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outubro 3, 2019

Carlos Motta na Vermelho, São Paulo

A Vermelho apresenta, de 8 de outubro a 10 de novembro, Carlos Motta: Nós, X inimigx, a 1ª exposição individual do artista no Brasil.

Através de vídeos, fotografias, esculturas e instalações, Carlos Motta aborda e documenta criticamente as condições sociais e as lutas políticas históricas e atuais das minorias sexuais, de gênero e étnicas, a fim de desafiar os discursos dominantes e normativos por meio da visibilidade e da auto-representação.

Entre as principais características do trabalho de Carlos Motta está a exposição de histórias historicamente suprimidas de indivíduos e comunidades de sexo e gênero desconformes, na tentativa de produzir contra-narrativas que reconheçam relatos não-hegemônicos da história. Em Nós, X inimigx, Motta contrasta histórias de repressão sexual e de gênero históricas e contemporâneas para desafiar as convenções narrativas, seus termos e formas de representação e a escrita da história.

Corpo fechado: a obra do diabo

O filme de 2018 conta a história de José Francisco Pereira, que foi sequestrado e vendido como escravo no século XVIII. Pereira foi levado de Uidá (atual Republica do Benim, na África ocidental) para o Pernambuco, no Brasil, onde recorreu ao sincretismo como meio de sobrevivência. Vendido a um senhor de escravos em Portugal, Pereira foi descoberto fabricando amuletos para seus companheiros escravizados, as chamadas bolsas de mandinga. Em 1731, Pereira foi julgado pela Inquisição de Lisboa por feitiçaria. Além da condenação por feitiçaria, Pereira confessou ter feito pactos e copulado com demônios masculinos, o que o levou a uma condenação por sodomia. José Francisco Pereira foi então condenado a permanecer nas galés como um remador escravizado e ao exílio, sendo proibido de entrar em Lisboa para sempre.

O roteiro do filme baseia-se nos documentos de julgamento de Pereira, na Carta 31 de São Pedro Damião - O Livro de Gomorra, e em ‘Teses sobre o conceito de história’, de Walter Benjamin. Escrita pelo monge reformista italiano Pedro Damião, a ‘Carta 31’ contém o tratamento mais extenso e condenatório sobre pederastia e práticas homoeróticas. Como escreve o historiador de arte Jack McGrath em seu ensaio para Conatus, realizada por Motta em Nova Iorque, “O discurso do sodomita também desempenhou um papel central no colonialismo europeu, um tema que Motta explorou extensivamente em obras anteriores em vídeo como Trilogia Nefandus (2013) e na instalação Rumo a uma historiografia homoerótica (2014), entre outras”.

Teses sobre o conceito de história é composto por 18 teses onde Walter Benjamin expõe criticamente as convenções do historicismo. Benjamin propõe uma abordagem aberta da história, propondo a construção de diferentes resultados para o futuro por meio da ação dos derrotados, opondo-se, portanto, à ideia de que o futuro é o resultado da evolução histórica do progresso econômico e científico. Segundo McGrath, “Em Corpo fechado, Pereira encarna o anjo da história de Benjamin, um querubim surpreendido por uma tempestade vinda do Paraíso, propulsionado inexoravelmente ao futuro, mas com o rosto voltado para trás, condenado a ver apenas os escombros do passado. [...] o filme de Motta reúne figuras pouco conhecidas como Pereira e Damião, resgatados de arquivos de um passado distante para uma história de migração, raça, sexualidade, lei e fé, cuja urgência contemporânea reestrutura as condições do presente.”


Corpo Fechado — The Devil's Work, 2018 from Carlos Motta on Vimeo.

Eu marco minha presença com minhas próprias crenças: uma entrevista com Paulo Pascoal

No vídeo, Carlos Motta entrevista Paulo Pascoal, que interpreta José Francisco Pereira em Corpo fechado. Pascoal tem reconhecida carreira em Angola, seu país natal. Após assumir sua homossexualidade em uma conferência do TEDxLuanda Pascoal foi vítima de uma série de ameaças de morte, o que o levou a migrar para Portugal. Em Lisboa, onde reside atualmente, Pascoal se vê preso em uma espécie de limbo imigratório, sendo incapaz de voltar a entrar em Portugal, caso saia. Como escreveu McGrath, “a biografia do ator ecoa, assim, a vida de seu personagem, mutatis mutandis, cruzando oceanos tanto de água quanto de tempo na completude espectral do método histórico de Benjamin”


I Mark My Presence with My My Own Beliefs: An Interview with Paulo Pascoal from Carlos Motta on Vimeo.

Corpo fechado: Retrato de José Francisco Pedroso com sua “bolsa de mandinga”

O díptico de retratos de José Francisco Pedroso (2019) - um homem africano escravizado que, juntamente com José Francisco Pereira, criou e distribuiu bolsas de mandinga - faz parte da série de obras contextuais de Corpo fechado: a obra do diabo. Carlos Motta colaborou com o ator luso-guineense Welket Bungué para criar esse retrato, onde Bungué usa uma bolsa de mandiga oferecida a ele por sua mãe.

Corpo fechado

Corpo fechado (2019) é composto por uma série de chicotes antigos (comprados por Motta de obscuros vendedores no e-Bay) fundidos em bronze e esculpidos de forma que seus movimentos pareçam um instante congelado. Essas peças também fazem parte da série de objetos esculturais e fotográficos que conversam com o filme Corpo fechado: a obra do diabo. Como no filme, há uma inversão no manuseio do chicote, quando é empunhado por José Francisco Pereira, um homem oprimido que agora empodera-se: os instrumentos de punição aqui são ressignificados, aproximando-se das práticas BDSM, onde prazer e dor se confundem e as relações de poder e submissão nada mais são do que consensuais.

Midway upon the journey of our life I found myself within a forest dark / For the forward pathway had been lost
[Da nossa vida, em meio da jornada, achei-me numa selva tenebrosa / Tendo perdido a verdadeira Estrada]
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Senhor morto

Esta série é composta por um conjunto de fotografias de figuras mascaradas que manipulam cobras. Assim como o conjunto de chicotes de Corpo fechado, as imagens são reminiscentes de práticas de fetiches gay associadas a "desvios sexuais". Ou, como colocou Jack McGrath, “Lustrosas e dissolutas, escuras e ilusórias, as penumbras das fotografias de Motta são dispostas em torno de um deus morto, o Senhor morto, submerso no centro. Motta criou a efígie de bronze à imagem de uma escultura de madeira do século XVIII, da coleção do Museu Afro Brasil de São Paulo, um objeto eclesiástico feito por artesãos que trabalhavam em submissão colonial. Como artefato de exploração, a obra acusa a arte e a religião que serviam ao sistema colonial. Como Benjamin colocou em O anjo da história, “não há documento da civilização que não seja ao mesmo tempo um documento da barbárie”. As sombras contemplam o deus submerso como um júri sombrio, revertendo a ordem do Julgamento.”

We the enemy [Nós, o inimigo]

We The Enemy (2019) é composta por um conjunto de 40 esculturas em bronze baseadas em representações do diabo que foram extraídas da história da arte: de pinturas históricas que retratam Satanás no inferno, desenhos, ilustrações e esculturas que se relacionam com a imaginário do mal encarnado. As figuras desafiam os padrões morais normativos de beleza, respeitabilidade e comportamento. Nesse exército de demônios, há personagens que sugerem desvios e perversões sexuais - como tipificado pela imaginação católica tradicional.

We The Enemy Spit! (Sodomite, Inverts, Perverts Together!)

Spit! (Sodomite, Inverts, Perverts Together!) é um coletivo formado em 2017 por Carlos Motta, pelo escritor John Arthur Peetz e pelo artista Carlos Maria Romero. Spit! escreveu uma série de manifestos cuir inicialmente performados no Frieze projects, London. No vídeo de 2019, a artista grega Despina Zacharopoulos performa We The Enemy, um compêndio de gírias depreciativas e insultos a pessoas cuir. Ditos por Zacharopoulos com orgulho desafiador, esses termos são reapropriados, tornando-se palavras de ordem ou uma espécie de chamamento aos “sem-poder”.


WE THE ENEMY by SPIT! from Carlos Motta on Vimeo.

Corpo fechado

Outra das peças do ciclo Corpo fechado, é um chicote antigo de crina de cavalo emoldurado como uma relíquia fetichista. A apresentação do chicote invoca os quadros usados por David Wojnarowicz em sua série Sex Series. O trabalho desse artista multificiplinar - cujo ativismo e conteúdo político explícito em torno das desigualdades sociais e legais, e em resposta à epidemia de AIDS - influenciou Motta.

Self-Portrait with Whip (after Robert Mapplethorpe’s Self-Portrait with Whip, 1978)
[Autorretrato com chicote (após Self-Portrait with Whip, 1978, de Robert Mapplethorpe)]

Carlos Motta reencena o infame auto-retrato de Robert Mapplethorpe, no qual o artista é retratado com um chicote no ânus, como um rabo de animal. Na versão de Motta, a imagem é escurecida quase à invisibilidade, como um espelho escuro, desafiando o olhar dos espectadores e refletindo-os em sua superfície.

Untitled Self-Portrait # 3 [Sem título Autorretrato # 3]

O espelho também aparece no Autorretrato Sem título # 3, onde Motta aparece lamentoso e firme simultaneamente, com o pulso cerrado, resiliente, e a cabeça pensa sobre uma superfície espelhada. Como adverte Jack McGrath: “Às vezes, olhar no espelho é enxergar os malfeitores da história novamente projetando-se de soslaio para fora, e o progresso verdadeiro requer coragem para criticar até a si mesmo”.

Fachada: Formas da liberdade: Triângulo

Em sua oitava instauração, o mural instalado na fachada da galeria examina os desenvolvimentos políticos do ativismo sexual e de gênero. Formas da liberdade revisita a história do triângulo rosa e de outros emblemas da diversidade sexual. Ao enfatizar a importância de processos coletivos avança-se as noção de liberdade social. O mural é acompanhado por uma linha do tempo histórica, listando momentos importantes da história LGBTQI + no Brasil e no exterior, desenvolvidos em colaboração com Guilherme Altmayer.

Sala Antonio: Legacy [Legado]

Este vídeo apresenta uma performance de resistência de 30 minutos feita por Carlos Motta para a câmera. Legacy mostra o artista olhando diretamente para a câmera enquanto ele usa uma mordaça dentária, enquanto ele tenta ler uma linha do tempo do HIV / AIDS, de 1908 a 2019, ditada a ele pelo radialista norte-americano Ari Shapiro. Incapaz de falar com clareza, lutando para se lembrar das falas e contra a dor, o artista se esgota gradual e visivelmente. Esta pesquisa foi realizada em colaboração com Ted Kerr.

Sobre Carlos Motta

Motta foi o tema das exposições antológicas: Carlos Motta. Formas de libertad no Museu de Arte Moderna de Medellín (MAMM), Colômbia (2017), que viajou para Matucana100, Santiago, Chile (2018); e Carlos Motta: For Democracy There Must Be Love em Röda Sten Konsthall, Gotemburgo, Suécia (2015). Suas exposições individuais em museus internacionais incluem The Crossing (2017), Stedelijk Museum, Amsterdã; Histories for the Future (2016), Museu de Arte Pérez (PAMM), Miami; Réquiem (2016), Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (MALBA) (2016); ); Patriots, Citizens, Lovers… (2015), PinchukArtCentre, Kiev; Gender Talents: A Special Address (2013), Tate Modern, Londres; La forma de la libertad (2013), Sala de Arte Pública Siqueiros, México; ; We Who Feel Differently (2012), New Museum, Nova York; ; Brief History (2009), MoMA / PS1, Nova York; e The Good Life (2008), Instituto de Arte Contemporânea (ICA), Filadélfia; entre outros.

Participou de Incerteza Viva, 32ª Bienal de São Paulo (2016); A Story Within A Story, Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Gotemburgo (2015); Burning Down the House, Bienal X Gwangju (2014); e Le spectacle du quotidian, X Lyon Biennale (2010). Seus filmes foram exibidos no Festival de Roterdã (2016, 2010); Festival Internacional de Cinema de Toronto (2013); e Internationale Kurzfilmtage Winterthur (2016); entre muitos outros.

Ele venceu o Vilcek Foundation’s Prize for Creative Promise (2017); o PinchukArtCentre’s Future Generation Art Prize (2014); a Guggenheim Fellowship (2008); e recebeu bolsas da The Art Matters Foundation (2008), do The New York State Council for the Arts (NYSCA) (2010); The Creative Capital Foundation; and The Kindle Project (2012).

Seu trabalho está na coleção permanente do Metropolitan Museum of Art (MET), Nova York; O Museu de Arte Moderna (MoMA), Nova York; Museu Guggenheim, Nova York; Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madri; Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA); Museu Fundaçao de Serralves, Porto; e Museu de Arte do Banco da República, Bogotá; entre muitas outras coleções institucionais, corporativas e privadas.

Carlos Motta se formou no Programa de Estudos Independentes do Museu Whitney (WISP), Nova York; ele possui um mestrado em Belas Artes (MFA) da Escola de Artes Milton Avery no Bard College, Annandale-on-Hudson, Nova York; e Bacharel em Belas Artes (BFA) pela Escola de Artes Visuais (SVA), Nova York. Motta foi nomeado Professor Associado de Prática Interdisciplinar no Departamento de Belas Artes da Pratt University em 2019.

Posted by Patricia Canetti at 11:31 AM