafórica da imagem de uma câmara escura, já que o livro é atravessado em seu miolo por um “furo”. Essa forma é perspicaz, porque o livro é efetivamente a publicação de imagens capturadas de maneira aleatória pela artista do entorno em que ela se encontrava naquele instante. Forma e conteúdo se entrelaçam. Por sua vez, Edith Derdyk desloca a perspectiva do olhar para o alto em Fiação (2004). Seu objeto de pesquisa, nesse caso, é a fiação dos postes da cidade. A paisagem urbana é exibida de um modo pouco usual, ressaltando-se o céu, mas sobretudo as marcas da modernidade (a iluminação elétrica) e os desenhos criados pelos fios.

Em Notassons – Notações Musicais e Visuais Aleatórias (1970/92), de Montez Magno, há um diálogo interdisciplinar e de vanguarda entre literatura, música e artes visuais. A partitura é o espaço não só da música incidental, mas do gesto – palavra e som constituindo o mesmo espaço e gerando ritmo e expressividade. Afirmo isso pois há formas, desenhos e virtualizações: o que está diante de nós são paisagens imaginárias dotadas, sem dúvida, de um espectro sonoro.

Em outra perspectiva sobre paisagem, temos Buenos Aires Tour (2003). Nessa obra, Jorge Macchi constitui oito itinerários que derivam de uma trama de linhas criada a partir da quebra de uma estrutura de vidro que, por sua vez, foi colocada sobre o mapa da cidade argentina. Nesses itinerários foram eleitos 46 pontos de interesse, sobre os quais o guia proporciona informações escritas, fotográficas e sonoras. A paisagem não somente é exibida, mas vivenciada de múltiplas maneiras pelo leitor. Por conta de uma tática movida pelo aleatório, com inspirações situacionistas, a rotina diária pela cidade se transforma em uma cacofonia de cheiros, sons e formas provavelmente nunca antes percebidos.

ÁLBUNS DE GRAVURA

Este núcleo apresenta álbuns, em tiragem limitada, contendo obras de artistas plásticos que tiveram atuação determinante na passagem do moderno ao contemporâneo no Brasil. Gravuras Gaúchas (1952) apresenta pranchas com gravuras dos artistas que fundaram o icônico Grupo de Bagé, tais como Carlos Scliar, Glauco Rodrigues e Glênio Bianchetti. Defendiam a popularização da arte, daí a sua impressionante produção de gravuras, com traços realistas e expressionistas, tecendo uma crítica social e ao mesmo tempo documentando a cena regional do Rio Grande do Sul.

Os álbuns de gravura constituem outra instância de narrativa, assim como os livros. Nas obras de Arthur Luiz Piza, Edith Behring e Sérvulo Esmeraldo aqui expostas, percebemos como a linguagem abstrata é múltipla no país, por suas contribuições e visões mais distintas do que próximas dos concretos e neoconcretos. Há um lirismo singelo e potente, assim como um domínio seguro da linguagem construtiva. Em especial, destaco o modo delicado e autônomo com que Piza se aproxima do informalismo; a contribuição especial de Esmeraldo ao campo da arte concreta no Brasil, com formas que ampliaram o sentido de comunicação entre obra e público; e a iniciativa de Behring, que começa a retirar da linha, do plano, da cor e das características dos materiais trabalhados elementos que vão do mais extremo rigor das formas a uma poesia envolvente.

Já Antonio Henrique Amaral, João Câmara e Gastão de Holanda exploraram, nos anos 1960, cada um a seu modo, percepções sobre o tema da identidade e, particularmente, de uma linguagem popular bastante vigorosa e crítica. Conectados ao tema social, criaram imagens significativas sobre as mais distintas reproduções do espaço social e político brasileiro, esperançosos de um desenvolvimento que desse conta de diminuir as diferenças que habitavam o país. É importante salientar que ambos exploram a ideia de corpo em meio a um panorama em que esse se mantinha em estado de alerta. Violência, sexo e política são temas recorrentes e podemos percebê-los na aparição de bocas, seios e armas, no caso de Amaral, e de um nu tendendo ao expressionismo, no álbum de Câmara e Holanda. Em especial no caso de Antonio Henrique, percebemos um traço que começa a incorporar elementos da gravura popular e a figuração extraída da cultura de massa, com destaque para a proximidade com a publicidade e o grafite.

Duvidar dos códigos de representação é uma tônica na pesquisa de Regina Silveira e, em Anamorfas (1980), temos um registro significativo desse estudo. A artista se interessa pela subversão dos sistemas de perspectiva. Os trabalhos partem de fotografias de objetos cotidianos – tomadas de certa altura e de determinados ângulos –, que são redesenhados com o intuito de obter compressões, dilatações e dobras.

As xilogravuras também ganham espaço na mostra, contidas nas obras em formato de álbum. São os casos de Pequena Bíblia de Raimundo de Oliveira (1966), com texto de Jorge Amado, e Das Baleias (1973), de Calasans Neto, acompanhado de um poema de Vinicius de Moraes. Sendo a literatura de cordel o referencial para essas obras, aponto que ela não se apresenta puramente como expressão da cultura brasileira, mas evidencia a constituição de um livro e de uma narrativa produzidos manualmente pelo próprio artista. São exemplos, portanto, do processo de expansão sobre a ideia de livro de artista.

Assim, este núcleo concentra distintas análises que exploram como podemos refletir sobre o diálogo entre a produção artística e os meios de experimentação tendo o livro como forma e a serialidade como meio.

UMA ESCRITA EM BRANCO

Existem duas situações para o uso dessa expressão. A primeira faz referência a livros em que a palavra está em suspenso e o que se destaca é a materialidade do suporte. Nela, estão em evidência a forma, o peso e a estrutura da obra, sendo a escrita negada ou não concluída. Nada aparece como um dado pronto: é preciso se aventurar entre essas camadas, das quais as incertezas são o motor. É o caso dos livros de Brígida Baltar e Débora Bolsoni, que nos são oferecidos enquanto matéria densa e compacta, sendo justamente por isso caros ao tato. Quebram expectativas sobre um conceito fechado de livro ou leitura, pois se lançam ao sensório. Assemelham-se a blocos e, enquanto o de Baltar é impossível abri-lo, pois seu propósito é o contato com a cerâmica, o de Bolsoni é um livro sem palavras, um campo aberto, um estado permanente do devir-livro.

Ainda acerca da suspensão da palavra, em Momento de Fronteira (1999), de Waltercio Caldas, o vazio ou a falta, metaforizada nos buracos contidos no livro, opera como demarcações sobre um mapa. O que se observa sobre o território é a indefinição em se concluir sobre limites. O que nos interessa nessa situação é a investigação ou aparição do livro enquanto objeto e o alargamento que essa experiência produz no entendimento a respeito do que o livro passa a ser. Em Estudos sobre a Vontade (2000), Caldas veicula efeitos concretos de vazios ao propor sólidos geométricos usando as mãos em uma imagem com apelo cênico. Especula-se sobre a existência do vazio na mesma medida em que se lançam operações de irrealização sobre ele. Como acentuou Ronaldo Brito, “[Waltercio Caldas] introduziu uma dúvida inquietante na segurança da trama”.

A segunda situação é a construção de uma narrativa na qual o leitor é deixado em um estado de perda de referências, pois a linguagem impressa no livro é turva, não se exibe com exatidão. O Livro Velázquez (1996), também de Caldas, torna imprecisa a percepção sobre texto e imagens. Eles nunca se colocam como prontos aos olhos. O livro é atacado como um todo: texto e imagens estão fora de foco. A imagem se coloca como frustração. É preciso furar camadas de inconclusão e deduzir sobre aquilo que nunca se coloca de modo inteiriço. É também esse laço que nos conduz a Caixa de Retratos (2010), de Marcelo Silveira, em que imagens em pedaços criam novos sentidos discursivos para a fotografia. A ideia de retrato como memória e recordação sentimental é descontruída, ao mesmo tempo que outro sentido é criado. Rasgar é modificar, criar novas dobras e outra relação com nosso passado e com o que somos.

Pode-se também investir sobre a palavra uma sucessão de efeitos ópticos, luzes e sombras que criam outra camada de leitura e transformam quem lê em um náufrago ou em um sujeito ao qual são oferecidas diversas bifurcações ou oportunidades de entendimento daquele objeto. Em Como Imprimir Sombras (2013), temos um livro aberto, sem páginas. Impresso sobre o acrílico – que estrutura e dá forma ao livro –, o título que nomeia a obra. Num jogo de luz e como exercício de linguagem, assistimos a sombra do enunciado ser projetada contra o fundo do livro. As palavras se apresentam e se ressignificam no espaço do livro sob as mais distintas vertentes, mesmo sob o signo da ausência. O débito ou a falta se coloca nesse núcleo como afirmação e potência de espaço e como leitura crítica sobre o real.

LIVROS-OBJETOS

Desde meados dos anos 1950 no Brasil, os poetas concretos vinham problematizando as noções de livro, palavra e leitor. Passando pelos poemas espaciais de Ferreira Gullar, que solicitavam a participação do espectador, e pelas obras pioneiras de Augusto de Campos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos e Julio Plaza, que experimentavam a ação, a sonoridade e a espacialidade da palavra para além da página, a relação entre a poesia concreta e as artes visuais fundou um novo jeito de aparição do livro – ele toma uma forma escultórica na qual a palavra alcança a tridimensionalidade e passa a ter volume e densidade. A ideia de escrita expandida contida na pesquisa desses poetas ganha uma nova etapa: desdobra-se em novas poéticas e (des)continuidades. O livro faz aparecer sua própria fatalidade, pois interrompe toda linha contínua dos sentidos e torna-se risco. Este núcleo reúne e homenageia os pioneiros dos chamados livros-objetos no Brasil e sua intersecção direta com a poesia concreta. Era o momento em que a palavra saltava da página em direção ao espaço, assim como, guardadas as suas especificidades, simultaneamente as experiências concretas, neoconcretas e cinéticas exploravam um campo ampliado para a pintura e a escultura nas artes visuais. Percebam que a inclusão da obra de Waltercio Caldas neste núcleo cria uma comparação factível entre estas duas gerações de artistas: os da poesia concreta e aqueles com uma aderência ao campo conceitual. Parafraseando Paulo Sérgio Duarte, é a obra de arte na época de suas técnicas de reprodução que esses artistas tomam como terreno de operações.

Passamos então a analisar palavra/poema/livro/escultura como algo indissociável. Em Muda Luz (1970), projeto de Plaza e Augusto de Campos, por exemplo, o livro se abre feito o plano da cidade, trazendo densidade e volumetria para a palavra. Cor, escala e tridimensionalidade são aspectos correlatos da escultura que também passam a fazer parte da poética do livro ou da palavra. Outra parceria dos dois poetas é Objetos (1969). Nesse livro, composto de cinco grandes cadernos, os objetos são as próprias páginas, que, ao serem desdobradas, revelam formas geométricas geridas mediante um jogo estudado de cortes. Livro e escultura, verbal e não verbal, espaço e plano, eis algumas das possibilidades intersemióticas, espaciais e conceituais desse projeto de vanguarda. Interessante pensar que o artista passa a ser um criador ou propositor mais de situações do que de objetos acabados. E o livro foi e continua sendo um meio especialmente importante para pensar essa condição.

Em A Simétrica (1995), também de Caldas, o título da obra indica a ambiguidade própria do objeto: deriva do olhar cartesiano sobre o mundo, pois nele está aparente uma adequação geométrica, mas se equilibra, mesmo, é pelo seu humor, visível nas duas representações do vanitas. Estão lá, em oposição e em diálogo, a concretude das linhas definidoras do espaço e o símbolo da finitude. É esse distanciamento irônico que obriga ao sorriso.

O núcleo apresenta um microcosmo da produção do livro-objeto no Brasil. Seu início, como vértice do plano piloto da poesia concreta, e a sua dobra, em Waltercio Caldas e a sua forma silenciosa e alegórica de enxergar o mundo.

Posted by Patricia Canetti at 11:57 AM

2ª Bienal do Barro na Fábrica Caroá e Sesc, Caruaru

Agreste respira arte contemporânea na 2ª Bienal do Barro

De 17 outubro a 15 de novembro, Caruaru receberá a 2ª Bienal do Barro. A mostra, idealizada pelo artista Carlos Mélo, com o tema Nem tudo o que se molda é barro acontecerá no Galpão da Fábrica Caroá e no Sesc Caruaru. Evento reunirá 16 artistas de todo Brasil, convidados pela curadoria de Márcio Harum. A realização e produção é da Jaraguá Produções fomentado pelo Funcultura, Sesc e Prefeitura de Caruaru. A bienal que teve sua primeira edição em 2014, gera um potente campo de condições para o resgate do barro, como símbolo cultural da região, e através desse Agreste/Resgate a retomada da força telúrica, de um território considerado celeiro de produção artística.

Carlos Mélo explica que a Bienal do Barro se consolida como um projeto inédito no país e de flexão entre a arte popular e a arte contemporânea, através de ações educativas. “O intuito é gerar novas plataformas de produção artística, em uma região como o Agreste pernambucano, até então, fora do circuito da arte, cuja tradição e a produção de sentido se constituem através do barro e que vem sofrendo com a falta de políticas culturais, incentivo e fomento de outras linhas de ação para a preservação do patrimônio cultural”, reitera o idealizador.

O curador da bienal Márcio Harum destaca que a intenção é perpetuar o evento pelos próximos anos para que a discussão sobre a produção artística do Agreste não se acabe. Ele, que é coordenador do programa educativo no Centro Cultural Banco do Brasil (São Paulo), selecionou 16 artistas que utilizaram o barro como suporte artístico para ecoar a arte contemporânea em várias plataformas (performances, intervenções artísticas e espaciais, esculturas, objetos, vídeos e arte sonora). “O visitante fará um mergulho em espaços históricos como o pavilhão da Fábrica Caroá, um galpão da década de 1930, que já foi uma grande potência econômica para a cidade”, observa. A abertura será nesta quinta-feira as 18h, com performance inédita de Flávia Pinheiro.

PROGRAMA EDUCATIVO

Outro destaque da 2ª Bienal do Barro será o Programa Educativo, que acontecerá no Galpão da Fábrica Caroá. Coordenado pelos educadores Lucia Padilha e Hassan Santos, a ação promoverá rodas de conversas semanais, tour com mediadores culturais e entrega de kits educacionais para estudantes.

ARTISTAS

ALAN ADI - Pipoca Moderna - Instalação
Aracaju, 1986. Vive em Salvador.
Seu trabalho passa por pesquisa comumente temas relacionado ao Nordeste, evidenciando a produção artística originada na região, ao mesmo tempo em que esta dá suporte para a construção de seus trabalhos abertos para a discussão de questões intrínsecas a configuração da sociedade brasileira. A migração, a economia, história, a cultura e educação surgem em sua trajetória como artista com interações a partir da herança social das imagens associadas ao Nordeste e o confronto com o atual contexto de nação são os temas que povoam sua investigação recente, atrelados aos formatos usuais da poética visual de caráter transregional, nordestino e brasileiro. Entre participações em seleções, foi um dos finalistas do 7º Prêmio Indústria Nacional Marcantonio Vilaça (2019), Programas de Exposições do Centro Cultural São Paulo (2016) e III Prêmio EDP nas Artes/ instituto Tomie Ohtake (2012).

ALINE MOTTA - Outros (Fundamentos) - Vídeo
Niterói - RJ, 1974. Vive em São Paulo.
É bacharel em Comunicação Social pela UFRJ e pós-graduada em Cinema pela The New School University (NY). Combina diferentes técnicas e práticas artísticas, mesclando fotografia, vídeo, instalação, performance, arte sonora, colagem, impressos e materiais têxteis. Sua investigação busca revelar outras corporalidades, criar sentido, ressignificar memórias e elaborar outras formas de existência. Foi contemplada com o Programa Rumos Itaú Cultural 2015/2016, com a Bolsa ZUM de Fotografia do Instituto Moreira Salles 2018 e com 7º Prêmio Indústria Nacional Marcantonio Vilaça 2019. Recentemente participou de exposições importantes como "Histórias Feministas"(MASP), “Histórias Afro-Atlânticas” - MASP/Tomie
Ohtake e "O Rio dos Navegantes"- Museu de Arte do Rio/MAR.

AMANDA MELO DA MOTA - Cataplasma / Extrai-me a pedra para que eu veja - - Objetos/ Performance/ Instalação
São Lourenço da Mata - PE, 1978. Vive em São Paulo.
É graduada no curso de Educação Artística da Universidade Federal de Pernambuco. Entre as suas exposições, destacam-se a individual na Fundação Joaquim Nabuco, Recife, em 2002, e a coletiva Rumos Artes Visuais do Instituto Itaú Cultural, em 2005/2006. Foi premiada pelo Programa Bolsa Pampulha do Museu da Arte da Pampulha em Belo Horizonte em 2007, e pelo 47º Salão de Artes de Pernambuco com o projeto Sal é Mar, em 2008. Participa do Programa de Exposicões do Centro Cultural São Paulo em 2010. Realiza em 2011 as individuais Água Viva no Centro Cultural Banco do Nordeste, em Fortaleza, e Esplendor na Galeria Moura Marsiaj, no Rio de Janeiro. Lança em 2014 o livro-catálogo Água-Forte, editado a partir de conversas e entrevista com os curadores Clarissa Diniz e Bitu Cassundé.

CONCEIÇÃO MYLLENA - Fibras e Implantações - Instalação/ Intervenção
Cajazeiras - PB, 1990. Vive em João Pessoa.
Artista visual, graduada e mestra em Artes Visuais pela UFPB. Realiza trabalhos a partir da xperimentação de diversas linguagens e suportes, como a fotografia, a palavra e a performance. Atualmente trabalha com a paisagem do corpo, explorando relações de subjetividade entre seu universo interior e o mundo exterior. Entre as suas mais recentes exposições destacam-se em 2019: SAMAP - Salão Municipal de João Pessoa, Exposição Cia. - CCBNB - Sousa - PB, e em 2018, Agosta da arte - Apresentação da performance Epígrafe - CCBNB - Sousa - PB e o Salão de Artes Visuais do Sesc 2018 - com a Cia. performance. Em 2018 suas obras foram premiadas também com aquisições nas cidades de João Pessoa, Campina Grande, Guarabira - PB.

Claudineide Rodrigues - Rebanho de Ovelhas
Desde 1977 (42 anos)
Claudineide trabalha com barro desde os 13 anos, tendo como influencia os pais, ambos artesãos, Manoel António e Josefa Rodrigues. Começou fazendo brinquedos, que com o tempo viraram miniaturas retratando cenas do dia a dia, do folclore e da religião. Já participou de oficinas e eventos em Caruaru, teve peças expostas no Salão das Artes da FENEARTE e atualmente suas peças estão à venda no Centro de Artesanatos, em lojas no varejo e com colecionadores de vários estados do Brasil e exterior.

CRISTIANO LENHARDT - Terraças – Esculturas
Itaara (RS), 1975. Vive em São Lourenço da Mata - PE.
Bacharel em artes plásticas pela Universidade Federal de Santa Maria, RS (1996-2000). Em 2019 realiza nova exposição individual na galeria Fortes, D'Aloia e Gabriel em São Paulo. Entre as exposicões coletivas recentes em 2019 destacam-se: A Burrice dos Homens, galeria Bergamin & Gomide, em São Paulo, Arte Naïf – Nenhum Museu a Menos, na Escola de Ares Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, Brasil Perdona que no te crea, Carpintaria, Rio de Janeiro, Brasil Stray Gods, na Galeria Graça Brandão, em Lisboa e À Nordeste, no SESC 24 de Maio, em São Paulo.

DENILSON BANIWA - Mural Lambe-Lambe – Intervenção
Barcelos - AM, 1984. Vive em Niterói - RJ.
Denilson Baniwa, do povo indígena Baniwa, é natural do Rio Negro, interior do Amazonas. É artista visual e atualmente reside no Rio de Janeiro. Seus trabalhos expressam sua vivência enquanto ser indígena do tempo presente, mesclando referências tradicionais e contemporâneas indígenas e se apropriando de ícones históricos ocidentais para comunicar o pensamento e a luta dos povos originários em diversos suportes e linguagens como canvas, instalações, meios digitais e performances. Participou do Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo e foi vencedor do Prêmio PIPA em 2019.

FLAVIA PINHEIRO - Ruínas de um futuro em desaparecimento - Instalação/ Performance
São Paulo, 1982. Vive em Recife.
Pesquisa o corpo em movimento em relação a diferentes dispositivos. Trabalha com performances, vídeos, instalações e intervenções urbanas, em colaboração com artistas de diferentes linguagens. Desenvolve experimentos que envolvem arte e tecnologia. Flavia investiga o corpo em sua obsolescência programada em relação às gambiarras, os dispositivos analógicos em procedimentos de falha, erro e catástrofe. Foi professora substituta na Licenciatura em Dança na UFPE. Realiza a performance Antílope junto ao artista sonoro Yuri Bruscky, onde recentemente se apresentou no SESC Ipiranga em SP. Tem mestrado em História da Arte pela UNSAM, é pós-graduada em artes visuais pelo UNA - ambas em Buenos Aires. É graduada em artes cências pela UFPE.

ISABELA STAMPANONI - Um sábado futuro após o meio-dia - Instalação
Recife, 1975. Vive em Recife.
Graduada em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Pernambuco, estudou cinema na Scuola Civica di Cinema, Televisione e Nuovi Media di Milão, Itália. Trabalhou com gravuras na Stamperia di Giorgio Upiglio em Milão. De 2011 a 2013 coordenou o Núcleo de Arte Educação do Museu Murillo La Greca em Recife. Investiga poeticamente geografias, notícias, línguas, literatura, música, cotidiano, ações e reações coletivas. Seus trabalhos se concretizam em diferentes linguagens e suportes, como desenho e pintura, fotografia, instalação, performance e vídeo. Atua também como diretora de arte e editora de vídeo, este último, principalmente colaborando com artistas. Participou recentemente da exposição `A Nordeste no SESC 24 de Maio em São Paulo.

JARED DOMÍCIO - Carruarru – Instalação
Fortaleza, 1973. Vive em Fortaleza.
É formado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará e tem especialização em Artes Visuais: Cultura e Criação pelo Senac. Entre suas exposições, destacam-se as individuais: Desenhos e outras situações de risco, no Centro Cultural Banco do Nordeste em Fortaleza, 2009, Redesenho, Prêmio Artes Visuais da Funarte, em Brasília, 2008, Artista Invasor: Meio Amargo, no Museu de Arte Contemporânea do Centro de Arte e Cultura Dragão do Mar, em Fortaleza, 2005, In Calço, do Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo, em 2004 e Área de Segurança, no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, 2003. Das mostras coletivas mais recentes: “Barro.oco”, no Sesc Caruaru, em 2012, Quase Nordeste, na Galeria Oeste em São Paulo, 2007, Geração da Virada, no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2006, Centrocidades, no Centro Cultural BNB, Fortaleza, 2006, Vizinhos, no Museum Quartier, em Viena, na Áustria, em 2006 e Storage and Display, junto ao Programa Art Center na Cidade do México, em 2003. Foi premiado no 61º Salão de Abril, Fortaleza, em 2010, realizou residência de arte no Projeto Agulhas Negras, em 2009 e recebeu a Bolsa Pampulha em 2003.

JULIO LEITE - Remos - Série Projeto para um Novo Mundo / Homenagem ao Marrom – Escultura
Campina Grande - PB, 1969. Vive em Campina Grande - PB.
Graduado em Comunicação Social pela Universidade Estadual da Paraíba em 2000, dedica-se às artes visuais. Foi professor substituto da Universidade Federal de Campina Grande (2002-2005), momento em que se dedica na pesquisa e orientação de projetos em urbana-arte, vídeo, fotografia, arte e tecnologia. Em 2004 cria e dirige a Galeria Cilindro, site specific, na cidade de Campina Grande. Participou de várias exposições coletivas e individuais no Brasil e no exterior.
O campo investigativo da obra do artista Julio Leite está condicionado às relações entre imagem e desconstrução do signo pertinente, perfazendo um novo percurso alterado entre significado e significante, sua renúncia inicial em detrimento de uma nova abordagem que ressignifique as relações do que está sendo visto quanto resultado da obra. A apropriação e ressignificação de signos são, portanto, o ponto de partida no procedimento formal e conceitual de sua obra, sua transformação imediata traduzida para outro campo imagético, sobretudo, na possibilidade de uma relação metalingüística que vem determinar novos resultados visuais provenientes destes deslocamentos. Portanto, este processo vai ao encontro da teoria Wittigensteiniana em que nem tudo o que se vê é o que lê.

MATHEUS ROCHA PITTA - Estela#11 (terra prometida) - Escultura
Tiradentes - MG, 1980. Vive no Rio de Janeiro.
Estudou Historia (UFF) e Filosofia (UERJ). Nos últimos anos têm investigado formas e percepções de gestos que têm implicações éticas. Atento à interseção da arte e a vida cotidiana, ele desloca os gestos de seu seu fundo biográfico e deliberadamente os eleva a atos estéticos com uma dimensão histórica.
Fotografias, vídeos e esculturas são usados para construir um repertório de gestos, que são disponibilizados com o público, tais como a Primeira Pedra, Galeria Mendes Wood, São Paulo, 2015, No Hay Pan, na Gluck50, de Milão em 2015, Assalto, Bienal de Taipei, 2014, Golpe de Graça no Pivô, em São Paulo, 2013 e Aos vencedores as batatas, no Kunstlerhaus Bethanien, em Berlim, 2017. Em 2019, a Pinacoteca de São Paulo apresentou ao público seu trabalho adquirido para a coleção.

PAULO MEIRA - - Rádio Catimbó aparições - Instalação Sonora
Arcoverde - PE, 1966. Vive entre Recife e Belém.
Paulo Meira se define, “Explorar o universo radiofônico no campo das artes visuais vem sendo, nos últimos três anos, um dos principais agenciadores das minhas ações artísticas. A busca de uma experiência estética ativadora de uma percepção ampliada, não centrada na recepção visual da obra, mas também, amplificada pelo despertar de outros sentidos, me levou, inicialmente, ao uso experimental de rádio transmissão em uma vídeo instalação no ano de 2013 na residência artística ‘Poemas aos homens do nosso tempo’, Campinas – SP. Desde então me envolvi com ideias de pesquisadores que esboçam uma estética pós-midíatica anunciadora de uma nova época do ouvir, bem como, de uma ‘cultura do ouvir’, diferente da ‘cultura visual` com seu tempo naturalmente mais curto e muito mais veloz do que o tempo do fluxo auditivo.”
Artista plástico com formação em design gráfico pela UFPE. Em 1993 realizou sua primeira exposição individual no Museu do Estado de Pernambuco. Em 1995 participou de residência artística no Museu Het Domein na cidade de Sittard, na Holanda. No mesmo ano, realizou exposição individual na Galeria Vicente do Rego Monteiro do instituto Mauro Motta, Fundaj. Em 1997 fundou, junto com Oriana Duarte, Marcelo Coutinho e Ismael Portela o Grupo Camelo. Neste ano realizou individual no Instituto de Arte Contemporânea. De 1999 a 2001 participou do 1a edição do Rumos Artes Visuais do Instituto Itaú Cultural em diversas mostras pelo Brasil. Em 2002 participou da residência Faxinal das Artes – PR. Recebeu prêmio aquisição no VII e X Salão MAM da Bahia de Arte Contemporânea. Em 2004 realizou exposição individual no Observatório Cultural da Torre Malakoff, Recife, e em 2005 na Temporada de Projetos do Paço das Artes em São Paulo (projeto Hermes e Três Sambas). Neste mesmo ano participou do Panorama da Arte Contemporânea Brasileira. Em 2006 foi premiado com bolsa estimulo no 46º Salão de Arte Contemporânea de Pernambuco. Em 2007 realizou exposição individual na galeria Marília Razuk, em São Paulo, pela qual recebeu indicação ao Prêmio Bravo de melhor exposição do ano. Neste mesmo ano recebeu o Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia.

RENATA FELINTO - Araujo - Vídeo
São Paulo, 1978. Vive no Crato - CE.
É professora adjunta do setor de Teoria da Arte da Universidade Regional do Cariri/CE. Doutora e mestra em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, bacharel em Artes Plásticas pela mesma instituição.
Licenciada em Artes Plásticas pelo Centro Belas Artes. Especialista em Curadoria e Educação em Museus de Arte pelo MAC/USP. Foi Professora de Arte e Cultura Africana na Pós-graduação de História da Arte: Teoria e Crítica do Centro Belas Artes. Foi coordenadora do Núcleo de Educação do Museu Afro Brasil. É autora e organizadora de diversos livros e artista visual com exposições no país e no exterior.
Pensar as intersecções arte, feminino/feminismo, identidade afrodescendente tem sido seu foco nos últimos 20 anos. Suas exposições mais recentes: A noite não adormecerá jamais aos nossos olhos - Movimento Nacional Trovoa, Baró Galeria e Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo em 2019, Histórias Afro-Atlânticas, no Instituto Tomie Ohtake, em 2018.

SALLISA ROSA - Terraiz - Escultura Coletiva
Goiânia, 1986. Vive no Rio de Janeiro.
Sallisa Rosa se dedica a investigações contemporâneas de imagens e temas que a atravessam, dentre os quais a própria identidade e o universo feminino, assim como futuro, ficção e decolonização. Usando fotografia, vídeo e outras estratégias, propõe pesquisas e experiências em torno da identidade nativa contemporânea urbana. Artista que atua entre o ancestral e o contemporâneo, seu trabalho aprofunda os sentidos acerca de possibilidades de vida coletiva ans cidades. Formada em jornalismo, mestre em criação de conteúdo audiovisual pela UFRJ. Participou recentemente da exposição coletiva Vaivém no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro e do Bolsa Pampulha do Museu de Arte da Pampulha em 2019.

VIRGINIA DE MEDEIROS - Trem em Transe - Vídeo
Feira de Santana, 1973. Vive em São Paulo.
É Mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia. A artista adapta imagens documentais para usos subjetivos, pessoais e conceituais propiciando a revisão dos modos de leitura e representação da realidade e da alteridade. Conhecer, conviver, conquistar a confiança e fazer amigos estão na base do seu método de trabalho. A artista acha importante levar em consideração nossos laços afetivos como elementos dotados de significado vital para a história da arte contemporânea. A artista recebeu em 2015 os dois maiores prêmio de arte contemporânea do Brasil: Prêmio PIPA Júri e Voto Popular e a 5a Edição do Marcantonio Vilaça pela sua trajetória. Em 2019 pariticipou das seguintes exposicões: Arte Atual: Jamais me olharás lá de onde te vejo, Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, História da Sexualidade, MASP, São Paulo, em 2017-2018: História da Sexualidade, do MASP. Em 2014 foi premiada no 18o Festival de Arte Contemporânea Sesc-Videobrasil com a Bolsa na Residency Unlimited em Nova York. Seus trabalhos foram expostas em numerosas mostras, entre elas, Behind the Sun-Prêmio Marcantônio Vilaça, HOME, Manchester, Reino Unido; La réplica Infiel, Centro de Arte 2 de Mayo, Madri; Set to go, Contemporary Art Centre de Vilnius (CAC), Vilnius, Lituânia; Linguagem do Corpo carioca [a vertigem do Rio], MAR Museu de Arte do Rio em 2015, Como (…) de coisas que não existem – 31a Bienal de São Paulo, Museu Serralves, Porto, Portugal; Rainbow in the dark: no joy e tormento of Faith, Malmö Konstmuseum, Suécia, em 2014. Possui obras nas coleções do Instituto Inhotim, Museu de Arte do Rio (MAR), Centro Cultural Dragão do Mar, Centro Cultural São Paulo (CCSP), Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB) e Associação Cultural Vídeobrasil. É artista participante e residente da 11a Bienal de Berlim em 2020.

ZÉ CARLOS GARCIA - - s/titulo - Esculturas e Performance
Aracaju, 1973. Vive no Rio de Janeiro.
Artista visual, estudou escultura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Participou em 2019 das exposições coletivas Concerto para Pássaros, no Goethe Institut de Salvador, Manjar: Beleza e Devastação ou Eterno Retorno, no Solar dos Abacaxism Rio de Janeiro e Luto tropical, na Pasto Galeria, em Buenos Aires, Argentina.
Nas palavras de Olívia Ardui, crítica e curadora, “as esculturas de Zé Carlos Garcia se apresentam como entes insólitos que podem tomar a forma de insetos imaginários, uma vez que resultam de uma combinação de membros de diferentes espécies, ou ainda da mescla de plumas e partes de mobiliário de madeira. Dessa junção originam-se híbridos que, além de conservar os significados das partes que os compõem, geram uma curiosidade mórbida em relação à sua natureza. Garcia parece assim evidenciar certa perversidade do público, refém, entre estranhamento e fascínio, de seu próprio voyeurismo diante de corpos dilacerados, por mais fictícios que sejam.”

Posted by Patricia Canetti at 10:57 AM

Bruno Veiga na Caixa Cultural, Brasília

A Caixa Cultural Brasília estreia em 22 de outubro a exposição inédita Teoria dos Conjuntos, com fotografias de Bruno Veiga, sob a curadoria de Eder Chiodetto. Serão apresentadas 32 fotos (sendo alguns múltiplos), montadas em formatos e suportes variados, feitas ao longo de 2015, 2016 e 2018, em seis viagens do artista à cidade de Budapeste, na Hungria. Em foco, condomínios populares construídos em meados do Século XX e as delicadezas do cotidiano das famílias que lá habitam. A exposição poderá ser vista até o dia 15 de dezembro. A entrada é franca.

Teoria dos Conjuntos revela como países da Europa Oriental enfrentaram o problema habitacional gerado pela grande migração para os centros urbanos no processo de industrialização. A ideia do fotógrafo foi encontrar a singularidade dos moradores nos imensos condomínios populares padronizados, registrar de que forma ela se manifesta, como os indivíduos conseguem se expressar e romper a repetição.

Segundo o artista, o sistema modular cria moradias que não dão espaço para a expressão da individualidade. A partir desta constatação, Bruno Veiga começou a fotografar, de um mesmo ângulo, situações aparentemente iguais para revelar manifestações da expressão da individualidade, muitas vezes bastante sutis. Além da pesquisa em condomínios populares, o fotógrafo também buscou imagens do cotidiano, detalhes de intimidades, o ambiente doméstico que constrói identidades.

A exposição tem a curadoria de Eder Chiodetto, especializado em fotografia, com mais de 70 exposições realizadas no Brasil e no exterior, só nos últimos dez anos. Segundo Chiodetto, é curioso perceber, no percurso das imagens expostas, a natureza surgindo de forma recorrente para tornar um ambiente mais personalizado, seja em jardins ou num vaso sobre a mesa. “Quando o homem se volta para a natureza é como se estivesse voltando aos seus instintos naturais em contraposição ao excesso de racionalidade”, diz o curador.

Bruno Veiga tem uma longa trajetória como fotógrafo, que começa em 1984, como fotojornalista, para jornais como O Globo e Jornal do Brasil. A partir de 1990, passa a atuar como freelancer, abrindo espaço para um olhar artístico sobre a fotografia. Desde 2004, publicou sete livros, entre eles ‘O Rio Que Eu Piso’, cujas fotografias foram expostas em mostra homônima individual em Lisboa e Singapura, em 2008. Participou de diversas mostras coletivas no Brasil e em países como Japão e França. Em 2013, recebeu o Prêmio Brasil de Fotografia com o Ensaio Paisagem Submersa. Seus trabalhos estão em coleções públicas e particulares, como Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Itaú Cultural-São Paulo, Museu de Arte do Rio e Maison Europeénne de la Photographie Paris-França. http://brunoveigafotografia.com.br

Posted by Patricia Canetti at 10:18 AM

outubro 20, 2019

Vik Muniz na Nara Roesler, São Paulo

Em Superfícies, o artista apresenta série inédita de trabalhos que discutem modos distintos de vivenciar produções artísticas, questionando as relações com a experiência física da obra de arte em um mundo cada vez mais mediado pela tecnologia digital

A Galeria Nara Roesler | São Paulo apresenta Superfícies, terceira mostra individual de Vik Muniz na sede paulista da galeria. Composta por uma série inédita de trabalhos, todos únicos e produzidos neste ano, a mostra abre ao público no dia 24 de outubro, 2019.

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Ao mudar-se para os Estados Unidos em 1983 e ver de perto obras que conhecia somente através de reproduções, Vik Muniz percebeu a enorme diferença que há entre interagir fisicamente e analisar a arte através de réplicas. Estes dois modos distintos de vivenciar as produções artísticas pautaram o trabalho realizado pelo artista ao longo das três décadas de sua carreira.

Por meio de sua obra o artista convida o espectador a desbravar territórios ambíguos, repletos de dualidades: entre imagem e sua contrapartida física, entre mente e matéria, percepção e fenômeno. Este "exercício metafísico", segundo o artista, desafia nossos sentidos e nossa percepção a traçar novos caminhos através de uma realidade em constante mudança, obrigando-nos a reconhecer a fragilidade de nossas certezas.

A necessidade constante de reconfiguração da realidade decorrente do advento das novas mídias é aproveitada por Vik Muniz para romper os paradigmas que tradicionalmente polarizaram a pintura e a fotografia, resgatando a relação entre o material e o pictórico presente em sua produção desde o início de sua carreira – em uma de suas primeiras séries, Best of Life, o artista desenhava fotografias famosas a partir de sua própria memória para então fotografar os desenhos e exibir as imagens resultantes.

As superfícies pintadas, tradicionalmente um campo epistemológico reservado exclusivamente aos pintores, ao serem continuamente visualizadas e reproduzidas ao longo da história, tiveram a sua aura material diminuída. Suas cores, contexto ou composições são facilmente lembradas, em detrimento da textura de sua superfície e sua fisicalidade.

Em sua nova série, o artista subtrai novamente os elementos concretos que diferenciam uma pintura de uma fotografia através de uma imagens em camadas. Os trabalhos a serem apresentados em Superfícies exploram duas abordagens recorrentes em seu vocabulário artístico: ora um material em busca de significado, ora uma imagem em busca de uma renovação física.

Embora as obras utilizem a pintura tanto em seu processo quanto em seu conceito, elas não são pinturas – ainda assim, enquanto imagens fotográficas de obras que existem de forma autônoma e física, elas também não são abstrações. São imagens fotográficas não reprodutíveis que, de forma ambígua, valorizam simultaneamente as superfícies materiais e conceituais da pintura e necessitam da presença física do observador para obterem êxito.

Esta negociação entrópica de perda de material e ganho virtual leva o espectador a questionar sua relação com a experiência física da obra de arte em um contexto em que as imagens e a própria ideia de realidade são mediadas pela tecnologia digital, hoje onipresente em nosso cotidiano.

Vik Muniz

A obra de Vik Muniz questiona e tensiona os limites da representação. Apropriando-se de matérias-primas como algodão, açúcar, chocolate, e até lixo, o artista meticulosamente compõe paisagens, retratos e imagens icônicas retiradas da história da arte e do imaginário da cultura visual ocidental, propondo outros significados para esses materiais e para as representações criadas.

Para a crítica e curadora Luisa Duarte, “sua obra abriga uma espécie de método que solicita do público um olhar retrospectivo diante do trabalho. Para ‘ler’ uma de suas fotos, é preciso indagar o processo de feitura, os materiais empregados, identificar a imagem, para que possamos, enfim, nos aproximar do seu significado. A obra coloca em jogo uma série de perguntas para o olhar, e é nessa zona de dúvida que construímos nosso entendimento”.

Muniz também se destaca pelos projetos sociais que coordena, partindo da arte e da criatividade como fator de transformação em comunidades brasileiras carentes, criando, ainda, trabalhos que visam dar visibilidade para grupos marginalizados na nossa sociedade.

exposições individuais recentes
• Vik Muniz, The Sarasota Museum of Art (SMOA), Ringling College of Art and Design, Sarasota, EUA, 2019
• Imaginária, Solar do Unhão, Museu de Arte Moderna de Salvador (MAM-BA), Salvador, Brasil, 2019
• Vik Muniz: Verso, Belvedere Museum Vienna, Viena, Áustria, 2018
• Afterglow – Pictures of Ruins, Palazzo Cini, Veneza, Itália, 2017

exposições coletivas recentes
• Naar Van Gogh, Vincent van GoghHuis, Zundert, Países Baixos, 2018
• Troposphere – Chinese and Brazilian Contemporary Art, Beijing Minsheng Art Museum, Pequim, China, 2017
• Look at Me!: Portraits and Other Fictions from the ”la Caixa” Contemporary Art Collection, Pera Museum, Istambul, Turquia, 2017
• Botticelli Reimagined, Victoria & Albert Museum, Londres, Reino Unido, 2016
• Lampedusa, 56 th Venice Biennale, Veneza, Itália, 2015

seleção de coleções institucionais
• Centre Georges Pompidou, Paris, França
• Guggenheim Museum, Nova York, EUA
• Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madri, Espanha
• The Tate Gallery, Londres, Reino Unido


Galeria Nara Roesler | São Paulo presents Superfícies [Surfaces], Vik Muniz’s third solo exhibition hosted by the gallery. Featuring a brand-new series of unique works produced this year, the show opens to the public on October 24, 2019.

After moving to the United States in 1983 and being in close contact with artworks he had known only in reproductions, Muniz realized the enormous difference between interacting with artworks physically and engaging with them via replicas. These two distinct ways of experiencing art have informed the artist’s practice throughout his career that spans three decades.

His work invites the spectator to explore ambiguous territories loaded with dualities: between the image and its physical counterpart, between mind and matter, between perception and phenomenon. According to the artist, this ‘metaphysical exercise’ challenges our senses and perceptions by breaking new ground through a reality that is constantly changing, forcing us to acknowledge the fragility of our certainties.

The constant need to reconfigure the reality that emerges with the advent of new media is seized by Muniz as a way of breaking the paradigms that traditionally polarize painting and photography, reviving the relationship between the material and the pictorial, which recurs in his work since the start of his career. In one of his first series, Best of Life, the artist drew famous photographs by memory then photographed the drawings and exhibited the resulting images.

Painted surfaces —which are traditionally an epistemological field reserved exclusively for painters—have been repeatedly viewed and reproduced throughout history, weakening their material aura. Their colors, context or compositions are easily remembered rather than the texture of their surface or physicality.

In his new series, the artist once again removes the concrete element that differentiates a painting from a photograph by representing it via a layered image. The artworks presented in Superfícies explore two approaches that are recurrent in Muniz’s artistic vocabulary: a material in search of meaning or an image in search of physical renovation.

Even though the artworks use painting both in their process and concept, they are not paintings. Yet, as photographic images or artworks that exist in an autonomous and physical way, they are also not abstractions. The results are non-reproducible photographic images, which, in an ambiguous way, simultaneously value the material and conceptual surfaces of painting and require the observer’s physical presence in order to be successful.

This entropic negotiation between material loss and virtual gain encourages viewers to question their relationships with the physical experience of the work of art, within a context where images and the idea of reality itself are mediated by digital technology, which is currently omnipresent in our day-to-day.

vik muniz

Vik Muniz’ body of work explores the limits of representations within visual arts, twinning his production with an urge to grasp the current state of affairs in the world. Using raw materials such as thorn paper, cotton, sugar, chocolate or waste, the artist meticulously composes landscapes, portraits or other depictions offering alternative representations and subsequently, understandings of these materials and the images they render.

According to the critic and curator Luisa Duarte, ‘his work demands a retrospective gaze from the public. In order to ‘read’ his photos, one must question and analyse the process of making, the materials used, as well as identify the original image, so as to attain the meaning of the image. Vik’s work brings into play a series of questions for our ‘regard’ and creates a space for doubt, which is where we build our understanding.’

In tandem with his artistic practice Vik Muniz has headed social projects that rely on art and creativity to aid low-income communities in Brazil, having also produced artworks which aim to give visibility to marginalized groups in society.

recent solo exhibitions and projects
• Vik Muniz, The Sarasota Museum of Art (SMOA), Ringling College of Art and Design, Sarasota, USA, 2019
• Imaginária, Solar do Unhão, Museu de Arte Moderna de Salvador (MAM-BA), Salvador, Brazil, 2019
• Vik Muniz: Verso, Belvedere Museum Vienna, Vienna, Austria, 2018
• Afterglow – Pictures of Ruins, Palazzo Cini, Venice, Italy, 2017

recent group exhibitions
• Naar Van Gogh, Vincent van GoghHuis, Zundert, The Netherlands, 2018
• Troposphere – Chinese and Brazilian Contemporary Art, Beijing Minsheng Art Museum, Beijing, China, 2017
• Look at Me!: Portraits and Other Fictions from the ”la Caixa” Contemporary Art Collection, Pera Museum, Istanbul, Turkey, 2017
• Botticelli Reimagined, Victoria & Albert Museum, London, UK, 2016
• Lampedusa, 56 th Venice Biennale, Venice, Italy, 2015

permanent collections [selected]
• Centre Georges Pompidou, Paris, France
• Guggenheim Museum, New York, USA
• Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madrid, Spain
• The Tate Gallery, London, UK

Posted by Patricia Canetti at 4:57 PM

outubro 17, 2019

Erika Verzutti na Fortes D'Aloia & Gabriel - Galeria, São Paulo

A Fortes D'Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar Carne Sintética, nova exposição de Erika Verzutti na Galeria. Esta é a primeira mostra da artista no Brasil inteiramente dedicada a seus relevos, conjunto de trabalhos que desde 2013 tornou-se eixo central de sua obra. Pautadas pela experiência tátil, estas “esculturas de parede” arquitetam complexas relações entre pintura e escultura, forma e sensorialidade. Aqui, Verzutti apresenta cerca de quinze obras inéditas em bronze, papel machê e argila, articulando referências diversas à história da arte com sua percepção acerca de fenômenos contemporâneos que vão do Instagram à dimensão ética e política da comida nos dias de hoje.

Este cruzamento de tópicos de naturezas distintas – marca frequente em sua produção – evidencia o desejo da artista em embaralhar, e mesmo confundir, a hierarquia usual com que estes assuntos costumam ser abordados. Em Picasso com Morangos, por exemplo, há a improvável presença de uma figura do artista espanhol incrustada sobre a superfície da obra, lembrando um bolo de chocolate com pequenos morangos esculpidos em bronze. Já em Carne Sintética, o flerte entre a fisicalidade da comida e o gesto escultórico resulta em uma matéria amorfa, cujos tons de rosa evocam o trabalho do canadense Philip Guston. A capacidade da forma de “camuflar-se” em alimento suscita discussões urgentes, ao passo em que os recursos naturais do planeta caminham para o esgotamento e multiplicam-se formas artificiais de confecção da carne e afins.

Em texto publicado no catálogo da exposição do Centre Pompidou, em Paris, José Augusto Ribeiro discorre: “Os relevos incitam olhares táteis, mais que curiosos, engajados em perceber aquilo que o contato físico atestaria, à medida que exploram e inspecionam, em movimentos oculares, um volume de cima abaixo, de um canto a outro, no vaivém de ondulações e desníveis e, em algumas ocasiões, entre matérias distintas.”

Este desejo da artista pelo esgarçamento da experiência sensorial em sua obra encontra ressonância na era de hiperestímulos da internet. Apelidados de slimes, uma série de pequenos trabalhos da exposição fazem referência à febre dos vídeos em que crianças modelam gomas viscosas e multicoloridas, em vídeos tutoriais nas redes sociais. Trabalhos como Typing and Typing e Indígena excedem os limites dos estímulos visuais, provocando um verdadeiro “formigamento do cérebro” na medida em que acionam e provocam outros insuspeitados campos sensoriais do corpo humano.

A disposição semi-randômica dos trabalhos no espaço expositivo aponta, também, para a condição da imagem na contemporaneidade. Em conjunto, signos e referências múltiplas atravessam o visitante, de maneira simultânea e veloz, quase vertiginosa. No entanto, na contramão de um mundo mediado (e planificado) pelas telas, Verzutti nos oferece imagens cuja fruição, em última instância, demandam a presença física.

Em 9 de novembro, a Editora Cobogó promove o lançamento da edição brasileira do catálogo da exposição de Erika Verzutti no Centre Pompidou, publicado originalmente em fevereiro deste ano em Paris. Além do ensaio de José Augusto Ribeiro, citado acima, o livro conta ainda com textos de Christine Macel, Chris Sharp e uma cronologia assinada por Fernanda Brenner que percorre a trajetória de Verzutti desde 1992 até os dias atuais.

Erika Verzutti nasceu em São Paulo em 1971, onde vive e trabalha. É graduada em desenho industrial pela Universidade Mackenzie (São Paulo, 1991) e fez mestrado em Fine Arts no Goldsmiths College (Londres, 2000). Dentre suas individuais recentes, estão: Centre Pompidou (Paris, 2019), sua primeira retrospectiva na Europa; Venus Yogini, Aspen Art Museum (Aspen, 2019); Cisne, Pepino, Dinossauro, Pivô (São Paulo, 2016); Swan with Stage, SculptureCenter (Nova York, 2015); e Mineral, Tang Teaching Museum (Saratoga Springs, NY, 2014). Também se destacam suas participações em: 57ª Bienal de Veneza (2017), 32ª Bienal de São Paulo (2016), 34º Panorama da Arte Brasileira (São Paulo, 2015), Carnegie International (Pittsburgh, 2013), 9ª Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2013) e 11ª Bienal de Lyon (2011). Em novembro deste ano, Verzutti apresenta ainda uma instalação inédita na Bienal de Coimbra, em Portugal. Sua obra está presente em diversas coleções ao redor do mundo, como: Carnegie Museum of Art (Pittsburgh), Centre Pompidou (Paris), Solomon R. Guggenheim Museum (Nova York), MAM-SP (São Paulo), Pinacoteca do Estado de São Paulo, entre outras.

Posted by Patricia Canetti at 11:36 PM

Daniel Sinsel no Fortes D’Aloia & Gabriel - Galpão, São Paulo

A Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar a exposição de Daniel Sinsel, artista alemão radicado em Londres, que exibe no Galpão cerca de dez pinturas inéditas com explorações de espaço, erotismo e ilusão. Suas obras alternam entre a linguagem pictórica tradicional, executada com grande virtuosismo técnico, e a pintura objetual, promovendo associações peculiares entre linho, vidro, nozes e ornamentos.

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Daniel Sinsel foi criado na Bavária, Alemanha, lar do muralismo folk Lüftlmalerei, desenvolvido a partir da forte influência do Barroco e do Rococó, e que caracteriza-se pelo emprego do trompe l'oeil e a imitação de elementos arquitetônicos. Esses motivos decorativos se reconfiguram no trabalho de Sinsel sob diversas formas, como nos adornos que emolduram as bordas das obras – ora pintados virtuosamente, ora com aplicação de objetos – e nos discos de vidro (bullseye glass) que ele fixa na superfície da tela para emular a decoração de janelas. As fitas esvoaçantes, tema recorrente do artista, sintetizam essa influência e são elemento-chave para compreensão da sua pintura: estão ali o virtuosismo técnico, o espaço virtual, o fluxo emocional e semântico.

Nos maiores trabalhos da exposição, a fita toma a forma de tiras de linho, meticulosamente trançadas sobre os chassis para formar uma trama onde o artista prende ou esconde cascas de avelã. Emprestando tatilidade à superfície das pinturas, as nozes são signos de uma força vital e procriadora, mas também se referem à natureza obsessiva implicada no processo de reuni-las e escondê-las. O erotismo, característica que marcou seus primeiros trabalhos no início dos anos 2000, apresenta-se aqui na relação entre aquilo que está dentro e fora da tela, aquilo que é oferecido ou ocultado do espectador.

É também recorrente em Sinsel o desejo de impor movimento às suas figuras, algo presente na dança sinuosa das fitas, no abrir e fechar da tesoura e nos elementos que se deslocam do centro das composições. A paleta de cores pálidas, empregada para lidar com noções de "bom gosto", é frequentemente interrompida por tons corrosivos de laranja ou vermelho, em um efeito que o artista compara à imagem perturbadora da Catedral de Notre Dame em chamas. Aqui, Sinsel usa pigmentos não diluídos de metais pesados como cádmio, chumbo, mercúrio, cobalto e estanho em estado quase puro. O aspecto tóxico está escondido na pintura tanto quanto as nozes.

Daniel Sinsel nasceu em Munique em 1976, e vive e trabalha em Londres. Estudou no Chelsea College of Art and Design e no Royal College of Art, ambos em Londres. Seu trabalho foi incluído em diversas exposições internacionais, tais como: ISelf Collection: The Upset Bucket, Whitechapel Gallery (Londres, 2017); Disobedient Bodies, The Hepworth Wakefield (2017); British Art Show 8, Inverleith House, Edimburgo, que itinerou por diversas instituições no Reino Unido (2016-2017); Making & Unmaking, Camden Arts Centre (Londres, 2016); MIRRORCITY: 23 London Artists, Hayward Gallery (Londres, 2014); Somewhat Abstract, Nottingham Contemporary (Nottingham, 2014); Jerwood Contemporary Painters, Jerwood Space (London, 2010); Compass in Hand, MoMA (Nova York, 2009). Sua obra está presente em importantes coleções como o MoMA (Nova York) e o Arts Council Collection (Londres).


Fortes D’Aloia & Gabriel is pleased to present a solo exhibition of Daniel Sinsel at Galpão, featuring around ten brand new paintings that explore interests in space, eroticism and illusion. His work shifts between a traditional pictorial vocabulary, made with great technical virtuosity, and a more object-based painting, which establishes peculiar associations with linen, glass, nuts and ornaments.

Sinsel was raised in Bavaria, Germany, home to the Lüftlmalerei folk Muralism, whose development stems from the strong influence of Baroque and Rococo, and is characterized by the use of trompe l'oeil and the imitation of architectural elements. In the artist’s work, decorative motifs are redesigned in various forms, such as in the ornaments framing the margins of the pieces – sometimes virtuously painted, sometimes achieved through assemblages – and in the bullseye glass discs attached to the surface of the canvas to emulate window decorations. His signature winding ribbons synthesize such influence and are a key element to understand his painting, as they comprise technical virtuosity, virtual space, emotional and semantic flow.

In the largest works from the show, the ribbon is shaped like a linen tape, meticulously hand-woven onto the stretcher in which the artist wraps or stashes hazelnut shells. Lending a tactile quality to the surface of the paintings, the nuts are symbols of a procreative life force, but also reference the obsessive nature implied in the process of gathering and hiding them. Eroticism, a defining aspect of his early works in the 2000s, appears in the form of what is in and out of the canvas, that is, what is presented or hidden from sight.

The desire to impose movement in his figures is also recurrent in Sinsel. It is revealed in the sinuous dance of the ribbons, the opening and closing of the scissors, and in the elements that move off center in his compositions. The “tasteful” pale color scheme is interrupted by acrid hues of orange or red, resulting in an effect that the artist compares to the disturbing image of Notre Dame Cathedral going up in flames. Sinsel uses undiluted pigments of cadmium, lead, mercury, cobalt and tin mostly in an unmixed state. Toxicity is as embedded in the painting as are the nuts.

Daniel Sinsel was born in Munich in 1976. He lives and works in London, where he studied at the Chelsea College of Art and Design and at the Royal College of Art. His work has been included in several international exhibitions, such as: ISelf Collection: The Upset Bucket, Whitechapel Gallery (London, 2017); Disobedient Bodies, The Hepworth Wakefield (2017); British Art Show 8, Inverleith House, Edinburgh, which traveled through various institutions across the United Kingdom (2016-2017); Making & Unmaking, Camden Arts Centre (London, 2016); MIRRORCITY: 23 London Artists, Hayward Gallery (London, 2014); Somewhat Abstract, Nottingham Contemporary (Nottingham, 2014); Jerwood Contemporary Painters, Jerwood Space (London, 2010); Compass in Hand, MoMA (New York, 2009). His work is part of important collections, such as MoMA (New York), and the Arts Council Collection (London).

Posted by Patricia Canetti at 11:02 PM

Cristiano Lenhardt no Fortes D’Aloia & Gabriel - Galpão, São Paulo

A Fortes D'Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar ÍRÌ, nova exposição de Cristiano Lenhardt no Galpão. O artista exibe um conjunto de obras inéditas que reforçam seu interesse pelo jornal e outros materiais cotidianos como matéria-prima para pinturas e esculturas. O título da exposição – espécie de sigla ou código – sublinha a dimensão de transcendência do plano de observação em jogo nestes trabalhos, assim como o interesse do artista pela iridescência enquanto fenômeno ótico.

Em suas pinturas sobre jornais, Lenhardt utiliza tinta acrílica branca e preta para cobrir a superfície de exemplares antigos, deixando apenas que as áreas coloridas do papel sejam reveladas através de formas geométricas randômicas. Transmutando informação em abstração, o artista cria um rico vocabulário visual que abarca referências tão díspares quanto as pinturas rupestres e a linguagem contemporânea da internet.

Emoldurando o espaço expositivo, sua Escultura Arco consiste em uma grande linha curva de jornal retorcido suspensa por duas bases de concreto, reforçando a ideia de um "portal" sugerida pela grafia do título da mostra. Aqui, o artista investiga as possibilidades escultóricas do material em um desdobramento de Atoritoleituralogosh, trabalho realizado em abril deste ano e adquirido pela Pinacoteca do Estado de São Paulo após vencer o prêmio de doação da feira SP-Arte.

Em Escultura Íris, longas varas de madeira de pontas metálicas evocam as lanças de caboclo típicas do maracatu pernambucano, dispostas no espaço em uma estrutura semelhante a de uma oca. Esta articulação entre materiais de naturezas aparentemente conflitantes aparece também em Astro, esfera de jornal e tinta prateada que paira sobre o conjunto, ao fundo.

Repousando no chão, Filtra-Cor é composta por um trio de televisores cujas telas são cobertas por chapas metálicas cravadas de furos. Estas pequenas perfurações filtram as imagens exibidas, permitindo que vejamos apenas pontos cromáticos e seus reflexos movendo-se freneticamente pela superfície da obra. Lenhardt nos convida, assim, a enxergar para além da bidimensionalidade, instaurando novos campos semânticos para imagens veiculadas de maneira incessante – e saturada – pelos meios de comunicação de massa.

Cristiano Lenhardt (Itaara, RS, 1975), vive e trabalha no Recife (PE). Atualmente participa do 36º Panorama da Arte Brasileira, com curadoria de Júlia Rebouças, no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Em seu currículo, destacam-se participações em exposições como a 32ª Bienal de São Paulo (São Paulo, 2016); 19º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil: Panoramas do Sul (São Paulo, 2015); Cruzamentos: Contemporary Art in Brazil, Wexner Center for the Arts (Ohio, 2014); Programa Rumos Itaú Cultural (São Paulo, 2012); Mythologies, Cité Internationale des Arts (Paris, 2011); Intimate Bureaucracies, University of Essex (Colchester, 2011); Constructing Views, New Museum (Nova York, 2010). Sua obra está presente em importantes coleções como o MAM Rio (Rio de Janeiro) e a Pinacoteca do Estado de São Paulo (São Paulo).

Posted by Patricia Canetti at 10:55 PM

Ela disse: porque os vestidos transbordam de vento na A2 + Mul.ti.plo, Petrópolis

Célia Euvaldo, Elizabeth Jobim, Ester Grinspum, Renata Tassinari e Sandra Antunes Ramos expõem na A2 + Mul.ti.plo, no Vale das Videiras, em Petrópolis

Única galeria de arte contemporânea em Petrópolis, a A2 + Mul.ti.plo inaugura exposição com obras de Célia Euvaldo, Elizabeth Jobim, Ester Grinspum, Renata Tassinari e Sandra Antunes Ramos. A mostra Ela disse: porque os vestidos transbordam de vento destaca a diversidade e extensão do uso do papel na trajetória de cinco conceituadas artistas brasileiras. A coletiva será inaugurada no dia 19 de outubro, às 19h, no Vale das Videiras, e fica em cartaz até 14 de dezembro. A entrada é franca.

Na mostra “Ela disse: porque os vestidos transbordam de vento”, as cinco artistas apresentam obras que se destacam tanto pela densidade como pela economia de elementos, como num poema (o título foi retirado da antologia do poeta português Herberto Helder). Célia Euvaldo traz desenhos feitos com nanquim sobre papel chinês, realizados entre 1988 e 2011. Em superfícies opacas, monocromáticas, a presença do corpo e da textura surge em pinceladas largas, feitas de uma vez só, ora na horizontal, ora na vertical, criando um padrão desconcertante. “O traço oscila, derrapa, a tinta respinga, e vou acatando o imprevisto, inclusive a reação do papel, que às vezes enruga, contrai, e assim não é só um fundo, mas um elemento com um papel ativo”, diz Célia. “São obras de pinceladas únicas e, portanto, de um risco imenso. São trabalhos de grande entrega”, acrescenta Maneco Müller, sócio da galeria.

Ester Grinspum apresenta um conjunto de pinturas a óleo sobre papel, de 2017. São pequenas formas desenhadas com pincéis de caligrafia japonesa, com traços que refletem a busca pela subjetividade e a relação entre espaços e vazios, questões importantes na produção da artista. “A forma circular está sempre muito presente no meu trabalho e esses desenhos também são círculos, ou quase círculos, que me remetem à perspectiva cíclica do tempo”, diz ela. “Um tom de incompletude ilumina as telas de Ester, que trazem também pinceladas únicas. É como se só o primeiro passo fosse desvelado”, diz Maneco.

Partindo da observação de pequenas pedras, os desenhos de Elizabeth Jobim reunidos na mostra foram produzidos em acrílica e nanquim sobre papel, entre 2000 e 2004. “Eles trazem minha percepção das formas, dos ângulos e do espaço, e são feitos de várias partes justapostas. Eu desenhava na parede com uma técnica aguada, por isso têm escorridos”, diz ela. Para Maneco, a potência dos trabalhos em exposição consiste justamente neste ambiente aguado que constrói e faz fluir, propor uma espécie de negociação, por vezes tensa, com o acaso. “Elizabeth tem um gesto muito vivo, muito presente, mas nestes trabalhos, ela incorpora o imprevisto. A tinta escorre pelo papel e se transforma em arte”, comenta Maneco.

Nos trabalhos de Renata Tassinari se veem planos geometrizados por cores, resultado de uma pesquisa que a artista paulistana faz desde 2003. Os desenhos foram produzidos em 2018 com óleo e grafite sobre papel. Foi a partir das pinturas que já fazia sobre placas acrílicas e sobre madeira que Renata começou a pensar o trabalho com o papel. “A paleta cromática dos desenhos tem muito a ver com a das minhas pinturas, inclusive a fresta branca, que é o respiro da obra, o risco por onde corre o ar”, conta Renata. A cor é, sem dúvida, o eixo de gravidade dos trabalhos, e cada uma delas se afirma por si, como persona única e autônoma, comenta Maneco. “Renata demonstra domínio absoluto ao colocar lado a lado cores improváveis, que muitas vezes têm uma convivência nada pacífica. O belo e o estruturado nascem a partir de uma insubordinação das cores”, diz ele.

Sandra Antunes Ramos apresenta pinturas em pequenos formatos, que misturam tinta a óleo e costura sobre papel. Nas obras, ela trabalha tanto a questão pictórica, com blocos de cor, sua marca registrada, como rompe com isso, com linhas fluidas costuradas, que remetem ao corpo feminino. Pequenas e delicadas, as pinturas resultam de um processo de fazer lento e minucioso. “O papel é mais frágil do que a tela. Além disso, uso papéis finos, transparentes, que marcam, vincam, reagem mais. A tinta a óleo, mesmo no papel, demora muito para secar e uso diversas camadas. Depois vem a costura, que é lenta também”, conta Sandra. “São obras delicadas, tanto no formato quanto no acabamento, que buscam equilibrar o geométrico e o orgânico, a rigidez e a fluidez”, explica Maneco Muller.
Todos os trabalhos reunidos na mostra “Ela disse: porque os vestidos transbordam de vento” serão apresentados pela primeira vez na cidade de Petrópolis.

Sobre Célia Euvaldo
Célia Euvaldo começou a expor em meados da década de 1980. Suas primeiras exposições individuais foram na Galeria Macunaíma (Funarte, Rio de Janeiro, 1988), no Museu de Arte Contemporânea (São Paulo, 1989) e no Centro Cultural São Paulo (1989). Ainda em 1989, ganhou o I Prêmio no Salão Nacional de Artes Plásticas da Funarte. Desde então tem exposto regularmente em mostras individuais e coletivas em galerias e instituições. Participou, notadamente, da 7ª Bienal Internacional de Pintura de Cuenca, Equador (2001) e da 5ª Bienal do Mercosul (2005). Realizou exposições individuais, entre outros, no Paço Imperial (Rio de Janeiro, 1995, 1999 e 2015/16), na Pinacoteca do Estado de São Paulo (2006), no Centro Cultural Maria Antonia (São Paulo, 2003 e 2010), no Museu de Gravura da Cidade de Curitiba (2011) e no Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, 2013). Em 2016, participou da mostra coletiva Cut, Folded, Pressed & Other Actions na David Zwirner Gallery, em Nova York. Em 2017 realizou exposições individuais no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e Ribeirão Preto, e, em 2018, na Galeria Raquel Arnaud, em São Paulo.

Sobre Elizabeth Jobim
Desenhista, pintora, gravadora. Realiza estudos de desenho e pintura com Anna Bella Geiger (1933), Aluísio Carvão (1920-2001) e Eduardo Sued (1925), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), entre 1981 e 1985. Cursa comunicação visual na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ), a partir de 1981. Nessa universidade, entre 1988 e 1989, faz curso de especialização em História da Arte e da Arquitetura no Brasil. Entre 1990 e 1992, faz mestrado em Belas Artes na School of Visual Arts, em Nova York. A partir de 1994, leciona no Ateliê de Desenho e Pintura da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV/Parque Lage), no Rio de Janeiro. Entre suas mais importantes exposições, estão Blocos (2013), no MAM do Rio de Janeiro, Em Azul (2010), na Estação Pinacoteca de São Paulo, e Endless Lines (2008), na Lehman College Art Gallery, em Nova York. Participa da coletiva Art in Brazil (1950-2011), no festival Europalia, em 2011, em Bruxelas, e da 5ª Bienal do Mercosul, em 2005.

Sobre Ester Grinspum
Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo, fez sua primeira exposição individual na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 1981, e a seguir no Museu de Arte Contemporânea (USP) e na Galeria Funarte Macunaíma no Rio de Janeiro, em 1983. A partir de então, fez várias exposições individuais no Brasil e exterior, entre elas na Galeria Paulo Figueiredo (SP); na Galerie Lil'Orsay, Paris; na Galeria Marilia Razuk (SP); no Paço Imperial do Rio de Janeiro; no Musée de Langres, Paris; na Pinacoteca do Estado de São Paulo e na Galeria Transversal e no Instituto Tomie Ohtake. Participou de inúmeras exposições coletivas, como Como vai você, Geração 80?; Bienal Latino-Americana de Arte Sobre Papel, em Buenos Aires, 1986; I e II Bienal de Havana, 1984 e 1986; XX Bienal Internacional de São Paulo, 1989; Tabula Rasa, Bienna, Suíça, 1991; UltraModern – The Art of Contemporary Brazil, Washington, 1993; Bienal Brasil Século XX, 1994; Selections Brazil, Drawing Center, Nova Iorque, 1995; I Bienal do Mercosul, 1996; Stedelijk Museum, Schiedam, Holanda, 1996; Escultura Urbana, Alger, 2003; ARCOMadrid, Solo Project, 2012. Foi contemplada com a Bolsa de Trabalho European Ceramic Work Centre em s'Hertogenbosch, Holanda, em 1995; a Bolsa Virtuose e de Residência na Cité des Arts, em Paris, em 1997 e 1998; e a Bolsa Vitae de Artes, em 2002, entre outras. Possui trabalhos em coleções como Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Brooklyn Museum (Nova Iorque), Fonds National d'Art Contemporain (França) e Coleção Patricia Phelps de Cisneros.

Sobre Renata Tassinari
Formada em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) em 1980, onde foi aluna de grandes mestres como Carlos Fajardo e Dudi Maia Rosa, Renata Tassinari inicia sua produção com pinturas que mesclam elementos figurativos à gestualidade característica da pintura da Geração 80. A figuração vai lentamente desaparecendo e dá vez a uma pesquisa marcante de cor, que se transforma na marca de seus trabalhos. A artista, porém, não dissocia cor e matéria - Tassinari repensa ambas a partir da relação com o suporte e também ao agregar à superfície da tela elementos díspares (como papelão e madeira) e diferentes técnicas. A artista tem dezenas de mostras individuais e coletivas em seu histórico, incluindo a retrospectiva no Instituto Tomie Ohtake, SP, em 2015 e mostras solo no MAM RJ, MAM SP e Paço Imperial.

Sobre Sandra Antunes Ramos
Nasceu em 1964, em São Paulo, SP, onde vive e trabalha. Sua trajetória em arte visual começou tardiamente. Dedicou-se por cerca de dez anos à atividade de educadora. Posteriormente, migrou para as artes gráficas, onde realizou diversos desenhos de livros e capas. Como designer, teve uma larga experiência na diagramação e no desenho de livros de arte. Em 2014, realizou sua primeira individual, na galeria Mul.ti.plo Espaço Arte, no Rio de Janeiro, com curadoria de Alberto Tassinari. Em 2016, realizou uma exposição individual na Galeria Millan, voltando a expor lá em 2017, em uma coletiva no espaço Anexo Millan. Participou de exposições coletivas, como paratodos 2 (2017), na Carpintaria, Rio de Janeiro, e a mostra impávido colosso (2019), n’A Mesa, também na capital carioca.

Posted by Patricia Canetti at 10:08 PM

Contos de Curiosidades Naturais e Artificiais na Galeria Casarão 34, João Pessoa

Contos de Curiosidades Naturais e Artificiais é uma exposição coletiva que estabelece diálogos entre a natureza e a arte tencionando forma, linguagem e prática. Com obras de oito artistas a exposição acontece por meio de subesquemas - plantas, animais, minerais, microbiologia, anatomia, ecologia e paisagem. A curadoria é resultado de pesquisa e criação em constante processo. A montagem da exposição foi pensada a partir dos gabinetes de curiosidades, catalogando produtos do homem e produtos da natureza. A exposição investiga essa interação.

A exposição faz parte do primeiro edital de ocupação da Galeria Casarão 34, no qual foram selecionados quatro projetos que contemplasse a arte contemporânea. As propostas foram submetidas a duas comissões de análise designadas pela diretoria da Funjope, tendo seu júri composto por três curadoras, Ana Monique Moura, Olívia Mindêlo e Valquíria Farias.

CURADORA

Rita do Monte (1996, João Pessoa, PB) é bacharela em Artes Visuais pela Universidade Federal da Paraíba. Pesquisa interações entre arte, filosofia, ciências naturais, linguagem, psicologia e história. Desde outubro de 2018 participa do Laboratório de Curadoria com Valquíria Farias. Participou do Sesc Confluências em 2017/2018. Teve o artigo “O efêmero e o perpétuo” apresentado e publicado no Seminário Internacional de Museografia e Arquitetura de Museus (2016). Participou do Salão de Arte do Sesc Paraíba (2016).

ARTISTAS CONVIDADOS

Marcelo Moscheta
São José do Rio Preto, São Paulo, 1976.
Iniciou sua carreira artística no ano 2000, realizando obras e exposições que nascem de seus deslocamentos por lugares remotos, onde coleta objetos que provêm da natureza e que ele reproduz por meio do desenho e da fotografia, criando instalações e objetos. Recentemente tem voltado seu interesse para pesquisas com fronteiras e limites impostos a territórios e também na relação que os rios estabelecem com a paisagem ao longo de seu curso. Realizou as exposições individuais Erosão Diferencial (2017) no MACC de Campinas, Plano Inclinado (2017) na SIM Galeria e Sete Quedas (2016) sua primeira individual na Galeria Vermelho, 1.000 km, 10.000 anos (2013), na Galeria Leme e a instalação Contra.Céu (2010) realizada na Capela do Morumbi. Recebeu vários prêmios e bolsas de pesquisas entre as quais The Pollock-Krasner Foundation Grant (2017), The Drawing Center Open Sessions Program (2015), Bolsa Estímulo de Produção em Artes Visuais da Funarte (2014), Prêmio Marc Ferrez de Fotografia (2012) e o I Prêmio Pipa Júri Popular, em 2010, entre outros.

Marlene Almeida
Bananeiras, Paraíba, 1942.
Graduada em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba, onde também fez cursos de extensão na área das Artes Visuais. No final da década de 1970 iniciou uma ampla pesquisa sobre materiais artísticos naturais, com o apoio do CNPQ e da Universidade Federal da Paraíba. Utiliza pigmentos minerais e resinas naturais em suas obras. Ambientalista, integra o Movimento Nacional de Artistas pela Natureza. Participou de exposições coletivas em quase todos os estados brasileiros e em alguns países, entre elas: Workshop Brasil-Alemanha, no MASP, Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, Um Olhar sobre os Trópicos no Museu Amadeu de Sousa Cardoso em Amarante, Portugal; Terra Brasília no Centro Cultural Brasília, DF; Mnemosyne Sans-Souci, na Galeria Drei, Dresden, Alemanha; Erde /Terra/Earth, Galerie Nicolaisaal, em Potsdam, Alemanha; ARCO - Feria International de Arte, Madrid, Espanha; Bienal Barro de América, Caracas, Venezuela; Quaternio, Uffizi-galleriet, Oslo, Noruega. Entre as individuais, Terra Viva, no Paço das Artes, S.Paulo; Grenze, Galerie Forum, Berlim, Alemanha; Der Natur der Zeit, Galerie Drei, Dresden, Alemanha; Tempo, NAC- Núcleo de Arte Contemporânea da UFPB, J. Pessoa, Paraíba; Tempo para o Destino, Usina Cultural Energisa, J. Pessoa e MUBE – Museu Brasileiro da Escultura, São Paulo. Mantém atelier em João Pessoa, cidade onde vive e trabalha.

ARTISTAS DO EDITAL

Caballero
João Pessoa, Paraíba, 1992.
Graduanda do bacharelado em Artes Visuais da UFPB, artista integrante da residência Movimento, tem participação em coletivas como “à Nordeste” no Sesc 24 de maio - SP, “Vamos de mãos dadas” - Panapaná 2018, Salão de Artes Visuais Sesc - PB (2016/18), “Confluir ]ainda[ é preciso” no Confluências Sesc - PB (2018), e uma individual através do edital Exposesc 2018 intitulada “PERRO”. Se utiliza essencialmente da pintura como linguagem de expressão, bem como os desdobramentos da interação dessa técnica com outras linguagens e suportes. As formas e padrões presentes na natureza são temas recorrentes em seu repertório conceitual e revelam seu interesse pelas ciências biológicas que se manifesta desde a infância.

Madalena
São Paulo, SP, 1989.
Graduada em Artes Visuais pela Universidade Federal da Paraíba. Sua poética se constrói na percepção e investigação de um universo de despercebidos, que são cada uma das sutilezas que encontra no meio caótico urbano... plantinhas que brotam no concreto, musgos, fungos, insetos... todas as pequenezas, que parecem invisíveis para tantos, lhe despertam o olhar e a necessidade de registrar e representá-las de alguma forma, na tentativa de enxergar nelas a potência de suas existências e suas significações ocultas. Explora em seus trabalhos a fotografia, com experimentos em diversos suportes, e a artesania do crochê e do bordado.

Manuela Arruda
Ouro Velho, Paraíba, 1989.
Manuela Arruda vive e trabalha em João Pessoa. Desenvolve pesquisas sobre a sociedade e a natureza por meio da mímesis plástica – apropriação daquilo que é natural por meio do plástico. Em seu repertório material é comum encontrar plantas, animais e minerais artificiais. Desse modo, questiona as relações entre a humanidade e a natureza tangenciando o capitalismo. Por que comprar plantas de plástico sem vida, sem cor, sem textura, sem cheiro?

Rodrigo Lacet
João Pessoa, Paraíba, 1990.
Estudante do curso de bacharelado em artes visuais na UFPB, é artista visual, ilustrador, professor de desenho e de pintura. Desenvolve projetos voltados para o figurativo, especialmente para a figura humana, tanto na parte poética quanto na parte educacional.

Stephanie Soares
João Pessoa, Paraíba, 1993.
Graduada em licenciatura em artes visuais pela Universidade Federal da Paraíba, é artista visual e professora de aquarela. Como artista, investiga a relação entre memória e melancolia e sujeito e natureza.

Tiffanie Podeur
França, 1992.
Artista autodidata, começou a estudar as possibilidades artísticas ofertadas pela colagem analógica durante sua formação em direito. Em 2016, após obter sua graduação, mudou-se para a Paraíba, onde trabalha como professora de francês e se dedica à produção artística. Seu trabalho busca transmitir emoções universais através da junção de recortes vindos de fontes variadas. Utiliza técnicas de confrontage, assemblage rollage, prolage. Em agosto de 2018 participou da exposição O bicho de três cabeças com as artistas Mayara Ismael e Morgana Ceballos na Casa da pólvora em João Pessoa. Em abril de 2019 participou da exposição Conchas na Pinacoteca da UFPB, expondo obras de artistas mulheres residentes na Paraíba.

Posted by Patricia Canetti at 7:17 PM

Ana Mazzei no Sesc Pompeia, São Paulo

A artista Ana Mazzei é convidada da 2ª edição do projeto Ofício: Farpa, que investiga a prática da marcenaria na produção artística contemporânea

Entre a realidade e ficção, o trabalho inédito traz cenários e objetos desviados de suas funções originais, além de esculturas entendidas em relação ao corpo

O Sesc Pompeia apresenta entre os dias 16 de outubro de 2019 e 2 de fevereiro de 2020, em suas Oficinas de Criatividade, a exposição Drama O’-Rama, de Ana Mazzei. A artista é a segunda convidada do projeto Ofício: Farpa, que estreou em maio deste ano, explorando a prática da marcenaria na produção artística contemporânea. Em 2020, o projeto segue investigando diferentes linguagens do fazer artístico, estudadas no centro livre de ensino das artes da unidade.

Neste trabalho inédito, criado em diálogo com a arquitetura do espaço – projetado por Lina Bo Bardi –, a artista propõe a realidade e a ficção como uma jornada imaginativa para compreender o uso das coisas, os espaços e as pessoas. Cenários e objetos desenvolvidos por Mazzei são desviados de suas funções óbvias originais e esculturas apresentadas em relação ao corpo fazem refletir sobre a noção de orientação e posicionamento.

“É como uma performance, na qual não está claro quem está observando e quem está sendo observado”, diz a artista. Durante o período da mostra, performers ativarão esses cenários e convidarão o público para participar destas ativações.

SOBRE A ARTISTA

Nascida em São Paulo (1979), Ana Mazzei é bacharel em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e mestre em Poéticas Visuais pela UNICAMP. Em 2011/12 participou do Programa de Estudos Independentes da Escola São Paulo (PIESP), dirigido por Adriano Pedrosa, e em 2013/2014, foi selecionada para uma residência na Cité des Arts (Paris, França), com bolsa de estudos da FAAP. Com uma produção artística múltipla expressa na forma de desenho, escultura, vídeo, atuação, política, educativa e em publicações, procura desafiar e explorar as estruturas formais, materialidade e a visualidade no contato com as noções de teatralidade na vida contemporânea. Realizou exposições individuais em instituições como a Fundacion Saludarte (2016, Miami, E.U.A.), Galeria Emmanuel Harvé (2016, Paris, França), Galeria Davide Gallo (2015, Milão, Itália), Centro Cultural São Paulo (2014, São Paulo, Brasil), Galeria Jaqueline Martins (2014, São Paulo, Brasil), Galeria Zipper (2012, São Paulo, Brasil) e La Maudite (2013, Paris, França). Em 2016, participou da 32ª Bienal de São Paulo – Incerteza Viva, onde apresentou a obra Espetáculo. É representada pelas galerias Jaqueline Martins e Emmanuel Hervé, e fundadora/membro do Teatro Facada. Foi indicada ao Prêmio PIPA 2014, 2015 e 2017.

SOBRE O PROJETO

Para a ocupação dos espaços de passagem das Oficinas de Criatividade, o Sesc Pompeia deu início, em 2019, ao projeto Ofício:, série de intervenções expositivas periódicas que pretendem investigar as práticas do fazer artístico, estudadas em seu centro livre de ensino das artes.

A cada ano, dois artistas – um por semestre – serão convidados a propor um trabalho inédito, compondo com a arquitetura do lugar. O primeiro capítulo, Ofício: Farpa, aborda o uso da marcenaria na produção artística contemporânea, tendo apresentado entre os meses de maio e agosto a exposição Floresta d’água, de Afonso Tostes.

Ofício: Mancha, a próxima temporada do projeto, investe em 2020 na aproximação com a produção contemporânea da pintura.

Posted by Patricia Canetti at 6:32 PM

O que emana da água na Carbono, São Paulo

A Carbono Galeria tem o prazer de apresentar a exposição O que emana da água, uma coletiva com curadoria de Vanda Klabin e participação de 14 artistas.

A mostra reúne algumas edições inéditas e produzidas exclusivamente para a Carbono. O time de artistas traz importantes nomes: Alan Fontes, Berndnaut Smilde, Clara Veiga, Claudia Melli, Daniel Senise, Gustavo Prado, Julio Le Parc, Lais Myrrha, Iran do Espírito Santo, Laura Vinci, Maritza Caneca, Nuno Ramos, Vanderlei Lopes e Waltercio Caldas.

Segundo a curadora, “essa exposição trata da produção da imagem do elemento aquático e sua qualidade problemática de ancoragem em diversas estratégias de representação, em conformação com uma poética e em diferentes suportes. A água e sua aparência ambígua e transitória, articula uma ampla gama de conteúdos.

Essa mistura de estatutos e a imersão em diferentes fluxos, nos impele a buscar um olhar bastante plural e outras camadas de significação, sinalizar uma expansão de seus fluxos. As traduções visuais solidificam o que a água evoca como matéria poética, seja através de jogos mentais, suportes fotográficos, objetos ou esculturas, ambientes hídricos, vídeos ou outros procedimentos. Um diálogo de várias vozes e de múltiplas significações que fundam formas artísticas na sua imersão para simular a sua inquieta presença no mundo. Ali cintila uma linguagem fluida. ”

Há 6 anos que a Carbono Galeria vem desenvolvendo um trabalho relevante no campo das edições. Com o propósito de ampliar o mercado, possibilitando que mais pessoas tenham acesso à arte contemporânea e a artistas renomados, a Carbono apresenta múltiplos exclusivos através de curadorias contratadas. Nesta mostra, nove novos artistas entram para o acervo da galeria.

Posted by Patricia Canetti at 3:18 PM

Mario Cravo Júnior na Leme/AD, São Paulo

A Galeria Leme/AD tem o prazer de anunciar a exposição Mario Cravo Júnior – Cabeça de Tempo, mais uma parceria com a soteropolitana Paulo Darzé Galeria. A mostra apresenta um conjunto de trabalhos, em sua maioria da década de 1980, fruto dos destroços do incêndio que atingiu o Mercado Modelo de Salvador em 1984.

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Artista que implantou o modernismo na Bahia, e um dos mais significativos da história da arte brasileira, Mario Cravo Júnior nos trás um recorte específico na unicidade do tema: esculturas exclusivamente de cabeças, reunidas pacientemente ao longo de vários anos por Paulo e Thais Darzé, onde nos defrontamos com um conjunto precioso de peças.

Aproximar o conjunto das “Cabeças” executadas pelo artista com o contexto temporal, que deu origem às esculturas e ao título da exposição, Cabeça de Tempo, nos leva à reflexão de que o novo devora o antigo, e muitas vezes não nos damos conta do processo de apagamento que ocorre. Através dessas obras, Cravo denuncia o que o tempo faz em terras que não cultuam o passado.

A presença iconográfica da arte afro-brasileira é uma recorrente na obra de Mario Cravo Júnior, consequência do convívio social e de seu meio. Aqui presenciamos um artista cuja verdade africana chega a ser desconcertante. Estas obras, onde muitas delas representam Exus, têm a mesma penetração inquietante que possui uma estatuária africana.

Mario Cravo Júnior pode ser visto como instrumento socializador e catalizador que através do conjunto de sua obra é possível estender a compreensão sobre as questões identitárias, e ao mesmo tempo, elucidar formalmente as especificidades brasileiras com a universalidade apregoada pelos movimentos de vanguarda. Estas cabeças cumprem um rito de passagem de uma emancipação de uma arte genuinamente baiana e brasileira.

Sobre o artista

Mario Cravo Júnior. Salvador, BA, Brasil, 1923 – 2018.

Escultor, gravador, desenhista e professor, Mario Cravo Júnior estudou na Universidade de Syracuse, Estados Unidos. O artista participou da 26ª e 30ª Bienal de Veneza, de 8 edições da Bienal Internacional de São Paulo, 4ª Exposição Internacional de Escultura Contemporânea no Museu Rodin, em Paris (1971); 1ª Exposição Bienal Internacional de Tóquio (1957); dentre inúmeras exposições.

Sua obra está presente em diversas coleções, como: Museum of Modern Art – MoMA, Nova Iorque, EUA; The Israel Museum, Jerusalém, Israel; Walker Art Center, Minnesota, EUA; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil; Museu de Arte de São Paulo – MASP, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM SP, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM Rio, Rio de Janeiro, Brasil; Instituto Moreira Salles, Brasil; Museu Afro Brasil, São Paulo, Brasil; Museu de Arte da Bahia, Salvador, Brasil; Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM-BA, Salvador, Brasil; Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil, entre outras.


Galeria Leme/AD is pleased to announce the Mario Cravo Júnior – Timeheads exhibition, in yet another partnership with the Salvador-based Paulo Darzé Galeria. The exhibition presents a collection of works, mostly from the 1980s, created with materials salvaged from the 1984 Mercado Modelo fire in Salvador, Bahia.

Mario Cravo Júnior, one of the foremost Brazilian artists and a pioneer of Modernism in Bahia, provides us with a peculiar perspective in a unique theme: sculptures of heads – exclusively. These pieces, patiently acquired by Paulo and Thais Darzé over the course of several years, form the basis of this precious collection.

By placing Cravo Júnior’s “Heads” series in a temporal context – thus furnishing the exhibition’s title, “Timeheads” – we are led to reflect upon the “devouring” of the old by the new – a continued process of effacement which is often overlooked. In these pieces, Cravo denounces the effects of time on lands that refuse to acknowledge their past.

The iconographic presence of Afro-Brazilian art, common in the artist’s milieu, recurs throughout Cravo Júnior’s oeuvre, consequence of his social life. This is an artist whose “African truth” can take on disconcerting dimensions. These pieces, many of which depict Exus (messenger spirits associated with African and Afro-Latino religions), possess the same disquieting profundity found in African sculpture.

Mario Cravo Júnior can also be considered a catalytic and socializing agent whose body of work deals with issues of identity while formally integrating Brazilian particularities with the universalities championed by the avant-garde movement. These heads embody a rite of passage of sorts, they mark the emancipation of a genuinely Brazilian and Bahian art.

About the artist

Mario Cravo Júnior. Salvador, BA, Brazil, 1923 – 2018.

Sculptor, engraver, draughtsman and professor, Mario Cravo Júnior studied at Syracuse University, United States. The artist participated in the 26th and 30th Venice Biennale, 8 editions of the Bienal Internacional de São Paulo, 4th International Exhibition of Contemporary Sculpture at the Rodin Museum in Paris (1971); 1st Tokyo International Biennial Exhibition (1957); among countless exhibitions.

His work is present in several collections, such as: Museum of Modern Art – MoMA, New York, USA; The Israel Museum, Jerusalem, Israel; Walker Art Center, Minnesota, USA; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brazil; Museu de Arte de São Paulo – MASP, São Paulo, Brazil; Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM SP, São Paulo, Brazil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM Rio, Rio de Janeiro, Brazil; Instituto Moreira Salles, Brazil; Museu Afro Brasil, São Paulo, Brazil; Museu de Arte da Bahia, Salvador, Brazil; Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM-BA, Salvador, Brazil; Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brazil, among others.

Posted by Patricia Canetti at 12:58 PM

outubro 14, 2019

MASP Loja apresenta peças de artesanato e design feitas por mulheres brasileiras

MASP Loja exibe produtos de artesãs do Vale do Jequitinhonha (MG) e do Instituto Acaia (SP)

Em consonância com o eixo temático do museu em 2019, Histórias das mulheres, histórias feministas, espaço apresenta peças de artesanato e design feitas por mulheres brasileiras

Na noite do próximo 16 de outubro, o MASP Loja faz o seu lançamento anual de produtos. As peças que serão apresentadas seguem a proposta curatorial do museu em 2019, quando o MASP se organiza em torno do eixo Histórias das mulheres, histórias feministas. O lançamento, que acontece no espaço da loja das 19h às 21h, dá sequência à edição realizada no ano passado dentro do ciclo Histórias afro-atlânticas, com artigos garimpados em Moçambique e no Brasil, sobretudo em comunidades quilombolas.

No evento, apenas produtos de mulheres estarão disponíveis no MASP Loja. Destaque especial para as cerâmicas da Associação dos Lavradores e Artesãos de Campo Alegre, do Vale do Jequitinhonha, e para bordados das Artesãs da Linha Nove, grupo do Instituto Acaia, além de quebra-cabeças criados pelo Ateliescola Acaia, ligado à ONG paulistana.

As coletâneas de peças, tanto a de 2018 como a deste ano, são resultado do trabalho de Adélia Borges, curadora, professora de design e escritora que, desde 2016, é responsável pela curadoria da loja. Adélia estará presente para falar sobre o projeto, ao lado de Anísia Lima de Souza, da Associação dos Lavradores e Artesãos de Campo Alegre, de representantes do Instituto Acaia e de Manuelle Ferraz, chef d’A Baianeira, o novo restaurante do museu. Manuelle contará como expressa as raízes mineira e baiana em sua comida.

“Estima-se que 85% dos artesãos brasileiros sejam mulheres. O artesanato surge como atividade doméstica, entre donas de casa, trabalhadoras rurais ou outras mulheres com ocupações mais humildes, e as auxilia na geração de renda. E nesses trabalhos entra também um componente muito importante: a auto-expressão como forma de manifestação legítima de seus mundos e suas ideias”, conta Adélia.

Segundo ela, de cerca de três décadas para cá, associações, cooperativas e coletivos de mulheres têm surgido e se fortalecido, elevando a qualidade do artesanato brasileiro. “O MASP tem em sua loja uma política de abrir espaço para todas essas manifestações artísticas que, ao nosso ver, estão em pé de igualdade com produtos feitos por designers formados fora do país. As peças são exibidas sem hierarquia”, diz a curadora. O pensamento vai ao encontro do posicionamento de Lina Bo e Pietro Maria Bardi, fundadores e primeiros dirigentes do museu.

A Associação dos Lavradores e Artesãos de Campo Alegre é formada majoritariamente por mulheres lavradoras e ceramistas. Do barro moldado por elas, nascem objetos utilitários para o dia a dia, como vasos, potes, pratos e vasilhas, além de peças de decoração, bonecas, animais e moringas antropomorfas.

Já o grupo Artesãs da Linha Nove, hoje composto por 50 mulheres, nasceu na oficina noturna de bordados do Instituto Acaia, inicialmente voltada para mães de crianças que frequentavam o ateliê infantil da organização. Dali saem aves, árvores, cenas de colheita e manifestações folclóricas do país ---que atravessam a vida e a cultura das bordadeiras. Enquanto isso, no Ateliescola Acaia, o foco é a criação de jogos infantis. O primeiro desenvolvido por eles é o quebra-cabeça que partiu de desenhos e pinturas feitos por crianças nas atividades do ateliê.

É importante enfatizar que vários dos objetos já à venda na loja são feitos por mulheres, muitas das quais trabalham com o conceito de Amazônia “em pé” ---isto é, lidam com subprodutos da floresta, sem precisar desmatar. Assim são feitos os acessórios de Rodney Paiva Ramos, da Biojoias Cores da Mata, Flávia Amadeu e Monica Carvalho.

Cabeças de cerâmica da alagoana Irinéia Nunes da Silva e da pernambucana Cida Lima, acessórios produzidos pelas mulheres da Cooperativa de Artesanato do Trançado Tupinambá, bordados elaborados pelo grupo Crochê Fio da Vida, minibarcos de Celma Martins, anéis, pulseiras e colares feitos por Kátia e Tainah, mãe e filha à frente do empreendimento Da Tribu, e colares com escama de peixe produzidos pelas Sereias da Penha também se fazem presentes, entre outros produtos.

O lançamento da coletânea de produtos, não por acaso, coincide com as principais exposições do ano no MASP, as coletivas Histórias das mulheres: artistas até 1900 e Histórias feministas: artistas depois de 2000, em cartaz até 17 de novembro. A programação de 2019 inclui ainda exposições individuais de Djanira da Motta e Silva, Lina Bo Bardi, Tarsila do Amaral, Anna Bella Geiger, Gego e Leonor Antunes.

O MASP Loja segue com a venda de catálogos e antologias das mostras e produtos do MASP, além de livros sobre artes, design e arquitetura.

Posted by Patricia Canetti at 8:13 PM

Conversa com curadoras e artistas à Eu estou aqui agora no MARGS, Porto Alegre

A Fundação Vera Chaves Barcellos promove um encontro integrando a programação da exposição Eu estou aqui agora, com as curadoras Elaine Tedesco e Luisa Kieffer e as artistas Camila Leichter e Fernanda Gassen. O objetivo do encontro é trazer apontamentos sobre o processo de curadoria e discutir sobre o tempo e a presença, dois eixos centrais da exposição.

16 de outubro de 2019, quarta-feira, às 18h30

MARGS - Auditório
Praça da Alfândega s/n, Centro Histórico, Porto Alegre, RS
Entrada gratuita, será fornecido certificado aos participantes

SOBRE AS ARTISTAS

Camila Leichter (Porto Alegre, RS, 1976)
Artista visual e doutoranda em Poéticas Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais - UFRGS, com a pesquisa Campo e Contracampo da Experiência, envolvendo os aspectos processuais, imersivos e performativos da prática audiovisual a partir do lugar da experiência, atualmente, uma antiga casa adjacente a um moinho em ruínas e seu entorno, na Picada 48 Baixa - RS.

Fernanda Gassen (São João do Polêsine, RS, 1982)
Artista Visual, vive e trabalha em Porto Alegre, sendo representada pela Galeria Mamute. Professora de Artes Visuais no Colégio de Aplicação da UFRGS. Doutora e Mestre em Artes Visuais pela UFRGS, Licenciada e Bacharel em Desenho e Plástica pela UFSM. Cursou Torreão entre 2006-2007. Em 2013 participou da 9ª Bienal do Mercosul e em 2011 foi contemplada com a Bolsa Iberê Camargo.

SOBRE AS CURADORAS

Elaine Tedesco (Porto Alegre, RS, 1963)
Artista plástica com produção em fotografia, instalação e videoperformance. É professora ligada aos cursos de graduação e pós-graduação do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, atuando na área de fotografia e vídeo. Participou de diversas exposições coletivas, sendo as mais recentes: Apropriações, Variações e Neopalimpsestos, na FVCB, em Viamão/RS, em 2018. Em 2016, participou da Ocupação Coaty, em Salvador, Bahia, Das Meer/ The Sea e Medienwerkstatt zur Berliner Liste 2016, em Berlim, Alemanha. Possui obras em coleções públicas: MARGS | RS, MAC | RS, MAC | Paraná, MAM | Bahia, Museu de Arte de Brasília, Museo de Arte Latino Americano de Buenos Aires (MALBA), Casa das 11 Janelas e FVCB. Esteve presente na segunda e na quinta Bienal do Mercosul (1999 e 2005 respectivamente), realizada em Porto Alegre, RS. Em 2007, esteve presente na 52a. Esposizione Internazionale d’Arte, La Biennale di Venezia, curadoria Robert Storr, Veneza, Itália.

Luísa Kiefer (Porto Alegre, RS, 1986)
É doutora em História, Teoria e Crítica de Arte pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da UFRGS. Realizou estágio doutoral no departamento de fotografia da School of Media, Arts and Design da University of Westminster, Londres, Inglaterra. É Mestre em História, Teoria e Crítica de Arte pelo mesmo programa e jornalista formada pela PUCRS. Desde 2013, atua como curadora independente, tendo realizado exposições em diversos espaços de arte de Porto alegre, como Fundação Ecarta, Galeria Gestual, Espaço Cultural ESPM, Galeria Mamute, Sala Branca da Galeria Alice Floriano e Instituto Ling. Coordena o Atelier das Pedras, espaço que abriga o acervo da artista Gisela Waetge. Atualmente, é coordenadora e curadora do Linha (Espaço cultural independente). Vive e trabalha em Porto Alegre.

Posted by Patricia Canetti at 7:52 PM

Leilão de parede em prol da Sociedade Viva Cazuza na Luciana Caravello, Rio de Janeiro

Toda a renda arrecadada será revertida para a instituição, que completa 29 anos no dia 17 de outubro

Nos dias 16 e 17 de outubro, Luciana Caravello Arte Contemporânea fará um leilão de parede beneficente para a Sociedade Viva Cazuza, com toda a renda revertida para a instituição criada em 1990 pelos pais de Cazuza, Maria Lúcia (Lucinha) e João Araújo. Serão apresentadas obras em diferentes suportes, como pintura, desenho, gravura, fotografia e escultura de importantes artistas, que doaram trabalhos para o projeto.

O leilão de parede caracteriza-se pela ausência da figura do leiloeiro, que normalmente faz a mediação entre os lances oferecidos e a venda final da obra. Nessa modalidade, o participante registra a sua oferta diretamente na parede, ao lado da obra. O lance mínimo será de R$1.000 (mil reais).

Realizado em um ambiente descontraído e informal, todos serão convidados a participar do leilão, bastando apenas preencher uma ficha de inscrição, que estará disponível na galeria no dia do evento. Os participantes podem deixar seus lances a qualquer momento, pessoalmente, por telefone ou internet, até às 21h da quinta-feira, dia 17. Neste mesmo dia, quando a Sociedade Viva Cazuza comemora 29 anos, haverá um coquetel às 18h na galeria.

ARTISTAS PARTICIPANTES
Adrianna Eu, Alan Fontes, Alexandre Mazza, Alexandre Sequeira, Almandrade, Angela Conte (apoio galeria Verve), Armando Queiroz, Bruno Miguel, Cabelo, Cela Luz, Cildo Meireles, Daniel Murgel, Delson Uchoa, Eduarda Freire, Eduardo Kac, Francisco Hurtz (apoio galeria Verve), Gisele Camargo, Gustava Speridião, José Roberto Bassul, Isabel Svoboda (apoio Mercedes Viegas), Luisa Malzoni (apoio galeria Verve), Marcelo Jácome, Marcelo Solá, Nazareno, Nino Cais, Pedro Varela, Renan Cepeda, Sergio Allevato, Ursula Tautz, Victor Arruda.

SOCIEDADE VIVA CAZUZA
A Sociedade Viva Cazuza foi criada em 1990 pelos pais de Cazuza, Maria Lúcia Araújo (Lucinha Araújo) e João Araújo, junto com amigos e médicos, com o intuito de dar apoio aos pacientes com AIDS/HIV, no início, do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, na Tijuca, zona norte do Rio. Cansada de ver várias crianças soropositivas serem abandonadas pelas famílias, Lucinha resolveu criar a Sociedade Viva Cazuza em 1994, e passou a dedicar todo o seu tempo e carinho de mãe – que antes era exclusivo para o seu único filho Cazuza, já morto pela doença – a meninos e meninas que passaram a viver na casa.

Entre os anos de 1990 a 1992, a Sociedade trabalhou junto ao Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, conseguindo aumentar o número de leitos destinados aos pacientes da AIDS, reformou enfermarias e berçário, forneceu remédios, exames e cestas básicas para os portadores da doença.

A Sociedade Viva Cazuza encerra a cooperação com o Hospital Gaffrée em 1992, e começa a operar independentemente. Em 1994, foi inaugurada a primeira Casa de Apoio Pediátrico do município do Rio de Janeiro, com imóvel cedido pelo governo do município.

A Sociedade Viva Cazuza atende crianças e adolescentes portadores do HIV/AIDS. Além dos pacientes adultos com a doença, que na sua maioria são analfabetos, e são cadastrados para receberem mensalmente cesta básica e apoio no tratamento. O Programa de Adesão e Tratamento da ONG acompanha 140 pessoas que têm dificuldades para ler e compreender a prescrição médica. Um cartão colorido é distribuído pela instituição e ajuda os pacientes analfabetos a identificar os remédios e os respectivos horários que devem ser tomados durante todo o tratamento. A disciplina é fundamental para o controle da doença.

Nesses anos de atuação a Viva Cazuza recebeu alguns prêmios como: Diploma de Responsabilidade Social - Associação de Imprensa (2011), Prêmio UNESCO (2004), Certificado da Organização Pan America de Saúde (2002), IX Jornada Científica de Fisioterapia Ocupacional (2001) e Filantropia 400 – Kanitz (2001).

LUCIANA CARAVELLO ARTE CONTEMPORÂNEA
O principal objetivo da Luciana Caravello Arte Contemporânea, fundada em 2011, é reunir artistas com trajetórias, conceitos e poéticas variadas, refletindo assim o poder da diversidade na Arte Contemporânea. Evidenciando tanto artistas emergentes quanto estabelecidos desde seu período como marchand, Luciana Caravello procura agregar experimentações e técnicas em suportes diversos, sempre em busca do talento, sem discriminações de idade, nacionalidade ou gênero.

Posted by Patricia Canetti at 6:51 PM

Projeto Respiração: Opavivará! na Eva Klabin, Rio de Janeiro

Opavivará! ocupa Casa Museu Eva Klabin em comemoração aos 15 anos do Respiração com obra inédita

Coletivo apresenta “Panis et Circenses” pela primeira vez ao público. A 24ª edição do Respiração, com curadoria de Marcio Doctors

A Casa Museu Eva Klabin recebe o coletivo Opavivará! para a edição comemorativa de 15 anos do Respiração. A exposição, com curadoria de Marcio Doctors, inaugura no dia 14 de setembro, e além de obras já conhecidas, traz a inédita Panis et Circenses, criada especialmente para a ocasião. O Respiração, que faz parte do circuito vip da ArtRio, foi idealizado para levar um frescor ao importante acervo de arte clássica da Casa Museu Eva Klabin, ao criar uma ponte entre a arte consagrada do passado e a arte contemporânea.

“A escolha do Opavivará! se deu por três razões. A primeira foi que eu queria trazer uma experiência de coletivo. A segunda, que estamos comemorando 15 anos do Respiração e é uma edição festiva. E ninguém melhor do que o Opavivará! para fazer uma festa. Ele tem alegria, humor, transgressão e irreverência. É sério sem ser sisudo e toca em questões importantes. A terceira razão foi porque eu acho que estamos atravessando um momento muito difícil na cidade do Rio de Janeiro e trazê-lo seria uma maneira de ajudar a levantar o astral do carioca”, explica Marcio Doctors, curador da Casa Museu Eva Klabin e do Respiração.

E como em toda boa festa não se pode faltar comida, o Opavivará! apresenta a obra inédita Panis et Circenses, uma bolha qual o público poderá comer e beber dentro da Casa Museu Eva Klabin. A intervenção ficará na Sala de Jantar e promete ser o grande destaque da exposição com um espaço criado pelo ar que é insuflado dentro dela e, como o pulmão, pulsa num movimento de inspiração e expiração, tal como uma respiração.

“Panis et Circenses é quando o coletivo manifesta o sentido mais transgressor de suas ações e que melhor contribui para oxigenar a casa-museu e o Respiração”, conta Marcio Doctors. “A mesa da Sala de Jantar, onde não acontecem mais os jantares para os quais o ambiente foi destinado, por uma questão de preservação da coleção, evitando a entrada de alimentos em área protegida do museu, com a bolha de ar receberá um salvo-conduto para que alimentos e bebidas voltem a ser consumidos no interior do museu. O ato mais primário da vida – o de alimentar-se – retorna dando vida ao ambiente só que agora musealizado. Dentro da obra nos tornamos objetos de apreciação da coleção que nos observa, fazendo-nos prisioneiros de nossa própria armadilha, como se tivéssemos sido capturados pela imagem do espelho”, explica. Depois da abertura, Panis et Circenses será usada para as atividades do programa educativo da Casa Museu, insuflando uma nova vida para o espaço da Sala de Jantar.

Entre as obras do coletivo que estarão presentes no Respiração estão ainda Pornorama, na Sala Renascença, Sofáraokê e Espreguiçadeiras multi. Apesar de já serem conhecidas do público, todas terão um novo contexto ao serem apresentadas na Casa Museu Eva Klabin. Levando vida ao espaço que fica intacto o ano inteiro, indicando que cada obra adquire um novo sentido, dependendo das relações e configurações espaciais do local onde acontecem.

O projeto Respiração, iniciado em 2004 pelo curador Marcio Doctors, é um programa de longa duração, que une o acervo de arte clássica da Casa Museu Eva Klabin à produção contemporânea. Ao longo dos últimos 15 anos, com a participação de artistas renomados, tornou-se referência cultural no Brasil, e hoje é uma marca da instituição. O projeto, inusitado e singular, tem como proposta trazer uma nova respiração para o museu, com o intuito de atrair novos públicos, criando um olhar diferenciado sobre o espaço e sua coleção. Saiba mais em www.evaklabin.org.br/projeto-respiracao.

Leia os textos de Marcio Doctors sobre Respiração #15 anos e Opavivará! Boca a Boca.

Posted by Patricia Canetti at 6:15 PM

Glauco Rodrigues na Danielian Galeria, Rio de Janeiro

Danielian Galeria abre as portas na Gávea com individual de Glauco Rodrigues, com mais de 45 obras, e realiza lançamento de livro sobre o a genialidade do artista

Dono de um estilo único que faz uma junção de personagens e situações históricas de diferentes tempos, Glauco Rodrigues sempre mostrou em sua arte um grande potencial crítico. Apesar de sútil, o artista – a partir da inspiração no movimento antropofágico – exibe em suas obras inspirações altamente atuais como a questão indígena, a vida urbana e o carnaval, além da repreensão à ditadura militar criando obras que possuem um tom satírico às mazelas do Brasil, mesmo após 15 anos de sua morte.

Com curadoria de Denise Mattar, a mostra Crônicas anacrônicas - e sempre atuais – do Brasil reúne mais de 45 obras de diversas séries do artista, como “Pau-Brasil” (1974), “São Sebastião”(1980), “Madona Brasileira” (1982), “A Sambista” (1979) e “Árvores” (1991). São telas com foco ácido e bem-humorado de Glauco, outra característica do mesmo, que nunca mostrou um caráter dramático em suas peças.

Denise define suas composições como verdadeiras encenações, mesclando imagens de amigos, referências à Eckhout, Debret, Theodore De Bry, Almeida Jr ou Pedro Américo, numa carnavalização canibal desfilando sobre telas brancas, pintadas com requintes de precisão.

Ainda segundo a curadora, no “mis en place” de Glauco Rodrigues estão: a carne substanciosa da arte engajada, cortada com a precisão do hiperrealismo; as flores da pop-art, aromatizadas com a pimenta da sensualidade; os frutos da academia, picados com a faca do sarcasmo; as folhas da pesquisa, rasgadas com a mão. Feita a preparação, ele unta tudo com muita inteligência; tempera com emoção, leva ao forno da ditadura e finaliza com pitadas de ironia. É um artista desconcertante, o melhor cronista da “geleia” geral brasileira, capaz de mostrar o pior e o melhor de nosso país, com o claro entendimento de que essas polaridades ocorrem simultaneamente”

Os fundos brancos, presentes até o fim da ditadura nas obras de Glauco, dão lugar ao estilo tropical em uma nova fase da sua carreira. O Rio de Janeiro continua a ser constantemente celebrado pelo artista com o uso de mais personagens como banhistas e passistas agora abusando da cor mas ainda com seu sarcasmo peculiar. Ele inclui nas peças bananas, mangas, abacaxis e cajus, além de São Sebastião, padroeiro de sua cidade natal (Bagé - RS) e também do Rio. A exposição enfatiza ainda a grande importância deste artista brasileiro que também faz parte com mais de 130 obras da coleção de Gilberto Chateaubriand, um dos maiores colecionadores de arte do país.

Simultaneamente com o Rio, o artista é homenageado na Turquia

Na mesma data a XVI Bienal de Istambul também homenageia Glauco Rodrigues: com curadoria de Nicolas Bourriaud, um dos mais respeitados críticos internacionais da atualidade, uma Sala Especial dedicada à Glauco será apresentada no evento este mês. O curador já havia demonstrado interesse na obra do artista. Em 2013 ele apresentou um significativo conjunto de obras dele na exposição L’Ange de L’Histoire, na École de Beaux-Arts de Paris.

Livro sobre Glauco Rodrigues reforça a grandiosidade do artista

Destacando a genialidade de Glauco Rodrigues, no dia 21 de setembro, a Danielian Galeria faz ainda o lançamento do livro que homenageia a vida e a obra de Glauco Rodrigues. O livro faz uma revisitação histórica do artista, apresentando a importância e relevância atemporal de sua obra pictórica. Além de textos de época como os de Roberto Pontual (1978) e Frederico Morais (1986), a publicação apresenta dois textos contemporâneos da autora do livro, Denise Mattar, e uma entrevista com o crítico francês Nicolas Bourriaud, feita por José Teixeira de Brito. O livro apresenta duas importantes séries feitas por Glauco nos anos 1970: A carta de Pero Vaz de Caminha e A Lenda do Coati-Puru. O intenso trabalho de pesquisa contou com a assessoria de Norma de Stellita Pessoa, viúva de Glauco. Em 16 de outubro é a vez da badalada Livraria da Vila em São Paulo receber o lançamento do livro.

Sobre o artista

Falecido em 2004, Glauco Rodrigues é natural de Bagé, Rio Grande do Sul, mas passa a viver no Rio em 1958 e se encanta com a cidade. Considerado um dos mais importantes pintores da arte brasileira, Glauco começou seu trabalho em 1940 na gravura. Já na década de 1960, ele passa uma temporada de três anos em Roma e volta para o Brasil já com uma forte influência no movimento antropofágico brasileiro.

Durante o Regime Militar, o artista encontra no Rio a criatividade que precisa para tornar sua crítica sutil, tanto que nunca foi censurado na época da Ditadura.

Fora do Brasil Glauco participou de importantes mostras internacionais como a Bienal de Paris em 1961 e a XXXII Bienal de Veneza, em 1963 . Em Roma, ainda em 1963, expôs na Galeria d'Arte della Casa do Brasil. Realizou exposições individuais em Munique, Stuttgart e Frankfurt. No Brasil foi premiado em 1967 na IX Bienal Internacional de Arte de São Paulo.

Em 2011, houve a redescoberta do artista com a exposição O Universo Gráfico de Glauco Rodrigues, apresentada pela Caixa Cultural, nas unidades de Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. Outro componente importante desse fluxo foi o lançamento, em 2015, do filme Glauco do Brasil, dirigido por José Teixeira de Brito. O documentário traça, de forma precisa e calorosa, o percurso do artista, desde o início de sua carreira, até a abertura da mostra L’Ange de L’Histoire, na França.

Posted by Patricia Canetti at 2:05 PM

Somos Muit+s Programa de 16 a 20 de outubro na Pinacoteca, São Paulo

A Pinacoteca convida para uma programação especial que acompanha a exposição Somos Muit+s: experimentos sobre coletividade. A mostra, em cartaz até 28 de outubro de 2019, investiga a prática artística como exercício coletivo a partir de experiências pensadas enquanto diálogos, diretos ou indiretos, com a produção de Joseph Beuys e Hélio Oiticica, dois dos mais importantes artistas da segunda metade do século 20. Além deles, participam outros seis artistas/coletivos nacionais e internacionais: Maurício Ianês, Mônica Nador + JAMAC, Coletivo Legítima Defesa, Rirkrit Tiravanija, Tania Bruguera e Vivian Caccuri.

16 de outubro | Quarta-feira

10h às 14h: TransBordAr – Ensaio [Ativações no Octógono]
Ensaio aberto para o desenvolvimento da instalação site specific performática de dança como forma de pesquisar a relação entre a pesquisa coreográfica e a espacialidade. Concepção e direção da dançarina Carmen Morais, também responsável pela criação do grupo, em 2012.

15h às 16h: Sarau Bixaria Literária [Ativações no Octógono]
O sarau concebido pelo Coletivo Bixa Pare (Melissa Babalu, Diego Castro e Fabio Lopes) que acontece desde 2018, reflete, a partir da linguagem das artes cênicas e da perspectiva do movimento LGBTQIA+s, sobre o diálogo entre as diversidades dos corpos e as artes visuais.

17 de outubro | Quinta-feira

15h às 18h: Aula-oficina, com Cláudio Bueno e João Simões - Plataforma Explode [Escola de Arte Útil]

15h às 16h: Vivência com Cia. Tribo
O grupo apresenta, em parceria com o Centro Cultural Africano, uma vivência de dança a partir de pesquisa sobre a cultura afro com intuito de preservar e divulgar essa herança cultural e identitária.

18 de outubro | Sexta-feira

14h30 às 15h30: Conjunto de Canto do Programa Guri Santa Marcelina - Polo Inácio Monteiro [Ativações no Octógono]
O grupo de alunos apresenta peças do repertório nacional e internacional como parte do trabalho conduzido pelos professores Fernando Ribeiro e Marcos Lozano.

15h às 18h: Preparação do Exercício 3, com acompanhamento de Fábio Tremonte [Escola de Arte Útil]

19 de outubro | Sábado

11h às 13h: Coletivo Mirante - Experimento de Reflexo [Ativações no Octógono]
Formado por artistas visuais e educadores com foco em arte contemporânea e criação coletiva, o grupo propõe um encontro para discutir e experimentar conceitos como coletividade, consenso, empatia, negociação, etc. Grupos de até 20 pessoas, acima de 15 anos.

14h às 18h: Pinajam com DJ Erick Jay [Ativações no Octógono]
Pina Jam é um encontro de danças urbanas envolvendo a cena Hip Hop e o público espontâneo com intuito de explorar possibilidades de interação. A condução deste encontro será feita por Jab Cut. Abaixo a programação:

13h: Início
14h: Discotecagem com Fayá e Lorrany Beat Femme
15h: Roda de conversa com Erick Jay e Tati Laser, mediação Jab Cut

20 de outubro | Domingo

11h às 14h: Povo na Pina – Grupo MEXA [Ativações no Octógono]
Coletivo interdisciplinar, formado em 2015, se utiliza de táticas artísticas para defender e promover o encontro da diversidade da população em situação de vulnerabilidade. Neste dia, o grupo usará o espaço para ensaiar uma performance que está sendo desenvolvida.

15h às 15h30: Show Deck21 [Ativações no Octógono]
Banda paulistana de hardcore melódico apresenta músicas autorais, como “Eu Abismo Você” e “Contos do Jovem Zaratustra”, que tratam de temas filosóficos e dos estresses do mundo contemporâneo.

16h às 18h: Sarau de Slam CT, Luau Raiz Quadrado, Luau dos Loucos e Red 7 [Ativações no Octógono]
Os quatro coletivos do bairro Cidade Tiradentes se unem para promover um slam/sarau para propagar a liberdade de expressão a partir da poesia falada.

Posted by Patricia Canetti at 12:46 PM

outubro 13, 2019

José Patrício participa de exposição em comemoração aos 50 anos da Universidade Livre de Bruxelas

Com abertura marcada para 17 de outubro, a exposição JRSLM - paradise lost again (Jerusalem - paraíso perdido novamente), com curadoria de Hans de Wolf, reunirá artistas históricos, como Odilon Redon, William Blake e James Ensor, além de alguns nomes contemporâneos consagrados, como Francis Alÿs, Shirin Neshat e Anni Albers.

Patrício é o único artista latinoamericano selecionado para a mostra, onde exibirá a obra 280 dominós, que faz parte das coleções do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, no Recife, e da Pinacoteca do Estado de São Paulo, tendo sido exposta no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, no Museu de Arte Contemporânea de Vigo, na Espanha, no Museu de Arte do Banco da República de Bogotá, na Colômbia, e, mais recentemente, em 2018, na West Bund Art and Design, em Shanghai, na China, que reuniu instalações de 13 artistas internacionais no projeto ArtReview Asia Xiàn Chǎng.

O artista explica que “a exposição fala da dificuldade contemporânea de lidar com as diferenças, especialmente no que diz respeito às crenças e às identidades individuais, num contexto de racionalização e globalização”. “Quando o curador me contatou, ele comentou os aspectos de luminosidade e racionalidade presentes em 280 dominós, como algo que se adequava à proposta curatorial. De fato, a obra pode ser vista como um exercício formal, que varia a cada montagem, com um grafismo próprio que gera um efeito cinético a partir de um movimento espiralado, como se fosse um portal em constante abertura”, complementa.

Carreira Internacional

Além de uma individual e uma coletiva na China em 2018, José Patrício expôs recentemente na Bienal Sur (Argentina), na Fundação Cartier (França) e no Pérez Art Museum Miami (EUA). Com 45 anos de carreira, ele sempre manteve uma produção constante, sua pesquisa artística está alinhada às vertentes construtivas e tem como base a utilização de módulos para a criação de estruturas geométricas que exploram a relação entre ordem e acaso, a partir de objetos cotidianos, como dominós, botões, dados, pregos, alfinetes e peças de quebra-cabeças.

“Poder expor meu trabalho em outros países é uma oportunidade de entrar em contato com diferentes públicos e observar a interação das pessoas; acho interessante que a identificação com as obras ocorra em diferentes contextos sociais, acredito que pelos aspectos lúdicos e formais que elas têm”, conta Patrício.

Arte, política e espiritualidade

Tendo como carros-chefes proeminentes artistas belgas, como Francis Alÿs, Marcel Broodthaers, Thierry de Cordier e Michaël Borremans, a exposição “JRSLM - paradise lost again” tem em sua proposta curatorial uma investigação sobre o paradoxo entre a racionalidade de uma cultura global tecnocêntrica, que vem sendo fortalecida desde o século XX, e os desafios de um mundo que vive constantes ameaças e violências subjetivas, notadamente nos campos da fé e da liberdade de expressão. A mostra fica em cartaz até 14 de dezembro deste ano, aberta à visitação de terça a sábado, das 12h às 18h.

Posted by Patricia Canetti at 5:28 PM

José Carlos Machado na Marcelo Guarnieri, São Paulo

A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta, de 17 de outubro a 14 de novembro de 2019, em sua sede de São Paulo, as exposições de Amelia Toledo e Zé Bico (José Carlos Machado). Zé Bico apresentará na Sala 1 um conjunto de esculturas produzidas durante os últimos quatro anos, exibidas pela primeira vez. Amelia Toledo ocupará a Sala 2 com pinturas da série "Horizontes", produzidas em 2012 e "Poço", escultura produzida entre a década de 1990 e os anos 2000.

Formado em Arquitetura e Urbanismo pela FAU USP, Zé Bico (José Carlos Machado) produz e expõe como artista desde meados da década de 1980. Em sua terceira exposição individual na Galeria Marcelo Guarnieri, Zé Bico apresenta uma pesquisa sobre forças de atração e efeitos ópticos desenvolvida nos últimos quatro anos a partir de uma variedade de procedimentos que deram origem a peças de madeira, vidro e espelho. Ter trabalhado por tantos anos com ímãs na produção de suas obras permitiu ao artista desenvolver uma prática baseada em movimentos sutis, de cálculos exatos, gerados não por métodos teóricos, mas sim empíricos.

A partir da força magnética dos ímãs, Zé Bico amplia sua investigação sobre o equilíbrio e a instabilidade, explorando, através de novos objetos, a força gravitacional. Daí surgem peças pendentes feitas em madeira que se articulam em conjunto e percorrem uma trajetória que vai do alto, rente ao teto, até uma base que as permitem pousar. O desenho dessas peças pendentes, cubos incompletos que se formam apenas por algumas arestas, se repete em algumas outras que compõem a exposição. Também parecem desintegrados nas peças que nos remetem a encaixes: ainda mais distantes do contorno e volume original do cubo, suas partes se montam umas sobre as outras em diversas posições de equilíbrio.

É nas peças em que trabalha com o vidro e com o espelho que leva a ideia de desintegração mais além. Em "Piano", da série "Eu não vi" (2017/2019) faz uso de um vidro temperado que, a depender da distância em que se olha, vira um espelho. Dessa maneira, os cubos de ferro dispostos em ambos as faces do vidro, ora se revelam, ora se duplicam ou desaparecem. Já na peça em que posiciona uma placa de alumínio quadrada pendendo frente a um espelho também quadrado de mesmas dimensões, trabalha não só com os efeitos da superfície reflexiva, mas integra na composição um duplo que se forma pela sombra. Mais uma vez as questões referentes ao equilíbrio e a instabilidade aparecem, agora associadas a outro ramo da física: a óptica. A prática de Zé Bico, no entanto, dispensa cálculos matemáticos e elaborações teóricas: suas descobertas provêm das experiências cotidianas.

Indo contra todas os ângulos retos que compõem a maior parte das obras da mostra, está a dupla de ovos de ganso e laca. Como se estivessem paralisados no tempo, se equilibram de maneira pouco usual. Também contrário às demais peças da exposição que tratam de vazios e desaparecimentos, o ovo é o símbolo do nascimento, um invólucro que guarda um conteúdo repleto de possibilidades. Tendo sido produzidos durante quatro anos, a dupla tal como se vê é resultado do processo de endurecimento da gema associado à escolha de Zé Bico pela composição. Embora não se toquem, o arranjo dos ovos nos remete à ideia de peso e contrapeso, bem como às esculturas anteriores que o artista fazia com ímãs. "A Beira do abismo" (2019) trata da mesma lógica, em uma relação de peso e contrapeso entre o cubo de madeira e as barras de latão. No limite da instabilidade, suscitam em nosso imaginário a possibilidade da queda, assim como todas as outras peças, parecem estar por um triz.

Dentre as diversas exposições individuais e coletivas realizadas, destacam-se as seguintes: Projeto Macunaíma, Funarte, Rio de Janeiro, Brasil; O Reducionismo na Arte Brasileira (19º Bienal de São Paulo), Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo, Brasil; Exposição Internacional de Esculturas Efêmeras, Fortaleza, Brasil; O Estado da Arte, Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil.

Posted by Patricia Canetti at 11:03 AM

Amelia Toledo na Marcelo Guarnieri, São Paulo

A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta, de 17 de outubro a 14 de novembro de 2019, em sua sede de São Paulo, as exposições de Amelia Toledo e Zé Bico (José Carlos Machado). Zé Bico apresentará na Sala 1 um conjunto de esculturas produzidas durante os últimos quatro anos, exibidas pela primeira vez. Amelia Toledo ocupará a Sala 2 com pinturas da série "Horizontes", produzidas em 2012 e "Poço", escultura produzida entre a década de 1990 e os anos 2000.

Responsável por uma produção de mais de cinquenta anos, Amelia Toledo (1926-2017) contribuiu de maneira significativa para a arte contemporânea brasileira, tendo participado em vida de cinco edições da Bienal Internacional de São Paulo e sido premiada nacional e internacionalmente. "Horizontes", série iniciada na década de 1990, é parte da investigação que desenvolveu ao longo de sua carreira sobre as noções de paisagem, tanto no espaço pictórico, quanto no espaço físico. A linha do horizonte possui uma presença marcante na tradição da pintura ocidental figurativa, servindo como ponto de referência na construção da imagem e da relação que nosso corpo estabelece com ela. As pinturas desta série são compostas por duas faixas de cores que ocupam, cada, uma metade da tela, encontrando-se em algum momento. Segundo a própria artista, esse encontro marca "o limite de ser ou deixar de ser", como "um espaço vazio entre dois pensamentos". O tensionamento entre tons de cores tão próximas dividindo o mesmo retângulo produz um tipo de vibração que, embora cause um efeito mais imediato à visão, mobiliza também, a um olhar mais demorado, outros sentidos.

Se o horizonte pode ser pensado como aquilo que dá limite à nossa visão, o poço, por outro lado, pode representar a ideia de infinito, daquilo que não possui um anteparo onde o olhar pode se firmar. Chegar ao "fundo do poço" significa ir longe demais, aceitar a condição da derrota, encontrar-se com o que há de mais soturno em nós – ou com o que há de mais profundo na Terra: o inferno. Por outro lado, ir além do horizonte pode ter o significado de ultrapassar os limites da invenção, de ganhar asas e chegar a um lugar etéreo. O poço de Amelia Toledo, no entanto, é formado por uma chapa metálica curva que amplia as propriedades reflexivas dos cristais, invertendo a lógica do senso comum e se aproximando talvez da imagem do poço mágico. O estudo sobre a profundidade do campo visual que em "Horizontes" se desenvolve através da tinta sobre a tela, se materializa em "Poço" através do encontro entre dois materiais de origens distintas, que juntos, provocam a expansão do espaço e estimulam ainda mais a aproximação do observador.

O encontro entre materiais industriais e a matéria orgânica é uma frequente na produção de Toledo, prática que pode ser entendida como uma maneira de questionar a estrutura do pensamento dualista que rege a nossa forma de entender o mundo, onde natureza e cultura ocupam categorias opostas. Transitando constantemente entre o controle formal e a intuição, Amelia Toledo investiga as relações que construímos com o espaço a partir da nossa sensibilidade às cores, substâncias, volumes, texturas e dimensões.

Dentre as diversas exposições individuais realizadas, destacam-se nas seguintes instituições: Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro; Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro e São Paulo; Paço Imperial, Rio de Janeiro; Museu Oscar Niemeyer, Curitiba; Instituto Tomie Ohtake, São Paulo; Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, São Paulo.

Dentre as coletivas, destacam-se as recentes: Radical Women: Latin American Art, 1960-1985, Hammer Museum, Los Angeles, EUA; A marquise, o MAM e nós no meio, Museu de Arte Moderna, São Paulo, Brasil; Pedra no Céu: Arte e a Arquitetura de Paulo Mendes da Rocha, MUBE – Museu Brasileiro da Escultura, São Paulo; Visões da Arte no Acervo do MAC USP 1900 – 2000, MAC USP – Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; Futuro do Presente, Itaú Cultural, São Paulo; Correspondências, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo.

Posted by Patricia Canetti at 10:59 AM

outubro 10, 2019

Camila Elis na Mamute, Porto Alegre

A Galeria de Arte Mamute inaugura exposição com lançamento de representação da jovem artista gaúcha Camila Elis. A mostra intitulada Da alma, e as coisas suspensas tem curadoria da pesquisadora e teórica das Artes Visuais, Profa. Dra Bruna Fetter (ler texto curatorial) e apresenta um conjunto de obras inéditas em pintura a óleo sobre linho e papel, produzidas especialmente pela artista para sua primeira exposição individual na Galeria de Arte Mamute.

A exposição abre com a grande pintura “Psique” destacando-se no hall de entrada da histórica escadaria, e se estende na ampla sala de exposição com obras de grandes e médios formatos. São pinturas que pensam as fantasias e realidades do sentimento e da sensação, utilizando o mito de Eros e Psique de Apuleio como referência atmosférica.

Camila Elis - 1995, Dois Irmãos/RS. Bacharel em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UFRGS. Vive e trabalha em Porto Alegre. Através da pintura a artista pensa sistemas de interação entre objetos, pessoas, ambientes e sensações abstratas. Procura instigar maneiras de relacionar-se esteticamente com imagens, expandindo as noções de percepção, experiência e de espaço. Desse modo pretende motivar novas formas de coletividade e interação na pintura explorando as ambiguidades constituintes da subjetividade humana e dela em relação aos outros.

Bruna Fetter - Professora e pesquisadora do Instituto de Arte da UFRGS, Bruna Fetter é Doutora em História, Teoria e Crítica de Arte (PPGAV/UFRGS). Foi pesquisadora visitante na New York University (2014/2015), possibilitado por bolsa Fulbright. Curadora das mostras Do Abismo e outras distâncias (Mamute Galeria, Porto Alegre/2017), Expedições pela Paragem das Conchas (Espaço de Artes da UFCSPA, Porto Alegre/2016), Da matéria sensível: afeto e forma no acervo do MAC/RS (Porto Alegre/2014), O sétimo continente (Zipper Galeria, São Paulo/2014) e Qualquer lugar (Casa Triângulo, São Paulo/2013). Também realizou a curadoria da mostra Mutatis mutandis, com Bernardo de Souza (Largo das Artes, Rio de Janeiro/2013); e dividiu a curadoria da mostra Cuidadosamente, através?com Angélica de Moraes (São Paulo/2012). Entre 2006 e 2007 coordenou a equipe de produção executiva da 6a Bienal do Mercosul. De 2010 a 2013 foi parecerista do Ministério da Cultura nas áreas de Artes Visuais, Transversalidade da Cultura e Patrimônio Cultural. Entre 2013 e 2014 participou do Comitê de Acervo e Curadoria do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. É coautora do livro As novas regras do jogo: sistema da arte no Brasil (Editora Zouk, 2014). Colaborou nas publicações Artes visuais - ensaios brasileiros contemporâneos?(org. Fernando Cocchiarale, André Severo e Marília Panitz, FUNARTE, 2017), Práticas contemporâneas do mover-se (org. Michelle Sommer, Circuito, 2015) e A palavra está com elas: diálogos sobre a inserção da mulher nas artes visuais (org. Lilian Maus, Panorama Crítico, 2014). Desde 2015 é conselheira do Instituto Yvy Maraey - Arte e Natureza. Também é membro da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA), da Associação Brasileira de Crítica de Arte (ABCA) e da Associação Nacional dos Pesquisadores de Artes Plásticas (ANPAP).

Posted by Patricia Canetti at 2:32 PM

Julia Kater na Sim Galeria, Curitiba

Com pesquisa e produção pautadas sobretudo no recorte e na sobreposição de imagens de diferentes escalas, Julia Kater traz à sede da SIM Galeria, em Curitiba, O que nos assiste, individual que reúne cerca de sete trabalhos inéditos, com curadoria do crítico francês Théo-Mario Coppola.

Em sua última exposição na SIM – Zonas de Gatilho – realizada em 2018 na unidade paulistana, Kater apresentou seus recortes em grande escala. Esses trabalhos partem de fotografias de cenas cotidianas nos quais a artista recorta e descarta o elemento central da imagem, assim, subverte uma suposta “ordem” da imagem. Interessam a ela as relações entre pessoas e espaços, bem como os diferentes enquadramentos que permitem criar encontros em planos espaciais distintos.

Nesta exposição, aquilo que antes era descartado, passa a fazer parte do trabalho. Na série com quatro obras em grande formato, o que foi recortado passa a orbitar ao redor da cena principal. São sobretudo gestos corporais, de mãos, cabeças, que passam a existir e ganham autonomia em relação à imagem original. Segundo Théo-Mario Coppola, quer seja uma ação específica ou a evocação de uma lembrança, essa fragmentação de coisas e pessoas traça uma narrativa episódica e lacunar do ser. “Aquilo que é retido está bem distante do momento da captura da imagem e da identificação das situações, de modo a revelar a universalidade da cena”, comenta o curador.

A exposição conta ainda com duas fotografias da série “todos os olhos todas as partes”, que retratam pessoas juntas, que de alguma forma se relacionam. Mais do que afeto, para Kater interessa pensar numa cena ritualística, como se todos ali fossem um só corpo. “A memória, o desejo, a projeção são ficções. Tudo o que se acredita poder reconhecer ou compreender, representar ou descrever está, na realidade, ainda mais distante de nós. Todos pretendem se lembrar bem e creem retratar o passado com uma veracidade tenaz. Porém, o que pode restar de um presente do qual apreendemos apenas impressões vagas, lembranças transformadas por humores e sensações e pela ambição de fazer com que aquilo que vivemos corresponda a uma ideia?”, questiona e completa o crítico. Completa a exposição o vídeo “O que nos assiste”, que dá nome à mostra e retrata quatro pessoas construindo um andaime num terreno baldio.

Julia Kater (1980 – Paris, França) vive e trabalha em São Paulo, Brasil. É graduada em Pedagogia pela PUC/ SP e pós-graduada em Psicomotricidade pela ISPEGAE, OIPR Paris/França. Formada em Fotografia pela ESPM/SP. Suas principais exposições individuais são: Breu - Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, Brasil - 2018); Zonas de Gatilho - SIM Galeria (São Paulo, Brasil - 2018); Acordo - Palazzo Rossini, GAA Foundation, (Veneza, Itália - 2017); Da banalidade, Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, Brasil -2016); Como se fosse - Ocupação Programa Caixa Cultural (Brasília, Brasil - 2014). As principais exposições coletivas incluem: 13 edition Experiments in Cinema Festival (Alburquerque, EUA - 2018); Song for my hands - Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, Brasil - 2017); Rencontres Internacionales Paris/ Berlin - New Cinema and Contemporary Art (Alemanha e França - 2017), Ao amor do público I, Museu de Arte do Rio – MAR (Rio de Janeiro, Brasil - 2016); Bienal de Assunção (Asuncion, Paraguai - 2015), Frestas - Trienal de Artes, Sesc Sorocaba, (Sorocaba, Brasil – 2014). Sua obra faz parte de coleções como: Museu de Arte do Rio - MAR (Rio de Janeiro, Brasil); Museu Oscar Niemeyer – MON (Curitiba, Brasil); Fundacíon Luis Seoane (La Corunha, Espanha); Foundation PLMJ (Lisboa, Portugal) e Museu de Arte de Ribeirão Preto- MARP (Ribeirão Preto, Brasil).

Posted by Patricia Canetti at 1:56 PM

III Portas Abertas - Roteiro de Ateliês, São Paulo

O III Portas Abertas, evento organizado pelo Roteiro de Ateliês, reúne cerca de 112 artistas visuais que abrem as portas de 69 ateliês espalhados pela cidade de São Paulo.

3 últimos finais de semana de outubro de 2019, das 10h às 18 - ver regiões

O visitante tem a oportunidade de conhecer o processo criativo e o espaço de trabalho dos artistas. A programação conta com uma feira de arte, oficinas, bate papos com convidados, apresentação de técnicas artísticas como a Queima de Raku e a Xilogravura, além de performances e ações externas. Um dos artistas convida os visitantes a ativar seu trabalho. Confira o mapa e a programação no site: www.roteirodeatelies.com

Os ateliês estão separado por regiões, para que o público possa visitar diversos bairros no mesmo semestre. Confira as datas:

12 e 13 de outubro
Pinheiros, Sumaré, Perdizes, Vila Leopoldina e Região

19 e 20 de outubro
Centro, Vila Mariana, Ipiranga, Campo Belo e Região

26 e 27 de outubro
Butantã e Região

Sábados e Domingos das 10h às 18h*
*alguns ateliês tem horários de abertura diferenciados, confira o mapa antes de se programar.
*horário de performances, oficinas e programação especial no site

Use a busca na Agenda do Canal Contemporâneo para conhecer as exposições publicadas destes artistas na última década - coloque o nome no campo "profissional", selecione "por eventos no histórico geral" e clique em "buscar".

12 e 13 de outubro
Pinheiros, Sumaré, Perdizes, Vila Leopoldina e Região
1. Deolinda Aguiar
Malvina Sammarone
Felippe Moraes
2. Ana Amélia Genioli (fechado)
3. Márcia Cymbalista
Fernanda Izar
4. Regina de Barros
5. Alessandra Duarte
6. Mirla Fernandes
7. Renata Pedrosa
8. Isabella Carvalho
9. Augusto de Almeida (fechado)
10. Diego Castro
11. Estúdio Jockey
André Tayar
Cassio Leitão
Gustavo Junqueira
Paula Scavazzini
12. Cerrado Infinito
13. Rizoma Ateliê
Jane Kohatsu
Rubens Zaccharias
14. Sandra Martinelli
15. Ana Calvazara
16. Ateliê Oficinas
17. Artur Matuck
18. Antonio Goper

19 e 20 de outubro
Centro, Vila Mariana, Ipiranga, Campo Belo e Região
1. André Niemeyer
2.Alex Cassimiro
Lucas Länder
3. Delfina Reis
4. Helcio Barros
Marcelo Gandhi
5. Ateliê Alex Vallauri
6. Massapê Projetos
7. Ateliê Transe
8. Gilson Rodrigues
9. Db Bicudo
10. Ninetta Rabner
11. Raissa Arruda
12. Felipe Cidade
13. José Elfer
14. Renato Pera
15. Edifício Califórnia
16. A Casateliê
17. Murilo Kammer
18. Hugo Fortes
Sissí Fonseca
19. Sheila Oliveira
20. Paulo Mattos
21. Conrado Zanotto
22. Alexis Iglesias
23. Fernando Spaziani
24. Décio Soncini
25. Jacques Jesion
26. Ricardo Alves
27. Ateliê do Alto
28. Zilamar Takeda
29. David Magila
30. Ateliê Na Uapixana
31. Fabiola Racy
32. Rosana Mariotto*
33. Anna Guerra
34. Rogério Pinto
35. Arthur Scovino
36. Ana Rey
Marinalva Rosa
Rita Heckrt
37. Maura de Andrade (Serra da Cantareira)
38. Ateliês Residentes - Casa das Caldeiras
39. Débora Bolsoni (Butantã - só dia 20)

26 e 27 de outubro
Butantã e Região
1. Márcia Azevedo
2. Helena Küller
3. Taís Cabral
4.Adriana Affortunati
Mayra Lamy
Molly Yergens
5. Beto Borges
6. Luisa Meyer
7. CCB - Pablito Diaz
8. Lia Nasser
9. Felipe Bittencourt
10. Cintia Phiebig
11. Cipriano Souza
12. Carolina Sudati
13. Débora Bolsoni (abre no domingo 20)
14. Rosana Mariotto (zona sul - só no dia 26)

Sobre o Roteiro de Ateliês

Idealizado por um grupo de artistas em abril de 2018, o Roteiro de Ateliês realiza um mapeamento continuo de ateliês da cidade de São Paulo, de forma colaborativa e independente.

Uma vez por semestre acontece o Portas Abertas! Evento em que os artistas de diferentes regiões da cidade abrem as portas de seus ateliês para compartilhar seu processo criativo, sua produção e seu espaço de trabalho.

O objetivo é promover o acesso à arte contemporânea diretamente onde e por quem é produzida! Além de naturalmente articular uma rede de artistas que passaram a colaborar entre si com frequência.

Posted by Patricia Canetti at 12:16 PM

Zip’Up: Giulia Puntel na Zipper Galeria, São Paulo

O programa Zip’Up apresenta a nova produção da mineira Giulia Puntel. São pinturas à óleo em que a artista investe na criação de atmosferas enigmáticas, instauradas a partir da tensão entre as imagens que vemos nos trabalhos. “Parto da livre apropriação de imagens da internet para realizar uma espécie de colagem. Os resultados são cenas misteriosas, sobre as quais nunca se encontrará uma verdade. Por mais que eu desenvolva a imagem propriamente dita, meu interesse, no fundo, é nas sensações que elas podem causar”, conta a artista. A exposição individual boa noite cinderela tem curadoria de Icaro Ferraz Vidal Junior e inaugura no dia 12 de outubro, às 12h.

A artista elabora um espaço pictórico que se prolonga virtualmente em uma zona imaginária, fora da tela. Os enquadramentos remetem mais ao universo cinematográfico do que à tradição da pintura figurativa: o espaço fora do quadro, que o cinema pode ou não tornar visível conforme sua narrativa se desdobra, permanece um mistério insolúvel na poética de Giulia Puntel. A artista dialoga com diferentes linguagens e tradições visuais, não para narrar uma história, mas para instaurar um clima de suspense, povoado por corpos entorpecidos e gestualidades desprovidas de identidade. A identificação dos personagens torna-se ainda mais complexa na medida em que seus corpos assimilam elementos sutis, que os inscrevem nos limites entre o humano e o animal.

Idealizado em 2011, um ano após a criação da Zipper Galeria, o programa Zip’Up é um projeto experimental voltado para receber novos artistas, nomes emergentes não representados por galerias paulistanas. O objetivo é manter a abertura a variadas investigações e abordagens, além de possibilitar a troca de experiência entre artistas, curadores independentes e o público, dando visibilidade a talentos em iminência ou amadurecimento. Em um processo permanente, a Zipper recebe, seleciona, orienta e sedia projetos expositivos, que, ao longo dos últimos oito anos, somam mais de cinquenta exposições e cerca de 70 artistas e 30 curadores que ocuparam a sala superior da galeria.

Sobre a artista

Giulia Puntel. Nascida em Belo Horizonte (1992), vive e trabalha em São Paulo. Graduada em Artes Plásticas pela escola Guignard - UEMG, mudou-se para São Paulo onde participou do grupo de investigações críticas em pintura sob orientação de Regina Parra e Rodolpho Parigi e também da residência Pivô Pesquisa, em 2018. Sua prática artística se inicia no teatro, migra para o cinema e chega, finalmente, na pintura, onde questões próprias à imagem são trabalhadas figurativamente através da construção de cenas.

Sobre o curador

Icaro Ferraz Vidal Junior. Nascido em Niterói-RJ, vive e trabalha em São Paulo. Doutor em História, História da Arte e Arqueologia pelas Université de Perpignan Via Domitia e Università degli studi di Bergamo e em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente é professor do Departamento de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo e realiza pesquisa de pós-doutorado no Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Organizou as exposições Natureza Sintética (Galeria do Instituto de Artes da UNICAMP, 2018), Superfícies sensíveis || pele | muro | imagem (Caixa Cultural Rio de Janeiro, 2018, co-curadoria com Laila Melchior), Gramáticas Infames do Medo (Blau Projects, 2017) e animal-estar (Galeria de Arte da UFF, 2017). Tem publicações em periódicos acadêmicos, revistas especializadas, catálogos de exposição e livros na América Latina e na Europa.

Posted by Patricia Canetti at 11:18 AM

Flávia Junqueira na Zipper, São Paulo

Em O Absurdo e a Graça, a artista Flávia Junqueira leva a fotografia encenada para a sua fonte mais primordial: o espaço de espetáculo, encenação e contemplação. Terceira individual da artista na Zipper Galeria, a exposição reúne trabalhos realizados a partir da apropriação pela artista de exemplares arquitetônicos do patrimônio histórico nacional – de teatros representativos da Belle Époque brasileira, do final do século 19, à arquitetura modernista do Pavilhão da Bienal, de meados do século 20 – nos quais ela constrói cenários ficcionais permeados por luxo e suntuosidade, ainda que de maneira irônica. Com texto crítico assinado pelo escritor Julián Fuks, a mostra inaugura no dia 12 de outubro, às 12h.

Elemento presente em todos os trabalhos, o balão é o grande personagem da série fotográfica, encarnando diversos papeis: como elemento lúdico, cria a atmosfera de regozijo própria do universo visual da infância, que permeia toda a produção de Flávia Junqueira; como metáfora da decadência, assume o papel de espetáculo perene, apenas retido pelo instante fotográfico, uma vez que a passagem do tempo torná-lo-á obsoleto, murcho, abandonado; ora os balões ocupam o lugar dos espectadores, ora, a posição da artista, em um jogo de deslocamentos; outras vezes, assumem a simbologia criadora das narrativas fantásticas, que se constituem em peças-chave nos espaços ocupados pela artista.

E, se os balões aparecem como metáforas, eles o fazem em monumentos propriamente concebidos para os atos de encenar e contemplar. A arquitetura da representação, símbolo de diversos contextos históricos brasileiros, passa a ser o ateliê da artista: “Teatro João Caetano”, em Niterói, construído em 1842; “Teatro da Paz”, Belém do Pará, de 1878; “Teatro Amazonas”, em Manaus, 1886; Cristo Redentor, Rio de Janeiro, 1922; Pavilhão Ciccillo Matarazzo, São Paulo, 1957. “Todos estes espaços são cenários compostos por inúmeras camadas histórias, do ciclo da borracha à industrialização e urbanização do país. Meu trabalho aplica mais uma dessas camadas nos monumentos”, afirma a Flávia Junqueira.

Para a abertura da individual, no dia 12 de outubro, ela planeja criar a ambientação mágica e fantástica de seus trabalhos no salão principal da galeria. “O Absurdo e a Graça” fica em cartaz até 16 de novembro.

Flavia Junqueira (São Paulo, Brasil, 1985) lida principalmente com fotografia. O universo visual da infância e a construção de um imaginário sobre este período permeiam a obra da artista desde o início de sua produção. Seus trabalhos constam em acervos como MAM-SP, MIS-SP, MABFAAP, Museu do Itamaraty, Red Bull Station, World Bank e Instituto Figueiredo Ferraz. Doutoranda pelo Instituto de Arte da Universidade Estadual de Campinas- UNICAMP, mestre em Poéticas Visuais pela Universidade de São Paulo e Bacharel em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado, a artista cursa também a pós-graduação em fotografia na FAAP. Entre os principais projetos e exposições que participou destacam-se: “Culture and Conflict: IZOLYATSIA in Exile”, Palais de Tokyo (Paris, 2014), “The World Bank Art Program”, Kaunas Photo Festival, 2010; “Tomorrow I will be born again”, Cité Dês Arts, 2011; “Subjetivo Feminino: una Mirada Latino Americana”, do projeto Photo España (Instituto Cervantes São Paulo, 2009), "Projeto para Finais Felizes", Temporada de Projetos do Paço das Artes (São Paulo, 2013). Prêmio Energias na Arte do Instituto Tomie Otahke, 2009; "Gorlovka", Programa Itinerâncias "Nova Fotografia" (2015); “Tentativas e Apostas – Notas de um Processo”, exposição Red Bull House of Art- Residência Artística São Paulo-SP, 2010. Mostra Coletiva do Atêlie aberto#5. Programa de residência da Casa Tomada, 2011, entre outros.

Julián Fuks (São Paulo, 1981) é escritor e crítico literário. É autor de "A resistência", livro ganhador dos prêmios Jabuti, Saramago, Oceanos e Anna Seghers. É autor também de Procura do romance e Histórias de literatura e cegueira. Livros e contos seus já foram traduzidos para nove línguas e publicados em diversos países.

Posted by Patricia Canetti at 11:15 AM

Dominó na Casa da Luz, São Paulo

No próximo sábado, dia 12 de outubro, a partir das 14h, abre na Casa da Luz a exposição Dominó.

Dominó é uma exposição coletiva resultado da convivência e do diálogo entre 14 artistas que se conheceram em um período de residência do Pivô Pesquisa entre março e maio de 2019 no Pivô, espaço dedicado à arte contemporânea, localizado no edifício Copan em São Paulo. Em interlocução com a curadora Camila Bechelany, que acompanhou os artistas, uma montagem foi pensada para ocupar o segundo andar da Casa da Luz partindo da ideia do contato e da convivência como acionador da criação. Com trabalhos dos 14 artistas, muitos dos quais são decorrentes de pesquisas iniciadas ou desenvolvidas durante a residência Pivô Pesquisa, a exposição desdobra as relações de convivência, as afinidades, e aproximações geradas durante os meses de compartilhamento do espaço do ateliê. Como em um jogo de dominó, uma peça se une à outra e assim sucessivamente, gerando ao final uma forma inesperada. Cada um coloca a sua peça e a dinâmica acontece. Dominó não dá pra jogar sozinho.

A abertura contará com performances de Anna Costa e Silva, Leandra Espírito Santo e Renan Marcondes, e com uma instalação/convite de Deco Adjman.

Dominó conta com a organização de André Niemeyer e realização da Casa da Luz.

Artistas participantes: Adrian S.Bará, Anna Costa e Silva, Carolina Cordeiro, Carolina Maróstica, Deco Adjiman, Gilson Rodrigues, Leandra Espírito Santo, Leandro Muniz, Maya Weishof, Raquel Sena, Renan Marcondes, Rui Dias Monteiro, Tomaz Klotzel, Vanessa da Silva.

Posted by Patricia Canetti at 9:49 AM

outubro 7, 2019

Marcus Vinícius na Marcelo Guarnieri, Ribeirão Preto

A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta, de 12 de outubro a 9 de novembro de 2019, em sua sede de Ribeirão Preto, as exposições Black Stream de Alice Shintani e Foco Variável de Marcus Vinicius. Alice Shintani ocupará a Sala 1 com pinturas produzidas entre 2007 e 2019, período que marca os doze anos de trabalho com a Galeria Marcelo Guarnieri. Na Sala 2, Marcus Vinicius apresentará trabalhos da série "Listrados", produzidas entre 2013 e 2019 e "Livros", produzidas entre 2018 e 2019.

Licenciado em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, Marcus Vinicius inicia sua carreira como artista em 1998. A partir da ideia de Estrutura Quadro, uma estrutura conceitual criada por ele para guiar o seu processo de produção, o artista explora as propriedades de materiais e cores industriais no campo bidimensional. Suas operações consistem em estudar, ordenar e reordenar elementos como a tinta, a pincelada, a dimensão, a cor e a superfície, entre outros, de acordo com as especificidades de cada trabalho.

Em 2003, já em pleno desenvolvimento da Estrutura Quadro como pesquisa central de sua obra, o artista incorpora ao trabalho o elemento narrativo. Inicialmente como estratégia, trata o elemento narrativo como vinculado à tradição do retábulo. Ali uma sequência temporal ativaria uma espécie de memória ao tentar relacionar as partes de fora e dentro da obra, permitindo ao espectador construir na mente a sua unidade. O artista argumenta que, para que a presença do objeto fosse tão forte quanto a da imagem e para resolver de vez a incorporação do elemento narrativo na Estrutura Quadro, seria necessário retirar o objeto da parede e colocá-lo sobre a mesa. Essa operação resolveu e definiu a apresentação de obras de "Livros", série que exibe em "Foco Variável". Placas coloridas compostas por padrões geométricos se articulam a partir de dobradiças que, além de desempenharem uma função de ordem prática, integram-se à peça como mais um elemento visual.

Desenvolvidos a partir da produção serial, seus trabalhos podem se apresentar, inicialmente, impessoais e herméticos, mas, sob um olhar mais atento, revelam a complexa relação entre os seus elementos. Sua feitura é, desde o início, administrada por uma inteligência do sensível: as formas, combinações de cores e variação de materiais são cuidadosamente escolhidas e pensadas por Marcus Vinicius, que, em um tempo bem menos acelerado que o da produção industrial, os articula na busca pelo ajuste de uma química interna do quadro. A escolha por materiais pertencentes ao universo moveleiro está associada à própria natureza de sua prática: um trabalho de ateliê que desenvolve em sua oficina de marcenaria. Os títulos de suas séries são determinados por seus elementos mais característicos ou objetivos, evitando uma leitura direcionada pelo uso da palavra e proporcionando um envolvimento menos racionalizado e portanto mais intuitivo entre espectador e obra.

Além de "Livros", Marcus Vinicius apresentará alguns quadros da série "Listrados", produzidos entre 2013 e 2019. Nestas obras o artista trabalha com uma escala mais próxima à do corpo humano. Dispostas na parede, convidam o espectador a percorrer um meio círculo à sua frente, revelando, também a partir do movimento – agora do próprio corpo – múltiplos efeitos causados pela variação cromática e luminosa dos vidros. Convocado por sua propriedade reflexiva e pela dúvida que seu efeito óptico pode gerar à visão do observador, o vidro surge como um elemento compositivo não só pela transparência pura e simples, mas também por seu caráter ambíguo, por suas artimanhas visuais. "São vidros incolores apoiados para frente e que frontalmente quase desaparecem, mas que vistos de outros ângulos criam um espaço a mais", explica o artista. O uso da tinta sobre madeira em cores tão frequentemente observadas no cotidiano da cidade criaria um terreno seguro para a visão – estaríamos certos do que nosso olho vê –, mas o atrito entre cores distintas acaba por gerar alguma vertigem, terceiras cores que são percebidas só virtualmente. Marcus Vinicius está interessado pela pintura, por aquilo que pode acontecer no espaço bidimensional, mas também por aquilo que pode ser gerado na terceira dimensão. Não somente seus efeitos ópticos, mas suas experiências físicas, através dos suportes geométricos em madeira ou alumínio construídos por ele mesmo em sua oficina.

Marcus Vinicius participou de diversas exposições individuais e coletivas desde meados dos anos 1990, destacando-se: Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil; MAC-USP - Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Brasil; Centro Cultural Maria Antônia, São Paulo, Brasil; Centro Cultural UFMG, Belo Horizonte, Brasil; Centro Cultural São Paulo, Brasil; Espaço Cultural Casa da Ribeira, Natal, Brasil; MARP - Museu de Arte de Ribeirão Preto, Brasil.

Posted by Patricia Canetti at 12:04 PM

Alice Shintani na Marcelo Guarnieri, Ribeirão Preto

A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta, de 12 de outubro a 9 de novembro de 2019, em sua sede de Ribeirão Preto, as exposições Black Stream de Alice Shintani e Foco Variável de Marcus Vinicius. Alice Shintani ocupará a Sala 1 com pinturas produzidas entre 2007 e 2019, período que marca os doze anos de trabalho com a Galeria Marcelo Guarnieri. Na Sala 2, Marcus Vinicius apresentará trabalhos da série "Listrados", produzidas entre 2013 e 2019 e "Livros", produzidas entre 2018 e 2019.

Formada em ciência da computação pela UNICAMP, Alice Shintani foi montanhista e integrou, no início dos anos 90, a equipe pioneira de trabalho que desenvolveu e implementou a Internet banda-larga no Brasil. Quando fez a transição para o campo da arte, iniciada por cursos e grupos de estudos orientados por artistas estabelecidos, manteve-se instigada a pensar em estratégias de democratização de meios e linguagens e a estabelecer relações de horizontalidade através de sua pesquisa. O espírito da criação e do compartilhamento que norteou a internet em seu início – que hoje está certamente muito mais próximo das práticas de vigilância e controle – e os efeitos que a internet banda-larga podia causar em um país continental como o Brasil pós-ditadura, nos ajudam a situar o trabalho que Shintani desenvolveu posteriormente com tintas, pincéis, linhas de costura e brigadeiros.

Depois de doze anos de produção, a artista apresenta em “Black Stream” pinturas oriundas de séries diversas em uma instalação que ocupa duas grandes paredes da galeria. Poderão ser vistas obras das séries “Quimeras” (2007), “Bakemono” (2010) ou “Lindoya” (em andamento desde 2008), entre outras, dispostas sobre um fundo preto que contrastará com os suaves e rebaixados tons que as compõem. Quando não eram pintadas diretamente sobre as paredes dos espaços expositivos, como em “Éter” (2009) e “Estacionamento” (2008), as obras eram pensadas em conjunto para lugares específicos. A marcação do fundo preto em “Black Stream” funciona, portanto, como uma indicação de que as obras se apresentam em um momento distinto de suas origens, em um encontro que une muitos passados em nosso presente. A tinta de parede utilizada e a paleta de tons escolhida por Alice nestas pinturas partiam de um desejo da artista de “falar mais baixo para também poder ouvir” e a escala de suas telas, muitas vezes próximas à escala humana, também era pensada como uma maneira de aproximação com o espectador. Convocar a cor preta em 2019 pode sinalizar também uma espécie de ponderação em relação a esse esforço pela comunicação e contato que tanto move Alice: doze anos depois, como se estabeleceram essas trocas? Talvez seja um bom momento para considerar os ruídos, comuns em qualquer processo de interlocução – refletir sobre a disseminação descontrolada das fake news na internet no Brasil de agora, pensando na trajetória da artista, pode ser um bom paralelo a ser traçado.

As obras mais atuais, produzidas neste ano de 2019, são os guaches que dão forma à plantas amazônicas, exuberantes em suas cores vivas, flutuam também sobre fundos pretos. Dialogam de maneira mais direta com as “Sanfoninhas” que Shintani vem produzindo desde 2015, apresentadas dois anos depois em “Menas”, sua terceira individual na Galeria Marcelo Guarnieri. Essas obras fazem parte de um processo em que a artista subia o tom de sua paleta de cores, incluindo o vermelho e o verde-bandeira por exemplo, ao mesmo tempo em que reduzia a escala de suas pinturas, experimentando em guache desde 2015 em “Zika” ou organizando sua produção e venda de brigadeiros em um tabuleiro ambulante com o “Óia Brigadeiro”. Nas “Sanfoninhas”, Shintani explora materialmente algo que já investigava em seus trabalhos mais antigos: distorções, ampliações ou sintetizações de imagens do mundo e da memória em formas geométricas e campos de cores. São dobraduras em papel que guardam formas que se movem, contraindo-se e expandindo-se, imagens em transição que se configuram como uma maneira da artista se aproximar de uma realidade cada vez mais difusa e incompreensível.

Alice Shintani integra a publicação “100 painters of tomorrow”, da editora Thames & Hudson (2014) e foi contemplada com o prêmio-aquisição no “II Prêmio Itamaraty de Arte Contemporânea” com a série Bakemono (2013). Durante a edição da sp-arte/2017, Alice Shintani foi vencedora do Prêmio de Residência com a instalação “Menas” e passou três meses na Delfina Foundation, em Londres (Reino Unido). Participou de diversas exposições individuais e coletivas, destacando-se as seguintes instituições: Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo, Brasil; Paço Imperial, Rio de Janeiro, Brasil; Centrum Sztuki Wspólczesnej, Poznán, Polônia; Centro Cultural São Paulo, Brasil; Instituto Itaú Cultural, São Paulo, Brasil; Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasil; Museu Rodin, Salvador, Brasil; Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Brasil; Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil. Em 2019, convidada pela equipe do Programa CCBB Educativo de São Paulo, propôs a intervenção “Compro Ouro” no centro histórico da cidade. Recentemente, participou do programa de residência no Complexo Hospitalar do Juquery, em meio a denúncias de ligações da instituição com o período da ditadura militar.

Posted by Patricia Canetti at 12:02 PM

33ª Bienal de São Paulo na Fundação Iberê, Porto Alegre

Itinerância da 33ª Bienal de São Paulo e Território Oscilante, do carioca José Bechara, abrem dia 12 de outubro, às 14 horas

Em parceria com a Fundação Bienal, a Fundação Iberê promove uma das etapas do programa de mostras itinerantes da 33ª Bienal de São Paulo, realizada entre setembro e dezembro do ano passado. Em Porto Alegre serão apresentadas cerca de 40 obras de artistas, como Vânia Mignone, Antonio Ballester Moreno, Alejandro Corujeira e Sofia Borges. As exposições em circulação não replicam literalmente o que se viu na capital paulista, mas apresentam diferentes associações e relações a partir de recortes de obras e artistas.

Antes, no dia 10 de outubro (quinta-feira), o crítico e curador italiano Jacopo Crivelli Visconti chega a Porto Alegre para um talk sobre a programação da 34ª Bienal de São Paulo. O encontro ocorre às 17h, no auditório da Fundação, com entrada franca.

Escolhido pelo presidente da Fundação Bienal, José Olympio da Veiga Pereira, por meio de uma seleção entre cinco curadores inacionais e internacionais, Visconti já montou uma equipe para começar os trabalhos: curador-adjunto Paulo Miyada (curador, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo) e curadores convidados Carla Zaccagnini (artista, São Paulo-Malmo); Francesco Stocchi (curador de Arte Moderna e Contemporânea, Museum Boijmans Van Beuningen, Rotterdam); Ruth Estévez (curadora geral, Rose Art Museum, Boston; diretora, LIGA DF, Cidade do México).

A Itinerância da 33ª Bienal de São Paulo é uma iniciativa que chega em 2019 à sua quinta edição. Já percorreu 13 cidades, sendo duas no exterior, e recebeu um público total de 650 mil visitantes. Para a sua realização, foram firmadas parcerias inéditas com a Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer do Governo do Espírito Santo (ES), o Museu Nacional (DF), a Fundação Iberê Camargo (RS) e o Museo de Antioquia, em Medellín (Colômbia). Também foram renovadas parcerias com o Sesc SP, a Fundação Clóvis Salgado (MG) e o Museu de Arte Murilo Mendes (MG).

Artistas participantes da itinerância Porto Alegre

Alejandro Corujeira
Buenos Aires, Argentina, 1961. Vive em Madri, Espanha

Ana Prata
Sete Lagoas (MG), Brasil, 1980. Vive em São Paulo, Brasil

Andrea Büttner
Estugarda, Alemanha, 1972. Vive em Londres, Reino Unido, e Berlim, Alemanha

Antonio Ballester Moreno
Madri, Espanha, 1977. Vive em Madri

Ben Rivers
Somerset, Reino Unido, 1972. Vive em Londres, Reino Unido

Bruno Dunley
Petrópolis (RJ), Brasil, 1984. Vive em São Paulo, Brasil

Bruno Moreschi
Maringá (PR), Brasil, 1982. Vive em São Paulo, Brasil

Maria Laet
Rio de Janeiro (RJ), Brasil, 1982. Vive no Rio de Janeiro

Rafael Carneiro
São Paulo, Brasil, 1985. Vive em São Paulo

Roderick Hietbrink
Gorssel, Holanda, 1975. Vive em Oslo, Noruega, e Amsterdã, Holanda

Sofia Borges
Ribeirão Preto (SP), Brasil, 1984. Vive em São Paulo e Paris, França

Vânia Mignone
Campinas (SP), Brasil, 1967. Vive em Campinas

Wura-Natasha Ogunji
St. Louis, MO, Estados Unidos, 1970. Vive em Lagos, Nigéria

Posted by Patricia Canetti at 10:58 AM

José Bechara na Fundação Iberê, Porto Alegre

Território Oscilante, do carioca José Bechara, abre dia 12 de outubro, às 14 horas, juntamente com a Itinerância da 33ª Bienal de São Paulo

A Fundação Iberê inaugura no dia 12 de outubro (sábado) a exposição Território Oscilante, do artista carioca José Bechara. A mostra reúne 26 obras de diversos momentos de uma trajetória 30 anos, desde as pinturas oxidadas, passando pelos exercícios fotográficos, pelos seus muitos pequenos desenhos de ateliê e suas potentes instalações com vidro.

Com a curadoria de de Luiz Camillo Osorio, Território Oscilante vai da fotografia à instalação, apostando no transbordamento da experiência poética para fora das convenções expressivas determinadas pela história da arte. A apropriação das mesas como superfície escultórica e a volta constante ao desenho como exercício gráfico mostram que a obra do artista está em constante interrogação.

José Bechara iniciou seus estudos em 1987, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Quatro anos mais mais tarde, passou a integrar um ateliê coletivo na Lapa, centro do Rio de Janeiro, com Angelo Venosa, Luiz Pizarro, Daniel Senise e Raul Mourão. Mas foi somente em 1992, já em seu novo ateliê no bucólico bairro de Santa Teresa, que ele começou suas experimentações com suportes e técnicas diversificadas, até hoje uma característica marcante de seus trabalhos.

Outra particularidade de Bechara é a geometria. O carioca foi fortemente influenciado por Kasimir Malevich (1878-1935), um dos mais importantes pioneiros da arte geométrica abstrata, tendo fundado, em 1913, o Suprematismo. "Há alguns anos visitei uma retrospectiva de Malevich no The Metropolitan Museum of Art e me assustei. Vi ali um mundo pensado no começo do século passado. Foi o trabalho, a pesquisa, a investigação e a poesia dele que me moveram nessa direção, mas com um dado novo que é pensar a geometria como um indivídio que se esforça muito para emergir. Sim, a geometria é o topo da ciência que afirma o mundo, é precisa. Mas eu gosto de pensá-la como nós somos, humanos, cheios de falhas e imperfeições. A minha geometria sustenta peças que podem desmontar, vidros que podem quebrar, objetos depositados com gravidade e podem cair. Uma geometria com drama, esforçando-se para existir", diz o artista.

Posted by Patricia Canetti at 10:39 AM

outubro 6, 2019

Conversa com Marta Bogéa, Tiago Mesquista e Luis Antonio Jorge na Nara Roesler, São Paulo

A Galeria Nara Roesler convida para uma conversa sobre a exposição de Lucia Koch, Tumulto, Turbilhão, em exibição na sede paulista da galeria, com Marta Bogéa, Tiago Mesquita e Luis Antonio Jorge.

9 de outubro de 2019, quarta-feira, às 19h

Galeria Nara Roesler
Avenida Europa 655, Jardim Europa, São Paulo, SP

Sobre os convidados

Marta Bogéa | Arquiteta e Urbanista pela Universidade Federal do Espírito Santo (1987), mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1993) publicado sob titulo Two-way street: The Paulist Avenue flux and couter-flux of modernity pela San Diego State University Press (1993); doutora em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (2006). Professora no Departamento de Projeto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Tem experiência na área de Arquitetura e Arte, com ênfase em Teoria e Projeto, atuando principalmente nos seguintes temas: arquitetura, arte, cidade contemporâneas.

Tiago Mesquita | Crítico de arte e professor de história da arte. Doutor em filosofia pela Universidade de São Paulo, já publicou em periódicos como Revista Quatro cinco um, Novos Estudos Cebrap, Revista Fevereiro, Folha de S. Paulo e O Público (Lisboa). Publicou os livros “Imagem Útil, Imagem Inútil”, “Rodrigo Andrade: Resistência da matéria”, “Paulo Monteiro: O interior da distância” e “Cassio Michalany: Como anda a cor”.

Luís Antônio Jorge | Arquiteto e urbanista, mestre, doutor e livre-docente em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP, onde é professor do Departamento de Projeto e Pesquisador da Área “Projeto, Espaço e Cultura” do Programa de Pós-Graduação. Presidente da Comissão de Graduação da FAU-USP, foi professor-convidado da Universidad Autónoma Metropolitana do México, da Universitat Politècnica de Catalunya, da Universidade Técnica de Lisboa, da Universidade Eduardo Mondlane (Maputo), da Yokohama Graduate School of Architecture e do Politécnico di Milano. Autor do livro "O Desenho da Janela", recebeu 8 prêmios por seus ensaios, livro e projetos de arquitetura e urbanismo e 5 honrarias acadêmicas de formandos da FAU-USP.

Posted by Patricia Canetti at 12:30 PM

Entre o Aiyê e o Orun na Caixa Cultural, Salvador

A mostra reúne trabalhos de 14 artistas, ligados às narrativas mitológicas afro-brasileiras

Os mistérios e mitos que existem entre o céu e a terra são o tema da exposição Entre o Aiyê e o Orun, que estreia na Caixa Cultural (Rua Carlos Gomes 57, Centro, Salvador) no dia 9 de outubro, seguindo até 10 de novembro. Num mesmo espaço estarão reunidos trabalhos em técnicas diversas de 14 artistas, em cujas obras as narrativas mitológicas afro-brasileiras estão fortemente representadas. Pinturas, desenhos, esculturas, fotografias, instalações, vídeos, enfim, as mais variadas expressões, linguagens e técnicas dão forma à exposição. A mostra, que tem entrada franca, poderá ser visitada de terça a domingo, das 9h às 18h.

Sob a curadoria de Thais Darzé, fazem parte da mostra expoentes das artes plásticas como Agnaldo dos Santos (1926-1962), Carybé (1911-1997), Mario Cravo Jr. (1923-2018), Mario Cravo Neto (1947-2009), Mestre Didi (1917-2013), Pierre Verger (1902-1996), Rubem Valentim (1922-1991), Ayrson Heráclito, Caetano Dias, Emanoel Araújo, J. Cunha, Jayme Figura, José Adário e Nadia Taquary. “O eixo conceitual da exposição são os mitos da Criação do Mundo na visão afro-brasileira, dessa forma as obras selecionadas transitam por essa poética”, explica Thais.

Entre o Aiyê e o Orun tem como objetivo colocar em pauta a produção artística afro-brasileira influenciada pela cosmologia yorubana, num movimento de reconhecimento e valorização das nossas matrizes culturais. “Um traço em comum entre os artistas dessa mostra é transitarem no território do sagrado, sagrado esse silenciado, velado e perseguido durante séculos. Sabemos que as manifestações culturais de influência africana eram perseguidas, menosprezadas, e até mesmo proibidas até o início do século XX”, diz a curadora.

Por uma coincidência mística, talvez, sete dos artistas já fazem parte do Orun – que, em Yorubá, representa o eterno, o mundo espiritual, o espaço dos Orixás e Eguns –, e os outros sete estão no Aiyê, o mundo humano, material, segundo as tradições mitológicas afro-brasileiras. “Na visão de mundo afro-brasileira os questionamentos não encontram respostas filosóficas, pois na tradição africana a mitologia conta histórias que narram o início e a razão das coisas. Esses mitos, também chamados de itans dentro do universo cultural afro-brasileiro, formam uma vasta mitologia vinda da África, que criou o modo de ver, vivenciar e sentir o mundo de muitos brasileiros”, diz Thais Darzé.

Através dos trabalhos de nomes reconhecidos internacionalmente, a mostra parte de uma ampla pesquisa que visa à apresentação e ao cruzamento dessas produções, mostrando de que forma são cruciais na trajetória da arte contemporânea afro-brasileira. Além da relevância artística dos trabalhos expostos, ainda se destaca a diversidade de suportes e técnicas apresentadas, exaltando a diversidade da produção artística oriunda da Bahia, berço da cultura africana no Brasil.

O projeto da exposição Entre o Aiyê e o Orun foi aprovado pelo Programa de Ocupação dos Espaços da Caixa Cultural e é uma realização da Janela do Mundo em coprodução com a Hasta La Luna.

Sobre os artistas

Agnaldo dos Santos (Agnaldo Manuel dos Santos)
Ilha de Itaparica, Bahia (1926) - Salvador, Bahia (1962)
A obra de Agnaldo dos Santos é considerada no Brasil como uma continuidade da escultura africana. Antes de se dedicar à escultura, Agnaldo trabalhou como lenhador e fabricante de cal. Seu primeiro contato com o mundo artístico foi como ajudante e aprendiz no ateliê̂ de Mário Cravo Jr. Sua obra é essencialmente produzida a partir da madeira, com peças marcadas por uma grande variedade temática, que incluem a religiosidade afro-brasileira e temas católicos.

Ayrson Heráclito (Ayrson Heráclito Novato Ferreira)
Macaúbas, Bahia (1968)
Artista visual e curador, doutorando em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, professor do curso de Artes Visuais do Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB, Ayrson Heráclito tem uma obra que transita em linguagens como performance, fotografia e audiovisual, lidando com frequência com elementos da cultura afro-brasileira. Recentemente foi premiado pelo Festival de Arte Contemporânea Sesc-Videobrasil com residência artística na Raw Material, em Dakar, Senegal.

Caetano Dias (Alberto Caetano Dias Rodrigues)
Feira de Santana, Bahia (1959)
O início da carreira artística de Caetano Dias foi marcado pela participação no Grupo Interferências, com realização de murais em espaços públicos em Salvador. Desde 1995, ministra curso de pintura nas oficinas do Museu de Arte Moderna da Bahia - MAM/BA (Salvador BA). Atualmente, sua obra não privilegia um único suporte ou técnica, trabalha com vídeo, pintura, obras tridimensionais, instalação multimídia e fotografia digital.

Carybé (Hector Julio Páride Bernabó)
Lanús, Argentina (1911) - Salvador, Bahia (1997)
Pintor, gravador, desenhista, ilustrador, mosaicista, ceramista, entalhador e muralista, Carybé é um dos grandes nomes das artes plásticas nacionais, retratando a Bahia, sua gente, cultura, costumes e a religiosidade, com o traço inconfundível. Em 1943 realizou sua primeira exposição individual na Galeria Nordiska Kompainiet, em Buenos Aires. Mudou-se para Salvador em 1950 onde participou ativamente do movimento de renovação das artes plásticas, ao lado de Mario Cravo Júnior (1923-2018), Genaro de Carvalho (1926-1971) e Jenner Augusto (1924-2003). Em 1957, naturalizou-se brasileiro. Foi grande parceiro de Jorge Amado e Pierre Verger, ilustrando seus livros.

Emanoel Araújo
Santo Amaro da Purificação, Bahia (1940)
Pintor, desenhista, gravurista e escultor, Emanoel Araújo nasceu numa tradicional família de ourives. Aprendeu marcenaria, linotipia e estudou composição gráfica na Imprensa Oficial de Santo Amaro da Purificação. Fez sua primeira exposição individual em 1959, em Santo Amaro da Purificação. Mudou-se para Salvador na década de 60 e ingressou na Escola de Belas Artes da Bahia (UFBA), onde estudou gravura com Henrique Oswald (1918-1965). Foi diretor do Museu de Arte da Bahia , de 1981 a 1983 e em 1988 lecionou artes gráficas e escultura no Arts College, na The City University of New York. Durante dez anos, de 1992 a 2002 foi diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo e dois anos depois fundou o Museu Afro Brasil, do qual é o atual diretor curatorial.

J. Cunha (José Antônio Cunha)
Salvador, Bahia (1948)
Nascido em Salvador em 1948, J. Cunha iniciou seus estudos aos dezoito anos no curso livre da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Artista plástico, designer gráfico, cenógrafo e figurinista, participou de importantes bienais de artes plásticas e de exposições individuais e coletivas. Seu trabalho se caracteriza pelo mergulho no imaginário das culturas afro-indígenas e popular nordestina brasileira, através da pesquisa, assimilação e transformação num universo próprio, mítico e mágico, simbólico e intuitivo. J. Cunha tem ainda o seu nome definitivamente vinculado ao carnaval, por haver criado e assinado a concepção visual e estética do bloco Ilê Aiyê durante 25 anos, além de decorações temáticas para o carnaval de rua de Salvador.

Jayme Figura (Jaime Andrade Almeida
Cruz das Almas, Bahia (1951)
Artista gráfico, pintor, escultor, desenhista, instalacionista, performático, Jayme Figura é conhecido em Salvador, principalmente nas ruas do Centro Histórico, por onde anda sempre com suas indumentárias performáticas, provocando reações diversas em quem o vê, de adultos a crianças. Autodidata, atuou como artista gráfico em algumas gráficas da cidade. Começou as atividades artísticas no início da década de 1980 e desde 1994, mantêm um atelier à Ladeira do Carmo, no Centro Histórico. Jayme figura ainda tem na sua biografia atuações como cantor, músico, letrista e poeta.

Mario Cravo Jr.
Salvador, Bahia, (1923-2018)
Escultor, gravador, desenhista e professor, Mario Cravo Jr. nasceu de família abastada, filho de um próspero fazendeiro e comerciante. Apesar de suas primeiras esculturas datarem de 1938, só em 1947 realizou sua primeira exposição individual, em Salvador. Neste mesmo ano foi aceito como aluno especial do escultor iugoslavo Ivan Mestrovic (1883-1962) na Syracuse University, no Estado de Nova York, Estados Unidos. De 1947 a 1949 viveu na cidade de Nova York e, de volta a Salvador, instalou ateliê no Largo da Barra, que logo se tornou ponto de encontro de artistas como Carlos Bastos (1925-2004), Genaro de Carvalho (1926-1971) e Carybé (1911-1997). Foi professor da Escola de Belas Artes da UFBA e diretor do Museu de Arte da Moderna da Bahia (MAM/BA), de 1966 a 1967. Em 1981 coordenou a implantação do curso de especialização em gravura e escultura da Escola de Belas Artes da UFBA. Doou várias obras para o Estado da Bahia, que passaram a compor o acervo do Espaço Cravo, localizado no Parque Metropolitano de Pituaçu, em Salvador.

Mario Cravo Neto
Salvador, Bahia, (1947–2009)
Premiado fotógrafo, escultor e desenhista, Mario Cravo Neto recebeu de seu pai, Mario Cravo Jr., as primeiras orientações no campo do desenho e da escultura. Acompanhando o pai, que participou do programa Artists on Residence, patrocinado pela Ford Foundation, viajou para Berlim em 1964. Em 1968, mudou-se para Nova York, onde estudou na Arts Students League, com orientação de Jack Krueger, um dos precursores da arte conceitual na cidade. São deste período a série de fotografias em cores On the Subway e suas primeiras esculturas de acrílico. De volta ao Brasil, começa a dedicar-se à fotografia de estúdio, cria instalações e realiza trabalho fotográfico com temática relacionada ao candomblé e à religiosidade católica.

Mestre Didi (Deoscóredes Maximiliano dos Santos)
Salvador, Bahia (1917-2013)
Escultor e escritor, Mestre Didi começou a executar objetos rituais desde a infância, aprendendo a manipular, com os mais antigos, materiais, formas e objetos do culto orixá Obaluaiyê. Entre 1946 e 1989, publicou livros sobre a cultura afro-brasileira, alguns com ilustrações de Carybé. Em 1966, viajou para a África Ocidental, onde realizou pesquisas comparativas entre Brasil e África, contratado pela Unesco. Nas décadas de 60 a 90, participou de congressos, no Brasil e no exterior, como membro de institutos de estudos africanos e afro-brasileiros e como conselheiro desta temática. Em 1980, fundou e presidiu a Sociedade Cultural e Religiosa Ilê Asipá do culto aos ancestrais Egun, em Salvador.

Nadia Taquary
Salvador, Bahia (1973)
As esculturas, objetos-esculturas, instalações e videoinstalações de Nadia Taquary revelam uma investigação artística de uma poética relativa à história do Brasil, através de um olhar contemporâneo sobre a tradição, a herança africana e a ancestralidade. São obras criadas com uma mistura de madeira de demolição ou de origem certificada, ouro, prata, contas, figas, pastilhas de coco, búzios, palhas e miçangas, entre outros materiais e que retratam a cultura religiosa afro-baiana, sua história e identidade, a partir de uma pesquisa pela ourivesaria colonial, os balangandãs das escravas, as joias de crioulas e os adornos corporais africanos. Foi a partir deste encontro com a história baiana, deste conhecimento ancestral, que a artista iniciou seu percurso como escultora. Nadia é graduada em Letras pela UCSAL e pós-graduada em Educação, Estética, Semiótica e Cultura pela EBA-UFBA. Fez sua primeira individual em 2011, no Museu Carlos Costa Pinto em Salvador.

Pierre Verger (Pierre Edouard Léopold Verger)
Paris, França (1902) - Salvador, Bahia (1996)
Fotógrafo, etnólogo, antropólogo, escritor, Pierre Verger aprendeu a fotografar com Pierre Boucher (1908-2000), em 1932, quando adquire sua primeira Rolleiflex. Percorreu diversos países e colaborou com jornais e revistas europeus e americanos. Mudou-se em 1946 para Salvador, onde passou a se dedicar ao estudo da religião e cultura negra da África e do Brasil, tema do qual é um dos mais respeitados especialistas e autor de diversos livros. Torna-se um iniciado no culto de divinação no Benin, com o insigne título de Fatumbi (renascido na graça de Ifá). Após 1946, concentra seu estudo na cultura iorubá e passa a fixar suas observações por escrito, passando de fotógrafo a escritor e etnólogo. Desde 1989, a Fundação Pierre Verger conserva seus 62 mil negativos, sua vasta biblioteca, seu arquivo pessoal e se encarrega da difusão de seu legado antropológico e fotográfico.

Rubem Valentim
Salvador, Bahia (1922) - São Paulo (1991)
Primeiro filho de seis de uma família pobre, Rubem Valentim nasceu num sobrado na Rua Maciel de Baixo, 1922. Formou-se em Odontologia, profissão que abandonou para dedicar-se à pintura em 1948. Em 1957 transferiu-se para o Rio de Janeiro e em 1962 conquistou o Prêmio de Viagem à Europa no Salão Nacional de Arte Moderna e Pequena Medalha de Ouro no Salão Paulista de Arte Moderna. Em 1994, o Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, montou uma grande retrospectiva de sua obra e, recentemente, sua obra foi objeto de salas especiais (1996, Bienal de São Paulo; 1998, Parque de Esculturas do Museu de Arte Moderna da Bahia) e de duas novas retrospectivas, na Pinacoteca do Estado de São Paulo (2001) e no Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro (2002).

Zé Diabo (José Adário dos Santos)
Cachoeira, Bahia, 1949
O ferramenteiro de santo da Bahia, José Adário dos Santos – mais conhecido como Zé Diabo –, se dedica a este ofício desde que chegou em Salvador, vindo de Cachoeira, aos dez anos de idade. O trabalho é todo feito à mão, o ferro é batido no fogo. Com 70 anos de idade, sendo 59 deles dedicados à profissão, o ferramenteiro coleciona muitas histórias. É do tempo em que Carybé e Pierre Verger frequentavam sua oficina para produção de ferramentas de Ogum e Oxóssi, que seriam levadas para o axé de Mãe Senhora, terceira Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá. Também é da sua oficina que saem os agogôs dos Filhos de Gandhy.

Posted by Patricia Canetti at 9:58 AM

outubro 3, 2019

Rafael Vogt Maia Rosa na São Paulo Flutuante, São Paulo

Rafael Vogt Maia Rosa apresenta sua primeira exposição autoral, a partir de 10 de outubro, na Galeria São Paulo Flutuante

Em “Senhor das Nuvens”, o crítico de arte e curador reúne 70 aquarelas e vídeos, que abordam a relação entre natureza e cultura na arte contemporânea

Suas paisagens imaginárias são inspiradas no que ele chama “restauro da beleza natural”

O crítico de arte e curador Rafael Vogt Maia Rosa apresenta sua primeira exposição autoral, Senhor das Nuvens, entre os dias 10 de outubro e 14 de novembro de 2019, na Galeria São Paulo Flutuante. A mostra reúne um conjunto de 70 aquarelas e vídeos, realizado nos últimos quatro anos, abordando as relações entre natureza e cultura na arte contemporânea.

As aquarelas de Vogt Maia Rosa foram descobertas pela galerista Regina Boni recentemente. São, na maioria, paisagens imaginárias e inspiradas no que o artista chama “restauro da beleza natural”, em um momento especialmente crítico para política ambiental brasileira. Elas apresentam também figuras humanas nuas e pássaros, elementos pesquisados por Rafael desde seu estágio como artista convidado na Yale School of Drama, nos EUA.

“A técnica da aquarela, tipicamente das que se apreende e não se ensina, me foi transmitida por meus pais, junto à Pedagogia Waldorf. Acredito que a hipótese do artista alemão Joseph Beuys esteja certa, na medida em que cada homem é um artista e que todos, portanto, o sejamos”, diz o curador e artista. Para ele, a aquarela se distingue da pintura a óleo por uma relação mais direta com a natureza líquida da água. “Ela permite ao artista lançar a sua sorte e pensar seu percurso a partir do automatismo e do acaso, tal como em oráculos mais tradicionais como o I Ching”.

Além das aquarelas, a exposição traz experiências sonoras e vídeos sobre o carácter oracular do fazer artístico. “Acredito que uma das principais funções da arte seja nem tanto a de afirmar identidades artísticas, mas de lançar perguntas a respeito de quem nós somos ”, explica Vogt Maia Rosa.

SOBRE O ARTISTA

Rafael Vogt Maia Rosa (São Paulo, 1974) é crítico de arte, curador, dramaturgo e músico. Graduado em Linguística, mestre e doutor em literatura comparada pela USP, foi, por duas vezes, pesquisador e artista convidado na Yale University, nos EUA, entre 2010 e 2015. Trabalhou na Bienal de São Paulo e no jornal Folha de S. Paulo e integrou o Círculo de Dramaturgia do CPT de Antunes Filho. Foi também professor de teoria da arte na Faculdade Santa Marcelina e ministrou cursos livres de arte em museus e instituições como Museu de Arte Moderna de São Paulo, Sesc, Instituto Tomie Ohtake, entre outros.

Atualmente assina a curadoria “Abertura 1980” em cartaz no Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto e já publicou ensaios e entrevistas com escritores e artistas como Alan Pauls, Robert Storr, Nelson Leirner e Tunga.

SOBRE A GALERIA

Regina Boni, figurinista da Tropicália e uma das principais galeristas de São Paulo nos anos 1980 e 1990 – ajudou a alavancar carreira de artistas como Luiz Paulo Baravelli, Wesley Duke Lee, José Resende –, resolveu voltar à cena no final de 2018.

Ela alugou temporariamente um imóvel na Rua Estados Unidos, nos Jardins – mesma rua onde ficava sua antiga galeria São Paulo, fechada em 2002— e inaugurou a São Paulo Flutuante.

No novo espaço, apresenta nomes pouco conhecidos e trabalha com preços de até R$ 12 mil reais. “Sinto-me desafiada pelos rumos desse mercado, em suas vertigens de valores abusivos e curadores estelares, distanciados dos caminhos mais soberanos da criação”, afirma Regina.

Já foram apresentadas exposições de Ucho Carvalho, Fernando Barata, Rodrigo Sombra e Manu Maltez, além de uma mostra em homenagem aos 80 anos de Sergio Mamberti.

Posted by Patricia Canetti at 12:30 PM

Carlos Motta na Vermelho, São Paulo

A Vermelho apresenta, de 8 de outubro a 10 de novembro, Carlos Motta: Nós, X inimigx, a 1ª exposição individual do artista no Brasil.

Através de vídeos, fotografias, esculturas e instalações, Carlos Motta aborda e documenta criticamente as condições sociais e as lutas políticas históricas e atuais das minorias sexuais, de gênero e étnicas, a fim de desafiar os discursos dominantes e normativos por meio da visibilidade e da auto-representação.

Entre as principais características do trabalho de Carlos Motta está a exposição de histórias historicamente suprimidas de indivíduos e comunidades de sexo e gênero desconformes, na tentativa de produzir contra-narrativas que reconheçam relatos não-hegemônicos da história. Em Nós, X inimigx, Motta contrasta histórias de repressão sexual e de gênero históricas e contemporâneas para desafiar as convenções narrativas, seus termos e formas de representação e a escrita da história.

Corpo fechado: a obra do diabo

O filme de 2018 conta a história de José Francisco Pereira, que foi sequestrado e vendido como escravo no século XVIII. Pereira foi levado de Uidá (atual Republica do Benim, na África ocidental) para o Pernambuco, no Brasil, onde recorreu ao sincretismo como meio de sobrevivência. Vendido a um senhor de escravos em Portugal, Pereira foi descoberto fabricando amuletos para seus companheiros escravizados, as chamadas bolsas de mandinga. Em 1731, Pereira foi julgado pela Inquisição de Lisboa por feitiçaria. Além da condenação por feitiçaria, Pereira confessou ter feito pactos e copulado com demônios masculinos, o que o levou a uma condenação por sodomia. José Francisco Pereira foi então condenado a permanecer nas galés como um remador escravizado e ao exílio, sendo proibido de entrar em Lisboa para sempre.

O roteiro do filme baseia-se nos documentos de julgamento de Pereira, na Carta 31 de São Pedro Damião - O Livro de Gomorra, e em ‘Teses sobre o conceito de história’, de Walter Benjamin. Escrita pelo monge reformista italiano Pedro Damião, a ‘Carta 31’ contém o tratamento mais extenso e condenatório sobre pederastia e práticas homoeróticas. Como escreve o historiador de arte Jack McGrath em seu ensaio para Conatus, realizada por Motta em Nova Iorque, “O discurso do sodomita também desempenhou um papel central no colonialismo europeu, um tema que Motta explorou extensivamente em obras anteriores em vídeo como Trilogia Nefandus (2013) e na instalação Rumo a uma historiografia homoerótica (2014), entre outras”.

Teses sobre o conceito de história é composto por 18 teses onde Walter Benjamin expõe criticamente as convenções do historicismo. Benjamin propõe uma abordagem aberta da história, propondo a construção de diferentes resultados para o futuro por meio da ação dos derrotados, opondo-se, portanto, à ideia de que o futuro é o resultado da evolução histórica do progresso econômico e científico. Segundo McGrath, “Em Corpo fechado, Pereira encarna o anjo da história de Benjamin, um querubim surpreendido por uma tempestade vinda do Paraíso, propulsionado inexoravelmente ao futuro, mas com o rosto voltado para trás, condenado a ver apenas os escombros do passado. [...] o filme de Motta reúne figuras pouco conhecidas como Pereira e Damião, resgatados de arquivos de um passado distante para uma história de migração, raça, sexualidade, lei e fé, cuja urgência contemporânea reestrutura as condições do presente.”


Corpo Fechado — The Devil's Work, 2018 from Carlos Motta on Vimeo.

Eu marco minha presença com minhas próprias crenças: uma entrevista com Paulo Pascoal

No vídeo, Carlos Motta entrevista Paulo Pascoal, que interpreta José Francisco Pereira em Corpo fechado. Pascoal tem reconhecida carreira em Angola, seu país natal. Após assumir sua homossexualidade em uma conferência do TEDxLuanda Pascoal foi vítima de uma série de ameaças de morte, o que o levou a migrar para Portugal. Em Lisboa, onde reside atualmente, Pascoal se vê preso em uma espécie de limbo imigratório, sendo incapaz de voltar a entrar em Portugal, caso saia. Como escreveu McGrath, “a biografia do ator ecoa, assim, a vida de seu personagem, mutatis mutandis, cruzando oceanos tanto de água quanto de tempo na completude espectral do método histórico de Benjamin”


I Mark My Presence with My My Own Beliefs: An Interview with Paulo Pascoal from Carlos Motta on Vimeo.

Corpo fechado: Retrato de José Francisco Pedroso com sua “bolsa de mandinga”

O díptico de retratos de José Francisco Pedroso (2019) - um homem africano escravizado que, juntamente com José Francisco Pereira, criou e distribuiu bolsas de mandinga - faz parte da série de obras contextuais de Corpo fechado: a obra do diabo. Carlos Motta colaborou com o ator luso-guineense Welket Bungué para criar esse retrato, onde Bungué usa uma bolsa de mandiga oferecida a ele por sua mãe.

Corpo fechado

Corpo fechado (2019) é composto por uma série de chicotes antigos (comprados por Motta de obscuros vendedores no e-Bay) fundidos em bronze e esculpidos de forma que seus movimentos pareçam um instante congelado. Essas peças também fazem parte da série de objetos esculturais e fotográficos que conversam com o filme Corpo fechado: a obra do diabo. Como no filme, há uma inversão no manuseio do chicote, quando é empunhado por José Francisco Pereira, um homem oprimido que agora empodera-se: os instrumentos de punição aqui são ressignificados, aproximando-se das práticas BDSM, onde prazer e dor se confundem e as relações de poder e submissão nada mais são do que consensuais.

Midway upon the journey of our life I found myself within a forest dark / For the forward pathway had been lost
[Da nossa vida, em meio da jornada, achei-me numa selva tenebrosa / Tendo perdido a verdadeira Estrada]
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Senhor morto

Esta série é composta por um conjunto de fotografias de figuras mascaradas que manipulam cobras. Assim como o conjunto de chicotes de Corpo fechado, as imagens são reminiscentes de práticas de fetiches gay associadas a "desvios sexuais". Ou, como colocou Jack McGrath, “Lustrosas e dissolutas, escuras e ilusórias, as penumbras das fotografias de Motta são dispostas em torno de um deus morto, o Senhor morto, submerso no centro. Motta criou a efígie de bronze à imagem de uma escultura de madeira do século XVIII, da coleção do Museu Afro Brasil de São Paulo, um objeto eclesiástico feito por artesãos que trabalhavam em submissão colonial. Como artefato de exploração, a obra acusa a arte e a religião que serviam ao sistema colonial. Como Benjamin colocou em O anjo da história, “não há documento da civilização que não seja ao mesmo tempo um documento da barbárie”. As sombras contemplam o deus submerso como um júri sombrio, revertendo a ordem do Julgamento.”

We the enemy [Nós, o inimigo]

We The Enemy (2019) é composta por um conjunto de 40 esculturas em bronze baseadas em representações do diabo que foram extraídas da história da arte: de pinturas históricas que retratam Satanás no inferno, desenhos, ilustrações e esculturas que se relacionam com a imaginário do mal encarnado. As figuras desafiam os padrões morais normativos de beleza, respeitabilidade e comportamento. Nesse exército de demônios, há personagens que sugerem desvios e perversões sexuais - como tipificado pela imaginação católica tradicional.

We The Enemy Spit! (Sodomite, Inverts, Perverts Together!)

Spit! (Sodomite, Inverts, Perverts Together!) é um coletivo formado em 2017 por Carlos Motta, pelo escritor John Arthur Peetz e pelo artista Carlos Maria Romero. Spit! escreveu uma série de manifestos cuir inicialmente performados no Frieze projects, London. No vídeo de 2019, a artista grega Despina Zacharopoulos performa We The Enemy, um compêndio de gírias depreciativas e insultos a pessoas cuir. Ditos por Zacharopoulos com orgulho desafiador, esses termos são reapropriados, tornando-se palavras de ordem ou uma espécie de chamamento aos “sem-poder”.


WE THE ENEMY by SPIT! from Carlos Motta on Vimeo.

Corpo fechado

Outra das peças do ciclo Corpo fechado, é um chicote antigo de crina de cavalo emoldurado como uma relíquia fetichista. A apresentação do chicote invoca os quadros usados por David Wojnarowicz em sua série Sex Series. O trabalho desse artista multificiplinar - cujo ativismo e conteúdo político explícito em torno das desigualdades sociais e legais, e em resposta à epidemia de AIDS - influenciou Motta.

Self-Portrait with Whip (after Robert Mapplethorpe’s Self-Portrait with Whip, 1978)
[Autorretrato com chicote (após Self-Portrait with Whip, 1978, de Robert Mapplethorpe)]

Carlos Motta reencena o infame auto-retrato de Robert Mapplethorpe, no qual o artista é retratado com um chicote no ânus, como um rabo de animal. Na versão de Motta, a imagem é escurecida quase à invisibilidade, como um espelho escuro, desafiando o olhar dos espectadores e refletindo-os em sua superfície.

Untitled Self-Portrait # 3 [Sem título Autorretrato # 3]

O espelho também aparece no Autorretrato Sem título # 3, onde Motta aparece lamentoso e firme simultaneamente, com o pulso cerrado, resiliente, e a cabeça pensa sobre uma superfície espelhada. Como adverte Jack McGrath: “Às vezes, olhar no espelho é enxergar os malfeitores da história novamente projetando-se de soslaio para fora, e o progresso verdadeiro requer coragem para criticar até a si mesmo”.

Fachada: Formas da liberdade: Triângulo

Em sua oitava instauração, o mural instalado na fachada da galeria examina os desenvolvimentos políticos do ativismo sexual e de gênero. Formas da liberdade revisita a história do triângulo rosa e de outros emblemas da diversidade sexual. Ao enfatizar a importância de processos coletivos avança-se as noção de liberdade social. O mural é acompanhado por uma linha do tempo histórica, listando momentos importantes da história LGBTQI + no Brasil e no exterior, desenvolvidos em colaboração com Guilherme Altmayer.

Sala Antonio: Legacy [Legado]

Este vídeo apresenta uma performance de resistência de 30 minutos feita por Carlos Motta para a câmera. Legacy mostra o artista olhando diretamente para a câmera enquanto ele usa uma mordaça dentária, enquanto ele tenta ler uma linha do tempo do HIV / AIDS, de 1908 a 2019, ditada a ele pelo radialista norte-americano Ari Shapiro. Incapaz de falar com clareza, lutando para se lembrar das falas e contra a dor, o artista se esgota gradual e visivelmente. Esta pesquisa foi realizada em colaboração com Ted Kerr.

Sobre Carlos Motta

Motta foi o tema das exposições antológicas: Carlos Motta. Formas de libertad no Museu de Arte Moderna de Medellín (MAMM), Colômbia (2017), que viajou para Matucana100, Santiago, Chile (2018); e Carlos Motta: For Democracy There Must Be Love em Röda Sten Konsthall, Gotemburgo, Suécia (2015). Suas exposições individuais em museus internacionais incluem The Crossing (2017), Stedelijk Museum, Amsterdã; Histories for the Future (2016), Museu de Arte Pérez (PAMM), Miami; Réquiem (2016), Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (MALBA) (2016); ); Patriots, Citizens, Lovers… (2015), PinchukArtCentre, Kiev; Gender Talents: A Special Address (2013), Tate Modern, Londres; La forma de la libertad (2013), Sala de Arte Pública Siqueiros, México; ; We Who Feel Differently (2012), New Museum, Nova York; ; Brief History (2009), MoMA / PS1, Nova York; e The Good Life (2008), Instituto de Arte Contemporânea (ICA), Filadélfia; entre outros.

Participou de Incerteza Viva, 32ª Bienal de São Paulo (2016); A Story Within A Story, Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Gotemburgo (2015); Burning Down the House, Bienal X Gwangju (2014); e Le spectacle du quotidian, X Lyon Biennale (2010). Seus filmes foram exibidos no Festival de Roterdã (2016, 2010); Festival Internacional de Cinema de Toronto (2013); e Internationale Kurzfilmtage Winterthur (2016); entre muitos outros.

Ele venceu o Vilcek Foundation’s Prize for Creative Promise (2017); o PinchukArtCentre’s Future Generation Art Prize (2014); a Guggenheim Fellowship (2008); e recebeu bolsas da The Art Matters Foundation (2008), do The New York State Council for the Arts (NYSCA) (2010); The Creative Capital Foundation; and The Kindle Project (2012).

Seu trabalho está na coleção permanente do Metropolitan Museum of Art (MET), Nova York; O Museu de Arte Moderna (MoMA), Nova York; Museu Guggenheim, Nova York; Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madri; Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA); Museu Fundaçao de Serralves, Porto; e Museu de Arte do Banco da República, Bogotá; entre muitas outras coleções institucionais, corporativas e privadas.

Carlos Motta se formou no Programa de Estudos Independentes do Museu Whitney (WISP), Nova York; ele possui um mestrado em Belas Artes (MFA) da Escola de Artes Milton Avery no Bard College, Annandale-on-Hudson, Nova York; e Bacharel em Belas Artes (BFA) pela Escola de Artes Visuais (SVA), Nova York. Motta foi nomeado Professor Associado de Prática Interdisciplinar no Departamento de Belas Artes da Pratt University em 2019.

Posted by Patricia Canetti at 11:31 AM

Espaço N.O. 40 anos ̶ Arquivos de uma experiência coletiva no MARGS, Porto Alegre

MARGS inaugura exposição sobre os 40 anos de criação do Espaço N.O.

Concebido para difusão e intercâmbio entre outros meios artísticos, o Espaço N.O. constitui uma das mais importantes e históricas experiências de espaço coletivo e autogestionado em Porto Alegre

Em funcionamento entre 1979 e 1982, na Galeria Chaves, a iniciativa privilegiou práticas artísticas experimentais como instalação, performance, arte-postal, fotocópias, carimbos e publicações de artistas Exposição do MARGS resgata o legado do Espaço N.O. a partir de arquivos que registram e ajudam a ativar a sua memória, articulando no espaço expositivo documentos, publicações e imagens fotográficas

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) inaugura na próxima quarta-feira, 9 de outubro de 2019, das 18h às 21h, a exposição “Espaço N.O. Arquivos de uma experiência coletiva, que apresenta um resgate de uma das mais importantes, emblemáticas e históricas experiências de espaço coletivo, multidisciplinar e autogestionado mantido por artistas em Porto Alegre.

Com pesquisa e curadoria de Fernanda Medeiros, curadora-assistente do MARGS, e do diretor-curador Francisco Dalcol, a mostra traz um diferencial: estrutura-se a partir de um acervo de arquivos, articulando no espaço expositivo dezenas de documentos, publicações e registros fotográficos.

Além desses itens apresentados na Galeria Iberê Camargo, a exposição complementa-se por três estratégias que se interrelacionam, de modo a ampliar e intensificar a experiência proporcionada ao público: 1) apresentação de itens da mostra já à entrada do museu, nas paredes do foyer, 2) disponibilização de publicações relacionadas na sala do Núcleo de Documentação e Pesquisa do MARGS para serem manuseadas pelo público e 3) uma resposta da mostra em exibição “Acervo em movimento”, que por meio do seu modelo de rotatividade de obras, passa a apresentar agora em sua nova virada trabalhos de artistas atuantes no Espaço N.O. pertencentes ao acervo do museu. (Leia os detalhes mais abaixo e no texto curatorial).

Em funcionamento entre 1979 e 1982, em uma sala da Galeria Chaves, no Centro de Porto Alegre, o Espaço N.O. — Centro Alternativo de Cultura foi criado e administrado por um grupo de artistas que se reuniu com o objetivo de promover um ponto de encontro, divulgação e legitimação de manifestações artísticas mais experimentais, estabelecendo também intercâmbios com artistas de fora. Nesse sentido, enfatizavam a investigação da linguagem e o emprego de novos meios, suportes, materiais e possibilidades expressivas, como a arte-postal, a arte-xerox, a performance e as instalações; ao mesmo tempo em que exploravam a interrelação das artes visuais com a dança, o teatro, a música e a literatura. Além de exposições, o Espaço N.O. realizou atividades como leituras dramáticas, peças teatrais, projeções de filmes, debates e palestras, atividades musicais, concertos, cursos de expressão corporal, dança e teatro.

Entre os artistas visuais que atuaram no Espaço N.O. estão Ana Torrano, Carlos Wladimirsky, Cris Vigiano, Heloísa Schneiders da Silva, Karin Lambrecht, Mário Röhnelt, Milton Kurtz, Regina Coeli, Ricardo Argemi, Rogério Nazari, Sergio Sakakibara, Simone Michelin Basso, Telmo Lanes e Vera Chaves Barcellos. Alguns eram remanescentes dos grupos Nervo Óptico (atuante entre 1976 e 1978, Lanes e Vera Chaves) e do KVHR (atuante entre 1977 e 1980, Röhnelt e Kurtz), enquanto os demais procediam do Instituto de Artes da UFRGS ou eram artistas vinculados ao teatro, à música e a experiências em arte-postal e arte-xerox.

Nas palavras dos curadores: “Além de divulgar as produções individuais — e por vezes coletivas — de seus integrantes e de outras manifestações artísticas da cena local, o Espaço N.O. também priorizava estabelecer contato e intercâmbios com outros circuitos artísticos, em escala nacional e internacional. Assim, promoveu exposições e ações de artistas como Bené Fonteles, Carmela Gross, Genilson Soares, Hélio Oiticica, Hudinilson Jr., Jayme Bastian Pinto Júnior, Marcello Nitsche, Paulo Bruscky, Regina Vater, Ulises Carrión e 3NÓS3 (Hudinilson Jr., Mario Ramiro e Rafael França). Também trouxe para palestrar em Porto Alegre relevantes nomes da crítica de arte no Brasil, a exemplo de Aracy Amaral e Frederico Morais, que reconheciam e endossavam a produção experimental. E entre as ações realizadas fora, destacam-se as exibições coletivas apresentadas pelo grupo na 16ª Bienal de São Paulo e na Pinacoteca do Estado São Paulo, ambas em 1981”, escrevem os curadores. Outro aspecto destacado pela curadoria é o objetivo de estabelecer intercâmbios com outros meios: “Por fazerem do Espaço N.O. um modo de atuação, seus participantes estabeleceram também um modo de funcionamento, com estratégias para exibir, circular e intercambiar. Muito disso vinha da própria experiência e princípios da arte-postal. Exposições de artistas de fora se tornavam possíveis e viáveis porque, em diversos casos, os artistas não vinham a Porto Alegre. Os trabalhos a serem apresentados eram enviados ao Espaço N.O. pelos Correios, com instruções para montagem e apresentação”, escrevem no texto curatorial.

A exposição “Espaço N.O. no Arquivos de uma experiência coletiv ” procura resgatar e pontuar o legado dessa breve e intensa história, a partir de arquivos que registram e ajudam a ativar essa memória. Segundo os curadores:

““Espaço N.O. a os Arquivos de uma experiência coletiva” é uma exposição que procura resgatar e pontuar o legado dessa breve e intensa história, a partir de arquivos que registram e ajudam a ativar essa memória. Ao levarmos em conta o próprio caráter processual da produção em questão — na qual muitas vezes obra e documento se indiferenciam — e o fato de que, a rigor, a experiência consistiu mais em um espaço de atuação e exibição do que em um acervo de objetos artísticos, a curadoria fez uma opção ao privilegiar os seus arquivos do que está colocado em causa na exposição”, escrevem no texto curatorial. Esse arquivo reunido procede em sua maior parte do Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Vera Chaves Barcellos, que guarda a documentação original constituída ainda durante as atividades do grupo. Complementam a exposição arquivos de artistas atuantes no Espaço N.O., além de itens do acervo documental do Núcleo de Documentação e Pesquisa do MARGS, cuja sala onde funciona no museu também integra a exposição, ao apresentar documentos e materiais manuseáveis à disposição do público. Nas palavras dos curadores:

“Outras duas estratégias também se interligam à exposição, ampliando-a. Enquanto no foyer apresentamos já à entrada do museu alguns documentos sobre o Espaço N.O., na Sala Aldo Locatelli a exposição “Acervo em movime to”, que opera com um modelo de rotatividade de obras do acervo, responde à mostra documental sobre o Espaço N.O. complementando-a com a entrada de trabalhos de artistas atuantes que pertencem à coleção do MARGS. São obras, contudo, que não correspondem precisamente ao período do Espaço N.O., mas que são representativas da presença desses artistas no acervo do museu”, escrevem os curadores.

Os curadores também ressaltam o investimento em uma exposição do tipo documental. “Este é mais um projeto curatorial da atual gestão a explorar uma certa arqueologia do arquivo, a partir da mobilização de documentos que têm sido levados e articulados no espaço expositivo como modo de enriquecer e intensificar as experiências proporcionadas pelas nossas exposições. Desta vez e neste caso, atribuindo aos arquivos um protagonismo total, mas não sem o desafio que essa opção traz quanto a realizar uma exposição sobre um episódio da história artística somente e a partir de seus documentos”, escrevem os curadores, escrevem no texto curatorial.

Posted by Patricia Canetti at 10:28 AM

outubro 2, 2019

Julha Franz na Ecarta, Porto Alegre

É o primeiro projeto expositivo individual de Julha Franz e reúne conjunto inédito de vídeo-performances e instalações produzidas neste ano

Na quinta-feira, 10 de outubro, acontece a abertura da exposição Antes do Grito, da artista Julha Franz, na Galeria Ecarta, espaço dedicado à arte contemporânea e à difusão artística no Rio Grande do Sul. É a primeira mostra individual da artista, com trabalhos iniciados em projeto de pesquisa da New York University, conjugando estratégias da alta cultura com o entretenimento vulgar. A curadoria é de Henrique Menezes.

Julha é finalista da Big Awards Competition, premiação que ocorre na Barcelona Art Week (Swab), e uma das convidadas da New York University, instituição que seleciona grupos de performers e ativistas do mundo para potencializar a expressão política de suas respectivas obras. O trabalho da artista une a dimensão social da performance com a celebração da estética drag & queer. De acordo com o curador, os figurinos glamourosos, a gestualidade exagerada e a dublagem caricata constroem uma dramaturgia kitsch empoderada, na qual sobrepõem-se ecos que vão do teatro do absurdo à linguagem dos videoclipes.

A abertura inicia às 19h e Antes do Grito traz um conjunto inédito de vídeo-performances e instalações produzidas em 2019. A visitação pode ser realizada até 24 de novembro, com entrada franca.

Julha Franz (Porto Alegre, 1993) - artista visual e performer com passagem pela New York University, onde cursou o programa Emerge NYC, oferecido pelo Hemispheric Institute of Performance and Politics, em 2019. Realizou a exposição Layers of Erasure, no AC Institute, também em Nova Iorque, em parceria com a artista argentina Natacha Voliakovsky. Participou de residências artísticas em Veneza (2017), durante a Venice International Performance Art Week, em Buenos Aires (2015), no Club Cultural Matienzo, e, em 2014, também em Buenos Aires, na La Paternal Espacio Proyecto. Integrou exposições coletivas e festivais de performance, como o Itinerant Festival, realizado anualmente em Nova Iorque (2019) e o Verbo, na galeria Vermelho, em São Paulo, da qual esteve presente em duas edições seguidas. Foi indicada ao Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea 2018.

Henrique Menezes (Porto Alegre, 1987) - curador independente, membro do Comitê de Curadoria e Acervo do Museu de Arte Contemporânea (Mac-RS) e do Comitê Curatorial da Ecarta. Entre 2018 e 2019, atuou como curador assistente na Fundação Iberê Camargo. Foi indicado ao Prêmio Açorianos de Artes Visuais, na categoria Destaque em Curadoria (2018). É graduado pela Ufrgs e tem pós-graduação em Estudos Curatoriais e Arte Contemporânea pela Universidade de Lisboa. Enquanto residiu em Portugal, escreveu para exposições de Lorraine Mahot de La Querantonnais (França), Anželika Ishkova (Rússia), Lizzie Joyce Pearl (Suíça) e foi curador de Parallax (2017), mostra individual de Aires de Gameiro na The Switch Gallery. Assinou projetos no Museu do Trabalho, Galeria Mamute, Instituto Estadual de Artes Visuais e na Galeria do Dmae.

Galeria Ecarta é um dos cinco projetos da Fundação Ecarta e a coordenação é do artista, curador e gestor cultural, André Venzon. O espaço recebe, em média, seis exposições anuais e promove itinerâncias, laboratórios de curadoria e montagem, entre outras atividades próprias e em parceria com instituições em âmbito local, regional e nacional.

Posted by Patricia Canetti at 11:27 AM

Bruno Miguel na Luciana Caravello, Rio de Janeiro

Com diversas exposições internacionais no currículo, artista mostrará obras inéditas, que o destacaram no exterior, mas nunca foram apresentadas no Brasil

Nos últimos anos, o artista plástico carioca Bruno Miguel expôs mais no exterior, onde também realizou residências, do que no Brasil. Muitas de suas séries, que o destacaram nos Estados Unidos, na Alemanha e no Peru, nunca foram vistas por aqui. Com isso, surgiu a ideia da exposição You don´t know me, que será inaugurada no dia 8 de outubro, na Luciana Caravello Arte Contemporânea, com curadoria de Agnaldo Farias. A mostra traz um recorte dos trabalhos mais emblemáticos do artista, produzidos nos últimos cinco anos, e que nunca foram apresentados no país.

A exposição ocupará todo o espaço expositivo da galeria, com cerca de sete séries de trabalhos, que abordam a construção da memória no universo doméstico, as relações do POP e do consumo e a pintura como pensamento expandido. Conhecido por aqui por suas pinturas sobre tela, Bruno Miguel tem uma ampla produção em diversos outros suportes, como escultura, desenho e instalação, incluindo também a pintura, mas que, muitas vezes, é apresentada de forma mais ampla, a partir do pensamento sobre pintura, em obras que não necessariamente utilizam a tela.

Dentre as obras apresentadas estará uma instalação da série “Mesa de Jantar”, composta por diversos guardanapos de papel, pintados com tinta Epóxi e vinil adesivo. Obras desta série foram mostradas duas vezes em Nova York, na Pensilvânia, em Lima, em Buenos Aires, em Bogotá e em Berlim, mas nunca no Brasil. Utilizando as formas de objetos de uma mesa de jantar, como pratos, copos, descansos de panelas e outros, o artista vai criando as obras a partir de um jogo entre o positivo e o negativo, utilizando cores e também o branco para destacar certos contornos e dar volume. O vinil adesivo imitando diferentes madeiras complementa a obra, dando a sensação de se tratar de uma mesa de jantar.

Na série “Sala de Jantar”, o artista apresenta pinturas sobre um conjunto de pratos de porcelana e faiança, comprados em leilões de antiguidade, que são dispostos na parede e pintados com esmalte, tinta a óleo e colorjet, com imagens que perpassam e continuam de um prato para outro, formando uma unidade. “Os pratos têm relação com o rizoma Deleuziano e o grafismo urbano do Rio de Janeiro, com o subúrbio onde moro, com as grades e as pichações que quem vive na cidade está acostumado a ver”, conta o artista, que ressalta que esses trabalhos se relacionam com os guardanapos da série “Mesa de Jantar”, apesar de terem um “caráter de excesso, oposto à estética minimal dos guardanapos”.

“O vazio que nos consome” é um conjunto de obras feito a partir de embalagens plásticas de produtos consumidos pelo próprio artista, que são lavadas, preenchidas com resina e tinta e ao final tendo as embalagens descartadas, se tornam um híbrido de pintura e escultura, memoriais do vazio cotidiano. Sem referência à embalagem original não é possível identificar sua origem, tornando-se suportes de cores, que ficam levemente descoladas da parede. “Essas obras vêm da relação do POP com o ambiente doméstico e falam sobre a feitichização do consumo, sobre o condicionamento social de que consumir faz parte da nossa estrutura”, afirma Bruno Miguel. Essa é uma das obras em que o suporte é a escultura, mas cujo corpo da obra é construído como se fosse pintura, sobrepondo camadas de resina.

Farão parte da exposição, ainda, obras da série a série “Candy”, onde, em um suporte de madeira coberta de resina, são inseridas formas coloridas, também de resina, que lembram balas e doces. Essas “balas” são preparadas pelo artista em fôrmas de silicone próprias para a feitura de doces. Novamente explorando a tridimensionalização dos processos pictóricos, ampliando o campo das fronteiras sobre o que pode ser a pintura hoje.

Complementa a exposição a série “Objetos de natureza morta”, obras pictóricas tridimensionais, que reúnem globos de luz, luminárias, sacos vazios e garrafas, que são preenchidos com resina pigmentada. Essa obra é um desdobramento da instalação “Cristaleira “, apresentada no Oi Futuro Flamengo, em 2015.

SOBRE O ARTISTA

Bruno Miguel (Rio de Janeiro, 1981. Vive e trabalha no Rio de Janeiro) é formado em artes plásticas e pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fez diversos cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, onde é professor desde 2011. Possui obras em importantes coleções públicas e privadas, como Museu de Arte do Rio (MAR), Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM- Rio, Deutsche Bank Collection, Centro Cultural São Paulo, entre outras. Recebeu menção especial de honra V Bienal Internacional de La Paz, Bolívia, e realizou residências na FountainheadResidence (2019), em Miami, EUA; no Vermont Studio Center(2018), em Vermont, EUA, e na DreamplayArtists in Residence – Fall (2013), em Lyndhurst, EUA.

Dentre suas principais exposições individuais estão: “You can´t take it with you?” (2019), no PCA&D Lancaster, na Pennsylvania, EUA; “Welcome Lima” (2018), no Espacio Tomado, em Lima, Peru; "Seduction and Reason” (2017), na Sapar Contemporary, em Nova York, EUA; “A Viagem Pitoresca” (2016), no Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, em Curitiba, e “Essas pessoas na sala de jantar” (2016), no Centro Cultural São Paulo; “Sientase em casa” (2015), na Sketch Gallery, em Bogotá, Colômbia; “A Cristaleira” (2015), no Oi Futuro, no Rio de Janeiro; “Essas pessoas na sala de jantar (2015), no Paço Imperial, no Rio de Janeiro; e em 2016 no Centro Cultural São Paulo, “Ex-culturas” (2013), na Galeria do Lago, no Museu da República, no Rio de Janeiro; “Make Yourself at home” (2013), no S&J Projects, em New York; “Tudo posso naquilo que me fortalece” (2013), na Luciana Caravello Arte Contemporâna, entre outras.

Dentre suas principais exposições coletivas estão: “Manjar: Para Habitar Liberdades” (2019), no Solar dos Abacaxis, no Rio de Janeiro; “The World onPaper” (2018), no Palais Populaire, em Berlim, Alemanha; “A Luz que Vela o Corpo é a Mesma que Revela a Tela” (2017), na Caixa Cultural, no Rio de Janeiro; “São Paulo não é uma cidade, invenções do centro” (2017), no SESC 24 de Maio, em São Paulo; “Arte em Revista” (2016), na Galeria do BNDES, no Rio de Janeiro; “EBA 200 anos” (2016), no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro; “Trio Bienal” (2015), no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, entre outras.

SOBRE O CURADOR

Agnaldo Farias é professor-doutor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, crítico de arte, curador geral do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba e curador da 3a. Bienal de Coimbra, Portugal.

Realizou curadorias de exposições para o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Instituto Tomie Ohtake, Centro Cultural Banco do Brasil e para a Fundação Bienal de São Paulo, entre diversas outras instituições. Foi curador de Exposições Temporárias do Museu de Arte Contemporânea da USP (1990/1992) e curador geral do MAM/RJ (1998/2000). Na Fundação Bienal de São Paulo, participou de suas 16ª e 17ª (1981 e 1983), na seção de cinema da equipe de Walter Zanini. Curador da Representação Brasileira da 25a. Bienal de São Paulo (1992), curador adjunto da 23a. Bienal de São Paulo (1996) e da 1a. Bienal de Johannesburgo (1995). Ainda, ao lado do curador Moacir dos Anjos, assinou a curadoria geral da 29° Bienal de São Paulo (2010) e manteve a parceria na Representação Brasileira da 54ª Bienal de Veneza (2011), com uma exposição de Artur Barrio.

LUCIANA CARAVELLO ARTE CONTEMPORÂNEA

O principal objetivo da Luciana Caravello Arte Contemporânea, fundada em 2011, é reunir artistas com trajetórias, conceitos e poéticas variadas, refletindo assim o poder da diversidade na Arte Contemporânea. Evidenciando tanto artistas emergentes quanto estabelecidos desde seu período como marchand, Luciana Caravello procura agregar experimentações e técnicas em suportes diversos, sempre em busca do talento, sem discriminações de idade, nacionalidade ou gênero.

Posted by Patricia Canetti at 10:17 AM

outubro 1, 2019

Coletiva Balaiada Qualira na Nara Roesler, São Paulo

tramatura e eclipse

Coletiva Balaiada Qualira:
Ana Musidora
Eliara Lua
Flora Maria
Jô dos Santos

Coletiva de performance e intervenção artística. Tece seus trabalhos transitando pela dança, artes cênicas e visuais. Como parte de seus processos criativos, desenvolve projetos em colaboração com outros grupos e artistas.

Tramatura é o encontro de linhas de pesquisa entre artistas de diversas linguagens interessadas na composição de um tecido social coletivo que possa ser transvestido em movimento. Criando dramaturgias entre imagens alegóricas, vestes, peles e figurinos. Construir um corpo-montação, transitando entre arquétipos e arquiteturas do corpo.

Com Aline Belfort a Balaiada cria uma segunda peça exibida na exposição, a videoperformance Eclipse, abrindo uma espécie de janela para imagens de ações experimentadas fora dali, em espaços abertos.

A performance será apresentada no dia 3 de outubro, a partir das 19h, na Galeria Nara Roesler, São Paulo, no contexto da exposição Tumulto, Turbilhão, de Lucia Koch.

Posted by Patricia Canetti at 5:42 PM

Somos Muit+s Programa de 2 a 6 de outubro na Pinacoteca, São Paulo

A Pinacoteca convida para uma programação especial que acompanha a exposição Somos Muit+s: experimentos sobre coletividade. A mostra, em cartaz até 28 de outubro de 2019, investiga a prática artística como exercício coletivo a partir de experiências pensadas enquanto diálogos, diretos ou indiretos, com a produção de Joseph Beuys e Hélio Oiticica, dois dos mais importantes artistas da segunda metade do século 20. Além deles, participam outros seis artistas/coletivos nacionais e internacionais: Maurício Ianês, Mônica Nador + JAMAC, Coletivo Legítima Defesa, Rirkrit Tiravanija, Tania Bruguera e Vivian Caccuri.

2 de outubro | Quarta-feira

14h às 17h: Coletivo Legítima Defesa - Imersão com aliadxs selecionadxs [Ativações no Octógono]
Coletivo cuja pesquisa é voltada para uma poética da imagem em torno da “negritude” realiza imersão com a colaboração do curador Thiago de Paula Souza e selecionados a partir de chamada pública. As ações acontecem como parte da programação de untitled 2019 (demo station n.7), proposto pelo artista tailandês Rirkrit Tiravanija para o Octógono.

3 de outubro | Quinta-feira

14h às 17h: Coletivo Legítima Defesa - Imersão com aliadxs selecionadxs [Ativações no Octógono]
Coletivo cuja pesquisa é voltada para uma poética da imagem em torno da “negritude” realiza imersão com a colaboração do curador Thiago de Paula Souza e selecionados a partir de chamada pública. As ações acontecem como parte da programação de untitled 2019 (demo station n.7), proposto pelo artista tailandês Rirkrit Tiravanija para o Octógono.

15h às 18h - Aula-oficina, com Macarena Hernandez - Aeromoto, México [Tania Bruguera – Escola de Arte Útil]

4 de outubro| Sexta-feira

14h às 17h: Coletivo Legítima Defesa - Imersão com aliadxs selecionadxs [Ativações no Octógono]
Coletivo cuja pesquisa é voltada para uma poética da imagem em torno da “negritude” realiza imersão com a colaboração do curador Thiago de Paula Souza e selecionados a partir de chamada pública. As ações acontecem como parte da programação de untitled 2019 (demo station n.7), proposto pelo artista tailandês Rirkrit Tiravanija para o Octógono.

15h às 18h: Preparação do Exercício 2, com acompanhamento de Fábio Tremonte [Tania Bruguera – Escola de Arte Útil]

5 de outubro | Sábado

10h às 12h: Roda de conversa com alunos da UNESP [Ativações no Octógono]

14h30 às 15h30: Performance: Legítima Defesa e Neo Muyanga [Ativações no Octógono]
Coletivo cuja pesquisa é voltada para uma poética da imagem em torno da “negritude” realiza performance com a colaboração do curador Thiago de Paula Souza, o músico Neo Muyanga e selecionados a partir de chamada pública.

6 de outubro | Domingo

11h às 11h30: Primeiro Tempo - Rosa Aparecida [Ativações no Octógono]
A peça, de autoria da atriz, diretora, gestora sociocultural Geraldine Quaglia em colaboração com Roberto Morettho, parte do texto A Vinda do Messias, de Timochenco Wehbi, para realizar intervenções acerca do feminino tomando como base as expectativas e desabafos de uma mulher solitária.

12h30 às 14h30: Rádio Poste [Ativações no Octógono]

15h às 18h: Malukos na Pina [Ativações no Octógono]
Grupo propõe um baile de dança de salão aberto ao público com apresentações, coreografias e uma equipe preparada para interagir com o público, incluindo aqueles que nunca tiveram contato com a dança.

Posted by Patricia Canetti at 5:01 PM

Conversa com Ailton Krenak e Christian Cravo no Tomie Ohtake, São Paulo

Instituto Tomie Ohtake promove encontro com Ailton Krenak, por ocasião da exposição Mariana, de Christian Cravo

Ailton Krenak, um dos maiores líderes indígenas do Brasil, conversa com o público sobre a situação dos Krenaks, que vivem como “refugiados em seu próprio território”, nas margens do rio Doce, depois do rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana – Minas Gerais, em 2015.

A exposição Mariana: Christian Cravo, que fica em cartaz no Instituto Tomie Ohtake até 27 de outubro, reúne 26 fotografias que retratam memórias humanas após a mesma tragédia que, em Mariana, vitimou fatalmente 19 pessoas e desabrigou centenas de famílias.

Ailton Krenak (Vale do rio Doce (MG), 1954) foi autor de gesto marcante captado pela imprensa, por ocasião das discussões da Assembleia Constituinte, em 1987: pintou o rosto de preto com pasta de jenipapo enquanto discursava no plenário do Congresso Nacional, em sinal de luto pelo retrocesso na tramitação dos direitos indígenas. Participou da fundação da União das Nações Indígenas (UNI) e do movimento Aliança dos Povos da Floresta, que reunia povos indígenas e seringueiros em torno da proposta de criação das reservas extrativistas, visando proteção da floresta e da população nativa que nela vive. Nos últimos anos, retornou a Minas Gerais para ficar próximo de seu povo. Ainda participa, no entanto, da Ong Núcleo de Cultura Indígena. Escreveu, entre outros, os livros “O Eterno Retorno do Encontro” e “A Outra Margem do Ocidente”, publicado pela Cia. Das Letras, 1999.

Christian Cravo, com 27 anos de carreira, é atualmente um dos nomes mais respeitados da fotografia contemporânea brasileira. Tem seu trabalho reconhecido internacionalmente, com exposições individuais em espaços consagrados em todo o mundo. Entre seus trabalhos estão os livros ‘Irredentos’ (2000), ‘Roma noire, ville métisse’ (2005), ‘Nos Jardins do Éden’ (2010), ‘Exú Iluminado’ (2012), ‘CHRISTIAN CRAVO’ (2014), editado pela prestigiada editora Cosac & Naify, e ‘MARIANA’ (2016). Recebeu prêmios do Museu de Arte Moderna da Bahia; do Mother Jones International Fund for Documentary Photography; da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) pela melhor exposição fotográfica de 2015, além do Simon Guggenheim para sua pesquisa sobre a água e a fé, em 2001.

Posted by Patricia Canetti at 4:29 PM

Christian Cravo no Tomie Ohtake, São Paulo

A exposição Mariana, homônima ao livro de Christian Cravo, com curadoria de Adriana Cravo, chega a São Paulo depois de passar por Salvador e Fortaleza, ambas na Caixa Cultural. Nesta segunda individual do fotógrafo baiano no Instituto Tomie Ohtake (a anterior foi Nos Jardins do Éden, em 2011), estão reunidas 26 fotografias impressas em fine art, que retratam as memórias humanas da maior tragédia ambiental do país: o rompimento da barragem de Fundão, que vitimou fatalmente 19 pessoas e desabrigou centenas de famílias em Mariana - Minas Gerais, em 2015. “A escolha das imagens, assim como o título que cada uma delas recebeu, teve a intenção de gerar empatia e aproximar o público do cotidiano roubado das pessoas que ali viviam até o momento da tragédia", explica a curadora.

Durante três dias, nos distritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, Cravo registrou os vestígios da destruição causada pela onda de mais de 2,5 metros de lama e rejeitos de minério que assolou a região. Objetos, roupas e calçados enlameados, retratos cobertos pelo barro e casas destroçadas testemunham a tragédia. Segundo Cravo, a sua tentativa foi trazer a esse trabalho uma memória iconográfica que o tempo congelou. “São objetos que pararam naquele instante em que a lama chegou. O momento eterno que representa o fim daquela sociedade”, resume.

Para Bené Fonteles (artista e coordenador do Movimento Artistas pela Natureza), em seu texto sobre as imagens, destaca que Cravo “não só dá testemunho a dor, mas a transcendência entre a beleza estética que pontua a tragédia e a arte que não pode prescindir do imenso de uma verdade poética... não são simplesmente fotografias destes rastros e restos... mas, a revelação do extraordinário quase místico de pedaços do que ficou oculto no íntimo das casas mineiras que pareciam esperar a eminente tragédia... não o registro do sinistro, mas um sentido vasto de abandono que no ‘oculto do mistério se escondeu’ (Caetano Veloso) .... retratos de uma Minas que não só dói, mas incomoda no roto retrato e dele vaza mais do que lama e do que caos... vaza do avesso uma imensa, triste, solidão...”.

Paralelamente, a família Cravo é homenageada no Move Cine Arte, festival internacional de cinema dedicado exclusivamente à exibição de filmes de arte e sobre arte. Os curadores Steve Bisson (Itália) e Andre Fratti Costa (Brasil) escolheram o filme Cravos (106'00’’, Brazil | Brasil, 2018), de Marco Del Fiol, para abrir a mostra com pré-sessão no dia 17/09, às 9h10, na FAAP, Auditório 01, entrada livre para público (Rua Alagoas, 936. Higienópolis) e às 19h no MIS - Museu da Imagem e do Som (Av. Europa, 158. Jardim Europa), logo após a cerimônia de abertura do festival. Após a exibição do filme, nos dois horários, haverá um bate-papo com o diretor Marco Del Fiol e os curadores do Move Cine Arte.

O filme retrata como arte, natureza e família se entrelaçam na intensa relação entre as três gerações de artistas da família Cravo: o escultor Mario Cravo Junior, o fotógrafo Mario Cravo Neto e seu filho, também fotógrafo, Christian Cravo.

Christian Cravo, com 27 anos de carreira, é atualmente um dos nomes mais respeitados da fotografia contemporânea brasileira. Tem seu trabalho reconhecido internacionalmente, com exposições individuais em espaços consagrados em todo o mundo. Entre seus trabalhos estão os livros ‘Irredentos’ (2000), ‘Roma noire, ville métisse’ (2005), ‘Nos Jardins do Éden’ (2010), ‘Exú Iluminado’ (2012), ‘Christian Cravo’ (2014), editado pela prestigiada editora Cosac & Naify, e ‘Mariana’ (2016). Recebeu prêmios do Museu de Arte Moderna da Bahia; do Mother Jones International Fund for Documentary Photography; da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) pela melhor exposição fotográfica de 2015, além do Simon Guggenheim para sua pesquisa sobre a água e a fé, em 2001.

Posted by Patricia Canetti at 4:12 PM

Patricia Gouvêa na Murilo Castro, Belo Horizonte

Em sua primeira exposição individual na Galeria Murilo Castro, a artista visual carioca Patricia Gouvêa apresenta Sobrevida, série desenvolvida desde 2017 com trabalhos em fotografia, vídeo, objetos e textos, fruto de uma pesquisa in-progress sobre a resistência da natureza, tanto em locais ditos “preservados”, quanto nas pequenas frestas das cidades onde – apesar do cimento – teimam em operar pequenos milagres.

Com texto assinado pelo físico Luiz Alberto Oliveira, curador geral do Museu do Amanhã, os trabalhos que integram a série foram realizados em 2017 na Amazônia, na Reserva Adolpho Ducke do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas) durante a residência artística LabVerde, e no Parque Nacional de Anavilhanas, ambos no Amazonas; em 2018 nas cidades de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Fort Lauderdale (EUA) e em 2019 novos trabalhos feitos no Deserto do Atacama (Chile), Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (Goiás) e Brumadinho (Minas Gerais) integram a montagem na Galeria Murilo Castro. A artista também redescobriu imagens em seu arquivo que foram incorporadas à série, como as que foram feitas em 2007 em Siem Riep, no Cambodja.

“Este trabalho busca relacionar situações onde a natureza mostra-se como estranhamento, resistência, resiliência, domesticação e poder”, diz a artista. “Estamos diante de crimes ambientais realizados em série no Brasil. Políticas públicas que nos remetem ao período da Ditadura tem sido revisitadas. Em meio a pactos mundiais pela preservação do meio ambiente, muito é discutido, mas pouco é feito para frear o aquecimento global. Até quando insistiremos num olhar antagônico em relação às nossas coberturas verdes? Até quando vidas não valerão nada? Esta é uma indagação sobre a coisificação crescente da natureza em meio a um cenário de hiperatividade, destruição ambiental, escassez de água e desrespeito aos direitos humanos”, afirma a artista.

Patricia Gouvêa nasceu em 1973 no Rio de Janeiro, onde trabalha. Artista visual e pesquisadora, trabalha com fotografia, vídeo, instalação e intervenção urbana. Seu trabalho prioriza a fotografia e a imagem em movimento e suas possíveis interfaces, onde a noção de tempo constitui um dos principais eixos de pesquisa. Graduada em Comunicação Social (ECO/UFRJ), Especialista em Fotografia e Ciências Sociais (UCAM/RJ) e Mestre em Comunicação e Cultura na linha Tecnologias da Comunicação e Estéticas da Imagem (ECO/UFRJ).

Entre 2005 e 2009 fez parte do coletivo Grupo DOC (Desordem Obsessiva Compulsiva), que promoveu dezenas de ações no Brasil e no exterior. Publicou os livros: Membranas de Luz: os tempos na imagem contemporânea (2011, Azougue Editorial), Imagens Posteriores (2012, Réptil Editora), Banco de Tempo (2014, em parceria com Isabel Löfgren, edição das autoras) e Mãe Preta (2018, em parceria com Isabel Löfgren, Frida Projetos Culturais) e Fenda (2019, livro-objeto em parceria com a Olho de Gato Editora) e participou de muitos outros.

Participou de dezenas de coletivas e realizou exposições individuais na China, na Itália, no Brasil, na Colômbia e Argentina. Em dupla com a artista Isabel Löfgren desenvolveu as pesquisas de longa duração Banco de Tempo (exposição, site e livro com edição independente) e Mãe Preta (exposição, site e publicação). Tem trabalhos em coleções privadas e acervos institucionais, como a Coleção Joaquim Paiva/MAM e Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.

Foi uma das fundadoras da Agência Foto In Cena (1995/98), Ateliê da Imagem (1999), espaço cultural independente que complete 20 anos em 2019, dedicado à pesquisa, reflexão e produção da imagem no Rio de Janeiro, no qual atuou como diretora artística até dezembro de 2013. É representada pela Galeria Mercedes Viegas, no Rio de Janeiro, Brasil e pela Galeria Murilo Castro em Belo Horizonte, Brasil e em Miami, Estados Unidos. www.patriciagouvea.com

Posted by Patricia Canetti at 3:41 PM