Página inicial

Blog do Canal

o weblog do canal contemporâneo
 


março 2019
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
          1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
31            
Pesquise no blog:
Arquivos:
março 2019
fevereiro 2019
janeiro 2019
dezembro 2018
novembro 2018
outubro 2018
setembro 2018
agosto 2018
julho 2018
junho 2018
maio 2018
abril 2018
março 2018
fevereiro 2018
janeiro 2018
dezembro 2017
novembro 2017
outubro 2017
setembro 2017
agosto 2017
julho 2017
junho 2017
maio 2017
abril 2017
março 2017
fevereiro 2017
janeiro 2017
dezembro 2016
novembro 2016
outubro 2016
setembro 2016
agosto 2016
julho 2016
junho 2016
maio 2016
abril 2016
março 2016
fevereiro 2016
janeiro 2016
dezembro 2015
novembro 2015
outubro 2015
setembro 2015
agosto 2015
julho 2015
junho 2015
maio 2015
abril 2015
março 2015
fevereiro 2015
janeiro 2015
dezembro 2014
novembro 2014
outubro 2014
setembro 2014
agosto 2014
julho 2014
junho 2014
maio 2014
abril 2014
março 2014
fevereiro 2014
janeiro 2014
dezembro 2013
novembro 2013
outubro 2013
setembro 2013
agosto 2013
julho 2013
junho 2013
maio 2013
abril 2013
março 2013
fevereiro 2013
setembro 2012
agosto 2012
junho 2012
abril 2012
março 2012
fevereiro 2012
novembro 2011
setembro 2011
agosto 2011
junho 2011
maio 2011
março 2011
dezembro 2010
novembro 2010
outubro 2010
setembro 2010
junho 2010
fevereiro 2010
janeiro 2010
dezembro 2009
novembro 2009
maio 2009
março 2009
janeiro 2009
novembro 2008
setembro 2008
agosto 2008
julho 2008
maio 2008
abril 2008
fevereiro 2008
dezembro 2007
novembro 2007
outubro 2007
agosto 2007
junho 2007
maio 2007
março 2007
janeiro 2007
dezembro 2006
outubro 2006
setembro 2006
agosto 2006
julho 2006
junho 2006
maio 2006
abril 2006
março 2006
fevereiro 2006
janeiro 2006
dezembro 2005
novembro 2005
setembro 2005
agosto 2005
julho 2005
junho 2005
maio 2005
abril 2005
março 2005
fevereiro 2005
janeiro 2005
dezembro 2004
novembro 2004
outubro 2004
setembro 2004
agosto 2004
junho 2004
maio 2004
abril 2004
março 2004
janeiro 2004
dezembro 2003
novembro 2003
outubro 2003
agosto 2003
As últimas:
 

março 13, 2019

Marcelo Cidade na Vermelho, São Paulo

Em sua sétima exposição individual na Vermelho, Marcelo Cidade propõe um contraponto a sua última proposição para a galeria. Se em 2016, em Nulo ou em branco, um dos seus principais temas de pesquisa era a ‘Arquitetura social’ - aquela comprometida com a vida humana, que visa uma conexão maior com a realidade de cada um e com o espaço em que se vive – em Dívidas, divisores e dividendos seu foco se direciona à ‘Arquitetura hostil’ em dois conjuntos de trabalhos inéditos.

O termo ‘Arquitetura hostil’ foi cunhado por Ben Quinn, em reportagem de 2014 no jornal britânico The Guardian. O texto “Anti-homeless spikes are part of a wider phenomenon of ‘hostile Architecture’” (Os espetos anti-desvalidos são parte de um fenômeno mais amplo de ‘arquitetura hostil’") disserta sobre como novos recursos de design influenciam o uso dos centros urbanos, em uma tentativa de excluir a população pobre, promovendo uma ocupação higienizada das cidades.

Em ‘Escala disciplinar’, 2019, Marcelo Cidade utiliza os espetos anti-desvalidos como parte de uma pesquisa tipológica sobre os métodos da ‘Arquitetura hostil’. Partindo da estatura média do brasileiro, Cidade organiza uma coleção desses dispositivos com referência aos tradicionais cortes (ou vistas) apresentados em projetos arquitetônicos: vista frontal, vista lateral e detalhe. Ao unir a linguagem de projeto à escala humana, Cidade devolve ao humano a disfunção ocasionada por dispositivos da ‘Arquitetura hostil’, como afirmou o artista em um texto sobre a série, “Tenho percebido o uso desses elementos em diversas cidades, e me intriga cada vez mais essa dualidade entre função e disfunção no proposito principal da arquitetura, gerando a exclusão do corpo humano em relação ao espaço dito público.”

Outra maneira de entender o olhar do progresso sobre a arquitetura veio quando o prédio modernista onde o artista mora teve sua prumada hidráulica substituída. Todo o canal ferroso embutido em vigas para controlar o escoamento de esgoto foi arrancado a marretadas da estrutura do edifício para ser substituído por canos considerados mais modernos, feitos em pvc. Ao contrário do que ocorre em parte das edificações europeias, as prumadas no Brasil – e em especial na arquitetura modernista, que, via de regra, evita adornos ou elementos suplementares em seus desenhos puristas – ficam camufladas na arquitetura, causando uma grande produção de resíduos e gastos quando algum tipo de reparo nesses elementos se faz necessário.

Marcelo Cidade colecionou os pedaços de canos ferrosos e os apresenta agora em ‘Refluxo estrutural’, 2019, em um exercício comparativo com os teoricamente mais avançados canos de pvc. Sobre uma estrutura de blocos de concreto, Cidade contrapõe os dois materiais aparentemente mal-ajambrados. Um olhar atento, no entanto, percebe os trincos feitos pelas marretas nos canos de ferro cuidadosamente reproduzidos nos canos de pvc. É esse gesto, que recorre a uma série de procedimentos tradicionais das artes, como a frottage (usada para transferir as marcas do ferro ao pvc) e ao entalhe (utilizado na reprodução em si), que chama a atenção ao paralelismo proposto pela obra.

Se o material ferroso já foi considerado o mais eficiente em determinado período da história, hoje suas desvantagens são claras. Contudo, os modernos canos de pvc não parecem um grande salto qualitativo quando se pensa no desenvolvimento sustentável de uma rede de saneamento eficiente. Embora o uso desse material apresente vantagens como a baixa condutividade elétrica, baixo peso comparativo, facilidade de manuseio, pouca acumulação de detritos e o baixo custo de aquisição, suas desvantagens são conhecidas desde o início do seu uso: baixa resistência térmica e mecânica, eliminação de fumaça e gases tóxicos e a falta de informações sobre seu desempenho sob uso prolongado. No mais, o pvc é um derivado do petróleo e os malefícios desse material são amplamente conhecidos. Além das diversas neurotoxinas presentes no material, de suas propriedades inflamáveis e da poluição gerada por sua extração e processamento, o custo humano relacionado aos combustíveis fosseis é alto, já que, por sua ampla capacidade de produção de bens e riquezas, são objeto de inúmeras guerras e confrontos políticos. Assim, podemos entender um conflito estrutural inerente às construções que abitamos e aos dispositivos que devem conduzir um dos elementos mais essenciais ao homem, a água.

Sobre o artista

Marcelo Cidade nasceu em São Paulo, em 1979. Vive e trabalha em São Paulo. Cidade já teve seu trabalho exposto em instituições e exposições internacionais como Fundação Serralves (Porto, Portugal, 2018), Palais de Tokyo (Paris, França, 2018), Museum of Contemporary Art Detroit [MOCAD] (Detrit, EUA, 2017), Museu de Arte de São Paulo [MASP] (São Paulo, Brasil, 2017), Museum Beelden aan Zee (Den Haag, Holanda, 2016), Bronx Museum (Nova York, EUA, 2015), Wexner Center for the Arts (Columbus, EUA, 2014), 8ª Bienal do Mercosul (Porto Alegre, Brasil, 2011), Trienal de Arquitectura de Lisboa (Lisboa, Portugal, 2010), XIV International Sculpture Biennale of Carrara (Carrara, Itália, 2010) e 27° Bienal de São Paulo (São Paulo, Brasil, 2006).

Sua obra está presente em importantes coleções como Phoenix Art Museum (EUA), Fundação Serralves (Portugal), Tate Modern (UK) Kadist Art Foundation (França), Museo Tamayo Arte Contemporaneo (México) e Bronx Museum (EUA).

Posted by Patricia Canetti at 11:05 AM