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junho 29, 2019

Angela Od na Movimento, Rio de Janeiro

Já conhecida por sua técnica de bordados e trabalhos em linha, lã e tecido, Angela Od chega à Galeria Movimento Arte Contemporânea, em Copacabana, e apresenta uma nova proposta com a exposição Final Fantasy, que pode ser vista de 27 de junho a 20 de julho. A artista realizou trabalhos em vídeo, feitos por meio da computação gráfica, que permeiam fases, pequenos ciclos e epopeias de histórias comuns em seus bordados: o caráter narrativo do herói - que transita entre a idade média e a contemporaneidade de forma repetida -, personagem recorrente nas obras da carioca.

Com curadoria de Ulisses Carrilho, a exposição apropria-se do nome de um videogame para investigar a interdisciplinaridade entre as técnicas de bordado, pintura, desenho e a linguagem digital, e a tridimensionalidade do desenho projetivo através da computação gráfica, um meio de trabalho comum para a artista que fazia criações de peças e vinhetas para meios de comunicação de massa antes de se envolver com a pintura.

“Unem-se à linha dos contornos da imagem digital, sempre virtual, à linha que legitimamente perfura o plano do tecido repetidamente para compor um bordado, observa o curador.

Fantasia final remete ao fim do Herói, presente há anos no trabalho da artista. “Angela Od criou a alegoria da morte de seu personagem principal, O Cara da Espada, e une nesta mostra duas pontas de sua investigação”, explica Carrilho.

Sobre a artista

Com uso de bordado e trabalhos em linha, lã e tecido, Angela Od reflete em sua arte o estudo que mostra semelhanças entre a figura do herói da idade média e da contemporaneidade, mitos e símbolos passados. Através de densas tramas com fios aplicados uns em cima do outro, ela forma narrativas fantásticas com o herói periférico sendo confrontado por suas escolhas, e como elas influenciam diretamente em seu futuro. Com isso, a artista é capaz de mesclar linguagens através de símbolos presentes, existentes nos vídeo games, jogos de mesa, rituais religiosos, superstições e crendices populares.

Formada pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage e em Comunicação Social pela FACHA, Angela começou a expor seus trabalhos artísticos em 2013 com a mostra coletiva Mais Pintura, no Centro Cultural da Justiça Federal, no Rio de Janeiro. Desde então, ela passou pelo Espaço Ecco, em Brasília; na Arte Londrina 7, em Londrina; no Salão Nacional de Arte de Jataí, em Góias; e até mesmo em La Paz, na Bolívia, em 2016, entre outros. Em 2019, a carioca levou sua primeira individual, denominada Lavanda é a Cor mais Livre, para o Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP).

Também em Ribeirão Preto, a artista ganhou o Prêmio de Aquisição do 43º SARP, para as obras “Bestiário 2” e “Bestiário 3”, em 2019. Já em 2016, levou o Prêmio de aquisição para “O Cara da Espada em Ação 2”, no Salão de Arte de Vinhedo em São Paulo, e, na mesma cidade, foi agraciada com uma Menção Honrosa para o vídeo “A garota que não queria perder o controle”, na Galeria Transarte.

Posted by Patricia Canetti at 2:53 PM

Última "virada" no Acervo em Movimento no MARGS, Porto Alegre

Núcleo de Documentação e Pesquisa e Núcleo de Conservação e Restauro apresentam últimas mudanças em “Acervo em Movimento”

Esta será a quarta e última “virada” da exposição aberta em março e em exibição até final de julho - Desta vez, ganham destaque o acervo documental do museu e obras que passaram por restauração

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) abre as portas na próxima terça-feira (2/7), às 10h, com a quarta e última alteração de obras da primeira fase da exposição Acervo em movimento: um experimento de curadoria compartilhada entre as equipes do MARGS. Nesta última “virada” da exposição, a cargo do Núcleo de Documentação e Pesquisa e do Núcleo de Conservação e Restauro, entram em exposição não apenas obras de arte do acervo artístico do museu, como também itens do acervo documental.

No caso da equipe do Núcleo de Conservação e Restauro, as escolhas envolveram obras do acervo do museu que passaram por processos de restauração no MARGS. Após uma primeira seleção, foram escolhidas ao final sete obras, cujo conjunto representa, nas palavras da restauradora Naida Corrêa, “o esforço contínuo do museu em recuperar e preservar o patrimônio histórico artístico e cultural”. Entre elas, destacam-se as de nomes fundamentais da história da arte no Rio Grande do Sul, a exemplo de Ado Malagoli, João Fahrion, Iberê Camargo e Pedro Weingärtner. Além destes, entram também na exposição outros nomes importantes, a exemplo dos brasileiros Bustamante Sá, Henrique Bernardelli e do francês Jean-Paul Laurens.

Já por parte do Núcleo de Documentação e Pesquisa, as escolhas priorizam publicações e livros de artistas, com o objetivo de dar visibilidade a estes segmentos que integram os acervos do MARGS. Nas palavras da coordenadora do Núcleo, Maria Tereza de Medeiros, “com o conceito escolhido para esta nossa curadoria, procura-se criar um diálogo entre os acervos do museu, ou seja, o documental e bibliográfico com o acervo de obras de arte”.

Lista de documentos

> Uma vitrine com livros de artista e álbuns do acervo artístico.
> Uma vitrine com documentos sobre o MARGS, como a cópia do decreto de fundação, fotos da inauguração da sede do museu no foyer do Theatro São Pedro e na Praça da Alfândega, cartas e documentos de artistas, como Christina Balbão, Iberê Camargo, Ado Malagoli e Plínio Bernhardt.
> Um display com a obra “Truco”, de Jailton Moreira, objeto múltiplo produzido em 2014, e que na exposição é apresentado com uma versão para ser contemplada e outra, emprestada pelo artista, para que o público possa manusear.

Livros de Artista e álbuns do Acervo do MARGS

> Alexandra Eckert – Série “Livro Faca de Corte, coração – Coração volume l – Tomo V” (2000).
> Carlos Scliar – Álbum “Caixas 1” (1967).
> Farnese de Andrade – Álbum “Fecundação” (1968).
> Jean Baptiste Debret – “Viagem pitoresca e histórica ao Brasil”, com aquarelas e desenhos que não foram reproduzidos na edição de Firmin Didot – 1834 (1953-1955).
> José Lutzenberger – Álbum “O Gaúcho – I: Gaúcho Antigo no Rio” (sem data).
> Mario Röhnelt – “Galerias” (2013).
> Vasco Prado – Álbum ““Dom Quixote de La Mancha” (1986-87).
> Waltercio Caldas – “O Colecionador” (1974).

A exposição e o projeto curatorial

Inaugurada no dia 16 de março deste ano, como exposição de estréia do diretor-curador do MARGS, Francisco Dalcol, "Acervo em movimento: um experimento de curadoria compartilhada entre as equipes do MARGS" é uma ampla exposição baseada no acervo do museu, ocupando as três galerias das Pinacotecas, o espaço mais nobre do museu. O projeto expositivo consiste em um exercício experimental de curadoria com as equipes do museu, que atuam no desenvolvimento da mostra em regime compartilhado. A exposição inaugurou com uma seleção de obras do acervo, passando até julho por alterações quase mensais com entradas e saídas de outras obras. Cada uma dessas “viradas” é conduzida por integrantes dos Núcleos de Curadoria, Acervo, Educativo, Documentação e Pesquisa, e Restauro e Conservação.

Nas palavras do diretor-curador Francisco Dalcol, “ao abrir mão de roteiros predeterminados, procurando também eliminar hierarquias entre as obras do acervo, “Acervo em Movimento” pergunta ao visitante: quais relações podem ser feitas entre objetos de diferentes origens, períodos e estilos? O convite é que o público constitua os seus caminhos interpretativos, estabelecendo suas próprias relações e conexões, as quais sempre envolvem o que já sabemos, a expectativa do que ainda não vislumbramos e o estranhamento transformador da experiência inesperada e arrebatadora”.

“Acervo em Movimento” constitui um primeiro experimento curatorial voltado ao acervo, o qual se quer permanente na política de exibição do MARGS nesta gestão, passando a ocupar diferentes salas do museu depois desta estreia nas Pinacotecas.

As alterações de obras, que oferecem “viradas” à configuração expositiva, ocorrem nas segundas-feiras, quando o museu está fechado, e podem ser conferidas a partir do dia seguinte.

Datas das alterações

16.03 – Abertura com seleção de obras pelo diretor-curador (Duração de 23 dias)
08.04 – Obras escolhidas pelo Núcleo de Curadoria (Duração de 27 dias)
06.05 – Obras escolhidas pelo Núcleo Educativo (Duração de 27 dias)
03.06 – Obras escolhidas pelo Núcleo de Acervo (Duração de 27 dias)
01.07 – Obras escolhidas pelo Núcleo de Documentação e Restauro (Duração de 20 dias)
21.07 – Encerramento da exposição

Ações do Núcleo Educativo

Durante o período de visitação até julho, serão realizadas atividades, ações, falas e um curso dentro do programa público da exposição.

Posted by Patricia Canetti at 2:30 PM

Farnese de Andrade + Thiago Martins de Melo no Museu da República, Brasília

Reconhecido por inserir a capital do Brasil no circuito internacional de artes visuais, o Museu Nacional da República exibe, a partir de 25 de junho, exposições simultâneas de Farnese de Andrade e Thiago Martins de Melo. Com curadoria de Denise Mattar, ambas resultam da parceria entre o Museu brasiliense com as galerias paulistanas Almeida e Dale e Leme/AD. A iniciativa faz parte de um projeto itinerante das Galerias, que visa a levar mostras de artistas renomados para diferentes regiões do País.

"É com muita satisfação que os levamos [Farnese e Martins de Melo] ao público brasiliense. São artistas de gerações e linguagens diferentes, mas igualmente importantes para história da arte brasileira", afirma Antonio Almeida, sócio-diretor da Galeria Almeida e Dale. "Essa itinerância fortalece nosso compromisso de democratizar o acesso e a democratização da cultura", completa Eduardo Leme, sócio-fundador da Galeria Leme/AD.

Farnese de Andrade

Figura de singular trajetória nas artes plásticas brasileiras, Farnese de Andrade é autor de uma obra potente, que toma o observador por sua força e fragilidade, ao mesmo tempo em que o perturba com certa morbidez. Reunindo obras de coleções particulares do Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais e Pernambuco, a exposição Farnese de Andrade – Memórias Imaginadas oferece ao público uma rara oportunidade para a apreciação de um conjunto integral da obra do artista. São mais de 100 trabalhos, entre pinturas, desenhos, gravuras e objetos que possibilitam um mergulho em seu mundo de fantasias construídas.

"Sua gravura é plena de texturas, cortes abruptos e contrastes de luz e sombra. Sem tirar a pena do papel, realizava compulsivamente os nanquins intitulados Obsessivos, de quase inacreditável precisão", afirma Denise Mattar. Para realizar seus desenhos em cores, Farnese desenvolveu ainda uma técnica refinada que chamava de "tinta transformada", com um resultado que os aproxima da pintura. "São trabalhos densos, ambíguos, permeados por uma sensualidade perversa e imersos numa sufocante ourivesaria visual", completa a curadora.

Em 1964, o artista, que já era reconhecido e premiado pela qualidade de seus desenhos e gravuras, passa a desenvolver trabalhos aos quais chama de "impressão manual de formas", técnica que consistia na criação de carimbos confeccionados a partir de madeiras carcomidas, sandálias velhas e apetrechos curtidos pelo sol e pelo sal, devolvidos pelo mar. A pesquisa desses materiais, até então utilizados como matrizes para a criação de gravuras singulares, acaba por conduzir Farnese a seus objetos.

O artista passa, então, a coletar fragmentos vários, encontrados num primeiro momento na praia e, posteriormente, comprados numa espécie de compulsão. Arrebatado por uma ânsia por capturar sua própria história e mergulhar em suas memórias imaginadas, aprisiona tudo aquilo que é coletado em caixas, gavetas, oratórios e semelhantes, criando assemblages que nunca são dadas por terminadas - processo interrompido apenas com venda das peças, o que o artista fazia a contragosto, recomprando-as por vezes.

"As assemblages de Farnese tratam de questões como a memória, o tempo, a vida e a morte, o masculino e o feminino, o pecado e o castigo. São combinações antagônicas de segredos e revelações, medo e malícia, delicadeza e crueldade. Ao mesmo tempo em que a finitude humana é escancarada por bonecas fragmentadas e cabeças suspensas no ar, a religião é questionada quando faz uso de ex-votos e santos paralisados, cortados, virados de ponta cabeça.", diz a curadora.

A exposição apresentada no Museu Nacional da República lança luz às várias facetas desta produção singular, comparável à de artistas surrealistas como o alemão Hans Bellmer e o americano Joseph Cornell. São trabalhos de séries emblemáticas, realizadas entre 1966 e 1996, entre as quais O Anjo Louco (1986), Olímpica (1996) e Sebastião (1978/81).

"[Farnese] usa oratórios, caixas e gamelas como continentes de uma turbulência mental mórbida, cujo grito sai abafado. São trabalhos potentes, mas claustrofóbicos, que remexem sem dó nas entranhas do inconsciente e, por isso, fascinam, encantam, assustam e incomodam", afirma Denise Mattar.

Thiago Martins de Melo

O cruzamento caótico de personagens e situações da história passada e presente do Brasil, pinçadas pelo olhar indignado e sarcástico de Thiago Martins de Melo, é o foco da mostra Necrobrasiliana, exibida a partir de 25 de junho, no Museu Nacional da República.

O neologismo que dá título à exposição associa o termo necro, que em grego significa morto, à palavra Brasiliana, que designa uma coleção de obras artísticas ou científicas tendo o nosso País como tema, e também à necropolítica, conceito criado pelo sociólogo camaronês Achille Mbembe, enfatizando que o poder dominante é sempre o responsável por ditar as regras de quem deve viver ou morrer.

A partir desse ponto de vista, o artista maranhense reflete sobre os legados históricos do Brasil, mostrando como a morte, a injustiça e a violência são exercidas há quinhentos anos sobre os mais fracos e como essa mesma arbitrariedade se desdobra no presente.

Aludindo à avalanche de informações da era contemporânea, Thiago Martins Melo extrapola a bidimensionalidade da tela e cria pinturas densas, formadas por diversas camadas, às quais também sobrepõe outros tipos de materiais. Suas crônicas exaltadas são potencializadas nas telas de grande formato, que mais parecem muros pelo uso deliberadamente excessivo da tinta.

Nelas se mesclam imagens emblemáticas da iconografia brasilianista, como os índios de Eckhout, Theodore de Bry e Debret, com outras imagens igualmente emblemáticas de um passado recente, a exemplo do retrato de Marighela, o carnaval proibido de Joãozinho Trinta, o rosto de Luzia [fóssil humano mais antigo encontrado na América do Sul] ou, ainda mais atuais, as manifestações de 2013 e a truculência da polícia. Resistências e decadências, simbologias e personagens, espiritualidade e sincretismo se engalfinham nesses muros assombrosos.

"Sejam esculturas, instalações, vídeos ou pinturas, as obras de Thiago Martins de Melo se constroem no excesso, em camadas de imagens intensas, sempre conectadas ao extermínio e às problemáticas enfrentadas pelas minorias. Por isso, seu trabalho causa impacto, não apenas pelas grandes dimensões e temas retratados, mas, também, por sua exuberância formal". afirma Denise Mattar.

Posted by Patricia Canetti at 1:31 PM

Eduardo Navarro no Pivô, São Paulo

Dando continuidade ao seu programa anual de exposições de 2019, o Pivô apresenta Predição Instantânea do Tempo, primeira exposição individual do artista argentino Eduardo Navarro no Brasil.

O trabalho de Eduardo Navarro investiga possíveis pontos de convergência entre arte e ciência, dedicando especial atenção às possibilidades de diálogo entre forças naturais e espécies. O artista frequentemente trabalha com colaboradores de diversas áreas técnicas que o ajudam a desenvolver dispositivos especiais para investigar os efeitos dos fenômenos naturais na experiência humana, abrindo assim novas possibilidades de contato e interação com o nosso entorno imediato. As performances e instalações de Navarro, muitas vezes dependem de bailarinos e voluntários para acontecer. Suas propostas envolvem desde de coreografias complexas até desenhos comestíveis, em que ele parte de experiências sensoriais para colocar em cheque a distância entre o observador e aquilo que é observado.

Predição Instantânea do Tempo é um projeto comissionado pelo Pivô e realizado em seu espaço expositivo principal. Navarro partiu de seu interesse sobre o movimento dos ventos para conceber uma grande instalação composta por 27 trajes que se assemelham a estações metereológicas e que serão ativados por bailarinos ao longo da exposição. Este projeto segue uma metodologia utilizada em outros trabalhos, como In Collaboration with the Sun (Em Colaboração com o Sol), 2017 e Instructions from the Sky (Instruções para o Céu), 2016 em que Navarro desenvolveu uma indumentária especial para tentar se “sincronizar” com o movimento das nuvens e do Sol. Em Predição Instantânea do Tempo, o artista cria uma espécie de “roupa-biruta” que conecta o corpo com o vento.

Para desenvolver os trajes, Navarro observou atentamente os vetores criados pela representação cartográfica das correntes de ar sobre a Terra e observou o potencial coreográfico da mecânica dos indicadores de vento, mais conhecidos como “birutas”. Tanto o sentido figurado quanto o valor utilitário do objeto interessam ao artista. A biruta se esvazia ou se enche de ar, indicando o deslocamento do vento, e é surpreendente pensar que ainda sejam fundamentais na organização do tráfego aéreo na maior parte do mundo.

As roupas criadas pelo artista com tecido à base de nylon, - comumente usado em paraquedas e guarda-chuvas – performam um “ballet-eólico” em que o vento se torna a força central, de forma que guia os movimentos dos artistas e se torna um coreógrafo invisível. Para criar esta dança, Navarro desenvolveu junto com a bailarina e coreógrafa paulista Zélia Monteiro uma série de movimentos coreográficos em que bailarinos investigam o potencial plástico e a eficiência desses aparatos em resposta, e em relação, às correntes de vento dentro e fora do Pivô. Haverá duas ações programadas no início e no final da exposição, além de programas públicos em que os visitantes são convidados a experimentar os trajes.

Quando não estão em uso, os trajes ocupam o espaço do Pivô como uma espécie de instalação-laboratório, onde são postos à espera de seus usuários-meteorologistas. O artista pediu para que as janelas do espaço permaneçam sempre abertas, provocando a entrada das correntes de ar pelos corredores e fazendo com que as roupas se movimentem de acordo com as variações meteorológicas que ocorrerão durante o período expositivo.

Em Predição Instantânea do Tempo, Navarro desenvolve mais um projeto que aponta para uma forma de tecnologia sensorial que desencadeia conexões entre o corpo, o espaço urbano e a natureza. Ele explora formas de transformação da percepção para propor novas maneiras de relacionamento entre o humano e o seu meio.

A exposição foi viabilizada por meio de uma parceria anual com o Instituto Inclusartiz. A convite do Instituto, Eduardo Navarro viajou ao Rio de Janeiro para realizar uma residência durante a fase de pesquisa do projeto. Lá esboçou os trajes e fez os desenhos utilizados na comunicação visual da exposição no Pivô. Durante o período de exposição, ele voltará ao Rio de Janeiro para conduzir um programa público. Essa é a segunda edição da parceria com o Instituto, sendo que a primeira viabilizou a exposição e residência do artista mexicano Rodrigo Hernández.

Eduardo Navarro, 1979, é um artista de Buenos Aires, Argentina, cujo trabalho tem sido mostrado em diversas exposições coletivas ao redor do mundo, como a Bienal do Mercosul (2009 e 2013); Bienal de São Paulo (2010 e 2016); Surround Audience: The New Museum Triennial, New Museum, Nova York (2015); e Metamorfoses, Castello de Rivoli, Turin, Itália (2018). Entre suas exposições individuais estão Into Ourselves, The Drawing Center, Nova York; US/ DER TANK, Basel, Switzerland (2017/18); OCTOPIA, Museo Rufino Tamayo, Cidade do México, México (2016) e We Who Spin Around You, The High Line Art, Nova York, USA (2016).

Zélia Monteiro, 1960, é bailarina, professora e coreógrafa nascida em São Paulo. Sua pesquisa tem base no pensamento de Klauss Vianna, com quem trabalhou por oito anos, e na escola clássica italiana, onde teve contato com Maria Melô (aluna de Enrico Cecchetti).
Monteiro foi premiada cinco vezes pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (1987, 1992, 1998, 2010 e 2016), e em 2014, ganhou o Prêmio Denilto Gomes, da Cooperativa Paulista de Dança, na categoria de melhor solo de improvisação, além de ter sido uma das cinco finalistas do Prêmio Governador do Estado de São Paulo, na categoria Dança.
Atualmente, dirige o Núcleo de Improvisação, é professora no Curso de Comunicação das Artes do Corpo - PUC/SP e dá aulas regulares de dança clássica na Sala Crisantempo.

Posted by Patricia Canetti at 12:31 PM

Athos etc na Athos Bulcão, Brasília

Estudantes da UnB são os curadores da nova exposição na AB Galeria, da Fundação Athos Bulcão, que é composta por obras do acervo da instituição e propõe ampliar ampliar o olhar do público para a obra do artista

A atual exposição em cartaz na AB Galeria, na Fundação Athos Bulcão, foi montada por alunos do curso Teoria, Crítica e História da Arte, da Universidade de Brasília (UnB). Os estudantes Victor Zaiden e Renata Reis, com a assistência de Letícia Braga, são os responsáveis pela curadoria da mostra Athos Etc, com obras de Athos Bulcão que integram o acervo da instituição. O trabalho do grupo foi coordenado pela curadora e professora da UnB, Ana Avelar, em parceria com a equipe da Fundação. “É a oportunidade dos estudantes da universidade pública colocarem em prática os conhecimentos aprendidos na academia em uma ação voltada para a sociedade”, destaca Valéria Cabral, secretária executiva da instituição.

Durante o processo de preparação, os estudantes se reuniram diversas vezes com a equipe da Fundação, para conhecer mais a obra de Bulcão e apresentar os eixos de curadoria que guiaram a seleção das obras e a montagem da mostra.

Mergulho no acervo e seleção de obras

Grande parte dos trabalhos presentes no acervo da Fundação foi doada pelo próprio artista no momento da criação da instituição. Algumas foram doadas por colecionadores, além das adquiridas ao longo dos anos. Os 3 figurinos para a ópera ‘Amahl e os visitantes da noite’ de Gian Carlo Menotti, que faziam parte do acervo da senhora Asta-Rose Alcaide e integraram a exposição "100 Anos de Athos Bulcão" foram gentilmente doados por Janete Dornellas.

Todas as etapas foram realizadas sob orientação da professora Ana Avelar, respeitando a autonomia e as escolhas dos estudantes. “A proposta era que os alunos, a partir de questões contemporâneas da arte, olhassem de maneira renovada para esse acervo”, afirma Ana.

O plano curatorial foi discutido e aprovado, a lista de obras definida e a montagem agendada. “Elencamos obras que evidenciam outros aspectos da prática do artista, no sentido de expandir o conhecimento sobre seus trabalhos”, conta Victor Zaiden.

A pesquisa dos curadores enfatizou também aspectos que aproximam Athos a outros artistas modernos, como Paul Klee e Kandinsky, “que buscaram explorar os limites do espaço, expandir as barreiras das diferentes linguagens artísticas e propor intercâmbios e construções”, como lembra Renata Reis. A ideia é que o olhar dos jovens estudantes sobre as obras de Athos Bulcão não se restrinja à ocupação da galeria, mas que se estenda, também, às redes sociais da Fundação.

A mostra faz parte do conjunto de ações do projeto Atos para Preservar Athos Bulcão,que tem patrocínio do FAC - Fundo de Apoio à Cultura, da Secretaria de Cultura do GDF, edital de 2017, e prevê ações de acessibilidade e a realização de exposições, oficinas, palestras e visitas mediadas pelas obras do artista para estudantes do Ensino Fundamental da rede pública e público em geral.

Professora coordenadora
Ana Avelar é professora de Teoria, Crítica e História da Arte na Universidade de Brasília (UnB) e curadora da Casa Niemeyer (UnB). Em 2017, foi finalista do prêmio Marcantonio Vilaça na categoria curadoria e, este ano, júri do mesmo prêmio. Foi membro do comitê de indicação do Prêmio Pipa em 2017 e 2019 e de seleção do Programa Rumos Itaú Cultural 2017-18. Este ano foi selecionada pelo Programa Intercâmbio de Curadores 2018-2019, promovido pela plataforma Latitude.

Curadores
Renata Reis, 23 anos, é aluna do oitavo semestre do curso de Bacharelado em Teoria, Crítica e História da Arte da Universidade de Brasília. Membro da equipe de produção e curadoria da exposição Galeria Sem Muros (VIS-UnB, 2018). Membro da equipe de organização do IV Colóquio de Teoria, Crítica e História da Arte (VIS-UnB, 2018). Área de interesse: minimalismo, construtivismo, concretismo, escultura.

Victor Zaiden, 28 anos, é formado em Ciência Política pela Universidade de Brasília (2013) e é aluno do oitavo semestre do curso de Bacharelado em Teoria, Crítica e História da Arte. Atuou como mediador do programa educativo do CCBB Brasília (2018-2019). Área de interesse: curadoria e decolonialidade.

Assistente de curadoria
Leticia Braga, 21 anos, é aluna do curso de Bacharelado em Teoria, Crítica e História da Arte da Universidade de Brasília (desde 2016). Formada em Dança Clássica pela Escola Noara Beltrami. Intercambista pela Universidade de Brasília, no período de agosto a dezembro de 2018, na Universidad Alberto Hurtado, em Santiago, Chile. Atualmente atuando como mediadora no Espaço Cultural Renato Russo. Área de interesse: curadoria e mediação cultural como meio de comunicação entre a arte e o público em geral.

Posted by Patricia Canetti at 11:08 AM

junho 28, 2019

Lia do Rio no Museu Nacional da República, Brasília

Com curadoria de Bené Fonteles, a mostra “Tempo em Suspensão” de Lia do Rio apresenta obras inéditas em Brasília de sua pesquisa sobre a natureza do tempo

Celebrando os 40 anos de trabalho de Lia do Rio, o Museu Nacional da República, em Brasília, abre exposição com obras da conceituada artista que vive na capital carioca. A mostra Tempo em Suspensão faz uma panorâmica de sua trajetória: começa na década de 80, no início de sua pesquisa sobre “tempo e natureza”, e culmina com uma surpreendente instalação em que nos coloca diante do futuro. São cerca de 40 trabalhos inéditos na capital federal, com curadoria de Bené Fonteles. Instalações, esculturas, objetos, fotografias, colagens, vídeos e desenhos ocupam as quatro salas do Espaço Galeria Acervo, até 4 de agosto. A entrada é franca.

Lia do Rio foi uma das primeiras artistas a trabalhar com temas ligadas à natureza no Rio de Janeiro, muito antes dessa questão entrar para a ordem do dia, a partir da ECO 92. Suas obras são constituídas de materiais não convencionais (folhas secas, tijolos, troncos ou pedras) e acontecem, muitas vezes, na própria natureza. Mas suas questões falam, acima de tudo, do Tempo. “A natureza me fez perceber que o tempo não existe. Sem princípio, meio ou fim, o mundo está continuamente se transformando. Só existe o aqui e agora. Inúmeros, um atrás do outro, que começam e acabam em si mesmos. Os índios bem sabem disso. O problema é que nós nos esquecemos de que também somos natureza”, diz a artista.

Em atividade desde a década de 80, a paulista Lia do Rio apresenta trabalhos de diferentes fases da carreira. Destacam-se um imenso livro feito de folhas secas (O livro de folhas, 1994); uma grande escultura de vidro e sementes de pente de macaco, moldada com o perfil de duas irmãs gêmeas univitelinas (Anamariahelena, 1997); e outras recentes, como uma instalação com pedra brita (Escalada, 2015); e uma onde insere pedras retiradas de sua vesícula sobre imagem do solo pedregoso de Marte (Porvir, 2016). Algumas peças vieram de acervos, como o da Faculdade Cândido Mendes e do próprio Museu da República.

“Lia tem a coragem de não se importar em expor o que se diz efêmero no espaço museológico. Confere nobreza e leveza, que ganha na arte contemporânea no Brasil um lugar de relevância ainda não de todo reconhecido, mas por tudo, significativo e seminal”, explica Bené Fonteles, curador e coordenador do Movimento Artistas pela Natureza, projeto de artistas ativistas, denominados “artivistas”, que lutam a favor da consciência ecológica e da educação ambiental por meio da arte. Para Fonteles, “Tempo em Suspensão” é uma mostra antológica, que demonstra o pensamento sofisticado de Lia do Rio ao longo de décadas, nos pondo em diálogo profundo com a grande ilusão que é o tempo.

SOBRE LIA DO RIO

Nasceu em São Paulo, vive e trabalha no Rio de Janeiro. É Bacharel pela Escola Nacional de Belas Artes da UFRJ; tem Pós-Graduação em Arte e Filosofia, e Pós-Graduação em Filosofia Antiga, PUC-RIO. No início de sua trajetória artística, foi aluna de Abelardo Zaluar, Quirino Campofiorito e Mário Barata. A partir de seu ingresso na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, em 1982, teve como orientadores Fernando Cocchiaralle, Ricardo Basbaum, Paula Trope, Tunga, Celeida Tostes, Reinaldo Roels Jr, entre outros. Inicia-se em pintura, mas logo seus trabalhos adquirem tridimensionalidade. Ao longo de quatro décadas participou de centenas de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior (EUA: Nova York e São Francisco; Japão: Tóquio e Kobe; Guatemala; Alemanha; França e Kioto). Foi selecionada para diversos salões, com destaque para o Novos-Novos, o XX, Macunaíma 90, os XXº e XXIIº Salão Nacional de Belo Horizonte, e o Le Dejeuner sur L’Art (premiada por 4 vezes). Recebeu diversos prêmios, como Intervenções Urbanas; Brahma Reciclarte; Prêmio FIAT 89 (RJ) e Meditronic de Artes Plásticas (SP). Seus trabalhos fazem parte de diversos acervos, no Brasil e exterior, como o Parque Nacional da Tijuca (RJ), o Jardim Botânico (RJ), a Fundação Cândido Mendes (RJ) e o próprio Museu da República (DF). Ao longo do tempo, como professora de arte, lecionou em importantes instituições, como o Parque Lage e o Instituto Calouste Gulbenkian. Coordena exposições, workshops e palestras, e faz acompanhamento de diversos artistas. Seu livro Lia do Rio: Sobre a Natureza do Tempo foi editado, em 2015, pela editora Fase 10.

Posted by Patricia Canetti at 12:05 PM

junho 26, 2019

Lasar Segall + Alex Cerveny + Maurício Ianês no Lasar Segall, São Paulo

O Museu Lasar Segall tem o prazer de anunciar a inauguração de sua nova exposição de longa duração, Lasar Segall: o eterno caminhante, além de duas exposições temporárias de artistas contemporâneos: Alex Cerveny: Palimpsesto e Intervenções: Maurício Ianês. As mostras serão inauguradas no dia 29 de junho, sábado, às 15h, e a abertura conjunta oferecerá ao público visitas guiadas pelo historiador de arte e curador Giancarlo Hannud, diretor do Museu Lasar Segall, e pelo artista visual Alex Cerveny. Todas as atividades terão entrada gratuita.

Para a mostra Lasar Segall: o eterno caminhante, nova exposição de longa duração do Museu Lasar Segall, foram selecionadas 110 obras – que incluem óleos sobre tela, desenhos, esculturas, gravuras e guaches – entre as mais de 3,5 mil que integram o acervo do museu. A seleção faz um recorte da obra, vida e tempo do artista lituano naturalizado brasileiro Lasar Segall (1889-1957), permitindo uma visão panorâmica de sua produção em toda sua variedade técnica e temática, bem como de sua biografia. Nos trabalhos exibidos, será possível testemunhar o engajamento do artista com certas temáticas, bem como sua identificação com os emigrantes que, assim como ele, atravessaram o Atlântico em busca de melhores condições de vida na primeira metade do século XX.

A exposição Alex Cerveny: Palimpsesto apresentará um panorama do trabalho gráfico do artista nascido em São Paulo em 1961, cuja gênese remonta ao ano de 1981, quando iniciou estudos de gravura e impressão. No conjunto de 44 gravuras e 16 matrizes, de notável coerência estética, o público terá a chance de ver as inúmeras possibilidades da gravura como meio artístico. Provas de impressão e de estado serão apresentadas junto a tiragens numeradas, revelando os diferentes momentos do processo da gravura, usualmente limitada a uma imagem final.

Pelo projeto Intervenções, que o Museu Lasar Segall promove desde 2010 com o objetivo de apresentar instalações/intervenções de artistas contemporâneos em seu jardim interno, Maurício Ianês apresenta a obra inédita Trânsitos. O artista construirá uma sucá, espécie de cabana que na tradição judaica é montada durante a festa de Sucot, que relembra os 40 anos de êxodo dos judeus no deserto após a saída do Egito. Dentro da cabana, que será elaborada com tecidos africanos, latino-americanos e talitót, serão apresentados áudios de cartas endereçadas a Segall pertencentes ao arquivo do museu sobre o drama da imigração, bem como de imigrantes contemporâneos.

Atividades paralelas no dia da abertura

16h - Visita guiada com Alex Cerveny
17h - Visita guiada com o diretor do Museu Lasar Segall, Giancarlo Hannud
11h às 19h - Feira de publicações promocionais do Museu Lasar Segall

Exposições

Lasar Segall: o eterno caminhante – exposição de longa duração
Alex Cerveny: Palimpsesto – até 21 de outubro de 2019
Intervenções: Maurício Ianês – até 21 de outubro de 2019
Curadoria: Giancarlo Hannud
Abertura: 29 de junho, sábado, às 15h
Local: Museu Lasar Segall – Ibram/Ministério da Cidadania
Endereço: Rua Berta 111, São Paulo, SP
Horário: aberto de quarta a segunda-feira das 11h às 19h

Posted by Patricia Canetti at 2:44 PM

A cidade e suas camadas - apagamentos e reconstruções na cidade de São Paulo (circuito Sé-Luz)

O Museu da Cidade de São Paulo promove uma caminhada crítica pelo centro histórico da cidade, passando pelo Solar da Marquesa de Santos, Beco do Pinto, Pátio do Colégio, Praça da Sé, Jardim da Luz e Praça Princesa Isabel, na companhia das artistas Giselle Beiguelman e Érica Ferrari, da pesquisadora Regina Helena Vieira Santos e do arquiteto Jeff Keese.

29 de junho de 2019, sábado, das 10h às 14h

Museu da Cidade – Beco do Pinto e Solar da Marquesa de Santos
Rua Roberto Simonsen 136, Sé, São Paulo, SP
Percurso: Beco do Pinto e Solar da Marquesa de Santos, Pátio do Colégio, Praça da Sé, Jardim da Luz e Praça Princesa Isabel
11-3105-6118
Evento gratuito e livre para todos os públicos

A cidade e suas camadas - apagamentos e reconstruções na cidade de São Paulo (circuito Sé-Luz) - Caminhada crítica pelo centro histórico de São Paulo com Giselle Beiguelman, Érica Ferrari, Regina Helena e Jeff Keese

Articulada em torno das instalações de Giselle Beiguelman Chacina da Luz e Monumento Nenhum, a caminhada é um convite à discussão daquilo que a artista e professora considera “bolsões do esquecimento” ou espaços atropelados pelo processo de metropolização da cidade.

O trajeto começa às 10 horas no Museu da Cidade - Solar da Marquesa de Santos, quando Giselle fala sobre suas instalações que exibem fragmentos de monumentos e estátuas depredadas, além de atentar para aspectos históricos do Beco do Pinto. No Pátio do Colégio, o arquiteto Jeff Keese e a artista Érica Ferrari tratam da história do local, compartilhando suas pesquisas acadêmicas e artísticas sobre o sítio histórico, cuja ocupação remonta ao século XVI.

Em seguida, o corso vai a pé até a Praça da Sé, conversando sobre “arquitetura fantasma” com a historiadora Regina Helena pelas ruas ao redor da grande praça e, de metrô, segue até o Jardim da Luz. Ali, avista-se o lago em cuja volta estavam as oito estátuas ora exibidas aos pedaços na instalação “Chacina da Luz”. Por fim, na Praça Princesa Isabel, Giselle e convidados arrematam a atividade observando de perto o Monumento a Duque de Caxias, de Victor Brecheret, de onde saiu a pata de cavalo que integra a instalação “Monumento Nenhum”.

Com a realização desse deslocamento por locais históricos e simbólicos da cidade, Giselle Beiguelman articula saberes e conhecimentos diversos, atentando “in situ” o público para os processos de apagamento que a ocupação urbana paulistana promove e como se desdobram em estéticas do esquecimento.

Roteiro resumido

· Solar da Marquesa de Santos | com Giselle Beiguelman | 15 minutos

· Beco do Pinto | com Giselle Beiguelman | 10 minutos

· Pátio do Colégio | com Erica Ferrari e Jeff Keese | 30 a 40 minutos

· Praça da Sé | “Arquitetura fantasma” com Regina Helena | 20 a 30 minutos

· Jardim da Luz | 30 minutos

· Praça Princesa Isabel (Monumento a Duque de Caxias) | 20 minutos

Caso chova, as conversas e discussões vão acontecer no espaço do Museu da Cidade – Solar da Marquesa de Santos.

As instalações Chacina da Luz e Monumento Nenhum ficam em exibição no Museu da Cidade até o dia 1º de setembro.

Giselle Beiguelman é artista e professora da FAU USP. Entre seus projetos recentes destacam-se: “Memória da amnésia” (2015), “Quanto pesa uma nuvem?” (2016) e “Odiolândia” (2017). Recebeu vários prêmios nacionais e internacionais e suas obras integram coleções privadas e acervos de diversos museus como ZKM (Karlsruhe, Alemanha), Pinacoteca de São Paulo, Jewish Museum (Berlim, Alemanha), MAR (Rio de Janeiro) e outros. Foi editora-chefe da Revista seLecT (2011-2014) e é colunista da Rádio USP e do site da Revista Zum. Seu novo livro, “Memória da Amnésia: políticas do esquecimento”, será lançado na Flip em julho de 2019 pelas Edições Sesc.

Érica Ferrari é artista e pesquisadora. Mestranda em Poéticas Visuais da Universidade de São Paulo (ECA USP). Bacharel em Artes Plásticas pela Universidade de São Paulo com Habilitação em Escultura. Pesquisadora associada ao Fórum Permanente e ao LabOUTROS da FAU USP. Nos últimos anos produziu objetos e instalações a partir de pesquisa em torno das relações entre arquitetura, espaço e história. Das exposições recentes, destacam-se “Estratigrafia” no Paço das Artes, “Totemonumento” na Galeria Leme (São Paulo), “Provocar Urbanos” no SESC Vila Mariana (São Paulo), “Estudo para Monumento” na Funarte (São Paulo), “Interaktion”, em Berlim, Alemanha e a “32º Bienal de Artes Gráficas”, em Liubliana, Eslovênia.

Regina Helena Vieira Santos é arquiteta e urbanista. Doutora, na área de História e Fundamentos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo-USP; em parceria com a Università degli studi di Firenze-Italia. (2013-2017). Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (2005-2008). Especialização em “desenho e Gestão do Território Municipal”, objeto de estudo Município de Itanhaém; PUC-CAMPINAS, 1997/1998. Cursou como extend student na School of Fine Arts da San Diego State University – California, EUA, 1994-1996. Concluiu a graduação na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Católica de Santos (1994). Professora na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - FIAM-FAAM-FMU Centro Universitário. Atuou como professora colaboradora na disciplina de Laboratório de Restauro na Università degli Studi di Firenze em 2016/2017. Atualmente é pesquisadora e colabora como FAU USP. Atua como arquiteta concursada no Departamento do Patrimônio Histórico - PMSP/São Paulo.

Jeff Keese é arquiteto e urbanista formado pela FAU USP. Atua nas áreas de projetos arquitetônicos, expografia, montagens de exposições, arquitetura temporária, sinalização e projeto gráfico, além de consultorias nas áreas de restauro e projetos culturais. Possui experiência em produção cultural, curadoria, projetos de exposições itinerantes e formatação de conteúdo para eventos culturais e institucionais, capacitação de mediadores para exposições e ministrante de cursos e workshops sobre temas relacionados ao ambiente expositivo. Trabalhou na coordenação de montagem e expografia do Prêmio CNI-SESI Marcantonio Vilaça por 09 anos, além de diversas montagens e exposições e projetos especiais. Fez acompanhamento de produção de 12 obras da dupla de artistas cubanos Los Carpinteros. Recentemente fez acompanhamento de montagem da exposição “Chacina da Luz.

Posted by Patricia Canetti at 2:24 PM

Néle Azevedo em frente ao Theatro Municipal, São Paulo

Artista visual Néle Azevedo celebra a condição humana na instalação/performance "Estado de Suspensão", em frente ao Theatro Municipal de SP

A artista visual mineira Néle Azevedo apresenta a instalação/performance Estado de Suspensão na próxima sexta-feira, dia 28 de junho de 2019, às 18h,em frente ao Theatro Municipal de São Paulo, na Praça Ramos de Azevedo, região central.

"Estado de Suspensão" é uma instalação efêmera, que leva o público a uma jornada imersiva. Mais de 1000 figuras de gelo serão suspensas em diferentes alturas em uma estrutura metálica. Durante cerca de uma hora, elas irão lentamente e dramaticamente desaparecer. A performance faz parte do websérie Great Big Story, comissionada pela empresa norte-americana Courageous Studio, que tem trabalhos de artistas como o britânico Reuben Wu, produtor e membro da banda Ladytron.

As figuras são antropomórficas e alongadas [feminina e masculina]. As esculturas serão dramaticamente iluminadas, acentuando o gotejamento, rachaduras e quebra do gelo. Elas se fundem suspensas por fios e o som do derretimento é amplificado por microfones instalados em alguns vasilhames, como panelas, baldes e vasilhas de metal. O desenho de luz fica a cargo de Mirella Bandi e o som, de Dino Vicente.

Celebração do efêmero

A instalação/performance alude a um estado provisório, a uma suspensão do corpo em relação ao chão, a um estado de estar em algum lugar sem realmente estar lá. Enquanto derretem, evidenciam não apenas a fragilidade e o efêmero, mas também um estado provisório de passagem, de transição, do intermediário. A temporalidade das figuras de gelo suspensas recorda nossa condição humana tanto do ponto de vista da subjetividade quanto do coletivo. Pelo derretimento dos corpos e pela expansão do som, a obra traz à tona os conflitos entre a temporalidade humana e a temporalidade expressa pelo ritmo da vida contemporânea: questões do corpo, da existência, da subjetividade e do espaço.

Sobre a artista

Néle Azevedo nasceu em 1950, em Santos Dumont-MG. Vive e trabalha em São Paulo/SP. É mestre em Artes visuais pela UNESP, em 2003, e Bacharel em Artes Plásticas pela Faculdade Santa Marcelina, em 1997. Interessada em investigar as relações entre o corpo humano e a cidade, Néle Azevedo iniciou, em 2005, uma série de ações no espaço urbano com a obra "Monumento Mínimo", esculturas em gelo postas a derreter no espaço público. Sempre contextualizando a ação efêmera ao local, a artista percorreu dezenas de cidades no Brasil e no exterior, como a França, Portugal, Alemanha, Itália, Alemanha, Noruega, Peru, Chile, Inglaterra, Dinamarca e Estados Unidos, entre outras. www.neleazevedo.com.br/monumento-minimo

As imagens da intervenção urbana criada por Néle Azevedo foram registradas por TVs, jornais e pelo público em geral e tornaram-se mundialmente conhecidas. Desse modo, o "Monumento Mínimo" alcançou um papel importante na história da arte urbana contemporânea, sendo incluído em diversas publicações internacionais. www.neleazevedo.com.br/publicacoes-publications

Posted by Patricia Canetti at 1:50 PM

Ernesto Neto: Ativação da obra - ARA | Yube, Awá le jó - Movimento é Vida na Pinacoteca, São Paulo

ARA | Yube, Awá le jó - Movimento é Vida
Ara em Tupi significa tempo, espaço, céu, claridade e dia, em Iorubá significa corpo e em português o ato de arejar a terra. O encontro trata das relações do corpo com a terra. ‘Yube’ significa jibóia e ‘Awa le jó’ (Nós podemos dançar) em Yorubá. O ciclo terá um encontro de dança que permite através do movimento do corpo a percepção do encontro entre os povos, as semelhanças das danças sagradas indígenas com o xirê dos orixás. Dança da cura pela identidade.

29 de junho de 2019, sábado, das 11h às 17h

Pinacoteca de São Paulo - Octógono
Praça da Luz 2, Centro, São Paulo, SP

APRESENTAÇÃO

A obra de Ernesto Neto envolve um constante imaginar outras possibilidades de estar no mundo, outros modos de convivência entre as pessoas e delas com o ambiente, a natureza, a espiritualidade. Neste sentido, suas instalações mais recentes têm sido concebidas para acolher celebrações coletivas em reverência à essas esferas a partir de saberes ancestrais.

A instalação inédita Cura Bra Cura Té, concebida por ele especialmente para o Octógono da Pinacoteca, faz referências às diversas culturas que moldaram o Brasil. Essa traz como elemento central uma peça de madeira de três metros de altura, semelhante à um tronco, instrumento oficial de tortura, que simboliza um sistema escravocrata contemporâneo encoberto que, segundo o artista, ainda rege a estrutura econômica nacional e internacional.

Uma de suas extremidades tem como “raiz” um tapete com o mapa territorial do Brasil, rodeado de cores que aludem à mestiçagem nacional. O tronco, oco, foi preenchido por mercadorias que tem sido protagonistas da economia brasileira ao longo da história (açúcar, café, ouro, soja). Suspensa sobre a outra extremidade do tronco, há uma “copa” de crochê em formato de gota carregada de folhas curativas provenientes de culturas indígenas e afro-brasileiras.

Ao longo do período expositivo, o artista propõe uma ativação da obra por meio de quatro ciclos que incluem um “banho”, momento no qual o tronco é envolvido pela gota simulando uma cópula – a fusão entre feminino e masculino – assegurando aos participantes uma restauração energética. Após o ato, o tronco é cortado. Até o fim da exposição, este será eliminado totalmente.

Este corte carrega uma intenção de cura individual, coletiva e histórica, ao fazer referência aos processos de violência e espoliação vividos no país por séculos. Essa cura se vale primordialmente do reconhecimento e do respeito à sabedoria dos povos tradicionais africanos e indígenas.

Todos estão convidados a participar.

PROGRAMAÇÃO

11:00h – Meditação com Grupo Cachuera
11:45h – Banho - movimento da obra
12:00h – Fala sobre Alimentação com Maria Nascimento + Almoço com EBÉ
14:00h – Fala Naine Terena
15:00h - Cura Adriana Aragão
16:00h – Cura Daiara Tukano
17:00h – Corte - Fechamento

MENU

Menu do Pará – Raízes amazônicas
Convidada: Maria do Socorro
Prato do dia R$ 20.00
Chibé (Angu de farinha de mandioca com tucupi com vegetais variados, folhas e coentro)
Chips de mandioca
Bebida R$ 7.00
Suco de cupuaçu com hortelã
Sobremesa R$5.00
Açaí com farinha de tapioca
Melado de cana a parte.
Combo: Prato do dia + Bebida + Sobremesa = R$ 30.00

PARTICIPANTES

EBÉ - Escola Brasileira de EcoGastronomia
Escola formada por Daniela Lisboa, especialista em Economia Solidária e Escolas de Alimentação Viva; Cassia Cazita, que tem em experiência em movimentos de ocupação cultural e de rua e Fabiana Sanches, ligada à Articulação Agroecológica e militante do movimento Slow Food. O encontro resultou em projetos como o Convívio Slow Food ComoComo, a primeira grande Campanha de Combate ao Desperdício de Alimentos e o Festival Disco Xêpa 2014. A Ebé desenvolveu um cardápio especial — em parceria com agricultores locais, nutricionistas e chefs indígenas e de origem africana — para o almoço disponível aos participantes da ação.
R$ 20 por pessoa.

ADRIANA ARAGÃO
Percussionista, vocalista, compositora, arranjadora e pesquisadora da cultura do Candomblé. Sua influência musical vem da família e da própria religião. Yátébèse (Mãe que faz as súplicas - aquela que executa os cânticos), desde pequena tem a permissão para tocar os Tambores Sagrados. Uma das fundadoras do Bloco Afro Ilú Obá de Min. Atualmente faz parte do naipe de cantoras e ministra cursos de Dança e Toque dos Orixá em espaços culturais e Sesc. Atua como cantora e percussionista no musical da Cia de Teatro São Jorge variedades. É mestra regente do Bloco Agora vai e percussionista do Bloco Queen Magia. Possui graduação em Musicoterapia pela faculdade Paulista de Artes. Pós graduação em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP).

DAIARA TUKANO
É artista plástica, mestre em direitos humanos pela universidade de brasília e coordenadora da Rádio Yandê, primeira rádioweb indígena do brasil. Ativista indígena trabalha com comunicação independente, abordando a questão da defesa dos direitos humanos e dos povos indígenas. Pesquisadora em educação em direitos humanos e cultura de paz se foca sobre o direito à verdade e à memória dos povos indígenas. Pintora e desenhista seus trabalhos abordam aspectos culturais de seu povo Tukano Yépá Mahsã, a resistência indígena, as mulheres e o fortalecimento das identidades indígenas.

MARIA DO SOCORRO ALMEIDA NASCIMENTO
É chef de cozinha em São Paulo. Nascida em Abaetetuba, pequena cidade do norte do Pará, cresceu entre barcos, igarapés, rios, açaizeiros, brinquedos de Miriti, o som do carimbó, além dos cheiros, sabores e temperos da rica culinária paraense. Hoje, além do forte ativismo que desenvolve através da gastronomia pela preservação do hábito alimentar dos ribeirinhos da Amazônia, se tornou empresária e educadora. Como empresária fornece produtos oriundos da sociobiodiversidade amazônica em São Paulo, em sua maioria de economia feminina e, como educadora, compartilha conhecimentos sobre Segurança e Qualidade e Cozinha Brasileira na Escola Gastronomia Periférica localizada no Capão Redondo também em São Paulo.

NAINE TENENA DE JESUS
Docente na Faculdade Católica de Mato Grosso, Arte educadora, realiza diversas ações de visibilidade e apoio aos povos indígenas do Brasil. coordenou o livro Povos indígenas do Brasil: Perspectiva no fortalecimento de lutas e combate ao preconceito por meio do audiovisual, lançado em 2018. Foi palestrante da Verbier Art Summit 2019, participou dos dias de estudos e produziu "Quem roubou essas memórias" no livro da 29º Bienal de SP. Foi da equipe de curadoria da 1º e Exposição Terra e resistência, no Museu de Cultura Popular de MT e curadora da exposição "Os donos do Rio", do fotógrafo Téo Miranda (2017); Participou da 2º Edição da Exposição Terra e Resistência, com a instalação Corpos Midiáticos - a violência contra a mulher no campo. Criou a videoinstalação 'Câmera de Segurança' para o Colóquio de Cinema e Arte da América Latina e tambpem ativada na Jornada da Reforma Agrária 2018. É doutora em educação, mestre em artes, comunicóloga.

GRUPO CACHUERA
Dedicam-se à valorização, manutenção e divulgação da cultura brasileira e da oralidade como forma de resistência ao abafamento e silenciamento das vozes das tradições populares pelo modo de vida capitalista. Inspirado no repertório e fundamentos compartilhados com as comunidades de tambor da região sudeste (Jongos e Batuques de umbigada), o grupo propõem a experimentação das manifestações buscando construir para si um espaço artístico singular, com um repertório próprio de composições e arranjos musicais dentro dos gêneros tradicionais. O trabalho tem como princípio sensibilizar e despertar novos contornos e vivências para pensarmos as relações afetivas e práticas coletivas da vida contemporânea. O encontro tem roteiro firmado nos elementos da fogueira, do tambor e da prática coletiva de cantar, tocar, dançar e compartilhar histórias.

Próximo ciclo: 13.07
Programação de cada ciclo será divulgada na semana anterior.

Ernesto Neto - Sopro, Pinacoteca de São Paulo - 31/03/2019 a 15/07/2019

Posted by Patricia Canetti at 12:16 PM

junho 25, 2019

Djanira na Roberto Marinho, Rio de Janeiro

Sucesso de público em SP, exposição monográfica em torno da obra de uma das mais importantes artistas brasileiras chega à Casa Roberto Marinho em junho

A Casa Roberto Marinho abrirá, em 27 de junho de 2019, a exposição Djanira: a memória de seu povo, que reafirma o compromisso do instituto cultural no Cosme Velho com a arte moderna. Em parceria com o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), a mostra reposiciona a obra de uma figura central em nossa cena artística do século 20. A curadoria é de Rodrigo Moura, curador adjunto de arte brasileira, e Isabella Rjeille, curadora assistente, ambos do MASP. Organizada cronologicamente e em torno de eixos temáticos que surgiram ao longo dos seus anos de viagens e pesquisas, a exposição abrange quatro décadas da produção de Djanira da Motta e Silva (1914-1979).

O recorte curatorial enfoca a busca da artista por uma pintura nativista e os temas da cultura popular, aos quais se dedicou ao longo de toda a carreira, e onde reside sua contribuição mais original para o modernismo brasileiro. Desde sua morte, há 40 anos, esta é a primeira exposição monográfica dedicada a ela.

“A complexidade da obra de Djanira e a singularidade de sua recepção no marco do modernismo brasileiro ainda residem em seu caráter autodidata. Sua pintura se filia a uma linhagem artística que busca nas manifestações da cultura popular não simplesmente um tema, mas uma maneira de produzir arte com ideais de autenticidade”, afirma o curador Rodrigo Moura.

Nascida em Avaré (SP), de origem modesta, Djanira trabalhou desde cedo na lavoura de café. De ascendência austríaca por parte de mãe e indígena por parte de pai, foi abandonada ainda menina por sua família de origem e adotada por um casal de Santa Catarina, que nunca a reconheceu afetivamente. A artista começou a fazer seus primeiros desenhos ainda em São Paulo.

Nos anos 1940, mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a pintar a partir da convivência com um grupo de modernistas, que incluía Jose Pancetti (1902-1958) e Milton Dacosta (1915-1988), quando o diálogo com as vanguardas europeias já não era tão importante. Foi nessa época que teve aulas com Emeric Marcier (1916-1990), a quem alugou um quarto na pequena pensão que manteve em Santa Teresa, a Pensão Mauá, onde também ganhava a vida como costureira.

A identidade étnica mestiça e o autodidatismo artístico chamaram a atenção da crítica que, equivocadamente, a classificou como primitiva e ingênua. O interesse surgiu desde a primeira apresentação pública, no 48º Salão Nacional de Belas Artes, em 1942. Djanira retratou suas vivências e seu entorno social, pintando amigos, vizinhos, operários e trabalhadores rurais, paisagens do interior do país e manifestações sociais, culturais e espirituais, com destaque para os ritos afro-brasileiros.

“Sou autodidata, minhas telas são desenvolvimento de meu próprio caminho, meu ponto de partida fui eu mesma. Considero de importância os cuidados formalistas na obra de arte. É necessário realizar plasticamente o assunto com o máximo de critério de desenho, composição e cores.” (Texto da artista, sem data, que integra o arquivo do Museu Nacional de Belas Artes do RJ, reproduzido no catálogo da exposição).

A trajetória itinerante de Djanira, que chegou a viver em Salvador e Nova York (1945), é determinante na formação da artista e inseparável do seu método de trabalho. Apesar da pouca visibilidade após sua morte, em 1979, a paulista teve ao longo dos 35 anos de carreira inúmeras exposições individuais. E participou de uma série de coletivas no Brasil e em países da América Latina, Europa e Estados Unidos, onde expos quadros como Lapa (1944) e O Circo (1944). De acordo com o crítico Frederico de Morais, “a novidade da pintura de Djanira foi justamente fundir tema e forma, sendo ao mesmo tempo brasileira pela temática e universal pela forma”.

Em 1976, o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro realizou uma grande exposição em torno da obra da artista, considerada hoje um dos pilares do modernismo brasileiro tardio. E é no acervo deste museu que se encontra boa parte do trabalho dela, doado por seu viúvo José Shaw da Motta e Silva.

“A trajetória de Djanira começou mais tarde, com muita determinação e esforço. Nenhum artista brasileiro retratou com tamanha atenção a luta pelo sustento das camadas mais desfavorecidas, através do trabalho cotidiano. A origem humilde deu-lhe sensibilidade aguda para captar essas epopeias anônimas. A economia de sua linguagem, o uso de poucos planos concisos e as cores vibrantes cuidadosamente escolhidas apontam para uma sofisticação esperada numa artista de seu tempo. Não à toa, alguns neoconcretos chegaram a buscar uma aproximação com a sua obra”, observa Lauro Cavalcanti, diretor da Casa Roberto Marinho.

A organização geométrica das figuras, o arranjo dos quadros como colagens, por zonas de cor, e o preenchimento de todo espaço com algum elemento são aspectos ressaltados em pinturas como Parque de Diversões (1944) e Vendedora de Flores (1947), que integram Djanira: a memória de seu povo, uma oportunidade de relacionar a obra da artista ao melhor da arte moderna brasileira. Da coleção Roberto Marinho, serão exibidas as telas Casa de Farinha (1956), Mercado da Bahia (1959) e Serradores (1959), que abordam a recorrente do temática do trabalho.

“A geometria em Djanira nunca foi forma pura e livre de relações figurativas, sempre esteve associada a algum aspecto da vida humana, ou a algum elemento da classe trabalhadora que a cercava”, pontua a curadora assistente Isabella Rjeille.

Por fim, Lauro Cavalcanti ressalta que a pintura moderna brasileira é um território pouco explorado pelas novas gerações: “Djanira possui um valor quase oculto nas últimas décadas. Um dos encantos de uma exposição é tornar presente, sem intermediações, obras criadas há longos anos. Íntegras e atemporais, as telas chegam novas aos olhos de hoje”, conclui.

Posted by Patricia Canetti at 8:44 PM

arte_passagem: Flora Leite na Galeria das Artes, São Paulo

Mortinha é um trabalho elaborado especificamente para o projeto arte_passagem, que consiste na ocupação artística de uma vitrine na Galeria das Artes no centro de São Paulo. Na obra de Flora Leite, a vitrine é coberta quase completamente, restando-lhe apenas uma pequena abertura redonda que possibilita observar seu interior. No escuro, uma sereia é vista nadando em um copo de água.

Ali o objeto eleito nada num loop permanente, na água artificialmente colorida de azul, dentro de um copo de vidro. Não há nada específico em suas ações: com movimentos rápidos ou lentos, embora sempre silenciosos, em mares ou piscinas, a sereia atravessa corais e navios afundados, dos anos 1948 a 2019.

A pesquisa da artista frequentemente se utiliza da cultura de gosto médio, tentando entender a constituição de seus parâmetros. A sereia, um mito convertido ao longo dos milênios de monstro à fantasia - ora infantil, ora sexual - e até em profissão, habita um lugar genérico nas narrativas ficcionais da cultura popular. A operação do trabalho sugere, em tom tanto cômico quanto melancólico, que a sereia possa existir em escala doméstica – dentro de um copo de água.

Mortinha, com franqueza acerca de sua técnica (projeção e filme de montagem), parece provocar uma observação contemplativa, não sem deixar de pleitear algum maravilhamento, semelhante aos aquários, e até – porque não – cortinas d'água e luminosos de vitrines comerciais. O olhar detido é central para o trabalho. Por isso, na vitrine da Galeria das Artes, a artista lança mão de um peephole, colocando o espectador na posição de voyeur nessa passagem comercial. Nada mais adequado para observar uma criatura como a sereia, tão sedutora quanto inexistente, em pleno centro de São Paulo.

Flora Leite (1988) vive e trabalha em São Paulo. E ́ formada em Artes Visuais pela ECA-USP. Sua pesquisa tenta compreender os parâmetros pelos quais nossa relação cotidiana com os objetos foi construída: acatar a sujeira das coisas para testar ate ́ que ponto se pode conviver com elas, dizer alguma coisa delas, apesar delas. A artista já participou de exposições coletivas, individuais e outros projetos especiais em instituições como: Centro Cultural São Paulo, Instituto de Arte Contemporânea, Instituto Tomie Ohtake, Oficina Cultural Oswald de Andrade, Museu de História Natural de Lisboa, e Paço das Artes. Tem trabalhos nas coleções públicas do Centro Cultural São Paulo e do MARP. Já participou de programas de formação como PIESP, e foi residente no Ateliê Fonte, na RedBull Station, na Residência São João, e na Casa Tomada. Atualmente, faz mestrado em Poéticas Visuais (ECA-USP), onde pesquisa a relação entre site-specific, mimese e gosto na sua produção.

arte_passagem é a ocupação artística de uma vitrine na Galeria das Artes do centro de São Paulo, onde, periodicamente, um artista é convidado a intervir através de propostas que dialoguem com o entorno do centro da cidade, suas lojas e seus transeuntes. O projeto que teve inicio em junho de 2018, busca criar uma programação que expanda as maneiras tradicionais de se pensar arte na contemporaneidade, e propõe um desafio específico para os artistas ou grupo de artistas. Portanto, pensar sobre as condições da vitrine enquanto dispositivo de exibição, de qualquer tipo de produto, é uma das reflexões que os artistas inevitavelmente atravessam.

Posted by Patricia Canetti at 7:40 PM

Memorial do Desenho no MAC USP, São Paulo

O Museu de Arte Contemporânea da USP apresenta a exposição Memorial do Desenho, reunindo 51 trabalhos abrangendo desde desenhos modernistas até obras atuais recentemente adquiridas. São trabalhos de artistas como Geraldo de Barros, Tarsila do Amaral, Flávio de carvalho, Di cavalcanti, Anita Malfatti, Ismael Nery, Junior Suci, Zed Nesti, Mira Schendell, Portinari, Gustavo von Ha e tantos outros. Ao lado do acervo do Museu, cinco artistas mostram seus trabalhos “explorando a atualização do olhar e do fazer contemporâneo” explica a curadora Carmen Aranha. São eles o escocês Donald Urquhardt, o inglês John Parker e os brasileiros Vitor Mizael, Rosana Paulino e Rodrigo Munhoz.

A exposição apresenta diversos recursos da linguagem do desenho e seus suportes. Algumas obras propõem inovações técnicas e incorporam materiais improváveis e instigantes, como objetos inusitados (malas, madeira, lona e acrílico, entre outros). A ideia é explorar as potencialidades, percursos e memórias que emergem do desenho. Para a curadora, “a exposição revela um lugar de memórias onde o desenho preserva traços de visualidades do século XX e, simultaneamente, os impele à atualidade”. Tais memórias procuram, nas imagens delineadas, passagens do desenho moderno ao contemporâneo.

Memorial do Desenho também presta reverências à linguagem artística que foi precursora das demais. “O desenho é visto, primeiramente, como uma visualidade do pensamento e, como afirma Beuys, constitui-se a partir do ponto no qual tensões invisíveis tornam-se visíveis”, lembra a curadora. “Pontos, linhas, formas, vestígios e enigmas visuais modernos e contemporâneos são levados em conta a partir das técnicas, dos suportes, dos materiais, das correlações de elementos formais e de sua poética. Desenhos evidenciam historicidades e introduzem novos olhares. Seus interstícios situam transformações dessa linguagem estruturante“, completa.

A exposição permanece no MAC USP até 28 de junho de 2020 e pode ser visitada, gratuitamente, de terça a domingo das 10 às 21 horas. Escolas, faculdades ou demais grupos interessados podem agendar visita educativa, também gratuita, pelo telefone 11-2648-0258.

Posted by Patricia Canetti at 6:52 PM

junho 22, 2019

Rodrigo Arruda no Palácio das Artes, Belo Horizonte

O estudo da arquitetura aliado à visão questionadora e provocativa da arte contemporânea norteiam a exposição Ecos, do paulista Rodrigo Arruda. Nessa segunda passagem do artista por Belo Horizonte, a Galeria Genesco Murta é, também, um importante elemento de ligação na proposta artística. Oito trabalhos em dimensões variadas ocupam o espaço expositivo de maneira articulada, para questionar a permanência ou a ausência do público dentro da galeria.

Ecos é fruto dos anos de estudo de Rodrigo ainda na graduação. As vertentes contemporâneas sempre direcionaram a linha criativa do artista, que, para essa exposição no Palácio das Artes, propõe questões filosóficas e simbólicas. “Vejo muitas exposições que já vêm mastigadas para o visitante, como se certo atrito entre o trabalho e o público tivesse que ser evitado. Essa exposição vai na contramão disso”, comenta.

Nessa proposta artística, Rodrigo trabalha questões de ausência e preenchimento de um espaço artístico. Aproveitando todas as dimensões da Genesco Murta, o artista reúne obras singulares, como um prego de vidro, fios de tela, cubo de acrílico, chapa de vidro, papel furado e fios de argila. O distanciamento dessas obras dentro da galeria cria uma zona de tensão que intensifica a sensação de vazio no ambiente.

A expografia também cumpre papel importante, já que os trabalhos mais discretos e imperceptíveis ocupam as maiores paredes. Obras com aproximações mais óbvias e dimensões maiores serão colocados em paredes diferentes, para acentuar as relações mais sutis entre cada peça, e também para criar uma narrativa que amarre os trabalhos como um todo, e não apenas crie pares isolados dentro do conjunto.

E é por meio de uma galeria ocupada com obras que dialogam com o vazio que o artista pretende provocar o público. Para Rodrigo, uma galeria não deve apenas ser um local de passagem para o visitante, mas um ambiente que desperte alguma sensação, seja negativa ou positiva.

“Se a pessoa não estiver interessada é como se o trabalho não tivesse forma, como se de fato não estivesse ali. É através do interesse que o visitante vai poder adentrar o trabalho e questioná-lo, elaborar um sentido próprio a ele que não necessariamente vai coincidir com o que eu pensei em primeiro lugar”, finaliza Rodrigo.

Rodrigo Arruda é artista paulistano formado em artes visuais na USP. Possui trabalhos no acervo do Museu de Arte do Rio, Museu de Arte de Ribeirão Preto, Prefeitura de Santo André e na coleção KERN (Berlim). Realizou exposições no Brasil, nos Estados Unidos e na Alemanha, em instituições como: Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, Centro Cultural São Paulo, Museu do Estado do Pará, Oficina Cultural Oswald de Andrade, Museu de Arte de Ribeirão Preto, SESC Ribeirão Preto, Ateliê 397, Galeria Sancovsky, Prefeitura de Santo André, entre outros. Em 2015 foi pesquisador visitante da Ohio State University (EUA) e em 2018 recebeu o prêmio aquisição do Salão de Arte de Santo André.

Posted by Patricia Canetti at 1:32 PM

Renata Cruz no Palácio das Artes, Belo Horizonte

O simples ato de observar o cotidiano e transformá-lo em arte norteia o trabalho da paulista Renata Cruz. Em sua mais recente exposição, Para sempre e um dia, a artista vai transformar a Galeria Arlinda Corrêa Lima em uma casa japonesa de papel, recoberta por azulejos portugueses. As imagens são em sua maioria desenhos realizados em residências artísticas no Japão e em Portugal entre 2015 e 2016. Mas há também trabalhos posteriores com elementos do seu ateliê em São Paulo e das viagens à Floresta Amazônica.

Nessa imersão por diferentes culturas, Renata Cruz traz reproduções de uma beleza efêmera, carregada de sentidos e afetos, que, pelos desenhos da artista, permanecem, mesmo que tenham durado pequenos instantes. Fazendo sua estreia em Belo Horizonte, ela propõe um encontro do público com o registro do cotidiano por meio de uma das mais tradicionais técnicas artísticas: a aquarela.

Cerca de 600 desenhos de mesmo tamanho serão afixados nas paredes da galeria, em um site-specific, relacionando a arquitetura do espaço à afetividade proposta por Renata ao mesclar suas experiências tanto no Japão quanto em Portugal. “A aquarela é meu material do cotidiano. Existe para mim uma facilidade nele, que é me permitir trabalhar com desenho e cores em qualquer lugar levando na bolsa apenas um pequeno estojo de aquarela e alguns pincéis”, comenta Renata sobre sua relação com o material da exposição.

A inspiração para um registro catalogado de objetos do cotidiano começou durante a residência que Renata fez no Aomori Contemporary Art Centre, em Aomori em 2016, no Japão. O encontro com a outra cultura resultou em uma série de registros de objetos rotineiros, como vasilhas, copos, jarros, cacos, folhas, flores, frutas, cadernos, cogumelos, canetas, sementes, embalagens e o tradicional artesanato têxtil local, feito principalmente na cor azul. Eles começaram a criar relações com a experiência em Lisboa, no Carpe Diem Arte e Pesquisa, antiga casa do Marquês de Pombal, onde instalou desenhos em uma sala revestida de azulejos, cujo predomínio da cor azul, foi decisivo para a realização do trabalho. É essa junção de culturas e observações que compõe o trabalho exposto na galeria Arlinda Corrêa Lima.

Ao assinalar e organizar as pequenas coisas que formam a vida e que passam despercebidas na maior parte do tempo, Renata cria uma narrativa contra a finitude e, também, um convite à atenção prolongada. Os textos presentes nos trabalhos, que estão em português, inglês, japonês e castelhano, pertencem a escritores como Virgínia Woolf, Clarice Lispector, Enrique Vila Matas, Osamu Dazai, Borges e outros.

Assim como em outros locais por onde a exposição já passou, como Madrid, na Espanha, e Ribeirão Preto, em São Paulo, haverá a criação de uma aquarela inédita para Belo Horizonte. A obra será produzida ao longo do período de montagem da mostra, enquanto Renata observa a rotina e a dinâmica do Palácio das Artes.

“Espero que o público possa caminhar pela galeria e observar esses detalhes que me inspiram. Não há um roteiro certo para ver a exposição, só mesmo um convite para que o visitante crie a narrativa que melhor fizer sentido para ele. A ideia de imaginar as pessoas andando pela galeria Arlinda Corrêa Lima e conectando imagens já me inspira num desdobramento desse trabalho”.

Posted by Patricia Canetti at 1:29 PM

Lorena D’arc no Palácio das Artes, Belo Horizonte

Professora de cerâmica da Escola Guignard-UEMG, Lorena D’Arc Oliveira, tem na pesquisa artística o ponto de partida para essa exposição. Retornando ao Palácio das Artes após 20 anos desde sua última exposição individual na instituição, a artista conta para o público uma história de inspiração que começou ainda em 2009, quando teve um sonho em que derramava leite sobre a terra. A partir daí a linha de estudos se voltou para dois elementos carregados de simbolismos e significâncias: o leite e a terra. Da fertilidade ao feminino, cada obra contida na exposição permite diferentes possibilidades interpretativas.

Em Leite Derramado, Lorena apresenta cerca de 19 trabalhos criados para abordar a materialidade do leite e do barro. Obras em diferentes suportes artísticos, como cerâmicas, desenhos, fotografias e instalações, estarão reunidas na Galeria Mari’Stella Tristão, em diferentes séries: Caminhos do Leite, 19, Derrame, Ocas e lácteas, Audumla, Leite para Gaia, Do lácteo à lama, Ártemis, Mamíferas, Manga com Leite, Árvore Láctea e Liames. Em todas as obras, há um intenso diálogo entre a poética da artista, ao escolher esses dois elementos como materiais de pesquisa, e todos os desdobramentos que acarretam no uso dessas matérias na produção dos trabalhos.

“O leite e o barro estão diretamente ligados à nutrição, à fartura, ao conhecimento, como também aos princípios da vida e da morte. Ao compreender a materialidade do leite e do barro, exploro suas características ambíguas, por considerá-los ao mesmo tempo matéria-prima e de natureza simbólica. Deste entendimento que norteia a minha poética nos últimos dez anos, exploro as características específicas, comportamentos e reações do leite e do barro em seus estados crus e cozidos, desenvolvendo trabalhos plásticos que transitam entre diversas mídias como o desenho, a fotografia, objetos cerâmicos e pequenas instalações”, comenta a artista.

Nessa mostra, o público irá se deparar com diferentes possibilidades criativas a partir da união desses dois elementos. Na série Caminhos do Leite, por exemplo, Lorena apresenta um estudo com leite de vaca puro sobre papel em que o calor do ferro é empregado para dar visibilidade a seu desenho de formas arredondadas que aludem a seios, caminhos, cachos ou pencas volumosas, propulsoras de fartura e abundância, como é a essência láctea.

Saindo dos mitos e ancestralidades, a artista reúne duas séries com significados baseados na cultura popular. Manga com Leite é uma instalação de parede e chão que trata da crença criada no período colonial brasileiro, em que os donos de engenho diziam que comer manga com leite fazia mal, com o intuito de que os escravos não consumissem leite. Na parede da galeria, estarão expostas peças de cerâmica de tamanhos variados, remetendo às palmas barrocas. À frente da composição da parede, estará uma mesa composta de um forro de veludo vermelho em contraste a uma leiteira de ferro que emite sons de gotejamento, além de algumas mangas em cerâmica. Neste trabalho, entre o contraste de materiais luxuosos e precários, a artista recorre ao passado, para reafirmar que ainda são notórias as diferenças sociais. Com esta visão, a proposta da artista é de aumentar a quantidade das mangas no decorrer da exposição, em alusão à crescente desigualdade social no Brasil e no planeta.

Outro acontecimento marcante na história do povo mineiro, também passa pelo trabalho de Lorena D’Arc. Na série 19, 19 objetos de porcelana relembram as 19 vítimas fatais do desastre ocorrido em 5 de novembro de 2015 na cidade de Mariana. Sobre as tigelas de porcelana branca, manchas e máculas da lama refinada da mineradora é utilizada como pigmento.

Para ela, o retorno ao Palácio das Artes é um momento gratificante em sua carreira. “Acho o Edital de Ocupação uma iniciativa importante para a divulgação da produção artística atual. Eu, por exemplo, estou de volta ao Palácio das Artes 20 anos depois da minha exposição em 1999 na Arlinda Corrêa. Expor junto a outros artistas simultaneamente e conhece-los, é uma condição interessante de criarmos novas ligações. Outra questão importante é apresentar ao público nesta exposição, o resultado de meu doutorado em Artes concluído recentemente pelo Instituto de Artes da UNESP”, finaliza.

Lorena D’Arc é mineira, artista multimídia, graduada em Artes Plásticas pela Escola Guignard-UEMG, mestra em Artes pela ECA-USP e doutora em Artes Visuais pelo IA-UNESP. Participou de diversas exposições coletivas nacionais e internacionais. Prêmio na 2nd Shanghai International Modern Pot Art Biennial Exibition, Shanghai, China (2010), Menção Honrosa no 2º Salão Nacional de Cerâmica de Curitiba/PR em 2008. Curadora convidada para o 5º Salão Nacional de Cerâmica no MAC Curitiba/PR em 2016. Seu trabalho relaciona-se a elementos naturais, à natureza, ao cotidiano doméstico, que de algum modo registram a passagem do tempo, assim como, aos princípios de vida e morte. Ao explorar características, comportamentos e reações de materiais em seus estados crus e processados, prioriza matérias que possuem a ambiguidade de serem ao mesmo tempo matéria-prima e símbolo. Sua produção suscita relações entre arquétipos ancestrais e contemporâneos.

Posted by Patricia Canetti at 1:19 PM

junho 21, 2019

Manoel Veiga na Cândido Mendes de Ipanema, Rio de Janeiro

O artista Manoel Veiga revisita as pinturas do mestre barroco Caravaggio e apresenta uma série de obras fotográficas impressas em tela na galeria do Centro Cultural Cândido Mendes de Ipanema

Manoel Veiga, artista recifense radicado em São Paulo, inaugura sua exposição individual Matéria Escura no dia 25 de junho, às 19 horas, na galeria Maria de Lourdes Mendes de Almeida em parceria com a galeria Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea.

Com curadoria de Agnaldo Farias, crítico de arte e professor da FAU USP, a exposição reúne um conjunto de 9 imagens que tem como ponto de partida as pinturas de Caravaggio (1571-1610), que sempre foi grande referência para o artista.

A exposição é composta de fotografias impressas em tela dessa série mais recente de Manoel Veiga, que revisita as pinturas do mestre italiano eliminando as cores e apagando tudo menos os tecidos, como roupas e cortinas, com os quais Caravaggio construía suas cenas. O trabalho começou há nove anos pela obsessão de Veiga por essas obras-primas e que de várias maneiras se conecta com sua produção recente.

O título Matéria Escura refere-se a um novo tipo de matéria que não interage com a luz e que representa cerca de 84% do universo. Sua discretíssima presença é inferida pelo efeito gravitacional causado por essa matéria invisível sobre a matéria percebida pelos vários equipamentos de captação, radiotelescópios, etc. “Transpondo esse raciocínio para as imagens que compõem a série em questão, o análogo da matéria escura seriam os corpos, arquiteturas, etc, que são inferidos parcialmente pela curvatura dos tecidos”, explica Veiga.

Ao final da exposição será lançado um livro sobre esta série, editado pela Barléu, com textos de Agnaldo Farias, Bianca Dias, David Barro e Galciane Neves.

A mostra fica em cartaz até o dia 3 de agosto. A visitação pode ser feita de 3ª a 6ª feira, das 14 às 20h e sábado, das 16 às 20h. Entrada franca.

Manoel Veiga - Forma-se em Engenharia Eletrônica pela UFPE (1989), tendo sido bolsista do Depto. de Física por 3 anos. Trabalha em fábrica até dedicar-se às Artes Visuais (1994). Frequenta a Escolinha de Arte do Recife (1994-95) e trabalha sob a orientação de Gil Vicente (1995-97). Estuda na Escola Nacional Superior de Belas-Artes e na Escola do Louvre em Paris, França (1997). Participa de workshop em Nova York (1998). Em São Paulo, estuda História da Arte com Rodrigo Naves (1999), Leon Kossovitch (2000/01) e desenvolve estudos teóricos com Carlos Fajardo (1999-2002) e com Nuno Ramos (2000). Tem participado de exposições no Brasil e exterior, com obras em acervos de vários museus brasileiros.

Posted by Patricia Canetti at 6:35 PM

Comodato Landmann - Têxteis pré-colombianos no MASP, São Paulo

Mostra expõe, em tecidos, mais de 2.000 anos da América antes de Colombo - Trabalhados por mulheres andinas, têxteis do Comodato MASP Landmann expressam concepções elaboradas sobre o tempo e o espaço, a criação do mundo, o cosmo e a morte

Registros de algumas das complexas culturas que floresceram na América do Sul antes da invasão dos europeus, tecidos do Comodato MASP Landmann ganham exposição de 14 de junho e 28 de julho, no segundo subsolo do museu. Comodato MASP Landmann - Têxteis pré-colombianos, mostra organizada pela arqueóloga e historiadora Marcia Arcuri, curadora-adjunta de arte pré-colombiana do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), reúne mais de uma centena de tecidos produzidos nos atuais Peru e Bolívia entre 800 a.C. e 1.532 d.C. A exposição abre ao público junto com a estreia, na Sala de Vídeo do museu, de La libertad [A liberdade, 29 min.], curta-metragem da franco-colombiana Laura Huertas Millán que focaliza a sobrevivência da milenar tradição andina da tecelagem e suas relações com a liberdade.

Recuperados em sua maioria das elaboradas sepulturas das elites governantes, em sítios arqueológicos das regiões mais áridas da costa pacífica dos Andes, os têxteis da mostra são atribuídos às culturas Chavin, Siguas, Paracas, Nasca, Moche, Huari, Lambayeque, Chimu, Chancay, Inca e Ica. Somados, formam um vasto conjunto de evidências da diversidade conceitual e tecnológica experimentada pelos povos pré-hispânicos.

“Por seu papel central nos Andes pré-colombianos, essa produção constitui uma fonte preciosa para acessar traços dos costumes cotidianos, da cultura e da organização sociopolítica das populações pré-colombianas”, diz a curadora Marcia Arcuri. Entre as temáticas da arte ameríndia, encontram-se sofisticadas concepções sobre o tempo, o espaço, a matemática, a astronomia, o cosmos, as origens da vida, a criação humana e a morte. “São categorias e princípios milenares, que se mantiveram vivos por meio da produção têxtil, cerâmica e metalúrgica. O estudo dessas obras é um caminho importante para conhecermos melhor nossos antepassados ameríndios. ”

O cruzamento de pesquisas científicas com relatos das comunidades indígenas que hoje habitam as serras andinas indica que a tecelagem foi um trabalho realizado sobretudo pelas mulheres. Responsáveis pelo desenvolvimento e pela transmissão de códigos e tradições há quase três mil anos, as tecelãs dos Andes pré-hispânicos alcançavam elevado status social nas hierarquias de poder político e religioso por seus trabalhos de finalidade ritual ou cotidiana. Por isso, segundo Arcuri, os tecidos são hoje os testemunhos ainda vivos de interessante história de gênero -- além de conhecimento e técnica.

“Em um cenário nacional agravado pelo fatídico incêndio que destruiu integralmente a coleção pré-colombiana do Museu Nacional da UFRJ, os tecidos do comodato MASP Landmann vêm a público na esteira das ações de fortalecimento da ciência e da memória, tantas vezes silenciada, dos povos originários da América do Sul”, afirma a curadora. “Difundir o conhecimento materializado nesses objetos é uma forma de apoiar as populações indígenas que seguem lutando pelo direito de manter viva sua maneira de convívio com o ambiente e a sociedade moderna.”

Catálogo

Organizado por Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, e Marcia Arcuri, curadora da exposição, o catálogo Comodato MASP Landmann: vol. 1 têxteis pré-colombianos é o primeiro volume de publicações dedicadas ao comodato de dez anos entre o museu e a Coleção Landmann. A publicação, de 240 páginas, conta com a reprodução dos 177 têxteis que compõem o comodato e textos inéditos das especialistas Carmen Thays Delgado, Delia Aponte Miranda, Denise Y. Arnold e Arcuri.

O livro já pode ser adquirido no MASP Loja, ponto de vendas do museu com entrada
gratuita, independente das exposições, e em breve estará disponível nas livrarias parceiras. O livro tem preço de capa de R$ 139, mas, na promoção atual do MASP Loja, sai a R$ 109.

Comodato MASP Landmann

Assinado em 2016, o Comodato MASP Landmann deixa aos cuidados do museu, por um período de dez anos, a Coleção Edith e Oscar Landmann, um dos importantes acervos de arte pré-colombiana na América Latina e um dos únicos presentes em um museu brasileiro.

Ao longo de quase 50 anos, Oscar e Edith Landmann reuniram cerca de 900 peças de arte pré-colombiana, entre têxteis, cerâmicas e metais. São obras produzidas por diferentes povos de territórios que hoje constituem a América do Sul, como Peru, Colômbia e Brasil (Marajó, PA), e que cobrem um arco temporal de mais de 2.500 anos – de 1200 a.C. à invasão europeia, no século 16.

Oscar Landmann, empresário que foi cônsul-geral honorário da Colômbia e presidente da Bienal de São Paulo, iniciou a coleção no final da década 1930, nas inúmeras viagens que realizou pela América do Sul. Na época, os chamados “caçadores de tumbas” – huaqueros – saqueavam sítios arqueológicos em busca de ouro e prata, descartando cerâmicas e tecidos, que Landmann passou a adquirir. Entre os anos 1940 e 1960, estendeu sua rede de contatos e ampliou a coleção às centenas de objetos, todos catalogados e arquivados por Edith Landmann, nas residências onde moraram, em São Paulo.

Histórias das mulheres, histórias feministas

Com obras criadas por mulheres, Comodato MASP Landmann - Têxteis pré-colombianos integra um ano de exposições, simpósios, palestras, workshops, filmes e publicações em torno do tema “Histórias das mulheres, histórias feministas”. O ciclo temático de 2019 agrega diversas mostras monográficas, com nomes da arte contemporânea internacional, caso de Gego e Leonor Antunes, ao lado de artistas brasileiras dos séculos 20 e 21, como Lina Bo Bardi, Djanira da Motta e Silva e Anna Bella Geiger, além de duas mostras coletivas, Histórias das mulheres, artistas antes de 1900 e Histórias feministas, artistas depois de 2000.

Comodato MASP Landmann - Têxteis pré-colombianos
De 14 de junho a 28 de julho de 2019
Masp 2º subsolo
Avenida Paulista 1578, São Paulo, SP
11-3149-5959
Quarta a domingo, das 10h às 18h (bilheteria aberta até as 17h30); terça-feira, das 10h às 20h (bilheteria até 19h30)
Ingressos: R$ 40 (entrada); R$ 20 (meia-entrada)

Posted by Patricia Canetti at 6:35 PM

junho 19, 2019

Coletiva #tbt na Carpintaria, Rio de Janeiro

Na linguagem do Instagram, a hashtag #tbt — sigla para "throwback thursday” ou em tradução livre “lembrança de quinta-feira” — é utilizada para legendar imagens que datem de algum momento do passado, seja ele longínquo ou recente. A exposição toma este deslocamento temporal como mote para reunir obras realizadas entre a década de 80 e o início dos anos 2000, investigando as diferentes poéticas e temáticas presentes no limiar da produção dos artistas que integram o conjunto.

Como o feed da rede social, a mostra renova-se a cada quinta-feira com a saída e a entrada de novos trabalhos, armazenados em crates aparentes na sala da frente do espaço expositivo da Carpintaria. Este impulso de lançar um olhar retroativo ao presente evoca o famoso quote do teórico canadense Marshall McLuhan: “olhamos o presente através de um espelho retrovisor, marchamos de costas em direção ao futuro”.

ATENÇÃO Foi cancelada a conversa, que aconteceria na terça-feira, 6 de agosto, com Janaina Tschäpe e Victor Gorgulho, em torno da série 100 little dreams.

Participam da coletiva #tbt: Adriana Varejão, Barrão, Beatriz Milhazes, Carlos Bevilacqua, Erika Verzutti, Ernesto Neto, Iran do Espírito Santo, Jac Leirner, Janaina Tschäpe, Leda Catunda, Lucia Laguna, Luiz Zerbini, Mauro Restiffe, Nuno Ramos, Rodrigo Matheus, Valeska Soares.

Posted by Patricia Canetti at 6:23 PM

Luiz Paulo Baravelli + Renato Rios na Marcelo Guarnieri, São Paulo

A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta, de 8 de junho a 3 de agosto de 2019, a terceira exposição individual de Luiz Paulo Baravelli em sua sede de São Paulo. A mostra reúne pinturas e objetos produzidos desde a década de 1960 até 2017. Algumas dessas obras foram executadas nos anos de 2016 e 2017 partindo de projetos que o artista havia desenhado na década de 1970. Formado arquiteto e consagrado como pintor, Baravelli sempre explorou o espaço tridimensional, não só no campo físico, mas também no campo virtual de suas pinturas e desenhos. Nos objetos que compõem a mostra, trabalhou com mármore, madeira e materiais industriais diversos como alumínio, concreto, espuma de poliuretano e chapa galvanizada. Além das obras, também poderão ser vistos alguns projetos. Por ocasião da exposição, foi editado em formato de catálogo, o fac-símile de um dos seus cadernos dos anos 70 contendo comentários sobre alguns trabalhos tridimensionais executados ou somente projetados até então.

Trabalhando a partir da cronologia circular e tentando abdicar da linear, Baravelli retorna, com alguma frequência, aos seus cadernos de referências e a trabalhos antigos, a fim de reutilizá-los em novas obras, refazê-los ou alterá-los em outros suportes. "Comparei depois o artista a um fazendeiro, que cuida de muitas coisas diferentes dentro de uma área e volta periodicamente a elas", declarou em uma entrevista. É o caso das obras apresentadas na mostra que dividem o título 'Paisagem Brasileira', projetadas entre os anos de 1970 e 1972 e executadas somente entre 2016 e 2017. Três delas, feitas em madeira de garapeira e latão pintado, compartilham de uma mesma estrutura compositiva, as outras, embora também tratem da relação entre horizontalidade e verticalidade, comum ao tema da paisagem, são bastante diferentes entre si, provando mais uma vez a flexibilidade do raciocínio plástico de Baravelli.

O artista utiliza-se de uma grande variedade de materiais e técnicas, experimentando-os, desde o início de sua carreira, em combinações diversas. Parece natural que o encontro entre uma pedra, uma dobradiça de metal e um pedaço de acrílico tenha sido causado pelo mesmo artista que elegeu algumas produções do Renascimento Italiano e certos elementos da cultura pop como referências igualmente importantes dentro do seu trabalho. Considera-se um pintor, e embora entenda a pintura como ilusão e sua prática exigente de um dedicado trabalho artesanal, não se imobiliza diante das velhas dicotomias figurativo vs. abstrato ou virtuoso vs. conceitual. Sua ideia daquilo que é ilusório parece ter menos a ver com um truque de mágica indecifrável ou impressionante e mais com as estratégias bem humoradas dos desenhos animados, como a clássica do buraco que se forma pela pintura de um círculo preto. Trata-se da pintura como imagem, mas também do seu caráter objetual, quando, por exemplo, o círculo preto deixa de ser uma pintura presa ao chão e passa a ser um objeto movido pelo personagem para que seu inimigo seja sugado por ele. O que acontece dentro do quadro de Baravelli e aquilo que o define em seu formato tridimensional tem o mesmo grau de importância na construção da obra, da mesma maneira que um acabamento bem feito em relação à uma ideia.

É possível observar em sua prática um método arquitetônico de construção, não só pelo uso de uma linguagem gráfica própria da arquitetura – explorando as noções de perspectiva, planta, elevação e corte –, mas também pela maneira como combina elementos de origens diversas por camadas, como quem constrói uma casa: a estrutura de concreto, as paredes de tijolos, as janelas de madeira, etc. Às vezes podemos ter a sensação de que foram retiradas algumas camadas mais superficiais dessas composições – talvez os móveis e os moradores dessa casa –, restando apenas o cenário, como podemos observar nos trabalhos com fórmica "Smokestak nº2, executado em 2016 e Sem Título, projetado e executado no ano seguinte. A série "Acessórios para a Paisagem do Krazy Kat", 1976-77 tem uma aproximação mais direta com essa ideia, já que são peças produzidas para compor, de maneira fictícia, o vazio cenário da tira de jornal Krazy Kat, criada pelo americano George Herriman em 1913.

Baseando sua prática na intersecção entre a produção e o ensino de arte, Baravelli fundou em 1970 a Escola Brasil, junto a José Resende, Carlos Fajardo e Frederico Nasser. "Centro de experimentação artística dedicado a desenvolver a capacidade criativa do indivíduo", a Escola Brasil foi importante na formação de dezenas de artistas brasileiros. Participou também da fundação da Revista Malasartes entre 1975 e 1976 e da Revista Arte em São Paulo entre 1981 e 1983, junto a relevantes artistas e críticos da cena contemporânea.

Luiz Paulo Baravelli participou de inúmeras exposições individuais e coletivas desde o final dos anos 1960, destacando-se: Bienal de São Paulo, Brasil; Bienal de Veneza, Itália; Bienal de Havana, Cuba; Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil; MASP – Museu de Arte de São Paulo, Brasil; Pinacoteca do Estado, São Paulo, Brasil; Hara Museum of Contemporary Art, Tóquio, Japão; MAM - Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil; MAM - Museu de Arte Moderna de São Paulo, Brasil; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil; Itaú Cultural, São Paulo, Brasil; Museo de Arte Moderno de Buenos Aires, Argentina; MAC - Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Brasil; Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil; Paço Imperial, Rio de Janeiro, Brasil.

sala 2 | Renato Rios

A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta na sala 2 de seu espaço, de 8 de junho a 3 de agosto de 2019, a primeira exposição individual de Renato Rios, novo artista representado. A mostra reúne pinturas e estudos da série Interiores, iniciada em 2017 e retomada em 2019. Desde 2010, Rios vem explorando, por meio da pintura, as relações entre a imagem e as narrativas do inconsciente.

Na série "Interiores", o artista utiliza-se do procedimento da colagem e das ferramentas do desenho e da pintura para articular imagens de origens diversas em uma mesma composição, desenvolvendo uma espécie de escrita poética. A partir de um estudo sobre o retrato, Rios situa seus personagens em ambientes internos praticamente vazios, criando situações improváveis. Estes ambientes, no entanto, podem ser identificados a partir de suas portas e janelas, representadas por formas geométricas que podem revelar ambientes externos, outras paredes e até mesmo pinturas do próprio artista pertencentes a outras séries. Em "Homem sentado" (2019), é possível observar uma de suas pinturas da série "Arquétipos" ocupando a parede, ganhando ali uma escala maior dentro da cena do quadro e experimentando uma outra forma de existência. Essa estratégia, que também se repete em outras pinturas da série "Interiores", nos induz a visualizar o quadro em camadas e nos convida a entrar cada vez mais para dentro – ou para além – dele. Esse movimento dentro-fora que guia não só o observador na relação com as pinturas de Rios, mas também o próprio artista em sua prática e estudos sobre a forma, relaciona-se ao seu interesse pelo que há de mais interno em nós: o inconsciente.

A série "Arquétipos" de 2018, surge após as pinturas de 2017 da série "Interiores", a partir de uma vontade do artista de sintetizar as ideias de suas composições em símbolos. A noção de arquétipo, em latim Archetypum, original, modelo, e em grego Arkhétupos, modelo primitivo, acena para o campo daquilo que é mítico, ideal, fundante. Se em "Interiores" há uma alusão mais direta a um estado meditativo através da imagem de homens sentados ou de cadeiras vazias, em "Arquétipos" observa-se a redução das suas cenas às formas geométricas.

Ao articular elementos visuais e dispensar o uso de palavras, Rios busca estabelecer uma comunicação de sentido mais aberto, estimulando o espectador a organizar suas próprias relações entre os elementos. Essa ação é guiada pelas referências que o artista nos apresenta: fragmentos de pinturas metafísicas, representações de ambientes domésticos, formas geométricas que ora nos remetem a composições suprematistas, ora a símbolos e espaços sagrados. Renato Rios se aproxima da lógica das tradições oraculares, em que o sentido do jogo é dado pela combinação entre os elementos apresentados, para explorar as possibilidades das interpretações poéticas de seus jogos de pinturas.

No ano passado, Rios apresentou a individual “Arquétipos", no Espaço Breu, São Paulo, Brasil e integrou a exposição coletiva "OndeAndaOnda" que passou pelo Espaço Cultural Renato Russo, Brasília em 2018 e Museu Nacional Honestino Guimarães, Brasília em 2017 e 2015, com curadoria de Wagner Barja. Em 2016 foi um dos artistas selecionados para a residência artística da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e em 2011 ganhou o Prêmio de Arte Contemporânea Espaço Piloto (UnB).

Posted by Patricia Canetti at 4:17 PM

Cobogó lança livro de Carlos Bevilacqua no Rio de Janeiro e São Paulo

O artista Carlos Bevilacqua lança livro com obras que expressam a tensão do tempo

Publicado pela Editora Cobogó, primeiro livro de Bevilacqua será lançado dia 25/06 em São Paulo, durante abertura da exposição do artista, e dia 27/06 no Rio de Janeiro, na Carpintaria

O livro Carlos Bevilacqua traz uma seleção de suas obras criadas ao longo de 30 anos de trabalho. Com mais de cem imagens de esculturas, objetos e instalações do artista carioca, a publicação apresenta, ainda, trechos de cadernos com anotações e desenhos realizados como parte do processo de elaboração das obras. Publicado pela Editora Cobogó, o livro traz uma entrevista concedida por Bevilacqua ao curador e professor de filosofia Luiz Camillo Osorio, além de um texto crítico assinado por Paulo Sergio Duarte. “Este livro tem um princípio: levar ao leitor o conteúdo poético da obra, o Tempo”, escreve o artista em texto sobre seu trabalho no livro.

O rigor poético da obra de Bevilacqua é destacado pelo crítico Paulo Sergio Duarte, que o define como “um artista contemporâneo que pensa”, ao lado de outros de uma geração anterior a sua, como Antonio Dias, Antonio Manuel, Cildo Meireles, Iole de Freitas, Waltercio Caldas e Tunga. Duarte afirma que esses artistas estão entre os que contribuíram para a arte contemporânea ir “contra o comércio do desejo em nossa sociedade”, em referência à manifestação de Tunga feita em 1974.

Para o livro, Carlos Bevilacqua convidou amigos de diferentes áreas e gerações – artistas, cientistas, professores – para que expressassem em um pequeno texto algum fundamento relevante da produção ou contemplação da arte. Assim, os enunciados de Ernesto Neto, Fernanda Gomes e José Damasceno, dentre outros, mesclam-se às imagens das esculturas de Bevilacqua feitas em vidro, madeira, aço e outros materiais, alargando a percepção da obra. “Arte é experimentar a liberdade tanto para quem a faz como para quem a frui”, escreve o artista José Resende em seu enunciado.

Em entrevista ao curador Luiz Camillo Osorio, o artista conta que, ainda estudante de arquitetura, sua pulsão de arte surgiu da “vontade destrutiva do espaço construído”. Como exemplo, a obra Junta universal, feita em arame e barbante, em que Bevilacqua busca a explosão do quadrado. Em outro momento, ele passou a se expressar por esferas e toros para problematizar o tempo através do estado das coisas. Foi assim em Balão caótico, Marionetes, Marca-passo, Núcleos, todos utilizando esferas, de diferentes tipos de materiais.

Se as artes que lidam com uma ideia de tempo, como a música, o teatro e o cinema, têm um tempo intrínseco independentemente de sua recepção, na pintura, no desenho ou na escultura, o tempo pertence ao espectador, ressalta Duarte em seu texto, que determina o tempo dedicado a cada obra. “Minha investida é no presente, no agora, no mediador, na passagem, na combustão, na tensão entre passado e futuro, duas ideias escorando uma realidade infinita”, define Bevilacqua.

Lançamento SP
Dia 25/06/2019, às 19h
Lançamento do livro, performance do artista e abertura da exposição Reminiscências
Fortes D’ Aloia & Gabriel
Rua Fradique Coutinho, 1500, Vila Madalena, SP

Lançamento RJ
Dia 27/06/2019, às 19h
Lançamento do livro e performance do artista
Carpintaria
Rua Jardim Botânico, 971, Jardim Botânico, RJ

Ficha técnica

Título: Carlos Bevilacqua
Artista: Carlos Bevilacqua
Textos: Luiz Camillo Osorio e Paulo Sergio Duarte
Idioma: Bilíngue – Português / Inglês
Número de páginas: 224
Editora: Cobogó
ISBN: 978-85-5591-069-2
Encadernação: Capa dura
Formato: 24 x 28 cm
Peso: 1,3 kg
Profundidade: 2,5 cm
Ano de edição: 2018
Preço de capa: R$ 110,00

Sobre o artista

Carlos Bevilacqua nasceu em 1965, no Rio de Janeiro. Depois de estudar arquitetura, foi para Nova York, onde cursou a New York Studio School of Painting, Drawing and Sculpting, de 1991 a 1993. Participou de exposições coletivas no Brasil e no exterior, como Rio Hoje, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM Rio (1989); Home Alone, no East Village, em Nova York (1993); Escultura Carioca, no Paço Imperial, no Rio de Janeiro (1994); Passaporte Contemporâneo, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MAC USP (2003); Desejo da Forma, na Akademie der Künste, em Berlim (2010); e Lugares do Delírio, no Museu de Arte do Rio (2017). Entre as individuais mais recentes, estão Dois (2010); Oceano Branco (2013); e Let it Go (2015), na Galeria Fortes Vilaça (hoje, Fortes D’Aloia & Gabriel), em São Paulo. Ganhou prêmios, como o II Prêmio Itamaraty de Arte Contemporânea, em Brasília (2012). Suas obras integram coleções públicas como as da Funarte (Rio de Janeiro), de Inhotim (Minas Gerais), do MAM Rio (Rio de Janeiro) e do MAC USP (São Paulo). Atualmente, Bevilacqua vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Posted by Patricia Canetti at 10:54 AM

Carlos Bevilacqua na Fortes D'Aloia & Gabriel - Galeria, São Paulo

Em sua nova exposição na Fortes D’Aloia & Gabriel, Reminiscências, Carlos Bevilacqua apresenta uma instalação, esculturas e aquarelas que operam na tensão permanente entre instabilidade e equilíbrio, no intervalo semântico definido por ele como “instante poético”. Durante a abertura, no dia 25 de junho, a Editora Cobogó promove o lançamento do livro do artista carioca, monografia que percorre seus 30 anos de carreira através de reproduções de obras, estudos e anotações. A publicação conta com introdução do próprio artista, depoimentos de colegas, texto crítico de Paulo Sergio Duarte e entrevista concedida a Luiz Camillo Osorio.

Bevilacqua resume seu trabalho escultórico afirmando: “Eu não trabalho com formas. Trabalho com forças”. Ele emprega materiais como madeira e aço em suas configurações mais sintéticas – linha, ponto, círculo, esfera – para então testar seus limites físicos até o momento preciso em que as tensões encontram seu ponto de estabilidade. A forma é, portanto, a expressão de uma força, que por sua vez resulta da interação das energias potenciais de cada elemento. Ensaio Sobre Linhas Concretas (2019) surge desse exercício e apresenta uma complexa estrutura com linhas de aço que cruzam o espaço da Galeria de parede a parede. Cada seção das retas que compõem essa instalação aérea é interrompida por outros elementos (molas, parábolas, círculos) que atuam como intervalos na propagação de energia pela rede inteira. Em outros trabalhos, como Estrelas fixas (2019) e 3 Luas e o Cubo de Ouro (2015), a imbricada dinâmica de forças opera em uma escala fluida e variável, revelando a liberdade com que Bevilacqua transita entre o micro e o macro.

Na série inédita Paletas e Fantasmas (2019), o artista emprega paletas de pintura que, ao invés de tinta ou pinceis, abrigam elementos escultóricos para engendrar cenários ou “armadilhas simbólicas”, como ele descreve. A alusão à pintura ecoa ainda no conjunto de trabalhos da primeira sala da exposição, que têm a cor como fio condutor. Exibindo pela primeira vez em sua carreira uma série de aquarelas, Bevilacqua associa as figuras vibrantes dessas obras com as esferas coloridas que pontuam as esculturas O Vermelho Originário (2017) e O Vermelho da Noite (2017).

Carlos Bevilacqua nasceu no Rio de Janeiro em 1965, onde vive e trabalha. Depois de estudar arquitetura no Brasil, cursou a New York Studio School of Painting, Drawing and Sculpting (Nova York, 1991–1993). Entre suas exposições, destacam-se as individuais no MAM Rio (Rio de Janeiro, 2000), no MAM-SP (São Paulo, 1992) e, mais recentemente, Indeterminado no Centro Cultural Candido Mendes (Rio de Janeiro, 2019). As mostras coletivas incluem participações em: Lugares do Delírio, SESC Pompeia (São Paulo, 2018) e MAR (Rio de Janeiro, 2017); Intervenções Urbanas, Museu da República (Rio de Janeiro, 2016); Calder e a Arte Brasileira, Itaú Cultural (São Paulo, 2016); Desejo da forma, Akademie der Künste (Berlim, 2010); Um Mundo Sem Molduras, MAC-USP (São Paulo, 2009). Sua obra está presente nas coleções do Instituto Inhotim, do MAM Rio, do MAC-USP, entre outras.

Posted by Patricia Canetti at 10:49 AM

Brígida Baltar + Cristina Canale + Karin Lambrecht na Nara Roesler NY, EUA

A Galeria Nara Roesler | New York tem o prazer de apresentar The Woman Who Walks With Me, exposição composta por uma seleção de obras recentes de três renomadas artistas mulheres brasileiras: Brígida Baltar (Rio de Janeiro, 1959); Cristina Canale (Rio de Janeiro, 1961); e Karin Lambrecht (Porto Alegre, 1957).

A articulação entre as obras reunidas na mostra coloca em evidência a perspectiva poética dessas artistas sobre questões que são centrais em suas carreiras e recorrentes na atualidade, como o corpo, a noção de identidade feminina e seus estereótipos e a memória afetiva associada a aspectos como família e origem.

Enquanto Baltar apresenta através de seus trabalhos em bordado e cerâmica esmaltada uma reflexão sobre o corpo como espaço sensível, meio de relação consigo mesma e o mundo ao redor, Canale propõe em pinturas que recuperam a herança do gênero do retrato um debate sobre modelos de identificação. Por sua vez, as investigações de Lambrecht sobre cor e luz colocam o corpo como lugar de lembranças e possível veículo de contato com a transcendência.

O título da exposição é inspirado em um conhecido verso da poeta brasileira Hilda Hilst (1930-2004), cuja obra é marcada por aspectos de força poética que ressoam no trabalho das três artistas em exibição.


Galeria Nara Roesler | New York is pleased to present The Woman Who Walks With Me, a group exhibition featuring work by Brígida Baltar, Cristina Canale, and Karin Lambrecht.

The Woman Who Walks With Me looks at the poetics at the core of the three artists’ practices as they engage the body, the notion of female identity and its stereotypes, and memory of family and origin.

Baltar’s embroidery and enameled ceramic works reflect on the bo dy as sensorial space, and a means of relating to oneself and the wider world. Canale’s paintings dialogue with the history of portraiture and representation. Lambrecht’s investigations of color and light approach the body as a repository of memory and a vehicle for transcendence.

The exhibition title is inspired by a famous verse by Brazilian poetess Hilda Hilst (1930-2004), whose oeuvre is marked by aspects of poetic strength that resonate in the work of the three featured artists.

Brígida Baltar was born in 1959 in Rio de Janeiro, RJ, Brazil, where she lives and works. Baltar began her career in the early 1990s with performances characterized by small and intimate gestures. The artist carried out her work inside her home, which doubled as her studio, always confining her acts to a space she had a deep relationship with. Baltar’s performances were documented and accompanied by photographs, videos, drawings, sculptures, and installations, always exploring issues from her own life and experimenting with the relationship between the body and space, and the body as a space. Most recently, the artist has been studying these same themes through manual work, such as embroidery, in which the surface of the fabric usually refers to her own skin, and ceramic sculptures, where she seeks to establish a connection between bodily forms and the earth. Her work has been included in numerous exhibitions worldwide including: Neither-nor: Abstract Landscapes, Portraits and Still Lives, Terra-Art Project, London, UK (2017); the 10 th Bienal do Mercosul, Porto Alegre, RS, Brazil (2015); Cruzamentos: Contemporary Art in Brazil, Wexner Center for the Arts, Columbus, OH, USA (2014); and The Peripatetic School: Itinerant Drawing from Latin America, Middlesbrough Institute of Modern Art, Middlesbrough, UK (2011). Baltar’s work is represented in the permanent collections of the Museum of Contemporary Art, Cleveland, USA; Colección Isabel y Agustín Coppel, Mexico City, Mexico; Middlesbrough Institute of Modern Art, Middlesbrough, UK; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brazil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brazil; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, SP, Brazil; among others.

Cristina Canale was born in 1961 in Rio de Janeiro, RJ, Brazil, and lives and works in Berlin, BE, Germany. Since the 1980’s, when she came to prominence in her native Brazil as a part of the “80’s Generation”, Canale has been combining abstraction and representation in her mixed-media paintings on canvas, exploring, over decades of evolving work, the history of painting and its continuing development. Her early work is muscular, washed in dark hues and filled with bold lines and impasto passages of paint. In the mid-1990’s, she moved to Germany to study at the Düsseldorf Academy of Arts, where she began to lighten her color palette and soften her approach. Her current works reveal influences of Fauvism, Post-Impressionism, and Neo-Expressionism, while their subjects—landscapes, figures, domestic scenes, dogs, and cats—recall pre- and early-Modern themes. In all of her work, Canale merges the literal and the lyrical, celebrating the malleability and magic of her medium. Solo exhibitions include: Cristina Canale: Zwischen den Welten, Kunstforum. Markert Gruppe, Hamburg, Germany (2015); Entremundos, Paço Imperial, Rio de Janeiro, RJ, Brazil (2014); Arredores e Rastros, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro, RJ, Brazil (2010); and Cristina Canale, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, SP, Brazil (2007). She participated in the 21 st Bienal de São Paulo (1991), in which she was awarded with the Prêmio Governador do Estado [Governor State Prize]. Her works are in the collections of Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro, RJ, Brazil; Coleção João Sattamini – Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC-Niterói), Niterói, RJ, Brazil; Instituto Itaú Cultural, São Paulo, SP, Brazil; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), São Paulo, SP, Brazil; and Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, SP, Brazil.

Karin Lambrecht was born in 1957 in Porto Alegre, RS, Brazil, and has been based in Broadstairs, Kent, UK since 2017. Straddling painting and sculpture, art and politics, the work of Lambrecht references Arte Povera and Beuys but most essentially embodies the gestural abstraction of her 1980’s generation. Using vibrant, self-produced pigments, Lambrecht applies broad, gestural brushstrokes to hand-stitched, frameless, torn, and burned canvases, incorporating organic materials such as animal blood, charcoal, and earth. Her recurring motifs include crosses, the human body, and handwritten or stamped words that peak out from layers of paint evoking illness, death, and cure. The notion of healing, especially as embodied by color, lies at the core of her work. Most recently, Lambrecht’s work was the subject of a survey exhibition at Instituto Tomie Ohtake (ITO), São Paulo, titled Karin Lambrecht – Entre nós uma passagem (2018-19), and a solo exhibiton at Espaço Cultural Santander, in her hometown of Porto Alegre, titled Nem eu, Nem tu: Nós (2017). Her works are included in the collections of the Instituto Figueiredo Ferraz (IFF), Ribeirão Preto, SP, Brazil; the Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, SP, Brazil; and the Instituto Itaú Cultural, São Paulo, SP, Brazil; among others.

Posted by Patricia Canetti at 10:04 AM

junho 16, 2019

Frantz no MARGS, Porto Alegre

Ocupando três salas com a reunião de mais de 70 obras desde os anos 1980, de diferentes acervos e coleções, mostra coloca em discussão os limites da pintura. Entre os destaques, está a remontagem de uma emblemática exposição apresentada pelo artista no MARGS em 1982, aos 19 anos, intitulada “Pichações”.

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS inaugura na próxima quinta-feira (13/6/2019) uma ampla exposição dedicada à produção de Frantz. Intitulada Também e ainda pintura, esta nova mostra do artista gaúcho – cuja última individual no museu data do começo dos anos 1990 – reúne mais de 70 obras, abarcando sua produção desde o começo dos anos 1980 até a atualidade. A abertura será das 18h às 21h, com entrada gratuita.

Sem assumir o caráter de retrospectiva, “Também e ainda pintura” se organiza em torno de três eixos, cada qual apresentado em uma sala. O primeiro eixo, na Sala João Fahrion, traz a público trabalhos de grandes dimensões, de diferentes épocas, alguns deles inéditos. São obras que resultam dos pisos e das paredes de ateliês de artistas que Frantz forra com lona.

Segundo o diretor-curador do MARGS, Francisco Dalcol, que assina a curadoria da mostra, “Essas coberturas permanecem em cada lugar durante anos, recebendo resíduos de topo tipo que restam fora dos trabalhos alheios. Quando Frantz decide retirar os forros, os acúmulos de tinta e sujeira lhe surgem como indicações de um acaso que, a partir do seu processo de apropriação, enquadramento e montagem, permitem-lhe identificar e nomear as superfícies como pintura”. Completam a sala os objetos de Frantz originados a partir do acúmulo intencional de tinta de pintura em potes e bacias que funcionam como moldes.

Já o segundo eixo, na Sala Pedro Weingärtner, revisita um episódio do passado em que a história do artista e a história do MARGS se interseccionam. É que em 1982 Frantz apresentou no museu a exposição “Pichações”, mostrando pinturas baseadas nas intervenções escritas que encontrava nos muros à época, muitas delas de caráter político e subversivo. Segundo o diretor-curador do MARGS, “tratou-se de uma exposição audaciosa, e também provocativa, tanto pelo fato de um museu apresentar pichações, como por se tratar de um jovem artista, então com 19 anos”.

No texto curatorial, Dalcol escreve: “Passadas quase quatro décadas, ‘Pichações’ é agora remontada na Sala Pedro Weingärtner, procurando emular o significado e a experiência da exposição original ao reunir a quase totalidade dos trabalhos expostos em 1982, à maneira como foram apresentados”.

Nesse sentido, “Frantz - Também e ainda pintura” inaugura um ciclo expositivo e curatorial desta gestão intitulado “História do MARGS como História das Exposições”, com o qual se pretende revisitar o passado do museu - e de artistas que nele expuseram - a partir de exposições emblemáticas do passado.

Por fim, o terceiro eixo, na Sala Angelo Guido, traz a público um trabalho inédito de Frantz. Trata-se de “Liquid paper”, que se vincula à mais recente frente de pesquisa e realização do artista, baseada na manipulação de catálogos de exposição. O trabalho integra o projeto “Roubadas”, no qual, segundo o diretor-curador do MARGS, “Frantz intervém nos discursos visuais e textuais contidos nas publicações artísticas, adulterando e editando as imagens e os textos que encontra ao longo das páginas”.

No conjunto dos trabalhos reunidos, “Frantz – Também e ainda pintura” parte dos procedimentos e operações do artista com o objetivo de proporcionar ao público uma pertinente discussão e experiência sobre o fazer e a reflexão em torno do campo expandido da pintura.

A exposição “Frantz – Também e ainda pintura”pode ser visitada até dia 1º de setembro de 2019. O MARGS funciona de terças a domingos, das 10h às 19h, sempre com entrada gratuita. Visitas mediadas podem ser agendadas por e-mail.

Posted by Patricia Canetti at 10:00 AM

Gene Johnson na Lume, São Paulo

Gene Johnson exibe pinturas e colagens no Anexo Lume e retrata seu entusiasmo pelo concretismo da metrópole

O artista americano Gene Johnson tem verdadeira fixação pelas formas geométricas, cores e textura da metrópole. Ele sente as diferentes tensões que permeiam as esferas da cidade e as transforma em histórias contadas através de camadas de tintas e colagens. Estas narrativas serão apresentadas em Resíduos, exposição que entra em cartaz no dia 18 de junho no Anexo Lume, espaço que a Galeria Lume dedica a mostras de artistas convidados.

Johnson passou alguns anos em trânsito por grandes centros urbanos, como Nova York, Cidade do México e São Paulo. Hoje, aos 74 anos, oferece ao público uma linguagem própria, flexível, intuitiva e emocional. É autor de uma obra pendular, que caminha entre extremos, se assemelhando às situações cotidianas das metrópoles que o inspiram.

Sua produção pictórica é marcada pelos grandes formatos, uma escolha que exprime ao visitante fragmentos tipográficos da cidade. A exemplo de Stepscape illusion (2019), tela na qual o artista oferece uma espécie de vista panorâmica da geometria das vias públicas.

"Pinturas são como histórias contadas em camadas, sempre desviando, evitando-se, dividindo-se, escolhendo e enfrentando verdades. São trechos recortados do que queremos que seja conhecido", afirma Johnson.

Já nas colagens, Gene opta por escalas menores e faz uso de materiais como papel e metal para criar sobreposições. Como em Japan Collage (2018), na qual ele traz ao público formas assimétricas que figuram as sensações de intimidade e ludicidade.

As histórias contadas por Gene Johnson são formadas por diversas camadas. Ora sutis, ora densas, carregam a dualidade típica de quem vive na metrópole. É um convite ao visitante para explorar as diferentes facetas do caos e do equilíbrio.

Gene Johnson (1955) nasceu em New Jersey, nos Estados Unidos. Estudou Artes Plásticas na Flórida e em Nova York, onde passou a morar no Soho, importante reduto para produção de artistas visuais. Desenvolveu seu trabalho artístico pintando e participando de exposições naquela região, até o início dos anos 1990, quando se mudou para o México. Após seis anos vivendo na Cidade do México, Gene fixou residência em São Paulo e mais tarde em Ilhabela. No fim dos anos 2012 voltou ao México e hoje vive entre San Miguel de Allende e Nova York. Seu trabalho vem sendo mostrado de forma consistente em museus e galerias, tanto em exposições coletivas quanto individuais em países como Estados Unidos, Brasil, México e Japão.

Posted by Patricia Canetti at 8:38 AM

Anaísa Franco na Lume, São Paulo

Anaísa Franco une arte e tecnologia em exposição interativa na Galeria Lume: a artista traz obras que instigam o público a pensar através dos sentidos

"Nada está no intelecto sem antes ter passado pelos sentidos." A afirmação é do filósofo grego Aristóteles, autor da teoria de que o ser humano percebe o mundo através de cinco sentidos: visão, tato, olfato, paladar e audição. A obra de Anaísa Franco faz valer a tese. A artista combina arte e tecnologia para dar vida a esculturas e instalações sensoriais, nas quais o pensar é ativado pelos sentidos. Um conjunto destas criações será exibido em Expanded ID / ID Expandida, mostra individual que ela apresenta a partir de 18 de junho, na Galeria Lume.

O título da exposição faz referência a um termo da medicina que compreende efeitos de fatores sociais e psicológicos para qualificar processos orgânicos do corpo humano. E nada é ao acaso. Anaísa Franco passou os últimos anos em trânsito pela Europa, Ásia e Austrália. No decorrer desta jornada, tornou-se mestre em artes digitais e desenvolveu uma série de estudos acerca das conexões entre os sentidos humanos e suas criações tecnológicas interativas.

Filha de mãe psicanalista, Anaísa age com o mesmo rigor e a curiosidade que movem um cientista. E é assim que investiga e questiona a possibilidade de inserir comportamentos, sentimentos e emoções em máquinas esculturais. Ela sente o mundo de diferentes formas e quer que o público sinta o mesmo.

Hoje, em seu trabalho como artista que vive no mundo digital, Anaísa usa artifícios como a eletricidade para gerar vida às peças que outrora eram inertes. É o que ela faz em Expanded ID (2018), uma instalação de arte pública interativa que capta a impressão digital do visitante e a transforma em uma animação generativa. A partir da interação do espectador, tal qual mãos percorrendo um piano, a obra pulsa em blocos 3D coloridos com formas únicas que mudam de acordo com as impressões digitais de quem participa. O trabalho foi desenvolvido durante a residência Homeostase, na FABLAB Garagem, em São Paulo, e no Exhbited City Life Festival, em Xangai, na China.

Anaísa Franco cunhou termos próprios para definir algumas de suas obras. Confusion (2014), trabalho formado por uma cabeça com duas faces, foi denominado por ela como uma escultura emocional. Feita durante uma temporada da artista no Museu de Arte Contemporâneo da Gas Natural Fenosa, em La Coruña, na Espanha, a obra teve um processo de criação bastante complexo. Franco teve de usar sua própria cabeça como molde e transformou uma bola de plasma em um sensor que ativa diálogos confusos a partir do toque do visitante.

A comunicação entre humano e máquina volta a surgir em On Shame (2014), instalação feita em colaboração com o músico e programador Scott Simon. O trabalho é composto por um dome transparente que captura o rosto do espectador através de uma câmera. A imagem é distorcida, muda de cores e emite diálogos, vozes inconscientes.

"Uso conceitos da psicologia e das ciências cognitivas para criar interfaces que relacionam o físico com o digital. É um processo de constante experimentação de novos materiais e métodos de concepção digital. Tudo isso para, no fim, chegar a uma situação afetiva", explica a artista.

As criações de Anaísa Franco funcionam como organismos vivos e, assim como os humanos, precisam ser nutridas. A base dessa alimentação é a interação com o público e, não à toa, ela concebeu uma espécie de cozinha digital. Trata-se de Sweet Reflection (2016), instalação projetada em forma de um grande favo de mel. Lá dentro, o visitante vai se deparar com uma câmera fotográfica para mapear seu rosto e uma impressora 3D que transforma a imagem em panquecas de chocolate. A artista instiga o participante a, literalmente, comer sua selfie. As fotos ainda são convertidas em adesivos e inseridas nas células que compõem a obra, formando, assim, uma espécie de memorial temporário.

A todo tempo e de formas diversas, Anaísa Franco provoca o público a se ver do avesso e a atravessar um misto de sensações e sentimentos. É um percurso que pode ser feito através de obras como Your Wave of Happiness (2014), designada pela artista uma escultura sensível e interativa que gera ondas de luzes coloridas a partir da interação do visitante.

Anaísa Franco (1981) nasceu em Uberlândia, Minas Gerais, e vive e trabalha em São Paulo. É Mestre em Arte Digital e Tecnologia pela Universidade de Plymouth, na Inglaterra, e se formou em Artes Visuais na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) em São Paulo. Nos últimos anos vem desenvolvendo trabalhos sobre novas mídias em laboratórios digitais, residências e comissões, entre os quais, a Medialab Prado, Mecad, MIS, Hangar, Taipei Artist Village, China Academy of Public Art Research Center, Mediaestruch, Cite des Arts, ZKU, SP_Urban, MAC Fenosa, CCS Creativity and Cognition Studios at UTS, Vivid Sydney 2015, entre outros. Suas obras foram expostas no EXIT Festival em Paris; ARCO Madrid na Espanha, Europalia em Bruxelas, Live Ammo no MOCA Museum of Contemporary Art em Taipei, Taiwan, TÉKHNE no MAB em São Paulo, Brasil, Sonarmática no CCCB em Barcelona, Espanha, no 5th Seoul International Media Art Bienalle, Seoul, Coréia; Vision Play no Medialab PRADO, Experimenta Biennial na Austrália e muitos outros espaços. A artista atualmente é representada pela Galeria Lume, de São Paulo.

Posted by Patricia Canetti at 8:35 AM

junho 15, 2019

Temporada de Projetos: Juliana dos Santos + Coletivo Cartográfico em Paço das Artes no MIS, São Paulo

O Paço das Artes — instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo — inaugura no dia 18 de junho mais duas exposições da Temporada de Projetos: Entre o azul e o que não me deixo/deixam esquecer e acerca do fracasso das formas. As mostras ficam em cartaz até 18 de agosto.

Entre o azul e o que não me deixo/deixam esquecer, de Juliana dos Santos, é o desmembramento de uma pesquisa, iniciada pela artista em 2016, sobre o azul e suas qualidades metafísicas, terapêuticas e plástico-formais a partir da flor Clitória Ternátea. Uma fração deste estudo foi apresentada no Paço das Artes em 2017 e agora, parte para uma instalação performativa sensorial que tem a cor azul como elemento disparador do encontro e que levanta questionamentos como “qual o limite de criação dos artistas negros?”. O espaço expositivo, ativado pela presença do público, aciona um campo de luz azul e um relato em que a artista partilha suas conexões com a cor a partir de reflexões e analogias com a imaginação, o esquecimento e a dor.

Paralelamente, o Coletivo Cartográfico - grupo paulistano de dança e arte contemporânea de Carolina Nóbrega, Fabiane Carneiro e Monica Galvão - cujas ações procuram expor o corpo a embates, encontros e interações com materialidades concretas, apresenta “acerca do fracasso das formas”. Nesta exposição, em parceria com o artista Jorge Soledar, são exibidas fotografias, vídeos, blocos de texto e resíduos resultantes de uma instalação/performance ocorrida em 2017. Tal ação, que teve duração de 24 horas (divididas em oito apresentações de três horas cada) foi realizada em um antigo galpão no bairro do Bom Retiro e consistia na relação de simbiose e destruição entre os artistas e o mobiliário de uma suposta casa burguesa.

Durante o evento de abertura ocorrerá, também, o lançamento do livro “Circuito Alameda”, resultado da exposição individual do artista Gilbertto Prado e do Grupo Poéticas Digitais realizada no Laboratório Arte Alameda, no México. Com curadoria de Jorge La Ferla, a mostra aconteceu entre junho e agosto de 2018.

Posted by Patricia Canetti at 3:45 PM

junho 13, 2019

Atentxs e Fortes - 50 Anos de Stonewall na CAL, Brasília

Mostra de arte queer abre dia 18 de junho na Casa da Cultura da América Latina, em Brasília

Trabalhos de 16 artistas presentes na exposição tencionam as relações entre gays, lésbicas, transgêneros e intersexuais com a sociedade brasileira. Resistir à violência, aos preconceitos e ao abandono é parte do cotidiano dos homossexuais e o enfrentamento é uma questão de sobrevivência. Este é o eixo que conduz a mostra Atentx e Fortes - com um ‘x’ mesmo, para descaracterizar o binarismo da linguagem e contestar o estereótipo de gênero.

Entre os artistas está o maior representante da arte queer brasileira, Victor Arruda, em atividade há mais de 50 anos sem nunca abandonar a temática das relações homossexuais e da crítica ao padrão de sociedade heteronormativa. Arruda atravessou as décadas de 80 e 90, da AIDS e do desbunde carioca, e chegou no século XXI seguro do legado artístico que construiu com ativismo político e suas memórias afetivas.

Ao seu lado, estão jovens artistas que vivem em uma sociedade tecnologicamente avançada, mas enfrentam um conservadorismo consolidado, como Ramonn Vieitez, Lyz Parayzo, Camila Soato, Francisco Hurtz e o coletivo baiano Afrobapho. Ao todo, Atentxs e Fortes terá artistas de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Pernambuco, Bahia e do Distrito Federal. A curadoria é de Clauder Diniz.

A mostra é um evento paralelo do Seminário LGBTI+ do Congresso Nacional, que ocorre há 16 anos e, nesta edição, terá como tema “Memória, Verdade e Justiça – 50 anos de luta”, uma alusão ao levante de Stonewall em Nova Iorque, ocorrido em 1969, quando gays, lésbicas e transexuais revidaram a violência policial e iniciaram a campanha pelos direitos civis dos homossexuais. O Seminário do Congresso está marcado para o dia 25 de junho. No dia anterior, 24, ocorrerá o primeiro Seminário LGBT da Assembleia Distrital, que tem entre seus parlamentares o primeiro deputado assumidamente gay da história da instituição, Dep. Fábio Felix (PSOL-DF).

Artistas participantes: Afrobapho, Camila Soato, Diego Bresani, Elvira Cachorra, Fernando Pericin, Francisco Hurtz, Helder Amorim, Livia Auler, Lynn Carone, Lyz Parayzo, Matheus Assunção, Rafael da Escóssia, Ramonn Vieitez, Victor Arruda, Victor Hugo Soulivier e Wolney Fernandes.

Posted by Patricia Canetti at 6:28 PM

Colapso + Tomás Cunha Ferreira na Athena, Rio de Janeiro

Galeria Athena inaugura duas exposições, que refletem sobre a pintura e o desenho

Na sala II estará a coletiva “Colapso”, com trabalhos de oito artistas de diferentes gerações, com curadoria do também artista Rodrigo Bivar. Na sala I, será apresentada, pela primeira vez no Brasil, a exposição do artista português e músico Tomás Cunha Ferreira

No dia 18 de junho, a Galeria Athena inaugura as exposições Colapso, coletiva com curadoria do artista Rodrigo Bivar (Brasília, 1981. Vive e trabalha em São Paulo), e Panapanã, individual do artista português Tomás Cunha Ferreira (Lisboa, 1973. Vive e trabalha em Lisboa), que faz sua primeira exposição no Brasil. Em comum, as duas mostras pensam a pintura e o desenho de forma ampliada, em obras que não necessariamente utilizam tinta e lápis, mas que partem da lógica da pintura para construir uma narrativa. Os trabalhos são inéditos, em sua maioria, ou recentes e poucos vistos.

Na sala II, estará a coletiva “Colapso”, com obras de Ana Prata (Sete Lagoas, MG, 1980. Vive e trabalha em São Paulo), Bruno Dunley (Petrópolis, RJ, 1984. Vive e trabalha em São Paulo), Cabelo (Cachoeira de Itapemirim, ES, 1967. Vive e trabalha no Rio de Janeiro), Débora Bolsoni (Rio de Janeiro, 1975. Vive e trabalha em São Paulo), Leda Catunda (São Paulo, 1961. Vive e trabalha em São Paulo), Paulo Whitaker (São Paulo, 1958. Vive e trabalha em São Paulo), Rafael Alonso (Niterói, 1983. Vive e trabalha no Rio de Janeiro) e Rodrigo Andrade (São Paulo, 1962. Vive e trabalha em São Paulo), com curadoria do também artista Rodrigo Bivar.

Na sala I, será apresentada, pela primeira vez no Brasil, a obra do artista visual português Tomás Cunha Ferreira (que também é músico), na exposição “Panapanã”, que terá obras inéditas, produzidas este ano, que, assim como na mostra “Colapso”, utilizam a lógica da pintura. No dia da abertura, Tomás Cunha Ferreira fará uma performance com os músicos brasileiros Domenico Lancellotti e Pedro Sá.

COLAPSO

“Colapso” é uma coletiva que propõe uma reflexão a partir da pintura e desenho, que traz quatro artistas da geração dos anos 1980 – Cabelo, Leda Catunda, Paulo Whitaker e Rodrigo Andrade – e quatro artistas de uma geração mais nova – Ana Prata, Bruno Dunley, Debora Bolsoni e Rafael Alonso. “São formas de se pensar a pintura e o desenho através da obra de oito artistas”, afirma o curador Rodrigo Bivar, que escolheu o assunto por ter familiaridade, por concentrar sua pesquisa nessas técnicas, selecionando artistas que o ajudam a pensar a pintura e o seu próprio trabalho. “Sou artista, e resolvo minhas questões pelo aspecto visual e teórico. E é isso que quis mostrar nesta minha curadoria, uma curadoria através da visão dos artistas”, diz Rodrigo Bivar.

Os trabalhos apresentados não são necessariamente pinturas e desenhos, mas obras que pensam sobre esse aspecto. “Embora a Leda Catunda vá mostrar uma colagem, ela é uma artista que todo o trabalho se desenvolve a partir da pintura”, afirma o curador. Já Rodrigo de Andrade, Bruno Dunley, Ana Prata e Paulo Whitaker trabalham a pintura como seu principal meio. Rafael Alonso pensa a prática e, principalmente, a forma como mostra suas pinturas, como algo instalativo. Já Débora Bolsoni e Cabelo são artistas cuja pintura não é seu principal meio de expressão, mas em suas obras têm muito do pensamento sobre desenho.

O nome da exposição se relaciona com o momento político delicado em que vive o país. “Colapso, vem da ideia de que, apesar do momento calamitoso em que vivemos, os artistas continuam fazendo arte, fazendo o que acreditam”, diz o curador Rodrigo Bivar. Além disso, também parte da ideia de que os trabalhos da exposição, apesar de usarem a técnica da pintura e do desenho, não necessariamente dialogam entre si. “Existe muitas diferenças entre eles, entre os trabalhos e entre as pesquisas”, ressalta.

PANAPANÃ

Na sala I da galeria estará a exposição individual “Panapanã”, do artista visual e músico português Tomás Cunha Ferreira, que nasceu em Lisboa, mas morou no Brasil quando criança. Apesar de o artista ter uma forte relação com o país, tendo realizado como músico, diversas parcerias com músicos brasileiros, seu trabalho visual será apresentado pela primeira vez no país nesta exposição.

Na mostra, estarão cerca de 12 obras, sendo a maioria delas em tecidos, sobre os quais o artista propõe interferências, utilizando a lógica da pintura. Em algumas, ele introduz elementos como acrílico e arame, e também faz pequenas intervenções em tinta a óleo, aquarela e costuras. “Jogo com os elementos pictóricos, sem me preocupar se estou usando o pincel ou não. Às vezes uso a máquina de costura como pincel”, diz o artista.

As obras feitas com os tecidos são presas por pregos apenas na parte de cima, deixando-os ligeiramente soltos, com movimento quando bate um vento, por exemplo. Os panos utilizados também são diversos, alguns bem leves, com diferentes espessuras, com caimentos diferentes e relevos. “O trabalho não está fixo, emoldurado. É um corpo, que não é só uma superfície pintada, tem espessura”, ressalta o artista. O nome da exposição, “Panapanã”, significa coletivo de borboleta em Tupi Guarani, e vem da ideia de movimento desses panos.

Neles, há marcas propositais de dobras, que formam pequenos relevos. O contorno não é regular: algumas quinas são abauladas e outras mais pontudas. “Desdobro os panos como se fossem um mapa e os vincos fazem parte da pintura. O que me interessa é o aspecto físico. As margens, por exemplo, não são retas, possuem formas diferentes”, conta o artista, que mostrará alguns panos abertos e outros dobrados.

Além dos panos, haverá três colagens em papel, em que o artista utiliza letras e cores, que servem de base para as músicas de Tomás, como se fossem partituras, em que ele utiliza o som das letras e as cores. “Não é nem pintura nem poesia, não uso verso nem pincel, é entre os dois, mas usando elementos de ambos. Gosto de estar entre as coisas, entre a música e a pintura”, afirma o artista. Haverá, ainda, um vídeo em looping, que mostra essas obras em papel com diferentes cores, letras e formas.

Posted by Patricia Canetti at 5:35 PM

Daniel Feingold na Cassia Bomeny, Rio de Janeiro

Cassia Bomeny Galeria, em Ipanema, inaugura exposição de telas e desenhos sobre papel inéditos do artista

Planos de cor. Linhas cromáticas. Formas geométricas em constantes inserções sobre as superfícies tanto da tela quanto do papel. Em sua nova individual, o artista plástico Daniel Feingold mostra cerca de 40 trabalhos inéditos desenvolvidos ao longo do último ano. Com curadoria de Felipe Scovino, a exposição Daniel Feingold, Pequenos Formatos, que abre no próximo dia 18 de junho na Cassia Bomeny Galeria, em Ipanema, reúne desenhos sobre papel e tela criados com bastão a óleo.

Com trinta anos de trajetória, Daniel é conhecido pelo desenvolvimento de novas técnicas de pintura que, quase sempre, abolem o uso do pincel. Há anos, vem criando suas obras com esmalte sintético derramado diretamente sobre as telas. E, agora, trabalha em paralelo com o bastão a óleo, que deixa o traço mais íntegro, praticamente sem nenhuma possibilidade de descontrole como no caso do esmalte.

“O bastão me permite fazer um maior entrelaçamento de planos de cor, criando grades cromáticas. E como uso o bastão de forma totalmente perpendicular à superfície, isso acaba gerando um traço largo de imagens opacas e densas”, explica o artista.

Para o curador Felipe Scovino, a obra de Feingold tem uma proximidade com a arquitetura – primeira formação do artista, aliás:

“Esse fato ganha mais intensidade quando percebemos a presença do grid, uma herança modernista presente de forma contundente tanto em Mondrian quanto em Agnes Martin ou Frank Stella. Entre a sua composição de malhas ortogonais estão representadas metaforicamente imagens de fachadas de prédios, ruas, vielas e outros elementos da cidade. Pelo fato de nos oferecer uma urbe recortada, que não se revela por completo, nunca temos a percepção de um todo, e sim de uma perspectiva oblíqua. Eis outra força de seu trabalho: a capacidade de nos levar alhures”.

Daniel Feingold (Rio de Janeiro, 1954), vive e trabalha no Rio de Janeiro. Formado em Arquitetura e Urbanismo (1983), tem mestrado no Pratt Institut de Nova York (1997) e foi professor do curso de Artes Visuais na UFRJ entre 2013 e 2015. Seus estudos incluem história da arte e filosofia na UNIRIO e PUC/Rio (1988/1992); teoria da arte e pintura na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Desde 1991, realizou diversas exposições individuais em espaços como o Paço Imperial e o Museu de Arte Moderna, no Rio; o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba; o Atelier Sidnei Tendler, em Bruxelas; e em diversas galerias do Rio e de São Paulo. Também integrou mostras coletivas como “Aprofundamento”, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (Rio de Janeiro, 1991); 15º Salão Carioca e 17º Salão Nacional de Artes Plásticas (Rio de Janeiro, 1991), tendo conquistado em ambas o 1º prêmio; “Crossing Lines – Art in General”, em Nova York; “O Beijo”, no Paço Imperial (Rio de Janeiro, 1998); “Gestural Drawings”, na Neuhoff Gallery (Nova York, 2000), e 5ª Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2005).

Posted by Patricia Canetti at 4:43 PM

Palestra com Anna Bella Geiger e Fernando Cocchiarale no MAM, Rio de Janeiro

Palestra gratuita e aberta ao público, com a artista Anna Bella Geiger e Fernando Cocchiarale, curador do MAM, sobre a remontagem da mostra “Circumambulatio”, realizada no museu há 47 anos.

15 de junho de 2019, sábado, às 15h

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM Rio
Av. Infante Dom Henrique 85, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ

“Resultado de um trabalho coletivo desenvolvido e exposto por Geiger e seus alunos do curso de artes visuais do Museu em 1972, ‘Circumambulatio’ é um dos marcos de sua aproximação com o campo de ressonância de questões da arte conceitual que se reafirmam em sua produção dos anos 1970: incorporação da palavra ao trabalho e experimentação de novas mídias (fotos, vídeos, livros de artista etc)”, observam os curadores no texto que acompanha a exposição.

A distribuição de senhas será feita a partir das 14h, na bilheteria do Museu, com vagas limitadas a 40 lugares.

A exposição Anna Bella Geiger – Aqui é o centro segue em cartaz até o próximo dia 28 de julho de 2019. A mostra se divide em duas partes complementares. A primeira reúne um panorama da produção da artista com 20 obras do início dos anos 1970, todas pertencentes ao acervo MAM Rio. A segunda é a releitura da exposição “Circumambulatio”, apresentada no Museu há quase cinco décadas, e que “se constitui em divisor de águas de seu trabalho, posto que separa o antes modernista – ou seja, sua produção abstrata (1950) e a instigante fase visceral (1960) – do futuro contemporâneo de seu trabalho”, apontam os curadores.

Posted by Patricia Canetti at 5:54 AM

Julio Villani na Estação, São Paulo

“Do bestiário de Artur Pereira aos bichos de Lygia Clark, da Baleia de Graciliano Ramos ao Burrinho Pedrês de Guimarães Rosa, não faltam animais prodigiosos na arte brasileira. Cumpre agora integrar as criaturas de Júlio Villani a essa fauna – tomando-se, porém, o cuidado de preservar sua singularidade no seio dessa família imaginária”, escreve Samuel Titan no texto sobre esta exposição na Galeria Estação, cujo elenco primordial é formado pelos grandes mestres da arte de raiz, oriundos de todos os cantos do Brasil.

Por um fio, que acontece simultaneamente a outra individual de Júlio Villani em São Paulo, Alinhavai, na Galeria Raquel Arnaud, reúne um conjunto de esculturas, fundamentalmente híbrido, que se dá em várias camadas. “São objets trouvés, à Duchamp, mas são também um exercício risonho dos dons de metamorfose que são próprios da arte”, afirma Titan. Segundo ele, são herdeiras de certo surrealismo parisiense, mas parecem nos remeter às memórias sensoriais de um menino do interior, que observa de sua própria perspectiva os objetos da casa, da cozinha, da fazenda.

Em vez de formão e cinzel, o artista se utiliza de alicate, martelinho, arame, solda discreta, a fim de dobrar, prender, amarrar e pendurar. “...muitas delas são móbiles à maneira de Calder – quer dizer, são e não são, pois continuamos a ver as partes heteróclitas que as constituem, como num desenho de coelho-e-lebre. E nisso, aliás, são brasileiríssimas, filhas do jeitinho e da gambiarra elevados à condição de arte, dotadas daquela graça etérea e desajeitada que as petecas têm”. Titan ressalta que as obras geradas de algumas operações manuais simples provocam longa reflexão plástica, “o mergulho na memória infantil e ainda a malícia sutil que se diverte com a alteração das proporções ou com o desvio das funções e dos usos originais dos objetos que servem de matéria-prima”.

Júlio Villani (Marilia, 1956) vive e trabalha entre Paris e São Paulo. Cursou artes Plásticas na FAAP, na Watford School of Arts de Londres e na École Nationale Supérieure des Beaux Arts de Paris. Seu trabalho foi apresentado em exposições no MAM de Paris, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador; Sesc; Centro de Arte Reina Sofia, Madri, Museo del Barrio, Nova York.

Entre suas individuais: Musée des Beaux-Arts de Agen, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Centre d’Art Contemporain 10 Neuf de Montbéliard; Musée de Dieppe; Casa França Brasil e Paço Imperial, Rio de Janeiro; Musée Zadkine, Paris. Presente nos acervos do Fonds National d’Art Contemporain/Ministère de la Culture; Musées de la Ville de Paris; Maison de l’Amérique Latine, Paris; Fondation Daniella Chappard, Venezuela; SESC; Manufacture des Gobelins/Mobilier National, Paris.

Samuel Titan Jr. nasceu em Belém, em 1970. Estudou filosofia na Universidade de São Paulo, onde leciona Teoria Literária e Literatura Comparada desde 2005. Editor e tradutor, organizou com Davi Arrigucci Jr. uma antologia de Erich Auerbach (Ensaios de literatura ocidental, 2007) e assinou versões para o português de autores como Adolfo Bioy Casares (A invenção de Morel), Gustave Flaubert (Três contos, em colaboração com Milton Hatoum), Jean Giono (O homem que plantava árvores, 2018, em colaboração com Cecília Ciscato), Voltaire (Cândido ou o otimismo, 2013), Prosper Mérimée (Carmen, 2015) e Eliot Weinberger (As estrelas, 2019).

Posted by Patricia Canetti at 5:10 AM

Raúl Díaz Reyes na Galeria Raquel Arnaud, São Paulo

Depois de participar de duas exposições coletivas na Raquel Arnaud, em 2016 e 2017, Raúl Díaz Reyes retorna à galeria para sua primeira individual. Em Vocabulário para fixar vertigens o artista espanhol apresenta objetos bidimensionais produzidos em acrílico colorido – azuis, pretos e vermelhos – que nascem a partir da junção de formas puras geométricas – triângulos, círculos e quadrados – em um procedimento que dá origem a novas configurações. O conjunto lembra uma espécie de glossário de ícones e logos que remete ao universo urbano e publicitário.

Os pequenos objetos são acompanhados daquilo que parecem ser seus moldes, também produzidos em chapas de acrílico emoldurados e sustentados por estruturas de ferro. Contudo, os diminutos acrílicos não se encaixam em suas supostas matrizes, rompendo uma hipotética ordem sugerida pelo conjunto. São todos cortados à laser, o que denota certo aspecto industrial, com acabamento primoroso e delicado.

Segundo Izabella Lenzi, que assina o texto expositivo, a aparência que nos leva a crer na ausência do trabalho manual não impede o diálogo entre a produção do artista espanhol com “a experimentação das vanguardas históricas, com a abstração geométrica, com o construtivismo, com o concretismo e o neoconcretismo”. Para Lenzi, os objetos de Reyes estão em permanente redefinição. “As peças de Raúl encontram-se neste terreno, ‘entre’. São quase-pinturas, quase-palavras ou quase-letras que sintetizam e materializam signos presentes na cultura visual contemporânea, na sinalética das cidades e na história da arte. Nesta obra, cruzam-se referências ou contaminações sem citações explícitas e específicas de distintas épocas e procedências”, conclui.

Raúl Díaz Reyes (Madri, 1977) vive e trabalha entre Madri e São Paulo. Seu trabalho rompe as fronteiras entre as disciplinas, levando-nos a uma contemporaneidade decisiva, na qual todas as línguas se afastam do padrão e nos convidam a criar um visual panorâmico de nosso entorno. A união que se estabelece com a arquitetura e a mistura de materiais nos fala das cidades em relação com seus habitantes como sistemas dinâmicos em constante movimento e alteração. Desta forma, não há limites dimensionais, nem leis técnicas: a fotografia é contemplada como uma escultura, e a pintura entra nela. Os resultados dessa reflexão sobre a cidade como lugar de interação e mudança questionam modelos de exibição, alteram códigos e geram novas paisagens com múltiplas possibilidades.

Especialista em gravura pela Escola de Arte nº10 de Madri, Reyes já teve seu trabalho exibido em diferentes lugares entre os quais se destacam, Ponce + Robles, Madri; Osnova, Moscou; Raquel Arnaud, São Paulo; LMCC (Lower Manhattan Cultural Council), Nova Iorque, 3 + 1 Arte Contemporânea, Lisboa; MATADERO MADRID, Madri; Pelaires, Maiorca; Ana Mas Projects, Barcelona; Círculo de Belas Artes, Madri; PIVÔ, São Paulo; Calcografía Nacional, Madri; Biblioteca Nacional, Madri; Emma Thomas, São Paulo; CENTRO CENTRO, Madri; Espacio DAFO, Lleida, + R Galeria, Barcelona; IED, Madri, Ele também participou de feiras internacionais de arte, tais como: ARCO, Madri; VOLTA, Basileia, SP Arte, São Paulo, PARC, Lima e Cosmoscow, Moscou.

Posted by Patricia Canetti at 5:00 AM

Julio Villani na Galeria Raquel Arnaud, São Paulo

Se na exposição exibida em 2016 na Galeria Raquel Arnaud os desenhos e pinturas repletos de linhas verticais e diagonais revelavam o apuro de sua geometria, em Alinhavai Júlio Villani apresenta, além de pinturas (acrílica, carvão e kaolin sobre tela) e desenhos, bordados, objetos, esculturas, brinquedos e colagens que envolvem o espectador pela linha, algo tão presente e constante em sua obra. Esta exposição acontece em um ano que começou movimentado para o artista: além de realizar sua primeira exposição individual na galeria RX de Paris, participa, desde 24 de maio, da exposição coletiva “... Et l’obscur” (… E o obscuro), na Abadia de Thoronet, na Provence, edifício utilizado pelo Palais de Tokyo como espaço para exposições contemporâneas.

Em Alinhavai que apresenta na Raquel Arnaud, simultaneamente a sua outra individual na cidade, Por um fio, na Galeria Estação, Villani traz algumas pinturas recentes de grande formato da série Collapsible architecture. A ideia de desequilíbrio permeia os trabalhos, de tal forma que, para o artista, a retirada de uma linha poderia levar ao desmoronamento de toda a estrutura. Estão presentes, também, os Tamboretes, esculturas de madeira que reapresentam em escala aumentada o que no início eram diminutas montagens de objetos. Os bordados costurados sobre antigos lençóis garimpados em mercados de pulgas parisienses, que não eram apresentados no Brasil desde sua exposição na Pinacoteca em 2002, também estão na mostra, que conta ainda com esculturas em metal e seus divertidos brinquedos.

Segundo Samuel Titan, que assina o texto expositivo, os fios e linhas que Villani traça (estica, pendura, estende) servem antes para ligar (vincular, amarrar, enlaçar), para sugerir constelações de seres, formas, regiões da experiência que pareciam apartadas até então. “Constelações, não construções: avessas às hierarquias, elas são movidas pela memória e pelo erotismo, que não se fazem de rogados para alterar dimensões e finalidades, desalinhar o alinhado, converter a escrita em desenho, redimir os restos das coisas, conferindo-lhes uma nova vida, ao mesmo tempo instável e superlativa – muitas vezes, literalmente pendurada por um fio”, completa Titan.

Júlio Villani (Marilia, 1956) vive e trabalha entre Paris e São Paulo. Cursou artes Plásticas na FAAP, na Watford School of Arts de Londres e na École Nationale Supérieure des Beaux Arts de Paris. Seu trabalho foi apresentado em exposições no MAM de Paris, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador; SESC; Centro de Arte Reina Sofia, Madri, Museo del Barrio, Nova York.

Entre suas individuais: Musée des Beaux-Arts de Agen, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Centre d’Art Contemporain 10 Neuf de Montbéliard; Musée de Dieppe; Casa França Brasil e Paço Imperial, Rio de Janeiro; Musée Zadkine, Paris. Presente nos acervos do Fonds National d’Art Contemporain/Ministère de la Culture; Musées de la Ville de Paris; Maison de l’Amérique Latine, Paris; Fondation Daniella Chappard, Venezuela; SESC; Manufacture des Gobelins/Mobilier National, Paris. Em 2008 fez sua primeira individual na Galeria Raquel Arnaud, que o representa desde então.

Posted by Patricia Canetti at 4:48 AM

Carlos Zilio na Galeria Raquel Arnaud, São Paulo

Carlos Zilio realizou sua última exposição na Galeria Raquel Arnaud em 2016, quando exibiu trabalhos concebidos entre 1973 e 1977. Para a mostra que abre ao público no dia 15 de junho, Fragmentos, o artista apresenta um conjunto de telas produzido no período subsequente, entre 1978 e 1986, e que demarca, segundo Zilio, o momento no qual o artista opta pela pintura como o suporte principal de sua atividade artística.

Depois de suas primeiras exposições coletivas e individuais realizadas na primeira metade dos anos 70, quando sua produção é relacionada à arte conceitual, Zilio é convidado a participar da Bienal de Paris em 1976 e acaba por passar um período de quatro anos morando na capital francesa. Nesse momento passa a questionar a história da arte e sua relação com a pintura. Segundo o artista, foi um período em que a tradição era algo a ser recusado diante da tábula rasa que a arte de vanguarda demandava para a constituição do novo. “Minhas experiências vividas nesta fase, bem como o crescente olhar crítico sobre o sentido evolucionista e mecanicista desta concepção de vanguarda, me fizeram rever referenciais sobre arte, passando a privilegiar a pintura como uma prática capaz de estabelecer um vínculo entre a História e o presente, indo no sentido oposto da crença, tão divulgada naquele momento, da morte da pintura”. Esse processo de Carlos Zilio acontece nos anos 70, anterior, portanto, do retorno à pintura proposto pela Geração 80.

Ao privilegiar a pintura, o artista elege a reflexão sobre o ato de pintar como um dos seus principais temas. Partindo desse pressuposto, as nove obras selecionadas refletem seu enfrentamento com questões culturais e de linguagem pictórica. A cor, a densidade da tinta, o formato da tela são temas presentes e que o auxiliam na definição de sua produção. Segundo Zilio, a tela A querela do Brasil (1979) procura definir seus recursos básicos para a pintura: “a demarcação do plano, a colagem e a superfície cromática”, afirma.

Em Tico-Tico no Fubá (1979) Zilio explora a arqueologia da pintura: a linha, o ponto e a curva na definição do espaço. Já em Delírio de Thales (1981) aparece o prazer da pincelada ou, como diz o artista, “uma outra possibilidade da geometria, como se o plano e a reta fossem transgredidos por curvas cromáticas que anulam os limites da tela numa continuidade incessante”, completa. Vale ressaltar ainda A queda do tamanduá (1986), obra que alude ao icônico animal, recorrente em sua produção e presente no imaginário do artista carioca desde a sua infância. Segundo Zilio, tal obra vislumbra o longo período de abstração que se iniciaria pouco depois.

O que interessa ao artista é, sobretudo, a temporalidade que a pintura tem na história da arte, sua potencialidade transhistórica. "Está no passado e no presente, permitindo sucessivas retomadas sempre carregadas de uma alta carga de expressão, e isso que me fascina”, completa Zilio.

Carlos Zilio (Rio de Janeiro, 1944). Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Estudou pintura com Iberê Camargo no Instituto de Belas Artes e formou-se em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Participou de algumas das principais exposições brasileiras da década de 1960 – Opinião 66 e Nova Objetividade Brasileira, por exemplo, ambas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro –, e de mostras com repercussão internacional: a 9ª, 20ª e a 29ª Bienais de São Paulo (1967, 1989, 2010), a 10ª Bienal de Paris (1977), a Bienal do Mercosul (2005) e Tropicália, apresentada em Chicago, Londres, Nova York e Rio de Janeiro.

Na década de 1970 morou na França. Desde o retorno ao Brasil, em 1980, participou de inúmeras mostras coletivas e fez diversas individuais, entre as quais Arte e Política 1966-1976, nos Museus de Arte Moderna do Rio de Janeiro, de São Paulo e da Bahia (1996 e 1997), Carlos Zilio, no Centro de Arte Hélio Oiticica (Rio de Janeiro, 2000), que abrangeu sua produção dos anos 1990, e Pinturas sobre papel, no Paço Imperial (Rio de Janeiro, 2005) e na Estação Pinacoteca (São Paulo, 2006).

As mais recentes exposições coletivas que tomou parte foram: Brazil Imagine no Astrup Fearnley Museet, Oslo 2013, MAC Lyon, 2014, Qatar Museum e DHC/Art, Montreal em 2014 e Possibilities of the Object-Experiments in Modern and Contemporary Brazilian Art, The Fruit Market Gallery, Edinburg. Suas últimas exposições individuais foram na Galeria Raquel Arnaud (São Paulo, 2014), no Museu de Arte Contemporânea do Paraná (Curitiba, 2010), no Centro Universitário Maria Antonia (São Paulo, 2010) e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (2011). Zilio foi professor na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 2008, a editora Cosac Naify publicou o livro Carlos Zilio, organizado por Paulo Venancio Filho, sobre sua produção. Possui trabalho em vários museus como MAC/USP, MAC/Paraná, MAC Niterói, MAM/SP, MAM/RJ, Pinacoteca SP e MoMA. A Galeria Raquel Arnaud representa o artista desde 1997.

Posted by Patricia Canetti at 4:27 AM

junho 12, 2019

A linha como direção na Pinacoteca, São Paulo

Mostra na Pinacoteca relembra as raízes do construtivismo no acervo do museu: Esculturas e relevos evidenciam o uso da linha como um dos fundamentos da escultura

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo apresenta, de 15 de junho de 2019 a 3 de fevereiro de 2020, a exposição A linha como direção, que ocupa o segundo andar da Pinacoteca Estação. Com curadoria do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do museu, a mostra apresenta 12 esculturas e relevos, pertencentes ao acervo da Pinacoteca, que tem em comum o fato de apoiarem-se no elemento geométrico da linha para criar sua espacialidade, retendo, de maneira direta ou indireta, alguns dos questionamentos propostos pelo construtivismo no início do século XX. A realização dessa exposição foi possível graças ao apoio da Lei de Incentivo à Cultura.

Em 1920, os construtivistas russos conceberam o Manifesto Realista no qual defendiam “a linha como direção”. O grupo entendia esse elemento geométrico, não como sua representação gráfica, mas como forma de pontuação das forças e dos ritmos escondidos nos objetos. Também buscavam combater o preconceito secular da impossibilidade de se separar o volume da massa de um objeto. Propunham também rejeitar “o volume como forma plástica do espaço” e “a massa como elemento escultórico”.

Eles tinham em mente os exemplos da engenharia – o trilho, a viga, o arco, o contraforte – e sua capacidade de aguentar cargas e tensões sem a necessidade de quantidades enormes de material; a forma como o espaço poderia ser ocupado e os possíveis vazios gerados. Refletiam sobre a ideia de uma escultura que se afastasse da imperiosidade do monumento para proclamar — como novos valores plásticos — a leveza, a transparência, os ritmos cinéticos, o movimento e o dinamismo.

Os trabalhos reunidos nesta exposição aludem alguns pontos defendidos dentro dessa proposta construtivista. Macaparana e Joaquim Tenreiro, por exemplo, criam volumes a partir do cruzamento das linhas ortogonais ou diagonais e formam tramas e grades que transformam a planaridade da linha em tridimensionalidade, por sua aproximação e adensamento.

Willys de Castro e Luiz Hermano também operam com a modulação da linha e com ela sugerem volumes sucessivos ou alternados. Todos eles ocupam o espaço, tanto com cheios como com vazios, numa quase demonstração da possibilidade de separar o volume da massa de que também falavam os construtivistas. Sérvulo Esmeraldo joga com a nossa percepção virtual ao transformar a linha em plano e o uso da cor para sugerir cheios e vazios. Sérgio Sister, por sua vez, conhecido por seu trabalho em pintura, também aplica o elemento da cor para enfatizar as mudanças de ritmo na modulação das linhas retangulares de seus relevos.

Foram incluídos também na seleção curatorial, artistas que jogaram nova luz sobre a linhagem construtivista. Mari Yoshimoto utiliza-se das linhas quebradas e ásperas do arame farpado para construir esferas perfeitas. Ignez Turazza, Iole de Freitas e Erika Verzutti operam com a noção de uma linha que não pretende delimitar o espaço ou as forças nele atuantes, mas que se associa à especulação das coisas informes. “Essas artistas retiram sua graça justamente de seu caráter de risco, de quase-objeto – que pode ser completado pela vontade e fantasia, ou que se mantém para sempre em potência, no estado de esboço ou como vestígio, resto ou memória”, finaliza Fernanda Pitta, uma das curadoras do núcleo.

ARTISTAS PARTICIPANTES

Bené Fonteles (Bragança, PA, 1953)
Erika Verzutti (São Paulo, SP, 1971)
Iole de Freitas (Belo Horizonte, MG, 1945)
Joaquim Tenreiro (Beira Alta, Portugal, 1906 - Itapira, São Paulo, SP, 1992)
León Ferrari (Buenos Aires, Argentina, 1920 - 2013)
Luiz Hermano (Preaoca, CE, 1957)
Macaparana (Macaparana, PE, 1952)
Mari Yoshimoto (Santa Rosa do Viterbo, SP,1931 – São Paulo, SP, 1992)
Sérvulo Esmeraldo (Crato, 1929 - Fortaleza, CE, 2017)
Willys de Castro (Uberlândia, MG, 1926 - São Paulo, SP, 1988)
Sérgio Sister (São Paulo, SP, 1948)

Posted by Patricia Canetti at 7:54 PM

Marcelo Silveira em Triunfo e Floresta, Pernambuco

Artista leva, em junho, a mostra Compacto com pacto às cidades de Triunfo e Floresta, no Sertão do estado

Não é de hoje que o artista Marcelo Silveira se preocupa em estabelecer diálogos. Em 2017, ele participou de uma residência em Belo Jardim, no Agreste do estado, durante dois meses, e uma das atividades era receber semanalmente moradores da cidade em torno da mesa para um jantar. Um ano antes, em 2016, apresentava a mostra Compacto com pacto, na Galeria Amparo 60, no Recife, na qual trazia obras de diversas fases de sua carreira postas em contato com trabalhos de outros artistas convidados. Agora, Marcelo se propôs a dialogar com duas cidades sertanejas e seus universos.

Como fica claro no nome da mostra, Compacto com pacto, a proposta é criar pactos, com + pactos. “Enquanto na mostra do Recife, eu colocava minhas próprias obras em diálogo, além de ampliar esse debate relacionando-as com trabalhos de outros artistas, propunha uma conversa entre os agentes do mundo da arte, as duas exposições de agora foram adaptadas, a essência ainda é a conversa, mas agora elas têm como interlocutores as pessoas desses lugares”, explica o artista.

A primeira parada acontece em Triunfo, a cerca de 400 km do Recife, no dia 14 de junho. Em visita preliminar a cidade, o artista teve contato com alguns elementos que fazem parte do imaginário local. Chamou-lhe a atenção a produção de relhos (espécie de chicotes em couro), realizada há anos por Seu Quadrado que, mesmo cego, tem perpetuado a tradição. Para essa conversa, Silveira buscou uma obra antiga que havia sido produzida por ele com chicotes, há cerca de 10 anos, intitulada de Compêndio de Doutrina. Essa conversa vai ser exposta na sala da base do teleférico da cidade administrada pelo Sesc.

Na sede da galeria que a instituição mantém na cidade, vão ser mostradas as obras que dão título à exposição, que foram produzidas a partir de fragmentos encontrados de cadeiras, quando emaranhadas, fixadas por uma tira de tecido ao teto, elas se movimentam pela movimentação dos visitantes na sala expositiva. Lá também estarão as propostas de troca do artista com a tradição carnavalesca da cidade, os caretas – figuras satíricas que andam mascarados durante o carnaval. Os adornos utilizados nas cabeças e suas tabuletas (placas em que são escritas frases satíricas como as típicas de para-choques de cami nhão) vão compor a mostra. “Ao est abelecer essa conversa com essas pessoas estamos falando de arte, de criação, de processo criativo. Tudo isso é muito interessante”, pontua o artista.

A comida também será novamente utilizada pelo artista como ponto de partida para o início de uma troca, afinal é na mesa que muitas conversas acontecem, ou, pelo menos, deveriam acontecer. O arroz vermelho, típico da região, mas muito pouco usado no restante do estado, surge como elemento central. Olhando para a sua história, o plantio desse tipo de arroz era bastante comum na região, mas com a chegada do arroz branco, ele perdeu espaço, chegando, inclusive, a ter seu cultivo proibido. “Todos os pacotes de arroz vermelho que encontrei não tinham a procedência de origem. Tinham tudo, até código de barra, mas não havia registro de onde eles teriam sido produzidos. Por que será? Vamos tentar refletir sobre isso juntando pessoas da região em torno de uma mesa”, explica o artista.

Marcelo Silveira também retomará, tanto em Triunfo como em Floresta, a intervenção sonora Tudo Certo, produzida durante a residência artística desenvolvida em Belo Jardim. Trata-se de um trabalho sonoro formado pela reprodução ininterrupta de um disco de vinil com gravação de dezenas de vozes de membros do coral da cidade agrestina, em diferentes timbres e entonações, a expressão "tudo certo". Uma escola em cada uma das cidades sertanejas será palco de uma nova experiência para o projeto.

Além do desenvolvimento de Tudo Certo, em Floresta, que fica a 433 km do Recife e 128 km de Triunfo, Compacto com pacto será inaugurada no dia 20, seis dias após a abertura na cidade vizinha, ficando, ambas em cartaz, concomitantemente. A mostra conta com o apoio da Galeria Casa Pedra Branca, fundada pelo arquiteto Fred Goyanna, que vai receber mais um recorte da série Compacto com pacto, entre outros trabalhos de Silveira.

O diálogo proposto pela mostra será com dois artistas e criadores locais, a pernambucana, natural de Floresta e radicada durante muitos anos em São Paulo: Conceição Cahu, falecida há oito anos. À frente de seu tempo, Conceição desenvolveu um consistente trabalho como chargista e ilustradora durante a década de 1970, se envolvendo em causas feministas e políticas durante o período da ditadura militar. “Apesar de seu trabalho amplamente reconhecido, ela é muito pouco conhecida e falada em Pernambuco. Através dessa mostra, que propõe diálogos e trocas, me interessa muito fazer com que pessoas, trabalhos e nuances pouco vistos possam ser r econhecidos”, diz Silveira. A rede de diá logos se expande e também inclui uma performance do agitador cultural, também natural da cidade, Vavá Paulino (Vavá Schön -Paulino). “Acreditamos que dessa forma vamos conseguir mostrar Floresta de uma maneira diferente”, completa Silveira.

Assim como em Triunfo, um elemento da gastronomia da região foi escolhido para entrar na roda. Ao chegar à cidade na fase de prospecção Marcelo Silveira e sua equipe perceberam, entre as características da cidade, a grande consciência de patrimônio histórico, com o casario sendo conservado, mesmo sem qualquer imposição legal, e a grande quantidade de pés de tamarindo espalhadas pelas ruas. Logo, o fruto foi escolhido como esse elemento gastronômico a representar a cidade. Diferentemente da cidade vizinha, onde será promovido um encontro em torno do arroz vermelho, em Floresta o tamarindo vai entrar enquanto imagem na exposição.

Segundo a curadora, Joana D´Arc, os trabalhos em exposição trazem características marcantes do trabalho de Silveira, que utiliza, habitualmente, coisas e objetos esquecidos, técnicas e procedimentos obsoletos, na construção de sua poética, colocando diversas camadas de tempo em diálogo. “Nossa ideia é que esses pactos que criamos sejam refeitos ao longo do tempo, reposicionando algumas obras, vamos gerar novas conversas, novos ruídos, nossa ideia é brincar com essa ressignificação”.

Para o artista, além de colocar suas obras para conversarem com as duas cidades e seus elementos culturais, ele também está colocando as duas cidades para dialogar entre si, fazendo uma espécie de pacto, de troca, no momento em que ambas vão manter a exposição em cartaz concomitantemente e que gerarão interessantes reflexões. O projeto tem patrocínio do Funcultura e o encerramento das mostras nas duas cidades acontece em 3 de agosto de 2019.

ABERTURAS

Triunfo, 14 de junho de 2019, sexta-feira, às 19h30
Galeria de Arte Triunfo
Praça Dr. Artur Viana Ribeiro 59, Alto da Boa Vista, Triunfo, PE
87-3846-1341

Floresta, 20 de junho de 2019, quinta-feira, às 19h30
Casa Pedra Branca
Praça Antônio Ferraz 141, Centro, Floresta, PE
Segunda a sexta, das 9h às 12h e das 15 às 19h
87-99983-7085

Posted by Patricia Canetti at 3:50 PM

Alfredo Volpi e Bruno Giorgi na Pinakotheke Cultural, Rio de Janeiro

Pinakotheke Cultural reúne mais de 130 obras, em sua maior parte inédita, que contam a amizade de 52 anos dos dois artistas, a mais longeva da arte brasileira

A Pinakotheke Cultural abre a partir de 14 de junho de 2019 para o público a exposição Estética de uma amizade – Alfredo Volpi (1896-1988) e Bruno Giorgi (1905-1993), com mais de 130 obras, em sua grande parte inédita, que narram a longeva e afetiva convivência dos dois artistas, que perdurou por 52 anos. Com curadoria de Max Perlingeiro, da Pinakotheke, e de Pedro Mastrobuono, do Instituto Volpi de Arte Moderna, a ideia da exposição vem sendo desenvolvida há dez anos, e pode ser materializada a partir dos longos depoimentos de Leontina Ribeiro Giorgi, viúva de Bruno, dados aos dois curadores. Ela abriu arquivos e “contou fatos históricos e pessoais, sendo uma memória viva dos dois artistas”, relata Max Perlingeiro. A exposição é acompanhada de um livro com capa dura, 228 páginas e formato de 22cm x 27cm, com imagens das obras e textos do crítico Rodrigo Naves, do psicanalista David Léo Levisky, de Mário de Andrade (excerto do texto escrito em 1944 e publicado na “Revista Acadêmica”, em 1945), e de Max Perlingeiro.

O critério de seleção das obras, todas pertencentes a acervos privados, buscou pontuar a amizade dos dois grandes artistas, iniciada em 1936, quando Bruno Giorgi retornou brevemente ao Brasil, durante sua estada na Itália e França. Em 1939, na volta definitiva de Bruno ao país, a amizade se aprofundou, e daí em diante foram inseparáveis. Além das conversas no edifício Santa Helena, em São Paulo, onde tinham ateliê, às exposições que iam juntos, os saraus, as discussões artísticas, os dois foram irmãos “por escolha”, e Volpi sempre tinha um quarto cativo nas residências de Bruno, que em 1946 se mudou para o Rio de Janeiro, e frequentemente passava períodos na Itália para a produção de suas esculturas. Em 1943, Bruno Giorgi, junto com Sérgio Milliet (1898-1966), foi padrinho do casamento de Volpi com Benedita Maria da Conceição, chamada por Volpi de “Judite”.

“Historicamente, a amizade entre artistas sempre foi objeto de estudo de grandes pesquisadores”, observa Max Perlingeiro. “No Brasil, a longa e duradoura amizade entre artistas foi, sem dúvida nenhuma, entre Volpi e Bruno Giorgi. Ambos se originavam da mesma região na Itália, a Toscana – uma montanha dividia suas famílias. Com personalidades muito diferentes, Volpi e Bruno tinham as mesmas paixões e conviveram por mais de 50 anos até a morte de Volpi, em 1988”, conta.

PERCURSO NA EXPOSIÇÃO

Ao entrar na exposição, o público é recebido pela escultura “Cabeça de Alfredo Volpi” (1942), de Bruno Giorgi, junto da pintura “Sem Título (Retrato de Bruno Giorgi, década de 1940)”, de Volpi.

Na primeira sala, estarão seis paisagens de Volpi e de Bruno, e conjunto de obras – esculturas e pinturas – dedicadas às “Mulheres”, feita pelos dois artistas. Ali ficarão os retratos de Leontina e da artista Eleonore Koch (1926-2018), rara aluna de Volpi, e que a partir de 1947 passou a frequentar também o ateliê de Bruno Giorgi no Rio de Janeiro, onde hoje é o Hospital Pinel, na Urca. Na parede ao fundo da sala estará a pintura de grande formato “Sem Título (Retrato de Judite, 1949)”, de Volpi, e um conjunto de nus femininos, de Bruno, em desenhos, aquarelas e esculturas.

Na segunda sala o público verá uma grande coleção de pinturas de Volpi dos anos 1950 a 1970, que ocuparão três paredes, além de dois conjuntos de esculturas de Bruno: as “espectrais”, termo cunhado pelo filósofo alemão Max Bense (1910-1990), e as “maquetes” das obras de grande formato do artista. Estarão também as esculturas de Bruno como “Capoeira” (década de 1940) e as produzidas para Brasília, como “Meteoro”, “Candangos” e o “Estudo para o Monumento à Cultura”, todas da década de 1960. Na parede de fundo estará a pintura de grande formato “Sem Título (Estudo para o mural Dom Bosco”, Brasília, da década de 1960, de Volpi. Nesta sala haverá ainda uma vitrine com documentos, fotografias, e joias criadas por Bruno Giorgi nos anos 1970 e 1980.

Na terceira sala estarão as obras “Afetivas”, como as dedicadas à Santa Maria Egipcíaca feitas pelos dois artistas: a pintura em 1963 têmpera sobre tela “Sem título”, (c. 1961), com 107cm x 54cm, de Volpi, pertencente ao diplomata Edgard Telles Ribeiro (1944), e o desenho “Santa Maria Egipcíaca” (fim da década de 1960), em caneta hidrográfica sobre papel, feita pro Bruno. A história que envolve esses dois trabalhos se origina na visão oposta que cada um dos artistas teve sobre a santa. Em um sarau literário na casa de Bruno Giorgi, sua amiga e vizinha Maria Telles Ribeiro recita “Balada de Santa Maria Egipcíaca”, do livro “Poesias completas”, de Manuel Bandeira (1886-1968), então em recente edição de 1951. A partir de então, os dois artistas discutiam acaloradamente sobre o episódio narrado, em que a santa teria que cruzar um rio para chegar a Jerusalém e para isso pagou ao barqueiro com sua virgindade. Para Volpi, sua pureza permanecia intacta, posto que como santa seu corpo não importava, diante de sua missão espiritual. Para Bruno, era inaceitável a santa ter vendido seu corpo. O resultado das diferentes visões pode ser visto nas duas pinturas.

Nesta sala estarão também o estudo de Volpi de uma tapeçaria para a casa de Bruno, e a pintura “Sem título” (década de 1970), feita a seis mãos por Volpi, Bruno e Décio Vieira (1922-1988); e o desenho feito por Bruno de seu amigo Volpi, em sua última visita ao amigo, já extremamente debilitado.

Dois documentários com depoimentos dos dois artistas, editados com as obras da exposição, estarão em looping neste espaço.

UM ERA A ÂNCORA DO OUTRO

Embora oriundos da mesma região na Itália, os dois artistas possuíam diferentes formações e status social. O psiquiatra David Léo Levisky salienta que “Bruno era um homem cosmopolita. Muito viajado. Era erudito e gostava de poesias e literatura. Desde pequeno, sua mãe costumava levá-lo ao teatro, onde desenvolveu seu amor pela música. Contudo, seu trabalho estava sempre em primeiro lugar, seguido do interesse pela política e pela cultura”. Ele acrescenta: “Já Volpi não possuía erudição, mas gostava de ouvir Bruno declamar poesias, preferindo aquelas escritas por São Francisco de Assis. Quais as origens da profunda generosidade de Volpi, uma alma portadora de uma religiosidade intrínseca na busca do bem? Entre Alfredo e Bruno, um representava uma âncora para o outro”. “Volpi aparentava pouca preocupação quanto ao futuro de sua obra artística e acreditava que não teria o mesmo reconhecimento público de Bruno. Justificava seu modo de pensar com o fato de seus quadros ficarem no interior das residências de seus colecionadores, enquanto as esculturas de Bruno eram obras públicas, expostas em áreas abertas de cidades importantes, tanto no Brasil quanto no exterior”.

O crítico Rodrigo Naves destaca que “essa aura de simplicidade contribuiu para que muitos críticos e escritores sublinhassem a pureza pessoal e artística e a dimensão intuitiva de Volpi”. Entretanto, o crítico chama a atenção para o fato de que poucos artistas brasileiros dispuseram de um meio cultural tão rico quanto ele, um meio cultural moderno, feito de convivência e diálogo, e não algo acadêmico e protocolar, ainda que esse ambiente cultural tivesse muitas limitações. Desconsiderar essa realidade significaria identificar em sua pintura uma singeleza que sem dúvida rebaixa a complexidade e os dilemas que ela contém”. Naves lembra um depoimento de Bruno Giorgi, em 1979, em que relata “ter levado, em 1937, Mário de Andrade – um dos intelectuais paulistas mais preparados do período – e Sérgio Milliet ao ateliê de Volpi e ambos ‘ficaram maravilhados’”.

JARDINS E PROGRAMA EDUCATIVO

Algumas obras estarão nos jardins, e o programa educativo gratuito será realizado das 11h às 13h, em alguns sábados durante o período da exposição, com a seguinte programação:

29 de junho – Bandeirinhas | Vamos criar nossas próprias obras inspiradas nas famosas bandeirinhas de Alfredo Volpi?
06 de julho – Oficina de bijuteria | Brincando de desenhar e esculpir jóias
13 de julho – Pintando fachadas | Elementos geométricos nas fachadas de Alfredo Volpi
20 de julho – Mastros de Volpi | Criando mastros a partir de sucata
27 de julho – Árvore dos afetos | Criação a partir da amizade

A exposição esteve em cartaz na Pinakotheke em São Paulo, entre 25 de março e 25 de maio último.

Posted by Patricia Canetti at 2:44 PM

Zip’Up: Coletiva Crash na Zipper, São Paulo

As interseções entre autobiografia e ficção aparecem como o eixo central da coletiva Crash, abrigada no programa Zip’Up. A convite da curadora Fernanda Medeiros e da artista Romy Pocztaruk, os artistas emergentes Camila Svenson, Enantios Dromos, Henrique Fagundes e Pedro Ferreira ocupam o andar superior da Zipper com trabalhos que partem dos universos próprios dos artistas para criar narrativas ficcionais com elementos de seus repertórios visuais e afetivos.

No dia da abertura da exposição – 15 de junho –, o artista Henrique Fagundes realiza a performance “Cinema Transcendental”. O trabalho é um vídeo baseado em colagens sonoras e visuais, controladas e executadas ao vivo: uma pintura audiovisual que se constrói através de camadas de informação sobrepostas em uma narrativa fissurada e densa, formada por trechos retirados de vídeos apropriados da Internet remixados e misturados com temáticas de figuras geométricas das raves a sons de disparos de armas de fogo.

Já Camila Svenson apresenta a série “Terra que finda” (2019), em fotografia e vídeo. Trata-se de uma cidade ficcional, concebida pela artista e revistada por ela. “Realizo expedições esporádicas a este território sem nome, inventando um espaço de espera e falsa calmaria, onde o único relógio existente habita a sala escura de uma casa amadeirada. Relógio de corda, que insistentemente toca as 12 badaladas desde que se conhece por relógio - insistindo em uma atividade obsoleta. Algo esta errado mas ninguém consegue explicar o que é”, escreve a artista sobre sua série.

Pedro Ferreira exibe série fotográfica que se articula no poder do discurso visual abstrato e subconsciente, na busca por traças novas diretrizes para tecnologias ultrapassadas. E, por fim, Enantios Dromos mostra fotografias e vídeos, em VHS, que refletem sobre a ressignificação existencial do corpo, a partir performances. A coletiva “Crash” fica em cartaz até 3 de agosto. Idealizado em 2011, um ano após a criação da Zipper Galeria, o programa Zip’Up é um projeto experimental voltado para receber novos artistas, nomes emergentes ainda não representados por galerias paulistanas. O objetivo é manter a abertura a variadas investigações e abordagens, além de possibilitar a troca de experiência entre artistas, curadores independentes e o público, dando visibilidade a talentos em iminência ou amadurecimento. Em um processo permanente, a Zipper recebe, seleciona, orienta e sedia projetos expositivos, que, ao longo dos últimos seis anos, somam mais de quarenta exposições e cerca de 60 artistas e 20 curadores que ocuparam a sala superior da galeria.

Sobre os artistas

Henrique Fagundes é um artista multimídia e um dos diretores do Festivau de C4nn3$, festival audiovisual que reside em Porto Alegre - já tendo acontecido nem cidades como São Paulo, Brasília e Córdoba – Argentina. Formado em licenciatura em Artes Visuais no Instituto de Artes, UFRGS, em sua produção poética realiza instalações, performances visuais e sonoras, e busca relacionar os desdobramentos dessas experiências em outras mídias: trilhas sonoras para pinturas e vídeos que servem de gatilho para sons, criando composições e relações sinestésicas.

Camila Svenson é artista visual. Vive e trabalha em São Paulo, especialmente com vídeo, fotografia e apropriação de objetos. Seu trabalho investiga possíveis experiências de encontro ao outro e como estes encontros acontecem e são modificados quando mediados por uma câmera, procurando refletir sobre as muitas concepções e representações que uma fotografia pode ter. Recebeu certificado em Fotojornalismo e Fotografia Documental do International Center of Photography em 2015. Foi parte de mostras coletivas nos Estados Unidos, Colômbia, Brasil, Islândia, Uruguay e México. A individual “You Will Never Walk Alone” aconteceu no MIS, Museu da Imagem do Som, em São Paulo. Faz parte também do Coletivo Amapoa.

Pedro Ferreira é artista visual e ativista. Utiliza da fotografia e vídeo para conectar assiduamente o eu com o organismo, o grão de areia com o deserto, a falta com o complemento. Articula-se através do poder do discurso visual abstrato e subconsciente em busca de traçar novas diretrizes e sobrescrever tecnologias ultrapassadas.

Enantios Dromos é transativista NB, artista visual, performer e corpo limítrofe. Trabalha do limbo dos gatilhos, atiça raivosamente mentes para imergirem em um inception infinito sobre desprogramação mental e ressignificação existencial. Recorre principalmente aos experimentos com o próprio corpo e outros corpos dissidentes para atuar com suportesdiversos, como vídeo em VHS, fotografia e instalação. Performou durante a SP-ARTE 2018, além de somar parcerias com artistas e coletivos em diferentes projetos, sempre com foco e busca por restituição.

Sobre as curadoras

Romy Pocztaruk (Porto Alegre, 1983) lida com simulações, refletindo sobre a posição a partir da qual a artista interage com diferentes lugares e com as relações entre os múltiplos campos e disciplinas com a arte. Diversas vezes premiado, o trabalho da artista está presente em coleções como Pinacoteca do Estado de São Paulo e Museu de Arte do Rio. Com a série “A Última Aventura”, em que a artista investiga vestígios materiais e simbólicos remanescentes da construção da rodovia Transamazônica, projeto faraônico, utópico e ufanista relegado ao abandono e ao esquecimento, Romy participou da 31ª Bienal de São Paulo. Principais exposições individuais: “Geologia Euclidiana”, Centro de Fotografia de Montevideo, Uruguai (2016); “Feira de ciências”, Centro Cultural São Paulo (2015). Principais exposições coletivas: “Uma coleção Particular: Arte contemporânea no acervo da Pinacoteca”, Pinacoteca de São Paulo, São Paulo (2015); “Télon de Fondo”, Backroom Caracas, Venezuela (2015); “BRICS”, Oi Futuro, Rio de Janeiro (2014); “POROROCA”, Museu de Arte do Rio de Janeiro (2014); “9ª Bienal do Mercosul”, Porto Alegre (2013); “Region 0”, The Latino Video Art Festival of New York, New York (2013); “Convite à viagem: Rumos Itau Cultural”, Itau Cultural, São Paulo (2012).

Fernanda Medeiros (Porto Alegre, 1989) é curadora, pesquisadora e produtora. Bacharel em História pela PUCRS, cursando a especialização lato sensu em Práticas Curatoriais do Instituto de Artes da UFRGS e graduanda no bacharelado em História da Arte da UFRGS. Curadora Assistente e Coordenadora de Operações no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS). Faz parte do comitê de curadoria da Galeria Ecarta. Idealizadora e editora da Cactus Edições, selo de publicações de artistas. Produtora na Bronze Residência, no festival de video-arte “C4NN3S” e na Feira Folhagem de publicações. Foi coordenadora do Centro de Documentação e Pesquisa da Fundação Vera Chaves Barcellos (2012-2019) e sócio-fundadora, curadora e produtora no Acervo Independente (2014 - 2017).

Posted by Patricia Canetti at 1:14 PM

Pedro Varela na Zipper, São Paulo

A representação do imaginário tropical – ou daquilo que se constituiu como discurso dominante em relação aos trópicos – tem sido o principal objeto de investigação de Pedro Varela. Se, em séries anteriores, o artista tratou do tema a partir da monocromia e de uma certa frieza, nas pinturas reunidas em sua nova individual na Zipper, aberta no dia 15 de junho, predomina uma exuberante paleta de cores, muitas vezes dissonante e contrastante. Autofágico, com curadoria de Marcelo Campos, é a quarta individual dele na galeria.

A diversidade cromática reforça a relação de diálogo entre figuração e abstração presente na obra de Pedro Varela. “Os trópicos ganham estranheza através destas cores. Em alguns momentos, chegam a ser psicodélicos, com rosas e verdes fluorescentes. Em outros apresenta tons que poderiam estar em pinturas de Guignard, Tarsila do Amaral, Glauco Rodrigues, Segal ou gravuras de Goeldi”, comenta o artista.

Mas não só as cores marcam a diferença em relação às séries anteriores. Em “Autofágico”, o artista faz releituras de gêneros clássicos da pintura – como natureza morta e paisagem – em trabalhos nos quais se imbricam uma infinidade de personagens, paisagens inventadas, uma “botânica alienígena”, textos, formas abstratas, misturadas às referências europeias de representação dos trópicos e os elementos da história da arte.

Outra característica que sobressai dos trabalhos é a busca do artista por um universo híbrido, de narrativa não linear, com alusões do carnaval aos artistas viajantes, do barroco mineiro ao modernismo antropofágico. “Abri espaço para uma discussão sobre a vida contemporânea. São pinturas que de alguma maneira tentam ser autofágicas em relação a nossa cultura, digerindo e regurgitando o que foi absorvido durante nossa modernidade”, ele afirma.

Sobre o artista

Pedro Varela (Niterói, Brasil, 1981) vive e trabalha em Petrópolis, Rio de Janeiro. O artista mistura referências literárias e do período barroco em pinturas que remetem a um mundo tropical imaginário. Com um forte caráter de narrativas visuais, suas obras exploram a ideia do exótico frequentemente associada aos trópicos. Em séries mais recentes, Varela vem alternado pinturas em tons vibrantes e formas psicodélicas e outras em paletas de cores reduzidas, como monocromáticos em preto, branco e azul. Tem trabalhos nas seguintes coleções: Coleção SESC (São Paulo-SP); Gilberto Chateaubriand/Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ); Montblanc México (Cidade do México); Sprint Nextel Art Collection, Overland Park; Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro (MAR-RJ). Entre suas principais exposições destacam-se: “Pedro Varela”, Zipper Galeria, São Paulo, 2016; "O grande tufo de ervas (Com Mauro Piva)", Galeria do Lago – Museu da república, Rio de Janeiro, 2015; "Crônicas tropicais", MDM Gallery, Paris, 2015; "Tropical", Galeria Enrique Guerrero, Mexico DF, 2014; "Dusk to dawn… Threads of infinity (com [with] Carolina Ponte)", Anima Gallery, Doha, Catar, 2014; "Pedro Varela", Centre Culturel Jean-Cocteau, Les Lilas, 2014; "Pedro Varela", Xippas, Montevidéu, 2013; "Le Brésil Rive Gauche", Le Bon Marché Rive Gauche, Paris, 2013; "Tropical", Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 2012; "Ficções", Caixa Cultural do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015; "Anima Gallery two years anniversary", Anima Gallery, Doha, Qatar, 2014'; "Latina", Xippas Art Contemporain, Genebra, 2014; "Repentista", Gallery Nosco, Londres, 2014.

Sobre o curador

Marcelo Campos. Possui graduação em Comunicação Social - Faculdades Integradas Hélio Alonso (1994), mestrado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2001) e doutorado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2005). Atualmente é professor adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, professor efetivo do Programa de Pós Graduação em Artes/UERJ, Diretor do Departamento Cultural da UERJ. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Crítica da Arte e Curadoria, atuando principalmente nos seguintes temas: arte contemporânea, artes visuais, história e teoria da arte, antropologia da arte e brasilidade.

Posted by Patricia Canetti at 11:51 AM

junho 10, 2019

Alexandre Arrechea na Nara Roesler, Rio de Janeiro

Artista cubano Alexandre Arrechea exibe em Superfícies em conflito obras originadas a partir de interferências urbanas

Usando a ideia de conflito aparente na arquitetura urbana, o artista cubano Alexandre Arrechea criou obras que encenam contrastes entre a ordem e o caos, unindo opostos em combinações de cores e silhuetas geométricas. O resultado dessas experimentações entre paradoxos poderá ser visto pelo público do Rio de Janeiro a partir de 11 de junho na Galeria Nara Roesler, localizada em Ipanema.

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“A ideia de conflito vem de como duas visões diferentes (vizinhas) coincidem, o que me permite especular a criação de um rosto onde o conflito é encenado. No meu desejo de dissecar a arquitetura, esta é uma reviravolta dos trabalhos que fiz na série Corners [Cantos] (exibida entre fevereiro e abril em Nova York), explica Arrechea.

Quem visitar a exposição poderá ver como esses trabalhos de Arrechea conversam com as máscaras feitas por velhos mestres como Picasso, fazendo com que elas ganhem uma nova leitura, dando rosto às paisagens anônimas. A mostra Superfícies em conflito trará nove exemplos deste trabalho e poderá ser visitada até 31 de agosto.

Máscaras feitas a partir das fachadas urbanas

Desde 2015, o artista vem trabalhando com a máscara, um objeto simbólico, que assume qualidades antropomórficas e que aparece em pinturas, tapeçarias e projeção de vídeo construídas a partir de formas e cores das fachadas da cidade. Em Superfícies em conflito, Arrechea cria máscaras unindo diferentes ambientes e realidades sócio-econômicas em molduras ovais que lembram rostos abstratos e trazem um pouco de cada vizinhança em si.

Os elementos dessa paisagem urbana foram extraídos originalmente das ruas dos bairros de Centro Havana e Vedado, em Cuba, ganhando densidade com as texturas das paredes, da passagem do tempo e da pegada humana latente em cada fragmento usado na construção das máscaras. “Cada esquina representa um corte ou um desdobramento na superfície construída, uma mudança na perspectiva, um eixo de encontros. A visão tridimensional desses espaços cede à imagem bidimensional que funciona, muitas vezes, como reflexo impreciso de um lado da obra em comparação ao outro”, explica o produtor cultural cubano Rodolfo de Athayde, que assina o texto desta exposição.

Linguagem subjetiva e carreira solo

Alexandre Arrechea foi membro fundador do coletivo artístico cubano Los Carpinteros e já teve individuais em instituições como Museo Nacional de Bellas Artes em Havana; PS1 Contemporary Art Center em Nova York; Los Angeles County Museum of Art (LACMA) em Los Angeles; e New Museum em Nova York. Há mais de uma década, Arrechea exercita um distanciamento daquele “objeto útil ressignificado”, que está associado ao trabalho coletivo com Los Carpinteros em sua carreira solo, onde aparecem obras que marcam o ponto de partida para uma linguagem mais subjetiva que conduz a uma visualidade e a conceitos mais abstratos.

Alexandre Arrechea (n. 1970, Trinidad, Cuba) debate por meio de desenhos em aquarela, esculturas e instalações, geralmente em grande escala, questões como história, memória, política e relações de poder presentes no espaço urbano, dialogando diretamente com a arquitetura. Destacou-se no cenário artístico internacional como um dos membros fundadores do coletivo cubano Los Carpinteros, do qual fez parte de 1991 a 2003. Seguindo carreira solo desde 2003, Arrechea é amplamente reconhecido por NOLIMITS (2013), projeto monumental composto por dez esculturas inspiradas em edifícios muito representativos da cidade de Nova York, apresentada ao longo da Park Avenue, e Katrina Chairs (2016), apresentado no Coachella Music Festival, Palm Springs, CA, EUA. Sua mais recente série de trabalhos consiste em tapeçarias, obras em papel e pinturas compostas a partir de fotomontagens elaboradas com detalhes de edifícios significativos de Havana, formando composições que remetem a máscaras africanas.

Suas obras estão em museus e coleções particulares do mundo todo, entre eles: MoMA (Nova York, EUA); Pizzuti Collection (Columbus, EUA); Von Christierson Collection (Londres, Reino Unido); Kadist Art Foundation (São Francisco, EUA); Farber Collection (EUA); CAB (Burgos, Espanha); Museo del Barrio (Nova York, EUA); CIFO (Miami, EUA); Brooklyn Museum (Nova York, EUA); Miami (Flórida, EUA); Ellipse Foundation (Lisboa, Portugal); San Diego Museum of Art (San Diego, EUA); LACMA (Los Angeles, EUA); Martin Margulles Collection (Miami, EUA); Museo Nacional de Bellas Artes (Havana, Cuba); ASU Art Museum (Arizona, EUA); Museo Centro de Arte Contemporáneo Reina Sofia (Madri, Espanha); Daros Collection (Zurique, Suíça); Thyssen-Bornemisza Contemporary Art Foundation (Viena, Áustria); Cincinnati Museum of Contemporary Art (Cincinnati, EUA); entre outros.


Cuban artist Alexandre Arrechea exhibits Superfícies em conflito [conflicting surfaces], showing works that originate from urban interactions

Using the idea of apparent conflict in urban architecture, the Cuban artist Alexandre Arrechea created works that enact contrasts between order and chaos, uniting opposites in a combination of colors and geometric silhouettes. The result of these experiments between paradoxes can be seen by the public of Rio de Janeiro starting at june 11 at Galeria Nara Roesler, located in Ipanema.

“The idea of conflict comes from how two different (adjacent) views coincide, which allows me to speculate on the creation of a face where the conflict is staged. In my desire to dissect the architecture, this is a twist of the works I did in the Corners series (shown between February and April in New York),” Arrechea explains.

Whoever visits the exhibition can see how these works from Arrechea dialogue with masks made by old masters like Picasso, causing them to be re-examined, giving a face to the anonymous landscapes. Superfícies em conflito will show give you nine examples of this work and can be seen until august 31.

Masks made from urban facades

Since 2015, the artist has been working with masks, a symbolic object that assumes anthropomorphic qualities and that appears in paintings, tapestries and video projection built from the shapes and colors of the facades of the city. In Superfícies em conflito, Arrechea creates masks linking different environments and socio-economic realities into oval frames that resemble abstract faces and bring in a bit of each neighborhood in itself.

The elements of this urban landscape were originally taken from the streets of downtown Havana and Vedado, Cuba, gaining density with the textures of the walls, the passage of time and the latent human footprint in each fragment used in the construction of the masks. “Each corner represents a cut or split on the built surface, a change in perspective, an axis of encounters. The three-dimensional view of these spaces gives way to the two-dimensional image that often works as an imprecise reflection of one side of the work in comparison to the other,” explains Cuban cultural producer Rodolfo de Athayde, who signs the critical essay of the exhibition.

Subjective language and solo career

Alexandre Arrechea was a founding member of the Cuban artistic collective Los Carpinteros and has already had individual shows at institutions such as Museo Nacional de Bellas Artes in Havana; PS1 Contemporary Art Center in New York; Los Angeles County Museum of Art (LACMA) in Los Angeles; and New Museum in New York. For more than a decade, Arrechea has exercised a distancing from that “redefined useful object”, which is associated with the collective work with Los Carpinteros in his solo career, where works appear that mark the starting point for a more subjective language that leads to visuality and more abstract concepts.

Alexandre Arrechea (b. 1970, Trinidad, Cuba) debates through the use of watercolors, sculptures and installations, usually on a large scale, issues such as history, memory, politics and power relations present in the urban space, dialoguing directly with architecture. He stood out in the international artistic scene as one of the founding members of the Cuban collective Los Carpinteros, of which he was part of between 1991 and 2003. Following a solo career since 2003, Arrechea is widely recognized by NOLIMITS (2013), a monumental project composed of ten sculptures inspired by buildings very representative of New York City, presented along Park Avenue, and Katrina Chairs (2016), presented at Coachella Music Festival, Palm Springs, CA, USA. His most recent series of works consists of tapestries, works on paper and paintings composed from photomontages elaborated with details of significant buildings in Havana, forming compositions that refer to African masks.

His works are in museums and private collections around the world, among them: MoMA (New York, USA); Pizzuti Collection (Columbus, USA); Von Christierson Collection (London, UK); Kadist Art Foundation (San Francisco, USA); Farber Collection (USA); CAB (Burgos, Spain); Museo del Barrio (New York, USA); CIFO (Miami, USA); Brooklyn Museum (New York, USA); Miami (Florida, USA); Ellipse Foundation (Lisbon, Portugal); San Diego Museum of Art (San Diego, USA); LACMA (Los Angeles, USA); Martin Margulles Collection (Miami, USA); Museo Nacional de Bellas Artes (Havana, Cuba); ASU Art Museum (Arizona, USA); Museo Centro de Arte Contemporáneo Reina Sofía (Madrid, Spain); Daros Collection (Zurich, Switzerland); Thyssen-Bornemisza Contemporary Art Foundation (Vienna, Austria); Cincinnati Museum of Contemporary Art (Cincinnati, USA); among others.

Posted by Patricia Canetti at 12:41 PM

junho 9, 2019

João Loureiro na Sé, São Paulo

Sé apresenta a primeira exposição individual do artista João Loureiro no espaço da galeria. O artista também será apresentado na feira Liste, em Basel, a mais importante das feiras para galerias emergentes. A Sé Galeria será a única galeria brasileira a participar da edição de 2019.

A exposição Peixe-elétrico-moto-clube fica em cartaz na Sé Galeria de 11 de maio a 24 de agosto e conta com desenhos, animações e instalações, uma delas no estacionamento que ocupa o piso térreo do prédio onde se encontra a Sé galeria, exatamente abaixo da sala de exposição principal.

Os trabalhos dialogam com o contexto no qual a galeria está localizada, o centro histórico de São Paulo, na primeira rua da cidade, de tráfego intenso de pessoas e veículos.

João trabalha com uma ampla gama de interesses. De biologia, arquitetura e história ao próprio sistema de arte, os trabalhos muitas vezes tratam do banal, do cotidiano. Mas aqui um cotidiano desprovido de previsibilidades, em que objetos comuns tem sua função alterada, seu lugar social revirado agregando potencial crítico ao ordinário e ao usual.

São operações poéticas e conceituais complexas: o desenvolvimento de um duplo do universo apropriado, um tanto absurdo nos seus modos de representação e organização, capaz de atribuir novos significados a esses objetos.

Essa exposição tem como ingredientes elementos de um universo característico ao centro de São Paulo: os estacionamentos fervilhando de motocicletas, motores, escapamentos, motoboys, tudo em intensa vida e circulação. Sobretudo o estacionamento localizado abaixo da galeria Sé. À esses elementos, o artista soma referências filmográficas e literárias e ainda linguagens menos comuns ao circuito das artes como animações e quadrinhos.

O desenvolvimento das obras é parte de um processo amplo de desdobramentos e contaminações. Assim, uma moto, cujo farol é um projetor de filmes, estacionada entre outras motos no estacionamento do piso inferior, é transformada em uma espécie de moto-cinema que circulará pelo centro. Uma segunda moto no interior da galeria que, de ponta-cabeça, se transforma num projetor de cinema antigo, mostra uma animação de uma marmita girando.

Fazendo uso, ainda, de um elemento imagético utilizado pelos próprios motociclistas, João traz um conjunto de adesivos para dentro da galeria: tigres, bonecos Michelin, cartelas de brasões e marcas automotivas aplicadas de modo incomum. Ícones reconhecíveis em transgressão simbólica, subvertida a lógica trivial de seu entendimento: imagens altamente consumidas e reconhecíveis, aqui destituídas de seu sentido original, transformadas em objetos que não aceitam mais seu status imaterial.

O desenho em grande formato de uma batida frontal entre dois carros remonta ao universo dos quadrinhos e da literatura. Aqui, o romance Crash, de 1973 de J. G. Ballard, agrega erotismo e violência ao imaginário automobilístico. A vista superior do acidente, que torna a cena visível de qualquer lado, faz referência aos quadrinhos The Upside-Downs of Little Lady Lovekins an Old Man Muffarro, de Gustave Verbeek, publicados entre 1903 e 1905 no The New York Herald. Os quadrinhos semanais de seis painéis permitiam ser lidos dos dois lados: girando a página de ponta cabeça, os mesmos desenhos mostravam outra história.

Nos trabalhos apresentados, o artista se utiliza de meios expressivos algo secundários, como animações, quadrinhos e adesivos. João desestabiliza a banalidade do valor dos objetos cotidianos com suas operações imagéticas e também desestabiliza a própria noção de valor dentro do sistema da arte por meio da inclusão das linguagens periféricas à este. Trata-se de uma provocação sobre a própria superficialidade das imagens construídas para o consumo fácil.

Posted by Patricia Canetti at 1:40 PM

Carlito Carvalhosa na Silvia Cintra + Box 4, Rio de Janeiro

O artista paulistano Carlito Carvalhosa abre no próximo dia 13 sua nova individual na galeria – O comércio das coisas. Será uma grande interferência no espaço, com inúmeras pinturas em alumínio e em cera, de pequeno e médio formato, que serão dispostos em meio a tubos de luz fria pendurados no teto.

Essas novas pinturas em óleo e cera remetem a uma tipologia que foi desenvolvida pelo artista no final dos anos 80, quando realizou seus primeiros experimentos com cera de abelha e pigmentos. Inclusive, algumas obras deste período estarão presentes na mostra, criando uma relação com as novas obras em que Carlito usa os próprios punhos e polegares para manipular o material, criando impressões com sobreposição de cor.

Já as pinturas em alumínio, nesta nova série, deixam de ser monocromáticas como as obras desenvolvidas pelo artista desde o final dos anos 2000 e ganham inusitadas combinações de cor. O óleo sobre o alumínio espelhado cria um tipo de superfície em que a pintura parece flutuar.

Carlito Carvalhosa fez parte do grupo artístico Casa 7 ao lado de nomes como Nuno Ramos, Rodrigo Andrade e Paulo Monteiro. Durante os anos 80 eles foram responsáveis pelo movimento de volta à pintura em São Paulo. Durante as últimas décadas participou de inúmeras mostras importantes no Brasil e no exterior, entre elas as Bienais de São Paulo, Havana e Mercosul e uma individual em 2013 no MOMA de Nova Iorque.

Posted by Patricia Canetti at 1:18 PM

junho 8, 2019

Pausa na Clima Galeria, Rio de Janeiro

Exposição coletiva reúne trabalhos de grandes nomes da arte nacional propondo um tempo para a contemplação

Em tempos tão agitados, ainda é possível parar? Respirar? Sentir? Na exposição Pausa, que abre no próximo dia 13 de junho na Clima Galeria, sim! Pelo menos é essa a provocação que a mostra faz ao reunir cerca de 40 obras - pinturas e esculturas - que têm em comum representações do tempo.

Quisemos propor um momento para sentir a arte. A exposição traz uma reflexão sobre objetos que concentram o tempo, acumulam, densificam-se trazendo o passado, a história e as memórias para o presente e, como a força gravitacional de uma singularidade, param o tempo – explica o curador Maurício Lima, um dos sócios da galeria ao lado de Felipe Siqueira e Frederico Almeida.

Muito diferentes entre si, as obras evocam questões diversas: a continuidade na obra de Gustavo Pérez Mónzon; o movimento interrompido, na de Claudia Jaguaribe; a passagem do tempo, na de Hilal; o momento que se repete, na de Sérgio Lucena. Juntas, propõem uma pausa para a contemplação. Da arte. E do próprio tempo.

Novata no mercado carioca, a Clima Galeria está há oito anos em Brasília e, desde 2016, faz sucesso também em Miami. No Rio, criada como um escritório de arte, faz poucas exposições anuais reunindo, quase sempre, obras de alguns dos grandes artistas que representa.

Posted by Patricia Canetti at 11:48 AM

Mário Cravo Neto na Millan, São Paulo

Exposição de Mário Cravo Neto, O Estranho e o Raro, com curadoria de Bené Fonteles e Christian Cravo, inaugura dia 13 de junho, às 19h, no Anexo Millan, com uma conversa entre os curadores e a antropóloga e historiadora Lilia Schwarcz.

Fotógrafo, escultor e desenhista, Mário Cravo Neto recebeu suas primeiras orientações no campo das artes de seu pai, o artista Mario Cravo Júnior. Desde o início de sua carreira, interessou-se sobretudo pela fotografia.

Esta mostra, com 52 registros, joga um olhar sobre a parcela menos conhecida de sua produção, constituída de esculturas, instalações e desenhos concebidos entre o final dos anos de 1960, em Nova York - onde morou por alguns anos - e o início dos anos 1980, em Salvador, sua cidade natal.

Um dos pilares desse recorte, é o acidente de carro que deixou Mário Cravo Neto imobilizado durante um ano na casa dos pais, em um período de profunda transformação e dor. Seus registros transitam pelo imaginário religioso e místico. Revisitamos Cravo Neto com a amorosa reverência dos curadores Christian Cravo, seu filho e também fotógrafo, e Bené Fonteles, artista e amigo.

Mário Cravo Neto foi um dos primeiros fotógrafos contemporâneos brasileiros a obter ampla consagração internacional a partir da década de 1970, tendo realizado numerosas em diversos países. Entre as mostras, podemos destacar as XI, XII, XIII, XIV e XVII Bienais de São Paulo, SP; Geográfias (in)Visibles, Arte Contemporáneo Latinoamericano en la Colecion Patricia Phelps de Cisneros, Centro Cultural Eduardo León Jimenes, Santiago, República Dominicana (2008); Mapas Abiertos, Fotografia LatinoAmericana 1991-2002, Palau de la Virreina, Barcelona, Espanha (2008); O Tigre do Dahomey – A Serpente de Whydah, Museu Afro-Brasil, São Paulo, SP (2005); Ars Erotica: Sexo e Erotismo na Arte Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP (2000); Fahey Klein Gallery, Los Angeles, EUA (1998); e Kunstverein Steyr, Stein, Áustria (1995), entre outras.

Posted by Patricia Canetti at 10:58 AM

junho 7, 2019

Marcelo Silveira na Nara Roesler, São Paulo

Marcelo Silveira propõe novas conexões entre pessoas e objetos encontrados em Compacto mundo das coisas

A Galeria Nara Roesler | São Paulo inaugura no dia 8 de junho uma nova mostra do artista recifense Marcelo Silveira, com curadoria de Daniel Rangel. Intitulada Compacto mundo das coisas, a exposição apresenta cinco séries de obras, unidas por afinidades estéticas, conceituais e processuais em que o artista se apropria do “mundo das coisas” para realizar desenhos, esculturas e instalações através de cartões postais, pedaços de cadeiras, plásticos e livros.

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Com o olhar sempre atento, é na cidade de Recife que Marcelo Silveira busca pela maior parte da matéria-prima de seus trabalhos, elegendo objetos e materiais que, segundo o curador da mostra, vão “gradativamente abandonando o repouso inútil do descarte que sofreram e passam a provocar o artista.”

postais

Postais centenários encontrados pelo artista em um brechó dão origem à série Irene, nome que remete não só à música homônima de Caetano Veloso, mas também à destinatária dos postais, que os recebeu em três endereços em Recife, entre as décadas de 1910 e 1920: na Rua da Alegria, na Rua da Glória e na Rua do Aragão. Estes endereços hoje, segundo o artista, “são ruas que a cidade esqueceu”.

E é através do questionamento de como dar relevância à lembrança destes lugares que o artista desenvolve a série, intervindo com caneta esferográfica sobre os postais ou com carimbos sobre os seus versos. Juntos e envoltos em uma espécie de moldura, os postais dão origem a paisagens fictícias ou, ainda, podem remeter a um revestimento arquitetônico.

compactos com pacto

Feita a partir de pedaços de cadeiras, a série Compacto com pacto tem como intenção fazer com que o visitante identifique as possibilidades do objeto no espaço e a disputa espacial entre a peça e quem se movimenta ao seu redor. O que antes era cadeira, agora volta ao espaço ocupando-o com uma movimentação gráfica de linhas que se entrelaçam, se conversam e se interrompem.

Segundo o artista, a série fala da necessidade de se estabelecer pactos. “O que me motivou na criação desta obra foi o pacto, a possibilidade de a gente estabelecer diálogos e construir algo que não se faz sozinho”, explica Marcelo.

camaleão

A instalação Camaleão é uma obra composta por pedaços de papel colorido, mais precisamente as embalagens das réguas utilizadas pelo artista na produção da série Caleidoscópio. Unidos, os recortes lembram uma pintura quando uma projeção de luzes incide sobre eles. A estabilidade da ‘pintura’ é rompida quando a cor de uma luz é projetada sobre uma superfície de cor diferente, transformando-se em outra cor. O trabalho permite refletir sobre a ilusão que se tem sobre coisas e seres – e sua impermanência.

livros de artista

A exposição traz também trabalhos das séries O desenho da casa, Modernas e Muito pelo contrário, em que o artista, em uma operação de aproximação, intervém com desenhos simples diretamente sobre as páginas de livros doados pela Casa do Desenho, em Porto Alegre, após seu fechamento. “A imaginação do espectador é ativada pelos títulos e nomes visíveis, alguns conhecidos, outros não. A maioria dos grupos é formada por pequenas coleções, de livros afins ou enciclopédias e dicionários. O procedimento investigativo e o ato de colecionar são recorrentes na produção do artista”, acrescenta Daniel Rangel.

acumaé

Acumaé, segundo o artista, é uma expressão simples e regional, para se perguntar o preço das coisas. Dá nome também à série de objetos sonoros em madeira freijó que foram pensados pelo artista para estabelecer costuras e criar um projeto maior, que vai além da peça de madeira em si. Durante a abertura, o artista e o curador da mostra, Daniel Rangel, irão promover uma espécie de cortejo pela galeria, embalado pela fusão de sons de intensidades diferentes, gerados através de batidas com as mãos nos objetos sonoros e do canto entoado pelos participantes do cortejo.

Com uma diversidade de técnicas e dinâmicas, Marcelo Silveira convida o público a adentrar este espaço de ressignificação do tempo e das coisas e, ainda, nas palavras do curador, “nos oferece sua sensibilidade como chave para questionarmos nossa relação com os objetos e com as pessoas que nos cercam.”

Marcelo Silveira é reconhecido por seu trabalho em escultura e instalação, envolvendo também outros suportes, como desenho, colagem e livros de artista. Partindo das noções de produção, apropriação e acumulação, o artista desenvolve obras que colocam em questão a natureza dos materiais, apresentando também uma abordagem sobre práticas artesanais. Seu trabalho vem sendo apresentado em importantes bienais, como: 35º Panorama da Arte Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo, Brasil (2017); 10ª e 5ª edições da Bienal do Mercosul, Porto Alegre, RS, Brasil (2015 e 2005); 29ª Bienal de São Paulo, Brasil (2010); entre outras.

seleção de coleções permanentes
• Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM-RJ, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
• Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), São Paulo, SP, Brasil
• Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM), Recife, PE, Brasil
• Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil

seleção de exposições recentes
• Sesc Santo Amaro, Santo Amaro, SP, Brasil, 2019
• Torre Malakoff, Recife, PE, Brasil, 2018
• Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (MACS), Sorocaba, SP, Brasil, 2018
• Museu do Trem, Recife, PE, Brasil, 2018
• Residência Belojardim, Belo Jardim, PE, Brasil, 2017


Galeria Nara Roesler | São Paulo inaugurates a new exhibition by Marcelo Silveira on June 8 th . Curated by Daniel Rangel, Compacto mundo das coisas [compact world of things] presents five series of works, united by aesthetic, conceptual and procedural affinities. The artist appropriates the “world of things” to make drawings, sculptures and installations through postcards, pieces of chairs, plastic objects and books.

With a watchful eye, Marcelo Silveira searches for most of the raw material of his works in the city of Recife, choosing objects that, according to the curator of the show “gradually abandon the useless rest of the discard they suffered and start provoking the artist”.

post cards

Centenary postcards found by the artist in a thrift store originate the series Irene, a name that refers not only to a Caetano Veloso song with the same name, but also to the recipient of the postcards, that received them in three addresses in Recife, between 1910 and 1920: at streets Rua da Alegria, Rua da Glória and Rua do Aragão. These addresses today, according to the artist, “are streets that the city forgot”.

And it is through the questioning of how to give relevance to the memory of these places that the artist develops the series, intervening with ballpoint pen on the postcards or with stamps over their verses. Together, in a kind of frame, the postcards create fictitious landscapes or resemble an architectural coating.

compactos com pacto [compacts with pact]

Made of pieces of chairs, the series Compacto com pacto [Compact with pact] is intended to make the visitor identify the possibilities of the object in space and the spatial dispute between the piece and who moves around it. What used to be a chair now returns to space occupying it with a graphical movement – lines that intertwine, converse and interrupt themselves.

According to the artist, the series speaks of the need to establish pacts. “What motivated me in the creation of this work was the pact, the possibility of establishing dialogues and building something that is not done alone,” explains Marcelo.

camaleão [chameleon]

The Camaleão [chameleon] installation is a work composed of pieces of colored paper – more precisely, the packaging of the rulers used by the artist in the production of the series Caleidoscópio [kaleidoscope]. Together, the cutouts resemble a painting when a projection of light strikes it. The stability of the ‘painting’ is broken when one color of light projects over a surface in a different color, turning it into another color. The work allows us to reflect on the illusion one has about things and beings – and their impermanence.

artist’s books

The exhibition also includes works from the series O Desenho da Casa [the drawing of the house], Modernas [modern] e Muito pelo contrario [quite on the contrary], in which the artist, in an approaching operation, intervenes with simple drawings directly on the pages of books donated by Casa do Desenho, in Porto Alegre, after its closure. “The viewer’s imagination is activated by visible titles and names, some known, some not. Most groups consist of small collections of related books or encyclopedias and dictionaries. The investigative procedure and the act of collecting are recurrent in the artist’s production”, adds Daniel Rangel.

acumaé

Acumaé, according to the artist, is a simple and regional expression to ask the price of things. It also gives name to the series of sound objects made out of wood that were designed by the artist to establish seams and create a larger project that goes beyond the piece of wood itself. During the opening, the artist and the curator of the show, Daniel Rangel, will promote a kind of procession through the gallery, packed by the fusion of sounds of different intensities, generated by beats with hands on the sound objects and the singing chanted by the participants of the courtship.

With a diversity of techniques and dynamics, Marcelo Silveira invites the public to enter this space which gives new meaning to time and things and, in the words of the curator, “offers us his sensitivity as a key to question our relationship with objects and people who surround us.”

Marcelo Silveira is recognized for his work in sculpture and installation, also including other supports, such as drawing, collage, and artist books. Based on notions of production, appropriation and accumulation, the artist develops works which question the nature of the materials, also presenting an approach on artisan practices. His work has been presented at important biennials, such as: 35 th Panorama da Arte Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo, Brazil (2017); 10 th and 5 th editions of the Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brazil (2015 and 2005); 29 th Bienal de São Paulo, Brazil (2010); among others.

a selection of permanent collections
• Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM-RJ, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro, RJ, Brazil
• Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), São Paulo, SP, Brazil
• Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM), Recife, PE, Brazil
• Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, SP, Brazil

a selection of recent exhibitions
• Sesc Santo Amaro, Santo Amaro, SP, Brazil, 2019
• Torre Malakoff, Recife, PE, Brazil, 2018
• Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (MACS), Sorocaba, SP, Brazil, 2018
• Museu do Trem, Recife, PE, Brazil, 2018
• Residência Belojardim, Belo Jardim, PE, Brazil, 2017

Posted by Patricia Canetti at 6:55 PM

Ópera performática Migrações na EAV Parque Lage, Rio de Janeiro

Migrações - Ópera performática sobre a onda de migrações no mundo estreia no Parque Lage, com libreto de Geraldo Carneiro, direção de Duda Maia e música de Beto Villares e Armando Lôbo.

8 de junho de 2019, sábado, às 20h

Escola de Artes Visuais do Parque Lage - Salão Nobre
Rua Jardim Botânico 414, Rio de Janeiro
Ingressos online: R$ 100 | R$ 50 (meia)

No dia 8 de junho, às 20h, o salão nobre da Escola de Artes Visuais do Parque Lage retomará sua vocação original como palco da ópera performática “Migrações”. Com direção da premiada Duda Maia, libreto do poeta Geraldo Carneiro, música de Beto Villares e Armando Lôbo, o espetáculo traz no elenco a soprano Gabriela Geluda e a atriz Gabriela Luz. Os deslocamentos de milhões de pessoas em diferentes épocas, da mítica Tróia aos refugiados da Síria hoje, são o fio condutor da narrativa em cena. Com apoio cultural da Oi e Oi Futuro, o espetáculo é uma realização de Gabriela Geluda.

Idealizador do espetáculo, Geraldo Carneiro se encantou com a experiência de fazer o libreto de “Na boca do cão” (um projeto pessoal de Gabriela Geluda) e, desta vez, o convite e o tema partiram dele. “Os fluxos migratórios sempre existiram. Esses movimentos são motivo de fascínio e terror, desde a Guerra de Tróia à diáspora africana. Queria falar da necessidade de transformar a migração numa preocupação permanente, mas de forma poético-alegórica. Não queria uma obra naturalista. É preciso abrir as fronteiras do conhecimento, do afeto, compreender que existe o outro e que ele precisa ser compreendido na sua diferença. As migrações são permanentes, mas as fronteiras são sempre provisórias.”

“Migrações” mistura música, dança e teatro num formato bem diferente das óperas tradicionais, buscando o conceito da ópera performática, onde a cena passa ser uma experiência para o espectador, sem a obviedade de uma história com começo, meio e fim. Mas trazendo imagens e sonoridades que conduzam o público a uma dramaturgia particular. Com quase 30 anos de experiência como soprano solo das óperas de Jocy de Oliveira, Gabriela Geluda acredita na importância de levar a ópera a um público mais diverso, ampliando os limites dentro do gênero.

“Investimos numa composição inédita e trabalhamos com uma equipe reduzida. Assim, faremos uma temporada mais longa que a de uma ópera tradicional”, explica Gabriela, que também exalta a importância da temática do espetáculo. “Minha família é de origem judaica, meus avós são judeus e vieram para o Brasil fugindo da Segunda Guerra. Tenho três avós poloneses e uma alemã. Migrar para sobreviver é algo bastante forte na minha família”, conta a artista que, além de estar em cena, assina a realização do projeto.

Composta pelo produtor musical e compositor paulista Beto Villares, com composições e arranjos do artista pernambucano Armando Lôbo, a música inédita

permeia o espetáculo no limiar entre uma ópera e um espetáculo com uma trilha. Com experiência em criar para o cinema (como “Xingu”, “Bingo, o rei das manhãs” e “Filhos do Carnaval”), Beto viu no convite feito por Geraldo um desafio profissional. “É um universo totalmente diferente de tudo que eu já vivi. É a primeira vez que eu componho para uma cantora lírica, e a troca com a Gabriela durante o processo de criação foi muito importante”, conta. “A emoção que eu queria passar é de uma beleza com desamparo, tristeza e seriedade.” O trio formado por Cesar Bonan (clarinete e clarone), Daniel Silva (cello) e Rodrigo Foti (vibrafone).

Os poemas do libreto abordam questões brasileiras e mundiais sobre os processos migratórios. As cenas são conduzidas pela soprano e atriz Gabriela Geluda e a bailarina e atriz Gabriela Luiz, que carrega em seu corpo experiência com danças populares e urbanas e capoeira. Elas se multiplicam criando diferentes corpos e vozes. Entre as obras que serviram de inspiração na construção do espetáculo, a diretora Duda Maia destaca documentários com cenas fortes sobre o tema: “Human flow”, do artista e ativista chinês Ai Weiwei; e “Os capacetes brancos”, do britânico Orlando von Einsiedel.

“Alguns fatos me chamaram a atenção para esse tema. O número de refugiados, quase 70 milhões, é algo que espanta. Eles não têm lugar, pesquisamos muito para construir uma fisicalidade que trouxesse uma experiência sensorial de falta de espaço, opressão e abrigo, dentro de uma encenação poética. Falar dessa dureza com beleza. Na cena, nos corpos, na fala, na música e na plasticidade”, diz.

FICHA TÉCNICA

Poema/Libreto: Geraldo Carneiro
Música: Beto Villares e Armando Lôbo
Canções: Geraldo Carneiro e Beto Villares
Orquestração: Armando Lôbo
Direção: Duda Maia
Intérpretes:
Soprano/atriz: Gabriela Geluda
Bailarina/atriz: Gabriela Luiz
Músicos: Cesar Bonan (clarinete); Daniel Silva (cello); Rodrigo Foti (vibrafone)
Produção Executiva: Mariana Chew
Cenografia: Julia Deccache
Cenotécnico: André Salles
Figurino: Rocio Moure
Iluminação: Renato Machado
Sonorização: Pro Audio
Projeto Gráfco: Patrícia Clarkson e Camilla Mattos
Fotos: Renato Mangolin
Assessoria de imprensa: Mônica Villela

Posted by Patricia Canetti at 8:20 AM

Terceira “virada” Acervo em Movimento no MARGS, Porto Alegre

Núcleo de Acervo coordena nova alteração de obras na exposição “Acervo em Movimento”

Esta será a terceira “virada” na exposição aberta em março e que segue em exibição até julho: Nova configuração apresenta obras do acervo em cerâmica e aborda questões sociais

Próxima terça, 3 de junho, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) apresenta a terceira alteração das obras no âmbito da exposição Acervo em Movimento: um experimento de curadoria compartilhada entre as equipes do MARGS, inaugurada dia 16 de março, nas Pinacotecas do museu.

Nesta terceira “virada” da exposição, a cargo do Núcleo de Acervo, 18 obras serão substituídas. Essa nova troca de obras pretende dar visibilidade às obras do acervo do museu premiadas em Salões de Cerâmica e Desenho que foram realizados pelo MARGS ao longo de sua história. Nessa configuração, o Núcleo de Acervo incluiu obras que foram pouco ou nunca expostas, dentre elas, figuram as aquisições recentes da última década.

As escolhas do Núcleo de Acervo contemplam obras de nomes importantes do cenário nacional, tais como Tunga, Paulo Climachauska, Sandra Cinto e Flávio Cerqueira, além de artistas locais e artistas. Também está sendo enfatizado o rico acervo de cerâmica do museu, pouco explorado até o momento.

Assim, o Núcleo de Acervo, no seu exercício curatorial, enfatiza a entrada de obras mais contemporâneas, propondo inter-relações com obras icônicas presentes na exposição. Nesse sentido, revela temáticas de gênero, raça e etnia na linguagem visual, trazendo assim uma abordagem de cunho social à mostra em questão.

A exposição

Acervo em Movimento é uma ampla exposição baseada no acervo do museu, ocupando as três galerias das Pinacotecas, o espaço mais nobre do MARGS. O projeto expositivo consiste em um exercício experimental de curadoria com as equipes do museu, que atuam no desenvolvimento da mostra em regime compartilhado. A exposição inaugurou com uma seleção de obras do acervo, passando até julho por alterações quase mensais com entradas e saídas de outras obras. Cada uma dessa “viradas” será conduzida por integrantes dos Núcleos de Curadoria, Acervo, Educativo, Documentação e Pesquisa, e Restauro e Conservação.

Nas palavras do diretor-curador do MARGS, Francisco Dalcol, “ao abrir mão de roteiros predeterminados, procurando também eliminar hierarquias entre as obras do acervo, Acervo em Movimento pergunta ao visitante: quais relações podem ser feitas entre objetos de diferentes origens, períodos e estilos? O convite é que o público constitua os seus caminhos interpretativos, estabelecendo suas próprias relações e conexões, as quais sempre envolvem o que já sabemos, a expectativa do que ainda não vislumbramos e o estranhamento transformador da experiência inesperada e arrebatadora”.

Acervo em Movimento constitui um primeiro experimento curatorial voltado ao acervo, o qual se quer permanente na política de exibição do MARGS nesta gestão, passando a ocupar diferentes salas do museu depois desta estreia nas Pinacotecas.

As alterações de obras acontecem nas segundas-feiras, quando o museu está fechado e podem ser conferidas a partir do dia seguinte.

Datas das alterações:
16.03 – Abertura com seleção de obras pelo Diretor-Curador (Duração de 23 dias)
08.04 – Obras escolhidas pelo Núcleo de Curadoria (Duração de 27 dias)
06.05 – Obras escolhidas pelo Núcleo Educativo (Duração de 27 dias)
03.06 – Obras escolhidas pelo Núcleo de Acervo (Duração de 27 dias)
01.07 – Obras escolhidas pelo Núcleo de Documentação e Restauro (Duração de 20 dias)
21.07 – Encerramento da exposição

Ações do Núcleo Educativo

Durante o período de visitação até julho, serão realizadas atividades, ações, falas e um curso dentro do programa público da exposição.

Posted by Patricia Canetti at 8:10 AM

junho 5, 2019

Acervo em transformação: Museum of Contemporary Art Chicago no MASP, São Paulo

MASP recebe 18 obras do Museu de Arte Contemporânea de Chicago: Nova parceria internacional traz ao museu conjunto que inclui Magritte e Andy Warhol.

O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) assinou uma parceria com o Museum of Contemporary Art (MCA) de Chicago para expor, até 30 de dezembro, dezoito obras do acervo da instituição. O conjunto conta com obras de René Magritte, Andy Warhol, Cindy Sherman, Louise Bourgeois, Kerry James Marshall e Felix Gonzales-Torres. O acordo prevê também a ida a Chicago da exposição sobre Lina Bo Bardi (1914-1992), mostra co-organizada pelos dois museus e pelo Museo Jumex, da Cidade do México, com obras do acervo do MASP nos icônicos cavaletes de vidro criados pela arquiteta. Lina Bo Bardi: Habitat, que abre ao público do MASP na próxima sexta-feira, 5, vai ao MCA em junho de 2020.

Acervo em transformação: Museum of Contemporary Art Chicago no MASP, título da exposição das obras vindas dos Estados Unidos, será como uma mostra dentro de outra mostra, já que as obras de Chicago serão inseridas entre as peças do acervo permanente do MASP exibidas nos cavaletes de vidro que formam o Acervo em transformação, exposição de longa duração do museu, com trocas regulares.

A seleção completa do MCA tem Gertrude Abercrombie, Forrest Bess, Louise Bourgeois, Miriam Cahn, Marlene Dumas, Felix Gonzalez-Torres, Wifredo Lam, Sherrie Levine, René Magritte, Kerry James Marshall, Marwan, Roberto Matta, Gladys Nilsson, Christina Ramberg, Robert Rauschenberg, Cindy Sherman, Dorothea Bronzeamento e Andy Warhol. De Magritte, o MASP recebe 'Les merveilles de la nature (The Wonders of Nature)', de 1953. De Warhol, vem American Jackie Frieze, de 1964, em que o pintor retrata a ex-primeira-dama Jacqueline Kennedy.

Em junho de 2020, o MASP envia ao MCA uma seleção que inclui obras de Tarsila do Amaral, Maria Auxiliadora da Silva, Agostinho Batista de Freitas, Paulo Cézanne, Francisco Goya, Frans Hals, Anita Malfatti, Amedeo Modigliani, Candido Portinari, Claudio Tozzi e Alfredo Volpi.

“É muito especial trazermos uma seleção tão extraordinária de dezoito obras-chave da Coleção MCA para o MASP, exibindo-as nos icônicos cavaletes de vidro de Lina Bo Bardi e em estreito diálogo com nosso acervo”, diz Adriano Pedrosa, o diretor artístico do MASP. "Isso dará a nós e ao nosso público a oportunidade não apenas de olhar para novos trabalhos, mas também de entender nossas próprias obras de maneira inovadora, no espírito de nossa exposição sempre mutável Acervo transformação, o título da mostra da nossa coleção."

Intercâmbio internacional

A parceria com MCA Chicago é a segunda do programa de intercâmbio do MASP com instituições internacionais, iniciado em 2018 com a Tate. Por nove meses, a pinacoteca do museu recebeu seis obras da instituição londrina, expostas nos cavaletes de cristal de Lina Bo Bardi. Como a exposição das pinturas da Tate, a exibição das obras de Chicago será feita na pinacoteca do MASP, que abriga a mostra de longa duração Acervo em transformação -- será como uma exposição dentro da exposição, já que as obras do MCA vão se misturar às do acervo permanente do museu.

Formado por um pequeno conjunto da coleção do museu, hoje com cerca de 11.000 obras, o Acervo em transformação tem foco na arte figurativa, reflexo da história do acervo e dos interesses das primeiras aquisições, feitas pelo diretor-fundador do MASP, Pietro Maria Bardi (1900-1999). De formato escultórico, a obra "Untitled" (The End), de 1990, de Félix Torres-Gonzalez, rompe com o padrão do andar. Na obra, folhas brancas de papel com margem escura, empilhadas de forma perfeita, podem ser retiradas e levadas pelo visitante. Torres-Gonzalez, artista contemporâneo morto em 1996 aos 38 anos, trabalhou a questão do tempo, da relação com o outro e da ausência.

Posted by Patricia Canetti at 11:29 AM