Página inicial

Arte em Circulação

 


fevereiro 2019
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
          1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28    
Pesquise em
arte em circulação:

Arquivos:
fevereiro 2019
janeiro 2019
dezembro 2018
novembro 2018
outubro 2018
setembro 2018
agosto 2018
julho 2018
junho 2018
maio 2018
abril 2018
março 2018
fevereiro 2018
janeiro 2018
dezembro 2017
novembro 2017
outubro 2017
setembro 2017
agosto 2017
julho 2017
junho 2017
maio 2017
abril 2017
março 2017
fevereiro 2017
janeiro 2017
dezembro 2016
novembro 2016
outubro 2016
setembro 2016
agosto 2016
julho 2016
junho 2016
maio 2016
abril 2016
março 2016
fevereiro 2016
janeiro 2016
novembro 2015
outubro 2015
setembro 2015
agosto 2015
julho 2015
junho 2015
maio 2015
abril 2015
março 2015
fevereiro 2015
janeiro 2015
novembro 2014
outubro 2014
setembro 2014
agosto 2014
julho 2014
junho 2014
maio 2014
abril 2014
março 2014
fevereiro 2014
janeiro 2014
novembro 2013
outubro 2013
setembro 2013
agosto 2013
julho 2013
junho 2013
maio 2013
abril 2013
março 2013
fevereiro 2013
janeiro 2013
dezembro 2012
novembro 2012
outubro 2012
setembro 2012
agosto 2012
julho 2012
junho 2012
maio 2012
março 2012
fevereiro 2012
dezembro 2011
outubro 2011
setembro 2011
agosto 2011
julho 2011
junho 2011
maio 2011
abril 2011
janeiro 2011
dezembro 2010
novembro 2010
outubro 2010
setembro 2010
julho 2010
maio 2010
abril 2010
março 2010
dezembro 2009
novembro 2009
outubro 2009
setembro 2009
agosto 2009
julho 2009
junho 2009
maio 2009
abril 2009
março 2009
janeiro 2009
dezembro 2008
novembro 2008
setembro 2008
maio 2008
abril 2008
dezembro 2007
novembro 2007
outubro 2007
setembro 2007
agosto 2007
julho 2007
junho 2007
maio 2007
abril 2007
março 2007
fevereiro 2007
janeiro 2007
dezembro 2006
novembro 2006
setembro 2006
agosto 2006
julho 2006
maio 2006
abril 2006
março 2006
fevereiro 2006
janeiro 2006
dezembro 2005
novembro 2005
outubro 2005
setembro 2005
agosto 2005
julho 2005
junho 2005
maio 2005
abril 2005
março 2005
fevereiro 2005
novembro 2004
junho 2004
abril 2004
março 2004
fevereiro 2004
janeiro 2004
dezembro 2003
novembro 2003
outubro 2003
setembro 2003
agosto 2003
As últimas:
 

janeiro 30, 2019

SP-Arte Solo: Outras Américas por Alexia Tala

Outras Américas

ALEXIA TALA

Texto originalmente publicado no site da SP-Arte em 21 de janeiro de 2019.

A história da América se desenvolve junto das imagens produzidas sobre ela, e por isso podemos considerar que a arte tem um papel fundamental na sua constituição. Reconhecemos um gênero expressivo a esse respeito, por exemplo, na pintura de paisagem. Considerado um dos primeiros a interpretar a paisagem Americana, o pintor holandês Franz Post desembarcou em 1637 em Pernambuco com o objetivo de capturar o Brasil tropical. O artista fazia desenhos in situ e depois incorporava temas e elementos do Novo Mundo. Suas imagens seguiam a convenção da paisagem pictórica holandesa da época, caracterizada pela quietude e estoicismo, acrescentando elementos da flora e fauna tropical. Eram paisagens construídas, que apesar de serem feitas a partir de anotações no local, eram concluídas e finalizadas fora deste. Isso expressa uma qualidade intrínseca das imagens de um lugar, imagens como portadoras daquela elaboração imaginária, que sempre carregam uma densidade de ficção, segundo Luis Pérez-Oramas(1). A paisagem é sempre uma meta-paisagem, efeito da montagem e da imaginação de quem está diante dela.

Em um sentido mais amplo da paisagem, podemos estender o conceito para os homens que nela habitam, suas práticas, ambiente material, configuração social, costumes e sonhos. Foram realizadas diversas imagens de cada um deles no território latino-americano ao longo da história. Própria da reflexão da visualidade contemporânea é a ênfase nos aspectos antropológicos, históricos e sociais dessa condição construtiva das imagens, que ecoaram profundamente na compreensão do que entendemos por América Latina. O olhar analítico da fotografia etnográfica dos séculos XIX e XX foi decisivo para ressaltar a violência do eurocentrismo, materializado em formatos que reproduzem práticas colonizadoras que vêm desde o início da América moderna conquistada. Revisar as imagens dessa história tem sido uma das principais vocações da arte contemporânea latino-americana. Vemos a “América inventada” (Edmundo O’Gorman), e aquela “América imaginária” (Miguel Rojas-Mix) operando ainda nos dias de hoje.

Sempre que existe modernidade, existe colonialidade, conforme os autores citados. Uma figura que essa atitude necessariamente tem como antecedente é a da inversão. O gesto político de desnaturalizar a representação estrangeira e reverter a ação subjugadora do outro cruzou a arte e a cultura da América Latina, desde o mapa de Joaquín Torres-García até a atitude antropofágica e suas subsequentes leituras e interpretações. Esse gesto já é inalienável na história. As constantes históricas, na contemporaneidade, nos obrigam a atualizar as leituras do território e as imagens deste de maneira crítica e reflexiva.

É sob essa premissa que o setor Solo da 15ª SP-Arte apresenta um agrupamento de artistas cujos trabalhos têm o potencial de revisão e recriação das práticas colonizadoras nas representações do continente americano. As questões iniciais enfatizam a validade da ideologia colonial que traçou o destino da região, assimilando o caráter histórico do olhar exotista e seu papel na configuração da hierarquia global que se perpetua hoje.

Os artistas convidados foram organizados em quatro eixos, quatro pontos de entrada para abordar essas questões. O primeiro eixo “América, terra de oportunidades” procura falar sobre esses problemas a partir da exploração material do território, por exemplo, dos recursos. Assim, a partir do material, Alejandra Prieto (Die Ecke Arte Contemporaneo, Chile) fala metonimicamente do sistema de produção de objetos e seus usos.

Em “Expedições imaginárias, medições do invisível”, que reúne Manata e Laudares (Sé Galeria, Brasil) e María Edwards (Galeria Patricia Ready, Chile), o foco é nas observações e percepções do próprio território, sua valorização e reconfiguração a partir dos espaços-universos, que são inspirados tanto no poético-sensorial quanto no científico. Inspiradas na paisagem, ambas propostas criam microuniversos que abandonam o campo apenas objetivo para potencializar a experiência.

Dedicado às representações dos habitantes do continente, “Homens do Paraíso e do Inferno”, terceiro eixo, articula as obras de quatro artistas: Nicole Franchy (IK Projects, Peru), Ayrson Heráclito (Portas Vilaseca, Brasil), Sandra Vásquez de la Horra (Bendana Pinel [França], Chile) e Luis González Palma (Galería de Babel [Brasil], Guatemala). Do olhar etnográfico enciclopédico dos indígenas, até os rituais ancestrais baianos, este eixo reúne artistas que trabalham com imaginários do passado, através da presença de corpos particulares. Seja com performances, rostos ou silhuetas anônimas, esse grupo reativa o problema do olhar antropológico.

Rafael Pagatini (OA, Brasil), Randolpho Lamonier (Periscopio, Brasil) e Fernando Bryce (Espaivisor [Espanha], Peru) compõem o último eixo, “Cronistas contemporâneos”. Aqui procuramos juntar artistas que ativam politicamente a perspectiva documental, seja trazendo a história política ou o caráter marginal da sociedade, e que também compartilham um interesse pelos meios que associamos às técnicas manuais ou artesanais.

Nestes eixos podemos reconhecer, então, a inversão como estratégia do espírito crítico dos artistas da região. Se apresentando como chaves de entrada para a história da América e suas representações, história que fala de longos processos colonizadores que continuam a ser revistos e questionados por estes e outros artistas.

(1)Pérez-Oramas, L. (2015) A paisagem original. Em K. Manthorne (ed.), Artistas Viajantes: Paisagens da América Latina da Coleção Patricia Phelps De Cisneros. Nova York: Coleção Patricia Phelps de Cisneros.

Alexia Tala
Curadora independente e diretora artística da Plataforma Atacama, Alexia Tala é especializada na pesquisa da arte latino-americana. Mais recentemente, se dedicou à curadoria geral da Bienal de Arte Paiz de 2020, na Guatemala, e à publicação de uma monografia sobre a chilena Lotty Rosenfeld. Foi co-curadora da 8ª Bienal do Mercosul – Ensaios de geopoética e da 4ª Trienal Poligráfica de San Juan de Puerto Rico, na 20ª Bienal de Arte Paiz da Guatemala. Escreve também para publicações de arte na América Latina e no Reino Unido, além de ser autora de “Installations and Experimental Printmaking” (UK, 2009). É responsável pela curadoria do setor Solo, na próxima SP-Arte.

Posted by Patricia Canetti at 3:59 PM