Página inicial

Blog do Canal

o weblog do canal contemporâneo
 


fevereiro 2017
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
      1 2 3 4
5 6 7 8 9 10 11
12 13 14 15 16 17 18
19 20 21 22 23 24 25
26 27 28        
Pesquise no blog:
Arquivos:
fevereiro 2017
janeiro 2017
dezembro 2016
novembro 2016
outubro 2016
setembro 2016
agosto 2016
julho 2016
junho 2016
maio 2016
abril 2016
março 2016
fevereiro 2016
janeiro 2016
dezembro 2015
novembro 2015
outubro 2015
setembro 2015
agosto 2015
julho 2015
junho 2015
maio 2015
abril 2015
março 2015
fevereiro 2015
janeiro 2015
dezembro 2014
novembro 2014
outubro 2014
setembro 2014
agosto 2014
julho 2014
junho 2014
maio 2014
abril 2014
março 2014
fevereiro 2014
janeiro 2014
dezembro 2013
novembro 2013
outubro 2013
setembro 2013
agosto 2013
julho 2013
junho 2013
maio 2013
abril 2013
março 2013
fevereiro 2013
setembro 2012
agosto 2012
junho 2012
abril 2012
março 2012
fevereiro 2012
novembro 2011
setembro 2011
agosto 2011
junho 2011
maio 2011
março 2011
dezembro 2010
novembro 2010
outubro 2010
setembro 2010
junho 2010
fevereiro 2010
janeiro 2010
dezembro 2009
novembro 2009
maio 2009
março 2009
janeiro 2009
novembro 2008
setembro 2008
agosto 2008
julho 2008
maio 2008
abril 2008
fevereiro 2008
dezembro 2007
novembro 2007
outubro 2007
agosto 2007
junho 2007
maio 2007
março 2007
janeiro 2007
dezembro 2006
outubro 2006
setembro 2006
agosto 2006
julho 2006
junho 2006
maio 2006
abril 2006
março 2006
fevereiro 2006
janeiro 2006
dezembro 2005
novembro 2005
setembro 2005
agosto 2005
julho 2005
junho 2005
maio 2005
abril 2005
março 2005
fevereiro 2005
janeiro 2005
dezembro 2004
novembro 2004
outubro 2004
setembro 2004
agosto 2004
junho 2004
maio 2004
abril 2004
março 2004
janeiro 2004
dezembro 2003
novembro 2003
outubro 2003
agosto 2003
As últimas:
 

janeiro 30, 2017

Abraham Palatnik no CCBB, Rio de Janeiro

Pioneiro da pintura e da escultura em movimento, o artista, nascido em Natal, celebra 70 anos de Rio de Janeiro

A história artística de Abraham Palatnik, nascido em Natal em 1928 de pais russos, criado em Tel Aviv, então Palestina, e residente no Rio de Janeiro desde em 1947, é contada nesse panorama retrospectivo, A Reinvenção da Pintura, sob curadoria de Pieter Tjabbes e Felipe Scovino.

A partir de 1 de fevereiro, e até 24 de abril de 2017, todo o segundo andar do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro estará ocupado com 85 trabalhos da década de 1940 a 2016 – pinturas, aparelhos cinecromáticos, objetos cinéticos, objetos lúdicos, mobiliário e desenhos de projetos –, de acervos particulares e institucionais do país, sendo a maioria da coleção do artista, aqueles exemplares eleitos para ficarem no ateliê como referência histórica.

Haverá ainda seis pinturas dos pacientes psiquiátricos do hospital do Engenho de Dentro, RJ, Emydgio de Barros [1895-1986] e Raphael Domingues [1912-1979], que tanto influenciaram uma mudança de rota na carreira do artista.

Palatnik conheceu, em 1948, os artistas doentes mentais do Museu do Inconsciente através do pintor carioca Almir Mavignier [1925-] que, junto com a Dra. Nise da Silveira, implantou o ateliê no manicômio. A partir dessas visitas ao hospital, ele abandonou tintas e pincéis e não voltou mais aos figurativos que pintava até então. E justificou:

– Eles não tinham aprendido nada na escola, não frequentavam ateliês, e de repente surgem imagens tão preciosas. De onde veio essa força interior? Não vou mais pintar porque minha pintura não valia nada, era uma porcaria, relata Palatnik.

O encontro com o crítico Mário Pedrosa o resgatou para a vida artística. A partir da leitura do livro sobre Gestalt, de Norbert Wiener, indicado por Pedrosa, Palatnik avaliou que “tinha potencial para fazer algo”, conta.

Em 1949, ele começou a pesquisar sobre luz e movimento até criar/fabricar os “Aparelhos Cinecromáticos”. Seu ateliê era um quartinho abandonado na casa do tio, onde morava. Em um dia de falta de eletricidade, a imagem da luz de velas se movendo nas paredes lhe deu inspiração para os cinecromáticos – caixa com lâmpadas cujo deslocamento era acionado por motor, criando imagens de luzes e cores em movimento.

Aparelhos Cinecromáticos

Foi com o cinecromático “Azul e roxo em seu primeiro movimento” que Palatnik participou da I Bienal Internacional de São Paulo, em 1951. O trabalho foi inicialmente recusado por não se encaixar nas categorias tradicionais de pintura ou escultura. Acabou entrando porque a delegação do Japão deixou de vir e o brasileiro ocupou o espaço com sua obra inovadora. Ganhou Menção Honrosa pelo júri internacional da Bienal.

Nos anos 1950, Palatnik desenvolveu pesquisa em pintura abstrato-geométrica e também em design de móveis. A exposição inclui peças de mobiliário assinadas por ele. É nessa época que o artista começa a pintar sobre vidro. Com o irmão, Palatnik funda uma fábrica de móveis que funciona 10 anos. Paralelamente continua participando de todas as bienais de São Paulo, participa de coletivas com o Grupo Frente [posteriormente os neoconcretos], mas não tinha interesse nos estudos teóricos do grupo e se afastou.

Objetos Cinéticos

Ainda na década de 1950, ele expõe em coletivas em Paris e Viena. Em 1964, cria os “Objetos Cinéticos”, um desdobramento dos Aparelhos Cinecromáticos. Participa da Bienal de Veneza de 1964, o que deslancha sua carreira no circuito internacional.

Os Objetos Cinéticos embutem a relação arte-tecnologia, novas conquistas da ótica, virtualidade da imagem e a insatisfação com a técnica pictórica do pincel. São aparelhos construídos por hastes ou fios metálicos que têm nas extremidades discos de madeira de várias cores. Hastes e placas são movimentadas por um motor, com variação de velocidade e direção.

Acrílica e corda sobre tela

Uma outra série dessa retrospectiva, “Progressões”, feita com jacarandá, surgiu da observação de sobras de toras da madeira que uma serraria jogava fora. São “pinturas” formadas por sequências de lâminas finíssimas de jacarandá montados ritmicamente, aproveitando a materialidade dos veios, nós e outras marcas naturais da madeira. Palatnik usou o mesmo sistema com cartão cortado, também presente na mostra.

Seu traço inventivo e experimental aparece na série de pinturas com barbante e tinta acrílica de meados dos anos 1980. A pintura ganha um volume sutil que produz um efeito ótico e equilibra o recurso precário do barbante com uma pesquisa sensível sobre o cinetismo e a possibilidade de expansão da forma e da cor através do movimento das linhas e do espectador em torno da obra.

Intuição

"A história da arte mundial o considera um pioneiro da pintura e da escultura em movimento", afirma o cocurador Felipe Scovino sobre Palatnik. Junto com Pieter Tjabbes, eles destacam um dado fortemente significativo da posição de Palatnik na história da arte: seu “diálogo preciso entre tecnologia e intuição. Além disso, o experimentalismo e a organicidade sobrevoam a sua trajetória […]. Dois dados aparentemente ambíguos encontram uma simbiose perfeita”, avaliam.

O próprio artista considera a intuição seu “impulso inicial”. Ele a descreve como a sensação de que algo artístico pode ser feito com uma situação não artística. “No meu caso, esse caminho passa pela intuição, depois pelo pensamento/raciocínio junto com intensa experimentação, e, finalmente, por um processo atento e cuidadoso de construção.

Autodidata em arte

Palatnik passou por um ateliê livre em Tel Aviv, mas se considera autodidata. Começou a pintar muito cedo e, na adolescência, vendia seus trabalhos dizendo serem de um tio para dar mais credibilidade à autoria.

Seu estudo formal foi um curso profissionalizante em motor de explosão, na escola Montefiore na então Palestina. Tudo o que aprendeu sobre conserto de válvulas e motores teve aplicação na sua arte. O uso que Palatnik faz da tecnologia e suas possibilidades inovadoras imprime na obra uma grande potência poética.

Posted by Patricia Canetti at 12:44 PM

janeiro 24, 2017

Pinacoteca comemora conquista de novo prédio com evento gratuito dia 25 de janeiro

A inauguração da Pina Contemporânea está prevista para 2018. Festa marca posse do novo edifício com apresentações musicais, food trucks, entrada gratuita e horário especial de atendimento

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, oficializa dia 25 de janeiro a conquista do complexo arquitetônico onde funcionará a partir de 2018 a Pina Contemporânea, terceiro edifício da instituição voltado a exposições de obras das últimas décadas. A diretoria e o conselho da Pina estudam propostas inovadoras de ocupação para o espaço. “A ideia é que os artistas se aproximem do dia a dia do museu e que eles possam compartilhar experiências de forma inédita. Os planos são embrionários e estamos muito felizes com essa conquista”, disse Tadeu Chiarelli, diretor geral da Pinacoteca.

"Os museus funcionam com planejamento a longo prazo e, nesse sentido, a expansão da Pinacoteca para esse novo edifício é um projeto que geminamos agora para colher os benefícios mais adiante. É um passo importante na ampliação das possibilidades de acesso do público", afirma o Secretário da Cultura do Estado de São Paulo, José Roberto Sadek.

Esse novo espaço está localizado a 50 metros do edifício da Pina Luz, na Avenida Tiradentes, esquina com a Rua Ribeiro de Lima, em um terreno dentro do Parque da Luz cedido pelo Governo do Estado de São Paulo e que sediou até 2014 o Grupo Escolar Prudente de Moraes. Possui ao todo 6908 metros quadrados, com 3190 metros de área construída. O primeiro edifício que abrigou a escola foi projetado pelo Escritório Ramos de Azevedo, o mesmo que projetou os outros dois espaços da Pinacoteca. Incendiado em 1930 foi substituído, no ano de 1950, por um edifício projetado por Hélio Duarte, importante arquiteto modernista.

A expectativa é que a reforma do espaço, que não contempla nesse primeiro momento uma grande intervenção arquitetônica no complexo, comece ainda no primeiro semestre deste ano e que ele seja inaugurado em 2018. Para isso, deverão ser investidos cerca de R$ 5 milhões que serão captados junto à iniciativa privada.

Depois de aberta, a Pina Contemporânea será mantida pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e administrada pela APAC (Associação Pinacoteca de Arte e Cultura), a mesma Organização Social responsável pela Pinacoteca – Luz e Estação e Memorial da Resistência.

EVENTO

Saudando o bairro do Bom Retiro e para comemorar com a população esta importante conquista para da Pinacoteca, o museu organiza um evento público no dia 25 de janeiro no estacionamento da Pina Luz. Nesse dia a entrada do museu será gratuita e ele estará aberto até às 19 horas, uma hora além do habitual. Food trucks de pastel, churros, cachorro quente, sorvete, sucos e acarajé também estarão no local.

Um palco será montado para as apresentações musicais de grupos, todos do Bom Retiro, bairro onde estão localizados os três prédios da Pinacoteca de São Paulo.

A partir das 13h30 se apresenta a banda de percussão coreana Salmunori, que contará com a presença de 11 músicos. Às 14h30 está agendada a apresentação do Bom Retiro e seus amigos, grupo de música com acordeon, piano, voz, clarinete, sax, flauta, bandolim, violino, guitarra, bateria, contrabaixo e percussão cujo repertório é baseado nas músicas tradicionais judaicas e ciganas.

Depois, às 16 horas, assume o palco um grupo de música e dança autóctone da Bolívia. O Samba do Bule, tradicional grupo paulistano, encerra o evento com uma roda de samba a partir das 17h30.

Posted by Patricia Canetti at 12:40 PM

janeiro 23, 2017

Temporada de Projetos: Sérgio Vasconcelos em Paço das Artes no MIS, São Paulo

O Paço das Artes – instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo – inaugura no dia 26 de janeiro, às 19h, Trofologia, de Sérgio Vasconcelos, primeira mostra da Temporada de Projetos 2017. A exposição fica em cartaz até 5 de março no térreo do MIS (av. Europa, 158) com entrada gratuita.

No dia da abertura, o artista Sérgio Vasconcelos apresenta a performance Trofologia V, na qual dois atores vão simular uma luta na presença de um juiz. O registro em vídeo da ação integrará posteriormente a mostra, que reúne mais quatro vídeos e 10 fotografias, que remetem ao significado da palavra “trofologia”, ciência que ensina a restabelecer a saúde por meio da alimentação.

Desta forma, a simbologia dos alimentos, seu efeito no corpo humano e a relação dos homens com os animais estão presentes nas videoperformances Trofologia I, II, III e IV, em que atores contracenam com animais comuns na alimentação humana, como vaca, carneiro, porco e galinha.

Em cada uma dessas obras, Sérgio Vasconcelos propõe um regime específico para homem e animal, que compartilham o mesmo alimento, a exemplo do quarto vídeo, em que o próprio artista e uma galinha dividem uma tigela de insetos comestíveis. “Em todos os trabalhos foi necessário uma vivência com os animais, criando uma relação de confiança e condicionamento”, conta.

A instituição também comemora 20 anos da primeira exposição de seu principal programa de fomento. “A Temporada de Projetos se mantém até hoje como um rico celeiro para a cena da jovem arte contemporânea brasileira. Neste sentido, é com bastante alegria que inauguramos a programação do ano justamente com a Temporada e com este trabalho artístico de caráter experimental”, diz Priscila Arantes, diretora artística e curadora do Paço das Artes.

Além do trabalho de Sérgio Vasconcelos, o júri da Temporada de Projetos 2017 --formado por Benjamin Seroussi, Juliana Gontijo, Priscila Arantes, Solange Farkas e Vinícius Spricigo-- selecionou o projeto curatorial de Thiago Souza com Jota Mombaça e os projetos artísticos de Ana Hupe, Cristina Elias, Daniel Frota, Julia Ayerbe, Juliana Kase, Pontogor, Renan Marcondes e Victor de La Rocque, que serão expostos ao longo do ano. Os locais e períodos de exibição serão divulgados em breve.

Sérgio Vasconcelos nasceu em Recife/PE, em 1971, onde vive e trabalha. É formado em artes plásticas pela UFPE, 2003. Desenvolve trabalhos em várias mídias, como vídeo, ação/performance, fotografia, objetos, esculturas. No conjunto de sua obra, aborda questões que sinalizam com a existência do homem em sociedade, com a vida, cultura e a natureza. O artista traz em sua poética experiências ritualísticas de forte conotação social, simbólica, filosófica.

Posted by Patricia Canetti at 5:49 PM

Guilherme Ginane na Millan, São Paulo

Em Que dia feliz hoje ainda vai ser, a primeira exposição individual do pintor Guilherme Ginane (1980) na Galeria Millan, o artista carioca radicado em São Paulo apresenta um conjunto de dez trabalhos no espaço térreo da galeria, divididos entre cinco telas e cinco papéis.

A individual, que marca a entrada de Guilherme Ginane para o grupo de artistas representados pela Galeria Millan, conta com um belo texto crítico assinado pelo escritor carioca Bernardo Carvalho.

Nas palavras de Bernardo Carvalho, “os objetos sobre os tampos das mesas de Guilherme Ginane também têm uma existência autônoma e estranhamente inconciliável. Os cigarros, os fósforos, os vasos de flores, os livros etc. se sobrepõem à mesa, que oscila entre fundo e superfície; eles escorrem como tinta pela tela, flutuam sobre a mesa, mais do que descansam nela; disputam com a mesa a prevalência de planos paralelos e perspectivas incompatíveis. Há aí uma luta com a pintura, que tem muito pouco a ver com o repouso.

(...) A mudança de perspectiva do plano, sua aparente mobilidade, resulta numa metamorfose das coisas: o olhar que antes fixava faixas de tapete nas bordas das mesas agora vê paredes; o que era xícara vai se transformando em lâmpada, no alto do quadro. Ou seja, o plano vai girando, se inclinando sem se inclinar, se inclinando como se fosse ganhar tridimensionalidade, ainda que permaneça plano, e nesse estranho movimento inerte (o plano que gira sem girar) os objetos também vão se transformando. O quadro incorpora mais de uma perspectiva, por vezes perspectivas incompatíveis no mesmo plano, de modo que os objetos se tornam outros, sem deixar de ser os mesmos. Na pintura de Ginane, essa coabitação de planos representa um arco, uma mudança na perspectiva do sujeito que olha (artista e espectador), ela remete a uma experiência no mundo.

(...) A dificuldade de um fundo que é ao mesmo tempo infinito e superfície, representada pela evidência tátil da pincelada, das camadas de tinta sobrepostas, já tinha uma função assertiva e desestabilizadora nos trabalhos anteriores: as figuras em primeiro plano – cadeiras, cigarros, xícaras etc. –, perdidas no espaço, tinham sua perspectiva, sua autonomia tridimensional, contrariada pelo fundo sem profundidade, bidimensional e opaco, no qual acabavam se fundindo. Mesmo depois, quando surgem os tampos de mesa e os tapetes embaixo das mesas, ainda assim os dois planos se confundem, por um efeito telescópico, na mesma superfície. Há uma tensão e uma viscosidade entre as coisas e os planos, simultaneamente diversos e um só.”

Guilherme Ginane (Rio de Janeiro / SP, 1980) É artista plástico, formado em Comunicação pela Universidade Gama Filho (Rio de Janeiro) e em Artes pela Escola de Artes Visuais Parque Laje (Rio de Janeiro). Nos últimos anos participou de exposições coletivas na galeria A Gentil Carioca (Rio de Janeiro), 2016; Galeria Estação (São Paulo), 2016; Pivô (São Paulo), 2016 e 2015; MARP (Ribeirão Preto), 2015; e Galeria Marcelo Guarnieri (São Paulo), 2015. Participou do Salão de Arte de Ribeirão Preto, 2014 e 2013; e do Salão de Arte Contemporânea de Guarulhos, 2013. Realizou residencia artística no Pivô (São Paulo), entre 2015 e 2016. Realizou acompanhamento artístico com o pintor Paulo Pasta entre 2011 e 2013.

Posted by Patricia Canetti at 1:49 PM

janeiro 18, 2017

Cinthia Marcelle é selecionada para o pavilhão do Brasil na 57ª Bienal de Veneza

Cinthia Marcelle é selecionada para o pavilhão do Brasil na 57ª Bienal de Veneza

Fundação Bienal anuncia participação da artista que desenvolverá projeto com curadoria de Jochen Volz

Nota originalmente publicada no sítio da Bienal de São Paulo em 27 de dezembro de 2016.

A Fundação Bienal de São Paulo anuncia que a participação brasileira na 57ª International Art Exhibition, La Biennale di Venezia, em 2017, será desenvolvida pela artista Cinthia Marcelle (Belo Horizonte, 1974). O projeto consiste numa instalação especialmente comissionada para o Pavilhão do Brasil, com curadoria de Jochen Volz.

Desde o início dos anos 2000, Cinthia Marcelle vem construindo sua obra com uso de suportes variados que vão da instalação à escultura, da fotografia e do vídeo à performance. A artista trabalha com invenção de imagens e procura desenhar cenas poéticas e potentes com os elementos que registra e com os materiais que utiliza. Com frequência, busca expressamente criar circunstâncias ou configurações-modelo a fim de verificar coisas e situações.

Partindo da curiosidade, suas ideias e pensamentos se transformam em experimentos, que por sua vez se traduzem em imagens. Sua obra é uma declaração de que a arte é toda sobre o ato de lançar questionamentos. Respostas são dadas apenas e na medida em que são necessárias para estimular novas perguntas. Sempre marcados por um grau de absurdo, os trabalhos de Marcelle parecem derivar seu poder do fato de refletir a jornada da artista pela vida e de seu desejo de entender e experimentar as relações entre o eu e o mundo.

“Acompanho o trabalho de Cinthia Marcelle por muitos anos. Ela representa uma geração de artistas que está claramente a par da história da arte brasileira do século 20, mas que desenvolveu na última década um vocabulário potente, unindo experimentação visual com rigor conceitual e uma prática de colaboração que lhe é própria. Sua estratégia artística é marcada por uma resistência existência cotidiana que possibilita uma verdadeira investigação estética”, diz o curador Jochen Volz. “Veneza é uma grande vitrine para o frescor da arte brasileira. Focada no fomento da produção contemporânea, a Bienal de São Paulo pretende fazer desta uma participação memorável. O comissionamento de uma única instalação de grandes dimensões vai nesse sentido”, sugere o presidente da Fundação Bienal, João Carlos de Figueiredo Ferraz.

Cinthia Marcelle participou de individuais na América do Sul e na Europa e recentemente foi comissionada pelo Projects 105 para apresentar Educação pela Pedra, novo site-specific para a Duplex Gallery do MoMA PS1, em Nova York (2016). Participou também da 11ª Bienal do Sharjah (2015) com At the Risk of the Real e apresentou sua instalação Dust Never Sleeps na Sezession, em Vienna (2014). Em 2006, recebeu o International Prize for Performance por seu trabalho Gray Demonstration e em 2010 foi agraciada na primeira edição do Future Generation Prize.

Posted by Patricia Canetti at 7:11 PM

Alair Gomes na Caixa Cultural, Rio de Janeiro

Exposição conta com 293 imagens realizadas, entre 1960 e 1980, pelo fotógrafo notabilizado pelas séries de conteúdo homoerótico e voyeurista. Abertura no dia 13 de dezembro, às 18h

A Caixa Cultural Rio de Janeiro exibe de 13 de dezembro de 2016 a 19 de fevereiro de 2017 a mostra Alair Gomes – Percursos. Organizada pelo pesquisador e curador de fotografia Eder Chiodetto, a individual do fotógrafo Alair Gomes traz a público uma seleção de 293 ampliações de pequenos formatos das séries “Sonatinas, Four Feet”, “Symphony of Erotic Icons”, “The Course of the Sun”, “Beach Triptych” e “A New Sentimental Journey”. O projeto tem patrocínio da Caixa Econômica Federal e Governo Federal.

A exposição, que esteve na CAIXA Cultural São Paulo em 2015 e gerou recorde de visitantes, também traz série inédita de fotografias de atletas do surf, futebol, canoagem e natação no Rio de Janeiro, além da realizada na Praça da República, em 1969, na cidade de São Paulo. Haverá programação especial em duas datas: visita guiada com Eder Chiodetto na abertura, em 13 de dezembro, às 19h30, e lançamento do catálogo da exposição e palestra, também com o curador, no dia 21 de janeiro, às 16h.

Considerado um dos precursores da fotografia homoerótica no Brasil, Alair Gomes notabilizou-se a partir dos anos 1960 pelas fotografias que enfocam o corpo do homem belo e jovem, seguindo a tradição da história da arte, notadamente das esculturas greco-romanas. Com forte acento voyeurista, muitas de suas fotografias, realizadas entre 1960 e 1992, foram feitas a partir da janela e também no perímetro de seu apartamento na orla da praia de Ipanema, no Rio de Janeiro. Desde então, sua produção tem sido estudada por críticos brasileiros e estrangeiros, e vem ganhando espaço em livros, revistas, galerias e museus.

Séries e temas

“Alair Gomes ­– Percursos” é aberta com uma série inédita de 32 fotografias da Praça da República, em São Paulo, em 1969, auge do movimento hippie no Brasil. Chiodetto se surpreendeu ao encontrar essa série em sua pesquisa no acervo da Biblioteca Nacional: “essas imagens ajudam a entender a pulsão da obra de Alair como um desdobramento da revolução comportamental ocorrida após maio de 1968, é uma ode ao hedonismo, aos prazeres sem culpa possibilitado pelo sexo livre e pela regressão de certos dogmas”, diz o curador.

Em “Sonatinas, Four Feet” (1970-1980), o artista alude à composição musical para criar sequências com imagens de uma ação que ocorre num tempo-espaço bem definido, em geral com dois rapazes se exercitando na praia.

”Essa narrativa fraturada nos dá a percepção de uma coreografia ritmada e sensual. Por meio dessa estratégia, Alair extrai da cena um erotismo muitas vezes imperceptível para quem a vê no contínuo do tempo”, escreve Eder Chiodetto. Entre as séries sequenciais que tornaram a obra de Gomes conhecida mundo afora, a curadoria selecionou treze “Beach Triptych”, série de trípticos focada em jovens que se exercitam na praia flagrados do calçadão de Ipanema nos anos 1980.

Realizada entre 1967 e 1974, a série “The Course of the Sun” apresenta 25 fotografias feitas a partir do apartamento à beira-mar em Ipanema, onde Alair morava. Usando lentes de longo alcance, ele fotografava rapazes indo e vindo da praia de sunga. A sombra dos corpos se alonga no chão criando uma tensão entre a figura e sua projeção.

Em “Esportes” (1967-1969), Alair fotografa atletas de diversas modalidades esportivas. Esses registros, porém, são muitos diferentes daqueles que normalmente vemos na cobertura esportiva realizada por fotojornalistas. Alheio à competição, o olhar de Alair perscruta os corpos dos rapazes com foco na musculatura, no contorno, no movimento por meio do qual esses corpos bem torneados revelam a perfeição da forma. “Bem-aventurado sou eu, por ter tantas vezes adorado a elevação e a manifestação da via sagrada do mundo na carne dos jovens rapazes”, escreveu Alair em seu diário.

Na sala anexa ao espaço expositivo, por sua vez, estão fragmentos da série “Symphony of Erotic Icons” (1966-1978), realizada no estúdio caseiro do fotógrafo. Não raro, Alair mostrava aos garotos da praia as fotos que realizava furtivamente e os convidava para seu estúdio, onde promovia sessões fotográficas mais íntimas, explorando diferentes ângulos e sombras de seus corpos nus. Chiodetto complementa a série com outra, intitulada “A New Sentimental Journey”, espécie de diário textual-imagético que trata da viagem do artista para a Inglaterra, França, Suíça e Itália em 1969, onde Alair revela seu apreço pela estatuária clássica greco-romana.

Alair de Oliveira Gomes (Valença, RJ 1921 – Rio de Janeiro, RJ 1992)

Nascido em Valença (RJ), Alair de Oliveira Gomes (1921-1992) formou-se em Engenharia Civil e Eletrônica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A partir de 1965, dedicou-se a Fotografia e, ao longo de 26 anos, produziu mais de 170 mil negativos de um trabalho inédito e único com o qual obteve reconhecimento internacional após sua morte.

Alair Gomes também foi criador e coordenador do setor de Fotografia da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, nos anos 1970, e foi retratado por Luiz Carlos Lacerda no filme “A morte de Narciso” (2003). Um conjunto de suas fotografias foi selecionado para a Bienal de São Paulo, em 2012, e recentemente teve obras incorporadas ao acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA)

Posted by Patricia Canetti at 3:01 PM

Cristina Canale na Nara Roesler, New York

A Galeria Nara Roesler tem o prazer apresentar a primeira exposição de Cristina Canale em sua sede em Nova York, artista que faz parte de seu elenco desde 2003. Em Things and Beings, as 12 pinturas e 10 aquarelas reunidas, concebidas de 1990 a 2016, oferecem um panorama resumido da produção de uma das mais importantes pintoras contemporâneas brasileiras.

[scroll down for English version]

Egressa de uma emblemática geração no Brasil que retomou a pintura no início da década de 1980, Cristina Canale manteve-se ao longo de toda sua carreira coerente à sua essência de pintora, mesmo vivendo na Alemanha desde 1993, quando a força de outros suportes como instalação vídeo e fotos predominavam no ambiente artístico.

Estes trabalhos, indicadores de mais de duas décadas de produção, revelam o virtuosismo de uma pintura sublinhada por complexas composições, ora com planos inchados e variáveis espessuras de camadas de tinta, ora com soluções liquefeitas. Em suas telas e desenhos, narrativas aparentemente triviais, construídas a partir de particular figuração, estão sempre prestes a se dissolver em abstração.

Segundo a artista, alguns aspectos influenciaram a sua obra: a paisagem sinuosa e de grande profundidade do Rio de Janeiro, o convívio com as curvas modernistas de Oscar Niemeyer na cidade carioca, o contato com a natureza (paisagem tropical) e o confronto do geometrismo presente na arquitetura, na programação visual e na arte no Brasil, em especial no Rio de Janeiro. “Este coquetel de visualidade tem muito a ver com o meu trabalho, enquanto a minha presença na Alemanha se explica dentro do meu interesse pela tradição da pintura e no contexto de sua retoma na década de 80”, afirma Canale.

Com imagens reveladas, ou veladas, pois, como disse certa vez o crítico Tiago Mesquita, “as suas figuras parecem imagens encontradas nos movimentos das nuvens ou nos contornos das ondas deixadas a beira mar”, Canale encontra seu arsenal poético em cenas cotidianas, domésticas, compostas por pessoas, mulheres, bichos, coisas e natureza. Em Things and Beings (Ser e as coisas), ao trazer seu variado vocabulário pictórico, é possível perceber uma afetividade latente a percorrer a materialidade dos objetos, os pequenos gestos, as paisagens, os seres retratados, as atmosferas cênicas.

Conforme a crítica Luisa Duarte, passados trinta anos do início da trajetória da artista, essa tensão que visa desconstruir uma vontade de ordem e perenidade - ou melhor, escolhe habitar um espaço ‘entre’, que transita pela abstração, as linhas e a evocação de figuras, tudo isso em grandes manchas de cor - é vista em cada uma das obras de Things and Beings (Ser e as Coisas), doando uma coesão aguda para a exposição como um todo. “Suas casas são triângulos, as flores são linhas, um chapéu desmancha-se até tornar-se pura massa de cor, o cabelo torna-se círculos e cones. É assim, deixando que um vocabulário prosaico da vida comezinha apareça erigido sob formas abstratas que essas pinturas se infiltram na cesura entre Ser e coisa, entre o que é perene e o que é transitivo. Essa obra escolhe entrelaçar de maneira conflituosa, pois é justamente no curto-circuito que reside a sua potência, o que é do mundo, o que passa, o que é próximo e o que é pura abstração.”, completa a crítica brasileira.


Galeria Nara Roesler is pleased to present the premier exhibition of Cristina Canale in our New York venue, an artist who’s been part of our program since 2003. Things and Beings features 12 paintings and 10 watercolors, dating from 1990 through 2016, and providing a summarized overview of the output of one of Brazil’s foremost contemporary painters.

Coming up in an emblematic Brazilian painting revivalist generation in the early 1980’s, Cristina Canale remained true to her painter roots throughout her career, despite the fact that she lived in Germany from 1993 onwards, in a time when the power of other mediums, such as installation, video, and photograph dominated the art scene.

Spanning over two decades, these artworks reveal the virtuosity of a style underpinned by complex compositions, at times featuring swollen planes and paint layers of varying thicknesses, and at others liquefied solutions. In her canvases and drawings, deceptively trivial narratives built upon a unique figuration, are invariably a step away from melting down into abstraction.

According to the artist, a number of elements have informed her work: Rio de Janeiro’s curvy, depth-filled landscape and Oscar Niemeyer’s modernist curves, contact with nature (the tropical landscape), and the confrontation of the geometrism featured in Brazil’s – and especially Rio’s – architecture, visual program, and art. “This amalgamation of visuality has a lot to do with my work, whereas my presence in Germany is explained through my interest in the tradition of painting, and the context of its revival in the 80s,” says Canale.

With images revealed, or overexposed – for as critic Tiago Mesquita once put it, “her pictures look like images found in the motion of clouds or in the outlines left by waves in the sand” – Canale culls her poetic arsenal from day-to-day, domestic scenes composed of people, women, animals, things, and nature. Things and Beings showcases her wide-ranging pictorial vocabulary, revealing a latent affectivity that underlies the materiality of the objects, the little gestures, the landscapes, the beings that are portrayed, the scenic atmospheres.

According to the critic Luisa Duarte, 30 years into the artist’s career, this tension that sets out to deconstruct a will for order and perenniality – or better yet chooses to inhabit an ‘”in between” space that straddles abstraction, lines, and the evocation of figures, all interspersed with big blots of color – is seen in each and every one of the artworks in Things and Beings, rendering the entire show utterly cohesive throughout. “Her houses are triangles, her flowers are lines, a hat dissolves into a pure mass of color, hair turns to circles and cones. And thus, by allowing an unglamorous vocabulary from run-of-the-mill living to stand tall amid abstract shapes, these paintings infiltrate the gap between Being and thing, between what’s perennial and what’s transient. This oeuvre chooses to conflictingly intertwine – for it is exactly in the short-circuit that its potency resides, what’s worldly – what’s fleeting, what’s near, and what’s sheer abstraction”, the Brazilian critic argues.

Posted by Patricia Canetti at 12:57 PM