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janeiro 30, 2019

SP-Arte Solo: Outras Américas por Alexia Tala

Outras Américas

ALEXIA TALA

Texto originalmente publicado no site da SP-Arte em 21 de janeiro de 2019.

A história da América se desenvolve junto das imagens produzidas sobre ela, e por isso podemos considerar que a arte tem um papel fundamental na sua constituição. Reconhecemos um gênero expressivo a esse respeito, por exemplo, na pintura de paisagem. Considerado um dos primeiros a interpretar a paisagem Americana, o pintor holandês Franz Post desembarcou em 1637 em Pernambuco com o objetivo de capturar o Brasil tropical. O artista fazia desenhos in situ e depois incorporava temas e elementos do Novo Mundo. Suas imagens seguiam a convenção da paisagem pictórica holandesa da época, caracterizada pela quietude e estoicismo, acrescentando elementos da flora e fauna tropical. Eram paisagens construídas, que apesar de serem feitas a partir de anotações no local, eram concluídas e finalizadas fora deste. Isso expressa uma qualidade intrínseca das imagens de um lugar, imagens como portadoras daquela elaboração imaginária, que sempre carregam uma densidade de ficção, segundo Luis Pérez-Oramas(1). A paisagem é sempre uma meta-paisagem, efeito da montagem e da imaginação de quem está diante dela.

Em um sentido mais amplo da paisagem, podemos estender o conceito para os homens que nela habitam, suas práticas, ambiente material, configuração social, costumes e sonhos. Foram realizadas diversas imagens de cada um deles no território latino-americano ao longo da história. Própria da reflexão da visualidade contemporânea é a ênfase nos aspectos antropológicos, históricos e sociais dessa condição construtiva das imagens, que ecoaram profundamente na compreensão do que entendemos por América Latina. O olhar analítico da fotografia etnográfica dos séculos XIX e XX foi decisivo para ressaltar a violência do eurocentrismo, materializado em formatos que reproduzem práticas colonizadoras que vêm desde o início da América moderna conquistada. Revisar as imagens dessa história tem sido uma das principais vocações da arte contemporânea latino-americana. Vemos a “América inventada” (Edmundo O’Gorman), e aquela “América imaginária” (Miguel Rojas-Mix) operando ainda nos dias de hoje.

Sempre que existe modernidade, existe colonialidade, conforme os autores citados. Uma figura que essa atitude necessariamente tem como antecedente é a da inversão. O gesto político de desnaturalizar a representação estrangeira e reverter a ação subjugadora do outro cruzou a arte e a cultura da América Latina, desde o mapa de Joaquín Torres-García até a atitude antropofágica e suas subsequentes leituras e interpretações. Esse gesto já é inalienável na história. As constantes históricas, na contemporaneidade, nos obrigam a atualizar as leituras do território e as imagens deste de maneira crítica e reflexiva.

É sob essa premissa que o setor Solo da 15ª SP-Arte apresenta um agrupamento de artistas cujos trabalhos têm o potencial de revisão e recriação das práticas colonizadoras nas representações do continente americano. As questões iniciais enfatizam a validade da ideologia colonial que traçou o destino da região, assimilando o caráter histórico do olhar exotista e seu papel na configuração da hierarquia global que se perpetua hoje.

Os artistas convidados foram organizados em quatro eixos, quatro pontos de entrada para abordar essas questões. O primeiro eixo “América, terra de oportunidades” procura falar sobre esses problemas a partir da exploração material do território, por exemplo, dos recursos. Assim, a partir do material, Alejandra Prieto (Die Ecke Arte Contemporaneo, Chile) fala metonimicamente do sistema de produção de objetos e seus usos.

Em “Expedições imaginárias, medições do invisível”, que reúne Manata e Laudares (Sé Galeria, Brasil) e María Edwards (Galeria Patricia Ready, Chile), o foco é nas observações e percepções do próprio território, sua valorização e reconfiguração a partir dos espaços-universos, que são inspirados tanto no poético-sensorial quanto no científico. Inspiradas na paisagem, ambas propostas criam microuniversos que abandonam o campo apenas objetivo para potencializar a experiência.

Dedicado às representações dos habitantes do continente, “Homens do Paraíso e do Inferno”, terceiro eixo, articula as obras de quatro artistas: Nicole Franchy (IK Projects, Peru), Ayrson Heráclito (Portas Vilaseca, Brasil), Sandra Vásquez de la Horra (Bendana Pinel [França], Chile) e Luis González Palma (Galería de Babel [Brasil], Guatemala). Do olhar etnográfico enciclopédico dos indígenas, até os rituais ancestrais baianos, este eixo reúne artistas que trabalham com imaginários do passado, através da presença de corpos particulares. Seja com performances, rostos ou silhuetas anônimas, esse grupo reativa o problema do olhar antropológico.

Rafael Pagatini (OA, Brasil), Randolpho Lamonier (Periscopio, Brasil) e Fernando Bryce (Espaivisor [Espanha], Peru) compõem o último eixo, “Cronistas contemporâneos”. Aqui procuramos juntar artistas que ativam politicamente a perspectiva documental, seja trazendo a história política ou o caráter marginal da sociedade, e que também compartilham um interesse pelos meios que associamos às técnicas manuais ou artesanais.

Nestes eixos podemos reconhecer, então, a inversão como estratégia do espírito crítico dos artistas da região. Se apresentando como chaves de entrada para a história da América e suas representações, história que fala de longos processos colonizadores que continuam a ser revistos e questionados por estes e outros artistas.

(1)Pérez-Oramas, L. (2015) A paisagem original. Em K. Manthorne (ed.), Artistas Viajantes: Paisagens da América Latina da Coleção Patricia Phelps De Cisneros. Nova York: Coleção Patricia Phelps de Cisneros.

Alexia Tala
Curadora independente e diretora artística da Plataforma Atacama, Alexia Tala é especializada na pesquisa da arte latino-americana. Mais recentemente, se dedicou à curadoria geral da Bienal de Arte Paiz de 2020, na Guatemala, e à publicação de uma monografia sobre a chilena Lotty Rosenfeld. Foi co-curadora da 8ª Bienal do Mercosul – Ensaios de geopoética e da 4ª Trienal Poligráfica de San Juan de Puerto Rico, na 20ª Bienal de Arte Paiz da Guatemala. Escreve também para publicações de arte na América Latina e no Reino Unido, além de ser autora de “Installations and Experimental Printmaking” (UK, 2009). É responsável pela curadoria do setor Solo, na próxima SP-Arte.

Posted by Patricia Canetti at 3:59 PM

janeiro 20, 2019

Ta Tze Bao por Paulo Sergio Duarte

Ta Tze Bao

PAULO SERGIO DUARTE

Toda grande obra de arte se apresenta como um problema, não como uma solução. A obra de Antonio Dias não foge à regra, temos que enfrentá-la. Antes de tudo como conhecimento, aquele que não é religioso, nem científico, mas conhecimento artístico. E é disso que se foge hoje, com frequência, na arte contemporânea. O artista, ao contrário, o enfrenta, se confronta com ele e nos apresenta diante dos olhos, sem nenhuma condescendência. Arte e política sempre estiveram presentes na obra de Antonio Dias desde seu início, em 1962, às vezes de forma explícita, em outras de modo sutil, mas nunca panfletário, óbvio, sempre contribuindo e refletindo sobre a linguagem da arte.

[scroll down for English version]

Ta Tze Bao, 1972 [1], é uma dessas manifestações, na longa série que o artista vai intitular The Illustration of Art (em inglês no original). Em Ta Tze Bao, o artista mais uma vez enfrenta o problema entre arte e política de modo inteligente e privilegiado para quem for capaz de fruí-lo. Trata-se, como sempre na sua obra, de uma fruição com reflexão. É preciso pensar no que se está vendo – é a contrapartida do público ao esforço do artista. Dazibao foram jornais murais chineses, em grandes ideogramas, surgidos nas paredes das cidades na China há muito tempo, desde a época do império chinês; existiam essas manifestações de cunho político ou moral. Mas, a partir de 1966, eles começaram a aparecer como uma dissidência à esquerda do Partido Comunista da China, a luta contra os “revisionistas”. Era o início da chamada Revolução Cultural. Os chamados Guardas Vermelhos viam burguesia por todo lado, na direção da Universidade, no teatro, na ópera. Foi nesse momento que a palavra Dazibao circulou no Ocidente. Ninguém sabia de fato o que se passava na China. Para nós, então, jovens ocidentais de classe média esclarecida, parecia uma grande transformação, a obrigação do intelectual se vincular ao trabalho efetivo, por essa razão apareceram as diversas organizações maoístas, dissidentes dos soviéticos e, mesmo, dos trotskistas. Dazibao era a eloquente gráfica da Revolução Cultural, que mascarava um verdadeiro massacre nos seus rituais de reeducação.

Antonio vai operar uma transformação. Toma a palavra Ta Tze Bao para título de seus trabalhos sobre o escândalo do Watergate. Watergate não era mais o conjunto de seis prédios, em Foggy Bottom, nas vizinhanças de Washington D. C. Era metonímia de um escândalo. Acredito que todos saibam do que se trata: culminou com a renúncia do presidente Nixon, em 9 de agosto de 1974, para evitar o impeachment durante sua campanha para a reeleição. O escândalo do Watergate culminou no sábado, 17 de junho de 1972. O papel da imprensa livre numa democracia foi um dos determinantes nesse evento. Nessa data, dois repórteres do Washington Post – Bob Woodward e Carl Bernstein – investigaram a invasão pelos republicanos nos quartéis-generais dos democratas roubando informações, e publicaram o que haviam encontrado. Posteriormente, diversos jornais nos Estados Unidos e no mundo estamparam nas primeiras páginas o escândalo.

Dazibao era o jornal por excelência da imprensa para a esquerda radical; se era livre ou não, pouco importava, o importante era depor os “revisionistas”, aqueles que divergiam do pensamento do camarada Mao. Para Antonio Dias, já em 1972, o verdadeiro Ta Tze Bao era o Watergate. Muito antes da renúncia de Nixon. Em Ta Tze Bao, 1972, o artista realiza um trabalho duplamente inteligente e radical. Vamos ver por quê. Em primeiro lugar se aproveita do ready made à moda pop como nunca havia feito antes: transpõe as primeiras páginas de dois jornais – do New York Times e do Corriere della Sera – tal como apareciam durante uma semana de novembro de 1972. Lembrem-se que, na época, o artista residia em Milão. Até aí nenhuma novidade. A pop art havia feito isso dez anos antes. Mas aqui não há simples ready mades ou objets trouvés. Dias realizou outros Ta Tze Bao; na primeira série de Ta Tze Bao, são aquelas pequenas cirurgias, o artista intervém sobre a página, numa série que delimita com vermelho as áreas da notícia em cada jornal – New York Times e Corriere della Sera –, aquela exibida e publicada em livro em 1978. Já vai aí uma inteligência.

Aqui não, na que temos agora, do mesmo ano, 1972, só vista três vezes, por curtos períodos, uma na Itália, uma em Hong Kong, e, recentemente, no Brasil, vai mais longe plasticamente. Avança sobre a arte conceitual e banha todas as páginas em vermelho e mais as desdobra, tudo vermelho. Destaca as áreas das notícias, as recorta sobre tecido pintado de vermelho na exata equivalência e as pendura sob cada página de cada New York Times e Corriere della Sera. Aqueles desenhos recortados mostram toda a área do Uncovering the Cover-Up, outra série do artista sobre o assunto. Esse balanço das áreas vermelhas superiores e dos pequenos recortes inferiores não é gratuito, ele vigora sobre a relação política da importância de uma notícia e a primeira página do jornal. Isso, na época das mídias sociais – Twitter, WhatsApp, Facebook – parece muito velho, mas não é; todo dia estamos marcados pelos nossos Dazibao eletrônicos que nos imprimem com suas urgências na palma de nossas mãos. O Ta Tze Bao de Antonio Dias, em papel, é atualíssimo, com uma vantagem, nos faz pensar sobre o mundo e sobre a arte.

Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 2018.

1. Antonio Dias adota uma das muitas transcrições existentes, na época, dos ideogramas chineses para o alfabeto latino: Ta Tze Bao. Aqui, quando não estou me referindo explicitamente à obra do artista, estou usando a transcrição adotada para a língua inglesa pela Encyclopedia Britannica e para o francês pela Wikipedia nos dias atuais: Dazibao.


Ta Tze Bao

PAULO SERGIO DUARTE

Every great work of art is presented as a problem, not as a solution. The work by Antonio Dias is no exception; it must be confronted. Confronted above all as knowledge – not religious or scientific, but rather artistic knowledge. And this is precisely what contemporary art often shies away from today. This artist, on the contrary, confronts it, he faces it head-on and presents it to us in plain sight, without any condescension. Art and politics were always present in Antonio Dias’s work since the outset, in 1962, sometimes explicitly, sometimes subtly, but never in a superficially polemical way, always contributing and reflecting on the language of art.

Ta Tze Bao, 1972 [1], is one of these manifestations, in a long series that the artist titled (originally in English) The Illustration of Art. In Ta Tze Bao, the artist once again confronts the problem between art and politics in an intelligent and outstanding way for whoever is able to appreciate it. As always in his work, it is an appreciation the requires reflection. It is necessa ry to think about what one is seeing – it is what the public contributes in counterpart to the artist’s effort. Dazibao were Chinese wall-mounted newspapers that have appeared on walls in cities in China for a long time, since the time of the Chinese Empire, publishing manifestations of a political or moral character. But from 1966 onward, they began to appear as an expression of far-left dissidence within the Communist Party of China in the struggle against the “revisionists.” It was the beginning of the so-called Cultural Revolution. The so-called Red Guards saw the bourgeoisie on every side, in the university, in the theater, in the opera. It was at that moment that the word dazibao circulated in the Western world. No one really knew what was taking place in China. For educated middle-class westerners like us, therefore, it looked like a great transformation was underway, obliging an intellectual to roll up his sleeves. For this reason there arose the various Maoist organizations in dissidence to the Soviets and even to the Trotskyists. Dazibao was the eloquent graphic cry of the Cultural Revolution, which masked a true massacre in its rituals of reeducation.

Antonio would carry out a transformation. He adopted the word Ta Tze Bao for the title of his works about the Watergate scandal. Watergate was no longer the set of six buildings, in Foggy Bottom, in the environs of Washington DC. It was the metonym of a scandal. I believe everyone knows what it concerned: it culminated in President Nixon’s resignation on August 9, 1974, to avoid impeachment during his reelection campaign. The Watergate scandal began on Saturday, June 17, 1972. The role of the free press in a democracy was one of the determining factors in this event. On that date, two reporters of the Washington Post – Bob Woodward and Carl Bernstein – started investigating a break-in by the Republicans into the headquarters of the Democratic Party to steal information, sequentially publishing what their investigation revealed. The news later made headlines on the front pages of newspapers around the world.

Dazibao was the newspaper par excellence of the press for the radical left; few people cared if it was free or not, the important thing was to put down the “revisionists,” those who diverged from the thinking of the Maoist circle. For Antonio Dias, in 1972, the true Ta Tze Bao was Watergate. Long before Nixon’s resignation.

In Ta Tze Bao, 1972, the artist produced a work that was doubly intelligent and radical. We shall see why. In the first place, in the best pop art tradition, he appropriated a ready-made as he had never done before, transposing the front pages of two newspapers – the New York Times and the Corriere della Sera – just as they appeared during a week of November in 1972. It should be remembered that at that time the artist was living in Milan. Up to here, it was all par for the course. Pop art had been doing this for the last ten years. But these are not simple ready-mades or objets trouvés. Dias made other Ta Tze Bao works; the first Ta Tze Bao series involves those small surgeries where the artist intervenes on the pages, in a series that uses the color red to delineate the news areas in each newspaper – the New York Times and Corriere della Sera – shown and published in a book in 1978. Therein lies the intelligence.

What we have here now, from the same year, 1972, previously shown just three times, for brief periods – once in Italy, once in Hong Kong, and recently, in Brazil – goes further in aesthetic formal terms. He rides out against conceptual art, bathing the whole page in red, in a swath that extends outward a full page-width to the right. He highlights the news areas, cuts them out onto fabric steeped in red, in the exact shape, and hangs them under each page of each copy of the New York Times and the Corriere della Sera. Those cutout drawings show the entire area of Uncovering the Cover-Up, another series by the artist about the subject. The balancing of the red swathes above and the snippets below is not gratuitous; it speaks about the political relation between the importance of a story and its position on the front page of a newspaper. This, in the era of the social media – Twitter, WhatsApp, Facebook – may look dated, but it isn’t; every day we are marked by our electronic dazibao that print their urgencies on the palm of our hands. The Ta Tze Bao of Antonio Dias, on paper, is totally current, with an advantage, as it makes us think about the world and about art.

Rio de Janeiro, December 10, 2018

1. Antonio Dias adopted one of the many ways available at that time for transcribing Chinese ideograms into the Latin alphabet: Ta Tze Bao. Here, when I’m not explicitly referring to the artist’s work, I use the transcription currently used for the English language by Encyclopedia Britannica and for French by Wikipedia: dazibao.

Posted by Patricia Canetti at 3:53 PM

janeiro 15, 2019

My Way por Osvaldo Carvalho

“Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!”

Mario Quintana

Em seu “Poeminho do Contra” Mario Quintana faz troça, nada circunstancial, do fato de ter sido rejeitado (novamente) como membro da Academia Brasileira de Letras (assim reza a lenda), e de maneira sarcástica, dentro de seu linguajar direto e sem pompa, característica do poeta que acabou por deixar uma marca indelével na literatura brasileira, nos fala do eterno embate entre permanência e efemeridade. Para Hannah Arendt a permanência de uma obra de arte dá à Humanidade uma sensação de imortalidade pelo que é criado por meros mortais, uma constância que se sobrepõe ao tempo.

Reunidos em torno da ideia de apresentar o seu mundo particular tanto das ideias quanto das imagens, os artistas da mostra My Way abrem o ano expositivo da Casa França-Brasil com liberdade de apresentarem novos trabalhos ou revisitarem questões que entendam ainda em voga de processos anteriores e que precisem ser novamente evocados pelo olhar do outro, pelo público que, como dizia Duchamp, “mais tarde se transforma na posteridade (...), estabelece o contato entre a obra de arte e o mundo exterior”.

A exposição pretende ressaltar a diversidade de pensamentos, e de como é possível estarem lado a lado, conviverem pacífica e harmoniosamente linguagens as mais variadas, que se apresentam não como um impedimento ao diálogo, ao contrário, como motor que faz girar a engrenagem do saber, da curiosidade, do despertamento e do deslumbramento. Cada um faz a sua jornada íntima. Como diz a música: “eu vivi uma vida plena, viajei por todos os caminhos, mas mais do que isso, eu fiz do meu jeito”.

Osvaldo Carvalho
Curador

Posted by Patricia Canetti at 3:51 PM