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abril 7, 2007

Valência olha para o "sul", por Juliana Monachesi

Alberto Baraya.jpg

Valência olha para o "sul"

JULIANA MONACHESI

Estive em Valência, na semana passada, como jornalista convidada da organização da mostra Encuentro entre dos mares, para fazer uma cobertura do evento para a Folha de S.Paulo. A reportagem saiu nesta terça na Ilustrada, mas uma bienal é sempre um mundo de novas informações, impossível de abarcar em um único texto (ou mesmo em vários; muito da última Bienal de São Paulo eu continuo digerindo até hoje, mas o tempo do jornalismo cultural não é o mesmo da "digestão cultural", digamos assim, e muito material - apuração e/ou reflexão - acaba engavetado). Gostaria de relatar com mais detalhe aqui no arteemcirculação a experiência da bienal espanhola que, neste ano, decidiu recomeçar do zero (a Bienal de Valência chegaria à quarta edição agora em 2007) e dar um novo enfoque ao evento: uma "mirada" ao "sul". Deste ano em diante, Valência vai sediar bienalmente uma exposição de arte iberoamericana, com o objetivo de promover um maior diálogo entre a Península e a América Latina. O nome da mostra, que teve sua primeira edição inaugurada no dia 28 de março, é Encontro entre dois mares - Bienal de São Paulo - Valencia.

Um primeiro aspecto positivo da empreitada valenciana, me parece, é a idéia de "especialização" da Bienal. Há tantas e tão semelhantes bienais pelo mundo, que a decisão de ter como ponto de partida um recorte mais específico (e não menos complexo) para um evento internacional de arte que ocorre a cada dois anos, o da "arte iberoamericana", seja lá o que isso venha a ser, é muito instigante. E, ao firmar uma parceria com a Fundação Bienal de São Paulo (o que justifica o subtítulo da mostra) para que haja sempre um desdobramento da exposição paulistana no ano seguinte em Valência, o evento se reveste de mais legitimidade. "A Bienal de São Paulo, com seu histórico e tradição, sempre significou para o cenário das artes uma 'luz ao sul', daí termos decidido que um projeto dedicado à criação iberoamericana necessariamente deveria tratar dela ou, idealmente, agregar a própria Bienal de São Paulo", explica o idealizador do Encuentro entre dos mares, Amador Griñó.

[Neste ponto do texto você pode estar pensando: hmm... mas quanto desse discurso todo não é puro marketing?; o que a Bienal de São Paulo ganha com isso?; qual a natureza desse convênio firmado com a Fundação Bienal?; por que agora, na quarta edição da Bienal de Valência, esse súbito interesse pelo Brasil e demais países latinoamericanos?; e qual a pertinência de se falar em arte "iberoamericana", um termo tão carregado de um sentido de "relação colonial"?; a partir de qual ponto de vista essa produção está sendo olhada? hmm... não sei, não. Todas essas perguntas também me cruzaram a cabeça antes de ver a Bienal, durante o tempo que estive lá trabalhando, e desde que voltei. É um pouco sobre isso tudo que eu queria refletir aqui e daí a importância desse relato mais detalhado que eu estou me propondo a fazer.]

Alberto Baraya 2.jpg

"Frente al eurocentrismo de la Bienal de Venecia, la Bienal de São Paulo está abierta a todos los países y tiene un carácter alternativo, más allá de los marcos del circuito europeo y norteamericano. Desde su fundación, esta Bienal ha ofrecido una atención especial a países que nunca habían podido participar en las bienales europeas, configurándose como una muestra mucho más elástica y abierta al multiculturalismo. Uno de los aspectos fundamentales de la Bienal de São Paulo ha sido señalar a lo largo de los últimos 50 años y, de manera casi premonitoria, las tendencias, muchas veces sorprendentes, del arte iberoamericano. La influencia de la Bienal de São Paulo, cuya proyección es incuestionable, ha hecho posible, con la participación de artistas de todos los países iberoamericanos, diseñar un nuevo mapa colectivo imaginario del continente. La muestra que la Fundação Bienal de São Paulo presentará en Valencia, titulada 'Luz em el Sur', nace del deseo de investigar a través de caminos transversales las complejas relaciones existentes entre la Península Ibérica e Iberoamérica. La exposición reúne de esta manera algunas de las mayores expresiones artísticas lanzadas por la Bienal de São Paulo en los últimos 15 años, o de artistas que bajo el impulso de la Institución Bienal Sao Paulo lograron éxito y reconocimiento", esclarece um texto no site do evento.

São cinco as mostras distribuídas pela cidade de Valência que perfazem este primeiro Encuentro entre dos mares. Uma delas, com curadoria de Agnaldo Farias e Jacopo Crivelli Visconti, é toda dedicada à Bienal de São Paulo. Localizada no Centro del Carmen, edifício construído no século 13 para abrigar um convento carmelita, com claustros gótico (século 15) e renascentista (século 16), Luz ao sul toma o título emprestado da obra de Carmela Gross, um grande luminoso com a palavra "sul" (que pode ser lida como um "palíndromo imperfeito"). A instalação, que foi originalmente construída para uma mostra em São Paulo no final do ano passado, foi montada em uma versão de escala reduzida em Valência, e revestiu-se de outros sentidos uma vez transportada para dentro deste edifício, mais precisamente, para um dos corredores de seu claustro gótico.

Carmela Gross.jpg

Carmela Gross 2.jpg

Se no Brasil a obra - exposta na horizontal, pendendo do teto do Instituto Tomie Ohtake, com a fiação e as lâmpadas fluorescentes chegando até o chão - já tinha um caráter insubordinado em relação às determinações cartográficas, na Espanha, apresentada na vertical, ereta e desafiadora (porque mais hermética, "estrangeira"), a instalação luminosa de Carmela Gross completa seu sentido, nomeando "sul" um outro lugar, mais "central" segundo as convenções da cartografia convencional. Além disso, é esta a obra que recebe o visitante da exposição, logo depois de um vídeo de Cao Guimarães instalado logo na entrada. Quem entra no Centro del Carmen e percorre o trajeto de um claustro a outro (no renascentista está exposta a árvore de látex do artista colombiano Alberto Baraya, curiosamente também na vertical, ao contrário da forma como foi exibida na última Bienal de São Paulo) vai meio hipnotizado e intrigado por aquela enorme escultura feita de luz, que inscreve a dúvida sobre o lugar de cada um, sobre identidade e pertencimento, já na largada.

(continua...)

Posted by Juliana Monachesi at 12:33 AM