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agosto 8, 2018

Marcone Moreira na Casa das Onze Janelas, Belém

Após oito anos sem expor em Belém, o artista Marcone Moreira apresenta no próximo sábado (11), a partir das 11h, na Casa das Onze Janelas, a exposição Exaustos, fruto de mais um empreendimento particular da observação da realidade da Amazônia com a reunião de elementos típicos da cultura e da economia regional. Desta vez, ele apresenta artefatos de comunidades extrativistas de castanha-do-Pará e de coco babaçu, a partir de projeto contemplado pela Fundação Cultural do Pará (FCP). A entrada é gratuita.

De volta à região sudeste do Pará - em que ele viveu e cresceu -, Marcone foi em busca das quebradeiras de coco em municípios como São Domingos do Araguaia, São Geraldo, São João e Marabá. Para a mostra, recolheu, numa espécie de extrativismo artístico, os porretes usados para quebrar o coco babaçu, que já estão marcados pelo tempo e pela atividade que é o sustento financeiro de muitas famílias. Eles serão apresentados em instalações, pequenas esculturas das castanhas e desenhos feitos em grafite sobre papel.

Já na capital paraense, onde há muito tempo ele não residia, depois de ter passado por Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Portugal, voltou-se ao símbolo máximo da cidade, o turístico Ver-o-Peso, onde estão os descascadores de castanha-do-Pará. Lá encontrou um material de madeira esculpido com o tempo e com a força da labuta, que revela curvas sinuosas entalhadas diariamente. Assim, o artista reuniu esse material de forma a comparar esse movimento, quase ondular, e perceber semelhanças e regularidades do entalhe.

“O meu interesse está no artefatos rudimentares dos trabalhos extrativistas, desgastados pelo uso exaustivo, a exemplo de porretes, machados e cepos, que têm baixo ou nenhum valor comercial, mas possuem valor significativo para o meu trabalho. A partir da aproximação com as comunidades, iniciei um diálogo e negociação para conseguir esses materiais. Foram os contextos humano e social desses aparatos simples e significativos, que representam o desempenho de um labor secular, que despertei uma recente atenção”, explica o artista.

Essa é uma forma já usual de trabalho feita por Marcone: a aproximação com trabalhadores populares e a abertura de um diálogo para conseguir suas matérias-primas de exposições, o que acaba se constituindo em uma rede de trocas. Com os materiais coletados, ele fez estudos e experimentações no prédio da Associação Fotoativa, como processo de pesquisa de sua mais nova mostra.

Movimento econômico e migração

Historicamente importante para o ciclo econômico do norte do Brasil e do estado do Pará, chegando a representar cerca de 70% das exportações na década de 1950 (somente Marabá respondia por mais de 60% deste total), a extração tradicional de castanha-do-Pará tem decrescido na região, fruto de um conjunto rápido de transformações políticas, sociais e ambientais ocorridas no sul do Pará.

A abertura das rodovias na região e os projetos agrícolas federais, entre outros, fizeram decrescer a significância econômica dos castanhais, sendo que as suas áreas devastadas deram lugar a novas atividades tais como a pecuária, a exploração de ouro e mineração. Esta “modernização” econômica da região atraiu uma parcela importante de imigrantes, majoritariamente do estado do Maranhão, e deste movimento resultaram importantes alterações na cultura agrícola e extrativista do Pará. Estes conjuntos populacionais levaram seus hábitos e costumes, entre eles a extração do babaçu.

Marcone também se posiciona de forma política, como mostram outras produções de sua autoria, em relação às comunidades as quais pesquisa. “No início da cadeia produtiva são atividades ligadas à miséria. E hoje estas matérias-primas possuem um elevado valor de mercado para a indústria farmacêutica e cosmética, alimentando segmentos de luxo e bem-estar. É ‘paradoxal’ a persistência de procedimentos rudimentares na realização do trabalho e na desvalorização social desta atividade”, analisa o artista.

Outrora uma região de castanhal, hoje a região do Araguaia possui várias comunidades que mantêm a extração do babaçu como relevante fonte de renda, organizadas em cooperativas como o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB).

“O meu interesse pelas atividades de extração da castanha-do-pará e babaçu advém do fato destas serem testemunhos da transformação social e econômica do Norte do Brasil, ‘símbolos’ do trabalho duro e da resistência de milhares de pessoas em várias gerações. A minha história familiar cruza-se nestas raízes, tendo me transferido do Maranhão com a minha família para o Pará na década de 1990”, comenta o artista.

Posted by Patricia Canetti at 9:43 AM