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dezembro 18, 2017

Iberê Camargo na FIC, Porto Alegre

Exposição Sombras no Sol apresenta o Rio de Janeiro na visão de Iberê Camargo

Com curadoria de Eduardo Haesbaert e Gustavo Possamai, mostra apresenta obras representativas dos 40 anos em que o artista viveu no Rio de Janeiro e sua relação com a cidade. Exposição fica em cartaz até o dia 14 de janeiro de 2018, na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre/RS

No próximo sábado, 11 de novembro, a Fundação Iberê Camargo inaugura a exposição Sombras no Sol, que ficará em cartaz até o dia 14 de janeiro de 2018. Com curadoria de Eduardo Haesbaert e Gustavo Possamai, a exposição traz 41 peças do acervo – entre pinturas, desenhos, gravuras e documentos – que retratam a visão de Iberê Camargo sobre o Rio de Janeiro, cidade onde morou por 40 anos. A visitação tem entrada franca.

Iberê viveu e trabalhou no Rio de Janeiro por quase 40 anos. Foi lá onde teve uma intensa formação junto ao pintor Alberto da Veiga Guignard, recebeu um prêmio para estudar no exterior, escolheu viver depois do período de estudos na Europa e produziu a maior parte da sua obra, tendo alcançado altíssimo reconhecimento profissional e sendo considerado o maior pintor vivo do Brasil.

A exposição toma como ponto de convergência uma fala de Iberê Camargo que expressa as contradições do seu mundo subjetivo: "Há muitas sombras no sol" (como um dia comum, alegre e ensolarado que, do ponto de vista de um artista pintor, pode ser visto como sombrio), e o texto "Recordações do Rio de Janeiro", escrito pelo artista em 1965, onde faz uma reflexão sobre os pouco mais de 20 anos em que morava na cidade: "Zombei do Pão de Açúcar, ri da Baía de Guanabara, criação de um Deus acadêmico, e fui buscar minhas cores nos recantos mais humildes, os que não interessam ao turista nem figuram nos cartões-postais". Dessa forma, a mostra pretende que os visitantes vejam a Cidade Maravilhosa sob a ótica do artista, que aponta para uma paisagem muitas vezes vazia e melancólica, nublada – distante do sol e das cores tropicais.

No percurso proposto, a mostra marca cronologicamente o período entre a saída e o posterior retorno de Iberê a Porto Alegre: inicia com desenhos que o artista fez do carnaval de Porto Alegre em 1942 – um símbolo tão arraigado à cultura carioca – e encerra com a pintura Solidão, produzida 52 anos depois.

Sombras no Sol exibe, ainda, um conjunto de documentos que registram o ataque conservador a uma exposição do Grupo Guignard, em 1943, do qual Iberê era um dos integrantes, e a censura a uma de suas obras durante o V Salão Nacional de Arte Moderna, em 1956, no Rio de Janeiro. "Importante trazer à visibilidade e ao debate público o registro de momentos sombrios que apresentam tanta relação com os dias atuais, uma vez que Iberê os vivenciou com resistência, em defesa da arte, do diálogo e do respeito, aspectos tão fundamentais à liberdade de expressão", dizem os curadores.

A mostra dialoga com a outra exposição em cartaz na Fundação, Vivemos na Melhor Cidade da América do Sul, que também aborda aspectos da cidade do Rio de Janeiro.

Iberê Camargo - [Restinga Seca, 1914 – Porto Alegre, 1994] - Iberê Camargo é um dos grandes nomes da arte brasileira do século 20. Autor de uma extensa obra, que inclui pinturas, desenhos, guaches e gravuras, Iberê nunca se filiou a correntes ou movimentos, mas exerceu forte liderança no meio artístico e intelectual brasileiro. Dentre as diferentes facetas de sua vasta produção, o artista desenvolveu as conhecidas séries Carretéis, Ciclistas e As idiotas, que marcaram sua trajetória. Grande parte de sua produção, estimada em mais de sete mil obras, compõe hoje o acervo da Fundação Iberê Camargo.

Posted by Patricia Canetti at 11:08 AM

dezembro 17, 2017

9º Salão dos Artistas sem Galeria na Sancovsky e Zipper, São Paulo

9º Salão dos Artistas sem Galeria realiza duas mostras em São Paulo, nas galerias Sancovsky e Zipper

A 9ª edição do Salão dos Artistas Sem Galeria, promovido pelo impresso e portal Mapa das Artes, realiza, a partir de 15/01/2018 (Galeria Sancovsky) e 16/01/2018 (Zipper Galeria), as duas exposições simultâneas com obras dos 10 artistas selecionados nesta edição.

Participam da 9a edição do Salão os artistas Angela Od (RJ), Caio Pacela (SP/RJ), Renata Pelegrini (SP), Mercedes Lachmann (RJ), João GG (RS/SP), João Galera (PR/SP), David Almeida (DF/SP), Élcio Miazaki (SP), Sonia Dias (SP) e Yoko Nishio (RJ). Os artistas foram escolhidos pelo júri formado por Fernanda Resstom (Galeria Central), Nathalia Lavigne (curadora independente) e Renata Castro e Silva (Galeria Carbono). Os dez artistas participação de duas mostras coletivas simultâneas em São Paulo, nas galerias Sancovsky e Zipper, entre 15/1 e 24/2; e na Orlando Lemos Galeria de Arte, em Nova Lima (MG), entre 10/3 e 20/4/18.

A mostra dos artistas selecionados reúne obras em diferentes técnicas e formatos, como pinturas, esculturas, desenhos, colagens e fotografias.

A 9ª edição recebeu 154 inscrições, provenientes de 11 Estados mais Distrito Federal. São Paulo compareceu com 87 artistas. Rio de Janeiro enviou 33 inscritos. Em seguida vieram Minas Gerais (11), Paraná (seis), Distrito Federal (cinco), Rio Grande do Sul (quatro), Goiás (duas) e Santa Catarina, Espírito Santo, Bahia, Ceará e Maranhão (uma cada).

O Salão dos Artistas Sem Galeria tem como objetivo avaliar, exibir, documentar e divulgar a produção de artistas plásticos que não tenham contratos verbais ou formais (representação) com qualquer galeria de arte na cidade de São Paulo. O Salão tradicionalmente abre o calendário de artes em São Paulo e é uma porta de entrada para os artistas selecionados no mundo das artes.

HISTÓRICO DO SALÃO DOS ARTISTAS

A 1ª edição do Salão dos Artistas Sem Galeria selecionou os artistas Affonso Abrahão (SP), Amanda Mei (SP), Bartolomeo Gelpi (SP), Bettina Vaz Guimarães (SP), Christina Meirelles (SP), João Maciel (MG), Luiz Martins (SP), Rodrigo Mogiz (MG), Pedro Wirz (brasileiro radicado na Suíça) e Sandra Lopes (SP). O júri de seleção foi composto pelo curador Cauê Alves e pelos galeristas Mônica Filgueiras e Daniel Roesler. As mostras aconteceram na Casa da Xiclet e na Matilha Cultural. Os premiados desta edição foram Amanda Mei, Bartolomeo Gelpi e Bettina Vaz Guimarães.

A 2ª edição do Salão selecionou os artistas Maria Luisa Editore, Anne Cartault d´Olive, Adriano Amaral, Camila Alvite e Tatewaki Nio (São Paulo/SP); Sidney Amaral (Mairiporã/SP); Roma Drumond (Rio de Janeiro/RJ); Osvaldo Carvalho (Niterói/RJ); Luiz Rodolfo Annes (Curitiba/PR); e Tatiana Cavinato (Belo Horizonte/MG). O júri de seleção foi formado por três galeristas de São Paulo: Fábio Cimino (Zipper), Juliana Freire (Emma Thomas) e Wagner Lungov (Central Galeria de Arte Contemporânea). A premiada desta edição foi Camila Alvite.

A 3ª edição do Salão selecionou os artistas Cris Faria (baiano radicado em Zurique, Suíça), Danielle Carcav (RJ), Diego de los Campos (SC), Edney Antunes (GO), Julio Meiron (SP), Maria Isabel Palmeiro (RJ), Pedro di Pietro (SP), Roberta Segura (SP), Rodrigo Sassi (SP) e Victor Lorenzetto Monteiro (ES). Os artistas foram selecionados pelos galeristas Jaqueline Martins, Henrique Miziara (Pilar) e Marcelo Secaf (Logo). O premiado desta edição foi Rodrigo Sassi.

A 4ª edição do Salão selecionou os artistas Fábio Leão (AL/SP), Layla Motta (SP), Paula Scavazzini (SP), Viviane Teixeira (RJ), Elizabeth Dorazio (MG/SP), Roberto Muller (RJ), Betelhem Makonnen (Etiópia/RJ), Fabíola Chiminazzo (PR/SP), Michelly Sugui (ES) e AoLeo (RJ). O júri de seleção foi formado pelo galerista Ricardo Trevisan (Casa Triângulo), pelo curador e professor da FAAP Fernando Oliva e pelo curador do MAM de Goiás Gilmar Camilo (GO). Três artistas empataram e foram premiados: Fábio Leão, Fabíola Chiminazzo e Layla Motta.

A 5ª edição do Salão selecionou os artistas Clara Benfatti (França/SP), Flora Rebollo (SP), Zed Nesti (RJ/SP), Guilherme Callegari (SP), Sheila Ortega (SP), Marcos Akasaki (SP), Heleno Bernardi (MG/RJ), Daniel Duda (PR), Regina Cabral de Mello (EUA/RJ) e Tchelo (SP). O júri de seleção foi formado pelos curadores João Spinelli e Paula Braga e pelo galerista Elísio Yamada (Galeria Pilar) O premiado foi Daniel Duda.

A 6ª edição do Salão selecionou os artistas Andrey Zignnatto (SP), Charly Techio (SC/PR), Cida Junqueira (SP), Evandro Soares (BA/GO), Fernanda Valadares (SP/RS), Lucas Dupin (MG), Marcos Fioravante (PR/RS), Myriam Zini (Marrocos/SP), Piti Tomé (RJ) e Thais Graciotti (ES/SP). O júri foi formado pelos curadores Adriano Casanova, Enock Sacramento e Mário Gioia. O premiado foi Andrey Zignnatto.

A 7ª edição do Salão selecionou os artistas Bruno Bernardi (GO/SP; natural de Goiânia, mas radicado em São Paulo), Daniel Antônio (MG/SP), Daniel Jablonski (RJ), Felipe Seixas (SP), Giulia Bianchi (SP), Marcelo Oliveira (RJ), Mariana Teixeira (SP), Renan Marcondes (SP), Renato Castanhari (SP) e Sergio Pinzón (Colômbia/SP). O júri foi formado pelos curadores Jacopo Crivelli Visconti, Marta Ramos-Yzquierdo e Douglas de Freitas. O premiado foi Daniel Jablonski (RJ).

A 8a edição do Salão selecionou os artistas Lula Ricardi (SP), Maura Grimaldi (SP), Jefferson Lourenço (MG), Marcelo Barros (SP), Gunga Guerra (Moçambique/RJ), Marcelo Pacheco (SP), Luciana Kater (SP), Cesare Pergola (Itália/SP), Juliano Moraes (GO) e Cristiani Papini (MG). O júri foi formado por Adriana Duarte (galerista capixaba da paulistana Casa da Xiclet), Paula Alzugaray (jornalista e editora da revista “Select”) e Rodrigo Editore (galerista e sócio da também paulistana galeria Casa Triângulo). O premiado foi o mineiro Jefferson Lourenço.

MAPA DAS ARTES

Criado em 2002 pelo jornalista Celso Fioravante, o Mapa das Artes é o guia impresso de artes visuais mais completo de São Paulo. O encarte dobrável oferece gratuitamente a cada dois meses toda a programação de museus, galerias e espaços dedicado às artes visuais, além de serviços. O site do Mapa das Artes (www.mapadasartes.com.br) é um portal que cobre todo o Brasil, com programação e serviço de museus de todos os Estados. O site dispõe de seções diversas, como a dedicada aos salões de arte, com datas e editais; a seção Curtas, com matérias e serviço sobre acontecimentos, eventos e assuntos de interesse do público de artes visuais; além das colunas Supernova, com notas quentes; e Notícias, que seleciona artigos de artes plásticas dos principais veículos do mundo. Sua cobertura abrangente faz o Mapa das Artes ser peça fundamental para o desenvolvimento do circuito de arte brasileiro.

Posted by Patricia Canetti at 1:20 PM

Recesso de final de ano 2017/2018 e horários de verão

As seguintes galerias e instituições informam os seus períodos de fechamento neste final de ano:

Adelina Galeria: 23/12 a 08/01
Caixa Cultural Rio de Janeiro: 23/12 a 05/01
Casa Nova Arte e Cultura Contemporânea*: 23/12 a 18/01
Casa Triângulo: 24/12 a 07/01
Cassia Bomeny Galeria: somente nos feriados de 25/12 e 01/01
Fortes D’Aloia & Gabriel - galeria, galpão e Carpintaria**: 22/12 a 07/01
Fundação Vera Chaves Barcellos: 26/12 a 22/01
Galeria Luisa Strina***: 23/12 a 07/01
Galeria Marcelo Guarnieri - Ribeirão Preto, Rio de Janeiro e São Paulo: 22/12 a 07/01
Galeria Marilia Razuk: 22/12 a 11/01
Galeria Millan: 24/12 a 15/01
Galeria Multiarte: 22/12 a 07/01
Galeria Nara Roesler: 22/12 a 08/01
Galeria Nara Roesler NY
Galeria Nara Roesler Rio
Galeria Vermelho: 23/12 a 07/01
Mercedes Viegas Arte Contemporânea: 24/12 a 07/01
Museu Nacional de Belas Artes: 24, 25, e 31/12; e 01/01
Paço Imperial: 24, 25 e 31/12; e 01/01
Pinakotheke Cultural: 22/12 a 07/01
Pinakotheke São Paulo: 22/12 a 07/01
Silvia Cintra + Box4: 24/12 a 01/01
Zipper Galeria: 23/12 a 07/01

* Casa Nova Arte: reabre em 19/01 com novo horário - terça a sábado, 12-18h

** Fortes D’Aloia & Gabriel: Visitação em horário de verão (08/01 a 09/02) - segunda a quinta, 10-19h; sextas, 10-18h

*** Galeria Luisa Strina: Visitação em horário de verão até 09/02 - segunda a sexta, 10-19h; abrirá no sábado 20/01, 10-17h, para o encerramento da individual de Fernanda Gomes.

Posted by Patricia Canetti at 12:27 PM

Prova de Artista na Fortes D'Aloia & Gabriel, São Paulo

Prova de Artista toma o título de empréstimo do termo originário da gravura – as provas de artista são as cópias que o autor reserva para si, à parte da edição final de uma obra – para investigar a relação de intimidade que o artista mantém com o próprio trabalho. Concebida e organizada pela equipe da Fortes D’Aloia & Gabriel, a coletiva reflete o desejo de desvelar questões próprias do fazer artístico que muitas vezes ficam restritas aos bastidores da produção.

Ao debruçar-se sobre as decisões que levam o artista a reconhecer a obra já em seu estado final ou compreendê-la como experimento de sua vivência no ateliê, a exposição promove a redescoberta de obras como Retalhos de Plástico (1996) de Leda Catunda. Tido pela artista como um estudo, o trabalho permanecia inédito e “esquecido” até então, podendo agora adentrar novos territórios semânticos. Rodrigo Cass exibe, em sequência, quatro vídeos realizados entre 2006 e 2007. São seus primeiros flertes com essa mídia, cuja mise-en-scène caseira revela um vínculo íntimo e afetivo. Contents (2017), uma pintura de concreto sobre linho, também desenvolve essa noção ao reinterpretar a pauta de seu caderno de anotações com alguns conceitos-chave que norteiam sua pesquisa.

Em conjunto, os trinta desenhos Sem título (2017) de Cabelo denotam um ritmo intenso de produção, excerto de uma série de 140 estudos a óleo realizada em apenas três dias. Antes de ganharem painéis, telas e murais de maior escala, seus seres híbridos convivem com anotações processuais, onde o próprio artista assinala a intensidade de sua práxis ao afirmar em um dos desenhos: “não paro”. A palavra também é explorada nas Cartas para Poemas Automáticos (2012) de Odires Mlászho, nas quais fragmentos de clichês tipográficos se mesclam ao fundo reticulado para dar origem a composições abstratas.

Retrato (2008) de Luiz Zerbini representa um ponto de virada em sua carreira e exemplifica sua diversificada investigação pictórica. Exibida originalmente como parte de uma instalação no Centro Universitário Maria Antonia (São Paulo, 2008), a obra é uma grande tela negra que vai à divisa da problemática da representação na pintura: sua superfície reflexiva é preenchida por vultos do entorno.

Jac Leirner apresenta duas obras que demonstram um contínuo compromisso de explorar os materiais até o limite. Osso 008 (40 Desenhos) (2008) é concebida a partir dos estudos de sua série com sacolas de plástico, enquanto Timeline (2008-2014) é feita com aparas de papel de outra obra, elegidas e agrupadas por inscrições das datas. De maneira análoga, os Desenhos (2016) de Lucia Laguna ganham forma a partir das sobras materiais de sua atividade: são colagens com as fitas utilizadas nas suas telas que traduzem de forma autônoma a abstração desenvolvida nas pinturas. Sara Ramo, por sua vez, cria esculturas de gesso pedra em Matriz e a Perversão da Forma (2015) a partir das máscaras de papel presentes em seu vídeo Os Ajudantes (2015).

O Radiador Bruto 5 (2017) de Cristiano Lenhardt é parte de um série iniciada em 2014. Retiradas do mundo em seu estado cru, a obra revela uma curiosa abstração espontânea, cuja geometria flerta com o aspecto randômico de outros trabalhos do artista. Em processo similar, Rodrigo Matheus instala a carcaça de um aparelho antigo de ar-condicionado no canto superior de uma das paredes da Galeria. Potencializado pela ambiguidade permissiva do teste, o corpo estranho adere ao espaço e instaura-se entre a dúvida e a possibilidade do pertencimento real.

A série Vermeer (1997-2002) de Mauro Restiffe esgarça os limites da metalinguagem ao explorar as possibilidades de presença de uma mesma fotografia em diferentes contextos. Se Vermeer (1997) apresentava uma pintura entrecortada de Johannes Vermeer no museu, Wrapped Vermeer (1999) é a foto da foto de 1997 embrulhada em plástico bolha, enquanto em Hanging Vermeer (2002) a mesma reaparece pendurada no laboratório fotográfico. Essa última, editada pela primeira vez especialmente para esta exposição, é apresentada com uma sequência de folhas de contato fotográficas que explicitam diferentes momentos da série e o processo de escolhas do artista.

Com Environ (2017), Pedro França ocupa o segundo andar da Galeria criando um ambiente distópico em tons verdes e azuis de chroma key. As peças são ambivalentes e podem ser lidas tanto como esculturas autônomas quanto como objetos de cena cuja presença converge no trabalho em vídeo que completa a instalação. Usando as superfícies de chroma key para inserir efeitos visuais, o artista continuará editando o vídeo ao longo da mostra, oferecendo uma obra em mutação que se coloca incessantemente à prova.

Posted by Patricia Canetti at 11:57 AM

dezembro 15, 2017

Raro Percurso na Ipanema, Rio de Janeiro

Com um precioso acervo formado por trabalhos de grandes mestres da arte contemporânea e moderna, o espaço de arte dirigido por Luiz Sève e sua filha Luciana Sève retoma o tradicional endereço da Rua Aníbal de Mendonça, 27, em Ipanema, após três anos de construção do belo edifício projetado por Miguel Pinto Guimarães.

A Galeria de Arte Ipanema abre no próximo dia 28 de novembro, às 19h, a exposição Raro Percurso – 52 anos da Galeria de Arte Ipanema, que marca a inauguração de sua nova sede em prédio com projeto arquitetônico de Miguel Pinto Guimarães. Dirigida por Luiz Sève e sua filha Luciana Sève, a Galeria de Arte Ipanema passará a ocupar o andar térreo e metade do primeiro andar da bela construção com quatro andares e dois subsolos, que abriga ainda três unidades destinadas a escritórios empresariais. Ao longo do período de exposição será lançado o livro “Raro Percurso – 52 anos da Galeria de Arte Ipanema” (Barléu) com texto do crítico Paulo Sergio Duarte, capa dura, formato de 21cm x 25cm, e 100 páginas. “Espero que um jovem que começa sua coleção, um jovem artista ou, mesmo, crítico possam ter uma ideia, embora tênue, do contexto em que nasce a Galeria de Arte Ipanema”, escreve Paulo Sergio Duarte. Para ele, o percurso de Luiz de Paula Sève no mercado de arte e de sua galeria é “coisa raríssima, para não dizer única no Brasil”.

Com 52 anos de atividades ininterruptas, a Galeria de Arte Ipanema volta assim ao seu tradicional endereço no número 27 da Aníbal de Mendonça, onde se instalou em 1972, e mostra nesta exposição inaugural de seu novo espaço sua íntima relação com a história da arte por mais de cinco décadas, e a força de seu acervo. Serão exibidas cerca de 60 obras de mais de 50 artistas de várias gerações e diferentes pesquisas, expoentes da arte contemporânea e do modernismo, entre eles grandes mestres da arte cinética, do concretismo e do neoconcretismo. Junto a pesos-pesados da arte, a exposição também reunirá pinturas de artistas mais jovens, como a norte-americana Sarah Morris (1967), que fez “Banco Aliança [Rio]” (2012) – conhecida por suas pinturas geométricas de cores vibrantes, inspiradas principalmente na arquitetura das grandes metrópoles – e os paulistanos Henrique Oliveira (1973) e Mariana Palma (1979).

Em uma verdadeira festa para o olhar, a exposição se inicia com seis pinturas cinéticas da famosa série “Physichromie” de Cruz-Diez (1923) – artista representado pela galeria –, que oferecem três diferentes conjuntos de cores de acordo com a posição do espectador: de frente, caminhando da esquerda para a direita, ou no sentido contrário. Esses trabalhos se juntam a outros grandes nomes da arte cinética, como um óleo sobre tela da década de 1970 e um móbile dos anos 1960 de Julio Le Parc (1928); uma versão em formato de 55 cm da espetacular “Sphère Lutétia” (1996), uma das três obras de Jesús Soto (1923-2005) na mostra; uma pintura de mais de 1,60m da série “W” de Abraham Palatnik (1928), entre trabalhos de outros cinéticos, como o relevo de quase três metros de largura de Luis Tomasello (1915-2014).

CONSTRUTIVISMO E NEOCONCRETISMO

De Sérgio Camargo (1930-1990) estarão três significativos relevos em madeira pintada, e um deles, “Relief 13-83” (1965), participou da Bienal de Veneza em 1966, onde o artista tinha uma sala especial com 22 obras. De Waltercio Caldas (1946), integrará a mostra a escultura “Fuga” (2009), esmalte sobre aço inox e lã. Um núcleo da exposição é composto por uma gravura de Richard Serra (1938), pela obra “Maquete para interior” (1955), de Lygia Clark (1920-1988), uma escultura em aço pintado de Franz Weissmann (1911-2005), uma escultura e uma pintura de Amilcar de Castro (1920-2002), duas pinturas de Aluísio Carvão (1920-2001) e dois trabalhos de Ivan Serpa (1923-1973). A “Pintura nº 355” (1991), do argentino Juan Melé (1923-2012), também integrará a mostra.

MAIS PINTURAS – ABSTRACIONISMO, EXPRESSIONISMO, NOVA FIGURAÇÃO

Quatro pinturas em têmpera de Alfredo Volpi (1896-1988) – uma dos anos 1960 e três da década seguinte – também estarão na exposição, bem como conjuntos das famosas séries “Ripa” e “Bambu”, dos anos 1970, de Ione Saldanha (1919-2001), em têmpera sobre madeira.

“52 anos – Um raro percurso” mostrará óleos sobre tela dos anos 1960 e 1950 de Tomie Ohtake (1913-2015) e Manabu Mabe (1924-1997), dois artistas que participaram da exposição inaugural da Galeria Ipanema, em 1965. Arcangelo Ianelli (1922-2009), Abelardo Zaluar (1924-1987) e Paulo Pasta (1959) também terão obras na mostra.

A exposição apresentará pinturas de Iberê Camargo (1914-1994), Milton Dacosta (1915-1988), Maria Leontina (1917-1984), Jorge Guinle (1947-1987) e Beatriz Milhazes (1960).

Raymundo Colares (1930-1990), artista que fez sua primeira individual na Galeria de Arte Ipanema, estará representado pela pintura “Midnaite Rambler” (1983), em tinta automotiva sobre madeira. Wesley Duke Lee (1931-2010) terá na exposição três pinturas em nanquim, guache e xerox sobre papel: “Nike descansa ” (1966-86), “O Alce (Sapato com fita amarrando, 1966-86)”, e “Os mascarados” (1966-86). “Tô Fora SP” (1968), de Rubens Gerchmann (1942-2008), e duas pinturas de Wanda Pimentel (1943), das décadas de 1970 e 90, se somam a quatro obras de Paulo Roberto Leal (1946-1991), artista que também teve sua primeira individual realizada na Galeria Ipanema.

Outros grandes nomes da arte contemporânea que integrarão “52 anos – Um raro percurso”, são: Frans Krajcberg (1921), Cildo Meireles (1948), Nelson Félix (1954), Antonio Manuel (1947) e Vik Muniz (1961).

MODERNISMO

Luiz Sève teve um contato privilegiado com grandes artistas, entre eles sem dúvida está Di Cavalcanti (1897-1976), de quem serão exibidas três óleos sobre tela. Outros grandes nomes do modernismo que estarão na exposição são Portinari (1903-1962), com a pintura “Favela” (1957), Djanira (1914-1979), com “Sala de Leitura” (1944), e Pancetti (1902-1958), com “Farol de Itapoan” (1953).

BREVE HISTÓRIA DE UM RARO PERCURSO

A história da Galeria Ipanema se mistura à da arte moderna e sua passagem para a arte contemporânea, e seu precioso acervo é fruto de seu conhecimento privilegiado de grandes nomes que marcaram sua trajetória. Fundada por Luiz Sève, a mais longeva galeria brasileira iniciou sua bem-sucedida trajetória em novembro de 1965, em um espaço do Hotel Copacabana Palace, com uma exposição com obras de Tomie Ohtake e Manabu Mabe, entre outros. Até chegar à casa da Rua Aníbal de Mendonça, em Ipanema, em 1972, passou ainda por outros endereços, como o Hotel Leme Palace, no Leme, e a Rua Farme de Amoedo, já em Ipanema.

PRESENÇA EM SÃO PAULO

De 1967 a 2002, Frederico Sève – irmão de Luiz – foi sócio da Galeria Ipanema, onde idealizou e dirigiu de 1972 a 1989 uma expansão em São Paulo, inicialmente na Rua Oscar Freire, em uma casa construída especialmente projetada pelo arquiteto Ruy Ohtake.

A Galeria Ipanema foi uma das precursoras a dar visibilidade ao modernismo, e representou, entre outros, com uma estreita relação, os artistas Volpi (1896-1988) e Di Cavalcanti (1897-1976), e realizou as primeiras exposições de Paulo Roberto Leal (1946-1991) e Raymundo Colares (1944-1986).

Nascido em uma família amante da arte, Luiz Sève aos 24 anos, cursando o último ano de engenharia na PUC, decidiu em 1965 se associar à tia Maria Luiza (Marilu) de Paula Ribeiro na criação de uma galeria de arte. Na família amante de arte, outro tio, o pneumologista Aloysio de Paula (1907-1990), médico de Pancetti, havia sido diretor do MAM.

Luiz Sève destaca que é na galeria que encontra sua “fonte de prazer”. Uma característica de sua atuação no espaço de arte é “jamais ter discriminado ou julgado qualquer pessoa pela aparência”. “Há o componente sorte também”, ele ressalta, dizendo que já teve acesso a obras preciosas por puro acaso. A Galeria Ipanema mantém em sua clientela colecionadores no Brasil e no exterior, e já atendeu, entre muitas outras, personalidades como o mecenas da arte David Rockefeller, o secretário de defesa do governo Kennedy Robert McNamara, e o escritor Gabriel Garcia Marquez.

Posted by Patricia Canetti at 12:29 PM

Ana Horta no Palácio das Artes, Belo Horizonte

Artista de reconhecimento nacional e com pinturas, gravuras e desenhos que fizeram parte de exposições na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (Rio de Janeiro) e no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (São Paulo), a mineira Ana Horta tem sua obra revista em exposição póstuma na Galeria Genesco Murta.

O público pode conferir Descascando o Branco, mostra com trinta trabalhos produzidos durante a década de 1980, dispostos de maneira cronológica. A exposição é uma parceria entre a Fundação Clóvis Salgado, a família de Ana Horta e a AM Galeria de Arte.

Para a gerente de Artes Visuais da Fundação Clóvis Salgado, Uiara Azevedo, uma das principais características da pintura de Ana Horta é seu traço expressivo, comum entre diversos artistas da década de 1980.

“O trabalho de Ana tem relação com o gesto, marcando na tela um percurso súbito e imediato. A intensidade e a profusão das cores são características acentuadas de sua pintura. Ela foi uma das artistas mais representativas da sua geração, a importante Geração 80, que tinha jovens artistas brasileiros resgatando a volta da pintura após a repressão artística durante o período militar”, conta Uiara Azevedo. Ainda segundo a gerente, a complexidade visual das obras de Ana Horta pode ser percebida na utilização de cores e formas geométricas.

A própria artista costumava dizer que “a cor é o branco descascado”. A partir dessa ideia, então, surgem todas as profusões e misturas de cores retratadas nas obras. Já as características gráficas simétricas de linguagem urbana são fruto das pinturas em muros e murais de rua – seu trabalho mistura paisagens, arquiteturas e personagens do cotidiano.

Resgate e legado – Apesar de realizar diversas exposições individuais na década de 1980 e ter seus trabalhos expostos em mostras póstumas e coletivas, há dez anos o trabalho de Ana Horta não é exposto individualmente. Um dos principais cuidados na produção da mostra foi a busca por um panorama que retratasse bem a obra de Ana Horta.

A partir de conversas com a família da artista, foi decidido quais obras fariam parte da exposição. Ao todo, foram selecionadas 40 obras que representam um recorte cronológico da breve, porém produtiva, carreira de Ana Horta. Assim, a mostra Descascando o Branco revela sua importância ao apresentar o trabalho da artista a uma nova geração, formando um novo público.

Ana Horta – Mineira de Bom Despacho, Ana Maria Horta de Almeida nasceu em 1957 e faleceu precocemente aos 30 anos, em Belo Horizonte, vítima de um acidente automobilístico. Atuando como pintora, desenhista e professora, ingressou na Escola de Belas Artes da UFMG em 1978 e especializa-se em gravuras, realizando projetos de design gráfico para capas de discos e livros. Dialogando com o que há de melhor entre seus contemporâneos, seja no Brasil ou no mundo, Ana Horta se tornou uma das grandes referências da pintura oitentista brasileira.

Posted by Patricia Canetti at 9:33 AM

Christus Nóbrega no Palácio das Artes, Belo Horizonte

Fotografia, foto-instalação, foto-objeto, vídeo-instalação e escultura compõem a exposição Labirinto do artista plástico Christus Nóbrega, indicado ao Prêmio Pipa de 2017. Em seu trabalho, o artista revisita o álbum de família, a história social de um lugar e apresenta obras inéditas que têm a Renda Labirinto primordialmente como matriz. Trata-se de uma construção material humana, que propõe um labirinto que concretiza a existência de trajetos sinuosos, combinando formatos como o de espiral e o de trança.

De acordo com Christus Nóbrega, a exposição está organizada em órbitas gravitacionais e zonas de aproximação que permitem múltiplos percursos e têm concepção expográfica do arquiteto Gero Tavares. “A disposição das obras acontece como um arquivo e acesso de nossa própria memória, sempre de forma tridimensional, não linear e nebulosa”, explica Nóbrega.

A curadoria, feita por Cinara Barbosa, privilegia o entrelace das peças sem pretender sugerir segmentos específicos com a tentativa de colocar as variações interligadas para preservar caminhos que, uma vez seguidos, possam sempre se bifurcar entre outros. “Venho participando por meio da observação dos processos desde quando se iniciou a pesquisa. Trata-se de aprendizado contínuo de encantamento, de surpresas e revelações de uma história que parece não acabar e nos levar para outros caminhos nesse labirinto que reúne a força de mulheres na condução de seus destinos e de sua sobrevivência”, conta Cinara.

O labirinto é um tipo de renda de linho feita, exclusivamente, por mulheres. De origem europeia, a produção se estabeleceu em Chã dos Pereira, na Paraíba, cidade que fica há cerca de 40 minutos de João Pessoa, onde nasceu Christus Nóbrega. Segundo o artista, as mulheres riscam sobre o linho um desenho e escolhem algumas zonas para desmancharem a trama do linho. “Primeiro, existe uma ideia de desmantelar o linho. Depois, essas mulheres desfiam parte do tecido e começam a reconstruir essa trama com os bordados, que acabam virando flores ou ornamentos. Então, o processo do labirinto é o desmantelamento e a reconstrução dessa trama”, explica.

Para a exposição, o artista conecta a técnica com outras concepções do bordado, preservando elementos técnicos ao mesmo tempo que intercede em favor de sua pesquisa poética. Assim, mantém o linho, considerado tecido nobre e símbolo de herança colonial e da economia do algodão, dá vazão ao estiramento do pano no bastidor como recurso e o efeito de tela e enfatiza detalhes da trama têxtil e algumas gravuras.

Christus Nóbrega se entregou a uma pesquisa durante três anos, viajando regularmente para a Paraíba. Nessa vivência, o artista rememorou a história de sua família, revisitou o lugar onde morou sua avó, que revendia o labirinto como forma de sustento. “A história da minha avó se conecta com a de outras mulheres no Brasil por ter ficado viúva, ser mãe de seis filhos e ter que entregá-los a outras famílias por falta de renda. Me dei conta de que o labirinto tinha essa perspectiva, essa metáfora de desmantelamento da trama e reconstrução familiar na sua produção. Achei uma ótima metáfora para falar sobre minha memória, que é individual, mas, de certa forma, é também coletiva, além de contar um pouco do passado do Brasil”, conta o artista.

Expondo pela primeira vez no Palácio das Artes, Christus Nóbrega diz se sentir acolhido em Belo Horizonte. “Como nordestino, é ótima oportunidade que tenho de mostrar os aspectos da irmandade que existe entre as tradições mineiras e paraibanas. Particularmente, daquelas construídas pelas mãos de mulheres que se dedicam a ofícios artesanais têxteis”, afirma.

Cinara Barbosa chama a atenção para um trabalho rigoroso de apresentação das sutilezas das diversas memórias que estão presentes. O labirinto é apresentado por fragmentos assim como as imagens. “Podemos perceber por meio da estrutura dos estandartes o jogo de luz e sombra que nos remete à luz da região onde é produzido. Tudo é uma revisitação. Tanto a renda quanto as imagens apontam para reminiscências. Estão ali como fragmentos, desconstruções e reestruturações”, afirma a curadora.

Christus Nóbrega - Artista e Professor Adjunto do Departamento de Artes Visuais (VIS), do Instituto de Artes (IdA) da Universidade de Brasília (UnB). Doutor e Mestre em Arte Contemporânea pela UnB. Leciona e orienta nos cursos de Pós-Graduação em Artes da mesma instituição. Vem participando regularmente de exposições nacionais e internacionais. Tem obras em acervos e coleções privadas e institucionais, a exemplo da Fondation Cartier – Paris, no Museu de Arte do Rio (MAR) - Rio de Janeiro, no Museu Nacional – Brasília, no acervo do Itamaraty e na Central Academy of Fine Arts – Pequim. É autor de livros e artigos científicos na área de artes e arte/educação. Indicado ao Prêmio Pipa (2017) e Premiado pelo Programa Cultural da Petrobras (2004 e 2011) e pelo Museu da Casa Brasileira (2004). Em 2015, representou o Brasil na China pelo Programa de Residência Artística do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, na universidade chinesa Central Academy of Fine Arts (CAFA).

Posted by Patricia Canetti at 9:06 AM

dezembro 13, 2017

Lançamento do livro Poema/Processo + performance de Paulo Bruscky + projeção de Apocalipopótese na Superfície, São Paulo

A Galeria Superfície convida para o lançamento do livro “Poema/Processo: uma vanguarda semiológica”

Temos o prazer de convidá-lo para o lançamento do livro Poema/Processo: uma vanguarda semiológica, projeto e realização da Galeria Superfície em parceria com a editora WMF Martins Fontes e projeto gráfico do Estúdio Margem. O livro, contendo 320 páginas, apresenta um panorama histórico da poesia visual no Brasil, documenta as principais atuações e obras produzidas pelo grupo Poema/Processo entre os anos de 1967 a 1986. Com organização de Gustavo Nóbrega, o livro conta com textos históricos escritos por Frederico Morais, Moacy Cirne, Álvaro de Sá, Neide Sá, Frederico Marcos, Anchieta Fernandes, e, o mais recente deles, o texto do curador e pesquisador Antonio Sergio Bessa. A organização segue uma ordem cronológica, propõem que a história seja contada pelos próprios artistas e críticos da época através de fatos e textos publicados em livros, revistas e jornais.

No mesmo dia será apresentada uma performance do artista Paulo Bruscky em comemoração aos 50 anos do movimento, contando também com a exibição do filme Apocalipopótese (Guerra e Paz), 1968, do poeta e documentarista Raymundo Amado, que registra uma das primeiras exposições do grupo Poema/Processo, junto com performances de Hélio Oiticica, Lygia Pape e Antonio Manuel, no evento Arte no Aterro, proposto pelo crítico Frederico Morais no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro.

O Poema/Processo foi um movimento vanguardista de poesia visual no Brasil. Decorrente do concretismo e em meio ao contexto político da ditatura militar, o movimento surge como um rompimento criativo com a comunicação institucionalizada no campo da literatura, poesia e artes plásticas. Fundado pelos precursores Wlademir Dias Pino, Alvaro de Sá, Neide de Sá, Moacy Cirne, Falves Silva, entre outros, tem sua primeira exposição inaugurada simultaneamente no Rio de Janeiro (Escola Superior de Desenho Industrial) e Natal (Sobradinho) em dezembro de 1967. Seu primeiro texto-manifesto, publicado em abril de 1968 na 4º Exposição Nacional de Poema/Processo no Museu de Arte Moderna da Bahia, lançava as ideias que nortearam a prática e teoria do grupo, criando um objetivo artístico reprodutível que atendesse às necessidades de informação e comunicação das massas, pautado pela lógica do consumo imediato.

Poemas gráficos, poemas objetos, poemas interativos, filmepoemas, envelopoemas e performancepoemas, são algumas das contribuições que o Poema/Processo nos dá. Como parte de suas proposições, criaram também o conceito das versões, o que indicava a quebra de estilo: cada artista podia fazer uma versão da obra do outro e vice-versa, criando um mecanismo de continuidade da obra, da transformação como processo, do contra estilo e da co-autoria. Imersos em um alto nível de possibilidades e inventividades, uma das contribuições de maior relevância de sua prática reside na quebra dos gêneros, a palavra que vira imagem, a imagem que vira escultura, e a tridimensionalidade que vira uma ação. O poema, liberto de seu suporte tradicional, torna-se multidisciplinar, podendo nos proporcionar a noção de que toda conjuntura de fazeres e da realidade se dá em processo, assim como o próprio viver.

PROGRAMAÇÃO

Lançamento do livro: “Poema/Processo: uma vanguarda semiológica”. Projeto e realização: Galeria Superfície. Pesquisa e organização: Gustavo Nóbrega. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2017. No mesmo dia ocorrerá uma performance do artista Paulo Bruscky em comemoração aos 50 anos do movimento. Também será exibido o filme "Apocalipopótese" (Guerra e Paz, 1968), de Raymundo Amado, com registros de performances de Hélio Oitica, Lygia Pape e Antonio Manuel.

16 de dezembro de 2017, sábado, das 14h às 18h

Galeria Superfície
Rua Oscar Freire 240, Jardim Paulista, São Paulo, SP

Posted by Patricia Canetti at 6:55 PM

Edição Especial na Casa Nova Arte, São Paulo

Para a chegada do fim do ano a Casa Nova selecionou quatro artistas, que usam a fotografia como suporte e editou uma obra que dialogue com sua produção e com o espirito de festas! Nessa primeira etapa Claudia Jaguaribe, Lina Kim, Michael Wesely e Gilvan Barreto apresentam suas obras com tiragem limitada e a preços especiais, na mostra Edição Especial. Presentei com arte!

Sobre os artistas

Claudia Jaguaribe, Rio de Janeiro, Brasil. Sua produção se caracteriza por uma intensa pesquisa plástica que utiliza diferentes mídias para lidar com diversas questões da contemporaneidade na fotografia. Em 2010 Claudia recebeu o prêmio Marc Ferrez de fotografia da Funarte pelo projeto O seu caminho. Tem onze livros publicados. Suas obras estão na coleção de importantes acervos institucionais, como do Inhotim, MG; Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) SP; Coleção Pirelli do Museu de Arte de São Paulo (Masp) SP; Maison Européenne de la Photographie, Paris; Istituto Italo-Latino Americano (iila), Roma; Itaú Cultural, SP; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto SP; assim como em coleções particulares.

Gilvan Barreto, Pernambuco, Brasil. Seu trabalho foca em questões políticas, sociais e na relação do homem com a natureza. Sua fotografia é fortemente influenciada pelo cinema e literatura. Em 2014 venceu alguns dos prêmios mais importantes do Brasil, como o Prêmio Brasil de Fotografia, Prêmio Marc Ferrez, Prêmio Conrado Wessel de Arte e foi dos artistas selecionados pelo programa Rumos, do Itaú Cultural. É autor dos livros Suturas (independente, 2016), Sobremarinhos (independente, 2015), O Livro do Sol (Tempo D’Imagem, 2013) e Moscouzinho (Tempo D’Imagem, 2012). Além de ser organizador e coautor do livro-cd Orquestra Pernambucana de Fotografia. Possui trabalhos em acervos particulares e institucionais, a exemplo do Porto Seguro / Prêmio Brasil de Fotografia, Centro Cultural São Paulo e Itaú Cultural.

Lina Kim, São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em Berlim. Estudou arte na Fundação Armando Alvares Penteado em São Paulo, Arts Students League em Nova York. Participou das Bienais de São Paulo, Kwangju e Havana com instalações. Em mostras como Focus Istanbul: “Urban Realities”, Martin Groupius Bau (Berkin 2005), “Lugar Nenhum”, Instituto Moreira Sales (Rio de Janeiro 2013), “Fototrier” Stadtmuseum Simeonestift (Trier 2010), “At Home” the Columns Gallery (Seoul, 2014). Trabalha com site specifics, desenho, fotografia e vídeo.

Michael Wesely, Munique, Alemanha. Estudou fotografia na Bayerische Staatslehranstalt für Photographie, graduando-se na Munich Academy of Fine Arts. Participou de diversas exposições internacionais, entre elas na 25ª Bienal de São Paulo. Pioneiro em fotografias de longa exposição, entre as quais as imagens mais célebres são as da reforma da Potsdamer Platz em que a exposição se estendeu por dois anos. Wesely fotografou também a ampliação do Museum of Modern Art em Nova York, imagens que agora fazem parte da coleção permanente do museu. Atualmente participou de exposicoes no novo IMS da Avenida Paulista e no MASP-SP.

Posted by Patricia Canetti at 6:00 PM

Marcone Moreira no Palácio das Artes, Belo Horizonte

Marcone Moreira iniciou suas experiências artísticas ao final da década de 1990, e desde então vem participando de diversas exposições pelo Brasil e no exterior. Indicado ao Prêmio PIPA durante quatro edições, o artista exibe parte de seu acervo na exposição Linhas de Força, que busca apresentar um conjunto diversificado e coeso das pesquisas artísticas realizadas em seus dois últimos anos de produção. “Minha obra abrange várias linguagens, como a produção de pinturas, esculturas, vídeos, objetos, fotografias e instalações. Meu trabalho está relacionado à memória de materiais gastos e impregnados de significados culturalmente construídos. Assim, desenvolvo uma metodologia em que interessa a apropriação, o deslocamento e a troca simbólica de materiais”, explica Moreira.

Para a exposição no Palácio das Artes, o artista apresenta desenhos, objetos e esculturas formadas a partir da utilização de diversos materiais. “Aproprio-me de variadas matérias primas e é cada vez mais presente a necessidade de realizar viagens para localização e coleta desses instrumentos de trabalho. Dentre esses materiais, as madeiras de embarcações e carrocerias de caminhões, ambos meios de transportes, sempre tiveram especial atenção do meu olhar”, conta.

Marcone Moreira, que atualmente reside em Belo Horizonte, conta que iniciou seu trabalho com as embarcações em Marabá, cidade do Pará, para onde se transferiu na adolescência. “Esse lugar é atravessado por dois rios, situação comum na Amazônia, um verdadeiro labirinto líquido, onde as embarcações possuem um relevante protagonismo como meio de transporte de bens e pessoas”, explica.

Segundo o artista, o conjunto de obras reunidas na exposição afiança um interesse por questões específicas de modos de trabalho e os artefatos resultantes desses processos, como as atividades desempenhadas por carpinteiros navais, vendedores ambulantes, quebradeiras de coco babaçu e artesãos. “Meu interesse pelo universo dos ambulantes, por exemplo, ocorreu a partir da observação no cuidado estético que eles têm ao adornar seus isopores com fitas coloridas. A partir disso, em 2009, realizei um projeto que consistiu em fazer aproximações, conviver em seus ambientes de trabalho e propus a troca dos isopores usados por novos. Esse momento foi importante para perceber o contexto social e humano por trás dessas realidades, sendo, portanto, afetado por essa experiência e, naturalmente, isto vem reverberando em projetos posteriores”, afirma.

Além de objetos e esculturas, uma nova série de desenhos valorizam o contorno de porretes de madeira usados na extração da amêndoa do babaçu, coletada no estado do Maranhão, onde Moreira nasceu. “Por meio de um procedimento rudimentar, que emprega uso de machado, os objetos sofrem um desgaste e vão ganhando formas diversas. Com isso, iniciei uma série de desenhos, buscando não apenas a representação, mas a tradução desses artefatos em outra linguagem”, explica. Com o uso de vários tipos de grafites e com gestos densos, os desenhos acumulam um emaranhado de traços e marcas, remetendo ao próprio desgaste dos objetos.

Pela segunda vez expondo no Palácio das Artes, Marcone Moreira diz que é sempre uma excelente oportunidade para experimentar. “Os espaços são generosos em dimensões, possibilitando reunir um conjunto maior de obras e criar diálogos muitas vezes não realizados anteriormente, além de apontar desdobramentos e caminhos futuros” conta.

Marcone Moreira – Nascido em Pio XII, no Maranhão, Marcone Moreira vive e trabalha em Belo Horizonte. Vencedor da Bolsa de Pesquisa e Experimentação Artística, no Instituto de Artes do Pará, foi premiado no X e XV Salão da Bahia, Prêmio Projéteis de Arte Contemporânea, da Funarte, e no Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo. Recebeu a Bolsa Pampulha, do Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte e expôs no XXII Salão Arte Pará, em Belém. Entre suas exposições individuais, estão: Arqueologia Visual (2007), no Espaço Cultural Banco da Amazônia, em Belém; Margem (2006), na Galeria Lurixs, no Rio de Janeiro; Vestígios, (2005), no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, e na Galeria Virgilio, em São Paulo. Participou das exposições coletivas Nova Arte Nova (2009), no CCBB, em São Paulo; Panorama da Arte Brasileira (2003), no Museu de Arte Moderna, em São Paulo; Arco (2008), na Feira de Arte Contemporânea, em Madri, Espanha; Os Trópicos, no CCBB, no Rio de Janeiro e no Museu Martin-Gropius-Bau, em Berlim, Alemanha; PINTA (2007), na Feira de Arte Contemporânea, em Nova York; Amálgamas (2005), em Mantes-la-Jolie, na França, e Desarranjos (2003), no Museu do Marco, em Vigo, na Espanha.

Posted by Patricia Canetti at 5:49 PM

Marina Monumental na Marina da Glória, Rio de Janeiro

Aconteceu no sábado, 18 de novembro, a inauguração da exposição a céu aberto Marina Monumental, na Marina da Glória. Com curadoria de Marc Pottier e coordenação geral de Kátia d'Avillez, o Marina Monumental tem sua segunda edição marcada pelo tema central "Arte Móvel", onde 18 obras de arte - 12 delas feitas exclusivamente para a mostra - se encontram em total integração com a paisagem carioca e o público. Nomes como Amélia Toledo, Gustavo Prado, Marcelo Jácome, Oskar Metsavaht e Raul Mourão compõe o seleto time de artistas.

"Nós queremos apresentar na Marina da Glória uma exposição lúdica e em movimento. A arte cinética é uma corrente das artes plásticas que explora efeitos visuais por meio de movimentos físicos, de ilusão de ótica ou por truques de posicionamento das peças. O movimento pode ser produzido pelo vento, o sol, um motor ou pelo próprio público, que vai interagir com as obras", diz Marc Pottier.

Um dos destaques é a obra “Lamp Beside The Golden Door”, do artista Gustavo Prado, paulistano radicado em Nova York. A mini torre de espelhos redondos é "irmã" da super escultura que acaba de roubar a cena no festival de Coachella, na Califórnia, e foi especialmente produzida para a exposição.

Outra obra exclusiva é a do artista francês Erwan Le Bourdonnec, com 81 metros de dimensão. Inspirado pela vista de seu apartamento na enseada de Botafogo, Erwan criou “Atlas das formas do céu”, uma instalação cromática branca e azul composta por 365 bambus que mostram a evolução dos tons de azul do céu e do mar.

A exposição acontece até 17 de dezembro e terá também uma programação de filmes relacionados ao tema com a co-curadoria da Galeria Superfície, de São Paulo, e do Festival do Rio. Os artistas que estarão na exposição são Amelia Toledo, Anna Helena Cazzani, Carmelo Arden Quin, Coletivo Muda, Eduardo Srur, Erwan le Bourdonnec, Gustavo Prado, Luiz Monken, Marcelo Jacome, Mariana Manhães, Maritza de Orleans e Bragança, Oskar Metsavaht, Paulo Nenflidio, Raul Mourão, Renata Adler, Thiago Toes, Xavier Veilhan, Zoe Dubus

O Marina Monumental é um projeto que tem a produção e coordenação geral de Kátia d’Avillez. Lançado em 2016 reunindo trabalhos de grandes artistas brasileiros, o sucesso do evento foi um dos motivos que levou a ArtRio para a Marina da Glória. Para 2017, o curador optou pelo tema movimento, uma ode aos efeitos visuais da cinética, a seus movimentos físicos e à ilusão de ótica. E o projeto de 2018 já está em andamento com uma homenagem a uma grande personalidade da arte brasileira.

Posted by Patricia Canetti at 2:28 PM

Fim de semana na Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre

Fundação Iberê Camargo encerra o ano com festa, banho de chuveiro, karaokê e sessão de cinema

As obras Chuvaverão e Sofáraokê estarão disponíveis para interação do público. Festa BASE traz DJs e artistas para a Fundação no sábado. No domingo, tem Cine Iberê, com sessão do filme O Homem do Pau Brasil. A entrada é franca

A Fundação Iberê Camargo encerra a sua programação de 2017 com diferentes atividades no fim de semana de 16 e 17 de dezembro. Além das exposições em cartaz – Sombras no Sol e Vivemos na Melhor Cidade da América do Sul –, cuja visitação está aberta das 15h às 20h, a programação conta com a ativação das obras Chuvaverão e Sofáraokê (do coletivo Opavivará!), Cine Iberê com sessão de O Homem do Pau Brasil (de Joaquim Pedro de Andrade) e a festa BASE. A entrada é franca em todos os eventos.

A instituição fará recesso de 23 de dezembro a 1º de janeiro de 2018.

Confira os detalhes da agenda:

O público vai poder interagir e se divertir com duas obras do coletivo carioca OPAVIVARÁ!. No sábado e no domingo acontece a ativação de duas obras interativas, que propõem a participação do público: o sofá/equipamento de som Sofáraokê (obra em exibição na exposição Vivemos na Melhor Cidade da América do Sul) e o projeto Chuvaverão (chuveiros ao ar livre), que podem – e devem – ser utilizados pelos visitantes. As ativações acontecem no sábado, às 15h (Chuvaverão) e no domingo, também às 15h (Chuvaverão e Sofáraokê).

Ainda no sábado, a partir das 16h, acontece a festa BASE, que marca o encerramento do ano na Fundação. No Line Up da última BASE de 2017 estarão os DJs Paula Vargas, Maria (CREMA - RS), BRF (Goma rec.) b2b GB e ĔRĀṂ (Arruaça), com os VJs Maurício Kessler, Leo Felipe, Alexandre Navarro Moreira, Miguel Soll, Luan Dresch, Auguste e Yuri Junges. Criada em 2016, a Base é a festa que consolidou em Porto Alegre o movimento de retomada das warehouse parties, explorando um diálogo intenso entre a música eletrônica e as artes visuais, apostando nas estéticas cruas do house e do techno.

No domingo, dia 17, acontece o Cine Iberê, na Fundação Iberê Camargo, com exibição do filme O Homem do Pau Brasil (1981), última realização do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, considerado um dos mais importantes realizadores brasileiros. A exibição começa às 16h, com entrada franca, e será comentada por Andreia Proença Machado, psicanalista e Mestre em Psicologia Social e Institucional, com pesquisa em Psicanálise, Arte e Utopia.

O Homem do Pau Brasil é um filme de ficção a partir da vida e da obra do escritor Oswald de Andrade. Escolhido como Melhor filme e Melhor Atriz (Dina Sfat) no Festival de Brasília em 1981, o longa-metragem revela o legado modernista em sua vertente mais radical e experimental. No universo do movimento modernista de 1922, o escritor é representado simultaneamente por Flávio Galvão e Ítala Nandi. Oswald-homem e Oswald-mulher compartilham das mesmas ideias e atitudes revolucionárias com os demais personagens da efervescente cena cultural dos anos 20, até que elas mesmas os separem. Com a devoração de Oswald-homem pelo Oswald-mulher, dá-se a criação da Mulher do Pau Brasil, líder de uma revolução que instaura o matriarcado antropófago como regime político do país.

Joaquim Pedro de Andrade (1932 - 1988) é um realizador brasileiro que integrou o movimento Cinema Novo. Seu curta Couro de Gato (1962) integra o projeto coletivo fundador do Cinema Novo – o filme Cinco Vezes Favela (1962), produzido pelo Centro Popular da União Nacional dos Estudantes. Em 1963, realiza Garrincha Alegria do Povo. Fazem parte de sua filmografia: O Padre e a Moça (1965), Cinema Novo (1967), Brasília, contradições de uma cidade nova (1967), Macunaíma (1969), A linguagem da persuasão (1970), Os inconfidentes (1972), Guerra conjugal (1975), O Aleijadinho (1978), O Homem do Pau Brasil (1981).

Com curadoria de Marta Biavaschi, o Cine Iberê integra programa Tabu | Éden | Quimera - atividade cinematográfica paralela às exposições Vivemos na melhor cidade da América do Sul e Sombras no Sol.

Exposições em cartaz

A mostra Sombras no Sol traz 41 peças do acervo – entre pinturas, desenhos, gravuras e documentos – de Iberê Camargo que retratam sua visão sobre a “Cidade Maravilhosa”, onde morou por 40 anos, apontando para uma paisagem muitas vezes vazia e melancólica, nublada – distante do sol e das cores tropicais. Com curadoria de Eduardo Haesbaert e Gustavo Possamai, a mostra exibe, ainda, um conjunto de documentos que registram a censura a uma de suas obras durante o V Salão Nacional de Arte Moderna, em 1956, no Rio de Janeiro. "Importante trazer à visibilidade e ao debate público o registro de momentos sombrios que apresentam tanta relação com os dias atuais, uma vez que Iberê os vivenciou com resistência, em defesa da arte, do diálogo e do respeito, aspectos tão fundamentais à liberdade de expressão", dizem os curadores.

A exposição Vivemos na melhor cidade da América do Sul, apresenta pinturas, esculturas, fotografias, instalações, vídeos e performances de 28 artistas brasileiros referenciais, como Alair Gomes, Beto Shwafaty, Carlos Vergara, Guga Ferraz, Hélio Oiticica, Iberê Camargo, Maria Sabato, Mario Testino e Rosângela Rennó, entre outros. A mostra, com curadoria de Bernardo José de Souza e Victor Gorgulho, a mostra parte da canção Baby, de Caetano Veloso, para investigar noções contraditórias de tropicalidade, identidade nacional, corpo e violência, e analisa a paisagem estética e política do Rio de Janeiro para lançar uma mirada crítica sobre o Brasil.

PROGRAMAÇÃO

16 de dezembro, sábado
15h Chuvaverão – ativação da instalação do Coletivo Opavivará!
Das 16hs às 00:00 - Festa BASE

17 de dezembro, domingo
15h - Chuvaverão + Sofaraokê – ativação de obras do coletivo Opavivará!
16h - Cine Iberê - O Homem do Pau Brasil, de Joaquim Pedro de Andrade (1h47min, 1981, Brasil) - sessão comentada com Andreia Proença Machado

Posted by Patricia Canetti at 12:22 PM

12º leilão de parede Anima na Luisa Strina, São Paulo

12º Leilão em prol da Associação Anima

A Associação Civil Anima começou seu trabalho há 23 anos prestando assistência social para famílias de crianças soropositivas e hoje, graças a diminuição da transmissão vertical através do pré-natal qualificado, a Instituição é responsável pela integração social de crianças e jovens soropositivos e não-soropositivos. Oferecendo oficinas e rodas de debate, a Anima consegue colocar em diálogo com a sua comunidade assuntos não só relacionados a conscientização e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, mas também a orientação sexual, gênero, racismo e marginalização social.

Pelo 12º ano consecutivo, a Galeria Luisa Strina apoia a Instituição por acreditar no impacto e crescimento que ela tem gerado para jovens e adultos e principalmente porque acreditamos na arte como ferramenta de discussão e aprendizado. Para dar continuidade convidamos vocês a participarem do 12º leilão de parede em prol da Associação Civil Anima que será no dia 18 de dezembro às 19 horas.

Para lances online ou por telefone entrar em contato por email.

Artistas já confirmados

Alberto Simon, Alessandro Carano, Alexandre Canonico, Alexandre da Cunha, Alvaro Seixas, Ana Mazzei, Artur Lescher, Bernardo Ortiz, Beto Shwafaty, Brígida Baltar, Bruno Baptistelli, Caetano de Almeida, Clarissa Tossin, Daniel Albuquerque, Dora Longo Bahia, Edgard de Souza, Edith Derdyk, Eduardo Muylaert, Federico Herrero, Felipe Goes, Fernanda Gomes, Ferreira Gullar, Francisco Hurtz, Janaina Mello, Jarbas Lopes, Laura Belém, Laura Lima, Leda Catunda, Marcelo Cidade, Marcius Galan, Marepe, Marina Saleme, Marina Weffort, Nicolás Robbio, Nino Cais, Osvaldo Gaia, Pablo Accinelli, Pedro Caetano, Pedro França, Pedro Motta, Raquel Uendi, Renato Maretti, Ricardo Carioba, Rivane Neuenschwander, Sandra Cinto, Santídio Pereira, Thiago Honório, Yuli Yamagata

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Posted by Patricia Canetti at 10:58 AM

O contexto da Linha na Mercedes Viegas, Rio de Janeiro

Mercedes Viegas apresenta coletiva de fim de ano com 15 artistas

A desconstrução das formas para seu elemento mais básico: a linha. Antonio Bokel, Camile Sproesser, Cela Luz, Cristina Lapo, Duda Moraes, Elvis Almeida, Goia Mujalli, Gustavo Speridião, Julio Villani, Luiz d’Orey, Marcia Thompson, Marco Veloso, Marcus André, Sandra Mazzini e Talitha Rossi participam da última exposição do ano promovida pela galeria Mercedes Viegas Arte Contemporânea. O contexto da linha abre no próximo dia 14, com 33 obras dos 15 artistas.

"As linhas são motivos constantes de arte, mas muitas vezes estão escondidas na nossa percepção. Assim, através da pintura, do desenho e da escultura, vemos a linha se formar por si só", diz a galerista que na escolha dos artistas reuniu jovens talentos e nomes fortes do mercado, representados pela galeria.

A galerista explica ainda que a desconstrução tende uma volta aos primórdios do que é fazer arte e é isso que se enfatiza na mostra:

"Estamos mostrando como a linha aparece, seja por repetição, no caso do Elvis Almeida, ou ao acaso, como no trabalho da Goia Mujali, onde ela retira a pincelada e deixa só o contorno, como se fosse um fantasma da ação. Ou ainda no trabalho da Duda Moraes, no qual ela expressa a cor e, de repente, uma linha nasce entre as formas criadas".

Sobre os artistas

Antonio Bokel (1978), vive e trabalha no Rio de Janeiro
Ao longo das duas últimas décadas, Antonio Bokel tem apresentado suas pinturas no Brasil e no exterior, em galerias e em intervenções urbanas, fazendo a ponte entre a arte de rua e a arte contemporânea. Seu trabalho já foi publicado nas revistas brasileiras Zupi, Vizoo e Santa, e na espanhola Rojo. Ele também se encontra nas maiores coleções brasileiras, como as de Gilberto Chateubriand e da BGA Investimentos, além de ter alguns trabalhos no acervo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio).

Camile Sproesser (1985), vive e trabalha em São Paulo
Seu principal campo de pesquisa é a pintura a óleo, com produções em diversas escalas e formatos. Seu trabalho se estrutura na criação de relações dinâmicas e improváveis e na diversidade na forma de pintar. Em 2016, participou de uma residência artística no Institut für Alles Mögliche, em Berlim, onde realizou uma exposição individual, e já mostrou trabalhos em exposições coletivas ao lado de artistas como Guto Lacaz, Rodrigo Bueno, Pedro Caetano e Anaísa Franco.

Cela Luz (1986), vive e trabalha em New York
Sua obra trafega entre a pintura, o desenho, a fotografia e a street art. Entre suas principais exposições, está uma individual na Casa de Cultura Laura Alvim em 2015 e duas coletivas em New York, “Cognitive Dissidence”, com curadoria de Dan Cameron (New Museum), e “Transfiguration”, na Flatiron Gallery, Chelsea, ambas em 2017. A artista foi selecionada para Partial Scholarship pela School of Visual Arts e tem obras na Coleção Gilberto Chateubriand, Brasil/MAM-RJ, Rio de Janeiro, Brasil e coleções particulares.

Cristina Lapo (1981), vive e trabalha no Rio de Janeiro
Em seus trabalhos, Cristina Lapo manipula de várias maneiras elementos básicos: ponto, linha e plano. Ela se interessa por esgarçar as possibilidades de combinações desses elementos e de seus atributos. Assim, a linha pode assumir diversas características visuais. A artista já mostrou seus trabalhos em exposições em Portugal, EUA e Brasil, incluindo participação na Art Rua e na ArtRio. Dentre as individuais, está a "Transitions", no Consulate General of Brazil, São Francisco (EUA) e "A Brazilian Artist in Medieval Europe", no Piedmont Art Gallery, em Martinsville (EUA).

Duda Moraes (1985), vive e trabalha em Paris
Filha da artista Gabriela Machado, desde pequena a artista visual Duda Moraes vivencia as artes plásticas. Participou de uma residência artística no Instituto Carpe Diem Arte e Pesquisa em Lisboa, Portugal. Depois de uma temporada no Xingu, se conectou com sua expressão em forma de pintura. A partir desse contato forte com a natureza e as origens xamânicas, assumiu de forma poética sua linguagem artística. Fez sua primeira individual, a "Espaços Soberanos", no ano passado, na Galeria Mercedes Viegas e participou de exposições coletivas e feitas, com destaque para o ArtRio e o SP Arte.

Elvis Almeida (1985), vive e trabalha no Rio de Janeiro
Elvis faz parte de uma turma de novos artistas cariocas que se volta para a paisagem figurativa com despudor pop e ruídos de outras linguagens, como a música, o grafite e a tatuagem. Recebeu bolsa da Incubadora Furnas Sociocultural para Talentos Artísticos (2007), o Prêmio Categoria Grafite do 47º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco (2008) e bolsa Interações Florestais da Terra UNA (2011). Realizou sua primeira individual na Galeria Amarelonegro (RJ), em 2010 e participou de mostras em São Paulo, Rio de Janeiro, Pará e EUA.

Goia Mujalli (1985), vive e trabalha em Londres
Seu trabalho envolve questões da pintura, como antagonismos: adição e subtração, croma e contraste, o acaso e composição, o mecânico e o digital, a presença de uma marca e o apagamento de outra. Em 2013, recebeu seu primeiro prêmio Monnington Sessional Prize, pela escola Slade School, em Londres, e depois em 2014 e 2015 recebe prêmio da bolsa Nancy Balfour Trust Scholarship. Foi finalista do prêmio de arte Float Art em 2015 e recentemente o Graduate Art Prize 2017, em Londres. Principais exposições individuais: EBC016, no East Bristol Contemporary em Bristol, 2017; Fantasmas, na Galeria de Arte Mamute, Porto Alegre, 2016; Resíduos de um Ritmo, Rio de Janeiro, 2016 além de coletivas em Inglaterra Áustria, Bulgária e Suíça.

Gustavo Speridião (1978), vive e trabalha no Rio de Janeiro
Gustavo Speridião produz desenhos, colagens, pinturas, instalações, esculturas, fotografias e vídeos. Explora situações da vida cotidiana através de um olhar espirituoso e atento a composições formais e de cor. Speridião já participou de exposições em instituições como a Maison Européene de La Photographie (Paris), La Biennale de Lyon (2013), o CCBB-RJ, o MAM-RJ, a Oficina Cultural Oswald de Andrade (SP). Dentre os prêmios recebidos, destacam-se o Projéteis Artes Visuais, da Funarte, em 2007 e o Marcantônio Villaça/Funarte, em 2010. Sua obras estão em importantes coleções pública como a do Museu Nacional de Belas Artes, a Coleção Gilberto Chateaubriand, a do Museu de Arte Contemporânea de Niterói e a do Museu de Arte do Rio de Janeiro.

Julio Villani (1956), vive e trabalha em Paris
Villani se formou em São Paulo, onde cresceu, e em Paris, onde forjou sua identidade de artista; ele vive e trabalha entre as duas cidades há mais de 30 anos. Seu duplo percurso se reflete na relação de suas exposições que se sucedem de um lado e do outro do Atlântico. MAM de Paris, MAM de São Paulo; Pinacoteca de São Paulo, Centre d’Art Contemporain 10 Neuf em Montbéliard; Paço Imperial no Rio de Janeiro e Musée Zadkine em Paris… Fio, linha, risco, laço, rede, nó... a arte de Julio Villani é habitada pela ideia de vínculo. Ela estrutura todos os trabalhos do artista, lhe é consubstancial. Sua arte se caracteriza consequentemente pela ideia de polo, de contraponto, às vezes de oposição – e se constrói a partir da organização de um vai-volta.

Luiz d’Orey (1993), vive e trabalha em New York
Graduou-se bacharel em Belas Artes na School of Visual Arts, em 2016, sendo escolhido para representar a instituição com trabalhos na Feira Pulse de Miami. Recebeu, também da SVA, as premiações 727 Award (2016), Sillas H Rhodes Award (2016) e Gilbert Stone Scholarship (2015). O carioca trabalhou como assistente do artista Carlos Vergara, no Rio de Janeiro, e com Raul Mourão, em seu Studio no bairro do Harlem, em Nova York. Seu currículo conta com mostras coletivas em Nova York, Londres e no Rio de Janeiro, além de participações nas feiras sp-arte 2017 e ArtRio 2016.

Marcia Thompson (1968), vive e trabalha em Londres
Fez exposições em Nova York, Espanha, Suécia, Dinamarca, Coréia do Sul, Inglaterra e Brasil. Possui obras em coleções como: Gilberto Chateaubriand (Brasil), Patrícia Phelps de Cisneros (Venezuela), ESCALA/UECLAA (Essex Collection of Art from Latin America) e Embaixada do Brasil em Londres (Inglaterra). Recebeu o Prêmio Unesco no Salão Carioca de Arte em 1989 e o primeiro prêmio do Visual Arts Awards, em Londres, em 2015. Quando começou a pintar, reduziu sua paleta ao branco, e não usou a cor por 10 anos, para que outros aspectos da pintura ficassem visíveis. Recentemente, voltou a trabalhar com cor, mas sem perder de vista a experiência física e sensual da tinta.

Marco Veloso (1959), vive e trabalha no Rio de Janeiro
Marco Veloso é um dos mais destacados nomes da arte do desenho no Brasil e tem realizado importantes mostras solo ao longo dos últimos 20 anos. Desde 2013, o artista teve uma transformação de grande importância em sua obra. Conhecido pelas séries de desenhos em carvão, iniciadas em 1999 e que já ultrapassaram o número de cem, Veloso agora apresenta o feliz encontro entre a pintura e o desenho. Entre suas individuais em instituições públicas estão: “Desenhos na Coleção Gilberto Chateaubriand”, no MAM Rio, em 2000, 2003 e 2008, e “Contigo na Distância”, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, em 2010, ambas apresentando um representativo conjunto de sua produção.

Marcus André (1961), vive e trabalha no Rio de Janeiro
Frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage entre 1978 e 79 e em 1984 participou da exposição ‘Como Vai Você, Geração 80?’. Em 1985 cursou a Parson’s New School Of Social Research Printing, em Nova York. De volta ao Brasil, recebe o prêmio no XIII Salão Nacional de Artes Plásticas e realiza individuais de pintura na Funarte Projeto Macunaíma/ Espaço Alternativo RJ, Projeto Centro Cultural São Paulo / Pavilhão da Bienal Ibirapuera e MASP SP. Representa o Brasil em Bienais no México, Cuba, Equador e Japão. Em 2007 é contemplado com bolsa da The Pollock-Krasner Foundation Inc. Grant. Em seu processo de criação, o artista utiliza a técnica de pintura encáustica. Misturando pigmentos tradicionais de origem mineral à ceras de abelha, carnaúba e resina vegetal, entre outros elementos, o Marcus cria suas próprias tintas, que define como inigualáveis em permanência e aparência, aplicando-as a superfícies como madeiras, laminados, telas de linho ou lona de algodão.

Sandra Mazzini (1990), vive e trabalha em São Paulo
A pintura de Sandra Mazzini propõe uma alteração do real a partir das novas perspectivas que se apresentam pelas camadas visuais vibrantes criadas em suas obras. As possibilidades poéticas de seu trabalho se apresentam na combinação da precisão com a leveza exercidas no seu fazer artístico. A artista traz o espectador para dentro de seu processo e propõe uma realidade alterada por meio da estrutura, da escala, do recorte e da gradação das cores, visíveis em suas telas. Sandra Mazzini já participou de exposições coletivas como Um Desassossego, na Galeria Estação, e o Quarto Salão de Ribeirão Preto, no Museu de Arte de Ribeirão Preto. Atualmente, trabalha e vive em São Paulo.

Talitha Rossi (1987), vive e trabalha no Rio de Janeiro
Artista plural, desenvolve sua obra a partir de uma poética própria, que questiona o posicionamento da geração Y perante questões femininas e midiáticas. Performance, fotografia, vídeo, instalações e objetos, são seus suportes de escolha, que abrigam este universo, por meio de um olhar delicado e pungente. Autodidata, a artista exerce sua prática na experimentação, e aprende a lidar com a materialidade em seu próprio fazer artístico. Talitha tem em seu currículo exposições em Londres, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

Posted by Patricia Canetti at 10:10 AM

dezembro 11, 2017

Felippe Moraes na Baró, São Paulo

A Baró Galeria apresenta Cosmografia, exposição individual de Felippe Moraes, com curadoria de Julia Lima. São expostos trabalhos inéditos desenvolvidos nos últimos dois anos, incluindo obras realizadas durante uma residência artística no Irã. Entre fotografias, desenhos e vídeos, Cosmografia configura-se como um esforço do artista de mapear livremente diferentes partes ou aspectos do cosmos, transitando entre a ciência e o espiritual.

No contêiner anexo à galeria, é mostrado o trabalho em vídeo The Drag that Said Phi, protagonizado pela famosa drag queen Alaska Thunderfuck, estrela do aclamado reality show RuPaul’s Drag Race. Alaska, em full drag, em uma cena toda branca – exceto pelas longas garras vermelhas amarradas em seus dedos – recita lentamente, em uma voz afetada, os números da proporção áurea, também conhecida como número de ouro, uma constante matemática irracional que está presente em infinitos elementos da natureza. A proporção áurea, é uma constante na Sequência Fibonacci, muito usada na arte e na música. Há um contraste marcante entre a figura deslumbrante da drag e a leitura de um conceito tão abstrato quanto um número que rege as proporções do universo.

Na sala principal da galeria, a exposição abre-se ao público com a série de fotos intituladas de Movimento Pendular, grafias luminosas feitas em um quarto escuro que descrevem o percurso orbital de um pêndulo que vai diminuindo o raio de oscilação à medida que também altera seu eixo. O resultado é uma sobreposição de linhas brancas orbiculares que criam a ilusão de volume e se concentram sempre ao centro, o ponto de perda total de energia.

Moraes também mostra a série Keyhan, fotografias em grande escala de padrões geométricos em relevo que documentou nas mesquitas do Irã, durante uma residência artística no país. As fotos retratam os grandes e elaborados padrões em gesso que adornam os tetos dos interiores dos templos persas, representações estilizadas do firmamento e da matemática que nos remetem ao cosmos.

Durante a residência, o artista também realizou o vídeo Harmonices Mundi, feito em parceria com a banda iraniana Bomrani. A obra é o resultado de três anos de pesquisa sobre o conceito de “Música das Esferas”, antiga ideia desenvolvida pelos gregos que pressupunha a existência de uma ordem matemática que regia o cosmos, mas desenvolvido cientificamente pela primeira vez por Johannes Kepler em 1619. Kepler descreve a órbita dos seis planetas conhecidos à época por meio de partituras musicais que foram escritas seguindo as suas observações sobre as órbitas elípticas dos planetas. Assim, desenvolveu um princípio básico para a composição – quanto mais próximo do sol, mais agudo o tom; quanto mais rápida a velocidade de cada planeta, mais rápido o ritmo. Cada membro da banda interpreta um planeta diferente, apresentando-se primeiro individualmente e depois em conjunto, em uma (des)harmonia cacofônica.

Posted by Patricia Canetti at 8:20 AM

dezembro 9, 2017

Alex Flemming no Palácio das Artes, Belo Horizonte

Grande Galeria recebe a retrospectiva Alex Flemming de CORpo e alma

Residente em Berlim, artista expõe obras em múltiplas linguagens, ressignificando temáticas em diferentes períodos de sua trajetória

Alex Flemming transita pela gravura, instalação, desenho, colagem em esculturas e objetos, e "pintura sobre superfícies não tradicionais”, como o próprio artista define. Toda a multiplicidade de sua obra compõe a exposição Alex Flemming de CORpo e alma, que abrange 37 anos de produção do artista e suas apropriações de temáticas como conflitos, identidade do indivíduo, morte, solidão e sexualidade. As obras são agrupadas em séries de formatos e cores, tratando do caráter circular da arte de Flemming, que costuma abordar e ressignificar a mesma temática em diferentes períodos de sua carreira.

Segundo Henrique Luz, curador da exposição, o panorama retratado não será necessariamente apresentado em ordem cronológica, mas terá um forte caráter retrospectivo. “Para a exposição em Belo Horizonte optou-se por uma mostra mais abrangente, a fim de apresentar vários aspectos da produção de Flemming. A exposição terá 150 obras, algumas vindas especialmente de Berlim”, conta o curador.

Para Flemming, é grande sua expectativa para a exposição no Palácio das Artes. “É uma honra para mim realizar uma mostra retrospectiva dessa magnitude no principal espaço expositivo de Belo Horizonte. Espero que o público responda bem, com uma grande visitação, já que a mostra foi formatada especialmente para o público mineiro”, revela Flemming.

Da colagem à reapropriação – A representação do corpo humano, temática frequente na obra de Flemming, abre a exposição por meio de duas coleções pontuais. O expectador poderá conhecer a série Eros Expectante (1980), com 14 gravuras com imagem do retrato nu feminino e masculino, e que rendeu ao artista a bolsa de estudos da Fulbright Foundation. Nessa série, utilizando novas técnicas e dimensões da gravura, Flemming reconstruiu negativos fotográficos e ampliou as imagens de forma inovadora para a época.

A reapropriação imagética também ocorre em A guerra incompreensível (1982), série com seis imagens de fragmentos de jornais que relatam conflitos de guerra. Escritos em diferentes línguas, as imagens são, segundo Flemming, uma metáfora de denúncia política. Como apontado por Henrique Luz, “essas duas pequenas séries podem ser vistas como um núcleo poderoso de ideias que foram trabalhadas até a exaustão por Flemming, nos oferecendo uma reflexão sobre o mundo em que vivemos”.

Retratos, cores e códigos - Em 1998, Flemming realizou 44 painéis em vidro para a Estação Sumaré do Metrô de São Paulo, com fotos de pessoas comuns, às quais sobrepõe com letras coloridas trechos de poemas de autores brasileiros, criando um acúmulo de significados. Um desses vidros estará no percurso da exposição, assim como quatro painéis da série Biblioteca (2016), na qual o artista retratou frequentadores da Biblioteca de São Paulo.

Ao final dos anos 1990, com o avanço da impressão digital e recursos de computação gráfica, Flemming constrói a série Body Builders (2000-2006), fundindo fotografias de homens seminus a mapas de regiões em conflito de guerra, como tatuagens. Segundo o curador, Body Biuders é um trabalho de denúncia contra a guerra pelo mundo e como os jovens são literalmente marcados por esses conflitos. “A intenção de Flemming ao sobrepor imagens é dificultar a leitura rápida das obras, fazendo o observador desacelerar o olhar para compreender não só o que está escrito, mas o que está codificado”, ressalta.

Do céu ao caos – Na série Anjos e Sereias (1983-1985), o artista se debruça sobre a devoção popular realizando uma releitura cromática de santinhos como o de Iemanjá, São Miguel Arcanjo e Santa Cecília. Ainda dentro dessa temática, Flemming se apropria fotograficamente de várias representações de Cristo e suas proporções áureas encontradas em obras do Barroco Brasileiro e Português. O fascínio da morte também estará representado com pinturas em animais empalhados, série apresentada no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, em 1990, e na XXI Bienal Internacional de São Paulo, em 1991.

A série Caos (2008-2015) completa a exposição, composta por pinturas baseadas em fotografias do próprio artista, feitas a partir de 2005, nas quais retrata a vida cotidiana. “Flemming fala sobre a brevidade da vida, sobre a nossa passagem por esse planeta, do caos de onde viemos e para onde retornaremos”, revela o curador. Na parede oposta, estarão várias das roupas que o artista usou durante anos e que foram também pintadas em cores fortes. Sobre elas, Flemming escreveu sentimentos que vivenciou.

Alex Flemming nasceu na cidade de São Paulo, em 1954, e reside atualmente em Berlim, na Alemanha. Pintor, escultor e gravador, frequentou o Curso Livre de Cinema na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo, entre 1972 e 1974. Cursou serigrafia com Regina Silveira e Júlio Plaza, e gravura em metal com Romildo Paiva, em 1979 e 1980. Na década de 1970, realizou filmes de curtas-metragens e participou de inúmeros festivais de cinema. Em 1981, se muda para Nova York, onde permanece por dois anos e desenvolve projeto no Pratt Institute, com bolsa de estudos da Fulbright Foundation. A partir dos anos 1990, realiza intervenções em espaços expositivos e pinturas de caráter autobiográfico, passando a recolher utensílios como móveis, cadeiras e poltronas, para utilizar em assemblages, aplicando tintas, letras ou textos. Foi professor da Kunstakademie de Oslo, na Noruega, entre 1993 e 1994. Em 2002, são publicados os livros Alex Flemming, pela Edusp, organizado por Ana Mae Barbosa, com textos de diversos especialistas em artes visuais; Alex Flemming, uma Poética..., de Katia Canton, pela Editora Metalivros; e, em 2005, o livro Alex Flemming - Arte e História, de Roseli Ventrella e Valéria de Souza, pela Editora Moderna.

Posted by Patricia Canetti at 4:05 PM

Mauricio Valladares na Lurixs, Rio de Janeiro

A Lurixs: Arte Contemporânea inaugura, no dia 12 de dezembro, a primeira exposição individual do fotógrafo, radialista, DJ e jornalista Mauricio Valladares: A Parte Funda Da Piscina. Com curadoria de Raul Mourão, a mostra reúne de 23 fotografias selecionadas do livro Preto e Branco, lançado pela editora Automática.

Durante a organização de Preto e Branco, Raul mergulhou no acervo de mais de 1000 fotografias, analógicas realizadas entre 1972 e 2003 das quais selecionou 142 para entrar na publicação, que conta com textos de Luiz Camillo Osorio e Frederico Coelho e projeto gráfico de Christiano Calvet. A Parte Funda da Piscina traz as imagens que mais marcaram o Raul durante esse processo, que durou aproximadamente um ano e meio, período no qual o artista plástico construiu uma intimidade e relação afetiva com o material, mostrando um lado menos conhecido de Mauricio.

“Embora a produção fotográfica de Mauricio esteja muito associada à música pela sua grande atuação junto à bandas como Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Los Hermanos e vários outros artistas da música brasileira e internacional, tanto em retratos pra divulgação, em capas de disco, quanto registros ao vivo no palco, essa exposição apresenta um outro lado da produção do Mauricio, um lado menos conhecido. Um lado de fotojornalismo, onde o Mauricio vai pra rua documentar o carnaval, vai ao maracanã documentar os torcedores.” diz Raul.

O título da exposição é um pouco uma provocação, uma expressão que o próprio Mauricio usa em seu programa de rádio referindo-se à uma seleção ou obra muito especial de determinado artista. As fotos de Valladares, em sua simplicidade, sem qualquer rebuscamento ou técnica apurada, mostram ao espectador o jeito como o artista vê as coisas.

Sobre o artista

Fotógrafo, jornalista, radialista e DJ, Mauricio Valladares (Rio de Janeiro, 1953) começou a fotografar em 1971 e tem a música como principal tema de sua obra. Registrou no palco, no backstage e em ensaios fotográficos grandes nomes da música brasileira como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Los Hermanos, Lulu Santos, Rita Lee, Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, Skank e internacional, como Bob Marley, David Bowie, Led Zeppelin e The Who entre muitos outros. Desde o início de sua carreira Valladares também tem documentado personagens anônimos em interação com a cidade e grandes manifestações populares como o carnaval e o futebol. Em 80 realizou o ensaio Fotógrafos, registrando 30 importantes importantes profissionais cariocas em suas casas ou locais de trabalho. Influenciado por Eugene Smith, Jim Marshall, Gered Mankowitz, Cartier Bresson, David Bailey e o clássico filme Blow up de Michelangelo Antonionni. A pessoa é o objeto de interesse da sua fotografia.

Assinou fotos de capas de disco emblemáticas da Legião Urbana, Os Paralamas do Sucesso, Ed Motta, Renato Russo, Alceu Valença entre outros. É o fotógrafo oficial dos Paralamas, banda sobre a qual publicou um livro cobrindo os primeiros 25 anos de carreira do trio. Foi fotógrafo do Jornal do Brasil e da Revista de Domingo, no ano da sua criação. Como jornalista, colaborou com o Jornal da Música, Revista Bizz, Som Três e Pipoca Moderna, tanto escrevendo, quanto fotografando.

Em 82, após retornar de Londres, onde morou por dois anos, lançou em seu programa Rock Alive na Radio Fluminense, bandas internacionais até então desconhecidos no Brasil, como The Cure, New Order, U2, The Jam, Gang of Four, Echo and the Bunnymen, The Beat e Madness. Também revelou bandas nacionais como Legião Urbana, Os Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Plebe Rude e Biquíni Cavadão. Após a passagem pela Fluminense FM, Valladares apresentou os programas Roncatripa (1988), Radiolla (Globo FM) e RoNcaRoNca (Imprensa FM, Portal Usina do Som, Rádio Cidade e Oi FM). Atualmente é colaborador do portal Rdio e continua com o programa RoNcaRoNca na Oi Fm onde nos últimos 7 anos lançou alguns dos mais importantes nomes da nova geração da música brasileira como Tulipa Ruiz, Marcelo Jeneci, Romulo Froes, Tatá Aeroplano, Bárbara Eugênia, Tiê, Mombojó, Do Amor, Metá Metá, Gabriel Muzak, Boogarins e outros tantos.

Criou as festas Funk’n Reggae, Radiolla e RoNcaRoNca, que este ano completa 20 anos. Foi o DJ oficial da turnê do Los Hermanos em 2012, dos shows do Radiohead em 2008 (RJ e SP), Paul McCartney em 2010 (SP) e Robert Plant em 2012 (RJ e SP).

Na década de 90 coordenou por seis anos o selo Plug da gravadora BMG, lançando bandas como Pato Fu, Funk Fuckers, Devotos do Ódio e relançando bandas como DeFalla, Violeta de Outono e Picassos Falsos.

Possui um dos mais ricos arquivos visuais e sonoros que se tem notícia no mundo. São mais de quatro décadas de cultura registradas em diversos formatos.

Posted by Patricia Canetti at 3:02 PM

Antonio Saggese no Paço Imperial, Rio de Janeiro

A mostra Hiléia, composta por 46 fotografias de Antonio Saggese impressas com pigmento mineral sobre papel de algodão, será realizada no Paço Imperial no período 14 de dezembro de 2017 a 25 de fevereiro de 2018. A exposição conta com a curadoria de Marcia Mello e resulta da confluência de dois trabalhos que miram a floresta amazônica a partir da água: Hiléia e Yg.

Contemplado com o Prêmio Brasil de Fotografia na categoria Ensaio Impresso de 2017, as imagens de “Hiléia” buscam o maravilhamento. O espanto que tomou Humbolt, que batizou a floresta amazônica de “hiloea brasiliensis”; o assombro dos viajantes do passado e do presente ante a exuberância da natureza. Busca recuperar o imaginário idealizado da floresta, que, misteriosa, fascina. Desse modo o trabalho não se propõe como “fotografia de natureza” nem tampouco como documentação ou denúncia. Ecoa a magia e não tenciona desvendá-la.

O processo fotográfico digital, paradoxalmente, permite a recuperação de outras tradições alheias ao moderno. O tratamento de imagem refere às figurações de época numa confluência entre o moderno e o arcaico, metaforizado o anjo de Klee que avança olhando para trás.

O trabalho consiste de fotografias realizadas com um olhar despido da gramática da linguagem fotográfica moderna, prescindindo de recortes - espaciais e temporais - em prol da frontalidade do assunto, a garantir sua majestade.

Já o trabalho “Yg”, palavra tupi para água, penetra nos igarapés e igapós tendo o líquido como espelho a multiplicar a cena qual caleidoscópio, o que rompe com a estrutura céu/terra/horizonte que constitui o gênero paisagem. Na abertura da mostra será feito o lançamento do livro “Yg” pela Editora Madalena.

Os trabalhos foram realizados entre 2014 e 2017.

Posted by Patricia Canetti at 11:43 AM

Alexandre Dacosta no Paço Imperial, Rio de Janeiro

O artista visual, cineasta, compositor, músico, ator e poeta Alexandre Dacosta, apresenta seu trabalho de poesia visual em exposição no Paço Imperial. São poemas-objeto e poesias gráficas inéditas que fazem parte de seu novo livro intitulado autopoese, que será lançado em forma de E-Book pela editora Lacre no dia da inauguração - 14 de dezembro de 2017, às 18:30hs - e permanece por 3 meses, até o dia 25 de fevereiro de 2018.

Esta mostra conta com 30 obras tridimensionais e 7 vídeos poéticos- experimentais de curta duração que serão exibidos permanentemente na sala de exposição. Os materiais usados pelo artista são os mais variados, por exemplo: “Rãdiografia”, uma caixa de luz de médico com o raio-x de uma rã com o poema: “a rã coaxa ao rés do brejo parco/acha que chá de sumiço é mergulho no charco” - “Basculante”, uma janela com palavras e signos geométricos aplicados sobre o vidro do objeto, resultando em uma conceitual “poesia-paisagem” - “Furor”, um alvo de tiro de 70 centímetros de diâmetro em que as letras que formam, Furor e Fulgor, aparecem como marcas de tiro – “Achaque”, uma pedra de granito com o poema esculpido como numa lápide - “Atrorretrato”, um porta-retrato digital com 16 fotos 3 X 4 do artista de várias épocas, que se sucedem com versos, formando um poema-confissão: “se meu atro dentro incomoda/a sombra do outro me acomoda. “Vi...Aturas?”, uma traseira de carro com a frase composta de diversas letras de marcas automotivas: “Toda Via Atura Milhas e Marcas de Supérfluas Viaturas”. Placas antigas de preço com letras aplicadas são utilizadas como poesia visual e também pequenas placas de aviso com dizeres inusitados estarão distribuídas pelo espaço. E grandes ampliações gráficas em chapas de acrílico transparente, com textos inseridos em diagramas, fluxogramas e em divertidos desenhos técnicos de aparelhos eletrônicos e maquinários diversos.

Alexandre escreve na introdução do seu E-book: “Alguns poemas-objeto não comportam textos, frases, palavras, apenas uma estranha fisionomia, que à primeira vista, pode deixar o expectorante espectador em sentido de interrogação. A chave está no título, que deflagra a fagulha da ignição e liga a engrenagem do motor de uma forma diversa do olhar. (...) “Página a página, com a materialidade física dos poemas-objeto e a impalpabilidade das poesias gráficas, procuro criar um vínculo intrapessoal de incursão do leitor em um espaço cósmico cômico onde o requintado adorno do humor se insere de maneira a particularizar o campo focal: vista aérea de um amplo mapa que representa um autoterritório, um autoplaneta, um autouniverso, uma área útil de sensível exploração filosófica do pensamento”.

O poeta e crítico de arte Ferreira Gullar definiu o trabalho de Alexandre Dacosta em edição do jornal A Folha de São Paulo em 6 de janeiro de 2013: “São criações de gratificante originalidade, em que o artista mescla objetos, cores, palavras e signos visuais, postos todos a serviço de um senso de humor que explora o nonsense. Ao contrário de outros artistas que tentam impor-se pelo gigantismo das obras, Alexandre inventa pequenos objetos, à vezes ‘máquinas inúteis’, à La Picabia. (...) Ele define seus objetos como “inutensílios capazes de deslocar a percepção para uma invertida reflexão do cotidiano”. Trata-se de uma das manifestações mais inteligentes e criativas dentre as que vi ultimamente nesse gênero de arte”.

Alexandre Dacosta (Rio de Janeiro - 1959). Professor do Curso Fundamentação na Escola de Artes Visuais do Parque Lage / RJ (2011-2016). Realizou 16 exposições individuais, RJ/SP e Montevideo - Uruguay, e mais de 90 coletivas no Brasil e no exterior. Recebeu 2 prêmios de pintura: IBEU (1985) e Secretária de Cultura no XVIII Salão de Belo Horizonte MG (1986). Em 1981 cria com Ricardo Basbaum a “Dupla Especializada” e dois anos depois o Grupo 6 Mãos, com Basbaum e Barrão. Integra o Grupo 8 Pés, que vestidos de garçons, fazem intervenções em vernissages. Como cantor, músico e compositor produziu o álbum “Antimatéria” (2017) com 13 canções autorais que estão nas plataformas digitais de música e o CD Livro ADJETOS (2011) com 18 canções para esculturas/objetos, além de fazer trilhas sonoras para filmes e peças de teatro. Criou com sua mulher Lucília de Assis a dupla performática de cantores e compositores “Claymara Borges e Heurico Fidélis" e gravou os CDs "Cascata de Sucessos/1992 Leblon Records e “Pirata Ao Vivo”/2003. Como diretor e roteirista produziu 14 filmes de curta-metragem - 6 ficções, 3 documentários, 5 experimentais - tendo ganho 11 prêmios em festivais. Como ator, participou de mais de 40 filmes, 17 peças de teatro e musicais, diversos seriados, minisséries e novelas. Como poeta lançou em 2011 o livro [tecnopoética] Editora 7 Letras, desde 2015 produz arte sonora com a “Rádio Varejo” e com Alexandre Guarnieri cria em 2012 o espetáculo vídeo-poético-musical [versos alexandrinos]. Participa também de revistas, antologias, saraus e colabora com áudios de poesias em programas de rádio.

Posted by Patricia Canetti at 11:24 AM

A União Soviética através da câmera no Paço Imperial, Rio de Janeiro

Paço Imperial recebe mostra de fotos da União Soviética, no ano em que se celebra 100 anos da revolução russa

A exposição, com 200 imagens em preto e branco realizadas por seis importantes fotógrafos da antiga União Soviética, é organizada pela Ars et Vita, em parceria com o Paço Imperial e o Museu Oscar Niemeyer (Curitiba).

A exposição A União Soviética através da câmera, com curadoria de Luiz Gustavo Carvalho e Maria Vragova, é composta por obras de seis fotógrafos da antiga União Soviética, de diversas regiões deste “país fantasma”. Através do olhar de diferentes artistas de grande renome internacional, de formações e estéticas distintas, o público carioca poderá fazer uma viagem a uma cultura longínqua, conhecendo os seus habitantes e a história deste país. As fotografias retratam a vida cotidiana na Rússia pós-Stalinista, iniciando em 1956, ano em que Nikita Khruschev denuncia os crimes cometidos por Josef Stalin (morto em 1953) e, 1991, quando ocorre a dissolução da União Soviética.

Por meio de um registro visual da mais alta qualidade, além de mostrar a estética soviética da fotografia e a riqueza da escola russa e soviética de fotografia, são abordados diversos temas de grande importância histórica para o entendimento do regime soviético tais como educação, saúde, esporte, moda, juventude comunista, cultura, ciência e indústria. Assim, com o auxílio destes tópicos, a exposição pretende proporcionar ao espectador um entendimento profundo sobre a vida cotidiana na União Soviética durante estas quatro décadas, estética artística, documentando tais acontecimentos para a posteridade. Para retratar este ambiente, a curadoria da exposição selecionou obras de alguns dos mais importantes fotógrafos da ex-URSS: Vladimir Lagrange, Leonid Lazarev, Vladimir Bogdanov, Yuri Krivonossov, Victor Akhlomov e Antanas Sutkus.

Através da escolha de diferentes fotógrafos, a exposição pretende mostrar também a complexa relação entre o indivíduo e o Estado, apresentando cada um dos temas retratados por diferentes artistas, conseguindo penetrar no fino espaço deixado para a interpretação individual pela censura soviética. Desta forma, o espectador poderá observar a vasta nuance de olhares sobre o mesmo país, segundo a região retratada pelo artista, o posicionamento político e o grau de conformismo ou subversão de cada respectivo artista.

Os curadores explicam a linha da mostra: “Através do olhar de seis fotógrafos diferentes, a exposição propõe uma reflexão sobre a vida cotidiana deste "país fantasma", do Degelo de Khruschev à Perestroika de Gorbatchev, assim como sobre o papel singular exercido pela fotografia na sociedade soviética pós-stalinista”.

Sobre os fotógrafos

Leonid Lazarev nasceu em Moscou, em 1937. Depois de receber o Segundo prêmio no concurso internacional entre jovens e estudantes em 1957 decide dedicar à fotografia a sua vida. Em 1962 foi considerado um dos melhores fotógrafos do mundo pela «PhotographyYearBook» pela imprensa internacional. Ao longo dos anos, trabalhou com as princioais revistas e jornais da antiga União Soviética. Hoje o Leonid Lazarev continua trabalhando preparando o livro “Moscou de mil nacionalidades”.

Vladimir Lagrange nasceu em Moscou, em 1939 e é considerado um dos principais fotógrafos do país. Desde a sua primeira exposição internacional, realizada em Budapeste, em 1963, os seus trabalhos vêm conquistando renomados prêmios pela sua arte. Formado em jornalismo pela Universidade Lomonossov de Moscou, trabalhou como foto-jornalista, contribuindo durante vários anos com o jornal Pravda, assim como com jornais estrangeiros, como o Freie Welt. Vencedor do maior prêmio atribuído à fotografia na Rússia, “Olho Dourado”. As fotografias de Vladimir Lagrange integram as coleções de importantes centros de fotografia europeus.

Yuri Krivonossov nasceu em 1926 em Moscou. Ele participou na segunda guerra mundial, e depois da guerra trabalhou na revista Ogonek. A primeira foto dele publicada na revista Ogonek em 1953 era uma fotografia histórica que retratou o funeral do Iosef Stalin. Desde este momento histórico, o Yuri Krivonossov virou foto-jornalista. Os temas principais das suas reportagens são várias situações extremas. Entre os anos 1979-1988 ele trabalhou na revista “A foto soviética” aonde ele era chefe do departamento do fotojornalismo. A revista era a principal publicação do país dedicada à sociedade e à política, publicada em 21 línguas e distribuída em mais 130 países.

Victor Akhlomov nasceu em 1939. Ele foi um dos mais famosos foto jornalistas da antiga União Soviética e a Rússia atual. Ao longo da sua vida o Victor Akhlomov recebeu vários prêmios importantes, como o primeiro prêmio da União dos fotógrafos da Rússia. Victor Akhlomov recebeu 4 vezes o prêmio do «World Press Photo» e ele foi vencedor do maior prêmio atribuído à fotografia na Rússia, “Olho Dourado”. Victor Akhlomov faleceu neste ano.

Vladimir Bogdanov nasceu em 1937 em Leningrado (hoje: São Petersbrugo). Em 1969 ele muda para Moscou. Entre anos 1960 e 1976 ele trabalha nos jornais “Komsomolskaya Pravda” e “Sovetskaya Rossiya” e de 1976 a 1999, no jornal “Literaturnaya gazeta”. O seu gênero preferido na fotografia é a reportagem social.

Antanas Sutkus é um dos mais expressivos fotógrafos da atualidade. Antanas Sutkus foi o fundador da escola de fotografia na Lituânia, dando assim um grande impulso à fotografia em todos os países bálticos. Em 1969, sob sua iniciativa, foi fundada a Sociedade da Arte da Fotografia em Vilnius que reunia todos os fotógrafos com talento da Lituânia que tinham as mesmas aspirações. Durante o período Soviético a maior parte da produção fotográfica de Antanas Sutkus foi logo para os arquivos, sem nem mesmo ser mostradas ao público. As fotografias do Antanas Sutkus mostravam o dia-a-dia das pessoas e não poderiam ser aprovadas pela censura ideológica vigente neste momento na União Soviética. Entretanto algumas fotografias que chegaram à outros países atraíram grande interesse e em 1976 Antanas Sutkus foi condecorado com um prêmio da Associação Internacional de Fotografia Artística, associação da qual ele até hoje é membro. Desde 1996 ele é o presidente da Associação Lituana de Fotógrafos. Exposições por todo o mundo são consagradas à sua obra e suas fotos são representadas em diversos prestigiados museus tais como o Victoria e Albert Museu (Londres), Nicephore (Nice), Museu de Fotografia (Helsinki) e o Instituto de Arte (Chicago). Na exposição serão apresentadas as fotografias inéditas do fotógrafo.

Posted by Patricia Canetti at 10:13 AM

Beatriz Milhazes lança livro da Taschen na Galeria Fortes D'Aloia & Gabriel, São Paulo

As cores e os conceitos de Beatriz Milhazes

“O ritmo é uma expressão de cultura. As composições que crio levam você a lugares da história, à música que você ouviu, às memórias de suas próprias experiências de vida.” — Beatriz Milhazes

Em seus trabalhos vibrantes, a pintora brasileira Beatriz Milhazes combina duas formas muito diferentes de ver o mundo. Suas composições abstratas, que podem ser vistas alinhadas a mestres modernistas que vão de Henri Matisse a Bridget Riley, são embebidas com as cores e a luz de seu país de origem. Em suas pinturas, são abundantes os signos das raízes da cultura e vida cotidiana brasileira: o Carnaval, a arte popular e os motivos que vão do barroco ao pop – todos coreografados em um exuberante ritmo visual. Essa atmosfera da construção cromática tem um poder irresistível de sedução exótica, mas, assim como no trabalho de Paul Gaugin, encontramos um paraíso perdido, onde tanto as promessas de vida nos trópicos quanto as de abstração modernista atingem um tom mais escuro e mais hesitante.

Para atingir tal equilíbrio, Milhazes desenvolveu uma técnica especial no fim dos anos 1980, ao pintar seus motivos sobre folhas de plástico, colando-os em telas depois de secos. Esse método permite à artista justapor superfícies, criando um efeito oscilante entre um brilho glorioso e uma luz difusa melancólica. Desde que se tornou conhecida no início dos anos 1990, Milhazes expandiu seus trabalhos para outras mídias, criando serigrafias, colagens de embalagens de chocolate, doces e papéis variados, esculturas, instalações que se assemelham a móbiles gigantes de alegorias e adereços de Carnaval, projetos site specific que transformam fachadas de prédios em vitrais, e trabalhos envolvendo o corpo e o ritmo em colaboração com a companhia de dança contemporânea de sua irmã Marcia.

Esta monografia é espetacular em cada detalhe, apresentando mais de 280 obras, que abarcam todas as fases do trabalho de Milhazes e todas as mídias. A divisão em capítulos foi criada pela própria artista especialmente para este livro, na forma de colagens em pintura com diversos papéis e objetos encontrados. As imagens são complementadas com uma conversa com o editor Hans Werner Holzwarth, na qual Milhazes revela seus processos e discute a respeito das ideias e do contexto cultural que estão por trás de seu trabalho. Um ensaio escrito sob a perspectiva da história da arte por David Ebony, uma extensa biografia da artista assinada por Luiza Interlenghi, e um dicionário poético de seus motivos­chave por Adriano Pedrosa completam este abrangente volume.

Também disponível em Edição de arte, limitada a 100 cópias (Nº 1–100), com a impressão em silkscreen de Mango and Passion Fruit in Lilac and Violet, cada volume é numerado e assinado por Beatriz Milhazes.

Beatriz Milhazes
Edição de 1.000 cópias
Capa dura em caixa articulada,
33 x 44 cm, 480 páginas

Beatriz Milhazes. Art Edition
Edição de arte (Nº. 1–100), com impressão em silkscreen de Mango and Passion Fruit in Lilac and Violet, cada volume numerado e assinado por Beatriz Milhazes.

Lançamento na Galeria Fortes D'Aloia & Gabriel, em São Paulo, no dia 13 de dezembro, às 19h.

Posted by Patricia Canetti at 9:36 AM

Daniel Feingold na Cassia Bomeny, Rio de Janeiro

Com trinta anos de trajetória, artista apresentará 24 pinturas inéditas, sobre tela e sobre papel, produzidas este ano, que dão um panorama da sua mais recente produção

Cassia Bomeny Galeria apresenta, no dia 12 de dezembro de 2017, a exposição do artista plástico Daniel Feingold. São vinte e quatro obras inéditas, sendo oito pinturas em esmalte sintético sobre tela, que apresentam sua pesquisa sobre trama e estrutura, e dezesseis pinturas em bastão oleoso sobre papel, onde a estrutura desconstruída dá lugar a um novo espaço de investigação, numa potente expansão de sua pesquisa construtiva.

Os trabalhos foram produzidos este ano, o que nos dá um panorama da mais recente produção do artista, que tem trinta anos de trajetória. “A obra que Daniel Feingold vem realizando há cerca de três décadas, de modo extremamente coerente no que tange à sua impecável metodologia de trabalho e consistência intelectual, o afasta dos modismos estéticos e conseqüentemente do marketing promocional, que costuma devastar a produção de tantos artistas”, afirma o crítico de arte Frederico Morais no texto que acompanha a exposição.

Para realizar as pinturas, Daniel Feingold não utiliza o tradicional pincel. Em uma técnica desenvolvida por ele em 2013, a pintura é feita entornando as tintas sobre a tela. Ele a coloca na vertical e, através de latas que ele mesmo retorce, criando bicos de diversos tamanhos, derrama a tinta, que escorre verticalmente por toda a tela, formando linhas retas. Ao secar, o artista vira o quadro e repete o procedimento, resultando em diversas linhas coloridas, com espessuras variadas, que se cruzam, se sobrepõem e se entrelaçam. “Não é por acaso, também, que Feingold tenha descartado o emprego de matérias primas, ferramentas e técnicas tradicionais como óleo, vinil, acrílica, pincéis ou espátulas na realização de suas pinturas, optando por usar o esmalte sintético sobre um tecido mais encorpado e resistente, o ‘terbrim’, não sem antes criar na própria embalagem metálica do produto uma espécie de canaleta que lhe permite controlar a quantidade da matéria a ser liberada e, simultaneamente, impedir que ela se esgarce comprometendo a precisão de seu percurso - que é sempre o de uma queda - na definição das linhas que atravessam o suporte de uma extremo a outro”, diz Frederico Morais.

Logo na entrada da exposição estará uma grande pintura, um díptico medindo 1,90m X2,60m, com tons de preto, vermelho e branco. Cada uma das telas que compõem a obra possui uma espessura diferente, formando um “degrau”, mas com linhas que se juntam, em uma ideia de continuidade. “As pinturas são planos cromáticos e dobras que se expandem e se entrelaçam. Elas têm a característica de expansão, a ideia é romper a superfície”, conta o artista, que ressalta que essa obra foi o ponto de partida para toda a exposição.

Nas obras de Daniel Feingold, a lateral da tela, aonde o terbrim dobra no chassi, também é pintada. Lá estão as mesmas linhas contínuas presentes na frente do quadro. “Um visitante mais apressado ou menos atento às sutilezas de sua obra, talvez não se dê conta de que seus quadros não se esgotam nos limites da superfície plana que têm à sua frente. Não porque careçam de molduras, mas porque esse plano costuma ser dobrado nos seus quatro lados. E a rigor poderia prosseguir por traz – o que seria um desperdício, um lesa-prazer. Assim como se juntar a outro, como já aconteceu. Ou outros mais, iguais ou parecidos, mantendo-se a mesma estrutura linear, porém mudando-se cores. O ponto de encontro entre elas criando módulos, ou apenas uma pausa, uma fresta, um ponto de fuga, parte de um jogo de simetrias e assimetrias. Ou indefinidamente – cobrindo paredes de corredores, túneis, dando a volta ao mundo, quem sabe”, ressalta Frederico Morais.

PINTURAS SOBRE PAPEL

Além das pinturas sobre tela, no primeiro andar da galeria também estarão três pinturas sobre papel, que se relacionam com as demais obras, pois possuem a mesma palheta de cores. No segundo andar, estará mais uma série de trabalhos sobre papel, todos em preto e branco. Para realizar essas obras, Daniel Feingold usa bastão oleoso – com cores firmes, opacas e sem transparência –. que ele desliza, friccionando sobre o papel. Nesses trabalhos, não há uma preocupação tão grande do artista com o rigor técnico. Ele utiliza algumas réguas para fazer linhas retas, mas também permite “manchas” no desenho, como riscos mais finos, borrões e até marcas de dedo. “São trabalhos de luta, que mostram a intensidade do artista, a tensão interna durante a produção, que trazem uma vivacidade menos intelectualizada, uma despreocupação com o sujo”, diz Daniel Feingold.

“Quando se trata de papéis, Feingold faz uso de grande variedade de materiais, superpondo faixas coloridas, ou como em fascinante série negra, ainda em curso, provocando com seus instrumentos de trabalho, que não raro também usa de forma pouco ortodoxa, ranhuras, incisões, manchas ou grafismos que se contrapõem a formas-signos vigorosas e intrigantes”, conta Frederico Morais.

As pinturas (tanto sobre tela como sobre papel) foram feitas pelo artista sem um projeto prévio, sem esboço. “A cor demarca a situação. O que busco é um equilíbrio”, afirma.

SOBRE O ARTISTA

Daniel Feingold (Rio de Janeiro, 1954) formou-se em Arquitetura na FAUSS, RJ, (1983), estudou História da Arte e Filosofia na UNIRIO/PUC (1988-1992) e teoria da Arte & Pintura e Núcleo de Aprofundamento, na EAV Parque Lage, RJ, (1988-1991). Morou em Nova York, onde fez Mestrado em Fine Arts no Pratt Institute (1997).

Dentre suas exposições individuais estão: “Acaso Controlado”, no MAM - Rio de Janeiro (2013), MON - Curitiba (2017), Museu Vale - Vitória (2017), "Fotografia em 3 séries" Paço Imperial do Rio de Janeiro (2016), Centro Universitário Maria Antonia | USP, São Paulo (2003), entre outras.

Dentre suas exposições coletivas destacam-se: “Arte Brasileira e Depois na Coleção Itaú”, Paço Imperial - Rio de Janeiro, (2011), “Football, Art & Beer”, Centro de Arte Maria Teresa Vieira - Rio de Janeiro (2010), “Escape from NY”, SNO – Sidney (2007), RMIT School of Art - Melbourne, (2009), Minus Space - Nova York (2009) e Massey University - Wellington (2010), “Minus Space”, PS1 Contemporary Art Center - Nova York (2008), “Crossing Lines”, Art in General - Nova York (1998) entre outras.

SOBRE A GALERIA

Cassia Bomeny Galeria (antiga Um Galeria) foi inaugurada em dezembro de 2015, com o objetivo de apresentar arte contemporânea, expondo artistas brasileiros e internacionais. A galeria trabalha em parceria com curadores convidados, procurando elaborar um programa de exposições diversificado. Tendo como característica principal oferecer obras únicas, associadas a obras múltiplas, sobretudo quando reforçarem seu sentido e sua compreensão. Explorando vários suportes – gravura, objetos tridimensionais, escultura, fotografia e videoarte.

Com esse princípio, a galeria estimula a expansão do colecionismo, com base em condições de aquisição, bastante favoráveis ao público. Viabilizando o acesso às obras de artistas consagrados, aproximando-se e alcançando um novo público de colecionadores em potencial. A galeria também abre suas portas para parcerias internacionais, com o desejo de expandir seu público, atingindo um novo apreciador de arte contemporânea, estimulando o intercâmbio artístico do Brasil com o mundo.

Posted by Patricia Canetti at 8:48 AM

dezembro 7, 2017

Lançamento do livro sobre o grupo 3NÓS3 no Itaú Cultural, São Paulo

Lançamento do livro sobre os trabalhos de intervenções urbanas e na mídia, realizados por um dos grupos referência para a história dos coletivos do Brasil: 3NÓS3: Intervenções Urbanas – 1979-1982, contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2013-2014 e editado pela Ubu Editora. Formado pelos artistas Hudinilson Jr. (1957-2013), Rafael França (1957-1991) e Mario Ramiro (1957), o 3NÓS3 foi um dos mais importantes protagonistas da chamada arte independente em vigor no país ao final dos anos 1970 e início de 1980.

12 de dezembro de 2017, terça-feira, a partir das 19h

Itaú Cultural - Sala Vermelha
Avenida Paulista 149, Jardim Paulista, São Paulo, SP
11-2168-1776

Contemplado pelo Rumos Itaú Cultural, um dos principais programas de fomento à cultura e às artes brasileiras, 3NÓS3: Intervenções Urbanas– 1979-1982, apresenta os trabalhos de intervenção urbana e na mídia do coletivo paulista.

3NÓS3: Intervenções Urbanas – 1979-1982

Os trabalhos de intervenções urbanas e na mídia, realizados por um dos grupos referência para a história dos coletivos do Brasil, são documentados no livro 3NÓS3: Intervenções Urbanas – 1979-1982, contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2013-2014 e editado pela Ubu Editora. Formado pelos artistas visuais Hudinilson Jr. (1957-2013), Rafael França (1957-1991) e Mario Ramiro (1957), o 3NÓS3 foi um dos mais importantes protagonistas da chamada arte independente em vigor no país ao final dos anos 1970 e início de 1980. O lançamento está marcado para o dia 12 de dezembro, no Itaú Cultural com uma breve apresentação de Ramiro.

O projeto do livro foi concebido em 1982 reunindo textos, fotografias e reproduções dos jornais e revistas que documentaram as intervenções urbanas e outros trabalhos realizados pelo grupo ao longo de seus 3 anos de atividade. Consolidado e produzido por Mario Ramiro o livro, com 240 páginas, reúne extensa documentação de trabalhos, acompanhados pelos textos de três pesquisadoras que se debruçaram de forma mais sistemática sobre a produção do 3NÓS3 e o período de sua atuação.

Em suas mais conhecidas intervenções – como “Ensacamento”, de 1979, na qual dezenas de esculturas e monumentos públicos da cidade de São Paulo foram encapuzados com sacos de lixo e “X-Galeria”, também de 1979, onde várias galerias de arte da cidade foram lacradas simbolicamente com um “X” de fita crepe (acompanhado de um bilhete no qual se lia “O que está dentro fica, o que está fora se expande”) – a mídia impressa e televisiva tiveram um papel estratégico naqueles trabalhos, por atuarem como um prolongamento daquelas ações num suporte de maior alcance e permanência. Nesse contexto a fotografia e o vídeo protagonizam um “espaço” de acontecimento das obras, uma vez que as intervenções físicas na cidade tiveram curtíssima duração.

Além dos textos, a obra traz uma breve cronologia da produção brasileira de práticas artísticas urbanas anteriores ao 3NÓS3, assim como daquelas que ocorreram simultaneamente às atividades do grupo e também nos anos seguintes à sua atuação. O capítulo “Cronologia de fatos paralelos”, procura expor em uma linha do tempo o contexto de uma arte urbana emergente nos anos 1980, destacando produções que naquela época não foram identificadas necessariamente como uma nova forma de arte. Ela oferece apontamentos para a compreensão do que se poderia chamar de uma vocação performativa e coletiva da arte urbana no Brasil.

A passagem da década de 70 para a de 80 foi marcada pelo advento do grafite e do punk rock, do cinema e da música independente, da poesia de mimeógrafo e da arte xerox, como também foi simultânea ao fim da ditadura militar no Brasil e à ascensão de uma arte urbana e performativa. A arte alternativa, independente e marginal, constitui um novo capítulo nos estudos da arte contemporânea no Brasil, e por isso a urgência desta publicação.

Editado pela ubu editora, com a direção de arte de Elaine Ramos e coordenação editorial de Miguel Del Castillo o livro, impresso pela gráfica Ipsis terá tiragem de 1000 exemplares.

Sobre os artistas

Mario Ramiro nasceu em Taubaté, em 1957. Artista multimídia, sua produção reúne intervenções urbanas, redes telecomunicativas, esculturas, instalações, fotografia e arte sonora. É mestre em fotografia e novas mídias pela Escola Superior de Arte e Mídia de Colônia, na Alemanha, e doutor em artes visuais pela Universidade de São Paulo, onde atua como professor da Escola de Comunicações e Artes.

Hudinilson Jr. nasceu em São Paulo, em 1957. Foi um dos precursores da arte xerox no Brasil. Trabalhou com gravura, colagem, arte postal, grafite, xerografia, performance, livros de artista e intervenções urbanas. Foi o criador do Centro de Xerografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo e pesquisador constante das manifestações de arte urbana no Brasil. Sobretudo após seu falecimento em 2013, sua produção tem sido revistada em diversas e importantes exposições realizadas no Brasil e no mundo.

Rafael França nasceu em Porto Alegre, em 1957. Um dos precursores da videoarte e da arte e tecnologia no Brasil, trabalhou com gravura, arte xerox, vídeo-instalações e intervenções urbanas. Radicado nos Estados Unidos, frequentou a School of the Art Institute of Chicago, onde estudou e desenvolveu uma parte significativa de sua produção videográfica, abordando temas controversos relacionados à sexualidade e à morte. Faleceu na capital do estado de Illinois em 1991.

Sobre os textos e suas autoras

Annateresa Fabris, historiadora da arte e professora da Escola de Comunicações e Artes da USP, foi a primeira a identificar na produção do grupo os traços de uma manifestação que ainda não havia sido captada pela crítica de arte no início dos anos 1980. Seu primeiro texto, publicado pela revista Arte em São Paulo, em 1984, aborda de forma concisa e abrangente os principais aspectos da produção do 3NÓS3, nos seus vínculos com a cidade e a mídia. Analisando as primeiras intervenções que “favoreciam interpretações de caráter sociológico por visar alvos consagrados”, ela as diferencia das interversões que teriam “como princípio gerador especulações de caráter visual – ‘contrastes’, ‘agrupamentos’, ‘relações com a forma, o espaço e a cor’”. Seu texto prenuncia questões estéticas que irão orientar o discurso da geração seguinte de artistas e críticos culturais.

Adelaide Pontes, pesquisadora do Centro Cultural São Paulo, foi curadora da primeira retrospectiva da produção do grupo em 2012, na exposição Obra e documento –Arte / Ação e 3nós3, que apresentou cerca de duzentas fotografias produzidas entre as décadas de 1970 e 1980 pelos dois grupos. O projeto curatorial foi um desdobramento de sua pesquisa acadêmica, cuja análise recaiu sobre o papel da documentação nas práticas artísticas do 3NÓS3 e do Arte / Ação, fazendo uma extensa investigação de mapeamento. Neste livro, seu ensaio analisa de forma abrangente a produção do 3NÓS3 num ambiente de relações com outros artistas e com os meios de comunicação, apresentando diversas referências catalográficas do período.

Erin Aldana, historiadora da arte e curadora norte-americana especializada em arte moderna e contemporânea da América Latina, é autora do primeiro estudo mais abrangente das intervenções urbanas em São Paulo nos anos 1980. Em sua tese ela considera a produção do 3NÓS3 como um eixo a partir do qual seria possível analisar a produção de outros coletivos em atividade no mesmo período, considerando o contexto sociopolítico que conduziu o Brasil de uma ditadura militar a um processo de redemocratização, numa atmosfera cultural que propiciou o surgimento da arte independente ou arte marginal. No livro o seu texto enfoca os últimos trabalhos realizados pelo 3NÓS3, as interversões de larga escala que utilizaram grandes faixas de plástico instaladas em complexos arquitetônicos e seu diálogo com as grandes estruturas urbanas.

Posted by Patricia Canetti at 4:03 PM

dezembro 6, 2017

III Prêmio Reynaldo Roels Jr.: Pedro Varella no MAC, Niterói

Pedro Varella – contemplado pelo III Prêmio Reynaldo Roels Jr. – abre a instalação “De onde não se vê quando se está”, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói

Parceria da EAV Parque Lage com o MAC Niterói


No dia 10 de dezembro, Pedro Varella abre a instalação “De onde não se vê quando se está”, a partir das 10h, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói. O projeto conta com a colaboração do Gru.a (Grupo de Arquitetos) e foi contemplado pelo III Prêmio Reynaldo Roels Jr. – uma parceria entre a Escola de Artes Visuais do Parque Lage e o MAC Niterói.

Pela primeira vez, nestes 21 anos de existência do MAC Niterói, a cobertura do museu será ocupada e visitada. “De onde não se vê quando se está” tem como proposta tirar o MAC da vista e qual é o local mais adequado para isso? A cobertura! “A arquitetura do MAC parece querer dominar a paisagem da Baía de Guanabara. Com um único ponto de contato com o solo, a estrutura apresenta-se autônoma, absoluta”, explica o artista. O trabalho apresentado torna possível desvelar outras situações, marcadas por um espaço-tempo atípico, possível somente no contexto de uma fugaz obra instalativa.

O artista propõe ainda um desafio: como se desvencilhar da imagem que domina a experiência de quem visita o MAC? O projeto busca, portanto, adicionar à experiência do público a chance de simultaneamente estar neste objeto marcante e perder de vista sua imagem. Para isso, a ideia da ocupação da laje de cobertura do museu, de onde não se pode mais determinar seus limites nem reconhecer sua forma. “A instalação de uma escada em estrutura tubular no trecho da rampa que dá acesso ao pavimento de exposições – a mesma estrutura usada por alpinistas contratados para limpar os vidros do museu – oferece ao público a oportunidade de habitar a cobertura. A forma da superfície de cobertura, côncava para quem mira por baixo – a partir do salão de exposições – e convexa para quem a ocupa por cima, potencializa o que chamamos da dissolução do MAC, ou ao menos da imagem que se tem dele”, diz Pedro.

“Estar na cobertura do MAC aponta ainda para o que foi aquele sítio antes da construção do museu: o mirante da boa viagem, um promontório debruçado sob o mar da Guanabara. A possibilidade de engendrar essas interpretações fez com que o projeto que aqui se apresenta se contaminasse positivamente, apresentando-se, agora, como resultado do rico cruzamento ocorrido durante as duas semanas de seminário oferecido pela EAV Parque Lage, em parceria com o MAC Niterói, dentro do contexto do III Prêmio Reynaldo Roels Jr”, finaliza o artista.

Para a instalação e o acesso à cobertura, serão distribuídas pulseiras a quem tiver adquirido ingresso para entrar no museu (e quarta-feira será de graça). As pulseiras serão distribuídas em quatro horários durante o dia (9h30, 11h30, 13h30 e 15h30) exclusivamente para o acesso nos horários de visitação subsequentes. A distribuição obedecerá a ordem de chegada à recepção do museu. Portanto, não haverá possibilidade de compra antecipada ou de reserva.

Mais sobre o Prêmio Reynaldo Roels Jr

Em consonância com o universo reflexivo de Reynaldo Roels Jr., o prêmio visa a valorização de experimentalismos artísticos para além dos lugares tradicionais. Nesse sentido, o Prêmio Reynaldo Roels Jr. da Escola de Artes Visuais do Parque Lage contempla jovens artistas interessados na linguagem da instalação em virtude de sua capacidade de questionar o ambiente onde é realizada.

O termo “instalação” foi incorporado ao vocabulário das artes visuais na década de 1960, designando uma situação (em galerias, museus ou na rua), cuja lógica é regida pela relação entre os objetos e o corpo do observador. Esse tipo de intervenção artística tem a característica de estimular o público a sair de uma atitude puramente contemplativa para adotar uma apreciação crítica do espaço que a colhe a obra de arte.


Com o Prêmio Reynaldo Roels Jr., a Escola de Artes Visuais do Parque Lage amplia seu lugar de atuação para espaços extramuros e permite que seus alunos realizem um trabalho de escala pública. A iniciativa oferece aos estudantes e ex-estudantes de arte da EAV uma inserção no tecido social e urbano do Rio de Janeiro, no momento em que a cidade se torna palco de enormes investimentos financeiros que vêm transformando sua paisagem e, consequentemente, a circulação da população.

Da seleção

A Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage abriu inscrições para o III Prêmio Reynaldo Roels Jr. e o Seminário A Síntese entre Arte, Arquitetura e Paisagem, voltados a trabalhos de instalação.

As inscrições, gratuitas, puderam ser feitas até as 12h do dia 14 de setembro. Os 20 selecionados tiveram seus nomes anunciados no dia 18 do mesmo mês. Os selecionados participaram do seminário (50 horas de duração e realizado do dia 25 de setembro até 6 de outubro de 2017) para concorrer ao prêmio. O autor do projeto vencedor recebeu R$ 20 mil para produzir uma peça com as características de uma instalação, a ser exibida ainda este ano ao ar livre, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC-Niterói), cujo projeto arquitetônico é de Oscar Niemeyer.

O prêmio foi criado em 2015 para homenagear o crítico de arte Reynaldo Roels Jr., que dirigiu a EAV entre 2002 e 2006. Os patronos do prêmio são os colecionadores Helio Portocarrero, economista, e Nelson Eizirik, advogado.

Por isso, o que foi pedido à arte – e aos artistas – é que ultrapassem os limites e ocupem o território. Reynaldo Roels Jr. “Pede-se ultrapassar o limite”. Exposição coletiva “Território ocupado”, EAV Parque Lage, novembro de 1987.

O I Prêmio Reynaldo Roels Jr. teve como jurados os artistas Rosângela Rennó e Nelson Félix, além do curador Pablo León de La Barra. A vencedora foi Bia Martins, com o projeto “Salário”, exibido no armazém 4 Pier Mauá durante toda a ArtRio 2015.

O II Prêmio Reynaldo Roels Jr. foi concedido a Maria Baigur, pelo projeto “À toa”, realizado em colaboração com o Estúdio Chão. A comissão de premiação foi composta pelos críticos e curadores Clarissa Diniz, Fernando Cocchiarale e Marisa Flórido. A obra foi exibida no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM).

Pedro Varella foi o selecionado pelo III Prêmio Reynaldo Roels Jr. a participar com obra, no MAC Niterói.

Ficha técnica

Título: "De onde não se vê quando se está"
Autoria: Pedro Varella
Desenvolvimento: gru.a (grupo de arquitetos)
Projeto de estrutura: Rodrigo Affonso
Colaboradores: Caio Calafate, André Cavendish, Julia Carreiro
Estrutura: jirau
Montagem: New Alfa
Agradecimento: Bruno Contarini

Serviço

“De onde não se vê quando se está”, instalação do artista Pedro Varella – com desenvolvimento do Gru.a (Grupo de Arquitetos). Artista selecionado pelo III Prêmio Reynaldo Roels.

Abertura: 10 de dezembro de 2017, a partir das 10h

Até 23 de dezembro de 2017

Distribuição de pulseiras a quem tiver adquirido ingresso para entrar no museu.

Horário de visitação à instalação: 9h30, 11h30, 13h30 e 15h30

As pessoas com idade entre 14 e 18 anos só poderão acessar a instalação acompanhados por responsáveis.

O acesso à instalação será realizado em grupos de 15 pessoas para visitas de 15 minutos de duração.

Ingressos para os espaços expositivos que permite a subida à cobertura com visitação à instalação “De onde não se vê quando se está”: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Na quarta-feira, a entrada é gratuita para todos.

Posted by Patricia Canetti at 3:09 PM

Rodrigo Andrade na Pina Estação, São Paulo

Com mais de 100 trabalhos, incluindo uma obra feita exclusivamente para a Pina Estação, Rodrigo Andrade ganha individual a partir de 9 de dezembro

A Pinacoteca de São Paulo, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, inaugura, no dia 9 de dezembro, uma exposição retrospectiva da obra de Rodrigo Andrade. Com curadoria de Taisa Palhares e patrocínio do Banco Credit Suisse, Rodrigo Andrade: Pintura e matéria (1983-2014) reúne pela primeira vez um conjunto de mais de 100 trabalhos, apresentando uma visão abrangente de sua carreira, desde 1983 até os últimos cinco anos de sua produção. Entre os trabalhos apresentados destacam-se as obras de sua fase abstrata, quando Andrade começa a usar o estêncil, além de pinturas da série Matéria noturna, expostas na 29ª Bienal.

A exposição vem dar continuidade às mostras de revisão de carreira de artistas que emergiram no cenário brasileiro durante a década de 1980, que a Pinacoteca realiza há mais de dez anos. Vale lembrar que entre as obras apresentadas, está uma instalação criada exclusivamente para o prédio da Pina Estação, seguindo a produção de intervenções pictóricas realizadas pelo artista nos anos 2000 em espaços públicos, como “Lanches Alvorada”, “Paredes da Caixa” e “Óleo sobre”.

Um catálogo da exposição será publicado na abertura com reproduções de obras, um ensaio da curadora e um texto de Michael Asbury, autor convidado.

Rodrigo Andrade: Pintura e matéria (1983-2014) permanece em cartaz até 12 de março de 2018, no quarto andar da Pina Estação..

Rodrigo Andrade é um pintor paulistano, nascido em 1962, que iniciou sua trajetória artística em 1977, período em que estudou gravura com Sergio Fingermann. Na década de 1980 formou o grupo conhecido como Casa 7, que incluía ainda Nuno Ramos, Fabio Miguez, Carlito Carvalhosa e Paulo Monteiro. Sua produção inicial foi marcada pela observação dos comics norte-americanos e de pintores como o canadense Philip Guston. Em seguida, sua pintura passa a se identificar com uma produção então chamada de “matérica”, por valorizar o acúmulo de tinta e de outros elementos no suporte (papelão, madeira, etc), bem como a gestualidade ao preencher a superfície da pintura.

Posted by Patricia Canetti at 1:28 PM

Vivemos na melhor cidade da América do Sul apresenta Coletivo OPAVIVARÁ! na Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre

Coletivo OPAVIVARÁ! instala chuveiros na Fundação Iberê Camargo e propõe a participação do público

Grupo carioca convida os visitantes a interagir com as instalações Sofaraokê e Chuvaverão, oferecendo experiências coletivas e diversão. No sábado, às 17h, o coletivo participa do Seminário Sob o Sol dos Trópicos

No próximo final de semana, 09 e 10 de dezembro, o coletivo carioca OPAVIVARÁ! participa da programação da Fundação Iberê Camargo com a ativação de duas obras interativas, que propõem a participação do público. Além de promover uma atividade ao ar livre com o seu sofá/equipamento de som Sofáraokê – obra em exibição na exposição Vivemos na Melhor Cidade da América do Sul –, o coletivo recria em Porto Alegre o projeto Chuvaverão, que consiste na instalação de chuveiros ao ar livre, para serem utilizados pelos visitantes. A intenção do coletivo de artistas é gerar reflexões sobre as experiências cotidianas. O Opavivará também participa do Seminário Sob o Sol dos Trópicos – que acontece no sábado, dia 09, às 17h, ao ar livre, junto à obra Sofaraokê – e promove atividades de ativação das obras nos seguintes horários: no sábado, às 16h (Chuvaverão), e no domingo, às 15h (Chuvaverão) e às 16h (Sofáraokê). A entrada é franca.

O Sofáraokê é um mobiliário híbrido desenvolvido pelo Opavivará, que se apropriou dos videokês criando um objeto-arte cuja principal função é descontrair e entreter o usuário. A intervenção consiste em um sofá com caixas de som, luzes, tela e um sistema de karaokê instalado, tudo reunido no mesmo objeto. A ação convida os passantes a soltarem a voz, sentados no sofá. O Chuvaverão é um sistema hidráulico com quatro chuveirões, livres para o uso de qualquer pessoa que passe em frente à Fundação Iberê Camargo. O projeto foi realizado pela primeira vez em 2014, na Galeria A Gentil Carioca (RJ), e remete às antigas fontes de água públicas que existiam no Rio de janeiro. A instalação Chuvaverão vai ficar disponível ao público nos fins de semana, dias 09, 10, 16 e 17 de dezembro, durante o período de visitação da Fundação, das 15h às 20h.

O OPAVIVARÁ! é um coletivo de arte do Rio de Janeiro criado em 2005. Os artistas do grupo desenvolvem ações em espaços públicos, galerias e instituições culturais, propondo experiências coletivas e interação. O grupo é participante ativo no panorama das artes contemporâneas e tem obras em coleções importantes como Latin America | Museu Solomon R. Guggenheim, Coleção Gilberto Chateaubriand | Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Acervo do Museu de Arte Contemporânea | MAC – São Paulo. Participa de exposições nacionais e internacionais de reconhecida importância no cenário das artes visuais no mundo, como Bienal de Havana/Cuba, Bienal de São Paulo, Bienal de Taipei, Art Basel e residências como a Residência Artística Casaplan, no Chile. Saiba mais sobre o coletivo em http://opavivara.com.br/.

As ações do coletivo integram as atividades paralelas à exposição Vivemos na Melhor Cidade da América do Sul, em cartaz na Fundação. A exposição traz obras de 28 artistas brasileiros referenciais – como Alair Gomes, Beto Shwafaty, Carlos Vergara, Guga Ferraz, Hélio Oiticica, Iberê Camargo, Maria Sabato, Mario Testino e Rosângela Rennó, além do próprio coletivo OPAVIVARÁ!, entre outros – que investigam noções contraditórias de tropicalidade, identidade nacional, corpo e violência, e analisam a paisagem estética e política do Rio de Janeiro para lançar uma mirada crítica sobre o Brasil.

PROGRAMAÇÃO

Dia 09 de dezembro, sábado

16h - CHUVAVERÃO*
17h – Seminário Sob o Sol dos Trópicos – conversa com o coletivo OPAVIVARÁ! junto à obra SOFÁRAOKÊ

Dia 10 de dezembro, domingo

15h - CHUVAVERÃO*
16h - Ativação SOFÁRAOKÊ

*A obra fica ativada nos dias 9, 10, 16 e 17 (fins de semana) de dezembro.

Posted by Patricia Canetti at 11:31 AM

Eduardo Sued na Mul.ti.plo, Rio de Janeiro

Eduardo Sued: em obras inéditas, o colorista reduz as cores

Celebrando 7 anos, a Mul.ti.plo Espaço Arte apresenta exposição de telas, objetos e um múltiplo inéditos de um dos mais importantes artistas contemporâneos brasileiros, que está prorrogada até dia 3 de março de 2018

Em 31 de janeiro, às 19h30, os críticos Paulo Sergio Duarte e Ronaldo Brito debatem a nova fase do artista, que vem reduzindo suas cores

Conhecido como um dos maiores coloristas da arte brasileira, prestes a completar 93 anos, Eduardo Sued se renova, lançando obras inéditas e cheias de vigor, em que a profusão de cores característica de seu trabalho é reduzida e o cinza e o preto se destacam. Na nova exposição individual do artista, que acontece na Mul.ti.plo Espaço Arte, no Leblon, a partir do próximo dia 7, serão apresentadas cerca de 18 obras, dentre pinturas (acrílico e óleo sobre tela), objetos (madeira e pintura) e um múltiplo (acrílico e pintura automotiva), de dimensões variadas que vão desde 58cm x 64cm a 1m x 1,70m.

Caso raro de artista dessa idade em atividade que vive no Brasil, Sued tem um trabalho bastante singular e diz que a transformação é resultado de uma simplificação interior. O cinza e o preto – que antes apenas dividiam combinações surpreendentes de cores improváveis de conviver, como vermelho, azul, verde e lilás – agora são protagonistas. E os outros tons (às vezes, apenas um deles) são um detalhe, num jogo sóbrio, mas vibrante, de expansão e contenção.

"Onde antes havia uma coleção de cores, agora são pouquíssimas, porque hoje eu acho suficiente. Se você olhar bem, o quadro se multiplica. E eu espero que o espectador veja dessa maneira, que ele se debruce sobre o quadro até que haja uma introjeção daquilo que não se vê. A minha simplificação se refere a esta intromissão dos espectador dentro do quadro", afirma Sued.

Para o consultor de arte Maneco Müller, o que chama a atenção é que, “dentro de seu repertório, Sued abre mão de todos os possíveis artifícios de sedução de uma pintura ao extremo”.

“A cor agora aparece como um pedaço. É como se ele pudesse reduzir todos os elementos pictóricos ao máximo, tirar todos os adjetivos, e ainda assim a qualidade de sua obra resiste”, afirma.

Na dia 31 de janeiro, às 19h30, os críticos e professores Ronaldo Brito e Paulo Sergio Duarte participam de um bate-papo sobre a exposição de Sued na galeria. Paulo Sergio Duarte explica que um artista como Sued pensa mais na pintura que nos quadros:

"O importante é a própria pintura, como ela vai evoluindo, se processando e propiciando uma reflexão sobre a própria pintura. A gente só pode fluir essa pintura entendendo que ela ultrapassa os quadros. Algumas telas teriam tudo para dar errado. Porque parece que ele acumula problemas insolúveis. Mas dá certo! E ao criar problemas, com a sabedoria pictórica que ele foi acumulando, pelo talento inato e sobretudo pelo trabalho contínuo, isso dá para a gente uma alegria enorme. É aquela coisa do grande artista que na velhice produz uma obra muito jovem, porque está sempre chegando pela primeira vez".

Para a historiadora de arte e curadora Elisa Byington, o passar do tempo parece que não existe para Sued.

"Há um predomínio de cores escuras, mas ainda tem o vermelho vibrante, como naquele quadro, que podia ser de um garoto. Gostei muito dessas formas escultóricas, que dialogam com toda a arte dos contemporâneos dele, toda a obra concreto abstrata. Sued sempre nos surpreende".

Com a mostra deste ícone da arte contemporânea, a Mul.ti.plo celebra seus sete anos – Sued foi o primeiro artista a expor na galeria e já fez seis exposições lá, sempre apresentando sua produção mais recente.

Eduardo Sued, Rio de Janeiro, 1925

O primeiro contato de Eduardo Sued com a cor foi através de aquarelas, em 1948, quando estudou com Henrique Boese, herdeiro do expressionismo europeu. De 1951 a 1953 viveu em Paris. Frequentou a Académie Julien e a Académie de la Grande Chaumière, onde fazia desenhos de modelos vivos. Durante a estada na França entra em contato direto com as obras da École de Paris, de Pablo Picasso, Miró, Matisse e Georges Braque. De volta ao Brasil, passa a trabalhar com gravura em metal, sendo aluno de Iberê Camargo – e a figuração das gravuras já se revelava moderna, com certa fragmentação.

O interesse por grandes áreas cromáticas e a busca por mais plasticidade levam o artista a se dedicar de forma cada vez mais intensa à pintura, em meados dos anos 1960. Em sua primeira individual, de pinturas, guaches e aquarelas na Galeria Bonino em 1968, os críticos já chamavam a atenção para a fusão da geometria com a figura, como Walmir Ayala, que descrevia o trabalho como uma “conjugação da abstração geométrica com a livre distribuição de formas do subconsciente, criando uma caligrafia do espiritual”.

Sued nunca participou ativamente de nenhum movimento, se mantendo distante das disputas entre concretos e neoconcretos nos anos 1950 e das discussões sobre a nova figuração dos 1960. Vai formando sua poética abstrata pouco a pouco; após um breve período de produção figurativa, conquista já no início dos anos 1970 o domínio seguro da linguagem construtiva.

Em meados dos anos 1990, introduz elementos novos em seu trabalho, como a tinta de alumínio e pinceladas espessas e descontínuas de modo que a superfície pareça ‘quase esculpida’, além de retornar à colagem, presente nos anos 1960 e 1970.

Posted by Patricia Canetti at 10:34 AM

Yutaka Toyota no MAM, Rio de Janeiro

Mostra inédita reúne obras e instalações do artista japonês radicado no Brasil

A abertura para o público será no dia 9 de dezembro e a exposição poderá ser visitada até 18 de fevereiro de 2018

Nascido no Japão em 1931, Toyota chegou ao Brasil no fim da década de 1950 e naturalizou-se brasileiro em 1971. Ao sair da tela para a tridimensão, após uma temporada na Itália, o artista instaurou o espectador como cocriador - caminho que mantém até hoje. Com curadoria de Denise Mattar, a exposição Toyota – O Ritmo do espaço resgata essa faceta do artista e estabelece seu percurso criativo destacando a coerência do seu trabalho.

“Durante todos esses anos criei milhares de obras entre desenhos, gravuras, pinturas de diferentes técnicas, instalações, painéis escultóricos e esculturas de todos os tamanhos de pequenos múltiplos a imensos monumentos. Apesar de trabalhar com tantas técnicas sempre fui fiel as mesmas indagações que me fizeram mergulhar neste universo das artes, quando jovem pintava sob influencia dos mestres impressionistas, na universidade através da arte tradicional japonesa o urushi (laca chinesa) e sob a orientação do professor Yasui Sōtarō (1888-1955), que criou uma pintura japonesa com influencia impressionista e depois trabalhando com cenografia no Teatro Kabuki e nas pesquisas do Instituto de Shizuoka sempre mantive no meu interior o que o famoso historiador e critico japonês Atsuo Imaizumi havia dito aos 15 anos quando recebi o primeiro prêmio de pintura no Salão de jovens artistas ainda em Yamagata; ‘mantenha sempre as mesmas ideias e perguntas interiores assim encontrará sua verdadeira arte e produzirá obras verdadeiramente suas, obras originais’. Busquei na cultura ocidental através da física quântica o significado de Espaço, e através da minha origem oriental o significado íntimo de algo espiritualmente superior. Talvez seja essa a conexão entre o Homem e o Universo”, explica Yutaka Toyota.

Ocupando uma área de aproximadamente 1000 m², Toyota – O Ritmo do espaço leva para o MAM Rio - Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro a recriação das instalações apresentadas na X Bienal e outras propostas imersivas do artista. Reúne ainda cerca de oitenta obras pertencentes a instituições como Museu de Arte Brasileira da FAAP, Museu de Arte Moderna de Niterói, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Palácio Itamaraty, entre outras, além de importantes coleções particulares.

A curadora Denise Mattar destaca o equilíbrio dinâmico das criações de Toyota: “Sua obra convoca dualidades: positivo e negativo, visível e invisível, sólido e evanescente, volume e leveza, ascendente e descendente, além de polaridades metafísicas: unidade/pluralidade, Yin/Yang (In/Yo em japonês). Os reflexos de seus metais polidos fisgam o espectador instigando novas realidades. Alguns de seus trabalhos impregnam-se inesperadamente de cor, que não é vista diretamente, mas está lá, camuflada, com presença sutil e vibrátil”.

No auge dos seus 86 anos o artista continua em pleno vigor criativo, ao passo que seu pioneirismo começa a ser reconhecido pela crítica. “Apesar de muito admirado por suas esculturas, Yutaka Toyota ainda não tem o devido reconhecimento por seu pioneirismo na arte brasileira e internacional. Um dos objetivos da exposição é mostrar a verdadeira importância e vanguarda do trabalho de Toyota”, conta Denise.

Após a exibição no Rio de Janeiro, a mostra será apresentada no primeiro semestre de 2018 no Museu de Arte Brasileira da FAAP.

TRAJETÓRIA

Como definiu o crítico Olívio Tavares de Araújo, Yutaka Toyota faz confluir, como poucos, em sua obra, as linguagens do Ocidente e do Oriente. Começou sua carreira como pintor, mas posteriormente as esculturas foram dominando suas criações. Sobretudo após uma viagem à Itália nos anos 1960, onde teve contato com a vanguarda europeia, Lucio Fontana, Bruno Munari entre outros. A partir daí seu trabalho adquiriu características cinéticas, ópticas, inclusivas e imersivas.

Em 1969 Yutaka Toyota participou na X Bienal de São Paulo ocupando três salas. Utilizando acrílico e luz negra com uma tinta especialmente desenvolvida a seu pedido pela Indústria de tintas Acrilex, o artista criou uma cabine pintada de preto, que chamou de Quarto Escuro. Quando o espectador entrava nesse ambiente mergulhava em uma experiência ótico cinética, com duas formas em acrílico, uma esfera e um cubo em movimento através dos efeitos de luz da luz negra. Segundo Toyota, em reportagem da época: “o espaço situa[va] o visitante no limite entre o positivo negativo, entre o real irreal, no momento aqui-e-agora”. No outro ambiente, Espelho, utilizou duas grandes madeiras côncavas, uma verde e outra vermelha e um espelho esfumaçado. Ao entrar o visitante via apenas um espelho e sua imagem refletida nele e acabava fazendo caras, bocas, caretas, etc. Entretanto, ao passar por trás, percebia que agora podia ver as pessoas que estavam à frente do espelho - o que indicava que também tinha sido visto. No espaço seguinte havia uma esfera listrada, branca e preta, Positiva e Negativa, girando sobre uma superfície de aço inoxidável polido, criando formas que remetiam a um infinito movimento.

O artista já fazia, portanto, o que hoje chamamos de instalações. Sua comunicação com o público era intensa, surpreendente, e o reconhecimento da crítica se fez através de duas premiações “Prêmio Itamaraty” e “Banco de Boston”.

Assim seu trabalho desenvolveu-se naturalmente da escultura para o espaço público, criando obras monumentais, tornando-se um dos raros artistas brasileiros a dominar as relações de escala, pensando num trabalho conceitualmente ambiental. Não por acaso semeou mais de cem obras públicas no Brasil e no Japão, entre elas os trabalhos monumentais que permeiam o campus da Fundação Armando Alvares Penteado.

Ao longo de sua vida o artista recebeu alguns dos mais importantes prêmios de arte, em salões e bienais, além de condecorações no Brasil e no Japão pelo seu intenso comprometimento com o intercambio cultural entre as nações.

TOYOTA – BIOGRAFIA E PROCESSO CRIATIVO

Yutaka Toyoda (com “d”) nasceu no dia 14 de maio de 1931, na cidade de Tendo, ao norte do Japão. O sobrenome, herdado do pai, desde o início de sua carreira no Brasil foi trocado pela imprensa por Toyota (com “t”), e posteriormente adotado.

Quando pequeno desenhava e fazia aquarelas das paisagens nas diversas estações do ano. Na infância também conviveu com a marcenaria do pai, tendo contato com a fabricação artesanal de móveis. O irmão de sua mãe era pintor, Jin Ichi Oe, e Toyota gostava de observá-lo. Ganhava as telas inutilizadas do tio, cobria com tinta branca e as reaproveitava. O seu primeiro prêmio de pintura veio em 1946, aos quinze anos, com o quadro 'Outono', que reutilizava uma das telas do tio.

Em 1950 foi para Tóquio, ingressou na mais importante Universidade de Artes do Japão “Geidai”, no curso de arte e artesanato. Fez curso extraclasse e cenografia tornando-se assistente do mestre Kenkichi Yoshida, o que contribuiu para sua melhor compreensão do espaço. Tornou-se instrutor técnico do Instituto de Pesquisas Industriais, uma instituição governamental da cidade de Shizuoka.

O Instituto de Pesquisas de Shizuoka convidou Toyota a coordenar a implantação de uma fábrica e veio ao Brasil junto com uma equipe de técnicos. A fábrica nunca veio a funcionar e foi obrigado a retornar, mas o tempo que Toyota ficou por aqui foi suficiente para deixar o Japão e imigrar ao Brasil.

De volta a São Paulo, dedicou-se com maior entusiasmo à arte, sua pintura adquiriu formas abstratas geométricas, em busca de uma expressão interior. Neste período, da década de 60, ele ficou conhecido por uma obsessão do Círculo – Símbolo da Harmonia Cósmica. Essa persistência sob o signo do “Círculo”, Toyota acredita que fosse uma manifestação da atitude zen-budista, princípios que acompanharam a sua criação, como a busca pela paz interior e pela compreensão simples e profunda das coisas.

Em meados da década de 60 suas pinturas fizeram grande sucesso no Brasil, com obras aceitas para a VIII Bienal Internacional de São Paulo e a premiação do Primeiro Salão Esso no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro proporcionou ao artista a explorar a tradição e cultura europeia, mudando-se para Itália. Na Europa encontrou-se com seu amigo, o diretor do Museu de Arte de São Paulo, Pietro Maria Bardi, que proporcionou sua estadia em Florença e serviu como grande estímulo intelectual à Toyota. Neste período começou a fazer novas experiências com diferentes materiais nas telas, como terra, areia e linho misturados à tinta.

Após o contato com a arte antiga de Florença, Toyota resolveu conhecer os movimentos atuais mudando-se para Milão, onde havia uma arte de vanguarda. Durante este tempo em Milão (1966 a 1968) os movimentos de op-art e arte cinética se afirmavam na Europa. Neste período Toyota teve contato com diversos artistas fortemente influenciados por Lucio Fontana, argentino radicado em Milão e mentor do Concetto Spaziale (Conceito Espacial).

Com a vida mais dinâmica, as ideias de rápido, contínuo e mutável foram introduzidas na arte, fazendo com que se falasse de quarta dimensão. Nesta fase, o trabalho de Toyota estava mais limpo e ótica. As figuras geométricas eram elemento principal – quadrados, losangos e até o círculo, que se aproximava de elipses, sofrendo deformações – em faixas paralelas de linhas finas, em tons luminosos, geralmente em um fundo claro. As formas eram concêntricas, repetidas a partir de um possível centro, lembrando a propagação da água em lago ao cair uma pedra – com a ilusão de ótica as figuras iam se tornando sólidas e acrescentou às suas pinturas outros elementos e novos materiais.

Deixando a tinta a óleo de lado, e preocupado com as questões do espaço, procurou materiais contemporâneo e tecnológicos da época como o alumínio e o poliéster. A madeira continuou apenas como suporte. O artista se preocupava em mostrar uma dimensão que se relacionasse com a simplicidade do pensamento zen e da física de Einstein – que sempre o acompanhou – transmitindo sua concepção de um mundo cósmico. Gravava desenhos em placas de alumínio, geralmente os círculos agora como se estivessem exprimidos querendo saltar da tela.

Os primeiros objetos que Toyota criou, fixou-os nas paredes – relevos côncavos, convexos, com suporte de madeira forrado de alumínio na parte frontal. Não usava muito o poliéster devido ao alto custo, e pelo mesmo motivo ainda não usava o aço inoxidável. O alumínio foi o mais usado, pelo preço acessível e o utilizava polido como espelhos para obter os reflexos. Sobre as superfícies colocou esferas pintadas de branco, que se deformavam (mais que em seus quadros) no reflexo.

Toyota pretendia comunicar um significado mental e espiritual do espaço. Essa fase de preocupação com a questão espacial foi chamada de In-Yo – símbolo de elementos opostos. O reflexo do alumínio espelhava a obra e o ambiente onde estivesse deformando e criando um novo espaço. A opção por não usar espelhos se deu por eles reproduzirem o ambiente sem deformá-los o que não era seu intuito.

Toyota volta ao Brasil com exposições e prêmios, que ajudaram na propagação das suas propostas ótica. Após sua naturalização em 1971 foi convidado a participar na XI Bienal na Bélgica, representando o Brasil junto com outros artistas. Desta vez o elemento cubo toma o lugar da esfera. Na simbologia oriental, o círculo é o céu e o quadrado a terra, encontrando o homem entre ambos. Para o artista, o cubo sugere a vida nas cidades grandes, o isolamento das pessoas em apartamentos, com os ângulos retos e forma fechada.
Toyota até hoje trabalha com os três elementos básicos do universo, o círculo, o triângulo e o quadrado, transferindo para a tri dimensão a esfera, a pirâmide e o cubo.

Em 1974 viajou ao Japão, devido a uma exposição, e percebeu que ao viver no ocidente, onde a cultura é voltada para a lógica, conseguiu melhor compreender sua ascendência e desenvolvera o lado espiritual do oriente na sua arte.

Nos anos 70 ao criar volumes monumentais buscou formas que se relacionassem com o espaço urbano. Toyota era cada vez mais reconhecido como escultor, participando de inúmeras exposições. No entanto jamais deixou de fazer gravuras, pinturas e desenhos.

Em 1991 o artista recebeu da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) o prêmio de Melhor Escultor de 1990.

Em 2003 Toyota recebe uma condecoração do imperador do Japão pelos trabalhos e intercâmbio cultural que realizou entre as duas nações.

Com uma extensa carreira realizou sua primeira retrospectiva em 2009, com curadoria de Jacob Klintowitz, no MuBE (Museu Brasileiro de Escultura), sob o título de “A Leveza da Flor” e em 2010 a convite do Museu da Cidade de Tendo apresentou também uma Retrospectiva com obras, instalação e referências monumentais de seus trabalhos.

O processo criativo de Toyota é bastante metódico, envolve uma rotina fixa. A concepção de seu trabalho se mantém o mesmo, com inovações em formas e, muitas vezes, através da tecnologia e novos materiais, o que contribui para sua identidade e para o amadurecimento de suas ideias.

“Gostaria que minhas obras (onde o invisível se mostra visível nas cores ocultas e formas anônimas) nos levassem a uma viagem sideral, multidimensional em que o positivo e o negativo e todos os opostos, o masculino e o feminino, o In e o Yo e tudo mais convivam em plena harmonia”, explica Toyota.

AS OBRAS DE TOYOTA NA REDE D’OR

Obras de Yutaka também podem ser vistas nos hospitais da Rede D’Or São Luiz. O acervo composto de mais de 200 peças está distribuído entre hospitais – com destaque para o CopaStar, no Rio de Janeiro, e o recém-inaugurado São Luiz – São Caetano, na Grande São Paulo.

Como agente coadjuvante no dia a dia de uma instituição de saúde, a arte atua como um escape, uma forma de esquecer os problemas e viajar para um universo paralelo, algo subjetivo e que impacta o espectador. No CopaStar, esse ambiente artístico, que mistura galeria de arte com assistência à saúde, está presente logo no hall de entrada, com a obra “Espaço Eternidade 2016”, um painel de 25 metros criado pelo artista Yutaka Toyota.

“Qualquer questão relacionada à saúde fragiliza as pessoas. O papel da Rede D’Or São Luiz é oferecer, não apenas o tratamento da doença, mas também conforto e bem-estar. Arte é uma das formas de fazer isso”, afirma Jorge Moll Filho, fundador e presidente do conselho da organização, que possui mais de 35 hospitais pelo Brasil.

Para Toyota, produzir uma obra de arte para um hospital é sempre marcante. “Principalmente quando ela provoca uma sensação de bem-estar para o espectador. Fico feliz quando uma pessoa observa meu trabalho no hospital. Significa que esse espectador, em algum momento, esqueceu da dificuldade que está sofrendo e parou para apreciar a obra de arte. Consigo proporcionar alguns minutos de tranquilidade para essas pessoas”.

Posted by Patricia Canetti at 9:58 AM

Lucio Salvatore no MAM, Rio de Janeiro

Primeira individual do artista italiano no MAM Rio reúne trabalhos inéditos de sua trajetória, de 2004 até hoje, alguns deles interativos

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, com apoio do Istituto Italiano de Cultura, inaugura no próximo dia 9 de dezembro de 2017 a exposição Metaelementi, que reúne trabalhos emblemáticos e inéditos do artista Lucio Salvatore, como instalações, vídeos, fotografias e pinturas, produzidas entre 2004 até os dias de hoje. Com curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, “Metaelementi” (metaelementos, em português) apresenta obras “ontológicas, que partem dos elementos da natureza – identificados pelos filósofos pré-socráticos como princípios do universo – para transcendê-los a partir de contextos socioeconômicos e políticos, sempre centrais nas obras do artista”, explica o curador. “A poética de Salvatore explora o ‘humanismo’ dos elementos dentro das dinâmicas da produção industrial, tecnológica, da disputa de poder e da própria arte”, explica Fernando Cocchiarale.

“A visão curatorial oferece uma oportunidade única de leitura transversal de trabalhos inéditos de Lucio Salvatore, juntando obras do começo de sua pesquisa artística – como as da série “Combustioni” (2004), que usa o fogo – a trabalhos recentes, como a obra “É Pão É Pedra” (2017), que traz seu título inscrito repetidamente sobre uma fôrma de pão recheado de pedras, unindo o visível e o invisível, colocados em referências circulares”, afirma o curador.

Incêndios criminosos que devastaram em 2004 o sul da Itália, na região onde o artista tem seu ateliê, foram assunto de vários trabalhos de Lucio Salvatore. O vídeo “The Road Ahead” (2004-2017), de quatro minutos, traz registros desses incêndios. “Essas imagens são representativas das paisagens de todo o sul do mundo que continuam nas mesmas condições de territórios de exploração, e contrastam com a imagem positivista do livro escrito por Bill Gates em 1995, que dá o título à obra, e que propõe uma visão otimista da estrada construída pelas empresas de tecnologia”, diz Cocchiarale.

A inédita “Apagões – Amnésias” (2004-2017) consiste em dois conjuntos de oito fotografias com tamanho de 31cm x 41cm cada, com intervenções de tinta a óleo, pintura usada pelo artista como anulação, negação da imagem e da matéria. Sobre fotografias dos incêndios de 2004, Salvatore apagou com tinta as imagens das chamas. Desta maneira, buscou “anular simbolicamente os efeitos devastadores de atos criminosos, causados por ‘amnésias’, por ignorância, cuja cura pode ser inspirada pela arte”, explica. “Diante do recorrente fenômeno dos incêndios ficamos impotentes, assustados, aterrorizados e ao mesmo tempo fascinados, atraídos, como se o instinto de morte se reencontrasse na visão da destruição que é também transformação”, observa o artista.

RITUAIS DE FOGO

“Combustioni” (2004-2007) é uma das primeiras séries de trabalhos do artista relacionados aos processos de transformação dos elementos. Depois dos vídeos e fotografias que registraram incêndios que devastaram o sul da Itália no verão de 2004, Salvatore começou a experimentar o fogo em seu estúdio, ao ar livre. Usado por Salvatore como agente de transformação no trabalho artístico, o fogo foi produzido para queimar os elementos fundamentais da pintura tradicional, como tábuas, pincéis, e especialmente a pintura, em forma de pigmentos, que foi retratada pelo artista durante o processo de combustão. Esses rituais da queima de matéria pictórica e orgânica, todos criados entre 2004 e 2007 na Itália, resultaram em vários trabalhos, como “Sem Título”, uma impressão sobre tela de 2m x 4m. O momento da criação, a origem das coisas, é o que fascinou o artista. "Esta série contém toda a força material e movimento do Início". O processo foi registrado no vídeo “Sem Título” (4’40, 2006). Lucio Salvatore cita o filósofo Heráclito (535 a.C. – 475 a.C.): "Este cosmos não foi criado por nenhum dos deuses ou dos homens, mas sempre foi, é e será um fogo eternamente vivo".

Em “Post-Ar” (2016), Salvatore deslocou ar de Florença para o Rio de Janeiro através do correio internacional. O artista explica que pretendeu “separar o elemento inseparável, identificando o elemento elusivo, embalando o elemento livre e que por essência não conhece fronteiras”. Dessa maneira, inscreveu este elemento “no sistema burocrático surreal da sociedade global contemporânea”.

“Quadrado Preto” (2014-2017) integra uma série de obras desenvolvidas dentro de pedreiras, em uma combinação de processos que envolvem performance, escultura e pintura. O artista pintou um quadrado preto na parede de uma pedreira, e depois escavou esta parede com uma lagarta mecânica, própria para mineração, reduzindo-a a centenas de fragmentos de rocha com as marcas pretas da pintura. Depois, Salvatore costurou esses fragmentos na tela demarcada previamente com acrílico preto com a forma da parede antes de ser escavada. “A tensão ontológica [parte da metafísica que trata da natureza, realidade e existência dos seres] entre unidade e multiplicidade se manifesta em relíquias fragmentadas do quadrado preto que ainda carregam sua essência unitária, assim como a multiplicidade fragmentária das identidades contemporâneas são costuradas formando a ideia de individuo. O quadrado preto é reduzido a mil peças pela máquina, mas continua existindo nos fragmentos que mantêm sua ideia viva”, destaca Salvatore

O vídeo “O Fim do Quadrado Preto” (1’59, 2015) traz todo o processo da obra “Quadrado Preto”. O vídeo “Ilhado” (8’23, 2014-2017) registra a ação de lagartas mecânicas “criam um fosso entorno de si mesmas que delimita um território circular que as isola e, impedindo a saída, as aprisiona”, diz o artista. “Se o ser humano não nasce sozinho em um lugar separado dos outros, parece que o seu destino seja o de trabalhar duramente para que este isolamento aconteça. O progresso tecnológico idealizado a partir da época moderna, da revolução industrial e agora da informática, parece proporcionar, ao mesmo tempo que melhorias na qualidade de vida material e da produtividade do ser humano, um aumento da alienação e do isolamento do indivíduo”.

Usando terra, farinha e cinzas embutidas em intestino animal na obra “Dal Monacato” (2017), Lucio Salvatore faz uma alusão aos elementos fundamentais do sistema econômico de Monacato, aldeia rural na região italiana do Lácio, praticamente inalterado desde a idade média, e que floresce apesar do processo de “tecnoglobalização dominante”.

“Controvalori” (2017) é um desdobramento da série de trabalhos realizados por Salvatore sobre o valor da arte, apresentados na exposição “Arte Capital”, realizada em 2016, no Centro Cultural Correios do Rio de Janeiro. Salvatore trabalhou sobre lâminas de ouro usadas como reservas de valor certificadas pelas autoridades, cobrindo suas superfícies e o seu brilho com óleo. Anulando o característico brilho símbolo de riqueza e poder com aplicações monocromáticas minimalistas, Salvatore usou a arte para negar a aparência e ao mesmo tempo criar um lugar onde o olho pudesse encontrar “novas possibilidades metafísicas de contemplação”, conta o artista.

Respiro (2017) é uma obra sonora que consiste na gravação do som de uma sessão de meditação do artista realizada com máscara de gás.

OBRAS INTERATIVAS

A exposição terá obras interativas, como “Escreva Algo!”, em que o público é convidado a escrever um pensamento sobre uma tira de papel que é enrolada e colocada na obra de arte, que se transforma na memória temporal do pensamento comunitário. Da série “Escreva Algo!”, será apresentada também uma versão em que o visitante poderá escrever frases ou desenhos com caneta indelével preta sobre um quadrado de madeira pintado também de preto, de modo a que a escrita não seja decifrável. “Autoesquemas” propõe que o público crie uma composição geométrica feita de quadrados de papel a serem colados dentro de uma grelha desenhada pelo artista, em uma tipologia de autorretrato neoconcreto.

Lucio Salvatore nasceu em 3 de maio de 1975, em Cassino, Itália, e vive e trabalha na cidade italiana de Sant'Elia Fiumerapido e no Rio de Janeiro. Artista conceitual, multidisciplinar, trabalha com fotografia, texto, pintura, escultura, performance e apropriação de processos. Suas obras lidam com os jogos de significados nas obras de arte, metáforas da vida, desde a sua criação e relacionamento com o público até a posse de colecionadores e instituições. Depois de se formar em economia na Universidade Bocconi de Milão, Salvatore estudou filosofia na Università Statale, na mesma cidade. Estudou fotografia em Nova York, para onde viajou seguidamente entre 1998 e 2010. Depois de visitar em 1999 a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, Salvatore ficou ali suas raízes e passou a estudar na instituição. Salvatore tem participado de exposições em três continentes, em particular nas cidades de Roma (Palazzo Pamphilj, Galleria Cortona e Galleria Portinari, 2017), Nova York (Grant Gallery, 2007 e 2009), Berlim (Potsdamer Platz, 2007), Milão (Superstudio, 2008), São Paulo (Museu Brasileiro de Escultura – MuBE, 2011) e Rio de Janeiro (Centro Cultural Correios, 2010, 2014, 2015, 2017), onde seus trabalhos foram vistos por mais de 70 mil pessoas.

Posted by Patricia Canetti at 9:27 AM

dezembro 4, 2017

Fundação Iberê Camargo inicia campanha de captação de recursos de pessoas físicas

Fundação Iberê Camargo inicia campanha de captação de recursos de pessoas físicas

Ação visa mobilizar a comunidade a contribuir com a manutenção das atividades da instituição. Pessoas físicas podem aportar de recursos de forma espontânea ou por meio de isenção fiscal

A Fundação Iberê Camargo – instituição cultural com sede em Porto Alegre/RS – está lançando uma campanha de arrecadação de fundos para incentivar a comunidade a contribuir com a manutenção de suas atividades. A campanha faz parte do projeto de reestruturação da instituição que, desde 2016, busca enfrentar as dificuldades econômicas fazendo um reposicionamento de programação e governança, tornando-se mais aberta e inclusiva, em diálogo com os mais diversos públicos e campos do conhecimento, e elevando seu papel como instituição cidadã.

Qualquer pessoa pode contribuir de forma direta, bastando fazer depósito identificado (CNPJ ou CPF do depositante) no Banco Santander (033), Agência 3527, conta 130001752 em nome da Fundação Iberê Camargo, CNPJ 01.204.099/0001-06. Quem optar por usar o benefício da isenção fiscal pode destinar 6% de seu Imposto de Renda (para optantes da declaração completa, ano base 2017), através da Lei Rouanet. As informações e instruções sobre como proceder as doações podem ser obtidas pelo email doacao@iberecamargo.org.br.

Todos os doadores terão seus nomes identificados em um mural, que será exposto na Fundação Iberê Camargo ao final da campanha, independentemente dos valores doados. A campanha termina no dia 27 de dezembro.

Segundo o presidente da Fundação Iberê Camargo, o empresário Justo Werlang, a prática colaborativa contribui para o efetivo exercício da cidadania. “Vivenciamos hoje um forte sentimento de simpatia, pertencimento e apropriação da comunidade em relação às atividades da Fundação Iberê Camargo, que vêm trazendo um público de cerca de três mil pessoas durante os finais de semana. Em 2017, ampliamos a programação cultural e oferecemos, em paralelo às exposições, uma agenda permanente de atividades, como música ao por do sol, sessões de cinema comentadas, seminários, cursos, rodas de conversas, performances e oficinas de artes, de forma totalmente gratuita e acessível. Ao aportar recursos para contribuir com a continuidade e o desenvolvimento dessas atividades artísticas e culturais, os cidadãos também estarão exercendo sua responsabilidade social”, afirma.

Sobre a Fundação Iberê Camargo

A Fundação Iberê Camargo é uma instituição privada sem fins lucrativos, criada em 1995, a partir de um desejo do próprio artista e sua esposa, Maria Coussirat Camargo, e com o apoio de amigos e empresários de Porto Alegre.

Há 22 anos, a Fundação desenvolve ações culturais e educativas com a missão de preservar o acervo, promover o estudo, a divulgação da obra de Iberê Camargo e estimular a interação de seu público com arte, cultura e educação, por meio de programas interdisciplinares. Seu acervo é formado por um núcleo documental, composto de documentos e imagens relacionadas à vida e à obra do artista, e um núcleo com a coleção Maria Coussirat Camargo, que inclui pinturas, gravuras, guaches, desenhos e estudos de Iberê Camargo, obras que o casal acumulou durante a vida.

A sede da instituição, inaugurada em 2008, foi projetada pelo português Álvaro Siza, um dos arquitetos contemporâneos mais importantes do mundo. O projeto recebeu o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza (2002) e é mérito especial da Trienal de Design de Milão.

Referência arquitetônica na cidade de Porto Alegre, o prédio possui salas expositivas, átrio, reserva técnica, centro de documentação e pesquisa, ateliê de gravura, ateliê do educativo, auditório, loja, cafeteria, estacionamento e parque ambiental projetado pela Fundação Gaia.

Iberê Camargo

[Restinga Seca, 1914 – Porto Alegre, 1994] - Iberê Camargo é um dos grandes nomes da arte brasileira do século 20. Autor de uma extensa obra, que inclui pinturas, desenhos, guaches e gravuras, Iberê nunca se filiou a correntes ou movimentos, mas exerceu forte liderança no meio artístico e intelectual brasileiro. Dentre as diferentes facetas de sua vasta produção, o artista desenvolveu as conhecidas séries Carretéis, Ciclistas e As idiotas, que marcaram sua trajetória. Grande parte de sua produção, estimada em mais de sete mil obras, compõe hoje o acervo da Fundação Iberê Camargo.

Posted by Patricia Canetti at 6:14 PM

Guy Brett – a proximidade crítica no MAM, Rio

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugura no próximo dia 25 de novembro de 2017, em seu terceiro andar, três exposições de longa duração com mais de 250 obras de seu acervo: Alucinações à beira Mar, com curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, e Guy Brett – a proximidade crítica e Estados da abstração do pós-guerra, com curadoria de Paulo Venancio Filho, que inauguram o programa Curador convidado. São cerca de 90 importantes artistas brasileiros e estrangeiros representados nessas exposições. O MAM Rio possui um total de mais de 16 mil obras, pertencentes a sua própria coleção, e às de Gilberto Chateaubriand e Joaquim Paiva.

Com curadoria de Paulo Venancio Filho em colaboração com Luciano Figueiredo, a exposição é um “tributo, homenagem e reconhecimento à longa dedicação intelectual e afetiva do crítico e curador inglês Guy Brett (Richmond, Inglaterra, 18 de outubro de 1942) à arte brasileira”. “Caso raro, talvez único, de crítico que se dedicou mais à arte de outro país do que a de seu próprio, Guy foi um dos pioneiros do reconhecimento das artes plásticas além das fronteiras da Europa e dos Estados Unidos. Quando pouco, ou nada, se conhecia da arte moderna brasileira no âmbito internacional, Guy escreveu sobre, promoveu e agiu como um verdadeiro e sincero admirador daqueles artistas que primeiramente conheceu no início dos anos 1960: Sergio Camargo, Lygia Clark, Hélio Oiticica, Mira Schendel. Artistas hoje reconhecidos mundialmente que já naquela época, Guy foi capaz de perceber e admirar a originalidade e inventividade de seus trabalhos. Por mais de 40 anos mantém um contato ininterrupto com o que se faz de arte no Brasil – seja in loco ou em intensa correspondência epistolar, Guy foi um interlocutor e amigo de pelo menos três gerações de artistas brasileiros”, explicam os curadores.

A exposição apresenta 36 obras dos artistas Antonio Manuel (1947), Waltercio Caldas (1946), Lygia Clark (1920 – 1988), Carla Guagliardi (1956), Jac Leirner (1961), Cildo Meireles (1948), Hélio Oiticica (1937 – 1980), Lygia Pape (1927 – 2004), Mira Schendel (1919 – 1988) e Tunga (1952 – 2016).

Paulo Venancio Filho deseja que “a exposição seja, principalmente, uma ocasião que propicie a um publico mais amplo o reconhecimento da extraordinária importância de Guy Brett no contexto da arte brasileira, moderna e contemporânea”.

Posted by Patricia Canetti at 2:42 PM

Estados da abstração do pós-guerra no MAM, Rio de Janeiro

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugura no próximo dia 25 de novembro de 2017, em seu terceiro andar, três exposições de longa duração com mais de 250 obras de seu acervo: Alucinações à beira Mar, com curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, e Guy Brett – a proximidade crítica e Estados da abstração do pós-guerra, com curadoria de Paulo Venancio Filho, que inauguram o programa Curador convidado. São cerca de 90 importantes artistas brasileiros e estrangeiros representados nessas exposições. O MAM Rio possui um total de mais de 16 mil obras, pertencentes a sua própria coleção, e às de Gilberto Chateaubriand e Joaquim Paiva.

O curador Paulo Venancio Filho destaca que se “há um fenômeno que determina as artes plásticas do século 20, este é a abstração”. “Ao fim da segunda guerra mundial os pioneiros do abstracionismo – Kandinsky, Mondrian, Malevitch – estavam mortos ou relativamente esquecidos; no entanto a abstração tinha se tornado uma linguagem universal, atingindo a maturidade e até mesmo a dispersão idiomática em várias tendências. No pós-guerra é a linguagem que se expande por toda Europa, Américas e mesmo o Oriente, como é o caso do Japão, multiplicando-se em diferentes contextos culturais”, observa.

A exposição pretende ser “um breve resumo desse movimento e suas tendências, reunindo alguns de seus principais artistas”. Não se poderia falar da abstração do pós-guerra sem incluir um Pollock, um Fontana, um Albers, um Cruz-Diez, um Max Bill e vários outros aqui presentes. Tampouco poderia se omitir as sua principais tendências como o Construtivismo, o Expressionismo Abstrato, o Concretismo, o Informalismo.

“Estados da abstração no pós-guerra” reúne 23 obras de 20 importantes artistas nascidos nos EUA – Alexander Calder (1898 – 1976), Jackson Pollock (1912 – 1956) e Robert Motherwell (1915 – 1991); Alemanha – Josef Albers (1888 – 1976), Jean Arp (1886 – 1966) e Hans Hartung (1904 – 1989); Suíça – Max Bill (1908 –1994); Itália – Lucio Fontana (1899 – 1968) e Bruno Munari (1907 – 1998); França – César (1921 – 1998); Jean Fautrier (1897 – 1964); e Pierre Soulages (1919); Argentina – Enio Iommi (1926 – 2013); Venezuela – Carlos Cruz-Diez (1923); Uruguai – María Freire (1917 – 2015); Inglaterra – Ben Nicholson (1894 – 1982); Escócia – Alan Davie (1920); Bélgica – Henri Michaux (1899 – 1984); Eslováquia – Gyula Kosice (1924); e Hungria – Victor Vasarely (1908 –1997).

Posted by Patricia Canetti at 2:14 PM

Alucinações à beira Mar no MAM, Rio de Janeiro

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugura no próximo dia 25 de novembro de 2017, em seu terceiro andar, três exposições de longa duração com mais de 250 obras de seu acervo: Alucinações à beira Mar, com curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, e Guy Brett – a proximidade crítica e Estados da abstração do pós-guerra, com curadoria de Paulo Venancio Filho, que inauguram o programa Curador convidado. São cerca de 90 importantes artistas brasileiros e estrangeiros representados nessas exposições. O MAM Rio possui um total de mais de 16 mil obras, pertencentes a sua própria coleção, e às de Gilberto Chateaubriand e Joaquim Paiva.

Com curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, a exposição apresenta ao público um panorama da produção artística das últimas décadas a partir de uma seleção de obras das três coleções do MAM Rio: Gilberto Chateaubriand, Joaquim Paiva e a do próprio Museu. São 199 emblemáticos trabalhos de 57 artistas, brasileiros e estrangeiros, reunidos em um espaço de quase mil metros quadrados. O título deriva do trabalho homônimo de Marcos Chaves, de 1994, que por sua vez se refere a um poema do poeta paraibano Augusto dos Anjos (1884-1912).

A exposição “é mais um exercício voltado para enfatizar a diversidade e multiplicidade do acervo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro”, afirmam os curadores. “Em conjunto, essas pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, vídeos e estudos percorrem mais de um século de produção artística, brasileira e estrangeira”, destacam.

Algumas obras nunca foram expostas no Museu, como os estudos do artista concretista Rubem Ludolf, que integram o acervo desde 2012, mas só agora estão sendo mostrados. Há ainda uma sala dedicada à coleção de trabalhos em vídeo, realizados por artistas brasileiros nas últimas três décadas. A exposição reúne ainda fotografias feitas por Augusto Malta no início do século 20, que registram a vida no Rio de Janeiro e suas mudanças físicas, como o desmonte do morro do Castelo e a Exposição Internacional do Centenário da Independência. A construção e a inauguração de Brasília também estão presentes, por diferentes fotógrafos.

Os brasileiros – ou que tiveram sua trajetória no Brasil – são: Victor Brecheret (1894-1955), Di Cavalcanti (1897-1976), Tarsila do Amaral (1886- 1973), Alberto da Veiga Guignard (1896-1962), Flávio de Carvalho (1899-1973), Vicente do Rego Monteiro (1899–1970), Anita Malfatti (1889–1964), Maria Martins (1900–1973), José Pancetti (1902–1958), Candido Portinari (1903-1962), Cícero Dias (1907- 2003), Franz Weissmann (1911-2005), Hércules Barsotti (1914–2010), Maria Leontina (1917-1984), Aluísio Carvão (1918-2001), Lygia Clark (1920-1988), Amilcar de Castro (1920–2002), Hermelindo Fiaminghi (1920–2004), Antonio Bandeira (1922-1967), Geraldo de Barros (1923-1998), Luiz Sacilotto (1924-2003), Willys de Castro (1926-1988), Abraham Palatnik (1928), Wesley Duke Lee (1931- 2010), Nelson Leirner (1932), Rubem Ludolf (1932-2010), Anna Bella Geiger (1933), Hélio Oiticica (1937–1980), Carlos Vergara (1941), Rubens Gerchman (1942-2008), Wanda Pimentel (1943), Raymundo Colares (1944-1986), Cláudio Tozzi (1944), Artur Barrio (1945), Daniel Senise (1955), Márcia X. (1959–2005), Beatriz Milhazes (1960), Cristina Canale (1961), Marcos Chaves (1961), Paulo Monteiro (1961), e Adriana Varejão (1964). E fotografias de Marc Ferrez (1843-1923), Augusto Malta (1864-1957), Marcel Gautherot (1910-1996), Mário Fontenelle (1919-1986), Thomaz Farkas (1924-2011), Alberto Ferreira Lima (1932-2007) e Arthur Costa Brasil.

A exposição reúne ainda obras de mestres como Auguste Rodin (1840-1917), Constantin Brancusi (1876-1957), Jacques Lipchitz (1891-1973), Henry Moore (1898-1986), Alberto Giacometti (1901-1966), Victor Vasarely (1908-1997), Vieira da Silva (1908-1992), William Baziotes (1912-1963) e Robert Motherwell (1915- 1991).

Posted by Patricia Canetti at 2:02 PM

Luciana Caravello na Untitled Miami

Luciana Caravello Arte Contemporânea participa pela segunda vez da Untitled

Luciana Caravello Arte Contemporânea participa pela segunda vez da Untitled, em Miami Beach, EUA. Para a importante feira de arte contemporânea, que este ano acontece de 6 a 10 de dezembro de 2017, a galeria levará trabalhos dos artistas Ivan Grilo (Itatiba, SP, 1986) e Lucas Simões (Catanduva, SP, 1980).

De Ivan Grilo, serão apresentadas três placas em bronze, de 2017, que possuem frases em alto relevo, tanto em português quanto em inglês, tais como: “Não é um muro, é um abismo” e “Eu já sabia que aquilo era uma despedida”.

De Lucas Simões, serão apresentadas cinco esculturas em concreto e papel, produzidas este ano.

O principal objetivo da Luciana Caravello Arte Contemporânea, fundada em 2011, é reunir artistas com trajetórias, conceitos e poéticas variadas, refletindo assim o poder da diversidade na Arte Contemporânea. Evidenciando tanto artistas emergentes quanto estabelecidos desde seu período como marchand, Luciana Caravello procura agregar experimentações e técnicas em suportes diversos, sempre em busca do talento, sem discriminações de idade, nacionalidade ou gênero.

Posted by Patricia Canetti at 11:13 AM

Mercedes Viegas na Untitled Miami 2017

Mercedes Viegas leva esculturas da carioca Frida Baranek à Untitled Miami 2017

A galeria Mercedes Viegas Arte Contemporânea, situada no Rio de Janeiro há 23 anos, participa, pela segundo ano consecutivo, da feira Untitled Miami, de 6 a 10 de dezembro. A galeria apresenta o projeto solo da artista carioca Frida Baranek, que há 30 anos vem, através de experimentações diversas, desenvolvendo sua obra em papel, madeira, porcelana, vidro, aço e alumínio, que resultam em gravuras, esculturas e instalações de médio e grande porte, mantendo sempre um nível de interação entre si.

No estande da Mercedes Viegas estarão expostos quatro gravuras, cinco esculturas de parede inéditas e alguns objetos da artista. Instalada em um pavilhão à beira-mar, a Untitled Miami chega à sua sexta edição, e já faz parte do calendário da semana de arte de Miami.

Na mesma semana, Frida participa de mais três projetos na cidade: o Public Sector, na feira Art Basel Miami, com curadoria de Philipp Kaiser; a exposição de objetos de design Take Your Art for a Walk, no Design District, de 4 a 20 de dezembro, e a primeira edição da CASACOR Miami, mostra de arquitetura e decoração − Frida participa com uma grande instalação, de 29 de novembro a 18 de dezembro.

Frida Baranek (Rio de Janeiro, RJ, 1961)

Frida morou no Rio de Janeiro, São Paulo, Paris, Berlim, Nova York, Londres e Miami, onde vive e trabalha atualmente. Integrou importantes exposições, como a 20ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1989; a 49ª Bienal de Veneza, em 1990; “Metropolis International Art Exhibition”, em Berlim, em 1991; “Ultramodern: The Art of Contemporary Brasil”, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, em 1993; e “Discover Brazil”, no Ludwig Museum, em Colônia, Alemanha, em 2005, e na “Latin American Artists of the XX Century”, no MoMA de Nova York, em 1993. Suas obras estão nos acervos do National Museum of Women in the Arts, em Washington, LEF Foundation, em San Francisco, Washington University Art Museum e e Loumeier Foundation, em St. Louis, nos EUA. Outras coleções que possuem trabalhos da artista são o Ministère de la Culture e Fonds National d’Art Contemporain, na França, Pusan Metropolitan Art Museum, na Coreia do Sul, e os Museus de Arte Moderna do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Posted by Patricia Canetti at 11:03 AM

Zipper na Untitled, Miami Beach

A Zipper Galeria tem o prazer de anunciar sua participação na sexta edição da UNTITLED 2017, que acontece de 5 a 10 de dezembro em Miami Beach, Flórida. Estaremos no stand C13 com um seleção de trabalhos dos artistas Fernando Velázquez, João Castilho, Mario Ramiro e Ricardo Rendón.

Fernando Velázquez (Montevidéu, Uruguai, 1970), artista multimídia, explora a relação entre natureza e cultura, colocando em diálogo dois tópicos principais: as capacidades perceptivas do corpo humano e a mediação da realidade por dispositivos técnicos. Se interessa pelo cruzamento da arte com outras áreas do conhecimento como a ciência, a filosofia e a antropologia visual.

João Castilho (Belo Horizonte, Brasil, 1978) é artista visual e trabalha com fotografia, vídeo, escultura e instalação. Sua produção têm inspiração no cinema, na literatura, na cultura popular, nas paisagens do cerrado brasileiro, na relação com a natureza, nas cenas cotidianas e temas da atualidade.

Mario Ramiro (Taubaté, Brasil, 1957) foi integrante do grupo de intervenções urbanas 3NÓS3 e do movimento de arte e tecnologia brasileira dos anos 80. Sua produção reúne intervenções urbanas, redes telecomunicativas, esculturas, instalações ambientais, fotografia e arte sonora.

Ricardo Rendón (Cidade do México, México, 1970) usa diversos tipos de materiais como feltro, gesso e cimento para tratar de temas como a desmaterialização do objetos, misturando procedimentos industriais e artesanais. Suas obras tridimensionais discutem também questões espaciais da prática escultórica abstrata na arte contemporânea.

[Clique aqui para ver as obras em nosso stand]

Posted by Patricia Canetti at 10:34 AM

Projeto Latitude apóia 20 galerias em Miami

20 galerias do Projeto Latitude participam de feiras de arte em Miami em dezembro de 2017

Por meio de uma parceria entre a Associação Brasileira de Arte Contemporânea - ABACT e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos - ApexBrasil, o Projeto Latitude – voltado à internacionalização do mercado brasileiro de arte contemporânea – apoia a participação de 20 galerias brasileiras associadas à ABACT em Miami, nos Estados Unidos, durante a realização da prestigiosa feira de arte Art Basel Miami Beach 2017, agora em sua 16a edição, e das feiras Untitled, Art e Pinta Miami.

A feira Art Basel Miami Beach congrega neste ano 250 galerias nos setores: "Galleries", com 200 galerias e mais de 4.000 artistas; “Nova”, dedicado a projetos recentes de um a três artistas; “Positions”, voltado para projetos individuais de novos artistas; “Edition”, com gravuras, múltiplos e edições raras; “Kabinett", onde as galerias exibem mostra de individual um artista; “Survey”, reservado a projetos curatoriais de um ou mais artistas; “Public”, setor das grandes instalações e esculturas; “Film” e “Magazines”, são setores voltados a exibições de filmes e a publicações do mercado de artes, respectivamente.

No setor “Galleries”, o principal da feira, figuram 10 galerias brasileiras, quais sejam: A Gentil Carioca, Casa Triângulo, DAN Galeria, Fortes D’Aloia & Gabriel, Galeria Leme, Galeria Luisa Strina, Galeria Millan, Galeria Nara Roesler, Luciana Brito Galeria, Mendes Wood DM e Vermelho. Ao setor “Nova" comparecem as galerias Anita Schwartz Galeria de Arte e Silvia Cintra + Box 4. Em “Positions” está a Galeria Marilia Razuk e ao setor “Survey” comparecem as galerias Jaqueline Martins e Raquel Arnaud.

A feira Untitled, Art, por sua vez, é uma feira de arte internacional curada, fundada em 2012 por Jeffrey Lawson. Desta edição, dirigida por Manuela Mozo, participam as galerias Luciana Caravello Arte Contemporânea (com obras de Ivan Grilo e Lucas Simões), Mercedes Viegas (com obras de Frida Baranek) e Zipper Galeria (com os artistas Fernando Velazquez, João Castilho, Mário Ramiro e Ricardo Rendón).

A galeria Berenice Arvani participa da Pinta Miami 2017, levando obras dos artistas Rubem Ludolf, Judith Lauand, Mauricio Nogueira Lima, Manuel Alvarez, Lothar Charoux, Luiz Sacilotto, Ivan Serpa, Hermelindo Fiaminghi, João José Costa, Liliana Porter, Rubem Valentim, Hércules Barsotti, Lucia Glaz e Antonio Maluf.

Art Basel Miami Beach 2017 - setores, galerias e seus artistas

Galleries Sector

• A Gentil Carioca (Rio de Janeiro). Apresenta no estande B17 trabalhos dos artistas Maria Leontina, Laura Lima, Hélio Oiticica, Vivian Caccuri, Raymundo Colares, Jarbas Lopes, Mestre Didi, Maria Nepomuceno, Pascale Marthine Tayou, Lygia Clark, José Bento, Estevão Silva, Rodrigo Torres, Arjan Martins, Paulo Roberto Leal, João Modé, Mira Schendel e Renata Lucas. [www.agentilcarioca.com.br]

• Casa Triângulo (São Paulo). No estande G29, apresenta os artistas Albano Afonso, Alex Cerveny, Ascânio MMM, Dario Escobar, Eduardo Berliner, Flávio Cerqueira, Ivan Grillo, Lucas Simões, Manuela Ribadeneira, Mariana Palma, Max Gómez Canle, Nino Cais, Sandra Cinto e Valdirlei Dias Nunes. [www.casatriangulo.com.br]

• DAN Galeria (São Paulo). No estande C13, apresenta conjuntos de obras dos artistas Hércules Barsotti, Sérgio Camargo, Geraldo de Barros, Luiz Sacilotto e Macaparana. [www.dangaleria.com.br]

• Fortes D’Aloia & Gabriel (São Paulo e Rio de Janeiro). Leva ao estande C27 os artistas Los Carpinteros, Rodrigo Cass, João Maria Gusmão + Pedro Paiva, Nuno Ramos, Waleska Soares, Ernesto Neto, Cristiano Lenhardt, Janaina Tschäpe e Luiz Zerbini. [www.fdag.com.br]

• Galeria Leme (São Paulo). Apresenta no G27 os artistas Jessica Mein, Luciano Figueiredo, Mauro Piva e Sandra Gamarra. [www.galerialeme.com]

• Galeria Luisa Strina (São Paulo). Apresenta no D18 obras de Leonor Antunes, Juan Araújo, Caetano de Almeida, Tonico Lemos Auad, Marcius Galan, Marcellvs L., Fernanda Gomes, Leonilson, Federico Herrero, Laura Lima, Mateo López, Marepe, Robert Rauschenberg, Fernando Ortiz, Cildo Meireles, Alexandre da Cunha e Anna Maria Maiolino e Pedro Reyes. [www.galerialuisastrina.com.br]

• Galeria Millan (São Paulo). No estando B17, apresenta obras de Ana Prata, Henrique Oliveira, José Damasceno, Paulo Pasta, Rodrigo Andrade, Thiago Rocha Pitta, Tunga. [www.galeriamillan.com.br]

• Galeria Nara Roesler (São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York). Apresenta no B10 trabalhos de Abraham Palatnik, Antonio Dias, Artur Lescher, Berna Reale, Brígida Baltar, Bruno Dunley, Carlito Carvalhosa, Cristina Canale, Daniel Buren, Daniel Senise, Fábio Miguez, Hélio Oiticica, Isaac Julien, Julio Le Parc, Karin Lambrecht, León Ferrari, Marco Maggi, Paulo Bruscky, René Francisco, Sergio Sister, Tomie Ohtake, Vik Muniz e Xavier Veilhan. [www.nararoesler.art]

• Luciana Brito Galeria (São Paulo). Leva ao estande C32 obras de Rafael Carneiro, Lothar Charoux, Geraldo de Barros, Liliana Porter, Tiago Tebet, Caio Reisewitz e Bosco Sodi.[www.lucianabritogaleria.com.br]

• Mendes Wood DM (São Paulo, Bruxelas e Nova York). Leva ao estande G18 trabalhos de Antonio Obá, Celso Renato, Lucas Arruda, Paloma Bosquê, Paulo Nimer Pjota, Paulo Nazareth, Paulo Monteiro, Solange Pessoa. [www.mendeswooddm.com]

• Vermelho (São Paulo). Leva ao estande C35 trabalhos dos artistas representados. [www.galeriavermelho.com.br] Nova Sector

• Silvia Cintra + Box 4 (Rio de Janeiro). Estande N23. Alexandre Canônico, Ana Maria Tavares e Rodrigo Matheus. [www.silviacintra.com.br]

• Anita Schwartz Galeria de Arte (Rio de Janeiro). Estande N06. Apresenta obras da série “Y Lucientes” de Nuno Ramos. [www.anitaschwartz.com.br]

Positions Sector

• Galeria Marilia Razuk (São Paulo). Estande P10. Apresenta Rodrigo Bueno.

Survey Sector

• Galeria Jaqueline Martins (São Paulo). Estande S15. Apresenta trabalhos de Letícia Parente [www.galeriakaquelinemartins.com.br]

• Galeria Raquel Arnaud (São Paulo). Estande S9. Apresenta trabalhos do artista Sérvulo Esmeraldo. Na área externa do Collins Park, no Public Sector, a galeria apresenta obra de Frida Baranek. [www.raquelarnaud.com]

Latitude - Platform for Brazilian Art Galleries Abroad

É um programa desenvolvido por meio de uma parceria firmada entre a Associação Brasileira de Arte Contemporânea - ABACT, e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos - Apex-Brasil, para promover a internacionalização do mercado brasileiro de arte contemporânea. Criado em 2007, conta hoje com 50 galerias de arte do mercado primário, localizadas em sete estados brasileiros e que representam mais de 1000 artistas contemporâneos. Seu objetivo é criar oportunidades de negócios de arte no exterior, fundamentalmente através de ações de capacitação, apoio à inserção internacional e promoção comercial e cultural.

Histórico

Nestes dez anos de atuação, o número de empresas participantes do Latitude cresceu de 5 para 50, contando com as galerias mais profissionalizadas do Brasil. Para atender ao influxo de novas galerias associadas, muitas delas iniciando seu processo de internacionalização, as ações desenvolvidas diversificaram-se e se tornaram mais complexas, por isso são oferecidas às galerias participantes um sofisticado programa de mais de 7 modalidades de ações.

O volume das exportações das galerias do projeto Latitude vem crescendo significativamente. Em 2007 foram exportados US$ 6 milhões e em 2015, atingiu-se um pico de quase US$ 70 milhões, quantia quase duas vezes maior àquela de 2014. As galerias Latitude foram responsáveis por 41% do volume total das exportações do setor em 2016.

Desde abril de 2011, quando a ABACT assume o convênio com a Apex-Brasil, foram realizadas 48 ações em mais de 26 diferentes feiras internacionais com aproximadamente 300 apoios concedidos a galerias Latitude. Neste mesmo período, foram trazidos ao Brasil aproximadamente 200 convidados internacionais, entre curadores, colecionadores e profissionais do mercado, em 20 edições de Art Immersion Trips. Além dessas ações, o Latitude realizou cinco edições de sua Pesquisa Setorial, com dados anuais sobre o mercado primário de arte contemporânea brasileira.

Posted by Patricia Canetti at 8:46 AM