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julho 31, 2019

Tarsila popular torna-se a exposição mais vista da história do MASP

A mais ampla mostra já feita da obra da modernista Tarsila do Amaral reuniu 92 obras e teve curadoria de Adriano Pedrosa e Fernando Oliva

Tarsila popular, a mais ampla exposição já feita da artista Tarsila do Amaral, chegou ao fim neste domingo, 28 de julho, como a mostra mais visitada da história do MASP. Com 402.850 visitantes, superou outro fenômeno de público do museu, Monet, realizada entre maio e agosto de 1997. A exposição do impressionista, que mobilizou São Paulo à época, teve 401.201 espectadores.

“O recorde de visitação da exposição Tarsila popular no MASP reflete a consolidação da artista não apenas na história da arte, mas no imaginário do grande público. Ele aponta também para um interesse crescente pela arte e pelo museu, algo que que também pode ser atestado na venda do catálogo da exposição, um denso volume de 360 páginas que até agora já superou a marca de 7 mil exemplares”, diz Adriano Pedrosa, diretor artístico do museu, e curador da exposição ao lado de Fernando Oliva.

“Essa grande visitação reafirma o desejo do público por olhares renovados em relação aos artistas canônicos da história da arte brasileira, o interesse em abordagens novas e inéditas, caso desta mostra, que trouxe para o centro do debate não só o popular, mas as questões sociais, raciais e de classe na obra de Tarsila, aspectos que costumam ser negligenciados”, afirma Fernando Oliva.

Aberta ao público em 5 de abril, juntamente com Lina Bo Bardi: Habitat, a mostra Tarsila popular foi um sucesso de público desde o primeiro momento. No vernissage para convidados, na noite de 4 de abril, 1.800 pessoas formaram fila no vão livre para ver em primeira mão as 92 obras da exposição, entre pinturas e desenhos da modernista.

Com forte procura nos quatro meses que esteve em cartaz, sobretudo na Terça Grátis Qualicorp, responsável por metade do público da exposição, Tarsila popular deu um salto em julho, mês de férias escolares. A mostra bateu sucessivos recordes. Na terça-feira 16, o MASP registrou 8.454 visitantes, marca histórica para um único dia no museu. Na terça seguinte, 23, Tarsila popular superou o próprio recorde, com 8.818 espectadores.

O catálogo da exposição, de mesmo nome, teve milhares de exemplares vendidos. O livro é o mais amplo catálogo de mostra sobre Tarsila do Amaral, reunindo 113 de suas obras, bem como fotografias e documentos, em 360 páginas. Organizado pelos curadores da mostra, Pedrosa e Oliva, inclui textos inéditos de ambos, de Amanda Carneiro, Irene V. Small, Mari Rodríguez Binnie, Maria Bernardete Ramos Flores, Maria Castro, Michele Greet, Michele Bete Petry e Renata Bittencourt, além de textos históricos de Paulo Herkenhoff e Sergio Miceli, e comentários de obras feitos por Artur Santoro, Carlos Eduardo Riccioppo, Guilherme Giufrida e Matheus de Andrade. Tarsila popular, o livro, segue à venda no MASP Loja, ponto de vendas do museu com entrada gratuita, independente das exposições, por R$ 139 (brochura) e R$ 159 (capa dura), em edições separadas em português e inglês (Tarsila do Amaral: Cannibalizing Modernism).

Histórias das mulheres, histórias feministas

Tarsila popular faz parte de um ano dedicado às Histórias das mulheres, histórias feministas, eixo curatorial que pauta toda a programação do museu, de exposições e cursos a palestras e oficinas. Dentro deste ciclo, o MASP promove mostras individuais e coletivas de artistas e pensadoras mulheres. Além de Tarsila e Lina, já passaram pelas galerias do museu Djanira da Motta e Silva e as tecelãs anônimas do Comodato MASP Landmann, mostra iniciada em junho e encerrada com Tarsila popular e Lina Bo Bardi: Habitat.

No final de agosto, o MASP inaugura as coletivas Histórias das mulheres - artistas até 1900 e Histórias feministas - artistas depois de 2000, respectivamente com obras de artistas que foram esquecidas pela história da arte oficial e com artistas contemporâneas que trabalham com temas dos feminismos ou são por eles perpassadas. Ainda no segundo semestre, o MASP terá exposições da portuguesa Leonor Antunes, da alemã radicada na Venezuela Gego e da brasileira Anna Bella Geiger.

Tarsila popular também integra uma linha de mostras do museu que busca um novo olhar sobre artistas brasileiros consagrados, como Portinari, tema de uma mostra com o mesmo recorte, realizada pelo MASP em 2016.

Posted by Patricia Canetti at 11:46 AM

12ª edição do On_Off – Experiências em Live Image no Itaú Cultural, São Paulo

12ª edição do On_Off – Experiências em Live Image, com curadoria do artista Lucas Bambozzi, recebe experiências em manipulação de imagens e sons ao vivo com convidados que expandem os padrões tradicionais de cinema com provocações de diferentes sensações óticas e sensoriais no público.

2 a 4 de agosto de 2019, sexta-feira a domingo

Itaú Cultural
Avenida Paulista 149, São Paulo, Metrô Brigadeiro
Distribuição de ingressos: 224 lugares
Público preferencial: 1 horas antes do espetáculo (com direito a um acompanhante)
Público não preferencial: 1 hora antes do espetáculo (um ingresso por pessoa)

APRESENTAÇÃO

De 2 a 4 de agosto (sexta-feira a domingo) o Itaú Cultural realiza a 12ª edição do On_Off – Experiências em Live Image, festival que em 2019 leva ao público quatro performances de experimentações audiovisuais e sonoras feitas ao vivo que trazem referências analógicas, gráficas e naturais ao digital. Com curadoria do artista e pesquisador Lucas Bambozzi, a programação reúne convidados do Brasil e da França que apresentam no palco expansões do cinema e das apresentações cênicas convencionais, provocando sensações que perpassam tanto o mundo analógico quanto o digital.

A programação abre na sexta-feira (dia 2), às 20h, com Sphere, projeto mais recente do grupo francês 1024 Architecture, estreado em 2018. Com base na afirmação do físico e matemático francês Blaise Pascal (1623-1662) de que a realidade das coisas “é uma esfera infinita cujo centro se encontra em toda parte e cuja circunferência não se acha em nenhuma”, a performance utiliza elementos gráficos para criar uma narrativa imersiva, plástica e de grande impacto sensorial. No palco, o artista François Wunschel explora à exaustão as formas e os elementos granulares das esferas, na qual som e imagem são percebidos como uma entidade única, universal. Após a apresentação, Wunschel conversa com o público sobre a performance.

A repetição de padrões elementares também guia Moiré, performance inédita que o brasileiro Matheus Leston apresenta no sábado (dia 3), no mesmo horário. Este projeto multimídia explora o Efeito Moiré, que surge quando dois padrões regulares são sobrepostos e levemente deslocados, gerando formas e manchas que não estão presentes em nenhuma das imagens originais. A partir de então, o artista mescla o conceito visual ao sonoro, em um concerto envolvendo um painel de LED, dois pianos e luzes programáveis. Controlados por computador em tempo real, os instrumentos produzem uma apresentação audiovisual, em que o analógico, o digital, o acústico e o computacional se potencializam em interferências mútuas.

Dobradinha

O último dia de programação do ON_OFF 2019 conta com duas estreias brasileira no palco do Itaú Cultural.

Às 18h, a paraense Roberta Carvalho apresenta Margens, projeto que incorpora abstrações e padrões desta edição, com elementos figurativos e humanos conectados com a natureza de Belém do Pará. Produzido especialmente para esta edição do ON_OFF, o projeto parte da pesquisa e do envolvimento de Roberta junto a populações ribeirinhas do Rio Guamá, com depoimentos e projeções de vídeo que mostram a visibilidade turva dessas comunidades. São grupos que vivem à margem das aglomerações urbanas predatórias da área metropolitana da capital paraense, muitas vezes em tensão entre o capital e a natureza.

Já Imerso, que a dupla formada por Fernanda Fernandes e Raquel Abdian apresenta às 19h, utiliza a repetição de padrões para produzir um projeto baseado em retroalimentações e reverberações. Criada especialmente para o ON_OFF, a performance traz a captura em tempo real de imagens de um aquário, preenchido por fluidos de diferentes densidades. Esta será a base para se explorar refrações, distorções óticas, efeitos de reflexão e de difusão sonora e visual. A proposta é estimular a visualização de mundos inexistentes, mas produzidos por elementos reais e físicos.

Sobre convidados e curador

1024 Architecture é um estúdio criativo formado a partir de práticas confluentes entre arquitetura, arte e sistemas digitais, direcionadas para experiências coletivas. De projetos temporários a obras permanentes, projeta obras de arte que interagem com o ambiente. O grupo, fundado em 2007 por Pier Schneider e François Wunschel, teve origem em projetos conjuntos na École Nationale Supérieure d’Architecture de Strasbourg. A dupla envolve colaboradores e desenvolvedores para a elaboração de projetos de instalações, cenografia, artes visuais, performances e estruturas de iluminação.

Fernanda Fernandes é cineasta e vídeo-criativa e Raquel Abdian é produtora musical. Com grande interesse pelo limiar entre o universo analógico e a arte e tecnologia, exploram a multidisciplinaridade das artes visuais e sonoras e suas fronteiras de forma abrangente e integrada. Juntas, desenvolveram o filme-ensaio ao vivo Fratura (2019) e a performance de live cinema Quadro a Quadro (2018/2019). Também integrantes do Coletivo Espectro, se apresentaram em festivais por todo Brasil com as obras Arritmia (2018), Blocks (2017) e Distopia (2017).

Lucas Bambozzi é curador, artista e pesquisador em novas mídias produz trabalhos em vídeo, instalações e meios interativos. Seus trabalhos já foram exibidos em mais de 40 países. Dedica- se à exploração crítica de novos formatos de mídia independente com ênfase em projetos envolvendo campos informacionais em espaço públicos. É doutorando da FAUUSP e professor na FAAP, em São Paulo.

Matheus Leston é músico, artista e produtor musical. Em 2013 criou e produziu a Orquestra Vermelha, projeto multimídia premiado pelo Programa Rumos. Produz música eletrônica sob o nome Lateral sendo também membro da Patife Band, de Paulo Barnabé. Trabalhou com instituições de arte, como o Instituto Tomie Ohtake e Fundação Bienal de São Paulo. Participou da exposição Caos e Efeito, do projeto Ao Redor de 4’33” da 7a Bienal do Mercosul, da 4a Jornada de Cinema Silencioso e do Sistemas Ecos 2014. Compôs a trilha sonora da série Contos do Edgar e dos filmes Preto ou Branco!, A Redação, Obra Prima, Mais uma Noite, entre outros.

Roberta Carvalho é artista visual nascida em Belém do Pará. Estudou Artes Visuais na Universidade Federal do Pará (UFPA). Desenvolve trabalhos no trânsito entre a imagem, a intervenção urbana, a videoprojeção, a instalação e a videoarte. Participou de exposições, coletivas e individuais no Brasil, Bélgica, Espanha e Martinica. Contemplada com os prêmios FUNARTE Mulheres nas Artes Visuais (2014), Prêmio Diário Contemporâneo (2011) e FUNARTE Microprojetos da Amazônia Legal (2010). Suas obras integram acervos como o do Museu de Arte Contemporânea Casa das 11 Janelas (PA) e Museu da Universidade Federal do Pará.

PROGRAMAÇÃO

DIA 2 DE AGOSTO (SEXTA-FEIRA)

20h
Espetáculo Sphere (2018)
Com o grupo 1024 Architecture (FRA)
Apresentação seguida de conversa com o artista François Wunschel
Classificação Indicativa: Livre
Duração: 30 minutos

DIA 3 DE AGOSTO (SÁBADO)

20h
Espetáculo Moiré (20189)
Com Matheus Leston (BRA)
Classificação Indicativa: 16 anos
Duração: 45 minutos

DIA 4 DE AGOSTO (DOMINGO)

18h
Espetáculo Margens (2019)
Com Roberta Carvalho (BRA)
Classificação Indicativa: Livre
Duração: 30 minutos

19h
Espetáculo Imerso (2019)
Com Fernanda Fernandes e Raquel Abdian (BRA)
Classificação Indicativa: Livre
Duração: 30 minutos

OUTRAS INFORMAÇÕES

Acesso para pessoas com deficiência
Ar condicionado
Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108
Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural: 3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 10.
Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.

Posted by Patricia Canetti at 10:30 AM

julho 30, 2019

Virginia Aita comenta Daniel Senise: A Construção da Ausência no Cine Iberê, Porto Alegre

O Cine Iberê recebe no dia 4 de agosto, domingo, às 16h, a curadora e pesquisadora em filosofia, estética e critica de arte, Virginia Aita, na sessão comentada de “Daniel Senise: A Construção da Ausência”, documentário sobre um dos mais emblemáticos pintores da chamada “Geração 80” no Brasil. Com direção de Cacá Vicalvi, o filme discute os problemas da pintura na cultura contemporânea. Parte do vídeo foi rodado em Nova York, no ateliê de Senise. Foi possível assim fazer um retrato do processo de criação do artista. A outra parte foi gravada no Rio de Janeiro, durante uma de suas aulas na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. O documentário traz ainda depoimentos de críticos a respeito de sua obra.

Sobre o artista
Daniel Senise ingressou em 1980, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage como aluno e, de 1986 e 1991, seguiu como professor. Na década de 1980, frequentou o ateliê de pintura livre de Luiz Aquila e integrou, com Angelo Venosa (1954), Luiz Pizarro (1958) e João Magalhães (1945), o Ateliê da Lapa. Participou em 1984 da mostra “Como Vai Você, Geração 80?”, exposição que reuniu artistas de várias tendências do momento, com objetivo de revalorizar a pintura, pesquisando novas técnicas e materiais.

No início da carreira, Senise produz obras com paisagens povoadas por formas volumosas, que ocupam a quase totalidade da tela. Esses objetos impõem-se como presenças monumentais, mas são vazios de conotações temáticas. Como observou o crítico Fernando Cocchiarale, “a pintura de Senise caracteriza-se pela ambiguidade - o artista revela e oculta, ao mesmo tempo, imagens de objetos que se aproximam daqueles cotidianos, mas não podem ser facilmente identificados. A dramaticidade de suas obras iniciais é determinada pela forma como ele articula as imagens com um tratamento volumétrico vigoroso e uma gama cromática soturna.”

A partir da metade da década de 1980, a figura não é mais tão determinante em suas telas e o uso da cor diversifica-se. O artista passa a adicionar registros da impressão de elementos extrínsecos a sua obra. Em muitos trabalhos, prepara a tela com pigmentos e a estende, ainda úmida, sobre o piso do ateliê. Ao ser descolada do chão, ela retém na superfície a marca, como uma impressão, das rugosidades do piso, incorporando também resquícios de telas anteriores. O quadro é então retrabalhado.

Senise produz um repertório de imagens que parecem desgastadas pela ação do tempo. A partir de 1989, passa a adotar, entre outros procedimentos, o uso de pregos de ferro, que deixam nas telas as marcas da oxidação. Em outras obras, emprega tintas prateadas, industriais, porque evocam uma memória distante e a sensação da imagem fotográfica.

Suas pinturas estabelecem, portanto, uma relação direta com a história da arte, com o universo das imagens e a maneira como este é percebido. Para a crítica inglesa Dawn Ades, “sua pintura pode ser compreendida em termos de equilíbrio e peso, e de presença e ausência de objetos. Suas imagens abrem-se a um vasto campo de experiências e evocações materiais e poéticas.”

O Cine Iberê tem a curadoria da realizadora e produtora audiovisual, Marta Biavaschi. O projeto tem por objetivo promover filmes que dialoguem com as exposições em cartaz na Fundação Iberê (Avenida Padre Cacique 2000, Porto Alegre, RS). "A Construção da Ausência" dialoga com a exposição Antes da Palavra.

Posted by Patricia Canetti at 12:34 PM

Daniel Senise na Iberê Camargo, Porto Alegre

Daniel Senise traz à Fundação Iberê 1.587 estórias de vidas marcadas em lençóis brancos

A Fundação Iberê inaugura no dia 3 de agosto (sábado) a exposição Antes da Palavra, do artista carioca Daniel Senise. A abertura ocorre às 14h e pode ser visitada até 29 de setembro, no Átrio e 2º e 3º andares. Às 16h, também no Átrio, acontece um bate-papo com o artista e a curadora da exposição (50 vagas, por ordem de chegada).

Com curadoria de Daniela Labra, a mostra apresenta 23 trabalhos de Senise, entre pinturas e objetos, articulados em torno da instalação monumental "1.587" , constituída por duas grandes telas suspensas no Átrio, postadas frente a frente, cujas lonas são lençóis usados em um motel carioca e no INCA – Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro. "As marcas e manchas visíveis nas superfícies das peças são prova de um tempo transcorrido que é protagonista. Nesse lugar, essa representação - como numa natureza-morta, é substituída pela temporalidade de fato, palpável, a qual exacerba um segundo paradoxo, o da representação/real, contido na obra de arte contemporânea", explica a curadora.

O título da obra decorre do cálculo de pessoas que passaram por esses lençóis ao longo de seis meses. Senise pouco interferiu na maculada imensidão branca, de onde saltam imagens mentais de estórias pessoais desconhecidas. Os números das presenças/ausências, registros, lembranças, momentos de muito amor, mas também de muita dor, impregnados nos tecidos foram alcançados com a ajuda de um matemático e nomeiam cada face da instalação: "Branco 237" refere-se à movimentação no hospital, enquanto "Branco 1.350", no motel.

Somadas, essas cifram atingem 1.587 dramas e êxtases de desconhecidos amalgamados nesta obra de aspecto solene e vertiginoso. Em Porto Alegre, por questões de adequação ao espaço, esta é uma versão reduzida do trabalho original, intitulado "2.892", criado no final da década de 1990 e exibido apenas em 2011, na Casa França-Brasil, centro do Rio.

Em diálogo com a exposição, Daniela convidou seis artistas que pensam o som não em sua estrutura melódica, mas em proposições que indicam ausência, fisicalidade, espacialidade, interrupção, silêncio, tempos alongados e outros motes integrados às ideias primordiais presentes em Antes da Palavra. São eles: Marcelo Armani, Ricardo Carioba, Raquel Stolf, Pontogor, Tom Nóbrega e Felipe Vaz.

Outra novidade da mostra é a joia feita com exclusividade por Daniel Senise para a Fundação Iberê, à venda na loja do espaço cultural. "A peça corresponde ao inverso dos nichos das placas de concreto aparente presentes na fachada da Fundação. O objeto foi moldado em um nicho próximo à entrada da arquitetura de Álvaro Siza e se encaixará perfeitamente, funcionando como uma 'chave de acesso' ao prédio", diz o artista.

No domingo, 4 de agosto, às 16h, acontece o Cine Iberê com a sessão comentada pela curadora e pesquisadora em filosofia, estética e critica de arte, Virginia Aita, de “Daniel Senise: A Construção da Ausência”, documentário com direção de Cacá Vicalvi.

Posted by Patricia Canetti at 12:01 PM

1ª Feira Mescla no Hotel Selina, Rio de Janeiro

Feira Mescla tem primeira edição na Lapa: evento gratuito conta com expositores de produtos artesanais e sustentáveis além de artistas refugiados e imigrantes.

3 de agosto de 2019, sábado, 13h às 21h

Hotel Selina
Largo da Lapa 9, Centro, Rio de Janeiro, RJ

No próximo dia 3 de agosto será realizada a primeira edição da feira Mescla, que vai unir expositores de produtos artesanais e sustentáveis na área de moda, acessórios e cosméticos, além de objetos de decoração. O evento traz criadores independentes e também dá voz a artistas refugiados e imigrantes, que terão oportunidade de ministrar oficinas, palestras e de se apresentar artisticamente. A atração é gratuita e vai ocorrer no Hotel Selina, na Lapa. A proposta do evento não é ser apenas uma feira sustentável, mas um local de performance plural, apresentando ao público uma mistura de múltiplas culturas, em um único ambiente.

A primeira edição da feira Mescla terá a presença de uma refugiada da Gâmbia, Mariama Bah, que vai contar sobre a sua trajetória, os desafios de chegar até o Brasil e abordará sobre o casamento infantil. O evento também vai promover uma oficina de caligrafia árabe ministrada pelo marroquino Mohammed El Jazouli. Haverá ainda uma apresentação musical com a cantora da Venezuela Julieta Hernández, que estará tocando um instrumento venezuelano chamado “cuatro”, que em 2013 foi declarado patrimônio cultural de seu país de origem.

Além dessas atrações, o imigrante congolês Thezis irá percorrer todo o Hotel fazendo uma performance chamada SAPE (Sociedade de Ambientadores e de Pessoas Elegantes), com música, dança e vestimenta específica, em um estilo próprio caracterizado pela exuberância. Essa performance é um movimento cultural que se popularizou no Congo a partir dos anos 1960, no qual a roupa é parte da construção de um conjunto de significados e a elegância deve se refletir tanto na aparência quanto na forma de ser e de agir.

"A Lapa é um bairro multicultural, plural e acolhedor, e a ideia do evento é trazer um pouco dessa mistura, diversidade e expressões artísticas, daí o nome Mescla, ressalta Carla Sobrosa, idealizadora do evento e sócia da Semente Produções.

Carla conta que o Hotel Selina foi escolhido para sediar essa feira, pois está alinhado ao conceito “mescla”, sendo um local alternativo, que inspira a criatividade e que estimula esse olhar multicultural. “O hotel possui diversos ambientes maravilhosos que serão explorados durante a feira, inclusive haverá uma oficina de gastronomia que será realizada na própria cozinha do hotel”, revela Carla.

A feira ainda abrigará mais de 15 expositores de produtos sustentáveis, entre eles a Amada Madeira, que faz biojoias e objetos de decoração com madeiras nobres reaproveitadas e de descarte de marcenaria. Também estará presente a marca de moda carioca FridoKa & Fridoquis, que trabalha com materiais sustentáveis e de baixo impacto, e a Terra Ecodesign, que produz objetos de madeira com design 100% sustentável.

A participação para as oficinas também será gratuita, mas haverá uma quantidade limite, que será organizado por ordem de chegada. A feira terá início às 13h e encerra às 21h.

Posted by Patricia Canetti at 11:33 AM

23ª Feira Tijuana na Casa do Povo, São Paulo

A Feira Tijuana, primeira feira de publicações e livros de artista organizada no Brasil, comemora 10 anos em uma edição especial que extrapola os limites da arte impressa.

3 e 4 de agosto de 2019

Casa do Povo
Rua Três Rios 252, Bom Retiro, São Paulo, SP (Metrô Tiradentes - linha 1 azul)
Realização: Casa do Povo, Edições Tijuana, Galeria Vermelho e Secretaria especial da Cultura no Ministério da Cidadania/Governo Federal
Apoio: SP-ARTE

APRESENTAÇÃO

O Ministério da Cidadania, Casa do Povo, Edições Tijuana e Galeria Vermelho apresentam a 23ª edição de Feira Tijuana, primeira feira de publicações e livros de artista organizada no Brasil, que acontece na Casa do Povo nos dias 3 e 4 de agosto. Comemorando 10 anos de atuação, a edição deste ano procura repensar o seu formato enquanto feira, atualizando sua missão como espaço de encontro e de manifestação cultural e incorporando novas linguagens na programação.

Idealizada pela Galeria Vermelho e Edições Tijuana, a Feira Tijuana foi inaugurada em 2009 a partir de uma parceria com o Centre National de L’Édition et de L’Art Imprimé (CNEAI, França). Ao longo da última década, a Tijuana se especializou em conectar editoras da América Latina e se tornou itinerante, com edições em São Paulo, Rio de Janeiro, Lima, Buenos Aires e Porto. Hoje trabalha com uma rede de editoras que abrange a produção de países como Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru, Uruguai e Venezuela. Desde 2013 a edição de São Paulo tem a correalização da Casa do Povo.

À convite da Feira Tijuana, a curadora e pesquisadora Beatriz Lemos, e o artista Fabio Morais assinam a programação deste ano com uma diversidade de temas e encontro de linguagens que extrapolam os limites da arte impressa. Entre os destaques está a Slam USPerifa, competição de poesia falada que acontece sábado (03), às 19h. No ciclo de conversas, também no sábado (3) às 14h, está a participação Cidinha da Silva autora de obras fundamentais para o pensamento sobre as relações raciais contemporâneas e africanidades no Brasil, como Um Exu em Nova York (2018) e #Parem de nos matar! (2019, 2ª edição) que abordará seu ofício de cronista. Da lista de mais de 100 editoras participantes, também destaca-se a participação inédita do #spterraindígena, iniciativa que irá reunir a produção de artistas indígenas contemporâneos de diversas regiões do Brasil.

PROGRAMAÇÃO

Sábado, 03/08

12 às 13h - Fala: Estúdio Kamori
Com Kamori e Júlia Pinto
Na Oficina Cultural Oswald de Andrade - informação da sala na recepção da OCOA
O Estúdio Kamori existe há mais de 15 anos em São Paulo. Foi montado pelo papeleiro Kamori (Katsutoshi Mori) como um espaço para pesquisa sobre papel artesanal e plantas produtoras de fibras, para aulas e vendas de papéis. Kamori também desenvolve no Estúdio um trabalho de xilogravura, explorando sobreposições, relevos secos e matrizes perdidas. Muitos artistas já passaram pelo Estúdio e firmaram parcerias. Desde 2017, a designer gráfica Julia Pinto é uma colaboradora ativa do Estúdio Kamori.
Essa será uma fala sobre o papel, sua história, suas variações, especificidades e usos.

13h30 às 14h - Leitura: Luna, A Byxa-Travesty
Casa do Povo – 2º andar

14 às 16h - Fala: Kuanza
Com Cidinha da Silva
Casa do Povo – térreo
Cidinha da Silva, autora de obras fundamentais para o pensamento sobre as relações raciais contemporâneas e africanidades no Brasil, como Um Exu em Nova York (2018) e # Parem de nos matar! (2019, 2a edição), abordará o ofício de cronista destacando: seleção de temas, o texto lírico no gênero, diferenças entre crônica e textões de redes sociais, o desafio de escrever para portais de notícias e suas implicações.

16h30 às 17h - Leitura: Ana Beatriz Domingues
Casa do Povo – 2º andar

17 às 19h - Fala: Biblioteca de Motins - o ânimo literário das ruas insurrecionárias | GLAC edições
Com Abigail Campos Leal, Nathalia Colli e Jaime Lauriano
Casa do Povo – térreo
Diante do esfacelamento político da esquerda institucional pós golpe e da crescente regulamentação da liberdade social por meio de uma discursividade pró liberdade econômica empregada pela "nova" direita, que ascende ao redor do mundo, vemos também emergir a necessidade de imaginar uma práxis de luta que seja capaz de se distanciar da perspectiva legalista dos corpos e que, por si mesma, seja produtora de um modus incomum de forma de vida: o autonomismo político.

19 às 20h - Slam USPerifa
Casa do Povo – escadaria da entrada

Domingo, 04/08

14 às 15h - Leitura: Editora Nosotros
Com Carla Kinzo, Helena Zelic & Mariana Lazzari, Lubi Prates, Maria Clara Escobar e Priscilla Campos
Casa do Povo – 2º andar

15h30 às 17h30 - Fala: #spterraindígena
Com Denilson Baniwa
Casa do Povo – térreo
Roda de conversa com os artistas que magnetizaram as movidas do #spterraindígena realizadas até o momento. Círculo composto por artistas conectadxs pela arte indígena contemporânea, suas andadas pelo mundo afora (alou sementes da arvore Waza'k, netxs e sobrinhxs e afilhadxs de Macunaima). Germinações/ligações/relações/encontros/ de ancestralidades potentes ativadoras de lutas comuns reverberadas através de produções impressas que estarão na mesa, uma roda de histórias comuns, expressas por artistxs para além da impressão, #spterraindigena em uma versão oral.

18 às 18h30 - Leitura: Padê editorial
Com Tatiana Nascimento
Casa do Povo – 2º andar

19h30 às 20h - Performance de encerramento com CreativeCommes
Casa do Povo - térreo

Ações contínuas durante a feira

12 às 20h - Performance: Viva Maria, uma tradução
Por Livia Aquino
Casa do Povo - 2º andar
A ação propõe a realização de uma possível tradução para a obra Viva Maria(1966), de Waldemar Cordeiro, onde os participantes constroem novas bandeiras alterando a palavra inscrita originalmente no singular para o plural – canalhas. Há uma intenção de múltiplo: cobrir com bandeiras a empena do prédio anexo do Congresso Nacional em Brasília. É também um espaço de reflexão e resistência sobre o que vivemos hoje no país. Durante o período da Tijuana permaneço com a mesa aberta para quem se dispuser a costurar.

12 às 20h - De repente é bom ter um objetivo - Inserções sonoras na Feira Tijuana
Por céu da boca, Daniela Avelar e nunc edições de artista
Casa do Povo - 2º andar
Instalação sonora composta por uma série de textos gravados em áudio. São textos que propõem um formato de diálogo que se estabelecerá entre a voz gravada e a pessoa que a escuta. Frases entre intervalos, que trazem para quem estiver ouvindo espécies de induções, provocações, perguntas, para que as lacunas do texto se completem com suas respostas.
‘de repente é bom ter um objetivo’ é um grupo formado pelxs artistas Bil Lühmann, Daniela Avelar, Marco Antonio Mota e Raquel Stolf.

Veículo
Por Camila Valones | Kuceta Plataformance Ação Ambulante
Vários horários e espaços da Casa do Povo

Banca Pornopirata
Por Bruna Kury | Kuceta Plataformance Ação Ambulante
Vários horários e espaços da Casa do Povo

PARTICIPANTES

#spterraindígena (São Paulo)
A Bolha Editora (Rio de Janeiro/Brasília)
a margem ; press (Salvador)
A Missão (São Paulo)
Ana Francotti (São Paulo)
Andante (Belo Horizonte)
Banca Tatuí (São Paulo)
Bebel Books (São Paulo)
Cachimbo : varal coletivo (São Paulo)
Casa27 (Rio de Janeiro)
céu da boca (Florianópolis)
Charivari (São Paulo)
Claudia Zimmer (Blumenau)
Club del Prado (Buenos Aires)
coisas que matam (São Paulo)
Conspire Edições (São Paulo)
Creative Commes (São Paulo)
Cuestión (Buenos Aires)
Cultura e Barbárie (Florianópolis)
Daniela Avelar (São Paulo)
David Galasse (São Paulo)
Dulcinéia Catadora (São Paulo)
É selo de língua (São Paulo)
Edições de Zaster (São Paulo)
edições extemporâneas (São Paulo)
Edições Jabuticaba (São Paulo)
Editora Cobogó (Rio de Janeiro)
Editora Incompleta (São Paulo)
Escape Zines (São Paulo)
Estúdio Kamori (São Paulo)
Folhagem Coletiva (Porto Alegre / São Paulo)
GLAC edições (São Paulo)
Grafatório Edições (Londrina)
Gráficafábrica (São Paulo)
Graphobios (Buenos Aires)
Grupo de Estudos Lastro (São Paulo)
Grupo Xiloceasa (São Paulo)
IKREK (São Paulo)
Jornal de Borda + Série Aquela Mulher (São Paulo)
Kuanza Produções (São Paulo)
Kuceta Plataformance Ação Ambulante (várias)
Lambes do Mal (Salvador)
lila botter (São Paulo)
Lívia Aquino (São Paulo)
Livros Fantasma (São Paulo)
Livros Nômades (São Paulo)
Lote 42 (São Paulo)
Lovely House - casa de livros e editora (São Paulo)
maria fulana (São Paulo)
Membrana (São Paulo)
Mesa da Ladeira (Salvador)
Microutopías (Montevidéu)
miríade edições (Florianópolis)
Motta Press (São Paulo)
nano editora (Rio de Janeiro)
NegaLilu Editora (Goiânia)
Norte (São Paulo)
nosotros, editorial (São Paulo)
nunc edições de artista (Belo Horiozonte/São Paulo)
ocupeacidade / zerocentos publicações (São Paulo)
Oficina do Prelo (Rio de Janeiro)
Padê (Brasília)
par(ent)esis (Florianópolis)
pharmakon (São Paulo)
Pipoca Press (Rio de Janeiro / São Paulo)
Pólen Livros (São Paulo)
Polvilho Edições (Belo Horizonte)
Portátil Edições (São Paulo)
Publication Studio São Paulo (São Paulo)
Quintal (Santo André)
Risotrip Print Shop Co. (Rio de Janeiro)
Risotropical (São Paulo)
sarah uriarte / des (Itajaí)
Sebo Encanto Radical (São Paulo)
Selene Alge (São Paulo)
Selo Pólvora (Belo Horizonte/Buenos Aires/São Paulo/Tokyo)
sericleta> monica schoenacker (São Paulo)
Sinistra Edições (São Paulo)
StudioTreze (São Bernardo do Campo)
TEAR (Guarulhos)
Telma Melo + Ângelo Manjabosco (São Paulo)
Textos de Mesa/Territorios de Infancia (Buenos Aires)
treme~terra (São Paulo)
Ubu Editora (São Paulo)
VEM PRA LUTA AMADA (Rio de Janeiro)
Vibrant (São Paulo)
Xilotekoa (São Paulo)

Organização: Casa do Povo e Edições Tijuana | Ana Luiza Fonseca
Curadores convidados: Beatriz Lemos e Fabio Morais
Júri de seleção: Beatriz Lemos, Fabio Morais, Regina Melim, Gabriela Bresola e Magui Testoni
Conselho: Fabio Morais, Flavia Bomfim, Gabriela Bresola, Maíra Dietrich, Laura Daviña, Rachel Gontijo e Regina Melim

Posted by Patricia Canetti at 11:23 AM

Edith Derdyk na Casa de Cultura do Parque, São Paulo

Edith Derdyk apresenta exposição Protolivro na Casa de Cultura do Parque: mostra reflete sobre o imaginário que cerca as origens do livro

Em uma era de crise de discursos, na qual o excesso de informações promove desinformação e desordem, o saber passa por um momento de fragilidade. Os livros, por sua vez, detêm registros importantes da história da humanidade e abrem portas tanto para o passado quanto para o futuro. É neste contexto de ambiguidade que a artista paulistana Edith Derdyk abre suas investigações na mostra Protolivro, em cartaz a partir de 3 de agosto, na Casa de Cultura do Parque.

O neologismo que dá título à exposição evoca a ideia de primeiro, de matriz, do livro que é anterior aos demais. E é este o ponto de partida para os estudos de Derdyk em torno do imaginário que cerca as origens do livro, manuscrito ou impresso, em seu percurso no tempo. "O livro é parte fundante da construção do conhecimento, tanto do imaginário quanto das vontades de futuro. Somos seres de linguagem e remontar as nossas origens, além de ser um fundamento poético, traduz um ato político", explica a artista.

A mostra, que tem texto de apresentação do artista Fabio Morais, ocupa as duas salas do espaço expositivo da Casa de Cultura do Parque. É um convite de Derdyk a uma experiência imersiva, cuja ideia é oferecer ao visitante a possibilidade de adentrar nas páginas de um grande livro aberto. Através do desmembramento de cada parte - capa, contracapa, orelha, miolo, folha, página, índice, costura, vinco, furo, dobra e cola -, a exposição contempla a sintaxe, a gramática, a arquitetura do livro e suas temporalidades.

"Quando alguém concebe uma obra imaterial cuja materialização é livro – um texto, por exemplo – esse processo funde-se à cadeia de produção [...]. Ao desmontar livros e arranjar seus fragmentos em mecanismos sem funcionamento livresco, Edith aciona um funcionamento fabulatório e visual, subvertendo com singularidade a padronizada cadeia de produção gráfica", comenta Morais.

Protolivro é dividida em dois núcleos, denominados pela artista como Sala Escura e Sala Clara. A primeira é composta de resíduos, fragmentos e componentes que evidenciam as memórias do livro, elementos que evocam a ideia de passado. Aqui, Edith usa livros antigos, objetos marcados pelo tempo, com manchas, vestígios, fungos e mofos, a exemplo da obra Indícios (2019), instalação de nove metros, formada por pedaços de livros desmembrados e estendidos na parede.

Ainda na Sala Escura, em Tábula Rasa (2017/2019), a artista convoca as primeiras narrativas acerca do Mito da Criação. Trata-se de uma obra que reúne, lado a lado, 40 imagens impressas, resultado de sobreposições de registros da primeira página do Gênesis. A artista pesquisou livros em sebos com diferentes edições, línguas e formatos da Bíblia. Manchas escuras tomam as páginas, provocando uma certa ilegibilidade e aludindo a uma espécie de "arqueologia ao avesso", segundo as palavras da artista.

A Sala Clara propõe uma experiência imersiva, reunindo obras construídas in loco com folhas de papel em branco, linha preta, agulhas, pregos enferrujados e carvão. "O papel em branco abre precedente para o desejo de futuro, um chamado por um livro que está por vir", reflete a artista.

E o futuro vem com um respiro. Em contraposição aos elementos densos da Sala Escura, carregados de vestígios do passado, Edith oferece ao público um momento de leveza. É o que ela faz em Pulmão (2019), instalação em que usa linhas e agulhas para criar uma espécie de escrita suspensa, aérea.

A trajetória de Edith Derdyk está presente sob vários ângulos na exposição Protolivro. E nada é por acaso, uma vez que a artista também é escritora, educadora e ilustradora.

Durante o período expositivo, a Casa de Cultura do Parque irá promover atividades paralelas à mostra. Para iniciar a programação, no dia 14 de agosto às 19h acontece uma conversa entre os artistas Edith Derdik e Fabio Morais com o público.

Sobre A Casa de Cultura do Parque

A Casa de Cultura do Parque oferece uma programação de alta qualidade, com exposições de arte, oficinas, palestras, cursos e ciclos de debates. Idealizada por Regina Pinho de Almeida, o espaço está localizado em frente ao Parque Villa Lobos e propõe em um ambiente acolhedor, fomentar cultura e sustentabilidade.

Posted by Patricia Canetti at 10:21 AM

Janaina Tschäpe no Fortes D’Aloia & Gabriel - Galpão, São Paulo

Janaina Tschäpe retorna a São Paulo com Mapping the Unattainable, sua sétima exposição na Fortes D’Aloia & Gabriel. A artista ocupa o amplo espaço do Galpão com pinturas inéditas em grande formato. Ainda que essencialmente abstratas, as pinturas arquitetam uma paisagem que se projeta da psique para a natureza, e nela se espelha simultaneamente.

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Fruto de intensa observação da cor e profunda sensibilidade às passagens de luz, as obras se impõem de início como uma experiência sinestésica. Ao ritmo potente da gestualidade larga da pintura em caseína, se sobrepõem elementos desenhados com lápis de cor aquarelável que lhe emprestam temas melodiosos. “Minha pintura nasce das minhas observações, que podem ser da natureza, mas também da imaginação; ambas sempre andam juntas. Para mim, tudo tem cores, as vogais, os tons musicais, os números, as palavras”.

Um entrelace entre memória, ficção pessoal e literatura empresta aos títulos narrativas que guiam o espectador por essas paisagens. As obras After Nodding Violets (2019) e Purple Forest Roam (2019) tomam seus títulos de uma passagem de Sonho de uma Noite de Verão de Shakespeare, referindo-se às flores violetas que brotam no campo. Na primeira pintura, a trama intrincada e translúcida se sobrepõe à pele da pintura como uma renda. Na segunda, a cor dominante se desfaz sobre um fundo verde opaco, num movimento líquido. Já Radiant Hues of Paradise (2019) toma seu título de um verso do Fausto de Goethe. O romantismo perpassa o léxico de Tschäpe já no início do seu trabalho em fotografias e vídeos. In Search of the Miraculous (after Bas Jan Ader) (2019) flerta também com ideais românticos num tributo ao artista conceitual que, em 1975, desapareceu após zarpar sozinho da costa de Massachusetts num pequeno barco à vela. Essa busca, ou o mapeamento de algo inatingível, como o título da exposição indica, se confunde com a própria atividade da pintura. Se nas telas tudo parece estar em fluxo permanente, é curioso notar como em cada uma delas existe um estado de alerta, uma atenção ao detalhe que faz com que cada encontro com a tela seja de fato uma experiência única.

Nascida em Munique e criada em São Paulo, Janaina Tschäpe (1973) estudou Belas Artes no Hochschule fur Bilende Kuenste em Hamburgo e é mestre em Belas Artes pela School of Visual Arts de Nova York, onde vive desde 1998. Em 2020, tem individuais programadas no Sarasota Art Museum (Flórida) e no Musée de l’Orangerie (Paris), onde suas pinturas e uma videoinstalação serão mostradas frente a frente às Ninfeias de Monet. Seus projetos recentes incluem um painel de 20 metros para o SESC Guarulhos, inaugurado em maio deste ano. Ela também participa da coletiva Live Dangerously no National Museum of Women in the Arts (Washington, D.C.), que inaugura em setembro, onde será exibido pela primeira vez o conjunto completo de sua série de fotografias 100 Little Deaths (1996–2002). Destacam-se ainda suas exposições individuais em: Museum of Contemporary Art Tucson (Tucson, 2014); Kasama Nichido Museum of Art (Kasama, 2009); Irish Museum of Modern Art (Dublin, 2008). Sua obra está presente em importantes coleções como: Solomon R. Guggenheim Museum (Nova York), Centre Pompidou (Paris), Moderna Museet (Estocolmo), Museo Reina Sofía (Madri), TBA21 (Viena), Inhotim (Brumadinho), MAM Rio de Janeiro, entre outras.


Janaina Tschäpe returns to São Paulo with Mapping the Unattainable, her seventh exhibition at Fortes D’Aloia & Gabriel. The artist occupies the wide space of Galpão with new large-format paintings. Although essentially abstract, the paintings design a landscape simultaneously projecting and reflecting itself from psyche to nature.

Resulting from an intense observation of color and acute sensitivity to light transitions, the paintings emerge at first as a synesthetic experience. Following the pace of her wide powerful brush strokes of casein paint, several watercolor pencil elements overlay the canvases to grant them melodious themes. “My painting arises out of my observations, which can be observations of nature or from fantasy just as well; the two always go together for me. I consider everything to have color: vowels, tones, numbers, words”.

An interlace of memory, personal fiction and literature grants the titles narratives that guide the viewer through these landscapes. After Nodding Violets (2019) and Purple Forest Roam (2019) borrow their titles from an excerpt of Shakespeare’s A Midsummer Night’s Dream, referring to the violet flowers that bloom in the field. On the former an intricate translucent weave overlays the painting’s skin like lace. On the latter the dominant color dissolves onto an opaque green background in a liquid motion. Radiant Hues of Paradise (2019) is a quote from Goethe’s Faust. Romanticism permeates Tschäpe’s lexicon from the very beginning of her career in photographs and videos. In Search of the Miraculous (after Bas Jan Ader) (2019) also flirts with romantic ideals in a tribute to the conceptual artist who, in 1975, has vanished after sailing away alone from the Massachusetts coast on a little boat. As the exhibition title hints, this quest for or mapping of something unattainable merges with the painting practice itself. While on canvas everything seems to be on constant flow, it’s interesting to notice the alertness and attention to detail present in each one of them, which makes each encounter with the canvas a unique experience.

Born in Münich and raised in São Paulo, Janaina Tschäpe (1973) has studied fine arts at Hochschule fur Bilende Kuenste in Hamburg and holds a Masters in Fine Arts from the School of Visual Arts in New York, where she lives since 1998. She has solo shows scheduled for 2020 at the Sarasota Art Museum (Florida) and at Musée de l’Orangerie (Paris), where her paintings and a video installation will be displayed across from Monet’s Water Lilies. Her most recent projects include a 65ft mural for SESC Guarulhos, inaugurated last May. In September she will also take part in the group show Live Dangerously at the National Museum of Women in the Arts (Washington, D.C.), where the complete set of her photographic series 100 Little Deaths (1996–2002) will be displayed for the first time. Highlights of her solo shows include: Museum of Contemporary Art Tucson (Tucson, 2014); Kasama Nichido Museum of Art (Kasama, 2009); Irish Museum of Modern Art (Dublin, 2008). Her work is part of important collections such as: Solomon R. Guggenheim Museum (New York), Centre Pompidou (Paris), Moderna Museet (Stockholm), Museo Reina Sofía (Madrid), TBA21 (Vienna), Inhotim (Brumadinho), MAM Rio de Janeiro, among others.

Posted by Patricia Canetti at 8:37 AM

julho 29, 2019

Zip’Up: João GG na Zipper, São Paulo

Em Retrogosto, exposição individual de João GG no projeto Zip’Up, cada trabalho é tão ostensivamente novo quanto opera um déjà vu: fotografias de paisagens que se parecem com outras paisagens; objetos novos que remetem a ruínas; elementos arquitetônicos modernos que evocam coisas antigas; isopor com aspecto mineral; uma trilha sonora fragmentada que deixa intuir uma possível familiaridade. Os objetos remetem a diversas referências mas não são exatamente nenhuma delas, são híbridos ou, nas palavras do artista, há "memórias residuais" impregnadas nos objetos e fotografias, e por eles conjuradas. Com curadoria de Hélio Menezes, “Retrogosto” abre no dia 6 de agosto e fica em cartaz até o dia 31.

A individual parte de dois processos centrais no trabalho de João GG: ambientação e deslocamento de sentidos. A ambientação é pensada pelo artista a partir das relações que os objetos expostos mantém entre si, e de como este convívio produz o ambiente. O deslocamento é um procedimento presente na produção do artista, que trabalha plasticamente um símbolo ou uma imagem altamente codificada até o limite de sua reconhecibilidade, ponto em que o objeto passa a ser apreendido naquilo que sua matéria e cor dão conta de reter. “Rugosidade e lisura, figura e fundo, verticais e horizontais, calor e frio, justaposição de texturas e cores, entre outros pares de opostos complementares, fazem emergir dos objetos de João GG efeitos dramáticos e sensoriais, como se os polos esboçassem definir todas as possibilidades de matizes intermediários”, afirma Hélio Menezes.

Há nas formas criadas pelo artista um interesse pela representação da paisagem. As esculturas em isopor, ainda que lembrem formas virtuais renderizadas, mantém aspectos rochosos, que sofreram desgaste por alguma força exógena. As formas se relacionam, também, com uma estética da cultura de consumo, da linguagem publicitária e do vitrinismo. “Ficção e hibridismo são elementos importantes do trabalho, já que o resultado final dele costuma ser uma associação de três ou quatro referenciais distintos”, conta João GG. Nesta direção, o trabalho “Altar em bump-mapping” (2019) é uma pista para o conjunto da exposição: duas formas escultórias quase simétricas remetem a um altar, embora não venerem divindade alguma.

“A noção de retrogosto, ou aftertaste, é sempre algo sensorialmente específico, mas impossível de definir sem que a substância da qual ele procede seja evocada, mesmo que seu gosto seja diferente, como por exemplo o gosto residual de aspirina ou do vinho”, conta João GG.

Idealizado em 2011, um ano após a criação da Zipper Galeria, o programa Zip’Up é um projeto experimental voltado para receber novos artistas, nomes emergentes não representados por galerias paulistanas. O objetivo é manter a abertura a variadas investigações e abordagens, além de possibilitar a troca de experiência entre artistas, curadores independentes e o público, dando visibilidade a talentos em iminência ou amadurecimento. Em um processo permanente, a Zipper recebe, seleciona, orienta e sedia projetos expositivos, que, ao longo dos últimos oito anos, somam mais de cinquenta exposições e cerca de 70 artistas e 30 curadores que ocuparam a sala superior da galeria.

Sobre o artista

João GG (Porto Alegre, 1986) produz esculturas e instalações em que iluminação e ambientação são elementos centrais. Os trabalhos são frequentemente construídos com materiais cênicos e/ou sintéticos (isopor, lâmpadas de LED, resina, poliuretano, látex) e estabelecem diálogo com representação de paisagem, ficção, cenografia, vitrinismo, fotografia de estúdio e, de forma mais ampla, com a noção de artifício. Diversos trabalhos partem de imagens altamente codificadas para dessignificá-las ou hibridizá-las. O artista vive e trabalha em São Paulo. Entre suas principais exposições estão: Dear Amazon - BRAZIL X KOREA The Anthropocene, Ilmin Museum of Art, Seul (2019); Inauguração Oficial da Represa do Pacaembu, Casa Alagada, São Paulo (2019); O Aparato, Paço das Artes no MIS, São Paulo (2018); Philiosofreak, Casa de Cultura Mario Quintana, Porto Alegre (2018); AI-5 50 anos, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (2018).

Sobre o curador

Hélio Menezes é antropólogo, atua como pesquisador, crítico e curador. Graduado em Relações Internacionais e em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, onde tornou-se mestre e doutorando em Antropologia Social. Vem desenvolvendo pesquisas sobre arte e política, com foco em teoria antropológica da imagem. Foi coordenador internacional do Fórum Social Mundial de Belém (Brasil, 2009), Dacar (Senegal, 2011) e Túnis (Tunísia, 2013). É Curador de Literatura do Centro Cultural São Paulo, curador do Museu de Arte Osório César e foi um dos curadores da exposição Histórias Afro-Atlânticas (MASP e Instituto Tomie Othake, 2018) e da mostra de performances Eu não sou uma mulher? (ITO, 2018).

Posted by Patricia Canetti at 10:46 AM

Adriana Duque na Zipper, São Paulo

Após cinco anos, a colombiana Adriana Duque volta a expor no Brasil, com a individual Renascimento, em cartaz na Zipper a partir do dia 6 de agosto. Em sua última exposição solo no país – “Íconos”, em 2014, também na galeria – a artista apresentou trabalhos que estabeleciam relações a pintura holandesa do período Barroco. Agora, as fotografias da artista dialogam com a pintura retratual renascentista, a partir das características típicas do movimento cultural surgido entre os séculos XIV e XVI na Europa. A curadoria da exposição é de Eder Chiodetto.

O trabalho de Adriana Duque incita o embate entre a fotografia e a pintura. A artista utiliza a fotografia – e os recursos contemporâneos dedicados a este suporte – para realizar aproximações e releituras da pintura de diversos momentos da história da arte. No caso do Renascimento, a artista faz uma reflexão sobre a individualidade, uma noção que se encontra na base da passagem da visão teocêntrica da Idade Média para o humanismo. A explosão de retratos que se viu surgir no Renascimento diz respeito ao crescente interesse pela individualidade no período, em contraposição à representação do divino durante a Idade Média.

Longe, porém, de procurar retratar representações fiéis da realidade, Adriana Duque questiona a própria noção de retrato e seu papel no mundo contemporâneo: em “Renascimento”, as fotografias se constituem como montagens de elementos a partir de técnicas digitais. “Cada um dos trabalhos coloca a definição do retrato em um campo em movimento, porque não são imagens obtidas pela simples gravação da realidade do sujeito retratado. A totalidade de cada obra é composta parte por parte, de modo que cada imagem resultante corresponde, na realidade, a fragmentos dispersos e remontados meticulosamente na busca de uma imagem ideal, aquela que só habita a mente do artista”, afirma Adriana Duque.

Sobre a artista

O trabalho de Adriana Duque (Manizales, Colômbia, 1968) incita o embate entre a fotografia e a pintura. A artista utiliza a fotografia – e os recursos contemporâneos dedicados a este suporte – para realizar aproximações e releituras da pintura. Sua pesquisa têm se dedicado a retratar crianças rodeadas por uma atmosfera austera, em cenas minuciosamente construídas.Ela tem trabalhos em coleções como Instituto Figueiredo Ferraz de Ribeirão Preto; Museo de Arte Moderno de Medellín, Colombia; e Museu de Arte do Rio (MAR-RJ). Entre suas principais exposições individuais destacam-se: “Iconos”, Zipper Galeria, 2014; "Anthology of an Obsession", Witzenhausen Gallery, Amsterdam, 2014; "The Other Side", Galería el Museo, Bogotá, 2014; "Infantes", Galeria Horrach Moya, Palma de Maiorca, 2010; "Baroque Children", Museo Iglesia Santa Clara, Bogotá, 2009; "De Cuento en Cuento", Museo de Arte Moderno de Medellín, Medelín, 2005. Participou de mostras coletivas em cidades como Paris, Bogotá, e Madri, entre elas "Photoquai - Biennale de Photographie", no Musée du Quai Branly, Paris, em 2013; "Desnudando a Eva". Instituto Cervantes, Madri, 2012; "Topologías: Materias en Tránsito", Casa de la Moneda, Bogota, 2006.

Sobre o curador

Eder Chiodetto é curador especializado em fotografia, com mais de 70 exposições realizadas nos últimos 10 anos no Brasil e no exterior. Mestre em Comunicação e Artes pela ECA/USP, jornalista, fotógrafo, curador independente e autor dos livros O Lugar do Escritor (Cosac Naify), Geração 00: A Nova Fotografia Brasileira (Edições Sesc), Curadoria em Fotografia: da pesquisa à exposição (Ateliê Fotô/Funarte), entre vários outros. Nos últimos anos tem realizado a organização e edição de livros de importantes fotógrafos como Luiz Braga, German Lorca, Criatiano Mascaro, Araquém Alcântara e Ana Nitzan, entre outros. É curador do Clube de Colecionadores de Fotografia do MAM-SP desde 2006.

Posted by Patricia Canetti at 10:40 AM

Eduardo Berliner na Triângulo, São Paulo

Casa Triângulo tem o prazer de apresentar A forma dos restos, terceira exposição individual de Eduardo Berliner na galeria. A mostra reúne cerca de dezenove pinturas a óleo sobre diferentes suportes [tela, lona solta e madeira], além de três grupos de desenhos. Um desses grupos consiste em um conjunto de dez cadernos de anotações realizados ao longo do último ano, cujas páginas serão viradas semanalmente durante o período da exposição.

Para Eduardo Berliner, a qualidade da superfície da madeira justifica seu uso como suporte ao longo dos últimos anos. Segundo o artista, sendo mais lisa do que a lona, diminui o atrito no movimento do pincel permitindo um trabalho com linhas mais velozes e fluidas e a criação de um espaço híbrido entre desenho e pintura. Importante acentuar que alguns desses trabalhos receberam chapas de compensado ao longo do processo, o que enfatiza seu aspecto especulativo.

O modo como Berliner realiza seu trabalho é essencialmente introspectivo: “De forma geral, o repertório imagético deriva do acúmulo de registros diários realizados durante anos em meus cadernos reconfigurados pelo contato com o processo de pintura. São anotações de natureza distinta que flutuam entre a observação do meu entorno, informação absorvida de maneira consciente e inconsciente e um mapeamento de questões íntimas com forte carga psicológica”.

Durante o processo de pintura, em contato com a fisicalidade dos materiais, questões de natureza e temporalidade distintas tendem a se fundir, originando imagens ou situações que não necessariamente se referem a um evento específico, mas a metáforas abrangentes sobre a condição humana.

Um exemplo da temporalidade na obra de Berliner está no trabalho A estranha permanência na memória das coisas vistas no escuro, 2017. Composta por cinquenta pequenos desenhos e textos em nanquim e aquarela, criam uma atmosfera intimista onde observações e distorções da memória convivem lado a lado gerando uma narrativa que oscila entre unir elementos delicadamente para logo em seguida despedaçá-los, com o simples movimento dos olhos.

A exposição conta com texto assinado pelo autor português Valter Hugo Mãe.

Eduardo Berliner [Rio de Janeiro, Brasil, 1978. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil] realizou exposições individuais na Casa Triângulo, São Paulo, Brasil [2016 e 2010]; na Fundação Eva Klabin, Rio de Janeiro, Brasil [2015]; na Casa Daros, Rio de Janeiro, Brasil [2014] e no Centro Cultural Banco do Brasil, Sala A Contemporânea, Rio de Janeiro, Brasil [2013] e participou das exposições coletivas recentes Com Título e Sem Título, Técnicas e Dimensões Variadas, Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Brasil; Utopia de Colecionador o Pluralismo da Arte, curadoria de Ricardo Resende, Fundação Marcos Amaro, Itu, Brasil [2019]; Projeto Cavalo: Quadrivium 8 patas, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil [2018]; Bestiário, curadoria de Raphael Fonseca, Centro Cultural São Paulo, Brasil [2017]; Os Muitos e o Um: Arte Contemporânea Brasileira, curadoria de Robert Storr, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil; A cor do Brasil, curadoria de Paulo Herkenhoff e Marcelo Campos, MAR - Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Brasil [2016]; Dark Mirror . Lateinamerikanische Kunst Seit 1968, Kunstmuseum Wolfsburg, Wolfsburg, Alemanha; E se quebrarem as lentes empoeiradas?, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil; Pangaea II: News Art From Africa and Latin America, Saatchi Gallery, Londres, Inglaterra [2015]; 30ª Bienal de São Paulo, curadoria de Luis Pérez-Oramas, São Paulo, Brasil [2012]. Prêmios: Prêmio Pipa, Brasil – Finalista [2011]; Prêmio CNI_SESI Marcantônio Vilaça, Brasil [2009]. Coleções públicas: MoMA- Museum of Modern Art, New York, EUA; K 11 Art Foundation, Hong Kong, China; Daros Latinamerica AG, Zurique, Suíça; The Saatchi Gallery, Londres, Inglaterra; Coleção Gilberto Chateaubriand, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil; Coleção Banco Itaú S.A., São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, Brasil; Museu de Arte do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil.

Posted by Patricia Canetti at 10:03 AM

julho 26, 2019

Coletivo Cartográfico e Jorge Soledar em Paço das Artes no MIS, São Paulo

O Paço das Artes — instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo — realiza no dia 30 de julho a performance Vitrine do Coletivo Cartográfico e Jorge Soledar. Essa é a mais nova atividade da “Temporada em Foco”. A ação, gratuita, acontecerá a partir das 19h no MIS - Museu da Imagem e do Som e não é necessária inscrição prévia para participar.

A “Temporada em Foco” foi criada para ser uma extensão das exposições da Temporada de Projetos, principal programa do Paço das Artes, pioneiro no fomento, na produção e na difusão da arte contemporânea jovem brasileira. O objetivo é desmembrar o tema de cada mostra em diferentes ações e linguagens tais como oficinas, shows, debates e visitas guiadas. A primeira atividade foi a oficina “Pulsão, Magia e Técnica”, ministrada pela bailarina mineira Morena Nascimento.

As performances do Cartográfico partem da proposição de situações-limite que borram a fronteira entre corpo e objeto e/ou materialidade e em “Vitrine” o grupo coloca quatro manequins paralelos a quatro pessoas que carregam ferramentas, formando uma espécie de duplo. Os artistas, com seus instrumentos, aproximam-se dos corpos e iniciam roteiros simultâneos, monomaníacos, que formam uma espécie de paisagem.

Coletivo Cartográfico é um coletivo autogestionado pelas artistas Carolina Nóbrega, Fabiane Carneiro e Monica Galvão. Seus trabalhos se constroem na interface entre a dança contemporânea e outras áreas, como as artes visuais e o urbanismo. Suas ações coreográficas e/ou performativas procuram boicotar a noção do corpo como uma verdade ontológica e neutra, para explicitar as políticas por detrás das relações de co-autoria do corpo com o meio. O Coletivo já foi contemplado por duas edições do Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo; por uma edição do ProAC Primeiras Obras de Dança; e por uma edição do Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna. Seus trabalhos já circularam por diversas cidades de diferentes estados brasileiros, bem como integraram a programação de inúmeras mostras, festivais e seminários de dança, performance, intervenção urbana, artes visuais e urbanismo.

Jorge Soledar (1979, Porto Alegre-RS) vive no Rio de Janeiro. É artista e professor do Departamento de Artes Visuais da UFRJ e do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Santa Úrsula (Rio de Janeiro). Doutor em linguagens visuais pela UFRJ (2017), mestre em poéticas interdisciplinares pela mesma instituição (2012) e bacharel em Artes Plásticas com habilitação em História, Teoria e Crítica de Arte pela UFRGS (Porto Alegre, 2008). Seus trabalhos expressam cenas e maquinações de imobilidade mediante cruzamentos entre linguagens visuais, escultóricas, fotográficas e corporais.

Posted by Patricia Canetti at 4:57 PM

Amador Perez no Paço Imperial, Rio de Janeiro

A exposição Amador Perez DVWC Fotos e Variações, com curadoria de Marcia Mello, apresenta no Paço Imperial, Rio de Janeiro, de 2 de agosto a 27 de outubro, uma série de fotografias, produção inédita que marca em 2019 a trajetória de 45 anos do artista carioca. A mostra soma um total de 155 obras, com duas séries realizadas entre 2016 e 2019 - fotografias originais e variações gráficas destas imagens - e uma seleção retrospectiva de obras de Amador Perez relacionadas ao campo da fotografia.

DEPOIMENTOS

artista Amador Perez

A partir da minha admiração e constante observação das obras de Dürer, Vermeer, Watteau e Courbet, fotografei com o celular meus dedos brincando com uma reprodução impressa de Gilles, célebre pintura de Watteau, uma instigante representação do personagem Pierrô, e assim originou-se a série DVWC Fotos e Variações.

Atualmente utilizo a fotografia como mais um meio e extensão do meu trabalho, e em DVWC Fotos e Variações, dou continuidade às questões, materialidade e imaterialidade, singularidade e multiplicidade, que investigo há décadas, estabelecendo relações entre as imagens das obras originais e suas reproduções.

Nos anos 1970, baseado em imagens fotográficas publicadas na imprensa, trabalhei com os recursos do desenho a grafite e da xerografia, e a partir dos anos 1980 comecei a experimentar com reproduções de obras de arte que encontrava em livros e cartões postais, e utilizando técnicas manuais e digitais em uma fusão de linguagens, estabeleceço um jogo triádico interativo entre as imagens criadas pelos autores das obras originais, as imagens elaboradas por mim, e as imagens geradas pela fantasia do espectador.

Nunca limitei meu trabalho a um tipo de técnica apenas e pretendo que a diversidade de meios que uso exprima a coerência das minhas ideias, que os transcendem, e atendam às possibilidades de uma poética.

curadora Marcia Mello

DVWC Fotos e Variações, trabalho mais recente de Amador Perez, põe em evidência sua ligação com as reproduções de obras de arte - seu principal campo de pesquisa -, e com as novas tecnologias, frequentemente incorporadas a um arsenal de interesses e habilidades. As fotografias, realizadas com aparelho celular, registram a mão do artista em contato com imagens impressas de obras de Albrecht Dürer, Johannes Vermeer, Jean-Antoine Watteau e Gustave Courbet. Sua retórica poética incorpora, assim, o gesto, traduzido em imagens surpreendentemente impalpáveis e concebe fabulações que oscilam entre o velar e o revelar. No jogo de epidermes, o artista propõe uma fusão de tempos e espaços, num silencioso fluxo amoroso que deflagra suas fantasias, desejos e obsessões. A tensão entre as superfícies - do papel e da pele - acaba por cerzir mundos, aproximando representação e realidade no registro em preto e branco de imagens que se apresentam, ora em versão positiva, ora negativa. A cada narrativa criada no sequenciamento de dezesseis diminutas imagens - e suas variações com intervenções do desenho e cores do processo CMYK versus RGB - ouvimos o sussurrar inaudível de afetos e nos deparamos com sentimentos insuspeitados revelados por algo que não está na aparência das coisas.

MINI BIOGRAFIAS

Amador Perez nasceu em 1952 no Rio de Janeiro onde reside e mantém ateliê.

Iniciou sua carreira como artista visual em 1974 participando da exposição Jovem Arte Contemporânea no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

Graduou-se em 1976 em Projeto Gráfico na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Em 1977 realizou sua primeira exposição individual, Vaslav Nijinski a convite do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

A partir de 1981 começou a expor no circuito de galerias de arte do eixo Rio-São Paulo e a participar, como artista representado, em feiras internacionais de arte contemporânea no Brasil, Alemanha e Japão.

O desenvolvimento de sua trajetória inclui participação na XXI Bienal Internacional de São Paulo (1991), assim como a realização de diversas exposições individuais convidado por importantes instituições, tais como, Centro Cultural Banco do Brasil (Rio de Janeiro, 1992), Instituto Moreira Salles (Poços de Caldas, 1993 e 1997, e São Paulo, 1998), Scuola Internazionale di Grafica (Veneza, 1996), Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, 1998), e Paço Imperial (Rio de Janeiro, 2005).

Ao longo de sua carreira tem participado de exposições coletivas no Brasil, Argentina, Colômbia, México, França, Inglaterra e China, e em 2012 integrou Da Margem ao Limiar: Arte e Design Brasileiros no Século XXI na Somerset House, em Londres.

Em 2014 comemorou 40 anos de atividades realizando as exposições Quantos Quadros, no Centro Cultural Cândido Mendes-Ipanema, e Memorabilia - Amador Perez – 40 Anos, no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro.

Acervos de renomadas instituições culturais brasileiras e estrangeiras possuem suas obras, tais como, Museu Nacional de Belas Artes, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu de Arte do Rio, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, e Coleção de Arte Latino-Americana da Universidade de Essex (Inglaterra); e também importantes coleções particulares, tais como, Gilberto Chateaubriand e Luis Antonio de Almeida Braga (Rio de Janeiro), Bruno Musatti, Guita e José Mindlin, e Kim Esteves (São Paulo), Harlan Blake (Nova Iorque), e Richard Hedreen (Seattle).

Sua trajetória é citada em bibliografias especializadas, tais como, História da Arte Geral no Brasil (Walter Zanini, São Paulo, Instituto Moreira Salles, 1984) e Cronologia das Artes Plásticas no Rio de Janeiro - 1816/1994 (Frederico Morais, Rio de Janeiro, Top Books Editora, 1994). Em 1983 publicou o livro de desenhos Nijinski: imagens (Amador Perez, Rio de Janeiro, edição do autor), em 1999, o livro Coleção do Artista - Amador Perez (Editora Fraiha, Rio de Janeiro), um resumo de sua obra, e em 2014, os 'livros de artista', Vaslav Nijinski: SOU e Nijinski: Imagens (Amador Perez, Edição Holos Arte, Rio de Janeiro).

Atuou como professor universitário desde 1981, principalmente na ESDI-UERJ - Escola Superior de Desenho Industrial da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, desde 1984, e desde 1991 no Departamento de Artes e Design da PUC-Rio - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Marcia Mello é bacharel em Letras pela UFRJ, pesquisadora, curadora e conservadora de fotografia.

Participou da implantação do Departamento de Fotografia do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, onde foi curadora entre 1988 e 1997. Prestou serviços para instituições públicas e privadas como o Centro de Conservação e Preservação Fotográfica da FUNARTE e o Arquivo Nacional. Sua formação se completou em estágio no Atelie de Conservation et Restauration de Photographie de la Ville de Paris. Participou dos projetos de conservação dos acervos fotográficos da família do fotógrafo Marc Ferrez, do artista plástico Rubens Gerchman e do crítico de arte Mário Pedrosa.

Entre 2006 e 2015 foi diretora-curadora da Galeria Tempo (RJ). Nesse período, além de organizar inúmeras exposições, participou como expositora das feiras SP/ARTE e ART/RIO. No Centro Cultural da Justiça Federal curou a mostra “Tempos de Chumbo, Tempo de Bossa - os anos 60 pelas lentes de Evandro Teixeira” (2014) e na Galeria do Espaço SESC, “Deveria ser cego o homem invisível?”, fotografias de Renan Cepeda (2015).

Entre suas atividades mais recentes, destacam-se a co-curadoria das exposições “Kurt Klagsbrunn, um fotógrafo humanista no Rio (1940-1960)”, “Rossini Perez, entre o morro da Saúde e a África” e “Ângulos da notícia, 90 anos de fotojornalismo em O Globo” no Museu de Arte do Rio, todas em 2015. Foi curadora da exposição “Artesania fotográfica - a construção e a desconstrução da imagem” no Espaço Cultural BNDES (RJ, 2017), além de "Hiléia" de Antonio Saggese, "Retraço | Vestígios" de Walter Carvalho e "Fluxos"de Luiz Baltar no Paço Imperial em 2018/19.
Como pesquisadora, participou das exposições e livros: “Alair Gomes - A new sentimental journey”, (Cosac Naify, 2009), e “Caixa-preta – fotografias de Celso Brandão” (Estúdio Madalena, 2016), ambas com curadoria de Miguel Rio Branco e exibidas na Maison Européenne de la Photographie em Paris. Realizou a pesquisa e a edição de imagens do livro “Milan Alram” (Edições de Janeiro e Bazar do Tempo, 2015) de Joaquim Marçal.

Autora dos livros “Só existe um Rio” (Andrea Jakobsson Estúdio, 2008) e “Refúgio do olhar, a fotografia de Kurt Klagsbrunn no Brasil dos anos 1940”, (Casa da Palavra, 2013) em parceria com Mauricio Lissovsky.

Tem participado regularmente como leitora de portfólio nos diversos festivais de fotografia realizados no Brasil e organizado debates em torno da fotografia.

Posted by Patricia Canetti at 3:32 PM

Elizabeth Jobim no Paço Imperial, Rio de Janeiro

Variações - Trata-se de uma instalação com sólidos cúbicos em três materiais: concreto pigmentado, madeira e granito. Esses sólidos são combinados formando conjuntos de até cinco elementos cada. Madeira e cimento são a base das construções. O granito olho de sapo é uma rocha local utilizada em arquitetura nos trabalhos de cantaria. Os elementos se agregam por justaposição ou sobreposição, engendrando grupos estáveis mas cambiáveis.

O concreto pigmentado é utilizado pela artista já há algum tempo e traz a cor como qualidade oriunda da pintura. Estas variações/combinações também jogam com o lugar e a função da base na escultura, que na tradição marca a separação entre a obra e o mundo.

Nas palavras do curador Sergio Bessa: "Ao longo das últimas três décadas, o trabalho de Elizabeth Jobim evoluiu gradualmente do expressionismo abstrato para uma prática construtiva cujo léxico comedido tem uma ou duas coisas em comum com o conceitualismo.

De fato, em seu trabalho, já se reconheceram algumas vezes referências ao concretismo da fase inicial ou ao neoconcretismo, ao passo que a sutil manipulação do espaço pela artista continuou a passar despercebida. Com efeito, o trabalho feito por Jobim nesta última década é um desafio consistente às nossas expectativas sobre como a pintura deve se comportar no espaço, e sua produção mais recente levou à criação de objetos que desafiam classificações fáceis, embaçando a separação entre pintura e escultura. As implicações espaciais dessa nova abordagem foram radicais, à medida que os trabalhos gradualmente se jogaram para fora das paredes e se espalharam pelo chão”.

Elizabeth Jobim (Rio de Janeiro, 1957) formou-se em Comunicação Visual na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ), em 1981, e fez mestrado em Artes Plásticas (MFA), na Escola de Artes Visuais de Nova Iorque. Desde a década de 80 participa regularmente de exposições dentro e fora do país. Seus trabalhos estiveram presentes em instituições como MAM RJ, Museu de Arte do Rio, Pinacoteca de São Paulo, Instituto Casa Roberto Marinho, Lehman College Art Gallery (Nova Iorque), Bronx Museum of the Arts (Nova Iorque).

Posted by Patricia Canetti at 11:40 AM

Referência Galeria de Arte ocupa a Galeria Casa no CasaPark, Brasília

A Referência Galeria de Arte realiza a Ocupação 6 da Galeria Casa, no casapark, com uma mostra que reúne as obras em pintura, desenho, fotografia, escultura e videoinstalação de nove artistas mulheres de Brasília

No próximo dia 1º de agosto, às 17h, a Galeria Casa inaugura a Ocupação 6 realizada pela Referência Galeria de Arte com a mostra Linhas de força - Superfícies em transe, com obras de nove artistas mulheres de Brasília. Adriana Vignoli, Alice Lara, Bruna Neiva, Luciana Paiva, Karina Dias, Patrícia Bagniewski, Raquel Nava, Yana Tamayo e Zuleika de Souza trazem para a exposição obras em diversas linguagens e suportes como a pintura, a escultura, a videoinstalação, a fotografia, a performance e a escultura. A mostra fica em cartaz até o dia 27 de agosto, com visitação de terça a sábado, das 14h às 22h, e domingo, das 14h às 20h. A entrada é gratuita e livre para todos os públicos. A Galeria Casa fica no 1º Piso do CasaPark, no corredor do Espaço Itaú de Cinema.

Em “Linhas de força – Superfícies em transe”, o público poderá conferir o recorte de uma pujante produção de artistas mulheres de Brasília. “A multiplicidade de linguagens e materiais é uma característica desta mostra. A outra, se reflete no tema sobre o qual cada artista se debruça: meio-ambiente, direitos dos animais, direitos humanos, arquitetura, tempo, memória, deslocamento, arte”, explica a galerista e curadora da mostra Onice Moraes. Com mais de duas décadas de atuação no mercado de arte contemporâneo e sócia da Referência Galeria de Arte, Onice ressalta o caráter inovador proposto pelas artistas em seus trabalhos. “São artistas com trajetórias diversas e produções reconhecidamente relevantes, com obras em acervos de museus nacionais e internacionais e em importantes coleções privadas”, completa.

Programação

No dia 24 de agosto, sábado, às 17h, acontece o Sarau com as artistas que participam da mostra, com falas, leituras, declamações, conversas e cerveja. O evento é aberto ao público, com entrada gratuita e livre para todos os públicos.

Artistas

Adriana Vignoli, que recentemente expôs na Galeria Casa com a mostra do Ateliê Elefante _ Ocupação 5 -, apresenta desta vez duas séries que abordam suas relações com a arquitetura, a natureza e a materialidade. Graduada em Arquitetura e mestrado em Artes Visuais pela Universidade de Brasília. Entre 2013 e 2014, morou em Berlim e expôs na Nassauischer Kunstverein de Wiesbaden, no Pavilhão na Milchhof, Berlim, e na Hochschule für Bildende Künste Dresden (Faculdade Técnica em Artes Visuais de Dresden). Adriana apresenta na Ocupação 6 com a Referência obras em desenho sobre pedra e escultura em concreto, vidro, terra e borracha. “Utilizo o desenho como meio de pensamento sobre o objeto no tempo e no espaço. O uso do grafite revela o tempo e o espaço pela maneira em que o esforço da linha e também na colagem feita da reconfiguração de fragmentos de desenho figurativo de pedras paleolíticas”, diz Adriana.

Alice Lara pesquisa sobre a linguagem da pintura acerca da condição do animal-não-humano. “Penso também sobre as relações que a humanidade estabelece com eles. Relações essas transitantes entre sentimentos dispares como curiosidade, interesse, amor e desprezo. Para mostrar essa realidade me inspiro em histórias, relatos e vivências pessoais, buscando traduzir a condição animalesca, em sua diversidade, complexidade e mistério”, afirma a artista. “Animais são minha obsessão temática. Sempre lanço um olhar para nossos misteriosos companheiros sobre a Terra, e espero na reciprocidade um entendimento desta relação cuja alteridade é distintiva tanto para eles como para a humanidade”, completa. Nascida em Brasília, em 1987, cidade onde fez sua formação em Artes Visuais em licenciatura e bacharelado. Atualmente, faz mestrado em Artes Visuais na Universidade de São Paulo (USP).

Bruna Neiva é artista visual, pesquisadora em arte e produtora cultural. Possui mestrado na linha de Poéticas Contemporâneas do Instituto de Artes pela Universidade de Brasília, onde desenvolveu sua pesquisa em arte contemporânea, linguagem e memória, voltada para a fotografia e performance. O trabalho de Bruna Neiva transita pela performance e tem a fotografia como suporte para suas ações. Nas obras presentes na mostra - "Terra inscrita" e "não te moves de ti #3" -, Bruna se reporta à inconcretude da realidade e à solidez do sonho como matérias poéticas. A artista constrói nesses trabalhos à força inscrições em um espaço, pensando o corpo como território.

Artista visual e professora do Departamento de Artes Visuais da Universidade de Brasília, Karina Dias atua na graduação e pós-graduação. Pós-doutora em Poéticas Contemporâneas (UnB), Doutora em Artes pela Université Paris I – Panthéon Sorbonne. Trabalha com vídeo e intervenção urbana, expondo no Brasil e no exterior. É autora do livro “Entre visão e invisão: paisagem (por uma experiência da paisagem no cotidiano)”. Coordena o grupo de pesquisa vaga-mundo: poéticas nômades (CNPq). Para a mostra na Galeria Casa, Karina apresenta os vídeos “Como-ver-se”, 2010 e “Pilotis”, 2019. Neles, é possível observar a pesquisa centrada nas poéticas da paisagem e da viagem, na geopoética, nos processos de produção artística, no lugar e seus modos de imaginação.

Luciana Paiva é artista visual, vive e trabalha em Brasília. É doutora em Artes pela Universidade de Brasília com a tese: “Frente-verso-vasto: por uma topografia da página” (2018) orientada por Karina Dias. Cursou o Programa Aprofundamento da Escola de Artes Visuais do Parque Lage em 2011 e participou do Rumos de Artes Visuais 2011-2013. É uma das artistas indicadas ao prêmio PIPA 2019 e também foi selecionada para o programa de exposições do Centro Cultural São Paulo deste mesmo ano. Foi uma das artistas premiadas no II Salão Mestre D'Armas em Planaltina -DF. Em sua produção investiga as relações entre escrita e espaço a partir de mídias e materiais diversos, com principal interesse pelo uso dos elementos da escrita (livros, páginas e letras) como matéria. Na mostra “Linhas de força – Superfícies em transe”, Luciana apresenta as obras “Vértice n2” e “Dobra”, onde recortes de papel, madeira, acrílico. “A série “Vértice” parte da minha pesquisa sobre os elementos visuais que compõe os espaços da escrita. As peças realizadas nesta série propõem-se como páginas a serem contempladas”, informa a artista.

Patrícia Bagniewski é formada em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília (UnB). ”Durante o período que estudei lá, tranquei a faculdade e fui morar em Londres, onde fiz meus primeiros cursos com o material vidro, que é o material principal que trabalho”, afirma a artista. Apaixonada pelo material, fez workshops, cursos e estágios em fábricas de vidro soprado na Grã-Bretanha, na Suécia, no Brasil e no Japão, onde fez mestrado para continuar com suas pesquisas. O conceito presente nas peças criadas em vidro pela artista joga com a dicotomia da leveza, da dança do olhar durante o processo de produção, o sopro que dá forma ao objeto. Sua produção é equivalente a um parto. A areia, material não transparente, se transforma num líquido que deve ser soprado, que precisa de muito calor. É um trabalho físico difícil. Requer força, tanto física quanto mental, ritmo e disciplina. É um material que instiga a artista visual por ser antagônico, porque ele brinca com os olhos, ao mesmo tempo permite a visão através da matéria e prende o olhar no objeto. Ele é frágil, duro e resistente.

Raquel Nava investiga o ciclo da matéria orgânica e da inorgânica em relação aos desejos e hábitos culturais, usando taxidermia e restos biológicos de animais justapostos à materiais industrializados em suas instalações, objetos e fotografias. A variação cromática com a qual trabalha nos objetos e fotografias, se aproxima da paleta utilizada na sua produção de pintura. A diversidade de sua produção está nos experimentos com técnicas e materiais, mas sempre surge uma referência aos órgãos ou aos organismos. Formada em Artes Visuais pela Universidade de Brasília (2007), obteve título de mestre em Poéticas Contemporâneas pela mesma instituição (bolsa Capes 2010-12) e foi aluna da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires (2005). Expõe com regularidade desde 2006, tendo realizado mostras no Brasil e exterior. Indicada ao Prêmio Pipa 2018 e ao 7º Prêmio Industria Nacional Marcantonio Vilaça 2019.

Yana Tamayo é artista visual, educadora e curadora independente. É sócia-fundadora da Nave, espaço autônomo de arte onde desenvolve projetos de pesquisa e formação em arte, curadoria e execução de exposições. Doutora em Arte na linha de pesquisa Poéticas Contemporâneas pela Universidade de Brasília - UnB [2015], é mestre pela mesma instituição e linha de pesquisa [2009] e especialista pela Universidad Complutense de Madrid [2006]. Desde 2015 coordena na Nave um grupo de estudos por ano fazendo acompanhamento de projetos artísticos, o Laboratório. Desde abril de 2018 é coordenadora local do Programa CCBB Educativo – Arte e Educação no CCBB Brasília. Vive e trabalha em Brasília. Para a mostra “Linhas de força – Superfícies em transe”, Yana apresenta “Terra Nullius (As margens da alegria)” em que propõe um diálogo poético entre memórias de palavras e de imagens que de alguma forma conectem histórias de fundação e narrativas divergentes sobre os mesmos fatos: a ocupação do território central brasileiro. A partir da coleta de palavras presentes em histórias dos nomes de cidades localizadas nas fronteiras do estado do Tocantins – acessíveis no banco de dados do IBGE – e do conto “As Margens da Alegria”, de Guimarães Rosa, propõe um emaranhado-poema que possa ser escrito e reescrito por quem se depara com o trabalho.

Zuleika de Souza é fotojornalista com passagens por importantes veículos nacionais como o Correio Braziliense, as revistas Veja, IstoÉ, Senhor, Manchete, Vogue, Casa Cláudia, entre outros. Participou de publicações como “Processo constituinte” e “100 fotógrafos fotografam o Brasil nos 500 anos”. Realizou sua primeira exposição individual no CCBB Brasília com a mostra “Chão de flores”, onde abordou a arquitetural vernacular de uma Brasília pouco conhecida. Em 2016, apresentou a mostra “Entrequadras”, na Galeria Alfinete, e em 2018, “W3-divergentes Brasílias”, no Espaço Renato Russo. Para a Ocupação da Referência Galeria na Galeria Casa, Zuleika apresenta sua mais recente série de fotografias-objetos que abordam a fragilidade das memórias, assim como os bibelôs. “Sou uma colecionadora de imagens, memórias e objetos. Estou sempre tentando fazer inventários de lembranças”, afirma.

Posted by Patricia Canetti at 10:54 AM

julho 24, 2019

Rafael Valles comenta Histórias da Insônia de Jonas Mekas no Cine Iberê, Porto Alegre

Cine Iberê exibe filme-diário sobre a insônia de Jonas Mekas

O Cine Iberê recebe no dia 28 de julho, domingo, às 16h, o pesquisador, documentarista e docente nos cursos de Cinema e Audiovisual e Animação na UFPel, Rafael Valles, na sessão comentada do filme Histórias da Insônia, de Jonas Mekas (1922-2019). O longa mostra a jornada do diretor pelas noites de Nova York, em casas de amigos, ateliês de artistas, galerias de arte, bares, clubes e no palco. Encontros descontraídos com conhecidos da cena underground novaiorquina, como Louis Garrel, Marina Abramovic, Carolee Schneemann, Louise Bourgeois, Yoko Ono, Hans Ulrich Obrist e Patti Smith, em um filme-diário sobre a insônia. A exibição ocorre no auditório da Fundação Iberê (Avenida Padre Cacique 2000, Porto Alegre, RS). A entrada é gratuita e por ordem de chegada.

"Embora minhas histórias sejam todas advindas da vida real, elas também - em alguns pontos - vagueiam em direção a outro lugar, para além da realidade cotidiana. O filme contém cerca de 25 histórias diferentes. Os temas abarcam uma ampla gama de sentimentos, geografias, angústias pessoais e episódios. Não são histórias muito grandes, não para as grandes telas, pelo menos: tratam-se de grandes histórias pessoais e algumas provocações", escreveu Mekas sobre seu filme.

Jonas Mekas nasceu numa cidade rural da Lituânia e viveu em Nova Iorque de 1944 até sua morte, em janeiro deste ano. Formado em Filosofia, ele também teve atuação como poeta e publicou dezenas de livros com textos do gênero. Outro de seus legados à arte foi a Anthology Film Archives, entidade que ajudou a fundar e que projeta filmes experimentais até hoje no East Village, em Manhatann.

O Cine Iberê tem a curadoria da realizadora e produtora audiovisual, Marta Biavaschi. O projeto tem por objetivo promover filmes que dialoguem com as exposições em cartaz na Fundação Iberê. "Histórias da Insônia" dialoga com a obra Aranha, de Louise Bourgeois.

Posted by Patricia Canetti at 4:26 PM

Fernanda Leme no Ied, Rio de Janeiro

Fernanda Leme apresenta, no Instituto Europeu de Design, a individual Em que espelho ficou perdida a minha face. Com curadoria de Marisa Flórido, a artista expõe obras que têm o gênero pictórico do autorretrato no mundo contemporâneo como questão principal: as pinturas “No sofá”, “No tapete”, “Na cama” (2017); o díptico “Autorretrato” (2015) ; e o políptico “Cabeças”. Como pintar retratos em uma época imersa no fluxo ininterrupto e veloz de imagens? Época em que o fácil de acesso às novas tecnologias portáteis como celulares e máquinas digitais, os novos meios de circulação e exibição, como a internet e as redes sociais, vieram modificar nossas relações com as imagens, em particular as de nossa face e intimidade cotidiana. Como diz Fernanda Leme, “não existe mais investimento de tempo e afeto com o mundo e a vida; as relações, de um modo geral, são hoje como os selfies, rápidas, passageiras e logo descartadas. Minhas pinturas investigam a possibilidade de se encarnar o coletivo em imagens íntimas e pessoais”.

A artista inicia seu processo a partir de imagens que faz com o celular ou de seu arquivo pessoal e as converte em pinturas, eventualmente introduzindo elementos e signos estranhos à cena, confundido e cruzando tempos e memórias. Ao imediato do selfie, a seu rápido consumo e descarte, ela contrapõe a artesania da pintura, com seu tempo lento de execução e recepção.

Cabeças, por exemplo, é uma obra em processo, iniciada em 2014 e sem previsão de finalizar. São (por agora) 54 telas de 30 x 40 cm, autorretratos realizados a partir de selfies e fotos analógicas, cujas dimensões remetem a outra imagem, outrora bem mais comum: o retrato 3 x 4 das carteiras de identidade, das escolares aos RGs que atestavam nossa existência. As novas tecnologias de informação e comunicação atuam sobre os rastros deixados no ciberespaço: monitoram-se gostos, consumos, sensibilidades, comportamentos. A vida se transforma em dados coletados, classificados, vigiados e comercializados. Quem autoriza a minha existência? É a interrogação implícita. Como escreve a curadora: “Parece que só temos existência se expostos à visibilidade absoluta e imediata, o desejo de ver transforma-se na obsessão à exibição. Para atestar a existência que se dissolve no próprio espectro, resta colocar-se sob o olhar do outro – na incerteza de sua realidade é preciso encontrar a chave que ostente sua evidência. Os vínculos se tornam dependentes dos impulsos elétricos, das redes eletrônicas, do on/off das ligações tecnológicas. A exposição de si e a conexão tornam-se compulsivas, precisa-se delas para existir e se ligar aos fluxos do mundo, mesmo que seja na fantasmagoria das redes e dos . É como se o verso do poema Retrato de Cecília Meireles, que intitula a mostra, não cessasse de ecoar: ‘Em que espelho ficou perdida a minha face?’ É essa fantasmagoria, e certa alegria esfuziante como desespero implícito, que Cabeças e as demais obras da exposição trazem à superfície destes espelhos baços, incertos e efêmeros.

Fernanda Leme é artista plástica. Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Santa Úrsula. Fez cursos livres na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Casa França Brasil e Paço Imperial, no Rio de Janeiro (RJ). Natural do Rio de Janeiro, onde vive e trabalha. Exposições de que participou nos últimos anos: “Intersubjetividades” - Centro Cultural dos Correios de Juiz de Fora (2018-MG); “Carpintaria para todos”- Carpintaria - Fortes D’Aloia & Gabriel, Rio de Janeiro (2017-RJ); “Miragens”- Centro Municipal Artes Hélio Oiticica, Rio de Janeiro (2017-RJ); “Imersões ”- Casa França Brasil, Rio de Janeiro (2017-RJ); “Abre Alas” – Galeria A Gentil Carioca, Rio de Janeiro (2017-RJ).

Posted by Patricia Canetti at 3:23 PM

Dora Longo Bahia na Vermelho, São Paulo

A Vermelho apresenta, de 25 de julho a 24 de agosto, Ka’rãi, a nona exposição individual de Dora Longo Bahia na galeria. Longo Bahia apresenta um objeto, desenhos, pinturas e obras em Realidade Aumentada produzidos nos últimos 4 anos. O título da exposição vem da expressão Tupi para “rasgar com as garras” ou “arranhar”, e está na origem da palavra Carcará, que designa a ave de rapina que habita o centro e o sul da América do Sul.

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A Sala Antonio de projeção recebe o projeto Cripta, proposição do grupo de pesquisa Depois do fim da arte, coordenado por Longo Bahia. A artista tem como prática ceder parte do espaço de suas exposições aos grupos de estudo coordenados por ela desde 2001, quando incluiu seus alunos na individual Quand les attitudes déforment les altitudes, no Forum D’Art Contemporain, em Sierre, na Suíça. Desde então, o procedimento já foi repetido em exposições comerciais e institucionais, como na 28ª Bienal de São Paulo, em 2008, quando o grupo levava o nome de Anarcademia.

Dora Longo Bahia _ Ka’rãi

Dora Longo Bahia reúne em Ka’rãi obras produzidas desde 2016 em que reflete sobre a conjuntura política atual do Brasil. O título relaciona a unidade da força aérea nazista, Legião Condor, que serviu junto aos nacionalistas durante a Guerra Civil Espanhola – responsável pelo bombardeio da cidade de Guernica na Espanha –, a Operação Condor – uma aliança militar e política entre os EUA e os regimes militares da América do Sul – e a versão nacional da ave, o carcará. Ka’rãi, que quer dizer “rasgar” ou “arranhar” em Tupi, é também a origem da palavra carcará, animal que desde 2006 é o símbolo da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência). Na época da mudança do símbolo, o então diretor da agência justificou a escolha do animal dizendo que o carcará é uma ave que tem altivez, nacionalismo, visão aguda e controle do território.

Fuga (Terceira voz)

Fugas são composições polifônicas, onde uma melodia se sobrepõe a outra. As fugas são estruturadas por um sujeito, que estabelece o tema principal da composição e por subsequentes vozes, que estabelecem variações ao tema principal.

Em sua série de pinturas denominadas Fuga (2019), Dora Longo Bahia propõe experiências de Realidade Aumentada onde uma pintura leva a outra por meio do uso de um aplicativo (Android / Iphone) que revela imagens encobertas. Em Ka’rãi estão presentes o sujeito e a terceira voz da série.

Fuga (Sujeito), instalada na fachada da galeria, apresenta-se como uma pincelada vermelha que, por meio do aplicativo Fuga é substituída pelo vídeo da atriz Mayara Baptista gritando. Fuga (Terceira voz) é composta por seis telas verticais com pinturas abstratas em suas faces frontais. Ao utilizar o aplicativo, o observador pode ver retratos que estão pintados no verso de cada tela. Na Primeira voz os retratos eram de mulheres que foram obrigadas a deixar seus países devido a conflitos políticos ou a desastres naturais e na Segunda voz eram dos grupos mais suscetíveis a se tornar vítimas de violência no Brasil. Agora, na Terceira voz, foram retratadas mulheres perseguidas, torturadas ou assassinadas pelas ditaduras militares de cada um dos países da América do Sul que se alinharam aos Estados Unidos durante a Operação Condor (1968-1989): Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Brasil. Durante o uso do aplicativo, o espectador pode ler mais sobre cada um desses vínculos políticos e seus resultados.

O condor e o carcará

Nos dois dípticos chamados O condor e o carcará (2019), Longo Bahia justapõe a reprodução de uma cartela de cupons de racionamento da Guerra Civil Espanhola e sua versão atualizada relacionada à política brasileira recente. Tanto a frente das cartelas, com iconografia referente ao período da guerra espanhola, quanto o verso dividido em cupons, foram alterados para incluir o Brasil atual. Dobradiças instaladas no trabalho permitem que observador manipule as obras.

Paraíso - Consolação (projeto para a Avenida Paulista)

Originalmente concebido para ser exposto em banners ao longo do canteiro central da Avenida Paulista, o conjunto de desenhos de Paraíso - Consolação (projeto para a Avenida Paulista) (2019) reproduz retratos de indígenas da Amazônia que encaram o espectador.

A Girl A Gun - American Shot

O conjunto de desenhos de A Girl A Gun – American Shot é baseado em uma coleção de imagens reunidas por Longo Bahia, a partir de filmes, onde mulheres empunham armas em plano americano. O termo refere-se, na linguagem cinematográfica, à posição de câmera que enquadra o ator dos joelhos para cima. O plano foi popularizado no cinema norte-americano dos anos 1930 e 1940, em especial nos filmes “Western”, já que enquadrava os cowboys enquanto sacavam a arma de seus coldres. A Girl A Gun – American Shot, é composta por 195 desenhos feitos a partir de imagens colecionadas por Longo Bahia.

Revoluções (projeto para calendário)

O conjunto de desenhos retrata doze revoluções ocorridas em diferentes países e períodos e foi concebido para tornar-se um calendário. Os desenhos são organizados na sequência mensal em que ocorreram.

Fogo

Fogo (2019), retrata em serigrafias feitas sobre mantas térmicas de alumínio (do mesmo tipo utilizado por bombeiros em socorros a vítimas durante resgates), dez instituições culturais brasileiras que foram consumidas por incêndios nos últimos dez anos.

MASP X FIESP

Um modelo formado por blocos de concreto celular e garrafas de coquetel molotov com diferentes tipos de gasolina e diesel simula o trecho da Avenida Paulista (São Paulo) onde estão localizados o Masp e o prédio da FIESP. Duas garrafas com ecoline e óleo diesel representam as pilastras vermelhas do museu e duas garrafas com ecoline e diferentes tipos de gasolina (uma verde e uma amarela) representam o prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

Lava Jato

Por cima de 98 páginas da revista pornográfica brasileira Brazil Pocket Hard, Dora Longo Bahia pintou imagens que representam as 84 fases da Operação Lava Jato que precedem a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Depois do fim da arte _ Cripta

Cripta ​é um projeto de ocupação da Sala Antonio, na Galeria Vermelho, proposto pelo grupo de pesquisa ​Depois do Fim da Arte​, coordenado por Dora Longo Bahia, que investiga qual o papel do artista contemporâneo por meio de intervenções artísticas.

Cripta busca criar intersecções entre os conceitos e formas discutidos durante o primeiro semestre de 2019, em que foram lidos os textos ​Crítica da Razão Negra e ​Necropolítica, de Achille Mbembe, ​O Uso dos Corpos​, de Giorgio Agamben, ​Hegel e o Haiti, ​de Susan Buck-Morss e exibidos os filmes ​Relações de Classe,​ de Straub-Huillet, ​Os zumbis de Sugar Hills,​ de Paul Maslansky, ​A viagem da hiena de Djibril Diop Mambéty, ​A vida de Jesus​ de Bruno Dumont e ​Play​de R​uben Östlund. A proposta apresenta um trabalho em desenvolvimento que compreende os simulacros, os duplos e os zumbis como figuras cruciais da experiência social atual, desvelando os cruzamentos entre os filmes exibidos e os textos explorados, em uma resposta plástica às discussões teóricas estabelecidas no semestre anterior.

O título refere-se à frase “[...] o Negro é [...] o único de todos os humanos cuja carne foi transformada em coisa, e o espírito, em mercadoria - a cripta viva do capital” (Mbembe, ​Crítica da razão negra​, p.21) e aponta para os interesses do grupo em discutir a relação da arte com questões sociais, econômicas, históricas e políticas.

Em Cripta, o Depois do fim da arte é formado por Anna Talebi, Ariédhine Carvalho, Bruno Ferreira, Cássia Aranha, Eloísa Almeida, Felipe Salem, Gabriel Ussami, Gabriel Xavier, Igor Vice, Ilê Sartuzi, Karol Pinto, Lahayda, Leandro Muniz, Marina Lima, Murillu, Nina Lins, Rosângela Pestana, Terenah, Thais Suguiyama, Thais Teotonio e Victor Maia.


From July 25 to August 24, Vermelho presents Ka'rãi, Dora Longo Bahia’s ninth solo exhibition at the gallery. Longo Bahia presents drawings, paintings, works using Augmented Reality and an object – all produced in the last 4 years. The title of the exhibition comes from expression in the Tupi language meaning to "tear with claws" or "scratch"; the expression is also the origin of the word Carcará, which designates the bird of prey that inhabits the center and south of South America.


The Sala Antonio projection room receives the project Cripta [Crypt], presented by the group Depois do fim da arte [After the end of art], which is composed of participants in the research group of the same name coordinated by Longo Bahia. Its participation is part of the artist's practice to share the space of her exhibitions with the research groups coordinated by her since 2001 when she included her students in the solo exhibition Quand les attitudes deforment les altitudes, at the Forum D'Art Contemporain in Sierre, Switzerland. This procedure has since been repeated in commercial and institutional exhibitions, such as at the 28th São Paulo Biennial, in 2008, when the group was named Anarcademia.

Dora Longo Bahia _ Ka'rãi

In Ka'rãi, Dora Longo Bahia presents works produced since 2016 that reflects the current political conjuncture of Brazil. The title links the Nazi Air Force unit, Condor Legion, which served with the nationalists during the Spanish Civil War, and which was responsible for the bombing of Guernica, Spain, with the Operation Condor. The latter was a military and political alliance between the United States Central Intelligence Agency (CIA) and the military regimes of South America. Ka'rãi, which in the Tupi language means "tearing" or "scratching", is also the origin of the word carcará - an animal that has been the symbol of Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) [Brazilian Intelligence Agency] since 2006. At the time of including the bird of the falcon family in the symbol of ABIN, the then director of the agency justified the choice by saying that the carcará is a bird that represents haughtiness, nationalism, acute vision and control of the territory.

Fugue (third voice)

Fugues are polyphonic compositions, where one melody overlaps another. The fugues are structured by a main theme, the subject of the composition, with which subsequent voices establishes variations.

In her series of paintings called Fugue (2019), Longo Bahia employs an Augmented Reality experiences where one painting leads to another through the use of an app (Android / Iphone) that reveals covert images. The subject (the main theme) and the third voice of the series are present in Ka'rãi.

Fugue (Subject), installed on the gallery's facade, presents itself as a red brush stroke that, through the Fugue app is replaced by the video of a female face screaming at the entrance of the exhibition. Fugue (third voice) is composed of six vertical canvases with abstract paintings on their front faces. Using the app, the viewer can see portraits that are painted on the back of each screen. While in the first voice the portraits were of women who were forced to leave their countries due to political conflicts or natural disasters; in the second voice, the portraits are of women most susceptible to becoming victims of violence in Brazil. In this exhibit, in the third voice, Longo Bahia portrays women that were persecuted, tortured or murdered by the military dictatorships of each of the South American countries that aligned themselves with the United States during Operation Condor (1968-1989): Argentina, Chile, Uruguay, Paraguay, Bolivia and Brazil. While using the app, the viewer can also read more about each of these political links and their outcome.

The condor and the carcará

In the two diptychs called The Condor and the Carcará (2019), Longo Bahia juxtaposes the reproduction of a Spanish Civil War rationing coupon cards and an updated version of it linked to recent Brazilian politics. Both the front of the cards, with iconography referring to the Spanish Civil War, and the reverse divided into coupons, were changed to include elements from the current Brazilian situation. The works are installed on hinges allowing the viewer to manipulate the pieces.

Paraíso - Consolação (Project for Avenida Paulista)

Originally designed to be displayed on banners along Paulista Avenue's central bike-lanes, the Paraíso - Consolação (project for Paulista Avenue) (2019) is a series of drawn portraits of original peoples from the Amazon facing the viewer.

A Girl A Gun - American Shot

A Girl A Gun - American Shot is a set of drawings based on a collection of images collected by Longo Bahia from movies where women are wielding weapons. In cinema, the term american shot refers to the camera position that frames the actor from the knees and up. The plan was popularized in American cinema during the 1930s and 1940s, especially in the Western genre, as it framed the cowboys while drawing their guns from their holsters. A Girl A Gun - American shot, consists of 195 of these images collected and drawn by Longo Bahia.

Revolutions (Project for calendar)

The set of drawings depicts twelve revolutions in different countries and periods and was initially conceived as a project for a calendar. The drawings are organized in the monthly sequence in which the revolutions occurred.

Fogo [Fire]

Fogo [Fire] (2019) portrays in screen prints on aluminum thermal blankets (the same type used by firefighters to protect victims during rescues), ten Brazilian cultural institutions that were consumed by fires in the last ten years.

MASP X FIESP

A model made of cellular concrete blocks and Molotov cocktail bottles with different types of gasoline and diesel simulates the length of Paulista Avenue (a main thoroughfare in São Paulo) where the Masp (Museum of contemporary art of São Paulo) and the FIESP buildings are located. Two bottles with ecoline and diesel fuel represent the museum's red pilasters and two bottles with ecoline and different types of gasoline (one green and one yellow) represent the FIESP (the São Paulo State Federation of Industries) building.

Lava Jato [Car Wash]

Longo Bahia painted images representing the 84 phases of Operation Car Wash preceding the arrest of former President Luiz Inácio Lula da Silva on 98 pages of the pornographic magazine Brazil Pocket Hard.

Depois do fim da arte [After the end of art] _ Cripta [Crypt]

Cripta [Crypt] is an occupation project for Sala Antonio, at Vermelho, presented by the research group Depois do fim da arte [After the end of art], coordinated by Dora Longo Bahia, which investigates the role of the contemporary artist through artistic interventions.

Cripta seeks to create intersections between concepts and forms discussed by the group during the first half of 2019, when the group read Achille Mbembe's Critique of Black Reason and Necropolitics; Giorgio Agamben's The Use of Bodies; and, Susan Buck-Morss’s Hegel, Haiti, and Universal History. The group also watched the films Class Relations, by Straub-Huillet; Sugar Hill, by Paul Maslansky; Hyenas, de Djibril Diop Mambéty; Life of Jesus, by Bruno Dumont; and, Play, by Ruben Östlund. The group presents a work in progress that comprehends the simulacrum, the doubles and the zombies as crucial figures of the current social experience, unveiling the intersections between the films watched and the explored texts, in a plastic response to the theoretical discussions established in the previous semester.

The title refers to the phrase “The Black man [...] is the only human in the modern order whose skin has been transformed into the form and spirit of merchandise - the living crypt of capital” (Mbembe, Critique of Black Reason) and points to the group's interests in discussing the relationship of art with social, economic, historical and political issues.

In Cripta, Depois do fim da arte is formed by Anna Talebi, Ariédhine Carvalho, Bruno Ferreira, Cássia Aranha, Eloísa Almeida, Felipe Salem, Gabriel Ussami, Gabriel Xavier, Igor Vice, Ilê Sartuzi, Karol Pinto, Lahayda, Leandro Muniz, Marina Lima, Murillu, Nina Lins, Rosângela Pestana, Terenah, Thais Suguiyama, Thais Teotonio and Victor Maia.

Posted by Patricia Canetti at 1:48 PM

Do volume e do espaço: modos de fazer na Casa de Cultura do Parque, São Paulo

Exposição coletiva na Casa de Cultura do Parque discute aspecto tridimensional da produção contemporânea: Da figura humana à geometria, mostra traz trabalhos significativos que representam os pensamentos atuais em torno da esculturas

Os escultores contemporâneos têm se apropriado das mais diversas práticas escultóricas para representar tanto figuras humanas, quanto formas geométricas. Do conjunto diversificado de práticas, coloca-se em dúvida a validade atual do termo "escultura", ao se preferir a noção mais ampla de "tridimensional". Essa é a reflexão proposta pela exposição Do volume e do espaço: modos de fazer, coletiva em cartaz de 27 de julho a 13 de outubro, na Casa de Cultura do Parque.

A mostra tem texto de apresentação de Ana Avelar e reúne trabalhos dos artistas brasileiros Alexandre da Cunha, Claudio Cretti, Edgar de Souza, Eduardo Frota, Felipe Cohen, Flávio Cerqueira, Ivens Machado, José Rezende, Laura Vinci, Nino Cais, Pablo Reinoso, Ricardo Becker, Rodrigo Cardoso e Tatiana Blass.

Dois eixos centrais dividem os trabalhos expostos. O primeiro, endereçado à figura humana, indica a história tradicional da escultura, com o corpo aparecendo em diversas escalas ou fragmentos, ora como metáfora para uma conduta moral e ética, ora para fins religiosos ou místicos.

"As atuais poéticas do corpo debatem politicamente convenções sociais, culturais e sexuais. Se artisticamente o corpo humano serviu, ao longo do tempo, como suporte de nossa relação com o mundo, uma relação física que diz respeito também à nossa compreensão desse mundo, o que pensar sobre corpos que não se completam ou que não seguem proporções exemplares?", provoca Ana Avelar.

A geometria, elemento que unifica o segundo eixo da exposição, não aparece mais oposta à realidade do corpo, mas sim conjugada a ele. O Minimalismo, marco da arte contemporânea, rompe com o gesto heroico do artista sobre o material e revela a experiência do corpo do indivíduo em contraponto aos objetos sem detalhes, ordenados em série, dentro de uma lógica evidente e simples. "É o corpo que experimenta a geometria, é ele quem a produz", explica a curadora.

Máquinas do mundo: Drummond, Clarice e Machado – José Miguel Winsnik

No mesmo dia da abertura da exposição, às 16h, acontece um encontro com José Miguel Wisnik. A palestra seguida de bate-papo gira em torno do processo de criação de Máquinas do Mundo, do Núcleo de Arte da Mundana Companhia de Teatro. A obra contempla elementos das artes plásticas, da literatura e do teatro e explora as potencialidades estéticas contidas no contraponto entre o poema A máquina do mundo, de Carlos Drummond de Andrade, O delírio, sétimo capítulo de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e um capítulo de A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector. O encontro integra a programação do Terra Nova, novo módulo de artes visuais da Flip.

Posted by Patricia Canetti at 9:46 AM

julho 21, 2019

Marepe na Pina Estação, São Paulo

Pinacoteca apresenta primeira grande individual do artista baiano Marepe

Conjunto de 30 obras percorre 30 anos de carreira do artista conhecido pela produção mordaz em referência à cidade onde nasceu e vive até hoje no Recôncavo Baiano

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo apresenta, de 27 de julho a 28 de outubro de 2019, a exposição Marepe: estranhamente comum. Com curadoria de Pedro Nery, curador do museu, trata-se da primeira grande exposição individual do artista baiano em São Paulo que propõe oferecer uma visão abrangente de sua trajetória, iniciada na década de 1990. O conjunto de 30 obras evoca poeticamente uma memória pessoal que se entrelaça à sua cidade natal. A exposição tem patrocínio do Credit Suisse e Engeform e apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e Pro-mac.

Marepe (Marcos Reis Peixoto) nasceu na cidade de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, em 1970. Situada a leste da Baia de Todos os Santos, conecta o sertão ao mar, tornando-se importante eixo por onde passam as mais diversas mercadorias, de materiais de construção a alimentos. A partir desse vai-e-vem de objetos e pessoas, além da própria história familiar, o artista extrai e elabora suas obras.

No processo, Marepe se vale de procedimentos recorrentes da arte contemporânea como o acúmulo e a retirada de objetos de suas funções cotidianas. No entanto, suas obras sugerem dimensões especulativas, alterando a escala, a forma e significado de materiais encontrados ali, para daí criar peças oníricas. Para organizar sua retrospectiva na Pinacoteca, a curadoria destacou três verbos, ou atos simbólicos, aos quais o artista recorre com constância em sua trajetória: mover, transformar e condensar. “Os verbos não são pensados como algo fechado, e sim como elemento guia, permitindo aprofundar o olhar simbólico que as próprias obras sugerem“, explica Nery.

Em Mover, estão reunidos trabalhos que demonstram, por exemplo, a ação fundamental da prática de Marepe que é a retirada do objeto de seu circuito usual – comercial, urbano ou produtivo – para inseri-lo no campo artístico. O que o artista move não são simples objetos, mas coisas que se relacionam com seu passado e a vida ao seu redor. Daí a ideia da mobilidade como eixo estrutural das obras que ali se apresentam a exemplo de Mudança (2005) e Embutido Recôncavo (2003). Feitas com móveis de madeira e apresentadas juntas, elas repensam o movimento das próprias formas e das vidas de pessoas que se deslocam de maneira precária.

Já Periquitos (2005) é uma peça que remete a esse ambiente doméstico e que traz um movimento de escala e de desproporção ao apresentar uma televisão agigantada, desestabilizando, assim, a convenção deste objeto tão familiar. “É interessante pensar nesse desajuste em que existe uma casa, no caso de Embutido Recôncavo, onde a televisão não cabe. O ato de mover é, em Marepe, mudar tudo de lugar, desintegrar as relações que parecem ser ordinárias. É tirar do lugar o que convencionamos acreditar ter ordem, para procurar a própria realidade que subjaz ao nosso redor”, define o curador. Essa é a primeira montagem da peça no Brasil, originalmente pensada para sua apresentação na individual do artista no Centre Pompidou, em Paris.

Em Transformar, são expostos trabalhos cujos objetos de composição sugerem um novo arranjo narrativo. Neste sentido, O retrato de Bubu (2005), pertencente ao acervo da Pinacoteca, traz a imagem do avô do artista que, em sua primeira apresentação para a mesma individual no Pompidou, foi pendurado ao lado do retrato de Georges Pompidou, na entrada daquele museu, em Paris. Ao sustenta-los, sob a mesma linguagem, o artista coloca o ex-presidente e seu avô Bubu em pé de igualdade. Aqui, o ato de transformar se dá na medida que o artista relativiza a ordem social, pessoal e geográfica.

E, por fim, em Condensar, estão reunidos trabalhos que beiram a livre associação, revelando o desejo do artista de compor ideias díspares com recursos simples, oferecendo uma materialidade à serviço da imaginação. Exemplo disso são as imagens Doce céu de Santo Antônio (2001), em que o artista é visto de baixo para cima retirando um pedaço de algodão-doce contra o azul do céu e trazendo para sua boca, comendo um pedaço de nuvem desse céu doce imaginado, trazendo, literalmente, o sonho para a realidade.

Também é o caso da obra Chorinho (2009), feita com carretéis de linha de costura azuis suspensas, que caem fio por fio em tonalidades diferentes até o chão. “Chorinho é uma expressão direta da palavra-ideia e de sua formalização plástica, esses fios que escorrem como lágrimas e caem sobre o chão”, explica Nery. “As obras de Marepe parecem respeitar algumas ações bastante reguladas ao longo de toda a trajetória. O que muda é a forma de interpretar o mundo ao seu redor, e então surge uma nova obra que nos obriga a reinterpretar tudo à nossa volta”, finaliza.

CATÁLOGO

Marepe: estranhamente comum é acompanhada de um catálogo que inclui apresentação do diretor geral da Pinacoteca Jochen Volz, texto introdutório ao artista pelo curador Pedro Nery, ensaios de Raphael Fonseca e Yan Braz, além de uma cronologia crítica por Thierry Freitas. O volume tem cerca de 60 imagens que ilustram os trabalhos mais importantes da trajetória do artista. Português e inglês.

Posted by Patricia Canetti at 2:54 PM

Pedro Gandra + Márcio Borsoi na Referência, Brasília

Artistas visuais de Brasília, de diferentes gerações e de linguagens diferentes, apresentam na Referência Galeria de Arte, obras em pintura e fotografia que dialogam com a ficção, a literatura, o cinema e a fantasia

A Referência Galeria de Arte abre no próximo dia 27 de julho, sábado, às 17h, duas mostras de artistas visuais que trabalham com linguagens e suportes diferentes, mas que têm produções atravessadas por questões que giram em torno a um assunto comum aos dois, o mundo onírico. Pedro Gandra apresenta sua nova produção em pintura com a série Caminho para Lua, com curadoria de Marília Panitz, na Sala Principal. Na Sala Acervo, Márcio Borsoi apresenta a série fotográfica Imagens de um rio que não me pertencia, resultado de uma pesquisa visual nas lendas das populações ribeirinhas de Manaus, Amazonas.

As duas mostras que ocupam as salas de exposições em julho fazem parte do projeto da Referência Galeria de Arte de apresentar ao público a produção de artistas jovens e de novos artistas. Apesar das diferenças de trajetórias pessoais e de gerações, Pedro Gandra, pintor, e Márcio Borsoi, fotógrafo, seguem em uma mesma direção ao apoiar suas pesquisas poéticas na literatura ficcional, nas fábulas e nas lendas em busca de saídas para entender o próprio tempo. “A arte é capaz de proporcionar um distanciamento da vida cotidiana para olhar com cuidado e para essa realidade e, assim, imaginar novos arranjos e soluções possíveis”, afirma a galerista Onice Moraes. “É muito importante compartilhar com o público a materialização dessas manifestações, especialmente em tempos de embates”, ressalta a galerista.

Pedro Gandra - Caminho para Lua

Pedro Gandra trabalha com pintura, que segundo ele, é seu interesse como artista explorar suas possibilidades. Na mostra, o artista apresenta um recorte dos trabalhos que produziu entre os anos 2018 e 2019. São pinturas, acrílica sobre tela de diferentes formatos. “Nelas, aparecem interesses temáticos que ele investiga há algum tempo – a paisagem como um cenário invocador de solidões, e a tensão narrativa entre esta paisagem-cenário e os personagens que nela habitam. “Caminho para lua” concentra uma parte significativa do imaginário que venho buscando construir, ou pelo menos, regista um momento desta busca”, informa.

A curadora Marília Panitz, que acompanhou mais de perto o trabalho do artista durante o período em que ele produziu os trabalhos para esta mostra, ressalta as presenças da literatura e do cinema em sua obra. Embora muito jovem, 24 anos, Pedro Gandra tem um considerável percurso como pintor. A curadora ressalta que ele deixa, no entanto, transparecer essa marca da juventude e de seu exercício constante de devorar avidamente livros de ficção, dos clássicos aos contemporâneos.

Guignard, Esopo, La Fontaine, Georges Méliès e H. J. Wells, Win Wenders, Chichico Alkmin, Leonilson, Vania Mignone, Marcelo Solá surgem em um diálogo que aborda todas as linguagens e formas narrativas. “O espaço do artista é aquele que sujeita as representações do humano (quase-fantasma) à sua imensidão. Sempre em descanso da ação que todavia se apresenta como índice, elas se perdem nos campos manchados de cor (raramente suficientemente sólidos e uniformes para dar a elas alguma estabilidade). Há sempre a sensação de uma imagem ainda em formação, mas já habitada”, afirma Marília Panitz.

Márcio Borsoi - Imagens de um rio que não me pertencia

Para produzir a série “Imagens de um rio que não me pertencia”, o fotógrafo Márcio Borsoi se embrenhou no verde da floresta e, se não nadou, se imaginou nadando lado a lado com os botos cor-de-rosa para criar o que ele chama de “uma crônica visual afetiva”. Ele se aventurou em um lugar quase desconhecido, encantado, do qual não tinha vontade de voltar. “Fui encontrar o carinho, o afeto e também me surpreender com aquela paisagem muito diferente do meu costume”, afirma o fotógrafo.

Na Referência Galeria de Arte, Márcio Borsoi apresenta 16 fotografias realizadas em Manaus em 2018, nos períodos de cheia dos rios e outras no período das vazantes. “O verde fechado, a floresta imensa, que as águas invadem, se impõem e são soberanas sempre. Obrigam as casas terem “pernas compridas”. Quando se arrependem se recolhem no ciclo que a vida ribeirinha se acostuma. Tudo flutua”, lembra o fotógrafo. “Vi duas águas que, lado a lado, não se misturam, mas se respeitam. Tive medo da tempestade. Quando as águas do Céu enfurecem as águas da Terra tudo se torna perigoso. É preciso cautela”, sentencia.

Programação

Como parte do projeto formativo de público, a Referência Galeria de Arte realiza dois encontros com o público em formato de conversa e visita comentada às mostras. No dia 22 de agosto, quinta-feira, às 18h, Pedro Gandra e a curadora Marília Panitz participam de uma conversa aberta ao público. E no dia 31 de agosto, sábado, às 11h, é a vez de Márcio Borsoi encontrar-se com o público para um bate-papo. Entre os temas que serão abordados, os processos de produção e de criação. Os encontros têm entrada gratuita e classificação livre para todos os públicos.

Pedro Gandra nasceu no Rio de Janeiro, vive e trabalha em Brasília. Frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Sua investigação se desenvolve a partir de algumas referências, sejam fotografias esquematizadas pelo artista, escritos e anotações acumulados, e a literatura, em especial, a fábula. Em seu trabalho, propõe articular essas referências dentro do campo da pintura. E, a partir disso, estabelecer um imaginário e um vocabulário próprios. Desde 2011, participa de diversas exposições coletivas em galerias e instituições, tais como: O espaço entre, Galeria Largo das Artes/RJ; SEUmuSEU, Museu Nacional de Brasília; Somos todos Clarice, Galeria do Lago, Museu da República/RJ; 44º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, Santo André/SP; Novas referências, Referência Galeria de Arte/BSB; Fronteiras da pintura – Fronteiras da ilusão, Museu Nacional dos Correios/BSB; Invenção da paisagem, Martha Pagy Escritório de Arte/RJ; Dialetos 2, no Centro Cultural São Paulo, que apresentou um recorte da jovem produção do Centro-Oeste; Daqui a Pouco, na Baró Galeria/SP e o Arte Londrina 7. Foi o 3º Premiado no I Prêmio Vera Brant de Arte Contemporânea, em Brasília. Também, foi premiado no Garimpo da Revista Dasartes de 2017. Em 2019, foi indicado ao Prêmio PIPA.

Márcio Borsoi começou na fotografia na década de 1970, ainda como estudante de arquitetura. Após um longo período de abandono e de graduar-se como administrador, retornou em 2009 para a fotografia, principalmente de arquitetura de interiores. Atualmente, dedica-se à fotografia autoral. Urbano e um observador do cotidiano, diz que o banal das cidades o atrai, junto com uma pesquisa em fotografia com elementos naturais e orgânicos. “Fotografar é um ato poético e o minimalismo recorrente, “O menos é mais”, ressalta. Sua formação em fotografia resulta da participação em Workshops e cursos de História da Arte, estudos teóricos e das obras de fotógrafos.

Marília Panitz é mestre em Arte Contemporânea: teoria e história da arte, foi professora na Universidade de Brasília, de 1999 a 2012. Dirigiu o Museu Vivo da Memória Candanga e o Museu de Arte de Brasília. De 1994 a 2013, atuou como pesquisadora e coordenadora de programas educativos em exposições. Atua como crítica de arte e curadora independente, com projetos como: Felizes para Sempre, Coletivo Irmãos Guimaraes BSB, Curitiba e SP, 2000/2001; Gentil Reversão, BSB, RJ 2001/2003; Rumos Visuais Itaú Cultural 2001/03 e 2008/10; Azulejos em Lisboa Azulejos em Brasília: Athos Bulcão e a azulejaria barroca, Lisboa, 2013; Vértice – Coleção Sergio Carvalho, nos Correios em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo 2015| 2016; 100 anos de Athos Bulcão CCBB Brasilia, Belo Horizonte São Paulo e Rio de Janeiro, 2018-9.

Posted by Patricia Canetti at 11:22 AM

julho 17, 2019

Laura Freitas na Candido Portinari - UERJ, Rio de Janeiro

No dia 4 de julho, a artista Laura Freitas inaugura a mostra Falo por um fio, na Galeria Candido Portinari, no campus da UERJ. Laura, que faz uso de diversos tipos de suportes em sua linguagem, resgata na mostra os fios e o tecer, que há tantos séculos ocuparam um lugar reservado à mulher: o lugar doméstico. A artista leva esse fazer “feminino” e privado para dentro de uma galeria de arte, espaço público. Com curadoria de Fernanda Pequeno, a exposição fica em cartaz até 22 de agosto. A entrada é franca.

A instalação de Laura Freitas é composta por dois vídeos e aproximadamente 1.200 fragmentos feitos em crochê em composição com cascas de ovos. Da trama, círculos concêntricos se erguem em falos leves e frágeis, formando um ambiente macio e delicado que desperta um desejo pelo toque. "Eu falo de ovos - ovos vazios, ovos frágeis. Falo de tramas de crochê, de buracos violados pela umidade do olho e da língua. Falo de intimidade, de sensações, de encontros, de trocas. Falo de afeto. De uma grande massa de orifícios, volumes e texturas. Falo por um fio”, diz a artista, que nos convida a pensar num mundo mais flexível onde a rigidez e a verticalidade perdem o lugar de poder. Para o projeto, a artista contou com a participação voluntária de um grupo de mulheres entre 21 e 80 anos, que se reuniam em encontros semanais laçando pontos comuns entre si: o fio e a fala.

O trabalho em exposição remete à ação de artistas como Judy Chicago e Myriam Schapiro, que, em 1972, criaram a Womanhouse, importante exposição de arte que contou com trabalhos das co-fundadoras do programa, bem como de mulheres artistas da comunidade local. Naquela exposição, o uso de técnicas historicamente codificadas sob o rótulo de femininas, artesanais e, portanto, caracterizadas como inferiores, apresentaram-se como escolha política de confrontação a “algumas leis interessantes não escritas acerca do que são considerados temas e materiais apropriados para fazer arte”, como diz Schapiro. O uso estratégico do fio enquanto fala está presente também na mitologia grega, com Penélope, ou para controlar o destino dos mortais e determinar o curso da vida humana, com o poder decisivo das Moiras.

Laura Freitas
Vive e trabalha em Niterói, RJ. Graduada em Educação Artística, iniciou seus estudos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, em 2013, participando de cursos ministrados por João Carlos Goldberg, Franz Manata e Iole de Freitas. Entre 2004 a 2007, participou de mostras coletivas em espaços do Rio de Janeiro, como o Centro de Artes Calouste Gulbenkian e o Museu do Bispo do Rosário, e, em Niterói, onde fez sua primeira individual, Casulos, na sala José Cândido de Carvalho. Em 2016, expôs na galeria Quirino Campofiorito - Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, em Niterói, com a individual (Re)colher-se. Em 2017, participou de coletivas na Eixo Arte galeria virtual e da mostra REBENTO, no Espaço MarciaXClayton (RJ). Apresentou também a performance Convite para um chá de frutas vermelhas, pela Eixo Arte, na Fábrica Bhering (RJ). Em 2018, expôs em mostras coletivas: Eixo Arte galeria virtual e Serendipty, na C. Galeria (RJ).

Fernanda Pequeno
Nascida no Rio de Janeiro, em 1983, é professora adjunta de história da arte do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde atuou como coordenadora de exposições do Departamento Cultural, de 2016 a 2018. É Doutora em Artes Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com período sanduíche no Chelsea College of Arts (University of the Arts), Londres. É membro da equipe editorial das Revistas Concinnitas e Arte ConTexto. Autora de Lygia Pape e Hélio Oiticica: conversações e fricções poéticas (Apicuri, 2013). Atua regularmente como curadora desde 2009. Entre suas curadorias destacam-se: Possibilidades do ateliê contemporâneo (Funarte/EAV Parque Lage, 2009), Vida Longa ao Vila Longuinhos! (Museu Murilo La Greca, 2009), Escuta da imagem (Ibeu, 2011), Play (Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, 2013-14), Nós (Caixa Cultural, 2016-17), Panelas de Pressão também sibilam (Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, 2017), Bruto (Galeria Candido Portinari, 2018), Imagem-experiência (A Mesa, 2018), entre outras.

Posted by Patricia Canetti at 6:07 PM

O Negócio da Alma no Correios, Rio de Janeiro

O Negócio da Alma é uma mostra que reúne um conjunto de 19 artistas e ocupará o terceiro andar do Centro Cultural Correios, no Centro do Rio de Janeiro, de 18/07 até o dia 01/09. Idealizada por Antonio Bokel e com acompanhamento curatorial de Sonia Salcedo del Castillo, a convergência poética desses artistas é uma certa 'artesania', que confere viés intuitivo e/ou espontâneo à técnicas diversas: pinturas, desenhos, esculturas e gravuras.

A exposição contará com artistas brasileiros e internacionais de diferentes backgrounds e propõe um diálogo atemporal entre abstração e figuração, alternando formas e expressões que vão do primitivo ao frescor urbano contemporâneo.

"Me inspirei muito nas questões do modernismo e da arte naif, que tem um ponto em comum. Alguns artistas modernos da época bebiam dessa fonte, da arte primitiva. Então eu, no papel de agregador da Mostra, faço este encontro - da arte primitiva com a contemporânea - com artistas que tem esta inspiração. Eu quero hibridizar, do público não perceber quem é naif ou quem é contemporâneo, tá todo mundo misturado", diz Antonio Bokel.

A ideia da Mostra surgiu de um encontro entre Bokel e o artista Juarez Siqueira há 6 anos, onde Juarez, um matuto que produz arte, o presenteou com um tapete de sua autoria. Em troca, deu a Juarez um material de pintura: "Ele foi se desenvolvendo a partir daí, trocamos trabalhos até ele fazer uma exposição na Casa Voa. A forma com que ele encarava a arte, com ingenuidade e despretensão, me tocou muito e percebi que outros artistas, que não eram matutos, também encaravam a arte dessa maneira, menos mercadológica e mais genuína, vinda de dentro", conta Bokel.

"Essa iniciativa, de chamar estas pessoas, se dá sobretudo em relação ao fato delas não terem um nicho específico dentro do circuito. Isso vem ao encontro do convite de outros talentos que não são da ordem visual, mas de um certo engajamento intelectual, como é o caso da Catarina que entrará com uma poesia, e da Patrícia que assumirá o texto crítico. Estes 19 artistas convergem para segmento produtivo por vezes ingênuo, por vezes geométrico e outras abstrato. Na feição do que é apresentado, há um quê de brutalidade, digamos assim. Contudo, é possível fruir essenciais da pura forma nessas obras. No âmbito da história da arte, esse conjunto poderia nos remeter ao grupo CoBrA do Karel Appel ou mais recentemente à Baselitz, por exemplo. O negócio da Alma propõe uma reflexão entre forma e expressão. E o meu papel neste trabalho é o de acompanhar o projeto curatorialmente, ou seja, orientar e editar o que será apresentado", finaliza Sonia Salcedo del Castillo.

Posted by Patricia Canetti at 5:35 PM

julho 16, 2019

BienalSur: Cildo Meireles no Centro Nacional de Arte Contemporáneo Cerrillos, Chile

BienalSur 2019, la segunda edición del evento cultural de arte contemporáneo más destacado de Argentina para el mundo, inaugura un nuevo capítulo de su singular cartografía en territorio chileno el 19 y 20 de julio con exposiciones en Santiago de Chile y Cerrillos y continúa hasta noviembre desplegando obras de 400 artistas en más de cien sedes – con las que trabaja de forma conjunta y colaborativamente - de 43 ciudades de veinte países, todas con entrada gratuita.

La Bienal Internacional de Arte Contemporáneo de América del Sur expande su cartografía con nuevas inauguraciones el 19 y 20 de julio en suelo chileno. Allí se llevarán adelante exposiciones en distintas sedes de la ciudad de Santiago de Chile y en Cerrillos con obras de destacados artistas como Martha Rosler, Graciela Sacco y Cildo Meireles.

El 19 de julio en el Museo de Arte Contemporáneo – Universidad de Chile tendrá lugar “Si tu vivieras aquí”, una exposición que alude a una posibilidad de desplazamiento y vivencia territorial, corporal y temporal, a través de una amplia selección de trabajos sobre género, conflictos y desplazamientos de la artista y activista estadounidense Martha Rosler, con curaduría de Mariagrazia Muscatello y Montserrat Rojas Corradi. La exposición, que toma cuerpo a raíz de la traducción del título de la obra de Rosler “If you lived here” de 1989, responde a la interrogación sobre la actual puesta en cuestión de las identidades entendidas como el último núcleo de resistencia contemporánea, mediante trabajos que cruzan la documentación histórica, el cuerpo y el género como ejes constituyentes de la realidad.

“El título de la exposición, traducido intencionalmente al español, abre a otras miradas y reflexiones en el contexto latinoamericano, donde se dan otras narrativas, remitiendo simbólicamente al tema de la vivencia relacionada a un territorio físico, político y temporal. En la realidad chilena se refiere específicamente a los desplazamientos humanos actuales y a la conformación de la identidad nacional post-dictadura”, explican las curadoras.

En el Museo de la Memoria y los Derechos Humanos la interferencia ¿Quién fue? de Graciela Sacco (Rosario, Argentina, 1956-2017), que recuerda a la artista a manera de homenaje, interpelará a los visitantes con aquel interrogante “lanzando una demanda que se instala de manera contundente tanto en la esfera pública como en el ámbito privado. ¿Quién fue? es el eslabón final de una manera de enunciar. Un proyecto pensado para el espacio público pero cuestionando a su vez el espacio íntimo. Un dedo que nos señala, nos intimida, nos acusa”, expone la curadora Diana Wechsler del equipo de BienalSur.

En tanto, en el Centro Cultural Matucana 100 la artista Katia Sepúlveda, quien en sus trabajos aborda temas transfeministas y anti-coloniales, realizará una performance sobre los procesos disciplinarios que han sometido a los cuerpos subalternos , con curaduría BienalSur a cargo de Fernando Farina.

Mientras que la artista ítalo argentina Elda Cerrato realizará una interferencia en el Museo Nacional de Bellas Artes titulada “Recordar un signo” con curaduría de Gloria Cortés Aliaga. La artista a través de la reproducción de sus instalaciones censuradas en 1972 en Argentina interviene la exposición “De aquí a la modernidad”, perteneciente a la colección del Museo.

Al otro día, en el Centro Nacional de Arte Contemporáneo Cerrillos podrá verse la potente exposición “Cerca de lejos del artista brasileño Cildo Meireles con curaduría de Juliana Gontijo (BRA). Meireles, interesado en las paradojas entre el contenido y el continente, entre el caos y el orden, propone una obra en la que inconmensurables cantidades de hilos toman control de la arquitectura moderna de este antiguo aeropuerto y se derraman por las escaleras, salen al exterior y visitan, incluso, otras obras del artista.

Con su cartografía inédita BienalSur borra fronteras, piensa con artistas entre lo local y lo global, trabaja en colaboración y en diálogo permanente con las demandas e intereses de cada sede en la que se despliegan las más diversas propuestas artísticas contemporáneas.

Para Aníbal Jozami, director general de BienalSur y rector de la Universidad Nacional de Tres de Febrero (UNTREF): “El arte es una de las formas en las que se expresa la problemática del ser humano. Los artistas se expresan a través de su obra y de alguna forma cuestionan el mundo. Y en ese sentido, BienalSur es una invitación a pensar, al crear un canal de comunicación entre países, y que busca alcanzar todos los públicos”.

Para Diana Wechsler, directora artístico-académica de BienalSur: “Esta bienal busca hacer de cada espacio del arte un espacio de pensamiento, un sitio para la emergencia de ideas y propuestas destinadas a ofrecer otras configuraciones del mundo contemporáneo. BienalSur construye un territorio que describe una nueva cartografía y propone una plataforma constituida de manera asociativa y colaborativa”.

El abanico de propuestas artísticas de BienalSur continúa en Lima, La Paz, además de las sedes en Francia, Italia, España, Marruecos, México, Costa Rica.

La agenda de BienalSur 2019 podrá consultarse en www.BienalSur.org.

19 DE JULIO

MAC - Museo de Arte Contemporáneo, Universidad de Chile
Exposición: Si tu vivieras aquí
Artista: Martha Rosler
Curaduría: Lucrecia Palacios

Museo de la Memoria y los Derechos Humanos - Santiago de Chile
Intervención: ¿Quién fue?
Artista: Graciela Sacco
Curaduría BienalSur: Diana Wechsler

Centro Cultural Matucana 100 - Santiago de Chile
Performance: Lecture Performances Tecno-Clase y Seminario/laboratorio abierto
Artista: Katia Sepúlveda (CHL)
Curaduría BienalSur: Fernando Farina

Museo Nacional de Bellas Artes, Chile
Interferencia: Recordar un signo
Artista: Elda Cerrato (ITA/ARG)
Curaduría: Gloria Cortés Aliaga (CHL)

20 de JULIO

Centro Nacional de Arte Contemporáneo Cerrillos - Chile
Exposición: Cerca de lejos
Artista: Cildo Meireles (BRA)
Curaduría: Juliana Gontijo (BRA)

ACERCA DE BIENALSUR

La segunda edición de BienalSur, la Bienal Internacional de Arte Contemporáneo de América del Sur se realizará de mayo a noviembre de 2019 con exposiciones simultáneas de más de 400 artistas distribuidas en 43 ciudades de una veintena de países. La vibrante oferta artística se desplegará en más de cien sedes entre museos, centros culturales, instituciones y zonas emblemáticas del espacio público, con la premisa de acercar a todo público y de manera gratuita a las más diversas manifestaciones artísticas contemporáneas. Organizada por la Universidad Nacional de Tres de Febrero (UNTREF), BienalSur se realizó por primera vez en 2017, en simultáneo en más de 30 ciudades de 15 países del mundo, que reunieron exposiciones de más de 350 artistas y curadores de los cinco continentes, con la intención de generar una red global de colaboración asociativa institucional que elimine distancias y fronteras, y reivindique la singularidad en la diversidad.

Posted by Patricia Canetti at 10:52 AM

julho 14, 2019

BienalSur: Draw me a flag na Fundação Getulio Vargas, Rio de Janeiro

FGV integra roteiro da BienalSur: Obra da coleção da Fundação Cartier poderá ser visitada a partir de 17 de julho

A Fundação Getulio Vargas (Esplanada do Centro Cultural FGV, Praia de Botafogo 186, Rio de Janeiro, RJ) abre seu espaço no próximo dia 17 de julho, às 11h30, para mais uma edição da BienalSur, o evento cultural de arte contemporânea mais conhecido da América do Sul, que apresenta a obra Draw me a flag, da Fundação Cartier, idealizada pelo artista francês Christian Boltanski.

A instalação consiste em 31 bandeiras, desenhadas por artistas de diversos lugares, que não representam países, mas apenas e simplesmente identidades visuais para um mundo sem fronteiras. A obra chega ao Brasil graças ao apoio da Embaixada da França e do Institut Français d'Argentine e fica em exibição até 31 de outubro de 2019.

A FGV mais uma vez faz parte do projeto, que tem como objetivo unir artistas de todos os continentes, com exposições distribuídas, simultaneamente, por diversos lugares do mundo. A realização da 2ª edição da Bienal Internacional de Arte Contemporânea (BienalSur) no espaço da FGV está inserida na missão da instituição, que tem entre suas muitas outras atividades, contribuir para o desenvolvimento da cultura no Brasil, assim como de promover eventos culturais que projetem a cidade do Rio de Janeiro e o país no exterior.

Estarão expostas na FGV as bandeiras criadas pelos artistas Alessandro Mendini, Itália; Anna Mariani, Beatriz Milhazes, Claudia Andujar, Davi Kopenawa e Iran, Brasil; Bernard Piffaretti, Didier Marcel, Franck Scurti, Hélène Delprat, Hugues Reip, Jean-Baptiste Bruant, Macha Makeif, Marc Couturier, Marie Darrieussecq, Monique Frydman, Roland Lehoucq, Michel Temman e Moebius, França; Charwei Tsai, Taiwan; Clemente Juliuz, Joseca e Osvaldo Pitoe, Paraguai; Fei Dawei, Gao Shan, Hu Liu, China; Leslie Wayne, Alemanha; Marc Newson, Austrália; Nobuyoshi Araki, Rinko Kawauchi, Japão; e Tim Hawkinson, Estados Unidos.

A obra em exposição alcança o KM 2486 de sua singular cartografia, que se estende ao redor do mundo até o mês de novembro com exposições de 400 artistas, em mais de 100 sedes – as quais trabalham de forma conjunta e colaborativa – em 43 cidades de 20 países, todas com entradas gratuitas.

Segundo Anibal Jozami, diretor geral da BienalSur, a mostra tenta, por meio da arte e da cultura, fomentar o diálogo e a integração entre nossos povos e, também, impregnar as correntes do Norte com novos conteúdos. É um projeto que nasce da interdisciplinaridade entre os estudos de relações internacionais e a teoria e história da arte. “A Fundação Getulio Vargas aderiu, desde o início, a esta iniciativa e se integrou, juntamente com outras universidades internacionais de primeiro nível, à rede acadêmica BienalSur”, afirma.

“Nesta segunda edição, a FGV recebe o projeto Draw me a flag, que é uma tentativa de eliminar as fronteiras e aproximar os povos por meio da arte. Para nós que criamos a BienalSur, é um privilégio contar com a adesão de uma das mais prestigiosas entidades da América Latina” destaca Jozami, que também é reitor da Universidad Nacional de Tres de Febrero (Untref), em Buenos Aires.

O projeto

Sobre uma ideia de Christian Boltanski, a Fondation Cartier pour L’art Contemporain lançou esse projeto, que segue crescendo e somando autores para novas bandeiras. A instalação consiste em aproximadamente 80 bandeiras desenhadas por artistas, cientistas, filósofos e parceiros da Fundação Cartier, que contribuíram com seus programas ao longo dos anos e que constituem hoje uma comunidade.

O projeto também faz parte da BienalSur 2019, no espaço público na Cidade de Buenos Aires e está relacionado com a obra “Banderas del fin del mundo” instaladas na Terra do Fogo, o ponto mais austral da Bienal, onde aconteceu a abertura desse grande evento cultural.

Com sua cartografia inédita a BienalSur elimina fronteiras, pensa com artistas locais e de todo o mundo, trabalha com colaboração e está em diálogo permanente com as demandas e interesses de cada sede em que se estendem as mais diversas propostas artísticas contemporâneas.

“Com a BienalSur buscamos traçar uma nova cartografia para que a cena artística global expanda seus sentidos a outros âmbitos. Buscamos romper com a ideia instalada de que a luz está no Norte. Essa decisão profundamente simbólica permite avançar no traçado de novos percursos”, destaca o diretor geral da BienalSur.

Já para Diana Wechsler, diretora artístico-acadêmica da BienalSur, a mostra é transgressora, na medida em que fomenta um estado de pensamento que rompe com estereótipos hegemônicos, que interpela públicos cada vez mais diversos e que convida a uma reflexão crítica sobre a contemporaneidade a partir das produções simbólicas de artistas de diversas origens. O leque de propostas artísticas da BienalSur continua em Santiago do Chile, Lima, La Paz, além das sedes na França, Itália, Espanha, Marrocos, México e Costa Rica.

SOBRE A BIENALSUR

A segunda edição da BienalSur, Bienal Internacional de Arte Contemporânea da América do Sul, será realizada de maio a novembro de 2019, com exposições simultâneas de mais de 400 artistas, distribuídas por 43 cidades, em mais de 20 países. A vibrante oferta artística se estenderá para mais de 100 sedes entre museus, centros culturais, instituições e zonas emblemáticas de espaço público, com a premissa de levar ao público, de maneira gratuita, as mais diversas manifestações artísticas contemporâneas. Organizada pela Universidad Nacional de Tres de Febrero (UNTREF), a primeira edição da BienalSur aconteceu em 2017, simultaneamente em mais de 30 cidades, de 15 diferentes países. Esta edição reúne exposições de mais de 350 artistas e curadores dos cinco continentes, com o objetivo de gerar uma rede global de colaboração associada institucional para eliminar distâncias e fronteiras, reivindicando a singularidade na diversidade.

Posted by Patricia Canetti at 12:38 PM

Estrangeiros na Coleção Roberto Marinho na CRM, Rio de Janeiro

Casa Roberto Marinho abre coletiva com mais de 150 obras de artistas nascidos no exterior, incluindo grandes nomes como Dalí, De Chirico e Chagall

A Casa Roberto Marinho, que acaba de inaugurar exposição monográfica em torno da obra de Djanira da Motta e Silva, abrirá mais uma mostra no próximo dia 18, quinta-feira, às 19h. Com visitação pública a partir de 19 de julho, a coletiva “Estrangeiros na Coleção Roberto Marinho” apresentará mais de 150 obras de artistas nascidos no exterior, que o jornalista reuniu de modo assistemático, obedecendo às oportunidades que o acaso lhe proporcionava. Pinturas, esculturas, aquarelas, litogravuras, serigrafias e tapeçarias compõem a exposição curada por Lauro Cavalcanti, que ocupará todo o segundo andar do instituto até outubro.

Em Estrangeiros na Coleção Roberto Marinho predomina a pluralidade, diferente dos conjuntos anteriores já expostos na Casa. Aqui, o ‘sujeito’ é o próprio colecionador com múltiplos interesses. Nas suas palavras, “toda coleção privada expõe um ponto de vista pessoal, bem como a marca de preferências por vezes reveladoras dos diferentes momentos da trajetória”.

Como exemplo desse pluralismo, na primeira sala convivem o abstracionismo expressivo da tela ‘monopigmentária’ de Pierre Soulages, a leveza dos trabalhos de Marc Chagall, a pintura metafísica do greco-italiano De Chirico, as ilustrações surrealistas de Salvador Dali, a geometria festiva de Sonia Delaunay e os trabalhos pós-cubistas de Fernand Léger – este último, professor de Tarsila do Amaral. Telas seminais de Maria Helena Vieira da Silva, obra de Giuseppe Santomaso e a ‘pintura happening’ de George Mathieu completam o setor.

Nas demais salas, o público encontrará os guaches de Raoul Dufy e os riscos poéticos de Jean Cocteau. Tapeçarias e óleo de Jean Lurçat, ao lado das telas de Maurice Utrillo, André Lhote, Maurice Vlaminck, Fillipo de Pisis e Mela Mutter, contemplam um gosto mais clássico, ao passo que a obra de Félix Labisse obedece a uma filiação surrealista. Uma têmpera sobre tela marca a presença de Marie Laurencin, única mulher do grupo cubista Section d’Or e companheira do poeta Guillaume Appolinaire.

Os estrangeiros que adotaram o Brasil como lar também foram incluídos na exposição, a começar pelos desenhos a nanquim, do século XIX, de Giovanni Battista Castagneto. No século seguinte, muitos se impuseram como importantes vozes da arte brasileira. Lasar Segall, Tomie Ohtake, Franz Weissmann, Frans Krajcberg, Yutaka Toyota, Joaquim Tenreiro, Maria Polo, Manabu Mabe e Roberto Moriconi poderiam ser chamados de artistas brasileiros que nasceram no exterior.

Um setor especial da mostra contempla um olhar estrangeiro sobre o Brasil no século XIX: as litogravuras aquareladas de Jean-Baptiste Debret, do álbum “Voyage pictoresque au Brésil” ou “Séjour d’un artiste français au Brésil”. Nestes 93 trabalhos, o artista desempenha o papel de historiador, botânico, biólogo, zoólogo e etnógrafo. Alguns desses desenhos foram realizados na França, a partir de esboços colhidos aqui. Esse importante registro histórico nos oferece visões por vezes discutíveis, como a indumentária dos índios, e noutras embaraçantes, ao flagrar a extrema desigualdade do último país a abolir a escravidão.

“Estrangeiros na Coleção Roberto Marinho possibilita ao público ver originais de importantes artistas, raramente exibidos no Brasil, assim como permite reflexões sobre pertencimento e nacionalidade ao enfocar um pouco da história da arte europeia e seus desdobramentos entre nós”, comenta Lauro Cavalcanti, curador da mostra e diretor-executivo da Casa Roberto Marinho.

Posted by Patricia Canetti at 10:41 AM

julho 11, 2019

Adriana Varejão no Mamam, Recife

Exposição aporta no MAMAM trazendo pela primeira vez à cidade um conjunto significativo de obras da artista carioca

Um dos nomes mais respeitados das artes visuais do Brasil, Adriana Varejão terá pela primeira vez um conjunto significativo de sua obra exposto no Recife. A mostra Adriana Varejão – Por uma retórica canibal foi exibida em Salvador, entre abril e junho deste ano, e agora aporta na capital pernambucana, com abertura agendada para o dia 28 de junho, às 19h, no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM). A exposição ficará em cartaz, com visitação gratuita, até 8 de setembro, seguindo, posteriormente, em itinerância por outras cidades fora do eixo Rio-São Paulo. Com curadoria de Luisa Duarte, a mostra faz parte de um projeto que pretende descentralizar o acesso à importante produção da artista carioca, exibindo 25 obras dos seus mais de 30 anos de trajetória, realizadas entre 1992 e 2018. Trata-se de um conjunto significativo de sua produção, que inclui trabalhos seminais como Mapa de Lopo Homem II (1992-2004), Quadro Ferido (1992) e Proposta para uma Catequese, em suas Partes I e II (1993).

“Desde os anos 1980, quando comecei a pintar e pesquisar sobre o barroco, tomei como referência várias igrejas do Recife. Algumas imagens sempre permaneceram dentro de mim e as carrego até hoje, como o altar da Basílica de Nossa Senhora do Carmo, a azulejaria do Convento de Santo Antônio, ou mesmo o teto da Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares. Todo esse repertório me ajudou a moldar minha linguagem. Outra lembrança marcante é uma visita que fiz à feira de Caruaru. Lá me deparei com as carnes de charque dobradas e cortadas em nacos, com sua superfície marmoreada, e, a partir daí, iniciei a série das Ruínas de Charque, que tenho desenvolvido até hoje. Esses e outros exemplos reiteram a minha emoção de estar realizando esta primeira individual no Recife, tão perto de algumas importantes referências”, conta a artista.

O recorte curatorial da exposição, que descortina diferentes fases de produção da artista de modo a levar um conjunto relevante de sua obra pela primeira vez ao Recife, busca enfatizar como muito antes dos estudos pós-coloniais estarem no centro do debate da arte contemporânea, Adriana Varejão já desenvolvia uma pesquisa cuja inflexão está centrada justamente em uma revisão histórica do colonialismo. Essas questões levantadas pela artista encontram eco na história colonial pernambucana, marcada por sua forte vocação e tradição na monocultura da cana-de-açúcar no período, a presença dos holandeses e a disputa pela terra, e as revoltas insurgentes contra Portugal.

O título da exposição faz referência ao vínculo da sua obra com a tradição barroca. A retórica é uma estratégia recorrente do barroco, sendo um procedimento que busca a persuasão. Se o método rendeu obras e discursos suntuosos e exuberantes, a favor da narrativa cristã e do projeto de colonização europeu, a retórica canibal, ao contrário, se apresenta como um contraprograma, uma contracatequese, uma contraconquista. Trata-se de uma ruptura com as formas ocidentais modernas de pensamento e ação, em busca dos saberes locais, como o legado da antropofagia. Saem de cena o ouro e os anjos (tão presentes em igrejas barrocas no Recife e em Salvador), entram em cena a carne e toda uma cultura marcada por uma miscigenação por vezes violenta.

Assim, o público tomará contato com uma produção que visita de maneira constante o passado para trazer à luz histórias ocultas, pouco visitadas pela história oficial. A seleção de trabalhos revela ainda a rede de influências que atravessa a obra da artista: do citado barroco à China, da azulejaria à iconografia da colonização, da história da arte à religiosa, do corpo à cerâmica, dos mapas à tatuagem, vasto é o mundo que alimenta a poética de Adriana Varejão. Ao longo da exposição comparecem trabalhos de quase todas a s séries produzidas pela artista, tais como: Proposta para uma Catequese, Línguas e cortes, Ruínas de Charques, Pratos, Azulejões e Terra Incógnita.

A mostra vai ocupar todas as salas de exposição do MAMAM. No andar térreo, o público poderá ver a instalação em vídeo Transbarroco (2014). Nos demais andares, as outras obras serão dispostas junto com um conjunto de textos curtos, que descrevem e contextualizam cada uma delas, funcionando como ferramenta de mediação com o visitante. O público também poderá conferir um site specific da artista, que não está na seleção curatorial, mas que faz parte do acervo do museu: Panacea Phantastica (2003).

“É com muita satisfação que participamos desse importante projeto. Essa parceria sustenta nosso compromisso com a arte e com a democratização da cultura a um número cada vez maior de pessoas. Por meio desta itinerância, levaremos a arte singular de Adriana Varejão para cidades que ficam fora do eixo Rio-São Paulo e que, até então, nunca haviam recebido uma exposição da artista, a exemplo de Salvador e, agora, Recife”, afirma Carlos Dale, sócio-diretor da galeria. “Em Salvador, onde esteve em cartaz de 16 de abril a 15 de junho, a mostra registrou um público semanal de aproximada mente 800 pessoas, totalizando quase 7 mil visitantes. Além disso, por meio do Educativo da mostra, conseguimos receber, ao longo do período expositivo, mais de 1500 alunos de 45 escolas das redes pública e privada, em grupos de 30 a 40 crianças em cada atendimento. Os jovens puderam ter contato com a obra de uma das mais importantes artistas brasileiras da contemporaneidade” reforça Antonio Almeida, também sócio-diretor da Galeria Almeida e Dale.

Adriana Varejão é representada pelas Galerias Fortes D’Aloia & Gabriel, Gagosian e Victoria Miro.

Adriana Varejão (Rio de Janeiro) – As obras de Adriana Varejão encontram-se em coleções de instituições como Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque; Solomon R. Guggenheim Museum, Nova Iorque; Tate Modern, Londres; Fondation Cartier pour l’art Contemporain, Paris; Inhotim Centro de Arte Contemporânea, Brumadinho; Museu de Arte Moderna de São Paulo; Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro; Coleção Gilberto Chateaubriand, Rio de Janeiro; Fundación “la Caixa”, Barcelona; Stedelijk Museum, Amsterdã; e Hara Museum, Tóquio. Entre suas principais exposições institucionais, incluem-se “Azulejões,” Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro e Brasília, Brasil (2001); “Chambre d’échos / Câmara de ecos”, Fondation Cartier pour l´art Contemporain, Paris (2005, itinerância para o Centro Cultural de Belém, Lisboa; e DA2, Salamanca, Espanha); Hara Museum of Contemporary Art, Tóquio (2007); “Adriana Varejão - Histórias às Margens,” Museu de Arte Moderna de São Paulo, Brasil (2012, itinerância para o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil; e o Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (MALBA), Argentina em 2013); “Adriana Varejão,” The Institute of Contemporary Art, Boston (2014); e “Adriana Varejão: Kindred Spirits,” Dallas Contemporary (2015). A artista participou da Bienal de São Paulo (1994, 1998); 12th Biennale of Sydney (2000); International B iennial Exhibition, SITE Santa Fe (2004); Liverpool Biennial (1999, 2006); Bucharest Biennale (2008); Istambul Biennial (2011); “30x Bienal”, Fundação Bienal de São Paulo (2013); Bienal do Mercosul, Brasil (1997, 2005, 2015); e da primeira Bienal de Arte de Contemporânea de Coimbra, Portugal (2015). Em 2008, um pavilhão permanente dedicado à obra de Varejão foi inaugurado em Inhotim Centro de Arte Contemporânea. Em 2016, foi contratada para produzir um mural temporário baseado em seu épico trabalho “Celacanto provoca maremoto” para cobrir a fachada inteira do Centro Aquático para as Olimpíadas do Rio de Janeiro. Recebeu o Prêmio Mario Pedrosa (artista de linguagem contemporânea), da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), e o Grande Prêmio da Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte (A PCA), pela exposição “Histórias às margens”, realizada em 2012/13 no MAM SP, MAM Rio e MALBA.

Luisa Duarte (Rio de Janeiro, 1979) – Crítica de arte, curadora independente e professora. Mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Foi por nove anos crítica de arte do jornal O Globo. Integrou o conselho do Museu de Arte Moderna de São Paulo (2009-2012) e a equipe do programa Rumos Artes Visuais do Instituto Itaú Cultural (2005/2006). Coordenou o ciclo de conferências “Passado, presente e futuro – memória e projeção”, na 28ª Bienal de São Paulo (2008). Organizou em dupla com Adriano Pedrosa o livro “ABC – Arte B rasileira Contemporânea”, pela Cosac & Naify (2014). Organizou o seminário internacional “Biblioteca Walter Benjamin”, no Museu de Arte do Rio – MAR (2015). Foi curadora, em dupla com Evandro Salles, da exposição “Tunga – o rigor da distração” (2018), também no MAR. Em 2019, faz parte da equipe curatorial da 21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil, sendo responsável pelos programas públicos da edição, cuja abertura está prevista para outubro de 2019, em São Paulo.

OBRAS REUNIDAS [em ordem alfabética]

Alegoria Imprecisa (2011) // Óleo e gesso sobre tela
Azulejão branco (2010) // Óleo e gesso sobre tela
Azulejão (Neoconcreto) (2016) // Óleo e gesso sobre tela
Azulejões (com uma mãozinha) – políptico (2000) // Óleo e gesso sobre tela
Carne à la Taunay (1997) // Óleo sobre tela e porcelana
Língua com Padrão Sinuoso (1998) // Óleo sobre tela e alumínio
Linha Equinocial (1993) // Óleo sobre tela, porcelana e fios de poliamida
Mãe d’ Água (2009) // Óleo sobre fibra de vidro e resina
Mapa de Lopo Homem II (1992-2004) // Óleo sobre madeira e linha de sutura
Mar Egeu (tríptico) (2008) // Óleo e gesso sobre tela
Nascimento de Ondina (2009) // Óleo sobre fibra de vidro e resina
Panorama da Guanabara (2012) // Óleo e gesso sobre tela
Parede com incisões à la Fontana (2000) // Óleo sobre tela e poliuretano em suporte de alumínio e madeira
Passagem de Macau a Vila Rica (1992) // Óleo sobre tela
Pele Tatuada à Moda de Azulejaria (1995) // Óleo sobre tela
Pérola Imperfeita (2009) // Óleo sobre fibra de vidro e resina
Prato com mariscos (2011) // Óleo sobre fibra de vidro e resina
Proposta para uma Catequese – Parte I Díptico: Morte e Esquartejamento (1993) // Óleo sobre tela
Proposta para uma Catequese – Parte II Díptico: Aparição e Relíquias (1993) // Óleo sobre tela
Proposta para uma Catequese – Prato (2014) // Óleo sobre fibra de vidro
Quadro Ferido (1992) // Óleo sobre tela
Ruína de Charque, Humaitá (2001) // Óleo sobre madeira e poliuretano
Ruína de Charque, Porto (2001) // Óleo sobre madeira e poliuretano
O meticuloso (2018) // Óleo sobre tela
Transbarroco (2014) // vídeo instalação composta por quatro filmes

Posted by Patricia Canetti at 12:01 PM

julho 10, 2019

Nous les Arbres na Fondation Cartier pour l'art contemporain, França

Réunissant une communauté d’artistes, de botanistes et de philosophes, la Fondation Cartier pour l’art contemporain se fait l’écho des plus récentes recherches scientifiques qui portent sur les arbres un regard renouvelé.

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Organisée autour de plusieurs grands ensembles d’œuvres, l’exposition Nous les Arbres laisse entendre les voix multiples de ceux qui ont développé, à travers leur parcours esthétique ou scientifique, un lien fort et intime avec les arbres, et qui mettent en lumière la beauté et la richesse biologique de ces grands protagonistes du monde vivant aujourd’hui massivement menacés.

Après avoir été longtemps sous-évalués par la biologie, les arbres - comme l’ensemble du règne végétal - ont fait l’objet, ces dernières décennies, de découvertes scientifiques qui permettent de porter un nouveau regard sur ces plus anciens membres de la communauté des vivants. Capacités sensorielles, aptitude à la communication, développement d’une mémoire, symbiose avec d’autres espèces et influence climatique: la révélation de ces facultés invite à émettre l’hypothèse fascinante d’une « intelligence végétale » qui pourrait apporter des éléments de réponse à bien des défis environnementaux actuels. En résonance avec cette « révolution végétale », l’exposition Nous les Arbres croise les réflexions d’artistes et de chercheurs, prolongeant ainsi l’exploration des questions écologiques et de la relation de l’homme à la nature, qui habite régulièrement la programmation de la Fondation Cartier, comme ce fut le cas récemment avec Le Grand Orchestre des Animaux (2016).

Réunissant des dessins, peintures, photographies, films et installations d’artistes d’Amérique latine, d’Europe, des Etats-Unis, mais également d’Iran, ou encore de communautés indigènes comme les Nivaklé et Guaranídu Gran Chaco, au Paraguay, ainsi que les Indiens Yanomami qui vivent au cœur de la forêt amazonienne, le parcours de l’exposition, rythmé par plusieurs grands ensembles d’œuvres, déroule trois fils narratifs: celui de la connaissance des arbres – de la botanique à la nouvelle biologie végétale – ; celui de leur esthétique – de la contemplation naturaliste à la transposition onirique – ; celui enfin de leur dévastation - du constat documentaire au témoignage artistique.

Orchestré avec l’anthropologue Bruce Albert, qui accompagne la curiosité de la Fondation Cartier depuis l’exposition Yanomami, l’esprit de la forêt (2003), le projet s’articule autour de la présence de personnalités qui ont développé une relation singulière aux arbres – qu'elle soit intellectuelle, scientifique ou esthétique. Ainsi, le botaniste Stefano Mancuso, pionnier de la neuro-biologie végétale et défenseur de la notion d’intelligence des plantes, cosigne avec Thijs Biersteker, une installation qui « donne la parole » aux arbres et qui, grâce à une série de capteurs, révèle leur réaction à l’environnement ou à la pollution, le phénomène de la photosynthèse, la communication racinaire ou l’idée d’une mémoire végétale, rendant visible l’invisible. Au nombre également de ces grandes figures qui construisent le propos de l’exposition, le botaniste-voyageur Francis Hallé, dont les carnets de planches conjuguent l’émerveillement du dessinateur face aux arbres et la précision de l’intime connaissance du végétal, se fait le témoin de la rencontre entre la science et le sensible. Au cœur de la pensée de l’exposition, la relation de l’homme et de l’arbre devient le sujet du film de Raymond Depardon qui brosse, à travers les mots de ceux qui les côtoient, le portrait de ces platanes ou de ces chênes qui ombragent les places des villages et auxquels sont associés nombre de souvenirs des plus personnels aux plus historiques. Artiste-semeur – il a planté quelques 300 000 graines d’arbres dans sa vallée vendéenne -, Fabrice Hyber offre, dans ses toiles, une observation poétique et personnelle du monde végétal, interrogeant les principes de croissance en rhizome, d’énergie et de mutation, de mobilité et de métamorphose. Guidé davantage par l’esthétique d’une collecte intuitive que par la recherche d’une rigueur scientifique, l’artiste brésilien Luis Zerbini compose, quant à lui, des paysages luxuriants, organisant la rencontre imaginaire d’arbres empruntés à des jardins botaniques tropicaux et de signes d’une modernité urbaine. A cette exubérance picturale répond l’inventaire conceptuel et systématique de l’architecte Cesare Leonardi qui dresse, avec la complicité de Franca Stagi, une typologie des arbres, de leurs ombres et de leur variations chromatiques, en un précieux corpus réuni en vue de la conception de parcs urbains. Les silhouettes fantomatiques des grands arbres de Johanna Calle évoquent, avec poésie et délicatesse, la fragilité de ces géants menacés par une déforestation irréversible. Au drame de la destruction des grands espaces forestiers de la planète, évoqué notamment par le film EXIT des architectes Diller Scofidio + Renfro, succède l’univers onirique de la cinéaste paraguayenne Paz Encina qui propose une image intériorisée de l’arbre comme refuge de la mémoire et de l’enfance.

Prolongement naturel de l’exposition, le jardin, créé en 1994, par l’artiste Lothar Baumgarten pour la Fondation Cartier, invite à une flânerie au contact des arbres qui, comme le majestueux cèdre du Liban, planté par Chateaubriand en 1823, ont inspiré à Jean Nouvel une architecture de reflets et de transparence, qui joue sur le dialogue entre l’intérieur et l’extérieur, et fait naître des « émotions furtives ». Niché dans la végétation en un double discret de la nature, gardant sur son tronc la trace de la main de l’artiste, l’arbre de bronze de Giuseppe Penone a trouvé sa place dans le jardin de la Fondation Cartier, qui accueille à l’occasion de l’exposition la sculpture qu’Agnès Varda avait spécialement imaginée pour ce projet. Enfin, à l’automne, le Theatrum Botanicum deviendra, le temps d’une semaine, le support naturel d’une installation-vidéo réalisée par Tony Oursler.

Rendant à l’arbre la place que l’anthropocentrisme lui avait soustraite, Nous les Arbres réunit les témoignages, artistiques ou scientifiques, de ceux qui portent sur le monde végétal un regard émerveillé et qui nous révèlent que, selon la formule du philosophe Emanuele Coccia, « il n’y a rien de purement humain, il y a du végétal dans tout ce qui est humain, il y a de l’arbre à l’origine de toute expérience ».

Artistes et contributeurs de l’exposition: Efacio Álvarez, Herman Álvarez, Fernando Allen, Fredi Casco, Claudia Andujar, Eurides Asque Gómez, Thijs Biersteker, José Cabral, Johanna Calle, Jorge Carema, Alex Cerveny, Raymond Depardon, Claudine Nougaret, Diller Scofidio + Renfro, Mark Hansen, Laura Kurgan, Ben Rubin, Robert Gerard Pietrusko, Ehuana Yaira, Paz Encina, Charles Gaines, Francis Hallé, Fabrice Hyber, Joseca, Clemente Juliuz, Kalepi, Salim Karami, Mahmoud Khan, Angélica Klassen, Esteban Klassen, George Leary Love, Cesare Leonardi, Franca Stagi, Stefano Mancuso, Sebastián Mejía, Ógwa, Marcos Ortiz, Tony Oursler, Giuseppe Penone, Santídio Pereira, Nilson Pimenta, Osvaldo Pitoe, Miguel Rio Branco, Afonso Tostes, Agnès Varda, Adriana Varejão, Cássio Vasconcellos, Luiz Zerbini

Commissaires: Bruce Albert, Hervé Chandès et Isabelle Gaudefroy
Commissaires associées: Hélène Kelmachter et Marie Perennes
Chargée de projets: Juliette Lecorne


Bringing together a community of artists, botanists, and philosophers, the Fondation Cartier pour l’art contemporain echoes the latest scientific research that sheds new light on trees. Organized around several large ensembles of works, the exhibition Trees gives voice to numerous figures who, through their aesthetic or scientific journey, have developed a strong, intimate link with trees, thereby revealing the beauty and biological wealth of these great protagonists of the living world, threatened today with large-scale deforestation.

Underestimated by biology for a long time, trees—like the entirety of the plant kingdom—have been the subject of scientific discoveries in recent years that have allowed us to see the oldest members of our community of living beings in a new light. Boasting sensory and memory capacities, as well as communication skills, existing in symbiosis with other species and exerting a climatic influence, trees are equipped with unexpected faculties whose discovery has given way to the fascinating hypothesis of “plant intelligence,” which could be the answer to many of today’s environmental problems. In resonance with this “plant revolution,” the exhibition Trees merges the ideas of artists and researchers, thus prolonging the exploration of ecological issues and the question of humans’ relationship to nature, which has been a regular theme in the Fondation Cartier’s exhibition program, as was the case recently with The Great Animal Orchestra (2016).

Featuring drawings, paintings, photographs, films, and installations by artists from Latin America, Europe, the United States, Iran, and from indigenous communities such as the Nivaclé and Guaraní from Gran Chaco, Paraguay, as well as the Yanomami Indians who live in the heart of the Amazonian forest, the exhibit, punctuated by several large ensembles, explores three narrative threads. Firstly, our knowledge of trees—from botany to new plant biology—; secondly, aesthetics—from naturalistic contemplation to dreamlike transposition—; and lastly, trees’ current devastation recounted via documentary observations and pictorial testimonies.

Orchestrated with anthropologist Bruce Albert, who has accompanied the Fondation Cartier’s inquisitive exploration of such themes since the exhibition Yanomami, Spirit of the Forest (2003), the project revolves around a number of individuals who have developed a unique relationship with trees, whether intellectual, scientific or aesthetic. For example, the botanist Stefano Mancuso, a pioneer of plant neurobiology and advocate of the concept of plant intelligence, has collaborated with Thijs Biersteker to create an installation that “gives voice” to trees, and through a series of sensors, reveals their reaction to the environment and pollution, as well as the phenomenon of photosynthesis, root communication, and the idea of plant memory, thus making the invisible visible. Another of the great figures who has played a role in constructing the exhibition is traveling botanist Francis Hallé, whose notebooks display both the artist’s wonder at trees and the precision of an in-depth knowledge of plants. His work is a testimony of the encounter between science and sensibility. At the heart of the exhibition lies a reflection on the relationship between humans and trees, which is also the subject of Raymond Depardon’s film. It paints the portrait of the plane trees and oaks that shade village squares through the words of those who are familiar with them, and to which many memories, ranging from the highly personal to the historical, are connected. Artist and sower, Fabrice Hyberhas planted some 300,000 tree seeds in his valley in Vendée, and offers a poetic and personal observation of the plant world in his paintings, questioning the principles of rhizome growth, energy and mutation, mobility and metamorphosis. Guided more by the aesthetics of an intuitive collection than by a search for scientific rigor, Brazilian artist Luiz Zerbini, on the other hand, composes lush landscapes, organizing the imaginary meeting of trees, borrowed from tropical botanical gardens, and the markers of urban modernity. To this pictorial exuberance responds the conceptual and systematic inventory elaborated by architect Cesare Leonardi, in collaboration with Franca Stagi: a typology of trees, their shades and chromatic variations, in a precious corpus compiled for the purposes of the design of urban parks. The ghostly silhouettes of Johanna Calle’s tall trees evoke with poetry and delicacy, the fragility of these giants threatened by irreversible deforestation. The drama of the destruction of the world’s great forests, conveyed in particular by the film EXIT by architects Diller Scofidio + Renfro, comes after the dreamlike world of Paraguayan film-maker Paz Encina who offers an internalized image of the tree as a refuge for memory and childhood.

The garden of the Fondation Cartier, a natural extension of the exhibition, was created in 1994 by artist Lothar Baumgarten. The public are invited to stroll through the trees which, like the majestic Lebanese cedar planted by Chateaubriand in 1823, inspired Jean Nouvel to create an architecture of reflections and transparency, playing on the dialogue between inside and outside, and giving rise to “fleeting emotions.”

Nestled in the vegetation, a discreet double of nature, retaining the trace of the artist’s hand on its trunk, Giuseppe Penone’s bronze tree sculpture finds its place in the garden of the Fondation Cartier. Also on display is a sculpture by Agnès Varda, specially imagined for this project. Finally, for a week in the fall, the Theatrum Botanicum will become the natural support of a video installation by Tony Oursler.

The exhibition Trees restores the tree to the place from which it had been stripped by anthropocentrism. It brings together the testimonies, both artistic and scientific, of those capable of looking at the vegetal world with wonder and who show us, to quote philosopher Emanuele Coccia: “There is nothing purely human, the vegetal exists in all that is human, and the tree is at the origin of all experience.”

Artists and contributors of the exhibition: Efacio Álvarez, Herman Álvarez, Fernando Allen, Fredi Casco, Claudia Andujar, Eurides Asque Gómez, Thijs Biersteker, José Cabral, Johanna Calle, Jorge Carema, Alex Cerveny, Raymond Depardon, Claudine Nougaret, Diller Scofidio + Renfro, Mark Hansen, Laura Kurgan, Ben Rubin, Robert Gerard Pietrusko, Ehuana Yaira, Paz Encina, Charles Gaines, Francis Hallé, Fabrice Hyber, Joseca, Clemente Juliuz, Kalepi, Salim Karami, Mahmoud Khan, Angélica Klassen, Esteban Klassen, George Leary Love, Cesare Leonardi, Franca Stagi, Stefano Mancuso, Sebastián Mejía, Ógwa, Marcos Ortiz, Tony Oursler, Giuseppe Penone, Santídio Pereira, Nilson Pimenta, Osvaldo Pitoe, Miguel Rio Branco, Afonso Tostes, Agnès Varda, Adriana Varejão, Cássio Vasconcellos, Luiz Zerbini

Curators: Bruce Albert, Hervé Chandès, Isabelle Gaudefroy
Associate Curators: Hélène Kelmachter, Marie Perennes
Project Coordinator: Juliette Lecorne

Posted by Patricia Canetti at 1:30 PM

Marina Saleme no Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto

Marina Saleme - Real, nstituto Figueiredo Ferraz - IFF, Ribeirão Preto, SP - 18/06/2019 a 20/07/2019

Questões que versam sobre a dúvida em relação a figura e a sua real posição no mundo, a vulnerabilidade da existência, presença e principalmente ausência de todas as coisas frente ao tempo e espaço são uma constante no trabalho de Marina Saleme. Marina se formou em Artes Plásticas na Faap em 1982 e deu aula de pintura e seus processos criativos durante 10 anos no Instituto Tomie Ohtake. A artista trabalha desde então predominantemente com pintura, desenho e fotografia.

Seu processo é lento e reflexivo: suas pinturas são feitas em camadas, assim como seus desenhos e fotos, que não envolvem processos imediatos.

Marina trabalha com a criação, com o apagamento e com o resgate – o ato de apagar, em sua obra, está relacionado com a impermanência das coisas ou mesmo das verdades. A artista trabalha formalmente e poeticamente questões sobre o visível e o invisível e a alternância entre eles: o real e o irreal também são temas presentes em seu trabalho, assim como os efeitos dos diversos pontos de vista a respeito da verdade.

Em alguns de seus trabalhos, pessoas e paisagens pairam sob um imenso céu, que, por sua imensidão, infinitude e mistério, submete-nos metaforicamente ao incontrolável da condição humana. Trata-se de lugares onde jorram graças e desgraças (que no trabalho da artista tomam forma de linhas, gotas, feridas, arabescos) e para onde alguns endereçam suas preces.

Na série de fotos Real, a realidade é questionada por meio de uma mesma imagem que sofre pequenas intervenções e que se desmente a cada vez, alternando radicalmente a perspectiva da exposição dos elementos.

Suas fotos normalmente são trabalhadas em série e as imagens vão se desdobrando – acrescentando ou discutindo o sentido das outras. A pintura retém todos os pensamentos em seu interior, onde tudo é construído – até mesmo as imagens apagadas. Quanto a esse aspecto, vale relembrar as palavras de Francis Alÿs: “Cada avanço guarda a dívida com o que precede”.

Marina Saleme trabalha a pintura como linguagem (ferramenta para a construção de lugares em que as coisas possam estar) ou não, finalmente.

Destacam-se as exposições individuais e coletivas nos seguintes museus e instituições: MAM-RJ (Rio de Janeiro); Paço Imperial (Rio de Janeiro); Paço das Artes (São Paulo); Centro Universitário Maria Antônia (São Paulo)’ MAM-SP (São Paulo); Palácio das Artes (Belo Horizonte); Musée d’art contemporain de Baie-Saint-Paul (Québec); Embaixada do Brasil na França (Paris), entre outras.

Suas obras estão em coleções públicas e particulares de destaque, como o MAM-RJ (Rio de Janeiro); Coleção Instituto Figueiredo Ferraz (Ribeirão Preto); Instituto Cultural Itaú (São Paulo); MAM-SP (São Paulo); Pinacoteca do Estado de São Paulo; Fundação Padre Anchieta / Metrópolis, São Paulo.

Posted by Patricia Canetti at 1:02 PM

julho 8, 2019

Narrativas em Processo – Livros de Artista na Coleção Itaú Cultural no Palácio das Artes, Belo Horizonte

Mostra com 46 obras conta com artistas mineiros como Rosangela Rennó e Lais Myrrha, além de Tatiana Blass e Roberto Bethônico que são originalmente de outros estados, mas hoje residem e atuam em Minas Gerias

O Instituto Itaú Cultural, em parceria com a Fundação Clóvis Salgado, traz à capital mineira a exposição Narrativas em Processo – Livros de Artista na Coleção Itaú Cultural. A mostra, que vai ocupar a Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard a partir de 10 de julho, apresenta um conjunto de 46 obras, que abarcam 84 anos de confecção deste tipo de livro por artistas brasileiros, na transição entre o moderno e o contemporâneo, e revelam como a participação e a invenção artística traçam fronteiras com a literatura e o design. A curadoria é de Felipe Scovino, com projeto expográfico de Marcus Vinícius Santos e idealização do núcleo de Artes Visuais do Itaú Cultural.

Narrativas em Processo já foi realizada em São Paulo, no Itaú Cultural; em Ribeirão Preto, no Instituto Figueiredo Ferraz; e em Curitiba, no Museu Oscar Niemeyer. Em cada cidade, a escolha e o recorte das obras e seções sofreu mudanças. No Palácio das Artes chega renovada, com foco nos artistas brasileiros que constam neste acervo e na transição entre o moderno e o contemporâneo, especialmente quando o formato do livro ultrapassa as fronteiras do seu formato físico e conceitual, expandindo o lugar da palavra para além da página.

Para Eliane Parreiras, presidente da Fundação Clóvis Salgado, o reencontro da FCS com o Instituto Itaú Cultural também ocorre em momento oportuno. A exposição celebra – e relembra – os 150 anos desse tipo de produção na trajetória da arte brasileira. Em um recorte que apresenta diversos itens, o visitante estará em contato com as diferentes etapas do processo de criação. “A parceria com o Instituto Itaú Cultural fortalece a missão da Fundação Clóvis Salgado, possibilitando o acesso à diversidade cultural, além de contribuir para a formação de novos públicos, uma diretriz permanente da Instituição”, pontua.

De acordo com Felipe Scovino, o recorte que chega ao Palácio das Artes apresenta diferentes possibilidades interpretativas para o visitante. “Acompanhando a criação de novos procedimentos para a concepção de livros de artista, a exposição constitui diversas relações para o leitor”, avalia Scovino. Uma delas é a pluralidade de ações não só com a literatura e as artes visuais, como também com o design, a política e em alguns momentos com a música. “Também se verifica uma leitura que não se esgota, que se desdobra redefinindo o papel do livro, do leitor e o do artista”, observa o curador.

Doze obras que estão nesta exposição são inéditas. Gravuras do Album Anamorfas (1980), de Regina Silveira; O Meu e o Seu – Impressões do nosso tempo (1967) e gravuras deste álbum, um duplo conjunto de Antonio Henrique Amaral. Novidades são, ainda, Caixa de Retratos (2010), de Marcelo Silveira; De Arte (2001) e A Simétrica (1995), de Waltercio Caldas. Encontra-se, também, de João Camara e Gastão de Holanda, Lito 70 (1969). Um grupo de artistas assina Gravuras Gaúchas (1952) – Ailema Bianchetti, Carlos Alberto Petrucci, Carlos Mancuso, Carlos Scliar, Danubio Villamil Gonçalves, Edgar Koetz Fortunato, Gastão Hofstetter, Glauco Rodrigues, Glenio Bianchetti, Plinio Bernhardt e Vasco Prado.

Ainda entre as obras apresentadas pela primeira vez, encontram-se Dossiê Cruzeiro do Sul – Southern Cross Dossier (2017), de Lais Myrrha, Escravos de Jó (2016), de Aline Motta, Fiação (2004), de Edith Derdyk, Das Baleias (1973), de Calasans Neto e Vinicius de Moraes e Gravuras do álbum das Baleias (1973) desta dupla e Caminhos (1984), livro com objetos e texto Alberon Soares e Otacílio Colares.

Para além dos livros – Em Belo Horizonte, Narrativas em Processo: Livros de Artista na Coleção Itaú Cultural se desdobra em seis núcleos – Paisagens, Rasuras, Livros-objetos, Uma escrita em branco, Álbuns de gravura e Design gráfico: um breve panorama sobre ilustrações no Brasil. A proposta dessa divisão é ampliar a percepção do público sobre as múltiplas facetas do livro de artista. “Esta não é uma exposição apenas sobre livros-objetos como se poderia imaginar quando veem à mente a expressão ‘livro de artista’”, salienta o curador Felipe Scovino.

Cada núcleo envolve atributos que cercam este tipo de obra de arte, refletindo a produção de uma revista pelo próprio artista concebendo seu conteúdo e design gráfico; a manufatura de um livro ou a intervenção propondo uma ação conceitual ou física nesse suporte, ambos em caráter de tiragem limitada; a ilustração de uma publicação ou a produção de uma obra especialmente concebida para a sua capa; e a execução de um álbum de gravura.

O núcleo Paisagens exibe trabalhos que transportam o leitor a uma experiência sensorial por meio de efeitos de impressão. Os livros têm uma aspiração ao tátil e à textura na superfície ou nas imagens, dada a fusão de cores e formas utilizadas. Dão um panorama nesse sentido, obras como Paisagismo, de Roberto Bethônico, que acumula camadas, e sobreposições sobre o estado transitivo da natureza. Cria, assim, uma relação entre objeto e imagem. Situação semelhante ocorre em Memória Fotográfica, de Lucia Mindlin Loeb, onde o vazio – que também ocorre em Bethônico – incide na construção metafórica da imagem de uma câmara escura, já que o livro é atravessado em seu miolo por um “furo”. Entre outras obras exibidas neste núcleo, também são emblemáticas Páreo (2006), de Tatiana Blass, Partitura, de Sandra Cinto, e Buenos Aires Tour (2003), de Jorge Macchi.

O núcleo seguinte, Rasuras, apresenta livros que, ao receber intervenção plástica, têm a sua função semântica ampliada. As obras não respeitam o jogo de uma narrativa linear, a escrita não precisa ser compreendida e o que importa é a mensagem final, que tem até um certo grau de violência e gestualidade. Em Balada (1995) de Nuno Ramos, o livro espesso e de capa dura não contém palavras, mas sim uma perfuração profunda à bala transpassando-o brutalmente, do começo ao fim, servindo como o único signo de leitura da obra.

Ainda nesse núcleo, o trabalho de Rosângela Rennó com rasuras que não apagam as marcas indeléveis do roubo e memórias que retornam como apagamentos. A pesquisa de 2005 foi criada com reproduções de fotos furtadas e posteriormente encontradas e devolvidas à Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (RJ), seu lugar de origem. As imagens, que retornaram em péssimo estado de conservação e sem o número de identificação, levaram a artista a outra criação poética, ressaltando a destruição ao reproduzir o verso das fotos com suas margens rasgadas e outros estragos provocados pelo furto e realizados de modo a apagar as marcas de registro de patrimônio da biblioteca.

Mais uma obra representativa neste núcleo, As potências do orgânico (1994/1995), de Fernanda Gomes, Claudia Bakker, Artur Barrio e Adriana Varejão. Nesta mostra, estão apenas as obras de Fernanda Gomes e Adriana Varejão. O surgimento da escrita visceral é o que marca este núcleo, testificado ainda por meio de três obras de Artur Barrio – Uma Extensão do Tempo (1996), Caderno Livro (1997) e O Sonho do Arqueólogo.

Desde meados dos anos 1950, no Brasil, os poetas concretos vinham problematizando as noções de livro, palavra e leitor e este é o teor do núcleo Livros-objetos. Obras nele exibidas, como Muda Luz (1970), projeto de Plaza e Augusto de Campos, e Notassons – Notações Musicais e Visuais Aleatórias (1970-1992), de Montez Magno, demonstram a ideia de escrita expandida e desdobrada em novas poéticas e (des)continuidades.

Uma escrita em branco é um núcleo contemporâneo e apresenta obras, que quebram as expectativas de um conceito fechado de livro ou leitura. Eles são oferecidos ao público como matéria, densa, compacta e sensorial. Por exemplo, Devaneios – Utopias, livros em pó de tijolo e resina produzidos por Brigida Baltar em 2005 e Blocado: a arte de projetar, obra de Debora Bolsoni, de 2016, composto de ferro, papel e cola.

Em Álbum de gravuras encontram-se obras de artistas plásticos que tiveram atuação determinante na passagem do moderno ao contemporâneo no Brasil. Entre elas, Gravuras Gaúchas (1952) em que o icônico Grupo de Bagé, tais como Carlos Scliar, Glauco Rodrigues e Glênio Bianchetti, defendiam a popularização da arte. Há obras emblemáticas desse período também de Arthur Luiz Piza e Sérvulo Esmeraldo, este último importante artista cearense e um dos pioneiros da arte cinética no Brasil.

Em uma de suas obras paradigmáticas, Variations sur une courbe, Esmeraldo apresenta uma poética incomum em seu trabalho. O mesmo acontece em Bernard Palissy, de Piza, cujas sete gravuras originais também estão em exposição. Sandra Cinto está presente com o livro objeto Partitura, inspirado em antigos cadernos de estudos musicais e reinventados com a técnica da litografia. De Antonio Dias, há um livro com imagens ampliadas de pele humana, Flesh Room with Anima.

Antonio Henrique Amaral e João Câmara, também presentes neste núcleo, exploraram, nos anos 1960, cada um a seu modo, percepções sobre o tema da identidade e, em especial, de uma linguagem popular extremamente vigorosa e crítica. Já a tônica na pesquisa de Regina Silveira é duvidar dos códigos de representação. Em Anamorfas (1980), presente na mostra, nota-se um registro significativo desse estudo que subverte os sistemas de perspectiva.

Finalizando o percurso, Design gráfico: um breve panorama sobre ilustrações no Brasil desenha um caráter historiográfico e narrativo ao exibir as capas e as mais diversas ilustrações para livros em tiragem limitada feitas por artistas plásticos. Este núcleo traz à tona a importância do design gráfico, até chegar a trabalhos contemporâneos mais recentes, que problematizam o chamado livro-objeto em obras de Augusto de Campos, Waltercio Caldas e Brígida Baltar. Inclui a poética da literatura de cordel em obras de Raimundo de Oliveira e de Calasans Neto – e aquarelas feitas à mão por Cicero Dias para Casa Grande & Senzala.

Sobre a Coleção Itaú Cultural – As peças desta exposição pertencem ao acervo do Banco Itaú, mantido e gerido pelo Itaú Cultural. Formado por recortes artísticos e culturais que abrangem da era pré-colombina à arte contemporânea, cobre a história da arte brasileira e importantes períodos da história de arte mundial. A coleção começou a ser criada na década de 1960, quando Olavo Egydio Setubal adquiriu a obra Povoado numa Planície Arborizada, do pintor holandês Frans Post – agora exposta no Espaço Olavo Setubal, que ocupa o 4º e 5º andares do Itaú Cultural, em São Paulo, na exposição permanente dos recortes Brasiliana e Numismática também pertencentes a este acervo.

Atualmente formada por mais de 13 mil itens, a coleção reúne pinturas, gravuras, esculturas, fotografias, filmes, vídeos, instalações, edições raras de obras literárias, moedas, medalhas e outras peças. Trata-se da oitava maior coleção corporativa do mundo e a primeira da América do Sul, segundo levantamento realizado pela instituição inglesa Wapping Arts Trust, em parceria com a organização Humanities Exchange e participação da International Association of Corporate Collections of Contemporary Art (IACCCA).

As obras ficam instaladas nos prédios administrativos e nas agências no Brasil e em escritórios no exterior. Recortes curatoriais são organizados pelo Itaú Cultural em exposições no instituto e exibidas em itinerâncias com instituições parcerias pelo Brasil e no exterior, de modo a que todo o público tenha acesso a elas.

Posted by Patricia Canetti at 3:16 PM

Paulo Vivacqua na Anita Schwartz, Rio de Janeiro

Artista conhecido por sua pesquisa sonora, mostra trabalhos inéditos de sua recente investigação sobre sons e linguagens pré-verbais, em instalações e desenhos.

Anita Schwartz Galeria inaugura no próximo dia 10 de julho a exposição Barbapapa, com trabalhos inéditos do artista Paulo Vivacqua, em um aprofundamento de sua recente pesquisa sobre sons e linguagens pré-verbais. Nascido em 1971, em Vitória, e radicado no Rio de Janeiro, Paulo Vivacqua usa como materiais constantes em seu trabalho alto-falantes e fios. Nos trabalhos que serão exibidos, ele acrescentou novos materiais, como granito, vidro, metais, espelhos, luz negra e cores. “Esta exposição apresenta novas direções do trabalho, a partir de meu interesse maior na formação da linguagem, das palavras, dos estados pré-verbais, os balbucios”, conta. A obra que dá nome à exposição, que ocupa todo o segundo andar expositivo da galeria, é uma instalação em que o artista usa o som como “expressão visual, gesto sonoro, vocal”.

Criados pela arquiteta francesa Annete Tison e pelo professor americano Talus Taylor nos anos 1970, os personagens da família Barbapapa ganharam o mundo a partir da série de desenhos animados transmitida pela televisão, de grande sucesso. Os Barbapapas são simpáticos seres coloridos, “cada um com uma habilidade diferente, que vão mudando de forma, o que tem a ver com meu trabalho”. Na obra sonora “Barbapapa”, Paulo Vivacqua cria desenhos com alto-falantes e fios vermelhos sobre chapas de aço pintadas com tinta automotiva – elementos inéditos –, em que as formas “são mais ovais, como seres imaginários, ou como se uma figura de linguagem se tornasse um ser visual”, e os sons emitidos pelos Barbapapas são derivados da pesquisa recente do artista sobre os sons pré-verbais.

“As vozes, sons, sílabas, expressões vocais, o balbuciar de uma criança, em um ambiente lúdico, evocando um mundo antes da fala, campo mais vasto de sentidos e sensibilidades, que existe, mas está adormecido”, explica. Nas obras, o artista pretende “acordar este mundo de seres imaginários”.

Paulo Vivacqua busca o universo imaterial, em que foge do mundo muito narrativo, muito endereçado, dimensionado. Ele pretende um espaço mais aberto, com um número maior de leituras sobre aquele objeto em um nível mais abstrato. O artista vem aprofundando desde o ano passado sua pesquisa sobre sons vocálicos, iniciada com a fragmentação do som do alfabeto, como “um alfabeto despedaçado, em sons e formas”.

O trabalho é um desdobramento desta pesquisa, em que a linguagem seja geradora de imagens, lúdicas, borrando e diluindo a fronteira entre som e forma.

Debussy Bach Restaurant, a banda sazonal formada por Claudio Monjope & Paulo Vivacqua, apresenta a sua performance instrumental “As Quatro Estações: Inverno”, no terraço da Anita Schwartz Galeria, no próximo dia 31 de julho de 2019, das 18h às 20h. Sonoridades frugais e pequenas músicas alternam momentos efusivos, rítmicos e climas evocativos.

Na performance, os artistas usarão instrumentos eletrônicos, pequenos teclados e dispositivos sonoros dispostos sobre a mesa e amplificados em duas caixas.

MESAS-ESCULTURAS

Ao longo da sala estarão quatro mesas de tamanhos diferentes, como ilhas, com assemblages compostas por vários materiais, em que os alto-falantes estão apenas como objetos visuais. Essas obras congregam elementos que podem ser vistos nos demais trabalhos, como os dez desenhos dispostos nas paredes, da série “Memo”, em que o artista usa blocos de rascunho que pertenciam a seu pai, nos anos 1970. “São como receitas malucas, umas prescrições psicóticas, gestos, desenhos do pensamento”, diz o artista. Ele explica que esta é uma “série aberta”, iniciada em 2009 e que o artista pretende continuar. Uma das mesas contém um “Memo” de vidro, com espelhos e o desenho feito com fio de cobre. Outra tem uma espécie de Barbapapa “cristalizado”, e as demais são dois objetos independentes, esculturas, com alto-falantes, chapas de metal, granito, uma delas com luz negra.

SUBWOOFER

O contêiner no terraço da galeria será usado pela primeira vez como uma gigantesca caixa de ressonância na obra “Sublevação 2”, onde o artista vai colocar subwoofers, criando um jogo de ritmo de sons supergraves, em que o público vai mais sentir do que ouvir este “baixo contínuo, presente na música barroca italiana, um cantochão, um contraponto”, um elemento de ligação para toda a exposição, como uma sinfonia.

SOBRE O ARTISTA

Nascido em 1971, em Vitória, e radicado no Rio de Janeiro, Paulo Vivacqua tem uma presença marcante e constante no circuito nacional da arte e na cena internacional, em exposições em importantes instituições. Suas obras estiveram na 30ª Bienal de São Paulo, e na I Bienal de Montevideo, ambas em 2012, na 5ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, em 2005, e mais recentemente em uma mostra individual na instituição Van Zijll Langhout, em Amsterdam, em 2015.

Posted by Patricia Canetti at 10:22 AM

Bruno Vilela na Anita Schwartz, Rio de Janeiro

O artista pernambucano mostra obras inéditas – pinturas, desenhos, fotografias e objetos numa instalação – produzidas a partir de sua viagem de 40 dias à Índia, onde fez uma imersão na religião e na cultura daquele país.

Anita Schwartz Galeria de Arte inaugura no próximo dia 10 de julho a exposição Shiva, com obras inéditas do artista Bruno Vilela. Nascido em 1977, em Recife, onde vive e trabalha, Bruno produziu as pinturas, desenhos e fotografias para a instalação que dá nome à exposição a partir de sua viagem à Índia no início do ano, onde percorreu onze cidades em 40 dias, visitou mais de 80 templos, além de “pequenos santuários e altares escondidos, e incontáveis rituais pelas ruas”, fazendo uma intensa imersão na religião e na cultura daquele país.

Conhecido por sua técnica refinada e o universo mitológico que cria em suas pinturas e desenhos, Bruno Vilela fez seu novo trabalho dedicado à trilogia sagrada da religião hindu: Shiva (destruição e transformação), Brahma (criação) e Vishnu (manutenção). Em seus desenhos, com imagens impressionantemente detalhadas, o artista cobre o papel com uma camada de tinta, colocando por cima outras com diferentes tipos de carvão – vegetal, mineral –, e pastel seco, para então intervir na superfície com vários tipos de borrachas, criando formas e perspectivas. Em alguns desenhos aplica folhas de ouro e prata. A maioria dos desenhos apresentados foi criada a partir de fotografias feitas pelo próprio artista, na Índia. Como é característico de seu processo, ele registrou em um caderno suas impressões, colagens, desenhos e frotagens de baixos-relevos feitas com grafite em vários locais. As 28 folhas deste caderno estão condicionadas uma a uma em acrílico e colocadas perpendicularmente à parede de modo a serem vistas frente e verso pelo público, compondo a obra “Brahma”, em uma extensão de dez metros.

O motivo principal da viagem iniciada em fevereiro foi registrar o Maha Shivaratri, o grande festival anual de Shiva, o mais importante para os hindus, dia em que se acredita que o deus “toca a terra”. Das três cidades sagradas da Índia o artista escolheu Haridwar.

O foco da pesquisa do artista são os mitos, rituais, iconografia e “tudo o que se relacione às religiões ancestrais”. “No caso do hinduísmo, o primeiro contato foi através da prática Sudrashan Kriya, uma técnica de respiração que leva a mente ao estado meditativo e à expansão da consciência. Aprendi a técnica em um curso da instituição Arte de Viver, que tem sede na Índia”.

A montagem da exposição obedece ao critério da trindade divina Hindu.

PAREDE CENTRAL – SHIVA

Na parede central, de frente para a entrada do público, estarão as três obras dedicadas ao deus Shiva, “a principal deidade do hinduísmo, a representação do Trimurti, a base da filosofia hindu e do conhecimento védico”. “A união e o equilíbrio entre Vishnu (manutenção) e Brahma (criação). Shiva é esse equilíbrio entre ideia e ação. Entre Vishnu e Brahma. É o terceiro elemento. O contraste. E arte é contraste! Tudo é Shiva. Ele é a cabeça e o rabo da serpente. Destruição e criação. A poesia e o poeta. Ele é o Brâhman, o indizível, o incognoscível, o Todo. O Mahadev, o grande Deus. Ele é o transformador, o que destrói para reconstruir. O universo é sua dança”, explica o artista.

• O Buscador | acrílica, carvão e folha de ouro sobre papel | 129 x 151 cm
O desenho “O Buscador” foi criado a partir de uma fotografia feita pelo artista no templo Neelkanth, incrustado na rocha, construído no século III em honra a Shiva, dentro do Kalinjar Fort, uma fortaleza dedicada à deusa Kali. Neste mesmo templo, o artista fez com grafite em seu caderno várias frotagens de inscrições em sânscrito, incluindo a do cultuado mantra Om Namah Shivaya.

• O Fogo Sagrado | óleo, folha de prata e ouro sobre tela | 150 x 200 cm
A pintura “O Fogo Sagrado” retrata uma pira de fogo que é um altar para a transmutação das oferendas, “oblação”. “Construído em formato quadrado, este altar de fogo está presente em diversos templos e se chama Yagna. Ao redor dele foi amarrada uma corda para sacralizar o lugar. Minha corda é de ouro. O prato com as oferendas é de prata”, conta o artista. A pintura também teve como base uma fotografia feita pelo artista em Haridwar, dentro das escadarias sagradas que dão acesso ao Ganges, chamadas de Hari Ki Pauri, no dia do Maha Shivaratri. “Har é Lord Shiva, Ki é ‘de’, e Pauri quer dizer ‘passos’. Acredita-se que o Senhor Shiva e o Senhor Vishnu estiveram no Har Ki Pauri nos tempos védicos”.

• O Transformador | fotografia aplicada em metacrilato | 150 x 108 cm
Para Bruno Vilela, a fotografia “O Transformador” é a obra central da exposição. Aplicado em metacrilato, o registro foi feito em Haridwar, também no dia do festival Maha Shivaratri. No evento, ao mesmo tempo em que é feito um banho coletivo no Ganges, dentro “de um clima sagrado de profundo respeito”, “no lado de fora do templo acontece uma festa profana de proporções enormes, uma espécie de mistura entre carnaval e procissão”. “No meio disso tudo vi um homem shivaísta (devoto a Shiva) maquiado dos pés à cabeça de um negro profundo. Ele estava em cima de um búfalo, virado de costas, e carregava uma bacia de metal na mão de onde emanava fumaça branca. As pessoas depositavam dinheiro, flores e todo tipo de oferendas no recipiente circular. Quando mudei a posição do ângulo da lente da minha câmera, vi a cena contra a luz, e vislumbrei Shiva, por trás da fumaça. Era a confirmação da presença do divino naquela terra sagrada”, lembra Bruno.

PAREDE ESQUERDA – VISHNU

“Deus hindu da manutenção, Vishnu representa o sono profundo. O vazio. O silêncio e o inconsciente. Vishnu dorme no mar primordial e guarda toda a essência da criação. O Deus então cria histórias para nos mostrar o que é o universo, e de seu umbigo nasce Brahma em cima de uma flor de lótus. Brahma é um agente de Vishnu”, explica o artista.

• Govinda | fotografias | 50 x 150 cm – tríptico
Govinda é a forma primordial de Krishna, um avatar (forma terrena) de Vishnu. As fotos mostram o teto do Taj Mahal, com sua mandala feita de padrões geométricos islâmicos, onde as abelhas instalaram várias colmeias. “Na foto central pode se ver que as abelhas escolheram o centro do padrão geométrico para construir a colmeia, e a partir dali as linhas entram em expansão, representando claramente o sol”, observa Bruno. Ele relata que nos textos védicos “Vishnu e Krishna nasceram do néctar, do mel das abelhas”. “Para os egípcios e hindus o mel é o sol líquido. Essas estruturas são colmeias de abelhas cheias de mel presas no teto”, diz. “As três fotos criam uma obra única, que mesmo fixa gira como uma mandala a partir do olho da colmeia central. Uma linha circular de ouro na parede une o tríptico e representa o brilho dourado do sol e a eterna mutação circular do universo”.

• Krishna | pastel seco | 190 x 152 cm
Krishna é o avatar de Vishnu. “É como Jesus para o Espírito Santo”, explica o artista. “Um dos deuses mais cultuados na Índia, nasceu em Vrindavan há cinco mil anos, é o todo atrativo, aquele que atrai a mente e o coração”. A palavra em sânscrito kṛṣṇa é essencialmente um adjetivo que significa "azul-escuro”. Neste pastel, Bruno Vilela usou o azul-ultramar profundo para dar vida ao deus. “De um enorme bloco azul surgem os olhos do deus. Não se pode ver o deus, ele está em outra dimensão, só vemos seus olhos e um colar/guirlanda de flores. É o desapego da imagem, da matéria, em nome da experiência da cor. Na Índia eu vi em alguns templos os Brâmanes fixando os olhos na estátua do deus apenas na hora da cerimônia. Plasticamente é uma referência ao YKB – Yves Klein Blue.”

• Vishnu Matsya | acrílica, carvão e pastel seco sobre papel | 129 x 151 cm
É um desenho feito a carvão sobre um papel tingido de turquesa, criado a partir de uma fotografia que o artista fez de um barco em Varanasi, no Ganges. Essa obra trata da luz da lua. O barco e o rio são iluminados pela luz azulada lunar. Uma relação com o inconsciente, com o escuro, a sombra, o mágico mundo da maya (ilusão) de Vishnu. Matsya é o peixe na proa do barco. A primeira encarnação de Vishnu.

PAREDE DIREITA – BRAHMA

Brahma representa o sonho. Do umbigo de Vishnu (o sono profundo, o vazio silencioso) nasce Brahma, a ação da criação no nosso mundo. Ele é o deus hindu da criação. Brahma, que dá título à instalação que está na parede, é a primeira encarnação do ser universal Vishnu. Sempre é representado por um homem de barbas brancas com um livro na mão. São os vedas resgatados por Vishnu do fundo do mar primordial. “Em toda a minha aventura pela Índia eu levei um caderno comigo. Era meu amigo, terapeuta e registro físico das presenças nessa jornada. Contém desde colagens de caixas de incenso, fósforos, bilhetes de museus, até inscrições feitas a grafite em baixos relevos de um templo do séc. III em Khajuraho, ou de um forte do séc. XVII, em Jaipur. O caderno foi desmembrado e suas páginas foram instaladas na parede, perpendicularmente, em finíssimas molduras de acrílico. As 56 páginas do caderno formam 28 folhas, frente e verso, dispostas perpendicularmente na parede”.

• Brahma | 28 folhas de caderno instaladas em displays de acrílico I 10 m x 0,7 m x 0,14 m
Parte de seu processo criativo, Bruno Vilela faz um caderno para cada série de trabalhos.
“É nele que exponho de maneira totalmente livre meu pensamento e pesquisa sobre o tema”. Durante suas viagens, entretanto, são raros os cadernos. Só fez três até hoje: quando esteve em uma residência em Lisboa; em uma viagem a Londres; e este da Índia, que ele diz ser “o mais especial”. Ele explica o motivo: “Cheio de colagens, desenhos, referências, imagens encontradas na rua e nos templos, contém minhas impressões da Índia registradas de maneira inconsciente. Algumas páginas contêm frotagens, gravações feitas em grafite sobre baixos-relevos, de templos seculares como Ambar Fort, em Jaipur, Beatles Ashram, em Rishikesh, e Kalinjer Fort, a três horas de Kahjuraho. Pela primeira vez eu desmembro todo o caderno e o transformo em uma obra única. Ele representa Brahma. De Brahma sai a criação do universo através do Vedas (livros sagrados), que são representados aqui pelo caderno aberto. Essa obra fecha a trindade Hindu.”

SOBRE BRUNO VILELA

Bruno Vilela diz ter sonhos e pesadelos fantásticos, e que gostaria de fotografar esses eventos que saltam do inconsciente na hora do sono. Na impossibilidade de fazê-lo, transforma-os em pinturas. Vilela trabalha com a desconstrução e realocação dos mitos ancestrais, das liturgias e do imaginário das religiões, o pensamento primitivo e a obsessão por tornar "visível" as imagens do inconsciente. Desenvolve uma pesquisa na tríplice fronteira entre a fotografia, o desenho e a pintura e atualmente busca também uma relação entre literatura e artes plásticas. Seu processo de trabalho está muito próximo do cinema: preparar uma locação com atriz, figurino, luz específica, e fotografar a cena. Então escolhe a melhor imagem para pintar. “O óleo vai onde a lente não pode alcançar”, diz.

Bruno Vilela nasceu em Recife, 1977, onde vive e trabalha. O artista participa de mostras individuais e coletivas no Brasil e no exterior deste 2001. Seu trabalho integra coleções como a do Centro Cultural São Paulo, Banco Mundial, em Washington, Centro Dragão do Mar, e Centro Cultural do Banco do Nordeste, em Fortaleza, Museu Nacional de Brasília, Museu de Arte Moderna Aluísio Magalhães (MAMAM), Fundação Joaquim Nabuco e Museu do Estado de Pernambuco, em Recife. Em 2014 os cineastas Beto Brant e Cláudio Assis produziram um documentário sobre a obra do artista. Em 2018 o videomaker Markus Avaloni produziu um outro documentário para canal Arte 1 sobre seu trabalho. Fez mostras individuais em instituições como: Paço das Artes em São Paulo (“Dia de festa é véspera de dia de luto”, em 2013); BNB, em Fortaleza (“Bibbdi Bobbdi Boo”, em 2010); Galeria Anita Schwartz, no Rio de janeiro (“O Livro de São Sebastião”, em 2016), e Galeria Oscar Cruz, em São Paulo (“Textos Bárbaros”, em 2016). Em 2013 ganhou o Prêmio de Direção de Arte de Curta-Metragem do Festival Internacional de Cinema de Triunfo. Em 2015 fez a individual “A Sala Verde”, no Palácio do Marquês de Pombal, em Lisboa, onde lançou um livro de mesmo nome.

Posted by Patricia Canetti at 10:18 AM

julho 7, 2019

Verbo 2019 - 15ª edição da mostra de performance arte, São Paulo e São Luís

A 15ª edição da Verbo - mostra de performance arte, que acontecerá de 9 a 13 de julho, na Vermelho, no Centro Cultural São Paulo (CCSP) e no Contemporão SP, e de 16 a 18 de julho, no Chão SLZ e no Coletivo Re(o)cupa (São Luís, MA), conta com mais de 40 projetos, entre ações ao vivo, filmes e vídeos, conversas abertas ao público (Verbo SLZ), e uma oficina de criação (Verbo SLZ). A curadoria ficou a cargo da artista, curadora e gestora cultural, Samantha Moreira, e do diretor artístico da Verbo, Marcos Gallon.

09 a 13/07 - Galeria Vermelho, São Paulo
12 e 13/07 - Centro Cultural São Paulo (CCSP), São Paulo
13/07 - Contemporão SP, São Paulo
16 a 18/07 – Chão SLZ e Coletivo Re(o)cupa, São Luís (MA)

VER PROGRAMAÇÃO COMPLETA

A Mostra de Performance Arte Verbo foi criada pela Galeria Vermelho em 2005. Seu objetivo é o de articular aproximações entre artes visuais, dança, literatura e teatro, entre outras linguagens, com o intuito de expandir o terreno conceitual da performance arte herdado dos anos 1960 e 1970.

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Criado em 2015 por um grupo de artistas e curadores, o Chão SLZ fica localizado em um galpão no centro histórico de São Luís. Seu objetivo é criar um ambiente propício para a troca de conhecimentos de forma horizontal por meio de parcerias com artistas, instituições e projetos independentes. Com programa semelhante, mas não idênticos ao da Verbo em São Paulo, a Verbo SLZ, que surgiu em 2018, dará prioridade para a apresentação de ações, conversas, oficinas e projeção de filmes e vídeos como estratégia para dinamizar a cena da performance arte em São Luís.

Em 2019, a Verbo dá continuidade às parcerias com a Temporada de Dança Videobrasil e o Estudio Baile e o Centro Cultural São Paulo (CCSP), e inicia novas aproximações, desta vez com o Contemporão SP, espaço de performance, participação e performatividade, em São Paulo, com o Coletivo Re(o)cupa que é um espaço independente localizado em São Luís (MA), e com o projeto de residência artística Casa do Sereio, localizado na cidade de Alcântara (MA).

A Verbo 2019 conta com o apoio do Institut français du Brésil, do Consulado Geral da França em São Paulo e do Institut Français Recife que viabilizam a participação das artistas Ana Pi e Célia Gondol na Verbo 2019.

Artistas: Alexandre Silveira (Campinas, Brasil), Ana Pi (Belo Horizonte, Brasil/Paris, França), Bruno Levorin & Regina Parra (São Paulo, Brasil), Célia Gondol (Paris, França), Coletivo DiBando (São Luís, Brasil), Davi Pontes e Wallace Ferreira (São Gonçalo, Brasil), D.C. (São Paulo, Brasil), Efe Godoy (Belo Horizonte, Brasil), Elilson (São Paulo, Brasil), Felipe Bittencourt (São Paulo Brasil), Filipe Acácio (Fortaleza, Brasil), Gabriel Cândido (São Paulo, Brasil), Guerreiro do Divino Amor (Rio de Janeiro, Brasil), Javier Velázquez Cabrero (Cidade do México, México), Jose Manuel Ávila (Guaraca, Venezuela), Kauê Garcia (Campinas, Brasil), Layo Bulhão e Gê Viana (São Luís, Brasil), Levi Mota Muniz e Mateus Falcão (Fortaleza, Brasil), Lia Chaia (São Paulo, Brasil), Lilibeth Cuenca Rasmussen (Copenhague, Dinamarca), Lolo y Lauti e Rodrigo Moraes (Buenos Aires, Argentina), Lucimélia Romão (São João del Rei, Brasil), Lubanzadyo Mpemba Bula (Luanda, Angola), Marcia de Aquino e Gê Viana (São Luís, Brasil), Marco Paulo Rolla (Belo Horizonte, Brasil), Melania Olcina Yuguero (Madri, Espanha), Michel Groisman (Rio de Janeiro, Brasil), Nurit Sharett (Tel Aviv, Israel), Rafa Esparza (Los Angeles, EUA), Ramusyo Brasil (São Luís, Brasil), Renan Marcondes (São Paulo, Brasil), SaraElton Panamby (São Luís, Brasil), Tieta Macau (São Luís, Brasil), Tomás Orrego (Lima, Peru), Ton Bezerra (São Luís, Brasil), e Yiftah Peled (Vitória, Brasil).


The 15th edition of the Verbo - performance art festival, which will be held at Vermelho, Centro Cultural São Paulo (CCSP) and at Contemporão SP (all located in São Paulo), take place from July 9th to 13th, and at Chão SLZ and Coletivo Re(o)cupa (both in São Luís, MA) from July 16th to 18th. Verbo’s 15th edition counts with 41 projects, including live actions, films and videos, talks and a workshops (Verbo SLZ). The festival was curated by the artist, curator and cultural manager, Samantha Moreira, and by artistic director of Verbo, Marcos Gallon.

July 09 to 13 - Galeria Vermelho, São Paulo
July 12 and 13 - Centro Cultural São Paulo (CCSP), São Paulo
July 13 - Contemporão SP, São Paulo
July 16 to 18 – Chão SLZ e Coletivo Re(o)cupa, São Luís (MA)

Verbo Performance Art Festival was created by Galeria Vermelho in 2005. Its aim is to articulate approximations between visual arts, dance, literature and theater, among other languages, in order to expand the conceptual terrain of performance art inherited from the 1960s and 1970s.

Chão SLZ was created in 2015 by a group of artists and curators; it is located in a historical house in the center of São Luís (State of Maranhão, northeast part of the country). Its objective is to create an environment opened to exchanges of knowledge in a horizontal way through partnerships with artists, institutions and projects. With a similar program, but not identical to the one in São Paulo, Verbo SLZ, which emerged in 2018, will give priority to the presentation of actions, conversations, workshops, screenings, as well as a residence project, as strategies to foster the performance art scene in São Luís.

In 2019, Verbo maintains its partnerships with Videobrasil Dance Season and Estúdio Baile, and Centro Cultural São Paulo (CCSP), and initiates new approaches, this time with Contemporão SP, space of performance, participation and performativity, located in São Paulo, and with Re(o)cupa, a non-profit space also located in São Luís (MA).

Verbo 2019 has the support of the Institut Français São Paulo and the Institut Français Recife, which make the participation of the artists Ana Pi and Célia Gondol possible in 2019.

Artists: Alexandre Silveira (Campinas, Brasil), Ana Pi (Belo Horizonte, Brasil/Paris, França), Bruno Levorin & Regina Parra (São Paulo, Brasil), Célia Gondol (Paris, França), Coletivo DiBando (São Luís, Brasil), Davi Pontes e Wallace Ferreira (São Gonçalo, Brasil), D.C. (São Paulo, Brasil), Efe Godoy (Belo Horizonte, Brasil), Elilson (São Paulo, Brasil), Felipe Bittencourt (São Paulo Brasil), Filipe Acácio (Fortaleza, Brasil), Gabriel Cândido (São Paulo, Brasil), Guerreiro do Divino Amor (Rio de Janeiro, Brasil), Javier Velázquez Cabrero (Cidade do México, México), Jose Manuel Ávila (Guaraca, Venezuela), Kauê Garcia (Campinas, Brasil), Layo Bulhão e Gê Viana (São Luís, Brasil), Levi Mota Muniz e Mateus Falcão (Fortaleza, Brasil), Lia Chaia (São Paulo, Brasil), Lilibeth Cuenca Rasmussen (Copenhague, Dinamarca), Lolo y Lauti e Rodrigo Moraes (Buenos Aires, Argentina), Lucimélia Romão (São João del Rei, Brasil), Lubanzadyo Mpemba Bula (Luanda, Angola), Marcia de Aquino e Gê Viana (São Luís, Brasil), Marco Paulo Rolla (Belo Horizonte, Brasil), Melania Olcina Yuguero (Madri, Espanha), Michel Groisman (Rio de Janeiro, Brasil), Nurit Sharett (Tel Aviv, Israel), Rafa Esparza (Los Angeles, EUA), Ramusyo Brasil (São Luís, Brasil), Renan Marcondes (São Paulo, Brasil), SaraElton Panamby (São Luís, Brasil), Tieta Macau (São Luís, Brasil), Tomás Orrego (Lima, Peru), Ton Bezerra (São Luís, Brasil), e Yiftah Peled (Vitória, Brasil).


Verbo 2019 – 15ª edição da mostra de performance arte
Galeria Vermelho, Rua Minas Gerais, 350 - São Paulo – SP
Centro Cultural São Paulo (CCSP), Rua Vergueiro, 1000 - São Paulo - SP
Contemporão SP, R. João Moura, 1109 - São Paulo - SP
Chão SLZ, Rua do Giz, 167, São Luís – MA
Coletivo Re(o)cupa 16 a 18/07, Rua Afonso Pena, 20 - São Luís - MA

Posted by Patricia Canetti at 11:05 AM

julho 5, 2019

Dulce e João Carlos de Figueiredo Ferraz - Construções e Geometrias no MuBE, São Paulo

MuBE aproxima grande público de importantes coleções particulares, com uma seleção de obras da coleção de Dulce e João Carlos de Figueiredo Ferraz, mostra Construções e Geometrias faz parte da série Coleções no MuBE

De 8 de junho a 18 de agosto, o MuBE apresenta a exposição Construções e Geometrias, um recorte da coleção de Dulce e João Carlos de Figueiredo Ferraz. A mostra faz parte da série Coleções no MuBE, que tem como objetivo revelar a construção do olhar do colecionador, aproximando o grande público de acervos particulares importantes e pouco conhecidos na cidade.

Com trabalhos dos principais artistas contemporâneos brasileiros, a Coleção Figueiredo Ferraz tem se estabelecido de forma orgânica e engajada. A seleção de obras apresentadas em Construções e Geometrias, que tem curadoria de Cauê Alves, inclui artistas como Adriana Varejão, Artur Lescher, Carlos Garaicoa, Carmela Gross, Cildo Meireles, Edgard de Souza, Ernesto Neto, Nelson Leirner, Laura Vinci, Nuno Ramos, Waltércio Caldas, entre outros.

Prêmio MuBE Colecionismo e Apoio à Arte

De modo a reconhecer a importância dos acervos particulares e valorizar o trabalho de colecionadores em favor da difusão da arte, essencial para o desenvolvimento deste mercado, o MuBE acaba de criar o Prêmio MuBE Colecionismo e Apoio à Arte, cuja primeira edição será dedicada a João Carlos de Figueiredo Ferraz. Com uma escultura especialmente concebida por Paulo Mendes da Rocha, o prêmio será entregue na sexta, 7 de junho, durante uma festa beneficente no Museu, que tem como objetivo trazer a sociedade para participar e apoiar o MuBE, as artes e a cultura.

A trajetória de João Carlos de Figueiredo Ferraz como colecionador e mecenas é um exemplo de apoio à arte. Tendo iniciado suas aquisições na década de 1980, João Carlos sempre apoiou instituições culturais e a produção artística. Fundador do Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto, São Paulo, João Carlos foi presidente da Fundação Bienal de São Paulo e é Conselheiro de museus como o MASP e o MuBE, entre outros diversos.

Coleções no MuBE: Dulce e João Carlos de Figueiredo Ferraz - Construções e Geometrias

Trecho do texto de apresentação escrito pelo curador Cauê Alves:

“(...) O presente recorte curatorial enfatiza a arte construtiva e geométrica, seja como desdobramento, como ruptura ou reinvenção dessa tradição. A seleção de trabalhos privilegia ainda possíveis vínculos entre as obras e a arquitetura do MuBE.

O concreto aparente do edifício traz desenhos impressos pelas fôrmas de madeira. As paredes do museu são compostas por retângulos que revelam certa expressividade do concreto. As formas gravadas nas paredes por tábuas são construções geométricas imperfeitas, possuem contornos irregulares, como se tivessem sido moldadas por pequenos acasos. Diferentes tons, texturas e marcas aparecem ao longo de todo o espaço expositivo e rompem com a exatidão geométrica. A ausência de revestimentos evidencia a verdade dos materiais e a limpeza formal do conjunto.

É na década de 1950 que a chamada arquitetura brutalista surge no Brasil. Nesse mesmo período, a arte construtiva e geométrica ganha relevância no debate artístico principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os artistas concretistas e neoconcretos protagonizaram um intenso debate a partir de valores universais como a racionalidade e a intuição, assim como entre a objetividade das formas e a expressão subjetiva. Para além de oposições simplistas, a arte produzida desde a década de 1990, o foco da exposição, tem se aproximado de distintos modos da tradição construtiva. Seja de maneira lateral ou a partir de referências mais explícitas.

Grande parte das pinturas e obras tridimensionais presentes na exposição apresenta tanto uma espacialidade organizada a partir de uma ordem geométrica quanto a quebra de princípios de precisão absoluta. As combinações de cores, luzes, além da estrutura das composições geram ritmos próprios e reconfigurações de espaços.

Não se trata de apenas valorizar formas, mas de compreender que elas são inseparáveis de conteúdos, condensam ideias, processos históricos e os tornam visíveis. Na arquitetura do MuBE, com seu aspecto inacabado do concreto aparente, há a vontade de construção de um espaço público efetivo. A geometria na arte recente parece distante da utopia construtiva, que nunca se realizou plenamente, do sonho de um mundo moderno, civilizado e desenvolvido. Mas cada obra, em sua singularidade e na relação com seu entorno, ainda pode proporcionar uma experiência significativa e transformadora que reverbere e ecoe para além das paredes do museu.”

Sobre o curador

Cauê Alves é curador geral do MuBE. Doutor em Filosofia, professor do Departamento de Arte da Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes da PUC-SP e do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Foi um dos curadores do 32º Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo (2011) e curador adjunto da 8ª Bienal do Mercosul (2011). Foi membro do Conselho Consultivo de Artes do MAM-SP (2005-2007) e curador do Clube de Gravura do MAM-SP (2006-2016). É autor do livro Mira Schendel: avesso do avesso e da mostra homônima (Bei Editora/ IAC, 2010). Foi curador assistente do Pavilhão Brasileiro da 56ª Bienal de Veneza (2015). Foi co-curador da mostra Sergio Camargo: Luz e Matéria, no Itaú Cultural e Fundação Iberê Camargo (2015-2016), entre outras.

Posted by Patricia Canetti at 11:45 AM

julho 4, 2019

Cine Iberê em diálogo com a exposição #Selfie: Iberê em modo retrato, Porto Alegre

Cine Iberê recebe no dia 7 de julho (domingo), às 16h, a galerista e marchand Tina Zappoli e o geólogo Enio Soliani na sessão comentada do filme O Pintor. Com direção de Joel Pizzini, o documentário aborda a vida e obra de Iberê Camargo, um dos principais nomes da pintura brasileira no século 20. O filme enfoca os anos de formação do artista e mostra como sua obra foi se tornando cada vez mais poética e dramática.

Com curadoria da realizadora e produtora audiovisual, Marta Biavaschi, a ideia do projeto é promover filmes que dialoguem com as exposições em cartaz na Fundação Iberê. As sessões ocorrem sempre aos sábados, às 16h. A entrada é gratuita e por ordem de chegada.

Diálogo com #Selfie: Iberê em modo retrato

07.07 | 16h | Auditório
O Pintor | Joel Pizzini - 48min, 1995, Brasil + registros em vídeo de Iberê Camargo pintando retratos realizados por Enio Soliani
Sessão Comentada com galerista e marchand Tina Zappoli e o geólogo Enio Soliani
O Pintor é um documentário que aborda a vida e obra de Iberê Camargo, um dos principais nomes da pintura brasileira no século 20. O filme enfoca os anos de formação do artista e mostra como sua obra foi se tornando cada vez mais poética e dramática. A fotografia é de Mario Carneiro.

#Selfie

A nova exposição da Fundação Iberê #Selfie: Iberê em modo retrato ocupara o quarto andar com 13 fotos para documentos do artista e outras 36 dele retratando personalidades, como a mãe Doralice Bassani Camargo, Vasco Prado, Sivuca e Adriana Calcanhotto. No terceiro, as três salas serão totalmente interativas, com espelhos e iluminação especial para selfie do público.

Ao longo da vida, Iberê Camargo criou diferentes representações de si mesmo. Pintava-se sob um olhar interior que o mostrava como uma máscara, um enigma, o arquétipo da insondável natureza do homem: "Pinto porque a vida dói".

E diferente do que muitos imaginam, o autorretrato não é algo relativamente novo. A primeira selfie foi feita em 1839 pelo metalúrgico Robert Cornelius, pioneiro na fotografia dos Estados Unidos. Na época, os autorretratos eram o tipo mais comum de fotografias, compreendendo um número estimado de 95% dos daguerreótipos sobreviventes. Na pintura, se afirmou no século 14 e passou a ocupar um lugar de destaque na arte europeia, atravessando diferentes escolas e estilos artísticos.

A difusão da retratística acompanhava os anseios da corte e da burguesia urbana de projetar suas imagens na vida pública e privada. Paralelamente aos retratos realizados sob encomenda, e a outros concebidos com amigos e familiares, os artistas produziam uma profusão deles que funcionavam como meio de exercitar o estilo, como instrumento de sondagem de estados de espírito e também como recurso para a tematização do ofício.

A Fundação Iberê tem o patrocínio de IBM, Itaú, CMPC – Celulose Riograndense e Grupo GPS, e apoio de Barra Shopping Sul – Multiplan, DLL Group, Grupo IESA, Rede Plaza São Rafael, SULGÁS e STIHL, com realização e financiamento da Secretaria Especial da Cultura - Ministério da Cidadania / Governo Federal. Programa Iberê nas Escolas: Secretaria da Educação - Prefeitura de Porto Alegre e Viação Ouro e Prata. Serviços de tradução: Traduzca.

Local: Fundação Iberê Camargo
Avenida Padre Cacique 2000, Porto Alegre, RS

Posted by Patricia Canetti at 6:00 AM

Fundação Iberê Camargo abre exposição sobre Selfie, Porto Alegre

A Fundação Iberê inaugura no dia 6 de julho dois andares da exposição #Selfie: Iberê em modo retrato. O quarto andar será ocupado com 13 fotos para documentos do artista e outras 36 de Iberê retratando personalidades, como a mãe Doralice Bassani Camargo, Vasco Prado, Sivuca e Adriana Calcanhotto. No terceiro, as três salas serão totalmente interativas, com espelhos e iluminação especial para selfie do público.

Diferente do que muitos imaginam, o autorretrato não é algo relativamente novo. A primeira selfie foi feita em 1839 pelo metalúrgico Robert Cornelius, pioneiro na fotografia dos Estados Unidos. Na época, os autorretratos eram o tipo mais comum de fotografias, compreendendo um número estimado de 95% dos daguerreótipos sobreviventes. Na pintura, se afirmou no século 14 e passou a ocupar um lugar de destaque na arte europeia, atravessando diferentes escolas e estilos artísticos.

A difusão da retratística acompanhava os anseios da corte e da burguesia urbana de projetar suas imagens na vida pública e privada. Paralelamente aos retratos realizados sob encomenda, e a outros concebidos com amigos e familiares, os artistas produziam uma profusão deles que funcionavam como meio de exercitar o estilo, como instrumento de sondagem de estados de espírito e também como recurso para a tematização do ofício.

Iberê retratista

Ao longo da vida, Iberê Camargo criou diferentes representações de si mesmo. Pintava-se sob um olhar interior que o mostrava como uma máscara, um enigma, o arquétipo da insondável natureza do homem: "Pinto porque a vida dói".

Para ele, "[...] retratar-se revela narcisismo, todos os pintores o são. Na sucessão de minha imagem no tempo, ela se deteriora como tudo que é vivo e flui. Muitas vezes, me interroguei diante do espelho. No passar do tempo, nos transformamos em caricaturas", dizia Iberê.

A selfie é, portanto, a forma mais expansionista de autoexpressão visual. É algo especialmente fascinante como o ato de retratar a si mesmo tenha sobrevivido a tantas passagens, transformações e movimentos que a arte atravessou em sua história.

Exposição #Selfie: Iberê em modo retrato
Artista: Iberê Camargo
Local: Fundação Iberê Camargo, Avenida Padre Cacique 2000, Porto Alegre, RS
3º e 4º andares | Recomenda-se começar pelo 4º andar
Visitação: 6 de julho a 29 de setembro
Classificação indicativa: Livre
Entrada Franca

Posted by Patricia Canetti at 5:56 AM

julho 3, 2019

Governo inicia reforma da sede do Museu de Arte Contemporânea do Paraná

Restauro no prédio tombado, construção de um novo anexo e café fazem parte do projeto do novo MAC-PR

O Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR) iniciou o restauro e reforma de sua sede, no centro de Curitiba: o prédio histórico de 1928, tombado pelo Patrimônio Cultural, terá restauro em toda a sua estrutura, construção de um novo anexo para abrigar biblioteca, adequações de acessibilidade, reserva técnica e um café — o último restauro feito no prédio havia sido realizado em 1998. O prazo para que a empresa vencedora da licitação conclua a obra é de 18 meses, e o recurso investido pelo governo do Estado é de aproximadamente R$ 5 milhões.

Para o governador Carlos Massa Ratinho Júnior, o retorno do espaço para a população é muito significativo. "É um local bastante simbólico para os artistas visuais. Será um retorno à casa."

De acordo com a superintendente da Cultura da Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, a reforma no prédio também será benéfica para todo o seu entorno. "O museu voltar nesse momento que vai fazer 50 anos é uma força. É uma felicidade devolver o MAC aos artistas, sobretudo os paranaenses", salienta.

Novos projetos

Além de seguir com propostas já consolidadas no MAC-PR, com exposições temporárias do acervo, que permitem que o público veja as histórias que podem ser contadas por meio da coleção do museu, e programação com artistas brasileiros e paranaenses, a diretora do museu, Ana Rocha, trará novos projetos para a nova sede. Um deles é a ocupação da Sala Theodoro de Bonna com propostas de arte site specific (trabalhos criados especificamente para o espaço expositivo), em consonância com o acervo da instituição.

"Conectar o museu com diversos públicos é uma de nossas missões nessa gestão", diz Ana. Por isso, a proposta é realizar uma programação interdisciplinar com shows, apresentações de dança e teatro. O projeto de reforma do prédio, feito pela Traço Cultural, prevê ainda um espaço de convivência com paisagismo na área externa, que também deve ser usado para a programação.

O Setor de Pesquisa e Documentação e a reserva técnica do museu ficarão no novo anexo do espaço, construído ao lado da sede tombada. "Com isso a reserva técnica será ampliada para acondicionar de forma correta o acervo. A reforma da reserva é o maior ganho do museu, já que um dos objetivos do MAC-PR é preservar o patrimônio artístico que está em seu acervo. O correto armazenamento das obras é o que nos permite realizar exposições, e que permite ao museu cumprir seu papel pedagógico, educativo e cultural", frisa a diretora.

Modificações

Desgaste natural pelo tempo e uso nas escadas, pisos e soleiras em mármore, infiltrações no telhado e cupins em alguns locais foram algumas das patologias detectadas no diagnóstico do prédio, que também terá refeita a parte hidráulica e elétrica.

As obras seguem todas as diretrizes da Coordenação de Patrimônio Cultural (CPC) da Superintendência da Cultura. "No restauro se preserva o máximo possível o material usado na época. A diferença de um restauro para uma reforma é que, no restauro, do piso ao teto, tudo precisa estar protegido. E no final o resultado é espetacular. Você tem praticamente uma casa restaurada igual à época em que ela foi feita", explica o coordenador da CPC, Sergio Krieger.

Por conta disso, a cor do prédio também será modificada para um tom de verde, já que a atual, vermelha, não é a original. "Quando é feito um restauro, é realizada uma prospecção em relação à cor original. Um determinado local do prédio é raspado, com muito cuidado, para ver as camadas de tinta, até chegar na primeira. E aí fica definida qual a cor é a original", esclarece Krieger.

Outra mudança na reforma é a retirada da grade de ferro em frente ao museu — o projeto prevê vidros com o desenho da grade original cercando o prédio, modificação aprovada pelo Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico. De acordo com Krieger, refazer as formas da grade no modelo original teria um custo muito alto, "pelo fato de termos que mandar fazer artesanelmente, trabalho não encontrado mais nos dias de hoje. E ainda tornaria a obra muito mais cara".

Funcionamento

Desde o final de 2018, o MAC-PR, com toda sua estrutura e equipe, está funcionando dentro das dependências do Museu Oscar Niemeyer (MON). Todo o atendimento ao público, escolas e pesquisadores continua mantido ao longo da reforma, assim como as exposições, que estão sendo realizadas nas salas 8 e 9 do MON.

MAC-PR 50 Anos

Criado em 11 de março de 1970 por decreto oficial, o Museu de Arte Contemporânea do Paraná é uma conquista da classe artística, que, nos anos 1960, reivindicou a criação de um museu que abrigasse experimentações e propostas de arte contemporânea — o espaço completa 50 anos em março de 2020. Desde o início do seu funcionamento, foi responsável por ser um espaço de tendências e discussões sobre arte contemporânea. Atualmente, seu acervo é composto por 1.800 obras de artistas paranaenses e brasileiros, além de estrangeiros. É referência em pesquisa e documentação no Estado para pesquisadores da área e realiza ações de arte e educação para a comunidade. Sua sede (no centro de Curitiba, onde estava desde 1974) está fechada para reforma e restauro. Por enquanto, o MAC-PR funciona nas salas 8 e 9 do MON.

Posted by Patricia Canetti at 5:21 PM

Light Art Rio no Oi Futuro, Rio de Janeiro

O Oi Futuro abre dia 7 de julho a exposição Light Art Rio, dedicada à light art (arte da luz), com instalações e esculturas de luz de artistas contemporâneos. A curadora Fernanda Vogas convidou três artistas que incorporam a luz como elemento principal de criação para expor obras no projeto, que fica em cartaz no Centro Cultural Oi Futuro até 28 julho, com entrada franca.

Com curadoria de Fernanda Vogas, a mostra inclui obras dos artistas Alexandre Mazza (PR), Anaisa Franco (SP) e Carmen Slawinski (RJ). Tomando como ponto de partida o uso da luz para alterar a percepção dos espaços na arte contemporânea, os trabalhos dos artistas exploram temáticas de cor, tempo, luz artificial, projeção e tecnologia. De instalações a esculturas, os visitantes experimentarão a luz em suas diversas formas sensoriais e espaciais.

O artista Alexandre Mazza vai apresentar trabalhos de diferentes épocas que possuem como unidade a água. A obra “Água-viva” de 2012 propõe ao visitante uma reflexão sobre a relação do natural e do artificial. A obra “Bússola”, de 2017 foi pensada durante uma expedição imersiva de 20 dias do artista no Salar de Uyuni, a maior planície de sal do mundo, na Bolívia, e traz a imagem de uma bússola boiando em um riacho sobre uma rolha de cortiça, em busca de orientação. As obras “Águas I, II, III e IV” de 2019, expressam a força e a potência de uma queda d´água contínua de cachoeiras. Atualmente, o artista também apresenta a exposição “Somos sua luz”, na Luciana Caravello Arte Contemporânea, em Ipanema, até o dia 13 de julho.

A artista Anaisa Franco vai apresentar a obra “Sistema circulatório”, uma escultura de luz que é conectada à internet por um software que mapeia todo o tráfego das companhias aéreas. O software cria centenas de linhas de luz que representam todas as rotas dos aviões que estão voando, em tempo real, por todo o planeta. No ser humano, o sangue circula, transporta e entrega os nutrientes e oxigênio necessários para as células. A obra cria uma metáfora entre a circulação do corpo humano, que distribui nutrientes e oxigênio, e o transporte aéreo, que conecta distâncias e culturas.

A artista Carmen Slawinski vai apresentar uma obra criada especialmente para o projeto. A obra “A cor que habito”, feita com planos de fios brancos iluminados, delimitam campos de cor-luz, criando um ambiente imersivo, onde o visitante mergulhado na cor experimentará a luz em suas formas sensoriais. A artista cria uma nova arquitetura para a sala de exposição através de luz.

Light Art Rio é uma exposição que tem entrada gratuita e convida o público a se surpreender por um cenário de luz nas galerias do Centro Cultural Oi Futuro.

Fernanda Vogas (Idealizadora e curadora), é Mestra em Artes Visuais pelo PPGAV - UFRJ e graduada em comunicação social. Foi aluna da Escola Massana - Centre d’Art i Disseny em Barcelona e frequentou as aulas de filosofia dos professores Francisco Elia e Ivair Coelho. Seu currículo apresenta filmes experimentais premiados e exibidos no GöteborgInternational Film Festival (Suécia), Copenhagen Art Festival (Dinamarca), TousEcrans Festival (Suíça), Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano (Cuba), Cefalù Film Festival (Itália), entre outros. Em 2010 foi selecionada para participar do projeto Gesamt, filme-instalação idealizado pelo cineasta Lars Von Trier. Disaster 501: WhatHappenedto Man? Em 2017 criou o Acusmática Visual ao lado do artista espanhol XabierMonreal, um projeto de arte sonora com participações em festivais como o FILE - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (2018), Bogotá Short Film Festival (2018), Arquivo em Cartaz (2018) e Mostra do Filme Livre (2018)

Alexandre Mazza (Artista) - Com formação musical, Alexandre Mazza trabalhou durante 18 anos como baixista e compositor e passou a se interessar pela luz e pela eletricidade. Desde 2008 se dedica somente ao que chama de “multiplicação da luz”, utilizando diversos materiais, tais como espelhos, vidros, metais, lâmpadas, acrílicos e madeira. É principalmente através dos objetos que o artista confronta seus espectadores com jogos visuais: com o que se vê e o que se acredita ver, com o que está ali e o que se imagina estar. Indicado ao prêmio Pipa em 2012 e 2014, o artista já apresentou seus trabalhos em exposições no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM RJ), no Centro de Artes Hélio Oiticica, na Caixa Cultural do Rio de Janeiro, entre outros. Suas obras estão em diversas coleções privadas e públicas como a do MAM RJ e do Museu de Arte do Rio (MAR).

Anaisa Franco (Artista) - Anaisa Franco cria interfaces que ligam o físico com o digital, utilizando conceitos da psicologia e das ciências cognitivas. Desde 2006 tem desenvolvido trabalhos em Medialabs, residências e comissões em Instituições. É mestre em Arte Digital e Tecnologia pela Universidade de Plymouth na Inglaterra, financiada pela Bolsa Alban e Bacharel em Artes Plásticas pela FAAP em São Paulo. Tem exibido internacionalmente em exposições como 5th Seoul International Media ArtBienalle em Seoul na Korea, ARCOmadrid, Vision Play no Medialab PRADO, Sonarmática no CCCB em Barcelona, Espanha. Tekhné no MAB e Mostra LABMIS em Sao Paulo, Live Ammo em Taipei, entre muitas outras.

Carmen Slawinski – Artista plástica e lighting designer,a artista expôs seus trabalhos de pintura em Paris, Mônaco, CagnesSurMer e La Garde. Em 1993 a luz entra na sua pintura e expõe no Centro Cultural Cândido Mendes (Ipanema) 1996 e no Museu Nacional de Belas Artes em 1998. Criou em 1999/2000 iluminação cinética para a fachada do Centro Cultural Banco do Brasil do Rio. Em 2002, fez a iluminação “Alice e o Barão na Cidade Maravilhas” no interior do túnel da rua Alice, ligando Laranjeiras ao Rio Comprido. Em 2008 realizou a instalação “Contenções” no Centro Cultural Parque das Ruínas. Em 2013 apresentou a obra “Tecendo planos com fios de luz” no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio. Em 2015, criou o projeto de iluminação do Projeto Paixão de Ler no Museu de Arte do Rio-MAR.

Posted by Patricia Canetti at 3:55 PM

Homenagem a Reynaldo Roels Jr. no MAM, Rio de Janeiro

No mês que marca dez anos de sua morte, o crítico de arte, coordenador do Núcleo de Pesquisa do MAM de 1991 a 1992 – e curador do Museu de 2007 até a sua morte súbita em 2009 – ganha mostra e livro em sua homenagem.

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugura no próximo dia 6 de julho de 2019 uma exposição em homenagem a Reynaldo Roels Jr. (1951-2009), com curadoria de Fernando Cocchiarale, que reúne obras de 15 artistas que Reynaldo admirava e com os quais mantinha contato permanente, como José Bechara, Iole de Freitas, Ivens Machado, Anna Maria Maiolino, Vicente de Mello, Ione Saldanha, Manfredo de Souzanetto, Franz Weissmann e Victor Arruda.

As obras reunidas pertencem à Coleção Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – em doação de Eduardo de Barros Roels e Ana Beatriz de Barros Roels, Ferreira Gullar e Projeto Colecionadores MAM 3 – à Coleção Hélio Portocarrero, e à Coleção Gilberto Chateaubriand / MAM Rio.

Passados dez anos do falecimento de Reynaldo Roels Jr., surgiu a oportunidade de se publicar postumamente seu último ensaio “Escultura — 3-D” (Editora Barléu, 14x21cm, 1.500 exemplares), organizado pela pesquisadora e curadora Rosana de Freitas, que será lançado na exposição em 18 de julho, às 15h. Junto ao lançamento do livro haverá uma conversa em torno da mostra “Homenagem a Reynaldo Roels Jr.”, com os artistas Vicente de Mello, Victor Arruda e José Bechara, com entrada gratuita, e distribuição de senha 30 minutos antes do evento.

A trajetória profissional de Reynaldo Roels Jr. se entrecruza com diversos momentos da história recente do MAM Rio, de onde foi curador de 2007 até a sua morte súbita em 2009, e coordenador do Núcleo de Pesquisa do Museu de 1991 a 1992. Foi ainda curador da Coleção Gilberto Chateaubriand de 1997 a 2000, e diretor da Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage entre 2002 e 2006, e crítico de arte do “Jornal do Brasil”, de 1985 a 1990.

ARTISTAS NA EXPOSIÇÃO

Anna Maria Maiolino (1942, Scalea, Itália, radicada no Brasil)
Cláudio Fonseca (1949 – 1993, Rio de Janeiro)
Franz Weissmann (1911, Knittelfeld, Áustria – 2005, Rio de Janeiro)
Iole de Freitas (1945, Belo Horizonte)
Ione Saldanha (1919, Alegrete, Rio Grande do Sul – 2001, Rio de Janeiro)
Ivens Machado (1942, Florianópolis – 2015, Rio de Janeiro)
João Magalhães (1945, Juiz de Fora)
Jorge Duarte (1958, Tapiruçu/Palma, Minas)
José Bechara (1957, Rio de Janeiro)
Manfredo de Souzanetto (1947, Jacinto, Minas)
Ronaldo do Rego Macedo (1950, Rio de Janeiro)
Vicente de Mello (1967, São Paulo)
Victor Arruda (1947, Cuiabá)
Walter Goldfarb (1964, Rio de Janeiro)

Posted by Patricia Canetti at 3:16 PM

Sonia Andrade no MAM, Rio de Janeiro

Em uma instalação inédita e pensada especificamente para o espaço do Museu, a artista dispõe em nove colunas, cada uma com cerca de quatro metros de altura, contas de serviços básicos pagas e acumuladas entre 1968 e 2018, como luz, gás, telefone, televisão, internet e celular.

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugura no próximo dia 6 de julho de 2019 a exposição “... às contas”, uma instalação inédita criada especificamente para o espaço do Museu pela artista Sonia Andrade (1935, Rio de Janeiro), com curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes. A artista dispõe em nove colunas – cada uma com cerca de quatro metros de altura – contas de serviços básicos pagas e acumuladas entre 1968 e 2018, como luz, gás, telefone, televisão, internet e celular.

Distribuídas por tipo de serviço e em ordem cronológica, as contas estão unidas por elos metálicos e presas a correntes usadas habitualmente para amarrar e trancar bicicletas. “Ao usar este material, a artista deliberadamente introduziu uma carga semântica que faz alusão à impossibilidade de se viver livre dessas contas, da perda da mobilidade, da escravidão submetida por esses encargos”, destaca Fernando Cocchiarale.

O curador acrescenta que a artista não pretendeu uma aproximação estatística ou de gráficos econômicos. “É uma materialização poética do que a pessoa paga para viver”, diz.

O conjunto de contas, formado inicialmente por contas de luz, água, gás e esgoto, com o passar dos anos, ganhou a companhia das contas de televisão a cabo, de internet, de telefone fixo e de celular.

Os dois curadores apontam, no texto que acompanha a exposição, que parte da produção da artista nos últimos 50 anos teve o “corpo colocado como centro da ação”. “Em seus primeiros vídeos, na década de 1970, o corpo era testado em seus limites e condicionamentos, seja deformado por um fio de náilon, tendo os cabelos tosados, a mão presa a uma tábua por pregos e fios ou ainda parcialmente aprisionado em gaiolas”, lembram. Neste trabalho mostrado agora no MAM, “o corpo não é mais tratado de maneira icônica, mas por meio dos índices que efetivamente permitiram a sobrevivência real da artista. É o corpo como termômetro, unidade de medida e arena”, afirmam Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes.

Sonia Andrade realizou sua primeira individual, em 1976, na Área Experimental do MAM Rio. No Museu, realizou outras mostras individuais, sendo a última em 1999: “Goe, and catche a falling starre – Sonia Andrade”. As demais foram “Situações Negativas”, em 1984 e “A Caça – Sonia Andrade”, em 1978.

SONIA ANDRADE

“Nasci no Rio de janeiro em 1935. A minha relação com as artes plásticas começou quando eu já estava perto de fazer 40 anos. De início, estudei com a artista Maria Tereza Vieira entre 1972 e 1973; durante 1974 frequentei as aulas da Anna Bella Geiger, e nesse mesmo ano, 1974, eu e Fernando Cocchiarale decidimos organizar um grupo do quaL fizeram parte os artistas Ana Vitoria Mussi, Anna Bella Geiger, Leticia Parente, Miriam Danowski, Ivens Machado, Paulo Herckenhof, Fernando e eu. O grupo funcionou com reuniões semanais até 1976, quando foi dissolvido. A partir de 1978 passei a morar, também, em Paris, onde entre 1978 e 1982 estudei caligrafia chinesa com o mestre Ung No Lee. Em 1982, mudança para Zurique, onde morei até 1998, quando voltei definitivamente para o Rio de Janeiro. Em Zurique estudei a caligrafia chinesa com a mestre Suishu Tomoko Arii no Ostasiatische Seminar da Universitat de Zurich. Durante todos os anos em que morei no exterior o meu tempo foi dividido igualmente entre a Europa e o Brasil”.

Posted by Patricia Canetti at 3:02 PM

Grada Kilomba na Pinacoteca, São Paulo

Comprometida com as perspectivas pós-coloniais da representação da história, a artista portuguesa apresenta em sua primeira exposição no Brasil um conjunto de trabalhos que confrontam a produção brasileira do século XIX

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo apresenta, de 6 de julho a 30 de setembro de 2019, a exposição Grada Kilomba: Desobediências Poéticas, primeira exposição individual no Brasil da artista portuguesa. Com curadoria de Jochen Volz e Valéria Piccoli, diretor geral e curadora-chefe do museu, respectivamente, a mostra apresenta quatro trabalhos que ocupam as quatro salas contíguas à exposição do acervo da produção artística brasileira do século XIX da Pinacoteca. De forte tom político e comprometido com as perspectivas das narrativas pós-coloniais, o conjunto propõe uma espécie de restituição do lugar das vozes daqueles que foram silenciados ao longo da história.

A artista interdisciplinar Grada Kilomba nasceu em Lisboa, em 1968, com raízes em São Tomé e Príncipe, Angola e Portugal. Atualmente vivendo e trabalhando em Berlim, sua obra tem sido apresentada nas principais exposições e instituições pelo mundo, incluindo a 32ª Bienal de São Paulo; Documenta 14, em Kassel; 10ª Bienal de Berlim; The Power Plant, em Toronto; Kadist Art Foundation, em Paris; Museu Bozar, em Bruxelas; MAAT, em Lisboa; Wits Theatre, em Joanesburgo, entre outros. Também é autora do livro Plantation Memories (2008) e co-editora de Mythen, Subjekte, Masken (2005), uma antologia interdisciplinar de estudos críticos da branquitude. Doutora em Filosofia pela Freie Universität Berlin, 2008, desde 2004 tem lecionado em várias universidades internacionais, como a Humboldt Universität Berlin, onde foi Professora Associada no Departamento de Gênero. Desde 2015, vem colaborando com o Maxim Gorki Theatre, em Berlim.

Conhecida por sua escrita subversiva e pelo uso não convencional de práticas artísticas, Kilomba cria intencionalmente um espaço híbrido entre as linguagens acadêmica e artística, dando corpo, voz e imagem a seus próprios textos por meio de leitura cênica, performance, instalação e vídeo. Fortemente influenciada pelo trabalho de Frantz Fanon (1925-1961), psiquiatra e filósofo francês da Martinica, começou a escrever e publicar sobre memória, trauma, psicanálise, feminismo negro e colonialismo, estendendo sua pesquisa à performance, encenação, coreografia e visualização das narrativas pós-coloniais. “Quem fala? Quem pode falar? Falar sobre o quê? E o que acontece quando falamos?” são questões permanentes em seus trabalhos, nos quais a artista cria imagens singulares para desmontar os conceitos de conhecimento, poder e violência.

A exposição na Pinacoteca Desobediências Poéticas responde a esta prática singular de Kilomba, que poeticamente desobedece às várias disciplinas, perturbando as narrativas comuns das galerias do museu com uma “nova e urgente linguagem descolonizada“, segundo ela. A mostra inclui as obras Illusions, nas quais ela se utiliza da tradição oral africana para desempenhar o papel de contadora de histórias, ou griot, para recontar e encenar mitos greco-romanos, virando gradualmente as metáforas e narrativas sobre si mesmas de forma a explorar as estruturas cíclicas dos sistemas de opressão pós-colonial. Criando cenas de estética minimalista, onde corpos negros se movimentam, Kilomba leva os visitantes a repensar como até a sala de um museu (ou white cube), que integra um sistema que se apresenta como universal, pode encobrir uma lógica colonial e patriarcal.

Illusions Vol. I, Narcissus and Echo (2017), comissionada pela 32ª Bienal de São Paulo, em 2016, em forma de performance e, posteriormente, reconfigurada em uma instalação de vídeo, ocupa a sala A, na Pinacoteca. Nessa obra, que recebeu o prêmio do International Film Festival Rotterdam 2018, a portuguesa aborda o mito de Narciso e de Eco para explorar as políticas de invisibilidade, questionando a noção de “branquitude” como componente imperativo nas memórias e realidades do mundo pós-colonial. Para a artista, Narciso se torna uma metáfora para uma sociedade que não resolveu seu passado e que considera a sua própria imagem como o único objeto de amor, refletido na superfície da água; enquanto Eco é remetida ao silêncio, repetindo apenas as palavras de Narciso. A questão que se encerra na obra é: como desnudar esse molde?

Já Illusions Vol. II, Oedipus (2018), é apresentada na sala B. Comissionada pela 10ª Bienal de Berlim, a obra apresenta o mito de Édipo, que foi sentenciado à morte pelo próprio pai, não sob a perspectiva de desejo, como é comum, mas como uma história de violência. Já a imagem da Esfinge surge como símbolo desta condição: a personagem mística questiona Édipo sobre o que ele sabe, lembrando-o que algo terrível aconteceu e que ninguém pode escapar ao próprio destino ou passado. A Esfinge, que devora quem não sabe, aqui liberta os que sabem. O mito torna-se, no trabalho da artista, uma metáfora para as políticas patriarcais e coloniais de violência, rivalidade e genocídio contra corpos negros e marginalizados. “Uma metáfora para o conhecimento“, explica a artista.

Na versão inédita da obra The Dictionary, concebida especialmente para a Pinacoteca e instalada na sala C, “a artista cria um espaço imerso onde cinco palavras, negação, culpa, vergonha, reconhecimento e reparação, são reveladas e intensamente descritas como os seus sinônimos e antônimos. As palavras são projetadas nas paredes da sala criando uma cronologia da consciencialização, até desaparecerem novamente, deixando a audiência envolta numa instalação de som”, explica Piccoli.

E, por fim, na instalação Table of Goods, de 2017, apresentada na sala D, a artista exibe uma instalação composta de um monte de terra, posicionado no centro da sala, que emerge do chão com pequenas porções de mercadorias coloniais como açúcar, café, cacau e chocolate. A obra traz, como eixo principal, a história Transatlântica da Escravatura e do pós-colonialismo, relembrando séculos de mortes de trabalhadores africanos escravizados em plantações para produzir os bens e os prazeres (the goods) das elites. Neste contexto, Kilomba se utiliza do termo “indizível” como metáfora do trauma causado pelo colonialismo que, tal como uma doença, nunca foi devidamente tratado na sociedade.

“Só quando transformamos as reconfigurações de poder – que significa quem pode falar e quem pode fazer perguntas e quais perguntas – então reconfiguramos o conhecimento. Na arte também produzimos conhecimento, ao criar trabalhos que gerem perguntas que não estavam lá antes (...). Para mim, um dos papéis importantes da criação de um trabalho de arte é desmantelar essas configurações de poder ao recontar histórias que pensávamos conhecer. Dar e criar outro sentido de quem somos. Nós somos muitos”, resume Kilomba.

A exposição integra a programação de 2019 da Pinacoteca, dedicada à relação entre arte e sociedade. Por meio dela, a instituição propõe examinar as dimensões sociais da prática artística, apresentando exposições que redimensionam a ideia de escultura social, cunhada pelo artista e ativista alemão Joseph Beuys. A realização dessa exposição foi possível graças ao apoio da Lei Rouanet e do PRO-MAC.

CATÁLOGO

Grada Kilomba: Desobediências Poéticas é acompanhada de um catálogo que inclui apresentação do diretor geral da Pinacoteca Jochen Volz, texto introdutório à Grada Kilomba pela escritora, pesquisadora e ativista Djamila Ribeiro e os roteiros das obras Illusions 1 e Illusions 2, ilustrados com stills dos respectivos vídeos e anotações feitas à mão pela artista. Português e inglês.

PARTICIPAÇÃO NA 17ª FLIP

Grada Kilomba é uma das presenças confirmadas na 17ª Flip, que acontece de 10 a 14 de julho em Paraty. A portuguesa é autora de Memórias da Plantação: Episódios do racismo cotidiano, que será lançado no Brasil durante a Festa Literária pela Editora Cobogó. O livro, publicado originalmente em 2008, analisa e desvela a atemporalidade do racismo cotidiano, preenchendo lacunas sobre o tema e estabelecendo conexões entre raça, gênero e classe.

CONVERSA: GRADA KILOMBA E DJAMILA RIBEIRO

A artista conversa com a escritora, pesquisadora e ativista brasileira Djamila Ribeiro, que assina um dos textos do catálogo da exposição, no dia 6 de julho de 2019, sábado, às 15h. Haverá transmissão simultânea para o Pátio 2. No Auditório da Pinacoteca – Luz, térreo. 132 lugares. Classificação indicativa: livre.

Posted by Patricia Canetti at 2:23 PM

Diego de Santos na Sem Título Arte, Fortaleza

A primeira exposição individual do artista Diego de Santos na Sem Título Arte - Fato atípico e outros delitos existenciais - reúne trabalhos realizados nos últimos dois anos, ainda inéditos em Fortaleza. Obras em desenho, instalação, objeto e vídeo foram pensadas em um contexto de deslocamento constante entre Caucaia, a cidade onde Diego nasceu, e o Rio de Janeiro. Questões, materialidades e metodologias recorrentes passaram por um processo de expansão durante esse movimento pendular. A noção de morada, muitas vezes pensada em uma dimensão autorreferente, agora se expande para uma abordagem coletiva atenta a fenômenos de ordem social e política.

Parte dos trabalhos faz referência à articulação de possíveis abrigos. O propósito é discutir a relação precária entre compromisso e direito básico na relação estado e sociedade, tão presente nas grandes e desiguais cidades do Brasil.

A série de desenhos põe em evidência o confronto entre a noção de direito básico e a apropriação de recursos como água, energia elétrica, gás, TV a cabo e internet. Não só no Rio de Janeiro, mas em todo o país, essas apropriações se dão clandestinamente, prática conhecida como “gato”. Nos desenhos sobre madeira compensada, caixas d’água com logomarca que sugerem à prática ilegal aparecem integradas a representações de moradias erguidas intuitivamente, utilizando elementos do meio, típicas de pássaros como o João-de-Barro, mas que se aplicam também às práticas arquitetônicas comuns em áreas precárias da cidade. A série suscita um aspecto muito particular da cultura brasileira, o “jeitinho” como estratégia de sobrevivência. Na exposição serão apresentados entre seis e oito desenhos.

As obras em vídeo são realizadas com base no histórico de transformação das paisagens de grandes cidades, em que o artista interfere na velocidade de navegação com o objetivo de travar e distorcer a visualização das imagens através do Street View, no Google Maps. No primeiro, o mapa da região portuária do Rio de Janeiro é explorado, uma região histórica da cidade em constante processo de “revitalização” e especulação. No segundo, Diego escolhe dez dos principais mirantes do Rio de Janeiro, todos na Zona Sul, de onde é possível olhar a cidade de pontos de vistas privilegiados, ignorando os impactos sociais, ambientais e urbanísticos contidos nos projetos de alteração de sua geografia. Diego interfere nas imagens geradas no Google Maps, apresentando uma sucessão de formas que não se encaixa e distorce a paisagem. Vultos das “paisagens fantasmas” submersas pelo crescimento urbano que se dá a partir do litoral desde o Período Colonial. As formas aleatórias que vão se sobrepondo com diferentes cores e texturas remetem a uma atmosfera futurista, como no construtivismo.

Links para visualização:
https://vimeo.com/328871752
https://vimeo.com/328872280

A exposição Fato atípico e outros delitos existenciais foi contemplada no Edital de Incentivo às Artes da Secultfor Ceará.
 
Sobre Diego de Santos

Formado em Artes Plásticas pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – IFCE (2010), integrou o programa Imersões Poéticas, da Escola Sem Sítio – Paço Imperial (2017). Entre os principais prêmios e residências estão o Prêmio de Criação em Artes Visuais de Teresina, onde realizou residência artística (2016); Prêmio FUNARTE de Arte Contemporânea (2015); Vencedor da categoria PIPA Online (2014); Laboratório de Artes Visuais do Porto Iracema das Artes (2014); Prêmio Salão de Arte de Mato Grosso do Sul (2013) e do SESC Amapá (2010). Entre suas principais exposições individuais estão “Poema 193”, Galeria Fayga Ostrower – Funarte Brasília, Brasília – DF (2017); “Lar é Onde Ele Está”, Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Fortaleza - CE (2014) e “Arranha-Verso”, Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza – CE (2009). Participou de várias exposições coletivas no Brasil e exterior.

Sobre Fernanda Lopes

Doutora pelo Programa de Pós-Graduação da Escola de Belas Artes da UFRJ, Fernanda Lopes atua como curadora assistente do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e professora da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. É organizadora, ao lado de Aristóteles A. Predebon, do livro Francisco Bittencourt: Arte-Dinamite(Tamanduá-Arte, 2016), e autora dos livros Área Experimental: Lugar, Espaço e Dimensão do Experimental na Arte Brasileira dos Anos 1970 (Bolsa de Estímulo à Produção Crítica, Minc/Funarte, 2012) e “Éramos o time do Rei” – A Experiência Rex (Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça, Funarte, 2006). Entre as curadorias que vem realizando desde 2008 está a Sala Especial do Grupo Rex na 29a Bienal de São Paulo (2010). Em 2017 recebeu, ao lado de Fernando Cocchiarale, o Prêmio Maria Eugênia Franco da Associação Brasileira dos Críticos de Arte 2016 pela curadoria de exposição Em Polvorosa - Um panorama das coleções MAM-Rio.

Posted by Patricia Canetti at 10:38 AM