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abril 15, 2009

Rumos Itaú Cultural Artes Visuais 2008-2009 – Entrevista com o coordenador curatorial Paulo Sergio Duarte, por Ana Maria Maia

Entrevista realizada entre 17 de março e 4 de abril, via mensagens de e-meio, por Ana Maria Maia, especialmente para o Canal Contemporâneo

[Sobre Trilhas do Desejo, o resultado da quarta edição do Rumos Itaú Cultural, em exposição em São Paulo até 10 de maio. Sobre a tradição de mapeamento de artistas emergentes em que a mostra está inserida e de que o programa que a organiza, atualmente, é dos exemplos mais consolidados. Sobre os atos que possa haver na prática de representar lugares e gerações para a arte. Sobre, por fim, desvendar caminhos traçados não só nas idas e olhadas silenciosas, mas também nos canais de conversa possíveis.]

Qual a sua avaliação do Rumos 2009? O que esse recorte denota do nosso momento atual de produção?

Minha avaliação é muito positiva pelas seguintes razões. 1) O Rumos Itaú Cultural Artes Visuais é o mais importante programa, no Brasil, realizado por edital público voltado para a produção emergente nessa área. Nessa quarta edição foram mais de 1.600 artistas inscritos. 2) O processo de trabalho que se estende às diferentes regiões do país na difusão do programa é outro aspecto a ser sublinhado. 3) A reunião de curadores, assistentes de curadoria e um coordenador, também das diferentes reuniões, formando uma equipe de 13 pessoas, não apenas fortalece o processo coletivo das escolhas finais, como permite uma rica troca de idéias em todo o processo. Aprendi muito durante o trabalho e, de lambuja, ganhei novos amigos. No momento atual o que mais me chamou a atenção foi a incrível diversidade de meios das artes visuais, não importa a região do país. Há fotos, vídeos, pintura, gravura, escultura, instalações, performances, sendo pensadas e produzidas em todas as regiões. Há vinte, trinta anos atrás essa diversidade estava concentrada no eixo Rio-São Paulo salvo raríssimas exceções.

Li, em entrevista recente sua à Folha de S. Paulo, um comentário sobre as poucas recorrências à política ("A arte militante de cunho político-social acabou, ao menos nesse nosso mapeamento") dentre os trabalhos de artistas selecionados. A que você atribui isso?

Tenho tratado desse assunto superficialmente, como simples constatação: vejo não somente no Rumos mas em diversas outras exposições de arte contemporânea e bastaria frequentar galerias, bienais e salões para verificar isso. Acho que é uma questão complexa e determinada por diversos fatores que seguramente aqui na entrevista não vou dar conta, mas gostaria de indicar alguns que, acredito, estejam atuando nessa situação da arte contemporânea no Brasil. É sintomático, por exemplo, que o movimento social que ocupa mais espaço na mídia - o Movimento dos Sem terra - não seja objeto de nenhum, mas nenhum mesmo, dos 1615 artistas inscritos no Rumos. Um universo de mais de 1600 artistas deve ser representativo de alguma coisa. Não me atrevo a afirmações muito positivistas do ponto de vista estatístico. Diria apenas que é uma bela amostragem. Não encontramos nenhum trabalho diretamente engajado em nenhuma questão política maior. Existem sempre trabalhos que são atravessadamente políticos, mas nunca diretos e muito precários. Pode ser que algumas das razões para isso sejam: 1) o sentimento de uma impotência diante do capitalismo contemporâneo ; 2) a profunda decepção com a política no Brasil, sobretudo depois de ver um governo supostamente inovador incorrer em práticas de alianças tradicionais e corrupção; 3) a descoberta de uma complexidade da existência que não passa pelos clichês e slogans da política militante; 4) a herança da melhor arte contemporânea brasileira dos anos 60 e 70 que nunca deslizou para formas panfletárias, mas traduziu da melhor forma possível em termos poéticos situações extremamente difíceis da sociedade brasileira. Tudo isso são suposições que merecem uma análise mais aprofundada, serem corrigidas ou complementadas.

Do que fala o título Trilhas do Desejo?

No texto que será publicado no catálogo escrevi: "(...). São as "Trilhas do desejo".(...) E o que seriam essas trilhas? Em 1950, Martin Heidegger (1889-1976) publica seis estudos redigidos entre 1934 e 1946. O primeiro desses trabalhos tem como título "A origem da obra de arte" que a examina a partir da análise de uma pintura de um par de sapatos de Van Gogh. À reunião desses estudos, o filósofo deu o título de "Holzwege". Holzwege, em alemão, são as pequenas trilhas na floresta abertas pelo lenhador – bem antes da existência das motosserras – à procura da árvore certa para cortar. Wolfgang Brokmeier, o tradutor do livro para o francês, preferiu o título Chemins qui ne mènent nulle part (Caminhos que levam a nenhum lugar). Errar em português pode ter sentidos bem diferentes; pode ser ocorrer em engano, em erro, e pode ser também andar sem rumo, vaguear, percorrer. Holzwege sugere errâncias, as "Trilhas do desejo" sugere as errâncias dos artistas na busca da materialização de sua poética e do público no percurso entre tantas trilhas sugeridas. Todo aquele que se encontrou, mesmo superficialmente, com a obra de Freud sabe que desejo não se confunde com necessidade. A região do desejo é bem diferente do território da necessidade. A imaginação é capaz de alucinar a realização de um desejo, embora esse não venha a ser satisfeito; o estômago vazio não se satisfaz com alucinações, a necessidade da fome permanece. As "Trilhas do desejo" apontam para múltiplas faltas anunciadas poeticamente em cada um de nós. Não há mapa nem roteiro para esse percurso que se faz e se refaz somente quando erramos entre as obras de arte e com as obras de arte."

Você acha que precisamos continuar mapeando até quando?

Nessa edição já foi abandonado o termo mapear. Eu não discordo do uso da metáfora cartográfica. Trata-se de um processo contínuo e permanente de trabalho e, por se tratar de cultura e não de um território físico, envolve um campo dinâmico e em constante transformação. O importante é a continuidade de projeto que se dá através de edital público e que é submetido a constante aperfeiçoamento.

Por que o termo mapear não cabe mais? Você acha que a velocidade e/ou a diversidade de mapeamentos (se considerarmos salões, prêmios etc.) correspondem à atualização da produção?

Eu não disse que o termo mapear não cabe mais e sim que a equipe do Rumos preferiu não usá-lo nessa edição. Disse, ao contrário, que não discordo do uso da metáfora cartográfica. Para mim podem dar o nome que quiser desde que não seja uma aberração para nomear o processo de trabalho. Isso não tem importância maior. Sobre a atualização: há uma confusão no uso atual da palavra atualização. Atualizam-se páginas da Internet, versões de software, novas edições de dicionários e enciclopédias; a arte quem atualiza é a história, quando a história muda, muda a arte; a arte não se atualiza sem mudança no mundo, nenhum artista é capaz de decidir que vai atualizar a arte. Sobre a diversidade: nenhum programa, salão ou o que quer que seja, realizará um censo dos artistas existentes num país das dimensões do Brasil. O que programas de mostras periódicas voltadas para a produção de arte emergente faz é mostrar trabalhos que sejam representativos de modo o mais diversificado possível dessa mesma produção. Acho que "Trilhas do desejo" vai nessa direção: estão lá sem hierarquias ou "prioridades" pintura, escultura, instalação, gravura, vídeo, fotografia e performance. O único critério foi o da busca da excelência por parte dos autores. A vantagem desse programa - o Rumos - é ser público e se traduzir num processo de trabalho muito diferente de um salão.

Que metas a edição de 2009 tinha especificamente em relação às outras?

As metas do programa Rumos Artes Visuais de sempre: 1) apresentar uma amostra representativa da produção de arte contemporânea do Brasil pelas obras de artistas que ainda não têm uma grande visibilidade pública; 2) fomentar o debate sobre a arte contemporânea nas diferentes regiões; 3) enriquecer bibliotecas com títulos sobre o assunto; 4) aprofundar a reflexão sobre a arte contemporânea entre artistas, críticos e pensadores por meio de um seminário; 5) distribuir, por meio de uma escolha coletiva, bolsas de residência para artistas no Brasil e no exterior. É lógico que um trabalho permanente, que não é interrompido, vai se aperfeiçoando e essa edição usufruiu da experiência acumulada pelas três edições anteriores. Trata-se de um meio complexo e dinâmico, não é uma economia planificada com passos determinados de antemão e metas quantitativas a serem alcançadas. O que precisamos todos é suspender nossas certezas e se abrir para o inesperado. Assim seremos capazes de olhar o que não esperamos.

Você acredita na formação de gerações pelo Rumos ou pelos programas de mapeamento, todos juntos?

O que eu vejo é que inúmeros artistas mostrados pelo programa Rumos estão aí realizando seu trabalho e sendo vistos em exposições individuais e coletivas. A exposição do Centro Cultural do Banco do Brasil, Nova Arte Nova, com curadoria de Paulo Veancio Filho é um exemplo. Diversos artistas que estão lá já estiveram, antes, em edições anteriores do Rumos Artes Visuais.

Mas daí a ganharem uma narrativa geracional como foi ensaiada num Como vai você geração 80?, por exemplo, é uma outra história... Você acha que esse tipo de articulação e percepção temporal continua possível?

Nos início dos anos 80 havia acontecido uma reviravolta política no mundo. Era o triunfo do que veio a ser chamado neoliberalismo materializado com Ronald Reagan nos Estados Unidos e Margareth Thatcher na Inglaterra; um processo econômico que amadureceu ao longo de muitos anos chegava ao poder político e se expressava com clareza. Naquele momento começou o elogio do mercado como o principal regulador, não apenas do próprio mercado, mas de toda a vida social e a desvalorização do papel do Estado (agora estamos vendo que não é bem assim). Foi nessa conjuntura que surgiu a chamada "retomada da pintura" e o escárnio sobre os projetos conceituais, sobre as instalações e procura de linguagens que, enquanto produto, eram muito mais difíceis de encontrar clientes. Pense bem, você é uma marchande, o que você prefere ou é mais fácil vender, uma pintura ou uma instalação? Essa conjuntura foi a substituição dos hippies pelos yuppies como imagem inovadora do homem médio nas sociedades afluentes. Antes era um ser alternativo, chato, que não gostava de consumir, vivia nômade pelo mundo ou em comunidades fora das cidades fumando maconha ou hachiche, depois veio isso que acaba de estourar e ter que ser revisto: a cocaína, uma droga produtiva que não dá barato, te acende, o elogio do supérfluo, das grifes de todos os tipos: de bolsas a automóveis. O mundo mudou e mudou a arte: antes projetos reflexivos que davam a pensar, linguagens que usavam materiais difíceis de serem vendidos, não serviam para decorar sala de executivos afluentes, depois a pintura, mais fácil de ser comercializada e fácil de ser pendurada em cima de uma sofá, sobretudo, se o artista for citado na mídia.

O que existe hoje é o reconhecimento de contribuições dos anos 60 e 70 do século passado, ou a retomada inconsciente das mesmas questões, na qual não predomina o elogio de apenas um médium: a pintura. A grande vantagem hoje é podermos procurar o potencial poético, não importa de qualquer medium, sem nenhum predomínio de um sobre o outro. A questão do mercado é outra. Ele tem que lidar com o que é vendável e o que não é. O mercado lida apenas com um segmento do que é arte hoje. Alguns raros marchands, no Brasil, têm coragem de se aventurar em investimentos sem retorno a curto prazo e que certamente só poderão ter vida institucional. De qualquer forma eles têm demonstrado mais coragem que as instituições públicas, com rara exceções. O desastre brasileiro se encontra na ausência do poder público, sobretudo federal, no plano das artes visuais. Não existe nenhuma política consistente de bolsas para artistas, de aquisições de obras de arte para acervos locais, regionais e nacionais, numa política específica para museus de arte.

Qual a sua visão de uma narrativa regionalizante do Brasil possivelmente atribuída a um programa como o Rumos?

Acho que estão cada vez mais dissolvidas as características arcaizantes das produções regionais, ao menos no campo das artes visuais. Acho que isso se deve ao selvagem processo de urbanização que hoje concentra nas cidades mais de oitenta por cento da população brasileira.

Que nomes o Rumos 2009 insere de forma mais inédita no circuito?

Prefiro que o público veja a mostra e julgue quais são esses nomes. Para mim todos os quarenta e cinco artistas escolhidos têm uma contribuição a dar ao campo da arte brasileira contemporânea.

Que nomes ele continua a inserir?

Essa pergunta é dispensável.

Me explico para tentarmos complementar as respostas às perguntas acima: quero tratar de aspectos de emergência e continuidade que acredito serem centrais às iniciativas de mapeamento. Sei que a relevância da experiência de cada artista e obra torna-se subjetiva, mas acho válido discutirmos como o programa pode, lançando ou reposicionando carreiras, dialogar com outras instâncias do circuito de arte, seja o mercado ou a própria historiografia do meio. Gostaria, se possível, que você apontasse exemplos que pudessem ilustrar essas supostas relações dentro do Rumos 2009. Existe algum artista que vocês deslocaram de um cenário regionalizado para o nacional? Existem nomes até então com pouca circulação institucional? A maioria deles ainda não estão em galerias? Qual o perfil do currículo de realizações desses artistas, de um modo geral?

Essa pergunta me parece improcedente para um membro da equipe que, do ponto de vista ético, escolhe quarenta e cinco artistas, sem nenhuma hierarquia que não seja o critério da busca da excelência do trabalho. O perfil dos quarenta e cinco escolhidos não difere basicamente. É evidente que o currículo dos 1613 artistas inscritos difere muito.

Que parâmetros o programa assume para distinguir arte jovem? Qual o capital juventude de uma produção?

Antes de tudo, arte jovem não tem nada a ver com a idade de quem a produz. Aliás, não me esqueço do conselho de Nelson Rodrigues aos jovens: "Envelheçam!" Uma arte tem que pertencer ao seu tempo e a seu lugar; se ela conseguir esse tento será sempre uma importante obra de arte, não será jovem, nem velha, será presente. O problema é que o tempo hoje é mais instantâneo graças aos progressos dos meios de comunicação, os problemas urbanos se parecem mais uns com os outros: habitação, violência, etc. Isso leva a que artistas no Acre e no Rio Grande do Sul formulem questões que podem estar próximas umas das outras. De qualquer forma a arte contemporânea no Brasil apresenta uma formidável vitalidade e guarda as características da grande arte de nosso tempo onde cada artista está pressionado a construir seu léxico e sua gramática de modo idiossincrático com resultados poéticos.

Posted by Ana Maria Maia at 2:21 PM | Comentários(1)
Comments

Rumos da desilusão/da porta da esperança/da mega sena.Em 2008 foram 1617 inscritos e 43 escolhidos.
Acho que é mas fácil entrar no big brother do que penetrar neste sistema.
Será que a arte precisa deste sistema tão fechado?
A arte é livre...Afinal, estamos falando de Arte Contemporânea, ou não?

Posted by: Cristina Motta at abril 18, 2009 1:32 AM
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