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julho 31, 2018

Bel Barcellos na Gaby Indio da Costa, Rio de Janeiro

No dia 4 de agosto, a artista Bel Barcellos inaugura sua exposição Conexões na galeria Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea. Com o olhar voltado para os relacionamentos afetivos que unem as pessoas, a artista cria uma instalação composta por 30 desenhos bordados sobre lona, retratando 15 casais dos mais diversos tipos.

Através de linha e agulha, Bel cria um inventário onde pessoas reais, com idades, gêneros, raças e classes sociais diferentes, estão conectadas e confrontadas pelo olhar a seus pares. Segundo Gabriela Davies, curadora da mostra, “Esse contexto do presente acaba sendo uma documentação social do afeto”.

Com uma trajetória voltada para pesquisas em torno da figura humana, Bel Barcellos vem há dez anos se dedicando inteiramente a bordados, conectando memória afetiva à compreensão individual ou coletiva do ser. “Penso na vida por meio de fios, entre-cruzados/expandidos/conectados, como se traçassem destinos, costurassem histórias, amarrassem elos. Homem e mulher, seus questionamentos, individualidades e conexões, são construídos lentamente, num vai e vem da agulha preenchendo a lona crua com fios finos”, diz a artista.

Seu trabalho já foi exposto em diversos museus e centro culturais do Brasil e no exterior, como Museu Nacional de Belas Artes (RJ), Casa de Cultura Laura Alvim (RJ), Centro Cultural Correios (RJ), Museu Brasileiro de Escultura (SP), Museo de Arte Contemporânea de Yucatan (México), Centro de Estudos Brasileiros (Moçambique), Schuebbe Projects (Dusseldorf), etc.

A artista faz parte de importantes coleções como : Ella Fontanal-Cisneros Collection, Museu de Arte do Rio, Museu Nacional de Belas artes, Centro Cultural Correios, Cia Souza Cruz S/A e também de diversas coleções particulares, no Rio, São Paulo, Portugal e Alemanha.

Posted by Patricia Canetti at 12:54 PM

Daqui a Pouco na Baró, São Paulo

A galeria Baró apresenta, a partir do dia 4 de agosto de 2018, a exposição coletiva Daqui a pouco, proposta curatorial de Ana Roman e Thierry Freitas que ocupa o Container, espaço destinado a apresentar produções experimentais e, também, aquelas realizadas por artistas jovens e emergentes. Participam da mostra os pintores e a pintora Alice Lara, Henrique Detomi, Pedro Gandra e Ricardo Alves . Construída como um exercício curatorial de diálogo com as diferentes poéticas dos quatro jovens artistas, a mostra estrutura-se a partir de uma ideia de porvir e da iminência dos possíveis acontecimentos presentes nas narrativas dos trabalhos selecionados.
 
Esses trabalhos contém, em si mesmos, o momento do clímax em uma narrativa. Há situações decisivas, algo que, segundo os curadores, remete ao conceito krisis grego “em que o porvir não pode ser medido ou enunciado”. Há, também, relações com a paisagem e o tempo que ficam explicitadas diante das escolhas curatoriais e expográficas que colocam o espectador diante de frames paralisados, cujo movimento foi eternizados pela pintura.
 
A poética de Ricardo Alves, por exemplo, realiza-se nessa operação: congelar o movimento. Nos trabalhos Sem título (2018), Jato de linhas vermelhas (2018) e o Jabuti (2017), o movimento presente em cada um elementos composicionais destes trabalhos passa a existir, a partir das pinturas, em uma longa duração. O mesmo pode-se dizer acerca do trabalho de Pedro Gandra: em uma atmosfera irreal criada pela paleta de cores, o momento anterior e aquele imediatamente posterior ao representado pelo artista suscitam múltiplas vozes e narrativas, como em Bastardo em chamas (2018).
 
Nas paisagens de Henrique Detomi, a opacidade e artificialidade do relevo são responsáveis por certa planaridade na paisagem - apesar da grossa camada de tinta e de sua tridimensionalidade. A memória é levada a cenários de antigos filmes de ficção científica, em que tal superfície poderia ser encontrada até em outro planeta. Nesse quase-cenário, qualquer forma de vida e acontecimento seria passível de se realizar. Por fim, Alice Lara apresenta pinturas de uma de suas mais recentes séries, Resistências. Nela, os animais são agentes de potencial transformação do instante captado pela artista.

Aparentemente pacatos, os bichos pintados por Lara surgem a partir de situações reais em que os animais precisaram manter-se unidos para conseguir sobreviver. Sua aglomeração, no entanto, sugere um clima de vingança e tensão, prestes a mudar todo o cenário de calmaria.

Posted by Patricia Canetti at 12:06 PM

Amanda Mei na Baró, São Paulo

A partir do dia 4 de agosto de 2018, a Baró apresenta Miragem, primeira exposição individual de Amanda Mei como representada pela galeria. A mostra tem curadoria de Ana Roman.
 
Através de uma investigação acerca da paisagem e seus elementos constituintes, a artista explora nos trabalhos reunidos uma possível relação entre a materialidade do planeta e o conceito de mundo.
 
Em grande parte das obras escolhidas para esta individual, a artista elege a rocha como elemento central para a construção de uma ideia de planeta, mundo e universo. Em alguns trabalhos ela cria, em papelão, rochas que, empilhadas, formam hermas de caráter quase escultórico, no qual se revela o interesse pela matéria rochosa esculpida pelos processos geológicos naturais e por sua forma.
 
No espaço principal da galeria, estarão obras criadas desde 2017 em que a artista busca agir no limiar entre o mundo - no qual habitamos, enquanto seres humanos e organizamo-nos socialmente - e o planeta Terra. Nesse sentido, importa a artista trabalhar com símbolos que remetem a uma ideia de criação, como figuras ovóides e planetas.
 
Além de esculturas e objetos, a mostra traz uma série de pinturas de paisagem, cuja tradição remete a história da arte e da pintura. Elas estarão justapostas a rochas em uma espécie de moldura-mobiliário. Mais uma vez, a rocha é compreendida como constituinte da paisagem e, nesse sentido, de um fragmento do mundo. O gesto de Mei explora uma ideia de materialidade geológica enquanto formação de mundo.

Amanda Mei
Nasceu em São Paulo, 1980.  
Vive e trabalha em São Paulo, Brasil. 
Iniciou sua pesquisa com fotografias, objetos e pinturas que misturam diferentes elementos e tipos de materiais como: madeira, papelão, pedra e concreto. Em sua produção, lida com questões próprias à linguagem escultórica e pictórica através de instalações e site-specifics que incorporam a arquitetura local. Investiga a relação contemporânea entre a natureza e o homem, através dos materiais de descarte/demolição e as circunstâncias que tencionam a relação entre uma arquitetura projetada e orgânica.
  
Foi contemplada com o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2015, o edital Rumos Itaú Cultural, Prêmio Artes Visuais no 17ª Festival Cultura Inglesa, Prêmio para Projetos de Pesquisa e Produção em Artes Plásticas no 48º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, Energisa Artes Visuais em João Pessoa. Também foi residente na Cité International Des Arts, em Paris e RedBull Station, em São Paulo. Entre suas exposições individuais, destacam-se: Acordos, desvios ou diálogos (galeria Flávio de Carvalho, Funarte, SP, 2017), Sobre a demolição da Terra (Arte Hall, SP, 2015), Resíduos, Rastros e Relíquias (Centro Cultural Britânico, SP, 2013), Como fazer tempo com sobras (Galeria TAC, RJ, 2010) e As Sobras e Desconstruções (Caixa Cultural, SP, 2010).

Posted by Patricia Canetti at 12:01 PM

Valeska Soares na Pina_Estação, São Paulo

Exposição da mineira radicada em Nova York desde 1990 percorre 30 anos de produção, incluindo pinturas, colagens, objetos, instalações e esculturas

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, apresenta, de 4 de agosto a 22 de outubro de 2018, a exposição Valeska Soares: Entrementes. Com curadoria de Júlia Rebouças, a mostra ocupa o quarto andar e o espaço de entrada da Pina Estação e expõe uma seleção de 3o anos de produção da mineira, desde o final dos anos 1980, trazendo como temas principais o sujeito e o corpo, a memória e os afetos, e as relações entre espaço, tempo e linguagem.

Nascida em Belo Horizonte, em 1957, e radicada em Nova York desde o início da década de 1990, Soares tem a escultura como primeira linguagem e pertence a um grupo internacional de artistas que expandiu as possibilidades da instalação na arte, engajando subjetivamente o espectador. Suas obras, geralmente, recorrem a narrativas ficcionais da literatura para tecer experiências de intimidade e desejo que ultrapassam o campo individual e alcançam a sensibilidade coletiva.

Através de materiais evocativos, a artista explora a tensão criada pelas oposições. Suas esculturas e instalações frequentemente apresentam materiais reflexivos, como aço inoxidável e espelhos, em contraste com substâncias orgânicas e sensoriais, como flores, com intuito de ampliar a experiência do visitante no espaço. Neste sentido, Soares se utiliza de diversas técnicas sensoriais, incluindo o som para criar atmosferas e vivências que são tanto convidativas quanto perturbadoras.

Para a exposição na Pinacoteca, a curadora selecionou um conjunto de obras provenientes do acervo do museu, de coleções particulares e da própria artista, sendo que algumas dessas últimas são inéditas no Brasil. São pinturas, colagens, objetos, instalações e esculturas que, como o título sugere, apresentam zonas intermediárias de contato: intersecções entre o indivíduo e a sociedade, entre o encoberto/misterioso e o explícito, passado e futuro, etc. “A mostra explora também obras que lançam mão da ideia de coletividade, seja pelo recurso da coleção, explorado em diversos trabalhos por Soares, seja pela constituição de uma experiência compartilhada, como em Epílogo (2016) ou Vagalume (2007)”, define a curadora.

Valeska Soares: Entrementes trata, de modo geral, de tudo daquilo que, mesmo sendo matéria de foro íntimo, pode ser vivido em comunhão. “Neste sentido, Detour (2002) -- inspirado no conto As cidades e o desejo, do escritor italiano Ítalo Calvino -- é um trabalho central, pois parte da ideia de um mesmo sonho que é sonhado e narrado por diferentes pessoas”, conta Rebouças. No conto, os sonhadores, na esperança de encontrar o objeto de seu desejo -- uma mulher que corre desnuda -- acabam por criar uma cidade que replica os caminhos onde a perderam. A partir da história, Soares constrói um ambiente que, embora confinado, sugere infinitas saídas pelo resultado de espelhamentos.

A artista ainda incorpora qualidades arquitetônicas à sua prática, herança da formação acadêmica neste campo. Nesta perspectiva, ela agrega a ideia de ponto de fuga como eixo central e toma o espaço não apenas como ente físico e ilusório, mas um lugar que possibilita ao visitante perceber-se em relação a ele. “A artista não afasta seus trabalhos do público. As obras dão-se a ver, deixam pistas sobre o processo de sua elaboração, estão evidentes em sua constituição material, abrem-se para o jogo do engajamento sensível e da participação”, diz Rebouças.

“Parte da força de sua poética está naquilo que evapora, escorre, esmaece, murcha, silencia, rescinde, derrete, quebra”, complementa a curadora. A instalação Untitled (From Vanishing Points), de 1998, pertencente ao acervo da Pinacoteca, é um exemplo disso. Nesta, a artista reproduz um conjunto de vasos de plantas tal como estavam dispostos em seu jardim. Replicados em cera, porcelana e alumínio, marcam a ausência da vida como força orgânica, ao passo que são indícios de um outro tempo ou existência que escapa à tentativa de contenção. Replicam assim a estrutura da memória, uma vez que só é possível lembrar a partir do presente, e é da experiência do agora que se preenchem as lacunas do passado.

A mostra de Valeska Soares integra a série de retrospectivas de artistas que iniciaram suas carreiras a partir dos anos 1980, apresentadas sempre no 4º andar da Pina Estação.

VALESKA SOARES

Nasceu em Belo Horizonte/MG, em 1957, e vive e trabalha em Nova York/EUA. É bacharel em Arquitetura pela Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro, e pós-graduada em História da Arte e da Arquitetura pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), também no Rio de Janeiro. Após mudar-se para Nova York, em 1992, realizou MFA (Master of Fine Arts) no Pratt Institute, no Brooklyn e, em seguida, começou a frequentar a New York University, School of Education onde se candidata a Doctor of Arts. Sua primeira mostra individual em um museu aconteceu no Portland Institute for Contemporary Art, EUA, em 1998, e sua primeira retrospectiva foi apresentada no Museu de Arte da Pampulha/MG, em 2002. No ano seguinte, uma grande mostra dedicada à sua prática ocorreu no Bronx Museum for the Arts, Nova York/EUA. Soares produziu instalações site-specific para diversos espaços, incluindo o inSite, em San Diego-Tijuana/EUA (2000); o Museo Tamayo, na Cidade do México (2003) e o Instituto Inhotim, em Brumadinho/MG (2008). Foi uma das indicadas, em 2001, ao Millenium Prize, oferecido pela National Gallery of Canada Foundation. Também participou de diversas bienais, incluindo a de São Paulo (1994, 1998 e 2009); de Veneza/Itália (2005); e a Sharjah Biennial, nos Emirados Árabes (2009).

JÚLIA REBOUÇAS

Nasceu em Aracaju/SE, em 1984, e vive entre Belo Horizonte e São Paulo. É curadora, pesquisadora e crítica de arte. Foi cocuradora da 32ª Bienal de São Paulo, Incerteza Viva (2016). De 2007 a 2015, trabalhou no departamento curatorial do Instituto Inhotim/MG. Colaborou com a Associação Cultural Videobrasil, integrando a comissão curadora dos 18º e 19º Festivais Internacionais de Arte Contemporânea SESC Videobrasil, em São Paulo. Foi curadora adjunta da 9ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre (Se o clima for favorável), em 2013. Realizou diversos projetos curatoriais independentes, dentre os quais destacam-se a exposição MitoMotim, no Galpão VB, em São Paulo, de abril a julho de 2018, e Zona de Instabilidade, com obras da artista Lais Myrrha, na Caixa Cultural Sé, em São Paulo, em 2013, e na Caixa Cultural Brasília, em 2014. Integrou o corpo de jurados do concurso que selecionou o projeto arquitetônico e curatorial do Pavilhão do Brasil na Expo Milano 2015, realizado em janeiro de 2014, em Brasília. Desenvolve projetos editoriais e escreve textos para catálogos de exposições, livros de artista e colabora com revistas de arte. Graduou-se em Comunicação Social/ Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (2006). É mestre e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal de Minas Gerais (2017).

AÇÃO EDUCATIVA

O museu oferece visitas educativas (escolas e público em geral), com agendamento pelos telefones 33240943 ou 3324-0944. Aos finais de semana é possível realizar visitas sem agendamento em horários pré-determinados.

Além das visitas, serão apresentados textos de parede, em articulação aos textos curatoriais, a partir de uma abordagem mais didática; placas para família, que despertam um estímulo lúdico e de leitura autônoma de obras. Essas últimas, intituladas “Leitura de imagens”, possuem como objetivo o aprofundamento dos processos perceptivos e interpretativos do visitante.

CATÁLOGO

Valeska Soares: Entrementes será complementada com um catálogo que reúne textos de Júlia Rebouças e das curadoras Maria do Carmo Pontes, Melissa Rocha e Isabella Rjeille. Também inclui imagens da exposição e de outras obras, além de uma adaptação da obra Disclaimer, especialmente para a publicação.

MÚLTIPLOS DA ARTISTA

Valeska Soares participa do Projeto de Múltiplos, criado pela Pinacoteca, com o objetivo de angariar recursos para a instituição. Para este, a artista concebeu uma tiragem de 20 impressões de 5 gravuras, que misturam processos digitais e de serigrafia a partir de uma nova interpretação da obra Doubleface, de 2017, na qual ela se apropria de retratos pintados a óleo por outros artistas e intervém sobre eles. Para o Múltiplo desenvolvido especialmente para a Pinacoteca, o ponto de partida foram cinco retratos de mulheres pertencentes ao acervo do museu. Os trabalhos podem ser adquiridos de forma avulsa ou em conjunto.

Criado pela Pinacoteca em 2016, o projeto já contou com a colaboração de Beatriz Milhazes, Jac Leirner, Anna Maria Maiolino, Albano Afonso, Sofia Borges, Rochelle Costi, Vik Muniz, Caio Reisewitz, Rosângela Rennó e Maria Bonomi, entre outros. As peças podem ser adquiridas diretamente na recepção da Pina Estação durante o período expositivo.

Valeska Soares - Doubleface
5 trabalhos de 54,4cm x 42 cm
Ed. 20 + 2 P.A. (cada)
Impressão Digital e Silk Screen
Acompanha certificado de autenticidade assinado pelo Museu e pela artista
Patronos e Amigos: R$ 9.000 cada
Público Geral: R$ 12.000 cada
Descontos: 10% a partir de 3 gravuras e 15% a partir de 5
Para adquirir, entre em contato:
Juliana Asmir - 11-3335-5366 - jasmir@pinacoteca.org.br

Posted by Patricia Canetti at 10:51 AM

Iván Navarro na Luciana Brito, São Paulo

A Luciana Brito Galeria tem o prazer de anunciar a representação do artista Iván Navarro (n. 1972), que é agora reapresentado ao público brasileiro com sua primeira individual na Galeria, uma intervenção de duas semanas intitulada The Bright Sun [O Sol Brilhante]. A abertura acontece no dia 4 de agosto, e a exposição pode ser visitada até 18 de agosto.

Em The Bright Sun, Navarro apresenta esculturas de parede no contexto de uma intervenção na sala Rino Levi: as duas paredes de vidro que separam a sala dos jardins de inverno localizados no centro da casa serão cobertas por um vinil transparente, um amarelo e o outro azul – duas das cinco cores dos anéis olímpicos. Visto que a cor de cada um dos anéis representa originalmente um continente, através desta instalação, Navarro descontrói a identidade visual institucionalizada dos símbolos olímpicos ao permitir que as esculturas presentes na sala sejam percebidas como amarelas, azuis ou verdes (a soma das duas cores) dependendo da posição do espectador em relação aos vidros coloridos.

A maior parte das esculturas exibidas nesta individual pertence à série Nowhere Man [O homem de qualquer lugar], baseada em 21 pictogramas desenhados por Otl Aicher para os Jogos Olímpicos de Munique de 1972, cada um deles simbolizando um esporte específico. Criados com lâmpadas fluorescentes tubulares (facilmente encontradas em qualquer espaço funcional), os pictogramas de Navarro conferem um aspecto doméstico e ordinário ao que deveria representar o ápice de uma conquista atlética individual. Ao escolher um material cotidiano como suporte para a série, Navarro questiona a lógica representativa tanto dos pictogramas de Aicher quanto das Olimpíadas em si, onde artistas são em última instância encarados como representações de suas nações de origem, e não como indivíduos.

As duas cores olímpicas restantes – vermelho e preto – marcam as demais obras da exposição. A cor preta é representada por um vídeo inédito intitulado Bandeira Preta, que apresenta, balançando contra o vento, uma bandeira gigantesca composta por inúmeras pequenas bandeiras de diversos países. No contexto desta exposição, a obra faz uma alusão ao massacre de onze atletas israelenses e um policial da Alemanha Ocidental no ataque terrorista realizado durante a segunda semana das Olimpíadas de Munique, em 1972, por palestinos do movimento Setembro Negro. Finalmente, o vermelho é a cor dominante das demais obras, as quais pertencem a diversas séries, criando, assim, um contexto mais amplo para a apresentação da obra de Navarro como um todo na mostra que é uma reapresentação de seu trabalho ao público brasileiro.

A produção de Iván Navarro baseia-se na interação entre dois eixos principais: a história da arte e a história da política. Por um lado, sob um ponto de vista formalista, seus trabalhos são cuidadosamente construídos e estabelecem um diálogo direto com o Minimalismo, especialmente através do uso da luz como seu suporte principal. Em contraste direto com os princípios modernistas, no entanto, a produção de Navarro é imbuída de conotações fortemente políticas, que são comunicadas ao público por inúmeras estratégias, como visto nos títulos de seus trabalhos (por exemplo, sua famosa série Electric Chairs [Cadeiras Elétricas]), no cuidadoso uso da cor ou na apropriação e desconstrução de símbolos que representam ideologias e poder institucionalizado.

Posted by Patricia Canetti at 10:32 AM

Deyson Gilbert e Leopoldo Ponce na Jaqueline Martins, São Paulo

A partir do dia 4 de agosto, o trabalho inédito dos artistas Deyson Gilbert e Leopoldo Ponce, com curadoria de Bruno de Almeida, poderá ser visto simultaneamente no espaço da galeria e no Museu Santa Casa de São Paulo

Para esta edição do projeto, que explora a relação entre a galeria e o seu contexto urbano através de trabalhos que acontecem simultaneamente no espaço expositivo e em outros estabelecimentos existentes no bairro, os artistas Deyson Gilbert e Leopoldo Ponce apresentam uma obra que correlaciona a galeria ao Museu Santa Casa de São Paulo localizado no Hospital Central da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia.

A Santa Casa é uma instituição reconhecida por sua importante atividade na área de saúde e cuja vasta trajetória está fortemente relacionada ao desenvolvimento da cidade de São Paulo. O Museu Santa Casa procura preservar a memória dessa instituição, assim como narrar a história da cidade através do seu acervo documental e museológico com mais de 7000 itens. Tal coleção é formada por peças históricas relacionadas a especialidades clínicas, cirúrgicas e ao preparo de medicamentos, mas também é composta por itens cerimoniais, religiosos, indumentárias, mobiliário, esculturas e até pinturas de artistas tais como Almeida Júnior, Benedito Calixto e Tarsila do Amaral.

Deyson Gilbert e Leopoldo Ponce apresentam um trabalho que cria um profundo diálogo entre o espaço de exposição da galeria e uma sala específica desse museu, na qual se encontra o acervo médico. O trabalho tem como ponto de partida uma imagem que retrata o atentado contra o então presidente do Brasil, Prudente de Moraes. Essa imagem, um dos poucos documentos sobre esse acontecimento histórico, é um desenho publicado num jornal de sátira política da época. Nele encontram-se retratados os sujeitos e os objetos-chave desse episódio que aconteceu durante uma cerimônia militar, em 1897, na qual o presidente recepcionaria os batalhões que retornavam da Guerra de Canudos. Durante esse evento, o soldado Marcelino Bispo de Melo avançou contra Prudente de Moraes apontando um revólver a seu peito, acionou o gatilho algumas vezes, mas o revólver falhou. Com a sua cartola, o presidente desviou a mão do agressor que foi rapidamente agarrado por homens da comitiva presidencial. Mas mesmo retido, o soldado ainda conseguiu puxar um punhal e atacar fatalmente um ministro que protegia o presidente. Prudente de Moraes escapou ileso e o atentado fracassou. O soldado agressor foi preso e depois encontrado enforcado na cadeia. Especula-se que ele tenha sido uma peça de uma conspiração política maior, encabeçada pelo então vice-presidente Manuel Vitorino Pereira.

A “dissecação” da ilustração desse atentado político é o mote para o trabalho de Deyson Gilbert e Leopoldo Ponce. A partir dela os artistas ponderam sobre as narrativas implícitas aos principais sujeitos, ações e objetos retratados no desenho, tais como o revólver, a cartola, o punhal, entre outros. Estes tornam-se elementos-chave para a instalação que correlaciona a sala de exposição da galeria ao acervo médico do Museu. Em ambos os espaços combinam-se objetos banais com outros elementos cujos significados ou funções são quase indecifráveis. As duas salas são organizadas segundo lógicas dispositivas semelhantes, e cada um dos objetos expostos encontra o seu correspondente formal, simbólico e/ou semântico na outra sala. Esta estratégia de complementariedade entre os dois espaços cria uma sensação de repetição ou deja-vú ao visitar um local após o outro, fazendo com que o visitante tenha de sobrepor mentalmente ambos os locais de forma a deduzir algumas das narrativas implícitas ao trabalho. Através da conexão entre coisas de épocas e temas aparentemente desconexos o trabalho revisita tanto a história oficial quanto o imaginário social coletivo; alude a crenças e mitos populares assim como aos cânones da história da arte; cita o rigor científico, mas também beira o ocultismo; expõe determinados assuntos enquanto encobre outros. Tais estratégias aparentemente paradoxais possibilitam que os artistas falem sobre situações cujas relações de causalidade não se podem comprovar de forma estritamente objetiva ou factual. Relações que frequentemente não têm lugar nas narrativas oficiais, na simplificação própria da História, na economia das imagens e na crescente polarização de posições e opiniões dos nossos dias.

Sobre os artistas

Deyson Gilbert, 1985, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo. Suas exposições individuais incluem: DCVXVI, Mendes Wood DM, São Paulo (2014); Non Ducorocud Non, Mendes Wood Dm, São Paulo (2014); The State of the Art, Galeria Elba Benítez, Madri (2013); Culatra, Mendes Wood DM, São Paulo (2012). Suas obras também foram incluídas em mostras coletivas institucionais como: Brasile - Il colltello nella carne, Milan (2018); XVI Yogyakarta Bienal, Yogyakarta (2017); QueerMuseu, Santander Cultural, Porto Alegre (2017); Jogo de Forças, Paço Das Artes, São Paulo (2016); Here There, Qatar Museum – Al Riwaq, Doha (2015); Imagine Brazil, Astrup Fearnley Museet, Oslo (2013/2014) / Foundation for Contemporary Art, Montreal / Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (2015); Monument to Cold War Victory, New York (2014); 33º Panorama da Arte Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo (2013); Mitologias/Mythologies, Cité Internationale des Arts, Paris (2011).

Leopoldo Ponce, 1976, Equador. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil. Bacharelado em Artes Plásticas- UNESP (1995-2001). Mestrado em Artes- UNESP (2015-2017). Suas exposições individuais incluem: epicentro: a margem, Galeria do instituto de artes da UNESP (2017); Supernova, Artists Unlimited Galerie Bielefeld (2014); Argonauta, Galeria Virgílio, São Paulo (2010); immigrant song, Galeria El Conteiner, Quito, Equador (2010);- Andarilho, Galeria Virgílio, São Paulo (2008)¬; Endoscópio, Centro Universitário Maria Antônia, São Paulo (2003); Plutão, Centro Cultural São Paulo (1998). E exposições coletivas tais como: Um Desassossego, Galeria Estação São Paulo (2016); o ponto de ebulição,PSM Gallery, Berlim (2015); [*!,–”/;+°], BLO-Ateliers, Berlim (2013); Smoke Signals, Ateliê da Barão, São Paulo Brasil (2012); Huasipichay, Galeria Virgilio, São Paulo e Centro Cultural Sono, Cuenca, Equador; aberto para re-forma, Casa Contemporânea, São Paulo; Vicissitudes, Galeria Virgílio, São Paulo (2011), entre outras.

Sobre o curador

Bruno de Almeida, 1987, Brasil/Portugal. Arquiteto e curador. Desenvolveu projetos com instituições tais como: Harvard University, Graduate School of Design, Cambridge, EUA; Storefront for Art and Architecture, Nova Iorque, EUA; Pivô Arte e Pesquisa, São Paulo, Brasil; Galeria Leme, São Paulo, Brasil, entre outras. Participou de residências de instituições tais como: Ideas City, New Museum, Nova Iorque, EUA, em colaboração com LUMA Foundation, Arles, França; Curatorial Intensive, Independent Curators International, Nova Iorque, EUA; IMPACT17, PACT Zollverein, Essen, Alemanha, entre outras. Próxima residência: TATE Intensive, TATE Modern, Londres, Inglaterra.

Posted by Patricia Canetti at 9:05 AM

julho 30, 2018

Alice Quaresma na Caixa Cultural, São Paulo

Brasileira radicada em Nova York extrapola campo visual da fotografia com trabalhos inéditos na individual “Horizonte”

A Caixa Cultural São Paulo recebe, de 4 de agosto a 30 de setembro, a exposição Horizonte, de Alice Quaresma. Com curadoria de Fernanda Lopes, a exposição traz a público trabalhos que ultrapassam a bidimensionalidade da ampliação fotográfica a partir da aplicação de fitas adesivas e pintura, além do uso de campos cromáticos geométricos, conferindo novas possibilidades de leitura às obras. Ao todo, são reunidas 49 obras da artista.

Usando a técnica fotográfica como um meio e não como um fim, Alice arranja seus trabalhos como numa instalação em que ampliação propriamente dita se insere na obra por meio de arranjos formais onde papéis de parede, fitas e pinturas especiais em guache e bastão a óleo criam planos que se tornam parte indissociável da foto propriamente dita. “As fotografias do oceano ou do mar são ponto de partida para a criação de um campo visual expandido com elementos geométricos que pedem a participação do expectador”, ressalta a artista.

Influenciada pela corrente neoconcreta da arte brasileira, sobretudo os trabalhos de Hélio Oiticica e Lygia Clark, Alice Quaresma não hesita em fazer uso do espaço expositivo para dar momentum aos seus trabalhos.

A individual “Horizonte” se encerra com uma instalação site specific composta de cerca de 16 móbiles feitos a partir de recortes de papel colorido e impressões fotográficas suspensos por fitas de tecido. A pequena sala, a exemplo dos demais conjuntos, recebe pintura especial que dialoga e complementa os trabalhos em suspensão.

Alice Quaresma (Rio de Janeiro, 1985) é artista visual. Em 2007, graduou-se em Belas Artes pela Central Saint Martins College of Art and Design em Londres, foi intitulada Mestre em Belas Artes em 2009 pelo Pratt Institute em Nova York e, em 2012, concluiu Pós-graduação em História da Arte na Universidade de Columbia, Estados Unidos. Em 2014, recebeu a renomada premiação Foam Talent em Amsterdã (Holanda), que resultou na exposição de seus trabalhos em mostra coletiva na Embaixada dos Países Baixos em Paris e na East Wing Gallery em Dubai. Desde 2009, exibe regularmente seus trabalhos em diversas exposições, tanto em galerias brasileiras, britânicas e norte-americanas, quanto em espaços institucionais, com destaque para exposições individuais em Nova York como Special Projects e Flatiron Art Space, além das galerias Pablo’s Birthday e Lazy Susan. Dentre suas individuais realizadas no Brasil, destacam-se aquelas realizadas na Galeria Mercedes Viegas, Fauna Galeria e Casa Nova Arte e Cultura, que, junto com a Galeria Silvia Cintra, representam sua produção em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente.

Posted by Patricia Canetti at 5:19 PM

Arte Pra Sentir na Caixa Cultural, São Paulo

Por meio do tato, da audição e do paladar, público vivencia experiências estéticas que vão além do olhar

A CAIXA Cultural São Paulo recebe, de 4 de agosto a 30 de setembro, a exposição Arte pra Sentir, que promove experiências estéticas que vão além do olhar. Com curadoria de Isabel Sanson Portella, a mostra reúne obras de seis artistas brasileiros que buscam estimular diferentes aspectos sensoriais no público visitante.

A provocação direta e a transposição dos limites perceptivos foram o ponto de partida para a curadoria convidar os artistas Carolina Ponte, Ernesto Neto, Flavio Cerqueira, Floriano Romano, Opavivará e Pedro Varela para o projeto. “A ação participativa se dá quando o artista amplia suas intervenções proporcionando novos modos de perceber. E desse modo o espectador abandona uma atitude de contemplação passando a ter uma atitude mais ativa e criadora”, ressalta a curadora.

Entre obras já conhecidas do público, alguns trabalhos foram criados especialmente para esta exposição. Além de peças táteis, a exposição conta com os recursos de sinalização, audioguias, audiodescrição e informações em Braille sobre as obras expostas. A mostra foi idealizada para que a diversidade cultural e social fosse contemplada. De forma criativa e acessível, todos poderão se integrar nesse espaço de fruição, mediação e criação.

Abertura da exposição, visita guiada e palestra

Após a abertura do evento, que será realizada no dia 4, às 11h, haverá visita guiada à exposição com a curadora, às 12h30. Na mesma data, Isabel Sanson Portella também vai ministrar uma palestra sobre arte sensorial, às 14h. A inscrição para a palestra deve ser feita pelo email palestra.arteprasentir@gmail.com.

Posted by Patricia Canetti at 9:12 AM

julho 27, 2018

RUT na Alfinete, Brasília

Exposição propõe vivência sobre como a transformação do indivíduo e do ambiente impulsionam os processos de criação. O modo de contemplação envolve deitar-se no chão sob bancos de madeira, tocar nas paredes e outras atitudes não-visuais. RUT é o pseudônimo do realizador.

Até a criação chegar a público - se é que um dia chega -, muitos incidentes contribuem para que ela se torne coisa no mundo. O trabalho da arte ganha corpo na interação entre fontes imprevisíveis, tais como intuições, experiências, pensamentos, expressões, diálogos e saberes; então, numa caminhada que se transforma permanentemente durante a in-corpo-ação em direção ao mundo (incorporação), essa é uma tarefa jamais acabada.

O objeto de arte retém um momento desse desenvolvimento onde as coisas vivas ganham corpo, mas representa, também, a própria produção desse momento para que ele venha a ser tecnicamente partilhado, pois nem tudo o que existe está oferecido para os sentidos. Assim, a obra exposta está colocada enquanto resultado provisório, gestado nas ondas de uma vida que bebeu e continua a beber de fontes plurais e que talvez, no ato de contemplação proporcionado pela exposição, possa chegar a outras mentes, a outros processos de criação e vitalidade - os quais nem sempre, aliás, se concretizarão em objetos específicos.

Criar se refere, portanto, a retomar e realizar a fusão das vivências, as quais eventualmente poderiam ser trabalhadas num intuito de partilha, como ação aberta à relação. Nem tudo o que criamos é feito para ser partilhado, mas algumas criações têm exatamente este objetivo: tornar um processo visível e partilhável. Então, vamos colocar as coisas da criação assim, para fazerem contato com o humano, e para fincarem relações provisórias com o que as cerca no mundo? As consequências e resultados dessa partilha, proporcionada pela arte, são imprevisíveis. Dessa maneira, surge o conceito de re\ação.

Essa denominação foi apropriada da informática, como explicado a seguir. A contra-barra, sinal de “escape” (ESC) na linguagem de programação, introduz mudanças na operação de controle, ou seja, interfere no padrão de como um programa se comporta. Na edição de um texto, por exemplo, a quebra de linha faz com que o texto não continue para fora da tela e sim na linha de baixo. A contra-barra, \ , permite transferir os caracteres não- gráficos de um código para dispositivos de saída, os quais podem, então, gerar resultados sensíveis, tais como imagens, impressos, sons, movimentos, entre outros. Podemos supor que, se não houvesse tal saída para as formas sensíveis tipicamente humanas, toda a linguagem de programação permaneceria fechada sobre si mesma, mas isso não traria interesse, pois a função da linguagem é criar fugas do código, escapes, emoções, irrupções não contidas no símbolo ou na palavra.

Re\ação 1, 2 e 3 são objetos híbridos construídos sobre as ideias de repetição e relação. Cada um deles aproxima, num mesmo espaço, sons e videos produzidos em diferentes momentos, para que então esses sons e videos possam interferir materialmente uns sobre os outros, de modo a permitir a variação dos pontos de vistas da contemplação. Re\ação 1 junta expressões relacionadas ao auto-retrato de RUT, em experiências esparsas feitas ao longo de 8 anos (2006-2014):

• a imagem em movimento não só documenta o detalhe do rosto distorcido do retratado refletido numa chapa de cobre, mas também traz os rastros de como essa imagem foi produzida e capturada, ao permitir que as marcas dos dedos deixadas pelo manuseio da chapa apareçam e ao acentuar os defeitos gerados pelo sensor digital da câmera;
• o som original do video permanece, mas a ele foram adicionadas duas trilhas sonoras:
⁃ a primeira delas é a gravação da respiração do artista 8 anos depois;
⁃ a segunda trilha é uma composição musical aleatória, realizada em torno da relação entre a liberdade artística e o sujeito histórico, na qual o que consideramos “criado” advém do resgate de ideias já conhecidas, como forma de remixagem cultural.
A posição do contemplador no espaço influi sobre como ele perceberá as relações entre essas expressões, e o conduzirá através de diferentes sensibilidades intuitivas.

Re\ação 2 ou fêmYa produz a fusão e a relação entre três obras em video:
• Fêmea (2006), onde RUT investigou a possibilidade da geração de imagens não
guiadas por um léxico visual pre-existente;
• Y resultou do registro imagético de viagens, do acúmulo de processos de
reprodução sobre essas imagens (ex.: cópias fotográficas e reprográficas; projecionismo) e da justaposição do material resultante em um vídeo onde cada fotografia é exibida durante menos de 1/4 de segundo;
• Aleluia Irmãos registra cupins alados (popularmente chamados de aleluias) voando com rapidez em torno de uma lâmpada fluorescente.
Re\ação 3 propõe a aproximação entre o som musical e o das gravações de som natural obtido em paisagens rurais e recupera os primórdios do conceito de Re\ação, quando RUT propôs que os sons fosse escutados no contato entre o ouvinte e a parede, no intuito de realizar uma transmissão por meio da vibração dos corpos que se tocam. Esses corpos, um dos quais pertence à obra exposta e o outro ao contemplador, são sistemas de linguagem que se abrem uns para os outros. Junção de trabalhos:
• Regiões audíveis (o Piscar de Olhos) (2006), uma série de referências a paisagens do interior de Minas Gerais guia uma trilha sonora, inscrições a lápis sobre a parede e uma luz avermelhada;
• Setor Faroeste I (2011), paisagens rurais gravadas e disponibilizadas no ambiente, com partes audíveis no contato do ouvido com a parede. RUT lida com os limites existentes entre os sentidos do tato e da audição e entre as ideias de superfície e território;
• Fresta (2018), intervenção realizada especialmente no espaço da Alfinete Galeria, onde um facho de luz se lança através da fresta da porta da sala de manutenção.

Por fim, Loopinheads, proposta feita de cabeceiras com sons calmantes em repetição, destinada ao relaxamento do corpo e à liberação da imaginação. É uma forma de buscar a cura com relação às marcas deixadas pelas demandas do mundo prático, uma vez que na atualidade a sociedade se desenvolve colocando a realização pessoal e a autenticidade de nosso corpo e mente em contradição com o trabalho pela subsistência. Sobreviver, quase sempre, portanto, envolve reprimir o amor ao mundo. Loopinheads pretende retomar a consonância entre o sujeito, a imaginação e a satisfação.

A contemplação dessas proposições espaciais requer ao visitante deitar-se no chão; esse é o modo com que o contemplador adentra sua jornada relacional e se coloca intencionalmente numa posição de descanso ativo.

Embora permita-se influenciar pela tecnologia, essa não deve ser considerada uma exposição de propósito tecnológico. Ela não pretende mostrar a modernidade ou o futuro, embora se aproprie de ideias da contemporaneidade. A proposta é concebida com uso de aparatos obsoletos, entre os quais estão TVs de tubo e sistemas de som mono. Outros acessos, como via Internet, serão viabilizados, mas, assim como todo acesso, serão parciais, motivo pelo qual a disponibilização será feita de acordo com as particularidades de cada meio. A ideia é de que todos somos seres limitados e, nesses limites humanos, é que podemos encontrar e desenvolver nossas potências.

RUT é pseudônimo utilizado pelo artista Allan de Lana, para refletir uma produção que ainda não havia levado a público, contendo obras que possuem um grau alto de formalização e materialidade se comparadas com a produção que Allan costumava mostrar. RUT, um aparente acrônimo, não tem significado.

Posted by Patricia Canetti at 11:51 AM

julho 26, 2018

100 anos de Athos Bulcão no CCBB, São Paulo

A potência dos traços de Athos Bulcão na azulejaria, nos desenhos, na pintura, nas fotomontagens, nos cenários e figurinos e na estreita relação que o artista estabeleceu entre arquitetura e arte pode ser conferida e vivenciada a partir de 1o de agosto no CCBB São Paulo. O universo riquíssimo do artista, que no Memorial da América Latina em São Paulo, tem um de seus mais notáveis painéis de azulejos, será exibido na mostra 100 Anos de Athos Bulcão, que comemora o centenário de nascimento do artista e propõe um profundo mapeamento e imersão na diversidade de seus trabalhos e técnicas.

A exposição, com curadoria de Marília Panitz e André Severo, oferece ao espectador a possibilidade de conhecer o seu especial processo de produção, com a exibição de mais de 300 trabalhos, alguns dos quais inéditos, realizados entre os anos 1940 e 2005. Obras de artistas mais jovens que direta ou indiretamente foram influenciados por Athos também serão apresentadas. Com o patrocínio do Banco do Brasil e apoio da BBDTVM, realizada pela Fundação Athos Bulcão e produzida pela 4 Art, a exposição, que já esteve em Brasília e Belo Horizonte, após sua permanência em São Paulo, fará sua última escala no CCBB Rio de Janeiro, em outubro.

Dividida em núcleos, “100 anos de Athos Bulcão” vai além da arte da azulejaria: destaca também a pintura figurativa do artista realizada nos anos 1940 e 1950, antes de Brasília. – A série dos carnavais e sua relação com a pintura sacra é extraordinária – afirma Marília Panitz, ao destacar que Athos Bulcão utilizou uma mesma estrutura composicional para trabalhos sacros e profanos, citando como exemplo A Vida de Nossa Senhora, que está na Catedral do Distrito Federal.

A mostra contém ainda os croquis que Athos Bulcão fez para o grupo de teatro O Tablado, do Rio de Janeiro, os figurinos das óperas Amahl e Os Visitantes da Noite de Menotti, paramentos litúrgicos modernistas, grande acervo de seu trabalho gráfico e até os lenços que desenhou quando estava em Paris. No Estado de São Paulo, outro trabalho público se destaca: o relevo em madeira pintada no foyer do Teatro de Araras, em 1991.

Outro aspecto relevante da exposição é a interatividade, desenvolvida a partir do caráter urbano e democrático da obra pública de Athos Bulcão inserida nas cidades. Através de um aplicativo criado especialmente para a mostra, o público será convidado a interagir e apropriar-se de projetos do artista.

Além disso, no dia 1º de agosto, às 19h, no CCBB, um bate-papo completa a programação. Os curadores, a secretária executiva da Fundação Athos Bulcão, Valéria Cabral, dos artistas Pedro Ivo Verçosa, Julio Lapagese e Virgílio Neto, que tem obras patentes na exposição, e o fotógrafo Tuca Reinés, responsável por muitos clicks das obras de Athos, irão dialogar com os visitantes sobre a vida e obra de Athos Bulcão.

A EXPOSIÇÃO

– Combinando o viés cronológico com uma aproximação temática, “100 anos de Athos Bulcão” aposta nos vínculos, mais ou menos evidentes, entre diferentes momentos da trajetória do artista e se estrutura a partir de núcleos de obras e estudos que se interpenetram e deixam evidente a diversidade conceitual e material que permeia toda o seu trabalho – afirma André Severo.

As obras do Núcleo 1 – A cor da fantasia – exibem o caráter figurativo, e menos conhecido, no conjunto de criação de Athos Bulcão. Com figuras simplificadas e uma paleta particular, as cores puras e os tons terrosos predominam. O universo imaginário do artista formalmente aproxima as festas profanas com as imagens religiosas que produziu, ainda no início dos anos 1960, para a Catedral de Brasília. Nesse núcleo estão também as vestes litúrgicas e projetos para painéis e vitrais de igrejas, assim como os desenhos realizados no final da vida do artista, quando o tema do carnaval que aparece como lembrança ancestral, reaparece.

As fotomontagens são um momento único na obra de Athos Bulcão. No Núcleo 2 – Devaneios em preto e branco – elas apontam para certo pensamento tributário das experimentações surrealistas e de certa vertente construtiva presente nos desdobramentos da experiência da Bauhaus. Trata-se também da utilização daquilo que o aprimoramento do offset e das revistas possibilitou. Aqui é possível identificar a maestria da composição associada a um viés de humor. Além das Fotomontagens pertencentes ao acervo da Fundação Athos Bulcão, a mostra exibe pela primeira vez as colagens que deram origem a elas – todas pertencentes a uma coleção particular.

Na abertura do Núcleo 3 – É tudo falso – surge o artista segurando uma máscara que é a reprodução de uma outra, ancestral. O título do núcleo toma uma fala de Athos Bulcão que questionava a ideia de originalidade e, portanto, a de falsificação, assim como outros artistas seus contemporâneos. Junto a essas “pinturas objetos” estão pinturas, gravuras e desenhos em torno do mesmo tema da documentação antropológica imaginária. Ainda estão presentes alguns dos bichos – coleção de esculturas criadas em pequena escala, à maneira dos seres imaginários de Borges, e depois construídas em tamanho maior para ajudar o desenvolvimento do aparelho locomotor das crianças da Rede Sarah de hospitais.

No Núcleo 4 – A geometria e a poesia – se pode observar mais profundamente o grande colorista Athos Bulcão e sua paleta de cores. Em um tríptico estão reunidos os três vieses desse grupo de obras pictóricas desenvolvidos entre o final dos anos 1960 e os anos 1990: as máscaras, que quase desfaziam a figuração; a associação de recortes quadrados que se espalhavam sobre o fundo monocromático; e as texturas com pequenos círculos, pontos, cruzes, quase ideogramas particulares criados pelo artista, que se espalham por toda superfície da tela e definem, sutilmente, formas que parecem instáveis dando-se a ver e desaparecendo sob o olhar do observador. Em diálogo com as telas, estudos de painéis de azulejos, desenhos e gravuras que comprovam o parentesco conceitual nas diversas experimentações: coerência e diversidade.

O Núcleo 5 – A forma reinventada e seus modos de usar – reúne as experiências do artista em diversos campos como capas de revistas e livros, ilustrações de jornais, projetos de estamparia em lenços e capas de discos. Também são apresentadas suas incursões no teatro – em especial, junto ao grupo O Tablado, de Aníbal Machado – onde foi cenógrafo e figurinista, além de designer dos programas das peças. Os projetos para mobiliário, realizados em residências particulares e também para a Rede Sarah, completam esse núcleo. É um bom momento para refletir como, a partir de uma clara proposta estética e conceitual, o artista se aventura por outros campos de fazer.

O Núcleo 6 – Construções/Montagens: a invenção de uma forma de integração da arte à arquitetura – é o maior núcleo da mostra. Dele fazem parte os trabalhos que evidenciam essa integração reconhecida em muitas cidades no Brasil – Brasília (mais massivamente), Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Natal, Recife, Salvador, Fortaleza, São Luiz, Teresina, Cuiabá, Aracajú, Vitória – e no exterior – Buenos Aires (Argentina), Praia (Cabo Verde), Lagos (Nigéria), Nova Delhi (Índia), Milão (Itália), Saint-Jean-Cap-Ferrat (França). Nesse conjunto de obras é possível observar o método do artista, sua precisão e sua abertura para a surpresa, para o inesperado, o que mantêm sua obra com um frescor perene.

À maneira de um jogo, o visitante é convidado a interagir e apropriar-se de projetos de painéis de azulejos (marca maior do trabalho do artista). O exercício proposto no Núcleo 7 – Interagir com Athos Bulcão, transformar a cidade – ocorre através da utilização de um aplicativo desenvolvido especialmente para a mostra. A reprodução de imagens projetadas na parede da sala permite que o público possa experimentar os azulejos de Athos Bulcão sobre superfícies de prédios escolhidos dentro do repertório oferecido pelo jogo.

O Núcleo 8 – Rastros de Athos Bulcão – mostra a influência de Athos no trabalho de artistas contemporâneos. Obras de alguns artistas que reconhecem de alguma forma a presença de Athos Bulcão em suas poéticas são exibidas junto a obras de Athos Bulcão, que correspondem a esta zona de influência.

Ao longo de toda a mostra encontra-se a reprodução em escala de alguns dos relevos acústicos que foram desenvolvidos pelo artista, assim como algumas divisórias utilizadas em diversos prédios públicos, cuja originalidade e funcionalidade são marca do trabalho, sem precedentes, de integração entre arte e arquitetura proposto por Athos Bulcão.

No espaço externo um cubo de 9m2 propõe uma aventura aos visitantes: documentar viagens imaginárias, a partir de fotos realizadas junto à figura geométrica. Cada uma das faces do cubo é revestida com painéis de azulejos do artista encontrados em prédios públicos devidamente identificados. A dimensão generosa do cubo possibilita ao público a experiência do corpo a corpo com os painéis e também propicia a aventura de “estar” nos vários locais onde se encontram os trabalhos do artista, com um só clique.

“100 anos de Athos Bulcão” contextualiza a trajetória do artista, a conexão entre suas obras e um adensamento em sua poética. Da sua inspiração inicial pela azulejaria portuguesa, do aprendizado sobre utilização das cores, quando foi assistente de Portinari, até as duradouras e geniais parcerias com Niemeyer e João Filgueiras Lima, o Lelé. – Para nós, que divulgamos e preservamos seu legado, é sempre uma alegria homenagear o talento desse homem discreto, preocupado especialmente em harmonizar e compor o trabalho do arquiteto na integração de sua arte, mas que também se engrandece quando envolvido em telas, tintas e pincéis, produzindo um dos mais destacados repertórios da arte brasileira – afirma Valéria Cabral, secretária executiva da Fundação Athos Bulcão.

Posted by Patricia Canetti at 4:15 PM

julho 25, 2018

Indícios no Paço Imperial, Rio de Janeiro

No próximo sábado, 28/07, a programação do Paço Imperial ganha uma nova exposição. Indícios é uma coletiva em vários sentidos: além de reunir 28 artistas de diferentes estados brasileiros, assinam a curadoria dez nomes iniciantes. Todos, artistas e curadores, foram orientados por um coletivo de professores autodenominado Escola Sem Sítio.

Fundada há dois anos, a Escola Sem Sítio reúne artistas, curadores e profissionais das áreas envolvidas na montagem de uma exposição, que organizam programas paralelos de formação para artistas - o Imersões Poéticas - e para aprendizes de curadoria - o Imersões Curatoriais. Ao final de quatro meses, os dois módulos se juntam na montagem da exposição da produção desenvolvida durante o período de "imersão". Além de Indícios, o grupo já promoveu a montagem de Imersões (Casa França-Brasil), Limiares e Flutuantes (Paço Imperial).

Artistas: Beatriz Reis, Bianca Madruga, Carla Pinheiro, Carolina Kaastrup, Cecilia Cavalieri, Danielle Cukierman, Débora Guimarães, Dolly Michailovska, Edna Kauss, Everson Verdião, Jade Mendes, Julia Staneck, Luisa Alexandre, Marcelo Monteiro, Maria Baigur, Mariana Rocha, Marina Florindo, Matheus Simões, Nathan Braga, Nódoa, Pedro Paulo Honorato, Sandra Moreira, Silvia Neves, Tamirys Araujo, Tetsuya Maruyama, Thaieny Dias, Vanessa Rocha, Ynaê Cortez

Curadores: Ana Beatriz Duarte, Carolina Lopes, Celso Honório, Luciana Ribeiro, Patricia Bastos, Ricardo Chaker, Vanessa Moreno, Vinícius Davi, Weslley Ferreira, Yago Toscano

Orientadores (Escola Sem Sítio): Cadu, Cristina de Pádula, Efrain Almeida, Fernando Leite, Ileana Pradilla, Leila Scaf, Marcelo Campos e Tania Queiroz. Convidados: Brigida Baltar, Cesar Kiraly, Clarissa Diniz, Cristina Salgado, Ivair Reinaldim e Raul Mourão.

CONVERSAS COM ARTISTAS

As conversas com artistas permitem que os visitantes conheçam mais a respeito de seus processos de trabalho e criação. Estas conversas reúnem pequenos grupos de artistas que têm em suas pesquisas interesses e questões afins, permitindo trocas mais amplas entre si, e a partir da participação dos visitantes.

1 de agosto, quarta-feira, às 17h - CONFLUÊNCIAS E TERRITÓRIOS
As artistas Edna Kauss, Débora Guimarães e Maria Baigur conversam sobre as permissões e impedimentos que permeiam a cidade.

4 de agosto, sábado, às 14h - MAS NEM A HANNAH ARENDT?
As artistas Cecilia Cavalieri, Luisa Alexandre e Ynaê Cortez conversam sobre o feminino e a temporalidade em suas obras e pesquisas.

15 de agosto, quarta-feira, às 17h - VESTÍGIOS
Os artistas Nathan Braga, Matheus Simões e Marcelo Monteiro conversam sobre sentidos de incompletude, o devir e os rastros.

18 de agosto, sábado, às 14h - FLUXOS URBANOS
As artistas Mariana Rocha e Thaieny Dias conversam sobre os trajetos cotidianos e as paisagens urbanas.

Paço Imperial - Praça dos Arcos
Praça XV de Novembro 48, Centro, Rio de Janeiro, RJ

22 de agosto, quarta-feira, às 17h
Sessão de Filme/Sala dos Archeiros
O conto do Coruja, de Tetsuya Maruyama
Sessão seguida de debate

OFICINAS

8 de agosto, quarta-feira, às 17h
Oficina: Camadas e cores primárias
Com a artista Tamirys Araujo

11 de agosto, sábado, às 14h
Oficina: Dinâmica de Interalteridade
Com a artista Carla Pinheiro

25 de agosto, sábado, às 14h
Oficina: Indumentária
Com a artista Carolina Kaastrup

Para conferir o restante da programação acesse: facebook.com/escolasemsitio

Posted by Patricia Canetti at 12:35 PM

julho 23, 2018

Fernanda Gomes no Museo Jumex, México

El trabajo de Fernanda Gomes (Río de Janeiro, 1960) se desarrolla en estrecha relación con el espacio en el que se despliega. Frecuentemente sus exposiciones involucran arquitecturas dentro de la arquitectura y generan espacios a diferentes escalas. Para la presente exposición, ha producido obras -o como ella las denomina, “cosas”- en diálogo con las condiciones específicas de la Galería 1 del Museo Jumex, a la vez que desarrolla algunas de sus exploraciones recientes.

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La artista basa su proceso de trabajo en la relación que establece con el espacio expositivo, el cual estudia cuidadosamente e interviene a lo largo de un período de tiempo significativo. Esto le permite responder a sus condicionantes particulares, pero de manera simultánea entenderlo como una extensión de su propio estudio y sus ritmos. Así, aunque su obra se presenta al público como acabada, siempre tiene el potencial de reaparecer en diferentes configuraciones.

Una marcada economía de recursos materiales y espaciales caracteriza la obra de Gomes. En su lenguaje plástico, la artista utiliza de manera consistente madera, pintura blanca, hilo, textiles lisos y de color claro, así como algunos objetos encontrados que se redefinen al asociarse de forma singular con otros materiales. La luz es para Gomes otro elemento que controla cuidadosamente, modificando la forma en que las arquitecturas efímeras interactúan con otros objetos escultóricos y pictóricos. Esta materialidad entra en tensión con la arquitectura del museo y con el contexto urbano inmediato que, en esta galería, tiene una presencia particularmente contundente.

Fernanda Gomes ha expuesto recientemente de manera individual en la Galeria Luisa Strina, São Paulo (2017); Alison Jacques Gallery, Londres (2017); Galerie Peter Kilchmann, Zúrich (2015); Centre International de l'art et du Paysage, Vassivière, Francia (2013); Museu da Cidade, Lisboa (2012). Además, ha participado en exposiciones colectivas como 35 Panorama da Arte Brasileira, Museu de Arte Moderna, São Paulo (2017); Pliegues, Pares, Twins, Mitades, The Warehouse, Dallas (2017); Third Mind. Jiri Kovanda and (Im)possibility of a Collaboration, Galería Nacional, Praga (2016); Accrochage, Punta della Dogana, Venecia (2016); Une histoire, art, architecture et design, des années 80 à aujourd'hui, Centre Pompidou, París (2014); 13ª. Bienal de Estambul (2013); y 30a. Bienal de São Paulo (2012).


Fernanda Gomes’ (Rio de Janeiro, 1960) work is developed in close connection to the space in which it is displayed. Her exhibitions frequently involve architectures within architecture, generating spaces at different scales. For this show, she has produced works-or as she calls them, “things”-in dialogue with the specific conditions of Museo Jumex’s Gallery 1, while expanding some of her recent explorations.

The artist bases her work process on the relationship she establishes with the exhibition space, which she studies carefully and alters over a significant period of time. This allows her to respond to the gallery’s particular conditions, but at the same time to conceive it as an extension of her own studio and its rhythms. Thus, while her work is presented to the public as finished, it always bears the potential to reappear in different configurations.

A marked economy of spatial and material resources characterizes Gomes’ practice. In her formal language, the artist consistently uses wood, white paint, thread, plain textiles, as well as some found objects, to redefine simple materials by creating unique associations between them. Light is another element the artist controls carefully, modifying the way her ephemeral architectures interact with other sculptural or pictorial objects. This play between materiality and immateriality, object and association stands in further tension with the architecture of the museum, as well as the urban context that has a particularly forceful presence in this gallery.

Fernanda Gomes has recently showed her work individually at Galeria Luisa Strina, São Paulo (2017); Alison Jacques Gallery, London (2017); Galerie Peter Kilchmann, Zurich (2015); Centre International de l'art et du Paysage, Vassivière, France (2013); Museu da Cidade, Lisboa (2012). She has also participated in collective exhibitions including 35 Panorama da Arte Brasileira, Museu de Arte Moderna, Sao Paulo (2017); Pliegues, Pares, Twins, Mitades, The Warehouse, Dallas (2017); Third Mind. Jiri Kovanda and (Im)possibility of a Collaboration, Galería Nacional, Prague (2016); Accrochage, Punta della Dogana, Venice (2016); Une histoire, art, architecture et design, des années 80 à aujourd'hui, Centre Pompidou, Paris (2014); 13th Istanbul Biennial (2013); and 30th Sao Paulo Biennial (2012).

Posted by Patricia Canetti at 1:07 PM

Flávio Damm na Marcelo Guarnieri, São Paulo

A Galeria Marcelo Guarnieri tem o prazer de apresentar a primeira exposição individual de Flávio Damm na unidade São Paulo. A mostra reúne uma seleção de fotografias feitas por Damm desde o início da década de 1950 até o início dos anos 2000 e apresenta "Flávio Damm, um fotógrafo", vídeo de Eduardo Barcellos produzido em 2017 que traz o relato acurado do fotógrafo sobre importantes momentos de sua trajetória. O título da exposição Gêmeos, preto-e-branco faz referência ao relacionamento que Damm estabeleceu com a fotografia PB ao longo de seus anos de atividade, nos quais dedicou-se exclusivamente a ela, concedendo ao preto e ao branco o mesmo valor de importância na construção de suas imagens.


Flávio Damm, um fotógrafo from Fotocontexto on Vimeo.

Pombos, freiras e namorados. São esses três elementos que parecem perseguir Flávio Damm nos passeios que costuma fazer pelas ruas acompanhado de sua Leica. Constituindo um acervo de quase 60 mil negativos, uma parte das imagens que Damm produziu dá conta de retratar situações triviais do contexto urbano de diversas partes do mundo, sem, no entanto, abdicar do caráter construtivo ou mesmo poético em suas composições. São resultado do trabalho paciente e sensível de um fotógrafo que se propõe a ser apenas testemunha de momentos inusitados: ter o olho certo no lugar e na hora certa. Tal habilidade não pode ser fruto do mero acaso, ela se desenvolve em anos de exercício, do contato com a dinâmica das pessoas e das cidades em suas mais variadas formas de organização. Talvez a frequência daqueles três elementos em suas fotografias possa ser explicada pela vontade de adentrar, sem ser notado, em mundos tão particulares que casais de namorados, grupos de freiras e aglomerado de pombos criam para si em espaços públicos, e que acaba por exigir, de quem fotografa, um exercício incansável de aproximação. Desse modo, por mais que insista nesse desejo, Damm jamais poderá desvendar o mistério que envolve cada um desses grupos, mas se vale da insistência para criar intimidade com suas formas plásticas e saber explorá-las em seus variados aspectos, seja a partir do corte seco e geométrico da vestimenta das freiras, seja a partir das silhuetas de pombos alinhados no alto de um muro.

Uma outra porção de negativos do grande acervo de Flávio Damm é proveniente de seus mais de 70 anos de atividade jornalística. O fotógrafo, aliás, é conhecido por ser um dos maiores nomes da história do fotojornalismo brasileiro. Além de ter sido correspondente de grandes agências de jornalismo internacionais e de ter criado, junto a José Medeiros, a sua própria agência de fotografia, a pioneira Image, Flávio Damm integrou por dez anos a equipe da revista O Cruzeiro em seus tempos áureos, sendo ele mesmo peça chave na revolução que a publicação causou na imprensa brasileira. Criada em 1928, O Cruzeiro teve um papel importantíssimo no registro e na comunicação de um Brasil ainda pouco integrado entre suas regiões – quase sem estradas e sem televisão até a década de 1970 – e se estabeleceu como um dos mais influentes veículos de comunicação de massa do país. Sob a bandeira da modernidade e do progresso, a publicação apresentava inovações gráficas e editoriais, incorporando em seu projeto, a partir da década de 1940, o modelo da fotorreportagem, desempenhando, deste modo, um papel fundamental na elaboração da imagem do país como nação. O relato histórico ganhava, naquele momento, a força comprobatória da verdade fotográfica, dando ao fotógrafo a responsabilidade de ser o sujeito da narrativa, de ver por todos aqueles que não podiam estar no momento da ação, escolhendo o ângulo que julgasse mais adequado.

Flávio Damm contou muitas histórias enquanto esteve envolvido com o fotojornalismo: em 1948, fotografou Getúlio Vargas em seu auto-exílio na fazenda de Itu, no Rio Grande do Sul, sendo o primeiro fotógrafo autorizado a fazê-lo naquela circunstância e produzindo importantes imagens que circularam internacionalmente e antecederam o seu retorno à política brasileira; reportou distintos modos de vida e tradições dos lugares mais remotos de um Brasil ainda “em descobrimento”, como em 1954, quando publicou na revista O Cruzeiro registro do ritual de lamentação dos penitentes de Xique-Xique, no sertão da Bahia; esteve presente também na cerimônia de coroação da Rainha Elizabeth II, na Inglaterra, em 1953 e no lançamento do primeiro foguete na base de Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, em 1957, sendo o único fotógrafo profissional brasileiro a registrar tais eventos. Fiel à fotografia analógica em preto e branco e avesso ao uso do Photoshop ou de outras manipulações na imagem, Damm preza pelo registro direto, pois acredita que assim cumpre, de maneira responsável, com a sua função de “testemunha ocular”.

Das fotografias apresentadas na exposição, uma parte foi produzida entre o início dos anos 50 até fins dos anos 60 e outra de meados dos anos 80 até início dos anos 2000 em cidades do Brasil como Salvador, Recife, Rio de Janeiro e Belém e em países da Europa e das Américas. Não tão alinhadas à linguagem jornalística, essas fotografias evidenciam uma liberdade de composição formal e poética, transportando o espectador a momentos de contemplação e beleza, à posição do flaneur, que, vagando pela cidade, é surpreendido por situações dignas de registro. Mais do que testemunha de um fato, Flávio Damm, na escolha do enquadramento permitido pela lente 35mm de sua Leica – câmera que por seu tamanho e leveza permite a ele agir com rapidez e discrição -, acaba por assumir o lugar de testemunha de um instante, que, ao se transformar em imagem, traz junto uma atmosfera, seja de humor, encanto ou melancolia. Ainda assim, são registros da história. O que essas fotografias nos sugerem, talvez, seja uma vontade de contá-la a partir das questões próprias da linguagem visual, sem, com isso, dever nada ao verbo.

Posted by Patricia Canetti at 11:54 AM

julho 19, 2018

Entre Acervos no Palácio das Artes, Belo Horizonte

Com trabalhos de trinta artistas brasileiros, mostra de artes visuais propõe diálogo entre patrimônios artísticos

A Grande Galeria do Palácio das Artes recebe a exposição Entre Acervos, uma experiência transregional de acervos públicos do estado de Goiás e Minas Gerais. A mostra reúne trabalhos de trinta artistas de vários estados do Brasil oriundos de um recorte curatorial de obras pertencentes ao Museu de Arte Contemporânea de Goiás - MAC e Museu de Arte de Goiânia - MAG, ambos sediados em Goiânia; Museu de Artes Plásticas de Anápolis - MAPA, sediado em Anápolis, e o Museu de Arte Contemporânea de Jataí, sediado em Jataí.

A partir desta mostra, que tem curadoria do artista visual, gestor e consultor Paulo Henrique Silva, uma obra de cada artista mineiro passa a integrar o Acervo de Artes Visuais do Palácio das Artes. A proposta visa o diálogo entre obras já pertencentes a instituições públicas e as que serão incorporadas. Segundo o curador, é necessário “colocar os acervos em contato com o seu tempo, torná-los veiculadores de conhecimento e referenciais da identidade de um povo e de uma nação. Dessa forma, Entre Acervos contribui para o reconhecimento e fortalecimento dos acervos de arte contemporânea”.

O conjunto de obras das coleções públicas do Estado de Goiás pertence aos artistas paulistas Carolina Paez, Ellen Braga, Flávio Serqueira, Marcela Timboni e Marcio Pannunzio; os mineiros Carolina Mazzini e Paulo Nazareth; os goianos Anahy Jorge, Dalton Paula, Divino Sobral, Edney Antunes, Helô Sanvoy, Luiz Mauro, Paul Setúbal, Selma Parreira e Valdson Ramos; os cearenses Murilo Maia e Yuri Firmeza; os fluminenses Rachel Korman e Luiz César Monken; os brasilienses Marcio H. Mota e Virgílio Neto; o pernambucano Carlos Melo, a paraense Danielle Fonseca e a gaúcha Mônica Spohn. Para a edição apresentada em Belo Horizonte, somam ao conjunto de obras os trabalhos dos artistas mineiros Assis Horta, Daniel Moreira, Domingos Mazzilli, Miguel Gontijo, Pedro Moraleida e Roberto Vieira.

Estabelecendo um intercâmbio cultural do centro geográfico do país com a região sudeste, a exposição transmite uma parte da história recente da arte contemporânea de Goiás e Minas Gerais, e trata das dinâmicas artísticas do mundo contemporâneo e de elementos regionais. O uso do próprio corpo humano – ou situações e vestígios que remetem ao seu uso – norteou a concepção curatorial da exposição. Entre Acervos conta com trabalhos em instalação, escultura, objeto, desenho, gravura, fotografia, vídeoperformance, fotoperformance e performance.

Paulo Henrique Silva – Foi aluno e professor da Escola de Artes Oswaldo Verano, unidade cultural mantida pela Prefeitura de Anápolis (GO), e fez suas primeiras exposições ainda da adolescência. Em 1998, graduou-se em artes visuais, curso oferecido pela Universidade Federal de Goiás (UFG), e que concluiu em 2001. Convidado a assumir a direção da Galeria Antônio Sibasolly, em 2004, iniciou sua trajetória como curador. Desde então se dedicou ao estudo e a pesquisa da produção de arte contemporânea da Região Centro-Oeste do Brasil, das relações instituídas entre a produção dos artistas e a formação de acervos. Dentre os projetos desenvolvidos nos últimos anos destacam-se as mostras Dialetos 1 e 2, que reuniram jovens artistas emergentes da Região Centro-Oeste; Novas Aquisições – MAPA e Um Acervo em Construção, que proporcionou ao Museu de Artes Plásticas de Anápolis a incorporação de obras de renomados artistas do Planalto Central, e a exposição Vozes do Silêncio, que reuniu importantes nomes da arte afro-brasileira. Junto com a curadoria do Salão Anapolino de Arte tem realizado mostras em Anápolis, Goiânia, São Paulo – SP e Brasília -DF. Responsável pela produção e curadoria das últimas sete edições do Salão Anapolino de Arte, tem contribuído para o aprimoramento da arte contemporânea no interior do Brasil. Atualmente ocupa o cargo de Gerente de Projetos e Curador de Artes Visuais da Secretaria de Cultura de Anápolis – GO.

Posted by Patricia Canetti at 3:28 PM

Tony Camargo no MuMA, Curitiba

O MuMA - Museu de Arte Municipal de Curitiba tem o prazer de apresentar, a partir de 19 de julho, a exposição Desdobramento Pictórico / Videre, do artista Tony Camargo com curadoria de Arthur do Carmo. Na mostra, formada apenas por trabalhos inéditos em vídeo, o artista reflete como a pintura pode ser atravessada por novas tecnologias, reunindo performance, videoarte, cinema, instalação e a própria ideia de pintura em um mesmo objeto.

Utilizando cenários do nosso cotidiano, como depósitos, ferros-velhos, garagens e o próprio museu em que acontece a mostra, o MuMA, o artista recria ambientes usando os objetos que pertencem a cada um desses lugares, encontrando assim a vocação pictórica de objetos comuns. Para o curador Arthur do Carmo, a mostra, além de ser uma exibição valiosa de trabalhos inéditos, permitirá o acesso ao público de materiais que são utilizados no processo de criação do artista. “Há muito tempo procuro exibir esses materiais de processo do Tony, porque apesar de serem apenas uma informação a mais na sua produção pictórica, seus tecidos e plaquinhas de produtos que não existem condensam muito bem as ideias centrais do que o artista realiza.”, comenta.

Reconhecer um objeto comum nos vídeos de Tony Camargo é se deparar com um estranhamento. Uma linha listrada inserida pelo artista digitalmente através do computador se confunde com um aparelho de ginástica também pintado com listras. Balões, desses de festas, somem por dentro dos tecidos que o artista utiliza para se cobrir ou então estouram sem que a gente possa entender muito bem onde eles foram parar. Os vídeos do artista são curtos, duram entre 30 segundos ou menos. Entretanto, nesse pouco tempo, muitas coisas acontecem.

A mostra irá ainda trazer os artistas Daniel Acosta (RS, 1965) e Matheus Rocha Pitta (MG, 1980) para uma conversa aberta com o público, nos dias 20 e 22 de julho, às 19h e 15h, respectivamente. A artista e arte-educadora Juliana Burigo também irá ministrar uma oficina para crianças acima de 6 anos no dia 28 de Julho às 9h. As inscrições são limitadas e podem ser realizadas no local ou pelo telefone 3329-2801.

A abertura da mostra acontece dia 19 de julho, na próxima quinta-feira às 19h e segue em cartaz até o dia 21 de agosto.

O projeto Desdobramento Pictórico foi aprovado no Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura do Paraná, Profice, da Secretaria de Estado da Cultura e recebeu apoio da Copel.

Programação

Conversa com Daniel Acosta
Quando: dia 20/07 às 19h
Onde: MuMA – Museu Municipal de Arte. Sala Roseli Giglio. Av. República Argentina, 3430, Portão. Curitiba/PR.
Entrada Gratuita

Conversa com Matheus Rocha Pitta
Quando: dia 22/07 às 15h
Onde: MuMA – Museu Municipal de Arte. Sala Roseli Giglio. Av. República Argentina, 3430, Portão. Curitiba/PR.
Entrada Gratuita

Oficina de arte-educação com Juliana Burigo
Onde: MuMA – Museu Municipal de Arte. Sala 1.
Av. República Argentina, 3430, Portão. Curitiba/PR.
Quando: dia 28/07 das 9h às 12h
Inscrições no local ou pelo telefone 41- 3329-2801
Vagas limitadas. Para maiores de 6 anos.

Posted by Patricia Canetti at 2:02 PM

Adriana Varejão na Victoria Miro Venice, Itália

An exhibition of new Saunas and Baths paintings, and Meat Ruins by the renowned Brazilian artist Adriana Varejão, her sixth exhibition at the gallery.

Since the mid-1990s, Adriana Varejão has explored two juxtaposing motifs – flesh and tiles (azulejos) – drawing on the decorative tradition of her native Brazil to examine the confluence of cultures and underlying tensions: between beauty and violence, geometric order and the visceral body.

For this exhibition at Victoria Miro Venice, the artist will present paintings that refer to details of public baths in Budapest and also an abandoned swimming pool near Rio de Janeiro. While previous Sauna paintings represent idealised, near-monochromatic tiled interiors, these new works are painterly evocations of existing places of wellness, leisure and ablution. Relating to ideas such as asepsis, they are equally concerned with traditional painterly concerns and aspirations, such as the desire to capture in oil on canvas the transparency of water and endless modulations of light across its surface. The subtleties of form and atmosphere in these works resonate especially strongly with the historic city of Venice, where liquid and solid are held in fragile balance and perception is subject to the endless interplay of water, light and reflection.

Writing about Varejão’s Sauna paintings, curator Paulo Herkenhoff has commented that the space depicted in each work is ‘made of planar dimensions deformed by perspective – squares become diamond-shaped, bands almost lines.’ Amplifying such spatial and chromatic complexities, the new works on display include Budapeste II, 2013-2018, in which light dances across the surface of a tiled pool, echoing its grid formation in the cool, blue shallows while fracturing into staccato, calligraphic marks where it falls across deeper, darker water. By contrast, Budapeste III, 2018, whose tones err towards warmer shades of red and yellow, suggests the play of light at a different time of day – perhaps sunrise or sunset. Here, the abutting planes of tiles appear warped and distorted, as if by a person, unseen, moving towards or away from the viewer.

Blurring the boundaries between painting and sculpture, the artist’s Meat Ruins render visible the absent bodies implied by her Saunas and Baths paintings. These fragmentary wall and floor sculptures incorporate sections of trompe-l’oeil tilework that contain masses of material applied and painted to evoke bloodied meat. For Varejão, flesh occupies a symbolic position as a mediator of history, and in its ability to stir both seduction and repulsion. Resembling marble, the veins of fat and flesh in these new Ruins make explicit the parallels in Varejão’s art between architecture and the body, these fleshy, architectonic ruins laying bare the vulnerability of bodies, buildings and even entire cultures.

Born in 1964, Adriana Varejão currently lives and works in Rio de Janeiro, Brazil. With a diverse practice comprising mainly painting, but also sculpture, drawing, installation, film and photography, Varejão is one of the most original voices in contemporary Brazilian art. Infused with layers of meaning, her work contains references to both her personal and Brazilian history. Her varied sources range from art history to religious art, from erotic art to decorative art, from colonial iconography to images produced by European travellers, and from natural sciences to cartography. The tile has been a recurring motif in Varejão’s work since early in her career. She uses it to draw on the history of Portuguese Azulejo tilework and the disquieting legacy of Brazil’s colonial past.

A major retrospective, Histórias às margens (Histories at the margins), was displayed at the Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo (2012), travelling subsequently to Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro (2013), and MALBA – Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (2013). She has held solo exhibitions at The French Academy in Rome – Villa Medici (2017); Dallas Contemporary, Texas (2015); The Institute of Contemporary Art, Boston, USA (2014 – 2015); Hara Museum, Tokyo (2007); Fondation Cartier Pour L’Art Contemporain, Paris (2005); Centro Cultural de Belém, Lisbon (2005); Domus Artium (DA2), Salamanca (2005); Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (2001); and Bildmuseet, Umeå, Sweden (2000). The artist's work has been widely exhibited within large-scale group exhibitions at institutions including Museo Reina Sofia, Madrid, Spain (2017); MAC Niterói, Rio de Janeiro (2017, 2016); Fondation Cartier Pour l’Art Contemporain, Paris (2016); Museu de Arte de São Paulo, São Paulo (2016); Kunsthal KAdE in Amersfoort, Netherlands (2016); Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro (2016, 2015, 2014); Coimbra Biennial, Portugal (2015); Kulturhuset Stadsteatern, Stockholm (2014); Wexner Center for the Arts, Ohio (2014); Musée d'art contemporain de Lyon (2014); Astrup Fearnley Museum, Oslo (2013); Fundação Bienal de São Paulo (2013); Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (2012); 12th International Istanbul Biennial, Istanbul (2011); Instituto Valenciano de Arte Moderno, Valencia (2011); Fundação de Arte Moderna e Contemporânea, Lisbon (2011); 4th Bucharest Biennale, Bucherest (2008); Nassau County Museum of Art, New York (2007); the Brooklyn Museum of Art, New York (2007); BildMuseet, Umeå, Sweden (2003); MoMA The Museum of Modern Art, New York (2002) and Solomon R. Guggenheim Museum, New York (2001). A permanent pavilion devoted to Adriana Varejaõ's work opened in 2008 at Instituto Inhotim in Brazil.

Posted by Patricia Canetti at 12:54 PM

julho 18, 2018

Bruno Vilela na Amparo 60 Califórnia, Recife

Bruno Vilela celebra 20 anos de carreira com a exposição Hermes na Amparo 60

No próximo dia 26 de julho, às 19h, o artista Bruno Vilela inaugura a exposição Hermes, na Galeria Amparo 60. A mostra marca tanto os 20 anos de carreira do artista, que está há quatro sem expor no Recife, quanto os 20 anos da galeria, fundada em 1998, cuja primeira sede foi a casa de número 60, na Rua do Amparo, em Olinda. Esta é a primeira exposição em que Vilela integra desenho, pintura, fotografia e estudos, funcionando como uma grande instalação. As obras são costuradas por textos nas paredes, símbolos e ícones ressignificados pelo artista. Para inspirar essa série de trabalhos o artista se lançou numa pesquisa sobre o hermetismo.

É por volta de 2.600 a.C. que surgem os primeiros registros do Hermetismo na história. Incorporados pelos egípcios na figura do Deus Toth, Hermes Trismegistos, o três vezes grande, é Mercúrio na mitologia romana. O semideus que tem a capacidade de levar o conhecimento do divino aos homens. “A figura de Hermes aparece até em igrejas católicas. Existe um mosaico da lendária figura numa catedral em Siena. A lenda diz que Hermes passou o conhecimento a Abraão e desde então todas as religiões têm fundamentos nos princípios herméticos. Do hermetismo surge a alquimia e dela os grandes arquitetos e artistas do renascimento que eram alquimistas”, conta Bruno.

A grande obra do hermetismo é o Caibalion. Um pequeno livro com pouco mais de 120 páginas que elabora as sete leis herméticas. Na realidade a alquimia é a arte da transmutação. E a tão falada pedra filosofal é o conhecimento que transforma chumbo, pensamentos e sentimentos grosseiros, em ouro, elevação espiritual e iluminação. O hermetismo nada mais é que uma grande ciência, religião e arte, através da qual o homem aprende o caminho para a evolução. Através da pesquisa desses princípios, Bruno Vilela criou obras que revelam visualmente o conhecimento do grande mestre. São pinturas, desenhos e fotografias que surgem de um profundo mergulho no hermetismo. “As escrituras falam que Deus, O TODO, é indizível e incognoscível. A arte tem então a vocação de mostrar justamente o que não se consegue explicar com palavras”, destaca.

A figura de Hermes abre a exposição na fotografia de uma escultura numa fonte. Espécie de oráculo que representa a conhecida citação do Caibalion: “Os lábios da Sabedoria estão fechados, exceto para os ouvidos do Entendimento. Quando os ouvidos do discípulo estão preparados para ouvir, então vêm os lábios para os preencher com a Sabedoria.” A segunda obra tem como título mais uma citação do Caibalion: O Todo está em tudo. Tudo está no TODO. Um grande motor numa fábrica, feito de carvão e tinta acrílica, tem uma auréola que sai da sua grande roda. A sacralização e a possibilidade de se ver o criador em qualquer lugar. O grande motor criador do universo.

A primeira obra do salão principal é uma fotografia de grande formato da asa de um avião. O Mensageiro faz referência as asas nos pés de Mercúrio. No céu vemos o Circumponto, antigo símbolo asiático que representa o sol e o universo, utilizado para meditação, feito de folha de prata, através de uma intervenção na fotografia. Ao lado surge o caduceu de Hermes, ressignificado através de duas fotografias e uma intervenção na parede, 2.600 a.C. é um díptico feito de uma imagem de uma Pirita, mineral que tem a propriedade de ser um amuleto que atrai prosperidade e elimina nós energéticos. Essa, em especial, foi fotografada pelo artista no Museu do Minério, em Belo Horizonte (MG), e tem o incrível formato de asa. A fotografia é replicada, espelhada e separada por um desenho feito a carvão na parede. Duas serpentes sobem em direção ao teto e são feitas das digitais do artista.

O princípio da Transmutação dá título a obra seguinte. O leão de São Marcos recebe asas e também tem o papel de levar o conhecimento dos céus a nós mortais através do livro sagrado em suas patas. O espaço representado pela auréola e círculos ao redor de sua cabeça são os infinitos anéis do universo. O leão é feito de óleo e carvão.

Na outra parede, vemos uma grande montanha pintada a óleo. A obra tem 150x200 cm. No cume paira um triângulo em perspectiva feito de folha de prata. A montanha representa O TODO das leis herméticas. Deus. O incognoscível. O triângulo ascendente é o céu. O triângulo descendente a terra. Os dois juntos formam a estrela de Davi. O casamento do Céu e do inferno escrito por William Blake. Os mesmos triângulos aparecem no teto e no chão da galeria com as frases: O que está em cima...É como que está embaixo.

No centro da parede temos uma fotografia. É o ateliê de Burle Marx no seu sítio, no Rio de Janeiro. A composição mostra claramente um templo. Orientalismo foi um movimento do século XIX na pintura e dos anos 30 aos 60 no cinema regido pelas cores do Technicolor. Vemos o templo do mestre, de Hermes, perdido num delírio tropical entre as palmeiras.

A última obra da parede tem por título também uma das leis herméticas: O que está em cima é como o que está em embaixo. O templo de Delfos na Grécia aparece como que mergulhado num mar escarlate. São as pálpebras dos olhos saturadas pela luz solar. Nesse templo, o oráculo falava aos humanos as palavras dos deuses através dos gases que saiam da terra e deixavam as sacerdotisas em transe. Também uma ligação, religação, religião, do céu com a terra. Do homem com os deuses.

A última obra da exposição é um altar numa mesquita. Um grande desenho de 200x150 cm feito de carvão e tinta acrílica. Uma escada de madeira entalhada leva a um altar. Dentro dele uma luz brilha. É O Profeta. O espírito do grande mestre presente. As diversas influências de liturgias, iconografias, mitos e deuses presentes nessa exposição, de católicos a muçulmanos têm como objetivo mostrar como o pensamento hermético formou todas as religiões e o misticismo do mundo.

Posted by Patricia Canetti at 2:22 PM

Avesso Viés na Sim Galeria, São Paulo

Obras em material têxtil sugerem uma analogia entre tessitura e a percepção da passagem do tempo

As alegorias e metáforas entre a tecelagem e a percepção da passagem temporal dão o tom da exposição Avesso Viés, coletiva em cartaz na SIM Galeria entre os dias 9 de junho e 21 de julho. Artistas que lidam de diversas formas com o têxtil apresentam trabalhos com essa matéria e a atualizam por meio de ações como cortar, manchar, torcer, desfiar, esgarçar e virar do avesso. Essas interferências fazem uma analogia ao tempo e à capacidade de interrompê-lo abruptamente, desafiando a convulsão ansiosa da atualidade.

“Basta fazer um corte oblíquo na trama ortogonal de um tecido para interromper sua regularidade, produzindo uma peça de tecido chamada em português de ‘viés’. Uma mesma matéria resultante da duração da tessitura pode ter suas propriedades a tal ponto transformadas por um simples corte diagonal que vale a pena renomeá-la”, explica o curador Paulo Miyada.

As obras expostas de Lucio Fontana, Frank Ammerlaan, Nelson Leiner, Daniel Senise, Marina Weffort, Jessica Mein, André Azevedo, Tonico Lemos Auad, Jarbas Lopes, Daniel Albuquerque, Janina Mcquoid e Yuli Yamagata refletem o diálogo entre gerações e origens do caráter temporal da tessitura e a possibilidade de interrupção. Os artistas têm em mãos, portanto, uma matéria cuja substância, o tempo, é tanto fonte de fascínio quanto de estranhamento.

Ao conjunto de fios posicionados longitudinalmente no tear, dá-se o nome de urdidura. A trama é composta por linhas transversais, que transitam entre esses fios com o auxílio de uma agulha, formando assim um tecido ou gravuras. Ou seja, a urdidura é a base potencial e a trama, que percorre as mais variadas posições, é a criatividade, a capacidade de traçar e de mudar as coisas. “Avesso Viés” convida justamente para uma reflexão sobre a correspondência da urdidura e da trama com as unidades homogêneas de tempo e o fluxo descontínuo e móvel dos acontecimentos.

“A força dessa ancestral relação simbólica entre tessitura e temporalidade é tal que segue vigente até hoje, após inúmeras revoluções técnicas e tecnológicas. O que torna essa ideia complexa, porém, é a relação da sociedade contemporânea com a própria noção de duração. Temos sérias questões com a passagem do tempo. Ela angustia gerações viciadas pela gratificação instantânea, alcançada pelo consumo e pela aprovação social. A extensão do tempo tornou-se tão problemática que não pode sequer ser deixada de lado como uma preocupação secundária”, declara Miyada.

Posted by Patricia Canetti at 12:03 PM

julho 17, 2018

Maxwell Alexandre na Gentil Carioca, Rio de Janeiro

No próximo dia 21 de julho, às 18h, a galeria A Gentil Carioca, tem o prazer de apresentar O Batismo de Maxwell Alexandre, a primeira exposição individual de Maxwell Alexandre, que fica em cartaz até o dia 12 de setembro. Para a mostra, o artista apresentará obras inéditas, concebidas especialmente para a exposição que conta com texto crítico de Fernando Cocchiarale.

Ainda no dia de abertura da exposição, em ato de peregrinação, o artista e os membros “d’A Noiva Igreja do Reino da Arte”, levarão a pé da Rocinha as pinturas-mãe, pinturas apelidadas carinhosamente pelo artista, numa jornada religiosa de quatro horas, onde tod@s carregarão no ombro as telas enroladas até o centro do Rio de Janeiro. Em formato de grande escala, as telas apresentam medidas de 4,60 (altura) x 2,10 (largura)m e de 4,14 (altura) x 2,80 (largura)m que ao chegarem na A Gentil Carioca, serão içadas nas salas expositivas. Todo o ato será filmado e transmitido ao vivo num telão na galeria.

Às 20h, a “Encruzilhada Gentil”, ativação da galeria A Gentil Carioca, transborda o espaço expositivo da mostra e recebe a cerimônia de Batizado do Artista. Enquanto as pinturas estiverem sendo içadas nas galerias, Maxwell dirige-se para seu batismo, uma passagem, sob a benção da Igreja. Quem batiza o artista é um dos membros da igreja, o rapper Abebe Bikila, mais conhecido como BK, BKristo, BKrack, BKratos ou Ekelelê, autor de versos que deram nome à pinturas da série “Pardo é Papel”. Após o batismo BK performa a música “Caminhos” e terminamos o ritual.

Paralelamente à abertura da exposição e aos demais acontecimentos, também será realizado o lançamento da “Camisa Educação de n º 79” por Eduardo Barros.

Às 21h, os DJs Rodrigo Rosm e Caio Rosa, membros d’A Noiva, começam a tocar e seguimos para aproveitar a exposição/culto/celebração com piscina, música, e descoloração de cabelo de tod@s que quiserem experimentar um novo look.

PROGRAMAÇÃO

14h as 18h - Peregrinação Rocinha - Centro
saída as 14h do atelier do artista, Travessa Mesopotâmia, Rocinha

18h Abertura da exposição e içamento das telas

20h Encruzilhada Gentil – O Batizado do Artista
participação especial do happer BK

21h
Celebração com banho de piscina, descoloração de cabelo ao som dos Djs Rodrigo Rosm e Caio Rosa

MAIS SOBRE A MOSTRA

As pinturas-mãe, como foram apelidadas, são telas pintadas em acrílica, henê, graxa, betume, pastel oleoso, e látex, em frente e verso com cores e padrões das piscinas Capri, signo ambíguo - de status e lazer dentro das favelas, e de sarcasmo pelos mais abastados. Personagens negros e de cabelo descolorido - numa referencia autobiográfica ao próprio artista - se sobrepõem ao fundo azul, aparecendo em cenas variadas de dias de praia e festas na piscina. Em meio ao lazer nas águas aparecem imagens de batismos evangélicos, além dos agentes de segurança das praias do Rio, bem como os militares prostrados à orla desde o começo da intervenção militar. Jovens saltam da janela de um ônibus em direção às praias lindas e seguras da Zona Sul do Rio, veladamente reservadas aos turistas e moradores locais.

Na galeria uma das salas é inteiramente coberta em papel pardo, um dos elementos marcantes da obra do artista em referência ao termo “pardo” usado como um tom de pele que por muito tempo ‘amenizou” e escondeu a negritude no Brasil. Em seu interior indícios discursivos da infância e realidade de vida do artista: fotos, desenhos, documentos, além de diversos objetos, todos envoltos e suspensos em pardo, padronizados, camuflados, secretos, dissimulados e ao mesmo tempo, falsa e estranhamente enaltecidos.

Aguardam também a série de portas e janelas de formatos e tamanhos variados, pintadas a óleo. São imagens de evangelização e batismo inspiradas em fotos de família e cenas da disseminação da influência e poder das igrejas pentecostais nas forças militares, na política e nas favelas.

Do lado de fora uma piscina Capri e um tanque batismal aguardam a chegado dos peregrinos, os preparativo para o batismo e celebração nas águas da encruzilhada em frente à galeria.

As 20h, depois da submissão ao sacrifício da caminhada, as pinturas são entregues à galeria, onde serão içadas no espaço expositivo. Paralelamente ao içamento das telas, Maxwell se dirige para seu batismo, um rito de passagem sob a benção d’A Noiva. Quem batiza é o rapper Abebe Bikila, mas conhecido como BK, BKristo, BKrack, BKratos ou Ekelelê, autor de versos sobre o empoderamento negro, que deram nome à pinturas da série “Pardo é Papel”.

Criado no evangelho Maxwell nunca chegou a ser batizado na igreja e, ao performar seu batismo dentro de seus próprios termos e condições durante seu lançamento oficial como artista, se utiliza de um recurso-chave de sua obra; a espetacularização, tomada de controle e curadoria de sua própria mitologia biográfica.

Após o ritual os DJs Rodrigo Rosm e Caio Rosa dão início à celebrações, com direito a banho de piscina e descoloração de cabelo.

MINIBIO – MAXWELL ALEXANDRE

Nascido em 1990 na Rocinha, Rio de Janeiro, Maxwell Alexandre se graduou no Departamento de Artes e Design da PUC-Rio em 2017. Em 2018 uma de suas obras passou a fazer parte do acervo da Pinacoteca de São Paulo. No mesmo ano ele participou da exposição coletiva Abre Alas 14 na A Gentil Carioca. Ele também participou da exposição coletiva Carpintaria para todos, realizada em 2017 no Fortes D’Aloia & Gabriel.

"Criado em berço evangélico, aprendi que fé e obra devem caminhar juntos, uma em detrimento da outra não funciona. Dentro desse sistema religioso me ensinaram também que a oração é um segredo pra prosperar, comunicar e receber coisas de Deus. Quando me vi em artes precisei rever tudo isso que havia escutado e incorporado. Ao desconstruir o evangelho que me ensinou, deixei de usar a linguagem verbal como um meio para me conectar com Deus. Então, encontrei na pintura um caminho legítimo para agradecer, falar e conhecer a mim mesmo. Minhas pinturas são orações, visões e profecias. Assim como em casas pentecostais onde fiéis oram aos berros, expondo sua intimidade, minha prática artística se apresenta ao mundo também como uma prece aberta/pública."
Maxwell Alexandre

MINIBIO - ABEBE BIKILA (BK)

Abebe Bikila Costa Santos, nascido em 20 de março de 1989, mais conhecido como BK, é membro do grupo carioca de rap Nectar Gang, do Bloco7, e Pirâmide Perdida. Em seu álbum solo de estreia, Castelos & Ruínas e no EP em dois volumes “Antes dos Gigantes Chegarem", o rapper alcançou grande aclamação do público, conquistando diversos prêmios no cenário. BK utiliza sua música para tecer reflexões existencialistas com composições que discutem tédio, depressão e ansiedade de forma contida, detalhista, e como um exercício de descoberta pessoal.

SOBRE A IGREJA

A Noiva - A Igreja do Reino da Arte - Fundada por artistas - entre eles o próprio Maxwell, a Igreja prega o processo artístico como caminho para a salvação e o auto-conhecimento. Seu formato atual resulta do sincretismo de termos, estruturas, textos e rituais apropriados das instituições cristãs e do mundo da arte, onde os trabalhos dos artistas são tidos como orações e seus ateliês como templos.

Posted by Patricia Canetti at 5:31 PM

Programa Capacete Atenas no Rio de Janeiro

Programa Capacete Atenas acontece em diferentes locais no Rio de Janeiro

18 de julho, quarta-feira, 19h
Lançamento da Publicação “Experiencing Connection Issues”
Capacete _ Rua Benjamin Constant 131, Glória

21 de julho, sábado, 16h
Feijoada com residentes Capacete + Festa
Lanchonete _ Rua Pedro Ernesto 5, Gamboa (Praça da Harmonia)

23 de julho, segunda-feira, a partir das 18h
vídeos de Gian Spina
1628, 8’17”
Tombamento, 20’11”
performances:
19h _Plástico Pedra Homem_ Gian Spina e Rodrigo Andreolli
20h30_ Don’t touch ,this is art _ Michelle Mattiuzzi, Miro Spinelli, Cíntia Guedes e Camila Bacellar
EAV Parque Lage _ R. Jardim Botânico, 414

Experiencing Connection Issues

O que significa deslocar uma aprendizagem experimental, coletiva, de um continente para outro – especificamente a partir do hemisfério sul para o Sul do Norte? O que motiva tal deslocamento e o que isso implica?

Como tal iniciativa engaja-se em um novo contexto local, tendo em conta a complexidade e heterogeneidade destas comunidades, de suas histórias e dinâmicas socioculturais? Se, em alguma medida, a Grécia Antiga era e ainda é utilizada como matéria-prima para moldar a imaginação da modernidade ocidental, o que pode oferecer a Grécia contemporânea ao desmantelamento do colonialismo e do capitalismo neoliberal, especulativo e financeiro?

De março a dezembro de 2017, o Capacete desdobrou sua programação em Atenas - e parte em Kassel - no contexto da documenta 14 e em programas e atividades culturais da cidade.

Passamos boa parte do nosso tempo em Atenas tentando entender quais as cláusulas ocultas destas premissas, nos perguntando ‘quem recebe e quem é recebido’, por quê e para quem falamos, onde acaba o projeto e onde começam nossas vidas.

A publicação ‘Experiencing Connection Issues’ [Experimentando Falhas de Conexão] é um dos resultados deste projeto e será apresentado pelos participantes do programa Capacete Atenas 2017.

Autores: Sol Prado (Argentina), Raúl Hott (Chile), Fabiana Faleiros (Brasil), Michelle Mattiuzzi (Brasil), Gris García (México), Eliana Otta (Perú), Jarí Malta (Uruguay), Nikos Doulos (Grecia), Rodrigo Andreolli (Brasil), Vasiliki Sifostratoudaki (Grécia), Despina Sevasti (Grécia), Marina Miliou (Grécia), Fotini Gouseti (Grécia), Yara Haskiel (Alemanha), Franco Castignani (Argentina), Alkisti Efthymiou (Grécia), Susanna Brown (Canadá), Gian Spina (Brasil)

Experiencing Connection Issues
Capacete Atenas – 2017 (204 páginas)
ISBN: 978-85-63537-10-2
preço: R$10,00
Versão online
A versão impressa da publicação poderá ser encomendada via email

Posted by Patricia Canetti at 4:19 PM

Fernanda Junqueira na Galeria A2 + Mul.ti.plo, Petrópolis

A ideia da exposição é simples: revisitar algumas séries de trabalhos que a artista Fernanda Junqueira desenvolve desde 2001 até hoje (2018) - e que foram expostas durante este tempo individualmente em exposições coletivas e/ou exclusivas da artista.

O conjunto que pretendemos apresentar na galeria A2 + Mul.ti.plo, no Vale das Videiras (RJ), reúne obras representativas desse percurso. Algumas que a artista mantém no seu acervo e outras que foram revisitadas recentemente, como a série Camarupa Água & Nuvens, 2009/2017, em que as telas pintadas em 2009 unem-se em díptico com fotos realizadas na mesma ocasião (nunca antes ampliadas em papel até então). Dessa forma, uma nova configuração transforma poeticamente a ideia de Camarupa. Um desses trabalhos participa da exposição atual Feito Poeira no Ar, no MAR, Museu de Arte do Rio, no Rio de Janeiro.

Ao selecionar trabalhos da série Conjunto Vazio até a série Submersos, a exposição não pretende abarcar (nem poderia) uma produção que estende-se desde pequenos e sutis desenhos em papel até instalações - como a instalação Coletor de Sonhos realizada na Caixa Cultural, em 2010, ou, a mais recente, Jardins Submersos no Palácio Gustavo Capanema em 2014. A mostra atual é um recorte para refletir sobre a visualidade de uma poética que se desenha no tempo e que, agora, temos oportunidade de apreciá-la na galeria A2+ Mul.tiplo.

Serão apresentados em torno de dezesseis trabalhos entre pinturas, esculturas, fotografias em formatos variados (150 x 150 cm, 100 x 200 cm, 100 x 100 cm, 50 x 50 cm, 30 x 30 cm) das séries “Conjunto Vazio”, “Camarupa”, “Submersos” realizados entre 2002 e 2018.

Sobre a artista

Artista plástica carioca, atuante desde meados da década de 1980, formada em Pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e mestrado ( latu-sensu) no curso de Especialização em história da arte e arquitetura no Brasil pela PUC-RJ. De seu currículo constam diversos cursos nas áreas de arte e filosofia, cursos práticos de desenho, fotogravura e outros na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e no MAM-RJ; curso de fotografia profissional no Senac; e curso de arte na educação na Escolinha de Arte do Brasil, no Rio de Janeiro.

Trabalhou na área cultural, no setor educativo da Fundação Raymundo Castro Maya, Rio de Janeiro, de 1982 a 1985; na Assessoria do Centro de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, de 1997 a 1999; e na produção executiva de exposições de arte em diversas instituições nacionais.

Em 2000, recebe o Prêmio de Bolsa do 5º Programa de Bolsas do Instituto Municipal de Arte e Cultura do Rio de Janeiro, RioArte, com o projeto Conjunto vazio, um espaço topológico. A pesquisa iniciada com esculturas de grandes formatos em cerâmica possibilita uma série de investigações que resulta na realização de exposições individuais em amplos espaços, entre eles, o Paço Imperial, Rio de Janeiro, e o Centro Cultural Maria Antônia, em São Paulo, ambas em 2002-2003.

Em junho de 2013, o Prêmio Projéteis de Arte Contemporânea, Funarte-RJ, inaugura novas investigações com a instalação intitulada Jardins submersos, um espaço líquido, criada especificamente para o local, a Galeria Mezanino no Palácio Capanema, Rio de Janeiro. Em fevereiro de 2014, realiza a mostra Aquarelas submersas, na Galeria MUL.TI.PLO Espaço Arte, no Rio de Janeiro.

Entre as exposições coletivas, podemos destacar, em 2014, além das participações na Art-Rio e na SP-Arte com a Galeria Mul.TI.PLO Espaço Arte em 2013, 2012 e 2011: as coletivas Múltiplo+Múltiplo, Galeria Múltiplo Espaço Arte, Rio de Janeiro, 2013 e 2012; Arte Brasileira: além do sistema", curadoria Paulo Sérgio Duarte. Galeria Estação, São Paulo, SP 2010; Projetos IN-Provados, com curadoria de Sonia Salcedo, Caixa Cultural Rio de Janeiro, 2010; Ar opaco – variações cariocas, Galeria Amarelonegro Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, 2009; Coletiva, Espaço Gávea Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, 2007; Núcleos Contemporâneos, Valu Oria Galeria de Arte, São Paulo, 2004; Quatro Matérias, exposição itinerante no Sesc, e Grande Orlândia, São Cristóvão, Rio de Janeiro, ambas em 2003; Pequenos Formatos, Escritório de Arte Mercedes Viegas, Rio de Janeiro, 2001; Desenho Contemporâneo – Quatro artistas brasileiros, Centro Cultural São Paulo e Caelum Gallery, Nova York, EUA, 1999, e Paço Imperial, Rio de Janeiro, 2000; MercoArte, Mar del Plata, Argentina, 1999; Gesto Mínimo, com curadoria de Luiz Sérgio Oliveira, Galeria de Arte UFF, Niterói, 1997; Influência Poética, com curadoria de Paulo Venâncio Filho, Paço das Artes, Belo Horizonte, e Paço Imperial, Rio de Janeiro, 1996.

Entre as principais exposições individuais: Jardins Submersos, um espaço líquido - Prêmio Projetéis Funarte de Arte Contemporânea, Palácio Gustavo Capanema, Rio de Janeiro, 2014; Aquarelas Submersas, Galeria Múl.ti.plo Espaço Arte, Rio de Janeiro, 2014; Voluminosos, Galeria 90 Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, 2005; Conjunto Vazio, Valu Oria Galeria de Arte e Centro Cultural Maria Antônia, ambas em São Paulo, 2003; Conjunto Vazio, Paço Imperial, Rio de Janeiro, e Galeria Sérgio Porto, Rio de Janeiro, 2002; Desenhos, Valu Ória Galeria de Arte, São Paulo, 1997; Centro Cultural São Paulo, e Galeria Macunaíma, Funarte, Rio de Janeiro, ambas em 1996; Galeria Paulo Cunha e Galeria de Arte Sesc, Rio de Janeiro, 1985.

Posted by Patricia Canetti at 3:48 PM

6ª edição do Prêmio CNI SESI SENAI Marcantonio Vilaça no MHN, Rio de Janeiro

Junto com a mostra que reúne trabalhos dos cinco artistas premiados – Daniel Lannes (RJ), Fernando Lindote (SC), Jaime Lauriano (SP), Pedro Motta (MG) e Rochelle Costi (SP) – o público verá “A Intenção e o Gesto”, com obras de Sérvulo Esmeraldo (1929-2017), artista homenageado desta edição do projeto Arte e Indústria, ambas com curadoria de Marcus Lontra, e Verzuimd Braziel – Brasil Desamparado, do curador premiado Josué Mattos, com trabalhos de outros dezessete artistas, de várias gerações.

A partir do próximo dia 20 de julho, o Museu Histórico Nacional, no Centro do Rio, receberá três exposições relativas à 6ª edição do Prêmio CNI SESI SENAI Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas, que se consolidou como o mais relevante realizado no país, no desenvolvimento, valorização e divulgação da produção contemporânea brasileira. Criado em 2004, em suas seis edições o Prêmio, atualmente com curadoria de Marcus Lontra, já contemplou 30 artistas e três curadores com bolsas de trabalho para a produção de obras, que circularam por várias cidades em exposições itinerantes.

No Museu Histórico Nacional, o público verá três exposições, que reunirão trabalhos de 23 artistas, de várias gerações: “Artistas premiados”, com trabalhos de Daniel Lannes (RJ), Fernando Lindote (SC), Jaime Lauriano (SP), Pedro Motta (MG) e Rochelle Costi (SP); a exposição “Verzuimd Braziel – Brasil Desamparado”, do curador premiado Josué Mattos, com trabalhos de outros dezessete artistas; e “A Intenção e o Gesto”, com obras do artista cearense Sérvulo Esmeraldo (1929-2017), homenageado desta edição do projeto Arte e Indústria.

O PRÊMIO

Com curadoria geral de Marcus Lontra, a 6ª edição do Prêmio CNI SESI SENAI Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas (2017-2018) recebeu inscrições de 637 artistas e curadores de todas as regiões do Brasil. Deste total, um júri de seleção formado pelos curadores Cauê Alves, Jailton Moreira, Marcelo Campos, Moacir dos Anjos e Marcus Lontra, e ainda pela artista Lucia Laguna e pelo curador Divino Sobral, premiados em edições anteriores, definiu como finalistas 20 artistas e três curadores. Em agosto de 2017, na cerimônia de abertura da exposição com trabalhos dos artistas finalistas, no MuBE, em São Paulo, foram anunciados os cinco artistas e o curador premiados, escolhidos pelo júri de premiação composto por Anna Bella Geiger, Marcelo Rezende, Paulo Herkenhoff, Wagner Barja, e Marcus Lontra.

Cada um dos cinco artistas vencedores recebe uma bolsa de R$ 50 mil para a produção de seus trabalhos, e o curador uma bolsa no valor de R$ 25 mil. Além disso, cada um deles é acompanhado por um crítico de arte ou curador, estabelecendo um rico diálogo que busca aprofundar e desenvolver questões relacionadas aos seus trabalhos: Daniel Lannes – Jailton Moreira, Fernando Lindote – Paulo Miyada, Jaime Lauriano – Moacir dos Anjos, Pedro Motta – Cauê Alves, Rochelle Costi – Bernardo Mosqueira e Josué Mattos – Clarissa Diniz. Na etapa seguinte, o objetivo é fazer circular por cinco diferentes cidades os trabalhos dos premiados. As três exposições que chegam agora ao Museu Histórico Nacional, no Rio, já estiveram em Brasília, Goiânia e Fortaleza, e seguem depois para Florianópolis.

“O Prêmio é uma homenagem da indústria nacional a Marcantonio Vilaça (1962-2000), um dos principais responsáveis pela institucionalização e projeção internacional da arte contemporânea brasileira”, destaca Marcus Lontra. “Colecionador e galerista, Marcantonio foi reconhecido como a principal referência do mercado latino-americano de arte nos anos 1990. E é em coerência com essa história que o Prêmio se constitui uma ferramenta de apoio à difusão e à articulação da produção artística brasileira em toda a sua força e variedade expressiva”.

EXPOSIÇÕES

Artistas premiados da 6ª edição do Prêmio CNI SESI SENAI Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas

Daniel Lannes (1981, Niterói, RJ) vive e trabalha no Rio. Dele, estarão na exposição quatro pinturas em grande formato. Sua pesquisa discute história da arte, pintura figurativa, e aspectos relacionados ao Brasil e ao Rio, fazendo uma crônica visual que abrange a valorização do corpo, a sensualidade, a sexualidade, os clichês, e as relações de poder, de classe. Um exemplo é sua pintura “Cúpula” (2016), acrílica sobre lona, com 180 cm x 250 cm, em que há um encontro de dois universos: a tensão observada em uma reunião de políticos nos anos 1970, e uma projeção erótica.

Fernando Lindote (1960, Santana do Livramento, Rio Grande do Sul), que vive e trabalha em Florianópolis, mostrará na exposição seis pinturas e duas esculturas. Começou como cartunista, em que uma de suas características era que o traço, o estilo, a concepção e todo o tratamento variavam em cada desenho. Para ele, a técnica, o pensamento, a forma precisam estar intimamente ligados ao que está desenvolvendo. é fundamental estar envolvido – técnica Em seu processo de pintura, faz autorretratos com o corpo, que é parte integrante, como “regulador da ênfase” empregada. Operando constantemente trocas entre repertórios, ele diz cada vez ter menos hierarquia no olhar para a tradição da arte, e sim buscar o que lhe interessa.

Jaime Lauriano (1985, São Paulo, onde vive e trabalha). As instalações “Trabalho” e “Pedras portuguesas #4 e 5” junto ao vídeo “Justiça e Barbárie” mostram o interesse do artista pelas questões brasileiras, como os ciclos de escravidão, o que chama de “escavação topográfico-histórica”, a relação dos monumentos com as barbáries, genocídios de parcelas da população, e ainda o período militar.

Pedro Motta (1977, Belo Horizonte). O artista vive em São João Del Rey, Minas, e sua prática artística inclui um ritual diário de pedalar por quilômetros, até formatar a ideia do trabalho. Então retorna a um determinado local escolhido e fotografa, fazendo intervenções digitais, deixando para o público a escolha de ver se é real ou não. “A dúvida é uma questão crucial, uma vez que a paisagem está em constante transformação, pela ação do homem, como erosão em paisagens em escala monumental, o que me faz questionar muitas coisas”. Seis fotografias da série “Naufrágio Calado”, que integram esta pesquisa, estarão na exposição.

Rochelle Costi (1961, Caxias do Sul, Rio Grande do Sul). A reconhecida artista, que vive e trabalha em São Paulo, vai mostrar fotografias das séries “Desvios (Eudoxia – Vasco)”, “Desvios (Clemencia – Noel)”, e “Desvios (Zuzu)”. Ela afirma que fotografias e objetos sempre foram importantes para ela, desde a infância.

A Intenção e o Gesto – Projeto Arte e Indústria – Curadoria de Marcus Lontra
Na terceira edição do projeto Arte e Indústria, que busca dar visibilidade à relação entre processos artísticos e industriais, o artista homenageado é o cearense Sérvulo Esmeraldo (1929-2017), um dos expoentes da arte cinética, radicado e que ganhou reconhecimento internacional, desde que viveu em Paris de 1957 a 1980.

Verzuimd Braziel – Brasil Desamparado – Curadoria de Josué Mattos – curador premiado da 6ª edição do Prêmio CNI SESI SENAI Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas
Artistas participantes: André Parente (1957), Anna Bella Geiger (1933), Carla Zaccagnini (1973), Cildo Meireles (1948), Clara Ianni (1987), Dalton Paula (1982), Daniel Jablonski (1985) e Camila Goulart, Daniel Santiago (1939), Ivan Grilo (1986), Lourival Cuquinha (1975), Regina Parra (1981), Regina Silveira (1939), Santarosa Barreto, Thiago Honório (1979), Thiago Martins de Melo (1981) e Vitor Cesar (1978).

O curador catarinense Josué Mattos partiu da expressão “Verzuimd Braziel” (Brasil Desamparado), cunhada pelo poeta e nobre holandês Jonkheer Willem van Haren (1710–1768), para discutir questões atuais do país. Em 1995, o artista Daniel Santiago usou esta mesma frase para nomear uma performance em que atirava tufos embebidos em tinta colorida sobre a parede onde ela está escrita. “Como chefe de bando, Santiago orquestra a artilharia: preparar, apontar, fogo. Ao final, todos assinam a parede da ação jocosa que sintetiza séculos de medidas arbitrárias, impunidades descabidas, genocídios dissimulados, extermínios omissos”.

AÇÃO EDUCATIVA

O Prêmio também se destaca pela ênfase no programa educativo realizado em paralelo às exposições, que contempla visitas mediadas, cursos, ateliês e ações poéticas direcionadas aos diversos públicos que frequentam as mostras, entre eles professores, alunos das redes públicas e particulares, estudantes universitários e famílias. As visitas podem ser agendadas pelo telefone (21) 3299-0361 ou pelo e-mail.

Posted by Patricia Canetti at 2:35 PM

Ana Maria Tavares na Vermelho, São Paulo

A Vermelho apresenta Rotações Infinitas, a quinta exposição individual de Ana Maria Tavares na galeria, e a primeira individual da artista desde sua exposição antológica No Lugar Mesmo, que ocupou a Pinacoteca do Estado de São Paulo entre novembro de 2016 e abril de 2017, e pela qual a artista foi premiada com o Troféu APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) como Melhor Exposição Retrospectiva de 2016.

A artista participou de bienais internacionais, entre elas a de São Paulo, Cingapura e Istanbul, além de ter feito mostras individuais e participado de coletivas na Asia, Europa e nas Américas, incluindo a seminal mostra Ultramodern: The Art of Contemporary Brazil, no National Museum for Women in the Arts, Washington DC, EUA, em 1993.

Para essa individual na Vermelho, a artista apresenta uma série de novos trabalhos que tem como eixo central o conceito de rotação de arquiteturas autorais criando um diálogo com os arquitetos Adolf Loos (1870–1933), Ludwig Mies van der Rohe (1886-1969) e Oscar Niemeyer (1907-2012).

Porém, ao contrário dos arquitetos citados, que herdam os postulados contra o ornamento, Tavares, a partir do seu trabalho, afirma a presença do ornamento na arquitetura modernista. A artista mantém como estratégia na sua produção a investigação das relações entre arte e arquitetura, natureza e artifício; e ornamento e funcionalidade.

Na Sala Antonio de projeção, a Vermelho apresenta os vídeos Rotação Infinita: Invenzione para Piranesi (da série Airshaft), e Utopias Desviantes II (da série Hieróglifos Sociais), ambos realizados como modelações digitais por Tavares em 2015.

“Nem a mim, nem a todas as pessoas que, como eu, são cultas, poderá o ornamento aumentar a alegria de viver. Se eu quiser comer um pedaço de bolo, escolho um que seja "liso", e não um em forma de coração ou seja lá do que for, coberto e recoberto de ornamentos. O homem do século XV não me compreenderá, mas todas as pessoas modernas me compreenderão. O defensor do ornamento acredita que a minha ânsia pela simplicidade equivale a uma flagelação. Não, caro Senhor Professor da Escola de Artes, eu não me estou a autoflagelar. É mesmo assim que eu gosto.”
Trecho de “Ornamento e Crime”, de Adolf Loos, 1910.

“O conjunto de trabalhos apresentado em Rotações Infinitas parte de uma vontade recorrente em minha produção de apontar para o fato de que apesar de esforços em direção a um purismo programático no campo da arquitetura modernista, essa nunca conseguiu eliminar o ornamento,” diz Ana Maria Tavares. Ela questiona o manifesto Ornamento e Crime, de Adolf Loos (1910), aonde o arquiteto determina uma arquitetura moderna travestida de um purismo que se associa às intolerâncias raciais e de classe.

Dezoito anos depois do Manifesto de Loos, a Alemanha da República de Weimar comissionou de Ludwig Mies van der Rohe a direção artística e a construção de todas as seções da participação alemã na Exposição Internacional de Barcelona de 1929, que incluía o Pavilhão Barcelona. Considerado um marco da arquitetura moderna, o pavilhão deveria representar o espírito de uma nova era para a Alemanha do Pós I Guerra Mundial, uma nação democrática, próspera e culturalmente progressiva. Mies desenhou uma estrutura de espaço contínuo que borrava os limites entre interior e exterior. Como o edifício não deveria abrigar exposições, mas servir apenas como passagem, os materiais escolhidos por Mies eram exóticos e tratavam a edificação como sua própria exposição: as paredes eram feitas de pedras de alta qualidade, como o ônix dourado e o mármore verde da ilha de Tino, na Grécia. Além de serem usados como transparências, os vidros eram tingidos de cinza, verde e branco. Oito colunas cruciformes cromadas refletiam e multiplicavam todo o espaço dentro de si.

Tavares observa que o ornamento execrado pelos modernistas se desliza da forma para os materiais que substituem os adornos artesanais e prostéticos, mesmo que dentro da dinâmica das formas industriais. A artista coloca em cheque o fato de tais materiais serem em si decorativos, assim ornamentais e, por tanto, contaminadas dentro da ótica asséptica difundida por Loos.

Na abertura de Rotações Infinitas, pedras de Travertino aparecem em duas obras da série Skena in aqua (Micropaisagens), de 2018, como duas fotografias bordadas com filamentos metálicos e revelam as impurezas das superfícies das pedras resultantes de seu processo de formação. Esse material “contaminado” traz em si memória - na forma de fósseis de ramos e folhas encravados em sua constituição – e imperfeição – com espaços ocos e com depósito de materiais em bandas mais ou menos paralelas criadas pela ação da água em contato com a rocha. O Travertino carrega a história da arquitetura: é usado a milhares de anos, da Roma Antiga até os dias de hoje. Foi uma das pedras mais utilizadas na arquitetura modernista.

Na sala 1 da galeria, Tavares estabelece um diálogo com Mies van der Rohe e o Pavilão Barcelona de sua autoria. Tavares expõe uma série de trabalhos que conjugam alguns dos materiais usados por van der Rohe com gestos, materiais e formas costumazes da produção da artista.

Em Fotogrametria Hemisférica (Barcelona/ São Paulo), 2018, Tavares cria uma conexão entre a cidade espanhola do prédio de Mies van der Rohe e a cidade aonde ela vive e trabalha.

Unindo materiais como o Travertino, chapas frisadas de aço inox de cores cambiantes e mármore verde, a artista cria campos pictóricos que propõe uma rotação entre as obras de van der Rohe, de Niemeyer e a sua. Além da organização modular característica de alguns de seus trabalhos, Tavares incrustou no mármore verde diversas lentes por onde se pode ver retroiluminados, planos da Oca que o arquiteto Oscar Niemeyer projetou para o Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

A Oca já foi objeto de investigação de Ana Maria Tavares em obras como a série Eclipse (Hieróglifos sociais) (2011), que são projeções da estrutura da arquitetura da Oca, que a transformam em um corpo de luz e sombra através da impressão das imagens sobre vidro e espelho. A Oca também aparece no vídeo Utopias Desviantes II (da série Hieróglifos Sociais), de 2015, que a Vermelho exibe na Sala Antonio em paralelo à exposição da artista. O filme, construído digitalmente, explora o interior da Oca. As manipulações digitais fazem uso de rebatimentos especulares múltiplos, que geram, segundo a artista, “uma arquitetura desviante que cede lugar a uma visão de mundo em abismo”. Como parte da série Hieróglifos Sociais, há ainda a série de Desviantes (2011), que propõe uma reflexão crítica acerca do legado modernista brasileiro a partir da releitura da arquitetura da Oca. Com esse procedimento, a artista cria um universo desviante, contaminado, ao mesmo tempo em que simula oferece a possibilidade de retomada à ordem racional, plantada na idealização do mundo modernista.

A cor e a textura das projeções da Oca em Utopias Desviantes e em Desviantes, parecem estar espelhados no mármore verde Guatemala que Tavares usa nas obras da primeira sala da galeria. O mesmo mármore também espelha os Airshafts e os Airshafts para Piranesi, da série Tautorama (2008/ 2015), bem como Rotação Infinita: Invenzione para Piranesi (da série Airshaft), 2015, também em exibição na Sala Antonio durante a exposição. Esses são ambientes 3D, onde um espaço ficcional é construído para comentar a vida utópica e mecânica imaginada pelo modernismo, a partir da obra de Piranesi, mas que revela um mundo perdido abissal.

No caso de Airshaft, a ideia é reproduzir um mundo que respira inquieto e quebra-se constantemente em uma perspectiva espelhada e fragmentada. As Prisões de Giovanni Battista Piranesi (1720-1778), Carceri d'invenzione, ou Prisões Imaginárias, influenciaram Tavares no desenvolvimento de seu olhar sob essa vida mecanizada para a produção dessas obras. Os Carceris de Piranesi são uma série de 16 gravuras que mostram enormes abóbadas subterrâneas com escadas e poderosas máquinas. As rotações promovidas por Ana Maria Tavares entre sua obra e a de Piranesi culminaram em uma exposição realizada em 2015 no Museu Lasar Segal, em São Paulo, intitulada Cárceres a duas vozes.

O diálogo com van der Rohe está presente também em Disjunção Colunar (para Mies), 2018, obra que passa a fazer parte de um conjunto de trabalhos que têm a coluna como eixo de diálogo entre a produção da artista e arquitetos como Niemeyer e Lina Bo Bardi. Disjunção Colunar (para Mies) reproduz uma das 8 colunas em aço inox do Pavilhão Barcelona, porém com 150 cm de altura, medida de referência para cortes de plantas baixa de arquitetura.

A coluna de Mies reverbera em outros trabalhos apresentados, como em Paisagens Mudas (Janela para Mies), 2018, composta por uma moldura frisada em aço inox que circunda uma composição de duas chapas de vidro – como nos jogos de transparências do Pavilhão Barcelona – e duas peças de chapas frisadas de aço inox. O inox multiplica a modulação cruciforme das colunas em uma planificação vertical a qual espelha e fragmenta seu entorno de maneira caleidoscópica com seus múltiplos ângulos.

A obra Barcelona (Antigodlin), de 2018, mostra um campo pictórico alongado e modular composto por Travertino, mármore Verde Guatemala e por uma placa de aço inox frisado furta-cor. A depender do ponto de visão do observador, por conta de um volume angular acrescentado pela artista, a peça se torna pequena e sucinta ou se revela em sua horizontalidade expandida. O título faz referência ao pavilhão de van der Rohe e a algo que está oblíquo ou, algo que está em oposição a Deus. A peça é um elogio ao ornamento.

No segundo andar da galeria estão os conjuntos da série Empenas Cegas. Ainda Loos (da série Condomínios), 2018, nos quais Tavares continua o diáogo com o arquiteto Adolf Loos, iniciado na exposição Atlântica Moderna: Puros e Negros, realizada em 2014 no Museu Vale. Em 1927, o arquiteto modernista checo Adolf Loos (1870 –1933) desenvolveu um projeto nunca realizado para a residência da cantora e bailarina afro-americana Josephine Baker (1906 –1975). O projeto partia de uma reforma rigorosa sobre duas casas existentes em uma esquina da Avenue Bugeaud, em Paris. A residência, que seria adornada em seu exterior por listras horizontais de mármore branco e preto, teria janelas fundas e pequenas para oferecer privacidade a sua ilustre moradora e para, como apreciava Loos, manter a atenção no interior da construção. No centro do prédio, estaria uma piscina que rasgaria dois andares da edificação, tendo vitrines em seu andar inferior propiciando aos convidados da artista observar seu corpo rompendo as águas.

Em Empenas Cegas, Ana Maria Tavares cria módulos angulados em mármore Striatto Olympo, de procedência Bulgara, cuja matéria sedimentada faz lembrar as listras da fachada da casa Baker. Os polígonos de Empena Cega são como múltiplas visões da fachada do projeto de Loos. As formas também podem ser vistas como positivos moldados a partir das estreitas janelas da residência, que nunca foram pensadas para dar uma visão ao longe, mas sim, irromper a visão que procurasse escapar do ambiente ilibado de Loos.

Posted by Patricia Canetti at 10:39 AM

julho 15, 2018

Felipe Braga + Ismael Monticelli em Paço das Artes no MIS, São Paulo

Artistas selecionados apostam na metalinguagem para abordar o futuro de instituições culturais e olhares para um espaço expositivo

O Paço das Artes – instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo – inaugura no dia 17 de julho, às 19h, Exercício de Futurologia, de Ismael Monticelli, e Audio-Guias para Brise-Soleil de Felipe Braga, na quarta exposição da Temporada de Projetos 2018. As mostras ficam em cartaz até 09 de setembro na sala expositiva do térreo do MIS – Museu da Imagem e do Som (av. Europa, 158) com entrada gratuita.

Em “Exercício de Futurologia”, Ismael Monticelli expõe o resultado de uma pesquisa realizada a partir da situação do Paço das Artes que, desde sua inauguração há quase cinqüenta anos, não conta, oficialmente, com uma sede própria. “Nômade, que parece estar sempre à deriva e a procura de um lugar para aportar”, refere-se o artista à instituição que já ocupou diversos endereços como a Avenida Paulista, o edifício da Pinacoteca, a Avenida Europa e a Cidade Universitária da USP. Coletando narrativas dos públicos de instituições artísticas e culturais brasileiras por meio de entrevistas pessoais, conversas aleatórias e relatos em redes sociais, Monticelli materializa as angústias desses públicos com frases, cartazes e maquetes, apostando, segundo ele, “na imprecisão e na dúvida como forma de prospectar destinos”.

Paralelamente, Felipe Braga, com “Audio-Guias para Brise-Soleil”, apresenta um inacabado sistema expositivo com painéis modulares inspirado no projeto do designer alemão Karl Bergmiller que foi utilizado pelo MAM do Rio de Janeiro, na ocasião do incêndio que quase destruiu todo o acervo do museu em 1978. Estruturas de madeira, plásticos pretos protegendo o chão e outros vestígios indicam um abandono recente da sala expositiva, criando uma atmosfera dúbia onde os espectadores têm a possibilidade de imaginar uma mostra que ainda não aconteceu ou que talvez já tenha se encerrado. O cenário conta com uma “paisagem sonora” criada por alto-falantes que supostamente retratam os ruídos da montagem (ou desmontagem) da exposição e com folders que intercalam fabulações e características reais de algumas das obras avariadas no incêndio do MAM.

Além dos trabalhos de Ismael Monticelli e de Felipe Braga, o júri da Temporada de Projetos 2018 - formado por Clarissa Diniz, Diego Matos, Lúcio Agra e Priscila Arantes - selecionou o projeto curatorial de Juliana Caffé e os projetos artísticos de Maíra Dietrich e Naiana Magalhães, que serão expostos ao longo do ano. Os locais e períodos de exibição serão divulgados em breve.

Sobre os artistas

Felipe Braga (1982) vive e trabalha no Rio de Janeiro. É artista visual e pesquisador. Mestre em Linguagens Visuais (EBA/UFRJ), doutorando em Literatura, cultura e contemporaneidade (PUC-Rio). Participou do programa de Práticas Artísticas Contemporâneas na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Realizou exposições individuais e coletivas em algumas instituições como Fundação Ibere Camargo, CAC Vilnuis – Lituânia, Casa França Brasil, EAV Parque Lage, Parque das Ruinas, Museu da Republica, Galeria A Gentil Carioca, Galeria Bolsa de Arte (SP), Centro Cultural São Paulo, RedBull Station e Espaço Sergio Porto entre outros. Participou das residências artísticas RedBull (SP) e Largo Residência (Lisboa). Publicou os livros independentes Museu Espetacular de 1 dia e National Geographic Channel. Recentemente foi selecionado para a Temporada de Projetos do Paço das Artes 2018 em São Paulo.

Ismael Monticelli (1987) vive e trabalha no Rio de Janeiro (RJ) e Cachoeirinha (RS). É artista visual e pesquisador. Bacharel em Artes Visuais pela UFRGS e mestre em Artes Visuais pela UFPel, é doutorando em Arte e Cultura Contemporânea pela UERJ. Contemplado pelo Prêmio Foco Bradesco ArtRio 2017 com um residência artística, realizou exposições individuais como: Monumento (Funarte / Brasília), Le Petit Musée (Portas Vilaseca Galeria / Rio de Janeiro), Quase nunca sempre o mesmo (Alfinete Galeria / Brasília), Todas as coisas, surgidas do opaco, (Santander Cultural / Porto Alegre), Rumor (Centro Cultural Banco do Brasil / Brasília e SESC Belenzinho / São Paulo) e de coletivas como Prêmio Foco Brasdeco ArtRio (Marina da Glória / Rio de Janeiro), Tempos de ver – Paisagem do Século XX ao Século XXI (Pinacoteca Rubem Berta / Porto Alegre), Vértice (Museu Nacional dos Correios / Brasília e Centro Cultural Correios / Rio de Janeiro), Mensagens de Uma Nova América – A Poeira e o Mundo dos Objetos (Usina do Gasômetro / Porto Alegre), entre outras.

Posted by Patricia Canetti at 10:13 AM

julho 13, 2018

José Patrício no Museu Nacional da República, Brasília

O pernambucano José Patrício traz a Brasília sua nova exposição, Precisão e Acaso. Com curadoria de Felipe Scovino, a mostra reúne um conjunto de cerca de 40 obras produzidas nos últimos sete anos, além de trabalhos do início de sua carreira nunca antes exibidos. A inauguração acontece na quinta (19/7), a partir das 19h, e todos são bem-vindos.

Com uma produção marcada pelo lúdico, Patrício utiliza materiais diversos, desde botões, peças de quebra-cabeças e dados, passando por alfinetes, fios de eletricidade e de telefonia. A partir de componentes frequentemente fadados a desaparecer, alinhava ressignificados. “Trata-se da apropriação de elementos modulares encontrados na vida cotidiana. Interessam-me na medida em que contribuem para compor as obras a partir da acumulação, deslocamento das funções originais e inserção no contexto da arte”, diz o artista.

Para Felipe Scovino, Precisão e Acaso pode ser compreendida como uma espécie de antologia. “A mostra traz ao público as fases mais recentes da produção do artista; o seu interesse por novos materiais; suas pesquisas cromáticas e cinéticas. Estão entre as características centrais da obra a ampliação do termo construtivo, o caráter lúdico e participativo e a ideia de coleção ou arquivo de materiais cada vez mais difíceis de serem encontrado”, explica o curador.

Os conceitos de diferença e repetição conduzem os trabalhos realizados nos últimos anos, nos quais Patrício cria estruturas fixas que se tornam passíveis de variação formal a partir dos elementos que as compõem e das inúmeras possibilidades de configuração. Para criá-las, o artista partiu de regras e métodos adotados como precisão a fim de atingir um resultado final desconhecido. Precisão e Acaso resume o caminho entre esses dois polos aparentemente antagônicos. “O trabalho se faz pela qualidade em ser dinâmico, veloz e mutante. A obra é, portanto, um acontecimento em que estamos constantemente envolvidos por escolhas, caminhos, formas e cores que induzem movimentos, traços, rumos e territórios”, diz Scovino.

José Patrício nasceu no Recife, em 1960. Estudou ciências sociais na Universidade Federal de Pernambuco e é Mestre em Artes Visuais pela mesma instituição. Já expôs em países como Alemanha, França, Estados Unidos e Cuba, entre outros. Seus trabalhos integram coleções de instituições como Fondation Cartier pour L’Art Contemporain (Paris), Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Recife), Museu de Arte de Brasília, Coleção Marcantonio Vilaça, Museu de Arte Moderna (Rio de Janeiro), Pinacoteca do Estado de São Paulo (São Paulo) e Washington Convention Center (EUA).

Posted by Patricia Canetti at 11:41 AM

julho 10, 2018

Helena Trindade no Tomie Ohtake, São Paulo

Como parte de uma preocupação constante com a produção contemporânea, o Instituto Tomie Ohtake traz a exposição A letra é a traça da letra, de Helena Trindade, formada por quatro instalações em grandes dimensões. O conjunto revela a particular potência poética construída pela artista a partir da letra, matéria seminal de sua obra. “A minha maneira, digo que a letra é um pré-texto para um jogo poético”, diz a artista. A exposição, com curadoria de Glória Ferreira, que esteve no Paço Imperial, Rio de Janeiro, de 21 de março a 27 de maio deste ano, evidencia como Trindade desdobra o alfabeto em diferentes narrativas e suportes, estabelecendo um amplo campo de Poesia Visual, traço comum na obra da artista, há mais de vinte anos.

As instalações, compostas por esculturas, vídeos, fotografias, objetos e performance no dia da abertura, reúnem cerca de 40 trabalhos, a maioria de 2018. Em cada instalação há elementos que remetem às demais, reafirmando o interesse da artista em trazer ao seu vocabulário plástico a inesgotável articulação da linguagem escrita. “Romper a forma linear da escrita, tratar a letra como vetor de significados, um contínuo trabalho de rearticulação, próprio ao funcionamento da linguagem, é o que, ao meu ver, Helena Trindade realiza em sua poética”, afirma a curadora.

Em (a)MURO, que abre a exposição, dois muros são (des)construídos a partir de estênceis de letras. Eles abordam, segundo a artista, aspectos do funcionamento da linguagem e evocam Lacan, que se refere a um “muro de linguagem que se opõe à fala”.

Remetem também ao neologismo lacaniano (a)mur, que conjuga as palavras “amor” e “muro”. Já (A)MOR, que destaca as letras A, M, O, R, relacionando-se, assim, à primeira sala, aborda diferentes aspectos do afeto amoroso por meio de vídeos (Afastamentos e díptico A-M-O-R, projetado no chão) e de uma escultura (Insular), construída com os recortes retirados do trabalho de outra instalação, A letra é a traça da letra..

MEDIDA DE TODAS AS COISAS reúne 22 objetos que evocam as várias referências que alimentam a obra da artista carioca. Do sofista grego Protágoras – “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são” –, passando por Lacan, grande influenciador do pensamento da artista, pelo poeta catalão Joan Brossa, com o Poema a Brossa, por Heidegger, cujo livro A origem da obra de arte é retomado pela artista e impresso de modo a reproduzir a cada folha seu título, por Derrida com Poema a Derrida, até Carvaggio, Lygia Clark, entre outros.

Por sua vez, em A LETRA É A TRAÇA DA LETRA, instalação que dá nome à exposição, encontra-se um dicionário etimológico (origem das palavras), perfurado por Trindade, ao modo das traças, com pequenos tipos de máquina de escrever. Na mesma instalação, inventa o Alfabeto Traça, que não corresponde a nenhum outro conhecido, com teclas de máquinas de escrever. “Existe no movimento que gera a linguagem um trabalho perpétuo de rearticulação que problematiza a questão da origem, uma vez que nesse processo nada se produz que não seja pela transformação”, completa.

Sobre a artista

Desde 1994, Helena tem sido convidada a desenvolver projetos para algumas das mais prestigiosas instituições, sendo que entre as nacionais figuram: Paço Imperial, FUNARTE, Oi Futuro Centro de Arte e Tecnologia, Centro Cultural São Paulo, Centro de Arte Helio Oiticica, SESC, Casa de Cultura Laura Alvim, Museu da República e Espaço Cultural Sérgio Porto. Dentre as instituições internacionais onde Helena atuou figuram: City University of New York, École d’Art d’Avignon durante o Ano do Brasil na França, Universidade de Coimbra, University of Hawaii, Metrospace da Prefeitura de East Lansing - Michigan, Fundação Potuguesa das Comunicações de Lisboa e Art Radio da Universidade de Maryland. Helena conta ainda com participações na Agency of Unrealized Projects de Julieta Aranda e Hans Ulrich Obrist, na Plataforma digital da XII Documenta de Kassell e na Mostra Paralela Oficial da XXVI Bienal de São Paulo.

Sobre a curadora

Glória Ferreira já esteve no Instituto Tomie Ohtake como curadora de Arte como Questão - Anos 70, exposição justamente com forte presença da produção conceitual e com relações com a escrita e o texto, geração que constitui o horizonte ou a raiz de Helena Trindade. Doutora em História da Arte, professora colaboradora EBA/UFRJ, Ferreira é crítica de arte e curadora independente. Organizou diversos livros e co-organizou as coletâneas Clement Greenberg e o debate crítico, 1997e Escritos de artistas 1960/1970, 2006, ambos pela Jorge Zahar Editor; e Mário Pedrosa. Primary Documents, MoMA, 2015. Publicou Entrefalas, Zouk, 2011 e Glória Ferreira Fotografias de uma amadora, Nau Editora, 2016.

Posted by Patricia Canetti at 1:39 PM

julho 9, 2018

Histórias afro-atlânticas no ITO e MASP, São Paulo

Em iniciativa inédita, MASP e Instituto Tomie Ohtake organizam juntos a exposição Histórias afro-atlânticas

Ao longo de todo o ano de 2018, o MASP dedica seu programa de exposições e atividades às histórias e narrativas afro-atlânticas. Essas histórias não se referem apenas ao período da escravidão, em que populações africanas foram retiradas à força de seu continente para serem escravizadas nas colônias europeias nas Américas e no Caribe, mas fala, sobretudo, dos “fluxos e refluxos”, usando a famosa expressão de Pierre Verger, entre esses povos atlânticos, desde o século 16 até a contemporaneidade. O ciclo teve início em março, e já apresentou Imagens do Aleijadinho, Maria Auxiliadora da Silva: vida cotidiana, pintura e resistência e Emanoel Araujo, a ancestralidade dos símbolos: África-Brasil. No segundo semestre, exibe individuais de Lucia Laguna, Melvin Edwards, Pedro Figari, Rubem Valentim e Sonia Gomes.

A exposição coletiva Histórias afro-atlânticas reúne, em iniciativa inédita, duas das principais instituições culturais de São Paulo: o MASP e o Instituto Tomie Ohtake. Trata-se, de certa maneira, de um desdobramento da exposição Histórias mestiças, realizada em 2014, no Instituto Tomie Ohtake, por Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, e Lilia Schwarcz, curadora adjunta para histórias, que também assinam a curadoria desta nova mostra, junto com Ayrson Heráclito e Hélio Menezes, curadores convidados, e Tomás Toledo, curador do MASP.

Histórias afro-atlânticas apresenta cerca de 400 obras de mais de 200 artistas, tanto do acervo do MASP, quanto de coleções brasileiras e internacionais, incluindo desenhos, pinturas, esculturas, filmes, vídeos, instalações e fotografias, além de documentos e publicações, de arte africana, europeia, latino e norte-americana, caribenha, entre outras. Os empréstimos foram cedidos por algumas das principais coleções particulares, museus e instituições culturais do mundo. Entre elas, destacam-se: Metropolitan Museum, Nova York, J. Paul Getty Museum, Los Angeles, National Gallery of Art, Washington, Menil Collection, Houston, Galleria degli Uffizi, Florença, Musée du quai Branly, Paris, National Portrait Gallery, Londres, Victoria and Albert Museum, Londres, National Gallery of Denmark (SMK), Copenhague, Museo Nacional de Bellas Artes de La Habana e National Gallery of Jamaica.

A exposição articula-se em torno de núcleos temáticos, alguns dos quais dialogam com aqueles presentes em Histórias mestiças. No MASP estão os núcleos Mapas e margens; Cotidianos; Ritos e ritmos; Retratos; Modernismos afro-atlânticos; Rotas e transes: Áfricas, Jamaica, Bahia; e no Instituto Tomie Ohtake estão Emancipações; Ativismos e resistências. Em cada núcleo, friccionam-se diferentes movimentos artísticos, geografias, temporalidades e materialidades, sem compromisso cronológico, enciclopédico ou mesmo retrospectivo. Histórias afro-atlânticas busca, assim, oferecer um panorama das múltiplas histórias possíveis acerca das trocas bilaterais – culturais, simbólicas, artísticas, etc. – representadas em imagens vindas da África, da Europa, das Américas e do Caribe.

É importante ressaltar que o Brasil é um território chave nessas histórias, pois recebeu cerca de 46% dos africanos e africanas que, ao longo de mais de 300 anos, foram tirados de seus países para serem escravizados desse lado do Atlântico (número correspondente ao dobro dos portugueses que se estabeleceram no país para colonizá-lo), na maior diáspora da época moderna. O Brasil foi também o último país a abolir oficialmente a escravidão, em 1888, por meio da Lei Áurea, uma medida curta e conservadora (uma vez que não previa a incorporação desta população) que completou 130 anos em maio deste ano.

Histórias afro-atlânticas está organizada de forma independente e não-linear entre as duas instituições, não havendo uma ordem correta ou obrigatória a seguir. Como vimos, no Histórias afro-atlânticas Instituto Tomie Ohtake, há duas salas dedicadas à mostra; no MASP, todos os espaços expositivos temporário estão ocupados pela mostra.

NÚCLEOS MASP

1º andar
MAPAS E MARGENS – os fluxos afro-atlânticos são apresentados neste núcleo que abre a exposição no MASP e inclui trabalhos que lidam com representações do trânsito entre as margens da África, Américas e Caribe.

COTIDIANOS – este núcleo agrupa representações da vida cotidiana, em diferentes contextos históricos, dos períodos anterior e posterior ao sistema escravocrata, nas Américas, no Caribe e em diversas regiões da África, com trabalhos de artistas de distintas nacionalidades. Está dividido em seções, que abordam temas como mercados, a vida no campo e cenas urbanas.

RITOS E RITMOS – este núcleo conta com representações diversas de festividades e manifestações musicais, como o carnaval, o merengue e o samba, bem como trabalhos que revelam a presença e a influência das religiões de matriz africana, sobretudo da cultural Ioruba, no Brasil, Caribe e Estados Unidos.

RETRATOS – m oposição às tradicionais pinacotecas de retratos de museus que exibem, em sua grande maioria, apenas a elite e as populações brancas, e masculinas, este núcleo apresenta um vasto conjunto de representações de negros e negras, elaborados por artistas de diferentes nacionalidades e períodos históricos.

1º subsolo
MODERNISMOS AFRO-ATLÂNTICOS – este núcleo apresenta artistas modernistas africanos, brasileiros, cubanos e norte-americanos que trabalham, sobretudo, com a abstração, tanto geométrica, quanto informal. Ele confronta, portanto, uma visão que costuma vincular essas populações apenas a obras “ditas” populares, e ingênuas.

2º subsolo
ROTAS E TRANSES: ÁFRICAS, JAMAICA, BAHIA – este núcleo reúne representações de transe, religiões, rastafarismos, hipismo e psicodelismo, que informaram um conjunto de obras produzidas a partir de 1960, em trânsito entre Benim, Cuba, Jamaica e diferentes cidades do Brasil.

NÚCLEOS INSTITUTO TOMIE OHTAKE

EMANCIPAÇÕES – este núcleo mostra como desde que existiu a escravidão manteve-se firme a certeza da liberdade. Desde o aprisionamento na África, durante a viagem nos navios negreiros e já na chegada às Américas e ao Caribe escravizados e escravizadas sempre se rebelaram, promoveram insurreições, fugiram, cometeram suicídios e abortos e formaram quilombos, que não eram, como se costumou definir, locais isolados.

ATIVISMOS E RESISTÊNCIAS – ser mestre de si, desobedecer o mando, é o mote que inspira este núcleo. Partindo da grande revolta do Haiti, que mostrou ao mundo como ser escravo não era destino, o núcleo chega até os protestos mais contemporâneos. Coloca, assim, em diálogo diferentes temporalidades e geografias de ativismos afro-atlânticos, dando especial atenção às práticas de resistência à escravidão, às lutas por direitos civis e de combate ao racismo, aos rituais religiosos e às contra-narrativas de empoderamento e formação de espaços de sociabilidade negra.

Como parte do processo de pesquisa e preparação da mostra, o MASP promoveu dois seminários internacionais, em 28 e 29 de outubro de 2016 e 21e 22 de outubro de 2017, reunindo especialistas em vários domínios e temas, como história da arte, sociologia, história e antropologia. Uma seleção dessas palestras e artigos, bem como outros materiais selecionados para esse fim, será publicada como uma antologia de textos. Além disso, um catálogo completo e ilustrado acompanhará a exposição, com textos dos curadores.

O escritório de arquitetura Metro Arquitetos Associados assina a expografia da mostra no MASP, enquanto a do Instituto Tomie Ohtake é assinada pela própria equipe.

Posted by Patricia Canetti at 11:36 AM

julho 5, 2018

Pedro Caetano na Luciana Brito, São Paulo

A Luciana Brito Galeria tem o prazer de anunciar sua primeira exposição individual de Pedro Caetano (n. 1979, São Paulo), Aqui nowhere agora no where. Adição mais recente ao elenco de representações da Galeria, Pedro Caetano foi recebido com entusiasmo por críticos, curadores e colecionadores nas últimas edições das feiras Art Basel Miami Beach e SP-Arte, quando obras de sua autoria foram incluídas em coleções brasileiras e estrangeiras de renome. Com Aqui nowhere agora no where, composta exclusivamente por obras inéditas, a Luciana Brito Galeria pretende apresentar, em mais profundidade, a obra do artista ao público paulistano. A abertura acontece no sábado, 9 de junho, e a visitação segue até 18 de agosto.

Tendo já dirigido sua própria galeria e atuado também como curador, Pedro Caetano tem uma inserção multifacetada e entendimento abrangente no sistema da arte contemporânea, e sua produção artística denota essa complexidade. Em sua obra, Caetano se interessa pelas relações estabelecidas entre alta cultura e cultura popular, entre rigor formal e precariedade material, as quais ele mobiliza crítica e ironicamente. Apesar de trabalhar com diferentes linguagens e suportes, a pintura reside no centro de sua produção, e dela advém seu vocabulário, que depois se desdobra em outras técnicas. Suas pinturas são ricas e complexas, capazes de aliar uma linguagem visual lúdica a um tratamento rigoroso de cromatismo, gesto e movimento – características que também transparecem em seus objetos e instalações, que parecem surgir como desdobramentos tridimensionais de seu universo pictórico.

Dividida em dois momentos, Aqui nowhere agora no where irá incluir pinturas, escultura e ready-mades, refletindo simultaneamente a coesão de seu léxico visual e a versatilidade técnica do artista. Em comum, as obras contêm em si o gosto do artista pelo encontro irônico de elementos inusitados capaz de gerar novas leituras e significados. Mais que tudo, e como o título denota, as obras reunidas na exposição são profundamente calcadas em um comentário sobre o que é o mundo, e mais particularmente o Brasil, do aqui agora: uma sociedade onde o aspecto ritualístico de objetos carregados de valor simbólicos não se distingue mais da banalidade de linguagens virtuais; um Brasil às vésperas de mais uma Copa do Mundo, momento que inevitavelmente nos leva a pensar no que era o agora de quatro anos atrás e em tudo que mudou desde então.

Aqui nowhere agora no where nasce do embate, sempre desencontrado, entre realidade e expectativas, abordado pelo artista através de trabalhos multifacetados que conseguem refletir sobre questões específicas ao universo da arte contemporânea, seus códigos e linguagens, e ainda assim extravasar suas leituras para os referentes que estão no mundo.

Posted by Patricia Canetti at 4:42 PM

O Círculo na Millan, São Paulo

Exposição coletiva O Círculo explora vertentes da arte sonora por meio do trabalho de quatro artistas brasileiros

A Galeria Millan apresenta, de 12 de julho a 11 de agosto de 2018, a exposição coletiva O Círculo, organizada pela artista e comunicadora Lilian Zaremba. A mostra apresenta uma seleção atual de trabalhos voltados à arte sonora e à rádioarte, produzidos por quatro brasileiros que são referências nessas áreas: Julio de Paula (SP), Marco Scarassatti (MG), Renata Roman (SP) e a própria Lilian Zaremba (RJ).

Lilian Zaremba mostra, na sala principal da galeria, a sua “Memoânfora” (2018), uma instalação em feltro de lã onde duas pessoas podem entrar ao mesmo tempo. Com formato de semi-círculo, este pequeno “labirinto” é percorrido pelo visitante até que se alcance um objeto enigmático, feito em porcelana e com detalhes em bronze. Chegando nele, a surpresa: uma “paisagem sonora” com voz que lança um questionamento ao espectador: - Por que viestes de tão longe?

Essa “Memoânfora” busca sua inspiração na memória da água. Segundo a homeopatia, a água possui uma espécie de “memória” das substâncias que estiveram diluídas nela e que não se encontram mais ali, isto é, este líquido vital viaja tempo e espaço absorvendo e guardando informações de todos os diferentes lugares que atravessou, podendo conectar pessoas que dele beberam. Já as ânforas estiveram presentes em muitos momentos e histórias, seja carregando água, azeite ou vinho. Assim, quando alguém abre uma ânfora, é quase como se pudesse escutar: - Por que viestes de tão longe?

Embaralhando os limites entre visível, invisível, tátil e audível, o elétrico no feltro de lã e o eletromagnético na voz gravada, a obra de Lilian sugere diferentes sensações no imaginário de quem a adentra.

O rádioartista Julio de Paula, por sua vez, apresenta também no térreo da galeria a instalação “Somos Pacha”. Nas palavras de Julio, o trabalho “é uma forma de resistência, algo que propõe desconstruir a divisão binária natureza/sociedade, além de reviver e refazer um rito, levar em conta a dimensão mágica-espiritual-social da vida e descolonizar o individual, o moderno e o civilizado, pregando o comunitário e a prática coletiva”.

“Somos Pacha” (2018) é uma instalação participativa em forma de oferenda circular, uma grande peça sonora quadrifônica com elementos como terra, folhas, sementes, utensílios de cerâmica, copos, pedras e bebidas dispostos no chão. A obra, assim como a de Lilian, pede a participação dos visitantes, que no dia da abertura irão “finalizar” o trabalho com a colocação de oferendas. Depois, durante o período expositivo, as pessoas poderão aspergir vinho numa ação de autolimpeza e purificação da terra. No mesmo ambiente, Julio apresenta a segunda parte da instalação, uma vídeoprojeção em um monolito de pedra. Este vídeo silencioso apresenta cenas rituais com amautas e xamãs, gravadas no marco do Trópico de Capricórnio (Quebrada de Humahuaca, na região de Jujuy, Argentina). Disposta no chão, a pedra é acompanhada de um banco (também de pedra) que convida as pessoas a se abaixarem para ver o vídeo.

Marco Scarassatti coloca no átrio e no jardim da galeria duas esculturas sonoras relacionadas às atribuições e características dos Orixás africanos. “Exú” e “Iansã” são objetos tridimensionais que, através de seus materiais, formas e movimentos, produzem uma quarta dimensão: o som.

Na cosmologia iorubá, um Orixá é representado no mundo físico por seu Igbá, cuja função é ritualística no recebimento das oferendas para a circulação, transformação e reposição da força vital, chamada Axé. Cada Igbá é um instrumento de concentração de energia associado a um Orixá. Segundo a metafísica iorubá, tudo que existe no mundo físico existe também no mundo spiritual, e, no caso do trabalho de Marco, o que conecta esses mundos é a sonoridade produzida por cada objeto.

Por fim, a artista sonora Renata Roman exibe no primeiro andar da galeria a instalação “o vento leva, o vento traz”, formada por círculos suspensos dos quais pendem “cortinas” de fitas magnéticas. São objetos relacionados à escuta e à memória ressignificados para a incursão e o ativamento de lembranças subjetivas, através da suave dança das fitas magnéticas, esses objetos carregados de memória sonora. “O vento leva o que não se escuta, o vento traz o que se escutou”, revela Renata.

A obra faz parte de uma série de trabalhos que se utilizam de objetos relacionados ao universo sonoro e da escuta, ressignificados como produtores de sons analógicos e referenciais da problemática da memória.

Pode-se dizer que “arte sonora” é um termo relativamente novo, que abriga artistas e produtores que não encontram no território da música ou das artes plásticas/visuais um retorno estético e institucional para suas ações. A arte sonora reúne gêneros artísticos que estão na fronteira entre a música e outras artes, nos quais o som é material de referência dentro de um conceito expandido de composição, gerando um processo de hibridização entre som, imagem, espaço e tempo.

Sobre os artistas

Julio de Paula (SP)
Trabalha com mecanismos de documentação, em especial da cultura tradicional. Radioartista, está interessado na gravação e deslocamento de paisagens sonoras latino-americanas. Em 2012 apresentou “Edgard”, pela Mobile Radio BSP (30ª Bienal de Artes de São Paulo). Em 2015 realizou a peça “El Sur Es el Norte” para a Kunstradio – Radiokunst (Áustria), que foi retransmitida pela Rádio Documenta14 - Every Time a Ear di Soun (2017). Em sua pesquisa, busca um ponto de contato entre o rádio e as artes visuais, o que tem chamado de “rádio expandido”. Vive e trabalha em São Paulo.

Lilian Zaremba (RJ)
Mestre e Doutora em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro ECO-UFRJ. Tem Pós-Doutorado sobre o tema “Rádio com imagens? Novas Perspecticas para a tecnologia radiofônica”. “Rádio com imagens?” também é o título de uma palestra proferida no Congresso do INTERCOM-2016 USP. Publicou vários artigos de pesquisa sobre o universo da linguagem radiofônica organizando os três números da coletânea “Rádio Nova, Constelações da Radiofonia Contemporânea” (ECO/Ed.Publique 1997-2000) e o livro “Entreouvidos: sobre Rádio e Arte” (Oi Futuro/SOARMEC 2010). Seus textos recentes (2013/2014/2016) foram publicados nas revistas Portfolio-EAV e Revista Carbono e no site Kusntradio. É membro do Conselho Consultivo da Portfolio, revista da EAV - Escola de Artes Visuais do Parque Lage, publicando artigos nos números 1, 2 e 3 dessa publicação. É membro do conselho consultivo do grupo de pesquisa Internacional Radio Art (and Creative Audio for Trans-media – IRARG). Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Marco Scarassatti (MG)
Artista sonoro, improvisador e compositor, desenvolve pesquisa e construção de esculturas, instalações e emblemas sonoros. Criou e participou dos grupos Stracs de Harampálaga, que se dedicava a intervenções sonoras em espaços públicos, Olhocaligari, de poesia e música experimental, e o grupo Sonax, com o qual realiza trabalhos até hoje. É professor da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, atuando nos cursos de Pedagogia, Licenciatura em Música, Formação Intercultural de Educadores Indígenas e Licenciatura do Campo, e é o coordenador do grupo de pesquisa EPART (educação e poéticas artísticas). É autor do livro “Walter Smetak, o alquimista dos sons”, da editora Perspectiva/SESC, publicado em 2008. Vive e trabalha em Belo Horizonte.

Renata Roman (SP)
Artista sonora, dedica-se às poéticas do som e escuta. Seu trabalho transita entre cartografia sonora, instalação, rádioarte, música experimental e eletroacústica. Apresentou quatro instalações sonoras: “A Memória da Casa” (São Paulo, 2011/12; Mar Del Plata-Argentina), “Donde” (Mar Del Plata-Argentina), “404 notfound” (III Salão Xumucuís de Arte Digital, 2014, Belém-PA e Ibrasotope, São Paulo-SP) e “Euspetáculos” (Galeria Jaqueline Martins-SP). Em 2012 participou do FILE (Festival Internacional da Linguagem Eletrônica) e da 30a Bienal Internacional de Artes de São Paulo. Em 2013, a convite da ResonanceFM (Reino Unido), criou a peça sonora “Native” para circular na rede internacional de rádioarte RADIA. Participou de mostras e festivais como Hilltown New Music Festival (Irlanda), Ecos 2013 (Portugal), Süden Radio (Dinamarca/Itália), Radiophrenia (Reino Unido), (H)ear XL II Multimedia Sound Art Exhibition (Reino Unido), Datscha Radio (Dinamarca) e Radio Documenta14, entre outros. Vive e trabalha em São Paulo.

Posted by Patricia Canetti at 2:30 PM

Laura Vinci na Nara Roesler NY, EUA

Galeria Nara Roesler | New York apresenta Laura Vinci: Diurna, primeira exposição individual da artista em Nova York. Apresentando instalações escultóricas delicadas, a exposição busca refletir sobre a nossa relação em constante evolução com a natureza, mediada pelo espaço urbano.

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A produção de Laura Vinci tem como foco esculturas e instalações site-specific que tratam sobre a conexão entre corpo, espaço e efemeridade. A artista, que também atua no teatro como diretora de arte, percebe o espaço como um organismo complexo, que media o corpo e é sucetível à constante passagem do tempo. Seus projetos são pensados para investigar processos de mudança e movimento, buscando testemunhar a transitoriedade da matéria no espaço e convidando o público a reconsiderar o ambiente que o cerca.

Em Diurna, a instalação Folhas Avulsas (2018), composta por 72 esculturas douradas em formato de folhas, irá cercar as recém-abertas janelas da galeria, convidando a luz natural de verão da cidade a adentrar o espaço expositivo. As folhas de Vinci ondulam, eternalizando o movimento de uma leve brisa na folhagem, lembrando o espectador que overão é seguido do inverno. De acordo com Vinci, “Diurna cria um movimento de migração insinuando uma transferência de folhas de um outono virtual no Hemisfério Sul para dar as boas-vindas à nova estação no Norte. Essas folhas fundidas em latão e banhadas a ouro pontuam a arquitetura do espaço, como se fossem sopradas pelas janelas recém-abertas.”

Embora possa parecer contraditório que objetos destinados a simbolizar transitoriedade e movimento sejam fixados à parede, as esculturas foram cuidadosamente projetadas para permitir que se tornem um componente estrutural no espaço da galeria, enraizando-se fisicamente em sua localização geográfica. Como explica Vinci, “As folhas avulsas são fixadas diretamente à parede através de finos alfinetes, como relíquias de um futuro em que as excentricidades singulares de nossa Terra deixaram de ser notadas. A luz externa se abriga no espaço da galeria, variando em intensidade e tonalidade e estabelecendo uma coloração solar no ambiente. Diurna convida o espectador a ver-se como parte integrante deste ambiente pulsante, onde seu próprio corpo está presente no continuum.”

No entanto, a investigação de Vinci sobre processos de mudança, movimento e efemeridade está enraizada no desejo de questionar as escolhas que fazemos e fizemos em relação ao ambiente que nos rodeia. As frágeis esculturas Morro Mundo Mundo (2018) da artista apresentam um minucioso contorno dourado do mundo, contidos em globos de vidro. Enquanto isso, Morro Mundo Pin (2018) retrata o contorno do mundo, enrolado e contorcido. Como Vinci ressalta: “Em português, morro é tanto um verbo (primeira pessoa do tempo presente de morrer: eu morro) quanto um substantivo (morro). No meu título, eu usei como verbo. Mundo é mundo, como no latim mundi. A instalação é sobre esse sentimento envolvendo o mundo agora. O poeta Carlito Azevedo descreve lindamente: ‘Morro Mundo é tanto político quanto um diálogo com a hora atual…’.”

O tom político da exposição ecoa através das obras Onde Estamos? (2017) e Duas Medidas (2017). Fixadas à parede, essas esculturas de bússola e balança (respectivamente) evocam instrumentos que medem direção e peso, reiterando a questão sobre nossa atual posição no mundo. No entando, a artista também sugere a necessidade de mudança e transformação ao incluir pequenos fragmentos de granada às esculturas. A pedra granada, um símbolo de motivação e determinação, evoca um desejo por mudança. Vinci explica, “estes pequenos objetos que se configuram como ferramentas de medição podem nos ajudar a continuar a nossa jornada”. Portanto, a mensagem final da exposição não diz respeito à mudança e à permanência, mas aos elementos que nos conduziram ao presente e irão nos guiar no futuro.

Laura Vinci nasceu em São Paulo, 1962, onde vive e trabalha. Principais individuais e projetos site-specific incluem: Diurna, Farol Santander, São Paulo, Brasil (2018); Morro Mundo, Espaço Cultural Porto Seguro (ECPS), São Paulo, Brasil (2017); Untitled (from the series Papéis Avulsos), Art Center/South Florida, Miami, EUA (2014); Lux e No ar, Carpe Diem Arte e Pesquisa, Lisboa, Portugal (2010); Clara-Clara, Laneway Commissions, Melbourne, Austrália (2006-07); Máquina do Mundo, Palazzo delle Papesse, Siena, Itália (2004); e Estados, Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), São Paulo, Brasil (2002). Participou da 2ª, 5ª e 7ª edições da Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil (1999, 2005 e 2009) e da 26ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo, São Paulo, Brasil (2004). Suas obras estão presentes nos acervos de: Instituto Inhotim de Arte Contemporânea, Brumadinho, Brasil; Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo, Brasil; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil; entre outros.


Galeria Nara Roesler | New York is pleased to present Laura Vinci: Diurna, the artist’s New York solo debut. Featuring delicate sculptural installations, the exhibition reflects on our evolving relationship with nature and on the urban environment that mediates it.

In Diurna, the artist’s installation Folhas Avulsas [Loose Leaves] (2018), 72 golden leaf sculptures will surround the gallery’s newly opened windows, inviting the city’s natural summer light into the exhibition space. Vinci’s leaves curl, as if frozen mid-motion, eternalizing the movement of a light wind on foliage, and reminding the viewer that summer is followed by fall. According to Vinci, “Diurna creates a movement of migration by hinting at a transfer of leaves from a virtual autumn in the Southern Hemisphere to celebrate the new season in the North. These scattered, brass-cast, and gold-plated leaves punctuate the architecture of the space, as if blown in through the newly opened windows.”

While it might seem counter-intuitive that objects meant to symbolize transience and movement should be pinned to the wall, the sculptures were carefully designed to allow for them to become a structural component of the gallery space, physically rooting them in their geographic location. As Vinci explains, “The loose leaves are attached directly onto the walls by thin pins, like relics of a future in which the singular eccentricities of our Earth have ceased to be noticed. The external light takes shelter in the gallery space, varying in its intensity and tonality and establishing a solar coloration in the environment. Diurna invites the viewer to see themselves as an integral part of this pulsing environment, where the viewer’s own body present within the continuum.”

The political undertone of the exhibition is echoed by the pieces Onde Estamos [Where are we] (2017), and Duas Medidas [Two Measures] (2017). Pinned to the walls, these sculptures of compass and scale (respectively) evoke devices that gauge direction and weight, reiterating the question concerning our current position in the world. Yet the artist also suggests the need for change and transformation by including minute fragments of garnet in these sculptures. The garnet stone, a symbol of motivation and determination, evokes a desire for change. Vinci explains, “these small objects configured as measuring tools, can help us continue our journey.” Therefore, the exhibition’s ultimate message does not concern change or permanence, but the elements that led us to the present and will guide is into the future.

Posted by Patricia Canetti at 11:41 AM

julho 4, 2018

Bill Viola no Sesc Avenida Paulista, São Paulo

Pioneiro e nome incontornável no campo da videoarte, Bill Viola e sua obra são tema da exposição especialmente preparada para a inauguração do novo Sesc Avenida Paulista

A abertura do Sesc Avenida Paulista inaugura um período de muitos "primeiros", que certamente marcarão a história da unidade e da relação dos frequentadores com o espaço. A primeira exibição de vídeos integrada à primeira exposição da nova unidade (Bill Viola - Visões do Tempo) acontece na noite de quarta-feira, dia 2 de maio, no térreo, e traz uma oportunidade ímpar.

Enquanto a exposição, em cartaz até 9 de setembro, apresenta, por meio de doze obras, um recorte de videoinstalações de Bill Viola (1951) produzidas de 2000 para cá, os quatro programas mensais de exibição de vídeos percorrem a produção anterior do artista norte-americano e oferecem uma retrospectiva de trabalhos seminais e consagrados no campo da videoarte e da expressão audiovisual, como The Reflecting Pool (A Piscina Refletora, 1977-9).

É difícil observar as experimentações de Viola na edição das sequências de imagens e também na banda sonora desse vídeo ou de Ancient of Days (Ancião dos Dias, 1979-81) e Anthem (Hino, 1983), por exemplo, e não refletir sobre como a videoarte dos anos 70 e 80 conversa com impressionante desenvoltura com o que se produz e circula em vídeo, memes e gifs hoje nas redes sociais a partir dos onipresentes smartphones.

A câmera lenta, as transições inusitadas, o fast forward e o rewind, a tela dividida e as ilusões provocadas deliberadamente por Bill Viola, pela proximidade com as práticas cotidianas de quem gera e compartilha conteúdo audiovisual pela internet, têm talvez a capacidade de provocar ainda mais curiosidade no visitante de 2018 – justamente pelo contexto e pelos instrumentos utilizados no momento de criação – do que geraram em suas primeira exibições – feitas por canais de televisão, aliás!

Mas Viola não foi apenas visionário, em seu trabalho durante o século XX, quanto ao potencial formal do vídeo que se produziria para dentro e para fora das galerias de arte nas décadas seguintes. O artista, que trabalhou com outros grandes nomes da videoarte, como Nam June Paik e Peter Campus, desenvolveu um olhar particular e instigante sobre a experiência humana, a partir de influências ocidentais e orientais. Seus vídeos mais antigos, exibidos na programação integrada, e, sem dúvida, as instalações mais recentes, em exposição no 5º andar do Sesc Avenida Paulista, convidam a reflexões profundas sobre o corpo, a vida, a morte e o tempo – que é experimentado hoje em ritmo mais acelerado do que nunca!

Ação Educativa
A exposição conta com um programa educativo que contempla visitas mediadas, oficinas e encontros sobre os temas e as técnicas presentes na mostra. Agendamento de grupos: agendamento@avenidapaulista.sescsp.org.br.

Programação Integrada
Integrada à exposição, será exibida uma série de programas de vídeos experimentais e históricos do artista. Térreo. Sesc Avenida Paulista. Grátis. 12 anos. Retirada de ingressos com 30 minutos de antecedência. Sujeito à lotação do espaço.

Programa 1
2 de maio, quarta, 20h

Sweet Light [Luz Doce], 1977
Parte da coleção de videoteipes Memory Surfaces and Mental Prayers [Superfícies de Memória e Orações Mentais]
Cor, som mono, 9’08”

The Reflecting Pool [A Piscina Refletora], 1977–9
Parte da coleção de videoteipes The Reflecting Pool – Collected Works [Obras selecionadas] 1977–80
Cor, som mono, 7’

Ancient of Days [Ancião dos Dias], 1979–81
Parte da coleção de videoteipes The Reflecting Pool – Collected Works [Obras selecionadas] 1977–80
Cor, som estéreo, 12’21”

Anthem [Hino], 1983
Cor, som estéreo, 11’30”

Angel’s Gate [Portal do Anjo], 1989
Cor, som estéreo, 4’48”

Chott el-Djerid (A Portrait in Light and Heat) [Um Retrato em Luz e Calor], 1979
Cor, som mono, 28’

Programa 2
5 de junho, terça, 20h

The Passing [A Passagem], 1991
Em memória de Wynne Lee Viola
P&B, som mono, 54’22”

Programa 3
3 de julho, terça, 20h

Hatsu-Yume (First Dream) [Primeiro Sonho], 1981
Para Daien Tanaka
Cor, som estéreo, 56’

Programa 4
7 de agosto, terça, 20h

I Do Not Know What It Is I Am Like [Não Sei Como é que Pareço], 1986
Cor, som estéreo, 89’

Posted by Patricia Canetti at 11:34 AM

Cá entre nós na Villa Aymoré, Rio de Janeiro

Cá entre nós é uma mostra de artes com algumas obras dos anos 90 e outras atuais de nove artistas cariocas com uma obra madura e reconhecida

A mostra Cá entre nós visa reunir um grupo de artistas exemplarmente representativo da arte carioca e de uma geração dos anos 90, que retoma a arte conceitual e ao minimalismo mas com um viés mais humanitário: expressivo, político, psicológico e experimental -- em retomada aos preceitos da arte dos anos 70. Assim como os Neoconcretos estavam para os Concretos, esse grupo se contrapôs à pintura expressiva dos anos 80s com uma arte sobretudo conceitual. E no caso de Márcia Thompson com uma pintura conceitual. A curadora Paula Terra realizou junto com Glória Ferreira uma grande mostra na Casa França-Brasil, Situações: Arte Brasileira anos 70, sobre essa produção conceitual e política, que foi agraciada com o prêmio de melhor mostra do ano pela crítica e tem o objetivo de preparar uma retrospectiva sobre o Visorama, grupo em que eles todos atuaram e alguns foram membro-fundadores quando eram residentes no Rio, no final dos anos 80, início dos 90s. Cá entre nós acontece no belíssimo espaço da Villa Aymoré, uma vila de casarios antigos restaurados na Glória, (onde tem o Jacarandá); e estará aberta a todos gratuitamente no mês de julho como parte da programação da Villa Aymoré e da Terra-Arte in Rio, incluindo vídeos, instalações, esculturas, fotografias, pinturas e objetos.

Os artistas de Cá entre nós trabalham e se relacionam como amigos desde os anos 80-90, quando ainda bem jovens aprendiam sobre a produção contemporânea de arte por meio de revistas estrangeiras em que fotografavam e faziam grupos de estudos analisando os slides trazidos por todos para as reuniões formais e casuais, numa atuação que durou de uns 3 a 4 anos. Eles todos não só são produtores de artes, mas também de conhecimento sobre arte, atuando como artistas pesquisadores, professores, editores de revistas, criadores de espaços, mostras, eventos, atuando como veículos de fomentação da arte contemporânea brasileira no Rio, no Brasil e no mundo.

Cá entre nós é isso -- uma mostra que tem esse caráter de pesquisa curatorial experimental que tem fundamentos históricos muito sólidos mas também uma pulsão de vida forte; que homenageia esse campo da produção de arte que se faz permeada por laços e afetos, por trocas existenciais ricas de sentido. As situações vividas na arte, na arte no Rio, na arte contemporânea, muitas vezes com muita precariedade de meios e recursos faz surgir em oposição uma arte potente, poderosa, impregnada de um sentido crítico, e de proposições: experimentais, sensoriais e intelectuais que sobrepujam assim a todos os limites que a realidade nos impõe. Mas que também quer mudar essa condição limitadora.

A realização da mostra só foi possível com a soma do esforço e apoio de espaço, galeria, artistas, arquitetos, designers, e todos os amigos cariocas trabalhadores da arte que querem atuar em parceria com a Terra-Arte para dar nos a ver essa riqueza de vida, experiências e ideias que a arte brasileira contemporânea vem oferecendo ao mundo.

A exposição tem a curadoria criteriosa da historiadora e pesquisadora Paula Terra-Neale que está com três mostras no Rio neste momento, as outras mostras estão no Paço Imperial e na Martha Pagy Escritório de Arte. Os projetos curatoriais da sua plataforma Terra-Arte, de fins não lucrativos, tem acontecido na Inglaterra: Londres, Oxfordshire e Buckinghamshire e no Rio de Janeiro, e está expandindo esse ano para Lisboa, além das redes sociais e online. Ano passado em 2017 a Terra-Arte realizou mostras com alguns desses artistas em Londres e Buckinghamshire (The Role of Image I and II), com quem ela trabalha desde os anos 90. (Vale a pena conferir pelo Instagram @terraartegallery e Facebook na página da Terra-Arte).

Dia 9 de julho, segunda-feira, às 17hs, teremos um bate papo de artistas, críticos e curadores incluindo Marisa Flórido e outros convidados.

Posted by Patricia Canetti at 10:06 AM

julho 3, 2018

Ernesto Neto na Estação Central de Zurique, Suiça

From June 30 to the end of July 2018, the Fondation Beyeler will be showing a project by the Brazilian artist Ernesto Neto (b. 1964 in Rio de Janeiro) in Zurich Main station. The monumental work GaiaMotherTree, a sculpture made of brightly colored hand-knotted cotton strips, resembles a tall tree, extending right up to the ceiling of the station concourse, which is twenty meters high. GaiaMotherTree is a walk-in structure that functions as a meeting place and a venue for interaction and meditation. A varied program of events for adults and children, with music, meditations, workshops, talks and guided introductions to the work, will take place inside the installation.

Ernesto Neto is one of Latin America’s most important contemporary artists. His work has won worldwide recognition, with several presentations at the Venice Biennale and exhibitions in the world’s leading museums. It has been collected by, among others, the Museum of Modern Art and the Solomon R. Guggenheim Museum, New York; the Tate Modern, London; the Centre Pompidou, Paris; and the Hara Museum, Tokyo.

Neto’s ideas have been influenced by the Brazilian Neo-Concrete movement of the 1960s and also by Minimal and Conceptual Art, and Arte Povera. Spirituality, humanism, and ecology are among his principal concerns. His work since the 1990s has been characterized by the use of materials and techniques that are unusual in art. His sculptures and installations often feature biomorphic forms and organic materials, with transparency, sensuality, and a spirit of community playing a major role. Viewers can touch the works and walk through them or set them in motion; in many cases, they also appeal to the sense of smell. The visitor is invited to concentrate on his or her own perception and interact with the work and its environment.

Since 2013, Neto has been working in cooperation with the Huni Kuin, an indigenous community living in the Amazon region near the Brazilian border with Peru. The culture and customs of the Huni Kuin, their knowledge and craft skills, their aesthetic sense, their values, their world view, and their spiritual connection with nature, have transformed Neto’s conception of art and become integral elements of his artistic practice. The works inspired by this artistic and spiritual exchange invite the viewer to pause and reflect, but also to engage collectively with themes such as the relationship between humans and nature, issues of sustainability, and the preservation and dissemination of knowledge from other cultures.

GaiaMotherTree was made entirely by hand. Strips of cotton were knotted together with a finger-crocheting technique to form a giant transparent structure. The upper part of the work, shaped like the crown of a tree, will cover the ceiling of the station concourse. At the base of the tree there is a large space where visitors can linger and rest on seats arranged in a circle. Drop-shaped elements hanging from the branches are filled with aromatic spices and dried leaves.

In connection with this public art project, the Fondation Beyeler is showing a number of earlier sculptures by Neto in its central exhibition gallery. Major works from the 1980s and 1990s are supplemented by Altar for a plant (2017), presented in the grounds of the museum.

Posted by Patricia Canetti at 6:41 PM

Laura Lima na Pinacoteca, São Paulo

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, apresenta, de 7 de julho a 8 de outubro de 2018, a exposição Laura Lima: Alfaiataria, que ocupa o Octógono, no primeiro andar da Pina Luz. Laura Lima (1971, Governador Valadares) cria um diálogo inovador com a prática do museu ao apresentar uma oficina de alfaiataria em funcionamento, com profissionais, tecidos, aviamentos e todo o maquinário de uma confecção.

Nela, uma equipe de alfaiates e costureiras trabalhará todos os dias ao longo da exposição. Eles irão produzir uma coleção de trajes confeccionados sobre molduras vazias, criando retratos que interpretam, a partir de seus próprios saberes e experiências, as ideias e desenhos da artista. O espaço será ativado pela presença desses profissionais e de suas atividades – modelar, cortar, alinhavar, costurar, passar, finalizar e, ao longo do período expositivo, o público testemunhará o surgimento dessas peças que ficarão armazenadas numa reserva técnica suspensa no octógono, construída especialmente para o projeto. Espera-se que em torno de 30 obras sejam produzidas até o final da mostra.

Ao instalar um espaço de trabalho com pessoas reais no centro da Pinacoteca, Laura Lima retira a ênfase dada aos objetos artísticos no espaço do museu para focar-se em acontecimentos. Segundo a curadora Fernanda Pitta “Lima recusa-se a chamar seus trabalhos de performances. Para a artista, não se trata de sublinhar os sujeitos ou a subjetividade de suas ações, mas entender os participantes (que ela chama de viventes) também como matéria da obra de arte, ocupando o espaço do mesmo modo que os objetos, o mobiliário e a própria arquitetura”.

Em Alfaiataria, ao recorrer a um fazer tradicional, especializado e altamente elaborado como o dos alfaiates e costureiras, Lima também propõe um paralelismo com o fazer artístico e uma reflexão sobre o tempo e o valor do trabalho. A obra dialoga com o espaço e a história da Pinacoteca, já que instala uma oficina num edifício que teve originalmente essa função, pois foi criado para ser a sede do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Também permite uma relação com o próprio ambiente urbano do museu, o bairro do Bom Retiro, com sua tradição de oficinas de costura, lojas de tecidos e confecções, e de seus profissionais de comunidades variadas como a judaica, a coreana e boliviana.

A produção de Lima se debruça sobre a complexidade dos comportamentos individuais e coletivos. Desde o início de sua trajetória, em 1990, a mineira utiliza seres vivos (humanos ou animais) como parte de sua obra. Em suas ações ou esculturas, o objeto artístico é frequentemente ativado por longos períodos ininterruptos. Suas referências vão desde a história da arte à ficção científica, com a utilização de técnicas que variam de intrincados desenhos e colagens, à colaboração com artistas e artesãos que ativam suas obras.

Alfaiataria foi exposta pela primeira vez no Bonnefanten Museum de Maastricht, Holanda, de 2014 a 2015, como parte da individual da artista no museu durante a qual foi agraciada com o prestigiado prêmio Bonnefanten Award for Contemporary Art 2014.

Laura Lima nasceu em Governador Valadares, MG (1971) e vive e trabalha no Rio de Janeiro, RJ. Em 2014 recebeu o prêmio “Bonnefanten”. Exposições recentes incluem: Slight Agitation 4/4 – Horse Takes King, Fondazione Prada, Milão, Itália (2018); Welcome to the jungle, Kunsthalle, Dusseldorf, Alemanha (2018); A room and a half, CCA Center for Contemporary Art Ujazdowski Castle, Varsóvia, Polônia (2017); Lugares do Delírio (2017 e 2018), no MAR, Rio de Janeiro e no Sesc Pompéia, em São Paulo; Illusion and Revelation (2016-2017), Bonnefanten Museum, Holanda. Lima tem participações nas Bienais de São Paulo de 1998 e de 2006 e é sócia-fundadora, ao lado de Marcio Botner e Ernesto Neto, da galeria A Gentil Carioca, no Rio de Janeiro. A artista é representada pelas galerias Luisa Strina (São Paulo), A Gentil Carioca (Rio de Janeiro) e Tanya Bonakdar Gallery (Nova York).

PROJETO OCTÓGONO

Criado em 2003, o projeto Octógono Arte Contemporânea ocupa um espaço importante do museu apresentando produções de arte contemporânea comissionadas pelo museu. Ao longo desses 15 anos, o projeto apresentou cerca de 40 sites-specifics de artistas brasileiros e estrangeiros, entre eles Ana Maria Tavares, Artur Lescher, Carla Zaccagnini, Carlito Carvalhosa, Joana Vasconcelos, João Loureiro, José Spaniol, Laura Vinci, Regina Silveira, Rubens Mano, entre outros.

Posted by Patricia Canetti at 3:56 PM

Flavio-Shiró na Pinakotheke, São Paulo

Nos seus 90 anos, o pintor ganha exposição panorâmica, acompanhada de livro com texto de Paulo Herkenhoff

No ano em que se comemora os 110 anos da Imigração Japonesa no Brasil, comemoram-se também os 90 anos de Flavio-Shiró. Para celebrar a data, a Pinakotheke realiza uma exposição que traça a trajetória do pintor – dos anos 1940 aos dias atuais. A mostra reúne uma seleção de pinturas, desenhos, fotografias e objetos, na sua grande maioria, inéditos, com curadoria de Max Perlingeiro e do artista. Na ocasião, será lançado um livro com texto de Paulo Herkenhoff e exibidos filmes em curta-metragem dirigidos por Adam Tanaka, neto de Shiró.

A exposição promove um mergulho no universo de Shiró, pintor oriundo de três universos distintos – nasceu no Japão, cresceu no Brasil e há mais de seis décadas divide seu ateliê entre Paris e Rio de Janeiro. “Trata-se de um artista polivalente e internacional, mas talvez coubesse melhor designá-lo como transcultural, pois a obra propõe a convivência do intercâmbio Ocidente/Oriente, Norte/Sul ou Sapporo/Tomé-Açu/Paris”, escreve Herkenhoff.

Com 26 pinturas, 12 obras sobre papel, além de fotografias, objetos pessoais e cinco curtas dirigidos por seu neto Adam Tanaka e Margaux Fitoussi e produção executiva de Josué Tanaka, filho do artista, a mostra traça um panorama da obra do pintor, do figurativismo presente até o princípio de sua vida em Paris (1953), a transição para o abstracionismo informal até a retomada da figuração, sempre tendo o gesto como expressão basilar.

As telas como Voo Noturno, Matéria III e Camargue, da década de 1950, presentes na exposição, estiveram também no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1959, quando Shiró, ainda assinava Flavio S. Tanaka. “Um quadro de Shiró explodia como a convulsão da matéria do mundo na liberação daquilo que pareciam forças do caos; a massa pictórica incorpora-se em enervação, e a pintura é uma carnalidade vibrátil”, destaca o crítico.

Já na década de 1960, a obra de Shiró refere-se à pertinência positiva da pintura no campo cultural, como destaca Herkenhoff. “A obra de Flavio-Shiró, neste período, não discute apenas a guerra do Vietnã, mas toda guerra”. Em meados dos anos 1970, o pintor sintetiza sua múltipla herança cultural e condensa seu imaginário em questões que explorará em profundidade nas décadas seguintes. “Pintar incluirá ativar a memória produtiva da fantasmática e deixá-la emergir perturbadora ao plano do visível”. Na década de 1990, a sua pintura reacende m nova chave cromática e se desprega da relação entre pincelada e desenho. “Paradoxalmente, este estágio barroco de sua pintura não tem a presença de monstros e fantasmagorias, como pode ter acontecido nas décadas anteriores”, afirma o crítico.

Por sua vez, no século XXI, o tema que anima os meus trabalhos continua evoluindo ao mesmo imaginário através de uma visão transfiguradora e poética, observa Shiró. “A isto, podemos chamar de arte como projeto de vida. Prossegue em sua trajetória e se depura como pintor sintético e denso. Seu imaginário pulsa pleno com o vigor da matéria e se move por vontade de experimentar ideias e por curiosidade técnica. Algumas questões plásticas têm envolvido a mente inquieta de Shiró: objetos; invenções; experiências com a xilogravura e a nova inflexão em sua pintura, com formas audaciosas”, completa Herkenhoff.

Artista presente e premiado em salões e bienais, com destaque para o Prêmio Internacional de Pintura na Bienal de Paris de 1961, Flavio-Shiró (1928, Sapporo, Hokkaido, Japão) vem expondo seu trabalho em individuais e coletivas no Brasil e em países como França, Japão, Estados Unidos, Reino Unido, Bélgica e Itália. O artista já ganhou retrospectivas no Japão, Museu Hara, 1993, e no Brasil, MAM-Rio de Janeiro, 1993, MASP, 1994, MAC-Niterói, 1998; e Instituto Tomie Ohtake, 2008.

Posted by Patricia Canetti at 1:32 PM