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maio 30, 2018

Manuela Ribadeneira na Triângulo, São Paulo

Manuela Ribadeneira apresenta trabalhos que investigam os sons de aviso na Casa Triângulo

Casa Triângulo tem o prazer de apresentar Ouça, a terceira exposição individual da artista equatoriana baseada em Londres, Manuela Ribadeneira, na galeria.

Populações perto de vulcões ativos vivem em face de uma ameaça permanente. Medo. Há, no entanto, novas descobertas que podem tentar prever uma erupção ouvindo e interpretando os sons emitidos pelos vulcões. Geofísicos que trabalham em vulcões no Alasca, Costa Rica e São Vicente gravaram sons que são imperceptíveis ao ouvido humano. Alterando sua frequência e ouvindo atentamente, descobriram um padrão.

O processo começa com uma sucessão de tremores e sons que os cientistas descrevem como um zumbido acompanhado de sons percussivos produzidos por um instrumento como um órgão ou uma combinação de instrumentos musicais tocados em frequências muito baixas. Estes são chamados de Tremores Harmônicos. A frequência e o tom desses tremores aumentam até o que soa como um grito. Quando a frequência atinge um nível absurdamente alto e não aguenta mais a pressão, ela fica quieta. Trinta segundos de silêncio precedem a erupção.

Estou interessada nos sons como avisos, e o fato de que ouvir mais de perto, ou traduzir todos os sons inaudíveis em um registro audível e prestar atenção aos padrões, talvez permita que catástrofes naturais ou feitas pelo homem sejam previstas e, melhor ainda, evitadas. Os cientistas descrevem alguns vulcões emitindo um aviso final sobre o que está por vir e "gritam" logo antes de entrar em erupção.

Vivemos em um momento em que parece que temos a sensação de que muitos tipos de escolhas destrutivas, tragédias e catástrofes poderiam ter sido evitadas, talvez se tivéssemos ouvido apenas o zumbido, a batida e o grito.

A mostra é composta por uma escultura arquitetônica de grande escala, um desenho topográfico direto na parede, um conjunto de esculturas em vidro soprado, fotografias, vídeo e desenhos sobre papel, além de uma instalação sonora.

Posted by Patricia Canetti at 11:28 AM

maio 29, 2018

O tempo de nossas vidas na CAL, Brasília

Exposição com temática LGBT fala sobre envelhecimento, ativismo político e violência. Abertura dia 06/06 na Casa da Cultura da América Latina

A mostra coletiva O tempo de nossas vidas vai reunir 18 artistas de arte contemporânea, três deles de países da América Latina, que por meio de suas obras refletem sobre o universo de gays, lésbicas, bissexuais e transsexuais. Entre os artistas, Gê Orthof (Prêmio Marcantônio Vilaça); Célio Braga; Bia Medeiros; Francisco Hurtz; Maria Eugênia Matricardi; Rafael Bqueer; Leci Augusto; e os estrangeiros Rocio Garcia e Alexander Lombaina, de Cuba; Nelson Morales, do México, e Fredman Barahona, da Nicarágua.

Os efeitos do tempo na vida de cada um de nós é o recorte da curadoria, que procurou trabalhos artísticos que pudessem expressar esse momento em que a maturidade chega, junto com novos enfrentamentos como a vulnerabilidade física, a solidão, problemas de saúde e o isolamento social. Os idosos, em geral, são invisibilizados pela sociedade que valoriza o vigor, a beleza jovial, e a energia física. Em se tratando de LGBTS, pouco sabemos sobre eles, mesmo reconhecendo que estão por aí. Os problemas são diversos, desde a baixa expectativa de vida de pessoas trans, de 35 anos, à falta de políticas sociais e de saúde para a comunidade LGBT. A geração de homossexuais que se assumiram na década de 1970, anos da liberação dos costumes, chegou à velhice. O que eles têm a dizer?

A exposição se completa com o tempo dos jovens que mostram nas suas produções o ambiente das redes sociais e das provocações, do ativismo político e do combate ao ódio. A nova geração de artistas que aposta em um outro mundo.

Entre as obras que serão expostas na Casa da Cultura da América Latina, está a instalação do artista Gê Orthof que fala do desejo, com imagens de nus masculinos, baralhos eróticos, e citações literárias; fotografias do artista mexicano, Nelson Morales, com registros dos muxes, da etnia zapoteca, sul do México - indivíduos não-binários, que se relacionam sexualmente com homens e mulheres, considerados o terceiro gênero, culturalmente aceitos e respeitados pela comunidade; Bia Medeiros apresentará uma instalação com imagens fragmentadas do seu corpo; Célio Braga trabalha com desenhos minimalistas feitos com pequenas perfurações manuais no papel, são três séries, em uma delas apresenta datas que se referem ao vencimento de remédios ou da própria vida, em outra são desenhos feitos sobre bulas de remédios usados no tratamento de AIDS; e o artista Francisco Hurtz terá 3 séries de desenhos e pinturas em que fala de machismos, comportamentos heteronormativos e homofobia.

A exposição faz parte do XV Seminário LGBT do Congresso Nacional, que neste ano tem como tema principal o envelhecimento e morte na perspectiva da comunidade LGBT. O evento está programado para o dia 06 de junho, no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados. Esta é a terceira exposição com temática LGBT organizada pelo curador Clauder Diniz.

Posted by Patricia Canetti at 2:14 PM

Maquinações - Artistas, Máquinas e a invenção do cotidiano no Oi Futuro, Rio de Janeiro

Maquinações leva arte, tecnologia e invenções para Centro Cultural Oi Futuro

• Exposição reúne 13 artistas e coletivos do Brasil e do exterior que usam aparatos tecnológicos e objetos ordinários para desenvolver engenhocas e propor possibilidades de aproveitamento de materiais.

• Abertura da mostra terá performances com o cineasta Neville D’Almeida e a artista mexicana Azucena Losana.

• Artistas farão duas oficinas gratuitas abertas ao público – a primeira na semana anterior e a segunda na semana da abertura da exposição.


Traquitanas, invenções, improvisos, subversão das funções dos objetos. Obras nada convencionais de artistas-inventores são a tônica da exposição Maquinações – Artistas, Máquinas e a invenção do cotidiano, em cartaz para o público de 5 de junho a 5 de agosto no Centro Cultural Oi Futuro, no Rio de Janeiro.

Com curadoria de Fred Paulino, designer e idealizador do conceito de Gambiologia (“ciência da gambiarra”), Maquinações reflete sobre a criação e operação de máquinas por artistas que são também inventores de engenhocas e atuam na intersecção entre arte, ciência, tecnologia e vida. São criadores que transformam seus ateliês em oficinas, suas oficinas em laboratórios, seus laboratórios em extensão da vida. “Tenho interesse em investigar a relação dos artistas com a criação de aparatos técnicos, com uma proposta de arte eletrônica que tenha a marca do improviso, da precariedade, do despojamento e do reuso de materiais”, explica.

Na mostra, 13 artistas e coletivos brasileiros e estrangeiros apresentam seus trabalhos, apostando mais na interação do que na interatividade, no analógico sobre o digital, na reutilização em vez do consumo e em soluções e técnicas acessíveis em contraponto às complexidades contemporâneas.

Os nomes vão dos veteranos suíços Peter Fischli e David Weiss, passando pela mexicana Azucena Losana e pelo francês Zaven Paré, até os consagrados Guto Lacaz e Abraham Palatnik, ao lado dos artistas brasileiros Paulo Nenflídio, Lina Lopes, Giovanna Casimiro, Milton Marques, Daniel Hertel, Sara Lana, Leandro Lima, Gisella Mota e Ganso.

Duas performances marcarão a abertura da exposição no dia 04 de junho: Luvina, por Azucena Losana, em que a artista-cineasta manipula e projeta filmes de cinema ao vivo, e Corpo Utópico, do controverso cineasta Neville D’Almeida, em parceria com sua filha Sophia S.A. e com a artista mineira Juliana Porfírio.

Serão ainda realizadas oficinas abertas ao público: a primeira com as artistas Lina Lopes e Giovanna Casimiro, que construirão a obra Balanços InterAfectivos em um processo colaborativo com os integrantes da oficina, na semana anterior à inauguração da exposição. A segunda, com Azucena Losana terá a construção de projetores “precários” de slides utilizando caixas de papelão e lentes de baixo custo. Ambas acontecerão em um novo espaço anexo ao Oi Futuro Flamengo, o recém-inaugurado Lab Sônica.

“Teremos a ousadia de fazer uma exposição de arte e tecnologia que não conta com nenhum computador na galeria”, avisa Fred Paulino. “Independente da mídia utilizada, me interessa uma arte que seja sensível, esteticamente propositiva e, mesmo assim, suscite questões políticas, tecnológicas e sociais”, arremata.

“Mãos na massa”

O flerte com o movimento maker e com a cultura do “faça você mesmo” é evidente. A origem está no projeto Gambiologia, que se desdobrou em duas edições da exposição Gambiólogos – A gambiarra nos tempos do digital, em 2010 e 2014, e na edição da Facta – Revista de Gambiologia – sempre propondo reflexões sobre arte e tecnologia que dialogam com uma estética do improviso.

Posted by Patricia Canetti at 12:56 PM

Daniel Lannes na Luciana Caravello, Rio de Janeiro

Inspirado no modernismo brasileiro do escritor Oswald de Andrade, artista apresentará pinturas inéditas, produzidas este ano, na Luciana Caravello Arte Contemporânea, em Ipanema

No dia 7 de junho, Luciana Caravello Arte Contemporânea inaugura a exposição Daniel Lannes – Dentição, com cerca de 12 pinturas inéditas, produzidas este ano, especialmente para esta exposição. O artista sempre usou referências da história da arte em seu trabalho e, para criar as obras desta mostra, partiu das ideias presentes no modernismo brasileiro do escritor Oswald de Andrade (1890-1954), um dos fundadores do movimento iniciado na Semana de Arte Moderna, em 1922.

As pinturas têm como referência as ideias canibalísticas e antropofágicas presentes no Manifesto Antropofágico, publicado em 1928, no qual Oswald de Andrade afirmava que "só a antropofagia nos une" e propunha "deglutir" o legado cultural europeu e "digeri-lo" sob a forma de uma arte tipicamente brasileira. Nas pinturas, Daniel Lannes reinterpreta essas ideias através de imagens de filmes, músicas, etc. “As referências para a criação das obras são diversas, passando pelo cinema pornochanchada, o churrasco, Copacabana e outros elementos que despertam o apetite visual. Pego imagens históricas e imagens mundanas, que não deixam de ser representações da nossa história, e crio uma narrativa nova”, conta o artista.

Muitas obras são inspiradas em poemas e clássicos da literatura, como é o caso das pinturas “O prodígio”, inspirada no livro “Macunaíma” (1928), de Mário de Andrade (São Paulo, 1893 - 1945), onde o artista pinta uma saia amarela de onde sai um rosto negro, como se fosse o nascimento de Macunaíma, e “O guesa errante”, inspirado no poema homônimo de Sousândrade (Maranhão, 1832 - 1902), importante referência para os modernistas e tropicalistas. O poema é inspirado em uma lenda andina na qual um adolescente indígena, Guesa, seria sacrificado em oferecimento aos deuses. Daniel Lannes pinta uma mulher com os seios de fora, como se estivesse sendo possuída por um homem.

Outra obra presente na exposição será “A Herança Asmat”, em que ele retrata Oswald de Andrade, misturando com referências da tribo Asmat, que era canibal. Na pintura, Oswald aparece protegido por uma espécie de escudo. Já “Carrossel Napolitano” foi inspirado no clipe da música “Copacabana” (1978), de Barry Manilow, em que ele fala sobre paixão, música e o tradicional bairro carioca.

O Manifesto Antropofágico foi publicado na Revista de Antropofagia, que teve dois volumes, que eram chamados de “Dentição”. Daí o nome da exposição. “A partir dessa palavra fui buscando imagens que não são só ilustrativas, mas que se relacionam com as ideias modernistas”, afirma Daniel Lannes, que ressalta que o manifesto tem muitas referências, que vão desde Freud até a história do Brasil, e, justamente por isso, ele também resolveu misturar as referências em suas pinturas.

Os trabalhos são feitos primeiro em tinta acrílica e depois em tinta a óleo, que dá mais vida à pintura. “A tinta a óleo é mais carnal, tem uma coisa mais visceral”, afirma Daniel Lannes, que parte de uma imagem prévia, muitas vezes composta de diversas referências, para realizar as pinturas. “Preciso de uma imagem para por na tela, vou buscando diversas imagens, recortando e direcionando, vendo o que pode ser montado. Mas há um certo momento em que preciso largar a imagem para resolver a pintura”, conta.

SOBRE O ARTISTA

Daniel Lannes (Niterói, em 1981. Vive e trabalha no Rio de Janeiro) é Mestre em Linguagens Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2012) e Bacharel em Comunicação Social pela PUC-Rio (2006).

Dentre suas exposições individuais destacam-se: “A Luz Do Fogo” (2017), na Magic Beans Gallery, Berlim, Alemanha; “Costumes” (2014) e Dilúvio” (2012), na Galeria Luciana Caravello Arte Contemporânea; “República” (2011), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; “Só Lazer” (2011), na Galeria de Arte IBEU, no Rio de Janeiro; “Midnight Paintings” (2007), no Centro Cultural São Paulo, entre outras.

Dentre as exposições coletivas destacam-se: “HÖHENRAUSCH”, Eigen + Art gallery, Berlin, Alemanha e “Ao Amor do Público I” – Doações da ArtRio (2012-2015), ambas em 2016; “Tarsila e Mulheres Modernas”, no Museu de Arte do Rio (MAR) e “Renaissance”, na Maison Folie Wazemmes, na França, ambas em 2015; “Crer em Fantasmas” (2013), na Caixa Cultural de Brasília; “Gramática Urbana” (2012), no Centro de Arte Hélio Oiticica; “Arquivo Geral” (2009), no Centro Cultural da Justiça Federal; “Painting’s Edge” (2008), RiverSide Museum of Art, nos EUA, entre outras.

Foi um dos vencedores da 6ª edição do Prêmio Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas (2017-2018). Realizou residência artística no Kunstresidenz Bad Gastein, Bad Gastein, Áustria, em 2015. Foi selecionado em 2015 para representar a cidade do Rio de Janeiro no Festival de Arte Lille3000, em Lille, França, foi indicado à 10a edição do Programa de prêmios e Comissões da Cisneros-Fontanals Art Foundation (CIFO) 2013 e contemplado com o prêmio FUNARTE Arte Contemporânea (2012). Foi, ainda, indicado ao Prêmio PIPA em 2011 e em 2012 e foi o ganhador do Prêmio Novíssimos do Salão de Arte IBEU (2010). Recebeu também bolsa de residência artística no The Idyllwild Arts Program Painting’s Edge, California, EUA, 2008, e bolsa de estudos na State University of New York / Fine Arts Department, em 2004.

Possui obras em importantes coleções públicas como Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR); Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, entre outras.

Posted by Patricia Canetti at 12:29 PM

Fabio Miguez na Nara Roesler, São Paulo

A Galeria Nara Roesler apresenta em seu espaço paulistano duas mostras individuais e simultâneas de artistas que têm em comum a pintura como recurso central em suas trajetórias: No Meio, de Bruno Dunley e Fragmentos do Real (Atalhos), de Fabio Miguez. Ambos pertencem a gerações marcadas pela retomada da pintura, 2000 e 80 respectivamente, e compartilham referências históricas do universo pictórico. Todos estes aspectos serão abordados em uma conversa aberta ao público entre os artistas e os críticos Rodrigo Moura e Tadeu Chiarelli, no dia 4 de agosto, sábado, às 11h.

A exposição Fragmentos do Real (Atalhos), individual do artista Fabio Miguez, apresentada de março a maio de 2018 no Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto, chega à Galeria Nara Roesler | São Paulo, na ocasião do lançamento do livro Atalhos (bilíngue, editado pela APC, 142 págs., R$ 70,00) que, assim como a exposição, tem texto de Rodrigo Moura.

Na mostra são apresentadas cerca de 60 telas em pequenas dimensões que revelam a prática pictórica quase diária do artista, em uma relação de complementaridade com as grandes telas. “Um elogio ao pequeno formato, onde os desafios surgem e desparecem em tempos breves e sem a gravidade reservada aos processos temporais expandidos”, escreve Moura em seu texto sobre a exposição.

A série aponta mais uma vez o diálogo que o artista constrói, ao longo de sua trajetória, entre bidimensionalidade (pintura) e tridimensionalidade (obras escultóricas), ao transitar de um suporte ao outro, ampliando a reflexão sobre a pintura contemporânea. Em seu texto Moura destaca que nestas pinturas Miguez isola determinados elementos de sua obra, criando pequenas unidades de linguagem que se singularizam em cada quadro – para depois se repetirem em subséries de variações formais e cromáticas.

“Montadas em linha, no encontro de umas com as outras as pinturas formam sentenças e, em conjunto, dão conta de sua grande vocação sensorial no uso variado de cores, texturas, formas e movimentos. A maneira ideal de vê-las é neste grande grupo, revisitando os elementos ao longo do tempo e experimentando as sucessivas interrupções, como numa grande tira de filme. Levando a pesquisa pictórica de Miguez para outro lugar, elas se apresentam menos como espaços pictóricos idealizados do que como fragmentos do real”, escreve Moura.

Fabio Miguez (n. 1962, São Paulo, Brasil) vive e trabalha em São Paulo. Inicia sua carreira na década de 1980 junto à célebre Casa 7, ateliê coletivo que reuniu Carlito Carvalhosa, Nuno Ramos, Paulo Monteiro e Rodrigo Andrade em torno da amizade e de propósitos estéticos comuns. Embora sua pesquisa esteja voltada ao trabalho pictórico, durante os anos 1990 começa a produzir Derivas, séries de fotografias que, anos mais tarde, são publicadas com o nome de Paisagem Zero (2012). Na última década, Miguez desenvolveu trabalhos de formulação tridimensional, como a instalação Onde (2006), o objeto Ping‑pong (2008) e a série Valises, produzida desde 2007, que expande seu campo principal de investigação para dar lugar a obras que assumem a feição de maletas. A formação em arquitetura traz influência construtiva para algumas de suas pinturas, que, por sua vez, aliam‑se ao estudo sobre a escala, a matéria e a figuração. O artista ainda lida com formas modulares, submetendo‑as a um raciocínio combinatório, repetindo‑as e variando sua posição ao passo em que lhes opera inversões e espelhamentos. Em pinturas mais recentes, como a série Atalhos (iniciada em 2011 - em processo) é possível notar esta operação em pequeno formato. Muitas delas guardam relação direta com a história da arte - como as que recortam partes de quadros de Piero della Francesca, Alfredo Volpi e Henri Matisse - e com situações pictóricas casuais encontradas, justamente, em elementos arquitetônicos, como casarios, pedras rejuntadas e muros de tijolos. Nesses trabalhos, a articulação de uma relação híbrida entre a figuração e a abstração é transpassada pela inclusão de palavras - algumas delas emprestadas de textos de João Cabral de Melo e Samuel Beckett - que funcionam como campos autônomos de informação e abrem campo para leituras mais amplas desse conjunto de obras. Fabio Miguez participou de bienais como a Bienal Internacional de São Paulo (São Paulo, Brasil, 1985 e 1989), a 2ª Bienal de Havana (Havana, Cuba, 1986), a 3ª Bienal Internacional de Pintura de Cuenca (Cuenca, Equador, 1991) e a 5ª Bienal do Mercosul (Porto Alegre, Brasil, 2005), além de mostras retrospectivas como Bienal Brasil Século XX (1994) e 30 x Bienal (2013), ambas promovidas pela Fundação Bienal de São Paulo. Teve exposições individuais, como: (incluir expo IFF), Paisagem zero (Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo, Brasil, 2012); Temas e variações (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil, 2008); na Pinacoteca do Estado de São Paulo (São Paulo, Brazil, 2003), acompanhada da publicação de um livro sobre sua obra; e no Centro Cultural São Paulo (São Paulo, Brasil, 2002). Mostras coletivas recentes incluem Prática portátil (Galeria Nara Roesler, São Paulo, Brasil, 2014), Tomie Ohtake/Correspondências (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil, 2013), Analogias (Museu da Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado, São Paulo, Brasil, 2013) e As tramas do tempo na arte contemporânea: estética ou poética (Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil, 2013).

Posted by Patricia Canetti at 10:41 AM

Bruno Dunley na Nara Roesler, São Paulo

A Galeria Nara Roesler apresenta em seu espaço paulistano duas mostras individuais e simultâneas de artistas que têm em comum a pintura como recurso central em suas trajetórias: No Meio, de Bruno Dunley e Fragmentos do Real (Atalhos), de Fabio Miguez. Ambos pertencem a gerações marcadas pela retomada da pintura, 2000 e 80 respectivamente, e compartilham referências históricas do universo pictórico. Todos estes aspectos serão abordados em uma conversa aberta ao público entre os artistas e os críticos Rodrigo Moura e Tadeu Chiarelli, no dia 4 de agosto, sábado, às 11h.

Bruno Dunley – que no início de 2018 lançou o seu primeiro livro homônimo pela Associação para o Patronato Contemporâneo - APC e realizou a sua primeira individual no espaço da Galeria em Nova York – apresenta agora em São Paulo, No Meio, exposição que reúne cerca de 24 obras de diferentes dimensões, realizadas de 2015 a 2018, acompanhada de texto de Tadeu Chiarelli.

A partir do oceano de imagens que atinge a todos, o crítico aponta que os artistas reagem de diferentes maneiras diante desse cenário. “Há aqueles que se afogam com prazer nas águas turvas da internet, à caça de ícones passíveis de serem processados e tornados ‘obras’, e aqueles que, como Dunley, mesmo que também envoltos nessas mesmas águas e levados a nelas buscarem o alimento para suas produções, resistem a se deixarem afogar pelas correntezas do inócuo que governam as profundezas desse oceano”.

Chiarelli destaca a pintura que dá nome à mostra, No meio (2016), por ele entendida como um emblema dos artistas que resistem à naturalização desse excesso imagético. “No meio apresenta-se como um espelho que aparentemente nada reflete e onde está escrita a expressão ‘no meio’ (escrita, não refletida)”.

Para o crítico, a produção do artista nos últimos anos está repleta desses tipos de espelhos que não refletem o mundo, mas que marcam um lugar preciso no centro de muitas de suas pinturas. “Produzindo essas obras que se situam entre a afirmação do fazer pictórico e a presença de signos provenientes daquele mar de imagens tornado, em definitivo, a nossa nova primeira natureza, Dunley parece encontrar nesses espelhos cegos que produz a última fortaleza, ou a última lanterna a servi-lhe de guia para não submergir em definitivo”.

Bruno Dunley (n. 1984, Petrópolis, Brasil) vive e trabalha em São Paulo. Dunley formou-se bacharel em Artes Visuais pela Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, e bacharel em Fotografia pelo SENAC, na mesma cidade. Por seu envolvimento com o Grupo 2000e8, desenvolveu um pensamento crítico acerca da trajetória da pintura no mundo contemporâneo. Desde 2008, a principal corrente de sua prática diz respeito à pintura. Seus trabalhos partem de imagens encontradas e de uma análise da natureza da pintura na qual códigos linguísticos, como o gesto, o plano, a superfície e a representação, são compreendidos como um alfabeto, um vocabulário compartilhado. Recentemente, sua prática voltou-se à abstração gestual, sem, no entanto, deixar de lado a representação de objetos do cotidiano. Dunley afirma: “Há uma variedade visual nos trabalhos mais recentes. Há uma mudança fundamental na função da imagem, uma descrença numa forma única de representação, uma descrença na afirmação da unicidade no corpo de sua obra e da sua identidade por um estilo – uma repetição visual fortemente demarcada. Ao invés de articular o modo de fazer as coisas, os tipos de visibilidade e a reflexão sobre as relações entre eles, isso implica a construção de um efetivo que sustenta e afirma a obra”. Há sempre uma só cor predominante na superfície de suas telas, o que sugere uma linguagem visual minimalista e confere um ar meditativo a algumas de suas pinturas, ao mesmo tempo em que revela lacunas na continuidade aparente da percepção. Algumas de suas individuais mais recentes foram: (incluir expo GNR NY), Ruído (Galeria Nara Roesler, São Paulo, Brasil, 2016), No lugar em que já estamos (Galeria Nara Roesler, São Paulo, Brasil, 2014); e (Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo, Brasil, 2013) e Bruno Dunley (11 Bis, Paris, France, 2012). Também participou recentemente das coletivas Os primeiros 10 anos (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil, 2011); Assim é se lhe parece (Paço das Artes, São Paulo, Brasil, 2011); e Paralela 2010 (Liceu de Artes e Ofícios, São Paulo, Brasil, 2010).

Posted by Patricia Canetti at 10:37 AM

maio 28, 2018

Antonio Sobral no Saracura, Rio de Janeiro

Na quarta-feira (6/6), o espaço SARACVRA e a Residência Artística São João convidam o público a participar da abertura de Pulsa, significante, exposição “individual coletiva” de Antonio Sobral com translocução de Michelle Sommer. A inauguração acontece a partir das 19h e é aberta a todos. A mostra segue em cartaz até 7/7 e reúne um conjunto inédito de obras de Sobral e artistas parceiros. Ao longo do mês, novos trabalhos desenvolvidos a partir de encontros com os visitantes também serão incorporados ao espaço expositivo, expandindo a horizontalidade de autoria.

“Busco o impulso da pulsão, algo inconsciente que nos move, o lado primitivo do sentimento. ‘Significante’ remete à linguagem, ao que construímos para lidar com a essência, com o significado. No cerne da exposição, está o embate entre pulsar e construir significado”, explica o Sobral. Alinhada à visão de Hélio Oiticica, a proposta reitera que o experimental não se define: ele está na própria concreção da invenção. Assim, Pulsa, significante articula impulsos entre agentes múltiplos - artista, curadoria e visitantes - em uma cosmogonia de ações que configuram uma exposição-programa.

“A oferta é em direção à vivência do e no espaço compartilhado, onde o contemplativo torna-se uso ativado por estados de presença”, observa Michelle Sommer. “Optamos por uma mudança terminológica de curadoria para translocução, considerando a construção de outros significados para a prática curatorial. O acompanhamento crítico assume a busca por configurações abertas e horizontais; abdicando de autorias nomeáveis, verticais ou impositivas, em prol de criações colaborativas na prática”, diz.

A EXPOSIÇÃO

Pulsa, significante ocupa três andares do SARACVRA, propondo um percurso entre obras expostas e espaços que podem ser ativados pelo público e pelos artistas convidados da exposição. No térreo, há um espaço de convívio dedicado à alimentação, com cozinha e mercearia de produtos orgânicos e artesanais. Entre o térreo e o primeiro andar, ouvem-se sons que o artista gravou em rituais xamânicos que organizou.

No primeiro andar, há uma biblioteca com edições de Sobral e da Deep editora, além de uma parede que abriga dez cadernos de desenho do artista. Mais 40 desenhos em pequenos formatos estão expostos em outra parede. Uma televisão exibe uma série de curtas documentários sobre a Residência São João. No fundo deste andar, um espaço de cinema exibe "Tempo Gravido", filme experimental de 27 minutos. "Compõe-se de um diário filmado em super8, que busca o sentimento de estar no mundo", conta Sobral.

No andar superior estão expostas pinturas em formatos médio e grande, imagens abstratas com cores vivas, onde o gesto é aparente. Há ainda um ateliê de desenho, que será ocupado pelo artista, por visitantes e por convidados da exposição, com uma parede dedicada aos trabalhos que forem surgindo durante o período expositivo. No terraço está a Sala do Afeto, espaço reservado para a troca de afeto, tranquilidade e relaxamento. Isolado por um cortinado de bambus, abriga colchões cor de rosa, um lava-pés e óleos de massagem.

“Os trabalhos expostos foram produzidos nos últimos quatro anos. O processo começou com uma viagem de um ano, comecei a escrever ‘Vitrais’, um livro de poesia, e a rodar o filme ‘Tempo gravido’. Após esse ano nômade, instalei-me na fazenda São João, nas montanhas do Rio, onde produzi as pinturas”, relata Sobral.

A RESIDÊNCIA ARTÍSTICA SÃO JOÃO

A fazenda São João data de 1853, segunda época de expansão do café, e conta com um solar de grande importância histórica. Abriga a residência artística São João desde 2011, tendo recebido cerca de cem artistas, de diversos países e de todas as regiões brasileiras. Vem formando assim um acervo de arte contemporânea que se junta ao acervo de livros e gravuras históricas presente no local. A residência foca em imersão criativa e experimentação, gerando uma produção abundante e parcerias duradouras. A exposição Pulsa, significante recebe uma série de convidados que passaram pela residência, como Alexandre Furcolin, Marina Marchesan, Isadora Brant, Marília Loureiro, Mariana Bley, Alexandre Gwaz, Ricardo Mansur, Alexandre Fenerich, Gabriela Monnerat, Rodrigo Amin, Letícia Naveira, Laura Zimmerman, Carol Medeiros e Maurício Mattos.

O ARTISTA

Antonio Sobral cresceu no Rio de Janeiro. Frequentou a EAV Parque Lage durante 13 anos. Trabalhou no ateliê de Rubens Gerchman e foi assistente de Adriana Varejão. Estudou cinema experimental na Sorbonne, em Paris. Realizou exposições individuais na galeria Avalancha (Buenos Aires), galeria D-concept (São Paulo) e Neon Chocolate Gallery (Berlim), além de coletivas na Dumbo Arts Center (Nova York) e galeria Yapeyu (Buenos Aires). Participou de feiras internacionais de edição independente com seus livros de artista e trabalhou como curador independente no espaço Pony Royal, em Berlim. É o criador da Residência São João e da Deep editora, situadas na fazenda ecológica São João, na região serrana do Rio. Pulsa, significante é sua primeira individual na cidade onde cresceu.

A INTERLOCUTORA

Michelle Sommer atua no ensino, pesquisa, crítica e curadoria de artes visuais. Em 2017, foi co-curadora da exposição Mário Pedrosa: de la naturaleza afectiva de la forma no Museu Reina Sofía (Madri), que obteve o prêmio destaque da Associação Brasileira de Crítica de Arte. É doutora em História, Teoria e Crítica de Arte pela UFRGS com estágio doutoral junto à University of the Arts London na área de estudos expositivos. Mestre em Planejamento Urbano e Regional, arquiteta e urbanista, é autora dos livros Práticas Contemporâneas do Mover-se (2015) e Territorialidade Negra: a herança africana em Porto Alegre, uma abordagem sócio-espacial (2011).

O ESPAÇO

SARACVRA é um espaço de arte independente fundado em 2016 por Bianca Bernardo, César Jordão e Paula Borghi. Reúne artistas, educadores, arquitetos, curadores, pesquisadores, produtores independentes, professores universitários, vizinhos e público espontâneo. Localizado em um antigo sobrado na zona portuária do Rio, integra um conjunto histórico edificado entre 1900 e 1906, ocupando a franja entre o morro da Providência e o mar.

PROGRAMAÇÃO

6/6 (19h) - Abertura com estreia de "Tempo gravido" e jam session do grupo "Escoria do basalto" com videomapping por Mari Bley.

9/6 (17h) - Encontro de desenho capitaneado por Alexandre Furcolin e ONZE, simultâneo a jam session do projeto "Ruído". Tarot na sala do Afeto com Nadam Guerra.

23/6 (17h) - lançamento de zine por Marina Marchesan. Intervenções de Marilia Loureiro e Isadora Brant.

7/7 (17h) - Encerramento. Festa com os Djs Captain Tony e Amandona.

Posted by Patricia Canetti at 11:55 AM

Marcellvs L. na Luisa Strina, São Paulo

A Galeria Luisa Strina tem o prazer de anunciar a terceira exposição individual de Marcellvs L., Ontologia Lenta. O artista apresenta instalação homônima composta de três canais de vídeo sincronizados com quatro de áudio, além de uma nova composição sonora e gravações de campo. ­A instalação será apresentada a cada hora e é recomendável assisti-la desde o princípio.

A ontologia é o estudo do ser e da presença, que, desde os pré-socráticos, diferencia a esfera do Ser da esfera do Nada. “Ser e Nada, presença e ausência são categorias fundamentais da ontologia. ­A filosofia do século XX, na sequência de Nietzsche, articulou-se como uma filosofia crítica da metafísica, questionando a ontologia. A desconstrução que Derrida fez da metafísica logocêntrica é a desconstrução da correlata ontologia da substância e do sujeito. Ela se dá através da junção das categorias da presença e da ausência. Presença sempre é, também, ausência”, segundo Marcus Steinweg. Em outras palavras, a ausência seria a presença ausente e vice-versa. Com a derrocada da metafísica e da ontologia – que vigoraram da Grécia à modernidade – a categoria do desaparecimento torna-se central. A filosofia contemporânea aborda um espaço espectral, lugar de indecisão entre o Ser e o Nada. “É a zona fantasmagórica de uma instabilidade ontológica generalizada”, define Steinweg.

Ontologia Lenta foi gravado em canais entre Birmingham e Manchester, na Inglaterra. Durante a Revolução Industrial inglesa, os canais desempenharam papel fundamental na emergência do capitalismo moderno. Com o passar dos anos, sua função foi alterando-se e atualmente os canais funcionam como espaço recreacional. Nesse complexo e ultra codificado ambiente, o trabalho insiste numa instabilidade ontológica dessa realidade, não – pelo menos não em primeiro lugar – de uma perspectiva sócio-política, mas do ponto de vista de uma ontologia lenta.

Por que lenta? Porque o trabalho tenta precisar uma infinitesimal oscilação da realidade entre estabilidade e instabilidade, observando-a tão próxima quanto possível. Por que Ontologia? Porque o trabalho fala do estatuto do ser das coisas, da mudança enquanto ciclo repetido indefinidamente, integrando devir e permanência. Algo que muda ao longo de sua duração, algo que perdura através da mudança.

Recentemente o trabalho de Marcellvs L. pôde ser visto em exposições tais como Ensaio de Tração, Estação Pinacoteca (São Paulo, 2017); Resister, reexistir, Associação Cultural Videobrasil (São Paulo, 2017); For the Love of Philosophy, BQ (Berlim, 2017); Por aqui tudo é novo…, Instituto Inhotim (Brumadinho, 2016); Zeitgeist – A arte da nova Berlim, CCBB (Brasília, 2016, Rio de Janeiro, 2016 e Belo Horizonte, 2015); Weltsichten – Landschaft in der Kunst seit dem 15. Jahrhundert, Situation Kunst (Bochum, 2016); Soft Power, Kunsthal KAdE (Amersfoort, 2016); Imagine Brazil, DHC/ART (Montreal, 2015), Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, 2015), Musée d’ art contemporain de Lyon (Lyon, 2014), Astrup Fearnley Museet (Oslo, 2013); Singularidades/Anotações – Rumos Artes Visuais 1988-2013, Paço Imperial (Rio de Janeiro, 2015), Palácio das Artes (Belo Horizonte, 2015), Itaú Cultural (São Paulo, 2014); Here There (Huna Hunak), QM Gallery Al Riwaq (Doha, 2014); Ró Ró, Skaftfell – Center For Visual Art (Seyðisfjörður, 2014); Panoramas do Sul – 18ª edição do Videobrasil (São Paulo, 2013).

Seu trabalho é parte das seguintes coleções: Centre Georges Pompidou, França; San Francisco Museum of Modern Art (SFMOMA), EUA; Instituto Inhotim, Brasil; Situation Kunst (für Max Imdahl), Bochum, Alemanha; Museumslandschaft Hessen, Kassel, Alemanha; Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil.

Posted by Patricia Canetti at 11:14 AM

maio 24, 2018

Modernos 10, Destaques da Coleção + 10 Contemporâneos na Roberto Marinho, Rio de Janeiro

Casa onde viveu o empresário carioca é transformada em espaço cultural e sua coleção, especializada em modernismo brasileiro, é apresentada ao público

Abrem-se os portões do nº 1105 da Rua Cosme Velho e revela-se a casa rosa neocolonial de 1939, que teve por referência o Solar de Megaípe, construção pernambucana do século XVII. O jardim, orginalmente projetado por Burle Marx, com espécies da flora tropical, é um prolongamento da Floresta da Tijuca. Nele, o visitante encontrará obras dos artistas Ascânio MMM, Bruno Giorgi, Carlos Vergara, Maria Martins e Raul Mourão. Há ainda uma obra de Beth Jobim. Ali, o jornalista Roberto Marinho viveu entre os anos 1943 e 2003.

A partir do dia 28 de abril de 2018, a casa será aberta ao público em sua nova função de espaço cultural.

A inauguração da Casa Roberto Marinho – dirigida pelo arquiteto, antropólogo e curador Lauro Cavalcanti – será sábado, dia 28/04, a partir do meio-dia, com a exposição Modernos 10, Destaques da Coleção. A mostra, com 124 obras da Coleção Roberto Marinho, ocupará todo o andar superior da casa principal, reunindo dez expoentes do modernismo brasileiro dos anos 1930 e 1940: Tarsila do Amaral, Lasar Segall, Cândido Portinari, José Pancetti, Ismael Nery, Alberto Guignard, Djanira, Di Cavalcanti, Milton Dacosta e Burle Marx.

O novo instituto cultural, com arquitetura projetada por Glauco Campello, acrescentou ao terreno de mais de 10 mil metros quadrados, os prédios de reserva técnica e espaço educativo. Foi concebido para promover o conhecimento através da Arte e da Educação e para transformar-se num centro ativo de referência e pesquisa em modernismo. Sem fins lucrativos, a instituição foi integralmente criada com recursos próprios da família, de forma independente, sem qualquer incentivo ou lei de isenção fiscal.

Na Casa Roberto Marinho serão organizadas duas grandes exposições anuais, partindo do acervo focado em Modernismo e Abstração Informal. Com mais de 1.200m² de área expositiva, o projeto conta ainda com sala de cinema (com acessibilidade e capacidade para até 34 pessoas), além de cafeteria e uma unidade da Pinakotheke, livraria especializada em publicações de arte.

A proposta de educação não seriada, através de cursos e oficinas destinados a grupos de escolas, universidades, professores e ao público em geral, será focada na modernização da arte e da sociedade brasileira no século XX.

Para a inauguração, a mostra paralela 10 Contemporâneos ocupa o andar térreo e revela a intenção do projeto curatorial de dialogar permanentemente com a produção artística atual. Os artistas Anna Bella Geiger, Carlos Vergara, Daniel Senise, José Bechara, Lena Bergstein, Luiz Áquila, Luiz Zerbini, Malu Fatorelli, Roberto Magalhães e Wanda Pimentel foram convidados a criar gravuras em torno da temática “casa”, para homenagear o novo espaço no Cosme Velho. Vale destacar ainda, no andar térreo, a belíssima escultura de Frans Krajcberg e trabalhos de Cristina Canale, Luiz Zerbini e Orlando Mollica, que homenageiam a paisagem carioca, ao lado de litogravuras de Jean-Baptiste Debret.

A construção da casa teve início em 1939, mesmo ano em que o jovem jornalista passou a investir nos artistas de sua geração. À época, Di Cavalcanti, Portinari, Tarsila, Malfatti e Pancetti eram pintores que assumiam o Brasil como tema, integrando o amplo movimento cultural que transformou a linguagem artística do país.

O acervo reunido ao longo de seis décadas recebeu trabalhos de estrangeiros, como Chagall e Vieira da Silva, sem perder o foco original. Aquisições representativas do Abstracionismo Informal (das décadas de 50 e 60), como Antonio Bandeira, Iberê Camargo, Manabu Mabe e Tomie Ohtake, destacam-se no belíssimo conjunto de 1473 peças cadastradas, que inclui pinturas, esculturas, gravuras e desenhos.

Movido pelo amor à arte e pela crença no talento dos nossos artistas, Roberto Marinho costumava adquirir obras diretamente dos pintores e escultores que considerava promissores ou pela emoção que os trabalhos lhe provocavam. Frequentador assíduo de bienais e salões, galerias e ateliês, não raro adquiria quadros e esculturas para ajudar artistas em dificuldades.

“Foram muitas as histórias que ouvimos do nosso pai sobre sua amizade com Pancetti e as recepções organizadas no Cosme Velho para apresentar suas obras; as visitas ao ateliê de Portinari e o processo de criação de muitos dos seus quadros; as tintas enviadas a Guignard para que não poupasse cores nas suas telas...”, relembram Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto, no texto de apresentação da mostra de abertura, Modernos 10.

Ainda sobre a exposição Modernos 10

Distribuídos nos espaços do primeiro andar, grupos individuais aludem a uma das características do colecionador: a de, após escolher uma obra, procurar reunir, ao longo do tempo, conjuntos de trabalhos do mesmo artista.

A seleção de Roberto Marinho obedeceu a seu gosto pessoal e foi dirigida, em sua maioria, a companheiros de geração, de vários matizes ideológicos, com anseio comum da formação de uma nova mentalidade na arte, pessoas e país. Amigo de Pancetti e Portinari, então jovens promissores, não era inusual receber a visita deles e de outros artistas no escritório ou em reuniões no Cosme Velho.

Nas palavras do curador, “este acervo nos permite um olhar mais denso sobre a produção dos anos 1930/1940, período precipitadamente descrito como ‘cristalização pictórica’ ou ‘mero exercício de um modernismo tardio’, muitas vezes subestimado frente aos valorizados avanços dos anos 1920 e 1950. Nossa era convida a revisões de muitos julgamentos e esta exposição é uma excelente oportunidade de redescoberta e avaliação desses dez magníficos artistas”.

Sobre o curador

Lauro Cavalcanti nasceu em 1954, vive e trabalha no Rio de Janeiro. É arquiteto, antropólogo, curador de exposições e escritor. Autor de vários livros sobre arquitetura, estética e sociedade, além de inúmeras mostras de artes plásticas realizadas no Brasil e no exterior. Foi diretor do Paço Imperial de 1992 a 2014. É professor da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI/UERJ) e desde 2014 é o diretor-executivo do Instituto Casa Roberto Marinho.

Posted by Patricia Canetti at 4:49 PM

Derlon na Artur Fidalgo, Rio de Janeiro

Derlon é artista autodidata, natural de Recife-PE iniciou suas primeiras experimentações nas artes ainda adolescente quando despertou o interesse pelo graffiti e a arte urbana em geral. Sob forte influência da estética da xilogravura popular encontrou sua principal base na pesquisa de uma identidade visual forte e impactante.

Foi convidado para participar do 47˚ Salão de Artes Plasticas de Pernambuco para desenvolver uma exposição junto com o grande gravurista Gilvan Samico em 2008. Realizou a primeira individual na Artur Fidalgo galeria, 2011. Logo depois começou a viajar pela Europa produzindo diversos murais em fachadas de prédios como em Amsterdam, 2012, Lisboa, 2012, Newcastle, 2013, Nantes e Paris, 2014 e Londres, 2016. Recentemente produziu um painel permanente dentro da Embaixada do Brasil em Londres.

Nesta atual exposição, O Reinado da Lua, o diálogo entre o Sol, a Lua e a Terra é o mote da sua pesquisa criando um ambiente pictórico na relação desses três personagens tendo a Lua como protagonista. O resultado são obras bastante gráficas que misturam um pouco de astronomia com liberdade poética.

Dentro da galeria, 10 pinturas e uma pequena instalação farão a harmonia do espaço junto com um mural “pintura esboço” - todos os estudos e pesquisas que resultaram em diversos esboços e rascunhos sobre o tema serão refeitos na parede - assim o publico poderá ter acesso a riqueza da pesquisa do artista e entender melhor de como resultou as obras.

O especial fica por parte de uma grande instalação em parceria com a cenógrafa Gigi Barreto que abrigará a área externa da galeria.

Posted by Patricia Canetti at 12:44 PM

Ramsés Marçal na Amparo 60 Califórnia, Recife

A dor e a solidão causadas por uma perda pessoal foram combustíveis essenciais para a criação do mais novo trabalho do artista plástico pernambucano Ramsés Marçal. ContraPeso reúne fotografias, desenhos, esculturas, música e vídeos que retratam o vazio e o sofrimento vividos por ele em um período de sua vida logo após a morte do seu pai em 2015. A exposição do que foi produzido pode ser conferida, no Recife, a partir do próximo dia 2 de junho, na Galeria Amparo 60, que inicia o projeto Veraneio, cujo foco são exibições de artistas que não façam parte do seu casting.

Ramsés Marçal estudou na Florence Academy na Itália e na Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Atua entre artes plásticas e design. Como artista, participou de diversos grupos de pesquisa e, durante os quinze anos em que morou em São Paulo, manteve um ateliê coletivo de produção onde, junto com Miguel Sanches, criou o projeto 'Fogo', voltado para atuar conceitualmente na fronteira entre arte contemporânea e design. Sua última exposição, “Bursa”, aconteceu em São Paulo, em 2016, e foi promovida em parceria com a Galeria Emma Thomas.

Sobre a nova mostra, o artista explica: “Em 2017, morando um tempo no sertão de Pernambuco, na cidade de Floresta, onde desenvolvia um trabalho, comecei a formatar ContraPeso, em meio a solidão e a embriaguez de um ambiente árido e hostil; foi quando me aprofundei nas leituras e entrelinhas sobre a vida e a dor. ContraPeso começou então a se concretizar e a dialogar com as divergências entre Schopenhauer e Nietzsche acerca da dor e do niilismo”.

Os fragmentos de inspiração nos pensadores europeus encontrou, na análise do cineasta Hilton Lacerda, autor dos textos de apresentação, uma simbologia mais tropical. “Ramsés trouxe a filosofia alemã para decifrar seu ContraPeso. E tivemos poucas e boas conversas, e achei mais interessante manter-me embriagado que direcionado. Mas estava tudo ali. E me dei conta que faltava uma incômoda melancolia tropical. E foi aí que rapidamente os sururus de Graciliano Ramos saltaram da lama no entorno das palafitas; assim como João Cabral e sua educação. E choveu montes de possibilidades. E haja janelas e portas e vielas”.

E, neste cenário, são compostas algumas das obras da exposição. Ao todo são sete fotos grandes p&b em papel algodão, dois desenhos, uma escultura e quatro vídeos. Em um dos vídeos, feitos nas palafitas do bairro dos Coelhos, ele está dentro de uma pocilga sentado e vestido com uma máscara de papelão. Tem, sobre o peito, como uma espécie de colar, um coração bovino de um lado e uma pedra do outro. Os porcos que estão circulando começam a ficar agitados com a presença do artista.

Uma das obras mais emblemáticas da Exposição, a escultura ContraPeso, foi feita com suporte de madeira freijó, cabos de pesca misturados com couro na cor café, coração de couro e tecidos na cor café, costurados com linhas pretas de espessuras variadas.

A exposição contou com o incentivo da Dj LalaK, textos de Hilton Lacerda, vídeos de Marcelo Lacerda, fotografias de Chico Barros, trilha sonora original de Bernardo Vieira, divulgação de Lula Portela e produção de Camila Pereira e Germana Valadares.

Posted by Patricia Canetti at 11:53 AM

Mínimo, múltiplo, comum na Pina Estação, São Paulo

Mínimo, múltiplo, comum, nova exposição da Pina Estação, coloca em pauta as definições de arte moderna, popular e contemporânea

O recorte cronológico desta coletiva abrange quase 70 anos de produção pictórica no país

A Pinacoteca de São Paulo e a Secretaria do Estado da Cultura apresentam a exposição coletiva Mínimo, múltiplo, comum a partir de 19 de maio, no segundo andar do edifício da Pina Estação. A mostra reúne mais de uma centena de obras de seis artistas de gerações e círculos culturais diferentes: Amadeo Lorenzato (1900-1995), Chen Kong Fang (1931-2012), Eleonore Koch (1926), Marina Rheingantz (1983), Patricia Leite (1955) e Vânia Mignone (1967).

A exposição tem curadoria de José Augusto Ribeiro, Curador da Pinacoteca, e apresenta trabalhos caracterizados por figurações simples, planas e sintéticas, às vezes no limite da abstração. Essas imagens reproduzem, no geral, cenas de solidão – pelo isolamento de seres e objetos, ou pelos espaços vazios, sem presença humana. Realizados a partir de 1960, os trabalhos compreendem, juntos, quase sete décadas de produção pictórica no Brasil, desde a época das primeiras mostras de Koch, Fang e Lorenzato -- cujas produções foram confundidas com variações do “primitivismo” -- até hoje, momento no qual o circuito de arte contemporânea valoriza e acolhe, sem mediações, obras de artistas antes considerados “populares” e “ingênuos”.

“Muitas dessas obras continuam a ser tachadas de ‘ingênuas’, ou de ‘populares’, por conta de suas construções espaciais estiradas, paralelas ao plano bidimensional do suporte, sem uso da perspectiva; por conta de suas figuras sumarizadas ao essencial da representação e muitas vezes assimétricas; das composições descentradas e com equilíbrios tensos; aspectos que, de resto, descrevem qualidades fundamentais da pintura moderna, desde o final do século XIX, e que estão presentes, de maneiras bastante diversas, em obras relevantes de artistas em atividade nos últimos 20 anos”, comenta José Augusto Ribeiro.

As obras que compõem a mostra pertencem a mais de 60 coleções públicas e particulares de São Paulo e Belo Horizonte. Deste conjunto, sete estão sob a guarda da Pinacoteca, sendo seis de seu acervo (quatro trabalhos de Lorenzato, uma série de pinturas sobre xilogravuras de Vânia Mignone e a inédita “Gruta”, de Patricia Leite, recém-incorporada à coleção, por meio de doação do Iguatemi São Paulo), e uma pintura que integra a Coleção Nemirovsky, empréstimo de longa duração para a instituição desde 2006.

Mínimo, múltiplo, comum reúne cerca de vinte trabalhos de cada artista que a compõe, seleção realizada com o objetivo de formar um panorama representativo e abrangente dessas trajetórias. Esta é a primeira vez que uma instituição pública de São Paulo apresenta um conjunto tão significativo de obras de Amadeo Lorenzato – um artista que, em vida, realizou exposições apenas em Belo Horizonte, possuiu admiradores como o artista mineiro Amílcar de Castro e hoje é reconhecido nacional e internacionalmente. Também é a primeira vez que grupos importantes de obras de Chen Kong Fang (datadas a partir de 1994) e de Eleonore Koch (a partir de 2009) são apresentados ao público.

Integram a mostra também trabalhos inéditos de artistas brasileiras em atividade, como Vânia Mignone, que estará na próxima 33ª Bienal de São Paulo, e outras que tem se destacado no circuito internacional, como Patricia Leite, que recentemente ganhou uma mostra em Bruxelas (Bélgica), e Marina Rheingantz, que atualmente possui exposição individual em cartaz em Nova York.

Posted by Patricia Canetti at 11:23 AM

maio 23, 2018

Simon Evans no Fortes D'Aloia & Gabriel - Galpão, São Paulo

Fortes D’Aloia & Gabriel | Galpão apresenta Shopping Chão, terceira individual de Simon Evans™ no Brasil, duo colaborativo formado pelo britânico Simon Evans e pela norte-americana Sarah Lannan, que exibem cerca de quinze trabalhos inéditos.

Os trabalhos da dupla possuem uma linguagem única, caracterizada por elaboradas colagens com fragmentos de papel, textos e imagens, coletados a partir dos detritos da vida cotidiana, da prática do ateliê e por cidades que visitam. Frases curtas e poéticas alternam-se entre reproduções de objetos domésticos, cartões de crédito e passaportes, sempre marcados pelo sarcasmo e pela melancolia.

A instalação que dá título a exposição é inspirada no comércio informal de rua do Rio de Janeiro, cidade onde a dupla residiu nos últimos três meses. Na capital carioca, a prática comercial do “shopping chão” consiste em estender um tecido ou lençol na calçada e dispor sobre ele objetos das mais variadas naturezas e origens, frequentemente achados no lixo, a serem revendidos a preços módicos.

Simon Evans™ é a colaboração artística entre Simon Evans (1972) e Sarah Lannan (1984). Ambos vivem e trabalham em Nova York. Entre suas exposições individuais, destacam-se: Not Not Knocking On Heaven’s Door, Palais de Tokyo (Paris, França, 2016); Only Words Eaten By Experience, MOCA Cleveland (Cleveland, EUA, 2013); First We Make the Rules, Then We Break the Rules (Simon Evans & Öyvind Fahlström), Kunsthalle Düsseldorf (Düsseldorf, Alemanha, 2012) e Kunsthal Charlottenborg (Copenhague, Dinamarca, 2012); How to Be Alone When You Live with Someone, MUDAM (Luxemburgo, 2012); How to get about, Aspen Art Museum (Aspen, EUA, 2005). Entre as exposições coletivas, destacam-se as participações nas seguintes bienais: 12ª Bienal de Istambul (Turquia, 2011); 31º Panorama da Arte Brasileira, MAM (São Paulo, 2009); 27ª Bienal de São Paulo (2006); Bienal da Califórnia, OCMA (Newport Beach, EUA, 2004). Sua obra está presente em diversas coleções importantes, como Aspen Art Museum (Aspen, EUA), CIFO (Miami, EUA), Louisiana Museum of Modern Art (Humlebaek, Dinamarca), Miami Art Museum (Miami, USA), MUDAM (Luxemburgo), Philadelphia Museum of Art (Filadélfia, USA), SFMOMA (San Francisco, USA), entre outras.

Posted by Patricia Canetti at 9:42 AM

Jac Leirner na Fortes D'Aloia & Gabriel - Galeria, São Paulo

A Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar Adição, nova exposição de Jac Leirner. A mostra inclui esculturas de parede com embalagens de papéis de seda, uma instalação com pontas de cigarros de maconha e sequências fotográficas montadas sobre madeira. Compulsão e consumo, acúmulo e reorganização são temas e estratégias recorrentes na obra de Jac Leirner. Ela utiliza materiais próximos do seu cotidiano, em sua maioria descartáveis ou sem valor. Assim, se no passado a artista usou cigarros, cartões de visita, sacolas de museus, talheres e cobertores de aviões, aqui ela emprega a imagem e os materiais associados ao consumo de cocaína e maconha.

Nas imagens, pequenas pedras de cocaína são rodeadas por objetos pessoais como moedas, pinças e souvenirs. Jac fez as fotos em 2010 e as editou seis anos depois, formando narrativas cinemáticas que se encerram em capítulos independentes. As pequenas esculturas retratadas transfiguram-se em cone, cabeça, roda, esfera e coração até desaparecerem. A disposição horizontal dos trabalhos, sobrepostos em cinco linhas ao longo da Galeria, enfatiza essa vocação literária, ao mesmo tempo em que evidencia aspectos formais de cor e composição. Alguns objetos usados nas fotos retomam materiais previamente usados pela artista, ao passo que outros revelam um aspecto de intimidade absoluta, num grau máximo de justaposição entre vida e obra. About Men and Animals, por exemplo, cria uma história com objetos em miniatura, enquanto Macbeth faz referência direta à literatura. Oh Yes Yes, e Round Ones reúnem as imagens com moedas e cédulas de dinheiro. Landscape por sua vez, forma uma cena quase abstrata.

As esculturas de parede intercalam-se às sequências fotográficas e, de maneira análoga, lidam com a matéria residual do fumo. Freezing Flame, Sugar Baby, Statement, entre outros, são criadas com embalagens de seda para cigarro montadas sobre madeira. Essas obras tomam forma a partir do formato irregular das embalagens quando desmontadas e se organizam em composições cromáticas. A artista insere ainda níveis de precisão nos suportes, revelando o sentido de equilibro tão essencial a esses trabalhos.

As noções de consumo e acúmulo dos materiais ganham contornos arquitetônicos na obra The End. Ocupando o segunda andar da Galeria, cabos de aço dão estrutura a pontas de cigarros de maconha. A escultura se define por linhas que tensionam o espaço, alcançando o grau mínimo da matéria, sintetizada em seu menor elemento.

Na ocasião da abertura, a publicação Three White Nights será lançada no Brasil. O livro de artista, realizado em parceria com a designer holandesa Irma Boom, reúne todas as imagens da série fotográfica que integram a exposição.

Jac Leirner nasceu em São Paulo em 1961, onde vive e trabalha. Entre suas exposições individuais recentes em instituições, destacam-se: Institutional Ghost, IMMA (Dublin, 2017); Add it up, The Fruitmarket Gallery (Edimburgo, 2017); Borders are drawn by hand, MoCA Shanghai (Xanghai, 2016); Funciones de una variable, Museo Tamayo (Cidade do México, 2014); Pesos y Medidas, CAAM (Las Palmas de Gran Canaria, Espanha, 2014), Hardware Seda – Hardware Silk, Yale School of Art (New Haven, 2012); Jac Leirner, Estação Pinacoteca (São Paulo, 2011). Seu extenso currículo de exposições inclui ainda participações em: Bienal de Sharjah (2015), Bienal de Istambul (2011), Bienal de Veneza (1997 e 1990), Documenta de Kassel (1992), Bienal de São Paulo (1989 e 1983). Sua obra está presente em diversas coleções importantes ao redor do mundo, como: Tate Modern (Londres), MoMA (Nova York), Guggenheim (Nova York), MOCA (Los Angeles), Carnegie Museum of Art (Pittsburgh, EUA), MAM (São Paulo), Pinacoteca do Estado de São Paulo (São Paulo), Museo Reina Sofía (Madri), entre outras.

Posted by Patricia Canetti at 9:08 AM

maio 22, 2018

Guilherme Peters + Marcelo Moscheta na Vermelho, São Paulo

A Vermelho apresenta A História Natural e Outras Ruínas, a segunda exposição individual de Marcelo Moscheta na galeria. O artista apresenta desenhos, esculturas, colagens e vídeos que investigam as relações entre natureza e construção humana.

Na Sala Antonio de projeção, a Vermelho apresenta o Tentativa de aspirar ao grande labirinto, animação de Guilherme Peters.

Em A História Natural e Outras Ruínas, Marcelo Moscheta observa as transformações na paisagem natural, sejam feitas pelo homem, por ele mesmo enquanto agente, ou por processos naturais de erosão e sedimentação. O artista apresenta obras realizadas em diferentes técnicas que dão à essas metamorfoses caráter monumental ou iconográfico. Ao justapor de maneira proporcional o homem e a natureza como motivadores dessas transformações, Moscheta humaniza a natureza, aproximando-a de um espírito personalizado.

Na sala principal da galeria, dois processos se opõem: no chão, a obra Melancholia, 2018, se organiza como uma série de meteoritos fundidos em bronze que tomam o espaço, como se houvesse havido ali uma tormenta aonde detritos tivessem se partido na entrada da atmosfera, se espalhando e tomando conta do espaço. Na parede, A Grande Árvore, 2014/ 2018, é um desenho de grandes proporções que representa um tronco de um Cedro Vermelho em escala real. O desenho foi fracionado em partes emolduradas em madeira e teve partes de sua estrutura substituídas por chapas dessa mesma madeira processada. Vemos aí, diferentes momentos do processo de industrialização da natureza representados: a árvore, sua compartimentação e seu processamento para uso pela indústria, pela construção civil e pela arte. O trabalho em si repete esse movimento de processamentos. O desenho original foi feito para a Bienal de Vancouver, no Canadá, em 2014. Moscheta submete sua própria obra, ou criação, ao desígnio do progresso.

Essa fricção entre o impulso criador da natureza e os processos de arranjo do homem ficam evidentes em obras como O Tempo, 2018, e Ainda, 2018. Em ambas, páginas de enciclopédias tiveram trechos de seus textos apagados, dando sempre ao texto remanescentes um caráter diferente do tom cientifico original. São páginas que trazem imagens de uma natureza brutal, como erupções vulcânicas ou resíduos de materiais rochosos pós estrondos. De suas molduras, surgem acoplados a elas, plataformas que sustentam elementos processados a partir da natureza, como rochas basílicas ou corpos de prova (concreto). O texto de uma das imagens, justamente aquela aonde vemos a erupção vulcânica, permite ler apenas “E compreenderam também que nada - nem montanhas, rios, continentes ou mares - é eterno na Terra”. Outra passagem diz: “...alterou profundamente o conceito que o homem fazia de si mesmo, e a ideia que tinha de seu lugar no mundo.” A nova possibilidade poética dos escritos permite entendimentos diversos no lugar do tom analítico/ científico original.

A série que dá título à exposição, A História Natural e Outras Ruínas, 2018, é composta por fragmentos de uma enciclopédia dos anos 1970 que narra a formação da terra e o desenvolvimento da vida no planeta. Nomeados como capítulos (capítulo 1, capitulo 3, etc) os trabalhos se organizam em composições de partes da enciclopédia com fotografias em fotolitos de uma indústria mineradora e chapas de aço oxidado, cuja textura lembra aquela das paisagens de montanhas de brita da mineradora. Os títulos dos capítulos da enciclopédia, que aparecem de maneira bastante evidente nas composições, são sugestivos: “Evolução das espécies”, “A natureza domesticada”, “Um laboratório da evolução”.

A mesma mineradora aparece na primeira experiência de Moscheta com uma vídeo instalação, O engenho do mundo, 2018. Em uma sala negra, dois monitores exibem imagens dessa fricção entre os processos humanos e naturais. Em um deles, a mineradora e todos os seus processos de extração e produção de brita. No outro, um gêiser no deserto do Atacama mostra a produção de gases sendo expelida da terra. Os dois monitores são arranjados de tal maneira que os dois processos parecem sem completar, se opor e convergir um no outro.

Tentativa de Aspirar ao Grande Labirinto

A Vermelho e a Sala Antonio apresentam Tentativa de aspirar ao grande labirinto, vídeo de Guilherme Peters de 2013.

O uso da nomenclatura “tentativa” na obra de Guilherme Peters parte sempre de uma previsão de fracasso, seja histórico, estético ou político. Sem ressalvas, o artista usa nessas experiências o corpo como ferramenta para experimentar doutrinas, ideias e conceitos, incluindo o ser humano dentro de determinada perspectiva. Essa estratégia foi iniciada por Peters em performances e fotografias antes de ser aplicada ao vídeo.

Tentativas se relacionam com a ideia de tentação, ou de desejo veemente, de impulso. Partem de vontades de possuir ou alcançar determinada situação ou objeto. Para Peters, esses impulsos estão ligados a concepções superlativas de ideais

Em Tentativa de aspirar ao grande labirinto, Guilherme Peters escrutina um dos Metaesquemas de Helio Oiticica por meio de uma animação criada com ferramentas de desenvolvimento de desenho técnico para projetos de arquitetura em 3D. Na obra, Peters se apropria ainda do texto Brasil Diarréia, escrito por Oiticica em 1970, e incluso no seu livro Aspiro ao grande labirinto (1986). O texto aponta para a diluição dos elementos construtivos brasileiros em prol de uma “deglutição” de tudo aquilo que seria interno ou externo a cultura nacional.

No trabalho de Peters, uma reprodução de um Metaesquema é aos poucos transmutada em espaço, fazendo suas formas erguerem-se como construções e fazendo seus espaços brancos tornarem-se vias de circulação. A “câmera” trafega por essas vias, como em um passeio virtual por uma cidade geométrica. Para Oiticica, essas pinturas geométricas apresentavam o conflito entre o espaço pictórico e o espaço extra-pictórico, preparando a superação do quadro que viria a seguir em sua obra. O Texto de Hélio Oiticica critica um processo de diluição do "caráter" brasileiro e clama por uma posição crítica.

No audio, Peters tenta ler o texto de Oiticica, mas sua dislexia impede o andamento fluido e compreensivo da obra. Sua blesidade nos atrai e repele conforme acompanhamos o texto, em um misto de torcida para que o narrador chegue na próxima parte do texto ou para que pare, cessando a irritante repetição de erros.

Posted by Patricia Canetti at 3:11 PM

Projeto Latitude apoia 7 galerias brasileiras na arteBA 2018

Capital argentina promove sua 27ª tradicional feira de arte com -participação de galerias associadas ao projeto de internacionalização de arte brasileira da Associação Brasileira de Arte Contemporânea ABACT

A 27ª edição da tradicional feira de arte portenha arteBA contabiliza neste ano de 2018 400 artistas de mais de 80 galerias de 14 países, das quais sete são brasileiras: Galeria Athena Contemporânea, Baró Galeria, Casa Triângulo, Galeria Luisa Strina, Galeria Nara Roesler, Sé Galeria e Galeria Vermelho, todas elas participantes do Projeto Latitude, parceria entre a Associação Brasileira de Arte Contemporânea - ABACT e a Apex-Brasil - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, voltado à internacionalização do mercado brasileiro de arte contemporânea.

Organizada em torno das seções Principal, com 26 galerias; Stage IRSA, com 9 galerias; Cabinet GNV Group, com 17 galerias; U-Turn Project Rooms, com 14 galerias; Solo Show Zurich, com 9 galerias; e Barrio Joven, com 15 jovens galerias, a arteBA se consolida no mercado de arte latino-americano como uma das feiras de maior participação de galerias estrangeiras, cerca de 50% delas. Neste ano, a seção Principal teve como membros do Comitê de Seleção a argentina Ana María Battistozzi, a galerista argentina Orly Benzacar, a alemã Sabine Schmidt e o galerista brasileiro Eduardo Brandão, da Galeria Vermelho.

As galerias brasileiras participantes da feira, seus estandes e artistas estão na lista abaixo:

Galeria Athena Contemporânea. Ocupa o estande A2 e Stage IRSA. Participa da feira com obras dos artistas Joana Cesar, Lais Myrrha, Rodrigo Bivar e Vanderlei Lopes | www.athenacontemporanea.com

Baró Galeria. Estande E13. Participa com os artistas: Almandrade, Amanda Mei, Cristian Segura, Falves Silva, José Quinteros, Lourival Cuquinha, Maria Nepomuceno, Pablo Reinoso, Pablo Siquier, Paulo Nenflídio, Roberto Jacoby e Túlio Pinto | http://barogaleria.com/

Casa Triângulo. Estande B3. Leva os artistas Dario Escobar, Eduardo Berliner, Lucas Simões, Max Gómez-Canle e Sandra Cinto | www.casatriangulo.com

Galeria Luisa Strina. Estande SH7 na seção Solo Show Zurich, exibindo seleção de obras da artista Magdalena Jitrik | www.galerialuisatrina.com.br

Galeria Nara Roesler. Estande SH6 na seção Solo Show Zurich, exibindo obras de Eduardo Navarro | www.nararoesler.art

Sé Galeria. Estande BJ13 na seção Barrio Joven. Leva à feira obras dos artistas Rafael RG e Traplev | www.segaleria.com.br

Galeria Vermelho – Estande B6 e seção U-Turn Project Room, no estande PR10. Artistas representados na feira são: André Komatsu, Carla Zaccagnini, Cinthia Marcelle, Iván Argote, Marcelo Moscheta, Nicolás Bacal, Nicolás Robbio e Tania Candiani. O artista Marcelo Cidade, representado pela galeria, participa de coletiva no MACBA – Museu de Arte Contemporânea de Buenos Aires no período da feira | www.galeriavermelho.com.br

Latitude - Platform for Brazilian Art Galleries Abroad

É um programa desenvolvido por meio de uma parceria firmada entre a Associação Brasileira de Arte Contemporânea - ABACT, e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos - Apex-Brasil, para promover a internacionalização do mercado brasileiro de arte contemporânea. Criado em 2007, conta hoje com 50 galerias de arte do mercado primário, localizadas em sete estados brasileiros e Distrito Federal, que representam mais de 1000 artistas contemporâneos. Seu objetivo é criar oportunidades de negócios de arte no exterior, fundamentalmente através de ações de capacitação, apoio à inserção internacional e promoção comercial e cultural.

Histórico

Nestes dez anos de atuação, o número de empresas participantes do Latitude cresceu de 5 para 50, contando com as galerias mais profissionalizadas do Brasil. Para atender ao influxo de novas galerias associadas, muitas delas iniciando seu processo de internacionalização, as ações desenvolvidas diversificaram-se e se tornaram mais complexas, por isso são oferecidas às galerias participantes um sofisticado programa de mais de 7 modalidades de ações.

O volume das exportações das galerias do projeto Latitude vem crescendo significativamente. Em 2007 foram exportados US$ 6 milhões, e em 2015 atingiu-se um pico de quase US$ 70 milhões, quantia quase duas vezes maior àquela de 2014. As galerias Latitude foram responsáveis por 41% do volume total das exportações do setor em 2016.

Desde abril de 2011, quando a ABACT assume o convênio com a Apex-Brasil, foram realizadas 48 ações em mais de 26 diferentes feiras internacionais, com aproximadamente 300 apoios concedidos a galerias Latitude. Neste mesmo período, foram trazidos ao Brasil aproximadamente 200 convidados internacionais, entre curadores, colecionadores e profissionais do mercado, em 20 edições de Art Immersion Trips. Além dessas ações, o Latitude realizou cinco edições de sua Pesquisa Setorial, com dados anuais sobre o mercado primário de arte contemporânea brasileira.

Serviço

34°61’S
arteBA - Feria de Arte Contemporáneo de Buenos Aires
La Rural - Avenida Sarmiento 2704
Pabellones Azul y Verde
Abertura oficial: 23 de maio, quarta-feira, às 18 horas
Visitação: de 24 a 27 de maio de 2018, das 14 às 21 horas

Posted by Patricia Canetti at 12:00 PM

André Parente na Jaqueline Martins, São Paulo

Música de Vinícius de Moraes e Toquinho dá voz às 19 obras selecionadas e empresta título: Kabuletê. Na Tonga da Mironga

A partir de uma seleção de 19 trabalhos feitos desde o final dos anos 1970 até hoje, a mostra Kabuletê. Na Tonga da Mironga é a primeira individual de André Parente na Galeria Jaqueline Martins. O artista vem utilizando meios variados em sua obra: filme, vídeo, instalação, fotografia, monotipias, pasteis, desenhos, objetos e assemblages. Nos anos 2000 André Parente tornou-se mais conhecido pela criação de dispositivos e instalações audiovisuais interativas e imersivas de grandes dimensões como Figuras na Paisagem, Circulado, Trilhos Urbanos, O Vento Sopra Onde Quer, Contorno, Estereoscopia e Entre Margens. Recentemente, o artista vem se dedicando a trabalhos de cunho político.

Em “Kabuletê”, ele procura explorar alguns problemas que atravessam todo o seu trabalho - o corpo, a paisagem, a circularidade, a desaparição, a especularidade – e que muito frequentemente se inter-relacionam. “A música do Vinícius de Moraes e do Toquinho é como a voz e o espírito da exposição, razão pela qual me apropriei do título, transformando-o”, diz André Parente.

A obra do artista realiza diversas passagens entre o corpo, enquanto signo da circularidade do afeto, e a paisagem, enquanto rede simbólica que remete a um emaranhado de forças informativas – históricas, literárias e pictóricas. Na linha do corpo podemos citar O Homem do Braço e o Braço do Homem, Circulado, Mulher Maravilha, O Vento Sopra Onde Quer” e O Artista Quando Jovem. Já na linha da paisagem, temos Visorama (nas versões Paisagem Carioca e Situação Cinema), Belvedere, E la Nave Va, Nau, Paisagem n. 1 e Trilhos Urbanos.

Em uma terceira linha de trabalhos produz-se uma articulação entre o caminho do corpo e o da paisagem, formando uma conjunção ou via de mão dupla. É o caso de Dona Raimunda, Curto-Circuito, Entre-Margens, Estereoscopia, +2 e o mais atual Ilhas de Pedra. Mas é em trabalhos como A Bela e a Fera e Figuras na Paisagem que se opera uma síntese das passagens entre corpo e paisagem, o lado de dentro e o lado de fora se atravessam e confundem. De modo que “o corpo, enquanto lugar da voz interior, é invadido pela voz de um “outro” – voz que informa. E a paisagem, enquanto lado de fora, pode ser na realidade um estado de alma, invasão da circularidade do afeto” afirma.

A questão da circularidade está presente em toda a obra de André Parente, em particular nesta exposição: circularidades dos dispositivos próprios do cinema, circularidade dos dispositivos psicológicos, circularidades dos corpos em rotação de santos, guerreiros, visionários e mulheres maravilhas que giram sem cessar. Estas circularidades se reforçam e se multiplicam quando inseridas umas nas outras.

A questão da desaparição é outro tema forte da exposição. Ela está presente na luta de Dona Raimunda contra a desaparição de sua casa, no corpo do personagem indefinido que aparece e desaparece em A Bela e a Fera, no seqüestro dos símbolos republicanos ameaçados pela pilhagem do Estado brasileiro em Irreal e em Bandalha, na desaparição da pauta do caderno de Escola Sem Partido.

Sobre o título da exposição: “Eles forjam esta expressão, a partir de expressões derivadas de línguas africanas, como um desabafo e uma praga rogada contra os militares da ditadura: vou lhe rogar uma praga / eu vou é mandar vocês / pra tonga da mironga do kabuletê”, completa.

André Parente (www.andreparente.net) é artista e pesquisador da arte contemporânea, cinema e novas mídias. Em 1987 obtém o doutorado na Universidade de Paris 8 sob a orientação de Gilles Deleuze. Entre 1977 e 2018, realiza inúmeros vídeos, filmes, instalações, performances sonoras e objetos nos quais predominam a dimensão experimental e conceitual. Seus trabalhos foram apresentados em mais de uma centena de festivais, mostras, exposições no Brasil e no exterior (Alemanha, França, Espanha, Suécia, Espanha, México, Canadá, Argentina, Colômbia, China, entre muitos outros). É autor de vários livros: Imagem-máquina. A era das tecnologias do virtual (1993), Sobre o cinema do simulacro (1998), O virtual e o hipertextual (1999), Narrativa e modernidade (2000), Tramas da rede (2004), Cinema et narrativité (L’Harmattan, 2005), Preparações e tarefas (2007), Cinema em trânsito (2012), Cinemáticos (2013), Cinema/Deleuze (2013), Passagens entre Fotografia e Cinema na Arte Brasileira (2015), entre outros. Nos últimos anos obteve vários prêmios: Prêmio Rumos do Itaú Cultural, Prêmio Petrobrás de Novas Mídias, Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia, Prêmio Petrobrás de Memória das artes, Prêmio Oi Cultural, Prêmio da Caixa Cultural Brasília, Prêmio Funarte de Artes Visuais, Prêmio Oi Cultural, Prêmio Marc Ferrez.

Posted by Patricia Canetti at 11:23 AM

Cabelo realiza finissage em Luz com Trevas no BNDES, Rio de Janeiro

Na quinta-feira (24/5), às 16h, o Espaço Cultural BNDES e Rosa Melo Produções Artísticas convidam o público a participar da finissage de Luz com Trevas, exposição de Cabelo com curadoria de Lisette Lagnado quem tem sua visitação prorrogada até a sexta (25/5).

No evento de encerramento, será realizado um grande encontro com a participação do público para um bate-papo no qual o artista receberá convidados como Fred Coelho, pesquisador, ensaísta e professor de Literatura Brasileira e Artes Cênicas da PUC-Rio, e Slam das Minas, espaço de voz e acolhimento para as minas, monas e manas. O documentarista Emílio Domingos faz exibição do recém-lançado clip “Dali”, para faixa de Marcelo Yuka, que também estará presente. E na cadeira Ed Dúù Corte qualquer um poderá sair da mostra ostentando o corte do jaca, estilo originário da comunidade do Jacaré.

A ideia é reger um concerto conduzido pelo princípio da simultaneidade, e entrar em contato com o ritmo e a poesia (rap), provocando o corpo para absorver uma frequência vibratória. No encontro, Cabelo, convidados e público conversarão sobre assuntos que permeiam a estética do funk, contextualizando o universo dos artistas, passando pelo ritmo e a poesia, abordando ainda as expressões corporais das culturas funk e hip hop, os diversos grupos e movimentos de resistência, a cultura periférica e a música como veículo luta, o lugar de fala e a presença feminina na produção musical brasileira e sua representatividade no funk e no hip hop hoje, entre outros temas.

A EXPOSIÇÃO

“Luz com Trevas” é um rap de Cabelo, produzido por Kassin e Nave, e integra o disco Cabelo Cobra Coral, já em fase de gravação. O universo poético da música deflagrou propostas de ações coletivas e a produção de pequenos filmes e objetos como “ovos-bomba”. Segundo Lagnado, “o ovo-bomba retoma a teoria do não-objeto de Ferreira Gullar. Quando manipulado por artista e participantes, funciona como um coquetel Molotov, um bólide que atravessa a atmosfera de um espaço qualquer e instaura um ritmo novo, um compromisso com a potência da poesia. Luz com Trevas pode ser definida como uma anti-exposição.”

Durante a abertura da mostra foi lançada uma publicação bilíngue e ilustrada, contendo um pequeno ensaio de Lagnado e um glossário dos termos recorrentes que vêm acompanhando Cabelo ao longo de duas décadas. A curadora, responsável pelo convite feito a Cabelo em 1996 para participar da antológica mostra “Antarctica Artes com a Folha” (Pavilhão Manoel da Nóbrega, Parque Ibirapuera), traça linhas de discussão com suas referências e homenagens: David Medalla, Hélio Oiticica, Rogério Sganzerla, Tarsila do Amaral e Tunga, entre outros.

O ARTISTA

Em 1997, Cabelo foi um dos artistas brasileiros na Documenta X (com curadoria de Catherine David), prestigiada exposição internacional organizada a cada cinco anos na cidade de Kassel (Alemanha). Entre outras coletivas, destacam-se a Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2009), a Bienal de São Paulo (2004) e “How Latitudes Become Forms: Art in a Global Age” (Walker Art Center, Minneapolis, EUA, 2003).

Em muitas de suas obras, Cabelo utiliza a música, seja ela improvisada com um microfone ou com uma banda no palco de um teatro, transformando em raps poemas de Baudelaire ou Gerardo Melo Mourão. Também faz trilhas sonoras que integram instalações, como em Caixa Preta, com Paulo Vivacqua, misturando funks proibidões com as vozes de Glauber Rocha e Hélio Oiticica. Como compositor, tem músicas gravadas por Cidade Negra, Monobloco, Osvaldo Pereira, Ney Matogrosso e Pedro Luis e a Parede, entre outros. “Luz com Trevas” entre outras poderão ser ouvidas no site do artista: www.cabelo.etc.br/disco/

Posted by Patricia Canetti at 10:03 AM

maio 21, 2018

Paradoxo(s) da Arte Contemporânea no MAC USP, São Paulo

Resultado da parceria entre o Museu de Arte Contemporânea da USP e o Paço das Artes - Instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo -, a exposição Paradoxo(s) da Arte Contemporânea: diálogos entre os acervos do MAC USP e do Paço das Artes - com abertura no dia 26 de maio, a partir das 11 horas - apresenta um diálogo possível entre as instituições, com artistas que desenharam a história do Paço das Artes e que fazem parte do acervo do MAC USP. Como lembra Priscila Arantes, diretora artística e curadora do Paço das Artes, “por não possuir uma coleção de obras de arte, o acervo do Paço é constituído pela documentação e arquivo da instituição, refletindo os registros das exposições e ações culturais ali organizadas”. O trabalho de documentação, fundamental para a memória da arte contemporânea, também é uma das questões centrais para o MAC USP. “Nesse diálogo, procuramos cotejar e acompanhar artistas que fizeram a história do Paço e estão presentes no acervo do MAC USP”, diz Ana Magalhães, curadora do Museu de Arte Contemporânea.

A obra Paradoxo do santo, de Regina Silveira, é o ponto de partida para a curadoria de Ana Magalhães e Priscila Arantes. A instalação, que contrapõe a imagem popular de Santiago Apóstolo - patrono militar da Espanha e do Novo Mundo - à grande sombra distorcida e projetada do famoso monumento eqüestre dedicado a Duque de Caxias - patrono das forças armadas brasileiras - representa uma reflexão da artista sobre os conflitos de dominação da América Latina. O trabalho foi escolhido como fio condutor para a seleção dos demais artistas e para discutir as inquietações que ambas as instituições têm levantado no que diz respeito à produção contemporânea. A partir dessa instalação, do efeito da sombra e seus significados, outras obras de Regina Silveira foram selecionadas, discutindo questões como o museu, o território, o ativismo e a violência.

O museu e seu paradoxo são revisitados nas proposições de Fabiano Gonper, Felipe Cama e Antoni Muntadas, este último com a reativação da obra “Sobre a Subjetividade”, de 1978, em que o artista selecionou 50 imagens do livro “The Best of Life” (publicação de fotografias da revista norte-americana Life) e enviou por carta para diferentes pessoas solicitando uma sugestão de legenda para as mesmas. O território e seus conflitos emergem nas proposições de Gilbertto Prado, Rosângela Rennó, Alex Flemming, Nazareno Rodrigues e Giselle Beiguelman. Em “Cinema Lascado - Minhocão”, por exemplo, Giselle Beiguelman propõe ao espectador vivenciar escombros impossíveis como estar, simultaneamente, em cima e embaixo do viaduto paulistano.

O ativismo e as poéticas militantes estão presentes nos trabalhos de Eduardo Kac e Tadeu Jungle ao mesmo tempo em que a violência é inerente aos trabalhos de Thiago Honório, Fernando Piola e Hudinilson Jr. “Essas constelações não são núcleos ou temas rígidos na exposição, mas formam redes de contatos sobrepondo-se umas às outras. Não há uma disposição linear ou cronológica, mas um diálogo entre os artistas dentro desses paradoxos que a arte contemporânea propõe na atualidade”, descrevem as curadoras.

As parcerias entre o Paço das Artes e o MAC USP são de longa data, iniciadas ainda quando as instituições eram vizinhas dentro da Cidade Universitária até a saída das mesmas em 2016. Esta relação de cooperação, como ressaltada pelo diretor do MAC USP, Carlos Roberto F. Brandão, é de extrema relevância. “Assim como o Museu, o Paço é estimulador da produção contemporânea mais atual, com enorme atenção à preservação da memória dessa produção, e um enfoque especial nos debates sobre documentação, arquivamento e conservação da arte contemporânea.”, lembra.

Posted by Patricia Canetti at 4:15 PM

22º Cultura Inglesa Festival apresenta instalações artísticas que exploram o conceito de “espaço”

Os projetos foram escolhidos por meio de edital e ficam em cartaz no Centro Brasileiro Britânico de 26 de maio a 10 de junho

O Cultura Inglesa Festival apoia anualmente, por meio de seu Edital, projetos brasileiros de teatro, artes visuais e audiovisuais. Em 2018, as produções de artes visuais ocuparão o Centro Brasileiro Britânico de 26 de maio a 10 de junho. Entre instalações artísticas, recortes, memória e abstrações, três exposições compartilham a temática do espaço, o lugar físico que o corpo ocupa - seja ele o bairro, a cidade ou um lugar fictício - e a forma de nos relacionarmos com ele.

A obra Galeria dos Sussurros se inspira na obra do designer Paul Elliman para contar a história recente do bairro de Pinheiros. Conhecido por conectar tipografia e voz humana, o britânico se utiliza de formas de sinalização de áudio para mediar essa relação. Foi a partir desse conceito que a artista Mirella de Almeida Marino propôs o movimento de incrustar nas paredes do Centro Britânico as memórias de sua própria história.

Construído no final da década de 1990, o prédio do CBB acompanhou processos como o de gentrificação de Pinheiros, a implementação da “Operação Faria Lima” e a reconversão urbana do Largo da Batata - cuja trajetória serve como metonímia para o bairro. Assim como no trabalho de Elliman, Mirella usará áudios com depoimentos de frequentadores, lojistas e moradores para compor uma paisagem sonora, costurando sons do passado e do presente.

Na produção artística At Home | Em Casa, Flavia Mielnik e Lucy Joyce exploraram, juntas, as suas cidades de origem - São Paulo e Londres - com uma série de intervenções colaborativas. A relação com o espaço será investigada por meio do cruzamento dos códigos culturais, da linguagem e da geografia específicos de cada cidade, buscando elementos que fizeram destes espaços, suas casas. O trabalho exibido na exposição será o resultado da experiência construída pelas artistas em interlocução com a curadora britânica Holly Willats.

Duas peças semi-circulares para duzentos corpos tem como referência The Lost Ones, de Samuel Beckett. No conto, o dramaturgo irlandês descreve a vida de duzentas criaturas enclausuradas dentro de um cilindro, um ambiente completamente hostil ao corpo. Em uma construção escultórica e instalativa, o artista Jimson Vilela apresentará o espaço circular descrito na obra de Beckett através de um corte vertical dividindo sessão cilíndrica em dois semicírculos.

Recorrentes no trabalho de Jimson, livros em branco de diferentes formatos e tamanhos representarão os duzentos personagens que buscam uma possível saída deste lugar, e cujos corpos desejam reposicionar-se no espaço.

Para o jornalista Fábio Cypriano “a realização do Edital do Cultura Inglesa Festival é importante para o cenário artístico brasileiro, promovendo expoentes e relevantes obras. Na seleção deste ano vemos artistas não tão conhecidos, com obras potentes e sintonizadas com o que há de mais atual.”

Fábio é um dos curadores da categoria ao lado de um seleto grupo artístico que reúne Cláudia Marchetti, artista plástica; Julio Landmann, ex-presidente da Bienal Internacional de São Paulo; Marcelo Araújo, museólogo, ex-diretor da Pinacoteca de São Paulo e Martin Grossman, professor titular da ECA-USP, ex-vice-diretor do MAC (Museu de Arte Contemporânea).

A programação completa do 22º Cultura Inglesa Festival está disponível no site www.culturainglesasp.com.br/festival e no aplicativo Cultura Inglesa Festival, disponível para download gratuito na App Store e Google Play.

Posted by Patricia Canetti at 3:54 PM

Vicente de Mello na Lurixs, Rio de Janeiro

A LURIXS: Arte Contemporânea tem o prazer de apresentar a partir do dia 24 de maio, às 18h, até 24 de julho de 2018, a primeira exposição individual do fotógrafo Vicente de Mello, In Orbit.

A exposição, com curadoria de Ivo Mesquita, irá apresentar duas obras do artista: um conjunto de 09 fotogramas da série Lápidus e uma instalação, com as pedras que foram utilizadas na criação destes fotogramas.

A realização da série Lápidus consistiu na reunião de pedras da coleção do artista recolhidas em várias regiões do mundo, ao longo de 35 anos, e foram organizadas em composições oníricas, de forma a criar pequenas aglomerações que remetem a realidades de outro lugar, de outras matérias: os asteroides, que conhecemos por imagens oficiais criadas pelas agencias espaciais internacionais, que ilustram a representação dos grupos de asteroides. Vicente transformou uma iconografia universal, que são “meramente ilustrativa”, e outra iconografia, que traduz a criação transcendeste. O nome da exposição, In Orbit , é um jogo sonoro que remete a uma sensação etimológica e cientifica.

lapidário (la-pi-dá-rio) s. m. Artista que lapida pedras preciosas.

O colecionismo é ajuntar coisas favoritas sem motivo aparente, tornando-as especiais por causa de uma história pessoal, que ninguém mais conhece. Mas desde que essas histórias não são reveladas, o resultado é algo triste, contido - “Guardar perde-se a coisa à vista”, como diz o poeta Antônio Cicero.

Os Lápidus são fotogramas, imagens singulares pelo processo fotográfico realizado sem câmera e sem negativo, e consiste na simples impressões construídas pela velatura da luz direta que ocorre pelo contato de objetos sobre a superfície do papel fotográfico. Com a colocação das pedras sobre o papel fotográfico, a forma destas é conseguida pela obstrução da passagem da luz sobre a sua superfície, sem relevo e volumes, como um ”desenho” branco sobre o fundo negro, que é a emulsão queimada pela luz em laboratório, onde o papel revelado é o resultado final.

As pedras não se repetem. As mais sólidas não deixam refletir os seus contornos, enquanto a leveza e a imprevisibilidade ocorrem com as mais claras e transparentes. Lápidus foi realizado em dois momentos, o primeiro em 2014 com 13 fotogramas e o segundo em 2017, com 09 fotogramas.

Em um grande mesa, de 2,50 m de comprimento, estarão dispostas as pedras, na posição exata da composição dos fotogramas, recriando um modelo em escala 1:1.

Vicente de Mello nasceu em São Paulo, em 1967. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Formou-se em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e especializou-se em História da Arte e Arquitetura no Brasil, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC/RJ. Trabalhou no Departamento de Fotografia do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM-RJ, de 1989 à 1998. Têm sua pesquisa fotográfica, apresentada desde 1992.Expôs e pertence à acervos relevantes, como, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro; Espace Photographie Contretype, Bruxelas, Bélgica; Fondation Cartier pour l´art contemporain, Paris, França; Fundação DAROS, Zurique, Suíça;Itaú Cultural, São Paulo; Maison Européenne de la Photographie, Paris, França; MALBA, Buenos Aires, Argentina; Museu de Arte Contemporânea de São Paulo - MAC / USP; Museu de Arte de São Paulo - MASP - Coleção Pirelli; Museu de Arte Moderna Aluísio Magalhães, Recife; Museu de Arte Moderna de Brasília; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Pinacoteca do Estado de São Paulo; Coleção Gilberto Chateaubriand/MAM - RJ; Coleção Joaquim Paiva, Rio de Janeiro; Coleção José Olympio Pereira, São Paulo; Coleção José Roberto de Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto; Coleção Lhoist, Bruxelas, Bélgica; e SESC, São Paulo.

Posted by Patricia Canetti at 2:57 PM

Analívia Cordeiro no MAM, Rio de Janeiro

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugura no próximo dia 26 de maio de 2018, às 15h, a exposição Chutes Inesquecíveis, de Analívia Cordeiro, com curadoria de Fernando Cocchiarale. Analívia Cordeiro (São Paulo, 1954) apresenta, pela primeira vez no Rio de Janeiro, esculturas, desenhos e vídeos baseados nos estudos de movimento que desenvolve há mais de quatro décadas. A exposição explora três chutes inesquecíveis – a bicicleta e o voleio feitos por Pelé, em 1968; e o golpe yokogueri kekome executado por Bruce Lee, nos anos 1960 -, além de uma experiência ao vivo de seu sistema de captura de movimento com o público. Esses movimentos históricos foram decodificados em uma escrita, como uma partitura musical, desenvolvida a partir do software Nota-Anna, criado em 1982 pela artista e por Nilton Lobo.

“Nota-Anna é resultado de décadas de pesquisa na área de coreografia e pedagogia para adultos e crianças, acrescido de estudos teóricos na área de artes visuais, videoarte, anatomia, fisiologia, neurologia, análise do movimento”, explica Analívia Cordeiro.

As esculturas de Analívia Cordeiro são feitas em vários materiais, como resina transparente, poliamida nas cores branco, preto, vermelho, amarelo e azul, acrílico preto e branco, e latão e ouro. Serão mostrados ainda um conjunto de desenhos e os vídeos “Ar” (1985, 5' 49'), “Micron virtudes” (1992, 8' 54'') e “Trajetórias” (1985, 2' 24') e “M3x3” (1973, 9'26'), considerada a primeira obra de videoarte brasileira.

Analívia Cordeiro observa que até hoje “inexiste para a arte do movimento um sistema de registro que capte sua riqueza e transmita sua textura e poesia, enquanto que para a arte do som existe uma memória musical secular preservada através de notações eficientes, que vão desde a partitura tradicional até sistemas sofisticados de gravação que possibilitam a comunicação em inúmeras esferas humanas”. “O significado desta busca é visualizar as sutilezas e detalhes das ações humanas que revelam beleza e intenções nada óbvias. A proposta de uma notação de movimento é assim bastante ambiciosa”.

CAMPO EXPERIMENTAL

Fernando Cocchiarale destaca que o trabalho de Analívia Cordeiro “combina princípios da espacialidade planar concretista (apreendida por meio da convivência cotidiana com seu pai, Waldemar Cordeiro (1925-1973), um dos pioneiros da arte concreta nos anos 1950) com a sistematização da teoria de Laban (aprendida com Maria Duschenes)”, estudos da obra dos artistas Moholy-Nagi e Oskar Schlemmer da Bauhaus e estudos com Merce Cunningham em Nova York. Ele observa que antes havia uma “divisão da produção artística em artes do espaço (pintura, escultura, desenho e arquitetura) e artes do tempo (música, teatro e dança)”. Esta divisão “considerava a oposição entre a efemeridade destas últimas e a permanência objetual das artes plásticas”. Os trabalhos de Analívia Cordeiro estão dentro da pesquisa que busca “romper com a sequência dos atos de uma peça teatral, com a sucessão temporal de sons da música ou com movimentos corporais”. Para o curador, seus trabalhos têm um “sentido que ultrapassa a contemplação das qualidades formais quase abstratas das obras, para alcançar um campo experimental resultante da objetivação de fluxos do movimento em esculturas e desenhos inesquecíveis”. (ler texto do curador)

SOBRE ANALIVIA CORDEIRO

Bailarina, coreógrafa, videomaker, arquiteta e pesquisadora corporal. Formada no método Laban por Maria Duschenes (Brasil), em dança moderna americana pelos estúdios de Alvin Nikolais e Merce Cunningham (Nova York) e em Eutonia (Brasil). Cursou a faculdade arquitetura na FAU-USP, mestrado em multimeios na UNICAMP, doutorado em comunicação e semiótica na PUC-SP e pós-doutorado na UFRJ (mais informações em http://www.analivia.com.br). Para a realização de suas pesquisas recebeu os seguintes apoios: 1975 – Filmagem em S-8 da cerimônia ritual "Kwarùp" na tribo Kamaiurá no Parque Nacional do Xingu, com a montagem e edição patrocinadas pela FAPESP; 1980 – Bolsa de Auxílio à Pesquisa do CNPq para o processo da Notação-Trajetória por computador; 1994/96 – Bolsa de Mestrado pela FAPESP; 2001- Bolsa de Doutorado pela FAPESP. Uma das pioneiras mundial da “computer-dance” e da videoarte no Brasil (1973). Teve obras apresentadas em mostras como “International Festival of Edinburgh”, 1973; “XII Bienal de São Paulo”, 1973; "The Bat-Sheva Seminar on Interaction of Art and Science", Jerusalém, 1973 ; "LatinAmerica 74" no "Institute of Contemporary Arts", London, 1974; "LatinAmerican Films and Video Tapes" no "Media Study of State University of New York" (1974); "Arte de Sistemas in LatinAmerica" no "International Cultureel Centrum", Antuerpia, 1974; "Latin America 74" no "Espace Cardin", Paris e na "Galleria Civica D'Arte Moderna", Ferrara, 1975; "International Conference Computer & Humanities/2" na "University of Southern California, 1976; “WGBH – TV Public Channel”, 1976; “20th American Dance Guild Conference”, 1976; "Art of Space Era" no "Von Braun Civic Center of Huntsville Museum of Art", 1978; “Brasil Séc.XX” na ”Bienal de São Paulo”, 1984; “Arte e Tecnologia” no “Instituto Cultural Itaú”, 1996; “27th Annual Dance on Camera Festival”, New York, 1998; “Il Coreografo Elettronico”, Itália, 1999; “Seminário Internacional Invenção”, 1999; “Sawyers Seminar” na “University of Chicago”, 1999; “L’Ombra dei Maestri – Rudolf Laban: gli spazi della danza” na “Università degli Studi di Bologna”, 1999; “2001JavaOne” no “Moscone Center”, San Francisco; “ArtTecnologia” na TV Cultura, 2002; “2003JavaOne”, San Francisco; “Made in Brazil”, 2003/5; “Subversão dos Meios”, 2003; Dança em Pauta, 2005; “Cinético-Digital”, 2005; 2005NokiaTrends; Dança em Foco, 2006: MobilFest, 2007 Panorama da Video-Criação, 2007, Mostravídeo Subjetividades, 2007; “SIGGRAPH“, 2008; Bienal Mercosul, 2009; ‘liberdade... ‘, casa, Rio de Janeiro; Zonas de Contato, Paço das Artes, “Manuara” no MuBE, São Paulo, Brasil; feira de arte ARCO Madrid onde recebeu o prêmio BEEP de Arte Eletrônica, 2015; “Expanded Senses“, B3, Frankfurt, 2015; “Moving Images Contours“, Tabakalera, San Sebastian, Espanha, 2015; “The End of The World“, Centro Pecci, Itália, 2016, Radical Women, Hammer Museum (Los Angeles, 2017) e Brooklyn Museum (Nova York, 2018), Los Algoritmos Suaves, Valencia, Espanha, 2018. Criou vários vídeos, espetáculos multimídia, um software de notação de movimento, publicado no livro/vídeo: “Nota-Anna – uma notação eletrônica dos movimentos do corpo humano baseada no Método Laban” (editora Annablume/FAPESP), organizou o livro Waldemar Cordeiro: “Fantasia exata” (2014), Itaú cultural, de cuja coleção é curadora. Trabalhou como professora de dança moderna, do Método Laban e de Eutonia em escolas infantis, academias de dança e faculdades de psicologia (USP) e moda (Santa Marcelina). Dirigiu os grupos de danças folclóricas de “A Hebraica de São Paulo”. Dirigiu a Escola “Danças Analívia” (1980/2005). Seus trabalhos fazem parte do acervo de museus como Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Brasil; Museu de Arte Concreta, Ingolstadt, Alemanha; Museo Reina Sofia, Madri, Espanha; acervo do Prêmio BEEP de Arte Electronica, Madri, Espanha; acervo do artista Oskar Schlemmer, Alemanha/Suíça.

Posted by Patricia Canetti at 1:58 PM

maio 18, 2018

Corpo a Corpo no IMS, Rio de Janeiro

IMS Rio inaugura mostra Corpo a Corpo, coletiva que discute o papel da imagem na sociedade contemporânea

A exposição Corpo a Corpo: a disputa das imagens, da fotografia à transmissão ao vivo chega à sede carioca do IMS em 24 de março. A mostra apresenta a nova produção contemporânea em fotografia e vídeo e reúne trabalhos dos artistas Bárbara Wagner, Jonathas de Andrade, Sofia Borges, Letícia Ramos e dos coletivos Mídia Ninja e Garapa. As obras foram desenvolvidas em conjunto com o curador da exposição, Thyago Nogueira, coordenador da área de fotografia contemporânea do IMS e editor da revista ZUM.

Para montar a exposição, que inaugurou o IMS Paulista, os artistas foram convidados a produzir trabalhos que tratassem das questões sociais que emergiram no Brasil nos últimos anos. O mote da exposição é o uso do corpo como um instrumento de atuação social e política – seja pela presença física e simbólica nos espaços públicos, seja como campo de expressão da identidade.

Bárbara Wagner, brasiliense radicada no Recife, apresenta a obra À procura do 5º elemento, uma galeria da fama com alguns dos 300 garotos que participaram de um reality show para escolher o novo MC de uma famosa produtora de funk em São Paulo. Composto por 52 fotografias e um vídeo com as apresentações, o trabalho retrata uma geração acostumada às selfies e às redes sociais, que sabe usar a pose e a performance de palco para falar de seus anseios e ascender socialmente.

Música e performance também aparecem no curta-metragem Terremoto santo, dirigido por Bárbara Wagner em colaboração com o artista alemão Benjamin de Burca. No filme musical gravado em Pernambuco, jovens cantores de música gospel encenam videoclipes com suas próprias composições, revelando aspectos sociais, econômicos e estéticos da prática pentecostal.

O alagoano Jonathas de Andrade, também radicado no Recife, exibe a instalação Eu, mestiço, obra baseada em uma pesquisa sobre raça e classe realizada no Brasil, nos anos 1950, pela Universidade de Columbia em parceira com a UNESCO. Com estranha metodologia, a pesquisa usava fotografias de pessoas com diferentes tons de pele como base de um questionário que pretendia avaliar quem parecia mais bonito, rico ou inteligente, entre outros atributos. No novo trabalho, Jonathas retrata pessoas de várias partes do país para expor e discutir os clichês da fotografia antropológica e da publicidade. O título faz referência a Eu, um negro, obra-prima do cineasta Jean Rouch.

O coletivo Mídia Ninja apresenta #Ao vivo, um arquivo de 90 transmissões ao vivo, na íntegra, feitas entre 2013 e 2017. A obra também permite que os mídia-ativistas transmitam ao vivo, nas salas expositivas, tudo o que estiverem cobrindo no país naquele momento. As transmissões oferecem um novo vocabulário visual, feito de imagens pixelizadas, locuções improvisadas e de duração variada, constituindo uma verdadeira contribuição estética e política.

A paulista Sofia Borges mostra a instalação A máscara, o gesto e o papel, resultado de uma viagem feita a Brasília em fevereiro de 2017 para fotografar o Congresso Nacional. Os dez quadros da instalação são compostos por duas faces: de um lado, mostram fotos de bocas extraídas das pinturas de ex-presidentes do Senado; de outro, gestos fotografados durante as sessões legislativas. Uma corda sustenta toda a instalação, que trata da atividade política e do sistema de pesos e contrapesos que caracteriza os jogos de poder no Brasil e no mundo.

Em A resistência do corpo, a gaúcha Letícia Ramos, radicada em São Paulo, testa as reações de um corpo diante de atividades ligadas às manifestações de rua, como o arremesso de objetos, o impacto de jatos d’água e a comunicação por celulares. A obra mostra como as imagens – algumas quase abstratas – podem servir como forma de opressão real ou simbólica.

A exposição também exibe o livro Postais para Charles Lynch, do coletivo Garapa. A partir do estudo de diversos vídeos de linchamentos brasileiros encontrados no YouTube, os integrantes do coletivo criaram um livro-manifesto, que reúne fotogramas manipulados, um roteiro de linchamento fictício e uma fita com todos os vídeos pesquisados.

Todos os artistas foram estimulados a explorar novos suportes e formas de instalação das obras, de maneira a envolver corporalmente o visitante. Ao longo da exposição, preciosas fotografias do século XIX, pertencentes ao acervo do IMS, lembram que algumas das questões sociais e visuais de hoje haviam sido delineadas há muitos anos. A mostra também conta com um catálogo completo e bilíngue, encadernado de seis maneiras diferentes.

Mais informações em: corpoacorpo.ims.com.br

Sobre os artistas

Bárbara Wagner (DF, 1980): Seu projeto Mestre de cerimônias foi contemplado pela Bolsa de Fotografia ZUM/IMS (2015) e exibido na 32a Bienal de São Paulo (2016). O musical Terremoto santo foi selecionado para o Festival de Berlim.

Garapa: Coletivo formado em 2008 por Leo Caobelli (RS, 1980), Paulo Fehlauer (PR, 1982) e Rodrigo Marcondes (SP, 1979). Contemplados pela Bolsa de Fotografia ZUM/IMS (2014) com Postais para Charles Lynch.

Jonathas de Andrade (AL, 1982): Expôs no New Museum, NY (2017), no MoMA (2017) e na Bienal de São Paulo (2010 e 2016).

Letícia Ramos (RS, 1976): Participou de exposições no Tate Modern, Londres (2007), e no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (2014). Em 2013, seu projeto Microfilme foi contemplado pela Bolsa de Fotografia ZUM/IMS.

Mídia NINJA (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação): Rede de ativistas fundada em 2013. Figura entre as maiores iniciativas de mídia independente da América Latina e do mundo.

Sofia Borges (SP, 1984): Desenvolve projeto para a Bolsa de Fotografia ZUM/IMS 2018, e está em cartaz na exposição New Photography 2018, do MoMA. É uma das curadoras da próxima Bienal de São Paulo.

Posted by Patricia Canetti at 9:02 AM

maio 17, 2018

Claudio Cretti na Casa Niemeyer, Brasília

Acaso a coisa a casa: um diálogo entre elementos

A Casa da Cultura da América Latina abre seu espaço para a mostra do artista visual Claudio Cretti com a exposição acaso a coisa a casa. Dia 22 de maio a Casa Niemeyer abre suas portas e cria um diálogo entre arte e arquitetura moderna. "É muito estimulante poder criar essa relação com a arquitetura de Brasília e meu trabalho", afirma o artista. acaso a coisa a casa conta com trabalhos que instigam uma nova sensibilidade. Lá a “obra/objeto” torna-se autônoma, na visão do artista, reunindo materiais de origens distintas a fim de criar um convívio, criar um novo corpo e sentido para aquilo que chama de “coisa”.

Segundo Cretti, a ideia da exposição é a de criar novas relações, instigar um pensamento livre sobre seu trabalho e de “deslocar coisas das coisas”, citando o poema de Carlos Drummond de Andrade. Aparentemente impossíveis de se relacionar, sua proposta para as obras apresentadas é a de proporcionar convívio. Nesse sentido, o artista cria reflexão sobre as diferenças no mundo e fala de apropriação com materiais que remetem a outros usos para além daqueles já conhecidos, provocando diversas possibilidades de convivência.

A exposição, uma instalação na sala da Casa Niemeyer, conta com esculturas e um desenho de grandes dimensões. A união das obras corrobora o discurso, estabelecido pelo artista, de convívio e presença num espaço que chama por interação.

A exposição tem curadoria de Ana Avelar, professora da Universidade de Brasília / UnB e curadora da Casa de Cultura da América Latina da UnB. “Os trabalhos atuais de Claudio Cretti articulam-se por encaixes; uma coisa entra na outra, esta entra naquela. Há um jogo de solucionar problemas resultando na construção de um todo por meio da junção de partes que não provêm – aparentemente – de uma mesma origem, uma vez que os materiais variam de natureza, espessura, cor”, afirma Ana Avelar.

Claudio Cretti é artista e professor. Nasceu em Belém-PA em 1964 e vive e trabalha em São Paulo. Em 1983 forma-se no IADE, Instituto de Arte e Decoração, São Paulo. Em 1984 entra na Faculdade Delas Artes de São Paulo, abandonando o curso no ano seguinte. Dedica-se ao teatro – Grupo Ponkã, Grupo Dramaticus – e a performance. Realiza cursos livres com Tadeu Chiarelli, Rodrigo Naves, Ronaldo Brito. Fez acompanhamento de trabalho com Carlos Fajardo, Ivo Mesquita, Alberto Tassinari, Sonia Salztein e Rodrigo Andrade. Desde 1990 mostra regularmente seu trabalho. Desde 1988 exerce atividades como arte-educador. Realizou exposições em diversos locais, como: MAM-SP, MAC USP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Instituto Tomie Ohtake, Paço das Artes, Centro Cultural São Paulo, Oficina Oswald de Andrade, Palácio das Artes-BH, Centro Cultural da Caixa - RJ, entre outros.

PROGRAMAÇÃO

Exposição: acaso a coisa a casa
Abertura: 22/05, às 20h
Visita mediada e conversa aberta com o artista, no dia da abertura, às 19h
Período de visitação: 23/05 às 20/07, das 8h às 18h
Local: Casa Niemeyer (SMPW Qd 26, conj 3, Casa 7, EPIA Sul, Brasília – DF)

Oficina com o artista
Dias 17 e 18/05, das 17h às 20h
Local: sala 201 da CAL (SCS Qd 4, Ed. Anápolis, Brasília – DF)
Inscrições gratuitas, vagas limitadas

Posted by Patricia Canetti at 1:28 PM

Angelo Venosa no Museu Vale, Vila Velha

A inquietude das esculturas de Angelo Venosa celebra os 20 anos do Museu Vale

Ousadas angulações, sólidos retorcidos e infinitas combinações que transitam do orgânico ao espetacular compõem Penumbra, mostra inédita do artista, com curadoria de Vanda Klabin

Novos horizontes de investigação e pesquisas estéticas do escultor Angelo Venosa serão exibidos ao público pela primeira vez, a partir de 23 de maio no Museu Vale, Vila Velha – ES. Na exposição Penumbra, que comemora os 20 anos da instituição, o artista apresentará esculturas incorporadas às próprias sombras, conferindo um instigante universo poético ao espaço. Seis das esculturas foram criadas especialmente para a mostra.

Madeira, alumínio, acrílico, parafina, vidro, aço, ossos são alguns dos materiais que compõem as esculturas de Venosa e a singularidade de seu fazer artístico, desenvolvido a partir de sua experiência vinda de trabalhos artesanais (herdou do pai o conhecimento do trato com a madeira, o design). De natureza expansiva, desenvolveu atalhos históricos e tornou-se um dos maiores expoentes do cenário cultural contemporâneo. Sintonizado com novas tecnologias, passou a trabalhar também com impressões em 3D, imprimindo às suas esculturas infinitas possibilidades combinatórias.

– Inquietas e interrogativas, as obras de Angelo Venosa problematizam a visão do espectador – diz Vanda Klabin, ao revelar que o artista irá explorar no Museu Vale a equivalência entre as áreas cheias e vazias, através da projeção de sombras nas superfícies arquitetônicas da instituição. – Na medida em que esses trabalhos são desenvolvidos, as formas emergem e adquirem uma plasticidade inesperada. Toda uma noção de movimento se faz presente nessas sombras movediças, onde brotam as formas mais variadas e ambíguas e essas zonas de indeterminação adquirem uma presença plástica que se constrói e se experimenta no próprio espaço – conclui a curadora.

– A mostra de Angelo Venosa nas comemorações dos 20 anos do Museu Vale reitera o compromisso da instituição de promover a arte e a cultura como fenômeno de transformação e de formação dos jovens, diz Ronaldo Barbosa, diretor do Museu. Para Ronaldo, Venosa é um artista que caminha em paralelo com o seu tempo, sempre dedicado ao experimento de novos materiais, tecnologias e seus desdobramentos no seu processo criativo. – No Museu Vale, diz, o escultor irá surpreender ao exibir uma nova possibilidade de se perceber os seus trabalhos.

Após o período de exposição no Museu Vale, Penumbra segue para o Memorial Minas Gerais Vale, em Belo Horizonte, como parte do Programa de Itinerância Cultural. O programa prevê a troca de conteúdo artístico e cultural entre os quatro espaços culturais patrocinados pela Vale, localizados em quatro das cinco regiões brasileiras, além de ações de valorização da identidade cultural em munícipios pelo interior do país.

Angelo Venosa (São Paulo, 1954. Vive e trabalha no Rio de Janeiro) surgiu na cena artística brasileira na década de 1980, tornando-se um dos expoentes dessa geração. Desde esse período, Venosa lançou as bases de uma trajetória que se consolidou no circuito nacional e internacional, incluindo passagens pela Bienal de Veneza (1993), Bienal de São Paulo (1987) e Bienal do Mercosul (2005).

Hoje, o artista tem esculturas públicas instaladas no Museu de Arte Moderna de São Paulo (Jardim do Ibirapuera); na Pinacoteca de São Paulo (Jardim da Luz); na praia de Copacabana / Leme, no Rio de Janeiro; em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul e no Parque José Ermírio de Moraes, em Curitiba. Possui trabalhos em importantes coleções brasileiras e estrangeiras, além de um livro panorâmico da obra, publicado pela Cosac Naify, em 2008.

Posted by Patricia Canetti at 12:41 PM

maio 16, 2018

Ismaïl Bahri no Porto Seguro, São Paulo

Apresentada pela primeira vez no Jeu de Paume, de Paris, exposição Instrumentos traz seleção de nove vídeos do artista visual franco-tunisiano

Tomar o particular para refletir sobre o todo. Voltar-se para uma gotícula de água sobre a pele e chamar atenção para o tempo que nos cerca. Tomá-la como uma ferramenta de auscultação, que revela e amplia a força vital pulsante para, no fim, explicitar o desejo por um ritmo orgânico, avesso à agitação do mundo contemporâneo e da vida nas grandes metrópoles. É este o norte de Ligne [Linha], obra que sintetiza e abre Instrumentos, exposição do franco-tunisiano Ismaïl Bahri que o Espaço Cultural Porto Seguro recebe entre 22 de maio e 22 de julho.

Assinada por Marie Bertran, curadora independente, e por Marta Gili, diretora do Jeu de Paume, de Paris, a exposição reúne nove videoinstalações do artista visual, a maior parte delas apresentada no centro de arte contemporânea parisiense entre junho e setembro de 2017. Em São Paulo, a mostra - primeira individual do artista na América Latina – conta com a correalização de Expomus Exposições, Museus, Projetos Culturais Ltda.

Os vídeos da exposição voltam-se para movimentos e elementos singelos: a veia pulsa, a linha separa, a mão amassa, o vento sopra, o fogo queima. Água, papel e tinta transformam-se de objetos a sujeitos protagonistas. “Na maioria das obras de Ismaïl Bahri, os instrumentos atuam como meio de intersecção entre o mundo físico e o mundo das ideias, liberando sutilmente uma série de hipóteses, cujos vereditos parecem ser indefinidamente adiados”, afirma Marta Gili.

Os trabalhos ganham força pelo enredo que se estabelece entre eles – diálogos acerca de temas como memória, território, pertencimento e envolvimento, sempre mediante a exploração de uma cartografia afetiva pessoal. A sobriedade da exposição surpreende o interlocutor e pode causar certo estranhamento. “Um dos pontos fortes de seu trabalho é que ele prende a atenção. O olho procura por pistas ou sinais e se esforça para encontrar uma maneira de compreender a imagem, enxerga-a como um enigma a ser resolvido”, diz Marie Bertran.

Muitas vezes tênues e efêmeros, os fenômenos observados sob as lentes de Ismaïl nos obrigam a ajustar nossa percepção e o alcance do olhar. A ausência de som em muitos dos trabalhos reforça a densidade do conjunto: levam o visitante a uma jornada interior, pelo reconhecimento de si e de todos em uma ação aparentemente banal.

“Valorizo em meu trabalho a busca pela simplicidade. O desafio está em, justamente, arranjar uma maneira de como expor uma questão pessoal para tratar um problema que é de todos”, afirma o artista. Nesta empreitada, Ismaïl dispõe-se a investigar, de modo extenuante, objetos, escalas, ângulos e linguagens.

Ao longo dos trabalhos, o artista percorre um caminho crescente: o plano, que no início toma como foco uma gota de não mais que dois, três milímetros, vai se alargando até compreender uma paisagem inteira dentro dos limites da projeção. O mesmo ocorre com o conteúdo, material e mais figurativo em um primeiro momento, fluído e mais abstrato ao final.

Para o crítico e curador François Piron, a impermanência está no cerne do trabalho de Ismaïl. “O artista se posiciona como um observador, anda por aí e fala de miopia em relação ao seu trabalho. Ele então configura o que ele chama de dispositivo de captura para esses gestos, geralmente usando vídeo, mas também fotografia e som, sem distinção. É muitas vezes fora do quadro da imagem que o significado emerge, na presença perceptível do mundo circundante, que de repente é revelado”, afirma.

“A obra de Ismaïl Bahri tem uma atuação potente e transformadora. Ela opera a partir de elementos muito sutis, mas que em seus trabalhos, passam a ser instrumentos de conexões inesperadas”, afirma Rodrigo Villela, diretor executivo do Espaço Cultural Porto Seguro.

Sobre o artista

Ismaïl Bahri nasceu em 1978, em Túnis, capital da Tunísia. Atualmente, vive e trabalha entre sua cidade natal e as francesas Paris e Lyon. O vídeo ocupa um lugar importante em seu trabalho, embora o artista crie também desenhos, fotografias e instalações. Sua obra volta-se a elementos simples da vida cotidiana, sobre os quais desenvolve processos e atribui questões universais.

Participou da 13ª Bienal de Sharjah, nos Emirados Árabes, e expôs em instituições culturais como o Centro de Arte Contemporânea La Criée, em Rennes; no Jeu de Paume, em Paris; Les Églises, em Chelles; e no museu alemão Staatliche Kunsthalle, em Karlsruhe.

Seus vídeos já foram exibidos nos festivais internacionais de cinema de Toronto, Nova York, Roterdam e Marselha; e a obra “Filme em branco” fez parte da exposição Levantes, de Georges Didi-Huberman, no Sesc Pinheiros (2017). Seus trabalhos apresentam relações profundas com a obra de artistas como o chileno Alfredo Jaar (com quem dividiu mesa na abertura da Paris Photo em 2017), o albanês Anri Sala, o belga Francis Alÿs ou o brasileiro Jonathas de Andrade, com os quais participou da Bienal de Sarjah (2013).

Confira mais detalhes sobre cada um dos trabalhos apresentados na mostra:

1. Ligne [Linha] | 1’
Ligne dá conta de uma observação íntima de um corpo. Aqui, apenas a água é usada como ferramenta de exploração, reagindo às batidas do coração. Devido às suas propriedades ampliadoras, reluzentes e vibratórias, atua como um meio sensível às menores intensidades que atravessam o corpo. A gota permanece na superfície, mas sonda, por capilaridade, uma interioridade subterrânea.

2. Orientations [Orientações] | 22’’
O vídeo “Orientations” é feito de um plano-sequência filmado por uma câmera subjetiva que apresenta uma caminhada pela cidade de Túnis. O que está fora de campo, refletido em um copo cheio de tinta, serve de bússola, espécie de boia ilusória para um caminhar funambulesco. Neste instrumento óptico bastante simples, a aparição de fragmentos da cidade orienta, tende a um horizonte. O vídeo mostra um caminhar míope, uma colheita de imagens no limite do transbordamento e do delírio dos sentidos.

3. Revers [Reverso/Inverso/Avesso] | 56’48
Através do processo simples e repetitivo de amassar e desamassar uma página de revista, o vídeo traz à tona noções de desintegração, reprodução, transmutação e, centralmente, impermanência. Em um movimento cíclico incessante, a imagem desaparece pouco a pouco: liberta-se do papel, transforma-se em pó e marca as mãos do artista – resultado do contato repetitivo e da acumulação residual de calor e informação.

4. Dénouement[Desenlace] | 8’
Um quadro branco é dividido por um traço preto que vibra. O espaço, a princípio indecifrável, manifesta progressivamente suas qualidades, a partir do momento em que um corpo aparece ao fundo da tela, ligado à câmera por um longo e delgado fio que se tensiona e se relaxa alternadamente. Percebemos que estamos em uma paisagem nevada, dividida por este fio que parece correr o risco de se romper a qualquer momento. A própria paisagem é progressivamente captada, apreendida por este dispositivo. Ela também irá desaparecer pouco a pouco, absorvida pelo emaranhado do fio. A imagem do novelo que ocupa por fim o quadro inteiro é importante, porque indica, em sentido inverso, que toda demonstração traz em si uma dimensão oculta e que ver consiste precisamente em buscar o que está distante, depositado no fundo das formas e dos detalhes que habitam nossa proximidade, por mais insignificantes que sejam à primeira vista.

5. Source [Fonte] | 8’25’’
Duas mãos seguram uma folha de papel. Gradualmente, no centro, surge uma mancha escura, logo convertida em furo, resultado do fogo que lentamente consome a superfície branca. A duração do vídeo é exatamente o tempo que o fogo leva para consumir o papel, com seu belo círculo vermelho em expansão, até chegar às mãos que o mantinham.

6. Esquisse [Esboço] | 5’18”
Plano sequência de cinco minutos que mostra uma bandeira agitada por ventos violentos. Em uma imagem superexposta, ora apresenta-se branca, ora negra – sempre lisa, sem estampas, sem nação, tal como o artista, um sujeito do mundo com raízes múltiplas. Não por acaso, a bandeira é instalada em uma praia do Mar Mediterrâneo, à frente de um trecho que separa a Tunísia da Europa. Sensível às menores variações de luz, a paisagem só é revelada ao interlocutor quando o sol é escondido pelas nuvens que pairam sobre a cena.

7. Foyer [Lareira/Foco] | 31’23’’
No início, Foyer parece ser uma projeção sem filme, onde a única coisa visível é uma tela branca, acompanhada por vozes diversas. Elas são enunciadas por pessoas que se aproximam do cinegrafista, questionando-o sobre o que ele está fazendo. Entre elas, aproximam-se um fotógrafo amador, um transeunte curioso, um policial e um grupo de jovens. À medida que a situação se desenvolve, as discussões revelam os princípios de uma experiência cinematográfica em andamento. A câmera faz as vezes de uma lareira, em torno da qual as pessoas se reúnem, falam, discutem e escutam. Inicialmente centradas na câmera, tais conversas logo revelam pontos de vista singulares, que traçam as formas de uma certa paisagem social e política. São falas que permitem entrever o contexto no qual se desdobra a experiência de um trabalho que tateia em busca de um caminho em um mundo que se agita.

8. Sondes [Sondas] | 15’55”
Obra que mostra a formação quase imperceptível de um montículo sobre a palma da mão de alguém. A princípio, é difícil reconhecer a natureza exata desse monte. Algo escapa. Mas o que tal experiência ativa no corpo que a retém?

9. Film [Filme] |2’30”
O trabalho agrupa uma série de vídeos curtos com base em um mesmo procedimento: um trecho do jornal do dia é cortado, enrolado e posto sobre uma superfície de tinta preta. Ao contato com a tinta, o rolo de papel se desdobra, libertando-se do gesto que o modelou. O objeto ganha vida, ao mesmo tempo em que revela, em um movimento cinemático precário, um conteúdo imprevisto: os índices de uma atualidade que não cessa de fugir. Ao mesmo tempo que explora uma espécie de arqueologia do cinema, tal dispositivo remete ao tempo que passa, em que a tinta, seja líquida ou impressa, é o registro da história humana em curso.

Posted by Patricia Canetti at 3:03 PM

André Parente no Sesc, Sorocaba

Figuras na Paisagem é o nome da exposição que estará sediada no Sesc Sorocaba entre os dias 04 de maio e 29 de julho. O artista que realizou as obras expostas é André Parente, que é também teórico do cinema e das novas mídias. A exposição é composta por três obras: “Circuladô”, “A Bela e a Fera” e “O Vento Sopra Onde Quer”. A visitação à exposição é gratuita e aberta ao público, de terças a sextas, às 9h às 21h30 e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30, no Espaço de Exposições.

Nos três trabalhos se opera uma síntese das passagens entre corpo e paisagem, entre imagem e som, imagem e dispositivo, que convidam o espectador experimentar uma verdadeira aventura audiovisual.

A obra “Circuladô” faz referência à circularidade própria aos dispositivos de linguagem cinematográfica, trata-se ao mesmo tempo de um projeto de instalação de zoetropes, um vídeo de curta-metragem, um livro, uma vídeo-instalação multicanal e interativa de grandes dimensões.

Já a obra “O Vento Sopra Onde Quer” é uma vídeo-instalação, na qual o espectador se depara com um dispositivo interativo que possui doze canais e um teclado, onde cada uma das doze teclas da escala cromática aciona uma das doze séries de imagens projetadas de close-ups de mãos presentes no cinema de Robert Bresson.

“A Bela e a Fera” é uma obra que sintetiza videoinstalação e filme-ensaio, tentando provocar uma sensação de estranhamento no espectador, por meio de projeções das imagens de pessoas em tamanho real e do Rio de Janeiro enquanto cidade mítica, cidade-corpo em decomposição e cidade de manifestações e por meio de sons de vozes e respirações, para produzir um clima de terror e de ironia, de erotismo e hipnose.

André Parente é Doutor pela Universidade de Paris 8, sob a orientação de Gilles Deleuze. Em 1991, fundou o Núcleo de Tecnologia da Imagem (N-Imagem) da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Entre 1977 e 2017, realizou inúmeros vídeos, filmes, instalações e performances sonoras nos quais predominam a dimensão experimental e conceitual. Seus trabalhos foram apresentados no Brasil e no exterior, Alemanha, França, Espanha, Suécia, Espanha, México, Canadá, Argentina, Colômbia, China, entre outros.

O artista também é autor de vários livros, como: Imagem-máquina. A era das tecnologias dovirtual (1993), Sobre o cinema do simulacro (1998), O virtual e o hipertextual(1999), Narrativa e modernidade (2000), Tramas da rede (2004), Cinema et narrativité (L’Harmattan, 2005), Preparações e tarefas (2007), Cinema emtrânsito (2012), Cinemáticos (2013), Cinema/Deleuze (2013), Passagens entre Fotografia e Cinema na Arte Brasileira (2015), entre outros.

Nos últimos anos obteve vários prêmios: Prêmio Rumos do Itaú Cultural, Prêmio Petrobrás de Novas Mídias, Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia, Prêmio Petrobrás de Memória das artes, Prêmio Oi Cultural, Prêmio da Caixa Cultural Brasília, Prêmio Funarte de Artes Visuais, Prêmio Oi Cultural, Prêmio Marc Ferrez.

Posted by Patricia Canetti at 1:50 PM

maio 15, 2018

Paisagens Construídas no MON, Curitiba

O Museu Oscar Niemeyer (MON) abre dia 17 de maio, quinta, às 19h, a mostra Paisagens Construídas com obras de Artur Lescher, Gisela Motta e Leandro Lima, e Marlos Bakker, no espaço mais icônico do museu: o Olho, projetado por este arquiteto, em 2002. As obras, de grandes dimensões, causam impacto visual tanto pela sala expositiva – com mais de 1.500 metros quadrados – assim como à percepção dos visitantes.

Artur Lescher apresenta “Rio máquina” (2009); na extremidade da exposição, “Relâmpago” (2015), obra de Gisela Motta e Leandro Lima, e Marlos Bakker traz o filme “SDDS 3404” (2018).

Agnaldo Farias, curador da mostra, comenta: “Hoje, toda paisagem é construída, toda natureza modificada, domada. É o que a arte nos demonstra. Bakker descobriu nas redes sociais uma imensa comunidade que cultua não o céu, mas os aviões. Lescher inventou um rio com a lógica das máquinas, como os pobres rios que escoam em hidroelétricas. Motta & Lima soltaram um raio no Olho. Um raio doméstico, portátil”.

No dia e horário da abertura a entrada é franca aos visitantes.

A exposição segue até o dia 14 de outubro. A visitação pode ser feita de terça a domingo, das 10h às 18h. A entrada ao MON custa R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada). Maiores de 60 e menores de 12 anos têm entrada franca. Nas quartas a entrada é sempre gratuita. A retirada de ingressos no museu pode ser feita até as 17h30, na bilheteria.

Sobre os artistas

Artur Lescher (1962, São Paulo) vive e trabalha em São Paulo. Há mais de trinta anos, Lescher apresenta um sólido trabalho como escultor, resultado de uma pesquisa em torno da articulação de matérias, pensamentos e formas. Neste sentido, o artista tem no diálogo singular, ininterrupto e preciso com o espaço arquitetônico e o design, e na escolha dos materiais, que passam pelo metal, pedra, madeira, feltro, sais, latão e cobre, elementos fundamentais para reforçar a potência deste discurso.

A parceria de Gisela Motta e Leandro Lima, paulistanos nascidos em 1976, se inicia no final dos anos 90. Desde então, utilizam diversas linguagens como vídeo, objeto e gambiarras, empregando padrões, medidas, estruturas e suas variações para criar situações altamente construídas. Nelas, elementos naturais, matemáticos e artificiais emulam o comportamento orgânico, sintetizam fenômenos naturais e criam certa ambiguidade, apesar da sua aparente objetividade. É justamente a região ambivalente entre o sintético do natural e o natural do sintético que os artistas exploram.

Marlos Bakker é carioca e se interessou pela fotografia por meio do curso de Desenho Industrial na UFRJ. Posteriormente, realizou cursos de foto, pintura, desenho e história da arte na Scuola L’orenzo de’ Medici, em Florença, e na UCLA, em Los Angeles, cidades onde morou antes de se mudar para São Paulo. Seus projetos procuram observar a sociedade através do indivíduo, investigando o que acontece em momentos banais ou, ainda, tornando visível o que acontece quando nada acontece. Recentemente ingressou na Coleção de Fotografia da Pinacoteca do Estado de SP (2017), foi selecionado para o Programa de Exposições do CCSP 2018, foi vencedor do I Prêmio Gávea de Fotografia 2016 e do Prêmio Brasil Fotografia 2015.

Posted by Patricia Canetti at 9:38 AM

maio 14, 2018

Elizabeth Jobim no Museu do Açude, Rio de Janeiro

O Museu do Açude inaugura no dia 20 de maio a exposição Jazida, da artista carioca Elizabeth Jobim. A mostra apresenta sete obras de concreto pigmentado, que serão dispostas na área externa próxima à sede do museu. A obra integra o Circuito de Arte Contemporânea - Projetos Temporários, que já contou com trabalhos de Carla Guagliardi, Tatiana Grinberg, Ricado Ventura e João Modé e, na sua vertente de longa duração, apresenta instalações de nomes como Angelo Venosa, Eduardo Coimbra, Helio Oiticica, Iole de Freitas, José Resende, Lygia Pape e Waltercio Caldas entre outros.

A exposição Jazida consiste em uma série de trabalhos de medidas variadas. Cada um compreende um ou dois elementos e variam entre 40cm a 180cm de comprimento. As sete peças são feitas em concreto pigmentado e fazem alusão a elementos da arquitetura como os degraus, bases e pilastras existentes no jardim ao redor.

Segundo Elizabeth Jobim, o trabalho parte do formato dos degraus e outros elementos espalhados pelo solo do jardim do Museu do Açude. “Seriam minérios extraídos, acumulados recentemente ou ruínas de tempos passados? ”, questiona a artista. Ali, paralelepípedos descansam reclinados e lajes e colunas amontoam-se num arranjo meio desalinhado.

“O concreto foi misturado a cores terrosas, óxidos de ferro e armado com ferro como se para erguer uma morada. O tempo faz uma pausa e os elementos emitem lentamente cada um uma cor que vem do interior e se irradia, dissipando-se na exuberante Mata Atlântica. Logo, plantas e animais voltarão a eclodir e a decair incessantemente na floresta”, explica Elizabeth Jobim.

“Por seis meses, os visitantes poderão conferir o novo trabalho concebido especialmente para o projeto por esta grande artista brasileira, que aqui evoca a arquitetura da casa e seus jardins, corroborando com a proposta do Museu do Açude de promover o diálogo entre arte, natureza e cidade”, comemora Vera de Alencar, diretora dos Museus Castro Maya.

Elizabeth Jobim nasceu em 1957 no Rio de Janeiro. Formou-se em Comunicação Visual na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ), em 1981, e fez mestrado em Artes Plásticas (MFA), na Escola de Artes Visuais de Nova Iorque. Lecionou Desenho e Pintura na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (Rio de Janeiro), em 1994 e em 2010. Entre as suas exposições coletivas, destacam-se: Salão Nacional de Artes Plásticas, no Museu de Arte Moderna (Rio de Janeiro, 1982/1983); Como vai você Geração 80?, no Parque Lage (Rio de Janeiro, 1984); Rio hoje, no Museu de Arte Moderna (Rio de Janeiro, 1989); Panorama da arte atual brasileira, no Museu de Arte Moderna (São Paulo, 1990); Arte contemporânea brasileira, na Galeria Nacional de Belas Artes (Pequim, China, 2001); O espírito de nossa época: coleção Dulce e João Carlos de Figueiredo Ferraz, no Museu de Arte Moderna (São Paulo, 2001); Caminhos do contemporâneo – 1952/2002, no Paço Imperial (Rio de Janeiro, 2002) e 5a Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2005); Art in Brasil 1950-2011 - Europalia 2011, no Palais des Beaux-Arts, (Bruxelas, 2011); (de)(re)construct, no Bronx Museum of the Arts (Nova Iorque, 2015). Entre as individuais: Pinturas e desenhos, na Galeria Raquel Arnaud (São Paulo, 1997); Aberturas, no Paço Imperial (Rio de Janeiro, 2006); Endless lines, na Lehman College Art Gallery (Nova Iorque, 2008); Sem fim, na Lurixs: Arte Contemporânea (Rio de Janeiro); Voluminous, na Frederico Sève Gallery, (Nova Iorque, 2009); Em azul, na Estação Pinacoteca, (São Paulo, 2010); Mineral, na Lurixs: Arte Contemporânea (Rio de Janeiro, 2012); Blocos, no Museu de Arte Moderna (Rio de Janeiro, 2013); Bloco B, no Oi Futuro (Rio de Janeiro, 2015); Arranjo, na Galeria Raquel Arnaud (São Paulo, 2016); In This Place, Henrique Faria Fine Art (Nova Iorque, 2017). Possui trabalhos em coleções públicas como Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Pinacoteca do Estado de São Paulo e Bronx Museum of the Arts.

Posted by Patricia Canetti at 12:38 PM

O tempo das coisas na Ruben Berta, Porto Alegre

A Coordenação de Artes Plásticas da Secretaria de Cultura de Porto Alegre apresenta a segunda parte de “O tempo das coisas”. Intitulada Módulo 2, a nova exposição tem lugar na Pinacoteca Ruben Berta, com abertura no dia 17/5, às 18h30min. No dia 19/5, a mostra integra a programação da Noite dos Museus, recebendo o público das 19h até 1h da madrugada do dia seguinte.

“O tempo das coisas - módulo 2” apresenta obras dos artistas contemporâneos Antônio Augusto Bueno, Bruno Borne, Frantz, Paulo Nenflídio, Túlio Pinto, do russo Fyodor Pavlov-Andreevich e do duo Ío (formado por Laura Cattani e Munir Klamt).

Entre os trabalhos, alguns foram desenvolvidos especialmente para a exposição, tendo como ponto de partida o próprio espaço arquitetônico do antigo casarão da Ruben Berta ou de sua área externa. Há, ainda, proposições de artistas que abordam a coleção da Pinacoteca.

Além disso, também integram a exposição 6 obras pertencentes ao respectivo acervo, a partir de um recorte curatorial que traz a público uma escultura de Hildegardo Leão Velloso e pinturas de Batista da Costa, Fernando Duval, Jeronimus Van Diest, Oscar Crusius e Tomie Ohtake.

O projeto “O tempo das coisas” tem concepção e curadoria do crítico de arte, jornalista e pesquisador Francisco Dalcol. A primeira mostra foi inaugurada em 19/3 e segue aberta até 1º/6, no Porão da Pinacoteca Aldo Locatelli, no Paço Municipal de Porto Alegre, com trabalhos de Bruno Borne, Fyodor Pavlov-Andreevich, Ío e Túlio Pinto.

Configurando-se como uma segunda exposição interligada à primeira, o “Módulo 2” agora apresenta novos trabalhos dos artistas da mostra de estreia, desta vez ao lado de outros artistas que passam a integrar esta nova exposição juntamente às referidas obras da Pinacoteca Ruben Berta, que são mobilizadas pela curadoria com interesse em propor diálogos e confrontos no espaço expositivo.

A coleção da Pinacoteca Ruben Berta, como já dito, é o ponto de partida de 2 proposições que desenvolvem distintas estratégias artísticas interessadas em abordar as obras e mesmo o acervo. É o que fazem Frantz, que promove uma interferência no catálogo da Pinacoteca e se apropria de uma pintura de Tomie Ohtake para compor uma das salas da exposição, e também o duo Ío, que desenvolve uma investigação artística a partir do caso do sumiço da obra de Alberto da Veiga Guignard pertencente à Ruben Berta.

Os demais artistas do “Módulo 2” igualmente apresentam trabalhos novos ou inéditos em Porto Alegre.

Bruno Borne oferece um desdobramento do que desenvolveu para o “Módulo 1”. Em sua pesquisa em torno do espaço arquitetônico e da linguagem da animação digital, agora mostra um vídeo em que aborda os espaços físicos do casarão da Ruben Berta — no trabalho da primeira exposição, seu interesse foi a arquitetura do Porão do Paço.

Fyodor Pavlov-Andreevich participa desta vez com um microfilme que registra uma performance que realizou ao longo de 7 horas. O trabalho do artista russo enfatiza os aspectos de duração e resistência física e psicológica nos modos como explora os limites do corpo enquanto suporte expressivo em suas práticas artísticas, explicitando questões sociais que o mobilizam, tais como as condições de escravidão que identifica na sociedade contemporânea.

Paulo Nenflídio integra a exposição com uma escultura sonora. É um conjunto de objetos construídos em madeira e metal, configurados como um sistema de pêndulos percussivos afinados na escala pentatônica. A estrutura é alimentada por uma fonte eletromagnética que mantém os pêndulos em movimento constante. Na extremidade do objeto, há um sino metálico pendurado num suporte com trilho e manivela. Com o balanço do sino, ora ocorre a percussão, ora não.

Túlio Pinto apresenta 2 trabalhos que se vinculam à sua pesquisa sobre a prática e o pensamento escultóricos aplicados à linguagem contemporânea que endereça a seus objetos e estruturas, todos caracterizados pelo estado de tensão e suspensão. São obras feitas de materiais industriais como metal, vidro e madeira, compondo uma produção de trabalhos que se interligam ao lidar com os equilíbrios, os pesos, as densidades e as força dos sistemas instalativos que os configuram.

Além dessas obras no espaço expositivo da Pinacoteca Ruben Berta, “O tempo das coisas - módulo 2” também traz a público um trabalho desenvolvido na área externa do casarão. No pátio aos fundos, Antônio Augusto Bueno apresenta uma grande escultura ao ar livre, desenvolvida no próprio local. A instalação é composta por gravetos que o artista recolheu na Lomba do Pinheiro, destino para onde são levados em Porto Alegre os resíduos de coleta e poda urbanas. Em suas diversas idas ao aterro municipal para a realização do projeto, Antônio realizou fotografias e vídeos que integram uma segunda parte do trabalho, esta apresentada em uma mesa e uma TV, dentro do casarão da Ruben Berta.

Encerramento do Módulo 1 com desdobramentos de projeto artístico

Em exibição até 1º/6 no Porão do Paço Municipal, a primeira parte de “O tempo das coisas” terá uma ação antes de seu encerramento. No dia 21/5, o duo Ío promoverá a etapa final do trabalho intitulado “Ilinx”: a sua planejada e esperada destruição. A obra foi construída no próprio espaço expositivo para integrar o “Módulo 1”.

Evocando certo fascínio da destruição sem propósito, a instalação é orientada pelos princípios de reação em cadeia – ou, ainda, jogos infantis, que têm como único objetivo a queda e a bagunça. “Ilinx” constitui-se como uma queda de dominós, sendo que barras de concreto, chocolate escorrido, vidro estilhaçado e pedras serão os vestígios remanescentes desse processo. Após a destruição da estrutura, os acontecimentos, os encaixes entre as partes e o encadeamento desse dispositivo de desabamento – assim como o exíguo tempo de duração – passarão a existir apenas na imaginação do espectador.

Posted by Patricia Canetti at 11:57 AM

Ivens Machado na Carpintaria, Rio de Janeiro

A Carpintaria, espaço da Fortes D’Aloia & Gabriel no Rio de Janeiro, apresenta Ivens Machado: Corpo e construção, primeira exposição do artista em uma galeria após seu repentino falecimento em 2015. A mostra apresenta seis esculturas realizadas entre 1991 e 2006, um tríptico fotográfico a partir da Performance com bandagens cirúrgicas, de 1973, e uma série de fotos com registros inéditos da mesma performance, editado a partir da recuperação de negativos do artista.

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Ivens Machado utilizava matérias-primas próprias da construção civil como concreto, vergalhões, vidro e madeira, manipulando estes materiais de modo a reorganizar os códigos da escultura convencional. Suas obras articulam tensões sociais e sexuais ao abordarem questões como a violência e a repressão, temáticas que revelaram-se controversas ao longo de sua carreira, especialmente durante o período da ditadura militar. Suas esculturas materializam uma sintaxe clara e objetiva que dá voz às formas em si, deixando que o concreto armado ou estilhaçado, telas aramadas e tijolos quebrados desvelem camadas de significação para além de suas superfícies. Em Sem título (2006), na primeira sala expositiva, o concreto dilata-se em um ângulo superior a 90º, encerrando-se em robustas extremidades cravadas por estilhaços de telha.

Parte de uma geração de artistas sucessora ao Neoconcretismo, Machado escolhe trilhar uma trajetória estética paralela ao circuito da arte dos anos 70, marcado pelas discussões políticas e afiliações a grupos e movimentos. A crueza de suas formas revela-se, portanto, como digestão da herança construtivista para uma terceira direção, de forte viés autoral e alta carga provocativa. O excesso e a exuberância de suas formas tecem relações entre corporeidade e construção, carne e cimento. A obra Sem título (2001), que ocupa um dos salões frontais do espaço expositivo, tem forte relação com a escultura pública originalmente produzida pelo artista para o entorno do Largo da Carioca, no Centro do Rio de Janeiro, em 1997. O arco de Ivens evidencia, já em um momento avançado de sua trajetória, a coerência e o rigor formal com que sua obra se desenrola ao longo de mais de quatro décadas.

A série de fotografias Sem título (Performance com bandagem cirúrgica) (1973–2018) também sublinha a articulação entre o corpo e a escultura. Ao recobrir partes do corpo, as bandagens brancas acentuam suas formas à medida em que recortam em partes o sujeito (o próprio artista). Braços e pernas aparecem despregados do corpo e o rosto, que em um momento está encoberto, em outro mira a câmera desafiadoramente. A performance remonta a um momento da arte em que a investigação de questões ligadas ao corpo no campo do vídeo, da fotografia e da performance aparece como elemento central na pesquisa de diversos artistas. Aqui, o artista forja seu corpo enquanto campo de experimentação, permitindo conotações de dor e privação. A escolha da gaze enquanto dispositivo performático possibilita diferentes chaves de leitura, remetendo a dor tanto em uma dimensão física, do autoflagelo, quanto em uma dimensão metafórica, aludindo à repressão militar e sexual.

Ivens Machado (Florianópolis, 1942 – Rio de Janeiro, 2015) começa sua carreira na década de 1970, em uma produção que se desdobra entre desenho, escultura, pintura, e vídeo. Após um período de dificuldades relacionadas a problemas de saúde, o artista começa a trabalhar com a Fortes D’Aloia & Gabriel no ano de 2014 mas, infelizmente, acaba por não concretizar a tempo sua primeira individual com a galeria. A presente exposição, portanto, foi realizada em colaboração com o recém-criado Acervo Ivens Machado, coordenado por Mônica Grandchamp. Esta primeira exposição marca o início de uma trajetória de trabalho que busca dar continuidade ao legado deste grande artista de trajetória singular.


Carpintaria, Fortes D’Aloia & Gabriel’s venue in Rio de Janeiro, presents Corpo e construção [Body and Construction], Ivens Machado’s first gallery exhibition after his sudden passing in 2015. The show presents six sculptures made from 1991 to 2006, a photo tryptic from Performance with Surgical Bandages, 1973, and a series of photographic records of said performance, recently recovered from the artist’s negatives.

Ivens Machado used raw materials from the construction industry, such as concrete, steel beams and wood, handling them in such way as to reorganize the codes of conventional sculpture. His pieces articulate social and sexual tensions as they approach subjects like violence and repression, themes that proved to be controversial during his career, specially during the military dictatorship in Brazil. His sculptures materialize a precise and straightforward syntax that gives voice to forms themselves, letting the reinforced concrete, wire mesh and broken bricks unveil layers of meaning beyond their surfaces. In Untitled (2006), at the first exhibition room, concrete dilates in an angle wider than 90º, locking itself up in bold edges embedded by shattered shingles.

Part of a generation of artists who succeeded the Neoconcrete movement, Machado chooses an aesthetic journey which is aside the art scene from the 70’s, notably defined by political arguments and affiliations to groups and movements. The rawness of his shapes come out, however, as digestion of the constructivist inheritance to a third direction, strongly author oriented and very close to the bone. The excess and exuberance of his shapes establish relationships between corporeity and construction, flesh and cement. The Untitled piece (2001) – which occupies one of the front rooms of the gallery – holds a close relationship with the public sculpture originally produced by the artist for Largo da Carioca’s surroundings, in the center of Rio de Janeiro, in 1997. In a later moment of his journey, Ivens archway highlights the coherence and formal rigor with which his work develops throughout more than four decades.

The series of photographs Untitled (Performance with Surgical Bandages) (1973-2018) also underlines the articulation between body and sculpture. While covering parts of the body, the white bandages highlight its shapes as they cut the subject (the artist himself) in parts. Arms and legs appear to be detached from the body and face, which is covered at one point, and defiantly stares at the camera at another. The performance refers to a moment in art in which the investigation of subjects connected to the body in video, photography and performance seems to be a central element in the research of many artists. Here, the artist forges his body as an experimentation field, allowing connotations of pain and deprivation. The choice of gauze as a performance device allows for various keys of reading, referring to pain both in a physical (self-flagellation) dimension and in a metaphorical (alluding to military and sexual repression) dimension.

Ivens Machado (Florianópolis, 1942 – Rio de Janeiro, 2015) starts his career in the 70’s with a work which develops into drawing, sculpture, painting and video. After a period of difficulty related to health problems, the artist starts working with Fortes D’Aloia & Gabriel in 2014, but unfortunately can’t finish his first solo show at the gallery in time. The present exhibition was thus produced in collaboration with the recently created Acervo Ivens Machado, coordinated by Mônica Grandchamp. This first exhibition sets the beginning of a work journey which seeks to carry on the legacy of this great artist, with very unique trajectory.

Posted by Patricia Canetti at 10:22 AM

maio 13, 2018

Mundo Vasto Mundo na Fortes D'Aloia & Gabriel, Portugal

A Fortes D’Aloia & Gabriel inaugura em 15 de Maio seu escritório em Lisboa com a exposição Mundo Vasto Mundo, que reúne obras de uma seleção de artistas representados. O escritório é localizado em um charmoso prédio pombalino no coração do Chiado, no mesmo endereço onde funcionava o Consulado Geral do Brasil em Portugal. Maria Ana Pimenta, portuguesa que trabalhou na Galeria por seis anos em São Paulo, retorna à Lisboa como diretora internacional e responsável pelo escritório. A iniciativa é um movimento orgânico, favorecido pelo excelente momento em que vive a cidade.

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A Fortes D’Aloia & Gabriel é uma galeria sediada no Brasil que sempre teve uma atuação internacional. Esta nova base operacional contribui para ampliar a presença internacional dos artistas – seja em exposições institucionais, galerias parceiras ou coleções particulares. É também um gesto de maior proximidade a artistas, curadores, colecionadores e colegas europeus.

Mundo Vasto Mundo é a exposição temporária que celebra a inauguração do escritório ocupando espaços anexos a ele. A exposição inaugura paralelamente a ARCO Lisboa. O título convoca a estreita relação entre a poesia modernista brasileira com o movimento surrealista português: o verso, extraído do inaugural Poema de sete faces (1930) do brasileiro Carlos Drummond de Andrade, é integrado em Notícia, do poeta e pintor português Mário Cesariny em seu livro Pena Capital (1957). Ambos se correspondiam regularmente.

Esse diálogo, contínuo e universalista, é o mote da mostra com obras de Armando Andrade Tudela, Los Carpinteros, Rodrigo Cass, Leda Catunda, Iran do Espírito Santo, Simon Evans™, Tamar Guimarães & Kasper Akhøj, Marine Hugonnier, Jac Leirner, Robert Mapplethorpe, João Maria Gusmão & Pedro Paiva, Rodrigo Matheus, Ernesto Neto, Damián Ortega, Sara Ramo, Mauro Restiffe, Marina Rheingantz, Julião Sarmento, Valeska Soares, Adriana Varejão e Erika Verzutti.


In May 15th Fortes D’Aloia & Gabriel opens its Lisbon office with the exhibition Mundo Vasto Mundo [Universe, Vast Universe*], which presents selected works by its represented artists. The office is located in a charming pombaline building in the heart of Chiado, at the same address where the General Consulate of Brazil in Portugal once operated. Maria Ana Pimenta, a Portuguese who has worked at the gallery in São Paulo for six years returns to Lisbon as International Director and Office Manager. The enterprise is an organic move, favored by the excellent moment the city goes through right now.

Fortes D'Aloia & Gabriel is a gallery based in Brazil, which has always performed internationally. This new operational base contributes to broaden the artists' worldwide presence – be it in institutional shows, associate galleries or private collections. It's also a step towards a closer relationship to European artists, curators, collectors and colleagues.

Mundo Vasto Mundo [Universe, Vast Universe*], is a temporary exhibition which celebrates the office's inauguration by occupying its outbuildings. The exhibition opening will happen in parallel to ARCO Lisboa. Its name calls for a closer relationship between Brazilian modernist poetry and the Portuguese surrealist movement: the excerpt from prime Seven-Sided Poem* (1930) by Brazilian Carlos Drummond de Andrade, is embedded to Notícia [News], by Portuguese poet and painter Mário Cesariny in his book Pena Capital [Capital Punishment], from 1957. They were steady pen pals.

This continuous and universal dialogue is the theme of the show, which displays works by Armando Andrade Tudela, Los Carpinteros, Rodrigo Cass, Leda Catunda, Iran do Espírito Santo, Simon Evans™, Tamar Guimarães & Kasper Akhøj, Marine Hugonnier, Jac Leirner, Robert Mapplethorpe, João Maria Gusmão & Pedro Paiva, Rodrigo Matheus, Ernesto Neto, Damián Ortega, Sara Ramo, Mauro Restiffe, Marina Rheingantz, Julião Sarmento, Valeska Soares, Adriana Varejão and Erika Verzutti.

* Translator's Note: Here in Elizabeth Bishop's version to Drummond's poem, in The Complete Poems, Farrar, Straus and Giroux, 1969.

Posted by Patricia Canetti at 9:28 AM

maio 10, 2018

Alexandre Wagner na Bolsa de Arte, São Paulo

Em O Sol da Noite, sua primeira individual, Alexandre Wagner leva à Galeria Bolsa de Arte a atmosfera onírica de suas pinturas

Exposição traz cerca de 15 trabalhos recentes em pequenos e grandes formatos, uma nova etapa na produção do artista

Na primeira individual de sua trajetória, Alexandre Wagner traz à Galeria Bolsa de Arte uma atmosfera soturna e onírica em O Sol da Noite. A mostra exibe cerca de 15 pinturas a óleo realizadas desde o ano passado também em grandes formatos, uma novidade na produção do artista. Com abertura no dia 17 de maio (quinta-feira), a partir das 19h30, a exposição fica em cartaz até 30 de junho (sábado).

A diluição da tinta a óleo com as marcas do escorrimento pela tela imprimem um tom indefinido ao universo do pintor. À primeira vista, suas paisagens parecem aludir às cenas de Oswaldo Goeldi (1895-1961). Ao contrário deste, porém, a volatilidade das formas não definidas pelo contorno preto comum à xilogravura, caso de Goeldi, emprestam à ambientação de Wagner um caráter fugidio, fantasmal, ao contrário da crônica urbana obscura do gravurista.

Paradoxalmente, o vigor de pinceladas firmes, perceptíveis através da tinta mais rala, criam sobreposições de planos e fragmentação nas figuras mesmo onde o pigmento não escorreu. A espectralidade das transparências e junções entre camadas cromáticas sugere materialidade até onde a pintura é diluída.

Nesse sentido, a instabilidade formal das cenas retratadas, que parecem sair antes de um sonho que de algum logradouro existente de fato, expressa a impossibilidade da representação definitiva e absoluta, inserindo o trabalho de Alexandre Wagner numa linhagem extremamente atual da pintura.

Em alguns momentos, a concisão do plano pictórico leva a representação figurativa ao limite da abstração. Em outros, a economia compositiva é expressa na geometrização das peças com que se constroi a paisagem, reduzida ao mínimo de sua caracterização.

Em momento algum o aumento de espaço se traduz em excesso de formas no jogo entre plano e figura. Todos os quadros, mesmo os que trazem elementos figurativos mais detalhados, como O Pântano (2018), são cuidadosamente estruturados num equilíbrio entre plano e contraplano, entre a figura e sua cisão - ou simplesmente ausência.

No processo de conferir tanta importância ao vazio quanto ao representado, Alexandre Wagner encontra a força de sua pintura, dissolvendo a certeza do olhar na ambiência de um sonho difuso. Como um Sol obscuro que, surgido em meio à noite, fulgurasse em negativo.

Alexandre Wagner (1986, Belo Horizonte, Brasil) cursou a graduação em Artes Visuais pela Universidade Federal de Minas Gerais com habilitação em pintura. Ao se formar em 2011, mudou-se para São Paulo, onde passou a trabalhar como assistente de Nuno Ramos até meados de 2015, e de Paulo Pasta entre 2014 e 2016 - atividades que manteve em paralelo à sua produção autoral. Desde 2013, participa de exposições coletivas, entre elas: 11º Abre Alas, A Gentil Carioca; Oito Artistas, Mendes Wood DM (2016); Um Desassossego - 20 Pintores, curadoria de Germana Monte-Mór para a galeria Estação (2016); e Enlace, parceria da Central Galeria com a Cubik Gallery, de Portugal (2017). O Sol da Noite, na Galeria Bolsa de Arte, que o representa com exclusividade, é sua primeira individual.

Posted by Patricia Canetti at 2:41 PM

Rodrigo Cunha na Zipper, São Paulo

Por trás dos personagens e cenários aparentemente despretensiosos nas pinturas de Rodrigo Cunha reside o que há de próprio no trabalho do artista. A centralidade na representação da figura humana; o gesto que, ao contrário das pinceladas expressivas, mascara o comparecimento do artista ante a tela; os personagens caricaturais saídos do imaginário do artista, em poses solitárias que revelam algo de íntimo; os pequenos detalhes inseridos como indícios de uma biografia inventada. Tudo reaparece em Hora do Intervalo, terceira individual de Rodrigo Cunha na galeria, aberta a partir do dia 17 de maio.

A nova série de pintura se desdobra do que o artista havia apresentado em sua última mostra na Zipper, Jardim Cético, em 2015, que reunia figuras exercendo seus ofícios: cenas de labor, da luta diária pela subsistência. Agora, os personagens estão em seus momentos de lazer, ou simplesmente de repouso. Júbilo, prazer, distração norteiam as situações representadas nas telas, que buscam, ainda, a representação de certos tipos que se colocam às margens do convívio social.

As pinturas parecem congelar um dado momento na trajetória destes personagens. Algo estava em curso quando eles pararam para ser retratados. Solitários e rodeados por elementos retirados de suas biografias imaginadas, eles posam como para uma fotografia – neste caso, o “fotógrafo” é o próprio pintor. Se em séries anteriores Rodrigo Cunha retratava personagens de seu imaginário, nessas os representados são baseados em pessoas reais, do círculo de convivência do artista, por quem ele nutre algum tipo de afeto.

“Hora do Intervalo” fica em cartaz na Zipper até 16 de junho.

Sobre o artista

A pesquisa do artista Rodrigo Cunha (Florianópolis, Brasil, 1976) foca predominantemente a pintura centrada na representação da figura humana. Em planos que parecem deslizar os elementos para fora da tela, personagens que habitam a imaginação do artista desnudam sua privacidade, em poses em cômodos fechados. Ao representar, como pano de fundo, telas dentro de suas telas, o artista promove ainda um diálogo entre sua pintura e as de outros movimentos artísticos. Rodrigo tem trabalhos em coleções institucionais como Fundação Cultural Badesc (Florianópolis); Galeria de Arte da Universidade Federal de Santa Catarina (Florianópolis-SC); Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópolis (Florianópolis-SC) e SESC Santa Catarina (Florianópolis-SC).

Principais exposições individuais: "Jardim Cético", Zipper Galeria, São Paulo, Brasil (2015), "Diálogos com Desterro", Museu Vitor Meirelles, Florianópolis, Brasil (2008), Museu de Arte de Blumenau, Brasil (2006). Principais exposições coletivas: Bienal Internacional de Curitiba (2017); "A Figura Humana", Caixa Cultural Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil (2014), "É o que há", Fundação Cultural Badesc, Florianópolis, Brasil (2013), "Rótulos", Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil (2007).

Posted by Patricia Canetti at 1:32 PM

Desmedida na Zipper, São Paulo

Na exposição coletiva Desmedida, prelúdio de uma pesquisa curatorial mais ampla desenvolvida na última década, o curador Diego Matos reúne um conjunto de trabalhos que retratam o Brasil, seu lastro histórico e suas múltiplas realidades à luz de um imaginário construído nas duas últimas décadas do século XXI. Na contramão aos parâmetros de uma história oficial baseada nas ideias grandiosas de progresso e civilização e na atenção ao desenvolvimento das grandes metrópoles, as investidas dos artistas aqui selecionados conflagram largo interesse em explorar, reconhecer territórios grandiosos mas invisíveis. Trata-se desse mesmo Brasil que, no momento, seja por temor, ignorância ou elitismo, é dado as costas.

Em busca de narrativas que refletem sobre outros entendimentos do que seria o chamado “Brasil profundo”, "o grande sertão", a dimensão da floresta ou a errônea percepção da natureza "selvagem", a seleção contempla produções de André Penteado (São Paulo, 1973), Daniel Frota (Rio de Janeiro, 1988), Haroldo Sabóia (Fortaleza, 1985), João Castilho (Belo Horizonte, 1978), Marcelo Gomes (Recife, 1963), Karim Aïnouz (Fortaleza, 1966), Regina Parra (São Paulo, 1981), Romy Pocztaruk (Porto Alegre, 1983) e Tuca Vieira (São Paulo, 1974). “Muitas destas pesquisa encontram nas profundezas do interior, deste íntimo do país, alguma condição universal, um sentimento comum demasiadamente humano. O interesse é este: confrontar o íntimo e o universal, o micro e o macro, confundindo escalas”, afirma.

O título da exposição é tomado emprestado do livro “Desmedida”, do escritor angolano Ruy Duarte de Carvalho. Trata-se de um relato poético de viajante quando de sua prospecção pelo Brasil, a partir de excursão pela bacia do Rio São Francisco. “Vários artistas estabelecem relações poéticas e visuais semelhantes ao escritos de Ruy. Há uma geração de artistas trabalhando com a ideia de redescobrimento. O interior do país passou por transformação sócio econômica radical nos últimos 20 anos”, afirma o curador.

De Tuca Vieira, a série fotográfica “Viagem ao Brasil” (2013) faz um retrato deste novo habitus construído sob a égide do desenvolvimento econômico e que se sobrepõe aos discursos globalizantes e homogeneizadores. Dois vídeos de Haroldo Sabóia – “Carta à Solidão (2016)” e “Na medida em que caminho” (2017) – fazem uma espécie relato poético sobre paisagens interioranas do Nordeste do país. Também o faz o vídeo “Sertão de Acrílico Azul Piscina” (2004), da dupla Marcelo Gomes e Karim Aïnouz, com tom documental e prospectivo, mas de caráter eminentemente experimental e poético. É por ele que a própria narrativa expositiva começa. O último vídeo da coletiva, “Barca Aberta” (2016), de João Castilho, reflete sobre deslocamentos de trabalhadores no interior mineiro, perpetuando a idéia permanente de movimento enquanto forma de sobrevivência.

De André Penteado, fotografias da série “Missão Francesa” (2017) desvendam o processo civilizatório e cultural de “catequizar” o Brasil a partir de referências ocidentais. Talvez seja esse contexto registrado que demarca a primeira ação de caráter simbólico no país, na construção de uma modernidade forjada. E, de Romy Pocztaruk, trabalhos da série “A Última Aventura” (2014) investigam os vestígios materiais e simbólicos remanescentes da construção da rodovia Transamazônica, um projeto faraônico, utópico e ufanista, relegado ao abandono e esquecimento. Regina Parra é a única artista a Apresentar uma pintura da mostra. “Um Perigo um Chance” (2017), pintura de escala monumental, vem de uma pesquisa da artista que reflete sobre temas como imigração, iminências de transformação e condições inóspitas, colocando o espectador em real situação de desequilíbrio. Por fim, Daniel Frota, com sua peça sonora “It’s a Perpetual Way”, investindo na natureza circular e mântrica da musica popular brasileira, manipula a canção de Caetano Veloso, “It’s a Long Way”, de 1972, abrindo alas aos que chegam à galeria, o que põe em contato o público e o privado.

A coletiva “Desmedida” abre no dia 17 de maio e fica em cartaz até 16 de junho.

Sobre o curador

Diego Matos (Fortaleza, Brasil, 1979) é pesquisador e curador; mestre (2009) e doutor (2014) pela FAU-USP. Foi um dos curadores do 20o Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil (Sesc Pompéia, 2017). É organizador, com Guilherme Wisnik, do livro Cildo: estudos, espaços, tempo (Ubu Editora, 2017). Foi assistente de curadoria da 29ª Bienal de São Paulo (2010); membro do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake (2011 – 2013); curador assistente do 18º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil (2013); e curador das exposições Da Próxima Vez Eu Fazia Tudo Diferente (Pivô, 2012) e Quem nasce pra aventura não toma outro rumo (Paço das Artes, 19º Videobrasil), todos em São Paulo, entre outras. Foi coordenador de Acervo e Pesquisa da Associação Cultural Videobrasil (2014-2016). Foi curador de exposições individuais de artistas como: Michel Zózimo, Rafael Pagatini, Raquel Garbelotti, Yiftah Peled, entre outros. Atuou também como professor em centros de ensino de arte e arquitetura em São Paulo (Instituto Tomie Ohtake, Escola São Paulo, Centro de Pesquisa e Formação e outras unidades do Sesc São Paulo). Ademais, escreve textos para catálogos de exposições; livros e exposições de artistas e colabora com revistas acadêmicas e de arte.

Posted by Patricia Canetti at 1:29 PM

Victor Brecheret (1894-1955) na Pinakotheke Cultural, Rio de Janeiro

A Pinakotheke Cultural Rio de Janeiro apresenta de 17 de maio a 14 de julho de 2018 a exposição Victor Brecheret (1894 – 1955), com obras do grande artista nascido na Itália e radicado no Brasil, um dos expoentes do modernismo, e integrante da histórica Semana de 22. Com curadoria de Max Perlingeiro, a exposição reunirá importantes obras do artista e de outros nomes que participaram daquele evento divisor de águas na arte brasileira: Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Menotti del Picchia, John Graz, Vicente do Rego Monteiro, Helios Seelinger e Zina Aita. Várias dessas obras estiveram na Semana de 22, no Theatro Municipal de São Paulo.

Serão ao todo 54 obras, entre esculturas, pinturas e desenhos, além de três publicações históricas, relacionadas à Semana de Arte Moderna – o livro de horas de Soror Dolorosa "A que morreu de amor" (1920), poema de Guilherme de Almeida que inspirou a escultura exposta por Brecheret na Semana de 1922; capa do álbum de gravuras de Di Cavalcanti “Os fantoches da meia-noite” (1922); e o livro “As máscaras” (1920), poema de Menotti del Picchia ilustrado por J. Prado (editado por Monteiro Lobato e Cia, São Paulo). A exposição terá ainda a projeção de filmes sobre Brecheret.

De Brecheret, estarão 41 raras obras: 21 esculturas em bronze, uma em mármore, três em terracota, uma em pedra, e duas da emblemática série com incisões nas pedras roladas pelo mar, além de um conjunto de 12 desenhos a nanquim. O público poderá percorrer sua produção desde 1919 ao fim de sua vida.

Tadeu Chiarelli, autor do texto do livro que acompanha a exposição, destaca: “o objetivo da mostra não é apresentar uma retrospectiva exaustiva da obra de Brecheret”. As esculturas e desenhos de Brecheret apresentados “traçam um arco da trajetória do artista, desde aquelas que chamaram a atenção de seus descobridores na Pauliceia até as de plena maturidade, alcançada entre os anos 1940 e 1950, quando o escultor já conquistara reconhecimento nacional e internacional”. “Se os desenhos expostos enfatizam apenas os últimos anos de sua carreira, já o conjunto de esculturas pontua alguns dos momentos em que sua produção sofreu transformações significativas, não apenas pela importância deles na trajetória do artista, mas igualmente pelo fato de abrirem outras perspectivas para se pensar a questão do tridimensional no Brasil em meados do século passado”, afirma.

PERCURSO DA EXPOSIÇÃO

As esculturas menores estarão dispostas sobre bancadas no meio das salas, para que o público possa vê-las integralmente. Há esculturas de grande formato, de até quatro metros, da série dos granitos recolhidos do mar, como grandes seixos rolados, que receberam incisões de Brecheret, como sulcos e linhas, com temática indígena. A exposição terá três módulos distintos, detalhados por Max Perlingeiro:

Brecheret: do Palácio das Indústrias à Semana de Arte Moderna
O período de seu primeiro ateliê, seu encontro com os artistas Helios Seelinger (1878-1965), Di Cavalcanti (1897-1976), Oswald de Andrade (1890-1954) e Menotti del Picchia (1892-1988), e sua participação na Semana de Arte Moderna de 1922. Neste núcleo estarão pela primeira vez reunidas obras de artistas que participaram da Semana de 22, como Anita Malfatti (1889-1964) – “Penhascos”, “A Onda”, “Mulher de cabelos verdes” (os três de 1915-16), “Nu masculino” e “Marinha, Monhegan”; “Homens trabalhando”, de Zina Aita (1900-1967); Di Cavalcanti, com a pintura “Sem título” (1917-1922) e o desenho “Carnaval” (1917-1924); John Graz (1891-1980), com o quadro “Paisagem de Espanha”; Vicente do Rego Monteiro, com “Cabeças de negras”, e, de Brecheret, “Soror dolorosa” (c.1919), e “Ídolo” (c. 1919), e a pintura de grande formato “Sem título” (década de 1930) de Helios Seelinger, um dos responsáveis pelo reconhecimento de Victor Brecheret.

A escultura: técnicas e processos
Brecheret foi, sem dúvida, o artista que mais pesquisou técnicas e processos na escultura: bronze polido, bronze patinado, gesso, terracota, mármore, pedra de França, madeira e pedra rolada. Pelo menos um exemplar de cada uma delas, está presente neste segundo módulo da exposição, além de desenhos e estudos preparatórios.

Arte indígena e as pedras de seixos rolados
A partir do fim dos anos 1940 e nos anos 1950, o artista iniciou uma série de esculturas, algumas monumentais, sobre a temática indígena, em busca de uma escultura essencialmente brasileira. Este terceiro módulo mostra que o escultor tinha em mente aquilo que Mário de Andrade lhe aconselhara, em 1921: “Estude os tipos dos nossos índios, tipos não desprovidos de beleza, unifique-os num tipo único, original e terá a maior das qualidades”.

Brecheret percebeu na arte primitiva indígena a forma estrutural que perseguia desde a década de 1920. Guilherme de Almeida (1890-1969), poeta e escritor, um de seus grandes incentivadores, foi um dos intelectuais que melhor definiu as “pedras de Brecheret”: “Eis que isto Brecheret se pilhou fazendo, intuitivamente, com suas pedras: grandes pedregulhos rolados que o mar lhe deu, com um mistério hieroglífico inscrito na sua matéria. Dir-se-iam formas lisas de Brancusi? Não. Brancusi quis fazer pedras roladas para significar coisas, Brecheret recebeu estas coisas nas pedras roladas que tirou do mar. Se fosse possível haver uma Arte Brasileira, seria essa que Brecheret inventou. Essa, sim, e natureza nossa: material, sentimento, ideia, expressão, gentes, bichos, coisas, ritmos e mística do Brasil” (“Diário de São Paulo”, 21 de janeiro de 1948).

SÁBADOS NA PINAKOTHEKE

Em torno da exposição“Victor Brecheret (1894 – 1955)”, a Pinakotheke Cultural realizará ao longo de alguns sábados, das 11h às 13h, atividades gratuitas para crianças em seu jardim, ou, em caso de chuva, no espaço expositivo.

Posted by Patricia Canetti at 12:15 PM

Caetano de Almeida na Cassia Bomeny, Rio de Janeiro

Há mais de dez anos sem realizar uma exposição individual no Rio de Janeiro, artista apresentará obras inéditas, sobre tela e papel

Após mais de dez anos sem realizar uma exposição individual no Rio de Janeiro, o artista plástico Caetano de Almeida inaugura, no próximo dia 15 de maio, exposição na Cassia Bomeny Galeria, em Ipanema. A mostra terá 22 obras inéditas, sobre tela e papel, produzidas em 2017 e 2018. Tadeu Chiarelli assina o texto que acompanha a exposição.

Apesar de estar há bastante tempo sem expor no Rio de Janeiro, Caetano de Almeida tem uma relação forte com a cidade, onde começou sua trajetória artística. Sua primeira exposição individual foi em 1989, na extinta Galeria Thomas Cohn. Além disso, suas obras integram importantes coleções na cidade, como a Coleção Gilberto Chateaubriand, em comodato com o MAM Rio, e a Coleção João Sattamini, em comodato com o MAC de Niterói.

As pinturas que serão apresentadas na Cassia Bomeny Galeria fazem parte da pesquisa do artista sobre trama, padrões e história e são feitas em diferentes técnicas, como aquarela sobre papel, acrílica sobre tela e resina e pigmento sobre tela. Em muitas delas, há furos na superfície (reais ou virtuais), como nos desenhos da série “Física” e na pintura “CAA40”. Há, ainda, duas obras, feitas de brasa sobre papel, intituladas "5 maços" e "2 maços. “Eles são uma leitura melancólica, talvez poética, dos furos presentes...”, diz o artista.

As pinturas são construídas a partir de uma linha colorida e outras, que se cruzam em composições cromáticas. O artista diz não mais se preocupar com as padronagens ou cores. “Cada pintura tem uma poética. Algumas dialogam com a cor (muitas vezes monocromaticas) e outras tratam diretamente da trama e do ato da pintura. Os ‘furos’ estão sempre presentes. As ausências são sempre presentes. Parodiando a artista francesa Camille Claudel: ‘Há sempre qualquer coisa que me falta’. A abordagem desse assunto vem de diversas formas, como devaneios matemáticos, impressões afetivas de viagens, etc”, afirma o artista.

Caetano de Almeida nasceu em Campinas, em 1964, e vive e trabalha em São Paulo. Suas mais recentes exposições individuais foram na Galerie Andres Thalmann, em Zurique, Suíça, e na Eleven Rivington Gallery, em Nova York, EUA, ambas em 2017. Dentre suas exposições individuais, destacam-se, ainda, as mostras no Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto, em 2015, e a mostra “Borda”, no MAM Rio e na Pinacoteca do Estado de São Paulo, ambas em 2007.

Dentre suas mais recentes exposições coletivas estão “São Paulo Não É Uma Cidade – Invenções do Centro”, no Sesc 24 de Maio, em São Paulo; “Modos de Ver o Brasil: Itaú Cultural 30 anos, na OCA Ibirapuera, em São Paulo e “O MAC USP no Século XXI: A Era dos Artistas”, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, ambas em 2017; “Por Aqui Tudo É Novo”, no Instituto Inhotim, em Brumadinho; “A Cor do Brasil: de Visconti a Volpi, de Sued a Milhazes”, no Museu de Arte do Rio (MAR), no Rio de Janeiro, e “O Estado da Arte”, no Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto, ambas em 2016.

Posted by Patricia Canetti at 10:54 AM

maio 9, 2018

Elaine Tedesco e Klaus W. Eisenlohr no ESPM, Porto Alegre

Tem início no dia 12 de maio (sábado) no Espaço cultural ESPM, em Porto Alegre, a exposição Ponto de não retorno. Com trabalhos em fotografia e vídeo, a mostra traz um recorte da produção que esses dois artistas vem realizando em paralelo na Alemanha e no Brasil, desde 2015.

Praças do sul do Brasil de Klaus W. Eisenlohr são um extrato do projeto que vem desenvolvendo fotografando praças e espaços abertos em Porto Alegre e em diferentes cidades do Rio Grande do Sul. O processo é decorrência de suas obras anteriores, como Familiar Spaces iniciada em 2000, durante seu curso de Mestrado no The Art Institut of Chicago, nos estados Unidos. Desde então seu foco de atenção volta-se para os espaços públicos, seus usos, suas problemáticas e a resistência das áreas verdes. Eisenlohr apresentará uma série de fotografias panorâmicas noturnas captadas com negativos e câmeras de médio formato em longa exposição e também fotografias digitais da mesma série.

Elaine Tedesco apresenta extratos de duas séries do mesmo período: Vanitas no jardim na qual o processo envolve levar cópias de fotografias impressas, que fazem parte de seu acervo e, foram anteriormente exibidas, para o jardim de sua casa e lá registra o apagamento dessas imagens. Na outra série - Das ações com a câmera a artista retoma suas investigações com a sobreposição de imagens, realizadas a partir da dupla exposição de negativos nos anos de 2001 / 2003 e que resultaram no livro Sobreposições Imprecisas. O tema, agora, pra essa mostra considera a proximidade do Espaço Cultural Espm com o cemitério Judaico (que fica em frente) e Tedesco criou imagens de dupla exposição num cemitério Judaico em Berlim.

Posted by Patricia Canetti at 10:56 AM

João Loureiro na Jaqueline Martins, São Paulo

A Galeria Jaqueline Martins apresenta a primeira edição do projeto 1:1, com um trabalho inédito de João Loureiro e curadoria de Bruno de Almeida.

O artista correlaciona o espaço de exposição da galeria com um açougue da região, bairro da Vila Buarque, centro de São Paulo. Mas mais do que ocupar ambos os espaço com um conjunto de obras, João Loureiro concebe uma série de ações encadeadas que são ciclicamente repetidas ao longo do período da exposição, fazendo com que o trabalho se constitua cumulativamente dia-após-dia.

Entre as carnes da vitrine refrigerada do mercado Futurama, o artista posiciona uma escultura de carne moída, reprodução em escala reduzida da obra “Figura Reclinada em Duas Peças: Pontos” (1969-1970) do artista inglês Henry Moore (1898-1986). A escultura é consecutivamente substituída por outra semelhante quando as suas carnes atingem a sua data de validade. Uma vez por semana, o artista se desloca até ao açougue e recolhe as moscas mortas da armadilha luminosa para insetos instalada acima da vitrine. As carcaças das moscas são levadas para o espaço de exposição na galeria e ali são espetadas, com alfinetes entomológicos, numa escultura de isopor, reprodução à escala real da obra “Formas Únicas de Continuidade no Espaço” (1913) do artistaitaliano Umberto Boccioni (1882-1916). Ao longo da exposição os mesmos processos são repetidos e a escultura de isopor vai acumulando cada vez mais moscas mortas.

“Formas Únicas de Continuidade no Espaço” não é apenas o ponto alto da trajetória artística de Boccioni mas também um dos principais símbolos do Futurismo, movimento proto-fascista originado na Itália no início do século XX, e dotado de uma ideologia estética e política que vangloriava o progresso moderno, rompendo ferozmente com qualquer tipo de “passadismo”. Ao almejar uma renovação total da vida humana o Futurismo alargou a sua esfera de atuação para vários campos tais como a culinária. As esculturas de carne são um dos pratos defendidos pelo Manifesto de Cozinha Futurista. Ao transcender a função dietética da comida o movimento não só pretendia explorá-la como um meio artístico, mas também como instrumento de difusão de ideais nacionalistas e fascistas, que almejavam uma transformação simultânea do corpo e da mente da população.

O Homem em marcha representado na obra “Formas Únicas de Continuidade no Espaço” sintetiza esse corpo em mutação, que é o paradigma do Futurismo. O gesso da matriz original da escultura encontra-se no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), e a partir dele foram realizadas as conhecidas versões em bronze; a quarta e última, feita para a TATE Gallery e trocada com o MAC USP pela escultura “Figura Reclinada em Duas Peças: Pontos” de Henry Moore. Ambas as peças sintetizam as trajetórias artística de seus autores, e as suas imagens ficaram imortalizadas num inconsciente coletivo que transcende a História da Arte. As moscas, que no trabalho de João Loureiro são os agentes conectores dos dois espaços, não têm aparências individuais distinguíveis, uma representa todas e todas possuem uma insignificância que lhes garante, por séculos, o mesmo desdém em qualquer lugar.

Sobre o artista

João Loureiro, (Brasil, 1972), é Mestre em Poéticas Visuais (ECA-USP, 2007) e licenciado em Artes Plásticas (FAAP, 1995). Fez individuais como “Gelo para festas”, SESC Sorocaba (Sorocaba, 2017), “Pedra que Repete”, Casa da Imagem (São Paulo, 2013), “Fim da Primeira Parte”, Galeria Vermelho (São Paulo, 2011), “Blue Jeans”, Projeto Octógono, Pinacoteca do Estado (São Paulo, 2009), “Reaparição”, Paço Imperial (Rio de Janeiro, 2008), entre outras. Participou das exposições “Modos de ver o Brasil”, Oca (São Paulo, 2017), “Ao Amor do Público”, Museu de Arte do Rio (Rio de Janeiro, 2016), “Imagine Brazil – Artists Books”, DHC/ART Foundation for Contemporary Art (Montreal, 2015), “Vancouver Biennale” (Vancouver, 2014), “Panoramas do Sul - 18º Festival SESC/Videobrasil”, SESC Pompéia (São Paulo, 2013), “In Situ – Arte en el Espacio Publico (Argentina, 2012), “MAM na OCA”, OCA (São Paulo, 2006), “Panorama da Arte Brasileira”, Museu de Arte Moderna (São Paulo, 2005), entre outras. Recebeu, a Bolsa Vitae de Artes Visuais (2004) e foi premiado no Edital Arte e Patrimônio - IPHAN/MINC/Petrobras (2007).

Sobre o curador

Bruno de Almeida,1987, Brasil/ Portugal. Arquiteto e curador. Desenvolveu projetos com instituições tais como: Harvard University, Graduate School of Design, Cambridge, EUA; Storefront for Art and Architecture, Nova Iorque, EUA; Pivô Arte e Pesquisa, São Paulo, Brasil; Galeria Leme, São Paulo, Brasil, entre outras. Participou de residências de instituições tais como: Ideas City, New Museum, Nova Iorque, EUA, em colaboração com LUMA Foundation, Arles, França; Curatorial Intensive, Independent Curators International, Nova Iorque, EUA; IMPACT17, PACT Zollverein, Essen, Alemanha, entre outras. Próxima residência: TATE Intensive, TATE Modern, Londres, Inglaterra.

Sobre o projeto 1:1 (um para um)

Com três datas já definidas para maio, julho e outubro, 1:1 (um para um) será apresentado pela galeria Jaqueline Martins em parceria com o curador Bruno de Almeida. O primeiro local escolhido será um açougue, na Vila Buarque, nas imediações da galeria

1:1 explora a relação entre a galeria e o seu contexto urbano através da conexão entre o espaço expositivo e outros locais existentes nas suas imediações. Em cada uma das edições do projeto, um artista é convidado a conceber um trabalho bipartido, que ocupe uma sala de exposição na galeria e, simultaneamente, um segundo espaço localizado no bairro. Este outro local, com seus próprios usos e funções, é escolhido pelo artista e situado a uma distância caminhável da galeria. Deste modo, para a compreensão da totalidade da obra é necessário o deslocamento do visitante da sala expositiva até um determinado local no bairro ou vice-versa.

Estes trajetos acontecem na Vila Buarque e redondezas, centro de São Paulo, área com uma grande variedade de estabelecimentos comerciais, serviços, instituições e outros,[1] associados a uma forte diversidade de classes e dinâmicas sociais. Tal pluralidade origina um vasto repertório de formas de apropriação e vivência do espaço que vão desde a coexistência à fricção entre os seus diversos agentes, sejam eles a iniciativa civil, a política pública, a especulação privada, ou outros. Se tais redes de relações conferem um caráter singular ao bairro, elas também são sintomáticas de processos sociais, econômicos e políticos mais abrangentes e que estruturam a cidade na macro-escala.

Ao criar uma correspondência entre a galeria de arte e uma série de locais no seu entorno, o projeto não só pretende potencializar o encontro entre os trabalhos dos artistas e as dinâmicas sócio-espaciais do bairro, mas também refletir sobre as implicações e significados dessa correlação. Se propor uma série de trabalhos para fora do espaço expositivo poderia possibilitar uma atuação mais efetiva para além das estruturas codificadas do sistema da arte, por outro lado, estar fora do “cubo branco” nunca esteve tão dentro do sistema artístico. Se a arte cada vez mais se dissolve na práxis social, por outro lado, atinge graus sem precedentes de institucionalização e comercialização. Deste modo, a reciprocidade entre a galeria e um outro espaço do “real” servirá tanto como pré-condição para a atuação dos artistas, quanto como base para uma reflexão crítica sobre as especificidades, potencialidades e paradoxos de um estado da arte que, no discurso e/ou atuação, está a 1:1 com a “realidade”.

Posted by Patricia Canetti at 9:55 AM

maio 8, 2018

11ª Edição @Ateliê Aberto no Pivô, São Paulo

No dia 12 de maio, o Pivô realiza sua décima primeira edição do Ateliê Aberto, dentro do programa de residência artística Pivô Pesquisa

Nessa ocasião, o público é convidado a entrar em contato com o processo dos artistas em residência, que apresentam trabalhos em andamento, testam maneiras de exposição ou produzem conteúdos específicos para o evento, como conversas ou performances. Com backgrounds e investigações diversas, tanto dos artistas brasileiros quanto estrangeiros, essa é uma oportunidade de experimentação de suportes, de entendimento do uso dos espaços e a chance de experimentar possibilidades de diálogos.

Para o Pivô Pesquisa esse é um momento importante de ativação do espaço e de interlocução entre artistas, agentes culturais e o público. Os artistas que participarão desta edição são Daniel Jablonski, Eleni Bagaki, Engel Leonardo, Juliana Cerqueira Leite, Frederico Filippi, Gabriella Garcia, Gokula Stoffel, Guerreiro do Divino Amor, Guido Yannitto, Manoela Medeiros, Pedro Victor Brandão, Romain Dumesnil, Sofia Lotti e Thalita Hamaoui.

No mesmo dia do Ateliê Aberto ocorrerá o lançamento do livro "Não Sou Daqui, Nem Sou de Lá. Gestão, Curadoria e Residência Artística em Rede”, projeto contemplado pelo Programa Rede Nacional Funarte de Artes Visuais 12ª Edição. Para o lançamento acontecerá uma mesa de conversa composta por Denis Rodriguez, Fernanda Brenner, Paulo Miyada, BREU e Curatoria Forense.

Sobre o Pivô Pesquisa

Pivô Pesquisa é o programa de residência da instituição. Focado principalmente na prática de ateliê e acompanhamento de projetos, o programa tem como objetivo criar um ambiente de experimentação em que o tempo da criação individual é respeitado ao mesmo tempo em que se abre para interlocuções frequentes. O programa apoia uma cena artística emergente em São Paulo por meio de intercâmbios nacionais e internacionais, e busca aproximar do público os processos de criação contemporânea, convidando os visitantes a acompanharem um projeto artístico desde da concepção até o seu período visível.

Serviço

Pivô: Edifício Copan – Av. Ipiranga 200, Bloco A, loja 54, Centro, São Paulo
Data: 12 de maio de 2018, sábado

Ateliê Aberto
Horário: das 13h às 19h

Lançamento do Livro "Não Sou Daqui, Nem Sou de Lá. Gestão, Curadoria e Residência Artística em Rede”
Horário: às 14h

Posted by Patricia Canetti at 11:33 AM

maio 3, 2018

A Marquise, o MAM e Nós no Meio no MAM, São Paulo

A marquise, o MAM e nós no meio propõe reflexão sobre vocação mista do espaço ocupado pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo

Às vésperas de completar 70 anos, museu abre espaço para exposição que se inspira em metáfora de conexão com seu entorno

Entre os dias 8 de maio (abertura às 20 horas para público e convidados) e 19 de agosto de 2018, o MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo, apresenta a exposição A marquise, o MAM e nós no meio, inspirada na metáfora de conexão do museu com seu entorno. Sediado desde 1969 em um pavilhão sob a marquise idealizada por Oscar Niemeyer para o Parque Ibirapuera, o museu é parte integrante de um dos mais vigorosos e espontâneos espaços voltados para manifestações culturais, esportivas e políticas da cidade. A Sala Paulo Figueiredo reúne um conjunto de obras da coleção do museu selecionadas pela curadora Ana Maria Maia, permeadas por mobiliário e layout elaborado pelo coletivo de artistas e arquitetos O Grupo Inteiro, que vão dialogar com as atividades realizadas pelas comunidades que frequentam a marquise, coordenados pelo Educativo MAM.

Ana Maria Maia entende que, além da coleção do MAM, são parte integrante do “acervo” do museu as relações de vizinhança, os territórios, e os agentes que convivem no MAM e no seu entorno. “O espaço se apresenta como um convite para as mais diversas ocupações, formadas por grupos que buscam exercitar suas identidades, articulando encontros de dança, esportes e fãs clubes”, explica. “Esse ambiente foi o ponto de partida para minha reflexão sobre o que o MAM é hoje – identidade, acervo e história, no momento em que o museu completa 70 anos. Me pareceu interessante pensar sobre sua identidade mundana, além da relacionada ao circuito da arte”, conclui a curadora.

A vocação mista do espaço amplo da marquise tanto para cultura como para entretenimento remonta os anos 1950: o mesmo edifício que hoje abriga o MAM, sediou, em 1955, um museu de cera, idealizado por Ciccillo Matarazzo, que em 1956, o transformou em rinque de patinação. Em 1969, o espaço foi preparado para ser um cubo branco.

Ao todo são 38 artistas e grupos participantes, entre instalações, performances, apresentações de música e dança, fotografia, pintura e escultura. As obras do acervo permanecem dentro da sala de exposição, enquanto objetos como rampas de skate são utilizados tanto na arquitetura expositiva da mostra como na parte externa, para serem utilizadas pelos skatistas que frequentam o vão livre. Segundo Ana Maria Maia, o objetivo é que o espaço expositivo seja experimentado durante o tempo da mostra “como remanso, palco e pista, em suas interfaces com o entorno”.

Artistas e grupos: Alessandra Leão, Amelia Toledo, Bey Hive, Break Ibira, Cinthia Marcelle, Claudio Tozzi, Coletiva Ocupação, Explode!, Falves Silva, Flávio de Carvalho, Georgete Melhem, Guilherme Peters, Henrique Fuhro, House of Zion, Ione Saldanha, Ivens Machado, Jorge Menna Barreto, Josefa Pereira e Patrícia Bergantin, Laura Lima, Lenora de Barros, Manuk Poladian, Mário Ishikawa, Maureen Bisilliat, MC Delacroix, Micrópolis, Mídia Ninja, Mônica Nador, Nair Benedicto, Nenê da Vila Matilde, O Grupo Inteiro, Otto Stupakoff, Paulo Nazareth, Revista On/Off, Rosana Paulino, Siron Franco, Vilma Slomp, Waldeny Elias.

Ana Maria Maia (Recife, 1984) é pesquisadora, curadora e professora de arte contemporânea. Faz doutorado em Teoria e Crítica de Arte na Universidade de São Paulo. Foi curadora adjunta do 33º Panorama de Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo (2013) e curadora do Rumos Artes Visuais do Itaú Cultural (2011-2). É autora do livro Arte-veículo: intervenções na mídia de massa brasileira (Editora Aplicação, 2016), realizado com Bolsa Funarte 2014 de Estímulo à Crítica de Arte.

O grupo inteiro, composto por Carol Tonetti, Claudio Bueno, Ligia Nobre e Vitor Cesar, desde 2014, reúne diferentes formações e práticas – nos campos da arquitetura, design, arte, comunicação, aprendizagem e tecnologia – que convergem, estabelecem correspondências e se expandem. Realizam pesquisas, agenciamentos, projetos espaciais, gráficos e tecnológicos em diversas escalas, ativando múltiplos modos de convivência. Trabalhos incluem Condutores, para a exposição Playgrounds 2016, MASP e Sesc Interlagos, Campos de Preposições Sesc Ipiranga, 2016 – em colaboração com a Central Saint Martins – Londres, MetaCozinha na Casa do Povo, 2016, Manejo – espacialização do projeto Restauro, de Jorge Menna Barreto na 32a Bienal de São Paulo. http://www.ogrupointeiro.net/

Posted by Patricia Canetti at 5:01 PM

Ismael Nery no MAM, São Paulo

Com curadoria de Paulo Sergio Duarte, exposição apresenta mais de 200 pinturas, aquarelas e desenhos em pequenos formatos de Nery

Entre os trabalhos selecionados estão nus, figuras humanas, retratos e autorretratos, que trazem à tona a personalidade de um artista voltado para o exercício simultâneo de diferentes linguagens formais de seu tempo, como o cubismo, o expressionismo e o surrealismo, e com obra calcada na androginia e na transgressão

De 8 de maio, terça-feira (a partir das 20 horas, com entrada gratuita para convidados e público), até 19 de agosto, o MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo, sedia a exposição Ismael Nery: feminino e masculino, na Grande Sala do museu. A mostra reúne mais de 200 trabalhos. São figuras humanas, retratos e autorretratos, em pinturas, aquarelas, desenhos em nanquim e grafite, todos em pequenos formatos, selecionados pelo curador Paulo Sergio Duarte, que dividiu a mostra por temas: os nus, os retratos e autorretratos, as danças, os cenários, e o surrealismo.

Segundo o curador, ao se observar o conjunto da obra de Ismael Nery (1900 – 1934), revelam-se três importantes características do artista: seu desprezo pelo mercado da arte, evidenciado na produção em pequenos formatos - alguns dos trabalhos cabem na palma da mão, ao contrário de seus contemporâneos modernistas. Outra característica do artista é seu perfil contraditório. “Ismael Nery era um dândi narcisista, basta observar a quantidade de retratos e autorretratos com sua mulher e musa, Adalgisa. A beleza do casal era evidente, e aliada à habilidade intelectual do artista em rodas de discussões polêmicas, contribuía para elevar sua vaidade”, diz o curador. “Isso vindo de um homem que se dizia católico e professava sua fé em discussões filosóficas em sua casa e na casa de amigos no Rio de Janeiro. Era exímio dançarino, era o que chamamos hoje de artista performático. Esse poço de contradições nos legou uma das obras mais provocantes da arte moderna no Brasil”, declara.

Outro ponto marcante do artista é sua coragem. Morto precocemente aos 33 anos, de tuberculose, o artista voltou-se, sem medo e com maestria, entre a década de 1920 até o início dos anos 1930, para o exercício simultâneo das correntes artísticas mundiais, como o cubismo, o expressionismo e o surrealismo. Era avesso às questões modernistas brasileiras, que buscavam uma identidade nacional através dos traços e dos símbolos.

A coragem transparece também na abordagem de sua temática favorita, a ambivalência e a ambiguidade de gênero. “Ele alcança colocar numa mesma obra as duas situações no tratamento da questão de gênero, como em Duas figuras [s.d. grafite sobre papel], onde duas mulheres se beijam, uma branca e uma negra. Em outra, Namorados em traje de banho [s.d. Aquarela sobre papel] há a ambiguidade homem/mulher, ambos com corpos muito parecidos. Isso se repete em vários desenhos e pinturas”, comenta Paulo Sergio Duarte.

O curador prossegue: “A coragem de exercer uma transgressão formal é manifestada em inúmeras obras, como a surrealista Duas figuras e perfil [aquarela sobre papel], que na verdade apresenta quatro figuras, entre elas, a que se impõe é um ciclope negro de olho vermelho, além de uma sombra e uma figura confusa de mulher.”

De família abastada, Ismael Nery teve a oportunidade rara entre intelectuais brasileiros de viajar para a Europa. Em sua última visita ao continente (1927), conheceu André Breton, autor do Manifesto Surrealista (1924), quando frequentava o ateliê de Chagall.

Foi um dos precursores do surrealismo no Brasil, ao lado de Cícero Dias.

Paulo Sergio Duarte é curador, crítico e professor-pesquisador do Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESAP) da Universidade Candido Mendes e da Escola de Artes Visuais – Parque Lage, no Rio de Janeiro. Entre suas curadorias mais recentes encontram-se as retrospectivas de Lygia Clark (2012), em parceria com Felipe Scovino, e de Sergio Camargo (2015), em parceria com Cauê Alves, no Itaú Cultural, em São Paulo, esta última também exibida na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre; a retrospectiva de Amilcar de Castro (2014-2015), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; a individual “Antonio Dias – Potência da pintura” (2015), na Fundação Iberê Camargo, e “Guignard – A memória plástica do Brasil moderno” (2015), no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Posted by Patricia Canetti at 12:57 PM

Patricia Gouvêa na Mercedes Viegas, Rio de Janeiro

Mercedes Viegas apresenta exposição da artista visual Patricia Gouvêa com trabalhos em fotografia e vídeo sobre a resistência da natureza

Plena em seus ecossistemas preservados ou espremida entre as frestas do concreto das grandes cidades. A natureza resiste. Sobrevida, exposição da artista visual Patricia Gouvêa na galeria Mercedes Viegas Arte Contemporânea, traz uma série inédita com 16 trabalhos em fotografia e dois em vídeo realizados em localidades da Amazônia como a Reserva Adolpho Ducke do INPA; (Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas) o Parque Nacional de Anavilhanas; e a cidade de Presidente Figueiredo; e em quatro grandes cidades: Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Fort Lauderdale, nos Estados Unidos. Uma verdadeira reflexão sobre a domesticação da natureza, que fica em cartaz de 9 de maio a 16 de junho.

O texto de apresentação da exposição será assinado pelo físico Luiz Alberto Oliveira, curador geral do Museu do Amanhã e um dos grandes inspiradores da pesquisa que a artista desenvolve há anos sobre paisagem, natureza e sua relação com o tempo. A exposição é resultado desse extenso trabalho e teve parte significativa das obras realizada durante a residência LABVERDE, em que Patricia fez uma imersão de dez dias na Amazônia. A montagem vai integrar o interior e o exterior da galeria, situada no bairro da Gávea, em um trecho remanescente da Mata Atlântica.

- Sobrevida é uma pequena interrogação sobre as possíveis pontes entre arte, ciência e ativismo político e uma reflexão sobre a artificialização e coisificação crescente da natureza em meio a um cenário de destruição ambiental, aquecimento global, escassez de água e desrespeito aos direitos humanos – defende Patricia.

Os trabalhos reunidos na exposição foram feitos entre 2017 e 2018. À Amazônia, foram duas viagens em períodos bem distintos: de cheia, e baixa, do Rio Negro, e visitas a locais como a cidade de Presidente Figueiredo, com suas 67 cachoeiras belíssimas situadas muito próximas à Hidrelétrica de Balbina, considerada um crime ambiental.

Posted by Patricia Canetti at 12:35 PM

Amelia Toledo no 55SP, São Paulo

55SP lança edição da icônica obra Glu-Glu da artista Amelia Toledo

Múltiplo da escultura “Glu-Glu”, criada em 1968, é lançado no espaço da 55SP que abre ao público dia 10 de maio e segue para a feira JustLX em Portugal

A 55SP lança no dia 10 de maio uma edição limitada da icônica escultura em vidro e líquido com tensoativo Glu-Glu, de Amelia Toledo (1926-2017) criada no final dos anos 60, uma das mais celebradas invenções da artista.

A obra em formato de ampulheta ou chocalho traz em seu interior um líquido espumante e quando manuseada ou chacoalhada, forma bolhas que mudam a cada nova interação. A proposta da artista era justamente criar essa relação tátil entre corpo e a obra. O nome é uma onomatopeia do som que a água faz ao passar de uma esfera para a outra.

A obra “Glu-Glu “, que completa hoje 50 anos de existência foi mostrada pela primeira vez no Rio de Janeiro em 1968 e já esteve presente na Bienal de Arte de São Paulo e em outras exposições pelo mundo. A obra foi concebida por Amelia Toledo para ser um múltiplo e ganha uma edição certificada e assinada de 50 exemplares.

A 55SP também apresentará o “Glu-Glu” na feira internacional de arte JustLX em Lisboa (Portugal), onde a artista residiu e lecionou na Faculdade de Belas Artes nos anos 60.

A 55SP foi convidada pela curadoria da primeira edição do evento, focado em arte contemporânea emergente e que acontece entre os dias 17 e 20 de maio reunindo 43 galerias de todo o mundo.

Sobre a artista

Consagrada ainda em vida, a obra de Amelia Toledo está presente nas principais coleções particulares e acervos de museus do Brasil como o MASP, o MAC USP , MAM- Rio e trabalhos expostos permanentemente na Pinacoteca e MAM SP. Faleceu aos 90 anos em 2017, quinze dias após inaugurar sua retrospectiva “Lembrei que Esqueci”, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em São Paulo. A exposição foi premiada como a melhor exposição do ano no País em 2017 pela Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e também pela APCA de São Paulo.

Amelia recebeu importantes prêmios mundo afora e em 2016 foi artista homenageada no Prêmio Marcantonio Vilaça. Atualmente Amelia é destaque da exposição Radical Women, que já passou pelo Hammer Museum, que está aberta no Brooklin Museum de NY e chega no segundo semestre à Pinacoteca de São Paulo.

Amelia foi pintora, desenhista, escultora e gravadora, foi também designer de joias e professora. Sua obra pode ser conferida em https://ameliatoledo.com/

Posted by Patricia Canetti at 12:10 PM

maio 2, 2018

Roda de diálogo sobre arte e feminismo na Amparo 60 Califórnia, Recife

Aprofundar o debate sobre as interseções entre arte e feminismo é o ponto chave desta roda de diálogo que acontece na tarde do dia 5 de maio, às 15h, último dia da exposição A Noite Não Adormecerá - ou sobre aquilo que jorra, em cartaz na Galeria Amparo 60 (Rua Artur Muniz 82, salas 13/14, Boa Viagem). Artistas e pesquisadoras que se afinam com o debate estarão presentes para jogar luz sobre questões-chave, expor suas relações político-poético-estéticas com o tema e apontar caminhos possíveis para uma arte que tanto se muna do feminismo enquanto fonte de pesquisa e possa ser também amplificadora e divulgadora de um debate, quanto um feminismo que se fortaleça na aliança artística.

Com Marie Carangi, Bella Valle, Andrea Gáti, Sophia Branco, Akuenda Translésbicha e Kalor Pacheco. Outras artistas da mostra também estarão presentes para dialogar junto com o público. Mediação de Ana Paula Portela

Minibio das convidadas:

Akuenda Translésbicha. Monstra animalista, coletora selvagem, hacker institucional, urubruxa, transfeminista antihumanista e agitadora de políticas marginais.

Andréa Gáti, arquiteta e doutoranda da UFPE. Mestrado em arquitetura na UFPE sobre a obra da arquiteta Janete Costa, defendido em 2014.Doutorado em curso sobre a trajetória das pioneiras arquitetas pernambucanas.

Isabella Valle é mulher, fotógrafa e feminista. Professora doutora do Departamento de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba, escreveu sua tese sobre as mulheres fotógrafas do Recife. Foi também pesquisadora convidada da Université Paris 8, com a qual colabora junto ao grupo R.E.T.I.N.A., pensando sobre imagens. Mestre em comunicação e semiótica, tenta desvendar signos em tudo que a cerca, mesmo que (ou justamente por isso), às vezes, nada pareça fazer sentido algum. Para essas horas, resta o corpo - o contato, o movimento, os gestos e a respiração -, a terra, a água, gatos e plantas.

KALOR (Karolina Pacheco, 1990, Camaragibe - PE) é multiartista do corpo, da imagem e do texto.> Desenvolve trabalhos com performances e instalações transmidiáticas desde 2016. Autora da série #TECNOLOGIAASERVIÇODAORGIA, acerca da hipersexualização de mulheres pretas e/ou periféricas, apresentada, entre outras mostras e exposições coletivas, no Museu do Sexo das Putas (Belo Horizonte - MG), 27º Festival de Inverno de Garanhuns, Palco Preto e Dpto. de Teatro da UFSE. Co-criadora e roteirista da série de animação infantil Bia Desenha (REC Produtores/Carnaval Filmes). Atua também no jornalismo, assessoria de imprensa/comunicação e crítica culturais.Gestora pública municipal na Fundação de Cultura de Camaragibe (CulturaCamaragibe).

Sophia Branco é socióloga, militante do Fórum de Mulheres de Pernambuco e colaboradora da Universidade Livre Feminista. Pesquisa práticas de articulação política dos movimentos feministas e caminhos para a construção de uma perspectiva política não patriarcal.

Posted by Patricia Canetti at 10:05 AM