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julho 5, 2018

O Círculo na Millan, São Paulo

Exposição coletiva O Círculo explora vertentes da arte sonora por meio do trabalho de quatro artistas brasileiros

A Galeria Millan apresenta, de 12 de julho a 11 de agosto de 2018, a exposição coletiva O Círculo, organizada pela artista e comunicadora Lilian Zaremba. A mostra apresenta uma seleção atual de trabalhos voltados à arte sonora e à rádioarte, produzidos por quatro brasileiros que são referências nessas áreas: Julio de Paula (SP), Marco Scarassatti (MG), Renata Roman (SP) e a própria Lilian Zaremba (RJ).

Lilian Zaremba mostra, na sala principal da galeria, a sua “Memoânfora” (2018), uma instalação em feltro de lã onde duas pessoas podem entrar ao mesmo tempo. Com formato de semi-círculo, este pequeno “labirinto” é percorrido pelo visitante até que se alcance um objeto enigmático, feito em porcelana e com detalhes em bronze. Chegando nele, a surpresa: uma “paisagem sonora” com voz que lança um questionamento ao espectador: - Por que viestes de tão longe?

Essa “Memoânfora” busca sua inspiração na memória da água. Segundo a homeopatia, a água possui uma espécie de “memória” das substâncias que estiveram diluídas nela e que não se encontram mais ali, isto é, este líquido vital viaja tempo e espaço absorvendo e guardando informações de todos os diferentes lugares que atravessou, podendo conectar pessoas que dele beberam. Já as ânforas estiveram presentes em muitos momentos e histórias, seja carregando água, azeite ou vinho. Assim, quando alguém abre uma ânfora, é quase como se pudesse escutar: - Por que viestes de tão longe?

Embaralhando os limites entre visível, invisível, tátil e audível, o elétrico no feltro de lã e o eletromagnético na voz gravada, a obra de Lilian sugere diferentes sensações no imaginário de quem a adentra.

O rádioartista Julio de Paula, por sua vez, apresenta também no térreo da galeria a instalação “Somos Pacha”. Nas palavras de Julio, o trabalho “é uma forma de resistência, algo que propõe desconstruir a divisão binária natureza/sociedade, além de reviver e refazer um rito, levar em conta a dimensão mágica-espiritual-social da vida e descolonizar o individual, o moderno e o civilizado, pregando o comunitário e a prática coletiva”.

“Somos Pacha” (2018) é uma instalação participativa em forma de oferenda circular, uma grande peça sonora quadrifônica com elementos como terra, folhas, sementes, utensílios de cerâmica, copos, pedras e bebidas dispostos no chão. A obra, assim como a de Lilian, pede a participação dos visitantes, que no dia da abertura irão “finalizar” o trabalho com a colocação de oferendas. Depois, durante o período expositivo, as pessoas poderão aspergir vinho numa ação de autolimpeza e purificação da terra. No mesmo ambiente, Julio apresenta a segunda parte da instalação, uma vídeoprojeção em um monolito de pedra. Este vídeo silencioso apresenta cenas rituais com amautas e xamãs, gravadas no marco do Trópico de Capricórnio (Quebrada de Humahuaca, na região de Jujuy, Argentina). Disposta no chão, a pedra é acompanhada de um banco (também de pedra) que convida as pessoas a se abaixarem para ver o vídeo.

Marco Scarassatti coloca no átrio e no jardim da galeria duas esculturas sonoras relacionadas às atribuições e características dos Orixás africanos. “Exú” e “Iansã” são objetos tridimensionais que, através de seus materiais, formas e movimentos, produzem uma quarta dimensão: o som.

Na cosmologia iorubá, um Orixá é representado no mundo físico por seu Igbá, cuja função é ritualística no recebimento das oferendas para a circulação, transformação e reposição da força vital, chamada Axé. Cada Igbá é um instrumento de concentração de energia associado a um Orixá. Segundo a metafísica iorubá, tudo que existe no mundo físico existe também no mundo spiritual, e, no caso do trabalho de Marco, o que conecta esses mundos é a sonoridade produzida por cada objeto.

Por fim, a artista sonora Renata Roman exibe no primeiro andar da galeria a instalação “o vento leva, o vento traz”, formada por círculos suspensos dos quais pendem “cortinas” de fitas magnéticas. São objetos relacionados à escuta e à memória ressignificados para a incursão e o ativamento de lembranças subjetivas, através da suave dança das fitas magnéticas, esses objetos carregados de memória sonora. “O vento leva o que não se escuta, o vento traz o que se escutou”, revela Renata.

A obra faz parte de uma série de trabalhos que se utilizam de objetos relacionados ao universo sonoro e da escuta, ressignificados como produtores de sons analógicos e referenciais da problemática da memória.

Pode-se dizer que “arte sonora” é um termo relativamente novo, que abriga artistas e produtores que não encontram no território da música ou das artes plásticas/visuais um retorno estético e institucional para suas ações. A arte sonora reúne gêneros artísticos que estão na fronteira entre a música e outras artes, nos quais o som é material de referência dentro de um conceito expandido de composição, gerando um processo de hibridização entre som, imagem, espaço e tempo.

Sobre os artistas

Julio de Paula (SP)
Trabalha com mecanismos de documentação, em especial da cultura tradicional. Radioartista, está interessado na gravação e deslocamento de paisagens sonoras latino-americanas. Em 2012 apresentou “Edgard”, pela Mobile Radio BSP (30ª Bienal de Artes de São Paulo). Em 2015 realizou a peça “El Sur Es el Norte” para a Kunstradio – Radiokunst (Áustria), que foi retransmitida pela Rádio Documenta14 - Every Time a Ear di Soun (2017). Em sua pesquisa, busca um ponto de contato entre o rádio e as artes visuais, o que tem chamado de “rádio expandido”. Vive e trabalha em São Paulo.

Lilian Zaremba (RJ)
Mestre e Doutora em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro ECO-UFRJ. Tem Pós-Doutorado sobre o tema “Rádio com imagens? Novas Perspecticas para a tecnologia radiofônica”. “Rádio com imagens?” também é o título de uma palestra proferida no Congresso do INTERCOM-2016 USP. Publicou vários artigos de pesquisa sobre o universo da linguagem radiofônica organizando os três números da coletânea “Rádio Nova, Constelações da Radiofonia Contemporânea” (ECO/Ed.Publique 1997-2000) e o livro “Entreouvidos: sobre Rádio e Arte” (Oi Futuro/SOARMEC 2010). Seus textos recentes (2013/2014/2016) foram publicados nas revistas Portfolio-EAV e Revista Carbono e no site Kusntradio. É membro do Conselho Consultivo da Portfolio, revista da EAV - Escola de Artes Visuais do Parque Lage, publicando artigos nos números 1, 2 e 3 dessa publicação. É membro do conselho consultivo do grupo de pesquisa Internacional Radio Art (and Creative Audio for Trans-media – IRARG). Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Marco Scarassatti (MG)
Artista sonoro, improvisador e compositor, desenvolve pesquisa e construção de esculturas, instalações e emblemas sonoros. Criou e participou dos grupos Stracs de Harampálaga, que se dedicava a intervenções sonoras em espaços públicos, Olhocaligari, de poesia e música experimental, e o grupo Sonax, com o qual realiza trabalhos até hoje. É professor da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, atuando nos cursos de Pedagogia, Licenciatura em Música, Formação Intercultural de Educadores Indígenas e Licenciatura do Campo, e é o coordenador do grupo de pesquisa EPART (educação e poéticas artísticas). É autor do livro “Walter Smetak, o alquimista dos sons”, da editora Perspectiva/SESC, publicado em 2008. Vive e trabalha em Belo Horizonte.

Renata Roman (SP)
Artista sonora, dedica-se às poéticas do som e escuta. Seu trabalho transita entre cartografia sonora, instalação, rádioarte, música experimental e eletroacústica. Apresentou quatro instalações sonoras: “A Memória da Casa” (São Paulo, 2011/12; Mar Del Plata-Argentina), “Donde” (Mar Del Plata-Argentina), “404 notfound” (III Salão Xumucuís de Arte Digital, 2014, Belém-PA e Ibrasotope, São Paulo-SP) e “Euspetáculos” (Galeria Jaqueline Martins-SP). Em 2012 participou do FILE (Festival Internacional da Linguagem Eletrônica) e da 30a Bienal Internacional de Artes de São Paulo. Em 2013, a convite da ResonanceFM (Reino Unido), criou a peça sonora “Native” para circular na rede internacional de rádioarte RADIA. Participou de mostras e festivais como Hilltown New Music Festival (Irlanda), Ecos 2013 (Portugal), Süden Radio (Dinamarca/Itália), Radiophrenia (Reino Unido), (H)ear XL II Multimedia Sound Art Exhibition (Reino Unido), Datscha Radio (Dinamarca) e Radio Documenta14, entre outros. Vive e trabalha em São Paulo.

Posted by Patricia Canetti at 2:30 PM