Página inicial

Arte em Circulação

 


abril 2018
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30          
Pesquise em
arte em circulação:

Arquivos:
abril 2018
março 2018
fevereiro 2018
janeiro 2018
dezembro 2017
novembro 2017
outubro 2017
setembro 2017
agosto 2017
julho 2017
junho 2017
maio 2017
abril 2017
março 2017
fevereiro 2017
janeiro 2017
dezembro 2016
novembro 2016
outubro 2016
setembro 2016
agosto 2016
julho 2016
junho 2016
maio 2016
abril 2016
março 2016
fevereiro 2016
janeiro 2016
novembro 2015
outubro 2015
setembro 2015
agosto 2015
julho 2015
junho 2015
maio 2015
abril 2015
março 2015
fevereiro 2015
janeiro 2015
novembro 2014
outubro 2014
setembro 2014
agosto 2014
julho 2014
junho 2014
maio 2014
abril 2014
março 2014
fevereiro 2014
janeiro 2014
novembro 2013
outubro 2013
setembro 2013
agosto 2013
julho 2013
junho 2013
maio 2013
abril 2013
março 2013
fevereiro 2013
janeiro 2013
dezembro 2012
novembro 2012
outubro 2012
setembro 2012
agosto 2012
julho 2012
junho 2012
maio 2012
março 2012
fevereiro 2012
dezembro 2011
outubro 2011
setembro 2011
agosto 2011
julho 2011
junho 2011
maio 2011
abril 2011
janeiro 2011
dezembro 2010
novembro 2010
outubro 2010
setembro 2010
julho 2010
maio 2010
abril 2010
março 2010
dezembro 2009
novembro 2009
outubro 2009
setembro 2009
agosto 2009
julho 2009
junho 2009
maio 2009
abril 2009
março 2009
janeiro 2009
dezembro 2008
novembro 2008
setembro 2008
maio 2008
abril 2008
dezembro 2007
novembro 2007
outubro 2007
setembro 2007
agosto 2007
julho 2007
junho 2007
maio 2007
abril 2007
março 2007
fevereiro 2007
janeiro 2007
dezembro 2006
novembro 2006
setembro 2006
agosto 2006
julho 2006
maio 2006
abril 2006
março 2006
fevereiro 2006
janeiro 2006
dezembro 2005
novembro 2005
outubro 2005
setembro 2005
agosto 2005
julho 2005
junho 2005
maio 2005
abril 2005
março 2005
fevereiro 2005
novembro 2004
junho 2004
abril 2004
março 2004
fevereiro 2004
janeiro 2004
dezembro 2003
novembro 2003
outubro 2003
setembro 2003
agosto 2003
As últimas:
 

abril 16, 2018

Mauro Restiffe: São Paulo, fora de alcance por Thyago Nogueira

Cidades são organismos vivos – nascem, crescem, desenvolvem-se. Raramente morrem e, em geral, sobrevivem àqueles que as moldaram ou que nelas vivem. A convite do Instituto Moreira Salles, o fotógrafo paulista Mauro Restiffe (1970) percorreu bairros centrais e periféricos de São Paulo, como Luz, República, Pinheiros, Vila Congonhas e Itaquera. Munido de sua Leica portátil e de filmes em preto e branco de alta sensibilidade, Restiffe palmilhou ruas e esquadrinhou a cidade entre dezembro e abril de 2014, um momento de profunda agitação, causada por eventos como as intervenções violentas no bairro da Luz ou as obras faraônicas que antecederam a Copa do Mundo. O resultado das caminhadas é esta exposição – uma síntese visual da paisagem humana, arquitetônica e topográfica de São Paulo e uma representação aguçada das tensões políticas e sociais que dão forma ao espaço urbano.

Os usos variados e inesperados que os habitantes fazem da cidade, os conflitos entre o desenvolvimento econômico e a preservação do patrimônio, a complexidade do relevo urbano – tudo está nas imagens. Eventos cotidianos, como deslocamentos diários ou o lazer do fim de semana, convivem com fatos extraordinários, como um os protestos que tomaram o país ou o incêndio no Memorial da América Latina. Cartões-postais como o Museu de Arte de São Paulo dividem a atenção com lugares menos reconhecíveis, como os arredores da avenida Jornalista Roberto Marinho, na Zona Sul. O que vemos é o espaço e o tempo da cidade, o que lhe dá corpo e vida.

Parte da frustração e do fascínio que São Paulo exerce em seus habitantes vem de seu ciclo de evolução acelerado e da dificuldade em controlar inteiramente o espaço. É o que sugere a fotografia do largo da Batata, importante entroncamento da cidade ao mesmo tempo em reforma e em ruína. Tão logo surgem, as construções já parecem gastas, como se precisassem ser constantemente substituídas, numa espiral de renovação que não vê fim.

As fotografias apresentam uma complexidade de situações, algumas aparentes, outras menos. O antropólogo Claude Lévi-Strauss acreditava que as cidades eram o produto de uma estrutura mental invisível, um tipo de ordem subjacente, fora de nosso alcance, que se insinuaria sobre os espaços e se expressaria de forma simbólica ou real, “um pouco como as preocupações inconscientes se aproveitam do sono para se exprimir”.

Depois de percorrer e fotografar exaustivamente São Paulo, Restiffe talvez tenha intuído uma ordem própria, construída por microscópicos grãos de prata. Ao expor a complexa interação entre o espaço, as pessoas e a arquitetura, ao exibir a experiência urbana como uma realidade fragmentada, o fotógrafo age como um urbanista inconsciente, um artista que constrói uma nova cidade.

Thyago Nogueira

Posted by Patricia Canetti at 9:15 AM